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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Contra o bloqueio de Israel a Gaza

Fundador da banda Pink Floyd junta-se à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel e apela aos colegas da indústria da música e a artistas de outras áreas para que adiram também.

O fundador, vocalista e baixista da banda Pink Floyd, cuja música "Another Brick in the Wall Part 2" serviu de hino da juventude negra sul-africana contra o apartheid e, mais tarde, foi também cantada por jovens palestinianos contra o muro que Israel construiu nos territórios ocupados, anunciou este domingo a sua adesão ao boicote cultural contra Israel.

Waters apelou aos colegas da indústria da música e a artistas de outras áreas para aderirem à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que termine a ocupação e a colonização de todas as terras árabes e o muro seja desmantelado; sejam reconhecidos os direitos fundamentais dos cidadãos árabo-palestinianos de Israel em plena igualdade; e sejam respeitados, protegidos e promovidos os direitos dos refugiados palestinianos de regressar às suas casas e propriedades, como estipulado na resolução 194 das NU.

Leia na íntegra a carta aberta divulgada pelo músico britânico.

Carta aberta de Roger Waters

Em 1980, uma canção que escrevi, "Another Brick in the Wall Part 2", foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava a ser usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igual. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinianas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: "Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!" Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas estavam a cantar.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para actuar em Telavive.

Palestinianos do movimento de boicote académico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já me tinha manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinianos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestiniano ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinianos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinianos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: "Não precisamos do controlo das ideias".

Tomando nesse momento consciência que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintainhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinianos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestiniano tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestiniano não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestiniano não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controlo repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinianos de Gaza cercados e os palestinianos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinianos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a actuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinianos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinianos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 das NU.

A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é anti-semita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.

Os artistas tiveram razão de recusar-se a actuar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar actuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinianos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

Postado: http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=13026:roger-waters-adere-ao-boicote-cultural-a-israel&catid=93:direitos-nacionais-e-imperialismo&Itemid=106

Tradução do Comité Palestina

Via Somos Todos Palestina

O MUSEU DA LÍBIA


Notícia da Líbia

O maior e melhor museu da Líbia que abrigava todas as valiosas peças encontradas em todo o comprimento e largura da Líbia foram roubados!
Matar, destruir e roubar praga. Não se enganem no julgamento.

Fonte: leonorenlibiablogspot
(traduzido por google tradutor)


Será que esse foi o motivo da visita de Sarcozy a Líbia??? Será que foi buscar as relíquias para levar para o Louvre???
Ou será que já está havendo negociações entre os colecionadores???
Qual será o destino das relíquias da Líbia???

Museu Assaraya Alhamra

(o Castelo Vermelho)




Essas são algumas peças de um dos Museus da Líbia.









Se você encontrar essas peças em algum museu Francês ou Americano, DENUNCIE









































Lição de Cristovam Buarque, nos EUA, sobre a internacionalização da Amazônia

Um discurso que deve ser lembrado por todos os brasileiros



Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.



Esta foi a resposta do Sr. Cristovam Buarque:

«De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

«Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

«Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.”

«Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

«Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

«Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

«Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

«Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

«Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!»

EUA no MÉXICO

Não podemos esquecer do México!
(Burgos)


Postado por Husc em 25 julho, 2011

No contexto do reajuste geopolítico do alquebrado poderio econômico-militar anglo-americano, que tende a retrogradar ao Hemisfério Ocidental e outras regiões dotadas de recursos naturais, como o continente africano, o México está sendo submetido a várias manobras de caráter geopolítico e paramilitar. Assim, o combate ao narcotráfico que inferniza o país vem se convertendo em pretexto para que o Comando Norte (Northcom) – engrenagem de segurança do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) – seja imposto como o guardião da segurança nacional do país

Mapa dos cartéis das drogas no México.


Ofensa à soberania mexicana

Sob a proteção desse guarda-chuva de segurança, os serviços de inteligência estadunidenses vêm atuando livremente em operações articuladas fora dos trâmites diplomáticos normais e do controle do próprio Congresso dos EUA. Tais operações extrajurisdicionais configuram parte de uma espécie de governo paralelo secreto, com o mesmo DNA da chamada Operação Irã-Contras, do final da década de 1980, financiadas por um vasto esquema de trocas de armas por drogas. Tratavam-se de operações secretas, genericamente enquadradas no que se chamou “Projeto Democracia”, com a intenção manifesta de solapar as instituições nacionais hemisféricas, sobretudo militares, e criar um sistema de soberanias restritas, sob o rótulo de promoção da “democracia” e defesa dos “direitos humanos”. Esta é a atual situação no México.

Tiro que saiu pela culatra

A tensão militar alimentada pelos EUA se intensificou nas últimas semanas, a partir das espantosas revelações sobre a chamada “Operação Velozes e Furiosos”, com a qual o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF), o FBI, a agência antidrogas DEA e outras agências, distribuíram milhares de armas marcadas a narcotraficantes mexicanos, supostamente, para identificar os canais que poderiam levar aos chefões dos cartéis de drogas (MSIa Informa, 15/07/2011). Evidentemente, a operação só produziu o efeito de aumentar a quantidade e a qualidade dos arsenais criminosos no México (de fato, a quase totalidade das armas do narcotráfico mexicano provém dos EUA e atravessa uma fronteira altamente militarizada dos dois lados).

Vale destacar que o know-how desse tipo de operações vem se sofisticando desde a invasão soviética do Afeganistão (1979-88), quando os serviços de inteligência anglo-americanos fomentavam a produção e o tráfico de ópio para financiar as operações anti-soviéticas dos guerrilheiros mujahidin – que, mais tarde, se converteriam nas principais “tropas de choque” do terrorismo internacional.

“Agressão militar” ao México

A abusiva interferência estadunidense no México, as numerosas falhas do improvisado plano de combate ao tráfico do presidente Felipe Calderón e uma investida judicial da Suprema Corte mexicana contra as Forças Armadas têm produzido um quadro de grandes tensões no país. Em meio a tal cenário, o respeitado general da reserva e ex-deputado federal Roberto Badillo escreveu uma espécie de balanço e denúncia dos resultados da chamada Iniciativa Mérida, acordo antidrogas assinado com os EUA, em um artigo publicado em 7 de julho no jornal La Voz del Periodista. Suas palavras:

«Nesses três anos, tenho sustentado que a implementação da Iniciativa Mérida não iria resolver os problemas da violência em nosso país. Para tanto, é preciso levar em conta que os EUA não ajudam a estabilizar países, mas, ao contrário, vão diretamente à desestabilização, ainda mais, se o país a quem ajudam tiver petróleo, como é o caso do México.
«Também são parte dessa agressão o alto consumo de entorpecentes nos EUA, com mais de 25 milhões de consumidores, segundo dados do próprio governo estadunidense, e o envio, mediante a venda clandestina e deliberada de armas ao nosso país (Operação Velozes e Furiosos). Quase 165 mil armas apreendidas pelo Exército e a Força Aérea mexicanos, até abril de 2011, 80% provenientes dos EUA, país que envia deliberadamente armas a outro país.
«Os EUA também agridem o México ao não fazer seu trabalho do seu lado da fronteira, onde chega a droga, que não é entregue a marcianos, mas a cidadãos de seu país. Mas, sobretudo, os EUA agridem o México com a presença de embaixadores especializados em desestabilizar países, como o Irã, Afeganistão, Iêmen e Líbia, bem como com a presença em gabinetes mexicanos, como a SIEDO [Subprocuradoria de Investigações Especializadas em Delinquência Organizada], de companhias civis estadunidenses pagas com recursos da Iniciativa Mérida para controlar as informações sobre o narcotráfico, o crime organizado e “outras informações mais”, com a anuência, desinteresse ou ignorância de funcionários mexicanos.

«Dividir um país é muito simples: basta que os intervencionistas privilegiem alguma das forças que combatem o crime organizado; assim, dividem as forças participantes. O fizeram no Iraque e no Afeganistão, colocando em confronto as etnias religiosas com informações verdadeiras ou falsas. No México, privilegiando a Secretaria de Segurança Pública, que permitiu às agências de inteligência dos EUA estabelecerem um escritório na Cidade do México, pela primeira vez desde 1920, com a anuência da Secretaria de Relações Exteriores.

«A agressão militar, diplomática e governamental de suas agências de inteligência contra o México, incluindo as do Pentágono (com os voos de aviões não tripulados)… não será denunciada pelo atual governo, porque este governo a articulou e permitiu.»

NAFTA não permite Forças Armadas soberanas no México

Não foi um fato fortuito a severa agressão sofrida pelas Forças Armadas mexicanas por parte da Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN), que, em 12 de junho último, de forma inesperada, comunicou a sua decisão de limitar o foro militar, para que os militares passem a ser julgados por tribunais civis em casos de violação de direitos humanos de civis. A despeito da resistência interna, os militares mexicanos foram retirados de seus quartéis para travar a irrefletida e mal planejada guerra ao narcotráfico decretada pelo Governo Calderón. Agora, com a decisão da SCJN, os militares que continuem realizando operações antidrogas poderão ser punidos com o instrumento da suposta defesa dos direitos humanos.

Direitos humanos como ferramenta geopolítica
A defesa dos direitos humanos tem sido manipulada desde a década de 1980, como um instrumento político dos centros de poder anglo-americanos contra as Forças Armadas ibero-americanas. A investida ganhou terreno na América do Sul, a ponto de, na década seguinte, desarticular as Forças Armadas da Argentina e retardar os programas de modernização das brasileiras. Ela se ampliou grandemente, graças ao ativismo de ONGs bem financiadas, como a Human Rights Watch (vinculada ao megaespeculador George Soros) e outras. Tal política supranacional se incrustou na própria Organização dos Estados Americanos (OEA), por intermédio da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que tem realizado sucessivas intervenções políticas contra o Brasil. Com isso, a defesa ad hoc dos direitos humanos se converteu em abre-alas dos poderes hegemônicos mundiais.

Intervenção estrangeira

A ingerência da CIDH na decisão da Suprema Corte mexicana foi visível, sendo mencionada pelo senador Pedro Joaquín Coldwell, presidente da Comissão de Pontos Constitucionais do Senado. Em entrevista ao jornal Excelsior de 14 de julho, ele afirmou que a CIDH foi a entidade que fez ver ao Estado mexicano que o artigo 59 do Código de Justiça Militar seria inconstitucional, porque o artigo 13 da Constituição determina que foros militares somente existem para delitos contra a disciplina militar. Não obstante, a resolução da SCJN foi a gota d’água para que se manifestasse publicamente a enorme insatisfação existente nas Forças Armadas, por serem obrigadas a travar uma guerra sem condições de vencê-la. Em entrevista ao Excelsior de 19 de julho, o subsecretário da Defesa, general Carlos Demetro Gaytán, afirmou que os problemas da participação das Forças Armadas na luta antidrogas decorrem da inexistência de uma política formal de segurança nacional e de uma regulamentação de tal participação: «É preciso considerar que estamos enfrentando um conflito assimétrico, porque as Forças Armadas estão preparadas para uma coisa e, no entanto, estão enfrentando um inimigo que não tem rosto. Estão enfrentando um inimigo que está atuando no espaço onde nossos cidadãos fazem sua vida cotidiana.»
Entre a cruz e a caldeirinha
As reações à decisão da SCJN têm sido intensas. O ânimo dos quartéis se reflete na enxurrada de repúdios vertidos via imprensa. Um coronel exemplificou como funciona o crime organizado: «Há muitas denúncias de delinquentes que dizem que vulneramos suas garantias para se evadir da justiça. Enquanto não tenhamos algo que nos proteja, não podemos continuar atendendo as denúncias cidadãs, porque podemos chegar a uma casa de segurança e, embora se saiba que ali há sequestrados ou que há torturas, não podemos entrar porque não temos ordem de busca ou não estamos facultados. Depois, nos acusarão de que violamos direitos de civis.» Mais claramente, a resolução também foi devidamente entendida como uma agressão externa. Como sintetizou ao jornal Reforma de 14 de julho o general da reserva Jorge González Betancourt: «Essas são pressões de organizações internacionais que só desejam o desprestígio das Forças Armadas.»

Silvia Palacios e Lorenzo Carrasco
Movimento de Solidariedade Íbero-americana

Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 10, de 22 de julho de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco, Nilder Costa e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.

Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.
retirado do Blog do ambientalismo

EUA E SEUS ALIADOS EUROPEUS ESTÃO PRESOS EM UM PÂNTANO, diz Tariq Ali


“Um década depois dos atentados do 11 de Setembro, os EUA e os seus aliados europeus estão presos num pântano. Tirando a retórica de Obama, pouco divide essa administração da sua predecessora. Enquanto isso, os bons cidadãos da Euro-América que se opõem às guerras feitas pelos seus governos evitam olhar para os mortos, feridos e órfãos do Iraque e do Afeganistão, da Líbia e do Paquistão... a lista continua a crescer.

O artigo é do escritor paquistanês Tariq Ali, na revista estadunidense “Counterpunch”

'Um soberano é aquele que decide em caso de exceção,' escreveu Carl Schmitt em tempos diferentes, quase há um século, quando os impérios e exércitos europeus dominavam a maioria dos continentes e os EUA desfrutavam de um sol isolacionista. O que o teórico conservador queria dizer com 'exceção' era um estado de emergência, necessário devido a cataclismos econômicos ou políticos, que requeriam a suspensão da Constituição, repressão interna e guerra no estrangeiro.

Um década depois dos atentados do 11 de setembro, os EUA e os seus aliados europeus estão presos num pântano. Os eventos daquele ano foram usados como pretexto para refazer o mundo e punir os que não obedecessem. Hoje, enquanto a maioria dos cidadãos euro-americanos vagueia por um deserto moral, infelizes com as guerras, propagandeadas como algo diferente do que realmente são: uma estratégia imperial abrangente, o General Petraeus (atualmente comanda a CIA) diz-nos: “Temos de reconhecer, também, que não que vamos ganhar esta guerra. Penso que continuaremos a lutar. É um pouco como o Iraque, na verdade... Sim, tem havido enormes progressos no Iraque. Mas ainda existem ataques horríveis, e temos de continuar vigilantes. Temos de ficar depois de acontecerem. Este é o tipo de luta em que estamos para o resto das nossas vidas e provavelmente das vidas dos nossos filhos.” Assim fala a voz do poder soberano, determinando que, neste caso, a exceção é a regra.

Embora não concorde com a sua resposta, o filósofo alemão Jürgen Habermas colocou uma questão importante: 'Será que o universalismo que nós atribuímos aos direitos humanos apenas esconde um instrumento sutil e enganador da dominação ocidental?' 'Sutil' poderia ser apagado. As experiências nos territórios ocupados falam por si próprias. Dez anos de guerra contínua no Afeganistão, um impasse sangrento e brutal com um regime marionete e corrupto cujo presidente e sua família enchem os bolsos com ganhos duvidosos e um exército EUA/OTAN incapaz de derrotar os insurgentes.

Agora, esses atacam à vontade, assassinando o irmão corrupto de Karzai, acabando com os seus principais colaboradores e atingindo pessoal-chave da inteligência da OTAN via terrorismo suicida ou derrubando helicópteros. Entretanto, nos bastidores, sessões prolongadas de negociações entre os EUA e os neotaliban têm ocorrido desde há vários anos. O objetivo revela desespero. A OTAN e Karzai estão desesperados por recrutar os talibãs para um novo governo nacional.

Políticos conservadores e liberais euro-americanos que formam a estrutura das elites governantes e declaram acreditar em moderação, tolerância e fazer guerras para impor os mesmos valores nos Estados recolonizados ainda estão cegos pela sua situação e não conseguem ver o que está escrito na parede. Não obstante a sua piedosa renúncia à violência terrorista, não têm problemas em defender a tortura, as prisões ilegais, o assassínio de indivíduos, estados de exceção ilegítimos para que possam prender qualquer um indefinidamente e sem julgamento. Entretanto, os bons cidadãos da Euro-América que se opõem às guerras feitas pelos seus governos evitam olhar para os mortos, feridos e órfãos do Iraque e do Afeganistão, da Líbia e do Paquistão... a lista continua a crescer.

A guerra –jus beli– é agora um instrumento legítimo conquanto seja usado com a aprovação dos EUA e, de preferência, usado pelas suas tropas. Hoje em dia, é apresentada como uma necessidade “humanitária”: um lado está ocupado a cometer crimes, o lado moralmente superior está simplesmente a administrar a punição necessária; e nega-se a soberania ao Estado a derrotar. A sua substituição é cautelosamente policiada, tanto através de bases militares como através de uma combinação de ONGs e dinheiro. Essa colonização ou dominação do século XXI é auxiliada pelas redes midiáticas globais, um pilar essencial para conduzir operações políticas e militares.

Comecemos pela segurança interna nos EUA. Contrariamente ao que muitos liberais imaginavam em novembro de 2008, a degradação da cultura política americana continua rapidamente. Em vez de inverter a tendência, o advogado-presidente e a sua equipe aceleraram o processo. Houve mais deportações de imigrantes do que no mandato de Bush; poucos prisioneiros detidos sem julgamento foram libertados de Guantánamo, uma instituição que o advogado-presidente prometeu encerrar; o “Patriot Act” e o seu conteúdo sobre o que constitui um amigo ou inimigo foi renovado; começou uma nova guerra na Líbia sem a aprovação do Congresso, utilizando como desculpa o fato de “os bombardeios sobre um Estado soberano não constituírem um ato hostil” [sic!]; os denunciadores estão sendo vigorosamente perseguidos, e por aí adiante –a lista cresce a cada dia que passa.

A política e o poder apagam tudo o resto. Os liberais que ainda acreditam que a administração Bush transcendeu a lei enquanto que os Democratas são exemplo de conduta estão cegos pelo tribalismo político. Tirando a retórica de Obama, pouco divide esta administração da sua predecessora. Ignorem, por um momento, o poder dos políticos e dos propangadistas para impor os seus tabus e preconceitos sobre a sociedade americana em geral, um poder muitas vezes usado agressiva e vindicativamente para calar a oposição em qualquer lado –Bradley Manning, Thomas Drake (libertado após uma grande indignação dos média liberais), Julian Assange, Stephen Kim, que estão a ser tratados como criminosos, inimigos públicos, sabem melhor do que ninguém.

Nada mostra melhor essa degradação do que o assassinato de Osama Bin Laden em Abbotabad. Poderia ter sido capturado e levado a tribunal, mas essa nunca foi a intenção. O humor liberal foi espelhado pelos cântico ouvidos em Nova Iorque: “U-S-A. U-S-A. Obama apanhou Osama. Obama apanhou Osama. Não podes derrotar-nos (aplausos). Não podes derrotar-nos. Linchem o Bin-Laden. Linchem o Bin Laden”.

Isto foi repetido numa linguagem mais diplomática pelos líderes da Europa, parceiros júniores na família imperial das nações, incapaz de autodeterminação. Vênias e hipocrisia tornaram-se o cunho da cultura política.

Vejamos o exemplo da Líbia, o último caso da 'intervenção humanitária'. A intervenção EUA-OTAN na Líbia, com a cobertura do Conselho de Segurança das Nações Unidas, é parte de um resposta orquestrada para demonstrar apoio a um movimento contra um ditador em particular e assim terminar as rebeliões árabes, colocando-as sob controle ocidental, confiscando a sua impetuosidade e espontaneidade e tentando restaurar o status quo ante. Como é agora evidente, os britânicos e os franceses gabam-se do seu sucesso e que controlarão as reservas de petróleo líbias como pagamento de seis meses de campanha de bombardeamentos.

Entretanto, os aliados de Obama no mundo árabe prometeram trabalhar arduamente para implementar a democracia.

Os sauditas entraram no Bahrein, onde a população está sendo tiranizada e onde estão acontecendo prisões em larga escala. Isso não é muito divulgado pela Al-Jazeera. Pergunto-me por quê? A estação parece ter sido posta na ordem e em sintonia com a política dos seus fundadores. Tudo isso com o apoio dos EUA. O déspota no Iêmen, odiado pela maioria do seu povo, continua a matá-los todos os dias através de controle remoto a partir da sua base saudita. Nem mesmo um embargo de armas, quanto mais uma “zona de exclusão aérea” lhe é imposta.

A Líbia é mais um caso da vigilância seletiva pelos norte-americanos e pelos seus cães de ataque no Ocidente. O fato de os Verdes alemães, que estão entre os mais ardentes defensores europeus do neoliberalismo e da guerra, quererem fazer parte dessa companhia revela mais sobre a sua própria evolução do que os méritos ou deméritos da intervenção.

As fronteiras do esquálido protetorado que o Oeste vai criar estão sendo decididas em Washington. Mesmo aqueles líbios que, em desespero, apoiaram os jatos da OTAN, poderão –como o seu equivalente iraquiano– arrepender-se.

Tudo isso desencadeará uma terceira fase a qualquer altura: uma crescente raiva nacionalista que chegará à Arábia Saudita e aí, sem dúvida, Washington fará tudo o que for necessário para manter a família real saudita no poder. Perder a Arábia Saudita significa perder todos os Estados do Golfo. O assalto à Líbia, fortemente ajudado pela imbecilidade de Khadafi em todas as frentes, foi desenhado para retirar a iniciativa das ruas, parecendo ser uma defesa dos direitos civis. Os bahreinianos, os egípcios, os tunisinos, os sauditas e os iemenitas não serão convencidos, e mesmo na Euro-America mais estão a opor-se a essa última aventura do que a apoiá-la. As lutas não estão terminadas.

O poeta alemão de século XIX Theodor Däubler, escreveu:

“O inimigo é a nossa questão encarnada

Ele perseguir-nos-á, e nós persegui-lo-emos com o mesmo propósito”.

O problema dessa visão, hoje em dia, é que essa categoria de inimigo, determinada pelas necessidades políticas dos EUA, muda demasiadas vezes. Ontem, Saddam e Khadafi eram amigos, regularmente ajudados pelas agências ocidentais de informações para lidar com os seus próprios inimigos. O último tornou-se amigo quando o primeiro se tornou inimigo. E assim continua a desordem mundial. O assassinato de Osama Bin Laden foi aplaudido pelos líderes Europeus como algo que faria do mundo um lugar mais seguro. Digam isso às fadas.”




FONTE: artigo de Tariq Ali, publicado no “Counterpunch” (revista bisemanal publicada nos Estados Unidos) e transcrito no site “Carta Maior” com a tradução de Sofia Gomes para o “Esquerda.net”. O autor, Tariq Ali, nascido em Lahore, em 21 de outubro de 1943, é escritor e ativista paquistanês. Escreve periodicamente para o jornal britânico “The Guardian” e para a revista “New Left Review”. (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18466)
retirado do site Democracia e política

HIPOCRISIA AMBIENTALISTA 3


Thomas Lovejoy “strikes again”

Há décadas, o biólogo estadunidense Thomas Lovejoy é um dos influentes integrantes das campanhas do movimento ambientalista internacional na Amazônia brasileira. Entre as suas contribuições, foi o idealizador da esdrúxula proposta de trocas de “dívida-por-natureza” (debt-for-nature swaps), que permitiria o abatimento de parcelas das dívidas externas de países dotados de grandes áreas florestais em troca de compromissos com a preservação destas. Embora não tenha proliferado, a proposta foi o embrião dos dispositivos financeiros que, atualmente, seduzem governos – como o brasileiro – para aderir a mecanismos compensatórios semelhantes, sob pretexto do combate ao aquecimento global.

Presença suspeita

Recentemente, Lovejoy foi um dos especialistas consultados para a elaboração do relatório «Brasil Global e Relações EUA-Brasil», recém publicado pelo Conselho de Relações Exteriores (CFR), um dos mais influentes órgãos deliberativos do establishment estadunidense, que convida o Brasil a investir no molde de uma “potência ambiental” e grande exportador de matérias-primas e energia (MSIa Informa, 11/08/2011). Em 16 de agosto, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com ele, que está de férias no País. Mas, aparentemente, sua visita tem outras finalidades, pois coincide com uma intensa mobilização do aparato ambientalista para tentar influenciar a votação do projeto de reforma do Código Florestal, atualmente em tramitação no Senado. Não por acaso, a entrevista à Folha foi orientada para a ideia de que o Código não precisa de mudanças.

Continua o alarmismo

Fiel ao alarmismo que tem caracterizado a sua militância “verde”, ele sugere que a devastação na Amazônia pode estar chegando a um limite irreversível. Em suas palavras: «O Banco Mundial pôs 1 milhão de dólares num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento [da floresta original]. Estamos bem perto, 18%. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de dieback [colapso] na Amazônia.» Segundo ele, tal limite poderia ser atingido em pouco tempo: «Não fiz cálculos, mas não tomaria muito tempo. Pode ser cinco anos, se continuar assim. Claro que [a devastação] traz implicações para os padrões de chuva, incluindo as áreas agroindustriais de Mato Grosso e mais ao sul, até o norte da Argentina.» Questionado pela jornalista Anna Virginia Balloussier, sobre a rigidez da legislação ambiental brasileira, comparada à dos EUA, onde «sequer estão na mesa criar coisas como a reserva legal», Lovejoy saiu-se com a seguinte: «Só estou tentando pensar no que faz sentido para o Brasil, não necessariamente no que faz sentido o Brasil fazer para o resto do mundo. O atual Código Florestal é um dos mais visionários [sic] do planeta. Nos EUA, temos de pagar o preço de não ter tido essa visão há muito tempo. E também não temos florestas tropicais, mais sensíveis.»

Recados ambientalistas

Outra pergunta, sobre a avaliação da atitude da presidente Dilma Rousseff no debate, lhe proporcionou transmitir diretamente o “recado” do aparato ambientalista: «Até agora, parece muito prático, sério. Como ela vai responder a qualquer que seja o Código Florestal será, claro, um grande teste. Mas ter deixado claro que o governo Dilma não aprovaria a anistia [aos desmatadores] é um sinal bem positivo. O que é perigoso, na lei, é a ideia de dar o poder de demarcar as reservas legais aos Estados. Se você vai administrar a Amazônia como sistema, precisa ser consistente.» Da mesma forma, ele assim respondeu à pergunta sobre se o Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia: «O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países [amazônicos]. O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil.»

Chantagem ambientalista

Como se percebe, é a mesma surrada agenda do ambientalismo desde a década de 1980: na época, a “soberania restrita” sobre a Amazônia; hoje, “responsabilidades compartilhadas”, com apoio externo em troca de que o País abra mão de desenvolver e modernizar a economia amazônica. Para concluir, não poderia faltar uma menção ao aquecimento global:
Folha«Parte da comunidade científica minimiza o papel do homem no aquecimento global. O que o sr. acha?»

Lovejoy «Não há quase nenhum cientista com credibilidade que acredite nisso. Nos últimos 10 mil anos, a história climática do planeta foi bem estável. Agora, nós o estamos mudando. Está claro que 2ºC a mais é muito para a Terra.»
Como sabe qualquer pessoa com um conhecimento perfunctório da história climática do Holoceno, os últimos 12 mil anos em que a Civilização tem existido, grande parte deste período tem experimentado temperaturas mais elevadas que as atuais. O mesmo ocorreu com os níveis do mar, que chegaram a ser 3-4 metros superiores aos atuais, há 5000-6000 anos, no chamado Holoceno Médio. Em suma, mesmo “de férias”, convém prestar (muita) atenção à movimentação de Lovejoy.

Quem é Thomas Lovejoy

Thomas E. Lovejoy III é um veterano integrante do movimento ambientalista internacional, sendo um dos seus mais graduados especialistas em assuntos referentes à Amazônia, região onde tem trabalhado desde a década de 1960. Seu currículo inclui importantes posições em diversas áreas do aparato ambientalista. Entre outras, foi diretor do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nos EUA, diretor do Instituto Smithsoniano e conselheiro do Departamento de Estado para assuntos de biodiversidade e meio ambiente. Atualmente, é assessor da Presidência do Banco Mundial e da Presidência da Universidade das Nações Unidas, presidente do Centro Heinz para a Ciência, Economia e Meio Ambiente (ligado à influente Fundação Heinz) e professor da Universidade George Mason. O seu verbete na Wikipedia informa, também, que ele foi o introdutor da expressão “diversidade biológica”, na década de 1980. Da mesma forma, ele criou o conceito das “ilhas” de biodiversidade, que ficaram conhecidas como “ilhas de Lovejoy”. Segundo ele, suas observações na Amazônia revelaram que, quando o desmatamento da floresta deixava pequenas parcelas com a vegetação original, estas áreas diminutas perdiam a sua biodiversidade, com a fuga das aves e morte das árvores.
Alarmista, como sempre

O verbete também menciona, sem dar detalhes, uma citação sua sobre o impacto das ações humanas na biodiversidade: «Centenas de milhares de espécies perecerão, e esta redução de 10-20% da biota terrestre ocorrerá em mais ou menos a metade do período de uma vida humana… Esta redução da diversidade biológica do planeta é o assunto mais fundamental do nosso tempo.» Como se pode perceber, as ideias de Lovejoy têm representado importantes ferramentas de trabalho para o ambientalismo e suas campanhas intervencionistas, em especial, no Brasil.

Afirmações sem base científica, para variar…

Quanto à precisão científica delas, é outra história. A falta de fundamentação para o catastrofismo de Lovejoy et alii fica evidenciada, por exemplo, em seus prognósticos sobre a extinção de espécies. Um dos poucos que se deram ao trabalho de verificar a origem desses valores foram o economista Julian Simon e o cientista político Aaron Wildavsky. Na década de 1980, depois de levantar muitas referências retroativas, eles chegaram a Lovejoy e seu colega Norman Myers. O primeiro, então no WWF, era citado no relatório Global 2000, divulgado em 1977 pelo governo dos EUA, afirmando que, «das 3-10 milhões de espécies hoje presentes na Terra, pelo menos 500.000-600.000 serão extintas durante as próximas duas décadas». Em um artigo conjunto publicado no livro The Resourceful Earth (1984), editado por Simon e Herman Kahn, Simon e Wildavsky observam:
«A base para qualquer projeção para o futuro útil deve ser um conjunto de dados coletados em situações que englobem as condições esperadas, ou que possam ser racionalmente extrapolados para as condições esperadas. Porém, nenhuma das referências de Lovejoy contém qualquer conjunto de dados cientificamente relevante. A única fonte publicada mencionada para a sua tabela principal é um livro de Norman Myers, ‹The Sinking Ark›, escrito sob os auspícios de um comitê do qual Lovejoy é um dos três membros. Os textos de Myers e Lovejoy, que não são independentes, parecem ser a única fonte básica de todos os amplamente discutidos prognósticos sobre extinções de espécies.»

Incrível suposição

No livro de Myers, encontra-se a seguinte observação: «Suponhamos que… a quarta parte final deste século presencie a eliminação de um milhão de espécies – uma perspectiva longe de ser improvável. Isto se traduziria… numa taxa de extinção média… superior a 100 espécies por dia.» Aí está, sem rodeios, a origem dos números escabrosos que têm sido repetidos como mantras desde então: nada mais, nada menos que simples suposições, sem qualquer valor científico real, como demonstraram Simon e Wildavsky.


Abrindo o jogo

Em uma entrevista publicada em 1983, Lovejoy falou abertamente sobre os objetivos da estratégia ambientalista:

Lovejoy«Eu quero esclarecer uma coisa agora mesmo: algumas pessoas têm circulado histórias maldosas de que o WWF está tentando parar todo o investimento no setor em desenvolvimento, que não queremos nenhuma indústria, que tudo em que estamos interessados são em plantas e animais. Isto é uma mentira…»

Pergunta«Mas o WWF não se coloca ao lado dos animaizinhos e plantas exóticas, contra o desenvolvimento industrial e de exploração de recursos naturais em certas áreas?»
Lovejoy:

«Certamente. Mas isso não significa que somos contra o desenvolvimento. Somos contra o desenvolvimento descuidado. Quem você pensa que eu sou? Você sabe realmente quem sou eu? Sou o presidente do comitê executivo da diretoria da [seguradora] Metropolitan Life. Você sabe quem é realmente Russell Train [na época, presidente do WWF-EUA e ex-alto funcionário da OTAN]? Quem, diabos, você pensa que faz investimentos no setor em desenvolvimento? Quem ganha dinheiro? Dê uma olhada na diretoria do WWF e você encontrará os líderes da comunidade empresarial e financeira! Somos nós que investimos. Lucramos e queremos continuar assim – ao mesmo tempo em que estamos protegendo os animaizinhos… O maior problema são esses malditos setores nacionalistas desses países em desenvolvimento. Esses países pensam que podem ter o direito de desenvolver seus recursos como lhes convêm. Eles querem se tornar potências, estados soberanos e elaboram suas estratégias… Nós achávamos que podíamos controlar melhor as coisas argumentando com esses líderes, esses tolos nacionalistas. Superestimamos a nossa capacidade de controlar as pessoas e vamos ter que ajustar isso. Será um ajuste doloroso, sem dúvida. Não, o problema real é este nacionalismo estúpido e os projetos de desenvolvimento aos quais ele leva.»

Arrogância e desprezo pelo Brasil

«Os brasileiros – e eu sei disto de uma experiência de 17 anos – pensam que podem desenvolver a Amazônia, que podem tornar-se uma superpotência. Vivem de peito estufado com isso. Portanto, você tem que ser cuidadoso. Você pode ganhá-los com pouco. Deixe-os desenvolver a bauxita e outras coisas, mas restruture os planos para reduzir a escala dos projetos de desenvolvimento energético alegando razões ambientais. Eles não podem conseguir dinheiro agora. Então, fazemos com que alguns bancos amigos digam a eles que eles podem conseguir dinheiro para o que estamos sugerindo. Então, alguns de nossos amigos no ministério de planejamento vêm e dizem que isto é uma boa idéia.» (Club of Life White Paper, International Bankers’ Real Agenda: Global Depopulation, New York, February 1983)

Atualmente, Lovejoy é mais cuidadoso com suas palavras (ele já chegou a negar a autoria da entrevista), mas o seu empenho na “guerra irregular” que o aparato ambientalista internacional move contra o Brasil continua sendo o mesmo.





Movimento de Solidariedade Íbero-americana

Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 15, de 25 de agosto de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.

Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.

Mensagens e sugestões ➞ favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.

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Imagem ➞ http://bionarede.blogspot.com

Blog Ambientalista

Otan não respondeu a Fidel Castro?















Em 1999, numa reunião de cúpula de chefes de Estado e de governo da América Latina e Caribe, realizada em 28 de junho no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o então presidente de Cuba, Fidel Castro, formulou três perguntas à Otan. Até hoje não foram respondidas. Enquanto isso, a Aliança Atlântica prossegue sua guerra de agressão contra a Líbia.

Dizia Fidel: Há uma questão política de suma importância, que não posso deixar de assinalar sobre a nova concepção estratégica da Otan. Menciono quatro parágrafos.

Um: "Com o propósito de fomentar a paz e a estabilidade na Europa e em um contexto mais amplo, os aliados europeus elevam sua capacidade para a ação, incluído o aumento de seu poderio militar."

Dois: "A segurança da Aliança segue sujeita a uma ampla variedade de riscos militares. [...] Entre esses riscos estão a incerteza e a instabilidade na região euro-atlântica e em seus arredores, e a possibilidade de crises regionais na periferia da Aliança."

Três: "Contar-se-á com um maior número de elementos de força nos níveis de preparação adequados para efetuar operações prolongadas, seja dentro do território da Aliança ou fora deste."

Quatro: "É mais provável que as possíveis ameaças à segurança da Aliança emanem de conflitos regionais, étnicos ou outras crises mais além do território da Aliança, assim como a proliferação das armas de destruição em massa e seus vetores."

Desejo fazer três brevíssimas reflexões e perguntas.

Um: Desejaríamos que se nos esclarecesse, se for possível, se os países da América Latina e do Caribe estão ou não compreendidos dentro da periferia euro-atlântica definida pela Otan.

Dois: A União Europeia, depois de muitos debates, deu seu apoio a uma declaração desta Cúpula, que diz: "esta associação estratégica se sustenta no pleno respeito ao direito internacional e nos propósitos e princípios contidos na Carta das Nações Unidas, os princípios de não intervenção, o respeito à soberania, a igualdade entre os Estados e a autodeterminação". Isto significa que os Estados Unidos se comprometem também a respeitar os princípios contidos neste acordo de seus aliados? Qual será a atitude da Europa se os Estados Unidos decidirem por sua própria conta começar a lançar bombas e mísseis com qualquer pretexto contra qualquer dos países da América Latina e do Caribe aqui reunidos?

Três: Todo o mundo sabe que, por exemplo, Israel possui centenas de armas nucleares elaboradas com determinada ajuda ocidental, sobre a qual se tem guardado estranho e hermético silêncio.

Significaria isto que qualquier dia a Otan, partindo do ponto quatro anteriormente assinalado, em virtude de uma proliferação clandestina não só de armas de destruição em massa, mas também de uma produção massiva dessas armas, poderia proceder a lançar milhares de bombas sobre Jerusalém, Tel Aviv, cidades israelenses e palestinas, destruir sistemas elétricos, indústrias, estradas e todos os meios essenciais de vida desses povos, matando diretamente a dezenas de milhares de civis inocentes e ameaçando a existência do restante da população? Pode ser esta a solução civilizada de semelhantes problemas? Seria possível garantir que isto não conduziria a um conflito nuclear? Aonde nos levaria a nova e insustentável doutrina da Otan?

Depois de ter expressado apenas uma mínima ideia com relação a este delicado tema, não tenho mais nada a dizer. Peço perdão.


Fonte: Granma, Vermelho


Estamos em 2011, será que alguém pode me informar se houve resposta da OTAN(NATO)?


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quem mata mais crianças? A Fome ou a Guerra?


É inimaginável, é surreal!!!

Eu, que sou um animal "irracional" jamais vou conseguir compreender que no mundo dos "humanos" exista terceirização de guerra.

O Governo EUA contratam empresas para bombardear outros países, torturar e matar mlhares de inocentes e enquanto na Somália morrem em média 9,6 mil crianças ao mês de FOME, que mundo é esse que gastam bilhões em dinheiro para matar e nenhum centavo para acabar com a fome das crianças.

É como se fosse uma "competição", quem consegue matar mais crianças no mundo? A fome na Somália? Ou os EUA/OTAN na guerra? Está acirrada essa competição!!!


Leio uma notícia em que diz: O Subcomité para as Relações Externas do Senado dos Estados Unidos efetuou uma audição para analisar formas de responder à pior seca e fome na Somália nos últimos 60 anos e que nos últimos três meses matou 29 mil crianças somalis.


Líderes de grupos de auxílio testemunharam na audição ser desesperadamente necessário mais dinheiro de entidades privadas e governamentais para ajuda alimentar e pediram ao presidente Barack Obama e à primeira-dama Michelle Obama para encorajar as pessoas a darem para aqueles em necessidade na Somália.


Gastam bilhões para guerra, e para acabar com a fome de crianças o sub-comitê faz uma audição???

Imaginem "humanos", crianças morrendo de fome, num país pobre com uma seca imensa pedindo alimento ao papai e a mamãe e eles respondem: Espera um pouco filhos que o sub-comitê foi fazer uma audição para ver se pode nos dar comida.

Que mundo é esse?

Que inversão de valores existe hoje, onde financiar empresas e contratar mercenários é mais importante que acabar com a fome das crianças???????


No mundo dos "humanos" os conceitos prioritários estão totalmente distorcidos, um mundo onde matam crianças na guerra e matam crianças de fome.


Abaixo reproduzo um texto dramático sobre a fome das crianças e a vida das mães na Somália.


INSTINTO DE FÊMEA


Das perversidades planetárias da atualidade, a situação dos 440 mil refugiados da Somália é, provavelmente, a mais atroz de que se tem notícia. Famílias inteiras cruzando o deserto para fugir de um cruel inimigo, produzido pela mais grave das chagas morais da humanidade: a fome – principal produto do egoísmo na Terra.

Qualquer comoção diante da sucessão de tragédias suportadas pelos somalis assume dimensões de um soco no estômago. Acompanhar o noticiário daquele submundo equivale a sentir o cinismo da espécie dita “civilizada”. De todas as informações, algumas se sobressaem como vísceras expostas.

A ausência de choro nas crianças ocorre em decorrência do avançado estado de desnutrição. O mais básico instinto infantil, a primeira e mais elementar forma de expressão humana desapareceu, por completo. "Ela tem muita fome, mas acho que ficou fraca demais para chorar", diz uma das mães, Shukri Mohamed, de 28 anos, embalando seu bebê de oito meses.
Outra face da crise humanitária que chama a atenção: à frente da migração compulsória de milhares de pessoas que fogem da fome estão mulheres e não homens ou líderes. Dos 440 mil refugiados no campo de Dadaab, 80% são mulheres, crianças e idosos. As mulheres são responsáveis por garantir a sobrevivência de suas famílias. Os homens ficaram para trás - ou porque foram forçados a lutar na guerra ou porque alegam que precisam proteger suas propriedades e animais. Eles não admitem perder seus bens materiais. Embora de menor importância, o detalhe escancara, em contraponto, o instinto básico, feminino: o cuidado, a proteção, a nutrição - em uma escala de valores completamente diferente da maioria dos machos.

Numa folheada rápida, este final de semana, no livro da escritora americana Susan Sontang, Olhando a Dor dos Outros, observei o relato de uma troca de cartas entre um advogado inglês e a romancista britânica Virginia Woolf. O advogado considerava as possibilidades de prevenir o começo das guerras. Woolf respondeu que guerra era coisa de homens, que gostam de guerras, em troca da gloria e da satisfação em lutar, emoções de pouca ressonância no psiquismo feminino.

Além de assistirem à esqualidez de seus rebentos secos pela fome, as mulheres da Somália ainda enfrentam outra crueldade, os frequentes ataques de estupros. Segundo o Internacional Rescue Committee, os casos multiplicaram-se por quatro desde maio. Entre janeiro e junho, foram registrados 358 casos – mais de 2 por dia e nenhuma punição.

Halliburton, Dyn Corp, Blackwater e a matemática macabra do 11 de setembro








A resposta dos EUA ao ataque contra o World Trade Center engendrou duas novas guerras e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, algumas centenas de milhares de pessoas foram mortas. Para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Mas essa história não se resume a mortes. A invasão do Iraque rendeu bilhões de dólares a empresas norteamericanas. Essa matemática macabra aparece também no 11 de setembro de 1973. O golpe de Pinochet provocou 40 mil vítimas e gordos lucros para os amigos do ditador e para ele próprio: US$ 27 milhões, só em contas secretas.

Marco Aurélio Weissheimer
O mundo se tornou um lugar mais seguro, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro e da “guerra ao terror” promovida pelos Estados Unidos para se vingar do ataque? A resposta de Washington ao ataque contra o World Trade Center e o Pentágono engendrou duas novas guerras – no Iraque e no Afeganistão – e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, mais de 900 mil pessoas já teriam perdido suas vidas até hoje. Os números são do site Unknown News, que fornece uma estatística detalhada do número de mortos nas guerras nos dois países, distinguindo vítimas civis de militares. A organização Iraq Body Count, que usa uma metodologia diferente, tem uma estatística mais conservadora em relação ao Iraque: 111.937 civis mortos somente no Iraque.
Seja como for, a matemática da vingança é assustadora: para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Em qualquer um dos casos, a reação aos atentados supera de longe a prática adotada pelo exército nazista nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial: executar dez civis para cada soldado alemão morto. Na madrugada do dia 2 de maio, quando anunciou oficialmente que Osama Bin Laden tinha sido morto, no Paquistão, por um comando especial dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama afirmou que a justiça tinha sido feita. O conceito de justiça aplicado aqui torna a Lei do Talião um instrumento conservadora. As palavras do presidente Obama foram as seguintes:
"Foi feita justiça. Nesta noite, tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças."


O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso.

Nem tudo é dor e sofrimento




Mas a história dos dez anos do 11 de setembro não se resume a mortes, dores e sofrimentos. Há a história dos lucros também. Gordos lucros. Uma ótima crônica dessa história é o documentário “Iraque à venda. Os lucros da guerra”, de Robert Greenwald (2006), que mostra como a invasão do Iraque deu lugar à guerra mais privatizada da história: serviços de alimentação, escritório, lavanderia, transporte, segurança privada, engenharia, construção, logística, treinamento policial, vigilância aérea...a lista é longa. O segundo maior contingente de soldados, após as tropas do exército dos EUA, foi formado por 20 mil militares privados. Greenwald baseia-se nas investigações realizadas pelo deputado Henry Waxman que dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto público no Iraque.

Parte dessa história é bem conhecida. A Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, recebeu cerca de US$ 13,6 bilhões para “trabalhos de reconstrução e apoio às tropas. A Parsons ganhou US$ 5,3 bilhões em sérvios de engenharia e construção. A Dyn Corp. faturou US$ 1,9 bilhões com o treinamento de policias. A Blackwater abocanhou US$ 21 milhões, somente com o serviço de segurança privada do então “pró-Cônsul” dos EUA no Iraque, Paul Bremer. Essa lista também é extensa e os números reais envolvidos nestes negócios até hoje não são bem conhecidos. A indústria da “reconstrução” do Iraque foi alimentada com muito sangue, de várias nacionalidades. Os soldados norte-americanos entraram com sua quota. Até 1° de setembro deste ano, o número de vítimas fatais entre os militares dos EUA é quase o dobro do de vítimas do 11 de setembro: 4.474. Somando os soldados mortos no Afeganistão, esse número chega a 6.200.
A matemática macabra envolvendo o 11 de setembro e os Estados Unidos manifesta-se mais uma vez quando voltamos a 1973, quando Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.
Assim como no Iraque, nem tudo foi morte, dor e sofrimento na ditadura chilena. Com a chancela da Casa Branca e a inspiração do economista Milton Friedman e seus Chicago Boy’s, Pinochet garantiu gordos lucros para seus aliados e para si mesmo também. Investigadores internacionais revelaram, em 2004, que Pinochet movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos do exterior no valor de até US$ 27 milhões. Segundo um relatório de uma comissão do Senado dos EUA, divulgado em 2005, Pinochet manteve elos profundos com organismos financeiros norte-americanos, como o Riggs Bank, uma instituição de Washington, além de outras oito que operavam nos EUA e em outros países. Segundo o mesmo relatório, o Riggs Bank e o Citigroup mantiveram laços com o ditador chileno durante duas décadas pelo menos. Pinochet, amigos e familiares mantiveram pelo menos US$ 9 milhões em contas secretas nestes bancos.
Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiou a Dina, polícia secreta chilena, durante a ditadura, acusou Pinochet e o filho deste, Marco Antonio, de envolvimento na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. Segundo Contreras, boa parte da fortuna de Pinochet veio daí.
Liberdade, Justiça, Segurança: essas foram algumas das principais palavras que justificaram essas políticas. O modelo imposto por Pinochet no Chile era apontado como modelo para a América Latina. Os Estados Unidos seguem se apresentando como guardiões da liberdade e da democracia. E pessoas seguem sendo mortas diariamente no Iraque e no Afeganistão para saciar uma sede que há muito tempo deixou de ser de vingança.













Fonte: Jader Resende, Carta Maior



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confirmado o uso de gás mostarda pela NATO na Líbia


11/09/11

Alrai TV confirma o uso de gás mostarda pela NATO na Líbia

LÍBIA: NATO encontra resistência - massacres, guerras, bombardeios indiscriminados e limpeza étnica La Voix des opprimés, 11 de setembro de 2011

http://news.stcom.net/modules.php?name=News&file=article&sid=6186


Alrai TV confirma o uso de gás mostarda contra a população de Bin Walid

De acordo com relatórios de televisão Alrai, a OTAN usou uma arma química, o gás mostarda contra a população líbia de Walid Ben em 5:00 ontem. Os jornalistas deste canal de televisão informou que no início da manhã, a OTAN ordenou o renegado longe de Ben Walid.

Morte de um idoso Al-Qaeda em Ben Walid

As notícias que saem da morte de Ben indicam Walid Al-Qaeda chefe, Abdulrahman Abo Shnaf Mouftah. Uma confiável fonte de relatórios que o terrorista foi morto em uma batalha no Vale Dinar noite passada.

Além disso, os Renegades derrotado em batalhas contra o exército nacional líbia recuou em direção à cidade de Tarhona. Mais tarde naquele dia, aviões da Otan bombardearam e dispararam mísseis urânio empobrecido contra o povo da cidade de Ben Walid.

Comunicação por telefone via satélite confirmou que o bombardeio da OTAN tem causado muitas vítimas mortas e feridas e que a cidade está coberta de grandes nuvens de fumaça causada pelos bombardeamentos da NATO.

Mais uma vez o bombardeio da OTAN, de Sirte depois de uma noite de bombas de som.

Após a grande batalha no Vale Vermelho está localizado a leste 90 km da cidade de Sirte, Líbia forças armadas forçaram a retirada dos renegados para Ben Jawad, que está localizado 150 km de Sirte. Após a luta de chão, bombardeamentos da NATO começaram novamente.

Ter intensificado o uso de bombas de som para tornar as pessoas surdas, a OTAN começou a atacar novamente. O bombardeio pelos aviões da OTAN atingir as casas de civis. Em uma casa matou sete pessoas, seis da mesma família. Civis nas zonas de combate têm confirmado que 36 desonestos morto juntamente com três soldados britânicos que lutaram ao lado dos renegados.

Taourgha, uma cidade limpa de seus habitantes por renegados

É relatado que a cidade que está localizada 50 km Taourgha leste da cidade foi completamente esvaziado Misrata de seus habitantes por Misrata renegado. Note-se que a população de Taourgha são de couro preto. Os renegados ter decapitado muitos dos adultos para aterrorizar o resto da população desta cidade que foi deportado em outros lugares desconhecidos.


Fonte: leonorenlibia


sábado, 10 de setembro de 2011

DEUS!!! SÓ VOCÊ PODE SALVAR A LÍBIA

OTAN (NATO) ESTÁ JOGANDO BOMBAS DE GÁS MOSTARDA NA LÍBIA




HUMANOS ACORDEM!!! VEJAM ISSO!!! FAÇAM ALGUMA COISA!!!

OTAN (NATO) ESTÁ PRATICANDO UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE!!!






Bani
Walid: NATO está usando bombas de fragmentação e gás mostarda contra Bani Walid.
Bombardearam a cidade com bombas de fragmentação e do uso de gás mostarda contra os habitantes da cidade durante o bombardeio pesado
pela NATO.
É um crime contra a
humanidade e contra as normas internacionais e leis.



fonte:http://leonorenlibia.blogspot.com

A GUERRA CONTRA KADHAFI É A GUERRA CONTRA A ÁFRICA


As informações que chegam até nós relacionadas a invasão a Líbia, capitaneada pelos EUA, e executadas pela OTAN, são no mínimo escassas para não dizer repleta de falácias cujo objetivo é o de esconder os reais planos de nações, historicamente criminosas, como Inglaterra e França sobre os povos africanos e asiáticos- como ocorreu durante imensos períodos da “história da civilização europeia”- recentemente reportamos a acontecimentos que encerram tal perspectiva.


Ao que parece, mesmo diante de denúncias das mais diversas que pipocam em várias regiões ( a grande imprensa não divulga absolutamente nada sobre isso) e a saga criminosa prossegue. Parece um uníssono sem nenhum brado contrário. O magnífica análise de Pougala nos convida a fazermos uma reflexão sobre o que de fato acontece no continente africano e o que o destino reserva aos nossos irmãos que lá residem. Ela é longa. Ela é muito esclarecedora, é por isso.

“Depois de 500 anos de uma relação profundamente desigual com o Ocidente, está claro que não devemos adotar os mesmo critérios de bem e mal. Temos interesses profundamente divergentes.“

“Devíamos [a África] abandonar as Nações Unidas para registrar a nossa rejeição a uma visão de mundo que se baseia na aniquilação dos que são mais fracos. “

por Jean-Paul Pougala (*) [Nota: No fim do artigo, há um vídeo, com entrevistas ao autor]


- foto cc NASA- 1- o primeiro satélite africano RASCOM -1


Foi a Líbia de Kadafi que ofereceu a toda a África a primeira revolução de modernidade: a conexão do continente inteiro por telefone, televisão, rádio e demais aplicações tecnológicas, como a telemedicina e o ensino à distância. Pela primeira vez, uma conexão de baixo custo tornou-se disponível em todo o continente, inclusive nas zonas rurais, graças à utilização do sistema WiMax.

A estória começa em 1992, quando 45 países africanos criaram a sociedade RASCOM, para dispor de um satélite africano, e fazer cair os custos de comunicação no continente. Telefonar de, e para a África era, então, sujeito à tarifa mais cara do mundo, porque existia um imposto de 500 milhões de dólares que a Europa cobrava anualmente sobre todas as conversas telefônicas, mesmo as locais, para permitir a utilização dos canais dos satélites europeus, como o Intelsat. Um satélite africano custaria apenas 400 milhões de dólares, à vista, contra os 500 milhões anuais de locação de satélites alheios. Que banqueiro se recusaria a financiar tal projeto? Mas a equação mais difícil de resolver era: como o escravo poderia se libertar da exploração servil do seu mestre, se tinha que pedir ajuda a ele? Assim, o Banco Mundial, o FMI, os EUA e a União Européia ficaram enrolando aqueles países por 14 anos.

Foi em 2006 que Kadafi pôs fim ao suplício da inútil mendicância aos pretensos benfeitores ocidentais prestadores de crédito a taxas extorsivas: o guia líbio entrou com 300 milhões de dólares, seguido do Banco Africano de Desenvolvimento, com 50 milhões, e do Banco do Oeste-Africano de Desenvolvimento, com 27 milhões. E foi assim que a África passou a ter, depois de 26 de Dezembro de 2007, o primeiro satélite de comunicações da sua história.

A China e a Rússia vieram em seguida, desta vez cedendo a sua tecnologia, e permitiram o lançamento de novos satélites, um sul-africano, um nigeriano, um angolano e um argelino. E em 2010, um segundo satélite da RASCOM foi colocado em órbita, em substituição ao primeiro, que tinha sofrido uma pane durante o lançamento, que encurtou a sua vida útil. E esperamos para 2020 o lançamento do primeiro satélite totalmente concebido e construído em solo africano, mais especificamente, na Argélia. Está previsto que esse satélite faça frente aos melhores do mundo, a um custo 10 vezes inferior, representando um verdadeiro desafio.

Eis como um simples gesto simbólico de 300 pequenos milhões pode mudar a vida de todo um continente. A Líbia de Kadafi fez perder ao Ocidente não apenas 500 milhões de dólares por ano, mas milhares de dólares de juros que essa mesma dívida gerava a prazos a perder de vista e de forma exponencial, e que contribuíam dessa forma para manter o sistema oculto de espoliação da África.

2 – O Fundo Monetário Africano, o Banco Central Africano, o Banco Africano de Investimentos

Os 30 bilhões de dólares embargados por Obama pertencem ao Banco Central Líbio e estavam previstos para serem usados como contribuição líbia a três projetos-chave para a concretização da federação africana:

- o Banco Africano de Investimentos, em Sirte, na Líbia;

- o estabelecimento, em 2011, do Fundo Monetário Africano, com sede em Yaounde, com um fundo de capital de 42 bilhões de dólares; e

- o Banco Central Africano, com sede na Nigéria, que, quando começar a imprimir moeda africana, significará o fim do franco CFA, através do qual Paris tem mantido o controle sobre alguns países africanos nos últimos 50 anos. É fácil de entender a raiva dos franceses contra Kadafi.

O objetivo do Fundo Monetário Africano é substituir totalmente as atividades do FMI em África , que, com apenas 25 bilhões de dólares, foi capaz de subjugar um continente inteiro e fazê-lo engolir privatizações questionáveis que forçaram países africanos a migrarem de monopólios estatais para monopólios privados. Não é nenhuma surpresa que em 16 e 17 de Dezembro de 2010, os africanos tenham sido unânimes em rejeitar as tentativas de adesão de países ocidentais ao Fundo Monetário Africano, dizendo que ele estava aberto apenas às nações africanas.

É cada vez mais evidente que , depois da Líbia, a coalizão ocidental se voltará contra a Argélia, porque, além das suas vastas reservas energéticas, o país tem reservas monetárias de aproximadamente 150 bilhões de libras. É este chamariz que move os países que bombardeiam a Líbia, países esses que têm, todos, uma característica em comum: estão à beira da falência. Os Estados Unidos, sozinhos, possuem uma espantosa dívida de 14 trilhões de dólares; França, Inglaterra e Itália apresentam um déficit público, cada um deles, de 2 trilhões de dólares. Esses números são mais gritantes quando comparados com os menos de 400 bilhões de dólares correspondentes à soma dos déficits públicos de 46 nações africanas juntas.

O incitamento a guerras espúrias em África na esperança de que isso lhes revitalize as economias que afundam cada vez mais no marasmo, apressará, em última instância, o declínio ocidental, que na verdade já tinha começado em 1884, durante a notória Conferência de Berlim. Como previu o economista Adam Smith citado, em 1865, por Abraham Lincoln quando da abolição da escravidão nos Estados Unidos, “a economia de qualquer país que dependa da escravidão de negros está destinada a descer ao inferno no dia em que as outras nações acordarem”.

3 – Unidades regionais como obstáculo à criação dos Estados Unidos Africanos

Para desestabilizar e destruir a união africana, que caminhava perigosamente (do ponto de vista do Ocidente) em direção à criação dos Estados Unidos Africanos, sob a liderança de Kadafi, a União Européia tentou, primeiramente, e sem sucesso, criar a União para o Mediterrâneo (UPM). A África do Norte tinha que, de alguma forma, ser separada do restante da África, de acordo com os velhos clichês racistas dos séculos XVIII e XIX, segundo os quais os africanos de ascendência árabe seriam mais evoluídos e civilizados do que o restante do continente. Essa tentativa falhou porque Kadafi se recusou a participar dela. Ele logo compreendeu o jogo que estava sendo armado, quando apenas um grupo de países africanos foi convidado para se juntar ao grupo mediterrâneo, sem comunicar à União Africana, juntamente com todos os 27 membros da União Européia.

Sem a força motriz da Federação Africana, a UPM fracassou antes mesmo de começar, natimorta sob a presidência de Sarkozy e a vice-presidência de Mubarak. O ministro das relações exteriores francês, Alain Juppe, está tentando relançar a idéia, apostando as fichas na queda de Kadafi. O que os líderes africanos não conseguem entender é que enquanto a União Européia continuar a financiar a União Africana, o status quo permanecerá inalterado, porque inexistirá uma efetiva independência. Este é o motivo que levou a União Européia a encorajar e financiar agrupamentos regionais em África.

É óbvio que a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), que possui uma embaixada em Bruxelas, e depende, na sua quase totalidade, do financiamento da União Européia, é um vociferante opositor à federação africana. Foi por isso que Lincoln lutou na Guerra de Secessão estadunidense, porque no momento que um grupo de estados forma uma organização política regional, o grupo maior é enfraquecido. Foi isto que a Europa quis e os africanos nunca entenderam, ao criar uma profusão de agrupamentos regionais, COMESA, UDEAC, SADC, e o Grande Maghreb, que nunca viu a luz do dia graças a Kadafi, que entendia o que estava acontecendo.

Kadafi, o africano que limpou o continente da humilhação do apartheid


Para a maioria dos africanos, Kadafi é um homem generoso, um humanista, conhecido pelo apoio incondicional à luta contra o regime racista na África do Sul. Se ele tivesse agido de forma egoísta, ele não teria corrido o risco de sentir a ira ocidental ao apoiar o Congresso Nacional Africano (CNA) tanto militarmente quanto financeiramente, na sua luta contra o apartheid. Foi por isso que Mandela, logo após a sua libertação depois de passar 27 anos na cadeia, decidiu visitar a Líbia em 23 de Outubro de 1997, quebrando o embargo da ONU. Por cinco longos anos, nenhum avião estava autorizado a aterrissar na Líbia. Era necessário ir de avião até à cidade tunisiana de Jerba, e prosseguir por uma estrada que cruza o deserto durante cinco horas, até chegar a Ben Gardane, depois atravessar a fronteira, e continuar por outra estrada através do deserto durante mais três horas, antes de chegar finalmente a Tripoli. A outra solução seria partir de Malta e atravessar o mar em velhas embarcações, até chegar à costa líbia. Uma jornada infernal para toda uma população, apenas para punir um homem.

Mandela não mediu palavras quando o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton disse que a visita era “mal vista”. “Nenhum país pode reclamar para si o policiamento do mundo, e nenhum estado pode ditar o que outro deve fazer,” disse Mandela. E acrescentou, “aqueles que ontem eram amigos dos nossos inimigos e têm a ousadia de dizer, hoje, que eu não devo visitar o meu irmão Kadafi, estão pedindo que sejamos ingratos e esqueçamos os nossos amigos do passado.”

De fato, o Ocidente ainda considerava a África do Sul racista como um irmão que precisava de proteção. É por isso que membros do ANC, inclusive Mandela, foram considerados perigosos terroristas. Foi apenas em 2 de Julho de 2008 que o Congresso dos Estados Unidos votou, finalmente, uma lei para remover o nome de Nelson Mandela e seus companheiros do ANC da lista negra, não porque tivessem finalmente percebido o quão estúpida era essa lista, mas porque queriam marcar o nonagésimo aniversário de Mandela. Se o Ocidente estivesse realmente consternado pelo apoio que no passado dera aos inimigos de Mandela, e estivesse sendo sincero quando passou a nomear ruas e logradouros com o nome de Mandela, como se explica que continue a guerrear contra alguém que ajudou Mandela e seu povo a serem vitoriosos?

Aqueles que querem exportar a democracia são realmente democratas?

E se a Líbia de Kadafi for mais democrática que os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha e outros países que se valem do apelo à democracia para guerrear a Líbia? Em 19 de março de 2003, o presidente Bush começou o bombardeio ao Iraque sob o pretexto de levar a democracia. Em 19 de março de 2011, exatamente oito anos depois desse dia, foi a vez do presidente francês fazer chover bombas sobre a Líbia, mais uma vez sob a desculpa de levar a democracia. O Nobel da Paz, e presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, diz que o lançamento de mísseis Cruise a partir de submarinos é para afastar o ditador e introduzir a democracia.

A questão, que até alguém com o mínimo de inteligência não pode evitar de colocar, é a seguinte: países como a França, Inglaterra, Estados Unidos, Itália, Noruega, Dinamarca, Polônia, que defendem o seu direito de bombardear a Líbia fundamentados pelo seu auto proclamado estatuto democrático, serão esses países realmente democráticos? Se sim, serão eles mais democráticos do que a Líbia de Kadafi? A resposta, na verdade, é um retumbante NÃO, pela simples e evidente razão de que a democracia não existe. Isto não se trata de uma opinião pessoal, mas da citação de alguém cuja cidade natal, Genebra, abriga a maioria das instituições das Nações Unidas. A citação é de Jean Jacques Rousseau, nascido em Genebra em 1712, e que escreveu no capítulo quatro de seu famoso livro “Do Contrato Social”, que “nunca houve uma verdadeira democracia e nunca haverá.”

Rousseau estabelece as quatro seguintes condições para que um país seja denominado uma democracia, condições essas, diga-se de passagem, que dão à Líbia de Kadafi um estatuto mais democrático do que os conhecidos exportadores de democracia:

1 – O Estado: Quanto maior o país, menos democrático ele poderá ser. De acordo com Rousseau, o estado tem que ser extremamente pequeno para que as pessoas possam se juntar e conhecer umas às outras. Antes de pedir o voto às pessoas, o pretendente tem que garantir que todos se conheçam, caso contrário a votação será um ato sem base democrática, um simulacro de democracia para eleger um ditador.

O estado líbio baseia-se num sistema de alianças tribais, que, por definição, agrupa pessoas em pequenas entidades. O espírito democrático está muito mais presente numa tribo, numa vila, do que numa grande cidade, simplesmente porque as pessoas se conhecem umas às outras, compartilham um mesmo ritmo de vida que envolve uma espécie de auto-regulação, ou mesmo, auto-censura, no sentido de que as reações e contra-reações dos outros membros impactam no grupo.

Sob essa perspectiva, parece que a Líbia se encaixa melhor nas condições estabelecidas por Rousseau do que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, todas sociedades altamente urbanizadas, em que a maioria dos vizinhos nem se cumprimenta e, portanto, não se conhece, mesmo que more lado a lado há mais de vinte anos. Estes países passaram para o próximo estágio – o “voto”, inteligentemente santificado para ofuscar o fato de que votar no futuro do país é inútil quando o dono do voto nem conhece os outros cidadãos. Esta situação é levada ao limite do ridículo quando o direito ao voto é estendido a pessoas que moram fora do país. A comunicação entre as pessoas é precondição para qualquer debate democrático antes de uma eleição.

2 – A simplicidade dos costumes e dos padrões de comportamento também é essencial se se quiser evitar o desperdício de tempo em debates sobre procedimentos legais e judiciais de forma a lidar com a profusão de conflitos de interesses inevitáveis em sociedades grandes e complexas. Os países ocidentais se auto-proclamam nações civilizadas, com uma estrutura social mais complexa, enquanto a Líbia é descrita como um país primitivo, com um conjunto simples de costumes.

Este aspecto também indica que a Líbia responde melhor ao critério democrático de Rousseau que todos os outros que querem dar lições de democracia. Os conflitos nas sociedades democráticas complexas são geralmente ganhos por aqueles que têm mais poder, e é por isso que os ricos conseguem evitar a prisão, já que têm condições de contratar advogados brilhantes, e acabam desviando a repressão estatal para aqueles que roubam uma banana do supermercado, não para os criminosos financeiros que levam bancos à falência. Na cidade de Nova York, por exemplo, em que 75% da população é branca, 80% dos postos de gerência são ocupados por brancos, que contabilizam apenas 20% da população carcerária.

3 – Igualdade em status e riqueza: uma olhada na lista da Forbes de 2010 revela quem são as pessoas mais ricas nos países que atualmente bombardeiam a Líbia, e qual é a diferença entre eles e aqueles que ganham os salários mais baixos; um exercício similar na Líbia mostrará que em termos de distribuição de renda, a Líbia tem muito mais a ensinar do que aqueles que a atacam neste momento, e não o contrário. Portanto, de novo, usando o critério de Rousseau, a Líbia é mais democrática do que as nações que ostentam pomposamente a pretensão de veículos da democracia. Nos Estados Unidos, 5% da população é proprietária de 60% da riqueza nacional, tornando-a a sociedade mais desigual e desequilibrada do mundo.

4 – Sem luxo: de acordo com Rousseau, não poderá existir nenhum luxo na democracia. O luxo, diz ele, transforma a riqueza numa necessidade, que substitui, como virtude, o bem-estar de todos. “O luxo corrompe tanto o rico quanto o pobre, um através da posse, o outro, da inveja; amolece a nação e torna-a presa da vaidade; distancia as pessoas do Estado e escraviza-as, tornando-as escravas da opinião.”

Há mais luxo em França ou na Líbia? Os relatos de empregados cometendo suicídio devido a condições estressantes de trabalho, mesmo em empresas públicas ou mistas, sempre em nome da maximização do lucro para a preservação do luxo de uma minoria, dizem respeito ao Ocidente, não à Líbia.

O sociólogo estadunidense C. Wright Mills escreveu em 1956 que a democracia estadunidense era uma “ditadura da elite.” De acordo com Mills, os Estados Unidos não são uma democracia porque é o dinheiro que fala durante as eleições, não o povo. Os resultados de cada eleição são a expressão da voz do dinheiro e não da voz do povo. Depois de Bush sênior e Bush Junior, eles já falam de um Bush mais jovem para as primárias republicanas de 2012. Além do mais, como assinalou Max Weber, uma vez que o poder político é dependente da burocracia, os Estados Unidos têm 43 milhões de burocratas e militares que efetivamente governam o país sem serem eleitos e sem precisarem prestar contas às pessoas pelas suas ações. Uma pessoa (uma rica) é eleita, mas o poder real fica na casta dos ricos que depois são nomeados como embaixadores, generais, etc.

Quantas pessoas nestas auto-proclamadas democracias sabem que a constituição peruana proíbe a re-eleição de um presidente? Quantos sabem que na Guatemala, o impedimento à re-eleição se estende aos familiares do presidente? Ou que Ruanda é o único país no mundo que tem 56% de parlamentares do sexo feminino? Quantos sabem que de acordo com o índice da CIA de 2007, quatro dos países mais bem governados do mundo são africanos? Que o primeiro lugar vai para a Guiné Equatorial, cujo débito público representa apenas 1,14% do PIB?

Rousseau afirma que guerras civis, revoltas e rebeliões são os ingredientes para o começo da democracia. Simplesmente porque a democracia não é um fim, mas um processo permanente de reafirmação dos direitos naturais dos seres humanos, que na maioria dos países ao redor do mundo (sem exceção), são espezinhados por meia dúzia de homens e mulheres que seqüestraram o poder do povo para perpetuar a sua supremacia. Existem aqui e ali grupos de pessoas que usurparam o termo “democracia” – ao invés de ser um ideal a ser constantemente perseguido, tornou-se um rótulo a ser apropriado ou um slogan a ser usado por aqueles que podem gritar mais alto que os demais. Se um país é tranqüilo, como a França ou os Estados Unidos – quer dizer, sem rebeliões – isso só significa que, de acordo com a perspectiva de Rousseau, o sistema que os governa é suficientemente repressor para abafar qualquer revolta.

A possibilidade de os líbios se revoltarem não é algo negativo. O que é mau é afirmar que as pessoas aceitam estoicamente um sistema que as reprime sem reagirem. E Rousseau conclui, “malo periculosam libertatem quam quietum servitium” (prefiro os perigos da liberdade à quietude da servidão) Afirmar que se matam líbios pelo seu próprio bem é, no mínimo, uma mistificação.

Quais são as lições para a África?

Depois de 500 anos de uma relação profundamente desigual com o Ocidente, está claro que não devemos adotar os mesmo critérios de bem e mal. Temos interesses profundamente divergentes. Como não deplorar o voto de aprovação por três países subsaarianos (Nigéria, África do Sul e Gabão) à resolução 1973,que inaugurou a mais recente forma de colonialismo batizada de “proteção aos povos”, e que legitimou as teorias racistas que têm formado os europeus desde o século XVIII, e de acordo com as quais o Norte da África não tem nada a haver com a África Subsaariana, que o Norte da África é mais evoluído, culto e civilizado que o resto do continente?

É como se Tunísia, Egito, Líbia e Argélia não fossem parte da África. Mesmo as Nações Unidas parecem ignorar o papel da União Africana nos assuntos relativos aos seus estados-membros. O objetivo é isolar os países africanos subsaarianos para melhor controlá-los. De fato, a Argélia , com 16 bilhões de dólares, e a Líbia, com 10 bilhões de dólares, contribuem, juntos , com 62% dos 42 bilhões de dólares que constituem o capital do Fundo Monetário Africano (AMF). O maior e mais populoso país da África Subsaariana, a Nigéria, seguida da África do Sul, estão bem longe, com contribuições de apenas 3 bilhões de dólares cada.

É desconcertante, para dizer o mínimo, que pela primeira vez na história das Nações Unidas se tenha declarado guerra contra um povo sem ter explorado a menor possibilidade de uma solução pacífica para a crise. A África ainda pertence a esta organização? A Nigéria e a África do Sul estão preparadas para dizer “sim” a qualquer coisa que o Ocidente lhes peça, por acreditarem ingenuamente nas vagas promessas de um assento permanente no Conselho de Segurança, com direitos similares de veto. Ambos esquecem que a França não tem poderes para oferecer nada. Se tivesse, Mitterand já teria feito o que era necessário, na época, para a Alemanha de Helmut Kohl.

A reforma das Nações Unidas não está na agenda. A única forma de se fazer ouvir é usando o método chinês – todas as 50 nações africanas deveriam abandonar as Nações Unidas e retornar somente quando a sua antiga demanda fosse atendida, um assento para toda a federação africana ou nada. Um método não-violento como este é a única arma de justiça disponível para os pobres e fracos que nós somos. Devíamos simplesmente nos retirar das Nações Unidas porque essa organização, pela própria estrutura e hierarquia que a constitui, está a serviço dos mais fortes.

Devíamos abandonar as Nações Unidas para registrar a nossa rejeição a uma visão de mundo que se baseia na aniquilação dos que são mais fracos. Eles são livres para continuar a agir da mesma forma, mas pelo menos não faremos parte disso, e não estaremos apoiando coisas sobre as quais nunca fomos perguntados. E mesmo quando pudemos expressar o nosso ponto de vista, como fizemos no sábado, 19 de março, em Nouakchott, quando nos opusemos à ação militar, a nossa opinião foi simplesmente ignorada, e as bombas começaram a cair sobre o povo africano.

Os eventos de hoje lembram o que aconteceu com a China no passado. Hoje, reconhecem o governo Ouattara e o governo rebelde na Líbia como fizeram no final da Segunda Guerra Mundial com a China. A assim chamada comunidade internacional elegeu Taiwan como única representante do povo chinês, ao invés de Mao, na China. Levou 26 anos para que, em 25 de Outubro de 1971, a ONU aprovasse a resolução 2758, que todos os africanos deveriam ler, para pôr fim a essa insensatez humana. A China foi admitida, mas de acordo com os seus termos: ela se recusava a tornar-se membro se não tivesse direito a veto. Quando a demanda foi atendida e a resolução publicada, ainda demorou um ano para que o ministro das relações exteriores da China respondesse por escrito ao Secretário Geral das Nações Unidas, em 29 de Setembro de 1972, numa carta que não dizia “sim” ou “obrigado”, mas listava as garantias requeridas para garantir o respeito à dignidade da China.

O que a África espera das Nações Unidas se não fizer jogo duro? Vimos como na Costa do Marfim um burocrata das Nações Unidas se considera acima da constituição do país. Entramos nesta organização como escravos, e acreditar que seremos convidados para jantar na mesma mesa e comer dos pratos que nós mesmo lavamos, não é apenas ingenuidade, é estupidez.

Quando a União Africana endossou a vitória de Ouattara e riscou relatos contrários dos seus próprios observadores eleitorais, simplesmente para agradar aos antigos mestres, como podemos esperar ser respeitados? Quando o presidente Zuma da África do Sul declara que Ouattara não ganhou as eleições, e depois diz exatamente o oposto durante uma viagem a Paris, é necessário se questionar a credibilidade destes líderes, que clamam representar e falar em nome de bilhões de africanos.

A força da África e a verdadeira liberdade só virão se o continente puder empreender ações pensadas e assumir as responsabilidades. A dignidade e o respeito vêm com um preço alto. Estamos preparados para pagá-lo? Senão, o nosso lugar é na cozinha e nos banheiros, para melhorar o conforto dos outros.

(*)Jean-Paul Pougala é um escritor de origem cameronesa, diretor do Instituto de Estudos Geoestratégicos e professor de sociologia na Universidade de Diplomacia de Genebra, na Suíça.

Traduzido por Gustavo Lapido Loureiro
Fonte: http://www.pambazuka.org/en/category/features/72575



Divulguem para que o mundo conheça a verdade!!!


Fonte: blog do professor jeovane esquerdopata
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