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sábado, 12 de novembro de 2011

Os EUA aumentam a pressão sobre o Paquistão


M. K. Bhadrakumar
A escalada de guerra imperialista não cessa. Na busca de uma justificação para a manutenção de bases das suas forças armadas no Afeganistão, os EUA elevam a pressão sobre o Paquistão. Quando se fala em que está em preparação um conflito militar na fronteira afegano-paquistanesa, poderia pensar-se que algo de impensável estaria a suceder. Mas pode estar em preparação uma nova aventura de incalculáveis consequências regionais e mundiais.
(O embaixador M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Exerceu funções na extinta União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia



A visita, sem precedentes, de pesos pesados estado-unidenses encabeçados pela secretária de Estado Hillary Clinton sublinha a arriscada política de submeter a máxima pressão vínculos já muito tensos que os EUA estão em vias de executar. Quando se fala de que está em preparação um conflito militar na fronteira afegano-paquistanesa, poderia pensar-se que algo de impensável estaria a suceder. Washington joga um perigoso jogo na busca de uma justificação para a manutenção de bases das suas forças armadas no Afeganistão.
Numa formulação diplomática cuidadosamente escolhida o ministro dos Estrangeiros da Índia, S M Krishna, advertiu das consequências devastadoras que teria os EUA e o Paquistão não conseguirem resolver o seu diferendo. Krishna decidiu fazer esta declaração na presença do ministro dos Exteriores francês Alain Juppé, na conferência de imprensa conjunta em Nova Delhi. A França acaba de retirar o primeiro contingente de 200 soldados do Afeganistão, iniciando o seu plano de retirada do país. Krishna declarou:
“Isto diz respeito à relação entre duas potências amigas, os EUA e o Paquistão, e o desejo da Índia é que todos os problemas pendentes entre elas sejam solucionados à mesa das negociações e que, dessa forma, seja criada na região uma situação que conduza ao desenvolvimento. Porque seja o que for que perturbe a região terá devastadoras consequências para a agenda de desenvolvimento de outros países, e em particular da Índia. Portanto esperamos sinceramente que possam resolver os seus diferendos.”
Esta declaração representa a mais clara afirmação da Índia, até ao momento, de que as estratégias dos EUA para a região não funcionam nem invariável nem necessariamente em função dos interesses da segurança e da estabilidade regional.
Em segundo lugar, é também o sinal mais claro já dado pela Índia de que não participa na pressão táctica estado-unidense contra o Paquistão. A Índia mantém-se claramente afastada do terreno de disputa estado-unidense/paquistanesa e traça o seu próprio caminho em relação ao problema afegão e certamente em relação ao diálogo com o Paquistão. Se na declaração de Krishna os EUA fossem substituídos por Índia, a formulação poderia ter pertencido à sua homóloga estado-unidense Hillary Clinton.
Entretanto, o que se destaca sobretudo é que Delhi está muito preocupada com a recente imprevista viragem e sente que é necessário tornar públicas as suas preocupações. Krishna falou precisamente no momento em que Clinton chegava ao Paquistão.
O facto é que parece que o impensável está a suceder. Cada vez se fala mais em que algum tipo de conflito militar poderia estalar na fronteira afegano-paquistanesa. Com uma candura inusitada, o chefe do exército do Paquistão, Parvez Kiani, admitiu na terça-feira que não excluiria um ataque dos EUA contra o Paquistão. O jornal britânico The Independent citou fontes do exército paquistanês que afirmaram que a crescente concentração de tropas no sector oriental da fronteira afegã têm o significado de uma acção coordenada.
O assunto essencial é qual a vantagem tangível que poderia resultar de uma acção militar dos EUA contra o Paquistão. Um conflito militar sem um objectivo definido e preciso traz sempre consigo o risco de gerar consequências imprevisíveis. Enquanto político que se prepara para uma dura batalha eleitoral, um conflito militar com a participação de tropas estado-unidenses e com prováveis vítimas de guerra não corresponderia aos interesses do presidente Barack Obama. Sendo assim, qual é o plano de acção?

Guerra por encomenda


O ponto de partida é que a guerra afegã não pode ser ganha por meios militares. O enquadramento orçamental em Washington e a oposição à guerra por parte da opinião pública ocidental obrigam os EUA a procurar uma solução política, enquanto as estratégias regionais mais vastas dos EUA na Ásia e o plano para o desenvolvimento da NATO como força global requerem o estabelecimento a longo prazo de uma força militar no Afeganistão.
A dupla moral dos EUA relativamente à rede militante Haqqani ilumina essa questão. Há apenas dois meses, funcionários dos EUA reuniram-se com a direcção da Haqqani na presença do chefe da Direcção Inter-serviços de Inteligência (ISI) do Paquistão, Shuja Pasha. O canal oculto entre os EUA e Haqqani continua funcionando, mesmo na actualidade, e é concebível que o ISI continue a prestar serviços como intermediário. O que se passou subitamente, entretanto?
É presumível que qualquer ataque dos EUA contra o Waziristão, nas zonas tribais do Paquistão, se basearia na débil esperança de dividir os pashtunes de modo a enfraquecer a oposição concertada que estes últimos têm mantido contra a instalação de bases militares estado-unidenses. Mas a realidade no terreno é que, mesmo que tivesse êxito a divisão dos talibans entre diferentes facções e que os EUA, mesmo a uma escala muito limitada, conseguissem introduzir cunhas entre essas facções, os pashtunes têm uma longa tradição de unificação sempre que se trata de enfrentar o ataque estrangeiro.
Estas circunstâncias obrigam os EUA a depender do Paquistão para conseguir que os grupos talibans se adaptem ao seu acordo estratégico com Kabul, que está inteiramente na disposição de assinar. Washington obtém um acordo óptimo com Cabul na base das suas próprias condições as quais, no fim de contas e apesar das suas ocasionais fanfarronadas o presidente afegão Hamid Karzai não pode influenciar, dada a sua lastimosamente débil posição no tabuleiro do xadrez político afegão.
Mas as areias movediças da política afegã (e regional) são traiçoeiras e Washington gostaria de concluir rapidamente a um acordo. O tempo esgota-se já que se espera que o acordo seja assinado perante o pano de fundo diplomático das duas próximas conferências internacionais sobre o Afeganistão, a 2 de Novembro em Istambul e um mês mais tarde em Bona.
Que meios de pressão sobre o Paquistão têm os EUA de forma a impor-lhe uma mudança na sua política afegã? Falando claramente, há já tempo que os EUA vêm utilizando os talibans paquistaneses para causar estragos no interior do Paquistão, e essa guerra por encomenda acabou por sair à luz do dia com a afirmação feita esta semana pelos militares paquistaneses de que a coligação dirigida pelos EUA no Afeganistão oriental ignora os pedidos de Islamabad de envio de informação específica no que diz respeito ao comando dos talibans paquistaneses que operam a partir de refúgios em território afegão lançando ataques no outro lado da fronteira.
É bastante óbvio que os militares paquistaneses compreenderam a mensagem política por detrás desses ataques. Mas continuam a recusar adaptar-se à estratégia regional dos EUA. Por outro lado, os talibans e o ISI têm tido bastante sucesso em frustrar o estratagema estado-unidense de dividir os grupos insurgentes.
A forma como foi silenciado o famoso interlocutor dos EUA com os talibans, Tayeb Agha; o incidente tragicómico em que as forças da OTAN e dos EUA dialogaram com toda a seriedade com um impostor taliban por pura ignorância da sua identidade de pequeno comerciante; ou o repentino desaparecimento do terreno de jogo do Mullah Abdul Ghani Baradar, tudo isto sublinha o paradoxo de que na realidade o que convém ao Paquistão é que os grupos insurgentes se mantenham dispersos e sob o seu controlo em diversos cantos e recantos do tabuleiro de xadrez.

Resposta assimétrica


Washington cronometrou cuidadosamente a sua decisão de concentrar tropas na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão de forma a coincidir com os exercícios militares indianos que agora têm início, com dois meses de duração, e que têm a intenção de comprovar a doutrina indiana acerca da captura e domínio de território situado profundamente por detrás das linhas inimigas.
Mas se os cálculos de Washington visam a aplicação da máxima pressão psicológica sobre os militares paquistaneses, apenas revelam falta de compreensão acerca do que leva a direcção militar a recorrer a um desafio estratégico semelhante. (É interessante que o Paquistão venha minimizando os exercícios militares indianos e que os poucos casos de retórica injustificada acerca dele, e inclusivamente o recente pacto de segurança entre Delhi e Karzai e que, pelo contrário, esteja ostensivamente a atapetar com pétalas de boa vontade o caminho para a Índia, por exemplo ao atribuir à Índia o estatuto de país mais favorecido para o comércio).
Aquilo que os EUA se recusam a enfrentar é que, com razão ou sem ela, o Paquistão já não confia nas intenções de Washington. Os militares paquistaneses estão convencidos de que os EUA desenvolvem uma estratégia para arrancar os dentes ao Paquistão apoderando-se do seu arsenal de armas nucleares. Obviamente que os militares paquistaneses não dão carta-branca ao comprometimento dos seus recursos estratégicos no Afeganistão. Uma presença a longo prazo dos EUA na região é vista como uma ameaça para a soberania e a integridade territorial do Paquistão.
Os militares paquistaneses também se recusaram a cair na armadilha de lançar uma operação especificamente sua no Wasiristão do Norte que, como eles sabem perfeitamente, apenas poderia converter-se num atoleiro de tais proporções que o próprio gigante militar poderia acabar por se desintegrar. As direcções civil e militar paquistanesas estão neste momento de acordo em que a única forma de pacificar as áreas tribais é através de relações com os chefes tribais e com os diversos grupos militares e que isso vai demorar muito tempo. E entretanto o Paquistão não irá embarcar em acções precipitadas sob o incentivo dos EUA.
Algum comentadores apressaram-se a interpretar a declaração de terça-feira de Kiani como chantagem nuclear. Mas a decisão de enviar tropas regulares para a fronteira sugere que os militares paquistaneses resistirão e farão com que os EUA paguem um preço intoleravelmente pesado em baixas, o que Obama, político terrivelmente maltratado que se prepara para uma campanha eleitoral crucial, não está em condições de suportar.
Portanto, qualquer passo em falso com o teatro do costume e a retórica estridente que vem tendo lugar entre os EUA e o Paquistão desde o affaire Raymond Davies em Janeiro (quando o ISI e a direcção militar tomaram finalmente conhecimento de toda a dimensão das operações clandestinas dos EUA no interior do Paquistão), pode chegar-se a uma guerra assimétrica na região, com consequências desastrosas para a segurança e a estabilidade regional, como disse Krishna.
A única coisa que um ataque dos EUA ao Paquistão asseguraria é que os talibans passariam a dispor de uma reserva inesgotável de recursos humanos (e de equipamentos e fornecimentos) para prosseguir a insurgência. Em termos políticos, a insurgência chegaria a assumir a natureza de uma guerra de libertação.
Em que é que isso ajudaria os EUA? Tendo em vista a situação actual em muitas das frentes de guerra; a oposição à guerra por parte da opinião pública ocidental; a crise económica estado-unidense e da eurozona; as inumeráveis insuficiências de governo do grupo em Kabul; as debilidades das forças armadas afegãs; a ilegalidade e a corrupção generalizada que abundam no Afeganistão, uma guerra assimétrica só pode resultar em vantagem para o Paquistão.
Por outro lado, um ataque estado-unidense contra o Paquistão fecharia definitivamente a porta a um caminho conducente a um acordo político no Paquistão. A reacção do Paquistão será firmar-se na sua posição e continuar a rejeitar o diktat dos EUA. Ao fazê-lo, algo de importância fundamental, com graves implicações a longo prazo, poderia também suceder na economia política do Paquistão.
Basta referir que, se Nawaz Sharif foi considerado como uma desagradável alternativa enquanto sucessor de Pervez Musharraf e se Washington fez todos os possíveis para o afastar dos corredores do poder apenas tendo em conta os seus duvidosos antecedentes islamitas, é possível que agora os EUA tenham que aprender a conviver com algo muito pior no Paquistão.
O Paquistão não é o Camboja e não irá desintegrar-se numa anarquia. Segundo os padrões da Ásia do sul o Estado paquistanês é suficientemente forte para sobreviver. Por isso não servirá de grande coisa a guerra uma vez que os EUA, pelo menos durante um certo tempo, terão perdido o Paquistão. Washington tem de avaliar como é que isso, por seu lado, servirá aos EUA numa região altamente estratégica que forma a união entre a Ásia Central, o sul da Ásia propriamente dito, e o Golfo Pérsico. O que vai suceder ao projecto da Nova Rota da Seda?
Resumindo, e para falar com lógica, deveria prevalecer em Washington mais o bom senso do que o lançar um ataque militar contra o Paquistão. No entanto, a inédita visita conjunta a Islamabad de Clinton, David Petraeus e Martin Dempsey sublinha a que ponto é arriscada a política actual.

Máscaras e mascarada

É certo que Bruce Riedel, ex-agente da CIA que assessorou Obama sobre a guerra afegã, apoiou, num provocador artigo publicado no fim-de-semana no New York Times, que os EUA devem seguir uma política de contenção relativamente ao Paquistão.
Riedel tem toda a razão ao considerar que os EUA necessitam de uma nova política face ao Paquistão, uma vez que os interesses dos dois países não se harmonizam, estão em conflito. E não pode também ser condenado por incluir na sua lista de desejos que os EUA contenham as ambições do exército paquistanês de modo a que seja estabelecida no Paquistão uma supremacia civil, e que a sua política externa assuma uma nova orientação.
Ora bem: como é que se pode pôr a funcionar uma estratégia de contenção em relação ao Paquistão? De forma extremamente interessante, Riedel recomenda que os EUA devem criar uma relação de maior hostilidade, uma hostilidade mais concentrada, que responsabilize o seu exército [do Paquistão] e os seus serviços de informações. E acha que isso pode ser conseguido se se realiza uma incursão militar dos EUA em território paquistanês que os militares paquistaneses não consigam impedir.
Riedel conclui esta sua visualização fantasiosa com a afirmação categórica de que os EUA necessitam de bases militares no Afeganistão se quiserem empreender uma estratégia de contenção. No fim de contas, o que acontece é que a necessidade de manter uma estratégia de contenção face ao Paquistão não passa da máscara para uma elaborada justificação do estabelecimento de bases militares dos EUA no Afeganistão.
Este plano parece reflectir a forma de pensar do establishment. Mas uma estratégia de contenção só pode ter êxito se se apoia sobre um forte consenso regional e internacional para isolar o país em questão. De forma ideal, terá de ser apoiada através da criação de uma aliança de países que subscreva uma estratégia comum. No caso do Paquistão esses requisitos prévios estão totalmente ausentes. O Paquistão não se encontra perante um isolamento regional.
Pelo contrário, relaciona-se activamente com quase todos os protagonistas regionais (com excepção da Índia) no que diz respeito ao problema afegão: Irão, Rússia Tadjiquistão, China, Uzbequistão, Turquemenistão, etc. Os EUA teriam uma difícil tarefa para conseguir que os países da região alinhassem numa estratégia de contenção face ao Paquistão.
Para além do mais, demorará muito a fazer funcionar uma estratégia de contenção, se é que o consegue alguma vez (uma tal estratégia tem existido há mais de três décadas contra o Irão, e os resultados não são encorajadores). Disporá Obama de tanto tempo? De facto, se o movimento Ocupem Wall Street reflecte de algum modo o estado de espírito político nos EUA, a guerra afegã não constitui uma prioridade importante na agenda nacional.
Resumindo, a intenção dos EUA parece ser de criar condições políticas e de segurança na fase pós Osama bin Laden que sustentem o motivo para uma presença militar de longo prazo. Os militares paquistaneses são pressionados ao máximo neste sentido. É possível que, nesta conjuntura, a precipitação de uma crise relativamente ao Paquistão se converta numa necessidade geopolítica, se este país não ceder. Mas trata-se de um jogo perigoso. A declaração de Krishna encontrará eco noutras capitais regionais.



Fonte: odiario.info

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A estratégia russa de desenvolvimento vista da Alemanha

Um livro recém lançado na Alemanha proporciona uma excelente visão do pensamento estratégico das elites russas, além das promissoras oportunidades que o país oferece aos investimentos estrangeiros. Trata-se de «O Amigo Frio – Por Que Precisamos da Rússia: Uma Análise de Um Insider»(«Der Kalte Freund – Warum Wir Russland Brauchen: Die Insider-Analyse», Hanser Publication, 2011). O autor, Alexander Rahr, é conhecido como um dos mais importantes “kremlinologistas” alemães, a partir de sua posição de presidente do Centro Berthold Beitz (entidade especializada em relações com a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e Ásia Central), suas excelentes relações com o premier russo Vladimir Putin e ativo participante das discussões anuais do Clube Valdai, fórum criado pela agência Novosti, que reúne anualmente destacados especialistas russos e estrangeiros.

Nova ordem mundial

No livro, o autor mostra que a Rússia se encontra em meio a em um processo de grandes transformações, do qual deverá emergir como uma das superpotências energéticas mundiais. Conquanto os EUA se mantenham como a potência militar número um, o seu poderio em escala global, especialmente no campo econômico, tende a diminuir. De acordo com Rahr, a Rússia aprendeu as lições da crise de 2008 e está consciente da nova realidade geopolítica: a de um mundo multipolar, em que a China, a Índia e outras potências emergentes desempenharão um papel maior, e no qual a Rússia deverá orientar a sua política externa para um contexto eurasiático (uma União Eurasiática) e para o grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Para Rahr, a Rússia necessitará da União Europeia (UE), em especial, da tecnologia alemã para a modernização de sua indústria, em troca da garantia de abastecimentos energéticos. Não obstante, o futuro deverá ver uma diversificação dos fluxos de petróleo e gás para a China, com a qual a Rússia tem interesses de segurança comuns e compartilha um papel de liderança na Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês).

Sob a liderança de Putin

Um fator de grande importância no futuro imediato da Rússia é a liderança do atual premier Vladimir Putin, que deverá trocar de funções com o presidente Dmitri Medvedev, após as eleições de abril de 2012. Para muitos especialistas em assuntos russos, Putin representa o tipo de líder de que a Rússia necessita para efetuar as colossais tarefas de transformação que a sociedade e a economia russas enfrentam. Em uma década, a Rússia deverá ser uma das maiores economias do mundo e, para efetivar a sua modernização, o país está buscando tecnologia europeia e chinesa e reorientando a sua política exterior entre estes dois pólos. Neste contexto, se encaixa a proposta de Putin para a criação de uma União Eurasiática e de um mercado eurasiático, estendendo-se de Lisboa a Vladivostok.

Críticas de Putin à OTAN

Em seu discurso anual no Parlamento, em abril último, ocorrido em meio à intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, Putin fez duras críticas ao Ocidente, qualificando a ação militar como uma “cruzada moderna” (enquanto Medvedev adotava um tom mais conciliatório). A operação na Líbia causou uma mudança na percepção russa e um impacto negativo no diálogo com a OTAN. No discurso, Putin rejeitou o que chamou propostas “liberais” do Ocidente para a modernização da economia russa, enquanto advertia que a população do país deve ser “imunizada” contra qualquer bacilo de desestabilização proveniente do exterior.

Relação com a Alemanha

Rahr dedica uma boa parte do livro a uma análise das relações russo-alemãs, que remonta à cooperação de muitos assessores alemães ao grande esforço de modernização empreendido no século XVIII pelo czar Pedro o Grande. Após a II Guerra Mundial, em plena Guerra Fria, um grupo de industriais alemães (entre eles Berthold Beitz, da companhia Krupp AG) lançou as bases para um processo de cooperação que envolvia a troca de máquinas alemãs por energia russa, que se mantém até os dias atuais. Com a desintegração da URSS, a Comissão Oriental da Associação Industrial Alemã (Ostausschuss des BDI) desempenhou um papel chave na reconstrução da indústria russa.

Porém, Rahr critica a errônea inclinação de alemães e europeus em geral, de insistir em impor à Rússia o sistema ocidental de democracia e direitos humanos, em vez de atuar com uma orientação pragmática de interesses econômicos, deixando que os russos evoluam politicamente por si mesmos.

Interesse também da União Europeia

A tese de Rahr é a de que, sem a energia, os recursos minerais e as enormes oportunidades de investimentos na vasta economia russa, a UE não poderá manter os seus níveis de riqueza e bem-estar, enquanto a Rússia necessita da tecnologia ocidental para modernizar a sua indústria e a sociedade.

Em termos de matérias-primas, a Rússia é o país mais rico do mundo. Apenas a décima parte do território além dos Urais já foi geologicamente explorado. Abaixo da camada de permafrost (solo congelado), existem reservas inestimáveis, e o Ártico russo é “terra incognita”. Em outras palavras, a riqueza russa em matérias-primas será um fator decisivo na política mundial do futuro próximo.

Para dar uma ideia dessa interdependência, a produção alemã de células solares, telefones celulares, marcapassos, automóveis elétricos e tecnologia militar depende de minerais raros, como irídio, lítio, cério, grafite e cobalto, que são fornecidos pela Rússia e a China. Por outro lado, a Rússia necessita de máquinas e plantas industriais modernas, além de tecnologia de mineração para recuperar e modernizar a sua indústria de matérias-primas.

Rússia é Europa

Rahr conclui perguntando como estará a Rússia até o final do mais que provável mandato de Putin, em 2018. Com base em entrevistas que fez para o livro, ele vê o período até o final da década como o de uma mudança de gerações. Porém, ele adverte que a emergência do saudável patriotismo pelo qual muitos na Rússia anseiam há tempos só será possível se uma maioria da sociedade se considerar como parte de uma história europeia, o que inclui a disposição de confrontar tanto os períodos brilhantes como os negativos da história russa.

De Wiesbaden, Elisabeth Hellenbroich

Movimento de Solidariedade Íbero-americana



Fonte: Blog do Ambientalismo

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Roger Noriega especula sobre saúde de Hugo Chavez e propõe intervenção dos EUA na Venezuela

"A equipe internacional de médicos responsáveis ​​pelo tratamento de câncer de Hugo Chavez não é esperado para sobreviver mais de seis meses", disse Roger Noriega, ex-embaixador dos EUA junto à Organização dos Estados Americanos e um dos agitadores mais ativos do golpe de Estado contra o presidente venezuelano em 2002.

Para resolver esta especulação que Noriega assume em um artigo publicado no site do Security Watch Interamericano, o ex-secretário-adjunto do Departamento de Estado do U.S. administração Bush está propondo que se preparem para intervir na Venezuela:



"As autoridades dos EUA devem estar preparadas para lidar com o impacto de uma situação turbulenta de curto prazo em um país onde compramos 10 por cento do nosso petróleo."

De acordo com Noriega, as autoridades dos EUA têm conhecimento de que Chávez tinha câncer seis meses antes do presidente admitir publicamente e agora sabem que é pouco provável que seja o candidato nas próximas eleições presidenciais.

Noriega recomendou que as autoridades em Washington formem um grupo de trabalho com outros países hemisféricos para prevenir o caos em potencial que poderiam resultar de um confronto entre partidários e opositores de Chávez.

"Os diplomatas devem mover-se silenciosamente e rapidamente para coordenar uma resposta regional à morte de Chávez e apoiar uma verdadeira transição para a democracia em sucessão, em vez do que têm em mente os chavistas", disse ele.

"Depois de Chávez sair do palco, os líderes da região devem mobilizar-se para insistir que o regime e os seus parceiros estrangeiros respeitem o resultado de uma eleição para ser livres, justas e com a participação de observadores internacionais. A comunidade americana deve se comprometer a ajudar na reabilitação da economia e restaurar o Estado de direito ", disse ele.




Fonte: cubadebate

Ataque ao Irã - "tão cedo quanto o Natal ou muito cedo quanto o ano novo"


Segundo representante de ministério britânico, ataque israelense pode se dar no próximo mês ao Irã.


Com tradução de Bússola on line e adaptação do texto por Daniel-UND




Um Ministro sênior do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo britânico disse para esperar que a ação militar israelense se dará na esteira do relatório da agência da ONU "tão cedo quanto o Natal ou muito cedo quanto o ano novo", como o London Daily Mail noticiou nesta quinta-feira 10 novembro.
Os ministros foram informados de que Israel atacará as instalações nucleares do Irã "mais cedo ou mais tarde" - com "apoio logístico" dos EUA.

De acordo com o jornal britânico, que tem bons laços militares e de inteligência em Londres, o presidente Barack Obama teria "para apoiar os israelenses ourisco de perder o apoio judeu-americano na próxima eleição presidencial."
A maior preocupação é que uma vez que o Irã com armas nucleares será impossível parar a Arábia Saudita e Turquia de desenvolver suas próprias armas, mesmo fora do equilíbrio do terror nuclear no Oriente Médio.

Fontes militares DEBKAfile adicione-se que o primeiro-ministro Tayyip Erdogan disse a Obama mais de uma vez este ano, "Se o Irã conceber armas nucleares, a Turquia vai ter armas nucleares."

O Daily Mail continua afirmando que nas últimas semanas, fontes do Ministério britânico da Defesa confirmaram que os planos de contingência tinham sido elaborados para o evento que o Reino Unido decidiu apoiar a ação militar.
DEBKAfile refere-se a um relatório anterior que o chefe da equipe britânica, o general Sir David Richards, fez uma visita secreta a Israel em 02 de novembro, seguido no dia seguinte com a chegada em Londres do ministro da Defesa israelense Ehud Barak para negociações com a British defense e chefes militares.

A referência ao apoio logístico dos EUA é explicado por nossas fontes militares, apontando para o modelo da Líbia de uma intervenção militar pelo qual a França, a Grã-Bretanha e Itália lideraram a ação contra o regime de Kadafi, enquanto os Estados Unidos a partir de "um assento para trás" colocou sobre inteligência aéreas e de satélite
e colocando à sua disposição sua rede de abastecimento logístico, incluindo o vôo em reabastecimento de bombardeiros e artilharia.

Transpondo esse modelo para uma ofensiva contra o Irã, a força aérea de Israel e as forças navais farão frente ao ataque ao Irã, com logística e apoio de inteligência dos Estados Unidos, enquanto líderes da OTAN como França, Grã-Bretanha, Alemanha, Holanda e Itália iriam participar direta ou indiretamente na
operação israelense.Desde esse ataque quase certamente trará represálias de Teerã e de seus aliados, a Síria, o Hezbollah e o Hamas palestino além da Jihad Islâmica, será quase certeza expandir-se para um conflito no Oriente Médio mais amplo, ampliando, portanto, também a intervenção dos EUA e do Oeste Europeu.

Perspectivas são de alternativas para uma ação militar - novas sanções capazes de sufocar as operações financeiras do Irã e as exportações de petróleo depois que a agência nuclear confirmou a sua realização clandestina de uma capacidade de arma nuclear, mas perde força esta possibilidade.

Quarta-feira, o vice-chanceler russo Gennady Gatilov prometeu visitar o oficial iraniano Ali Baqeri e que "Quaisquer sanções adicionais contra o Irã será visto ... como um instrumento de mudança de regime em Teerã. Essa abordagem é inaceitável para nós e para o lado russo não temos a intenção de considerar tais
propostas. "

China certamente vai ir junto com a Rússia sobre isso.

Primeira resposta do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad ao relatório da AIEA foi atacar sua credibilidade e declarar que o Irã vai continuar com seu programa nuclear, independentemente das suas conclusões.




Fonte: Debka.com

Submarino Nuclear invadiu águas territoriais Venezuelanas


Chávez diz que submarino entrou em águas venezuelanas e fugiu

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quarta-feira que um submarino não-identificado, mas de "propulsão nuclear", invadiu águas territoriais venezuelanas na terça-feira e depois fugiu.

"Detectamos um submarino em águas venezuelanas, não podemos acusar ninguém, apenas suspeitamos", declarou Chávez ao canal estatal VTV. "Foi perseguido e escapou porque é muito mais rápido que os nossos", acrescentou o presidente venezuelano, comentando que tamanha velocidade indicaria que o submarino possuía propulsão nuclear.

Chávez ressaltou que o Governo está investigando o incidente. "Não podemos acusar ninguém porque não temos provas, mas sem dúvida era um submarino", frisou. O líder venezuelano insinuou que "os impérios se acostumaram a navegar pelo mar do Caribe e a se espalhar por todos os lados. Além disso, usam seus satélites para espionagem", considerou.

Chávez concluiu dizendo que a Venezuela não cairá "em provocações, nem internas nem externas" e continuará "transformando o país em paz".




Fonte: http://brasilnicolaci.blogspot

Marinha do Brasil realiza Operação RETREX LE ll

O Comando do 2° Distrito Naval realizou, no período de 24 a 28 de outubro de 2011, a Operação RETREX LE II, em Aracaju-SE.

O exercício foi simulado na plataforma PCM-2, localizada na Bacia Petrolífera de Camorim, disponibilizada pela PETROBRAS.

O adestramento culminou com a retomada da plataforma e o resgate de pessoas ilegalmente submetidas a confinamento em suas dependências, por meio de negociação e ação de choque com o emprego de força.

A operação foi conduzida por uma Força-Tarefa composta por um destacamento do Grupamento de Fuzileiros Navais de Salvador, Corveta Caboclo, Navio-Patrulha Gravataí, um destacamento de Mergulhadores de Combate (GERR-MEC), proveniente do Rio de Janeiro e militares e lanchas da Capitania dos Portos de Sergipe (CPSE), bem como integrantes do Comando do 2º Distrito Naval, que atuaram como Grupo de Controle (GRUCON) e Figurativo Inimigo (FIGIN), totalizando cerca de 200 pessoas.

Nos cinco dias de exercício, foram testadas técnicas de negociação, levantamento de dados de inteligência, interdição de área marítima, isolamento terrestre e ações de retomada de instalações e resgate de reféns, proporcionando uma excelente oportunidade de adestramento dos meios e tripulações envolvidas.

Vale ressaltar o apoio recebido da PETROBRAS, do Exército, da Força Aérea e do Corpo de Bombeiros de Sergipe, que serviu para demonstrar o estreito relacionamento da Marinha do Brasil na Região.




FONTE: Ascom 2° DN, naval.com.br

A criação colonial das ONGs


A seguir, reproduzimos um trecho do livro «Máfia Verde: Ambientalismo, Nuevo Colonialismo», de Lorenzo Carrasco e outros, publicado pela Capax Dei Editora, em 2007.


O verdadeiro papel das ONGs

«A súbita aparição de centenas de milhares de organizações não-governamentais (ONGs) ao redor do mundo, desde o início da década de 1980, não foi um fato casual, nem um produto da geração espontânea. A reprodução global das ONGs foi o resultado de uma das mais sofisticadas operações de engenharia social gestadas no seio do aparato de inteligência britânico, e disseminada por todas as zonas sob a influência do poder oligárquico anglo-americano. É, portanto, uma parte fundamental da estrutura de um governo mundial, projetado para ser erguido sobre as ruínas do Estado nacional soberano. Portanto, seria mais adequado qualificar as ONGs como organizações anti-Estado nacional, concebidas para suplantar as suas funções e constituir-se em uma nova representatividade sociopolítica, sustentada de fora das fronteiras nacionais.

Controle sobre recursos naturais

«O conceito de ONG foi cunhado pela Fundação da Comunidade Britânica (Commonwealth Foundation), como um instrumento para ajudar na metamorfose do Império Britânico, que passou de um modelo abertamente imperial a outro igualmente colonial, mas com mecanismos mais sutis de controle, conseguindo preservar muitas de suas prerrogativas de poder e, sobretudo, retendo o controle sobre os recursos naturais estratégicos por todo o mundo. A oligarquia britânica e a casas monárquicas que gravitam em sua órbita responderam, com isso, ao clamor mundial de descolonização que se seguiu ao final da II Guerra Mundial. Para isso, foi criada, em 1966, a própria Fundação da Comunidade Britânica, para ajudar oficialmente a controlar a transição do Império Britânico para a Comunidade Britânica de ex-colônias.

Caminho para a globalização

«Essa transição coincidiu com as reformas do sistema financeiro mundial, que culminaram na ruptura dos Acordos de Bretton Woods, em agosto de 1971, abrindo caminho ao processo de globalização financeira atual. A própria Fundação da Comunidade Britânica admite:

(…) “A exposição das ONGs pode ser vista como a manifestação de um novo pensamento sobre o rol do governo, que deve ser mais um gestor de política que um provedor de bens e serviços… A privatização, a descentralização… constituem manifestações paralelas da mesma tendência geral.”

Contra os Estados nacionais

«Assim, as agências de desenvolvimento dos governos europeus, estadunidense, canadense e os organismos multilaterais, como o Banco Mundial e outros, alimentaram o crescimento de uma rede global de ONGs, ao tempo em que exigiam, também, o desmantelamento econômico dos Estados nacionais. Como resultado deste processo, esses organismos deixaram de financiar diretamente as nações em vias de desenvolvimento, desviando crescentemente os recursos dos Estados nacionais para uma rede seletiva de ONGs internacionais, cujos dirigentes, por certo, são, com frequência, intercambiáveis, tanto entre aquelas agências governamentais, como entre organismos das Nações Unidas.

A desestabilização das nações mais vulneráveis

«Como resultado, os governos das nações mais pobres permitem que tais organizações proliferem – muitas vezes, empenhadas abertamente em desestabilizá-los econômica e politicamente – ao verem-se obstaculizados e reduzidos na concessão de créditos financeiros internacionais. Um exemplo ilustra tal fato: segundo dados do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) britânico, 30% da ajuda externa concedido pelo governo sueco em 1994 foi canalizado através de ONGs. No mesmo ano, o governo dos EUA, o maior doador do mundo, canalizou 9% dos seus fundos de ajuda ao exterior pelas mesmas vias, além de ter anunciado a intenção de elevar esta porcentagem até 50% ao final da década.

Influência mundial das ONGs

«Em 1994, as ONGs estiveram diretamente envolvidas em mais da metade dos projetos do Banco Mundial, não apenas na fase de execução, mas desde o seu planejamento e desenvolvimento.

«Segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em meados da década de 1990, aproximadamente, 250 milhões de pessoas em todo o mundo se encontravam sob a influência direta das ONGs, número que cresceu exponencialmente na década seguinte.

«Deve-se reiterar que a explosão de ONGs e o seu controle crescente sobre as populações não se teriam produzido sem o enfraquecimento simultâneo dos Estados nacionais soberanos e as suas instituições, por meio de cortes tão drásticos como desastrosos dos orçamentos econômicos e sociais, ditados pelas políticas neoliberais impostas, de forma centralizada, pelas instituições financeiras globais.»

«Máfia Verde: Ambientalismo, Nuevo Colonialismo»

Os editores

Movimento de Solidariedade Íbero-americana


Fonte: Blog do Ambientalismo

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O MUNDO EM 2017

Inacreditável!!!


Mini ONU - Conselho de Segurança Futurista

Isto é o trabalho entre professores e estudantes de uma Escola no Brasil
.


Vejam!!! E divulguem!!!


25 de dezembro de 2017

Irã ataca Israel na noite de Natal


Na noite de ontem, o Irã lançou um artefato militar até o momento não identificado em direção à cidade de Jerusalém, onde acontecia uma enorme comemoração natalina, na qual estavam presentes cerca de dois milhões de turistas estrangeiros.

De acordo com fontes israelenses, Israel detectou a presença do artefato e, com um míssil balístico, conseguiu interceptá-lo. Entretanto, ao invés de ser destruído no ar, o artefato teve sua rota desviada e acabou por atingir o centro da cidade de Bethlehem, próxima à Jerusalém, causando mais de cinco mil mortes e centenas de feridos.

O ataque causou uma onda de pânico no país, no qual a população teme por novos ataques, principalmente em mesquitas e locais religiosos judeus. Os turistas presentes na região já começam a deixar o país, causando grande congestionamento aéreo e nas principais rodovias do Estado. Alguns grupos de judeus radicais já lançaram campanhas de contra-ação ao atentado iraniano, prometendo vingança pela morte dos judeus vitimados.

Logo após o atentado, o presidente israelense convocou a imprensa para fazer um comunicado, no qual afirmou que o Irã se tornou uma ameaça à todos os países do mundo e que ações diplomáticas não são suficientes para conter as pretensões iranianas de desestabilizar todo o Oriente. Ao fim do discurso, o presidente convocou todos os “Estados do Bem” para se unirem contra essa ameaça que amedronta a todos.

O governo iraniano, em contrapartida, lançou uma nota oficial informando que o atentado da noite de ontem é apenas um aviso à todo o mundo, e que a nação iraniana não aceitará mais ser subjugada por nenhuma outra nação do mundo.

Ao redor do mundo, diversos governos, organizações não-governamentais, e grupos civis expressaram seu temor de que esse conflito se agrave, transformando-se em uma intensificada perseguição religiosa entre islâmicos e judeus, e clamaram para que o embate seja resolvido o quanto antes e de forma pacífica.

O MUNDO EM 2017

O Conselho de Segurança das Nações Unidas irá se reunir no dia 26 de dezembro de 2017 em caráter emergencial para discutir sobre os acontecidos de 24 de dezembro na cidade israelense de Bethlehem, no qual um dispositivo militar iraniano fora interceptado e veio a cair na região próxima á capital Jerusalém, deixando mais de cinco mil mortos e centenas de feridos.
Mesmo com os pedidos da Comunidade Internacional pela vistoria nos arsenais bélicos imparciais em suas conclusões. Israel se vendo acuado pela presença iraniana na região, coloca em posição seus navios militares em águas internacionais e também nas costas oceânicas de Omã e Índia, fechando a saída dos navios mercantis iranianos ao oceano Indico. A fim de forçar aos governantes iranianos a aceitarem a intervenção das Nações Unidas em suas forças armadas e em seus planos de segurança nacional. O governo iraniano indignado pelo ato claramente hostil dos israelenses decide por um confronto direto com o país. Um artefato militar (que ate o presente momento não foi classificado) fora interceptado por um míssil balístico israelense na noite desta quinta feira, véspera de Natal, na cidade de Bethlehem. Segundo radares israelenses a rota inicial do artefato israelense era a capital Jerusalém, que no dia estava em comemoração pelas festividades natalinas, recebendo cerca de dois milhões de turistas estrangeiros. Infelizmente o artefato interceptado não fora destruído em ar, este veio a colidir no centro de Bethlehem, matando milhares e deixando outros tantos feridos.
O Conselho de Segurança terá sua primeira grande reunião emergencial depois de sua ampliação. Os países membros do Conselho possuirão a árdua missão de apaziguar o conflito instaurado no Oriente Médio, palco de grandes guerras, massacres e desrespeito aos direitos humanos. Toda Comunidade Internacional espera que o Conselho chegue á uma resolução o mais rápido possível. O medo de uma possível guerra entre os países do Oriente Médio traz grande insegurança ao mundo, despencando bolsas de valores ao redor do globo e deixando governantes aflitos. Pois, uma guerra neste momento, inevitavelmente atingiria todos os países do mundo.

5.2 – A SITUAÇÃO DE ISRAEL

A situação de Israel vem se agravando á décadas. O país encontra-se cada vez mais isolado dos demais países árabes e cada vez mais dependente dos países ocidentais. Ameaças ao governo israelense são diárias. A Faixa de Gaza ainda é o principal palco de conflitos na região. O governo israelense pauta seu curso
de ação em conjunto com os Estados Unidos, declarado abertamente como seu principal aliado. O governo norte americano repassa enormes quantias ao governo israelense para aprimoramento de seu exercito e desenvolvimento de novas tecnologias bélicas e nucleares para serem utilizadas em sua defesa.
Israel sempre tentou apoio de toda Comunidade de Estados para tentar resolver os conflitos instaurados na região. Porém, vários países preferem se colocar como neutros nos debates por considerar a região instável demais, receosos da eminência de novos conflitos e também pela fragilidade econômica do local.
O governo israelense acusa o Irã de esconder artefatos nucleares em seu território, e afirma que o país está disposto em mudar o status quo (*) da região, trazendo conflitos e discussões desnecessárias. * Termo em latim que expressa a condição existente das coisas
Logo após ao atentado em Bethlehem, o presidente israelense endureceu seu discurso, afirmando que o Irã se tornou uma ameaça a todos os países do mundo, e que nenhuma ação diplomática fará o Irã retroceder em sua pretensão de desestabilizar todo o Oriente. E que agora chegou á hora de todos os Estados do “Bem” se unirem contra esta grande ameaça que a tempos amedronta a todos.

5.3 – O IRÃ

O governo iraniano ao longo do tempo iniciou um processo de abertura gradual de seu país. Porém, algumas ramificações do governo ainda continuam extremamente controladas, como é o caso da área militar e projetos nucleares.
Os Estados Unidos e alguns países europeus ainda veem o Irã como potencial perturbador da ordem internacional. Pedidos para a entrada de técnicos nucleares e agentes da ONU para analisarem as usinas nucleares e a coordenação do exercito iraniano foram muito discutidas. Contudo, nenhuma medida foi acatada pelo governo que repudia a entrada de qualquer membro das Nações Unidas, pois não os consideram imparciais em suas analises. Após a não efetivação do acordo firmado entre governo iraniano, o Brasil e a Turquia, o qual previa o translado de material nuclear para estocagem na Turquia e o enriquecimento de urânio em território iraniano em 5%, o Irã passa a adotar medidas mais restritivas as ações da ONU, não respeitando á maioria dos acordos estipulados pela organização.
Israel se vendo então acuada pelas atitudes do Irã realiza um embargo econômico em 2013, proibindo a entrada e saída de certos tipos de materiais via terrestre. O resultado foi uma rápida movimentação das tropas iranianas para a fronteira. O Conselho de Segurança foi então requisitado e acabou por
retirar a sanção imposta por Israel. Porém, no ano de 2015 o governo israelense, juntamente com os Estados Unidos, publicou um relatório secreto sobre governo iraniano, onde constava a posição de usinas nucleares que fabricavam artefatos bélicos, e requisitando à Comunidade Internacional uma intervenção imediata no país por questões de segurança global. Contudo, analistas internacionais contradiziam o relatório afirmando que tais afirmações possivelmente seriam inverídicas. Não satisfeito pela não intervenção em solo iraniano, o governo israelense mobilizou sua tropa marítima para agir em águas internacionais, fechando o acesso do Irã ao Oceano Indico. Esta manobra israelense foi duramente criticada pela imprensa internacional e por vários países ao redor do globo.
O Irã respondeu á esse embargo no dia vinte e quatro de dezembro de dois mil e dezessete, lançando ao território israelense um artefato militar com destino á Jerusalém. O artefato caiu em Bethlehem, causando grande destruição. O governo iraniano soltou uma nota oficial afirmando que os atos do dia foram um aviso ao mundo, e que o Irã não seria mais subjugado por nenhuma nação do mundo.



Fonte: http://csfut.wordpress.com/


Fiquei completamente horrorizado com isso, estava procurando uma imagem no google e me deparei com isto.

Esse é o tipo de ensino que estão dando para as crianças e jovens de Belo Horizonte!

Será que o restante das Escolas do Brasil está a fazer a mesma coisa?


Alguém tem que tomar uma providência urgente!

É terrorismo mental, ainda mostram que foi no natal para chocar as crianças.

Espero que isso chegue ao conhecimento de um grande número de pessoas para podermos parar essa manipulação que estão a fazer com as crianças e jovens dessa escola.

IRÃ e ISRAEL


Israel mantém silêncio oficial sobre relatório nuclear do Irã

Israel mantém nesta quarta-feira um silêncio oficial sobre as conclusões do relatório publicado nesta terça-feira pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear iraniano, que aponta que o país poderia ter tentado desenvolver armas nucleares.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu instruções a seus ministros para que não fizessem declarações sobre o relatório e um comunicado de seu gabinete manifestava na véspera que Israel analisará o documento antes de dar uma resposta.

Fontes do governo citadas nesta quarta-feira pelo jornal Ha'aretz afirmaram que Israel está atrasando sua resposta porque quer avaliar antes a reação do mundo às descobertas da AIEA e não pretende ser o primeiro país a liderar a comunidade internacional.

Já uma fonte diplomática em Viena, sede do organismo internacional, declarou à publicação de Tel Aviv que o documento "era o mais condenatório já publicado pela AIEA, do qual só se pode extrair uma conclusão: o Irã está trabalhando para adquirir uma arma nuclear".

Netanyahu determinou aos membros de seu gabinete que se abstenham dos comentários sobre o conteúdo do relatório, que aponta para indícios de que o Irã manteve até recentemente atividades que só podem estar relacionadas com o desenvolvimento de armas nucleares.

Em Israel, a chefe da oposição Tzipi Livni se referiu à questão afirmando: "Agora, quando a verdade está diante dos olhos de todos, Israel deve alistar o mundo livre para frear o Irã".

Para a ex-chefe da diplomacia israelense e líder do partido Kadima, o que se requer agora é "determinação e inteligência diplomática".

Por sua vez, o deputado trabalhista e ex-ministro da Defesa Binyamin Ben-Eliezer manifestou nesta quarta-feira à rádio pública israelense que o país deve se abster de lançar um ataque contra o Irã, uma tarefa das potências estrangeiras, em particular dos EUA, que deveriam liderar uma ofensiva destinada a neutralizar seu programa nuclear.

Israel vê o programa nuclear iraniano como uma grande ameaça e na última semana os meios de comunicação publicaram que a Força Aérea treinou voos a longa distância para bombardear instalações no Irã relacionadas com o programa nuclear.

General do Irã ameaça destruir Israel em caso de ataque

O chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas iranianas, o general Masud Jazayeri, ameaçou destruir Israel se o Estado hebreu atacar as instalações nucleares do Irã.

"O centro (nuclear israelense) de Dimona é o local mais acessível para o qual podemos apontar e temos capacidades ainda mais importantes. Ante a maior ação de Israel, veremos sua destruição", advertiu o general Jazayeri, citado pela televisão iraniana em idioma árabe Al Alam.

O presidente israelense Shimon Peres advertiu no domingo que a possibilidade de um ataque militar contra o Irã é maior que a de uma ação diplomática. "A possibilidade de um ataque militar contra o Irã parece mais próxima que a opção diplomática", afirmou o presidente em declarações ao jornal Israel Hayom.

"Não acredito que já tenha sido tomada uma decisão a respeito, mas dá a impressão de que os iranianos vão se aproximando da bomba atômica", acrescentou Peres. "Não temos que revelar nossas intenções ao inimigo", explicou.

Ahmadinejad: Irã não recuará "nem uma agulha"

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou nesta quarta-feira um relatório da agência nuclear da Organização das Nações Unidas que ressaltava preocupações de que o país tenha se empenhando em desenvolver uma bomba atômica. Ele afirmou que o texto se baseava em informações "inválidas" de Washington.

"Vocês deveriam saber que esta nação não irá recuar nem uma agulha do caminho que está seguindo", afirmou Ahmadinejad em discurso realizado na cidade de Shahrekord e transmitido ao vivo pela televisão.

"Por que vocês prejudicam a dignidade da agência por causa das alegações inválidas dos Estados Unidos?", indagou, aparentemente se dirigindo aos membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que divulgou o relatório na terça-feira.

O presidente voltou a negar que o Irã esteja tentando construir armas nucleares e destacou, em referência aos Estados Unidos: "Nós somos inteligentes e não vamos construir duas bombas para enfrentar as 20 mil que os senhores têm".

Ahmadinejad apontou que o país continuará com seu programa nuclear, que as autoridades de Teerã insistem que tem exclusivamente fins pacíficos civis, e acrescentou que seu governo pretende construir um Irã "mais próspero e mais avançado para entregá-lo à próxima geração".

Também nesta quarta-feira, o embaixador iraniano na AEIA afirmou que o seu país jamais abandonará seu programa nuclear, mas continuará cooperando com a agência da ONU, apesar de seu último relatório, muito crítico em relação ao Irã.

"O Irã jamais abandonará seus direitos legítimos em termos nucleares, mas, como país responsável, continuará respeitando suas obrigações dentro do Tratado de Não-proliferação Nuclear", que prevê a supervisão de suas atividades pela AIEA, declarou Ali Asghar Soltaniyeh, citado pela agência oficial iraniano Irna.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vejam e sigam o exemplo do amor incondicional

São atitudes como esta que ainda me fazem ter esperança nos Seres Humanos!


O Crepúsculo do Império Americano e a Aurora da China


"Embora os EUA ainda sejam o pólo do sistema capitalista mundial, sua hegemonia cada vez mais se desvanece. O Império está falido. Com um PIB da ordem de $14,66 trilhões, sua dívida pública, em 9 de setembro de 2011, já estava em cerca de US$ 14,71 trilhões. A China tornou-se para os EUA o mais importante país do mundo. Atualmente, é o maior credor dos EUA, com reservas de mais de US$ 3 trilhões".

Prólogo de Luiz Alberto Moniz Bandeira ao livro de Durval de Noronha Goyos, que será lançado dia 10 de novembro, em São Paulo.


O crepúsculo do Império e a aurora da China é uma excelente imagem que Durval de Noronha Goyos escolheu para intitular a série de artigos sobre o declínio dos Estados Unidos, como potência econômica hegemônica, e o advento da China, que se tornará a maior economia mundial, em 2016.

Trata-se de um conjunto de artigos muito importantes e oportuno, porquanto apresenta uma lúcida percepção das mudanças na correlação mundial de forças, demonstrando a erosão que corrói o Império Americano, à beira da recessão e cuja segurança depende cada mais do poder militar, a um custo insustentável, em contraste com o alvorecer da China, a crescer 9.5%, em 2011, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), não obstante a profunda crise econômica e financeira na qual os Estados Unidos e a União Européia estão submersos.

Há alguns acadêmicos que tentam negar o declínio, com o argumento de que os EUA ainda são a maior potência militar do planeta, havendo conquistado a hegemonia com a 2ª Guerra Mundial e consolidado e ao fim da Guerra Fria. Realmente os Estados Unidos possuem um poderio militar incomparável, com um poder de destruição sem paralelo na história e dispõem de meios para intervir imediata e efetivamente em qualquer região do mundo.

Desde as bombas nucleares lançadas contra Hiroshima e Nagasaki, matando um total de cerca de 199.000 pessoas [2], em 1945, os Estados Unidos produziram cerca de 70.000 armas nucleares de 72 tipos. Ao fim da Guerra Fria, em 1991, possuíam um arsenal ativo da ordem de 23.000 artefactos nucleares dos 26 tipos principais. E nunca cessaram completamente de produzi-los. Um estudo realizado no Brooking Institute, de Washington, estimou que os custos em armamentos nucleares, desde a II Guerra Mundial até 2007, foram da ordem de US$ 7,2 trilhões, e o total dos gastos militares, no mesmo período de meio século, alcançou o montante de US$ 22,8 trilhões.

De acordo com o Annual Report of Implementation of the Moscow Treaty, os Estados Unidos mantinham, em 31 de dezembro de 2007, cerca de 2.871 ogivas nucleares estratégicas em condições operativas, i. e., prontas para lançamento, mais 2.500 como reserva (ativas e inativas), e outras 4.200 retiradas para seu desmantelamento. O total do stock era de 9.400 armas nucleares, de todas as categorias.

Após a II Guerra Mundial, os Estados Unidos instalaram bases militares nos mais diversos países da Europa, tais como Alemanha, França, Grã-Bretanha, Espanha e Itália, a pretexto de conter a União Soviética e a expansão do comunismo. E, durante a Guerra Fria, estacionaram armamentos nucleares em 27 países estrangeiros e territórios, entre os quais Japão, Alemanha, Groenlândia e Turquia. O Bloco Socialista e a União Soviética implodiram entre 1989 e 1991. Os partidos comunistas virtualmente desapareceram na Europa. Entretanto, em 2006, os Estados Unidos ainda possuíam um arsenal de 9.960 ogivas intactas, das quais 5.735 eram consideradas ativas e operacionais. E, de acordo com o Department of Defense’s 2010 Base Structure Report, o Pentágono ainda mantém um total de 4.999 instalações militares em 50 Estados americanos, sete territórios e em outros 38 países estrangeiros. No exterior, a maioria das instalações, que incluem bases do Exército, Marinha, Força Aérea, Marine Corps, Washington Headquarters Services (WHS), está na Alemanha (218), Japão (115) e Coréia do Sul (86).

Segundo as estimativas, o total, em todo o mundo, ultrapassa 1.000 bases militares. Alguns calculam 1.077, outros 1.088, outros 1.160 ou mesmo 1.180. Realmente o número pode ser mais alto, porém ninguém está certo quanto ao total. E desde os atentados terroristas de 11 de setembro o número ainda mais recresceu, com a instalação de bases no Quirguistão, Paquistão, Afeganistão, Uzbequistão, Iraque, Djibouti e em diversos outros países da Ásia e da África, bem como da América Latina. O que realmente conta é a obsessão do Pentágono por controlar o mapa do gás e do petróleo.

Contudo, desde a derrota das potências do Eixo, em 1945, os Estados Unidos não venceram nenhuma outra guerra. A guerra na Coréia (1950-1953) demonstrou que não eram onipotentes. Henry Kissinger qualificou como “inconclusive” essa guerra, que deixou um saldo de 150.000 americanos mortos, feridos e desaparecidos. A guerra no Vietnã (1959-1975) resultou em um dramático fiasco. Comprovou que a força militar dos Estados Unidos, por maior que fosse, não lhes podia assegurar o triunfo.

Os Estados Unidos possuíam (e possuem) ilimitada capacidade de destruição, inclusive armas nucleares, mas não tinham condições políticas e morais para usá-las. As conseqüências seriam imprevisíveis. Porém todo o seu poderio militar não bastava para dar-lhes a vitória sobre forças que viviam no seu próprio habitat, na mais perfeita simbiose com a natureza e sobreviviam nas condições mais primitivas, combatiam extremamente bem, com eficiência e recebiam o mais amplo suporte da população, em todos os lugarejos do Vietnã do Sul. E, desde 2001-2003, os Estados Unidos estão chafurdados nas guerras no Afeganistão e no Iraque, onde os ataques e atentados se intensificaram, países dos quais não conseguem retirar totalmente suas tropas.

O relatório Costs of War, preparado por acadêmicos, participantes do Eisenhower Research Project do Watson Institute for International Studies, da Brown University, informa que os custos financeiros das Operations Enduring Freedom, Iraqi Freedom, New Dawn, situam-se entre US$ 3,2 e US$ 4 trilhões. Há muitos outros custos que não puderam ser quantificados, mas as guerras contra o terror, empreendidas pelos Estados Unidos, foram quase totalmente financiadas por empréstimos, juros de US$ 185 bilhões já pagos ou a pagar, e outro US$ 1 trilhão pode aumentar até 2020. Somente o complexo industrial-militar recebeu os benefícios.

O poderio militar dos Estados Unidos, no entanto, tem limites econômicos e financeiros. O crescimento das despesas militares no exterior, subindo US$ 800 milhões, em 1967, e mais US$ 600 milhões, em 1968, produziu forte impacto sobre o balanço de pagamento dos Estados Unidos, que teve um déficit de US$ 9,8 bilhões em 1970 [9]. O saldo comercial entre 1970 e 1971 desapareceu, em conseqüência do declínio das exportações, desde 1968. A inflação, da ordem de 1,5% em 1961, saltou para 4,7%, em 1968/69. O PIB dos Estados Unidos, que se duplicara durante a Segunda Guerra Mundial e representara 34% da produção mundial até 1970, baixou para menos de 30%, em 1971. O dólar enfraqueceu-se. E a vulnerabilidade econômica dos Estados Unidos abalou a estabilidade do sistema monetário internacional, que passara a depender de sua política monetária, manejada unilateralmente, desde o Acordo de Bretton Woods (Bretton Woods Agreement), de 1944, estabelecendo que cada país devia manter a taxa de câmbio de suas moedas, indexada de certo modo ao dólar, cujo valor estaria baseado no padrão-ouro, numa base fixa de 35 dólares por onça Troy (31,103478 gramas de ouro).

Os presidentes Lyndon Johnson (1963-1969) e Richard Nixon (1969-1974) não cumpriram, entretanto, as regras para as relações comerciais e financeiras acordadas em Bretton Woods. Emitiram e lançaram em circulação mais dólares do que podiam lastrear com o ouro existente no Fort Knox, conforme o acordo de Bretton Woods, a fim de financiar as importações dos Estados Unidos e os custos da Guerra Fria e da guerra no Vietnã, Camboja e Laos. Todas as reservas de ouro estocadas no Fort Knox já estavam virtualmente esgotadas em 1970. Só restavam 1.000 das 8.500 toneladas que supostamente lá estavam depositadas. E as reservas em dólar, em posse dos bancos estrangeiros, haviam saltado de US$ 23,8 bilhões para US$ 36 bilhões, em julho de 1971 e, no mês seguinte, para US$ 40 bilhões, três vezes mais do que os Estados Unidos necessitavam para honrar as obrigações contraídas em Bretton Woods.

Daí que, naquele ano, sem, consultar os demais países, o presidente Nixon aboliu, unilateralmente, a conversibilidade direta do dólar em ouro. A ordem monetária e o Sistema Bretton Woods de coordenação econômica internacional sofreram um colapso. E, dois anos depois, em 1973, o presidente Nixon, ante o agravamento da crise, teve de desvalorizar o dólar, em 10%, rompendo tanto o Smithsonian Agreement quanto o European Joint Float, e pavimentando o caminho para a livre flutuação das moedas. O dólar, que só os Estados Unidos podiam produzir, transformou-se na divisa fiduciária internacional. O presidente da França, general Charles de Gaulle, acusou então os Estados Unidos, de assumirem um “privilégio exorbitante”, na medida em que podiam continuar financiando seus déficits com a emissão de mais dólares e colocá-los em circulação.

A ruptura definitiva do padrão-ouro, a contundente derrota no Vietnam, o escândalo de Watergate e o apoio aos golpes militares e às ditaduras na América Latina e em outras regiões, entre outros fatores, começaram a assinalar o declínio econômico, político e moral dos Estados Unidos. O complexo industrial-militar já havia capturado e mantinha como refém todos os governos, fossem do Partido Republicano ou Democrata. E seus gastos militares continuaram a crescer, para a sustentação da indústria bélica e de sua cadeia produtiva, gerando a necessidade de permanente guerra e de reais ou supostas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos, a fim de consumir os armamentos produzidos e reproduzir o capital.

De 1940-1996, os Estados Unidos gastaram, no mínimo, US$ 5,5 trilhões em seu programa de armamentos nucleares, sem contar as cifras da produção de armamentos convencionais. E esse valor não incluía US$ 320 bilhões estimados para os futuros custos anuais de armazenamento e remoção do valor acumulado do lixo radioativo e tóxico, em mais de cinco décadas, US$ 20 bilhões para o desmantelamento do sistema de armas nucleares e remoção dos excedentes materiais atômicos. Com todos esses elementos contabilizados, o total dos custos do programa de armamentos nucleares dos Estados Unidos, até 1996, ultrapassou o montante US$ 5,8 trilhões. E nenhum governo podia converter realmente a indústria bélica para fins civis, sem acarretar profundas implicações políticas, na medida em que aumentaria o número de desempregados e abalaria as atividades econômicas de diversas regiões (Texas, Missouri, Florida, Maryland e Virginia), onde estão as indústrias especializadas em armamentos com tecnologia intensiva de capital, cujo interesse é experimentá-los em guerras reais, a fim de que o Pentágono possa esvaziar os arsenais, promover os armamentos, vendê-los a outros países e fazer novas encomendas, que geram polpudas comissões e dividendos.

Muitas outras regiões dos Estados Unidos são beneficiadas pela produção, deslocamento, operações e manutenção das forças nucleares. Conforme avaliou de William J. Weida, do Brooking Institute, a Califórnia, a partir de 1980, passou a depender mais do que qualquer outro Estado das despesas militares do Pentágono, a maioria das quais nos programas dos bombardeiros B-1 e B-2, os mísseis Trident I e Trident II, os mísseis MX, bem como do projeto Strategic Defense Initiative e do programa de satélites Military Strategic and Tactical Relay (MILSTAR). Em 1986, as corporações empreiteiras (contractors) do Pentágono, na Califórnia, receberam 20% do orçamento de Departamento de Defesa, enquanto Nova York, Texas e Massachusets apropriaram-se de 21% [15]. Os imensos custos dos Estados Unidos com a produção de armamentos não decorrem tanto de fatores de segurança quanto de incoercíveis necessidades econômicas.

O Império Americano necessita de guerras para manter sua economia em funcionamento, evitar o colapso da indústria bélica e de sua cadeia produtiva e evitar o aumento do número de desempregados e a bancarrota de muitos Estados americanos, cuja receita depende da produção de armamentos.

Embora os Estados Unidos ainda sejam o pólo do sistema capitalista mundial, sua hegemonia cada vez mais se desvanece. Como bem salientou Durval de Noronha Goyos, o Império Americano está falido. Com um PIB da ordem de $14,66 trilhões (2010 est.), sua dívida pública, em 9 de setembro de 2011, já estava em cerca de US$ 14,71 trilhões, dos quais US$ 10,07 trilhões em poder do público e US$ 4,64 trilhões administrados pelo governo federal. Em fim de junho de 2011 seu PIB era estimado em cerca de US$ 15,00 trilhões, porém com uma dívida pública equivalente a 98% desse montante [16]. E seu déficit comercial, em junho deste mesmo ano, 2011, aumentou para US$ 53,1 bilhões contra US$ 50,8 bilhões, em maio.

Os Estados Unidos estão chafurdados em dívidas, por diversos fatores, sobretudo porque produzem menos do que consomem. Dependem de tudo, inclusive de capitais e financiamentos. Como bem observaram Bill Bonner e Addison Wigging, “a nação mais rica, mais poderosa do mundo, depende das poupanças dos países mais pobres”.

Em 2007, David M. Walker, Comptroller General of the United States (1998- 2008), advertiu que o governo americano estava sobre uma “burning platform” de insustentáveis políticas e práticas, com déficits fiscais, crônica insuficiência de recursos para a assistência à saúde, imigração e comprometimentos militares além-mar, ameaçando uma crise, se não fosse logo tomada uma atitude. E apontou “striking similarities” entre a situação do Império Americano e os fatores que produziram a queda de Roma, inclusive o “declining moral values and political civility at home, an over-confident and over-extended military in foreign lands and fiscal irresponsibility by the central government”.

Ao contrário do Estados Unidos, cuja crise financeira praticamente havia principiado nos anos 1970, quando o governo do presidente Richard Nixon não pôde sustentar o dólar com o padrão-ouro, a China, após o falecimento de Mao Tse-tung, começou economicamente a aflorar. Deng Xiaoping (1904-1997), ao recuperar o poder, após um período de ostracismo durante a chamada Revolução Cultural (1966-1976), tratou de empreender as reformas econômicas, de modo similar ao que Lenin tratou de promover na Rússia, após o término da guerra civil em 1921, quando a gravidade de sua situação econômica, social e política, atingira as mais trágicas dimensões e ameaçara a própria sobrevivência do Estado soviético. Diante de tal situação, Lenin recuou do “comunismo militar” ou “comunismo de guerra”, implantado durante os anos da guerra civil.

Com a adoção da NEP (Novaia Ekonomitcheskaia Politika), ele restabeleceu o funcionamento da economia de mercado, instituindo o capitalismo de Estado, não como propriedade e operação das empresas pelo Estado, mas como capitalismo privado, permitido e controlado pelo Estado.

Deng Xiaoping e os dirigentes da China haviam percebido que não podiam manter o mesmo modelo de socialismo, implantado na União Soviética por Stalin, após extinguir a NEP em 1927, pois nem Marx nem Engels jamais conceberam o socialismo como via de desenvolvimento ou modelo alternativo para o capitalismo, senão como consequência de seu desenvolvimento. Sem o rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e o constante progresso dos meios de transporte e de comunicação, com que a burguesia arrastava até as nações mais bárbaras à civilização, não seria possível chegar ao socialismo.

O que o viabilizava, cientificamente, era o alto nível de desenvolvimento das forças produtivas, que o capitalismo impulsionava, porquanto somente seria possível realizá-lo, elevando a oferta de bens e serviços, em quantidade e em qualidade, a um nível em que a liquidação das diferenças de classe constituísse verdadeiro progresso e tivesse consistência, sem acarretar consigo o estancamento da sociedade e, inclusive, a decadência do seu modo de produção.

Ao fim dos anos 1970, a China começou a promover reformas econômicas, autorizando os chineses a realizar empreendimentos comerciais privados e abrindo o país aos investimentos estrangeiros. O Estado deixou de ser o único dono dos meios de produção. E Deng Xiaoping, visando a revitalizar a economia a partir das zonas rurais, instituiu o estabelecimento de contratos de produção com agricultores individuais e o desenvolvimento de empresas rurais, do mesmo modo que, no setor urbano, concedeu autonomia de gestão às empresas estatais e promoveu a descentralização regional, investimentos e desregulamentação dos preços. Jiang Zemin e Li Peng, sucedendo a Deng Xiaoping, impulsionaram a reorganização institucional no governo e no Partido Comunista da China, e empreenderam a reforma do sistema financeiro, reforma fiscal, e estabeleceram o regime empresarial.

Tais reformas possibilitaram o extraordinário crescimento econômico, cuja taxa subira de 4,5%, na década de 1960-1970, para 5,8%, entre 1970 e 1980, e saltara para 8,5%, na década de 1980-1990, enquanto a taxa de crescimento dos Estados Unidos declinava de 3,8%, na década de 1960-1970, para 2,7%, entre 1970 e 1980, e 2,8%, na década de 1980-1990, baixando para - 0,7%, em 1991, ano em que a própria União Soviética se desintegrou, após a dissolução do Bloco Socialista.

A China, em termos estratégicos, tornou-se para os Estados Unidos o mais importante país do mundo no último quartel do século XX e começou a receber enorme influxo de homens de negócios das potências capitalistas do Ocidente. Atualmente, 2011, a China é o maior credor dos Estados Unidos, com reservas de mais de US$ 3 trilhões, como salientou Durval de Noronha Goyos, das quais apenas US$ 1,145 trilhão estão investidos em U.S. Treasuries, pouco mais de um terço do volume total, dado que, diante da extrema fragilidade da economia americana, ela continua a diversificar o perfil de suas aplicações em outras divisas.

A dívida soberana dos Estados Unidos, evidentemente, já não é o instrumento mais seguro para armazenar o valor das reservas. Contudo, a China ainda não pode desfazer-se totalmente das reservas em dólares, que agora representam apenas pouco menos de 10% do PIB americano, porquanto a quebra dos Estados Unidos também lhe traria imensos prejuízos.

Wen Jiabao previu o “primary stage of socialism for the next 100 years” e afirmou que o Partido Comunista da República Popular da China persistiria executando as reformas e inovação para assegurar o vigor e vitalidade e assegurar o socialismo com as características chinesas. Isto não significa que a aurora da China possa já configurar o advento do socialismo. O capitalismo foi o único modo de produção que teve a capacidade de expandir-se por todos os continentes e estabelecer, com a criação do mercado mundial e a divisão internacional do trabalho, uma ordem econômica internacional, integrando, como um bloco assimétrico, potências industriais e países agrícolas e atrasados ou em desenvolvimento, denominados periféricos e emergentes. Daí a impossibilidade de instituir, na moldura nacional, um sistema harmônico e auto-suficiente, com todos os ramos econômicos, sem considerar as condições geográficas, históricas e culturais do país, que somente constitui um elemento da unidade econômica mundial.

E, conforme Karl Marx concluiu das suas pesquisas, uma formação social nunca desmorona sem que as forças produtivas dentro dela estejam suficientemente desenvolvidas, e que as novas relações de produção superiores jamais aparecem, no lugar, antes de que as condições materiais de sua existência sejam incubadas nas entranhas da própria sociedade antiga.

A emergência da China como a maior potência econômica mundial marcará o século XXI.


Fonte: Patria Latina


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Brasil 2020 : Uma Potência Solidária


O cálculo é da revista The Economist: em 2020 a China deixará os Estados Unidos para trás e se tornará a maior economia do planeta. Não por outro motivo os teóricos estadunidenses já fazem projeções para os próximos anos, considerando cenários que oscilam entre a cooperação e a competição entre os dois países. As gradações variam de acordo com os analistas e os ângulos considerados.


Nesse sentido, destaca-se um recente comentário de Kurt Campbell, conselheiro da Secretaria de Estado para o Leste Asiático e o Pacífico dos Estados Unidos. “Um dos desafios mais importantes para a política externa dos Estados Unidos é efetivar a transição do foco imediato do Oriente Médio para o longo prazo da Ásia”.

Considerando essa mudança de posicionamento dos Estados Unidos e o conturbado cenário europeu, em que o desemprego e a crise econômica se aprofundam, o melhor que temos a fazer nesse momento é estreitar os laços com os países latino-americanos e ampliar as relações com os africanos.

O Brasil deve, mais do que nunca, aproveitar algumas vantagens conquistadas pelo continente sul-americano, manifestadas com maior clareza nos últimos seis anos: o expressivo crescimento econômico regional, o significativo aumento da inclusão social, as amplas reservas financeiras acumuladas e o portentoso mercado interno que conquistamos. Isso tudo nos garante um razoável respaldo diante das turbulências externas. Em vez de ficar a reboque dos que estão em crise, devemos montar nossa própria agenda positiva nesta década. Esse é o melhor caminho para nos fortalecermos e, num futuro próximo, reunirmos melhores condições para enfrentar os grandes desafios que se avizinham de igual para igual com as potências mundiais.

Para tanto, é fundamental impulsionar as atividades da Unasul – União das Nações Sul-Americanas. Criada com grandes ambições geopolíticas e econômicas, a Unasul se destacou, entre outras ações, quando investigou o massacre em Pando, na Bolívia. A missão, liderada pelo Brasil em 2008, conseguiu reunir provas que tiveram grande importância na condenação e prisão do então governador Leopoldo Fernandéz, que agia em consonância com os interesses da direita separatista e da diplomacia estadunidense.

Ações como essa precisam ser retomadas, já que reforçam o pólo de poder regional e ampliam nossa governabilidade sobre a segurança de Nuestra América. Vale lembrar que são ações cujos contenciosos são resolvidos pela ação diplomática com base nas doutrinas sul-americanas do direito internacional, o respeito à soberania e à não-intervenção em assuntos internos dos Estados. Desse modo, ao passo que valorizamos a institucionalidade regional, afastamos a interferência de potências estrangeiras.

Dando continuidade às iniciativas da política externa e em complementação a ela, o ministro da Defesa, Celso Amorim, vai esta semana ao Peru, quinto país da região que visita desde que assumiu a pasta, em agosto. “Estamos tratando de garantir que haja um ‘cinturão de paz e boa vontade’ em nossa região. Isso requer muita compreensão dos problemas dos nossos vizinhos, sem arrogância ou falsos complexos de superioridade”, disse à Carta Maior.

África

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorizou o fortalecimento das relações comerciais do Brasil com o continente, visitando pelo menos 25 países e duplicando o número de embaixadas em seus dois mandatos.

Graças ao trabalho do então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, temos hoje 31 representações diplomáticas na África, à frente da Grã-Bretanha, com 26, que por contenção de custos está tendo de fechar embaixadas onde antes era senhora. Estados Unidos (46), Rússia (45) e China (42) seguem à frente do Brasil. Em termos de movimentação financeira, só estamos à frente da Rússia, que anualmente negocia US$ 3,5 bilhões com a região. O Brasil movimenta US$ 20 bilhões, ainda atrás da Índia (US$ 32 bilhões) e muito aquém da líder China (US$ 107 bilhões).

Em termos de cooperação, entretanto, a diferença vai muito além das cifras; enquanto esses países se dedicam ao tema com matizes imperialistas, buscando extrair o máximo do continente, e tratando o impacto sobre sociedades locais como pauta menor, a cooperação brasileira parte de um paradigma de solidariedade e imbui-se do espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, que enfatiza em seu preâmbulo o conceito de família humana.

Essa diferença conceitual se verifica na prática absolutamente distinta entre o Brasil e as potências tradicionais quando cooperando com a África. Ao passo que as segundas inundam o continente com dinheiro repleto de condicionantes, a cooperação brasileira, ao centrar suas ações no desenvolvimento humano, contribui para a autodeterminação e emancipação das sociedades locais, especialmente através do intercâmbio de boas práticas em políticas públicas. Um bom exemplo é a cooperação iniciada pelo presidente Lula, e mantida pela presidenta Dilma, com Guiné-Bissau para a Promoção do Registro Civil de Nascimento.

“Para cada problema africano existe uma solução brasileira”, afirma o pesquisador africano, hoje em Harvard, Calestous Juma. E os africanos reconhecem isso, como registrou Celso Amorim em artigo publicado na revista CartaCapital, com o significativo título “A África tem sede de Brasil”. No entanto, reforça ele, para transformar essa realidade virtual em ato concreto será preciso muita persistência e visão de futuro. “Estou certo [que essas virtudes] continuarão a inspirar o governo Dilma, como inspiraram o de Lula”.

Esse tipo de cooperação fortalece os laços entre o Brasil e os países africanos, produzindo efeitos mais duradouros ao reconstituir e estabelecer vínculos e similaridades não apenas no plano institucional, mas também entre os nossos povos, que um dia foram um só, e ainda hoje permanecem conectados pela influência cultural que exercem mutuamente uns sobre os outros.

O Brasil está no caminho certo, mas precisa aproveitar a atual conjuntura histórica para aprofundar o que vem se convertendo em uma nova hegemonia latinoamericana, baseada nos princípios da cooperação e no respeito à autodeterminação dos povos. Assim passaremos de país emergente a uma grande potência mundial – não uma potência imperialista, como tantas outras, mas de um novo tipo, que apenas o povo brasileiro, em seu singular sincretismo étnico-cultural, na acepção de Darcy Ribeiro, seria capaz de criar: uma Potência Solidária.




Marcelo Salles é jornalista. Fábio Balestro é advogado e especialista no Estudo das Instituições Ocidentais (Universidade de Notre Dame).

No Escrevinhador

Retirado do blog Com Texto Livre

A ajuda humanitária significa uma forma de solidariedade

Imagens da "Ajuda Humanitária" da OTAN na Líbia






















EUA e Israel farão exercício militar conjunto com mais de cinco mil soldados

De acordo com funcionário da Casa Branca, será o maior já realizado entre os dois aliados

Israel e Estados Unidos realizarão o “maior e mais significante” exercício militar conjunto já realizado na história entre os dois aliados. A afirmação foi feita neste sábado por Andrew Shapiro, secretário-adjunto de assuntos políticos e militares do Departamento de Estado norte-americano. As informações são do jornal israelense Haaretz.

Segundo Shapiro, que anunciou a decisão no Instituto de Políticas para o Oriente Médio em Washington, o exercício envolverá mais de cinco mil soldados dos dois países e irá realizar uma simulação de defesa antimíssil. “Exercícios conjuntos nos permitem aprender com a experiência israelense em conflitos urbanos e contraterrorismo”, disse.

O funcionário também revelou que, em breve, através de dispositivos legislativos, os dois países terão maior facilidade para comercializar armas, como já ocorre com Japão, Coréia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, outros aliados dos norte-americanos.

"Nossa relação com Israel a respeito da segurança é mais ampla, profunda e intensa do que nunca”, disse Shapiro. Ele também afirmou que o fortalecimento militar israelense é uma prioridade top tanto para ele quanto para a secretária Hillary Clinton e o presidente Barack Obama.

Os EUA tem um contribuição anual de três bilhões de dólares com Israel, a qual, segundo Shapiro, a administração Obama continuará a honrar, mesmo em tempos orçamentários desafiadores.

Shapiro afirmou que a ajuda militar dos EUA para Israel é importante, pois ajuda a criar empregos para os norte-americanos. “Não damos essa assistência por caridade, nas porque também beneficia nossa própria segurança. E ajudamos Israel porque é de nosso interesse nacional fazê-lo”, disse Shapiro.

O funcionário acabou repetindo as conclusões do recente levantamento do Instituto, que argumentou que o estado judeu é um aliado estratégico. “Se Israel se enfraquece, nossos inimigos se fortalecerão. Isso faria com que o conflito se espalhasse, o que seria catastrófico para os interesses norte-americanos na região. É a força militar israelense que poderá deter potenciais agressores e ajudar a forjar paz e estabilidade”.




Fonte: Opera Mundi
Imagem: Google

A idade do ódio, aqui e no mundo

Por Mauro Santayana

Duas situações – uma, internacional, outra, em nosso país – trazem-nos a sensação angustiosa de que os homens perderam a sua essência moral e retornam velozmente à idade do instinto dos répteis; enfim, desumanizam-se. Prepara-se, sem quaisquer disfarces, a guerra contra o Irã. Não basta o que se faz no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Palestina. Os belicosos de Israel, com o apoio da Grã Bretanha e da França, e o estímulo dissimulado de Washington, acreditam que lhes será possível atacar impunemente as supostas instalações nucleares da velha Pérsia. Em lugar da retirada – inglória – do Iraque e do Afeganistão, já anunciada, o que se vislumbra é a ampliação do conflito. Como em todas as aventuras militares, sabe-se como esta se iniciará, com o bombardeio de alvos no Irã – mas não se sabe como acabará. Se não prevalecer o bom-senso em Tel-Aviv, podemos aguardar nova tragédia, se não formos arrastados a uma Grande Guerra Euroasiática, da qual poderemos escapar na América Latina, se a estupidez não nos contaminar.

Há dias houve sinais de esperança com a troca de prisioneiros entre Israel e o Hammas. Essa esperança durou menos do que algumas horas, com a decisão de Netanyahu de construir nova colônia em território alheio, como represália à decisão da UNESCO - pela maioria esmagadora de votos - de reconhecer o Estado da Palestina. Como se isso não bastasse, trata agora o governo extremista de Israel de preparar o bombardeio contra o Irã, com a presunção de que continuará impune, como tem ocorrido ao longo desses 63 anos de existência do estado judaico.

É uma pena que os governantes de Israel dessirvam a memória de um povo que se destacou na crônica de nossa civilização com as manifestações da inteligência, das artes e do humanismo. É uma lástima que os judeus sensatos, de Israel e do mundo inteiro, não consigam que seu governo aceite o convívio com o vizinho. Todas as explicações de Israel não desmentem a realidade de que os palestinos têm sido submetidos, nestas décadas, à humilhação e à opressão. Expulsos de suas terras familiares, confinados em espaços cada vez menores, submetidos ao racionamento de água e ao bloqueio comercial, os palestinos se tornaram os párias de nosso tempo.

A insensatez chega agora a nova aventura bélica, contra um povo muito mais numeroso, com forças militares preparadas, e que, em uma escalada bélica, poderá construir aliança com potências de primeira grandeza – ainda que não tenham bombas atômicas como os agressores. Será um conflito do qual dificilmente Israel sairá sem perdas políticas e humanas consideráveis. Isso, na melhor hipótese.

A outra manifestação de ódio é a que se registra, aqui no Brasil, contra Lula, no momento em que o ex-presidente passa pela hora mais difícil de sua vida, ao enfrentar a doença que já atingiu dramaticamente a própria família. É doloroso que, entre os que se excitam com seu sofrimento se encontrem pessoas das quais se poderia esperar o mínimo de entendimento do mundo. A internet se tornou, nesses dias, o repositório das frases mais repulsivas. Felizmente essa fúria dos covardes tem encontrado a repulsa de todo o povo brasileiro – já que eles, pelo seu comportamento, se excluem da comunidade nacional.

É possível divergir de Lula, de seu governo, de seu partido, de suas idéias. Mas não se trata de Lula, o político, o alvo dessas manifestações de ódio. Não se odeia o ex-presidente da República. Odeia-se o menino de Pernambuco que arrombou as portas da História e, em nome do povo mais humilhado e vilipendiado do país, assumiu o governo e colocou o país entre as nações mais respeitadas de nosso tempo.

Enfim, e para não perder a razão das coisas, é uma questão de classe. Só isso.



Fonte: Patria Latina

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