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domingo, 30 de outubro de 2011

Barack Obama o "Filho de África" reclama as jóias da coroa de todo um continente

O "Filho de África" reclama as jóias da coroa de todo um continente

A 14 de Outubro, o presidente Barack Obama anunciou o envio de forças especiais americanas para a guerra civil do Uganda. Nos próximos meses, tropas de combate americanas serão enviadas para o Sudão do Sul, Congo e República Centro-Africana. Obama assegurava também, satiricamente, que estas apenas "actuarão" em "auto-defesa". Com a Líbia securizada, está então em marcha uma invasão americana do continente africano.

A decisão de Obama é descrita pela imprensa como "bastante invulgar", "surpreendente" e até como "esquisita". Nada está mais longe da verdade. É a lógica própria à política externa americana desde 1945. Recordemos o caso do Vietname. A prioridade era então fazer frente à influência da China, um rival imperial, e "proteger" a Indonésia, considerada pelo presidente Nixon a "maior reserva de recursos naturais da região" e como "o maior prémio". O Vietname estava simplesmente no caminho dos EUA; a chacina de mais de 3 milhões de vietnamitas e a destruição e envenenamento daquela terra era o preço a pagar para alcançar este objectivo. Como em todas as invasões americanas posteriores, um rastro de sangue desde a América Latina até ao Afeganistão e ao Iraque, a argumentação era sempre a da "auto-defesa" e do "humanitarismo", palavras há muito esvaziadas do seu significado original.

Em África, diz-nos Obama, a "missão humanitária" é ajudar o governo do Uganda a derrotar o Exército de Resistência do Senhor (LRA), que "assassinou, violou e raptou dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças na África Central". Esta é uma descrição exacta do LRA, que evoca múltiplas atrocidades administradas pelos próprios Estados Unidos, como é disso exemplo o banho de sangue que se seguiu, nos anos 60, ao assassinato perpetrado pela CIA do líder congolês Patrice Lumumba, democraticamente eleito, ou ainda a operação da CIA que instalou no poder aquele que é considerado o mais venal tirano africano, Mobutu Sese Seko.

Outra justificação de Obama também parece ridícula. Esta é a "segurança nacional dos Estados Unidos". O LRA esteve a fazer o seu trabalho sujo durante 24 anos, com interesse mínimo dos Estados Unidos. Hoje ele tem pouco mais de 400 combatentes e nunca esteve tão fraco. Contudo, "segurança nacional" estado-unidense habitualmente significa comprar um regime corrupto e criminoso que tem algo que Washington deseja. O "presidente vitalício" de Uganda, Yoweri Museveni, já recebe a parte maior dos US$45 milhões de "ajuda" militar dos EUA – incluindo os drones favoritos de Obama. Este é o seu suborno para combater uma guerra por procuração contra o mais recente e fantasmático inimigo islâmico da América, o andrajoso grupo al Shabaab na Somália. O RTA desempenhará um papel de relações públicas, distraindo jornalistas ocidentais com as suas perenes histórias de horror.

No entanto, a principal razão para a invasão americana do continente africano não é diferente daquela que levou à guerra do Vietname: É a China. Num mundo de paranóia servil e institucionalizada, que justifica aquilo que o general Petraeus, o antigo comandante norte-americano e hoje director da CIA, chama um estado de guerra perpétua, a China está a substituir a Al-Qaeda como a "ameaça" oficial americana. Quando entrevistei Bryan Whitman, secretário de estado adjunto da Defesa, no Pentágono no ano passado, pedi-lhe para descrever os perigos actuais para os EUA no mundo. Debatendo-se visivelmente repetia: "Ameaças assimétricas … ameaças assimétricas". Estas "ameaças assimétricas" justificam o patrocínio estatal à lavagem de dinheiro por parte da indústria militar, bem como o maior orçamento militar e de guerra da História. Com Osama Bin Laden fora de jogo, é a vez da China.


A África faz parte da história do êxito chinês. Onde os americanos levam drones e destabilização, os chineses levam ruas, pontes e barragens.

O principal interesse são os recursos naturais, sobretudo os fósseis. A Líbia, a maior reserva de petróleo africana, representava durante o governo Kadafi uma das mais importantes fontes petrolíferas da China. Quando a guerra civil começou e a NATO apoiou os "rebeldes" fabricando uma história sobre supostos planos da Kadafi para um "genocídio" em Bengazi, a China evacuou 30 mil trabalhadores da Líbia. A resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiu a "intervenção humanitária" por parte dos países ocidentais, foi sucintamente explicada numa proposta dos "rebeldes" do Conselho Nacional de Transição ao governo francês, divulgada no mês passado pelo jornal Libération, na qual 35% da produção de petróleo Líbia eram oferecidos ao estado francês "em troca" (termo utilizado no texto em questão) do seu apoio "total e permanente" ao CNT. O embaixador americano na Tripoli "libertada" Gene Cretz, confessou: "Sabemos bem que o petróleo é a jóia da coroa dos recursos naturais líbios"



A conquista de facto da Líbia por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados imperiais é o símbolo da versão moderna da "corrida à África" do século XIX.

Tal como na "vitória" no Iraque, os jornalistas desempenharam um papel fundamental na divisão dos líbios entre vítimas válidas e inválidas. Uma primeira página recente do Guardian mostrava um líbio "pró-Kadafi" aterrorizado e os seus captores de olhos brilhantes que, como intitulado, "festejavam". De acordo com o general Petraeus, existe hoje uma guerra da "percepção... conduzida continuamente pelos meios de informação"



Durante mais uma década, os Estados Unidos procuraram estabelecer um comando militar no continente africano, o AFRICOM, mas este foi rejeitado pelos governos da região, receosos das tensões que daí poderiam advir. A Líbia, e agora o Uganda, o Sudão do Sul e o Congo, representam a oportunidade dos Estados Unidos. Como revelou a Wikileaks e o departamento americano de estratégia contra-terrorista (National Strategy for Counterterrorism – White House), os planos americanos para o continente africano são parte de um projecto global, no quadro do qual 60 mil elementos das forças especiais, incluindo esquadrões da morte, operam já em mais de 75 países, número que aumentará em breve para 120. Como já dizia Dick Cheney no seu plano de "estratégia de defesa": Os Estados Unidos desejam simplesmente dominar o mundo.

Que esta seja a dádiva de Barack Obama, o "filho de África", ao seu continente é incrivelmente irónico. Não é? Como explicava Frantz Fanon no seu livro "Pele negra, máscaras brancas", o que importa não é a cor da tua pele, mas os interesses que serves e os milhões de pessoas que acabas por trair.

20/Outubro/2011



O original encontra-se em www.johnpilger.com/articles/the-son-of-africa-claims-a-continents-crown-jewels .
Tradução de MQ.
Fonte: resistir.info
Imagem: google

A paz mundial está ameaçada pelos imperialistas



Socorro Gomes: A paz mundial está ameaçada pelos imperialistas

Durante a semana passada, realizou-se em Bruxelas a reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz (CMP). Fundado há seis décadas, o CMP desenvolve ampla atividade em favor da paz e em solidariedade aos povos agredidos pelas guerras imperialistas. Leia a íntegra do pronunciamento da presidente do CMP.

Queridos camaradas, companheiros e companheiras, bem-vindos à reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz.

É sempre motivo de alegria, confiança e otimismo participar da reunião deste importante órgão da estrutura organizativa do Conselho Mundial da Paz, que congrega dirigentes e organizações com um rico patrimônio de realizações em defesa da paz e na solidariedade aos povos em luta contra as agressões imperialistas.

No momento em que se aproxima a realização da nossa próxima Assembleia, sobre a qual tomaremos importantes decisões nesta reunião de Bruxelas, recordamo-nos da última que realizamos, em abril de 2008, na capital da República Bolivariana da Venezuela. Naquela ocasião, mais de 500 defensores da paz e da luta antiimperialista, representados em 126 organizações de 76 países participaram da maior assembléia da década, numa demonstração não só da magnitude daquele acontecimento, como também do crescimento e fortalecimento do Conselho Mundial da Paz.

As decisões adotadas naquele magno evento e expressas na Declaração Final constituíram orientações claras quanto aos desafios do Conselho Mundial da Paz para o período que estamos percorrendo desde então.

Destacávamos que diante da escalada cada vez mais brutal e agressiva do imperialismo contra os povos e nações, o Conselho Mundial da Paz deve desempenhar um papel de protagonismo, liderando a formação de um amplo e significativo movimento contra as guerras de agressão, as ocupações de países soberanos, as bases militares estrangeiras, os pactos militares que atuam como braços armados das potências imperialistas e o armamentismo nuclear.

A partir das suas primeiras linhas, a Declaração Final da Assembleia de Caracas realçava: “Os acontecimentos (...) têm criado uma situação crucial para a humanidade, uma situação marcada pela intervenção crescente da agressividade da estratégia mundial dos Estados Unidos, que se empenha em impor e consolidar a nova ordem mundial de guerra e opressão. A humanidade como um todo enfrenta a agressividade acelerada das políticas imperialistas. Seu esforço concertado para afiançar sua dominação é acompanhado por uma exacerbação e incremento nas rivalidades pelos mercados, a energia e os recursos estratégicos, assim como pelo domínio geopolítico”, dizia a Declaração.

Esta profunda compreensão do quadro mundial e da essência das políticas belicistas das potências imperialistas foi a base para a tomada de decisões importantes, da formulação de orientações e da elaboração de plataformas e planos de ação para as organizações constitutivas do Conselho Mundial da Paz e seus órgãos dirigentes executivos.

Nosso coletivo tem dado imensa contribuição à luta pela paz, que se expressa por meio do protagonismo em determinadas lutas e na participação em memoráveis acontecimentos que marcaram os últimos anos.

Empenhamos grande parte dos nossos esforços na luta contra o pacto agressivo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e as bases militares estrangeiras em territórios de países soberanos. Na ocasião do 10º aniversário da guerra da Otan contra a ex-Iugoslávia, em março e abril de 2009, tiveram lugar memoráveis eventos, um na Argentina, outro em Belgrado e manifestações em Estrasburgo.

Em Lisboa, Portugal, em novembro do ano passado, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas num maciço e enérgico protesto contra a realização da cúpula da Otan e a adoção do seu novo conceito estratégico. Nessa mesma ocasião, teve lugar um seminário internacional que trouxe significativos aportes para a formação de uma opinião coletiva a respeito do militarismo, as causas e conseqüências das políticas agressivas do imperialismo estadunidense e da União Europeia.

O antibelicismo do Conselho Mundial da Paz se revelou com toda a evidência por meio da presença de nossa organização na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares em Nova York, nas solenidades por ocasião do aniversário da explosão das bombas atômicas no Japão e na Conferência internacional da Associação de Vítimas do Agente Laranja, no Vietnã.

O Conselho Mundial da Paz tem sido consequente na aplicação das decisões de sua Assembleia Geral de empreender a luta contra as bases militares estrangeiras em países soberanos.

Cresce a campanha continental “América Latina - Região de Paz - Fora Bases Militares Estrangeiras, ao longo da qual têm sido realizados vários seminários e encontros em países da região, como Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Honduras e Paraguai. Nesse quadro, destaca-se a Conferência Internacional pela Abolição das Bases Militares Estrangeiras, em 2010 e 2011, em Guantánamo, Cuba.

Tem sido relevante também a presença do Conselho Mundial da Paz em eventos como a Conferência Internacional da Paz na Ásia e Pacifico, realizada em Bangladesh, em junho deste ano, no Fórum Social Mundial, e no Congresso da Federação Mundial das Juventudes Democráticas, realizado na África do Sul, em dezembro de 2010, em cujo âmbito realizou-se o Tribunal Anti-imperialista que condenou com veemência o imperialismo e suas políticas de guerra.

Companheiros e companheiras,

Apesar das promessas de paz e dos discursos vazios em defesa do direito internacional e da democratização das relações entre os diferentes países no âmbito dos organismos multilaterais, a situação mundial deteriora-se intensamente, a paz encontra-se ameaçada, a insegurança se generaliza.

Precisamente nestes dias, novos focos de tensão e crise internacional aparecem, por provocação dos Estados Unidos e seus aliados, com potencial explosivo e conseqüências imprevisíveis. Fatos nebulosos relacionados a um suposto complô para assassinar o embaixador da Arábia Saudita em Washington estão sendo tomados como pretexto para fabricar mais uma crise com o Irã, acusado pelos Estados Unidos de estar por trás da trama. A chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos já propôs sanções contra o país persa, que reagiu em termos enérgicos.

Enquanto ameaça o Irã, o imperialismo estadunidense está à espreita na Síria. Depois de fracassar em seu intento de aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução contendo sanções contra esse país, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que é inaceitável a permanência do presidente Assad à frente do governo sírio, numa demonstração de que pode ir adiante, fomentar um golpe, atiçar a guerra civil e realizar uma intervenção militar.

O WikiLeaks há poucos meses revelou um despacho secreto, da Embaixada dos Estados Unidos em Damasco, sobre “os próximos passos para a estratégia dos direitos humanos”, informando que, de 2005 até setembro de 2010, os Estados Unidos, com os recursos da Iniciativa de Parceria com o Oriente Médio, tinham destinado secretamente aos grupos da oposição, na Síria, um montante de 12 milhões de dólares, bem como financiado a instalação de um canal de TV via satélite, transmitindo para dentro do país programas contra o governo de Bashar al-Assad.

Companheiros e companheiras,

Esta reunião se realiza quando o capitalismo está mergulhado numa das mais profundas crises da sua história. Crise estrutural, sistêmica e multidimensional: econômica, financeira, alimentar, energética e ambiental. Em momentos como este, tornam-se cada vez mais evidentes os impasses do mundo contemporâneo, sendo inevitável que se manifestem também nos terrenos social e político.

A situação econômica e social na Europa, onde estão alguns dos países mais ricos e espoliadores do mundo, é um dos exemplos mais eloquentes da crise e da decadência do sistema que sobrevive à custa da exploração do homem pelo homem e da opressão das nações. É uma situação reveladora da crise estrutural em que estão engolfadas as potências que ocupam posições dominantes no mundo. Os fenômenos presentes na situação econômica, social e política nesses países constituem uma ata de acusação ao capitalismo e o mais gritante exemplo de sua incapacidade para promover progresso e bem-estar para os povos.

Os governos se alternam entre si, mas o que vemos é o predomínio de concepções conservadoras e ultraliberais, expressas em medidas antissociais e retrógradas que afetam a vida das grandes maiorias, notadamente dos trabalhadores. Conquistas sociais obtidas ao longo do século 20 por meio da luta dos povos são destruídas e dilapidam-se as riquezas nacionais para salvar bancos e assegurar os superlucros dos monopólios econômicos e financeiros. Trata-se de uma regressão de direitos e uma ofensiva antissocial sem precedentes, responsável pelo aumento da pobreza e das chagas sociais.

A crise do capitalismo e a decadência das grandes potências intensificam um processo de importantes mudanças geopolíticas.

Aprofundam-se as contradições interimperialistas e passam à ordem do dia as políticas militaristas e belicistas, em cuja execução tripudia-se sobre o direito internacional e as instituições multilaterais, sobretudo a Organização das Nações Unidas (ONU), cada vez mais instrumentalizada em função dos interesses imperialistas, mormente dos Estados Unidos e a União Europeia.

Esta política de força tem nos dias atuais a sua manifestação mais nítida na guerra criminosa que a Otan realiza na Líbia, com o beneplácito das demais potências que constituem o Conselho de Segurança da ONU.

A guerra é feita sob o pretexto de estabelecer a democracia e fazer valer os direitos humanos. As verdadeiras razões, porém, são os interesses econômicos das potências imperialistas, que praticam a rapinagem e o saque das riquezas dos povos em nome dos interesses estratégicos das potências imperialistas de dominar o mundo.

Os ataques militares contra a República da Líbia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reavivaram com força os conflitos em países do Oriente Médio e os estenderam até a região do Norte da África.

A ONU avalizou os ataques ao decretar “zona de exclusão aérea” no território líbio. A resolução do organismo internacional, sob o pretexto de proteger a população civil dos bombardeios das forças governamentais e de realizar uma “intervenção humanitária”, acabou redundando em brutal agressão, numa clara violação ao direito internacional, lesiva à autodeterminação e à soberania nacional da Líbia. Não obstante, a resolução da ONU não autorizou o ataque, o que coloca mais uma vez na ilegalidade as nações imperialistas e atesta a falsidade do seu multilateralismo.

Tal como em outras ocasiões, as forças da Otan praticaram atos de terrorismo, ao bombardearem populações civis, bairros residenciais, prédios públicos e mesmo habitações de líderes governamentais. Os ataques visam também matar o líder líbio Muammar Khadafi.

As ações da Otan se somaram às da oposição armada ao governo de Kadafi, alçada em rebelião militar desde fevereiro. Foram reavivados conflitos tribais latentes, que estavam contidos pela ideia da unidade nacional.

A mídia a serviço do imperialismo apresentou os acontecimentos no país do Norte da África como uma continuidade da chamada Primavera Árabe. Mas a rebelião na Líbia nada teve de semelhante com as lutas democráticas das massas populares que derrotaram as ditaduras tunisina e egípcia. Na Líbia, desde o começo, afigurou-se uma ação militar e golpista com apoio de agentes do imperialismo. Os acontecimentos em Bengasi constituíram na verdade um golpe preparado e comandado por tropas de elite do Reino Unido e agentes dos serviços secretos britânicos, franceses, da CIA e da Mossad israelense.

Houve também uma metódica preparação da opinião pública pela mídia, que se especializou nas artes de fabricar “guerras justas”, em nome da “defesa dos direitos humanos”, e da “democracia”. Faz parte dessa preparação a invenção e difusão de mentiras e a demonização dos governantes que não rezam pela cartilha das potências imperialistas.

É um roteiro macabro que se repete desde 1999, quando Slobodan Milosevic foi apresentado como “ditador sanguinário”. Em 2003, Saddam Hussein foi indexado como presidente de um “Estado bandido”. Em outras regiões e situações distintas, repete-se a mesma cantilena. Constantemente, fazem-se campanhas contra os dirigentes cubanos, o líder revolucionário bolivariano Hugo Chávez, o presidente do Irã, Ahmadinejad, o dirigente norte-coreano Kim Jong Il.

A rebelião na Líbia contra o governo de Kadafi revelou a tática do imperialismo norte-americano e seus aliados europeus de instrumentalizar a seu favor a chamada Primavera Árabe.

Tudo isso são falsos pretextos sob os quais se disfarçam os interesses geopolíticos e econômicos estratégicos dos Estados Unidos e seus aliados da União Europeia. Eles estão de olho nos recursos naturais, em especial o petróleo e o gás, existentes em abundância em toda a região do Oriente Médio, e o controle de posições geopolíticas estratégicas. Para apossar-se destes recursos, precisam dividir para reinar e contar com governos dóceis, sócios menores do neocolonialismo.

A tomada de Trípoli pelos grupos armados do autodenominado Conselho Nacional de Transição foi saudada pelos governos imperialistas e a mídia a seu serviço, que logo apresentou o fato como a vitória da “revolução democrática”.

Apressadamente, chancelarias reconheceram o governo de fato e entregaram a este o assento da Líbia nas Nações Unidas. Os líderes da França e do Reino Unido foram ao país para demonstrar o apoio do imperialismo europeu aos golpistas e ao mesmo tempo apossar-se do butim: o petróleo e o gás, obras de reconstrução e os ativos financeiros do país. Em Nova York, durante a abertura da 66ª Assembleia das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebeu a autonomeada nova direção líbia e reiterou seu apoio.

O presidente Barak Obama alega que os EUA estão agindo na Líbia em defesa de civis, mas destroem este e outros países inteiros e assassinam milhares e milhares de civis. Isso ocorre no Oriente Médio e em várias partes do Planeta, enquanto sustentam o genocida Estado sionista de Israel contra o povo palestino.

O discurso de Obama tenta apenas esconder uma ação imperialista, de dominação e pilhagem, que só faz crescer a cada dia. O controle físico de territórios, com pesados armamentos, espalhando morte, destruição e permanente pressão psicológica não pode mais ser tolerado.

A doutrina de Obama foi recentemente explicitada em dois pronunciamentos. Em 28 de março de 2011, falando na George Washington University, o presidente Obama declarou que, mesmo não estando a segurança dos americanos diretamente ameaçada, a ação militar pode ser justificada, caso em algum país esteja ocorrendo um “genocídio” e os Estados Unidos não atuem isoladamente, mas em comum acordo com aliados.

Dois meses depois, declarou no Parlamento britânico, durante a visita que fez ao Reino Unido, entre 24 e 26 de maio de 2011, que os Estados Unidos não acreditam simplesmente no direito das nações, mas no “direito dos cidadãos”, agregando que é falso o argumento segundo o qual a soberania nacional é mais importante do que a “matança de civis dentro de suas fronteiras”. Ele reafirmou que os Estados Unidos pensam que a “comunidade internacional” deve atuar quando um líder está ameaçando massacrar seu povo.

Segundo essa concepção, os Estados Unidos, juntamente com a Grã-Bretanha e a França não mais respeitarão as normas do Direito Internacional, com base nos princípios de soberania do Estado-nação, e poderão intervir em qualquer país, a pretexto de razões “humanitárias” ou de “defesa da população civil”. Do que se trata, na verdade, é de defender seus interesses econômicos e estratégicos. A questão dos direitos humanos é simplesmente um pretexto para que os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha violem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrem populações civis.

A guerra da Líbia, como já tinha sido a da ex-Iugoslávia, e são a do Iraque e a do Afeganistão, representam a concretização da nova concepção estratégica da Otan, que passa a atuar como uma força de intervenção global, um instrumento para perpetrar guerras de agressão, com ou sem a autorização da ONU, onde quer que determinem os interesses geopolíticos e de rapina do imperialismo norte-americano e seus aliados da União Europeia.

Ultimamente, os Estados Unidos estão utilizando como tática acessória da sua política intervencionista agressiva as operações secretas com aviões não pilotados ou com forças especiais em ações clandestinas para cometer assassinatos. A CIA se converteu numa verdadeira organização paramilitar. Os drones, aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes da Al Qaida e dos Talebãs no Paquistão, Afeganistão e Iêmen.

Ao contrário do que falam os líderes imperialistas, e apesar da crise econômica do capitalismo, os gastos militares dos EUA estão crescendo ano após ano, com novas armas, novas bases, onde milhares de mísseis nucleares estão apontados para nós, onde quer que estejamos.

Sob falsos pretextos, especialmente uma suposta campanha contra o terrorismo e o tráfico de drogas, as forças imperialistas espalham seus tentáculos pelo mundo. Mesmo na América do Sul, em especial na Colômbia, na fronteira com o Brasil e com a Venezuela, soldados estadunidenses ocupam matas da Amazônia.

É uma forma de manter sob constante ameaça a também vizinha Venezuela, que mantém um governo democrático e corajoso na defesa dos interesses do povo venezuelano. As forças da reação ficam na espreita, na espera de uma chance de tentar novo golpe contra o presidente Hugo Chávez, que o imperialismo considera uma figura incômoda, pelas suas posições em defesa da soberania e autodeterminação dos povos.

Enquanto isso, mantêm até hoje o odioso boicote econômico a Cuba, país que também está sob constante ameaça física, não só pela base que os Estados Unidos mantêm lá, mas pelo permanente cerco por terra, mar e ar.

Alguns países sofrem pressões mais fortes, mas não devemos esquecer que o imperialismo mantém mais de 850 bases militares espalhadas pelo mundo, muitas das quais como verdadeiros enclaves estrangeiros em países que lutam pela sua soberania. Além da base dos EUA de Guantânamo, em Cuba, há aqui próximo a que a Grã-Bretanha mantém nas Ilhas Malvinas, na vizinha Argentina.

Neste momento, podemos ver como é crescente também a presença da Marinha dos EUA, reforçada por navios da França, Grã-Bretanha e outros países da Otan, em todos os mares do Planeta. No Atlântico Sul, a Quarta Frota da Marinha estadunidense foi revitalizada e patrulha toda a América do Sul constantemente. Na África, os Estados Unidos estão empenhados na estruturação da presença direta do Africom, através da instalação de bases militares.

Companheiras e companheiros,

Se por um lado, o momento em que vivemos é carregado de graves ameaças, há também, por outro lado, motivos para esperança e otimismo. Em toda a parte, desenvolvem-se as lutas dos povos, por meio de heróicos atos de resistência, de triunfos democráticos e da ação de governos anti-imperialistas. No Oriente Médio, na África, Ásia, Europa, Estados Unidos e na América Latina, através das formas mais variadas, levantam-se os movimentos populares, exigindo justiça, progresso social, paz, o fim das guerras e da opressão das nações.

O Conselho Mundial da Paz reitera seu apoio aos povos em luta, pela retirada de todas as tropas de ocupação dos países que são vítimas de guerras imperialistas, pela abolição das armas nucleares, pelo desmantelamento da Otan e das bases militares estrangeiras, pelo fim do bloqueio a Cuba e a libertação dos seus heróis presos nos cárceres do império.
Pela peculiaridade das circunstâncias que estamos vivendo, fazemos uma menção especial à luta pelo reconhecimento do Estado da Palestina. O discurso apoteótico do presidente da Autoridade Nacional Palestina na 66ª Assembleia Geral da ONU, ocasião em que apresentou o pedido formal de reconhecimento pela organização internacional, é um sinal dos tempos, na medida em que simboliza a força da luta patriótica, anticolonialista e anti-imperialista.

O pleito dos palestinos conta com o apoio da esmagadora maioria dos países membros da ONU, só não será atendido pelo exercício do veto por parte dos Estados Unidos, o que revela a dimensão do isolamento político e diplomático do imperialismo e do sionismo.

Os palestinos fazem uma proposta clara, objetiva e pacífica. Pedem o reconhecimento de seu estado nacional nos limites anteriores à Guerra dos 6 Dias, de 1967, com capital em Jerusalém. Todo apoio à causa palestina. Nosso votos de pleno êxito na luta pela criação do Estado da Palestina.

Companheiros e companheiras,

A Humanidade não pode mais conviver com as ameaças e o terrorismo contra povos e nações.
Mas o quadro mundial só vai mudar, a paz só será uma possibilidade concreta se os povos se alçarem em luta ampla, extensa e profunda, unidos e mobilizados em defesa de suas causas justas.

As políticas de força das potências imperialistas tendem a permanecer como grave ameaça à paz internacional e à autodeterminação dos povos. Faz-se necessário um grande movimento de dimensões mundiais de oposição aos planos e ações dos fautores das guerras.

O Conselho Mundial da Paz tem importante contribuição a dar nesses esforços libertadores da humanidade. Exige-se de nós perseverança, firmeza, visão ampla e capacidade de mobilização e atuação em frente única com as demais organizações do movimento popular e anti-imperialista mundial.

Muito obrigada,
Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz


Fonte: cebrapaz.org.br

Você sabe quantas bases militares os EUA tem espalhadas no mundo?




As bases militares estadunidenses são ameaça permanente à soberania dos povos.

Lula - Vá rápido quando puder. Vá devagar quando for obrigado. Mas, seja, lá o que for, continue.


Caro Lula

Na vida as coisas, às vezes, são surpreendentes. Mas o importante é não parar, seguir em frente. Mesmo um pequeno avanço na direção certa já é um progresso, e qualquer um pode fazer um pequeno progresso, e você Lula, você fez e continua fazendo um grande progresso para esse país.

"Se você não conseguir fazer uma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena. Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios."

Você Lula se tornou e é para o Brasil um grande rio, mostrou as pessoas pobres que eram discriminadas que esperança e sonhos se concretizam, que com vontade agora qualquer pessoa pobre pode entrar numa universidade não só para limpar o chão, mas para estudar e receber seu diploma, quando isso antes era quase impossível.

Lula, continue andando e fazendo.

O que parecia fora de alcance para esse povo que sempre foi discriminado pelos antigos governos, agora é realidade, e com isso vamos continuar caminhando sempre em frente.

A cada momento intenso e apaixonado que você dedicou e dedica a seu objetivo, um pouquinho mais de você fica dentro de cada brasileiro que foi e é ajudado e incentivado a buscar uma vida melhor.

Você não pode parar, você é a locomotiva que puxa os vagões (brasileiros).

Então continue andando meu amigo, porque isso é uma coisa que você sabe muito bem fazer.

Vá rápido quando puder. Vá devagar quando for obrigado.
Mas, seja, lá o que for, continue.

O importante é não parar!!!


Um grande abraço


Burgos Cãogrino
(um cão peregrino)

Navio de guerra Francês bombardeia a Somália


Vários navios de guerra pertencentes às forças francesas bombardearam nesta quinta-feira, alguns pontos da costa da Somália, informou Imprensa canal de notícias da TV.

Segundo a fonte mencionada, estes navios lançaram 20 mísseis pesados contra a cidade de Kuda ​​e o porto de Kismayo. Testemunhas dizem que quatro mísseis cairam na cidade de Kismayo e seis contra Kuda.

No momento não há detalhes sobre a existência de vítimas em potencial e, para os navios franceses, as autoridades quenianas confirmaram que a marinha francesa está sendo instalada nas águas do Chifre da África, fato que Paris tem negado.

França mobilizou suas forças para o Quênia, atravessando a fronteira para a Somália para começar uma batalha contra os extremistas do grupo Al Shabab, disse a fonte.

Note que este país europeu intensificou seus ataques aéreos e terrestres contra o grupo agora, depois de alguns de seus membros seqüestrado duas mulheres espanhola, pertencente à associação Médicos Sem Fronteiras trabalhadores de ajuda e outros dois quenianos em um ataque contra o campo refugiados que foram.

A Somália é um país que, além de viver na pobreza e na fome, a falta de um governo permanente, e que desde 1991, quando o ex-ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado pelos líderes tribais conhecidos como senhores da guerra , a nação é dirigida por chefes locais, as quadrilhas criminosas e os grupos militantes, incluindo Al-Shabab.

Esta instabilidade levou a intervenções militares estrangeiras, incluindo os Estados Unidos, que dirige as manobras de ar - realizado por aviões não tripulados - que são supostamente dirigida contra grupos extremistas e, no entanto, até agora, custou a vida de dezenas de pessoas inocentes e forçou milhares de pessoas a fugir de seu país.




Fonte: Texto: Hispan TV / Postado em 28/10/2011 ás 08:02

Reproduzido de Pátria Latina
Tradução: google

sábado, 29 de outubro de 2011

Inglaterra critíca Banco Central do Brasil

Milorde, olha o seu rabo e deixa o do vizinho

A revista (conservadorissíma), The Economist, inglesa, publica hoje uma matéria digna da hipocrisia da “corte” econômica londrina.

Ela diz que a reputação do Banco Central do Brasil “está sendo manchada” pela redução da taxa de juros interna. E uma redução que foi de menos de um décimo, de 12,5% para 11,5%.

Acusa nossa autoridade monetária de “estar focada no crescimento econômico” em lugar de zelar de sua missão de guardião da moeda.

Que cinismo!

Dizem isso porque o crescimento – e, com ele, o emprego, a renda, o consumo, e a atividade econômica – é no Brasil. Quando se trata deles próprios, a história é completamente diferente.

Querem ver? O banco central inglês, desde 2009, mantém sua taxa de juros em 0,5% ao ano, o menor nível da história, vinte vezes menor do que a brasileira, em valores percentuais.


E a inflação na Corte de Sua Majestade, por acaso é comportadinha como uma “lady”?

Coisa nenhuma. Fechou setembro acumulando uma alta de 5,2%, mais do que o dobro da meta de 2% fixada pelo Banco Central inglês. Vejam bem, seria a mesma coisa que temos aqui, uma inflação de quasse 12% ao ano! O dobro, quase, da que vamos ter.

O juro real na Inglaterra, com essa inflação, é negativo em 4,5% ao ano enquanto os nossos são positivos, e de mais de 5%, no mesmo prazo.

E não aparece ninguém no jornalismo econômico brasileiro que tenha a coragem de lhes apontar o dedo e dizer o quanto há de cinismo nessa crítica pretensiosa e desonesta.

Porque não é incompetência, por trata-se de uma das mais importantes publicações do setor no mundo. É arrogância, mesmo.

Que vergonha!

Vivem, ao contrário, bajulando o que receita esta “nobreza”. Fica a dúvida se é por ignorância ou por pusilanimidade.

Se de um lado existem as “cabeças coroadas”, com seu ar empertigado, é porque, de outro, existem as “cabeças colonizadas”, sempre abaixadas pela submissão.




Fonte: www.tijolaco.com/milorde-olha-o-seu-rabo-e-deixa-o-do-vizinho/

Imagem: retirada do google e colocada por este blog

"Humanitarista" Obama na rota de UGANDA




E após a Líbia? A "Primavera Árabe" sob as rédeas da OTAN

por Husc em 28/10/2011

A morte de Muammar Kadafi, executado por seus captores após 216 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e quase um mês de um violento cerco à sua cidade natal, Sirte, que a transformou em um monte de ruínas fumegantes, deixa o futuro da Líbia pendurado em muitas incertezas e o mundo às voltas com uma interrogação: quem será o próximo alvo da “responsabilidade de proteger”, o novo eufemismo para justificar intervenções motivadas pelo controle de recursos naturais?

Não por outro motivo, a Rússia e a China não se melindraram em vetar a mais recente tentativa de imposição de sanções contra a Síria, onde o governo de Bashar al-Assad também está às voltas com uma rebelião interna (para a qual alguns integrantes da OTAN têm proporcionado um considerável apoio externo). “A resolução ocidental está carregada com a repetição de um cenário líbio, embora seus coautores estejam tentando convencer-nos do contrário”, disse sem rodeios o chanceler russo Sergei Lavrov, em 22 de outubro (Novosti, 22/10/2011).

Entretanto, o governo dos EUA não esperou o desfecho da batalha em Sirte para anunciar o próximo objetivo de sua agenda “humanitária”. Em 14 de outubro, o presidente Barack Obama anunciou o envio de 100 militares das forças especiais a Uganda, para atuar como “assessores” do governo do presidente Yoweri Museveni, na luta contra o grupo armado Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês). Embora o LRA se assemelhe mais a um bando de salteadores e estupradores do que a uma força guerrilheira e esteja em ação desde o final da década de 1980, poucos acreditam que Obama teria se incomodado em ajudar seu colega ugandense, no poder desde 1986, se a África não estivesse no centro da agenda estratégica de uma renovada disputa por recursos naturais. Além do fato de uma importante jazida petrolífera ter sido descoberta em território ugandense, no início deste ano, outra motivação da Casa Branca é a crescente presença chinesa no continente. Como afirma o veterano jornalista estadunidense Eric Margolis, especialista na estratégia geopolítica de seu país: “Os EUA também estão preocupados com a penetração chinesa na região, com o fato de que eles vão engolir todos os recursos econômicos e ganhar influência nos governos regionais. Então, talvez, os EUA queiram deter esse avanço chinês na África Central (Russia Today, 19/10/2011).”

Com o assassinato de Kadafi, após a sua rendição e, portanto, um prisioneiro de guerra que fazia jus às normas da Convenção de Genebra, os EUA e seus aliados da OTAN transmitem ao mundo um claro “recado”, quanto ao que poderão esperar quaisquer líderes que se oponham aos seus planos hegemônicos. A todas as luzes, tal agenda transcende qualquer consideração por um arremedo de ordem jurídica civilizada, como, aliás, os EUA já haviam demonstrado, no final de setembro, com o assassinato extrajudicial de Anwar al-Awlaki, clérigo islâmico de cidadania estadunidense ligado à rede Al-Qaida no Iêmen, alvo de um ataque com um veículo aéreo não tripulado (drone) – modalidade que vem se tornando a mais nova especialidade estadunidense.

Por outro lado, sendo a Líbia uma sociedade essencialmente tribal e sem instituições intermediárias entre o Estado – antes encarnado na liderança de Kadafi – e a sociedade como um todo, a presença física da OTAN poderá acabar representando a única força institucional capaz de impedir que o país mergulhe em uma guerra civil ainda mais virulenta e destrutiva do que a campanha contra Kadafi. Com isso, a Aliança Atlântica também asseguraria uma base de operações no Norte da África, fundamental para o “novo Grande Jogo” no continente, como já o apelidam alguns observadores.

Da mesma forma, com a intervenção na Líbia, os estrategistas da OTAN asseguram um “enquadramento” dos movimentos sociais da Primavera Árabe nos moldes convenientes à sua agenda hegemônica. A propósito, vale observar o cândido e revelador comentário do sítio israelense Debka File (24/10/2011), tido como um porta-voz informal do serviço de inteligência Mossad: “É crescentemente óbvio que sem a intervenção ativa dos EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha, por si mesmos, os rebeldes anti-Kadafi nunca teriam derrotado Kadafi ou sido capazes de acabar com a sua vida. A maneira em como o episódio líbio se desdobrou ao seu final tem duas importantes mensagens para o Oriente Médio e o Norte da África:

1) os EUA e seus aliados da OTAN não têm quaisquer escrúpulos quanto a erradicar ditaduras, de um jeito ou de outro. A oposição na Síria apanhou rapidamente a mensagem…;

2) um objetivo da Primavera Árabe, tal como promovida pelos EUA e a Aliança Ocidental é a substituição dessas ditaduras por regimes muçulmanos fundamentalistas, cujos líderes introduzam francamente a lei islâmica sharia nos países "libertados.”



Movimento de Solidariedade Íbero-americana



Fonte: Blog do Ambientalismo
Imagem: retiradas do google e colocadas por este blog

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

LÍBIA - Médicos URGENTEEEEEE!!!

MÉDICOS

PRECISA-SE COM URGÊNCIA NA LÍBIA



Médicos Sem Fronteiras não atendem aos combatentes resistentes, nem a população civil queimada pelas bombas de fósforo branco e pelas bombas de fragmentação.

A Cruz Vermelha Internacional está sendo boicotada, proíbida de ajudar os líbios.


Alguém conhece algum médico que esteja disposto a ser voluntário em território libio?

Ajudem por favor, são milhares de crianças, mulheres, idosos e soldados resistentes.

Entre em contato pelo link ou email:

http://leonorenlibia.blogspot.com/


leonormassanet@gmail.com


Espero que todos os Blogs se solidarizem e divulguem !

Governo Brasileiro preocupado com invasão em Plataformas de Petróleo?


Exercício de Incidente de Proteção Marítima


A Esquadra realizou, no período de 17 a 21 de outubro, um exercício de Incidente de Proteção Marítima, em uma área próxima a Vitória (ES).

O propósito do evento foi adestrar um grupamento operativo e avaliar seu desempenho na tarefa de retomar uma plataforma dominada por elementos adversos.

A condução do exercício ficou a cargo do Comando da 2ª Divisão da Esquadra.

Além de Mergulhadores de Combate, participaram da ação os helicópteros UH-14 Super Puma, AH-11A Super Lynx e UH-13 Esquilo, as Fragatas Independência e Bosísio, além dos navios da Operação “TROPICALEX”, que se encontravam próximo a área do exercício. A Capitania dos Portos do Espírito Santo apoiou o evento, servindo de base para as operações das aeronaves Super Puma e Super Lynx.

O cenário criado para o exercício foi o sequestro de um navio mercante estrangeiro por um grupo terrorista, com o propósito de realizar ataques contra plataformas de petróleo na Bacia de Campos.

No início do exercício, foi simulado o acionamento do Sinal de Alerta de Proteção do Navio (SSAS), indicando um possível comprometimento da segurança em um navio mercante. Em consequência desse fato, o Comando de Operações Navais determinou o suspender para o Navio de Serviço da Esquadra (Fragata Independência) para investigar o ocorrido. O navio mercante foi representado pela Fragata Bosísio.

A Fragata Independência realizou contato com o navio “mercante” e constatou a presença de um grupo terrorista a bordo. Este grupo fez, então, diversas exigências e afirmou que, caso não fossem atendidas, a tripulação do navio “mercante” sofreria as consequências.

Tendo em vista essa ameaça e a aproximação do navio sob controle dos terroristas às plataformas de petróleo, foi decidido, então, que o navio deveria ser retomado.

A ação ocorreu na manhã do dia 21, tendo a infiltração do Grupo Especial de Retomada e Resgate dos Mergulhadores de Combate sido realizada pelo helicóptero UH-14 por meio de “Fast Rope”. O assalto foi um sucesso, o navio “mercante” foi libertado e os sequestradores presos.

O exercício foi proveitoso em diversos aspectos, além de ter sido uma oportunidade de familiarizar os meios da Esquadra com os documentos que regulam o assunto, inclusive a legislação internacional.

O Comandante-em-Chefe da Esquadra, Vice-Almirante Wilson Barbosa Guerra, esteve a bordo da Fragata Independência para acompanhar e avaliar o exercício






Fonte: naval.com.br

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Efeitos colaterais do remédio chamado "DEMOCRACIA"

Você já tomou sua pílula de democracia hoje???

Não?


Então corra para as melhores farmácias da OTAN!!!


E você vai ver seu mundo se transformar como a Líbia.



Informações sobre o medicamento "DEMOCRACIA"

Formas farmacêutica: Mísseis, Bombas de fragmentação, Mercenários e Mídia

Informação ao Paciente: Reune efeito devastador para toda a sua família e combate (literalmente) toda a dignidade de um povo.

Indicações: É indicado no tratamento do povo que tem um índice de desenvolvimento acima da média internacional.

Precauções e Advertências: Poderão ser necessários ajustes psicológicos (feitos pela mídia) de acordo com a remissão ou exacerbação da "democracia" com a resposta individual do povo ao tratamento ou com a exposição do povo a situações de estresse emocional.

Reações adversas:
As reações adversas a "Democracia" são semelhantes as relatadas em guerras anteriores.


Posologia:
A dose da substância "democracia" deve ser coletiva e ajustada de acordo com a condição imposta pela OTAN, ONU, EUA, INGLATERRA, FRANÇA, etc... Em crianças a dose será letal (como vemos no caso da Líbia).

O remédio "DEMOCRACIA" é produzido e embalado com exclusividade pelo
Laboratório White House

Filho de Kadhafi quer ir para o Tribunal de Haia

E agora Obama?

E se Saif contar tudo que sabe?

E agora Hillary?

Saif será queima de arquivo também?


Filho de Kadafi quer avião para se entregar, diz fonte líbia


O filho foragido de Muammar Kadafi, Saif al-Islam, quer que um avião o tire do deserto no sul da Líbia para que ele possa se entregar ao tribunal de crimes de guerra de Haia, informou uma fonte do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio na quinta-feira.

Saif al-Islam, 39 anos, fugiu por volta do mesmo dia em que seu pai foi morto, há uma semana, supostamente por combatentes líbios. Ele deu indícios de que estava pronto para se entregar à Justiça, assim como o ex-chefe de inteligência líbia Abdullah al-Senussi, disseram autoridades do CNT.

Os dois homens são procurados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade cometidos durante o levante iniciado em fevereiro.

Relatos conflitantes do paradeiro de Saif al-Islam circulam desde que ele desapareceu de Bani Walid, no norte do país, e houve quem dissesse que ele e Senussi estavam no Níger.

Um advogado internacional que diz representar um membro da família questionou a confiabilidade dos relatos do CNT, mas não quis comentar a suposta rendição.

A fonte do CNT disse que Saif al-Islam não havia deixado a Líbia e estava sendo abrigado por uma figura proeminente entre o povo tuaregue do deserto, que ele havia ajudado financeiramente no passado.

A região deserta perto da fronteira com o Níger e a Argélia ofereceram uma rota de fuga para outros parentes dele. No entanto, como indiciado pelo TPI, Saif al-Islam encontraria mais dificuldade do que seus familiares de encontrar asilo no exterior.

"Saif está preocupado com a própria segurança", disse a fonte do CNT. "Ele acredita que se entregar é a melhor opção para ele". A fonte disse que Saif al-Islam queria o envolvimento de um terceiro país - possivelmente a Argélia ou a Tunísia - em um acordo para levá-lo até Haia. "Ele quer (ir para Haia) em um avião", disse a fonte, falando da Líbia por telefone. "Ele quer garantias".

O CNT não tem capacidade logística de interceptar fugitivos no deserto. Por isso pediu ajuda dos aliados da Otan. Mas autoridades da aliança militar deixaram claro que querem suspender sua missão na Líbia.




Fonte: Terra

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Os magnicídios de Lumumba e Kadafi e a evidência do colonialismo



Patrice Lumumba foi um excepcional líder africano anticolonialista que teve o privilégio de lutar pela independência de sua nação e chegar a ser o primeiro africano e desempenhar o cargo de primeiro-ministro na República Democrática do Congo, que hoje é chamada de Zaire.



Por Alberto Salazar, no Rebelión

A independência da Bélgica que se alcançou oficialmente em junho de 1960, após a nova república assumir a dívida externa da Bélgica. Uma dívida que jamais adquiriu e que a impossibilitava de alcançar seu pleno desenvolvimento.

Quando Lumumba tentou limpar o exército da administração de resíduos belgas que ainda obedeciam a essa nação europeia começou o conflito. A Bélgica tentou dividir o Congo e uma província, rica em jazidas minerais, demandou sua independência da jovem república. Em resposta, Lumumba buscou o apoio da extinta União Soviética e a CIA estadunidense lhe taxou a imagem de comunista, pretexto suficiente para tirá-lo do poder.

Um memorando interno da CIA, do ano de 1960, escrito pelo diretor de então, Allen Dulles, contém um parágrafo que retira qualquer dúvida sobre o intervencionismo das grandes potências: "Nos altos níveis do governo concluímos que se [Lumumba] segue no poder, as consequências serão catastróficas ... para o mundo livre. Por isso, nossa conclusão é que urge retirá-lo assim que possível".

O restante da história é parte do roteiro tradicional, um levante militar e rebeldia na polícia, instabilidade política, destituição ilegal de Lumumba, participação errônea da ONU, detenção, escape, e novamente prisão de Lumumba por parte dos sublevados e, finalmente, seu selvagem execução na presença de agentes belgas e estadunidenses. Lumumba foi torturado, deixou-o sangrar por horas sem atenção médica até que finalmente o executaram. A história registra poucas fotografias desse magnicídio e relatos contados de quão cruel foi esse bárbaro episódio.

Posteriormente o mundo disse que os assassinos tinham sido "camponeses furiosos", mais tarde indicou-se que o haviam executado foram "seus inimigos congolenses" e assim se foi embaralhando o ambiente, confundindo as pessoas e diluindo a verdadeira responsabilidade. Hoje os historiadores descrevem como mesmo o presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, deu luz verde ao assassinato de Lumumba e, que em 2002, a Bélgica reconheceu sua participação no horrendo crime e pediu desculpas à família de Lumumba.

Entretanto, os anos passaram e muitas gerações nem sequer conhecem o nome de Lumumba, muito menos a tragédia. A direita voltou a adiar o enredo da investigação do crime, deixar passar o tempo e reconhecê-lo muito depois. Isso, unido com o fomento do esquecimento dos fatos deprimentes e de proclamar que há que se olhar ao futuro e não ao passado, permite à direita que nunca se faça justiça e que volte a repetir essas táticas uma ou outra vez.

Talvez, as duas únicas mudanças que hoje vemos com os magnicídios, como o do líbio, Muamar Kadafi, são: primeiro que são documentados segundo a segundo com câmeras digitais e divulgados nas redes de informação e de televisão em nível mundial. E segundo, que agora as testemunhas celebram descaradamente o crime e não escondem seus reais interesses.

O desumano riso da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton e as declarações sem vergonha do senador Lindsey Graham, sobre o magnicídio na Líbia, despejam qualquer dúvida possível.

Há horas Hillary disse na CBS News sorrindo e orgulhosa: "Chegamos, vimos e ele morreu" e mais tarde Graham declarou no canal Fox: Vamos à terra. Há muito dinheiro para ser colocado no futuro da Líbia. Muito petróleo será produzido. Vamos à terra e ajudemos as pessoas a estabelecer a democracia e o funcionamento de uma economia baseada nos princípios do livre mercado."

Um ponto à parte nesta menção merece o curioso fato de que a morte de Osama bin Laden – que havia sido homicídio, não magnicídio – não conta com registro gráfico algum. A morte do suposto pior inimigo do mundo civilizado aconteceu em completo silêncio e devemos acreditar que ocorreu assim porque assim nos dizem quem proclamou ser seu inimigo.

De modo que não venha o enganador de ofício, Barack Obama, a mentir com o conto de que há uma nova liderança dos Estados Unidos, é a mesma opressão colonial de séculos atrás a que perdura. Só que agora não há que aguardar décadas para que se revele a trágica verdade; agora esta surge em horas. Razão tinha o Ernesto Che Guevara quando disse: "Nossa liberdade e sua sustentação cotidiana têm a cor de sangue e estão inchadas de sacrifício."



Fonte: Diário Liberdade

Secretário de Defesa dos EUA faz provocações à Coreia do Norte

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, fez nesta quarta-feira (26) declarações provocadoras sobre a Coreia do Norte, considerando o país socialista asiático como uma "ameaça séria", em meio a contradições e um clima de desconfiança entre os militares norte-americanos com relação à atual reaproximação diplomática com Pyongyang.

Representantes dos dois países se reuniram nesta semana em Genebra para discutir os termos para a retomada de um processo de diálogo multilateral sobre a questão nuclear na Peníncula Coreana.

Neste mês os EUA e a Coreia do Norte também chegaram a um acordo para reiniciar a recuperação dos corpos de soldados norte-americanos mortos na Guerra da Coreia (1950-53), atividade que estava paralisada desde 2005.

Em sua primeira visita à Ásia desde que assumiu o cargo, Panetta elogiou esses fatos, mas usou termos duros para descrever a Coreia do Norte. Disse que o governo da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) é "imprudente" e escreveu, em artigo publicado num jornal da Coreia do Sul nesta quarta, que a RPDC continua sendo uma "séria ameaça".

"Venho aqui porque sob muitos aspectos esta é a linha de frente", disse Panetta, dirigindo-se a centenas de soldados norte-americanos e sul-coreanos em Seul.

Uma fonte de alto escalão que acompanha Panetta na viagem disse ser importante que os preparativos militares estejam "alinhados com o processo diplomático" por causa da natureza cíclica dessas relações.

A Coreia do Sul é a última escala de Panetta na viagem de uma semana, que incluiu também o Japão e a Indonésia. Ele usou todas as oportunidades possíveis para assegurar aos aliados regionais que os EUA manterão uma presença sólida no Pacífico, apesar dos iminentes cortes no orçamento de defesa.

Isso é particularmente importante na Coreia do Sul e no Japão, onde os EUA têm cerca de 80 mil soldados e onde os aliados de Washington observam com nervosismo o fortalecimento militar da China.

Segundo Panetta, a retirada das forças dos EUA do Iraque, ainda neste ano, e a gradual retirada das forças do Afeganistão permitirão que os EUA dediquem mais atenção à Ásia oriental.



Fonte: Vermelho.org

Das guerras do ópio às guerras do petróleo

Por Domenico Losurdo

O domínio imperialista na seqüência das guerras do ópio. "A morte de Kadafi é uma viragem histórica", proclamam em coro os dirigentes da OTAN e do Ocidente, sem se incomodarem sequer em guardar distâncias em relação ao bárbaro assassinato do líder líbio e das mentiras desavergonhadas que proferiram os chefes dos "rebeldes". Sim, efetivamente trata-se de uma viragem. Mas para entender o significado da guerra contra a Líbia no âmbito do colonialismo é preciso partir de longe...

Quando em 1840 os navios de guerra ingleses surgem diante das costas e das cidades chinesas, os agressores dispõem de um poder de fogo de milhares de canhões e podem semear destruição e morte em grande escala sem temer a artilharia inimiga, cujo alcance é muito reduzido. É o triunfo da política das canhoneiras: o grande país asiático e sua civilização milenar são obrigados a render-se e começa o que a historiografia chinesa denomina acertadamente como "o século das humilhações", que termina em 1949 com a chegada ao poder do Partido Comunista e de Mao Zedong.

Nos nossos dias, a chamada Revolution in Military Affairs (RMA) criou em muitos países do Terceiro Mundo uma situação parecida com a que a China enfrentou no seu tempo. Durante a guerra contra a Líbia de Kadafi, a OTAN pôde consumar tranquilamente milhares de bombardeamentos e não só não sofreu baixas como sequer correu o risco de sofrê-las. Neste sentido a força militar da OTAN, mais do que um exército tradicional, parece-se a um pelotão de execução. Assim, a execução final de Kadafi, mais do que um fato causal ou acidental, revela o sentido profundo da operação em conjunto.

É algo palpável: a renovada desproporção tecnológica e militar reaviva as ambições e as tentações colonialistas de um Ocidente que, a julgar pela exaltada autoconsciência e falsa consciência que continua a ostentar, nega-se a saldar contas com a sua história. E não se trata só de aviões, navios de guerra e satélites. Ainda é mais clara a vantagem com que Washington e seus aliados podem contar em capacidade de bombardeamento mediático. Também nisto a "intervenção humanitária" contra a Líbia é um exemplo de manual: a guerra civil (desencadeada, entre outras coisas, graças ao trabalho prolongado de agentes e unidades militares ocidentais e no decorrer da qual os chamados "rebeldes" podiam dispor desde o princípio até de aviões) apresentou-se como uma matança perpetrada pelo poder contra uma população civil indefesa. Em contrapartida, os bombardeamentos da OTAN que até o fim assolaram a Sirte assediada, faminta, sem água nem medicamentos, foram apresentados como operações humanitárias a favor da população civil da Líbia!

Hoje em dia este trabalho de manipulação, além de contar com os meios de informação tradicionais de informação e desinformação, vale-se de uma revolução tecnológica que completa a Revolution in Military Affairs. Como expliquei em intervenções e artigos anteriores, são autores e órgãos de imprensa ocidentais próximos ao Departamento de Estado os que celebram que o arsenal dos EUA se enriqueceu com novos e formidáveis instrumentos de guerra. São jornais ocidentais e de comprovada fé ocidental que contam, sem nenhum sentido crítico, que no decorrer das "guerras internet" a manipulação e a mentira, assim como a instigação à violência de minorias étnicas e religiosas, também mediante a manipulação e a mentira, estão na ordem do dia. É o que está a acontecer na Síria contra um grupo dirigente mais acossado do que nunca por haver resistido às pressões e intimidações ocidentais e se ter negado a capitular diante de Israel e a trair a resistência palestina.


Mas voltemos à primeira guerra do ópio, que termina em 1842 com o Tratado de Nanquim. É o primeiro dos "tratados desiguais", ou seja, imposto com as canhoneiras. No ano seguinte chega à vez dos Estados Unidos. Também envia canhoneiras para arrancar o mesmo resultado que a Grã-Bretanha e inclusive algo mais. O tratado de Wahghia (nas proximidades de Macau) de 1843 sanciona o privilégio da extraterritorialidade para os cidadãos estado-unidenses residentes na China: mesmo que cometam delitos comuns, subtraem-se à jurisdição chinesa. O privilégio da extraterritorialidade, evidentemente, não é recíproco, não vale para os cidadãos chineses residentes nos Estados Unidos. Uma coisa são os povos colonizados e outra muito diferente a raça dos senhores. Nos anos e décadas posteriores, o privilégio da extraterritorialidade amplia-se aos chineses que "dissidem" da religião e da cultura do seu país e convertem-se ao cristianismo (com o que teoricamente passam a ser cidadãos honorários da república norte-americana e do Ocidente em geral).

Também nos nossos dias o duplo critério da legalidade e da jurisdição é um elemento essencial do colonialismo: os "dissidentes", ou seja, os que se convertem à religião dos direitos humanos tal como é proclamada de Washington a Bruxelas, os Quisling potenciais ao serviço dos agressores, são galardoados com o prêmio Nobel e outros prêmios parecidos depois de o Ocidente ter desencadeado uma campanha desaforada para subtrair os premiados à jurisdição do seu país de residência, campanha reforçada com embargos e ameaça de embargo e de "intervenção humanitária".

O duplo critério da legalidade e da jurisdição alcança suas cotas mais altas com a intervenção do Tribunal Penal Internacional (TPI). Os cidadãos estado-unidenses e os soldados e mercenários de faixas e estrelas espalhados por todo o mundo ficam e devem ficar fora da sua jurisdição. Recentemente a imprensa internacional revelou que os Estados Unidos estão dispostos a vetar a admissão da Palestina na ONU, entre outras coisas, para impedir que a Palestina possa denunciar Israel perante o TPI: seja como for, na prática quando não na teoria, deve ficar claro para todo o mundo que só os povos colonizados podem ser processados e condenados. A seqüência temporal é em si mesma eloqüente. 1999: apesar de não haver obtido autorização da ONU, a NATO começa a bombardear a Jugoslávia; pouco depois, sem perda de tempo, o TPI tratar de incriminar não os agressores e responsáveis da ruptura da ordem jurídica internacional estabelecida após a II Guerra Mundial e sim Milosevic. 2011: violentando o mandato da ONU, longe de se preocupar com o destino dos civis, a OTAN recorre a todos os meios para impor a mudança de regime e ganhar o controle da Líbia. Seguindo uma pauta já ensaiada, o TPI trata de incriminar Kadafi. O chamado Tribunal Penal Internacional é uma espécie de apêndice judicial do pelotão de execução da OTAN. Poder-se-ia dizer inclusive que os magistrados de Haia são como padres que, sem perder tempo a consolar a vítima, esmeram-se diretamente em legitimar e consagrar o verdugo.

Uma última observação. Com a guerra contra a Líbia, perfilou-se numa nova divisão do trabalho no âmbito do imperialismo. As grandes potências coloniais tradicionais, como a Inglaterra e a França, valendo-se do decisivo apoio político e militar de Washington, centram-se no Médio Oriente e na África, ao passo que os Estados Unidos deslocam cada vez mais seu dispositivo militar para a Ásia. E assim voltamos à China. Depois de haver deixado para trás o século de humilhações que começou com as guerras do ópio, os dirigentes comunistas sabem que seria insensato e criminoso faltar pela segunda vez ao encontro com a revolução tecnológica e militar: enquanto liberta centenas de milhões de chineses da miséria e da fome a que os havia condenado o colonialismo, o poderoso desenvolvimento econômico do grande país asiático é também uma medida de defesa contra a agressividade permanente do imperialismo. Aqueles que, inclusive na "esquerda", se põem a reboque de Washington e Bruxelas na tarefa de difamação sistemática dos dirigentes chineses demonstram que não se preocupam nem com a melhoria das condições de vida das massas populares nem com a causa da paz e da democracia nas relações internacionais.


O original em italiano e as versões em francês e castelhano encontram-se em http://www.domenicolosurdo.blogspot.com/

Fonte: resistir.info e Pátria Latina
Imagens: google

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Auto-Suficiência


Humanos

Façam a diferença!!! Sejam Auto-suficientes


Swadeshi – O Movimento Auto-Suficiente

Swadeshi - É uma doutrina altruísta, com as suas raízes no mais puro ahimsa (amor).”

Nunca é demasiado estudar e recordar alguém que, caso não houvesse documentação cinematográfica e fotográfica na época, seria certamente já considerado uma lenda ou um mito: Mahatma Gandhi. Raros são os humanos que nascem com tais características espirituais, por isso, apesar de ter sido uma figura controversa, amada e odiada, não são raros os que o olham como uma referência a seguir.

Uma grande maioria de nós sente, de uma maneira ou de outra, que algo está errado nas nossas sociedades. Uns acham que isto é inalterável e que pouco há a fazer. Outros acreditam numa mudança e tentam resistir. Há ainda aqueles que gostam do sistema consumista actual, continuando a alimentar-se da desgraça alheia enquanto lucram financeiramente com isso, mas todos nós, enquanto participantes activos deste tipo de economia, fazemos parte do problema.

Mas é essencial irmos beber sabedoria, estudar o melhor que a humanidade alcançou, instruindo-nos, assim, nas práticas e filosofias que, por mais utópicas que pareçam, podem, se bem pensadas e conjugadas com outras filosofias, edificar uma sociedade mais justa e equilibrada. Temos que ter a convicção de que existem gestos simples que, se forem postos em prática nas escolhas do dia-a-dia, começarão a fazer a diferença.

Quem vai refletir sobre a Globalização Económica em que vivemos – quem perdeu o seu emprego devido à deslocalização de multinacionais em busca de trabalhadores miseravelmente pagos no estrangeiro ou ao encerramento de fábricas com falta de encomendas face à rivalidade das estrangeiras, quem pensar na agricultura, nos terrenos abandonados e improdutivos, nas pescas, nos têxteis, na nossa dependência energética e divida externa e em toda a austeridade que nos é imposta em prol de uma economia distante que não passa de um rodopio de crises de cariz financeiro – não pode, pelo menos, deixar de achar curioso que, há cerca de um século atrás, Gandhi tivesse idealizado uma filosofia preventiva destes mesmos acontecimentos: O Movimento Swadeshi.

O que é o Swadeshi:

Swadeshi é o espírito interior que nos diz que devemos servir o nosso vizinho mais próximo antes dos outros e consumir produtos dos nossos vizinhos em vez de produtos vindos de lugares remotos. Fazendo isto, podemos servir a humanidade no máximo das nossas capacidade. Não podemos servir a humanidade negligenciando o nosso vizinho.Young India - 1919.

É pecaminoso comprar e usar produtos provenientes de trabalho precário. É pecaminoso comer cereais americanos e deixar o meu vizinho, comerciante de cereais, passar fome por falta de clientes. Da mesma maneira, é pecaminoso usar a ultima moda de Regent Street, quando sei que se tivesse usado artigos de fiadeiras e tecelões locais, ter-me-iam vestido, alimentado e agasalhado. - Young India, Oct. 13, 1921.

A definição de Swadeshi é bastante simples. Não posso servir um vizinho distante em detrimento do meu vizinho mais próximo. Não é algo vingativo ou punitivo, e de nenhuma maneira me impede de comprar, de qualquer parte do mundo, o que eu necessitar. Apenas me recuso a comprar seja de quem for, por mais bonito ou barato que seja, um produto que interfira com o meu desenvolvimento ou que prejudique indiretamente aqueles que a Natureza fez com que fossem os meus mais chegados. – Gandhi

O sistema económico que todos os dias alimentamos é movido pelo petróleo, uma energia relativamente barata que permite que um produto proveniente de um pais distante consiga, implicando trabalho precário e outros jogos fraudulentos de corporações que não respeitam de forma alguma a dignidade humana, chegar às nossas casas com um preço mais baixo que o daquele que nosso vizinho mais próximo produz. Sim, esses são os maus da fita, mas… somos nós que compramos os seus produtos.

O Swadeshi, para Gandhi, era muito mais que um indivíduo ou uma família ser auto-suficiente. O seu sonho era a criação de Comunidades Auto-suficientes, tendo chegado mesmo a propor que, a cada vila, fosse dado o estatuto de Republica Comunitária.

A razão era simples: Gandhi sabia que, com a Globalização Económica, cada nação iria querer exportar mais e importar menos para manter o balanço dos pagamentos a seu favor, e que isso iria gerar crises económicas sucessivas, desemprego constante, e um descontentamento crescente por parte das populações.

E agora que tudo parece um emaranhado de impossibilidades, que podemos nós fazer? Será possível reavivar o Swadeshi? Como poderemos nós, nas nossas comunidades, despertar as consciências para a importância das economias, artes e ofícios locais… para tentarmos, pelo menos tentarmos?

Para muitos, isto pode soar a Nacionalismo, mas não, pelo contrário. Gandhi também nos ensinou, através das suas palavras:

Até o Swadeshi, como qualquer outra coisa boa, pode conduzir à morte se for levado apenas como um fetiche. É um perigo que tem de se ter em conta. Rejeitar produtos, meramente porque são estrangeiros, ou desperdiçar tempo e dinheiro ao País para promover produtos nacionais que não são apropriados é um crime, e é também a negação do espírito Swadeshi. Um verdadeiro seguidor do Swadeshi nunca vai demonstrar hostilidade para com um estrangeiro: ele nunca vai atuar com antagonismo para com ninguém na Terra. Swadeshi não é um culto de ódio. É uma doutrina altruísta, com as suas raízes no mais puro ahimsa (Signif: Amor).

Se refletirmos bem, o objectivo não é cortarmos todas as ligações com o mundo. Não se trata de nos isolarmos ou de nos voltarmos a fechar numa economia onde ficaríamos todos pobrezinhos e pouco mais. É apenas um princípio que explora positivamente os recursos de cada região e a potencialidade das suas respectivas populações, privilegiando e fomentando as actividades locais, contribuindo, assim, e muito, para o aproveitamento dessas qualidades e para o combate ao desperdício energético.

Gandhi apostou no Khadi, através de um recurso que a Índia possui em abundância: o algodão. Este passou a ser o símbolo e o veiculo da resistência ao Império Britânico, provindo as populações que praticavam o Swadeshi. Um dos primeiros passos que teremos de dar será precisamente reflectir acerca de qual é o nosso Khadi, qual o produto em que devemos investir para diminuir a nossa dependência exterior.

Claro que estas ideias acabam sempre por trazer ao de cima uma das questões mais antigas enraizadas no ser humano, o pensamento comparativo que provém da inveja e da cobiça, do qual provém o seguinte raciocínio: “a comunidade do meu vizinho é mais rica do que a minha”. Mas Gandhi deixou-nos alguns alertas:

Um certo grau de conforto físico é necessário, porém, acima de um determinado nível, torna-se um obstáculo em vez de uma ajuda. Por isso é que o ideal de criar um número ilimitado de desejos e de satisfazê-los é um engano e uma armadilha. A satisfação própria das necessidades físicas deve chegar a um ponto e parar, antes que degenere em decadência física. Os europeus terão de remodelar as suas perspectivas se não quiserem perecer sob o peso dos confortos dos quais se estão a tornar escravos.

Olhando para esta imagem, não parece tarefa fácil. Como implementar ideias tão simples e que acabam por contribuir para o bem de todos nós num mundo cada vez mais desigual e desumano?

É simples: com a nossa escolha, a capacidade de decisão que nos é proporcionada pelo livre arbítrio. Após termos reduzido a nossa Agricultura e Pescas, começou-se, há uns anos, a ouvir que “o que é nacional é que é bom”. Mas não somos só nós que o dizemos. Por todo o mundo, muitas nações iniciaram campanhas de promoção do seu mercado interno.

Não lhe chamam Swadeshi, mas o princípio é o mesmo. O da racionalidade prática e da visão de um futuro melhor.

Não adianta pensarmos que Gandhi era um ser humano à parte, que como ele não há muitos, e que tem têm de aparecer outros líderes para nos orientarem. Não. Nós podemos ser a mudança. Estando informados e tomando as opções certas. Ao lado de Gandhi, estiveram milhares de homens e mulheres que hoje são completamente anónimos. Eles fizeram a sua escolha e o seu sacrifício. Gandhi não está cá, mas as suas palavras e ensinamentos são eternos enquanto os recordarmos. É deles que precisamos, não de andar às atrás de mais um líder. Cada um de nós pode fazer uma pequena mudança, e todas juntas farão a diferença.



Agradecimentos a Maria

Fonte: http://terrasolta.org/2010/08/swadeshi-o-movimento-auto-suficiente
Imagem: google


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