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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

EUA , Israel e ONU - O Paradoxo


O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que não há "atalhos" para terminar o conflito entre israelenses e palestinos, que já existe a décadas no Oriente Médio.

Barack Obama afirmou que a paz na região "não virá de resoluções ou declarações da ONU", mas apenas de negociações diretas entre israelenses e palestinos.

"Estou convencido de que não há atalho para encerrar um conflito que existe a décadas", disse.

“No final das contas, são os israelenses e os palestinos, e não nós, que devem chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: sobre fronteiras e segurança; sobre refugiados e Jerusalém”.

A História:

Em abril de 1947, um Comitê Especial das Nações Unidas propôs a partilha da Palestina em um Estado judeu (já com cerca de 650 mil habitantes) e um Estado árabe-palestino (com o dobro dessa população).

Estado institucionalizado

Quando a Liga das Nações (hoje Organização das Nações Unidas - ONU) concedeu o mandato britânico sobre a Palestina, em 1922, recomendou ao país que criasse na região um "lar judaico, em reconhecimento à ligação histórica do povo judeu com a Palestina".
Motivados pelo sionismo e pela "simpatia para com as aspirações sionistas dos judeus" expressa pelo ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Lord Balfour, milhares de judeus partiram para as terras palestinas.

A fundação de Israel, em 1948 apenas institucionalizou uma comunidade de cerca de 650 mil pessoas já organizada, com instituições políticas, sociais e econômicas bem desenvolvidas.

Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59º membro das Nações Unidas.


O paradoxo:

A contradição das palavras de Barack Obama é um paradoxo impressionante, pois, se a ONU resolveu o problema dos israelenses em 1922 como pode agora não poder resolver o problema dos palestinos?

Como pode Barack Obama dizer que não é na ONU que os palestinos vão resolver seus problemas?

Então quem poderá resolver estes problemas? Se palestinos e judeus não se entendem, continuará sendo uma eterna carnificina?

Então, podemos concluir que a Organização das Nações Unidas (ONU) só serve aos interesses de Israel e EUA?

Se a ONU não serve para resolver estes problemas, a quem se deve recorrer?

Então talvez devamos procurar ajuda fora do planeta Terra...

Quem sabe a “Confederação Galáctica”?

A voz do Brasil na ONU


DILMA NA ONU: SEM COMPLEXO DE VIRA-LATA


Por Rodrigo Vianna

“Na abertura da Assembléia Geral da ONU, ao falar para o mundo, Dilma destacou a condição feminina e a especificidade do Brasil no mundo. Emocionou-me a menção que a presidenta fez à língua portuguesa. Lembrei-me de certo presidente (brasileiro, até prova em contrário) que foi à França e preferiu falar em Francês (!) na Assembléia Nacional daquele país. Era o presidente (Fernando Henrique Cardoso) que certa 'elite' brasileira considerava "cosmopolita”. Um cosmopolita que preferia falar em francês. Terminou o discurso dizendo “Vive la France!!!”. Patético.

Dilma não só falou em Português, como falou sobre as especificidades do mundo que fala Português. Usou o idioma como gancho para lembrar de palavras que são “femininas” na Língua Portuguesa: alma, esperança, vida.

Mas o discurso na Assembléia Geral da ONU não foi importante (só) por isso. Foi importante porque Dilma se diferenciou da baboseira (neo)liberal que ainda sobrevive no chamado mundo desenvolvido (e sobrevive também entre “colunistas” e “analistas” que pensam o Brasil feito girafas: têm os pés na América do Sul e a cabeça em Londres ou Washington). Dilma falou na necessidade de controlar capitais. Os colunistas de economia brazucas devem ter sofrido uma síncope nervosa. "Controle? Capitais devem ser livres. Controle, só para as pessoas".

Dilma foi corajosa ao falar da crise econômica, ponderada ao defender o Estado Palestino e firme ao reafirmar a necessidade de reformar a ONU e as instâncias decisórias mundiais.

Dilma foi a primeira mulher a abrir a Assembléia Geral da ONU. Mas o discurso dela foi histórico por muitos outros motivos. Lembrou-me a frase lapidar de Chico Buarque, ao dizer, na reta final da eleição de 2010, porque apoiaria Dilma: “é um governo que fala de igual para igual, não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

E, abaixo, uma pequena seleção dos trechos que considero mais relevantes.

CONDIÇÃO FEMININA – IGUALDADE E ORGULHO

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo. É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.”

LÍNGUA PORTUGUESA – ESPERANÇA E CORAGEM

Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.”

FALANDO GROSSO – PUXÃO DE ORELHA NOS “DESENVOLVIDOS”

Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras. Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções. Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.”

RECADO AOS NEOLIBERAIS – CONTROLAR OS MERCADOS

Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.”

A CONDIÇÃO BRASILEIRA – OTIMISMO MODERADO

É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos. Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos –e podemos– ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.”

ENFRENTAR A RECESSÃO – AJUDA VEM DOS EMERGENTES

Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais. Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.”

RECADO AOS EUA E OTAN - CONTRA INTERVENÇÕES MILITARES

É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo. Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas (…) O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.”

REFORMA DA ONU – BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA

O debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho.”

DIREITOS HUMANOS , SIM – PARA TODOS

Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos. O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.”

ESTADO PALESTINO – DEFESA FIRME, SEM MEIAS PALAVRAS

Lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.”

COMBATE À POBREZA – RECEITA BRASILEIRA

O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros. O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.”




Fonte: escrito pelo jornalista Rodrigo Vianna em seu blog “Escrivinhador” (http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/dilma-na-onu-sem-complexo-de-vira-lata.html#more-9741).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Estados Unidos reforçam expansão militar no Índico


Os Estados Unidos estão a construir novas bases militares para expandir a sua capacidade de intervenção no Índico. Etiópia e Seychelles são os países escolhidos, segundo o Washington Post.

De acordo com o jornal, estas novas bases servirão para permitir a operação de aviões sem piloto (drones), um recurso de guerra que tem recebido enorme incremento durante a administração Obama. Uma das bases está em construção na Etiópia e a das Seychelles já está operacional. A partir deste arquipélago, de acordo com peritos militares, é possível recorrer a drones equipados com mísseis Hellfire e bombas guiadas por satélite para atingir alvos na Somália e no Iémen. Além disso, os aparelhos colocados nas Seychelles poderão ainda patrulhar os céus da Somália. As bases poderão servir para utilizar outro tipo de recursos de guerra, caso seja considerado necessário.

Segundo as fontes citadas pelo jornal, as flotilhas destes aviões, conhecidos como “caçadores-assassinos”, deverão actuar contra os radicais islâmicos na Somália e contra forças da al-Qaida que supostamente actuam no Iémen

No âmbito da rede de bases militares norte-americanas na região já está em funcionamento uma outra, no Djibuti, que tem sido utilizada tanto na Somália como no Iémen.

Os Estados Unidos usam regularmente a Etiópia para interferir nas questões somalis. Tropas etíopes invadem regularmente a Somália cumprindo objectivos estabelecidos pelo Pentágono de combate ao grupo radical islâmico Shebab, que controla praticamente todo o país.

A rede de bases no Índico é subsidiária da Quinta Esquadra norte-americana, instalada no Bahrein, país considerado quase tão estratégico para os Estados Unidos como Israel. Washington e a Arábia Saudita têm apoiado a repressão dos movimentos pela democracia neste país; ao mesmo tempo, conselheiros militares e equipamento de guerra norte-americanos actuam no Iémen ao lado das tropas fiéis ao ditador Ali Abdullah Saleh, permitindo-lhe resistir a uma das primeiras “primaveras árabes” a surgir nas ruas.


Fonte: beinternacional.eu


EUA, um país com uma crise financeira terrível e continuam a investir em mortes, gastando milhões em construção de bases em outros países, um país onde o desemprego está altíssimo, as desigualdades sociais tremenda e mesmo assim a prioridade do governo é em guerras, intervenções e sanções a outros países.

Fica a pergunta: Será que o povo americano é idiota ou cego? Que não consegue enxergar esse tipo de coisa. Ou será que existe uma nação inteira se achando superior em relação aos outros povos do mundo? O povo americano concorda com esse governo autoritário que se diz "democrático"?

Que futuro terá o povo americano? Vão morrer de fome, mas continuarão agarrados a suas armas nucleares, aviões drones, e todo tipo de armas letais? Ou vão subjugar todos os países do mundo para sustentá-los em seus gastos com guerras?

EUA está se tornando um país imperialista fanático por intervenções, fanático por guerras e mostra claramente o egoísmo em relação ao restante dos povos do mundo, com a velha desculpa de estar levando sua "democracia" ditatorial, e impondo ao mundo seus armamentos bélicos.

Um país que "luta" pelo desarmamento mundial, mas continua a alimentar seus estoques de armas nucleares, querendo que o mundo se desarme para poder cada ves mais oprimir os povos com sua "democracia" decadente, que só convence mesmo ao povo americano.

E faço a pergunta novamente: São cegos? Ou idiotas?

(Burgos Cãogrino)

Crise sistémica global 4º trim./2011: Fusão implosiva dos activos financeiros mundiais

por GEAB

Como antecipado desde Novembro de 2010 pelo LEAP/E2020, e reiterado várias vezes até Junho de 2011, o segundo semestre de 2011 começou por uma recaída brutal e gigantesca da crise. Cerca de US$10 milhões de milhões dos 15 milhões de milhões de activos fantasmas anunciados no GEAB nº 56 já desapareceram como fumo. O resto (e provavelmente muito mais) vai desvanecer-se no decorrer do 4º trimestre de 2011 que será marcado por aquilo que a nossa equipe chama de "fusão implosiva dos activos financeiros mundiais". São os dois principais centros financeiros mundiais, Wall Street em Nova York e a City em Londres, que vão ser os "reactores privilegiados" desta fusão. E, tal como previsto pelo LEAP/E2020 desde há vários meses, é a solução dos problemas da dívida pública de certos Estados da Eurolândia que vai permitir que esta reacção atinja sua massa crítica, após a qual nada mais será controlável. Mas é nos Estados Unidos que se encontra o essencial do combustível que vai alimentar a reacção e transformá-la em choque planetário real [1] . Desde Julho de 2011 não fizemos senão encetar o processo que conduz a esta situação: o pior portanto está diante de nós e muito próximo!

Neste comunicado público do GEAB nº 57 escolhemos abordar muito directamente a imensa operação de manipulação que está organizada em torno da crise grega e do Euro [2] , descrevendo sempre a sua ligação directa com o processo de fusão implosiva dos activos financeiros mundiais. Igualmente, neste GEAB nº 57, o LEAP/E2020 apresenta suas antecipações do mercado do ouro para o período 2012-2014 assim como suas análises sobre o neo-proteccionismo que se vai por em acção a partir do fim de 2012. Além das nossas recomendações mensais sobre a Suíça e o Franco suíço, o imobiliário e os mercados financeiros, apresentamos igualmente nossos conselhos estratégicos destinados aos dirigentes do G20 a menos de dois meses da cimeira do G20 que haverá em Cannes.


Crise grega e Euro: estado da vasta operação de manipulação em curso


Mas retornemos pois à Grécia e àquilo que começa a ser um "antigo cenário muito repetitivo" [3] , o qual já explicámos que retorna à frente da cena mediática cada vez que Washington e Londres entram em graves dificuldades [4] . Então, como por acaso, o Verão foi catastrófico para os Estados Unidos que a partir daí entraram em recessão [5] , que viram a sua classificação financeira degradada (um acontecimento que há apenas seis meses a totalidade dos "peritos" considerava impensável) e que expôs ao mundo espantado o estado de paralisia geral do seu sistema político [6] , estando sempre incapazes de por em acção a menor medida séria de redução dos seus défices [7] . Paralelamente, o Reino Unido afunda-se na depressão [8] com tumultos de uma rara violência, uma política de austeridade que fracassa dominar os défices orçamentais [9] mergulhando o país numa crise social sem precedentes [10] e uma coligação no poder que já não sabe sequer porque governa juntamente com o pano de fundo do escândalo do conluio entre líderes políticos e o império Murdoch. Não há dúvida, num tal contexto, tudo estava maduro para um relançamento pelos media da crise grega e o seu corolário, o fim do Euro!

Se o LEAP/E2020 tivesse de resumir o cenário à "moda de Hollywood" ou da "FoxNews" [11] obter-se-ia a seguinte sinopse: "Enquanto o iceberg EUA está em vias de chocar-se com o Titanic, a tripulação treina os passageiros na busca de perigosos terroristas gregos que teriam colocado bombas a bordo!" Em termos de propaganda, a receita é bem conhecida: consiste em fazer diversionismos para permitir primeiro salvar os passageiros que se quer (as elites informadas que sabem muito bem que não há terroristas gregos a bordo) uma vez que nem todos poderão ser salvos; e a seguir mascarar o mais longo tempo possível a verdadeira natureza do problema para evitar uma revolta a bordo (inclusive de uma parte da tripulação que acredita existirem realmente bombas a bordo).

Para concentração nas questões de fundo, deve-se sublinhar que os "promotores" de uma crise grega que seria fatal para o Euro passam o seu tempo a repetir isso desde há cerca de dois anos sem que qualquer que seja das suas previsões se realize [12] (pondo de parte continuar a falar do assunto). Os factos são teimosos: apesar desta fúria mediática que teria arrastado numerosas economias ou moedas [13] , o Euro é estável, a Eurolândia deu passos de gigante em matéria de integração [14] e prepara-se para transpor novas etapas ainda mais espectaculares [15] , os países emergentes continuam a diversificar-se para fora dos Títulos do Tesouro dos EUA e a comprar dívidas da Eurolândia e a saída da Grécia da zona Euro continua sempre totalmente inconcebível excepto nos artigos dos media anglo-saxónicos cujos autores em geral não têm a menor ideia do funcionamento da UE e menos ainda das tendências fortes que a animam.

Agora nossa equipe nada pode fazer em relação àqueles que querem continuar a perder dinheiro apostando num afundamento do Euro [16] , numa paridade Euro-Dólar ou numa saída da Grécia da Eurolândia [17] . Os mesmos tiveram de despender muito dinheiro para se prevenirem contra a chamada "epidemia mundial da gripe H1N1" que peritos, políticos e medias de todo género "venderam" durante meses às populações mundiais e que se verificou ser uma enorme mascarada alimentada em parte pelos laboratórios farmacêuticos e cliques de peritos às suas ordens [18] . O resto, como sempre, é auto-alimentado pela falta de reflexão [19] , pelo sensacionalismo e pelo conformismo dos media dominantes. No caso da crise Euro-grega, o cenário é análogo, com a Wall Street e a City nos papel dos laboratórios farmacêuticos [20] .


Recordamos com efeito que o que aterroriza a Wall Street e a City são os ensinamentos que os dirigentes e os povos europeus estão em vias de extrair destes três anos de crise e de soluções ineficazes que foram aplicadas. A natureza da Eurolândia cria um espaço de discussão sem equivalente no seio das elites e das opiniões públicas americanas e britânicas. E é exactamente isso que aborrece a Wall Street e a City, que procuram sistematicamente matar este espaço de discussão, seja tentando mergulhá-lo no pânico com anúncios sobre o fim do Euro, por exemplo, seja reduzindo-o a uma perda de tempo e fazendo disso uma prova da ineficácia da Eurolândia, da sua inaptidão para resolver a crise. O que é o cúmulo quando se tem em conta a paralisia completa que prevalece em Washington. [NR]

No entanto, é realmente este espaço de discussão que permite aos eurolandeses avançar no caminho de uma solução durável para a crise actual. Este espaço de discussão faz parte integrante da construção europeia ou das visões contraditórias dos métodos e das soluções que se confrontam antes de finalmente chegar a um compromisso (e este é o caso como o provam as decisões muito importantes tomadas desde Maio de 2010). Amplia-se assim o debate a uma multidão de actores, vindos de 17 países diferentes, de várias instituições comuns, e ele está ancorado nos debates de 17 opiniões públicas [21] . Ora, é do confronto de ideias que emana a luz: da confrontação brutal das ideias, o filósofo grego Heráclito dizia há 2500 anos, "alguns fazem-se deuses, alguns fazem-se homens, alguns fazem-se escravos, alguns fazem-se homens livres". Os cidadãos da Eurolândia recusam que esta crise os transforme em escravos e é para isso que os actuais debates intra-europeus são necessários e úteis. Em três anos, entre 2008 e 2011, eles permitiram nomeadamente duas coisas essenciais para o futuro:

  • relançaram a integração europeia em torno da Eurolândia e colocaram-na doravante numa trajectória de integração acelerada. Nossa equipe antecipa doravante uma forte relançamento da Europa política a partir do fim de 2012 (análogo à dos anos 1984-1985) com, nomeadamente, um tratado de integração política da Eurolândia que será submetido a um referendo trans-Eurolândia daqui até 2015 [22] .

  • permitiram a emergência progressiva de duas ideias simples mas muito fortes: salvar os bancos privados de nada serve para resolver a crise é necessário que os mercados (ou seja, essencialmente os grandes operadores financeiros da Wall Street e da City) assumam integralmente os seus riscos, sem mais garantias por parte dos Estados. Hoje, estas duas ideias são o cerne de um debate eurolandês, tanto na opinião pública como nas elites ... e elas ganham terreno a cada dia. É isso que provoca o medo da Wall Street e da City e dos grandes operadores financeiros privados. É esta a mecha já bem gasta que vai desencadear a fusão implosiva dos activos financeiros mundiais no 4º trimestre (naturalmente, no contexto dominante da recessão estado-unidense e da sua incapacidade de reduzir os défices públicos). Se os mercados começam a antecipar um desconto de 50% nos títulos gregos ou espanhóis é porque sentem muito bem a direcção que tomam os acontecimentos na Eurolândia. Para o LEAP/E2020, não há qualquer dúvida de que os espíritos estão maduros, um pouco por toda parte na Eurolândia, para se orientarem em direcção a uma contribuição de 50%, ou até mais, dos credores privados a fim de resolver os futuros problemas de endividamento público. Isto é um problema para os bancos europeus, sem dúvida, mas ele será gerido para garantir os poupadores. Os accionistas vão ter de assumir plenamente a sua responsabilidade: isto é certamente o fundamento do capitalismo!

A Wall Street e a City, e os seus porta-vozes mediáticos, desejariam desesperadamente que este debate não se verificasse, que fosse encerrado pelo pânico, que os governantes fossem obrigados a ouvir seus "peritos" que lhes asseguram que o único meio é continuar a recapitalizar os bancos, a inundá-los de liquidez [23] ... como se passa em Washington e Londres. Dois países onde os estabelecimentos financeiros manipulam a seu bel prazer os governos.

O combate faz estrondo igualmente em torno do BCE como havíamos mencionado no GEAB anterior: a nomeação de Mario Draghi, antigo responsável da Goldman Sachs, a demissão de Jurgend Stark [24] , ... reflectem estas tentativas de por Frankfort sob a mesma tutela de Londres e Washington. Mas elas estão condenadas antecipadamente pelo facto mesmo deste espaço aberto, estruturalmente inscrito na construção europeia, onde as discussões são alimentadas pelo fracasso das políticas de 2008 e a irrupção crescente das opiniões públicas no debate. "Qui va piano va sano e qui va sano va lontano" [25] dizem os italianos. Esta crise é de amplitude histórica como temos recordado desde Fevereiro de 2006. As medidas a tomar para atravessá-la da melhor maneira e sair mais fortes (homens livres e não escravos para retomar Heráclito) exigem portanto debates sérios e profundos [26] ... portanto tempo. E tempo gasto pelos eurolandeses é dinheiro perdido para os mercados ... o que explica os seus temores. O LEAP/E2020 pensa naturalmente que também é preciso agir e desde Maio de 2010 temos sublinhado que as acções empreendidas na Eurolândia eram de uma amplitude sem precedente na história europeia recente. E consideramos que é preciso dar tempo ao segundo plano de ajuda à Grécia para se por em marcha. Quanto ao resto, sabemos também que os actuais dirigentes na sua maior parte estão em "fim de rota" e que é preciso esperar os meados de 2012 para assistir a uma nova grande aceleração da integração da Eurolândia [27] .

Durante este tempo, com US$340 mil milhões a encontrar em 2012 [28] para se refinanciar, os bancos europeus e americanos vão continuar a matarem-se entre si tentando sempre manter a situação pré crise que lhes assegurava um apoio ilimitado dos bancos centrais. Para a Eurolândia, eles arriscam-se a ter uma surpresa muito má.

O 4º trimestre de 2011 marca o fim dos dois paradigmas chave do mundo anterior à crise

Assim, a fusão implosiva do 4º trimestre vai resultar do encontro entre duas novas realidades que contradizem duas condições fundamentais de existência do mundo anterior à crise:

  • uma, nascida na Europa, consiste em rejeitar doravante a ideia de que os operadores financeiros privados, de que a Wall Street e a City são a encarnação por excelência, não são plenamente responsáveis pelos riscos que assumem. Ora, desde há várias décadas, esta era a ideia dominante que alimentou o formidável desenvolvimento da economia financeira: "Cara eu ganho, coroa tu me salvas". A própria existência dos grandes bancos e seguradoras ocidentais tornou-se intrinsecamente ligada a esta certeza. Os balanços dos grandes actores da Wall Street e da City (e de numerosos grandes bancos da Eurolândia e do Japão) são incapazes de resistir a esta formidável mudança de paradigma [29] .

  • a outra, gerada nos Estados Unidos, é o fim reconhecido do motor estado-unidense do crescimento mundial [30] num fundo de paralisia política completa do país que de facto vai terminar o ano de 2011 tal como a Grécia terminou o ano de 2009: o mundo descobre pouco a pouco que o país tem uma dívida que já não é capaz de assumir, que seus credores não querem mais emprestar e que sua economia é incapaz de enfrentar uma austeridade significativa sem mergulhar numa profunda depressão [31] . De certa maneira, a analogia pode ir mais longe: assim como a UE e os bancos, de 1982 a 2009, emprestaram generosamente à Grécia ... e sem lhe pedir contas seriamente, no mesmo período o mundo emprestou generosamente aos Estados Unidos acreditando na palavra dos seus dirigentes quanto ao estado da economia e das finanças do país. E em ambos os casos, o dinheiro foi dissipado em booms imobiliários sem futuro, em políticas de clientelismo dispendiosas (nos Estados Unidos, o clientelismo, está na Wall Street, na indústria petrolífera, nos operadores de saúde), em despesas militares improdutivas. E em ambos os casos, todo o mundo descobre que não se pode em alguns trimestres reparar décadas de inconsciência.

A "perfeita tempestade" político-financeira dos EUA de Novembro de 2011

Assim, em Novembro de 2011 prepara-se nos Estados Unidos uma "perfeita tempestade" político-financeira que fará com que os problemas do Verão pareçam-se a uma ligeira brisa do mar. Os seis elementos da futura crise já estão reunidos [32] :

  • o "supercomité" [33] encarregado de decidir cortes orçamentais para os quais não houve qualquer acordo neste Verão verificará ser incapaz de resolver as tensões entre os dois partidos [34]

  • o automatismo dos cortes orçamentais que supostamente vai ser executado sem acordo implicará uma crise política de grande magnitude em Washington e tensões crescentes nomeadamente com os militares e os beneficiários das ajudas sociais. Ao mesmo tempo, este "automatismo" (uma verdadeira abdicação do poder decisional por parte do Congresso e da Presidência dos Estados Unidos) gerará grandes perturbações no funcionamento do aparelho de Estado.

  • as outras grandes agências de classificação juntar-se-ão à S&P na degradação da classificação dos EUA e a diversificação para fora dos Títulos do Tesouro estado-unidenses será acelerada, sabendo que os Estados Unidos doravante dependem essencialmente de financiamento a curto prazo [35] .

  • a incapacidade do Fed em fazer outra coisa senão falar e manipular as bolsas ou os preços do combustível nos Estados Unidos [36] daqui em diante torna impossível qualquer "salvamento" de último minuto.

  • no decurso dos próximos três meses, o défice público dos EUA vai aumentar consideravelmente pois as receitas fiscais actualmente já estão em vias de afundar-se sob o efeito da recaída em recessão [37] . Isto equivale a dizer que o tecto de endividamento acrescido votado há algumas semanas será atingido muito antes das eleições de Novembro de 2012 [38] ... e isto é uma informação que se vai difundir como um rastilho de pólvora no 4º trimestre de 2011 ... reforçando todos os temores dos investidores de verem os Estados Unidos seguirem o exemplo da Eurolândia para a Grécia e obrigarem seus credores a assumir perdas pesadas.

  • o novo plano de Barack Obama em matéria de luta contra o desemprego não terá qualquer efeito significativo. Por um lado, ele não está à altura do desafio e não pode por isso mobilizar as energias do país; e por outro, ele vai ser despedaçado pelos republicanos que não conservarão senão as reduções de impostos ... cujo resultado único será aumentar ainda mais o endividamento do país [39] .

Para o LEAP/E2020, é portanto a conjunção de todos estes elementos no fim de 2011 que vai desencadear este grande choque financeiro ... uma espécie de choque final projectando definitivamente o planeta para fora do mundo anterior à crise. Mas restará construir o mundo posterior pois vários futuros são possíveis, a partir de 2012. Como antecipa Franck Biancheri no seu livro, o período 2012-2016 constitui uma encruzilhada histórica. Há que tentar não se enganar de caminho! [40]

Notas:

(1) No momento, e como repetimos desde há vários trimestres, a histeria mediática e financeira em torno da crise grega pertence essencialmente ao domínio da propaganda e da manipulação. Para perceber isso, basta constar que, fora da Grécia, nenhum cidadão da Eurolândia perceberia que há uma crise na Grécia se os media não publicassem regularmente manchetes a este respeito. Ao passo que nos Estados Unidos, as devastações quotidianas da crise não precisam de cobertura mediática para serem duramente ressentidas por dezenas de milhões de americanos.

(2) Pois ela visa confundir e manipular a percepção da realidade ao passo que o nosso trabalho visa, ao contrário, tentar revelar esta mesma realidade.

(3) A cada três ou quatro meses, há uma "lufada" de crise grega/fim do Euro, que se desvanece tão rapidamente quanto chegou quando todo o mundo acaba por constatar que não se passa nada senão o prosseguimento do processo tortuoso de decisão da Eurolândia e da lenta saída da Grécia do seu "buraco negro orçamental". Os que os disparam naturalmente variam pois do contrário o público não engoliria: num trimestre vai-se utilizar "a revolta dos gregos contra a austeridade" para explicar que tudo se vai incendiar ... inclusive o Euro (os encadeamentos que conduzem de Atenas ao conjunto da Eurolândia são sempre muito vagos ou simplistas, mas pouco importa uma vez que os jornalistas não colocam questões); no trimestre seguinte, como por exemplo neste Verão, utilizar-se-á uma queda das bolsas mundiais para designar um culpado ... a Grécia ... mil vezes mais importante naturalmente que acontecimentos tão insignificantes como a entrada dos EUA em recessão ou a degradação da classificação estado-unidense! E assim por diante. Os deuses gregos estão decididamente sempre bem vivos e muito poderosos para chegarem a fazer o mundo tremer desta maneira.

(4) Ver este extracto do GEAB n°55

(5) Fontes: MarketWatch , 14/09/2011; New York Times , 13/09/2011; USAToday , 07/09/2011; La Tribune , 05/09/2011; Mish's , 29/08/2011; USAToday , 29/08/2011; CNBC , 17/06/2011

(6) Isso não deve surpreender os leitores do GEAB, uma vez que no GEAB nº 49 de Novembro de 2010 havíamos antecipado "a paralisia política geral e a entrada dos EUA na austeridade em 2011".

(7) Para descansar com um assunto sério, pode-se assistir a este clip de rap com tema muito político: "Aumenta o tecto da dívida". Fonte: Telegraph , 29/07/2011

(8) Fonte: Telegraph , 31/08/2011

(9) Assim, acumulando dívida privada e pública, o Reino Unido é o país mais endividado do mundo. Fonte: Arabian Money , 28/08/2011

(10) As associações humanitárias e sociais do país lutam actualmente pela sua sobrevivência financeira devido à falta de doações e subvenções. Fonte: Guardian , 02/08/2011

(11) Os dois tratam a informação aproximadamente da mesma maneira.

(12) Mesmo a Suíça daqui em diante atrelou ("peg") a sua divisa ao Euro. O que deveria fazer reflectir os eurocépticos como o título da Spiegel de 07/09/2011

(13) Imagine-se o estado do Dólar e da Libra se os media e peritos dedicassem a mesma energia a descrever e fantasiar todos os problemas dos Estados Unidos ou do Reino Unido. Se por exemplo se tirasse para a Grã-Bretanha aquando dos tumultos do Verão o mesmo tipo de conclusões que aquelas tiradas para as bem sensatas manifestações gregas (comparadas à violência inglesa).

(14) Assim, a UE aumenta significativamente seu orçamento para a investigação ao passo que as restrições multiplicam-se nos Estados Unidos. Fonte: Nature , 05/07/2011

(15) Mesmo o Wall Street Journal de 12/09/2011, pouco suspeito de eurofilia aguda, reconhece que a Eurolândia prepara-se para passar a uma nova etapa de integração via um novo tratado. A Spiegel de 02/09/2011 confirma esta tendência.

(16) Como explica claramente John Tammy no Real Clear Markets de 25/08/2011: "O problema da Europa não é realmente o Euro".

(17) Sublinhamos a propósito que a antecipação política , metodologia sobre a qual são fundamentados os trabalhos do LEAP/E2020, não visa agradar tomando seus sonhos (ou seu pesadelos) por realidades (abordagem ideológica por excelência), mas é um instrumento de ajuda à decisão, bem ancorada no mundo real. E aconselhamos os leitores a guardar na memória um teste muito simples para verificar a diferença entre as duas abordagens e determinar assim qual grau de fiabilidade conceder a uma análise sobre a evolução da crise: as análises passadas permitiram prever correctamente e de modo regular os desenvolvimentos da crise? Ou, muito pelo contrário, nada ou quase nada do que foi anunciado realizou-se? A seguir, cabe a vós escolher o que quer utilizar para tomar vossas decisões; mas ao menos fará com conhecimento de causa!

(18) A este respeito, no que se refere à crise actual, o LEAP/E2020 considera que a tomada de consciência crescente, no seio dos dirigentes e das opiniões públicas da Eurolândia, devido ao facto de que há no mínimo uma operação de propaganda vinda do outro lado da Mancha e do outro lado do Atlântico destinada a "quebrar a confiança no Euro", vai implicar no próximo ano uma revisão radical das referências e da credibilidade dos jornalistas e dos peritos que tratam da crise. Pois quem diz manipulação ou complot, para retomar as palavras de Laurence Parisot , a presidente do MEDEF , organismo que reúne os patrões das grandes empresas francesas, diz ligações inconscientes ou agentes manipuladores. E a Eurolândia que se acreditava, ainda há pouco, numa grande fraternidade com os Estados Unidos e o Reino Unido descobre que as coisas são muito mais complicadas do que isso. Em 2012 consideramos portanto que um certo número de medias da Eurolândia vai começar a questionar a objectividade, mesmo a honestidade, de jornalistas formados quase exclusivamente nos Estados Unidos ou no Reino Unido e/ou nos grandes media anglo-saxónicos na vanguarda em matéria de ataque contra o Euro. O canal France2, onde a situação descrita acima é muito frequente, acaba de fornecer um exemplo notável. Entrevistando a presidente do MEDEF sobre suas declarações a propósito de um complot americano contra o Euro ( France24 , 05/09/2011), a jornalista Stéphanie Antoine não cessou de por em dúvida sem argumento a posição de Laurence Parisot, acrescentando caras eloquentes para mostrar que não acreditava nem uma palavra do que dizia a sua interlocutora. O CV de Stéphanie Antoine na Wikepedia é claro: ela trabalhou em Nova York e Londres para a ABC, CNBC e Bloomberg. Como Laurence Parisot acusava nomeadamente os media dos EUA, compreende-se melhor a ausência de objectividade da jornalista sobre este assunto. Para a nossa equipe, é certo que os jornalistas e peritos dotados deste tipo de referências, essencialmente e mesmo unicamente os EUA e Reino Unido, vão ser progressivamente postos de lado durante o próximo ano no conjunto dos grandes media da Eurolândia. Também neste domínio o mundo de antes está em vias de desaparecer.

(19) Há um bom exemplo com a entrevista do antigo ministro alemão das Finanças, Peer Steinbrück , realizada por dois jornalistas da Spiegel em 12/09/2011. O primeiro diálogo é eloquente: os jornalistas começam por afirmar que o Euro não pode ser salvo. O antigo ministro perguntam-lhes de onde tiraram esta "verdade" e os jornalistas justificam-se repetindo um cliché veiculado pelos eurocépticos de todo tipo desde há ano: "porque de facto não pode funcionar pois nossas economias são diferente". Dois ensinamentos a extrair deste exemplo: os jornalistas posicionam-se como "peritos" ... é o político que eles entrevistam que é obrigado a colocar-lhes perguntas sobre a legitimidade das suas afirmações. E na ausência de conhecimento, eles não fazem senão repetir lugares comuns sem nenhuma análise do assunto que devem tratar. Esta é infelizmente a situação dominante nos media europeus desde há meses sobre tal assunto. Em desculpa dos jornalistas, eles são vítimas da incapacidade dos actuais dirigentes da Eurolândia para apresentar uma visão a longo prazo. Este simples facto permitiria dissipar este "nevoeiro de guerra" em um minuto. Os comentários de Peer Steinbrück são muito interessantes e descrevem, segundo LEAP/E2020, bastante fielmente o processo dos próximos meses.

(20) E os eurocépticos de direita e de esquerda em manobra no continente europeu, que crêem ter encontrado a justificação das suas análises mesmo que as mesmas sejam desmentidas a cada dia pelos factos e os progressos da integração europeia. Eles seriam mais avisados se se concentrassem sobre a maneira de obter uma democratização da governação da Eurolândia que está em vias de se estabelecer, ao invés de sonhar seus "amanhãs que cantam" e que já caíram no esquecimento da História.

(21) Pode-se ler este artigo muito interessante retomado da Vanguardia pela PressEurop de 08/09/2011 sobre as duas maneiras de estar em crise, comparando a Itália e a Espanha.

(22) Retornaremos daqui até o fim de 2011 à antecipação pormenorizada da evolução da Eurolândia no horizonte de 2015; mas uma coisa já é certa: Londres não pode mais se opor e será visto nas próximas semanas que o Reino Unido procurará unicamente negociar algumas vantagens em troca da sua inelutável aprovação à integração acrescida da Eurolândia. Londres tão pouco pode permitir-se o menor choque económico suplementar sob pena de ver a economia britânica entrar em colapso. Fonte: Telegraph , 15/09/2011

(23) A decisão 15/09/2011 dos bancos centrais ocidentais de recomeçar a inundar de dólares os grandes bancos não terá mais efeito durável do que anteriormente. Isso não faz senão confirmar a situação muito frágil de todos os estabelecimentos financeiros ... supostos terem passado nos "stress tests" que garantiriam a sua solidez. De resto, isso pressiona os bancos da zona Euro a emprestar em Euro: 2012 deveria ver tal situação impor-se rapidamente. Fontes: MarketWatch , 15/09/2011; Les Echos , 12/09/2011

(24) Mas não unicamente: com Weber e Stark assiste-se também ao fim da geração dos "Bundesbankers" da RFA. Sua visão das coisas era certamente adaptada à gestão do banco central da Alemanha do Oeste, mas os desafios do BCE para os próximos anos são de outra ordem. A geração "Erasmus" dos banqueiros centrais deve agora tomar o seu lugar por inteiro. E quaisquer que sejam suas convicções, esta geração sabe da importância estratégica do debate entre europeus antes de se lançar em grandes reformas. Entre a urgência da crise e o necessário debate de fundo entre europeus, é mais do que tempo de renovar as elites alemãs e francesas em particular uma vez que elas estão no núcleo do processo: acabadas as certezas "científicas" dos peritos/decisores alemães e terminada a arrogância brilhante dos tecnocratas/decisores franceses. Dos dois lados assiste-se à necessidade de pessoas que saibam trabalhar com a equipe Eurolândia: uma qualidade que todos os eurolandeses devem manter em mente antes de eleger seus próximos dirigentes.

(25) "Quem vai lentamente vai saudavelmente e quem vai saudavelmente vai longe".

(26) Esta é igualmente a grande evolução de 2011 do debate sobre a crise na Alemanha: acabados os delírios de 2010 sobre o retorno ao Deutsche Mark, existe doravante na Alemanha um debate real e sério sobre os melhores meios de vencer a próxima etapa de integração da Eurolândia. É lamentável que em França não exista um tal debate. Será preciso aguardar a eleição do ou da candidata socialista em Maio de 2012 para poder franquear esta etapa. Neste momento, os dois países poderão desempenhar novamente um verdadeiro papel motor. Actualmente eles actuam sobretudo em posição defensiva: é necessário mas não suficiente para 2012.

(27) Dito isto, os Eurobonds estão doravante ao alcance da mão. Fonte: MarketWatch , 30/08/2011

(28) Fonte: International Financing Review , 02/09/2011

(29) Já os hedge funds saem exangues do Verão de 2011. Fonte: Les Echos , 01/09/2011

(30) Pode-se ler este artigo interessante de The Nation de 19/07/2011 que descreve a passagem dos Estados Unidos, em 50 anos, de uma prosperidade em massa a uma recessão duradoura.

(31) As famílias americanas estão efectivamente ainda mais endividadas que o seu governo! Fontes: MSNBC , 09/09/2011; AlJazeera , 04/09/2011; Yahoo Finance , 28/07/2011

(32) No próximo GEAB nossa equipe desenvolverá suas antecipações sobre os Estados Unidos no horizonte 2015.

(33) Fontes: Washington Post , 14/09/2011; The Hill , 08/09/2011

(34) Fonte: Washington Post , 14/09/2011

(35) Fontes: Financial Post , 01/09/2011; CNBC , 08/08/2011

(36) Um número crescente de questões colocam-se sobre a estranha diferença entre o preço do petróleo bruto nos Estados Unidos e o do mercado londrino. Mesmo o Financial Times entrou na dança. E os índices tendem a orientar para um dos múltiplos intermediários do Fed que manteriam artificialmente baixo o preço de referência dos EUA para evitar uma alta do preço do combustível na bomba. As próximas semanas deveriam revelar mais elementos sobre esta história intrigante mas reveladora do ambiente de suspeição em relação a instituições federais que doravante reinam nos Estados Unidos. Fonte: Le Monde, 06/09/2011

(37) Fonte: ZeroHedge , 02/09/2011

(38) Fonte: ZeroHedge , 08/08/2011

(39) Fontes: USAToday , 09/09/2011

(40) Este será igualmente um dos temas abordados na conferência "Qual relação transatlântica após a crise global?" que haverá em Houston dias 3 e 4 de Outubro próximo, nomeadamente com a participação de dois responsáveis do LEAP/E2020, Franck Biancheri e Harald Greib.

[NR] Resistir.info publica este artigo para informa��o dos seus leitores, mas isso n�o significa um endosso a todo o seu conte�do. Quanto ao dito "espa�o de discuss�o" junto � opini�o p�blica criado pela UE, os autores parecem de um optimismo delirante — eles parecem muito l�cidos em detectar as mazelas do d�lar americano, mas altamente benevolentes em rela��o �s do euro. Deve-se assinalar que o tipo de an�lise que efectuam evacua as rela��es de classe no interior da UE. Em rela��o � Gr�cia, descartam a possibilidade de vir a ser expulsa da zona euro mas nem sequer afloram a possibilidade de o pr�prio povo grego optar pela seu afastamento do euro e da UE. O tratamento b�rbaro que a UE est� a infligir � Gr�cia – e que agora come�a a ser aplicado a Portugal – aponta nesse sentido. Embora os autores neguem que a sua an�lise seja ideol�gica, na verdade o seu europe�smo sem banqueiros tamb�m � uma posi��o ideol�gica...

15/Setembro/2011

[*] Global Europe Anticipation Bulletin.

O original encontra-se em www.leap2020.eu/...
Este comunicado encontra-se em http://resistir.info/ .
A pedido de Fada do Bosque

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