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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Equador propõe democratização do sistema de Nações Unidas

O governo do Equador realiza contatos com diferentes países para fortalecer uma proposta de democratizar o sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), e convoca uma integração da região para mudar essa relação de poder

Assim o enfatizou o presidente equatoriano, Rafael Correa, ao dizer aos jornalistas estrangeiros credenciados aqui que o Conselho de Segurança da ONU é um poder absolutamente antidemocrático.

Nesse órgão, afirmou, têm poder de veto uns quantos países que descaradamente se nomearam os policiais e árbitros do mundo.

Estamos levantando propostas sobre isto, disse, mas sabemos que sozinhos não vamos a lugar algum. Trata-se, enfatizou, de unir esforços entre muitos países que buscam mudar esse sistema tão antidemocrático.

Criticou igualmente o sistema interamericano da Organização de Estados Americanos (OEA), da qual destacou a contradição de que sua sede esteja em Washington, quando os Estados Unidos não reconhecem a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Correa manifestou seu desejo de que a próxima Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), que será constituída na Venezuela nestes 2 e 3 de dezembro, substitua a Organização de Estados Americanos (OEA).

Reafirmou a vontade do Equador de desenvolver a CELAC como um fórum para a resolução de conflitos regionais, que substitua a OEA, por sua clara inclinação a favor dos países hegemônicos.

Estamos trabalhando pela integração, acrescentou, porque estamos conscientes de que só como bloco teremos mais importância no cenário mundial para impedir que nos submetam não apenas os países hegemônicos, senão capitais hegemônicas.

Se a América Latina continua desunida, advertiu, e o investimento estrangeiro compete nos países da região, exonerando impostos ou baixando os salários reais, o que faremos é dar a pouca riqueza de nossos países em benefício do grande capital.

E a melhor maneira de enfrentar isso é com a ação coletiva regional, onde nossa política internacional se caracteriza pela soberania, a dignidade, e por buscar uma ordem planetário mais humano, mais justo, e mudar as relações de poder.

A América Latina tem tido tudo para ser o continente mais próspero do planeta e, na média, ainda que não é o mais pobre, temos pobres mais pobres que nos países desenvolvidos e ricos mais ricos que nesses países industrializados, afirmou o presidente.

A América Latina se caracterizou pela desigualdade e por sistemas excludentes, e isso reflete a relação de poderes, disse ao se referir aos poderes de fato que independentemente de que não ganhassem as eleições continuavam governando".

Disse que estes setores eram econômicos, sociais, noticiários, religiosos, e isso é o que está mudando, afirmou.



Fonte: Pátria Latina

Imagem: Google

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

TEMOS QUE CONSTRUIR BELO MONTE!

antevisão da usina de Belo Monte

Por Sonia Montenegro

“Recebi de um amigo uma propaganda de artistas globais contra a construção de Belo Monte, e coletei uns tantos textos que defendem a construção da usina.



PS:
Se não tiver saco para ler tudo, faça pelo menos uma leitura dinâmica [dos textos abaixo indicados], para sentir que faz sentido a defesa da construção da hidrelétrica:

--Belo Monte e a Soberania, Mauro Santayana - Revista do Brasil No. 47 - 19.5.2010

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O que está por trás de Belo Monte - Bem do Século, Delfim Neto - Carta Capital - 13.4.2011

--ONG britânica denuncia: WWF recebe dinheiro de desmatadores, Reportagem do jornal Hora do Povo – 29.7.2011

--Por que Cameron é contra Belo Monte? Eron Bezerra no Portal Vermelho – 20.4.2010

--Eu não assino petições contra Belo Monte, Alexandre Porto no Blog do Ale - 18 1. 2011

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Comentários sobre Belo Monte, Miguel do Rosário - Blog Óleo do Diabo - 27.4.2010

--SWU: a farsa ambiental e seus interesses privados, Claudio Julio Tognolli - Brasil 247 - 14.11.2011


PARA QUEM ACREDITA NA IMPRENSA

Por Sonia Montenegro

“Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, a emissão de poluentes na Terra.

Por que você acha que o Príncipe Charles e outros milionários de países de primeiro mundo são patrocinadores e padroeiros do WWF?

Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros “preservadores da natureza” para drogar jovens com a febre antidesenvolvimentista [nos países concorrentes, real ou potencialmente].

Neil Young, que [obviamente] há duas semanas saiu nas ‘Páginas Amarelas’ da ‘Veja’, veio aqui no SWU [festival do ‘Starts With You’ – ‘Começa Com Você’, movimento de conscientização em prol da 'sustentabilidade'] com um único papel: ele é agente do capetalismo internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro.

Vale lembrar que há no Brasil 340 mil ONGs...

Quem são? Quem financia? Quais seus interesses? O capital estrangeiro é de quais países? Em que áreas atuam? Como e em quais localidades brasileiras, estrangeiras e em seus países de origem atuam?”

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Finalmente, dou os meus pitacos:

“Confio muito mais na opinião dos textos acima do que qualquer bandeira da 'Globo', e as razões já disse acima. Quanto aos artistas globais, ou podem ser usados como inocentes úteis (na melhor das hipóteses), ou estão defendendo seus interesses, puxando o saco do seu patrão.

Tem um vídeo que rola na internet de Orlando Villas Boas, sertanista falecido em dezembro de 2002, que dedicou sua vida à causa dos índios e principal criador do Parque Nacional do Xingu.

Orlando faz nele uma grave advertência aos brasileiros: disse que algo entre 10 ou 15 Ianomâmi, os mais destacados da comunidade, estão na América, aprendendo inglês, aprendendo uma porção de coisas e aprendendo a política.



E essa política vai resultar em que? Eles vão voltar dentro de uns 2 ou 3 anos para as tribos ianomâmis, falando inglês, com outra mentalidade. E o que eles vão fazer? Eles vão pedir o território ianomâmi desmembrado do Brasil, e a ONU vai dar. E dá como tutora, no começo, dessa nova gleba, a América do Norte. Isso é amor dos norte-americanos pelos ianomâmis? Não! Não senhor!

Eu gostaria de saber com que direito o magnata cineasta James Cameron se arvora no direito de se meter na política de um país soberano, afirmando que vai impedir a construção da usina de Belo Monte? Como ele se locomove [poluindo] pelo mundo? Com certeza, não é a pé ou de bicicleta e muito menos em aviões comerciais. Ele não está preocupado com planeta, quando se trata do seu próprio conforto.

Por que ele não faz uma campanha no seu rico país para reflorestar as 96% das florestas que devastaram? Os EUA possuem 5% da população do mundo e consomem 30% dos recursos naturais do planeta. Se todo o mundo consumisse como eles, seriam necessários de 3 a 5 planetas. E ele vem se meter onde não foi chamado?

E as guerras que a 'grande nação' norte-americana promove continuamente, desde a guerra da independência? Bomba não polui? Destruir infraestrutura construída com o dinheiro da população de diversos países, como vem acontecendo, para depois auferir lucros na reconstrução é o que? Isso poderia ser chamado de 'ecologicamente certo'?

A “grande” nação norte-americana jamais assumiu que invadiria um país para lhe roubar. Sempre tiveram um discurso “politicamente certo”: “contra os comunistas que comem criancinhas”, nos tempos da guerra-fria; que uma vez acabada, levou a outras justificativas, como: “vamos levar a liberdade”.

Historicamente, apoiaram ditadores sanguinários, desde que fossem “amigos”. Derrubaram um número enorme de governos democraticamente eleitos, e os substituíram por ditaduras “amigas”. Não foi a custa de justiça que se tornaram uma potência hegemônica.

Agora, o discurso é ecologia, ou você acha que essa onda ecológica nasceu espontaneamente? E a hipocrisia é tamanha que exigem dos outros o que não fazem, porque não assinaram nem o Protocolo de Kioto. Foram eles que instituíram essa “sociedade de consumo” e, pior, nada fizeram para mudar.

Então que vão catar coquinhos, e eu estou disposta a ir para a rua para defender a construção de Belo Monte, apesar da 'Globo' e dos 'globais'!”




FONTE:
escrito por Sonia Montenegro e postado por Castor Filho no blog "Rede Castor Photo" (http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/11/temos-que-construir-belo-monte.html). Postado também no blog “Grupo Beatrice” (http://grupobeatrice.blogspot.com/) [imagem do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’. Sugestão de postagem do leitor Probus].
Retirado do Blog Democracia e Politica

Desabafo: CONTRA o Movimento Gota D'água



Derramamento de sangue em Honduras e a desonra de Obama

Imagine que um ativista opositor fosse assassinado em plena luz do dia na Argentina, na Bolívia, no Equador ou na Venezuela por pistoleiros mascarados, ou sequestrado e assassinado por guardas armados de um conhecidíssimo partido do governo.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama conversa com Porfírio Lobo na Oficina Oval da Casa Branca

Seria uma notícia de primeira página no The New York Times e em todos os canais de TV. O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiria uma enérgica declaração sobre graves abusos dos direitos humanos, caso algo semelhante acontecesse.

Agora, imagine que 59 assassinatos desse tipo aconteceram até agora, durante o ano de 2011, e 61 em 2010. Muito antes da quantidade de vítimas chegar a esse nível, seria convertido em um importante tema de política exterior para os Estados Unidos e Washington exigiria sanções internacionais.

Porém, estamos falando de Honduras, não da Bolívia ou da Venezuela. Portanto, quando o presidente Porfirio Lobo, de Honduras, foi a Washington, no mês passado, o presidente Obama o saudou calorosamente e disse: "Há dois anos, vimos um golpe em Honduras que ameaçou desviar o país da democracia e, em parte pela pressão da comunidade internacional; porém, também pelo forte compromisso com a democracia e a liderança do presidente Lobo, o que vemos é uma restauração das práticas democráticas e um compromisso com a reconciliação, o que nos dá muitas esperanças”.

Conivência de Obama

Evidentemente, o presidente Obama, inclusive, negou-se a reunir-se com o presidente democraticamente eleito, que foi derrocado pelo golpe mencionado, apesar de que esse presidente, logo após o golpe, foi por três vezes a Washington em busca de ajuda. Era Manuel Zelaya, o presidente de centro-esquerda que foi derrocado pelos militares e setores conservadores em Honduras após instituir uma série de reformas votadas pela cidadania hondurenha, como o aumento do salário mínimo e leis de impulso à reforma agrária.

Porém, o que mais enfureceu a Washington foi a proximidade de Zelaya com os governos esquerdistas da América do Sul, incluída a Venezuela. Não estava mais próximo da Venezuela do que o Brasil ou a Argentina; porém, foi um crime de oportunidade. Assim, quando os militares hondurenhos derrocaram a Zelaya, em junho de 2009, o governo de Obama fez todo o possível durante os seis meses seguintes para assegurar-se de que o golpe havia sido um êxito.

A "pressão da comunidade internacional”, a que Obama se referiu na declaração mencionada, veio de outros países, especialmente dos governos de esquerdas da América do Sul. Os Estados Unidos estavam do outro lado, lutando —finalmente com êxito — a fim de legitimar o governo golpista mediante uma "eleição” que o restante do hemisfério negou-se a reconhecer.

Em maio desse ano, Zelaya declarou em público o que já havíamos adivinhado os que acompanhamos de perto os acontecimentos: que Washington esteve por trás do golpe e ajudou para que se perpetrasse. Mesmo que ninguém tenha se dado ao trabalho de investigar qual o papel dos Estados Unidos no golpe, é algo bastante plausível em vista da grande evidência circunstancial.

Porfirio Lobo assumiu o poder em janeiro de 2010; porém, a maioria do hemisfério negou-se a reconhecer seu governo porque sua eleição aconteceu mediante graves violações dos direitos humanos. Em maio de 2011, chegou-se, finalmente, ao Acordo de Cartagena (Colômbia), que permitiu que Honduras voltasse à Organização dos Estados Americanos (OEA). Porém, o governo de Porfirio Lobo não cumpriu sua parte nos Acordos de Cartagena, que incluíam garantias para os direitos humanos da oposição política.

Assassinatos políticos

Em seguida, menciono duas das dezenas de assassinatos políticos que aconteceram durante a presidência de Lobo, tal como foram recopilados pela Red de Liderazgo Religioso de Chicago sobre Latinoamérica (Rede de Liderança Religiosa de Chicago para a América Latina): "Pedro Salgado, vice presidente do Movimento Unificado Camponês do Aguán (Muca) foi eliminado a tiros e depois foi decapitado, aproximadamente às 8 horas da noite na empresa cooperativa La Concepción. Sua esposa, Reina Irene Mejía, também foi assassinada a tiros na mesma ocasião. Pedro sofreu uma tentativa de assassinato em dezembro de 2010... Salgado, como os presidentes de todas as cooperativas que reivindicam direitos a terras utilizadas pelos empresários do óleo de palma africana no Aguán, havia sido objeto de constantes ameaças de morte desde inícios de 2011”.

A coragem desses ativistas e organizadores frente à semelhante violência e horrível repressão é assombrosa. Muitos dos assassinatos do ano passado aconteceram no Valle Aguán, no Nordeste, onde pequenos agricultores lutam por direitos à terra contra um dos latifundiários mais ricos de Honduras, Miguel Facussé.

Ele produz biocombustíveis nessa região em terras em disputa. É próximo aos Estados Unidos e foi um importante apoio ao golpe de 2009 contra Zelaya. Suas forças privadas de segurança, junto com policiais e militares respaldados pelos EUA são responsáveis pela violência política na região. A ajuda dos EUA aos militares hondurenhos aumentou a partir do golpe.

Recentes comunicações diplomáticas publicadas por WikiLeaks mostram que os funcionários estadunidenses souberam, desde 2004, que Facussé traficou grandes quantidades de cocaína. Dana Frank, professor da Universidade de Santa Cruz, especialista em Honduras, resumiu para The Nation, no mês passado: "Fundos e treinamento da ‘guerra contra a droga' dos EUA, em outras palavras, estão sendo utilizados para apoiar a guerra de um conhecido narcotraficante contra os camponeses”.

A militarização da guerra contra a droga na região também impulsiona Honduras pelo mesmo caminho perigoso trilhado pelo México, um país que já tem uma das mais altas taxas de assassinatos no mundo. The New York Times informa que 84% da cocaína que chega aos EUA agora cruza pela América Central, em comparação com os 23% em 2006, quando Calderón chegou à presidência no México e lançou sua guerra contra a droga. The Times também assinala que "os funcionários estadunidenses dizem que o golpe de 2009 abriu a porta aos cartéis [da droga]” em Honduras.

Esquadrão da morte

Quando votei por Barack Obama, em 2008, nunca imaginei que seu legado na América Central seria o retorno do governo dos esquadrões da morte, do tipo que Ronald Reagan apoiou tão vigorosamente nos anos 80. Porém, parece ser o caso em Honduras.

O governo ignorou até agora a pressão dos membros democratas do Congresso para que sejam respeitados os direitos humanos em Honduras. Esses esforços continuarão; porém, Honduras necessita ajuda do Sul. A América do Sul foi a que encabeçou os esforços para reverter o golpe de 2009. Apesar de que Washington os derrotou, não pode abandonar Honduras enquanto gente que não é diferente de seus amigos e partidários em seus países são assassinadas por um governo respaldado pelos Estados Unidos.




Fonte: Mark Weisbrot no jornal britânico The Guardian
Tradução: Adital

Retirado do site vermelho.org

Palestinos fazem acordo para realizar eleições em maio de 2012


O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o líder máximo do Hamas, Khaled Meshaal, deram nesta quinta-feira (24) um impulso à reconciliação entre seus grupos com um acordo para realizar eleições gerais em maio de 2012.


O pacto foi alcançado em reunião que os dois líderes mantiveram na residência de Abbas no Cairo e que contou com a presença das delegações de suas respectivas organizações. Após o encontro, o porta-voz do Ministério do Interior da ANP, Ihab al Gusain, disse que existe "um consenso sobre a necessidade de criar a atmosfera adequada para a realização das eleições em maio e pôr fim às disputas políticas". Abbas e Meshaal haviam se reunido pela última vez em 4 de maio, quando selaram um pacto de reconciliação que ainda não foi aplicado devido às diferenças entre ambas as partes sobre a repartição dos ministérios no futuro governo de união nacional. A esse respeito, Al Gusain afirmou que os dois líderes ratificaram o acordo sobre a formação de um governo de união nacional, embora tenham se recusado a divulgar a divisão de pastas e a data na qual será constituído. Além disso, acertaram realizar duas reuniões, sendo uma no dia 20 de dezembro com todas as organizações palestinas, em local ainda não definido, e outra no dia 22, com o comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), antecipou Al Gusain. O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Fawzi Barhum, disse "o próximo governo deve ser nacional e refletir todo o povo palestino e não só o Hamas e o Fatah. Será um Executivo com um programa nacional que preserve os direitos do povo palestino até a realização das eleições". O dirigente do Hamas destacou ainda que os outros pontos analisados nesta quinta-feira foram a constituição de uma Comissão Eleitoral independente "em um ambiente positivo que dê confiança a todos" e "a solução da questão dos presos políticos nos próximos dias". A disputa entre as duas organizações palestinas remonta a junho de 2007, quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza após expulsarem as forças leais a Abbas, o que originou dois governos palestinos: um do Hamas em Gaza e outro da ANP, ligado ao Fatah, na Cisjordânia. As últimas eleições legislativas palestinas foram realizadas em 2006 com a vitória do Hamas, à qual se seguiu um boicote do imperialismo estadunidense e seus aliados da União Europeia ao novo governo.



Fonte: Vermelho.org

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Petrobras e Chevron, acordos confidênciais???

Gostaria de saber porque os termos do acordo entre a Petrobras e Chevron são confidenciais???

Se a Petrobras é uma Empresa Pública Brasileira, não devería haver transparência em seus acordos???

Que tipo de acordos são esses que os Brasileiros não podem saber???

(Burgos Cãogrino)


Em audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o presidente da Chevron Brasil Petróleo, George Buck,pediu desculpas ao país.

- Peço sinceras desculpas à população e ao governo brasileiro. E também por não poder falar em português – disse ele, com um sotaque muito carregado.

A audiência atrasou mais de duas horas porque o presidente da Comissão, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), decidiu esperar por Buck para começar a reunião. Com a ajuda de uma intérprete, o executivo explicou que havia ficado retido no Rio “devido ao mau tempo durante muitas horas”.

George Buck, disse que a mancha de óleo na terça-feira já era menor do que três barris de petróleo e que ela vem se distanciando cada vez mais da costa brasileira. Ele afirmou que Chevron vai investigar para que o acidente não se repita, “não só aqui, mas em nenhum lugar do mundo”.

- Com base nas nossas observações não houve nenhum dano à vida selvagem – disse.

Buck garantiu ainda que a companhia agiu com responsabilidade e que após entender “que havia o incidente, a primeira prioridade foi garantir que ninguém fosse ferido”. Depois, a empresa priorizou a proteção ao meio ambiente e a terceira providência foi controlar a mancha no mar. Segundo ele, no dia 8 de novembro foi a primeira vez que se avistou a mancha de óleo e, no dia 9, a empresa encontrou as fissuras.

- Foi neste momento que ativamos as equipes de emergência. No dia 13, a empresa conseguiu interromper o vazamento de óleo. Agimos com rapidez, com transparência e todas as informações serão divulgadas – afirmou.

George Buck descartou qualquer comparação entre o vazamento neste acidente e o de Macondo, no Golfo do México, com a BP, que foi uma verdadeira catástrofe.

Ainda nesta quarta-feira, a Chevron entregou todos os documentos solicitados pelo Ibama. Caso a documentação não esteja de acordo com as exigências, a companhia poderá ser multada até o valor máximo de até R$ 10 milhões, diz o presidente do Ibama, Curt Trennepohl.

Gabrielli não informa se Petrobras pagará parte da multa

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, voltou a dizer que cabe à Chevron, operadora do campo de Frade, responder as perguntas sobre o vazamento de óleo. Indagado sobre montante a ser investido pela Petrobras em segurança na exploração de petróleo, ele afirmou que este número é “absolutamente irrelevante”:

— O problema principal é a prevenção do acidente é a tecnologia para contenção e recuperação. A prevenção envolve uma mudança de cultura e atitude que são muito mais importantes do que investimentos — destacou.

Em relação ao pagamento das multa aplicadas à Chevron, que podem chegar a R$ 260 milhões, apesar de a Petrobras deter 30% do campo, Gabrielli disse que pela legislação brasileira o operador é o sócio responsável pelo pagamento. Mas ele ponderou que a questão pode ser regulada pelo acordo entre as sócias e que os termos do acordo entre a Petrobras e Chevron são confidenciais. As declarações foram dadas durante o V Fórum Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de Óleo e Gás realizado no Jockey Club, no Rio de Janeiro.

Deputado quer CPI também na Câmara Federal

Além da investigação estadual, o deputado federal Dr. Aluizio (PV-RJ) está buscando assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados, em Brasília.

— Precisamos saber por que a Chevron demorou tanto para comunicar o acidente, além de saber ao certo qual a veracidade.

Já a Polícia Federal informa que o inquérito que investiga o vazamento de óleo na Bacia de Campos está em fase de coleta de depoimentos – mas o conteúdo das declarações não foi divulgado para não prejudicar o trabalho em andamento.



Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/anp-suspende-atividades-de-perfuracao-da-chevron-texaco-no-brasil.html



Rússia, Belarus e Cazaquistão formam o governo supranacional


Os presidentes da Rússia, Belarus e Cazaquistão chegaram a acordo sobre a criação da Comissão Econômica da União Euroasiática (UEA), que será mais um passo para a unificação dos três países. Ontem, dia 22 de novembro a Duma Estatal russa ratificou o tratado.


O primeiro passo foi a criação da União Aduaneira a funcionar desde julho de 2010. Já que no próximo ano estes três países vão viver em um espaço econômico comum, que em 2015, segundo os líderes desses Estados, deve se desenvolver para a União Euroasiática. Os vários acordos foram assinados dia 18 de novembro e o principal para estabelecer um órgão do espaço econômico de três países — a Comissão da União Eurásiática, de fato, um governo supranacional.


"Esta é certamente uma decisão muito séria. Ressalto que os mecanismos de tomada de decisão no seio da Comissão eliminam completamente o domínio de qualquer país sobre o outro, disse presidente russo Dmitri Medvedev. "Esta Comissão de direitos iguais espero que vá funcionar efetivamente, e os seus princípios de trabalho, baseados em princípios de mercado, democráticos, espero que levem em conta a melhor experiência da integração internacional", destacou.

"Não perdemos nenhuma soberania, ninguém faz a ninguém dirigir-se a qualquer lugar. Em cada Estado há profissionais modernos, que tudo contaram e pesaram. Empreendemos isto porque traz benéfico para os três países. Porque se trata da economia, de um monte de dinheiro, e não é declaração pura só "- disse o presidente da Belarus, Alexander Lukashenko.

De acordo com Nazarbayev, aqueles que falam sobre o renascimento do império russo, eles ou não entendem o que está acontecendo, ou apenas mentem, tentando impedir a integração dos três países. "Na União Soviética havia um sistema de comando administrativa rígida, a propriedade total do estado dos meios de produção, a idéia unificada comunista governava e representava um esqueleto do Partido Comunista. Você pode imaginar de volta Gosplan (Comissão de Planejamento) e Gossnab (Comissão de Abastecimento) agora restauradas? É isso que devemos dizer às pessoas que estão com medos fantasmas implicados por nossos adversários, ou apenas inimigos, "- disse o presidente cazaque.

Os documentos assinados é o fruto do compromisso mútuo. Presidentes da Belarus e Cazaquistão destacaram a contribuição de Medvedev na busca de acordos mutuamente vantajosos.

"Quero ressaltar que para a idéia virar prática era necessária a atividade forte de liderança russa. E foi durante a governação do presidente Medvedev quando havíamos bem avançado praticamente . Todos os dias estavamos trabalhando, promovendo esta idéia. Quero expressar a gratidão maior, "- disse Nursultan Nazarbayev.

Alexander Lukashenko também agradeceu a seu colega russo. "Se a Federação Russa, a liderança russa, não fizesse esta medida prática, a idéia, ainda por muito tempo, podia existir só como uma idéia. Hoje está sendo implementada, ou, dizendo exatamente — já foi incorporada em muitas coisas ", disse.

A Comissão será composta por duas partes: o Comitê de Conselho, que irá incluir os vice-primeiros-ministros de três países, e o Comitê de Parlamento, representado por delegados dos mesmos em uma base contínua. Os trabalhos da Comissão supervisionarão os três presidentes, que vão compôr o Conselho Superior Econômico da UEA. As portas para a União serão abertas a todos. Mas todos os membros potenciais deverão realizar uma série de textes para não prejudicar a economia mútua. Já que o principal objetivo da associação é o bem-estar dos cidadãos e a proteção da União de choques externos.

"A União Euroasiática se vê por países da União Européia como um projeto alternativo. Isto terá um impacto na sociedade do antigo bloco comunista, também pode afetar a população de língua russa dos Estados Bálticos. Bloco quebra a unidade da UE e promove a divisão das sociedades na Europa: um cartão adicional dos eurocépticos "- disse o analista, o professor no Instituto de Relações Internacionais e Ciência Política da Universidade de Vilnius (Lituânia), Nerijus Malukyavichus.

Ainda assim, ele acredita que o sucesso do projeto da Eurásia seria um pouco mais real, se neste projeto se encaixasse a China. De acordo com o analista, no momento, este projeto pode ser criado pelo Kremlin como uma entidade separada, mas "as realidades geopolíticas não vão funcionar se a China não desempenhar um determinado papel".

O jornal suíço Le Temps lembra que a Rússia estendeu a mão a Quirguistão, que, juntamente com Cazaquistão, deve ajudar a Rússia a reforçar a sua posição em relação à China. De acordo com Le Temps, em vez de ter que escolher entre Bruxelas e Pequim, Moscovo está a tentar criar uma aliança nova e poderosa da antiga União Soviética que, por sua vez, irá se concentrar em uma cooperação mais estreita com a UE na criação de uma "Grande Europa".

Lyuba Lulko


Fonte: Pravda.Ru

Uma das Histórias mais assombrosas da Chevron e Shell, para conhecimento da Nação Brasileira



Postado por altermundo.org
em 07 julho 2009

Chevron, Shell e o verdadeiro custo do petróleo

Amy Goodman-. A economia está um caos, o desemprego aumenta, a indústria automóvel está à beira do colapso, mas os lucros das Companhias e Shell são os mais elevados de sempre.

Ainda assim, pelo mundo fora, desde a selva equatoriana ao delta do Níger, aos tribunais e às ruas de Nova York e San Ramon, Califórnia, as pessoas lutam contra os gigantes petrolíferos mundiais.

A Shell e a Chevron são o centro das atenções esta semana, com as assembleias-gerais de accionistas e um julgamento histórico que está a ter lugar.

No dia 13 de Maio, o exército militar nigeriano lançou um ataque a povoações no delta do Níger, uma zona do país rica em petróleo. Receia-se que centenas de civis tenham sido feridos nesta ofensiva. De acordo com a Amnistia Internacional, foi atacada uma festa na povoação de Oporoza, na área do delta. Uma testemunha relatou à organização: "Escutei o ruído de um avião; observei dois helicópteros militares disparando na direcção das casas, do palácio e contra nós. Tivemos de correr para um local seguro dentro da selva. No mato, ouvi adultos a chorar, muitas mães não conseguiam encontrar os seus filhos; toda a gente correu para salvar a sua vida."

A Shell enfrenta um processo no Tribunal Federal dos EUA, o caso Wiwa vs Shell, que tem como base a alegada colaboração da petrolífera com a ditadura nigeriana, nos anos 90, na violenta repressão do movimento de base do povo Ogoni do delta do Níger. A Shell explora as riquezas petrolíferas do delta do Níger, provocando a deslocação da sua gente, a poluição e a desflorestação. No processo, a acusação alega ainda que a Shell colaborou para a eliminação do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni e do seu carismático líder, Ken Saro-Wima. Saro-Wima tinha sido o autor da mais popular novela na Nigéria, mas decidiu solidarizar-se com os Ogoni, cujo território junto ao delta do Níger é atravessado por oleodutos. As crianças dos Ogoni não conheciam uma noite escura, viviam debaixo de chamas de gás do tamanho de edifícios, dia e noite, e isto é ilegal nos da América.


Em 1994 entrevistei Saro-Wiwa, que me disse: "As empresas petrolíferas gostam das ditaduras militares porque, basicamente, com a cobertura destas ditaduras podem corromper. As ditaduras são brutais para com as pessoas, podem negar os direitos humanos das pessoas e das comunidades com a maior das facilidades, sem escrúpulos." E acrescentou, "Sou um homem marcado". Saro-Wiwa regressou à Nigéria e foi detido pela Junta Militar. No dia 10 de Novembro de 1995, depois de um julgamento sumário, foi enforcado juntamente com outros oito activistas Ogoni.

Em 1998, viajei com o jornalista Jeremy Scahill ao delta do Niger. Um executivo da Chevron que ali se encontrava disse-nos que a empresa tinha levado tropas da Força Policial Móvel Nigeriana – conhecida pela sua péssima reputação, nomeadamente pela política de "matar e sair" – num helicóptero da companhia até uma plataforma petrolífera ocupada por pacifistas. Dois activistas foram assassinados e muitos outros foram detidos e torturados.

Oronto Douglas, um dos advogados de Saro-Wiwa, disse-nos: "Está claro que a Chevron, tal como a Shell, utiliza as Forças Armadas para proteger as suas actividades petrolíferas. Perfuram e matam."


A Chevron é a segunda maior accionista (depois da empresa petrolífera francesa Total) do projecto do campo de gás natural e gasoduto de Yadana, na Birmânia (que a Junta Militar renomeou por Myanmar). O gasoduto é a maior fonte de lucro da Junta Militar, que lhes rendeu cerca de mil milhões de dólares em 2007. A Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que foi eleita pelo povo para líder da Birmânia em 1990, esteve detida em prisão domiciliária 14 dos últimos 20 anos e será novamente julgada esta semana (na terça-feira o governo disse que a prisão domiciliária dependia do resultado do julgamento). O Governo dos EUA proíbe desde 1997 que todas as empresas norte-americanas invistam na Birmânia, mas a Chevron tem uma cláusula de excepção desde que adquiriu a empresa petrolífera local, a Unocal.

A imensa lista de abusos semelhantes praticados pela Chevron, desde as Filipinas ao Cazaquistão, Chade, Camarões, Iraque, Equador e Angola, bem como nos EUA e no Canada, é detalhada num relatório anual alternativo, preparado por uma coligação de organizações não governamentais, que é distribuído aos accionistas da Chevron no encontro anual desta semana, e ao público em geral em TrueCostofChevron.com.

A Chevron está a ser investigada pelo Procurador-Geral de Nova York Andrew Cuomo no que respeita ao facto de a empresa ter sido "precisa e exaustiva" na descrição das suas responsabilidades legais. Sem dúvida que goza de uma larga tradição de contratar gente poderosa da política. Condoleezza Rice foi directora da empresa durante muito tempo (houve mesmo um petroleiro de carga baptizado com o seu nome), e recentemente contratou, na qualidade de assessor geral, nada menos que o advogado William J. Haynes, que desprestigiou o Pentágono e que defendeu as "técnicas duras de interrogatório", incluindo o afogamento simulado. O General James L. Jones, assessor do presidente Obama para a Segurança Nacional, integrou a direcção da Chevron durante grande parte do ano de 2008, até ter sido nomeado para este alto cargo na Casa Branca.

Saro-Wiwa disse antes de morrer: "Vamos exigir os nossos direitos de forma pacífica, sem violência e venceremos". Um movimento popular está a crescer para fazer isso mesmo.

26 de Maio de 2009


Denis Moynihan contribuiu com a sua pesquisa para este artigo publicado en Esquerda.net
Tradução: Cláudia Belchior

Amy Goodman é apresentadora de "Democracy Now!" um noticiário internacional diário, nos EUA, de uma hora de duração que emite para mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em 200 emissoras em Espanhol. Em 2008 foi distinguida com o "Right Livelihood Award" também conhecido como o "Premio Nobel Alternativo", outorgado no Parlamento Sueco em Dezembro.




Fonte: altermundo.org
Imagem: retiradas do google e colocadas por este blog

Fernando Brito: ‘Omissão criminosa da Chevron-Texaco, cumplicidade escandalosa da mídia’




Reproduzo aqui post do site viomundo.com.br, e aproveito para agradecer ao Jornalista Fernando Brito e Brizola Neto pela investigação e divulgação sincera que chegou ao conhecimento de todos os Brasileiros.

por Conceição Lemes

No dia 10 de novembro, quinta-feira, a Agência Estado publicou esta nota:

“A unidade brasileira da petroleira norte-americana Chevron-Texaco informou que está trabalhando para conter um vazamento no campo Frade, na Bacia de Campos. “O vazamento se deve a uma rachadura no solo do oceano. É um fenômeno natural”, disse Heloisa Marcondes, porta-voz da Chevron-Texaco Brasil.

O campo de Frade, operado pela petroleira estadunidense Chevron-Texaco, fica a 350 km do Rio de Janeiro. O acidente, sabe-se só agora, aconteceu na segunda-feira, 7 de novembro. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) tomou conhecimento no dia 9, mas só o tornou público no dia 10. O primeiro alerta público foi dado pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro) ainda na quarta-feira, 9.

Nos dias 11, 12, 13, 14 e 15, a mídia se limitou a reproduzir as notas oficiais da Chevron-Texaco e da Agência Nacional de Petróleo (ANP). E, ainda assim, em matérias pequenas, em pé de página, escondidas. Nenhuma cobrança maior. Aliás, nenhum grande veículo se empenhou para saber o tamanho e a causa do vazamento.

O jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço, do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), não engoliu a versão da empresa e desde o dia 11 começou, solitariamente, a questioná-la. De lá até hoje foram 21 artigos, denunciando o desastre ambiental, o comportamento da mídia e as mentiras da Chevron-Texaco.

“Desde o princípio, achei algumas coisas estranhas, a começar pelo fato de que não houve um tratamento escandaloso do assunto pela mídia, como certamente haveria se o campo em questão fosse operado pela Petrobras”, ironiza Fernando Brito. “Ah, se fosse a Petrobras, já no dia 11, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra a empresa.”

“Além disso, a Chevron-Texaco demorou a admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que se tinha detectado o vazamento ‘entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras”, prossegue Brito. “Na verdade, o problema se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México.”

No dia 15, a Polícia Federal entrou no caso e a expectativa era de que a mídia não varreria mais para debaixo do tapete o óleo derramado. Realmente, não deu mais para a grande imprensa ignorar. Porém, não foi a fundo nas circunstâncias que o causaram, apesar de ter todas as condições e facilidades para fazê-lo.

A Sedco 706, plataforma de perfuração da mesma empresa do acidente do Golfo, nas proximidades da qual ocorreu o acidente da Chevron

O Tijolaço “furou” toda a imprensa. Foi quem primeiro duvidou da história contada pela Chevron-Texaco de que o derramamento de petróleo no mar era “fenômeno natural” e se devia a uma falha geológica. Foi também quem, com base nos cálculos feitos pelo geógrafo John Amos, do site SkyTruth, especializado em interpretação de foto de satélites com fins ambientais, alertou que o vazamento de petróleo no campo de Frade era muito maior do que a Chevron-Texaco afirmava. Foi ainda quem, ainda no dia 11 de novembro, levantou possibilidade de a empresa pretender fazer uma prospecção na camada do pré-sal , pelo fato de haver um pedido de perfuração até 5.200 metros, quando as ocorrências de petróleo em Frade se situam na faixa dos 2,5 mil metros abaixo do leito marinho.

Por isso, o Tijolaço começou a pedir que se apreendessem os diários de perfuração e os relatórios de cimentação, que mostram os locais e a qualidade da vedação que se faz pelo lado externo da coluna de tubos do poço.

“É como um canudo [desses de doce] que você coloca numa tijela cheia de doce de coco molinho. Quando pressiona, o líquido sobe pelo canudo, mas também vaza pelo lado de fora dele. A cimentação, além de dar firmeza à coluna de tubos, faz essa vedação, de baixo para cima”, traduz Brito. “Mas é um procedimento caro e toma tempo. Tempo, quando você tem uma sonda que custa centenas de milhares de dólares de aluguel diário, é dinheiro, e muito dinheiro. Lá no Golfo do México, a BP [British Petroleum], por economia, ‘pulou’ a verificação de uma dessas cimentações.”

Na última sexta-feira à noite, 18, ficou comprovado que Brito estava correto desde o começo, apesar de estar falando sozinho, contra a maré midiática. O presidente da Chevron-Texaco no Brasil, Charles Buck, revelou ao portal Energia Hoje que a empresa foi culpada pelo vazamento, por não aplicar técnicas adequadas de cimentação do revestimento da coluna de perfuração:

“O presidente da Chevron-Texaco no Brasil, George Buck, afirmou nesta sexta-feira (18/11) que a petroleira foi responsável pelo acidente que provocou o vazamento de óleo na última semana no campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo o executivo, a companhia subestimou a pressão do reservatório, provocando o acidente.

“É nossa culpa. Nós subestimamos a pressão do reservatório”, afirmou Buck. “O problema é que a pressão na formação foi maior do que a lama de perfuração poderia suportar. A modelagem do reservatório nos deu a informação incorreta sobre a pressão”.

“Um dia depois, a Petrobras informou à Chevron-Texaco que havia identificado uma mancha, confirmada na noite seguinte pela companhia norte-americana. A petroleira levou três dias para identificar o vazamento abaixo do revestimento e, no dia 13, fechar o poço com lama de perfuração de alta densidade. No dia 14, começou a cimentação”.

“A Chevron-Texaco cometeu erros técnicos básicos, perfurando uma extensão grande demais antes de nova cimentação. A razão principal desse erro é a redução de prazos e custos da operação”, denunciou Brito, nesse sábado, 19, no Tijolaço. “Mas o erro mais grave, imperdoável, é que a Chevron-Texaco sabia a razão do vazamento desde o dia em que foram avistadas as manchas de óleo. Se é que não sabia antes, porque as manchas foram avistadas pelo pessoal da Petrobras e, aí, não dava mais para ter segredo.”

Em bom português: a grande imprensa “papou mosca”, de novo, num assunto de imensa gravidade. E a blogosfera, graças ao trabalho excelente, bem-feito, do jornalista Fernando Brito, colocou a Chevron-Texaco no mapa da mídia brasileira. Leiam a seguir a íntegra da entrevista que fiz com ele.

Viomundo – Enquanto a mídia se limitava a reproduzir os releases da Chevron-Texaco e da ANP [Agência Nacional de Petróleo], você desde o início denunciou que a história do vazamento do poço estava mal-contada. Alguma fonte o alertou para essa possibilidade? O que o levou, sozinho, ir contra a maré midiática?

Fernando Brito – Não tinha fonte privilegiada tampouco uma “gravação” caiu no meu colo (risos). O que eu fiz foi jornalismo. Apenas isso. Sou do tempo em que o jornalista não era a notícia, ele buscava a notícia, diferentemente do que acontece hoje, muitas vezes. Na hora em que li a nota da Agência Estado, fiz vários questionamentos. Fenda natural? De três mil metros de profundidade? Isso é coisa de filme de ficção. E como é que isso não apareceu nos estudos sísmicos e ecossonográficos?

Já estava escrevendo, quando veio a notícia que a presidenta Dilma tinha mandado investigar. Pensei: aí tem, a presidenta não ia botar polícia com um derrame de “um baldinho” de óleo. Era o óbvio.

Mas não tinha ainda maiores informações. Então, registrei essa estranheza e fiquei, essencialmente focado no tratamento mais do que discreto do assunto pela mídia brasileira. Porque, se o campo fosse operado pela Petrobras, já no primeiro dia, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra a empresa. Aliás, mesmo com o vazamento da Chevron-Texaco, o destaque nos jornais do dia 11 foi para a queda de 26% no lucro da Petrobras, mesmo sabendo que essa queda é essencialmente contábil, pela desvalorização cambial ocorrida desde agosto e que não se repetirá no último trimestre, dando à empresa um lucro recorde em sua história.

Como eu tinha muitas perguntas para as quais eu não tinha respostas, comecei a pesquisar no Google. Hoje em dia grande parte dos documentos vai parar na internet. Se os colegas souberem fazer as perguntas certas, vão descobrir muita coisa, muita mesmo.

Viomundo – Estranhou mais alguma coisa?

Fernando Brito – Várias. Primeira: a Chevron-Texaco demorou para admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que havia sido detectado vazamento “entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras - quando, na verdade, ele se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México.

Segunda: a história de que falha geológica seria a causa. É improvável que falhas geológicas capazes de provocar um derramamento no mar não tivessem sido detectadas nos estudos sísmicos que precedem a perfuração.

Terceira: mesmo depois de a presidenta Dilma Rousseff ter determinado em 11 de novembro a investigação rigorosa do caso, a nossa imprensa, tão zelosa e meticulosa quando se trata da Petrobras, continuou a dar quase nenhuma importância ao caso da Chevron-Texaco, uma multinacional com boas relações com o senhor José Serra. Segundo o Wikileaks, lembra-se?, Serra havia prometido à senhora Patrícia Pradal, diretora de relações de governo da Chevron-Texaco, que iria rever a legislação brasileira do pré-sal.

Conversei sobre isso com o Brizola Neto e a gente decidiu mergulhar na história, com todos os riscos que isso trazia, porque nossos conhecimentos são, evidentemente, limitados.

Viomundo – E como descobriu que a plataforma Sedco 706, alugada pela Chevron-Texaco-Texaco para o campo de Frade, foi usada como “hotel marinho” para outra plataforma no Mar do Norte, em 1999?

Fernando Brito – É o Wall Street Journal que o diz, numa matéria de 2008. Lá fiquei sabendo que a plataforma Sedco 706, que opera na área do acidente em Frade, tem hoje 35 anos de idade e que o equipamento “não era adequado para modernas perfurações em águas profundas. E não deveria ser utilizado mais para perfuração. Ela estava atracada no Mar do Norte, ligada a outro equipamento por uma passarela. Foi um quarto de dormir flutuante para os trabalhadores do petróleo, uma espécie de motel marinho”. Depois, sofreu um upgrade, que a gente não sabe quanto teve de “guaribada”, porque o custo do aluguel dela – segundo o WSJ - ficou em 50% do que custa uma sonda de igual capacidade no mercado internacional.

Viomundo – Ontem, sábado, 19 de novembro, começou a circular a informação de que a Polícia Federal está investigando se a Chevron-Texaco tentou atingir pré-sal, ao perfurar poço que vazou. Você, já no dia 11, levantou essa suspeita. Por quê?

Fernando Brito — No campo de Frade, um dos mais produtivos do Brasil, todas as ocorrências de petróleo estão numa faixa – que os técnicos chamam de “play” — inferior a três mil metros. Por que a Chevron-Texaco contratou uma sonda para perfurar até 7.600 metros de profundidade – que é, em tese, mais cara – senão para chegar ao pré-sal?

O registro de profundidade na ANP sugere que a empresa pretendia prospectar a camada do pré-sal. E fica a pergunta se a Chevron-Texaco tinha ali estudos e equipamentos adequados para perfurar o pré-sal, como provavelmente pretendia fazer? Se isso tem ou não relação com o acidente é outra história. Não necessariamente tem. Mas é fácil de saber, com o diário de perfuração. É só ver o diâmetro do furo para saber o quão longe pretendiam ir.

Viomundo – Durante quantos dias a mídia praticamente ignorou o acidente no poço da Chevron-Texaco?

Fernando Brito – Cinco dias, 11 a 15 de novembro, quando então a Polícia Federal passou a investigar, aí não dava mais para esconder o óleo derramado embaixo do tapete. Nesses dias, ou o assunto era ignorado pela mídia ou se reproduzia os press- releases da companhia.

“Chevron mobiliza equipe global para conter vazamento”. Esse foi o título da matéria do Estadão no dia 13, reproduzida pela Exame (Abril), enquanto o G1, do grupo Globo, destacou: Frota de 17 navios tenta controlar mancha após vazamento no RJ

Ou seja, saiu o “Prêmio Esso de Jornalismo”, entrou o “Prêmio Chevron-Texaco” de cópia de press-releases. A falta de empenho da imprensa brasileira na apuração do acidente nos primeiros cinco dias foi um acinte ao jornalismo e ao interesse público.

Aliás, na primeira semana após o vazamento não havia uma ONG, um ambientalista, ninguém protestando, ninguém – além da presidenta Dilma – exigindo apuração completa do acidente.

Viomundo – Alguém da Chevron-Texaco falou sobre o acidente?

Fernando BritoNo primeiro dia, 10 de novembro, falou apenas Heloisa Marcondes, assessora de imprensa da Chevron-Texaco, e ainda falou besteira, dizendo que o vazamento era um “fenômeno natural”. Existir uma fenda marinha, em plena plataforma continental, capaz de, por si só, alcançar a profundidade de um depósito petrolífero não é natural, é , quando muito, sobrenatural.

Depois disso, somente nessa sexta-feira, dez dias após o problema vir a público, o presidente da Chevron-Texaco no Brasil, senhor Charles Buck, subordinado ao senhor Ali Moshiri, presidente da empresa para a África e América Latina, deu uma entrevista coletiva. Até então, nenhum diretor da empresa havia dado entrevista. A empresa falou o tempo inteiro por meio de comunicados, reproduzidos fielmente pela mídia, sem qualquer aprofundamento ou dúvida.

O Energia Hoje, um site especializado registrou na sexta à noite, 18, com todas as letras que Buck disse ser culpa da empresa o vazamento. O restante da mídia — acredite! – omitiu esta declaração vital, falou apenas num erro de cálculo.

Como assim, erro de cálculo? Alguém não sabia tabuada? Reduzir os pontos de cimentação é parte do cálculo de custos. Isso tem que ficar bem claro e deveriam ter sido ouvidos os engenheiros de petróleo para saber se é normal apenas uma cimentação num poço que já tinha 2.300 metros. Não houve, entre os 567 metros da primeira cimentação, nenhuma parada para colocação de sapatas intermediárias, quando da redução de diâmetro do furo, momento em que se faz a parada para cimentação e, depois, a análise de sua adequação?

É o oráculo de Houston falando aos pobres tupiniquins, incapazes de formular uma única pergunta. Veja, só na entrevista de Buck, finalmente, soubemos a que profundidade estava o poço! Houve uma cumplicidade escandalosa entre a nossa imprensa e a multinacional estadunidense. Tanto que, em determinado momento, eu perguntei: será que vamos ter que esperar que coloquem uma mensagem na garrafa, para que a nossa imprensa publique algo além de notas oficiais? (risos)

Curioso é que os colegas tenham ido perguntar sobre o vazamento à Petrobras, sócia minoritária e sem poder operacional sobre o campo.

Outra curiosidade: finalmente hoje,20 de novembro, os sites dos grandes jornais publicam o que já tinha acontecido na sexta à noite, 18, e não quiseram publicar com todas as letras como o portal Energia Hoje: a Chevron-Texaco assumiu ser a responsável, a culpada, pelo vazamento de petróleo no campo de Frade.

Viomundo – Como você chegou ao geógrafo John Amos, do site SkyTruth especializado em interpretação de foto de satélites com fins ambientais?

Fernando Brito – Na verdade, primeiro cheguei a estas duas fotos, publicadas pelo SkyTruth, que registram em dois momentos o que é identificado como sendo a mancha de óleo provocada pelo vazamento no poço da Chevron-Texaco. Cheguei até elas no dia 14 pela dica do leitor Henrique, que foi mais eficiente que toda a imprensa brasileira reunida.

Viomundo – E como chegou ao próprio John Amos? Como conseguiu que ele fizesse os cálculos sobre o tamanho do vazamento?

Fernando BritoO deputado Brizola Neto enviou para Amos, pelo twitter, as coordenadas dos poços constantes do relatório oficial da ANP sobre as perfurações em andamento e concluídas. Amos, um ativista ambiental que mantém há dez anos o site SkyTruth, trabalhou em cima delas e publicou esta imagem sobre a mancha causada pelo vazamento de petróleo do poço da Chevron-Texaco no campo de Frade, ao largo do Rio de Janeiro.

Junto com essa imagem, Amos postou a seguinte conclusão:

“A imagem de satélite MODIS / Aqua da NASA, acima, foi tirada há três dias. Ela mostra uma mancha de óleo aparente originária do local de perfuração e que se estende por 2.379 quilômetros quadrados (o extremo sul da mancha fica aprisionado em um redemoinho no sentido horário interessante nas correntes oceânicas). De 1 micron de espessura, representa um volume de 628 mil galões (14.954 barris) de petróleo.

Supondo que o vazamento começou ao meio-dia em 8 de novembro (24 horas antes de termos observá-lo em imagens de satélite), estimamos uma taxa de vazamento de pelo menos 157 mil galões (3.738 barris) por dia. Isso é mais de 10 vezes maior do que a estimativa da Chevron-Texaco de 330 barris por dia”.

Viomundo – A foto e conclusão foram publicadas por Amos exatamente quando?

Fernando Brito – A foto foi tirada pelo satélite da Nasa em 12 de novembro, sábado, e publicada no dia 15 com a conclusão. No dia 15, por sinal, a ANP finalmente divulgou que uma reunião de emergência realizada no dia 13, domingo (por que só veio a público na terça?), aprovou-se o plano de emergência apresentado pela Chevron-Texaco para deter o vazamento e que a diretora da ANP, Magda Chambriard, esteve na Sala de Emergência da Chevron-Texaco acompanhando os trabalhos para conter o vazamento.

O site Skytruth provou que o vazamento não era de “umas gotinhas” inofensivas mas provocava uma mancha imensa. Portanto, a Chevrou mentiu inicialmente sobre a dimensão do vazamento de petróleo. O Skytruth, vale lembrar, foi um dos primeiros a anunciar a dimensão do vazamento do Golfo do México em 2010.

Viomundo — Num dos artigos de 14 de novembro, você disse que a mesma plataforma Sedco 706 estava perfurando três poços simultaneamente no campo de Frade. Como assim, três poços ao mesmo tempo?

Fernando Brito – É que a Chevron-Texaco, para fazer economia, está fazendo perfurações “de batelada”. Isto é, cava uma seção de um poço, tampa, cava a seção inicial de outro, faz o mesmo e vai para um terceiro, para voltar, na mesma sequência, para cada fase posterior de perfuração. Isso está registrado no Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela empresa e que o Ibama coloca na internet.

Não tenho condições técnicas de afirmar se isso agrega risco, porque o equipamento de perfuração é retirado e movido. O que eu posso dizer é que, nos mapas da ANP, não encontrei nenhuma outra petroleira que use este método. Também que até o momento a Chevron-Texaco não disse em qual dos três poços ocorreu o problema.

Viomundo – A Chevron-Texaco estava usando mesmo 17 embarcações para conter o vazamento?

Fernando Brito – Não, pelo que disse o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal. Em entrevista publicada pelo G1 em 16 de novembro, o delegado Scliar afirmou:

“(…)técnicos da PF estiveram na plataforma nesta quinta-feira (15) e encontraram divergências sobre o que foi informado pela Chevron-Texaco sobre o vazamento. Entre elas estão a quantidade de navios que recolhem o óleo no local (a empresa afirmou que são 17 e a PF encontrou apenas um, de acordo com o delegado), o tempo para a selagem do poço e o tamanho da mancha de óleo. “Eles disseram que a mancha vem diminuindo e ela vem aumentando”.

Engraçado que ninguém perguntou à empresa quais eram os barcos. Se ela tivesse dito que eram 50, daria no mesmo.

Viomundo – No dia 15, o vazamento do poço da Chevron-Texaco virou caso de polícia, passando a ser investigado pela Polícia Federal. E a mídia, como passou a agir?

Fernando BritoCom a entrada da Polícia Federal no assunto, o escândalo do vazamento de petróleo começou a aparecer. E, com ele, as dimensões da mancha de vergonha que cobriu a grande imprensa brasileira.

Aliás, cada vez mais acontecem coisas estranhas neste caso do vazamento de petróleo no poço da Chevron-Texaco, no Campo de Frade. No dia 16, o Jornal Nacional da Rede Globo publicou uma extensa matéria sobre o assunto.

Ouviu o delegado Fabio Scliar, titular da Delegacia de Meio Ambiente da Polícia Federal, dizendo que investiga a possibilidade de que tenha havido erro na perfuração. Ouviu o geógrafo John Amos, da SkyTruth, que revelou – como havia antecipado três dias antes ao Tijolaço – que o vazamento podia ser dez vezes maior que o anunciado, e cobria uma área maior que o município do Rio de Janeiro.

Contava que a empresa responsável pela perfuração da Chevron-Texaco, a Transocean, era a mesma que perfurava o poço que causou o acidente no Golfo do México. A matéria terminava com um sobrevôo da área, em um avião da Chevron-Texaco, na companhia do diretor de meio-ambiente da empresa, que não quis gravar entrevista, mas disse ao repórter que a quantidade de óleo que vazava “era muito pequena”.

Estranhamente, porém, a matéria que foi colocada no site do Jornal Nacional foi cortada. Na verdade, decepada.Dos quatro minutos originais, ficaram dois. O delegado, o ambientalista, a foto de satélite com a mancha e a comparação com a área do Rio de Janeiro foram para o lixo.

Não dá para entender o que aconteceu. Não pode ser o tamanho do vídeo, porque a reportagem sobre o depoimento de Lupi [Carlos Lupi, ministro do Trabalho] teve quatro minutos e está lá, na íntegra.

Será que “alguém” se distraiu e só viu a matéria depois de ir ao ar? E aí, furioso, mandou cortar os hereges que ousaram colocar um delegado e um ambientalista dizendo que uma petroleira americana pode ter culpa no cartório por um grande desastre ambiental.

Por sorte, a gente estava gravando o JN com uma câmera manual, e postamos os dois vídeos. O “decepado” e o trecho que eliminado do original.

Edição cortada na internet

E o trecho que foi eliminado do original veiculado pelo JN na TV

Viomundo – Ontem, eu li no Tijolaço o que você observou um pouco antes, ou seja, que a Chevron-Texaco assumiu a responsabilidade pelo vazamento. O que aconteceu finalmente? Já se sabe que poço estava perfurando e a que profundidade?

Fernando Brito – Você leu no Tijolaço, porque a imprensa continuou derivando para assuntos laterais. Ontem, quis até reproduzir a imagem da home da Folha, para mostrar que essa notícia havia saído no “pé” da página. Era tão no pé, mas tão no pé que nem reduzindo a página ao mínimo e virando a tela do computador para poder caputrar uma extensão maior dava para reproduzir.

O senhor Charles Buck, presidente Chevron-Texaco no Brasil falou o que quis, sem ser perguntado de nada. Não explicou porque o imenso intervalo de cimentação. Não foi perguntado se os outros poços da Chevron-Texaco têm um intervalo tão grande de vedação. Não foi perguntado sobre se há outras perfurações da Chevron-Texaco na área, como registra a ANP.

Sobretudo, não foi perguntado sobre a razão, uma vez que houve o “kick” – que é uma elevação de pressão e a subida de óleo ou gás pela coluna de perfuração – no dia 7 de novembro, a empresa só tornou isso público na noite do dia 18. Aliás, no mesmo dia, a empresa soltou uma nota dizendo que “reitera que não houve vazamento na cabeça do poço”.

Claro, ali tem um sistema que impede vazamento do que vem pelo tubo. Do que vai por fora do tudo, é a cimentação que veda. A cimentação que ela sabia estar muito distante do ponto onde a cabeça da sonda perfurava. E isso tem uma básica razão: redução de prazos e custos da operação.

Mas, no meu entender, o erro mais grave, imperdoável, é o fato de que a Chevron-Texaco sabia a razão do vazamento – a narrativa do presidente da empresa mostra claramente isso –, desde o dia em que foram avistadas as manchas de óleo. Se é que não sabia antes, porque as manchas foram avistadas pelo pessoal da Petrobras e, aí, não dava mais para ter segredo.

Em outras palavras. Houve um erro técnico que deve ser avaliado pelos peritos. Mas há um crime indiscutível de omissão de informações – com a indulgência da nossa mídia – crime que é imperdoável, porque evidencia má-fé.

Viomundo – O que mais te marcou nessa cobertura?

Fernando BritoA dupla ética de nossa imprensa. E o seu despreparo, que somado à marotice política, desvia o assunto. O tema agora é o “despreparo” do país para a exploração de petróleo no mar. Isso é uma mentira deslavada, que se prova com um só argumento: temos mais de 30 anos de exploração marinha e nunca houve um grande acidente, apesar de termos milhares de poços perfurados. O acidente da Petrobras na Baía da Guanabara foi num duto, não num poço. Grave, gravíssimo, porque se deu em águas abrigadas e junto do litoral. Mas vazamento em duto tem limite, o limite do que o duto contém, depois de fechadas as válvulas. No leito oceânico o limite, em tese, pode ser o da jazida de petróleo inteira.

Falam que não existe plano de emergência nacional, mas que plano pode funcionar se a empresa que está lá esconde o vazamento? Se os técnicos da Petrobras não tivessem visto o vazamento, quando íamos saber que existia? A Chevron-Texaco sabia do “kick” e que não havia revestimento de cimento na coluna senão bem na superfície. Sabia que tinha subido petróleo e ficou na moita, torcendo para ele não permear a camada superior do solo.

Mas eu concordo que não temos fiscalização, porque a ANP é valente com a Petrobras e ronrona quando se trata de outras petroleiras. Nem sempre por má-fé, mas também por saber que as multinacionais têm aqueles privilégios “Daniel Dantas”: nada de algemas, por favor.

Mas sabe qual é a maior fiscalização possível? É a imprensa. Você viu que, depois que ela entrou no assunto, mal ou bem, tudo se esclareceu. Um desastre destes custa milhões de indenização e muitos milhões mais em imagem. Aliás, tem de ficar claro que Chevron é Texaco.

Como cidadão, eu estou feliz que o vazamento tenha parado. Como profissional, tenho vergonha de termos ficado parados por tanto tempo.

E pior, cedendo à manipulação política e, agora, caminhando no sentido errado. Nós temos segurança, e boa, na perfuração de petróleo. Muito maior, aliás, do que a de países desenvolvidos, como provou o vazamento do Golfo. E temos porque a Petrobras investe muito, em lugar de colocar o lucro “uber alles”, acima de tudo. Mas a nossa elite obturada reclama, porque as outras petroleiras dão mais lucro e, portanto, são mais eficientes. Ninguém associa isso ao fato de a Chevron-Texaco economizar no cimento e ter por lá um robô cegueta, que não viu nada, ao ponto de a Petrobras ter emprestado os seus, para socorrê-la.

Mas está aí um bom mote para a nossa imprensa “defensora da segurança”. Que tal a empresa que for negligente como a Chevron-Texaco perder a concessão do campo? Taí uma boa campanha para a mídia, tão zelosa.



Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/fernando-brito-omissao-criminosa-da-chevron-texaco-com-indulgencia-da-nossa-imprensa.html

Imagem: a primeira imagem deste post foi retirada do google e colocada por este blog

Uma agenda protetora para o Brasil

Por Husc

O Governo Federal tomou, recentemente, duas medidas protecionistas para reduzir a erosão da capacidade produtiva nacional diante dos impactos combinados da enxurrada de importações asiáticas e dos efeitos recessivos da crise global. A primeira foi a elevação em 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis importados. A segunda, a concessão de uma vantagem de até 25% nos preços oferecidos por empresas nacionais em licitações para compras governamentais. Embora sejam limitadas e temporárias, ambas provocaram reações no exterior, motivando acusações de protecionismo contra o Brasil, em órgãos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (UE).

Retaliações possíveis

Na OMC, o Japão e a Coreia do Sul se apressaram em apontar o dedo contra o Brasil, no Comitê de Acesso ao Mercado. O passo seguinte poderá ser um questionamento oficial, passível de abrir caminho a retaliações. Para a recente cúpula do G-20, a OMC elaborou um relatório no qual acusa o Brasil, a Índia e a Rússia de serem os países do grupo que mais impuseram novas medidas restritivas do comércio nos últimos meses (Valor Econômico, 31/10/2011).

Por sua vez, a UE também colocou o Brasil e seus colegas do grupo BRICS, China e Rússia, na alça de mira. Em dezembro, o bloco europeu deverá anunciar uma nova legislação sobre compras governamentais, visando em especial os três países, exigindo reciprocidade nas vantagens concedidas às suas empresas, sob ameaça de fechar o seu mercado às deles.

Diretrizes escapistas

As reações denotam o alto grau de desorientação das lideranças globais quanto diretrizes políticas mais eficazes para a superação da crise sistêmica: em lugar de uma estratégia concertada que vá às raízes da crise, com uma ampla reforma do sistema financeiro mundial e a reorientação da economia para a produção física (que, reconhecidamente, contraria muitos interesses hegemônicos), prefere-se uma abordagem do gênero “farinha-pouca-meu-pirão-primeiro”, com disputas em torno de fatias dos mercados nacionais. Apesar de terem efeitos limitados e, em última análise, não poderem assegurar a superação da crise global como um todo, a proteção das capacidades produtivas e dos mercados internos são uma atribuição e responsabilidade dos governos nacionais. Por isso, as iniciativas sugerem que o governo da presidente Dilma Rousseff está atento aos “sinais meteorológicos” da tempestade global.

A presidente sabe…

Essa avaliação é compartilhada pelo economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em sua coluna mensal no Valor Econômico de 9 de novembro, devidamente intitulada «A Presidente Sabe». No texto, Lessa faz um preciso diagnóstico do cenário global e sugere linhas de ação que poderão ampliar consideravelmente a margem de manobra do País em meio às turbulências. Vale a pena atentar para elas:

♦ «A presidente sabe que a crise mundial, explicitada em 2008, será de longa duração e que o mundo pós-crise não é previsível, mas haverá a modificação geopolítica do planeta, uma profunda onda de inovações tecnológicas e alteração em padrões comportamentais.»

♦ «A presidente sabe que o futuro exige conhecimento das restrições para, no âmbito do raio de manobra, serem a nação, o povo e sua economia uma folha ao vento da História ou, com a vontade civilizatória e solidária do povo, explicita r e desdobrar um projeto nacional.»

♦ «A presidente sabe a perversa tendência do sistema financeiro de, em tempos de crise, adotar políticas defensivas que aprofundam a crise. Keynes falava da “preferência pela liquidez”, que desvia as empresas da realização de investimentos de ampliação de capacidade produtiva e passam a optar pr aplicações financeiras… O coletivo de empresas, acreditando na crise, adota uma conduta que acelera e aprofunda a crise. No limite, participam de um estouro de boiada que corre para o precipício.»

♦ «A presidente sabe que o Fed (Federal Reserve) adquiriu ativos podres e duvidosos e injetou volumes colossais de recursos no sistema bancário americano. Entretanto, esses bancos não estão reativando a economia… Os indicadores macroeconômicos dos EUA são inquietantes.»

♦ «A presidente sabe que os bancos [provavelmente, ele quis dizer "países" - n.e.] da zona do euro não conseguem coordenar suas políticas nacionais e tendem a praticar um contracionismo que sinaliza persistência e aprofundamento da crise.»

♦ «A presidente sabe que tanto os EUA como a comunidade europeia estão reduzindo importações. A China, que vinha sustentando o crescimento, vem perdendo ímpeto e já sinaliza procedimentos de reforço de seus bancos oficiais…»

♦ «A presidente sabe que a Bolsa de Mercadorias de Chicago sustenta os preços relativos de alimentos, de algumas matérias-primas e do petróleo [na verdade, estes são controlados pela International Petroleum Exchange, New York Mercantile Exchange e International Exchange - n.e.]. Há uma preferência crescente dos especuladores mundiais por aplicações arbitradas pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, mas isto pode mudar.»

♦ «A presidente sabe que, frente à crise mundial, o Brasil deve “botar suas barbas de molho”. Felizmente, temos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES, que respondem à orientação soberana nacional de não participar da manada…»

♦ «A presidente sabe que é importante reforçar o sistema bancário oficial e reduzir os juros básicos. A presidente, corretamente, quer estimular a construção civil em um programa de habitação popular… Manter a demanda interna ampliando o endividamento familiar com a compra de veículos automotores e outros bens duráveis tem um efeito macrodinâmico menor e é patrimonialmente equivocado em relação à família brasileira… Porém, é necessário planejar o futuro das cidades e ampliar o investimento na infraestrutura urbana.»

♦ «A presidente sabe que é possível e necessário fazer muito mais. O câmbio tem que voltar a ser controlado… Devemos selecionar com critério aplicações financeiras do exterior, reduzir o endividamento com risco cambial do setor privado, ampliar a proteção a ramos industriais clássicos e adotar uma política pública de “comprar o produto brasileiro”.»

♦ «A presidente está informada das pressões externas. Algumas deveriam ser ridicularizadas; as associações americanas de indústrias de confecção e calçados protestaram contra a adoção… de medidas defensivas desses ramos industriais clássicos e ameaçados. Quero crer que são as matrizes interessadas em que suas filiais da China ampliem a avalanche de exportações para o Brasil.»

Lessa conclui com uma professoral chamada de atenção:

«Somente critico a presidente pela modéstia das medidas… A timidez não é sábia em momentos de crise mundial.»


Movimento de Solidariedade Íbero-americana




Fonte: reproduzido do Blog do Ambientalismo
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