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domingo, 25 de setembro de 2011

Obama e Ahmadinejad - Quem é o verdadeiro Ditador?



Quem questiona sobre a guerra?













Ou quem bombardeia e mata milhões em nome da "Democracia"?






Comparem os discursos de Obama e Ahmadinejad e reflitam sobre isso.



Discurso na 65ª sessão da assembleia-geral da ONU

por Mahmoud Ahmadinejad

Senhor Presidente (etc.),

Agradeço a Alá, o Magnífico, o Generoso, que me deu, mais uma vez, a oportunidade de falar a essa assembleia mundial. Tenho o prazer de manifestar meu agradecimento sincero a Sua Excelência Joseph Deiss, presidente da 65ª sessão, por seus imensos esforços durante seu mandato. Congratulo-me também com Sua Excelência Nassir Abdulaziz Al-Nasser, pela eleição para presidir essa 65ª sessão das Nações Unidas e desejo-lhe pleno sucesso.

Permitam que aproveite a oportunidade para homenagear todos os mortos do ano que passou, sobretudo as vítimas da trágica fome que atinge a Somália e das devastadoras inundações que agrediram o Paquistão. Conclamo todos a que ampliem as ações de ajuda e assistência às populações afetadas naqueles países.

Ao longo de vários anos, falei aqui sobre várias questões globais e sobre a necessidade de se introduzirem mudanças fundamentais na atual ordem mundial.

Hoje, considerando os eventos internacionais, tentarei analisar a atual situação, de um ângulo diferente.

Como todos sabem, o domínio e a superioridade dos seres humanos sobre outras criaturas dependem da própria natureza e verdade da humanidade, que são dons de Deus e manifestação da corporificação do espírito divino:

– A fé em Deus, que é criador eterno de todo o universo.

– A compaixão, o amor aos outros, a generosidade, a busca de justiça e integridade de palavras e ações.

– A busca por dignidade para alcançar os cumes da perfeição, a aspiração de cada um a elevar a própria vida, material e espiritualmente, e o anseio por realizar a liberdade.

– A oposição à opressão, à corrupção e a discriminação, e o emprenho para apoiar os oprimidos.

– A busca por felicidade, por prosperidade e segurança duradouras, para todos.

Eis algumas das manifestações dos atributos comuns, divinos e humanos, que se deixam ver claramente nas aspirações históricas dos seres humanos, refletidas na herança que recebemos da mesma busca, pela arte, pela literatura, em prosa e em verso, e pelos movimentos socioculturais e políticos que traçam a trajetória humana ao longo da história.

Todos os profetas divinos e todos os reformadores sociais convidaram os seres humanos a trilhar esse caminho bom e reto. Deus deu dignidade à humanidade para elevá-la à altura Dele, para que, assim elevada, a humanidade possa assumir o papel de Seu sucessor, na Terra.

Caros colegas e amigos:

É vivamente claro que, apesar de todas as realizações históricas, inclusive a criação da ONU – que foi produto de incansáveis lutas e esforços de homens de pensamento livre e amantes da justiça, que nunca desistiram de buscá-la, e da cooperação internacional –, as sociedades humanas ainda estão longe de ter alcançado todos os seus nobres desejos e aspirações. Muitas nações em todo o mundo sofrem hoje, sob as atuais circunstâncias internacionais.

E – apesar do desejo e do ímpeto para promover a paz e a fraternidade –, as guerras, os assassinatos em massa, a miséria que se alastra, crises socioeconômicas e políticas continuam a agredir o direito e a soberania das nações, deixando atrás de si danos irreparáveis, em todo o mundo.

Aproximadamente três mil milhões de seres humanos em todo o mundo vivem com menos de 2,5 dólares por dia; e mais de mil milhões de seres humanos não comem sequer uma refeição suficiente, e regularmente, por dia. Quarenta por cento das populações mais pobres do mundo partilham apenas 5% do rendimento global. E 20% dos mais ricos do mundo dividem entre si 75% do rendimento global total. Mais de 20 mil crianças inocentes e pobres morrem diariamente no mundo, devido à pobreza. Oitenta por cento dos recursos financeiros dos EUA são controlados por 10% da população dos EUA; 90% da população tem de sobreviver com apenas 20% desses recursos.

Quais as causas e as razões que subjazem por trás dessas desigualdades? Como se pode remediar tal injustiça?

Os que dominam e comandam os centros do poder econômico global culpam ou o desejo do povo por religião e a busca por trilhar o caminho dos divinos profetas, ou a fraqueza das nações, ou o mau desempenho de grupos de indivíduos. Afirmam que só o que aqueles mesmos centros do poder econômico global pensem, decidam e prescrevam poderia salvar a humanidade e a economia mundial.

Caros colegas e amigos

Não lhes parece que as causas-raizes desses problemas devam ser procuradas na ordem que hoje domina o mundo, ou no modo como o mundo é governado? Gostaria de chamar a gentil e atenta atenção de todos para as seguintes questões: Quem arrancou à força dezenas de milhões de pessoas de seus lares na África e em outras regiões do mundo, durante o sombrio período da escravidão, fazendo daquelas pessoas vítimas da mais cega ganância materialista? Quem impôs o colonialismo por mais de quatro séculos, a todo aquele mundo? Quem ocupou terras e massivamente assaltou recursos naturais que eram patrimônio de outros povos, quem destruiu talentos e empurrou para a destruição os idiomas, as culturas e as identidades de tantos povos? Quem deflagrou a primeira e a segunda guerras mundiais, que fizeram 70 milhões de mortos e centenas de milhões de feridos, de mutilados e de sem-tetos? Quem criou a guerra na península da Coreia e no Vietnã? Quem, servindo-se de hipocrisia e ardis, impôs os sionistas, durante 60 anos de guerras, destruição, terror, assassinatos em massa, na região do mundo onde ainda estão? Quem impôs e apoiou durante décadas ditaduras militares e regimes totalitários em países da Ásia, da África e da América Latina? Quem atacou com armas atômicas populações indefesas e desarmadas e guarda milhares de ogivas nucleares em seus arsenais? Quais são as economias que dependem, para crescer, de criar guerras e vender armas? Quem provocou e estimulou Saddam Hussein a invadir e impor um guerra de oito anos contra o Irã? Quem o assessorou e o equipou para que atacasse nossas cidades e nosso povo com armas químicas?

Quem usou os misteriosos incidentes de 11 de setembro como pretexto para atacar o Afeganistão e o Iraque – matando, ferindo, deslocando milhões de seres humanos de seus locais tradicionais de vida nos dois países –, exclusivamente para alcançar a ambição de controlar o Oriente Médio e seus recursos de petróleo?

Quem aboliu o sistema de Breton Woods e imprimiu milhões de milhões (trillions) de dólares sem qualquer lastro em ouro ou em moeda equivalente? Esse movimento desencadeou feroz inflação em todo o mundo, que serviu para facilitar a pilhagem de ganhos econômicos que outras nações tivessem.

Qual o país cujos gastos militares superam anualmente uma centena de milhar de milhões de dólares, mais que todos os orçamentos militares de todos os povos do mundo, somados?
Qual, de todos os governos do mundo, é hoje o mais endividado?

Quem domina os establishments da política econômica em todo o mundo?

Quem é responsável pela recessão econômica mundial, que hoje impõe suas pesadas consequências aos povos de EUA e Europa e de todo o planeta?
Que governos estão sempre prontos a bombardear com milhares de bombas outros países, mas sempre são lerdos e hesitantes, quando se trata de distribuir comida, para povos atormentados pela fome, como na Somália e em outros pontos?

Quem domina o Conselho de Segurança da ONU, ao qual caberia zelar pela segurança internacional?

E há outras dezenas de perguntas semelhantes e, para todas elas, as respostas são claras.

A maioria das nações e governos do mundo não têm qualquer culpa ou responsabilidade na criação das atuais crises globais e, de fato, são, elas, sim, vítimas daquelas políticas que geram crises.

É claro como a luz do dia que os mesmos senhores de escravos e potências coloniais que, antes, provocaram as duas guerras mundiais, causaram toda a miséria e a desordem que, desde então, são causa de efeitos que se vêem em todo o planeta.

Caros colegas e amigos,

Teriam, aqueles poderes arrogantes, a competência e a habilidade para comandar ou governar o mundo, ou seria aceitável que se autodesignem os únicos defensores da liberdade, da democracia, dos direitos humanos, enquanto seus exércitos atacam e ocupam outros países?

Como poderá algum dia a flor da democracia brotar dos mísseis, das bombas e dos canhões da NATO?

Senhoras e senhores,

Se alguns países europeus ainda se servem do Holocausto, depois de sessenta anos, como pretexto, para continuar a pagar resgate, pagar à chantagem dos sionistas, não será também obrigação daqueles mesmos senhores de escravos e potências coloniais pagar indenizações às nações afetadas?

Se os danos e perdas do período da escravidão e do colonialismo tivessem sido de fato indenizados, o que teria acontecido aos manipuladores e potências que se escondem nos porões da cena política nos EUA e na Europa? E haveria ainda divisão entre o norte e o sul do mundo?

Se os EUA e seus aliados da NATO cortassem pela metade seus gastos militares e usassem esses valores para ajudar a resolver os problemas econômicos em seus próprios países, estariam aqueles povos padecendo os sofrimentos da atual crise econômica mundial? Que mundo teríamos, se a mesma quantidade de recursos fosse alocada às nações mais pobres?
O que pode justificar a presença de centenas de bases militares e de inteligência dos EUA em diferentes partes do mundo – 268 bases na Alemanha, 124 no Japão, 87 na Coreia do Sul, 83 na Itália, 45 no Reino Unido e 21 em Portugal? O que significa isso, senão ocupação militar?
E as bombas armazenadas nessas bases não criam risco de segurança para outras nações?

Senhoras e senhores,

A principal pergunta tem de interrogar sobre a causa que serve de base a essas atitudes. A principal razão tem de ser buscada nas crenças e tendências do establishment.

Assembleias de pessoas em contradição com valores e instintos humanos básicos, sem fé em Deus e sem atenção à via ensinada pelos divinos profetas, impõem a ganância, a sede de poder e seus objetivos materialistas, e tentam calar todos os superiores valores humanos e divinos.

Para eles, só o poder e a riqueza contam. E justificam-se todos e quaisquer atos que promovam essas metas sinistras.

Nações oprimidas sobrevivem sem qualquer esperança de verem restaurados e protegidos os seus direitos legítimos de resistir e opor-se àquelas potências.
Aquelas potências visam só ao progresso delas próprias, prosperidade e dignidade só para elas mesmas, e miséria, humilhações e aniquilação para todos os demais povos.

Consideram-se superiores às demais nações da Terra e por isso fariam jus a concessões e privilégios. Nada respeitam, não respeitam ninguém e violam, sem qualquer consideração, direitos de todas as demais nações e governos e povos do mundo.

Proclamam-se, elas mesmas, guardiãs indiscutíveis de todos os governos e nações. Para tanto, servem-se da intimidação, de ameaças e da força. E fazem mau uso, uso abusivo, de mecanismos internacionais. Quebram, burlam, simplesmente, todas as leis e regulações internacionalmente reconhecidas e respeitadas. Insistem em impor a todos o seu estilo de vida e suas crenças. Apóiam oficialmente o racismo. Enfraquecem países mediante a intervenção militar – destroem a infraestrutura que encontrem naqueles países, para mais facilmente conseguirem saquear recursos naturais, tornando cada vez mais dependentes, nações e povos que querem ser independentes e soberanos. Semeiam sementes de ódio e hostilidade entre nações e povos de diferentes crenças, para impedi-los de alcançar seus objetivos de desenvolvimento e progresso. Todas as culturas, a vida, os valores e toda a riqueza de cada nação, as mulheres, os jovens, as famílias, além da riqueza material de cada nação, são sacrificadas ante o altar daquelas ambições hegemonistas e de uma inclinação doentia para escravizar e submeter os diferentes. Hipocrisia e todos os tipos de fingimento e mentira são admitidos, se ajudam a promover os interesses imperialistas. Admitem o tráfico de drogas e a matança de inocentes, se lhes parece que, com isso, facilitam a rota para que alcancem seus objetivos diabólicos. A NATO está há muito tempo extremamente ativa no Afeganistão ocupado. E, apesar disso, houve ali aumento dramático na produção de drogas ilícitas.
Não admitem nenhuma opinião divergente, nenhum questionamento, nenhuma crítica. Mas, em lugar de tentar oferecer alguma explicação para o que fazem, põem-se, eles mesmos, na posição de vítimas. Servindo-se de uma rede imperial de imprensa e comunicações, que sempre esteve como ainda está sob a influência do pensamento colonialista, ameaçam qualquer opinião que discuta a versão oficial do Holocausto, do 11 de setembro e da violência dos exércitos invasores e ocupantes.
No ano passado, quando se impôs, em todo o mundo, a necessidade de fazer-se investigação séria sobre os segredos ocultados nos incidentes de 11/Setembro/2001 – ideia apoiada por todas as nações e governos independentes e pela maioria da população dos EUA –, meu país e eu, pessoalmente, fomos pressionados e ameaçados pelo governo dos EUA. Em lugar de nomear equipe para investigar com seriedade o que realmente acontecera, assassinaram o perpetrador e jogaram o cadáver ao mar. Não teria sido razoável levar à justiça e processar abertamente o principal perpetrador do incidente a fim de identificar os elementos por trás do espaço seguro proporcionado para os aviões introduzirem-se e atacarem as torres gêmeas do World Trade? Por que não se cogitou de usar o julgamento de um suspeito, para realmente descobrir quem mobilizou terroristas e levou a guerra e tantas outras misérias a tantas partes do mundo? Há informação secreta que tenha de permanecer secreta? Considerar o sionismo visão ou ideologia sagrada é como obrigação imposta ao mundo. Toda e qualquer discussão sobre os fundamentos e a história do sionismo são pecados imperdoáveis. Mas eles permitem e endossam todos os sacrilégios e insultam todas as demais religiões.
Liberdade real, dignidade plena, bem-estar e segurança estáveis e duradouros são direitos de todos os povos.

Nenhum desses valores é alcançável enquanto tantos dependerem do atual e ineficiente sistema de governança mundial, nem ninguém jamais os alcançará mediante intervenção militar comandada por potências arrogantes e sob fogo dos aviões mortíferos da NATO.
Aqueles valores só se podem realizar em contexto de independência reconhecida, de reconhecimento dos direitos dos diferentes, mediante cooperação harmônica.

Haverá meio para resolver os problemas e desafios que atormentam o mundo, no contexto dos mecanismos e ferramentas que dominam o quadro internacional hoje? Há meios para ajudar a humanidade a atingir sua eterna aspiração por igualdade, segurança e paz?

Todos os que tentaram introduzir reformas que preservassem as normas e tendências hoje existentes fracassaram. Os importantes esforços conduzidos pelo Movimento dos Não Alinhados e pelos Grupos 77 e 15 (G-77 e G-15), e por tantos destacados indivíduos, fracassaram também e não conseguiram introduzir mudanças fundamentais.
A administração e o governo mundiais exigem reformas nos fundamentos. O que temos de fazer agora?

Caros Colegas e amigos,

Temos de trabalhar com decisão firme e em cooperação coletiva para traçar outro plano, que considere os princípios e os valores humanos fundamentais como o monoteísmo, a justiça, a liberdade, o amor e a busca pela felicidade.

A criação da Organização das Nações Unidas ainda é dos maiores feitos históricos da humanidade. É preciso reverenciar a importância desse feito e usar o mais extensamente possível as capacidades dessa organização como ferramentas para alcançar os mais nobres projetos de toda a humanidade.

Não podemos permitir que a organização planetária que manifesta o desejo coletivo de todos e as aspirações de toda a comunidade de nações seja desviada de seu bom curso e convertida, também ela, em arma a serviço das potências mundiais armadas.

Temos de construir condições que assegurem a participação coletiva e o envolvimento de todas as nações, num esforço que leve à paz e à segurança para todos os povos do mundo. É preciso dar sentido profundo e real à governança partilhada e coletiva do mundo. Esse sentido profundo e real deve considerar e respeitar os princípios do direito internacional. A ideia de justiça deve servir de critério e base efetiva para todas as decisões e ações no plano internacional. Todos temos de reconhecer que não há outro modo para governar o mundo e pôr fim à violência, à tirania, a todas as discriminações. Não há outra via que leve a sociedade humana à prosperidade e ao bem-estar. Essa é verdade viva e reconhecida. Ao reconhecer essa verdade, deve-se reconhecer também que o que temos ainda não é suficiente. E temos de abraçar com fé o trabalho, que terá de ser incansável, para conseguir o que ainda não temos.
Caros Colegas e Amigos

Governança partilhada e coletiva do mundo é direito legítimo de todas as nações, e nós, como representantes delas, temos o dever de defender os direitos dos povos do mundo.

Embora algumas potências tentem insistentemente frustrar todos os esforços internacionais que visem promover a cooperação coletiva, temos, mesmo assim, de fortalecer nossa certeza de que alcançaremos o objetivo comum de construir cooperação coletiva e partilhada para governar o mundo.

As Nações Unidas foram criadas para tornar possível que todas as nações participassem do processo internacional de tomar decisões.

Todos sabemos que esse objetivo ainda não foi alcançado porque falta justiça nas estruturas e mecanismos hoje vigentes nas Nações Unidas.

A composição do Conselho de Segurança é injusta e desigual. Portanto, mudanças ali e a reestruturação das Nações Unidas são exigências basilares das nações, às quais a Assembleia Geral tem de dar atenção.

Na sessão inaugural da reunião do ano passado, destaquei a importância dessa questão e propus que essa década fosse declarada década da Governança Global partilhada e coletiva.

Quero hoje reiterar aquela proposta. Estou certo de que, mediante a cooperação internacional diligente, e com esforços de todos os líderes e governos do mundo, todos comprometidos com construir relações de justiça, e com o apoio das demais nações, conseguiremos construir um brilhante futuro comum.

Esse movimento trilha com certeza o caminho certo para criar o que temos de criar, para assegurar futuro promissor a toda a humanidade.

Futuro que será construído quando iniciativas da humanidade ouçam o que ensinam os divinos profetas, sob a liderança iluminada do Imã al-Mahdi, salvador da humanidade e herdeiro de todas as palavras divinas, dos líderes e da descendência de nosso grande Profeta.

A criação de uma sociedade suprema e ideal, com a chegada de um ser humano perfeito, que ama verdadeira e sinceramente todos os seres humanos, garantida promessa de Alá.

Virá com Jesus Cristo, para liderar os amantes da liberdade e da justiça que erradicarão a tirania e a discriminação e promoverão o conhecimento, a paz, a justiça, a liberdade e o amor por todo o mundo. Cada indivíduo conhecerá a beleza do mundo e as coisas boas e os atos justos trarão felicidade à humanidade.

As nações, hoje, já despertaram e, aumentando a consciência entre todos, as nações já não sucumbirão à opressão e à discriminação. O mundo testemunha hoje, mais que nunca, o amplo despertar em terras islâmicas, na Ásia, na Europa e na América. Esses são movimentos em expansão, em influência e alcance, que visam a fazer justiça, criar liberdade e construir melhor futuro para todos. O Irã, nossa grande nação, permanece pronta para dar a mão a outras nações nessa bela via de harmonia, alinhados, todos nós, com as justas aspirações de igualdade de toda a humanidade. Saudemos mais uma vez o amor, a liberdade, a justiça, o conhecimento e o futuro luminoso pelo qual a humanidade espera.


Mahmoud Ahmadinejad

Presidente do Irã.


Discurso na 65ª sessão da assembleia-geral da ONU Por Barack Obama

Por Barack Obama

Senhor Presidente, Senhor Secretário Geral, caros delegados, senhoras e senhores: gostaria de abordar um assunto que está na essência das Nações Unidas - a busca da paz num mundo

Convivemos com guerras e conflitos desde o início da civilização. Mas na primeira parte do século 20, o desenvolvimento de armamentos modernos levou a morte a uma dimensão aterradora. E esses assassinatos compeliram os fundadores deste órgão a criar uma instituição concentrada não só em acabar com as guerras, mas impedir outras; uma união de Estados soberanos que busca evitar conflitos, mas também, ao mesmo tempo, afrontar as suas causas.

Nenhum americano fez mais para alcançar este objetivo do que o presidente Franklin Roosevelt. Ele sabia que a vitória numa guerra não era suficiente. Como disse numa das primeiras reuniões com vistas à criação das Nações Unidas, "Temos que fazer não apenas uma paz, mas uma paz duradoura".

Os homens e mulheres que fundaram esta instituição compreenderam que a paz é mais do que ausência de guerra. Uma paz duradoura - para nações e indivíduos - implica um sentimento de justiça e oportunidade; de dignidade e liberdade, exige luta e sacrifício; um compromisso e um sentido de humanidade.

Uma delegada na conferência de San Francisco que criou as Nações Unidas definiu isso muito bem : "Muitas pessoas", disse ela, "falaram como se todos nós, para conseguirmos a paz, tivéssemos que dizer em voz alta e frequentemente que amamos a paz e odiamos a guerra. Agora sabemos que não importa o quanto amamos a paz e odiamos a guerra, o fato é que não podemos evitar o irrompimento de uma guerra se existem convulsões em outras partes do mundo".

O fato é que a paz é difícil, mas nossos povos a exigem. Durante quase sete décadas, mesmo que as Nações Unidas tenham contribuído para impedir uma terceira Guerra Mundial, ainda vivemos num mundo marcado por conflitos e assolado pela pobreza. Embora proclamemos nosso amor pela paz e o ódio da guerra, existem convulsões em nosso mundo que nos colocam em perigo.

Assumi o governo numa época em que os Estados Unidos estavam envolvidos em duas guerras. E extremistas radicais que nos empurraram para essas guerra, - Osama bin Laden e sua organização, a Al-Qaeda - continuavam foragidos. Hoje, estabelecemos uma nova direção.

No final deste ano, as operações militares americanas no Iraque serão encerradas. Teremos uma relação normal com uma nação soberana e membro da comunidade das nações. Essa parceria de igual para igual será reforçada com o nosso apoio ao Iraque - para o seu governo e forças de segurança; para a população e suas aspirações.

À medida que encerramos a guerra no Iraque, os Estados Unidos e seus parceiros de coalizão iniciam uma transição no Afeganistão. Até 2014, um governo afegão e as suas forças de seguranças cada vez mais capacitadas assumirão a responsabilidade pelo futuro do país. E à medida que isso ocorrer, reduziremos nossas próprias forças no país, criando ao mesmo tempo uma parceria duradoura com a população afegã.

Portanto, que não haja dúvidas: a tendência à guerra está retrocedendo. Quando assumi o governo, cerca de 180.000 americanos serviam no Iraque e no Afeganistão. No fim deste ano, esse número estará reduzido à metade e continuará a diminuir. Isto é crucial para a soberania do Iraque e do Afeganistão e para o fortalecimento dos Estados Unidos à medida que, internamente, construímos nossa nação.

Além disso, estamos dispostos a por fim a essas guerras numa posição de força. Há dez anos, havia uma ferida aberta por aço retorcido e corações partidos nesta cidade. Hoje, uma nova torre que se eleva no Marco Zero simboliza a renovação de Nova York; a Al-Qaeda está mais pressionada do que nunca. Sua liderança tem se degradado. E Osama bin Laden, o homem que assassinou milhares de pessoas de dezenas de países, nunca mais colocará em risco a paz do mundo novamente.

Sim, foi uma década difícil. Mas hoje chegamos a uma encruzilhada da história com a chance de caminharmos decisivamente na direção da paz. Para isso, precisamos reincorporar a sabedoria daqueles que criaram esta instituição. A Carta das Nações nos exorta a "unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais". E o Artigo Primeiro da Declaração Universal de Direitos Humanos desta Assembleia Geral nos lembra que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos". Essa crença fundamental - na responsabilidade dos Estados e nos direitos de homens e mulheres - tem que ser nosso guia.

Neste sentido, temos razões para ter esperança. Este foi um ano de transformação. Mais nações adotaram medidas para manter a paz e a segurança internacionais. E mais indivíduos estão reivindicando seu direito universal de viver em liberdade e com dignidade.

Há um ano, quando nos reunimos aqui em Nova York, a perspectiva de um referendo, levado a termo com êxito no Sul do Sudão, ainda era duvidosa. Mas a comunidade internacional superou antigas divisões para apoiar o acordo que foi negociado para a autodeterminação do Sul do Sudão. E no verão do ano passado, quando uma nova bandeira foi içada em Juba, antigos soldados depuseram suas armas; homens e mulheres choraram de alegria; e as crianças finalmente tiveram a perspectiva de um futuro que elas forjarão.

Um ano atrás, a população da Costa do Marfim se aproximava de uma eleição histórica. Quanto o presidente então titular foi vencido e recusou-se a aceitar o resultado das urnas, o mundo não fez vista grossa. Forças de manutenção da paz foram perseguidas, mas não deixaram seu posto. O Conselho de Segurança, liderado pelos Estados Unidos, Nigéria e França, apoiou a vontade de povo. E a Costa do Marfim hoje é dirigida pelo homem que foi eleito para governar.

Há um ano, as esperanças dos cidadãos da Tunísia foram suprimidas. Mas ela preferiu a dignidade dos protestos pacíficos em vez de um governo de mão de ferro. Um vendedor de frutas ateou fogo no seu próprio corpo, tirando sua própria vida, mas inflamando um movimento. Em face de uma forte repressão, os estudantes soletraram a palavra liberdade. A balança do medo se inclinou do lado do governante para o dos governados. Hoje a população da Tunísia se prepara para eleições, mais um passo na direção da democracia que ela merece.

Há um ano o Egito tinha um presidente que governava há quase 30 anos. Mas, durante 18 dias, os olhos do mundo se voltaram para a Praça Tahrir, onde egípcios de todas as camadas sociais - homens e mulheres, jovens e idosos, muçulmanos e cristãos - exigiram seus direitos universais. Vimos naqueles manifestantes a força moral da não violência que incendiou o mundo de Nova Délhi a Varsóvia; de Sela à África do Sul - e sabíamos que a mudança chegara ao Egito e o mundo árabe.

Há um ano, o povo líbio era governado por um dos ditadores há mais tempo no poder. Mas, enfrentando balas e bombas e um ditador que ameaçou persegui-los como ratos, os líbios mostraram uma coragem implacável. Nunca esqueceremos as palavras do líbio que se levantou nos primeiros dias da revolução e disse: "Nossas palavras são livres agora. É um sentimento que não se pode explicar".

Dia após dia, enfrentando balas e bombas, os cidadãos líbios se recusaram a renunciar a esta liberdade. E quando foram ameaçados pelo tipo de atrocidade em massa que prevaleceu, inconteste, no século passado, as Nações Unidas agiram nos termos da sua carta de constituição. O Conselho de Segurança autorizou a adoção de todas as medidas necessárias para impedir um massacre. A Liga Árabe apelou aos países árabes, que se uniram numa coalizão liderada pela OTAN que conteve o avanço das forças de Kadafi.

Nos meses seguintes, a disposição da coalizão se manteve inquebrantável, e a determinação da população líbia não pode ser negada. Foram 42 anos de tirania que acabaram em seis meses. De Tripoli a Misratah e Benghazi, hoje a Líbia está livre.

Ontem, os líderes de uma nova Líbia assumiram seu lugar legítimo ao nosso lado e esta semana os Estados Unidos estão reabrindo sua embaixada em Tripoli. É desta maneira que a comunidade internacional deve trabalhar - nações se unindo em prol da paz e da segurança; indivíduos reivindicando seus direitos. Hoje, todos nós temos a responsabilidade de apoiar o novo governo líbio num momento em que enfrenta o desafio de transformar este momento promissor numa paz justa e duradoura para todos os líbios.

De maneira que foi um ano notável. O regime de Kadafi acabou. Ben Ali e Mubarak não estão mais no poder. Osama bin Laden desapareceu e a noção de que as mudanças só podem se realizar por meio da violência foi enterrada com ele. Algo está sucedendo no nosso mundo. As coisas não serão mais como foram. O domínio humilhante da corrupção e da tirania está sendo eliminado à força. A tecnologia está colocando poder nas mãos das pessoas. Os jovens estão contestando a ditadura e rejeitando a mentira de que algumas raças, religiões e etnias não desejam a democracia. A promessa escrita de que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos" está cada vez mais ao alcance das mãos.

Mas é bom lembrar: a paz é difícil. O progresso pode ser revertido. A prosperidade pode vir lentamente. As sociedades podem sofrer divisões. Nosso sucesso só pode ser avaliado em relação aos cidadãos, se estão conseguindo viver em liberdade, dignidade e segurança e de uma maneira sustentada. E as Nações Unidas e os seus Estados membros necessitam fazer a sua parte para apoiar essas aspirações fundamentais.

No Irã, temos visto um governo que não quer reconhecer os direitos dos seus próprios cidadãos. E enquanto, hoje, aqui estamos reunidos, homens, mulheres e crianças estão sendo torturados, presos e assassinados pelo regime sírio. Milhares foram mortos, muitos durante o período sagrado do Ramadã. Outros milhares fugiram através das fronteiras sírias. A população da Síria tem demonstrado dignidade e coragem na sua busca por justiça - protestando pacificamente, manifestando silenciosamente nas ruas, morrendo pelos mesmos valores que esta instituição representa. A questão para nós é clara: estamos com o povo sírio ou com seus opressores?

As Nações Unidas já estabeleceram sanções severas contra os líderes sírios. Apoiamos uma transferência de poder que leve em conta os desejos e necessidades da população síria. Muitos dos nossos aliados se juntaram a nós nesta iniciativa. Mas para o bem da Síria - e da paz e da segurança do mundo - precisamos falar a uma só voz. Não há desculpa para a inação. Este é o momento do Conselho de Segurança das Nações Unidas punir o regime sírio e se colocar ao lado dos cidadãos do país.

Por toda a região, teremos que responder aos apelos por mudanças. No Iêmen, milhares de homens, mulheres e crianças reúnem-se em cidades e praças diariamente, na esperança de que a sua determinação e o sangue derramado vença um sistema corrupto. Os EUA apoiam suas aspirações. Precisamos trabalhar com os países vizinhos do Iêmen e os nossos parceiros em todo o mundo para encontrar um caminho que permita uma transição pacífica do poder do presidente Saleh, e um movimento para a realização de eleições justas e livres o mais breve possível.

No Bahrein, medidas vêm sendo adotadas com vistas a reformas e a prestação de contas, mas é preciso muito mais. Os Estados Unidos são um país amigo do Bahrein e continuaremos a apelar ao governo e ao principal bloco de oposição - o Wifaq - para prosseguirem com um diálogo positivo que propicie uma mudança pacífica que atenda aos interesses da população. E acreditamos que o patriotismo que une os cidadãos do Bahrein deve ser mais poderoso do que as forças sectárias que podem dividi-los.

Cada nação precisa estabelecer a sua própria trajetória para atender as aspirações dos seus cidadãos, e os Estados Unidos não querem entrar em acordo com cada partido ou pessoa que se expresse politicamente. Mas sempre defenderemos os direitos universais estabelecidos por esta Assembleia: eleições livres e justas; uma governança que seja transparente e preste contas aos seus cidadãos; o respeito pelos direitos das mulheres e minorias; e uma justiça equânime e imparcial. É isto que os nossos povos merecem. Estes são elementos de uma paz duradoura.

Além disso, os Estados Unidos continuarão a defender todas aquelas nações que fizerem sua transição para a democracia - com mais investimentos e atividades comerciais, de modo que a liberdade seja acompanhada de oportunidades. Vamos nos engajar de maneira mais profunda com os governos, mas também em com a sociedade civil - estudantes e empresários, partidos políticos e imprensa. Proibimos aqueles que abusam dos direitos humanos de ingressar no nosso país e adotamos sanções contra os que menosprezam os direitos humanos em outras partes do mundo. E sempre seremos uma voz para aqueles que foram silenciados.

Ora, sei que para muitas pessoas aqui presentes, existe uma questão que constitui um teste para estes princípios - e para a política externa americana: o conflito entre israelenses e palestinos.

Um ano atrás, discursei deste pódio e pedi a criação de uma Palestina independente. Naquela época, eu acreditava - e acredito hoje - que o povo palestino merece um Estado próprio. Mas eu também disse que a verdadeira paz só pode ser posta em prática pelos próprios israelenses e palestinos. Um ano depois, apesar dos enormes esforços dos Estados Unidos e de outros países, as duas partes não dirimiram suas divergências. Diante deste impasse, em maio, apresentei uma nova base para as negociações. Esta base é clara, e bastante conhecida por todos os que estão aqui. Os israelenses devem saber que todo acordo oferece garantias para a sua segurança. Os palestinos merecem conhecer a base territorial do seu Estado.

Sei que muitos estão frustrados pela falta de progresso. Eu também. Mas a questão não é o objetivo que procuramos alcançar - a questão é como alcançá-lo. E estou convencido de que não existe um atalho para pôr fim a um conflito que dura dezenas de anos. A paz não nascerá de declarações e resoluções da ONU - se fosse tão fácil, a esta altura já teria sido alcançada. Em última análise, são os israelenses e os palestinos que devem conviver lado a lado. Em última análise, são os israelenses e os palestinos - e não nós - que devem chegar a um acordo a respeito dos problemas que os dividem: sobre fronteiras e segurança; sobre os refugiados e Jerusalém.

A paz exige compromissos entre as pessoas que devem conviver muito depois que nossos discursos terminarem, e depois que estiver concluída a contagem dos nossos votos. Esta é a lição que aprendemos da Irlanda do Norte, onde antigos antagonistas dirimiram suas divergências. Esta é a lição que aprendemos do Sudão, onde um acordo negociado permitiu criar um Estado independente. E este é o caminho para um Estado palestino.

Buscamos um futuro em que os palestinos possam viver em um Estado soberano próprio, sem sofrerem restrições para o que decidirem realizar. É inquestionável que os palestinos viram esta possibilidade ser adiada por um tempo excessivamente longo. E é exatamente por acreditarmos tão firmemente nas aspirações do povo palestino que os Estados Unidos investiram tanto tempo e esforços na criação de um Estado palestino, e nas negociações que permitirão realizá-lo na prática.

O compromisso dos Estados Unidos com a segurança de Israel é inabalável, e nossa amizade com Israel é profunda e duradoura. Portanto acreditamos que toda paz destinada a perdurar deve reconhecer as preocupações com a segurança real com as quais Israel se defronta a cada dia. Sejamos honestos: Israel está cercado por vizinhos que frequentemente travaram guerras contra ele. Cidadãos de Israel foram mortos por foguetes disparados contra suas casas e por bombas de terroristas suicidas em seus ônibus. As crianças de Israel crescem sabendo que em toda a região, outras crianças são ensinadas a odiá-las. Israel, um pequeno país de menos de oito milhões de habitantes, olha para um mundo onde os líderes de nações muito maiores ameaçam varrê-lo do mapa. O povo judeu carrega o ônus de séculos de exílios, perseguições e a lembrança recente do genocídio de seis milhões de pessoas mortas simplesmente por sua origem.

Não podemos negar estes fatos. O povo judeu criou um Estado bem-sucedido em sua pátria histórica. Israel merece este reconhecimento. Merece relações normais com seus vizinhos. E os amigos dos palestinos não lhes fazem nenhum favor a estes por ignorarem esta verdade, assim como os amigos de Israel devem reconhecer a necessidade de buscar uma solução que contemple dois Estados com Israel com a garantia de sua segurança ao lado de uma Palestina independente.

É esta verdade - a de que cada lado tem aspirações legítimas - que torna a paz tão difícil. E o impasse só poderá ser rompido quando cada um deles aprender a se colocar no lugar do outro. É esta atitude que deve ser incentivada. Este corpo - fundado, como foi, das cinzas da guerra e do genocídio; dedicado, como de fato é, à dignidade de cada pessoa - deve reconhecer a realidade vivida tanto por palestinos quanto por israelenses. Nossas ações devem sempre levar em conta a defesa do direito das crianças israelenses e palestinas de viverem em paz e segurança, com dignidade e oportunidade. Nós só teremos sucesso nesta empreitada se pudermos encorajar cada uma das partes a se sentar à mesa de negociações, a ouvir o que a outra tem a dizer, e a compreender as esperanças e os temores da outra parte. É este o projeto em que os Estados Unidos estão empenhados. E é nele que as Nações Unidas deveriam se concentrar nas próximas semanas e meses.

Agora, enquanto nos defrontamos com os desafios do conflito e da revolução, também devemos reconhecer mais uma vez que a paz não é apenas a ausência de guerra. A verdadeira paz implica a criação de oportunidades que façam com que valha a pena viver. E para tanto, devemos enfrentar os inimigos comuns do ser humano: as armas nucleares e a pobreza; a ignorância e as doenças. Estas forças corroem a possibilidade de uma paz duradoura, e é juntos que deveremos enfrentá-las.

Para acabar com o fantasma da destruição em massa, devemos nos unir para buscar a paz e a segurança num mundo sem armas nucleares. Nos dois últimos anos, começamos a trilhar este caminho. Desde a nossa Cúpula sobre Segurança Nuclear em Washington, cerca de 50 nações adotaram medidas para impedir que o material nuclear caia nas mãos de terroristas e contrabandistas. Em março do próximo ano, se realizará em Seul uma Cúpula em que apresentaremos os nossos esforços para bani-lo totalmente. O Novo Tratado START entre Estados Unidos e Rússia reduzirá os nossos arsenais instalados ao seu nível mínimo neste meio século, e nossas nações realizam conversações visando a uma maior redução. Os Estados Unidos continuarão trabalhando para conseguir a proibição dos testes de armas nucleares, e da fabricação do material físsil necessário para a sua produção.

À medida que cumprimos nossas obrigações, fortalecemos os tratados e as instituições que contribuem para impedir a difusão destas armas. Para tanto, devemos continuar fazendo com que as nações que os desprezam sejam obrigadas a prestar contas dos seus atos. O governo iraniano não pode demonstrar que seu programa é pacífico, ele não cumpriu suas obrigações, e rejeitou as ofertas que lhe proporcionariam poderio nuclear para fins pacíficos. A Coreia do Norte ainda não tomou medidas concretas para abandonar suas armas, e continua empreendendo ações beligerantes contra o Sul. As oportunidade futuras para os povos destas nações serão muito maiores se seus governos cumprirem suas obrigações. Mas se continuarem trilhando um caminho que desconhece as leis internacionais, deverão se defrontar com mais pressões e um isolamento maior. É o que exige nosso compromisso com a paz.

Para trazer a prosperidade ao nosso povo, devemos promover o crescimento que cria oportunidades. Neste sentido, não devemos esquecer de que fizemos enormes progressos nas últimas décadas. Sociedades fechadas deram lugar a mercados abertos.

A inovação e o espírito empreendedor transformaram o nosso modo de vida e a nossa maneira de agir. As economias emergentes da Ásia às Américas tiraram centenas de milhões de pessoas da pobreza. Entretanto, há três anos, sofremos a mais grave crise financeira dos últimos oitenta anos. A crise provou um fato que se torna mais claro a cada ano que passa - nossos destinos estão interligados; numa economia global, as nações se levantarão ou cairão juntas.

Hoje, estamos diante dos desafios que se seguiram a esta crise. A recuperação é frágil. Os mercados são voláteis. Um número excessivo de pessoas não tem trabalho. Nós nos empenhamos juntos para evitar uma Depressão em 2009. Mais uma vez, devemos adotar medidas urgentes e coordenadas. Aqui nos Estados Unidos, anunciei um plano para que os americanos voltem a trabalhar e impulsionem a nossa economia, e eu me comprometi a reduzir substancialmente nosso déficit ao longo do tempo. Apoiamos nossos aliados europeus enquanto reformulam as suas instituições e procuram resolver o seu problema fiscal. Os líderes de outros países enfrentam desafios diferentes enquanto transformam suas economias a fim de se tornarem mais autossuficientes, aumentando a demanda interna, reduzindo ao mesmo tempo a inflação. Portanto, cooperaremos com as economias emergentes que apresentaram uma recuperação vigorosa, para que o aumento do padrão de vida crie novos mercados de forma a promover o crescimento global. É o que exige o nosso compromisso com a prosperidade.

Para combater a pobreza que castiga os nossos filhos, devemos agir com a convicção de que libertar-se da necessidade é um direito humano fundamental. Um dos objetivos do compromisso dos Estados Unidos no exterior é ajudar pessoas a se alimentarem. E hoje, quando a seca e os conflitos levam a fome ao Chifre da África, nossa consciência nos insta a agir. Juntos, devemos continuar a dar assistência e a financiar as organizações que podem chegar até os necessitados. E juntos, devemos insistir no acesso irrestrito da ajuda humanitária para podermos salvar a vida de milhares de homens, mulheres e crianças. O que está em jogo é a nossa própria humanidade. Vamos mostrar que a vida de uma criança da Somália e tão preciosa quanto qualquer outra. É o que exige o nosso compromisso para com os nossos semelhantes.

Para deter as doenças que se espalham através das fronteiras, devemos fortalecer nossos sistemas de saúde pública. Continuaremos lutando contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária. Cuidaremos particularmente da saúde das mães e das crianças. E devemos nos unir para prevenir, detectar e combater todo tipo de ameaça biológica - seja ela pandêmica como a H1N1, uma ameaça terrorista ou uma doença passível de tratamento. Esta semana, os Estados Unidos assinaram um acordo com a Organização Mundial da Saúde para afirmar nosso empenho em enfrentar este desafio. Hoje, peço a todas as nações que se uniam a nós para alcançar o objetivo da OMS que é garantir que todas as nações disponham de capacidade própria para tratar de emergências de saúde pública até 2012. É o que exige nosso compromisso para com a saúde do nosso povo.

Para preservar o nosso planeta, não devemos adiar as medidas exigidas pelas mudanças climáticas. Devemos explorar o poder da ciência para salvar recursos que são escassos. Juntos, devemos continuar nosso trabalho para ampliar o progresso conseguido em Copenhague e em Cancun, de maneira que todas as principais economias aqui representadas, hoje, também cumpram os compromissos que foram assumidos. Juntos, devemos trabalhar para transformar a energia que alimenta nossas economias, e apoiar outras que percorrerem este caminho. É o que exige nosso compromisso para com a próxima geração.

E para que nossas sociedades realizem seu potencial, devemos permitir que os nossos cidadãos realizem seu potencial pessoal. Nenhum país pode ser condescendente com o câncer da corrupção. Juntos, devemos conter o poder de sociedades abertas e de economias abertas. É por isso que nos associamos a países de todo o globo para lançar uma nova parceria entre Governos Transparentes que garanta a concessão de poderes aos seus cidadãos e para que estes se tornem mais responsáveis pelos próprios atos. Nenhum país deveria negar às pessoas seus direitos por causa de suas preferências de gênero, e é por isso que devemos defender o direito de gays e lésbicas em todo o mundo. E nenhum país pode realizar o seu potencial se a metade da sua população não consegue realizar o próprio potencial pessoal. Esta semana, os Estados Unidos assinaram uma nova Declaração referente à Participação das Mulheres.

No próximo ano, cada um de nós deveria anunciar as medidas que está disposto a adotar para quebrar as barreiras políticas e econômicas que tolhem a contribuição de mulheres e jovens. É o que exige nosso compromisso para com o progresso humano.

Sei que não existe uma linha reta até o progresso, não há um único caminho para o sucesso. Cada um de nós vem de uma cultura diferente, e traz consigo diferentes histórias. Mas nunca devemos esquecer de que enquanto estamos aqui reunidos na qualidade de líderes de diferentes governos, representamos cidadãos que compartilham das mesmas aspirações básicas - viver com dignidade e liberdade; ter acesso à educação e a oportunidades; amar nossas famílias e o nosso Deus. Viver na paz que faz com que valha a pena viver.

É próprio da natureza do nosso mundo imperfeito sermos obrigados a aprender esta lição inúmeras vezes. O conflito e a repressão perdurarão enquanto algumas pessoas se recusam a tratar os outros como gostariam de ser tratadas. Entretanto, é precisamente por esta razão que criamos instituições como esta em que nos encontramos que unem os nossos destinos - porque os que aqui vieram acreditam que a paz é preferível à guerra; a liberdade é preferível à supressão; e a prosperidade é preferível à pobreza. Esta é a mensagem que vem não das capitais mas dos seus cidadãos.

No lançamento da pedra fundamental deste edifício, o presidente Truman veio a Nova York e disse: "Os Estados Unidos são essencialmente uma expressão do caráter moral das aspirações do homem". Como vivemos em um mundo que muda a um ritmo alucinante, nunca deveremos esquecer desta lição.

A paz é difícil, mas sabemos que é possível. Juntos, vamos decidir o que fazer com base nas nossas esperanças e não nos nossos medos. Juntos, vamos trabalhar para fazer não apenas a paz, mas uma paz que seja duradoura. Obrigado.

Barack Obama
Presidente do EUA

"Democracia" nos EUA


Indignados nova-iorquinos denunciam forte repressão policial nos EUA

Washington, 25 set O movimento estadounidense de protesto social Occupy Wall Street (Ocupar Wall Street) confirmou hoje que entre 85 e cem de seus ativistas civis têm sido detidos por forças policiais de Nova York durante as últimas 50 horas.

A organização, também conhecida como Os Indignados Nova-iorquinos, informou em seu site digital neste domingo que o departamento de segurança pública da "Grande Maçã" incrementou suas ações violentas contra os manifestantes, no oitavo dia de mobilizações.

"Temos recebido informações sobre uns 85 presos, mas o Gremio Nacional de Advogados indica-nos que o número real de pessoas sob custodia das autoridades é uma centena", explicou um comunicado do grupo.

"Neste momento nossos militantes discutem na Liberty Square sobre como responder a este nível de agressão policial sem precedentes. Têm colocado um policial para cada dois manifestantes".

De acordo com Occupy Wall Street, a maioria dos detentos foram acusados por obstrução do tráfico veicular, ainda que alguns inclusive tenham ido presos por tirar fotos ou criticar os policiais.

Agentes nova-iorquinos usaram barricadas, redes especiais laranjas, cacetetes e pistolas elétricas para controlar os cidadãos. O grupo negou no entanto que a polícia, até o momento, tenha disparado gases contra as multidões.

Em 17 de setembro o movimento saiu às ruas para denunciar a crise econômica e política global. Desde a quinta-feira passada, protestam ademais contra as ajudas com dinheiro público aos bancos e a execução em Georgia de Troy Davis, um afroestadunidense cujo caso gerou muitas dúvidas sobre sua culpabilidade.

Os Indignados Nova-iorquinos começaram suas marchas e acampamentos com a intenção de ocupar Wall Street, mas o grande movimento policial em frente à sede da bolsa reprimiu este avanço e a maioria do grupo instalou-se no parque Zucotti e na praça Liberty.

Um porta-voz dos manifestantes, Patrick Bruner, sublinhou que estão cada vez mais convencidos da necessidade desta organização popular. "Agora mais que nunca estamos convencidos de estar fazendo algo necessário e correto", enfatizou.

A passada terça-feira foi um dos dias mais agitados desde que começou o protesto, que tem reunido centenas de pessoas no coração financeiro de Nova York, onde estão instalados alguns dos principais bancos da primeira economia mundial e o maior mercado acionário.

"Manifestamos nossa solidariedade com (os indignados de) Madri, San Francisco, Los Angeles, Madison, Toronto, Londres, Sydney, Stuttgart, Tokio, Milão, Amsterdam, Tel Aviv, Portland, Chicago e da Palestina", ressaltou a comunicação de Occupy Wall Street.

"Cedo estaremos também em Phoenix, Montreal, Cleveland, Atlanta, Kansas City, Dallas, Orlando e Miami. Cresceremos e persistiremos na luta até ver ações reais para mudar este país e o mundo", conclui o texto difundido na Internet.

Fonte: Prensa Latina

Será que os EUA precisam de um "Conselho Nacional de Transição"?
Será que a OTAN junto com seus "aliados"vai intervir nos EUA para salvar os cidadãos norteamericanos que estão sendo reprimidos?
Será que a OTAN bombardeará os manifestantes de Wall Street com gás mostarda como fez na Líbia? Provavelmente não, como diz o ditado: "Pimenta nos olhos dos outros é festa".
O governo americano é uma farsa, um regime democrático falido em sua base maior, que é a liberdade de expressão.
Os americanos estão sentindo na própria pele a "democracia americana"
(Burgos Cãogrino)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Líder da União Africana critica a fraude na ONU


O presidente em exercício da União AfricanaTheodore Obiang Nguema Mbasogo afirmou na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, que a ONU “está a ser usada fraudulentamente sob o pretexto de intervenções humanitárias para violar os direitos humanos dos povos mais afetados” e condenou o uso da força na resolução dos conflitos.

Ao discursar na quarta-feira na 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Theodore Obiang Nguema Mbasogo denunciou que a África “enfrenta uma nova versão neocolonialista de intervenção de forcas por razões e princípios humanitários e de liberdades democráticas” e pediu ao continente “para fazer valer a União Africana e a sua personalidade politica internacional”.

O também presidente da GuinÉ Equatorial sublinhou que o uso da força “não é factor de aglutinação mas de divisão e destruição” e que África sempre se manifestou a favor de uma solução pacífica dos conflitos, mediante o diálogo, a mediação e a negociação.
“O uso da força nunca deu uma solução definitiva aos conflitos desde a criação das Nações Unidas, como se pode comprovar pelos diferentes conflitos havidos nos últimos 50 anos”, frisou o líder em exercício da União Africana.
Obiang Nguema defendeu que as Nações Unidas devem dar voz aos menos poderosos e que isso passa pela democratização de todos os seus órgãos. “A Organização das Nações Unidas deve ser reformada e retomar o seu carácter de representatividade mais equitativa e justa diante da actual tendência de se converter num clube de poderosos”, acrescentou Obiang Nguema.
As críticas do presidente da União África surgem na sequência da intervenção aérea da OTAN na Líbia com o respaldo das Nações Unidas e sem que a organização continental fosse tida em conta.

Zuma pede imparcialidade

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, defendeu, no seu discurso na Assembleia Geral, a independência e imparcialidade das Nações Unidas e a promoção dos princípios da sua Carta constitutiva em caso de conflitos e crises. “As Nações Unidas nunca deveriam tomar partido num conflito, mas manter sempre a imparcialidade”, frisou o líder sul-africano, que acrescentou: “as Nações Unidas não devem permitir que seja usada por qualquer país, independentemente da sua história ou tamanho”.
Jacob Zuma considerou que desenvolvimentos internacionais recentes tornaram mais urgente a necessidade de se intensificar a agenda de reforma das Nações Unidas, particularmente do Conselho de Segurança e das instituições de Bretton Woods, designadamente o FMI e o Banco Mundial.
Jacob Zuma reafirmou o apelo para que África seja representada como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU e defendeu reformas substantivas no órgão decisório da organização.
O conselho de segurança, frisou, deve primar pelo princípio equitativo da representação geográfica.
O estadista sul-africano destacou a importância das organizações regionais na resolução de conflitos e nos processos de mediação e negociação, e defendeu o reforço do papel desses organismos na gestão dos diferentes conflitos.

Valorizar a mediação

Ao intervir no debate geral, o presidente de Moçambique pediu a valorização da mediação das Nações Unidas e das organizações regionais e sub-regionais e recordou que o carácter universal da ONU confere ao organismo “um papel fundamental na promoção da paz e segurança internacionais com recurso a meios pacíficos na resolução de disputas”.
Armando Guebuza defendeu a conclusão do processo de reformas das Nações Unidas e a revitalização da Assembleia Geral como órgão mais representativo e legítimo da organização.
Para o Chefe de Estado moçambicano, “só uma Assembleia Geral forte, dotada da necessária autoridade e competência e de recursos adequados estará à altura dessas responsabilidades e dos desafios da actualidade internacional”.
Os líderes presentes na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas deram as boas vindas ao mais novo Estado membro das Nações Unidas, o Sudão do Sul, e pediram o reforço da assistência humanitária para acudir as vítimas da seca e da crise de fome na Somália e na região do Corno de África.


Fonte: Jornal de Angola

EUA , Israel e ONU - O Paradoxo


O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que não há "atalhos" para terminar o conflito entre israelenses e palestinos, que já existe a décadas no Oriente Médio.

Barack Obama afirmou que a paz na região "não virá de resoluções ou declarações da ONU", mas apenas de negociações diretas entre israelenses e palestinos.

"Estou convencido de que não há atalho para encerrar um conflito que existe a décadas", disse.

“No final das contas, são os israelenses e os palestinos, e não nós, que devem chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: sobre fronteiras e segurança; sobre refugiados e Jerusalém”.

A História:

Em abril de 1947, um Comitê Especial das Nações Unidas propôs a partilha da Palestina em um Estado judeu (já com cerca de 650 mil habitantes) e um Estado árabe-palestino (com o dobro dessa população).

Estado institucionalizado

Quando a Liga das Nações (hoje Organização das Nações Unidas - ONU) concedeu o mandato britânico sobre a Palestina, em 1922, recomendou ao país que criasse na região um "lar judaico, em reconhecimento à ligação histórica do povo judeu com a Palestina".
Motivados pelo sionismo e pela "simpatia para com as aspirações sionistas dos judeus" expressa pelo ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Lord Balfour, milhares de judeus partiram para as terras palestinas.

A fundação de Israel, em 1948 apenas institucionalizou uma comunidade de cerca de 650 mil pessoas já organizada, com instituições políticas, sociais e econômicas bem desenvolvidas.

Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59º membro das Nações Unidas.


O paradoxo:

A contradição das palavras de Barack Obama é um paradoxo impressionante, pois, se a ONU resolveu o problema dos israelenses em 1922 como pode agora não poder resolver o problema dos palestinos?

Como pode Barack Obama dizer que não é na ONU que os palestinos vão resolver seus problemas?

Então quem poderá resolver estes problemas? Se palestinos e judeus não se entendem, continuará sendo uma eterna carnificina?

Então, podemos concluir que a Organização das Nações Unidas (ONU) só serve aos interesses de Israel e EUA?

Se a ONU não serve para resolver estes problemas, a quem se deve recorrer?

Então talvez devamos procurar ajuda fora do planeta Terra...

Quem sabe a “Confederação Galáctica”?

A voz do Brasil na ONU


DILMA NA ONU: SEM COMPLEXO DE VIRA-LATA


Por Rodrigo Vianna

“Na abertura da Assembléia Geral da ONU, ao falar para o mundo, Dilma destacou a condição feminina e a especificidade do Brasil no mundo. Emocionou-me a menção que a presidenta fez à língua portuguesa. Lembrei-me de certo presidente (brasileiro, até prova em contrário) que foi à França e preferiu falar em Francês (!) na Assembléia Nacional daquele país. Era o presidente (Fernando Henrique Cardoso) que certa 'elite' brasileira considerava "cosmopolita”. Um cosmopolita que preferia falar em francês. Terminou o discurso dizendo “Vive la France!!!”. Patético.

Dilma não só falou em Português, como falou sobre as especificidades do mundo que fala Português. Usou o idioma como gancho para lembrar de palavras que são “femininas” na Língua Portuguesa: alma, esperança, vida.

Mas o discurso na Assembléia Geral da ONU não foi importante (só) por isso. Foi importante porque Dilma se diferenciou da baboseira (neo)liberal que ainda sobrevive no chamado mundo desenvolvido (e sobrevive também entre “colunistas” e “analistas” que pensam o Brasil feito girafas: têm os pés na América do Sul e a cabeça em Londres ou Washington). Dilma falou na necessidade de controlar capitais. Os colunistas de economia brazucas devem ter sofrido uma síncope nervosa. "Controle? Capitais devem ser livres. Controle, só para as pessoas".

Dilma foi corajosa ao falar da crise econômica, ponderada ao defender o Estado Palestino e firme ao reafirmar a necessidade de reformar a ONU e as instâncias decisórias mundiais.

Dilma foi a primeira mulher a abrir a Assembléia Geral da ONU. Mas o discurso dela foi histórico por muitos outros motivos. Lembrou-me a frase lapidar de Chico Buarque, ao dizer, na reta final da eleição de 2010, porque apoiaria Dilma: “é um governo que fala de igual para igual, não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

E, abaixo, uma pequena seleção dos trechos que considero mais relevantes.

CONDIÇÃO FEMININA – IGUALDADE E ORGULHO

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo. É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.”

LÍNGUA PORTUGUESA – ESPERANÇA E CORAGEM

Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.”

FALANDO GROSSO – PUXÃO DE ORELHA NOS “DESENVOLVIDOS”

Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras. Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções. Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.”

RECADO AOS NEOLIBERAIS – CONTROLAR OS MERCADOS

Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.”

A CONDIÇÃO BRASILEIRA – OTIMISMO MODERADO

É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos. Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos –e podemos– ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.”

ENFRENTAR A RECESSÃO – AJUDA VEM DOS EMERGENTES

Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais. Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.”

RECADO AOS EUA E OTAN - CONTRA INTERVENÇÕES MILITARES

É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo. Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas (…) O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.”

REFORMA DA ONU – BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA

O debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento. O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho.”

DIREITOS HUMANOS , SIM – PARA TODOS

Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos. O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.”

ESTADO PALESTINO – DEFESA FIRME, SEM MEIAS PALAVRAS

Lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título. O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.”

COMBATE À POBREZA – RECEITA BRASILEIRA

O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros. O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.”




Fonte: escrito pelo jornalista Rodrigo Vianna em seu blog “Escrivinhador” (http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/dilma-na-onu-sem-complexo-de-vira-lata.html#more-9741).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Estados Unidos reforçam expansão militar no Índico


Os Estados Unidos estão a construir novas bases militares para expandir a sua capacidade de intervenção no Índico. Etiópia e Seychelles são os países escolhidos, segundo o Washington Post.

De acordo com o jornal, estas novas bases servirão para permitir a operação de aviões sem piloto (drones), um recurso de guerra que tem recebido enorme incremento durante a administração Obama. Uma das bases está em construção na Etiópia e a das Seychelles já está operacional. A partir deste arquipélago, de acordo com peritos militares, é possível recorrer a drones equipados com mísseis Hellfire e bombas guiadas por satélite para atingir alvos na Somália e no Iémen. Além disso, os aparelhos colocados nas Seychelles poderão ainda patrulhar os céus da Somália. As bases poderão servir para utilizar outro tipo de recursos de guerra, caso seja considerado necessário.

Segundo as fontes citadas pelo jornal, as flotilhas destes aviões, conhecidos como “caçadores-assassinos”, deverão actuar contra os radicais islâmicos na Somália e contra forças da al-Qaida que supostamente actuam no Iémen

No âmbito da rede de bases militares norte-americanas na região já está em funcionamento uma outra, no Djibuti, que tem sido utilizada tanto na Somália como no Iémen.

Os Estados Unidos usam regularmente a Etiópia para interferir nas questões somalis. Tropas etíopes invadem regularmente a Somália cumprindo objectivos estabelecidos pelo Pentágono de combate ao grupo radical islâmico Shebab, que controla praticamente todo o país.

A rede de bases no Índico é subsidiária da Quinta Esquadra norte-americana, instalada no Bahrein, país considerado quase tão estratégico para os Estados Unidos como Israel. Washington e a Arábia Saudita têm apoiado a repressão dos movimentos pela democracia neste país; ao mesmo tempo, conselheiros militares e equipamento de guerra norte-americanos actuam no Iémen ao lado das tropas fiéis ao ditador Ali Abdullah Saleh, permitindo-lhe resistir a uma das primeiras “primaveras árabes” a surgir nas ruas.


Fonte: beinternacional.eu


EUA, um país com uma crise financeira terrível e continuam a investir em mortes, gastando milhões em construção de bases em outros países, um país onde o desemprego está altíssimo, as desigualdades sociais tremenda e mesmo assim a prioridade do governo é em guerras, intervenções e sanções a outros países.

Fica a pergunta: Será que o povo americano é idiota ou cego? Que não consegue enxergar esse tipo de coisa. Ou será que existe uma nação inteira se achando superior em relação aos outros povos do mundo? O povo americano concorda com esse governo autoritário que se diz "democrático"?

Que futuro terá o povo americano? Vão morrer de fome, mas continuarão agarrados a suas armas nucleares, aviões drones, e todo tipo de armas letais? Ou vão subjugar todos os países do mundo para sustentá-los em seus gastos com guerras?

EUA está se tornando um país imperialista fanático por intervenções, fanático por guerras e mostra claramente o egoísmo em relação ao restante dos povos do mundo, com a velha desculpa de estar levando sua "democracia" ditatorial, e impondo ao mundo seus armamentos bélicos.

Um país que "luta" pelo desarmamento mundial, mas continua a alimentar seus estoques de armas nucleares, querendo que o mundo se desarme para poder cada ves mais oprimir os povos com sua "democracia" decadente, que só convence mesmo ao povo americano.

E faço a pergunta novamente: São cegos? Ou idiotas?

(Burgos Cãogrino)

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