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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O "DEUS" dos americanos continua sedento por sangue


EUA: escalada contra o Irã

19 outubro, 2011

por Husc

O bombástico anúncio feito por autoridades do governo dos EUA, sobre uma suposta trama iraniana para assassinar o embaixador saudita em Washington, sugere que o Irã voltou ao topo das prioridades dos estrategistas estadunidenses, após meses em um plano secundário ensejado pela Primavera Árabe e o ataque militar à Líbia. A intenção de promover uma escalada na confrontação com Teerã ficou evidenciada nas agressivas declarações de autoridades como o vice-presidente Joe Biden e a secretária de Estado Hillary Clinton, tendo esta última anunciado a deflagração de uma ofensiva diplomática internacional para isolar o Irã, “convocando” o resto do mundo a se juntar aos EUA “na condenação à ameaça à paz e a segurança internacionais”.

A suposta trama foi revelada pelo procurador-geral Eric Holder, na terça-feira 11 de outubro. Segundo ele, o FBI e a agência antidrogas DEA haviam desbaratado um plano de dois iranianos para matar o embaixador saudita em Washington, com o auxílio de um suposto integrante do cartel de drogas mexicano Los Zetas, que, na verdade, era um informante da DEA. Um dos iranianos, Mansur Arbabsiar, é cidadão estadunidense naturalizado e o outro, Gholam Shakuri, estaria foragido no Irã, onde seria um integrante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. Holder, que admitiu que o plano se assemelhava “a um roteiro de Hollywood”, afirmou que Arbabsiar pagou 100 mil dólares ao suposto sicário do cartel mexicano, os quais teriam sido enviados do exterior por meio de uma conta bancária ligada à Força Quds.


O resultado imediato foi uma barragem de retórica inflamada contra o regime de Teerã. Em entrevista ao programa Good Morning America da rede de televisão ABC, na quarta-feira 12, o vice-presidente Joe Biden afirmou que, em termos de retaliação, “nada está descartado”. Segundo ele, “é criticamente importante que unamos o mundo no isolamento e no trato com os iranianos”.





Hillary Clinton foi na mesma linha, dizendo que a trama “cria um potencial para uma reação internacional que isole ainda mais o Irã, que levantará questões sobre o que eles estão fazendo, não apenas nos EUA e no México (Reuters, 12/10/2011)”





Por sua vez, o senador Carl Levin, presidente da Comissão das Forças Armadas do Senado, não mediu palavras para qualificar a suposta trama como um “ato de guerra”.


Em uma clara demonstração das intenções dos círculos mais belicosos do Establishmentestadunidense de explorar ao máximo as denúncias, Elliot Abrams, ex-membro do Conselho de Segurança Nacional e um dos mais virulentos “falcões” do país, escreveu em seu blog no sítio do Conselho de Relações Exteriores (CFR): “O atrevimento – é a única palavra adequada – deste planejado ato de terrorismo na capital da nossa nação deveria ensinar-nos que não se pode permitir que o regime de Teerã adquira armas nucleares… Se eles agem desta maneira agora, como agirão se conseguirem armas nucleares?”

Ao mesmo tempo, a representante estadunidense nas Nações Unidas, Susan Rice, acompanhada de seu colega saudita e altos funcionários do FBI, da CIA e do Departamento de Justiça, se reuniram separadamente com os representantes do Conselho de Segurança para informá-los melhor sobre a denúncia e buscar apoio para uma nova rodada de sanções punitivas contra Teerã. As reações foram as esperadas, tendo o Reino Unido e a França manifestado apoio ostensivo aos EUA e a China e a Rússia, recebido os “briefings” com as devidas reservas. Em Londres, o chanceler William Hague disse que o complô assinala uma escalada do patrocínio do terrorismo internacional pelo Irã. A Alemanha e a Itália reagiram mais cautelosamente, limitando-se a exigir explicações de Teerã (AP, 12/10/2011).

A denúncia ocorre em um momento em que Teerã fazia vários gestos de boa vontade em relação ao Ocidente, como a libertação de dois estudantes estadunidenses que estavam detidos no país há dois anos, acusados de espionagem, depois de cruzar a fronteira Iraque-Irã, segundo eles, acidentalmente. Igualmente, o presidente Mahmoud Ahmadinejad propunha uma renegociação sobre o controvertido programa nuclear do país, oferecendo a renúncia à produção de urânio enriquecido a 20% para reatores de usos médicos, em troca de um fornecimento regular e garantido do combustível. O problema é que um acordo do gênero, simplesmente, poderia neutralizar um dos principais pretextos dos EUA e de seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para manter as pressões contra o Irã e, portanto, não se pode descartar que a revelação sobre o suposto complô esteja relacionada a tais movimentos.

Ademais, uma escalada de pressões contra o Irã proporciona um cenário perfeito para contra-arrestar os impactos negativos para a agenda hegemônica de Washington, causados pela “Primavera Árabe” (aí incluído o papel crucial da Arábia Saudita em impedir a sua expansão a países como o Bahrein e o Iêmen) e o pleito palestino pelo reconhecimento do seu Estado nacional. Sem falar na possibilidade de que o acirramento das sanções contra Teerã implique em um aumento das probabilidades de ocorrência de atritos e incidentes, espontâneos ou provocados, que possam ser utilizados para justificar uma eventual investida militar contra o país.

Apesar de as Forças Armadas estadunidenses se encontrarem exauridas pelas campanhas intermináveis no Afeganistão-Paquistão e Iraque, uma confrontação militar com o Irã, há muito pedida pelos “neoconservadores” que dominaram a política externa do Governo Bush filho e ainda gozam de grande influência em Washington, ensejaria a tais círculos oligárquicos uma oportuna válvula de escape para os desdobramentos da crise multidimensional em curso. Entre eles, a crise econômico-financeira, os crescentes protestos contra os excessos da alta finança e, não menos, as repercussões do ainda não superado escândalo da chamada “Operação Velozes e Furiosos”, um bizarro esquema de distribuição que entregou milhares de armas marcadas a narcotraficantes mexicanos, alegadamente, para segui-las e identificar os chefes dos cartéis (MSIa Informa, 15/07/2011) – com a qual, aparentemente, a suposta trama iraniana apresenta uma interface.

A conexão foi feita pelo sempre arguto correspondente do Asia Times Online, Pepe Escobar, em sua coluna de 14 de outubro:

O complô é bastante oportuno para desviar a atenção da Arábia Saudita como beneficiária de uma multibilionária venda de armas estadunidenses. E, também, bastante oportuno para desviar a atenção do próprio [procurador Eric] Holder – apanhado em outro escândalo monstruoso, sobre se ele mentiu a respeito da Operação Velozes e Furiosos (não, não dá para consertar este negócio), uma operação federal por meio da qual nada menos que 1.400 armas estadunidenses de alta potência acabaram, sem ser acompanhadas, nas mãos de – adivinharam – cartéis de drogas mexicanos. Parece que a franquia da “Velozes e Furiosos” é a arma de entretenimento de escolha de todos os níveis do governo dos EUA.

Quanto à credibilidade da denúncia, ela tem sido questionada por numerosos analistas e observadores, até mesmo nos próprios EUA, a começar pelo fato de que o “terrorista” Mansur Arbabsiar, que tem um histórico de pequenos negócios fracassados nos EUA, ter sido apanhado em uma operação de aliciamento (sting operation, no jargão de inteligência) semelhante às muitas que o FBI tem montado contra potenciais suspeitos de inclinações terroristas (MSIa Informa, 1/09/2011).

Em conversa com a correspondente da rede australiana ABC, Eleanor Hall (12/10/2011), o ex-agente da CIA Robert Baer, que atuou no Oriente Médio por mais de 25 anos, foi categórico:

(…) Isso não se encaixa, de modo algum, no modus operandi deles. É completamente fora do padrão, eles são muito melhores do que isso. Eles não enviariam dinheiro por meio de um banco estadunidense, não iriam atrás dos cartéis no México para fazer isso. Não é a maneira como operam. Eu os tenho seguido por 30 anos e eles são muito mais cuidadosos. E sempre usam um intermediário entre eles e a operação, o que não fizeram nesse caso. Quero dizer, ou eles estão dando um tiro no pé ou há outras peças da história, e eu não sei quais são.

Na mesma linha, Kenneth Katzman, especialista em assuntos iranianos do Serviço de Pesquisas do Congresso, disse ao jornal Christian Science Monitor (12/10/2011): “Querem que acreditemos que um vendedor de carros do Texas era um agente adormecido da [Força] Quds por muitos anos, residindo nos EUA? Ridículo? Eles nunca usam esses fracassados ou pessoas sem relações importantes para tramas sensíveis como essa.”

Em entrevista à Fox News (12/10/2011), outro veterano especialista em assuntos do Oriente Médio, o tenente-coronel da reserva do Exército Anthony Shaffer, revelou que um amigo seu dentro do FBI lhe informara que a agência não tinha qualquer informação real sobre o “terrorista” Arbabsiar e que o vendedor de carros havia sido vítima de outra operação de aliciamento.


Talvez, a melhor síntese da situação tenha sido feita pela chefe do Departamento de Estudos do Oriente Médio da City University de Londres, Rosemary Hollis. Para ela, o fato de Arbabsiar ter sido apanhado em uma operação do gênero dificulta a avaliação da seriedade da trama, mas o relevante é que todo o caso transmite “um sinal importante de um período muito volátil e potencialmente perigoso à frente”. A denúncia, disse, “se assemelha a uma advertência de que os EUA estão prestes a atuar de uma forma mais assertiva com o Irã e farão isto em estreita coordenação com os sauditas (Reuters, 12/10/2011)”.



Movimento de Solidariedade Íbero-americana



Fonte: Blog do ambientalismo

Imagem: google

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Barack Obama enviando soldados americanos para "ajudar" Uganda???



O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou que está enviando soldados para Uganda, onde as tropas ajudarão o governo local a combater um exército guerrilheiro acusado de atrocidades. As tropas norte-americanas, que teoricamente ficarão sob supervisão das
autoridades de Uganda, poderão ser enviadas para operações nos vizinhos Sudão do Sul, República Centro-Africana e República Democrática do Congo, disse Obama em mensagem ao Congresso americano.

Ajuda americana é aos Ugandenses ou a Inglaterra?



O que está por trás dessa "ajuda" americana?



Ugandenses expulsos de terras por esquemas de créditos de carbono

O caráter neocolonial do ambientalismo radical tem sido ressaltado por um número crescente de comentaristas, mas acaba de ser demonstrado de forma cabal em Uganda, onde camponeses foram expulsos de suas terras para dar espaço a um projeto privado de reflorestamento baseado em um esquema de créditos de carbono. A expulsão dos camponeses se deu de forma violenta, com o recurso a forças militares, que incendiaram casas e provocaram mortes. A finalidade do projeto é converter as terras usadas para a agricultura em florestas plantadas, com o objetivo de gerar créditos de carbono para serem comercializados no mercado europeu – que, como se sabe, são instrumentos financeiros criados a pretexto de ajudar a reduzir as emissões de carbono supostamente causadoras do chamado aquecimento global. Como observou com propriedade o editor do sítio Prison Planet.com, Paul Joseph Watson (23/09/2011), trata-se de “uma chocante demonstração de como a tramoia das mudanças climáticas é uma forma bárbara de neocolonialismo”.

Um dos escassos relatos do caso na grande mídia foi uma reportagem do New York Times de 21 de setembro, na qual o jornalista Josh Kron descreve a patranha com detalhes.

A ação das tropas armadas se deu por encomenda da empresa inglesa New Forests Company, que se dedica à aquisição de terras e à plantação de florestas artificiais em Uganda, Tanzânia e Moçambique, inseridos em um esquema de créditos de carbono, em parceria com a agência de investimentos do Banco Mundial e do Hongkong and Shanghai Banking Corporation (HSBC). No conselho de administração da empresa, têm assento o diretor de investimentos do HSBC, Sajjad Sabur, além de ex-integrantes do banco de investimentos estadunidense Goldman Sachs.

Segundo o seu sítio, a empresa tem mais de 20 mil hectares de terras em Uganda e se define como:

(…) uma companhia florestal baseada no Reino Unido, sustentável e socialmente responsável, com plantações estabelecidas e rapidamente crescentes e a perspectiva de uma base de produção diversficada, para mercados de exportação locais e regionais, que proporcionarão tanto retornos atrativos aos investidores e significativos benefícios sociais e ambientais.

Em 2005, o governo ugandense cedeu à New Forests o direito de exploração das terras em três distritos do país, nas quais a empresa está plantando pinho e eucalipto. O problema é que as terras já eram ocupadas e, segundo um relatório recentemente divulgado pela ONG britânica Oxfam, cerca de 20 mil pessoas foram expulsas de suas terras pela ação da empresa, com o emprego de métodos de terror e violência. Os aldeões expulsos afirmaram que “forças de segurança” fortemente armadas atacaram os vilarejos, incendiando casas e causando a morte de uma criança, no incêndio da casa em que vivia. Jean-Marie Tushabe, pai de duas crianças, disse: “Nós estávamos na igreja… Eu ouvi tiros disparados para o alto… Carros vieram junto com a polícia… Eles invadiram as nossas casas. Levaram os nossos pratos, copos, colchões, cama, travesseiros. Então, nós os vimos retirando caixas de fósforos dos seus bolsos.”

Tanto o governo ugandense como a New Forests consideram a presença dos aldeões nas terras como ilegal e, segundo o jornalista, a sua expulsão se deveu “a uma boa causa: proteger o meio ambiente e ajudar a combater o aquecimento global”.

Em uma observação lúcida e pouco comum entre jornalistas da grande mídia, Josh Kron escreve: “O caso gira em torno de um mercado multibilionário do comércio de créditos de carbono nos termos do Protocolo de Kyoto, que contém mecanismos de transferência da proteção ambiental às nações em desenvolvimento.”

Uma fonte do governo ugandense afirmou ao jornalista que a ação violenta de expulsão dos aldeões das terras cedidas à empresa britânica foi conduzida por policiais e políticos corruptos, agindo à margem da lei. Já a New Forests respondeu às denúncias da Oxfam com uma declaração digna de Pôncio Pilatos: “O nosso entendimento é o de que esses reassentamentos foram legais, voluntários e pacíficos (sic) e as nossas primeiras sondagens confirmaram essa impressão.”

Os arreglos da New Forests na África são emblemáticos dos grandes negócios que têm sido articulados em muitos países em desenvolvimento, sob o nobre pretexto de enfrentar as mudanças climáticas alegadamente influenciadas pela ação humana. Mas, de humano mesmo, o que temos visto são ações abertamente criminosas como a da empresa britânica, em conluio com governos sequiosos de receber vantagens financeiras das antigas potências coloniais, para as quais a proteção ambiental passou a ser a nova face do antigo “fardo civilizador do homem branco".



Em 2009: voltando ao passado
(não muito remoto)

"Terceirização de terras" prejudica países em desenvolvimento


Cresce a tendência de offshore farming: há países e investidores comprando e arrendando extensas áreas cultiváveis em nações pobres para produzir alimentos. As populações locais só têm a perder, alertam críticos. Os especialistas já falam de uma verdadeira caça à terra alheia, motivada pelos mais diversos fatores. Arábia Saudita, Japão, China, Coreia, Líbia e Egito são países que precisam importar alimentos, a fim de suprir a demanda interna da população.


Há meses, as autoridades competentes dessas e de outras nações estão negociando a compra ou arrendamento de terra fértil no Brasil, Sudão, Uganda, Camboja e Paquistão, por exemplo, confirmando uma tendência mundial denominada offshore farming.

E não só representantes governamentais, mas também investidores privados, estão à procura de terras cultiváveis, a baixo preço, em todos os continentes, seja para garantir a produção da indústria alimentícia ou para o cultivo de plantas destinadas à produção de biocombustível.

ALEMÃES TAMBÉM

Os empresários alemães também estão nesse barco. A Barnstedt eG e a prefeitura de Uelzen, cidade pequena situada no norte alemão, por exemplo, já compraram terras na Rússia para esse fim. A Agranus AG, sob direção de um ex-executivo da Bayer, arrendou consideráveis extensões de terra na Romênia, Bulgária e na República Tcheca. Já a Prokon GmbH e a Co KG dispõem de mais de 10 mil hectares na Tanzânia, enquanto a empresa Flora Ecopower, de Munique, marca presença na Etiópia.

De acordo com estimativas da ONU, desde 2005, entre 15 e 20 milhões de hectares de terra de países em desenvolvimento foram vendidos ou arrendados por nações mais ricas, extensões que equivalem a nada menos que um quinto das superfícies cultiváveis da Europa. Negócios que acabam, por diversas razões, prejudicando as populaçõoes de regiões carentes, afirma Roman Herre, especialista em reforma agrária da Fian, uma organização internacional de defesa dos direitos humanos.

"A água, um recurso natural cada vez mais escasso, se tornou um bem extremamente estatégico. É evidente que muitas dessas empresas asseguram, através do acesso à terra, também o acesso à água. Há avaliações de especialistas de que haverá, no futuro, uma escassez muito maior de água do que de combustíveis fósseis", observa Herre.

POPULAÇÃO LOCAL EM DESVANTAGEM

Hoje, comenta o especialista, a falta de acesso à terra e água já pode ser considerada o maior problema para pequenos produtores rurais. A compra ou arrendamento de grandes áreas por estrangeiros acaba gerando somente poucos empregos para a população local. Muitas vezes – como é o caso dos chineses na África – os países que compram ou arrendam a terra também enviam a mão-de-obra de casa.

Os agricultores locais estão ameaçados de serem expulsos das áreas que até então cultivavam. Esse foi o caso, por exemplo, de Peter Baleke Kayiira, obrigado a fugir, já em 2001, das Forças Armadas na Uganda. Tudo isso porque o governo ugandense havia aceitado que uma empresa alemã que comercializa café usasse a região ao redor de seu povoado para uma plantação.

"Antes de sermos expulsos tudo estava bem, tínhamos nosso sustento garantido e até sobrava parte da produção que vendíamos. Agora isso não é mais possível. Só conseguimos fazer uma refeição por dia, as crianças não podem mais frequentar a escola. Se continuar assim, daqui a pouco seremos escravos", descreve Kayiira.

PARCA PARTICIPAÇÃO

As negociações que definem as condições de venda ou arrendamento de terra se realizam, na maioria das vezes, sem a participação da população local. Como o que aconteceu em Madagascar, onde o governo caiu no início do ano, depois que veio a público a intenção das autoridades de arrendar metade das zonas cultiváveis do país para um grupo da Coreia do Sul pelo prazo de nada menos que 99 anos.

Esse não é um caso isolado, diz Herre, lembrando que no Quênia houve uma situação semelhante. "Lá, o emirado árabe Catar recebeu grandes extensões de terra, em troca da promessa de investir na região, entre outros na construção de um porto local."

O exemplo do Quênia e de Madagascar são clássicos, pois nesses dois países, como em muitos outros, a população local está sendo completamente ignorada durante tais negociações. Esses contratos são, na maioria das vezes, ocultados da opinião pública e só vêm à tona por acaso", denuncia o especialista da Fian.

PROMESSAS VAZIAS

A experiência da organização mostra que os investidores, nesses contratos, costumam prometer projetos compatíveis com o desenvolvimento social local, bem como a criação de postos de trabalho e melhoria da infraestrutura. Essas promessas, contudo, quase nunca são cumpridas. Além disso, é importante lembrar que a produção agrária em escala industrial também afeta o meio ambiente de forma decisiva.


"Quando se vê que o Banco Mundial, por exemplo, quer investir quatro bilhões de euros nos agronegócios, pode-se partir do princípio de que essas terras serão basicamente ocupadas pela monocultura e o consumo de água será extremamente alto. O uso de pesticidas e adubo também se intensifica, algo altamente prejudicial ao meio ambiente", explica Heere.


Desde a recente crise de alimentos de 2008, cresce – pelo menos nos setores de cooperação internacional – a consciência de que os pequenos produtores dos países do hemisfério sul são os que mais sofrem com o problema. Um acesso justo e igualitário à terra e à água e uma participação real das populações locais nos processos de decisão fazem parte do direito humano ao alimento, reconhecido pelo direito internacional. Isso é o que todo governo tem que garantir, conclui o especialista Heere.




Fontes:

alerta.inf.br

Deutsche Welle
- Autora: Ulrike Mast-Kirschning Revisão: Simone Lopes

www.dw-world.de/dw/0,,607,00.html

Flora Ecopower
www.floraecopower.com

Banco Mundial
www.worldbank.org

Fian
www.fian.org

O Império anglo-americano em rota para o Brasil

O renomado Conselho de Relações Exteriores de Nova York (CFR), o principal centro de pensamento estratégico do establishment dos EUA, acaba de divulgar o relatório «Global Brazil and US-Brazil Relations» («Brasil Global e Relações EUA-Brasil»), no qual propõe diretrizes para a política estadunidense para com o País e, igualmente, explicita a visão dos autores sobre a posição brasileira no cenário global, no futuro próximo. A importância do documento pode ser aquilatada pelos autores, uma força-tarefa independente de luminares do establishment encabeça da por Samuel W. Bodman, ex-secretario de Energia do governo Bush filho (2005-09) e James D. Wolfensohn, ex-presidente do Banco Mundial (1995-2005).



Apoio duvidoso

Um leitor desavisado do documento poderia ter a impressão de que o velho sonho de consumo da elite política e diplomática brasileira, um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), estaria a ponto de fazer-se realidade. Logo de início, o texto afirma:

«A Força-Tarefa recomenda que o governo Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Força-Tarefa incentiva o governo a considerar as importantes dimensões regionais, multilaterais e de governança global de um tal passo, na medida em que engaje o Brasil em um intenso diálogo sobre este assunto.»

Puxando o saco do Brasil…

O relatório também ressalta o papel de Brasil como “ator global”, em função da importância da economia brasileira, especialmente, em função do crescimento populacional, seu enorme potencial de recursos naturais, especialmente na área energética – hídrica, petrolífera e nuclear – potencial de produção alimentícia e papel emergente no assuntos da ordem mundial, com ênfase em sua projeção frente à África.

Segundo o texto, «devido às massas terrestres, economias, populações e base de recursos de ambos os países, o Brasil e os EUA interagem, necessariamente, em um mundo crescentemente globalizado e multipolar».

Amigos da onça

Entretanto, antes de se aprofundar a análise do contexto estratégico em que se inscreve o relatório do CFR, deve-se destacar que a proposta da inclusão do Brasil no clube dos membros permanentes do CSNU, não é apenas um reconhecimento objetivo da importância global do País, mas tem embutida uma intenção manifesta de cooptá-lo para um projeto de reestruturação do poder mundial em que permanecem intocados os axiomas fundamentais do atual sistema global. Por exemplo, o documento sequer menciona a crise do sistema financeiro e bancário internacional, que tem sido a base da hegemonia anglo-americana no cenário internacional e, na realidade, é o principal item de uma agenda de reformas necessária para proporcionar uma verdadeira mudança da ordem de poder mundial. E, muito menos, cita o inevitável recuo estratégico anglo-americano diante do visível fracasso das intervenções militares na Ásia Central e no Oriente Médio, que coloca em xeque a expansão da sua estratégia hegemônica baseada no controle de recursos naturais – diante da qual é bastante conveniente a opção de cooptar o Brasil como alternativa para o fornecimento desses recursos.

Nada de novo no front…

Assim, o CFR, ainda que aceite formalmente a realidade de um mundo multipolar, não abre mão da pretensão de perpetuar o esquema hegemônico baseado no sistema de “livre comércio” e no controle dos fluxos monetários e financeiros, que tem prevalecido desde a emergência e a consolidação da Inglaterra como poder colonial, no final do século XVII e início do XVIII. Sem uma reforma do sistema de bancos centrais “independentes”, que surgiu com a criação do Banco de Inglaterra, em 1694, e a devolução aos governos nacionais da prerrogativa de emissão da moeda e do crédito, em paralelo com uma drástica redução do financiamento dos Estados nacionais pela emissão de títulos de dívida, nenhuma proposta de reformas globais pode ser levada a sério, nem terá qualquer impacto duradouro sobre a estrutura de crises em curso.

Presente de grego…

Em vez disso, o relatório deixa claro que a oligarquia anglo-arnericana gostaria de enquadrar o Brasil no molde de um grande exportador de matérias-primas e uma “potência ambiental”, que abra mão da utilização plena dos seus recursos naturais para o desenvolvimento interno soberano do País e da América do Sul,pelo processo de integração regional. Neste particular, é relevante que, enquanto ignora a necessidade de um aprofundamento qualitativo e quantitativo da industrialização do País, o documento destaque o potencial de exportação de produtos primários – energia e alimentos – e a autoirnposição de uma draconiana legislação ambiental, que nenhum país industrializado adotou, a começar pelos próprios EUA. Tal tendência é explicitada no trecho a seguir:

«A floresta amazônica é, em si própria, um valioso recurso, que recicla dióxido de carbono para produzir mais de 20% do oxigênio do mundo.»

Entre as propostas de atuação conjunta, o documento sugere:

«Há um amplo escopo para que os EUA e o Brasil trabalhem juntos para melhorar as capacidades de modelagem e coleta de dados climáticos, particularmente na Região Amazônica … Esses esforços bilaterais ajudariam ainda mais a aprimorar as ambições brasileiras nas ciências e tecnologias espaciais, ao mesmo tempo em que enfrentariam o desmatamento e as mudanças climáticas e as relações entre eles.»

“Recuerdos” do México

Por outro lado, a oferta de promover o Brasil como “ator global” segue de perto o roteiro utilizado no final da década de 1980 e início da de 1990, para convencer o México a aderir ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), com a promessa de que o país se converteria em um membro destacado do “Primeiro Mundo” – e, ao mesmo tempo, um interlocutor preferencial com as demais nações da América Latina. O resultado desta pregação interna dos governos de Carlos Salinas de Gortari (1988-1994) e Ernesto Zedillo (1994-2000) foi a profunda crise que assola o México, que viu destruída a sua capacidade de produção de alimentos e enfrenta claros riscos de desintegração nacional. Ademais, nenhuma nação da America Latina aceitou a alardeada “liderança diplomática” do México, que passou a ser considerado como pouco mais do que um porta-voz de políticas estadunidenses, como se acaba de constatar com o rotundo fracasso da candidatura do presidente do Banco do México, Agustin Carstens, ao comando do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para o Brasil não seria diferente:

«Com o Brasil como membro permanente do CSNU, o Brasil e os EUA, necessariamente, trabalhariam juntos em todos os desafios importantes nas áreas da segurança internacional, desenvolvimento e questões humanitárias, criando, potencialmente, as condições para uma relação e cooperação bilaterais mais estreitas em uma gama de assuntos ainda mais vasta, inclusive, dentro da região.»

Criando problemas

Ironicamente, o relatório do CFR enfatiza falsamente uma pretensa desconfiança das demais nações da América do Sul com o tamanho do Brasil:

«Ao mesmo tempo, a região se mostra, com frequência, relutante em aceitar o gigante de língua portuguesa como um dos seus. A crescente interdependência entre o Brasil e os seus vizinhos complica ainda mais as distinções e assimetrias, o que se reflete em relações simultaneamente caracterizadas pela ambivalência, indiferença, tensões e deferências … Alguns sul-americanos são cautelosos com o fato de que o Brasil, como um novo hegemon potencial com olhos no poder global, possa não ter consideração pelos interesses da região.»

Com isso, o que não passa de uma falsa suposição no atual ambiente de integração regional, passaria a ser efetivo, se se concretizasse o ingresso do Brasil no CSNU da maneira proposta pelo CFR – não por falta de mérito, mas pela inclusão do País em uma ordem hegemônica global vinculada ao “excepcionalismo” anglo-americano de caráter neocolonial. Neste ponto, a verdadeira emergência do Brasil como ator global passa, necessariamente, pela consolidação e aprofundamento do processo de integração da América do Sul, que deve avançar a um sistema de união aduaneira, para defender o enorme mercado interno regional dos embates depredadores do “livre comércio” globalizado.

Tentando obter aliados

Multipolar, mas só com “livre comércio” A iniciativa do CFR não é nem independente nem isolada, integrando um intenso debate que se trava no interior do establishment, sobre os rumos que a ordem mundial poderá tomar a partir da atual crise financeira e bancária mundial. Isto fica evidente pelo fato de, simultaneamente ao relatório do CFR, uma proposta semelhante vem sendo feita pelo establishment britânico, na linha de elevar o status brasileiro no CSNU. Por exemplo, em 21 e 22 de junho últimos, visitou Brasil o vice-premier britânico Nick Clegg, que transmitiu o recado de Londres:

«O Brasil é hoje uma força global, não apenas por sua riqueza. O país é uma potência arnbiental, sem a qual não pode haver um acordo climático significativo, e tem um papel cada vez maior na segurança internacionaL… Por esse motivo, o Reino Unido ativamente apóia a ambição brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.»

Neocolonialismo

No Rio de Janeiro, em uma visrta à favela do Morro dos Prazeres, um lapso verbal do empolgado Clegg evidenciou os antolhos coloniais usados por certos dignitários britânicos para vislumbrar o Brasil, ao afirmar que gostaria de ver os laços entre os dois países “voltarem ao século XIX, para recuperar as bases de uma relação mais sólida (Notícias Terra, 22/06/2011)” .

Em um contexto mais amplo, em 20 de julho, o vice-chanceler Jeremy Browne proferiu, na Chatham House, um discurso intitulado «Navegando na Nova Ordem Mundial: o Reino Unido e as Potências Emergentes». A entidade, formalmente conhecida como Real Instituto de Assuntos Internacionais (RIIA), é uma instituição basilar do Império Britânico, que desde a década de 1920, juntamente com o CFR (criado à sua imagem e semelhança), integra o núcleo duro do establishment anglo-americano. De fato, a criação deste núcleo marcou a culminação do processo de cooptação dos EUA aos desígnios imperiais britânicos, no âmbito do processo de reformulação do imperialismo clássico, nas primeiras décadas do século XX.

Pretensão inglesa

O discurso de Browne teve como objetivo responder à pergunta: como a Grã-Bretanha, como potência mundial consolidada, deve responder à ascensão das potências emergentes e à nova ordenação de poder mundial que elas estão ensejando?

A resposta proposta por ele envolve três proposições:

«Uma: estamos vivendo uma revolução na ordem global. E esta é uma revolução: eu uso a palavra deliberadamente, não só para provocar. Dois: a Grã-Bretanha não deveria temer automaticamente essa revolução, e tem muitas das qualidades e características necessárias para responder às oportunidades que ela oferece. Mas, de forma crucial, três: para sobreviver, ou melhor ainda, prosperar nesse ambiente revolucionário, a Grã-Bretanha precisa responder com um nível de imaginação e determinação proporcional em escala ao impacto dessa revolução.»

«A História está, estou certo disto, repleta de discursos de ministros do Foreign Office, anunciando que estamos vivendo um período de importantes mudanças globais. Assim sendo, não é sem alguma consideração prévia que faço estas afirmativas hoje. Eu as faço contra o pano de fundo de duas revoluções de proporções sísmicas, que estão ocorrendo no cenário, mundial. A primeira é a Primavera Árabe … Mas, ao lado dessas revoluções “clássicas” óbvias, há uma segunda, menos visível, mais lenta, mas igualmente – de fato, eu diria ainda mais – profunda: a revolução das potências emergentes, que não ocupa as manchetes diariamente.»

A lenga-lenga continua

A resposta de Browne a esse questionamento é bastante reveladora do que o establishment anglo-arnericano pretende preservar nas mudanças da ordem mundial:

«Nunca o mundo foi tão interconectado. E nunca ele esteve a ponto de se transformar em tão multipolar. A combinação dessas duas condições nos apresenta desafios inusitados. Mas também oferece oportunidades inusitadas … e uma vez que estamos em terreno não mapeado, é importante nos aferrarmos a certos princípios chave, os pontos cardeais da nossa política. São estes três que considero os mais fundamentais: primeiro, o livre comércio e a mentalidade orientada ao exterior que o embasa; segundo, os nossos valores e as liberdades mais amplas que fundamentam o livre comércio e as sociedades livres; e terceiro, os singulares pontos de venda da Grã-Breranha, que nos dão a chance de transformar essa revolução em nossa oportunidade.»

Para não deixar qualquer dúvida, Browne reafirma que «devemos assegurar-nos de não esquecer de que o livre comércio é central para a dinâmica que está reconfigurando a ordem mundial».

A insistência no laissez-faire

A insistência em colocar o sistema de “livre comércio” no núcleo a ser preservado dentro da reorganização da estrutura do poder global significa que as oligarquias hegemônicas que controlam o sistema financeiro mundial não estão dispostas a abrir caminho pacificamente ao advento de uma nova ordem substancialmente diferente do sistema que surgiu na consolidação da hegemonia mundial anglo-holandesa, ao final do século XVII. Vale recordar que, em uma espécie da pré-história do sistema de “livre comércio”, enquadrava-se a pirataria, uma guerra naval irregular, por meio da qual as potências coloniais emergentes, Holanda e Inglaterra, minaram o poder econômico e financeiro do Império espanhol. A paz de Utrecht, em 1713, marcou a vitória das potências protestantes, Holanda e Inglaterra, sobre sua rival católica, a Espanha dos Habsburgo. A partir daí, predominou a hegemonia inglesa, baseada no “livre comércio” e no domínio dos oceanos.

O Brasil tem que sair dessa

A pirataria foi a forma incipiente do sistema de “livre comércio”. mais tarde institucionalizado pelo sistema de bancos centrais “independentes”, a partir da criação do Banco da Inglaterra. Isto, e não simplesmente uma crise cíclica do capitalismo, é o que está no núcleo da presente crise mundial. É evidente que a própria maneira de pensar, isto é, os sistemas de conceituação predominantes, estão em profunda crise e, portanto, não está claro para as elites hegemônicas um rumo certo e definido. É esta crise que está permitindo a emergência de novos atores, entre eles o Brasil, que podem conduzir uma verdadeira revolução, para corrigir efetivamente os rumos da Civilização, fora das matrizes coloniais livrecambistas.

Portanto, não é o eventual reconhecimento das potências hegemônicas que poderá levar o Brasil e as outras potências emergentes à condição de protagonistas da reconstrução da Civilização universal. As nações devem estar conscientes de que uma nova realidade mundial está para surgir, na qual os valores inalienáveis do homem, como a vida, a liberdade e a busca da felicidade, como estabelecido na Declaração da Independência dos EUA, juntamente com os princípios do Estado nacional soberano, deverão ser as bússolas que orientarão o processo civilizatório ao longo do século XXI.

Lorenzo Carrasco

Solidariedade Ibero-americana




Fonte: blogdoambientalismo, postado por Husc
Imagem: google

Quem somos nós? Bárbaros ou "Civilizados"

Immanuel Wallerstein, provocador: capitalismo está condenado: resta saber quê irá substituí-lo.
Transição não será apocalíptica: dependerá das escolhas que fizermos agora


O Tempo em que podemos mudar o mundo

Entrevista a Sophie Shevardnadze

Tradução: Daniela Frabasile

A entrevista durou pouco mais de onze minutos, mas alimentará horas de debates em todo o mundo e certamente ajudará a enxergar melhor o período tormentoso que vivemos. Aos 81 anos, o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein, acredita que o capitalismo chegou ao fim da linha: já não pode mais sobreviver como sistema. Mas – e aqui começam as provocações – o que surgirá em seu lugar pode ser melhor (mais igualitário e democrático) ou pior (mais polarizado e explorador) do que temos hoje em dia.

Estamos, pensa este professor da Universidade de Yale e personagem assíduo dos Fóruns Sociais Mundiais, em meio a uma bifurcação, um momento histórico único nos últimos 500 anos. Ao contrário do que pensava Karl Marx, o sistema não sucumbirá num ato heróico. Desabará sobre suas próprias contradições. Mas atenção: diferente de certos críticos do filósofo alemão, Wallerstein não está sugerindo que as ações humanas são irrelevantes.

Ao contrário: para ele, vivemos o momento preciso em que as ações coletivas, e mesmo individuais, podem causar impactos decisivos sobre o destino comum da humanidade e do planeta. Ou seja, nossas escolhas realmente importam. “Quando o sistema está estável, é relativamente determinista. Mas, quando passa por crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante.”

É no emblemático 1968, referência e inspiração de tantas iniciativas contemporâneas, que Wallerstein situa o início da bifurcação. Lá teria se quebrado “a ilusão liberal que governava o sistema-mundo”. Abertura de um período em que o sistema hegemônico começa a declinar e o futuro abre-se a rumos muito distintos, as revoltas daquele ano seriam, na opinião do sociólogo, o fato mais potente do século passado – superiores, por exemplo, à revolução soviética de 1917 ou a 1945, quando os EUA emergiram com grande poder mundial.


Há exatamente dois anos, você disse ao RT que o colapso real da economia ainda demoraria alguns anos. Esse colapso está acontecendo agora?

Não, ainda vai demorar um ano ou dois, mas está claro que essa quebra está chegando.

Quem está em maiores apuros: Os Estados Unidos, a União Europeia ou o mundo todo?

Na verdade, o mundo todo vive problemas. Os Estados Unidos e União Europeia, claramente. Mas também acredito que os chamados países emergentes, ou em desenvolvimento – Brasil, Índia, China – também enfrentarão dificuldades. Não vejo ninguém em situação tranquila.

Você está dizendo que o sistema financeiro está claramente quebrado. O que há de errado com o capitalismo contemporâneo?

Essa é uma história muito longa. Na minha visão, o capitalismo chegou ao fim da linha e já não pode sobreviver como sistema. A crise estrutural que atravessamos começou há bastante tempo. Segundo meu ponto de vista, por volta dos anos 1970 – e ainda vai durar mais uns vinte, trinta ou quarenta anos. Não é uma crise de um ano, ou de curta duração: é o grande desabamento de um sistema. Estamos num momento de transição. Na verdade, na luta política que acontece no mundo — que a maioria das pessoas se recusa a reconhecer — não está em questão se o capitalismo sobreviverá ou não, mas o que irá sucedê-lo. E é claro: podem existir duas pontos de vista extremamente diferentes sobre o que deve tomar o lugar do capitalismo.

Qual a sua visão?

Eu gostaria de um sistema relativamente mais democrático, mais relativamente igualitário e moral. Essa é uma visão, nós nunca tivemos isso na história do mundo – mas é possível. A outra visão é de um sistema desigual, polarizado e explorador. O capitalismo já é assim, mas pode advir um sistema muito pior que ele. É como vejo a luta política que vivemos. Tecnicamente, significa é uma bifurcação de um sistema.

Então, a bifurcação do sistema capitalista está diretamente ligada aos caos econômico?

Sim, as raízes da crise são, de muitas maneiras, a incapacidade de reproduzir o princípio básico do capitalismo, que é a acumulação sistemática de capital. Esse é o ponto central do capitalismo como um sistema, e funcionou perfeitamente bem por 500 anos. Foi um sistema muito bem sucedido no que se propõe a fazer. Mas se desfez, como acontece com todos os sistemas.

Esses tremores econômicos, políticos e sociais são perigosos? Quais são os prós e contras?

Se você pergunta se os tremores são perigosos para você e para mim, então a resposta é sim, eles são extremamente perigosos para nós. Na verdade, num dos livros que escrevi, chamei-os de “inferno na terra”. É um período no qual quase tudo é relativamente imprevisível a curto prazo – e as pessoas não podem conviver com o imprevisível a curto prazo. Podemos nos ajustar ao imprevisível no longo prazo, mas não com a incerteza sobre o que vai acontecer no dia seguinte ou no ano seguinte. Você não sabe o que fazer, e é basicamente o que estamos vendo no mundo da economia hoje. É uma paralisia, pois ninguém está investindo, já que ninguém sabe se daqui a um ano ou dois vai ter esse dinheiro de volta. Quem não tem certeza de que em três anos vai receber seu dinheiro, não investe – mas não investir torna a situação ainda pior. As pessoas não sentem que têm muitas opções, e estão certas, as opções são escassas.

Então, estamos nesse processo de abalos, e não existem prós ou contras, não temos opção, a não ser estar nesse processo. Você vê uma saída?

Sim! O que acontece numa bifurcação é que, em algum momento, pendemos para um dos lados, e voltamos a uma situação relativamente estável. Quando a crise acabar, estaremos em um novo sistema, que não sabemos qual será. É uma situação muito otimista no sentido de que, na situação em que nos encontramos, o que eu e você fizermos realmente importa. Isso não acontece quando vivemos num sistema que funciona perfeitamente bem. Nesse caso, investimos uma quantidade imensa de energia e, no fim, tudo volta a ser o que era antes. Um pequeno exemplo. Estamos na Rússia. Aqui aconteceu uma coisa chamada Revolução Russa, em 1917. Foi um enorme esforço social, um número incrível de pessoas colocou muita energia nisso. Fizeram coisas incríveis, mas no final, onde está a Rússia, em relação ao lugar que ocupava em 1917? Em muitos aspectos, está de volta ao mesmo lugar, ou mudou muito pouco. A mesma coisa poderia ser dita sobre a Revolução Francesa.

O que isso diz sobre a importância das escolhas pessoais?

A situação muda quando você está em uma crise estrutural. Se, normalmente, muito esforço se traduz em pouca mudança, nessas situações raras um pequeno esforço traz um conjunto enorme de mudanças – porque o sistema, agora, está muito instável e volátil. Qualquer esforço leva a uma ou outra direção. Às vezes, digo que essa é a “historização” da velha distinção filosófica entre determinismo e livre-arbítrio. Quando o sistema está relativamente estável, é relativamente determinista, com pouco espaço para o livre-arbítrio. Mas, quando está instável, passando por uma crise estrutural, o livre-arbítrio torna-se importante. As ações de cada um realmente importam, de uma maneira que não se viu nos últimos 500 anos. Esse é meu argumento básico.

Você sempre apontou Karl Marx como uma de suas maiores influências. Você acredita que ele ainda seja tão relevante no século 21?

Bem, Karl Marx foi um grande pensador no século 19. Ele teve todas as virtudes, com suas ideias e percepções, e todas as limitações, por ser um homem do século 19. Uma de suas grandes limitações é que ele era um economista clássico demais, e era determinista demais. Ele viu que os sistemas tinham um fim, mas achou que esse fim se dava como resultado de um processo de revolução. Eu estou sugerindo que o fim é reflexo de contradições internas. Todos somos prisioneiros de nosso tempo, disso não há dúvidas. Marx foi um prisioneiro do fato de ter sido um pensador do século 19; eu sou prisioneiro do fato de ser um pensador do século 20.

Do século 21, agora.

É, mas eu nasci em 1930, eu vivi 70 anos no século 20, eu sinto que sou um produto do século 20. Isso provavelmente se revela como limitação no meu próprio pensamento.

Quanto – e de que maneiras – esses dois séculos se diferem? Eles são realmente tão diferentes?

Eu acredito que sim. Acredito que o ponto de virada deu-se por volta de 1970. Primeiro, pela revolução mundial de 1968, que não foi um evento sem importância. Na verdade, eu o considero o evento mais significantes do século 20. Mais importante que a Revolução Russa e mais importante que os Estados Unidos terem se tornado o poder hegemônico, em 1945. Porque 1968 quebrou a ilusão liberal que governava o sistema mundial e anunciou a bifurcação que viria. Vivemos, desde então, na esteira de 1968, em todo o mundo.

Você disse que vivemos a retomada de 68 desde que a revolução aconteceu. As pessoas às vezes dizem que o mundo ficou mais valente nas últimas duas décadas. O mundo ficou mais violento?

Eu acho que as pessoas sentem um desconforto, embora ele talvez não corresponda à realidade. Não há dúvidas de que as pessoas estavam relativamente tranquilas quanto à violência em 1950 ou 1960. Hoje, elas têm medo e, em muitos sentidos, têm o direito de sentir medo.

Você acredita que, com todo o progresso tecnológico, e com o fato de gostarmos de pensar que somos mais civilizados, não haverá mais guerras? O que isso diz sobre a natureza humana?

Significa que as pessoas estão prontas para serem violentas em muitas circunstâncias. Somos mais civilizados? Eu não sei. Esse é um conceito dúbio, primeiro porque o civilizado causa mais problemas que o não civilizado; os civilizados tentam destruir os bárbaros, não são os bárbaros que tentam destruir os civilizados. Os civilizados definem os bárbaros: os outros são bárbaros; nós, os civilizados.

É isso que vemos hoje? O Ocidente tentando ensinar os bárbaros de todo o mundo?

É o que vemos há 500 anos.



Fontes: outraspalavras.net (As declarações foram colhidas no dia 4 de outubro pela jornalista Sophie Shevardnadze, que conduz o programa Interview na emissora de televisão russa RT (abaixo). A transcrição e a tradução para o português são iniciativas de Outras Palavras.)

Imagem: google


domingo, 16 de outubro de 2011

A OTAN na “Ilha da Guiana”?


Por Husc em 9 outubro, 2011

No domingo 2 de outubro, o embaixador da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, surpreendeu ao afirmar que os opositores do presidente Hugo Chávez gostariam de ver a disputa territorial do país com a Guiana escalar para um confronto militar, para provocar uma intervenção externa dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Absurdo previsível

Em uma entrevista à televisão estatal venezuelana, ele afirmou:

«É uma questão eleitoral: a oposição não tem chances de ganhar, por isso está desesperada e até feliz com um conflito bélico. Querem que terceiros solucionem seu problema eleitoral. Quem sabe, não podemos ver aviões de guerra decolando de Curaçao, Aruba, Bonaire e Porto Rico e de outras ilhas caribenhas sob soberania europeia e americana? Os antichavistas sonham que aconteça aqui algo parecido com a Líbia.» (Efe, 2/10/2011)

O diplomata afirmou que Chávez deve tomar cuidado para não se deixar envolver por «provocações imperialistas», pois seus opositores sonham com uma guerra e, em tal ambiente, a Guiana poderia ser levada a pedir uma intervenção da OTAN ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A velha briga por petróleo…

As declarações de Chaderton se deram em resposta às críticas da oposição venezuelana de que Caracas estaria fazendo “corpo mole” em relação à pretensão de Georgetown quanto a uma extensão dos direitos de exploração exclusiva da plataforma marítima do país, em uma área contestada pela Venezuela. Uma declaração do bloco Mesa da Unidade Democrática (MUD) chegou a acusar o governo [venezuelano] de ser «incapaz de defender os interesses nacionais», e condenou o que chamou de uma política externa “submissa” e exigiu um “protesto” contra o governo guianense (Venezuelanalysis.com, 3/10/2011).

No início de setembro, o governo da Guiana apresentou à ONU um pedido de extensão da sua zona de exploração marítima, provocando a reação imediata da Venezuela. Na sexta-feira 30 de setembro, o chanceler Nicolás Maduro e sua colega guianense Carolyn Rodrigues-Birkett se reuniram em Port of Spain, Trinidad e Tobago, para discutir o assunto. Embora não tenha havido avanços quanto às posições de ambos os países, houve um entendimento do gênero “concordamos em discordar”, expresso na declaração conjunta assinada pelos dois chanceleres:

«Ambos os ministros reconheceram que a delimitação das fronteiras marítimas entre os dois Estados permanece um assunto não resolvido e concordaram em que tal solução irá requerer negociações.»

Cinismo diplomático

Por outro lado, a declaração ressalta «as soberbas relações desenvolvidas entre os dois países e reiterou o seu compromisso de manter este nível» – mencionando o fato de que ambos «desenvolvem projetos de cooperação em diversas áreas e fortalecem a sua integração em mecanismos como a União de Nações Sul-americanas (Unasul), Petrocaribe e a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CLACS), com a convicção de que os laços que as unem superam o seu legado de divisões herdado do colonialismo».

Polêmica centenária

Desde 1963, a Venezuela contesta na ONU a validade de um laudo arbitral de 1899, que atribuiu à então Guiana Inglesa uma área de quase 168 mil quilômetros quadrados – a região do Essequibo – que representa quase dois terços do território guianense e foi mantido após a independência do país do Reino Unido, em 1966.

Em 1968, a Venezuela apoiou a chamada Sublevação de Rupununi, quando fazendeiros e camponeses equipados com armas fornecidas por Caracas promoveram um levante de três dias contra o governo socialista de Georgetown. Na ocasião, um fator decisivo para o fracasso do levante foi a atitude do Brasil, que ordenou uma imediata mobilização de forças terrestres para a fronteira e o deslocamento de aviões de combate para a Base Aérea de Boa Vista (RR).

Alerta, Brasil!

Embora seja improvável que Hugo Chávez ou algum sucessor se decida por solucionar o contencioso com a Guiana com o uso da força, a sua simples existência deve ser motivo de atenção, especialmente, do Brasil. Em um quadro global marcado pelo empenho das potências hegemônicas do Hemisfério Norte em dominar regiões ricas em recursos naturais, se preciso, manu militari, como se viu na Líbia, o cenário de uma eventual intervenção da OTAN no Caribe ou na “Ilha da Guiana” não pode ser tomado propriamente como delirante, mas algo a ser considerado em planos de contingência.

Interesse oligárquico antigo

A denominação “Ilha da Guiana” foi dada por estrategistas coloniais britânicos e holandeses à região delimitada pelos rios Orenoco, Cassiquiare, Negro e Amazonas, e até hoje a região é alvo de um elevado interesse pelo movimento ambientalista-indigenista internacional, que atua como instrumento neocolonial a serviço daquelas potências. O estado de Roraima se situa no centro da “ilha”, pelo que a reserva indígena Raposa Serra do Sol, localizada na tríplice fronteira Brasil-Guiana-Venezuela, adquire uma importância estratégica singular.


Certamente, não foi coincidência o fato de que a região tenha sido citada pelo general (R1) Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-diretor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e ex-secretário-geral do Exército, em uma audiência promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, em Brasília, em 3 de outubro. A mensagem geral transmitida no evento foi a de que, embora não se identifique nenhuma ameaça concreta de curto prazo à integridade nacional, o Brasil precisa levar em conta as ameaças potenciais para traçar a sua estratégia de segurança nacional.


Roraima e Amazonas ameaçados

Em seu depoimento, Rocha Paiva alertou para o fato de que «as áreas de fricção» internacionais começam a se aproximar da costa ocidental da África e do Atlântico Sul. Segundo ele, é necessária uma estratégia para proteger os recursos naturais brasileiros e Roraima já pode ser considerado um alvo de ameaça, assim como a região da foz do Amazonas. Ele lembrou ainda a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa e com o Suriname e a Guiana, ambos muito ligados a potências europeias que integram a OTAN.

«As Guianas são uma cabeça de ponte da OTAN. Precisamos encarar os conflitos enquanto eles são ainda apenas possíveis e fazer o possível para que não se tornem prováveis, pois aí já seria tarde demais. Defesa não se improvisa.» — disse ele (Jornal do Senado, 3/10/2011).


Agressividade da OTAN

Outro debatedor que ressaltou o papel da OTAN foi João Quartim de Moraes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para ele, a Aliança Atlântica se fortaleceu após o fim da Guerra Fria e tem mostrado «maior agressividade do que tinha mostrado até então». Em vez do período de paz que se esperava no início da década de 1990, afirmou, teve início uma «sequência quase ininterrupta de agressões abertas e descaradas», como parte do que chamou «recolonização planetária» pela organização.

«É perceptível uma ameaça ao Brasil do bloco da OTAN? Não. Mas devemos desencorajar expectativas de alguém que queira apoderar-se daquilo que nós temos e os demais não têm. Ou então renunciamos à política externa independente.» — concluiu.



Movimento de Solidariedade Íbero-americana



Fonte: Blog do Ambientalismo






O Vampiresco "Império" Falido necessita de mais sangue para sobreviver?



Estados Unidos ameaçam Irã com medidas duras




Os Estados Unidos não excluem “nenhuma opção” nas ações contra o Irã – anunciou o presidente Barack Obama em coletiva de imprensa convocada na Casa Branca. Washington, que acusa Teerã de atividades terroristas, deseja obter da comunidade internacional apoio para as medidas mais drásticas contra aquele país.





O presidente americano não especificou o que significam as “várias opções”. Desde já, porém, está claro que se trata de medidas repressivas, não se excluindo um ataque militar, indica Vladimir Issaiev, do Instituto de Estudos Orientais junto à Academia de Ciências da Rússia. E continua:

As palavras de Barack Obama parecem bastante sérias porque, se o presidente do país mais forte no aspeto militar anuncia a possibilidade de adoção de quaisquer ações, não se pode excluir nada, nem sequer ações militares.

Isso é possível especialmente considerando que Washington já está habituada a resolver questões políticas externas pela força das armas. Somente nos últimos decênios, aconteceu na Iugoslávia, no Iraque, no Afeganistão e na Líbia. E desde há muito que os Estados Unidos estão alimentando uns planos semelhantes em relação ao Irã – sublinha Evgueni Satanovski, presidente do Instituto de Estudos do Próximo Oriente.

E continua:

Durante a presidência de George Bush Júnior, algumas variantes já haviam sido examinadas. Uma, que pressupunha a destruição do complexo nuclear iraniano e de suas defesas antiaéreas. A segunda pressupunha a destruição das instalações militares mais importantes do Irã, dos alvos pertencentes ao corpo dos “Guardiões da Revolução Islâmica”, dos mísseis e do complexo nuclear. E mais uma, pela qual o Irã perderia pura e simplesmente a condição de país industrial e passaria à de país pré-industrial, porque seriam arrasadas todas as unidades energéticas, metalúrgicas, militares, defensivas, todos os aeródromos, todas as pontes e estradas.

Hoje em dia, qualquer desses cenários pode ser levado à prática por intermédio de uma “guerra sem contato”, ou seja, sem entrar no território iraniano. Todavia, esse esquema não será praticável se não for sancionado pelas Nações Unidas. Todavia, para obter a aprovação da comunidade internacional, é preciso apresentar provas irrefutáveis da culpa do Irã. Seu Governo rechaça todas as acusações. Os Estados Unidos, entretanto, afirmam possuírem fatos imbatíveis do envolvimento dos dirigentes iranianos na conspiração armada para matar Adel al-Jubeir, embaixador da Arábia Saudita em Washington.

No intuito de puxar para seu lado os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os Estados Unidos mantiveram consultas individuais com cada um dos representantes permanentes. E enviaram a Moscou e Beijing, os mais incrédulos de todos, grupos de peritos com documentos capazes, em seu entender, de tirar todas as dúvidas e convencer os referidos países da política terrorista do Irã.

Entretanto, a Agência Internacional de Energia Atômica ameaçou publicar um relatório a constatar inequivocamente a orientação militar do programa atômico iraniano.

A notícia é comentada pelo orientalista russo Vladimir Issaiev:

Acontece que o Irã, com sua história em torno do programa nuclear, já deixou toda a comunidade internacional aborrecida. Ou esse país recebe delegações enviadas para inspecionar as atividades realizadas em suas instalações nucleares, ou não lhes dá acesso. A situação vai-se arrastando desde há muito, não podendo ninguém compreender o que é que lá se passa na verdade. Diante dessas incertezas todas, portanto, muitos analistas consideram ser a política do Irã uma mera tentativa de ganhar tempo e construir, na realidade, saiba-se lá o quê, para que depois ninguém ouse tocar nisso.

A posição assumida por Moscou a esse respeito não tem mudado. Para que sejam tomadas quaisquer decisões e implantadas quaisquer sanções, são necessárias provas firmes. Enquanto existirem só suspeitas, não se pode colocar a população civil desse país sob ameaça. Se, todavia, se verificar que o Irã está deveras implicado no terrorismo ou está criando a bomba atômica, então será outra conversa, naturalmente.



Fonte: Voz da Rússia, Plano Brasil


sábado, 15 de outubro de 2011

A Fome é a maior arma de destruição

O ex-presidente Lula recebeu na noite desta quinta-feira (13) o prêmio World Food Prize, um reconhecimento aos esforços do seu governo no combate à fome e à pobreza no Brasil.

"Lutar pela vida e não pela morte. Porque a Fome é a arma de destruição de massas mais poderosa e mais perigosa que qualquer outra arma no mundo. A Fome mata crianças. Esta é a guerra que os governantes de todos os países deveriam declarar."

Vladmir Putin: "Preparem-se Para o Armagedon"



10 Outubro, 2011
Mídia: European Union Times (tradução E.M.Pinto)

Um relatório muito pessimista produzido pelo Serviço de Segurança Federal – FSB ( agência russa de inteligência que sucedeu o KGB) sobre o plano do primeiro-ministro Putin na reunião com o líder chinês Hu Jintao, em Pequim na próxima semana, alerta que forças militares russas e da China estão ambas sendo colocadas em “estado de alerta”, antecipando-se a uma invasão terrestre que crêem que os EUA estão planejando criar tanto no Oriente Médio quanto na Ásia Central.
Os planos para esta “guerra mundial total “que os Estados Unidos estão se preparando para lançar, foi revelada pela primeira vez pelo ex-mercenário contratado da Blackwater, Bryan Underwood, atualmente detido pelas as autoridades dos EUA por espionagem.

Poucas horas depois da leitura dos planos de Putin para os iminentes planos dos EUA para a Grande Guerra Mundial Total, diz o relatório, o jornal Izvestia escreveu um artigo estranho (Putin publica um artigo intitulado “Governo Russo propõe União Eurasiática“) e ordenou que o FSB notificasse o MSS (Ministério de Segurança da China) da prisão e detenção de seu espião She-Niyun Tun, que foi capturado no ano passado por tentar roubar segredos sobre os sistema de mísseis avançados ( “sistema de mísseis terra-ar S 300, de longo alcance “) da Rússia.

O relatório menciona de forma detalhada, as ações do "Novo Grande Jogo" que os americanos estão planejando e estão causando medo na Rússia e na China, que incluem:

1) Implosão deliberada da economia americana e as economias européias, a fim de destruir o sistema financeiro global que esta em estado de funcionamento desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

2) A liberação de uma grande guerra convencional dos Estados Unidos e da União Européia contra o continente americano, incluindo África e da Ásia para o Oriente Médio.

3) Durante a guerra aberta e total, a liberação de agentes de guerra biológica para matar milhões se não bilhões de civis inocentes.

4) No auge da guerra, os Estados Unidos e seus aliados convocariam a paz e apelariam para a criação de uma nova ordem mundial para evitar a total destruição do nosso planeta.

Na semana passada, uma fonte não identificada do Departamento de Defesa (DOD) advertiu que o regime de Obama estava se preparando para uma guerra “tanque contra tanque” e que as forças militares dos EUA estão “esperando algo convencional e grande que pode acontecer, tudo relativamente em um futuro não muito longo”.

Com relação a quão perto essa guerra pode estar, o relatório do FSB diz que será “mais cedo que mais tarde“, porque os americanos têm pré-posicionados no Iraque, cerca de 2.000 de seus carros de combate Abrams M1, têm outros 2.000 deles pré-posicionados no Afeganistão e que liga o Oriente Médio e Ásia, também foram colocados nos teatros de guerra dezenas de milhares de outros veículos blindados.

A “peça final” para a ativação desta grande força armada, e preparado para entrar como um punhal no coração da Ásia e do Oriente Médio, diz o FSB, chamado de "mobilização total" de mais de 1,5 milhões reservistas, podem ser chamados a “qualquer momento” pois, por estar em guerra os Estados Unidos atualmente não necessitam de autorização do Congresso para expandir suas áreas de operação.

Importante destacar, o plano dos EUA para a dominação global através da guerra maciça é que ele não é, de fato, nenhum segredo, como revelado (surpreendentemente) no décimo aniversário do ataque de 11 de Setembro contra os Estados Unidos quando o National Security Archive divulgou um memorando escrito pelo ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld, em setembro de 2001, no qual ele alertou: “Se a guerra não mudar significativamente o mapa político do mundo, os Estados Unidos não chegarão ao seu objetivo.”

O "objetivo" dos Estados Unidos de entrar em sua guerra contra o mundo, diz o FSB, é evitar “a todo custo” a implosão do dólar e dos EUA como a principal reserva para o sistema econômico atual, antes que se estabeleça a “Nova Ordem Mundial”, criada pelo Ocidente.

A primeira ameaça para o “plano mestre” dos norte-americanos para a sua hegemonia global chegou em novembro de 2000 quando o ex-líder iraquiano Saddam Hussein parou de aceitar o dólar para o petróleo e, em vez disso, disse que seu país aceitaria apenas Euros.
Em um prazo de 10 meses, os Estados Unidos foram atacados e utilizaram isso como uma desculpa para derrubar Hussein e restaurar o dólar como principal moeda de reserva global.

Curiosamente, o fracasso do plano do ex-líder da Líbia, Gaddafi, de fazer do Dinar, uma moeda única africana, que serviria como uma alternativa ao dólar e que permitiria que as nações Africanas compartilhassem suas riquezas, igual ao "plano" de Saddan Hussein no Iraque, provocou uma invasão rápida e brutal dos EUA e seus aliados ocidentais para evitar que isso acontecesse.

A única nação que conseguiu exitosamente abandonar o dólar foi o Irã, que desde fevereiro de 2009 deixou a moeda dos EUA optando por valorizar seu petróleo e gás em Euros .
O Irã, no entanto, contrário ao Iraque e a Líbia, não tem sido atacado, os iranianos compraram da
Ucrânia 6 a 10 mísseis nucleares X-55 armado (com alcance de 3.000 km -2.000 milhas) em 2005. (Nota: O ex-presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, disse que os mísseis vendidos para o Irã não contêm ogivas nucleares, uma afirmação contestada pelo FSB indicando que eles estavam armados e "pronto a disparar").

Além disso, o FSB indica que tanto Putin quanto Hu estavam “indignados” pela trapaça do Ocidente em relação à Líbia, após o regime de Obama dar “garantias absolutas” de que eles não tinham planejado uma invasão desse país, quebrando a sua palavra.

Por sua vez, a Rússia e a China, frustaram a tentativa de levar um plano de uma nova guerra do Ocidente na semana passada, vetando o plano apoiado pelos EUA no Conselho de Segurança das Nações Unidas para transformar a Síria em outra Líbia.

Como os americanos ficaram furiosos, a sua embaixadora Susan Rice, deixou a reunião de forma
prematura, tendo falhado no seu intento.

Ainda pior para o plano do Ocidente na sua guerra contra a Síria é que o presidente advertiu esta semana que, se seu país for atacado pela OTAN, em seis horas, seriam disparados centenas de foguetes contra a cidade densamente povoada de Tel Aviv, que naturalmente, causaria uma reação catastrófica e nuclear.

E em uma ação preventiva para combater a blitzkrieg americana contra a Ásia Central e no Paquistão a partir do Afeganistão, o Comandante do Exército em-chefe Indiano, VK Singh advertiu ontem que milhares de chineses das forças militares mudaram-se para Caxemira ocupada pelo Paquistão, juntando-se cerca de 11.000 soldados já lá instalados, a maioria deles acredita-se, entraram na região no ano passado.

Com respeito à implosão deliberada pelos Estados Unidos da economia global, o FSB também adverte em seu relatório, o que parece “seguro” depois de um novo relatório na semana passada que surgiu a partir de Philippa Malmgren, uma ex-assessora econômico do presidente George W. Bush, observando que a Alemanha está se prepara para abandonar o Euro e ordenou a impressão de Deutch Mark, para substituí-lo.

A coisa mais assustadora de todo o relatório da FSB, no entanto, é a resposta de ontem do comandante supremo das forças armadas russas.
Vladmir Putin, quando perguntado, qual os preparativos que deveriam ser feitos, ele respondeu aos mais altos generais das forças russas: "Preparem-se para o Armagedon"



Fonte: retirado do blog defesabr

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

EUA vai levar um golpe de kung fu da China?


China diz que pressão pode afetar reforma cambial

Em uma resposta desafiadora à aprovação do Senado dos EUA à proposta de pressionar a China para deixar sua moeda se apreciar, o BC chinês determinou hoje uma banda relativamente mais baixa para comercialização do yuan em relação ao dólar, e advertiu que a pressão dos EUA pode expor ainda mais a revisão da taxa de câmbio do país. No longo prazo, o valor da moeda é fixado de acordo com o que o BC determina.

O BC chinês afirmou que a decisão dos EUA de punir a China por causa do valor de sua moeda complica os esforços para liberar gradualmente o yuan de suas restrições pelo governo e deixar que ele seja comercializado mais livremente. "Politizar o assunto yuan não resolve os problemas dos EUA como o déficit fiscal e a elevada taxa de desemprego, mas pode afetar o processo de reforma na taxa de câmbio do yuan que está em andamento", advertiu o BC chinês.


A resposta do BC está alinhada com os protestos de outras autoridades dentro do governo chinês, e Pequim já havia advertido que a aprovação da lei pode desencadear uma guerra comercial. "A lei viola seriamente as regras da OMC e não apenas não resolve os problemas econômicos e de desemprego da América como também inflige dano sério às relações da China com os EUA, e interfere nos esforços dos dois países e da comunidade internacional para reativar a economia global", reiterou o ministro de Relações Exteriores da China.

A lei pode forçar a Casa Branca a ser mais agressiva em relação às tarifas e outras penalidades contra países com moedas "desalinhadas". O projeto visa ajudar as empresas norte-americanas que argumentam que a política de Pequim de manter a moeda desvalorizada em relação ao dólar beneficia os exportadores chineses e funciona como um subsídio comercial. Opositores disseram que se o projeto virar lei, Pequim pode fazer retaliações contra empresas dos EUA baseadas na China.

As informações são da Dow Jones.

Castigar a China???




China exorta EUA a deterem projeto cambial protecionista


PEQUIM - A China exortou o governo Obama a bloquear um projeto de lei destinado a pressionar Pequim a elevar o valor do iuan, aumentando o risco de novas tensões entres as duas maiores economias do mundo, ainda que os alertas de "guerra comercial" continuem sendo só conversa.

Os esforços de Washington para dobrar os chineses podem ter o efeito oposto, pelo menos por hora. Investidores em moeda já estão computando o risco de que a China possa apertar a rédea do iuan para demonstrar seu controle sobre a moeda.

O projeto de lei é uma medida protecionista que "viola gravemente os regulamentos da Organização Mundial do Comércio", disse Ma Zhaoxu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, depois que o Senado dos EUA aprovou o texto por 63 votos a 35 e o enviou para a Câmara.

"A China exorta o governo dos Estados Unidos, o Congresso e todas as partes a se oporem resolutamente ao uso de legislação local para criar uma confusão e fazer pressão na taxa de câmbio renminbi", disse Ma em comentários no site do Ministério (www.mfa.gov.cn).

O "renminbi", ou "moeda do povo", é outro nome para o iuan.

A legislação irá "interromper os esforços conjuntos da China e dos Estados Unidos, assim como da comunidade internacional, para estimular a recuperação vigorosa e o crescimento da economia global", afirmou Ma.

Sua condenação foi ecoada pelo Ministério do Comércio da China e pelo Banco do Povo da China, o banco central chinês, que disse que a taxa de câmbio do iuan é "razoável".

Autoridades chinesas e a mídia alertaram que a legislação pode desencadear uma "guerra comercial" de retaliações mútuas e protecionismo crescente.

A agência de notícias oficial Xinhua afirmou nesta quarta-feira que "o que o Senado dos EUA fez plantou uma bomba-relógio que pode detonar uma potencial guerra comercial".

CASA BRANCA

A Casa Branca, por sua vez, informou nesta quarta-feira que está conversando com legisladores dos EUA para resolver questões sobre o projeto.

"Se a legislação estiver para avançar, essas preocupações serão tratadas devidamente", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, reiterando a opinião de Washington de que a China precisa tomar medidas para desvalorizar o iuan.

O Senado dos Estados Unidos aprovou um controverso projeto de lei para castigar a China por manter sua moeda desvalorizada, num esforço para proteger os empregos norte-americanos, e o enviou à Câmara dos Deputados, onde seu destino é incerto.

Fonte: Reuters


Enfim:

Como vemos, temos todos que nos comportar, senão o "Império" americano falido pode nos CASTIGAR, pois como disse o futuro candidato a presidência da república Mitt Romney: "Deus criou os EUA para que comandasse o mundo".
E coitado daquele que não obedecer, poderá ser castigado, provavelmente as penas do inferno.

Porque será?









Fonte: diplomassinha.com
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