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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

HIPOCRISIA AMBIENTALISTA 3


Thomas Lovejoy “strikes again”

Há décadas, o biólogo estadunidense Thomas Lovejoy é um dos influentes integrantes das campanhas do movimento ambientalista internacional na Amazônia brasileira. Entre as suas contribuições, foi o idealizador da esdrúxula proposta de trocas de “dívida-por-natureza” (debt-for-nature swaps), que permitiria o abatimento de parcelas das dívidas externas de países dotados de grandes áreas florestais em troca de compromissos com a preservação destas. Embora não tenha proliferado, a proposta foi o embrião dos dispositivos financeiros que, atualmente, seduzem governos – como o brasileiro – para aderir a mecanismos compensatórios semelhantes, sob pretexto do combate ao aquecimento global.

Presença suspeita

Recentemente, Lovejoy foi um dos especialistas consultados para a elaboração do relatório «Brasil Global e Relações EUA-Brasil», recém publicado pelo Conselho de Relações Exteriores (CFR), um dos mais influentes órgãos deliberativos do establishment estadunidense, que convida o Brasil a investir no molde de uma “potência ambiental” e grande exportador de matérias-primas e energia (MSIa Informa, 11/08/2011). Em 16 de agosto, a Folha de S. Paulo publicou uma entrevista com ele, que está de férias no País. Mas, aparentemente, sua visita tem outras finalidades, pois coincide com uma intensa mobilização do aparato ambientalista para tentar influenciar a votação do projeto de reforma do Código Florestal, atualmente em tramitação no Senado. Não por acaso, a entrevista à Folha foi orientada para a ideia de que o Código não precisa de mudanças.

Continua o alarmismo

Fiel ao alarmismo que tem caracterizado a sua militância “verde”, ele sugere que a devastação na Amazônia pode estar chegando a um limite irreversível. Em suas palavras: «O Banco Mundial pôs 1 milhão de dólares num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento [da floresta original]. Estamos bem perto, 18%. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de dieback [colapso] na Amazônia.» Segundo ele, tal limite poderia ser atingido em pouco tempo: «Não fiz cálculos, mas não tomaria muito tempo. Pode ser cinco anos, se continuar assim. Claro que [a devastação] traz implicações para os padrões de chuva, incluindo as áreas agroindustriais de Mato Grosso e mais ao sul, até o norte da Argentina.» Questionado pela jornalista Anna Virginia Balloussier, sobre a rigidez da legislação ambiental brasileira, comparada à dos EUA, onde «sequer estão na mesa criar coisas como a reserva legal», Lovejoy saiu-se com a seguinte: «Só estou tentando pensar no que faz sentido para o Brasil, não necessariamente no que faz sentido o Brasil fazer para o resto do mundo. O atual Código Florestal é um dos mais visionários [sic] do planeta. Nos EUA, temos de pagar o preço de não ter tido essa visão há muito tempo. E também não temos florestas tropicais, mais sensíveis.»

Recados ambientalistas

Outra pergunta, sobre a avaliação da atitude da presidente Dilma Rousseff no debate, lhe proporcionou transmitir diretamente o “recado” do aparato ambientalista: «Até agora, parece muito prático, sério. Como ela vai responder a qualquer que seja o Código Florestal será, claro, um grande teste. Mas ter deixado claro que o governo Dilma não aprovaria a anistia [aos desmatadores] é um sinal bem positivo. O que é perigoso, na lei, é a ideia de dar o poder de demarcar as reservas legais aos Estados. Se você vai administrar a Amazônia como sistema, precisa ser consistente.» Da mesma forma, ele assim respondeu à pergunta sobre se o Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia: «O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países [amazônicos]. O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil.»

Chantagem ambientalista

Como se percebe, é a mesma surrada agenda do ambientalismo desde a década de 1980: na época, a “soberania restrita” sobre a Amazônia; hoje, “responsabilidades compartilhadas”, com apoio externo em troca de que o País abra mão de desenvolver e modernizar a economia amazônica. Para concluir, não poderia faltar uma menção ao aquecimento global:
Folha«Parte da comunidade científica minimiza o papel do homem no aquecimento global. O que o sr. acha?»

Lovejoy «Não há quase nenhum cientista com credibilidade que acredite nisso. Nos últimos 10 mil anos, a história climática do planeta foi bem estável. Agora, nós o estamos mudando. Está claro que 2ºC a mais é muito para a Terra.»
Como sabe qualquer pessoa com um conhecimento perfunctório da história climática do Holoceno, os últimos 12 mil anos em que a Civilização tem existido, grande parte deste período tem experimentado temperaturas mais elevadas que as atuais. O mesmo ocorreu com os níveis do mar, que chegaram a ser 3-4 metros superiores aos atuais, há 5000-6000 anos, no chamado Holoceno Médio. Em suma, mesmo “de férias”, convém prestar (muita) atenção à movimentação de Lovejoy.

Quem é Thomas Lovejoy

Thomas E. Lovejoy III é um veterano integrante do movimento ambientalista internacional, sendo um dos seus mais graduados especialistas em assuntos referentes à Amazônia, região onde tem trabalhado desde a década de 1960. Seu currículo inclui importantes posições em diversas áreas do aparato ambientalista. Entre outras, foi diretor do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nos EUA, diretor do Instituto Smithsoniano e conselheiro do Departamento de Estado para assuntos de biodiversidade e meio ambiente. Atualmente, é assessor da Presidência do Banco Mundial e da Presidência da Universidade das Nações Unidas, presidente do Centro Heinz para a Ciência, Economia e Meio Ambiente (ligado à influente Fundação Heinz) e professor da Universidade George Mason. O seu verbete na Wikipedia informa, também, que ele foi o introdutor da expressão “diversidade biológica”, na década de 1980. Da mesma forma, ele criou o conceito das “ilhas” de biodiversidade, que ficaram conhecidas como “ilhas de Lovejoy”. Segundo ele, suas observações na Amazônia revelaram que, quando o desmatamento da floresta deixava pequenas parcelas com a vegetação original, estas áreas diminutas perdiam a sua biodiversidade, com a fuga das aves e morte das árvores.
Alarmista, como sempre

O verbete também menciona, sem dar detalhes, uma citação sua sobre o impacto das ações humanas na biodiversidade: «Centenas de milhares de espécies perecerão, e esta redução de 10-20% da biota terrestre ocorrerá em mais ou menos a metade do período de uma vida humana… Esta redução da diversidade biológica do planeta é o assunto mais fundamental do nosso tempo.» Como se pode perceber, as ideias de Lovejoy têm representado importantes ferramentas de trabalho para o ambientalismo e suas campanhas intervencionistas, em especial, no Brasil.

Afirmações sem base científica, para variar…

Quanto à precisão científica delas, é outra história. A falta de fundamentação para o catastrofismo de Lovejoy et alii fica evidenciada, por exemplo, em seus prognósticos sobre a extinção de espécies. Um dos poucos que se deram ao trabalho de verificar a origem desses valores foram o economista Julian Simon e o cientista político Aaron Wildavsky. Na década de 1980, depois de levantar muitas referências retroativas, eles chegaram a Lovejoy e seu colega Norman Myers. O primeiro, então no WWF, era citado no relatório Global 2000, divulgado em 1977 pelo governo dos EUA, afirmando que, «das 3-10 milhões de espécies hoje presentes na Terra, pelo menos 500.000-600.000 serão extintas durante as próximas duas décadas». Em um artigo conjunto publicado no livro The Resourceful Earth (1984), editado por Simon e Herman Kahn, Simon e Wildavsky observam:
«A base para qualquer projeção para o futuro útil deve ser um conjunto de dados coletados em situações que englobem as condições esperadas, ou que possam ser racionalmente extrapolados para as condições esperadas. Porém, nenhuma das referências de Lovejoy contém qualquer conjunto de dados cientificamente relevante. A única fonte publicada mencionada para a sua tabela principal é um livro de Norman Myers, ‹The Sinking Ark›, escrito sob os auspícios de um comitê do qual Lovejoy é um dos três membros. Os textos de Myers e Lovejoy, que não são independentes, parecem ser a única fonte básica de todos os amplamente discutidos prognósticos sobre extinções de espécies.»

Incrível suposição

No livro de Myers, encontra-se a seguinte observação: «Suponhamos que… a quarta parte final deste século presencie a eliminação de um milhão de espécies – uma perspectiva longe de ser improvável. Isto se traduziria… numa taxa de extinção média… superior a 100 espécies por dia.» Aí está, sem rodeios, a origem dos números escabrosos que têm sido repetidos como mantras desde então: nada mais, nada menos que simples suposições, sem qualquer valor científico real, como demonstraram Simon e Wildavsky.


Abrindo o jogo

Em uma entrevista publicada em 1983, Lovejoy falou abertamente sobre os objetivos da estratégia ambientalista:

Lovejoy«Eu quero esclarecer uma coisa agora mesmo: algumas pessoas têm circulado histórias maldosas de que o WWF está tentando parar todo o investimento no setor em desenvolvimento, que não queremos nenhuma indústria, que tudo em que estamos interessados são em plantas e animais. Isto é uma mentira…»

Pergunta«Mas o WWF não se coloca ao lado dos animaizinhos e plantas exóticas, contra o desenvolvimento industrial e de exploração de recursos naturais em certas áreas?»
Lovejoy:

«Certamente. Mas isso não significa que somos contra o desenvolvimento. Somos contra o desenvolvimento descuidado. Quem você pensa que eu sou? Você sabe realmente quem sou eu? Sou o presidente do comitê executivo da diretoria da [seguradora] Metropolitan Life. Você sabe quem é realmente Russell Train [na época, presidente do WWF-EUA e ex-alto funcionário da OTAN]? Quem, diabos, você pensa que faz investimentos no setor em desenvolvimento? Quem ganha dinheiro? Dê uma olhada na diretoria do WWF e você encontrará os líderes da comunidade empresarial e financeira! Somos nós que investimos. Lucramos e queremos continuar assim – ao mesmo tempo em que estamos protegendo os animaizinhos… O maior problema são esses malditos setores nacionalistas desses países em desenvolvimento. Esses países pensam que podem ter o direito de desenvolver seus recursos como lhes convêm. Eles querem se tornar potências, estados soberanos e elaboram suas estratégias… Nós achávamos que podíamos controlar melhor as coisas argumentando com esses líderes, esses tolos nacionalistas. Superestimamos a nossa capacidade de controlar as pessoas e vamos ter que ajustar isso. Será um ajuste doloroso, sem dúvida. Não, o problema real é este nacionalismo estúpido e os projetos de desenvolvimento aos quais ele leva.»

Arrogância e desprezo pelo Brasil

«Os brasileiros – e eu sei disto de uma experiência de 17 anos – pensam que podem desenvolver a Amazônia, que podem tornar-se uma superpotência. Vivem de peito estufado com isso. Portanto, você tem que ser cuidadoso. Você pode ganhá-los com pouco. Deixe-os desenvolver a bauxita e outras coisas, mas restruture os planos para reduzir a escala dos projetos de desenvolvimento energético alegando razões ambientais. Eles não podem conseguir dinheiro agora. Então, fazemos com que alguns bancos amigos digam a eles que eles podem conseguir dinheiro para o que estamos sugerindo. Então, alguns de nossos amigos no ministério de planejamento vêm e dizem que isto é uma boa idéia.» (Club of Life White Paper, International Bankers’ Real Agenda: Global Depopulation, New York, February 1983)

Atualmente, Lovejoy é mais cuidadoso com suas palavras (ele já chegou a negar a autoria da entrevista), mas o seu empenho na “guerra irregular” que o aparato ambientalista internacional move contra o Brasil continua sendo o mesmo.





Movimento de Solidariedade Íbero-americana

Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 15, de 25 de agosto de 2011. Introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura.

MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.

Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.

Mensagens e sugestões ➞ favor enviar para msia@msia.org.br ou para Editoria MSIa: geraldo@msia.org.br.

Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda. ➞ loja virtual em: www.capaxdei.com.br; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com

Imagem ➞ http://bionarede.blogspot.com

Blog Ambientalista

Otan não respondeu a Fidel Castro?















Em 1999, numa reunião de cúpula de chefes de Estado e de governo da América Latina e Caribe, realizada em 28 de junho no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o então presidente de Cuba, Fidel Castro, formulou três perguntas à Otan. Até hoje não foram respondidas. Enquanto isso, a Aliança Atlântica prossegue sua guerra de agressão contra a Líbia.

Dizia Fidel: Há uma questão política de suma importância, que não posso deixar de assinalar sobre a nova concepção estratégica da Otan. Menciono quatro parágrafos.

Um: "Com o propósito de fomentar a paz e a estabilidade na Europa e em um contexto mais amplo, os aliados europeus elevam sua capacidade para a ação, incluído o aumento de seu poderio militar."

Dois: "A segurança da Aliança segue sujeita a uma ampla variedade de riscos militares. [...] Entre esses riscos estão a incerteza e a instabilidade na região euro-atlântica e em seus arredores, e a possibilidade de crises regionais na periferia da Aliança."

Três: "Contar-se-á com um maior número de elementos de força nos níveis de preparação adequados para efetuar operações prolongadas, seja dentro do território da Aliança ou fora deste."

Quatro: "É mais provável que as possíveis ameaças à segurança da Aliança emanem de conflitos regionais, étnicos ou outras crises mais além do território da Aliança, assim como a proliferação das armas de destruição em massa e seus vetores."

Desejo fazer três brevíssimas reflexões e perguntas.

Um: Desejaríamos que se nos esclarecesse, se for possível, se os países da América Latina e do Caribe estão ou não compreendidos dentro da periferia euro-atlântica definida pela Otan.

Dois: A União Europeia, depois de muitos debates, deu seu apoio a uma declaração desta Cúpula, que diz: "esta associação estratégica se sustenta no pleno respeito ao direito internacional e nos propósitos e princípios contidos na Carta das Nações Unidas, os princípios de não intervenção, o respeito à soberania, a igualdade entre os Estados e a autodeterminação". Isto significa que os Estados Unidos se comprometem também a respeitar os princípios contidos neste acordo de seus aliados? Qual será a atitude da Europa se os Estados Unidos decidirem por sua própria conta começar a lançar bombas e mísseis com qualquer pretexto contra qualquer dos países da América Latina e do Caribe aqui reunidos?

Três: Todo o mundo sabe que, por exemplo, Israel possui centenas de armas nucleares elaboradas com determinada ajuda ocidental, sobre a qual se tem guardado estranho e hermético silêncio.

Significaria isto que qualquier dia a Otan, partindo do ponto quatro anteriormente assinalado, em virtude de uma proliferação clandestina não só de armas de destruição em massa, mas também de uma produção massiva dessas armas, poderia proceder a lançar milhares de bombas sobre Jerusalém, Tel Aviv, cidades israelenses e palestinas, destruir sistemas elétricos, indústrias, estradas e todos os meios essenciais de vida desses povos, matando diretamente a dezenas de milhares de civis inocentes e ameaçando a existência do restante da população? Pode ser esta a solução civilizada de semelhantes problemas? Seria possível garantir que isto não conduziria a um conflito nuclear? Aonde nos levaria a nova e insustentável doutrina da Otan?

Depois de ter expressado apenas uma mínima ideia com relação a este delicado tema, não tenho mais nada a dizer. Peço perdão.


Fonte: Granma, Vermelho


Estamos em 2011, será que alguém pode me informar se houve resposta da OTAN(NATO)?


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quem mata mais crianças? A Fome ou a Guerra?


É inimaginável, é surreal!!!

Eu, que sou um animal "irracional" jamais vou conseguir compreender que no mundo dos "humanos" exista terceirização de guerra.

O Governo EUA contratam empresas para bombardear outros países, torturar e matar mlhares de inocentes e enquanto na Somália morrem em média 9,6 mil crianças ao mês de FOME, que mundo é esse que gastam bilhões em dinheiro para matar e nenhum centavo para acabar com a fome das crianças.

É como se fosse uma "competição", quem consegue matar mais crianças no mundo? A fome na Somália? Ou os EUA/OTAN na guerra? Está acirrada essa competição!!!


Leio uma notícia em que diz: O Subcomité para as Relações Externas do Senado dos Estados Unidos efetuou uma audição para analisar formas de responder à pior seca e fome na Somália nos últimos 60 anos e que nos últimos três meses matou 29 mil crianças somalis.


Líderes de grupos de auxílio testemunharam na audição ser desesperadamente necessário mais dinheiro de entidades privadas e governamentais para ajuda alimentar e pediram ao presidente Barack Obama e à primeira-dama Michelle Obama para encorajar as pessoas a darem para aqueles em necessidade na Somália.


Gastam bilhões para guerra, e para acabar com a fome de crianças o sub-comitê faz uma audição???

Imaginem "humanos", crianças morrendo de fome, num país pobre com uma seca imensa pedindo alimento ao papai e a mamãe e eles respondem: Espera um pouco filhos que o sub-comitê foi fazer uma audição para ver se pode nos dar comida.

Que mundo é esse?

Que inversão de valores existe hoje, onde financiar empresas e contratar mercenários é mais importante que acabar com a fome das crianças???????


No mundo dos "humanos" os conceitos prioritários estão totalmente distorcidos, um mundo onde matam crianças na guerra e matam crianças de fome.


Abaixo reproduzo um texto dramático sobre a fome das crianças e a vida das mães na Somália.


INSTINTO DE FÊMEA


Das perversidades planetárias da atualidade, a situação dos 440 mil refugiados da Somália é, provavelmente, a mais atroz de que se tem notícia. Famílias inteiras cruzando o deserto para fugir de um cruel inimigo, produzido pela mais grave das chagas morais da humanidade: a fome – principal produto do egoísmo na Terra.

Qualquer comoção diante da sucessão de tragédias suportadas pelos somalis assume dimensões de um soco no estômago. Acompanhar o noticiário daquele submundo equivale a sentir o cinismo da espécie dita “civilizada”. De todas as informações, algumas se sobressaem como vísceras expostas.

A ausência de choro nas crianças ocorre em decorrência do avançado estado de desnutrição. O mais básico instinto infantil, a primeira e mais elementar forma de expressão humana desapareceu, por completo. "Ela tem muita fome, mas acho que ficou fraca demais para chorar", diz uma das mães, Shukri Mohamed, de 28 anos, embalando seu bebê de oito meses.
Outra face da crise humanitária que chama a atenção: à frente da migração compulsória de milhares de pessoas que fogem da fome estão mulheres e não homens ou líderes. Dos 440 mil refugiados no campo de Dadaab, 80% são mulheres, crianças e idosos. As mulheres são responsáveis por garantir a sobrevivência de suas famílias. Os homens ficaram para trás - ou porque foram forçados a lutar na guerra ou porque alegam que precisam proteger suas propriedades e animais. Eles não admitem perder seus bens materiais. Embora de menor importância, o detalhe escancara, em contraponto, o instinto básico, feminino: o cuidado, a proteção, a nutrição - em uma escala de valores completamente diferente da maioria dos machos.

Numa folheada rápida, este final de semana, no livro da escritora americana Susan Sontang, Olhando a Dor dos Outros, observei o relato de uma troca de cartas entre um advogado inglês e a romancista britânica Virginia Woolf. O advogado considerava as possibilidades de prevenir o começo das guerras. Woolf respondeu que guerra era coisa de homens, que gostam de guerras, em troca da gloria e da satisfação em lutar, emoções de pouca ressonância no psiquismo feminino.

Além de assistirem à esqualidez de seus rebentos secos pela fome, as mulheres da Somália ainda enfrentam outra crueldade, os frequentes ataques de estupros. Segundo o Internacional Rescue Committee, os casos multiplicaram-se por quatro desde maio. Entre janeiro e junho, foram registrados 358 casos – mais de 2 por dia e nenhuma punição.

Halliburton, Dyn Corp, Blackwater e a matemática macabra do 11 de setembro








A resposta dos EUA ao ataque contra o World Trade Center engendrou duas novas guerras e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, algumas centenas de milhares de pessoas foram mortas. Para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Mas essa história não se resume a mortes. A invasão do Iraque rendeu bilhões de dólares a empresas norteamericanas. Essa matemática macabra aparece também no 11 de setembro de 1973. O golpe de Pinochet provocou 40 mil vítimas e gordos lucros para os amigos do ditador e para ele próprio: US$ 27 milhões, só em contas secretas.

Marco Aurélio Weissheimer
O mundo se tornou um lugar mais seguro, dez anos depois dos atentados de 11 de setembro e da “guerra ao terror” promovida pelos Estados Unidos para se vingar do ataque? A resposta de Washington ao ataque contra o World Trade Center e o Pentágono engendrou duas novas guerras – no Iraque e no Afeganistão – e uma contabilidade macabra. Para vingar as mais de 2.900 vítimas do ataque, mais de 900 mil pessoas já teriam perdido suas vidas até hoje. Os números são do site Unknown News, que fornece uma estatística detalhada do número de mortos nas guerras nos dois países, distinguindo vítimas civis de militares. A organização Iraq Body Count, que usa uma metodologia diferente, tem uma estatística mais conservadora em relação ao Iraque: 111.937 civis mortos somente no Iraque.
Seja como for, a matemática da vingança é assustadora: para cada vítima do 11 de setembro, algumas dezenas (na estatística mais conservadora) ou centenas de pessoas perderam suas vidas. Em qualquer um dos casos, a reação aos atentados supera de longe a prática adotada pelo exército nazista nos territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial: executar dez civis para cada soldado alemão morto. Na madrugada do dia 2 de maio, quando anunciou oficialmente que Osama Bin Laden tinha sido morto, no Paquistão, por um comando especial dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama afirmou que a justiça tinha sido feita. O conceito de justiça aplicado aqui torna a Lei do Talião um instrumento conservadora. As palavras do presidente Obama foram as seguintes:
"Foi feita justiça. Nesta noite, tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama Bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças."


O conceito de justiça usado por Obama autoriza, portanto, a que iraquianos e afegãos lancem ataques contra os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças. E provoquem outras milhares de mortes. E assim por diante até que não haja mais ninguém para ser morto. A superação da Lei do Talião, cabe lembrar, foi considerada um avanço civilizatório justamente por colocar um fim neste ciclo perpétuo de morte e vingança. A ideia é que a justiça tem que ser um pouco mais do que isso.

Nem tudo é dor e sofrimento




Mas a história dos dez anos do 11 de setembro não se resume a mortes, dores e sofrimentos. Há a história dos lucros também. Gordos lucros. Uma ótima crônica dessa história é o documentário “Iraque à venda. Os lucros da guerra”, de Robert Greenwald (2006), que mostra como a invasão do Iraque deu lugar à guerra mais privatizada da história: serviços de alimentação, escritório, lavanderia, transporte, segurança privada, engenharia, construção, logística, treinamento policial, vigilância aérea...a lista é longa. O segundo maior contingente de soldados, após as tropas do exército dos EUA, foi formado por 20 mil militares privados. Greenwald baseia-se nas investigações realizadas pelo deputado Henry Waxman que dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto público no Iraque.

Parte dessa história é bem conhecida. A Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, recebeu cerca de US$ 13,6 bilhões para “trabalhos de reconstrução e apoio às tropas. A Parsons ganhou US$ 5,3 bilhões em sérvios de engenharia e construção. A Dyn Corp. faturou US$ 1,9 bilhões com o treinamento de policias. A Blackwater abocanhou US$ 21 milhões, somente com o serviço de segurança privada do então “pró-Cônsul” dos EUA no Iraque, Paul Bremer. Essa lista também é extensa e os números reais envolvidos nestes negócios até hoje não são bem conhecidos. A indústria da “reconstrução” do Iraque foi alimentada com muito sangue, de várias nacionalidades. Os soldados norte-americanos entraram com sua quota. Até 1° de setembro deste ano, o número de vítimas fatais entre os militares dos EUA é quase o dobro do de vítimas do 11 de setembro: 4.474. Somando os soldados mortos no Afeganistão, esse número chega a 6.200.
A matemática macabra envolvendo o 11 de setembro e os Estados Unidos manifesta-se mais uma vez quando voltamos a 1973, quando Washington apoiou ativamente o golpe militar que derrubou e assassinou o presidente do Chile, Salvador Allende. Em agosto deste ano, o governo chileno anunciou uma nova estatística de vítimas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990): entre vítimas de tortura, desaparecidos e mortos, 40 mil pessoas, 14 vezes mais do que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001. Relembrando as palavras do presidente Obama e seu peculiar conceito de justiça, os chilenos estariam autorizados a caçar e matar os responsáveis pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças.
Assim como no Iraque, nem tudo foi morte, dor e sofrimento na ditadura chilena. Com a chancela da Casa Branca e a inspiração do economista Milton Friedman e seus Chicago Boy’s, Pinochet garantiu gordos lucros para seus aliados e para si mesmo também. Investigadores internacionais revelaram, em 2004, que Pinochet movimentava, desde 1994, contas secretas em bancos do exterior no valor de até US$ 27 milhões. Segundo um relatório de uma comissão do Senado dos EUA, divulgado em 2005, Pinochet manteve elos profundos com organismos financeiros norte-americanos, como o Riggs Bank, uma instituição de Washington, além de outras oito que operavam nos EUA e em outros países. Segundo o mesmo relatório, o Riggs Bank e o Citigroup mantiveram laços com o ditador chileno durante duas décadas pelo menos. Pinochet, amigos e familiares mantiveram pelo menos US$ 9 milhões em contas secretas nestes bancos.
Em 2006, o general Manuel Contreras, que chefiou a Dina, polícia secreta chilena, durante a ditadura, acusou Pinochet e o filho deste, Marco Antonio, de envolvimento na produção clandestina de armas químicas e biológicas e no tráfico de cocaína. Segundo Contreras, boa parte da fortuna de Pinochet veio daí.
Liberdade, Justiça, Segurança: essas foram algumas das principais palavras que justificaram essas políticas. O modelo imposto por Pinochet no Chile era apontado como modelo para a América Latina. Os Estados Unidos seguem se apresentando como guardiões da liberdade e da democracia. E pessoas seguem sendo mortas diariamente no Iraque e no Afeganistão para saciar uma sede que há muito tempo deixou de ser de vingança.













Fonte: Jader Resende, Carta Maior



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confirmado o uso de gás mostarda pela NATO na Líbia


11/09/11

Alrai TV confirma o uso de gás mostarda pela NATO na Líbia

LÍBIA: NATO encontra resistência - massacres, guerras, bombardeios indiscriminados e limpeza étnica La Voix des opprimés, 11 de setembro de 2011

http://news.stcom.net/modules.php?name=News&file=article&sid=6186


Alrai TV confirma o uso de gás mostarda contra a população de Bin Walid

De acordo com relatórios de televisão Alrai, a OTAN usou uma arma química, o gás mostarda contra a população líbia de Walid Ben em 5:00 ontem. Os jornalistas deste canal de televisão informou que no início da manhã, a OTAN ordenou o renegado longe de Ben Walid.

Morte de um idoso Al-Qaeda em Ben Walid

As notícias que saem da morte de Ben indicam Walid Al-Qaeda chefe, Abdulrahman Abo Shnaf Mouftah. Uma confiável fonte de relatórios que o terrorista foi morto em uma batalha no Vale Dinar noite passada.

Além disso, os Renegades derrotado em batalhas contra o exército nacional líbia recuou em direção à cidade de Tarhona. Mais tarde naquele dia, aviões da Otan bombardearam e dispararam mísseis urânio empobrecido contra o povo da cidade de Ben Walid.

Comunicação por telefone via satélite confirmou que o bombardeio da OTAN tem causado muitas vítimas mortas e feridas e que a cidade está coberta de grandes nuvens de fumaça causada pelos bombardeamentos da NATO.

Mais uma vez o bombardeio da OTAN, de Sirte depois de uma noite de bombas de som.

Após a grande batalha no Vale Vermelho está localizado a leste 90 km da cidade de Sirte, Líbia forças armadas forçaram a retirada dos renegados para Ben Jawad, que está localizado 150 km de Sirte. Após a luta de chão, bombardeamentos da NATO começaram novamente.

Ter intensificado o uso de bombas de som para tornar as pessoas surdas, a OTAN começou a atacar novamente. O bombardeio pelos aviões da OTAN atingir as casas de civis. Em uma casa matou sete pessoas, seis da mesma família. Civis nas zonas de combate têm confirmado que 36 desonestos morto juntamente com três soldados britânicos que lutaram ao lado dos renegados.

Taourgha, uma cidade limpa de seus habitantes por renegados

É relatado que a cidade que está localizada 50 km Taourgha leste da cidade foi completamente esvaziado Misrata de seus habitantes por Misrata renegado. Note-se que a população de Taourgha são de couro preto. Os renegados ter decapitado muitos dos adultos para aterrorizar o resto da população desta cidade que foi deportado em outros lugares desconhecidos.


Fonte: leonorenlibia


sábado, 10 de setembro de 2011

DEUS!!! SÓ VOCÊ PODE SALVAR A LÍBIA

OTAN (NATO) ESTÁ JOGANDO BOMBAS DE GÁS MOSTARDA NA LÍBIA




HUMANOS ACORDEM!!! VEJAM ISSO!!! FAÇAM ALGUMA COISA!!!

OTAN (NATO) ESTÁ PRATICANDO UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE!!!






Bani
Walid: NATO está usando bombas de fragmentação e gás mostarda contra Bani Walid.
Bombardearam a cidade com bombas de fragmentação e do uso de gás mostarda contra os habitantes da cidade durante o bombardeio pesado
pela NATO.
É um crime contra a
humanidade e contra as normas internacionais e leis.



fonte:http://leonorenlibia.blogspot.com

A GUERRA CONTRA KADHAFI É A GUERRA CONTRA A ÁFRICA


As informações que chegam até nós relacionadas a invasão a Líbia, capitaneada pelos EUA, e executadas pela OTAN, são no mínimo escassas para não dizer repleta de falácias cujo objetivo é o de esconder os reais planos de nações, historicamente criminosas, como Inglaterra e França sobre os povos africanos e asiáticos- como ocorreu durante imensos períodos da “história da civilização europeia”- recentemente reportamos a acontecimentos que encerram tal perspectiva.


Ao que parece, mesmo diante de denúncias das mais diversas que pipocam em várias regiões ( a grande imprensa não divulga absolutamente nada sobre isso) e a saga criminosa prossegue. Parece um uníssono sem nenhum brado contrário. O magnífica análise de Pougala nos convida a fazermos uma reflexão sobre o que de fato acontece no continente africano e o que o destino reserva aos nossos irmãos que lá residem. Ela é longa. Ela é muito esclarecedora, é por isso.

“Depois de 500 anos de uma relação profundamente desigual com o Ocidente, está claro que não devemos adotar os mesmo critérios de bem e mal. Temos interesses profundamente divergentes.“

“Devíamos [a África] abandonar as Nações Unidas para registrar a nossa rejeição a uma visão de mundo que se baseia na aniquilação dos que são mais fracos. “

por Jean-Paul Pougala (*) [Nota: No fim do artigo, há um vídeo, com entrevistas ao autor]


- foto cc NASA- 1- o primeiro satélite africano RASCOM -1


Foi a Líbia de Kadafi que ofereceu a toda a África a primeira revolução de modernidade: a conexão do continente inteiro por telefone, televisão, rádio e demais aplicações tecnológicas, como a telemedicina e o ensino à distância. Pela primeira vez, uma conexão de baixo custo tornou-se disponível em todo o continente, inclusive nas zonas rurais, graças à utilização do sistema WiMax.

A estória começa em 1992, quando 45 países africanos criaram a sociedade RASCOM, para dispor de um satélite africano, e fazer cair os custos de comunicação no continente. Telefonar de, e para a África era, então, sujeito à tarifa mais cara do mundo, porque existia um imposto de 500 milhões de dólares que a Europa cobrava anualmente sobre todas as conversas telefônicas, mesmo as locais, para permitir a utilização dos canais dos satélites europeus, como o Intelsat. Um satélite africano custaria apenas 400 milhões de dólares, à vista, contra os 500 milhões anuais de locação de satélites alheios. Que banqueiro se recusaria a financiar tal projeto? Mas a equação mais difícil de resolver era: como o escravo poderia se libertar da exploração servil do seu mestre, se tinha que pedir ajuda a ele? Assim, o Banco Mundial, o FMI, os EUA e a União Européia ficaram enrolando aqueles países por 14 anos.

Foi em 2006 que Kadafi pôs fim ao suplício da inútil mendicância aos pretensos benfeitores ocidentais prestadores de crédito a taxas extorsivas: o guia líbio entrou com 300 milhões de dólares, seguido do Banco Africano de Desenvolvimento, com 50 milhões, e do Banco do Oeste-Africano de Desenvolvimento, com 27 milhões. E foi assim que a África passou a ter, depois de 26 de Dezembro de 2007, o primeiro satélite de comunicações da sua história.

A China e a Rússia vieram em seguida, desta vez cedendo a sua tecnologia, e permitiram o lançamento de novos satélites, um sul-africano, um nigeriano, um angolano e um argelino. E em 2010, um segundo satélite da RASCOM foi colocado em órbita, em substituição ao primeiro, que tinha sofrido uma pane durante o lançamento, que encurtou a sua vida útil. E esperamos para 2020 o lançamento do primeiro satélite totalmente concebido e construído em solo africano, mais especificamente, na Argélia. Está previsto que esse satélite faça frente aos melhores do mundo, a um custo 10 vezes inferior, representando um verdadeiro desafio.

Eis como um simples gesto simbólico de 300 pequenos milhões pode mudar a vida de todo um continente. A Líbia de Kadafi fez perder ao Ocidente não apenas 500 milhões de dólares por ano, mas milhares de dólares de juros que essa mesma dívida gerava a prazos a perder de vista e de forma exponencial, e que contribuíam dessa forma para manter o sistema oculto de espoliação da África.

2 – O Fundo Monetário Africano, o Banco Central Africano, o Banco Africano de Investimentos

Os 30 bilhões de dólares embargados por Obama pertencem ao Banco Central Líbio e estavam previstos para serem usados como contribuição líbia a três projetos-chave para a concretização da federação africana:

- o Banco Africano de Investimentos, em Sirte, na Líbia;

- o estabelecimento, em 2011, do Fundo Monetário Africano, com sede em Yaounde, com um fundo de capital de 42 bilhões de dólares; e

- o Banco Central Africano, com sede na Nigéria, que, quando começar a imprimir moeda africana, significará o fim do franco CFA, através do qual Paris tem mantido o controle sobre alguns países africanos nos últimos 50 anos. É fácil de entender a raiva dos franceses contra Kadafi.

O objetivo do Fundo Monetário Africano é substituir totalmente as atividades do FMI em África , que, com apenas 25 bilhões de dólares, foi capaz de subjugar um continente inteiro e fazê-lo engolir privatizações questionáveis que forçaram países africanos a migrarem de monopólios estatais para monopólios privados. Não é nenhuma surpresa que em 16 e 17 de Dezembro de 2010, os africanos tenham sido unânimes em rejeitar as tentativas de adesão de países ocidentais ao Fundo Monetário Africano, dizendo que ele estava aberto apenas às nações africanas.

É cada vez mais evidente que , depois da Líbia, a coalizão ocidental se voltará contra a Argélia, porque, além das suas vastas reservas energéticas, o país tem reservas monetárias de aproximadamente 150 bilhões de libras. É este chamariz que move os países que bombardeiam a Líbia, países esses que têm, todos, uma característica em comum: estão à beira da falência. Os Estados Unidos, sozinhos, possuem uma espantosa dívida de 14 trilhões de dólares; França, Inglaterra e Itália apresentam um déficit público, cada um deles, de 2 trilhões de dólares. Esses números são mais gritantes quando comparados com os menos de 400 bilhões de dólares correspondentes à soma dos déficits públicos de 46 nações africanas juntas.

O incitamento a guerras espúrias em África na esperança de que isso lhes revitalize as economias que afundam cada vez mais no marasmo, apressará, em última instância, o declínio ocidental, que na verdade já tinha começado em 1884, durante a notória Conferência de Berlim. Como previu o economista Adam Smith citado, em 1865, por Abraham Lincoln quando da abolição da escravidão nos Estados Unidos, “a economia de qualquer país que dependa da escravidão de negros está destinada a descer ao inferno no dia em que as outras nações acordarem”.

3 – Unidades regionais como obstáculo à criação dos Estados Unidos Africanos

Para desestabilizar e destruir a união africana, que caminhava perigosamente (do ponto de vista do Ocidente) em direção à criação dos Estados Unidos Africanos, sob a liderança de Kadafi, a União Européia tentou, primeiramente, e sem sucesso, criar a União para o Mediterrâneo (UPM). A África do Norte tinha que, de alguma forma, ser separada do restante da África, de acordo com os velhos clichês racistas dos séculos XVIII e XIX, segundo os quais os africanos de ascendência árabe seriam mais evoluídos e civilizados do que o restante do continente. Essa tentativa falhou porque Kadafi se recusou a participar dela. Ele logo compreendeu o jogo que estava sendo armado, quando apenas um grupo de países africanos foi convidado para se juntar ao grupo mediterrâneo, sem comunicar à União Africana, juntamente com todos os 27 membros da União Européia.

Sem a força motriz da Federação Africana, a UPM fracassou antes mesmo de começar, natimorta sob a presidência de Sarkozy e a vice-presidência de Mubarak. O ministro das relações exteriores francês, Alain Juppe, está tentando relançar a idéia, apostando as fichas na queda de Kadafi. O que os líderes africanos não conseguem entender é que enquanto a União Européia continuar a financiar a União Africana, o status quo permanecerá inalterado, porque inexistirá uma efetiva independência. Este é o motivo que levou a União Européia a encorajar e financiar agrupamentos regionais em África.

É óbvio que a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS), que possui uma embaixada em Bruxelas, e depende, na sua quase totalidade, do financiamento da União Européia, é um vociferante opositor à federação africana. Foi por isso que Lincoln lutou na Guerra de Secessão estadunidense, porque no momento que um grupo de estados forma uma organização política regional, o grupo maior é enfraquecido. Foi isto que a Europa quis e os africanos nunca entenderam, ao criar uma profusão de agrupamentos regionais, COMESA, UDEAC, SADC, e o Grande Maghreb, que nunca viu a luz do dia graças a Kadafi, que entendia o que estava acontecendo.

Kadafi, o africano que limpou o continente da humilhação do apartheid


Para a maioria dos africanos, Kadafi é um homem generoso, um humanista, conhecido pelo apoio incondicional à luta contra o regime racista na África do Sul. Se ele tivesse agido de forma egoísta, ele não teria corrido o risco de sentir a ira ocidental ao apoiar o Congresso Nacional Africano (CNA) tanto militarmente quanto financeiramente, na sua luta contra o apartheid. Foi por isso que Mandela, logo após a sua libertação depois de passar 27 anos na cadeia, decidiu visitar a Líbia em 23 de Outubro de 1997, quebrando o embargo da ONU. Por cinco longos anos, nenhum avião estava autorizado a aterrissar na Líbia. Era necessário ir de avião até à cidade tunisiana de Jerba, e prosseguir por uma estrada que cruza o deserto durante cinco horas, até chegar a Ben Gardane, depois atravessar a fronteira, e continuar por outra estrada através do deserto durante mais três horas, antes de chegar finalmente a Tripoli. A outra solução seria partir de Malta e atravessar o mar em velhas embarcações, até chegar à costa líbia. Uma jornada infernal para toda uma população, apenas para punir um homem.

Mandela não mediu palavras quando o então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton disse que a visita era “mal vista”. “Nenhum país pode reclamar para si o policiamento do mundo, e nenhum estado pode ditar o que outro deve fazer,” disse Mandela. E acrescentou, “aqueles que ontem eram amigos dos nossos inimigos e têm a ousadia de dizer, hoje, que eu não devo visitar o meu irmão Kadafi, estão pedindo que sejamos ingratos e esqueçamos os nossos amigos do passado.”

De fato, o Ocidente ainda considerava a África do Sul racista como um irmão que precisava de proteção. É por isso que membros do ANC, inclusive Mandela, foram considerados perigosos terroristas. Foi apenas em 2 de Julho de 2008 que o Congresso dos Estados Unidos votou, finalmente, uma lei para remover o nome de Nelson Mandela e seus companheiros do ANC da lista negra, não porque tivessem finalmente percebido o quão estúpida era essa lista, mas porque queriam marcar o nonagésimo aniversário de Mandela. Se o Ocidente estivesse realmente consternado pelo apoio que no passado dera aos inimigos de Mandela, e estivesse sendo sincero quando passou a nomear ruas e logradouros com o nome de Mandela, como se explica que continue a guerrear contra alguém que ajudou Mandela e seu povo a serem vitoriosos?

Aqueles que querem exportar a democracia são realmente democratas?

E se a Líbia de Kadafi for mais democrática que os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha e outros países que se valem do apelo à democracia para guerrear a Líbia? Em 19 de março de 2003, o presidente Bush começou o bombardeio ao Iraque sob o pretexto de levar a democracia. Em 19 de março de 2011, exatamente oito anos depois desse dia, foi a vez do presidente francês fazer chover bombas sobre a Líbia, mais uma vez sob a desculpa de levar a democracia. O Nobel da Paz, e presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, diz que o lançamento de mísseis Cruise a partir de submarinos é para afastar o ditador e introduzir a democracia.

A questão, que até alguém com o mínimo de inteligência não pode evitar de colocar, é a seguinte: países como a França, Inglaterra, Estados Unidos, Itália, Noruega, Dinamarca, Polônia, que defendem o seu direito de bombardear a Líbia fundamentados pelo seu auto proclamado estatuto democrático, serão esses países realmente democráticos? Se sim, serão eles mais democráticos do que a Líbia de Kadafi? A resposta, na verdade, é um retumbante NÃO, pela simples e evidente razão de que a democracia não existe. Isto não se trata de uma opinião pessoal, mas da citação de alguém cuja cidade natal, Genebra, abriga a maioria das instituições das Nações Unidas. A citação é de Jean Jacques Rousseau, nascido em Genebra em 1712, e que escreveu no capítulo quatro de seu famoso livro “Do Contrato Social”, que “nunca houve uma verdadeira democracia e nunca haverá.”

Rousseau estabelece as quatro seguintes condições para que um país seja denominado uma democracia, condições essas, diga-se de passagem, que dão à Líbia de Kadafi um estatuto mais democrático do que os conhecidos exportadores de democracia:

1 – O Estado: Quanto maior o país, menos democrático ele poderá ser. De acordo com Rousseau, o estado tem que ser extremamente pequeno para que as pessoas possam se juntar e conhecer umas às outras. Antes de pedir o voto às pessoas, o pretendente tem que garantir que todos se conheçam, caso contrário a votação será um ato sem base democrática, um simulacro de democracia para eleger um ditador.

O estado líbio baseia-se num sistema de alianças tribais, que, por definição, agrupa pessoas em pequenas entidades. O espírito democrático está muito mais presente numa tribo, numa vila, do que numa grande cidade, simplesmente porque as pessoas se conhecem umas às outras, compartilham um mesmo ritmo de vida que envolve uma espécie de auto-regulação, ou mesmo, auto-censura, no sentido de que as reações e contra-reações dos outros membros impactam no grupo.

Sob essa perspectiva, parece que a Líbia se encaixa melhor nas condições estabelecidas por Rousseau do que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, todas sociedades altamente urbanizadas, em que a maioria dos vizinhos nem se cumprimenta e, portanto, não se conhece, mesmo que more lado a lado há mais de vinte anos. Estes países passaram para o próximo estágio – o “voto”, inteligentemente santificado para ofuscar o fato de que votar no futuro do país é inútil quando o dono do voto nem conhece os outros cidadãos. Esta situação é levada ao limite do ridículo quando o direito ao voto é estendido a pessoas que moram fora do país. A comunicação entre as pessoas é precondição para qualquer debate democrático antes de uma eleição.

2 – A simplicidade dos costumes e dos padrões de comportamento também é essencial se se quiser evitar o desperdício de tempo em debates sobre procedimentos legais e judiciais de forma a lidar com a profusão de conflitos de interesses inevitáveis em sociedades grandes e complexas. Os países ocidentais se auto-proclamam nações civilizadas, com uma estrutura social mais complexa, enquanto a Líbia é descrita como um país primitivo, com um conjunto simples de costumes.

Este aspecto também indica que a Líbia responde melhor ao critério democrático de Rousseau que todos os outros que querem dar lições de democracia. Os conflitos nas sociedades democráticas complexas são geralmente ganhos por aqueles que têm mais poder, e é por isso que os ricos conseguem evitar a prisão, já que têm condições de contratar advogados brilhantes, e acabam desviando a repressão estatal para aqueles que roubam uma banana do supermercado, não para os criminosos financeiros que levam bancos à falência. Na cidade de Nova York, por exemplo, em que 75% da população é branca, 80% dos postos de gerência são ocupados por brancos, que contabilizam apenas 20% da população carcerária.

3 – Igualdade em status e riqueza: uma olhada na lista da Forbes de 2010 revela quem são as pessoas mais ricas nos países que atualmente bombardeiam a Líbia, e qual é a diferença entre eles e aqueles que ganham os salários mais baixos; um exercício similar na Líbia mostrará que em termos de distribuição de renda, a Líbia tem muito mais a ensinar do que aqueles que a atacam neste momento, e não o contrário. Portanto, de novo, usando o critério de Rousseau, a Líbia é mais democrática do que as nações que ostentam pomposamente a pretensão de veículos da democracia. Nos Estados Unidos, 5% da população é proprietária de 60% da riqueza nacional, tornando-a a sociedade mais desigual e desequilibrada do mundo.

4 – Sem luxo: de acordo com Rousseau, não poderá existir nenhum luxo na democracia. O luxo, diz ele, transforma a riqueza numa necessidade, que substitui, como virtude, o bem-estar de todos. “O luxo corrompe tanto o rico quanto o pobre, um através da posse, o outro, da inveja; amolece a nação e torna-a presa da vaidade; distancia as pessoas do Estado e escraviza-as, tornando-as escravas da opinião.”

Há mais luxo em França ou na Líbia? Os relatos de empregados cometendo suicídio devido a condições estressantes de trabalho, mesmo em empresas públicas ou mistas, sempre em nome da maximização do lucro para a preservação do luxo de uma minoria, dizem respeito ao Ocidente, não à Líbia.

O sociólogo estadunidense C. Wright Mills escreveu em 1956 que a democracia estadunidense era uma “ditadura da elite.” De acordo com Mills, os Estados Unidos não são uma democracia porque é o dinheiro que fala durante as eleições, não o povo. Os resultados de cada eleição são a expressão da voz do dinheiro e não da voz do povo. Depois de Bush sênior e Bush Junior, eles já falam de um Bush mais jovem para as primárias republicanas de 2012. Além do mais, como assinalou Max Weber, uma vez que o poder político é dependente da burocracia, os Estados Unidos têm 43 milhões de burocratas e militares que efetivamente governam o país sem serem eleitos e sem precisarem prestar contas às pessoas pelas suas ações. Uma pessoa (uma rica) é eleita, mas o poder real fica na casta dos ricos que depois são nomeados como embaixadores, generais, etc.

Quantas pessoas nestas auto-proclamadas democracias sabem que a constituição peruana proíbe a re-eleição de um presidente? Quantos sabem que na Guatemala, o impedimento à re-eleição se estende aos familiares do presidente? Ou que Ruanda é o único país no mundo que tem 56% de parlamentares do sexo feminino? Quantos sabem que de acordo com o índice da CIA de 2007, quatro dos países mais bem governados do mundo são africanos? Que o primeiro lugar vai para a Guiné Equatorial, cujo débito público representa apenas 1,14% do PIB?

Rousseau afirma que guerras civis, revoltas e rebeliões são os ingredientes para o começo da democracia. Simplesmente porque a democracia não é um fim, mas um processo permanente de reafirmação dos direitos naturais dos seres humanos, que na maioria dos países ao redor do mundo (sem exceção), são espezinhados por meia dúzia de homens e mulheres que seqüestraram o poder do povo para perpetuar a sua supremacia. Existem aqui e ali grupos de pessoas que usurparam o termo “democracia” – ao invés de ser um ideal a ser constantemente perseguido, tornou-se um rótulo a ser apropriado ou um slogan a ser usado por aqueles que podem gritar mais alto que os demais. Se um país é tranqüilo, como a França ou os Estados Unidos – quer dizer, sem rebeliões – isso só significa que, de acordo com a perspectiva de Rousseau, o sistema que os governa é suficientemente repressor para abafar qualquer revolta.

A possibilidade de os líbios se revoltarem não é algo negativo. O que é mau é afirmar que as pessoas aceitam estoicamente um sistema que as reprime sem reagirem. E Rousseau conclui, “malo periculosam libertatem quam quietum servitium” (prefiro os perigos da liberdade à quietude da servidão) Afirmar que se matam líbios pelo seu próprio bem é, no mínimo, uma mistificação.

Quais são as lições para a África?

Depois de 500 anos de uma relação profundamente desigual com o Ocidente, está claro que não devemos adotar os mesmo critérios de bem e mal. Temos interesses profundamente divergentes. Como não deplorar o voto de aprovação por três países subsaarianos (Nigéria, África do Sul e Gabão) à resolução 1973,que inaugurou a mais recente forma de colonialismo batizada de “proteção aos povos”, e que legitimou as teorias racistas que têm formado os europeus desde o século XVIII, e de acordo com as quais o Norte da África não tem nada a haver com a África Subsaariana, que o Norte da África é mais evoluído, culto e civilizado que o resto do continente?

É como se Tunísia, Egito, Líbia e Argélia não fossem parte da África. Mesmo as Nações Unidas parecem ignorar o papel da União Africana nos assuntos relativos aos seus estados-membros. O objetivo é isolar os países africanos subsaarianos para melhor controlá-los. De fato, a Argélia , com 16 bilhões de dólares, e a Líbia, com 10 bilhões de dólares, contribuem, juntos , com 62% dos 42 bilhões de dólares que constituem o capital do Fundo Monetário Africano (AMF). O maior e mais populoso país da África Subsaariana, a Nigéria, seguida da África do Sul, estão bem longe, com contribuições de apenas 3 bilhões de dólares cada.

É desconcertante, para dizer o mínimo, que pela primeira vez na história das Nações Unidas se tenha declarado guerra contra um povo sem ter explorado a menor possibilidade de uma solução pacífica para a crise. A África ainda pertence a esta organização? A Nigéria e a África do Sul estão preparadas para dizer “sim” a qualquer coisa que o Ocidente lhes peça, por acreditarem ingenuamente nas vagas promessas de um assento permanente no Conselho de Segurança, com direitos similares de veto. Ambos esquecem que a França não tem poderes para oferecer nada. Se tivesse, Mitterand já teria feito o que era necessário, na época, para a Alemanha de Helmut Kohl.

A reforma das Nações Unidas não está na agenda. A única forma de se fazer ouvir é usando o método chinês – todas as 50 nações africanas deveriam abandonar as Nações Unidas e retornar somente quando a sua antiga demanda fosse atendida, um assento para toda a federação africana ou nada. Um método não-violento como este é a única arma de justiça disponível para os pobres e fracos que nós somos. Devíamos simplesmente nos retirar das Nações Unidas porque essa organização, pela própria estrutura e hierarquia que a constitui, está a serviço dos mais fortes.

Devíamos abandonar as Nações Unidas para registrar a nossa rejeição a uma visão de mundo que se baseia na aniquilação dos que são mais fracos. Eles são livres para continuar a agir da mesma forma, mas pelo menos não faremos parte disso, e não estaremos apoiando coisas sobre as quais nunca fomos perguntados. E mesmo quando pudemos expressar o nosso ponto de vista, como fizemos no sábado, 19 de março, em Nouakchott, quando nos opusemos à ação militar, a nossa opinião foi simplesmente ignorada, e as bombas começaram a cair sobre o povo africano.

Os eventos de hoje lembram o que aconteceu com a China no passado. Hoje, reconhecem o governo Ouattara e o governo rebelde na Líbia como fizeram no final da Segunda Guerra Mundial com a China. A assim chamada comunidade internacional elegeu Taiwan como única representante do povo chinês, ao invés de Mao, na China. Levou 26 anos para que, em 25 de Outubro de 1971, a ONU aprovasse a resolução 2758, que todos os africanos deveriam ler, para pôr fim a essa insensatez humana. A China foi admitida, mas de acordo com os seus termos: ela se recusava a tornar-se membro se não tivesse direito a veto. Quando a demanda foi atendida e a resolução publicada, ainda demorou um ano para que o ministro das relações exteriores da China respondesse por escrito ao Secretário Geral das Nações Unidas, em 29 de Setembro de 1972, numa carta que não dizia “sim” ou “obrigado”, mas listava as garantias requeridas para garantir o respeito à dignidade da China.

O que a África espera das Nações Unidas se não fizer jogo duro? Vimos como na Costa do Marfim um burocrata das Nações Unidas se considera acima da constituição do país. Entramos nesta organização como escravos, e acreditar que seremos convidados para jantar na mesma mesa e comer dos pratos que nós mesmo lavamos, não é apenas ingenuidade, é estupidez.

Quando a União Africana endossou a vitória de Ouattara e riscou relatos contrários dos seus próprios observadores eleitorais, simplesmente para agradar aos antigos mestres, como podemos esperar ser respeitados? Quando o presidente Zuma da África do Sul declara que Ouattara não ganhou as eleições, e depois diz exatamente o oposto durante uma viagem a Paris, é necessário se questionar a credibilidade destes líderes, que clamam representar e falar em nome de bilhões de africanos.

A força da África e a verdadeira liberdade só virão se o continente puder empreender ações pensadas e assumir as responsabilidades. A dignidade e o respeito vêm com um preço alto. Estamos preparados para pagá-lo? Senão, o nosso lugar é na cozinha e nos banheiros, para melhorar o conforto dos outros.

(*)Jean-Paul Pougala é um escritor de origem cameronesa, diretor do Instituto de Estudos Geoestratégicos e professor de sociologia na Universidade de Diplomacia de Genebra, na Suíça.

Traduzido por Gustavo Lapido Loureiro
Fonte: http://www.pambazuka.org/en/category/features/72575



Divulguem para que o mundo conheça a verdade!!!


Fonte: blog do professor jeovane esquerdopata

A GUERRA QUE VOCÊ NÃO VÊ!!!!

A Guerra que voce nao ve - The War You Dont See (2010) Legendado PT from MDDVTM TV11 on Vimeo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A HIPOCRISIA AMBIENTALISTA 2

Os humanos devem lembrar o passado para poderem entender o presente, e só assim a humanidade conseguirá salvar o futuro do nosso planeta.

(Burgos Cãogrino)



Ambientalismo internacional – Parte 2

Postado por em 10 outubro, 2010
[Nos USA, Robert O. Anderson (o da Atlantic) financiou diretamente (com US$ 200.000) o “Dia da Terra” – a primeira manifestação popular do movimento ambientalista de massas – contra a «destruição do meio ambiente» (em 22/04/1970). Contou com a participação de dezenas de milhares de estudantes, recrutados entre as hostes da “nova esquerda”, infestada pela contracultura.]

O petróleo financia as ONGs ambientalistas!

Com outra doação de US$ 200.000, Anderson garantiu a criação dos Amigos da Terra (Friends of the Earth), uma das primeiras entre as milhares de ONGs que viriam a formar as “tropas de choque” do movimento ambientalista. Vários dos principais fundadores dos Amigos da Terra foram recrutados entre os quadros dos Federalistas Mundiais e dos Cidadãos Planetários – estes últimos criados no pós-guerra como centros de difusão do “governo mundial”, por ideólogos oligarcas tais como Bertrand Russell, H. G. Wells e Robert Hutchins (reitor da Universidade de Chicago), este um fanático do “crescimento zero”.

A difusão da ideologia ambientalista na Europa foi amplamente financiada pela Shell, dirigida a partir da Sociedade Européia de Cultura de Amsterdan, outra criação de Julian Huxley. A Sociedade organizou o “Projeto Europa-2000”, de cujas recomendações foi estabelecido, no início dos anos 1970, o Instituto para a Política Européia de Meio Ambiente.

Este, juntamente com o IIED – Instituto Internacional para o Meio Ambiente e organizações coligadas dos EUA, como o Instituto Aspen e as fundações Ford e Rockefeller, têm sido as mais ativas instituições envolvidas na elaboração da “agenda verde global”. Esse esforço foi a contrapartida européia para a realização da Conferência de Estocolmo, em junho/1972.

Três manifestos ambientalistas históricos

Além da Conferência de Estocolmo, também foram divulgados em 1972, três famosos manifestos ambientalistas:

① O relatório «Blueprint For Survival» («Roteiro Para a Sobrevivência») – editado pela revista inglesa The Ecologist (dirigida por Edward Goldsmith e patrocinada por seu irmão sir James Goldsmith e por lord Victor Rothschild;

② A «Carta Mansholt» – redigida pelo então secretário da Comissão da Comunidade Européia, o francês Sicco Mansholt (protegido de lord Rothschild); e

③ O relatório do Clube de Roma, «Limites Do Crescimento». — Os três documentos batem na mesma tecla: a impossibilidade de expansão contínua da sociedade industrial e da população do planeta.

Uma agenda para acabar com a civilização…

«The Unfinished Agenda»A Agenda Inacabada») – documento de 1977, patrocinado pelo Rockefeller Brothers Fund (Fundo dos Irmãos Rockefeller) – recomendava uma série de medidas que representavam uma degradação deliberada dos setores intensivos em tecnologia da economia dos EUA, com a conseqüente imposição de um regime de “crescimento zero”, coerente com as sugestões explícitas dos relatórios do Clube de Roma. Entre outras recomendações, a «Agenda Inacabada» sugeria:

① Estabelecer a redução populacional como meta nacional;

② Promover uma política de esterilização feminina nos países do Terceiro Mundo;

③ Imposição de fortes restrições à imigração para os EUA, especialmente a proveniente de países pobres;

④ Vincular a ajuda alimentícia aos países pobres a metas de redução das taxas de natalidade;

⑤ Reduzir a intensidade energética da agricultura estadunidense;

⑥ Eliminar a utilização de fertilizantes e pesticidas na agricultura;

⑦ Eliminar a fissão nuclear como fonte energética; e

⑧ Fomentar o uso de fontes energéticas de pequena escala.

Na conclusão é abertamente admitido que o objetivo do projeto do movimento ambientalista não é resolver o problema de recursos escassos, mas promover uma mudança de valores na Sociedade, afastando-a do compromisso com o progresso: «Aqueles que vivem no ambiente comum do planeta estão agora experimentando a transição da abundância para a escassez. Os desafios imediatamente à frente não são os limites físicos ao crescimento, mas o desafio de uma grande transformação nos valores humanos.»

Mitterrand: sugestão de renúncia à nossa soberania!

Sicco Mansholt (imagem à direita), tornou-se um dos principais líderes intelectuais do “ambientalismo” europeu, tendo sido também um dos incentivadores da criação do Clube de Roma, em 1968. As idéias de Mansholt foram largamente adotadas pelas lideranças da Internacional Socialista. François Mitterrand endossou a «Carta Mansholt», o que evidencia que ele e seu chanceler Michel Rocard não tenham cometido um mero deslize diplomático, ao exigirem do Brasil, na Conferência de Haia, em março/1989, a «renúncia a parcelas de soberania» para facilitar a solução de problemas ambientais. Tal preceito constitui elemento fundamental da estratégia da oligarquia européia, e de seus títeres na Internacional Socialista.

O CFR e a Comissão Trilateral na área

A ascensão de Jimmy Carter à Presidência dos USA, em 1977, representou a consolidação política de todas as diretrizes oligárquicas no país mais poderoso do mundo, e resultou de um projeto gestado, diretamente, no interior do CFR – Council for Foreign Relations e da Comissão Trilateral.

A intenção do CFR na agenda ambiental ficou explícita com o artigo do diplomata George Kennan, intitulado «Para Evitar um Desastre Mundial» (publicado em abril/1970 na revista da organização: Foreign Affairs). Kennan, um dos mais importantes estrategistas do establishment estadunidense, enfatiza três pontos:

① a crise ambiental representa uma ameaça global tão grande que ameaça a vida na Terra;

② A crise deveria ser controlada por uma parceria entre governos e o empresariado, operando sob a supeervisão de uma super-agência ambiental mundial;

③ Parte dos recursos necessários para esse esforço deveriam provir dos orçamentos de defesa nacional.


Em 1973, simultaneamente com a criação da Comissão Trilateral, foi criada uma força-tarefa, o “Projeto dos Anos 80”, organizada pelo CFR, com o objetivo de elaborar diretrizes de governo nos campos estratégico, econômico e social, visando a promoção de uma «desintegração controlada da economia mundial». Entre seus organizadores estavam Zbigniew Brzezinski, Cyrus Vance e outros indivíduos que, posteriormente, ocuparam importantes cargos no Governo de Jimmy Carter.


A década de 1990, a Rio-92 e a Agenda 21

Se a década de 1970 foi a da popularização do ambientalismo, a de 1990 ficaria marcada pela elevação do mesmo ao plano superior da formulação de políticas públicas e das relações internacionais.

Elemento crucial para o processo de formulação de políticas públicas do ambientalismo foi a realização da Rio-92, chamada “Cúpula da Terra”, no Rio de Janeiro, em junho de 1992 – da qual resultaram convenções (Protocolo de Montreal para a Proteção da Camada de Ozônio; a Convenção Quadro de Mudanças Climáticas; Convenção Sobre Diversidade Biológica etc) e a chamada “Agenda 21”, um enorme conjunto de diretrizes destinado a introduzir o elemento ambiental, principalmente o conceito de “desenvolvimento sustentado”, em, praticamente, todos os ramos das atividades humanas.


Elaine Dewar reage

Assim falou Elaine Dewar sobre a Rio-92: «Propagandeada como a “maior cúpula do mundo”, a conferência do Rio era publicamente descrita como uma negociação global para reconciliar a necessidade de proteção ambiental com a necessidade de crescimento econômico. Os bem-informados entendiam que havia outros objetivos bem mais profundos. Estes, envolviam a transferência de poderes regulamentadores nacionais para vastas autoridades regionais; a abertura de todas as economias nacionais fechadas a interesses multinacionais; o reforço de estruturas de tomada de decisões muito acima e muito abaixo do alcance de democracias nacionais recém-estabelecidas; e, acima de tudo, a integração dos impérios soviético e chinês no sistema de mercado global. Eu não havia ouvido ninguém usar qualquer nome para esta agenda bastante grande, de modo que, mais tarde, eu mesma a batizei – a “Agenda de Governança Global”.»

Rio-92: V0 da “nova ordem mundial”

A chamada Rio-92 já está cumprindo o seu objetivo primário de provocar uma mudança nos chamados “paradigmas culturais”. Nas escolas, as crianças não falam senão da proteção à Natureza e da maldade intrínseca às atividades humanas. [...] Não é acidental, porque o propósito da Rio-92 – organizada para ser o mais importante advento do nosso século, a conferência que para alguns inauguraria a “nova ordem mundial” do presidente George Bush – era estabelecer princípios que constituem essencialmente um ataque aos valores cristãos mais fundamentais, colocando as preocupações com a Natureza per se em plano idêntico, senão superior, àquelas com o homem e sua luta para reproduzir e ampliar as bases da civilização, que foram a força motriz das descobertas marítimas e a própria alma da evangelização.

A verdade sobre o tema central que se tentará impor à Rio-92 (em palestra de Lorenzo Carrasco em 18/05/1992): na realidade a chamada “agenda ambiental” das oligarquias do “governo mundial” não é nenhuma novidade – apenas utiliza o velho conceito malthusiano de que os recursos naturais são finitos, como também é limitada a população que deles pode usufruir. Por conseguinte, a estratégia delas (das oligarquias) exigiria, fundamentalmente, o controle do crescimento populacional dos países subdesenvolvidos, assim como impedir o seu desenvolvimento científico-tecnológico-econômico.

“Desenvolvimento sustentável”: mais para os ricos, menos para os pobres

São esses os propósitos escondidos pela pomposa denominação de “desenvolvimento sustentado” – que pressupõe que os limitados recursos naturais do planeta e a igualmente restrita capacidade de sustentação da biosfera, não permitem a expansão dos benefpicios da sociedade industrial moderna a todos os povos do planeta, o que não só é cientificamente incorreto, mas também moralmente inaceitável. [...] os promotores desse “desenvolvimento” propõem agora uma divisão das restrições ao desenvolvimento econômico, a qual, se levada às últimas conseqüências, significará um virtual congelamento do progresso da civilização em nível muito inferior ao possível, e exigido pela dignidade humana. Repetindo: este é o tema central da Rio-92.


Protocolo de Montreal

Este, que vinha sendo negociado desde 1987, determinou o precedente para os grandes tratados ambientais internacionais. Pelos seus termos, toda uma família de produtos supostamente deletérios para a camada de ozônio (CFCs, halons etc) tiveram seus usos suprimidos até 2010. O Protocolo foi implementado a despeito das objeções de grande parte da comunidade científica e das advertências de que o custo da substituição dos produtos banidos chegaria à casa de centenas de bilhões de dólares em todo o mundo.

A convenção Quadro de Mudanças Climáticas

Esta prometia efeitos ainda piores. Seu objetivo era o de restringir a utilização de combustíveis fósseis – sob o pretexto de combater o chamado “aquecimento global”. A meta prevista era obter até 2010 uma redução dos níveis de emissões dos “gazes de efeito estufa”, principalmente o gás carbônico, aos níveis vigentes em 1990. Em escala global isso implica em um virtual congelamento da utilização de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural), que respondem por 3/4 da produção mundial de energia, com um impacto conseqüente nos planos de desenvolvimento de cada país.

MDL – “mecanismos de desenvolvimento limpo”

Idealizado por Maurice Strong (à esquerda, que presidiu a Rio-92), tem como objetivo a “comercialização” de direitos de emissão de “gazes de efeito estufa”. Assim, os planejadores da agenda ambiental pretendiam estabelecer um sistema de “cotas de emissões” para cada país. Por meio dos MDLs, os países interessados poderiam negociar a compra ou a venda de “cotas” segundo seus interesses momentâneos – o que, na prática, significaria a mercantilização do direito ao desenvolvimento.


Novamente Elaine Dewar adverte

Assim falou Elaine Dewar: «Ao final de 1991, eu havia me tornado altamente cética sobre os motivos dos participantes do circuito (ambientalista). Eu havia chegado à conclusão de que a poluição transfronteiriça estava sendo usada como um instrumento de mercado para vender aos que ainda tinham dúvidas, a necessidade de adoção de níveis de governança regionais e globais. O “pense globalmente, aja localmente”, era apenas outro slogan propagandístico. [...] Por volta do ano 2000, haveria poucas entidades nacionais independentes capazes de defender as comunidades locais dos leviatãs internacionais. As comunidades locais competiriam entre si pelos favores dos grandes interesses (vide a venda de “cotas” – MDLs – de Maurice Strong). Aqueles de nós que vivêssemos nas periferias brutais dessas novas potências mundiais se veriam agradecidos por comercializar com qualquer um, a qualquer preço.»

Uma obstaculização completa ao desenvolvimento

Como as outras duas principais fontes energéticas que se seguem em importância aos combustíveis fósseis – a hidroelétrica e a nuclear – se encontram, igualmente, na alça-de-mira dos ambientalistas, não é difícil perceber que a plena implementação da “Agenda Verde” implicará num obstáculo quase intransponível para as prespectivas de progresso dos países que ainda lutam para atingir um nível de desenvolvimento pleno.

A Convenção sobre Diversidade Biológica

Esta, parte do pressuposto de que as atividades humanas estão destruindo a biodiversidade que a Natureza levou bilhões de anos para desenvolver, e estabelece um marco legal para a proteção dos ecossistemas julgados ameaçados. A sua interpretação e aplicação irrestritas tem o potencial de obstaculizar um grande número de atividades econômicas. [...] Com todo esse aparato legal, que vem sendo constantemente ampliado com novas iniciativas, o fator ambiental da estratégia hegemônica da oligarquia adquire uma relevância crucial para a determinação do futuro imediato de nossa civilização.

Estrutura do movimento ambientalista internacional

Organizado hierarquicamente, a partir dos círculos mais elevados do establishment oligárquico, reunido no chamado Clube das Ilhas – pode ser dividido em três escalões:

“Estado-maior” – diretamente ligado à cúpula do establishment, onde são elaboradas as diretrizes gerais do movimento: UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza e o WWF – World Wilde Fund for Nature – que recebem apoio financeiro direto do Clube 1001 e de outras fontes oligárquicas.

“Comando operacional e logístico” – onde as diretrizes são transformadas em ações, envolvendo tanto governos nacionais como ONGs:

ⓐ entidades da ONU, tais como o PNUMA, PNUD, UNESCO, Organização Meteorológica Mundial etc;

ⓑ o Clube de Roma, coordenando atividades de uma série de organizações internacionais encarregadas da difusão da ideologia malthusiana dos “limites do crescimento”;

ⓒ Instituto Tavistock, responsável pelos programas de “engenharia social”, para tornar o ambientalismo socialmente aceitável;

ⓓ organizações “de inteligência” – como o World Resources Institute e o Worldwatch Institute;

ⓔ o aparato de financiamento dos programas, das ONGs e da formação dos quadros especializados necessários, integrado por agências de ajuda internacional de governos como os dos USA, Grã-Bretanha, Canadá etc, e de findações familiares e uma rede de empresas “fita azul” do Establishment.

“Tropas de choque” – representadas pelas ONGs de “ação direta”. Estas, por sua vez, podem ser divididas entre um seleto grupo de “organizações respeitáveis” – dirigidas por “cidadãos acima de qualquer suspeita” (Nature Conservancy, Environmental Defense Fund, Conservation International, Nature Resources Defense Council etc); e as organizações radicais, como o Greenpeace, Amigos da Terra etc, que geralmente protagonizam ações de grande impacto. Entre esses níveis de radicalismo, chega-se a organizações proto-terroristas e abertamente terroristas.

O alarmista Thomas Lovejoy (WWF)

Juntamente com o biólogo Norman Myers, Thomas Lovejoy (do WWF) tornou-se o maior propagandista de um dos temas preferidos do alarmismo ambientalista, a extinção das espécies. A partir da publicação do livro de Myers, «The Sinking Ark»A Arca Que Está Afundando»), em 1979, ambos começaram a difundir a tese – infundada – de que a ação humana estaria causando a extinção de até 100 espécies de organismos por dia, principalmente nas grandes floresras tropicais. Embora absurda e contestada por um grande número de cientistas, em pouco tempo, tal cifra passou a aparecer com destaque cada vez maior na prolífica literatura “eco-alarmista”.

Debt-for-nature swaps – idéia de Lovejoy

Em 1987, Thomas Lovejoy apresentou a proposta do mecanismo de troca de “dívida por natureza” (debt-for-nature swaps), pelo qual os países subdesenvolvidos poderiam abater parcelas de suas dívidas externas para utilizar tais recursos em programas de proteção ambiental – evidentemente, supervisionados e executados por ONGs internacionais. Recebida com entusiasmo entre as redes ambientalistas brasileiras, a proposta praticamente não chegou a ser implementada no país, mas volta-e-meia insiste em reaparecer.

Este é o WWF que ninguém conhece

Em entrevista divulgada em abril/1983, Lovejoy falou abertamente sobre os objetivos da estratégia ambientalista: «Quero esclarecer uma coisa agora mesmo: algumas pessoas têm circulado histórias maldosas de que o WWF está tentando parar todo o investimento no setor em desenvolvimento, que não queremos nenhuma indústria, e que tudo em que estamos interessados são plantas e animais. Isso é uma mentira» … – Perguntando se o WWF não coloca os animaizinhos e plantas exóticas contra o desenvolvimento industrial e de exploração de recursos naturais em certas áreas, Lovejoy respondeu: «Certamente. Mas isso não significa que somos contra o desenvolvimento. Somos contra o desenvolvimento descuidado. Quem você pensa que eu sou? Você sabe realmente quem eu sou? Sou o presidente do comitê executivo da diretoria da [seguradora] Metropolitan Life. Você sabe quem é realmente Russell Train (na época presidente do WWF-USA e ex-alto funcionário da NATO)? Quem diabos, você pensa que faz investimentos no setor em desenvolvimento? Quem ganha dinheiro? Dê uma olhada na diretoria do WWF e você encontrará os líderes da comunidade empresarial e financeira! Somos nós que investimos. Lucramos e queremos continuar assim – ao mesmo tempo em que estamos protegendo os animaizinhos… O maior problema são esses malditos setores nacionalistas desses países em desenvolvimento. Esses países pensam que podem ter o direito de desenvolver seus recursos como lhes convém. Eles querem se tornar potências, estados soberanos e elaboram suas estratégias… Nós achávamos que podíamos controlar melhor as coisas argumentando com esses líderes, esses tolos nacionalistas. Superestimamos a nossa capacidade de controlar as pessoas e vamos ter que ajustar isso. Será um ajuste doloroso, sem dúvida. Não, o problema real é esse nacionalismo estúpido e os projetos de desenvolvimento aos quais ele leva.» E continuando: «Antes de tudo, precisamos ter certo controle sobre os ministros de planejamento nesses países, especialmente os países maiores. [...] Talvez seja possível quebrar alguns setores nacionais, como o petróleo no México, porque é ineficiente e requer muito capital.» {grifos do Editor deste site}.

Novamente a pressão francesa sobre a soberania brasileira e a ação das ONGs

Em fevereiro-março/1989, em Haia, Holanda, ocorreram duas conferências internacionais sobre o meio ambiente, às quais compareceram os chefes de Estado de 23 países. Na ocasião, O presidente francês François Mitterrand e seu chanceler Michel Rocard, afirmaram, explicitamente, que países como o Brasil deveriam abrir mão de “parcelas de soberania” sobre ecossistemas como a floresta amazônica, para facilitar a sua preservação como um “patrimônio da humanidade”.

Nesse período, manifestações “populares” contra a suposta insensibilidade ambiental do Brasil ocorreram em vários países. [...] Simultaneamente a esses protestos contra a “devastação da Amazônia” houve a publicação de importante editorial da revista The Economist sobre a Amazônia – o que se constituiu, a par das ações de rua, apenas uma das pontas visíveis de uma bem articulada campanha que insistia em levantar a velha bandeira de que «a imensa riqueza da floresta amazônica deveria ser explorada em benefício da humanidade». Participando diretamente da ação estavam ONGs, como a Friends of the Earth, Survival International (a qual se propunha a sabotar todos os fluxos financeiros internacionais destinados a projetos na Amazônia – até que o governo brasileiro reconhecesse os «legítimos direitos dos indígenas»), Greenpeace, Oxfam, Forest Peoples Support Group e outras.


A rodovia BR-364 prejudicada

Ao mesmo tempo, o governo de George Bush (pai), sob instigação da promeira-ministra britânica Margaret Thatcher, e trazendo a tiracolo o presidente francês François Mitterrand, apressaram-se em surgir como “campeões do meio ambiente”, denotando a crescente relevância temática ambiental nas relaçoes internacionais e o maldisfarçado intento de obstaculizar as aspirações de desenvolvimento das nações do Sul. O próprio Bush pressionou diretamente o governo do Japão para impedir a concessão ao Brasil de um financiamento para a conclusão da pavimentação da rodovia BR-364, no trecho que liga o Acre ao Peru, permitindo o acesso rodoviário aos portos deste país. Thatcher, por sua vez, apoiou uma série de esforços para vincular o pagamento da dívida externa de países como o Brasil, à venda de recursos naturais destes.

Nobres preocupações estrangeiras com o Brasil!

Durante todo o ano de 1989, o Brasil recebeu visitas de várias delegações estrangeiras, principalmente dos EUA, inclusive com a presença do vice-primeiro ministro holandês Rudolf Koorte, que vieram professar in loco suas preocupações com o meio ambiente brasileiro, e aproveitando a oportunidade para promover a “menina dos olhos” da campanha ambientalista internacional – as conversões de “dívida por natureza”. A despeito de contar com vários aliados aqui mesmo no Brasil, essa proposta não foi adiante naquele momento.

“Africanização”,… também do Brasil?

O predomínio britânico se tornou evidente no sistema de parques naturais, que, à época da independência, já representavam mais de 20% do território das antigas colônias britânicas na África. Os diretores dos parques, chefes de polícia dos mesmos, e suas juntas diretoras, continuaram nas mãos dos súditos britânicos. [...] Um grande número desses parques, e em alguns casos todo o sistema, foi colocado sob o comando de ONGs, manejadas por juntas internacionais ou por procuradores, sem supervisão alguma por parte dos governos locais. Hoje em dia, os sistemas de parques do Quênia, Tanzânia, Congo, são administrados por entidades privadas. Chegou-se ao extremo de, por exemplo, na Tanzânia, cerca de 40 % do seu território estar contido no sistema de parques naturais, administrado pela ONG Parques Naturais da Tanzânia.

O tamanho total desses parques e complexos é surpreendente: 8,2 % da superfície total da África subsaariana. Muito mais surpreendente é que grande parte dos parques e reservas naturais está situada nas fronteiras nacionais. (obs: essas fronteiras dos Estados africanos foram desenhadas arbitrariamente pelas potências européias em suas conferências imperiais).

A situação dos parques naturais em tais regiões visa o genocídio e à desestabilização contínua da África. Por outro lado, os parques fizeram estragos na economia e ecologia africanas. A rede de parques diminuiu o fluxo de energia de todo o sistema ecológico, o que fez proliferar parasitas e enfermidades. Essa degradação do ambiente humano ajudou a criar as condições pelas quais as novas enfermidades (AIDS) se generalizaram entre a população esgotada.

Os parques têm vários objetivos geopolíticos:

① eliminar grandes extensões de terra para fins econômicos produtivos; a criação dos parques é a maior operação de expulsão conhecida desde que a horda de mongóis de Gengis-Khan assolou a Ásia Central no século 13. Como disse um especialista britânico: «Quando os britânicos desejam expulsar o povo de uma região, sua tendência é converter a mesma em um parque selvagem, o que lhe dá a sua razão de ser»;

② enquanto impedem o aproveitamento desses territórios, as reservas se situam com freqüência sobre jazidas de recursos estratégicos. Exemplo: os parques das zonas fronteiriças do Níger, estão sobre uma jazida de urânio;

③ o fato dos parques serem administrados por organismos supranacionais, como o WWF – World Wilde Fund for Nature, é um ataque à soberania nacional. A pretexto de combater caçadores furtivos, a administração inclui muitas vezes forças paramilitares. Outros parques são administrados por outros organismos internacionais, como o PNUD, a FAO – Organização para a Alimentação e Agricultura, da ONU, ou a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza;

④ os parques são refúgio e zonas de treinamento de tropas dos grupos guerrilheiros mais diversos. Vários estão localizados nas fronteiras dos países, e funcionam como “zonas militarizadas”. Exemplo: o WWF administrava o programa de gorilas no Parque Virunga, enquanto a FPR – Frente Patriótica de Ruanda usava o mesmo para entrar em Ruanda. Sem exagero, podemos afirmar que, sem as zonas de refúgio que a rede de parques que a família real britânica oferece, as prolongadas guerras civis e fronteiriças que afligem a África, desde os anos 1970, teriam sido impossíveis.



«A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial»



Créditos:
este post é um extrato realizado a partir do livro «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial», em seus vários capítulos, quando é tratado, de alguma forma, o tema do movimento ambientalista internacional. Assim, muitas partes da presente matéria poderão ser mais ou menos desconectadas, mas procurei “costurá-las” a fim de um melhor entendimento por parte do leitor. Eventualmente, introduzi subtítulos no texto para facilitar e incentivar a leitura, bem como para organizar o texto. Imagens: Google – Imagens.

Observação: o segundo volume da série “Máfia Verde” («Máfia Verde 2 – Ambientalismo, Novo Colonialismo») também fala muita coisa sobre o movimento ambientalista internacional, matérias que serão, oportunamente, inseridas neste site.

Os livros a ler são: «A Máfia Verde – O Ambientalismo a Serviço do Governo Mundial» dos editores (Capax Dei Editora); e «Uma Demão de Verde», da jornalista canadense Elaine Dewar (também editado pela Capax Dei Editora).

Para saber mais sobre o tema, visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/

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