O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descreveu nesta sexta-feira (2) a criação de um bloco latino-americano e caribenho de 33 países como um contrapeso aos Estados Unidos e "a conquista de uma batalha de 200 anos" que teria começado com Simón Bolívar, prócer da independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Chávez deu as declarações na abertura da cúpula de dois dias que marca a criação efetiva da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
"A Doutrina Monroe foi imposta aqui: a América para os americanos, para os ianques. Eles impuseram a vontade deles durante 200 anos, mas isso agora acabou", disse o mandatário venezuelano.
Chávez vê a nascente Celac como uma ferramenta para acelerar a integração latino-americana. "Nós precisamos marchar em direção ao que Bolívar disse ser um corpo político gigante", afirmou.
O bloco de 33 nações reúne todos os países da América Latina e do Caribe. Ao contrário da Organização dos Estados Americanos (OEA), sediada em Washington, terá Cuba como membro pleno e excluirá os Estados Unidos e o Canadá. O presidente de Cuba, Raúl Castro, fez eco às declarações de Chávez, ao chamar a criação efetiva da Celac o "maior evento em 200 anos". A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, também se referiu a Bolívar como uma inspiração. "Nossos países demonstram sua vocação para um futuro comum", disse Dilma. "Há 200 anos, Caracas foi como um farol na luta pela independência. Eu acredito no sonho de Bolívar". Fonte: vermelho.org Imagens: Google
Inicia-se em Caracas uma jornada histórica de nossa América. Os 33 chefes de Estado e governo da região deixarão constituida a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), organização de concertação política e integração que reúne pela primeira vez esses Estados exclusivamente.
Por Angel Guerra Cabrera em Cubadebate
Foi necessário que transcorressem dois séculos desde o início de nossas gestas pela independencia, desde que Bolívar plasmou na Carta de Jamaica (1815) o sonho “de formar de todo o mundo novo uma só nação com um só vínculo que ligue todas as suas partes entre si e com o todo”, 185 anos do Congresso do Panamá, última tentativa do Libertador de tornar realidade aquele sonho; 120 anos desde que Martí defenderá em “Nossa América” o mesmo objetivo: “As árvores hão de se pôr em fila para que não passe o gigante de sete léguas!”
A constituição da Celac é o reflexo institucional de um nivel qualitativamente superior na longa luta dos povos da América Latina e do Caribe por sua emancipação, integração e unidade. Expressa também a criação de uma correlação regional e mundial de forças bastante mais desfavorável ao exercício da hegemonia dos Estados Unidos do que a existente até finais da década de 1990 quando a festa neoliberal parecia interminável e alguns chegaram a crer na fábula do fim da história.
Grandes movimentos populares anti-neoliberales ao sul do Rio Bravo e suas combativas lutas conduziram ao surgimento de um conjunto de governos com vocação social e mais independentes de Washington. Estimularam a elevação da consciência latino-americanista, anti-imperialista e inclusive anti-capitalista em nossa região. A vitória eleitoral de Hugo Chávez na Venezuela e a derrota do golpe de Estado e o golpe petroleiro de 2002 -orquestados por Bush e Aznar – marcaram o giro rumo à configuração do atual cenário geopolítico da América Latina, impulsionado pela heroica resistência de Cuba e consolidado pela chegada de Lula da Silva à presidência do Brasil e Néstor Kirchner à da Argentina. A derrota da Alca em Mar del Plata, plano de recolonização yanque da América Latina e do Caribe, foi um marco histórico na segunda independência da América Latina e um ponto de não retorno.
Estimulou ou reforçou novas vitórias populares que levaram ao governo Evo Morales, Rafael Correa e Daniel Ortega e permitiram a ampliação da Alba, novo tipo de integração impulsionada por Venezuela e Cuba fundada na solidariedade, cooperação e no intercâmbio justo, inspirada na vontade de reivindicar um socialismo renovado. Unidos aos governos da Argentina, do Brasil, Uruguai, Paraguai, e mais recentemente Peru, tornou possível dar um impulso sem precedentes à integração latino-americana, manifestada na criação da Unasul, na extensão da Alba para a América Central e o Caribe e a gestação do projeto da Celac. Os governos de direita compreenderam a necessidade de participar desta tendência, ao menos formalmente, para não ficar isolados do concerto latino e caribenho.
A Celac encarnará a voz independente de nossa região no mundo multipolar em gestação, não a típicamente subordinada da OEA e do Tiar, com seu histórico a serviço dos interesses de Washington, justificando suas intervenções sangrentas e acolhendo suas ditaduras militares amigas. A nova organização se nutre das experiências da Alba, Unasul, Caricom e do Grupo do Rio, prova de como são enriquecedoras a unidade e a pluralidade latino-americanas e caribenhas noi momento de concertar ações comuns e entendimentos coletivos sobre o fundo unificador de uma história de lutas contra a exploração colonial e neocolonial e as raízes culturais comuns indo-afro-europeias.
A Celac nasce quando mais se necesita dela para enfrentar a gigantesca crise do sistema capitalista e assentar em nossa comunidade de 500 milhões de seres humanos os fundamentos de uma nova civilização amistosa com a natureza em que caibamos todos com paz, justiça e dignidade. Para a Celac o desafio consistirá em manter-se unida por cima das diferenças ideológicas, velhas queixas por territórios herdadas do passado, possíveis tentações hegemônicas internas e os ferozes intentos que, sem lugar a dúvidas os Estados Unidos e a direita realizarão para dinamitá-la. Sou otimista, aposto no êxito da nova Comunidade.
Angel Guerra Cabrera é jornalista cubano residente no México, colunista do La Jornada. Tradução da Redação do Vermelho
A UNASUL aprovou um importante projeto estratégico que começa a desatar os laços de dependência com EUA: A criação de um mega-anel de fibra óptica que fará as comunicações internas da região não passem mais pelo solo estaduniense. A decisão da primeira reunião dos 12 ministros de Comunicações e Tecnologias da Informação reunidos em Brasilia dia 29 é ainda mais importante, desde o ponto de vista geopolítico, que os projetos de infraestrutura aprovados pelo COSIPLAN (Conselho Sulamericano de Infraestrutura e Planejamento) ao dia seguinte na mesma cidade.
Até agora, as comunicações da internet na região sofrem uma dependência quase incrível. Um email enviado entre duas cidades limítrofes entre Brasil e Peru, por exemplo entre Rio Branco, capital do Acre e Puerto Maldonado, vai para Brasilia, sai por Fortaleza em cabo submarino e ingressa nos EUA por Miami, chega a Califórnia para descer o Pacífico até Lima e seguir até puerto Maldonado, apenas 300quilômetros de ondeele saiu.Nesta base,éimpossível falar desoberania eintegração.
O anel de fibra ótica terá uma extensão de 10 mil kilometros e será gerenciado pelas empresas estatais de cada país para que as comunicações sejam mais seguras e baratas. Para o Ministério das Comunicações do Brasil, queconcebeu o projeto, o anel"diminuia vulnerabilidadeque temos emcaso de atentados, assim como "Eno que diz respeitoàconfidencialidade dos dadose oficiais militares". até hoje 80% do tráfico internacional de dados da América Latina passa pelos EUA, o dobro da Ásia equatro vezes a taxana Europa.
O ministro brasileiro Paulo Bernardo disse que o anel estará concluído em dois anos e que os custos atuais de internet na América do Sul são três vezes maiores do que se pagam nos EUA. Para que os 12 países tenham uma igualdade de acesso aosfluxossão aumentadaspela conexãode novoscabos submarinos, Bernando adianto a criação de pontos detroca de tráfegonas fronteiras, quepode travarempresas. para o Brasil o custo total do projeto é de apenas 100 milhões de dólares.
Além deas decisões de ambasreuniões da Unasul, o Brasil decidiu levar as Nações Unidas sua negociação para a democratização da internet, que está em mãos de empresas estadunienses. O embaixador Tovar da Silva Nunes disse que a gestão dos fluxos de informação "não éinclusiva,não é seguro, não é nemjustonem desejável."
O COSIPLAN decidiu impulsionar 31 projetos de infraestrutura para 2012-2020, com um custo de 14 mil milhões de dólares. Os quatro mais importantes são: corredor ferroviário entre os portos de Paranaguá (Brasil) e Antofagasta (Chile), com um custo de 3700 milhões de dólares; estradaCaracas-Bogotá-Quito-Buenaventura, ou seja, com saída para oPacífico,a um custo de3.350 milhões de dólares; ferroviabioceânica Santos -Arica, trecho boliviano, que custará 3.100 milhões de dólares, e a estrada Callao-la Oroya-Pucallpa, que custará 2.500 milhões de dólares. Em sua maior parte serão financiados pelo BNDES do Brasil, mas poderão participar o Bandes de Venezuela, o Banco de Inversión y Comercio Exterior de Argentina e o regional Banco del Sur.
Todas estas obras formam parte do projeto IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sudamericana), e estão sendo eestão sendo contestadaspelo povo,como aconteceuna Bolíviacom a estrada do TIPNIS eno Perucom ashidrelétricas. A conversãoda região em potencia global, na mãodoBrasil, se processará com um aumento de exploração de recursos naturais e das pessoas. É omesmo caminhopercorridopelos paísesdo norte eentão emergente.
Hámuitos mais desenvolvimentosna região. A reunião do Conselho de Defesa da Unasur, relizada em Lima no 11 de novembro, 26 açõesacordadasno contextodo plano de ação2012 para a integração em matéria de defesa e a criação de uma agencia espaial regional. Argentina ficou encarregada de colocar em marcha a fabricação de um avião de treinamentopara treinamento de formação de pilotos, em cujo processo participarão Equador, Venezuela, Peru e Brasil. Cada país fabricará peças quesão então reunidosem um só lugarpara determinar. Brasil, por sua parte, ficou com a frente do projeto de avião não tripulado para a vigilância de fronteiras.
A regiãosegue os passosde um acordo estratégicode defesaassinado em 5 de setembro entreArgentinae Brasil, que para agora na fabricação do Cargueiro militar KC-390, desenhado pela empresa aeronáutica EMBRAER, no Brasil, que contará com peças fabricadas em Córdoba, Argentina, com um investimento conjunto de mil milhões de dólares, na fabricação conjunta de veículos de transportes e blindados, e na cooperação das indústrias navais e aeroespaciais, e na área de ciberdefesa.
É a primeira vez que se tomam este tipo de decisões nos ex-quintal de Washington. Além disso,esses dados nãoé menos, o projeto do anel de fibra óptica foi criado em Bogotá pelo ministro brasileiro Bernardo; Maria Mejía, a pessoa designada por Juan Manuel Santos para presidir a Unasur, e o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, amigo pessoal do banqueiro luis Carlos Sarmiento, o homem mais rico de Colombia, partidário de firmar um TLC com Brasil e de associar as bolsas de valores de ambos os países.
Um editorial do jornal oficial Global Times, considerado porta-voz do regime chinês, acusou nesta sexta-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de estar sabotando a China na sua visita a Mianmar, até agora um país da área de influência de Pequim.
"Hillary deveria ter deixado claro que a China raramente tem por alvo os Estados Unidos. A estratégia de volta à Ásia dos EUA foi especificamente planejada contra a China", defende o artigo, em referência a palavras da secretária de Estado.
Em seu caminho a Mianmar, Hillary Clinton pediu aos países emergentes que fossem "compradores inteligentes" ao aceitar ajuda estrangeira e que desconfiassem de "doadores mais interessados em extrair recursos naturais do que em aumentar sua capacidade".
Suas palavras foram interpretadas pela imprensa como uma referência à China, principal país investidor em Mianmar e tradicional apoiador do regime militar, ao qual alguns analistas acusam de protagonizar uma nova forma de colonialismo na Ásia, África e América Latina.
O editorial é a primeira queixa da China à visita de Hillary, já que os porta-vozes governamentais mantiveram discrição sobre o assunto e apenas na quinta-feira pediram o fim das sanções que pesam sobre o regime de Mianmar, em resposta ao pedido da secretária de acelerar as reformas democráticas no país.
O texto afirma que a definição de Washington de ajuda estrangeira "é na realidade armamento e ameaças políticas", e acrescenta que "os EUA são o país doador que merece desconfiança".
Segundo o editorial, a China ajuda no desenvolvimento das infraestruturas e do bem-estar dos países nos quais investe, mas reconhece que a ajuda tem "defeitos", em referência às queixas birmanesas pela baixa qualidade dos produtos que exporta.
Nas últimas semanas, o governo de Mianmar interrompeu as obras de uma represa financiada pela China devido às reclamações dos ecologistas, críticas que os investimentos chineses receberam também em outros países nos quais aplica recursos.
"Hillary deve acreditar que sua diplomacia é invencível", apontam os editores do jornal governamental, que sustentam que as palavras da secretária de Estado são uma saída desesperada "à crescente incompetência dos EUA para tratar de sua própria crise". "Seu planejamento orçamentário indica que seu status de superpotência está a ponto de acabar", indica a publicação.
A China, que conta com a maior reserva de divisas do mundo, é um dos principais compradores da dívida americana e europeia.
Grupo enfrentará o desafio de implementar políticas independentes dos EUA
Presidentes e representantes dos 33 países da América Latina se reúnem nesta sexta-feira, em Caracas, para formalizar a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Será a primeira vez que os países do continente se articulam em uma mesma plataforma política – com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional – sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
Segundo analistas, a Celac nasce com o desafio de criar uma organização capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de desenvolvimento econômico, pobreza, crime organizado e, em especial, antagonismos no campo político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita do campo político.
"Temos que ter muita paciência, muita sabedoria. Não podemos deixar-nos levar pelas ideologias governantes em um país ou outro", disse Chávez na última quinta-feira, minutos antes de receber a presidente Dilma Roussef no Palácio de governo.
"Este processo tem que ser independente do socialismo cubano, do socialismo venezuelano, ou do sistema de governo e ideologia do governo do Brasil, da Colômbia (…) é a união política, geopolítica, e sobre esta união vamos construir um grande polo de poder do século 21."
O primeiro debate do grupo, realizado na noite desta quinta-feira, já mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a tomada de decisões – por unanimidade ou por maioria qualificada. O debate deve ser retomado nesta sexta-feira.
Institucionalidade
O maior desafio para a Celac será "passar da afirmação de uma identidade e articulação política a uma institucionalidade que permita aos países tomar decisões", disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de Estado estabelecida pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
"Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional."
Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério e deve ser substituída.
"Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em Washington", defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da Cúpula.
"(Espero) que mais cedo que tarde (a Celac) possa substituir a OEA, que historicamente tem tido grandes distorções", acrescentou.
Esta posição, no entanto, ainda não é um consenso entre a maioria dos países da região, que até agora preferem defender a coexistência das duas instituições.
Para o analista internacional Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela, a Celac tende a contribuir para o enfraquecimento da OEA, mas ainda é cedo para falar de sua extinção.
"A substituição da OEA pela Celac não será fruto de um decreto ou de declarações a favor ou contra, e sim pelas vias de fato", disse à BBCBrasil.
Lander cita como exemplo a atuação da Unasul na resolução do conflito da Bolívia, em 2008, que ele considera 'decisiva'. "Se a Celac mostrar que pode solucionar os conflitos regionais sem a intervenção dos Estados Unidos, o papel da OEA vai perder força naturalmente."
Independência
Para o o economista americano Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, a Celac é criada em um momento em que a América Latina se consolida como uma região "mais independente do que nunca".
"Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional", disse Weisbrot à BBC Brasil.
O analista político venezuelano Carlos Romero, professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, diz que a criação da Celac é um "passo positivo que marca um processo de maturidade política"da região.
No entanto, ele afirma que isso não necessariamente significará a existência um bloco antagônico a Washington. "Os EUA já não exercem a mesma tutela do passado", diz.
A discussão do grupo ainda deve incluir a criação de um fundo de reserva para enfrentar a crise financeira internacional.
Brasil deverá ter papel de liderança na integração regional, segundo analistas
"Quanto mais nos integrarmos, mais estaremos preparados para enfrentar este furacão que a economia mundial está vivendo e a instabilidade do resto do planeta", afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul.
Liderança brasileira
Os especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de "liderança natural" na Celac, protagonismo que antes era dividido com o México quando se tratava do hemisfério como um todo.
"O Brasil é uma potência regional, tem sido (protagonista) pró-democracia e em defesa independência regional na América Latina. Deve ajudar a desempenhar este papel dentro Celac", disse Mark Weisbrot.
O governo brasileiro vê a Celac como o "terceiro anel" do processo de integração regional, seguido do Mercosul e da Unasul.
A reunião de Cúpula para a abertura da Celac havia sido marcada para 5 de julho, mas foi adiada imediatamente após o presidente venezuelano Hugo Chávez ser diagnosticado com câncer, no final de junho.
A Celac unificará as estruturas do Grupo do Rio, mecanismo de consulta internacional regional criado em 1986, e da Calc (Comunidade América Latina e Caribe) e deve trabalhar em cinco áreas: política, energia, desenvolvimento social, ambiente e economia.
Em entrevista ao Boletim Vermelho, a presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Socorro Gomes, comenta os preparativos ao seminário "Os direitos humanos na perspectiva da construção de uma cultura de paz", que se realiza dias 2 e 3 de dezembro em São Paulo. Dez países já confirmaram presença: Argentina, Portugal, Grécia, Espanha, Sérvia (parte da antiga Iugoslávia), Palestina, Japão, Cuba, Panamá e República Dominicana.
Um dos pontos fortes do governo das forças democráticas brasileiras, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula, tem sido a política externa. Altiva, assertiva, soberana, em muito contribuiu para mudar a imagem do Brasil no mundo e elevar a autoestima dos brasileiros.
Por José Reinaldo Carvalho*
Foi-se para sempre o famigerado complexo de vira-latas e o Brasil distinguiu-se no cenário internacional não mais pelas humilhações que sofria nem pelos gestos de subserviência com que governos anteriores favoreceram os potentados internacionais. Pertencem a uma era definitivamente pretérita frases como “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” (Juracy Magalhães), assim como gestos servis, como o de Otávio Mangabeira beijando a mão de Eisenhower ou um ex-chanceler obedecendo a ordens de tirar os sapatos emitidas por um meganha de aeroporto nos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, nada tem a ver com essa malsinada tradição entreguista. Frequentou outra escola e se distinguiu na nova geração da Casa de Rio Branco como um alto funcionário esmerado na boa técnica diplomática. É seu mérito e pode ser também o seu defeito. Porque como em toda e qualquer atividade estatal, não há técnica que resulte em ações progressivas sem a boa política no posto de comando.
Talvez seja por isso que o chanceler, em nenhuma ocasião desde que assumiu o comando do Itamaraty, tenha feito uma crítica sequer às ações do imperialismo estadunidense e seus aliados da União Europeia e Otan, mesmo nos momentos em que cometeram crimes de lesa-humanidade como no caso da guerra contra a Líbia, ou quando elevaram o tom das ameaças de sanções e intervenção contra o Irã.
Quiçá, isto sirva ainda para explicar por que o Brasil tem adotado algumas mudanças em sua conduta nos fóruns internacionais, dando votos que não se coadunam com uma política externa de país progressista.
Pode ser uma questão de estilo e de formação do chanceler, mas não o isenta de críticas. Do ponto de vista das forças democráticas, populares, internacionalistas, nada justifica a adesão de nosso país à política intolerante de sanções levada a efeito pelas potências imperialistas. O Itamaraty não é ingênuo. Seus pós-doutores em geopolítica, defesa e diplomacia sabem que não há neste mundo hobbesiano defesa desinteressada dos direitos humanos, letra morta quando defendida por superpotências cuja história é feita por genocídios.
Também é conhecido que está em plena aplicação a estratégia de reestruturar o Oriente Médio, plataforma que encanta os think tanks democratas e republicanos, que alternadamente fazem a cabeça do Pentágono e do Departamento de Estado. O Brasil tem justas ambições de desempenhar um novo papel e ocupar um novo lugar no mundo, o que seria suficiente para agir de acordo com o interesse nacional e em benefício de países e povos amigos, tomando a devida e necessária distância dos planos geopolíticos imperiais, nunca coadjuvando-os.
Não só o voto pelas sanções à Síria é um contrassenso, como é no mínimo uma platitude defender, como fez o chanceler nesta terça-feira (29), a “desmilitarização” da Síria como alternativa para encerrar a onda de violência no país que dura oito meses.
Mais estranha ainda foi a afirmação de que a mediação de um acordo de paz na região deve ser feita pela Liga Árabe. Seria, não fosse a circunstância, que o ministro não desconhece, de que a Síria, país membro da Liga, está suspensa do bloco, porque este se encontra sob a égide de uma orientação pró-imperialista e paradoxalmente anti-árabe.
Antonio Patriota expôs suas dúvidas sobre a eficácia de uma intervenção militar na Síria. Recorreu ao discurso técnico para argumentar que a intervenção militar “tem de ser autorizada pelo Conselho de Segurança [das Nações Unidas], que tem estado muito dividido em relação à Síria. Isso porque não está claro o que uma intervenção militar poderia realizar de positivo para a população e a democracia na Síria”, disse.
Seria desejável, em nome da boa imagem do Brasil progressista, perante as forças que internamente dão sustentação política ao governo, e aqueles países e forças políticas que têm no Brasil um aliado solidário das causas da paz e do contra-hegemonismo das grandes potências imperialistas, que o chanceler condenasse ou no mínimo descartasse por convicção a intervenção militar contra o país árabe.
Ao que tudo indica, o chanceler brasileiro já tem opinião formada sobre a situação da Síria, sem levar em conta as informações, opiniões e medidas de um governo que tem sólidas relações bilaterais com o Brasil. Deu crédito absoluto às conclusões da Comissão de Investigação de Direitos Humanos das Nações Unidas, de que “as forças de segurança ligadas ao presidente sírio são responsáveis por torturas, assassinatos, estupros e desaparecimentos na região”. Isto foi o suficiente para que o chanceler sentenciasse: “As acusações são muito graves, estamos examinando o seu conteúdo [o relatório da comissão da ONU tem 40 páginas]. Lembro que o Brasil se posicionou sempre a favor das manifestações por melhor governo, mais democracia, melhores oportunidades econômicas e de emprego e organização para os países árabes. Ao mesmo tempo deixou claro que é inaceitável a utilização do aparato do Estado para a repressão violenta e armada contra manifestantes”, disse.
As declarações do chanceler brasileiro são feitas no mesmo momento em que a União Europeia anuncia a intensificação das sanções contra o país árabe e em meio à reiteração pelas autoridades estadunidenses de que Bashar Assad tem de ser deposto.
Não pode haver unidade entre progressistas e reacionários quando se trata de tomar posição sobre um regime político como o vigente na Síria.
Os povos árabes têm direito a lutar pela democracia e a escolher o tipo de governo que querem para fazer suas sociedades avançarem. A liberdade política é um pressuposto para a construção de sociedades justas, progressistas, soberanas. O regime sírio tem lacunas a preencher em termos de vida democrática e vigência plena dos direitos humanos. Mas não é disso que se trata para o imperialismo e seus aliados sionistas e na Liga Árabe. Não é a democracia nem o respeito aos direitos humanos que estão em causa. Figuram no caso em tela como meros pretextos para instrumentalizar uma intervenção. No caso da Líbia o resultado foi uma guerra de agressão e o magnicídio.
Mesmo não tendo identidade política com o governo sírio, o Brasil deve tomar distância de tais manobras e intentos imperialistas.
As declarações do ministro das Relações Exteriores são, assim, no mínimo precipitadas. O Brasil não tem por que se somar à política de sanções ditada pelas potências imperialistas.
Poucos prestaram atenção, quando, semana passada, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland anunciou, em linguagem cifrada, que Washington “deixará de atender a alguns dos dispositivos do Tratado das Forças Militares Convencionais na Europa [ing. Conventional Armed Forces in Europe (CFE) Treaty], no que tenha a ver com Rússia.”[1]
Tradução: Washington deixará de informar a Rússia sobre deslocamentos de sua armada global. A estratégia de “reposicionamento” planetário do Pentágono virou segredo.
É preciso atualizar algumas informações de fundo. Esse tratado, CFE, foi assinado nos anos 1990 – quando o Pacto de Varsóvia ainda era vigente, e cabia à OTAN defender o ocidente “livre” contra o que então estava sendo pintado como um muito ameaçador Exército Vermelho.
Na Parte I, esse Tratado CFE estabelecia significativa redução no número de tanques, artilharia pesadíssima, jatos e helicópteros de guerra, e dizia também, aos dois lados, que todos teriam de nunca parar de falar do Tratado CFE.
A Parte II do Tratado CFE foi assinada em 1999, no mundo pós-URSS. A Rússia transferiu grande parte de seu arsenal para trás dos Montes Urais, e a OTAN nunca parou de avançar diretamente contra as fronteiras russas –, movimento que aberta e descaradamente descumpria a promessa que George Bush ‘Pai’ fizera, pessoalmente, a Mikhail Gorbachev.
Em 2007, entra Vladimir Putin, que decide suspender a participação da Rússia no Tratado CFE, até que EUA e OTAN ratifiquem a Parte II do CFE. Washington nada fez, nada de nada; e passou quatro anos pensando sobre o que fazer. Agora, decidiu que nem falar falará (“Washington deixará de atender”, etc. etc.).
Não se metam na Síria
Moscou sempre soube, há anos, o que o Pentágono quer: Polônia, República Checa, Hungria, Lituânia. Mas o sonho da OTAN é completamente diferente: já delineado num encontro em Lisboa há um ano, o sonho da OTAN é converter o Mediterrâneo em “um lago da OTAN”.[2]
Em Bruxelas, diplomatas da União Europeia confirmam, off the record, que a OTAN discutirá, numa reunião chave no início de dezembro, o que fazer para fixar uma cabeça-de-praia muito próxima da fronteira sul da Rússia, para dali turbinar a desestabilização da Síria.
Para a Rússia, qualquer intervenção ocidental na Síria é caso resolvido de não-e-não-e-não absoluto. A única base naval russa em todo o Mediterrâneo Ocidental está instalada no porto (sírio) de Tartus.
Não por acaso, a Rússia instalou seu sistema de mísseis de defesa aérea S-300 – dos melhores do mundo, comparável ao Patriot, dos EUA – em Tartus. E é iminente a atualização para sistema ainda mais sofisticado, o S-400.
Mais importante: pelo menos 20% do complexo industrial militar russo enfrentaria crise profunda, no caso de perder seus assíduos clientes sírios.
Em resumo, seria suicídio, para a OTAN – para nem falar em Israel – tentar atacar a Síria por mar. A inteligência russa trabalha hoje sobre a hipótese de o ataque vir via Arábia Saudita. E vários outros países também sabem, com riqueza de detalhes, dessa estratégia de “Líbia remix”, da OTAN.
Vejam o caso, por exemplo, da reunião da semana passada, em Moscou, dos vice-ministros de Relações Exteriores dos países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)[3].
Os BRICS não poderiam ter sido mais claros: esqueçam qualquer tipo de intervenção externa na Síria; disseram, exatamente que “não se deverá considerar qualquer interferência externa nos negócios da Síria, que não esteja perfeitamente conforme o que determina a Carta das Nações Unidas”.[4]
Os BRICS também condenam as sanções extra contra o Irã (são “contraproducentes”) e qualquer possibilidade de algum ataque. A única solução – para os dois casos, Síria e Irã – é negociações e diálogo. Esqueçam a conversa de um voto da Liga Árabe levar a nova resolução, do Conselho de Segurança da ONU, de “responsabilidade de proteger”, responsibility to protect, R2P. Esqueçam.
O que temos aí é um terremoto geopolítico. A diplomacia russa coordenou, com outros países BRICS, um murro tectônico na mesa: não admitiremos qualquer tipo de nova intervenção dos EUA – seja “humanitária” ou a que for – no Oriente Médio. Agora, é Pentágono/OTAN versus os BRICS.
Brasil, Índia e China estão acompanhando tão de perto quanto a Rússia, o que a França – sob o comando do neonapolêonico Libertador da Líbia, Nicolas Sarkozy – e a Turquia, os dois países membros da OTAN, estão empenhados e fazer hoje, sem qualquer limite ou contenção, contrabandeando armas e apostando em uma guerra civil na Síria, ao mesmo tempo em que tudo fazem para impedir qualquer tipo de diálogo entre o governo de Asad e a oposição síria, essa, em frangalhos.
Alerta máximo nos gargalos
Tampouco é segredo dos BRICS que a estratégia de “reposicionamento” do Pentágono implica mal disfarçada tentativa de impor, no longo prazo, uma “negativa de acesso” à marinha chinesa expedicionária [ing. blue-water navy, capaz de operar em alto mar], em acelerada expansão.
(Se não fosse Rothschild, poderíamos dizer que parece um anjo)
David "de" Rothschild é um rapaz muito sensível para os problemas do mundo, o que parece ser uma tradição dessa família desde há muito. Ganhar dinheiro e poder financiando os dois lados das guerras incitadas por eles próprios, marca registada desse gang, exige algum tipo de compensação para a imagem, como provam também as carreiras dos Nobel, dos Carnegie, dos Rockefeller e dos Krupp, para ficar só com alguns exemplos.
Uma visita às favelas do Rio de Janeiro ensina mais sobre a actividade das grandes "famiglie" que qualquer manual de ética empresarial, que não passam de puro lixo propagandístico. Os bandidões procuram sempre financiar as actividades culturais dos seus territórios e ajudar as pessoas necessitadas, desde que não ponham entraves ao seu poder. É o jogo da cenoura e do porrete, também conhecido por estímulo contraditório na linguagem técnica.
David "de" Rothschild é um dos maiores apoiantes da tese do aquecimento global antropogênico, justificação maior para o sistema de cap and trade que a sua família, assim como sócios menores, como Al(l) Gore, ambiciona instituir junto do estabelecimento do embrião do governo global, a taxa mundial sobre o carbono, imposto perfeito do qual nada poderá escapar.
Os antigos publicani do Império Romano nada são em comparação com esta máfia.
Agora o rapaz demonstra um novo interesse que reforçará a propaganda pelo imposto mundial sobre o carbono, o lixo plástico, e cruzará o Pacífico num barco de garrafas plásticas. Esperemos que o Deus do Velho Testamento acorde e mande um recado bem claro para esta famiglia de apóstatas, mas acho que isso em nada os iria demover de promover a destruição em massa que é a base do seu poder.
Acredito que problema do lixo é uma verdadeira questão que deveria ser debatida a sério, assim como a poluição dos rios, mares e dos solos, para além do vandalismo genético promovido pela introdução de transgênicos na natureza, mas não é dando o poder absoluto para as intituições multinacionais sobre as quais as famiglie que mais ganharam com a destruição do meio ambiente impõe a sua vontade a escala mundial que vamos fazê-lo.
Al Gore é uma cria da Occidental Petroleum, os Rockefeller controlam as filhas da Standard Oil (Texaco e Exxon são duas), os Windsor - e o bom e eterno príncipe Carlos - são sócios da BP, os Orange da Shell, os Dupont dão cartas no mundo da indústria química e os Rothschild estão por cima de toda essa gente.
Enfim, coisas que não ensinam em nenhuma escola, mas que podem ser comprovadas materialmente por qualquer um que deseje investigar estas coisas a que um dia davam o nome de História e hoje dão o nome de "Teorias da Conspiração".
David de Rothschild faz arte em Belo Monte
Depois de atravessar o Oceano Pacífico a bordo do catamarã Plastiki, feito de garrafas PET, o ambientalista e aventureiro David de Rothschild começa agora uma nova expedição aqui no Brasil. Nas próximas semanas, o inglês vai viajar pela Floresta Amazônica e mostrar, por meio da arte, o impacto que a construção da Usina de Belo Monte terá sobre a região
(David e a maquete do barquinho de plástico que ganhou do "Papai Rothschild")
Em 2010 David de Rothschild e a equipe do projeto Plastiki cruzaram o Pacífico, saindo de São Francisco, nos Estados Unidos, e após 130 dias, chegaram a Sidney, na Austrália (leia os posts Plastiki: o barco sustentável de garrafas PET, Barco de PET conclui travessa do Pacífico do Blog da Redação). O catamarã, feito totalmente com material reciclado, fazia parte de um projeto para alertar o homem sobre a poluição marítima. Rothschild já participou de outras expedições, entre elas para o Ártico e a Antártica para chamar a atenção sobre a sobrevivência dos ursos, e em 2007, o ecologista esteve no Equador, onde viu de perto os efeitos que o lixo tóxico causa às populações indígenas e ao meio ambiente.
Esta semana, Rothschild inicia uma jornada pela região do rio Xingu, na Amazônia. A expedição que faz parte do projeto ARTiculate, do movimento MYOO*, reúne arte, ecologia e aventura. A ideia é viajar pela floresta e conversar com as crianças sobre o impacto que a construção da Usina de Belo Monte trará para a região, junto com a organização não-governamental Amazon Watch*. A intenção é criar imensas instalações de arte que representem a biodiversidade dessa região amazônica. Parte dela será invevitavelmente perdida após a inundação da área. O foco do estudo será "What is lost?".
Durante a visita ao Brasil, David de Rothschild também fará parte do Festival SWU, que acontecerá em Paulínia, São Paulo. O ecologista inglês será um dos palestrantes do II Fórum Global de Sustentabilidade SWU.
Chega a comover a preocupação do filhote do "PapaiRothschild" ao Meio Ambiente.
Fonte: ogladio.blogspot.com, http://planetasustentavel.abril Imagem: Google
Grã-Bretanha expulsa diplomatas e aumenta pressão contra Irã
BBC Brasil
A Grã-Bretanha vai expulsar todos os diplomatas iranianos de seu território em resposta à invasão de sua embaixada em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chanceler britânico, William Hague.
A invasão da Embaixada britânica, por sua vez, decorre de uma nova rodada de sanções adotadas pela Grã-Bretanha contra o Irã, à luz de relatos de avanços no programa nuclear iraniano.
Países ocidentais temem que o programa nuclear iraniano tenha como objetivo construir armas nucleares. Teerã alega, no entanto, que seu projeto tem fins pacíficos.
Em meio ao impasse, cresce a pressão contra o Irã, e Hague ordenou, nesta quarta, o fechamento imediato da embaixada iraniana em Londres.
Hague disse que as relações bilaterais entre Irã e Grã-Bretanha chegaram a seu nível mais baixo e que levará o assunto ao Conselho de Relações Exteriores da União Europeia.
"Discutiremos esses eventos (a invasão da embaixada britânica) e novas ações necessárias diante da continuidade do Irã em perseguir um programa de armas nucleares", declarou o chanceler.
Tensão nuclear e sanções
A tensão na relação entre Irã e o Ocidente começou a subir na semana passada, quando um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que o Irã havia promovido testes "relevantes ao desenvolvimento de um dispositivo nuclear".
Os EUA, o Canadá e a Grã-Bretanha reagiram ao relatório com o anúncio de novas sanções contra o Irã – no caso britânico, as punições incluíram restrições financeiras que afetaram os laços com todos os bancos iranianos.
Foi a primeira vez que a totalidade de um setor financeiro de um país foi excluído de elos com as instituições financeiras britânicas, explica o analista diplomático da BBC, Jonathan Marcus.
Depois disso, o Parlamento iraniano decidiu, no último domingo, reduzir as ligações diplomáticas do país com a Grã-Bretanha.
Na terça-feira, centenas de manifestantes – que o governo iraniano descreveu como estudantes – se aglomeraram nos arredores da representação diplomática britânica em Teerã, escalando os portões e queimando um carro e bandeiras britânicas.
Alcance das sanções
A nova escalada nas sanções visa aumentar a pressão econômica sobre Teerã - dificultando suas transações financeiras no exterior -, tentar conter as atividades nucleares do país e, em tese, tentar convencê-lo a voltar à mesa de negociações.
Mas tudo indica que, até agora, esses objetivos foram apenas parcialmente cumpridos, ressalta Jonathan Marcus.
Em primeiro lugar, segundo Marcus, é difícil medir o quanto as atividades nucleares iranianas foram restritas pelas punições – segundo a AIEA e diplomatas ocidentais, o programa está, na verdade, avançando lentamente em diversos aspectos.
Quanto a trazer o Irã de volta às negociações, os resultados parecem muito menos expressivos. Além disso, não há um consenso internacional quanto ao alcance das punições. Algumas delas, ainda que aprovadas na ONU, são aplicadas de maneiras diferentes por diferentes países.
E os iranianos conseguem escapar de algumas sanções apostando cada vez mais na China como um parceiro comercial.
Ao mesmo tempo, China e Rússia – não têm demonstrado interesse em apoiar uma nova rodada de sanções contra Teerã na ONU.
Somando-se a isso a aproximação das eleições presidenciais na Rússia e nos EUA, além da instabilidade no Oriente Médio, parece ficar cada vez mais difícil obter consenso para a aprovação de novas punições.
No outro extremo, existe a preocupação de Israel, que se sente diretamente ameaçada pela possibilidade de um Irã com poderio nuclear.
No início deste mês, a imprensa israelense relatou que o governo do país já avaliava a possibilidade de buscar apoio interno para bombardear instalações nucleares iranianas.
Como vemos, falta pouco para os "Guerreiros do Apocalipse" começarem outro Genocídio.
Sem fazer muito alarde, o governo brasileiro vem adotando certas medidas de proteção contra o mais que provável aprofundamento da crise sistêmica global, as quais poderão proporcionar ao País melhores condições para enfrentar a combinação de furacão classe 5 e tsunami que ameaça engolfar o cada dia mais disfuncional sistema financeiro e monetário mundial.
Para tanto, foi fundamental o enquadramento do Banco Central de Alexandre Tombini na orientação da política econômica geral do governo, manifestada com a redução das taxas de juros básicos (Selic) que vem ocorrendo desde agosto. Neste caso, é significativo que os próprios mercados financeiros parecem ter se ajustado aos fatos, após certas reações negativas iniciais, grandemente motivadas por reflexos condicionados dos setores que passaram as últimas décadas exercendo uma hegemonia quase absoluta sobre a orientação do BC. Nas últimas semanas, desapareceram quase totalmente as críticas à posição do banco sobre o agravamento do cenário global, que foi a principal justificativa para a reversão da alta dos juros. Como afirmam alguns analistas, o mercado “encampou a visão do BC”.
Uma providência de grande alcance foi o Projeto de Lei de Conversão 26/2011, que determina ou aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre contratos de derivativos vinculados à taxa de câmbio do dólar. De acordo com o texto, já aprovado no Congresso, os contratos do gênero assinados a partir de 17 de setembro último terão que pagar 1% de IOF, valor que poderá ser aumentado para 25%, no caso de operações especulativas que, no entendimento do governo, coloquem em risco a estabilidade do real (Agência Brasil, 16/11/2011).
Por iniciativa do senador Blairo Maggi (PR-MT), relator do projeto no Senado, o governo publicará um decreto isentando os exportadores da cobrança do imposto. Apesar de considerar a medida como “muito forte” e “um cheque em branco” para o governo, Maggi entende que ela é necessária para combater a especulação de fundos internacionais que apostam na valorização do real.
Considerando a enorme relutância dos governos em geral para taxar operações especulativas, a medida é das mais oportunas e indicativas de que, se necessário, outras providências semelhantes poderão entrar na pauta.
Outra iniciativa relevante é a discussão sobre a criação de um fundo regional de reservas para ajudar países eventualmente afetados pela crise, que vem ocorrendo desde agosto. Na sexta-feira 25 de novembro, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais sul-americanos se reunirão em Buenos Aires para discutir a proposta. De acordo com funcionários do governo, as discussões técnicas têm avançado bastante, embora ainda não tenha sido tomada uma decisão oficial sobre a criação do fundo e o seu formato, se seria criado um novo fundo ou haveria uma ampliação do já existente Fundo Latino-Americano de Reservas (FLAR), que conta com recursos de 4 bilhões de dólares – quase insignificantes para uma emergência séria. O agravamento da crise global e a falta de resultados concretos na recente cúpula do G-20 estão entre os motivos mencionados para justificar a iniciativa (Brasil Econômico, 21/11/2011).
A iniciativa denota um amadurecimento da percepção da integração regional como uma prioridade estratégica para o Brasil. Apesar dos altos e baixos que têm marcado o processo integracionista, ele não tem deixado de avançar e são promissoras as perspectivas para o seu aprofundamento. Em um futuro não distante, é possível vislumbrar a consolidação de uma autêntica união aduaneira regional, com os necessários ajustes referentes às assimetrias entre as economias da região, da qual o País seria um grande beneficiário.
Em sua coluna semanal na revista Carta Capital (21/11/2011), o ex-ministro Delfim Netto também considera como favas contadas o agravamento da crise global, comentando as especulações sobre a desaceleração econômica nos EUA, Alemanha, China e eurozona em geral.
Para ele, o Brasil “tem se conduzido bastante bem diante dessas situações de crise que estão abalando a sociedade mundial”. Citando a crise de 2007-2008, destacou a atitude do governo Lula, com políticas de estímulo à produção e manutenção dos empregos:
(…) «Enquanto na maioria dos países a prioridade passou a ser a salvação do sistema bancário, aqui a intuição do presidente mostrou que o dever sagrado dos governos era garantir às pessoas as condições de continuar trabalhando e consumindo. E tão logo superou a fase crítica tratou de renovar os incentivos aos setores privados para a retomada do crescimento, com ênfase no aumento da produção industrial e nos investimentos na infraestrutura.» (…)
«O principal objetivo do governo Dilma – da mesma forma que no governo Lula – é claramente manter a economia brasileira crescendo o mais próximo possível do pleno emprego e, na medida em que as condições externas não se tornem determinantes, acelerar o ritmo do desenvolvimento. Em nenhum instante isso significou leniência diante das pressões inflacionárias, e sim uma atitude mais inteligente de combater a inflação dilatando apenas o prazo para que a taxa retorne ao centro da meta. Hoje, os agentes do mercado financeiro, antes reticentes, já trabalham com a expectativa de que o núcleo da meta seja atingido no fim de 2012.»
Prosseguindo, Delfim observa que o País tem superado obstáculos que, anteriormente, costumavam criar grandes problemas. Entre eles, faz uma oportuna referência às questões ligadas ao meio ambiente:
«O Brasil está superando duas das três principais dificuldades que frequentemente interrompiam o seu desenvolvimento: as crises de pagamentos externos e a escassez de energia. O terceiro problema, o da autonomia alimentar, já estava sendo resolvido neste início de século e se consolidou de forma extraordinária por um processo de expansão da fronteira agrícola e de rápido crescimento da produtividade (inclusive na pecuária), fruto dos investimentos em pesquisa de empresas privadas e públicas, notadamente da Embrapa.» (…)
«A ameaça de crises de pagamento e de falta de energia foi afastada quase que pelo mesmo fator, a confirmação das reservas petrolíferas do pré-sal. No caso da autonomia energética, é de justiça que se reconheça a participação decisiva e corajosa do presidente Lula e de sua ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, quando derrotaram as objeções das inúmeras organizações (supostamente não governamentais) no Brasil e no exterior, as quais conseguiam retardar o aproveitamento da hidroenergia dos rios da Amazônia.»
De fato, a despeito de certas concessões, a área ambiental é outra na qual a presidente tem demonstrado uma inusitada disposição de limitar a interferência do movimento ambientalista nos processos decisórios sobre políticas públicas e projetos específicos. O enquadramento das organizações não-governamentais (ONGs), proporcionado pelas denúncias de irregularidades em convênios assinados com certos ministérios, e a recente edição da Portaria Interministerial 419/2011, que regulamenta a atuação dos órgãos e entidades do governo federal envolvidos no licenciamento ambiental, podem vir a ser um divisor de águas para limitar a enorme influência política do movimento ambientalista-indigenista no País.
Com tais medidas, e outras que poderão vir a ser tomadas em caso de necessidade, a presidente sinaliza pelo menos uma intenção de não se deixar conduzir pelos atores que, até agora, vinham dando as cartas nas políticas financeiras, ambientais e indigenistas. O País aplaude e apoia.
Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Fonte: Blog do Ambientalismo
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Uma homenagem a todos os amigos do "Botequim do Max"
Somalis exigem fechamento de 16 ONGs e agências da ONU
Os insurgentes islamitas do grupo 'al-Shabab' confirmaram nesta segunda-feira (28) o fechamento de 16 ONGs e agências humanitárias da ONU acusadas de atividades ilegais na Somália e ameaçaram proibir qualquer outra organização que não respeitar suas regras.
Seis agências da ONU estão na mira dos shabab: o Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR), a Organização Mundial para a Saúde (OMS), o Fundo para a Infância (Unicef), o Fundo para a População (Unfpa), a Agência para os Serviços de Apoio a Projetos (Unops) e o Centro de Análises para a Segurança Alimentar (FSNAU).
As ONGs são a Action contre la faim (ACF), Norwegian Refugee Council (NRC), Danish Refugee Council (DRC), Concern, Norwegian Church Aid (NCA), Cooperazione Internazionale (COOPI), Swedish African Welfare Alliance (SAWA), a agência de cooperação alemã GIZ (ex-GTZ), Solidarity et Saacid.
Pouco antes, testemunhas e uma fonte de segurança regional falaram de invasões coordenadas dos escritórios das ONGS nesta segunda-feira em várias cidades do centro e do sul da Somália controladas pelos shabab.
Alguns habitantes afirmaram que certas ONGs, como Médicos sem Fronteiras (MSF) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) não foram afetadas, o que confirma o comunicado do grupo.
Em 2009, os insurgentes já haviam obrigado ONGs estrangeiras e agências da ONU a deixar as zonas sob seu controle, acusando-as de ter objetivos políticos ou de desestabilização do mercado agrícola local.
As agências que permaneceram no país foram submetidas a drásticos controles e restrições que, segundo os funcionários, impedem a distribuição da ajuda crucial para várias milhares de vítimas da crise alimentar.
A Somália, em guerra civil há vinte anos, é o país mais duramente afetado pela recente seca no Chifre da África. Segundo a ONU, três regiões do Sul somali sofrem com a fome, e quase 250.000 pessoas podem morrer.
Lixeira Tóxica Durante Décadas
Onde estão as ONGs que se dizem "Guardiãs" dos Mares???
Como se não bastasse o estado caótico em que se encontra a Somália, ilegalmente corporações estrangeiras de países ricos têm, desde os anos 90, utilizado os mares da costa deste país para despejo de resíduos tóxicos e redioactivos, nomeadamente urânio, metais pesados, lixo hospitalar e industrial, químico ou radioactivo, destruindo desta forma totalmente o oceano e a biodiversidade marítima. Aliás, muitos oceanos de países africanos tais como a Costa do Marfim, Nigéria, Congo ou Benim, também servem de lixeira tóxica de países industrializados europeus e asiáticos. Só no ano de 2011 chegaram a África 600.000 toneladas de resíduos tóxicos. Os países africanos converteram-se em locais de despejo de lixeiras de resíduos radioactivos feitos por países ricos.
Quem são os Piratas?
Antigos pescadores que viram impunemente as suas famílias a ficarem sem alimento, devido a grandes navios industriais destruirem a capacidades pescatórias locais, bem como outros indígenas ou guerreiros que se aperceberam das doenças provocadas pelos despejos de resíduos tóxicos nas suas águas territoriais juntaram-se para combater os navios que por ali passassem… que ilegalmente fossem pescar, fazer despejos, ou que estivessem no seu território. Assim, apreendiam os navios e exigiam dinheiro para os libertar ou aos ocupantes presos… Esta foi uma actividade que naturalmente se começou a tornar complicada para as grandes empresas que iam ali fazer pesca ilegal ou descarregar lixo tóxico - uma actividade que rendia milhões de euros ou dólares mensalmente… Denominaram então estes guerreiros somalis de “piratas”.
Dentro da ONU, principalmente países como Espanha e França viram os seus rendimentos afectados através da indústria da pesca e, duma maior dificuldade de despejos de lixo tóxico, tendo sido criado assim a operação “Atalanta”, que só na Espanha produz um custo mensal, em efectivos e mobilização de material bélico em cerca 6.5 milhões de euros, para proteger os navios da continuidade de pesca ilegal na Somália e dos despejos de resíduos radioactivos e tóxicos nestes mares.
Talvez fosse melhor, no entanto, rever a definição da palavra “pirata” para nos apercebermos de quem é que podemos aqui definir como tal…
Intervenção das Nações Unidas - 1992
A Resolução733 do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Resolução 746, levaram à criação da UNOSOM I, a primeira missão proposta para fornecer ajuda humanitária e auxiliar na restauração da ordem na Somália após a dissolução do seu governo central.
A Resolução 794 foi aprovada por unanimidade em 03 de dezembro de 1992, que aprovou uma coalizão de forças de paz das Nações Unidas lideradas pelos Estados Unidos para formar a UNITAF, encarregada de assegurar que a ajuda humanitária fosse distribuída e a paz fosse estabelecida na Somália. As tropas humanitárias da ONU desembarcaram em 1993 e começaram um esforço de dois anos (principalmente no sul) para aliviar as condições de fome.
Os críticos do envolvimento dos EUA argumentaram que o Governo dos Estados Unidos estava entrando para ganhar o controle de concessões de petróleo para as empresas americanas. Enquanto a Somália não tinha reservas comprovadas de petróleo, poderia haver petróleo ao largo da Puntland. Eles observaram que "um pouco antes do Presidente Mohamed Siad Barre (pró-EUA) ser derrubado em 1991, quase dois terços do território do país haviam sido concedidos como concessões de petróleo para Conoco,Amoco, Chevron e Phillips. A Conoco até emprestou o seu complexo corporativo em Mogadiscio para a embaixada dos EUA poucos dias antes dos Fuzileiros Navais desembarcarem, com o enviado especial da primeira administração de George W. Bush usando-o como seu quartel-general temporário.
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Do Blog Ramiro Lopes Andrade
Estamos a envenenar o meio ambiente com resíduos tóxicos no mar, e atingimos toda a cadeia alimentar humana, nossa cuspidez e ganancia é tanta, que estamos a nos envenenar a nós próprios !!!!!!
Colocamos rejeitos industriais tóxicos, e rejeitos não tratados de usinas nucleares no mar.
Depois mandamos nossos navios pesqueiros destruir o meio ambiente nestas mesmas aguas contaminadas com radiação e toxinas, para nos venderem este pescado contaminado, capturado em aguas da Somália.
Isto é um suicído coletivo mundial. Nostros hermanos espanhois, para não gastarem cerca de 80 milhões de euros anuais em reciclagem de resíduos nucleares de suas centrais, carregam navios com estes dejetos, os enviando para as aguas territoriais da Somália, a um custo muito inferior, gerando uma poluição ambiental sem precedentes.
Mas não são só Espanhois, são também Americanos, Chineses, Russos, Franceses, Ingleses, Alemães, etc ................... a fazerem o mesmo.
Vejam este filme, antes que desapareça, ou então tirem para vossos computadores com o programa gratuito ( atube catcher ).
Informem-se.
O conhecimento é o primeiro passo para a liberdade !!!!!!!!!