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domingo, 8 de janeiro de 2012

O urso alfineta a águia; o dragão sorri

A partir de uma observação aparentemente imotivada, os EUA elevaram as eleições parlamentares russas de 5 de dezembro passado ao status de questão central das relações EUA-Rússia. A dramática escalada retórica põe abaixo as sempre repetidas sugestões do governo de Barack Obama, de um “reset” nas relações.

Por M K Bhadrakumar


Num movimento discreto, Pequim cuidou de manifestar sua compreensão para com Moscou. As intersecções desses movimentos terão impacto em vários aspectos da situação regional e internacional no próximo governo.

Para recapitular: quando a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, comentou o resultado das eleições parlamentares russas, ainda durante a Conferência Bonn II na Alemanha, iniciada em 5 de dezembro, ela visava diretamente o Kremlin; disse que estava “preocupada” com aquelas eleições e que o “povo russo, como todos os povos, merece ter a voz ouvida e os votos contados”.


Clinton falou antes, até, de serem divulgados os resultados oficiais. Em vastas regiões da Rússia os resultados só chegaram na 4ª-feira. As urnas mostraram que o partido governante, Rússia Unida, sofrera duro revés, tendo perdido 77 assentos, nos 450 do Parlamento; ficou limitado a uma maioria de 238 votos.


Mas Clinton falou como se o Kremlin tivesse orquestrado uma vitória ao estilo dos soviéticos, de 98% dos votos –, quando a mídia ocidental interpretava o resultado na direção exatamente oposta, como grande “derrota” do primeiro-ministro Vladimir Putin (já candidato à presidência nas eleições de 4 de março). Para Clinton, o Kremlin teria calado a voz do povo, para perpetuar-se no poder.

Estranhamente, Clinton não só nada fez para fazer esquecer aqueles comentários como, até, repetiu-os no dia seguinte, em mais uma acutilada contra os líderes russos, bem ali à porta de entrada da Rússia – em Vilnius, Lituânia –, na presença de toda a comunidade dos Estados pós-soviéticos e das velha e nova Europa. Clinton ter escolhido como sua plateia a Organização da Segurança e Cooperação da Europa (OSCE) foi um movimento muito claramente simbólico, porque esse corpo regional é herdeiro dos famosos Acordos de Helsinque de1975, legado da Guerra Fria.

O que teria provocado o ataque dos EUA? Explicação simples poderia ser que Clinton aproveitou a chance para jogar lama contra Putin, para tornar sua eleição à presidência da Rússia, dia 4 de março, o mais difícil e controversa possível.


Uma primavera em pleno inverno


É verdade que há várias indicações, nas últimas semanas, de que Washington está incomodado com a alta probabilidade de Putin voltar à presidência da Rússia, no atual período formativo da política mundial. Putin significa uma Rússia assertiva – Rússia que negocia com firmeza para influenciar eventos mundiais, Rússia que incrementará a cooperação com a China, Rússia que fatalmente se oporá ao projeto, crucial para os EUA, de um novo Oriente Médio sob renovada hegemonia dos EUA, em novas condições de “democracia”.


O Ministro das Relações Exteriores da Rússia ridicularizou, sem lhe dar destaque, o comentário de Clinton. Até que, afinal, se ouviu a reação de Moscou, quando Putin falou, na 4ª-feira, depois de dar tempo para que a secretária de Estado dos EUA dissesse tudo que lhe ocorresse dizer. Putin bombardeou Clinton. Disse ele:

“Observei a primeira reação de nossos colegas dos EUA. A secretária de Estado pôs-se imediatamente a avaliar as eleições. Disse que foram injustas e manipuladas, antes até de receber informações dos observadores de instituições democráticas e de direitos humanos que acompanharam as eleições em nosso país. A secretária falou diretamente a alguns personagens que já estão na Rússia. Enviou-lhes um sinal. E eles, aqui, com o apoio do Departamento de Estado dos EUA, puseram-se a trabalhar ativamente”.

E não parou aí. Putin disse também que “centenas de milhões” em dinheiro estrangeiro foram usados para influenciar o resultado das eleições na Rússia. E que, nessas circunstâncias, a Rússia tem de proteger sua soberania:


“Quanto se vê dinheiro de fora usado para promover atividades políticas em outro país… Todos nós temos um problema. Esse tipo de ação agride a todos nós. Consideramos bem-vindos todos os observadores estrangeiros que desejem acompanhar o processo eleitoral na Rússia. Mas, se começam a tentar influenciar o resultado, aparelhando organizações dentro da Rússia, que se apresentam como organizações locais, mas recebem dinheiro de fora… Não se pode aceitar. Teremos de encontrar meios para aprimorar nossas leis, de modo a fazer com que Estados estrangeiros que visem a influenciar nossa política doméstica possam ser acusados e devidamente julgados pelos crimes que pratiquem”.


É resposta muito forte. E há aí quatro pontos a observar: (1) É uma rara acusação direta, pessoal, contra a secretária de Estado (acusada de incitar a opinião pública russa, interessada em desestabilizar o país). (2) Putin circunscreveu o Departamento de Estado, como célula específica, dentro do governo Barack Obama, e acusou-o de operar segundo agenda específica. (3) Putin sugeriu, muito claramente, que os EUA não escaparam à vigilância da inteligência russa, que sabe de seus passos no país. E (4) afirmou bem claramente que haverá mudanças.

Clinton não pode reclamar de Putin tê-la atacado pessoalmente. A campanha que o Departamento de Estado moveu contra Putin assumiu tom extremamente agressivo nos últimos dias, excepcional, mesmo nas sempre tumultuadas relações EUA-Rússia. Há uma quinzena, a Radio Liberty/Radio Free Europe (RFE/RL) exibiu matéria sobre a vida pessoal de Putin, com o claro objetivo de detonar um tsunami anti-Putin nas redes sociais na Rússia. Não há registro de a mídia oficial russa jamais ter descido a tais abismos de mau gosto, nem no auge do escândalo que envolveu Bill Clinton e Monica Lewinsky.


A melhor explicação para os movimentos agressivos da secretária de Estado parece ser outra: os EUA já sabem que a inteligência russa reuniu provas de que, sim, os EUA estão ativos dentro do território russo e da política nacional. A matéria denuncista, baseada em intrigas pessoais contra Putin, parece ter sido tentativa diversionista, esforço para salvar a águia que se deixou prender, ela mesma, na arapuca que a águia tentou armar para prender o urso.


A mesma intenção transparece também nos esforços de Clinton para fazer, das eleições na Rússia, questão crucial para o progresso da democracia no século 21. Desse ponto de vista, o governo Obama fez papel patético. Só lhe restou a ridícula alternativa de tentar encenar uma neo-Praça-Tahrir em Moscou.


Segundo números do New York Times, na quinta-feira (8 de dezembro) pela manhã, mais de 32 mil pessoas haviam clicado numa página de Facebook, garantindo que cercariam o Kremlin. O jornal argumenta, matematicamente: “Metade deles lá compareceram, para protagonizar o maior movimento de protesto político em Moscou, desde a queda da União Soviética”.


O advento de uma Primavera Árabe em Moscou, em pleno inverno russo, teria consequências facilmente previsíveis. Pequim também observa esse curioso fenômeno atmosférico, nada natural. O New York Times ‘informa’ que Putin “luta para não perder o pé, depois de seu partido, Rússia Unida, ter sofrido grave derrota nas eleições do domingo”. Mas observadores sempre atentos, em Pequim, chegaram a conclusão completamente diferente.


É Putin, estúpido!


No mesmo momento em que Clinton falava, em Bonn, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, chegava a conclusões diametralmente opostas. Disse ele:
Nós [China] entendemos que as eleições terão efeitos positivos para a unidade da sociedade russa, para a estabilidade nacional e para seu desenvolvimento econômico”, segundo informou a rede chinesa Xinhuanet. Disse que a China respeitava a decisão do povo russo e que trabalharia com os russos para construir e fazer avançar uma “ampla parceria coordenada” entre os dois países.

A China decidiu tomar posição, sem subterfúgios, apesar de Pequim já saber do revés eleitoral que o partido Rússia Unida sofrera nas urnas. A rede Xinhuanet publicou uma nota de cautela:
Embora tudo leve a crer que vencerá as eleições parlamentares, o Rússia Unida de Vladimir Putin enfrentará inúmeros desafios, no caso de ter de conviver com maioria muito reduzida.

Alguns analistas falam do estado lamentável da economia russa, como justificativa pela queda no apoio popular. Para muitos, o partido não teria conseguido reduzir a corrupção e não cumpriu as promessas de melhorar a eficiência do governo. Sobretudo na Internet, em salas de bate-papo e fóruns online ouvem-se muitas críticas ao governo de Putin.


Mas no dia seguinte a Xinhuanet publicou matéria extensa, em que reage com firmeza aos ditos dos EUA e ao que Pequim descreve como “caricatura forçada e conclusão errada, segundo a qual o partido governante na Rússia liderado pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, teria sido derrotado nas eleições para a Duma”.


Comentário nuançado, deixa claramente sugerido que a questão que incomoda os EUA não é alguma “democracia” na Rússia, mas o próprio Putin:


Para muitos, a visão de mundo de Putin seria ‘antiocidental’ (…) Muitos políticos norte-americanos não têm qualquer interesse em ver, no comando do poder russo, um “sujeito durão” (…) a Casa Branca não deu sinais de entusiasmo ante a ideia de ter de negociar, outra vez, com o ‘espinhento’ presidente Putin (…) As eleições na Rússia estão alinhadas com os interesses dos russos e de modo algum incorporam qualquer dos interesses dos países ocidentais. A reação da Sra. Clinton é compreensível.”


A agência chinesa observou que as políticas da Rússia nem sempre consideraram os interesses locais e que, várias vezes, Moscou optou por ações alinhadas “à prática ocidental”; mas mesmo nesses momentos, a ação dos russos só muito raramente manteve “adequação perfeita” às agendas ocidentais. Assim sendo, as pressões ocidentais sobre a Rússia sempre continuam. O comentário está atribuído a Li Hongmei, colunista do jornal Diário do Povo.


Muito obviamente, a China não perde de vista o grande quadro da dinâmica do poder na cena mundial. Pequim jamais ocultou que tem Putin em alta estima, considerado defensor consistente dos imperativos que regem os laços estratégicos sino-russos. Mas o atual momento de acrimônia nas relações entre EUA e Rússia acontece em momento também crucial para a China.


Em inúmeras frentes, é hoje vital para a política regional chinesa manter coordenação coesa com a Rússia. Ao longo do mês de novembro, altos funcionários das relações exteriores da China estiveram nada menos que quatro vezes em Moscou para consultas.


A coordenação entre russos e chineses é sempre de alto nível. O veto “conjunto” no Conselho de Segurança da ONU, na Resolução sobre a Síria, é evento sem paralelos. E os dois países continuam a bloquear uma Resolução adotada na Comissão de Direitos Humanos da ONU, que transfere a Comissão, de Genebra, para o Conselho de Segurança em Nova Iorque. Pequim ajudou Moscou a conseguir que os Brics adotassem, como posição comum, a posição russa sobre a Síria.

Sobre o Irã, também, os dois países têm conseguido conter os movimentos dos EUA para impor sanções adicionais. (O enviado russo à ONU Vitaly Churkin sugeriu recentemente que é hora de o Conselho de Segurança da ONU suspender até as sanções hoje vigentes.) Na questão Ásia-Pacífico, a Rússia mantém-se ao lado da China, conforme a declaração conjunta dos dois países, adotada em setembro do ano passado.

Rússia e China opõem-se, ambas, ao estabelecimento de bases militares dos EUA-Otan no Afeganistão. Os dois países têm interesse em garantir a autonomia estratégica do Paquistão. Trabalharam juntos na recente Conferência de Istambul (2 de novembro de 2011), para bloquear os progressos do projeto “Nova Rota da Seda”, menina dos olhos de Clinton. A água alcançará o ponto máximo, provavelmente, quando o enviado da Rússia à Otan, Dmitry Rogozin, viajar a Pequim (e a Teerã) para discutir o programa de mísseis antibalísticos de defesa (ABM), que pressiona significativamente as relações EUA-Rússia.


Pequim acompanha, atenta e silenciosamente, uma sombra EUA-Rússia que dança sobre o programa ABM; e as consultas que Rogozin conduzirá serão feitas a partir dos sinais silenciosos de que Pequim quer conversar. Rússia e China têm interesses específicos nessa questão dos mísseis antibalísticos, mas qualquer grau de coordenação, por inicial e tateante que seja, ainda assim delineará novo paradigma na segurança internacional.


Sobretudo, Pequim conta com que Putin, de algum modo, contribuirá para levar a bom termo, o mais rapidamente possível, as negociações, ainda inconclusas, num negócio de gás de um trilhão de dólares. Com o estabelecimento de uma base militar dos EUA na Austrália; com a presença dos norte-americanos reforçada em Cingapura; e com os EUA trabalhando para conquistar países asiáticos, para que se realinhem e revitalizem a velha liderança estadunidense, as preocupações dos chineses com a própria segurança energética estão-se tornado agudas.


Em resumo, a trajetória da atual azedume entre EUA e Rússia; e o sucesso que Putin obteve, na reação forte contra a furiosa campanha que os EUA moveram contra sua eleição na Rússia, são temas da mais alta importância para os chineses.
Se a águia for realmente apanhada na arapuca que imaginou que estivesse preparando para o urso… o dragão verá aí motivo para muito júbilo.



Fonte: O Diario.info, vermelho.org

O que os EUA e Israel estão preparando contra o Irã?

Mais uma história silenciada pela mídia ocidental vem à tona nos últimos dias por meio do jornal israelense Jerusalem Post.

Segundo o jornal, Israel estaria preparando-se para executar “o maior exercício de defensa com mísseis de sua história” durante a primavera. As manobras teriam o objetivo final de treinar forças israelenses e estadunidenses para atuar conjuntamente, em caso de um conflito em grande escala no Oriente Médio.

O general Frank Gorec, comandante da Terceira Força Aérea norte-americana, encontrou-se há poucas semanas com seu colega israelense Doron Gavish, comandante da Divisão de Defesa da Força Aérea. Durante as conversações, eles teriam ultimado detalhes para concretizar os exercícios “sem precedentes por seu tamanho”, e que suporiam o envio a Israel de milhares de soldados norte-americanos.


O Jerusalem Post acrescenta que durante os exercícios militares os Estados Unidos empregariam parte de seu sofisticado arsenal bélico e sistemas de mísseis balísticos, a fim de interceptar mísseis disparados contra Israel.


Os exercícios militares seriam realizados em meio às fortes tensões na região, desencadeadas pela retórica bélica do Ocidente contra o Irã, depois da imposição de sanções econômicas contra esse país e de os países imperialistas terem sugerido a possibilidade de um conflito militar de consequências imprevisíveis.




Com informações de Global Research e Jerusalem Post



Fonte: Vermelho.org

sábado, 7 de janeiro de 2012

A Guerra Econômica dos EUA contra o Irã



Por Pepe Escobar

NEW YORK. Por aqui, a corrida é desenfreada, cada um querendo detonar, mais que o outro, a economia global.

Uma emenda chave à Lei de Defesa Nacional [orig. National Defense Authorization Act] assinada pelo presidente dos EUA Barack Obama no último dia de 2011 – quando ninguém estava prestando atenção – impõe sanções a todos os países ou empresas que comprem petróleo iraniano e paguem a compra através do banco central iraniano. Entrará em vigência no próximo verão: quem desobedecer, ficará impedido de comerciar com os EUA.

A emenda – que, para todas as finalidades práticas, é declaração de guerra econômica – é trazida até vocês sob o alto patrocínio do Comitê EUA-Israel de Relações Públicas [orig. American Israel Public Affairs Committee (AIPAC)], obedecendo ordens diretas do governo de Israel comandado pelo primeiro-ministro Benjamin “Bibi” Netanyahu.

Cataratas de artigos e comentários de especialistas tentaram introduzir alguma racionalidade na ideia: seria um plano B do governo Obama, o qual estaria assim impedindo que os cães de guerra israelenses atacassem diretamente o Irã (para destruir um suposto programa de armas nucleares).

A verdade é que a estratégia original de Israel era ainda mais histérica: impedir que todos os países e empresas do mundo pagassem ao Irã pelo petróleo que importassem, exceto, talvez, China e Índia. E, como se não bastasse, o pessoal do AIPAC ainda tentava convencer todos de que essa ideia não resultaria em aumentos insaciáveis nos preços do petróleo.

Outra vez, comprovando capacidade inigualável de atirar no próprio pé calçado em sapato Ferragamo, governos na União Europeia debatem se compram ou não compram petróleo iraniano. A dúvida existencial é compram já ou dão um tempo. Inevitavelmente, como a morte e os impostos, o resultado já é – e o que mais poderia ser? – petróleo mais caro. O cru já oscila em torno de $114, e a única porta aberta é para cima.

Me entreguem ao pé do cru, na hora certa![1]

O Irã é o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), exportando até 2,5 milhões de barris de petróleo ao dia. Cerca de 450 mil desses barris vão para a União Europeia – o segundo maior mercado para o Irã, depois da China.

Gunther Ottinger, burocrata sem rosto como exige a função de Comissário para Energia da União Europeia, andou espalhando que a União Europeia poderia contar com a Arábia Saudita, para suprir o que não comprasse do Irã.

Qualquer analista de petróleo que se dê ao respeito sabe que a Arábia Saudita não tem capacidade ociosa para suprir essa grande demanda extra. Além disso, e mais importante, a Arábia Saudita tem de vender caro o seu petróleo caro. Afinal de contas, a Casa de Saud contrarrevolucionária precisa muitíssimo desses fundos para subornar todos que tenha de subornar para impedir que brote por lá algum tipo de Primavera Árabe local.

E há também a ameaça que Teerã já fez, de bloquear o Estreito de Ormuz, impedindo assim que 1/6 do petróleo do mundo e 70% das exportações da OPEP cheguem aos mercados consumidores. Os varejistas estão fazendo o diabo para estocar a maior quantidade de cru que consigam comprar.

Esqueçam petróleo a preços acessíveis de $50, mesmo $75, o barril. O preço pode subir depressa, chegar a $120, $150 o barril, no próximo verão, como aconteceu em 2008, no auge da crise. E a OPEP, por falar nisso, está extraindo mais óleo do que nunca desde o final de 2008.

Assim sendo, o que começou como objeto explosivo improvisado que Israel escondera numa beira de estrada, já se vai transformando em colete de explosivos para suicídio coletivo, preso por cadeado a setores inteiros da economia global.

Não surpreende que o presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento Iraniano, Ala'eddin Broujerdi, tenha alertado para a possibilidade de as novas “sanções” não passarem de “trapalhada estratégica” [orig. strategic blunder] nos países ocidentais.

Tradução: se a coisa continuar, o nome do jogo para 2012 é recessão global profunda.

Obama joga os dados

Primeiro, Washington fez vazar que sanções contra o banco central do Irã “não estão sobre a mesa”. Afinal de contas, é claro que o governo Obama sempre soube que ‘'as sanções'’ fariam o preço do petróleo explodir, e que são passagem só de ida para profunda recessão global. E, quanto ao Irã, só arrancará ainda mais dinheiro do petróleo exportado.

Pois mesmo assim o combo Bibi-AIPAC empurrou a emenda facilmente, goela abaixo do Senado e do Congresso dos EUA – mesmo depois de Tim Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, ter-se manifestado claramente contra ela.

A emenda que acaba de ser aprovada pode não ter o efeito de “sanções incapacitantes” que o governo israelense tanto exigia. Teerã sentirá o aperto – mas o aperto não alcançará nível intolerável. E só aqueles irresponsáveis que povoam o Congresso dos EUA – desprezado por maioria ampla dos norte-americanos, como informam todas as pesquisas em circulação por aqui – poderiam ter suposto que conseguiriam tirar do mercado 2,5 milhões de barris do petróleo que o Irã exporta... sem provocar consequências gravíssimas em toda a economia global.

A Ásia precisará de cada vez mais petróleo – e continuará a comprar petróleo iraniano. E os preços do petróleo prosseguirão, rumo à estratosfera.

Tudo isso considerado, por que Obama assinou aquela emenda? Porque agora, para o governo Obama, só se trata, exclusivamente, de reeleição. Os doidos terminais ativos no circo eleitoral dos Republicanos – com Ron Paul como honrada exceção – só falam de ataque ao Irã; prometem que, se eleitos, atacarão o Irã no dia da posse; e muitos eleitores norte-americanos, sem saber o que pensar ou por quê, estão gostando da ideia.

Ninguém está fazendo nem as contas mais simples, que ajudariam a ver que as economias europeia e norte-americana absolutamente não precisam de barril de petróleo aproximando-se dos $120, se alguém ainda espera obter alguma recuperação econômica, mínima que seja.

Mostre o seu, que eu mostro o meu

Além da gangue OTAN-Euro, que vive crise terminal de autodetonação, praticamente todos, naqueles arredores, ignorarão a guerra econômica que EUA-Israel declararam contra o Irã:

a Rússia já disse que contornará o bloqueio;

a Índia já usa o banco Halkbank, na Turquia, para pagar o petróleo que compra do Irã;

o Irã e China estão ativamente negociando novos acordos de venda de petróleo. O Irã é o segundo maior fornecedor de petróleo para a China (só perde para a Arábia Saudita). A China paga em euros e pode, em breve, passar a pagar em yuans. Em março, já haverá novo acordo assinado entre Irã e China sobre novos preços;

a Venezuela controla um banco binacional com o Irã, desde 2009; através desse banco, o Irã recebe todos os pagamentos dos negócios que mantém na América Latina;

a Turquia, tradicional aliada dos EUA, com certeza encontrará meios para isentar a empresa turca TUPRAS, de importação de petróleo, das novas‘sanções’;

e a Coreia do Sul também encontrará algum meio, para continuar comprando do Irã, em 2012, os cerca de 200 mil barris/dia de que precisa.

China, Índia, Coreia do Sul, todos mantêm complexos laços comerciais de mão dupla com o Irã (o comércio China-Irã, por exemplo, é da ordem de $30 bilhões/ano, e está aumentando). Nada disso será “extinto” só porque o eixo Washington/Telavive ordene. Deve-se esperar, isso sim, uma onda de novos bancos privados, a serem constituídos em todo o mundo em desenvolvimento, exclusivamente para continuar comprando petróleo iraniano.

Novidade haveria, só se Washington tivesse cacife para impor sanções aos bancos chineses, porque negociam com o Irã.

Pelo outro lado, é necessário reconhecer o cacife (ou, não sendo isso, a coragem) de Teerã. O Irã enfrenta campanha praticamente jamais interrompida, há anos, de assassinatos pré-determinados e sequestros de cientistas iranianos; ataques em território iraniano, na província do Sistão-Baloquistão; sabotagem de sua infraestrutura, por israelenses; invasões de seu território por drones norte-americanos de espionagem; ameaças incessantes, de Israel e do Partido Republicano dos EUA, de “choque e pavor” sempre iminentes; e os EUA venderam $60 bilhões de armas à Arábia Saudita. E Teerã não cede.

Teerã acaba de testar – com sucesso – mísseis cruzadores iranianos, e bem ali, exatamente no Estreito de Ormuz. E quando Teerã reage à agressão repetida, insistente, incessante do ocidente, ainda é acusada de cometer “atos de provocação”.

6ª-feira, todos os editorialistas do New York Times estavam em lua de mel com o Pentágono, todos repetindo as mesmas ameaças contra o Irã e clamando, todos, por “pressão econômica máxima”.

A conclusão é que os iranianos médios sofrerão – tanto quanto sofrerão os europeus endividados, devastados pela crise. A economia dos EUA também sofrerá. E, cada vez que entender que o ocidente está ficando histérico além do suportável, Teerã poderá servir-se do seu pleno direito de mandar os preços do petróleo às alturas.

O governo de Teerã continuará a vender petróleo, continuará a enriquecer urânio e – o mais importante – não cairá e continuará a ser governo. Como míssil Hellfire disparado contra festa de casamento pashtun, as “sanções” ocidentais fracassarão miseravelmente. Não sem, antes, provocarem vasto dano colateral – no próprio ocidente.


Fonte: Asia Times Online, reproduzido do blog Gilson Sampaio

Tradução: Vila Vudu

Nota dos tradutores

[1] Orig. Get me to the crude on time. Ecoa aí um “Get me to the world on time” (“Me entreguem no mundo, na hora certa”), gravação dos The Electric Prunes, do rock psicodélico dos anos 1960s.

Há quem insista em ouvir aí também ecos de “Get me to the church on time(“Me entreguem na igreja, na hora certa”), do musical “My Fair Lady” (dir. George Cukor), dos mesmos anos 1960s, também gravada por Frank Sinatra, também nos mesmos anos 1960s. Que anos 1960s foram aqueles!

Seja como for, a grande gravação de “Get me to the church on time” é de Judy Garland, que morreu em 1969


Irã e o cerco estratégico da Síria e o Líbano


Por Mahdi Darius Nazemroaya

O cerco da Síria e do Líbano está planejado faz tempo. Washington e a OTAN começaram em 2001 o processo para isolar mediante um anel de segurança o Líbano e a Síria. A presença permanente da OTAN no Mediterrâneo oriental e a Lei de Responsabilização da Síria fazem parte desta iniciativa. Parece que este roteiro se baseia em um documento israelense de 1996 orientado para controlar a Síria. O nome do documento é "Uma ruptura definitiva: Uma nova estratégia para garantir a segurança do reino de Israel".

O documento israelense, que inclui como autores destacadas personalidades da política estadunidense, diz que se "faça retroceder a Síria" no ano 2000 ou depois. O roteiro propõe que se faça sair os sírios do Líbano, para que distraia a atenção de Damasco utilizando uma oposição anti-Síria no Líbano, e logo em seguida a desestabilização da Síria com a ajuda da Jordânia e da Turquia. Tudo isto ocorreu respectivamente entre 2005 e 2011. É também o motivo pelo qual se criaram no Líbano a Aliança anti-Síria de 14 de março e o Tribunal Especial para o Líbano (STL).

Como primeiro passo a todo isto o documento de 1996 também pede a derrubada do poder de Saddam Hussein em Bagdá e inclusive alude à balcanização do Iraque e forjar uma aliança estratégica regional contra Damasco que inclua um "Iraque Central" árabe muçulmano sunita. A natureza sectária deste projeto é muito óbvia, bem como seus vínculos com a oposição a uma chamada "lua crescente xiita". O plano trata de fomentar divisões sectárias como um meio para conquistar a Síria e criar um enfrentamento xiita-sunita que se oponha ao Irã e mantenha no poder os monarcas árabes.

Os Estados Unidos iniciaram um reforço naval às costas líbia e libanesa. Faz parte das clássicas táticas de Washington, que as utilizou como uma forma de intimidação e de guerra psicológica contra o Irã, Síria e o Bloco da Resistência. Enquanto Washington se empenha em seu reforço naval, as redes de meios de comunicação dominantes controlados pelos sauditas e clientes árabes dos Estados Unidos se concentram no deslocamento de navios russos à Síria, que se percebe como uma ação contra a OTAN.

Al-Ramtha na Jordânia está sendo utilizado para lançar ataques em Daraa e no território sírio. O ministro do Estado jordano para Assuntos de Meios e Comunicações, Rakan Al-Majali, inclusive admitiu em público e descartou a possibilidade de contrabandear armas. Durante anos, forças jordanas impediram com êxito que armas cheguem aos palestinos da Cisjordânia ocupada por Israel desde o território jordano. Na realidade, Amman está enviando armas à Síria e trabalha pela desestabilização da Síria. Forças jordanas atuam como uma primeira linha de defesa de Israel e os serviços de inteligência jordanos são uma extensão da CIA e do Mossad.

Segundo os meios turcos, a França enviou treinadores militares à Turquia e ao Líbano para capacitar recrutas contra a Síria. Os meios de comunicação libaneses sugerem o mesmo. O chamado Exército Livre da Síria e outras organizações de fachada da OTAN e do CCG também utilizam território turco e jordano para lançar incursões na Síria. O Líbano também utiliza ali para contrabandear embarques de armas para a Síria. Muitas destas armas são na realidade armas que o Pentágono redirigiu secretamente ao Líbano desde o Iraque ocupado pelos anglo-estadunidenses durante a presidência de George W. Bush Jr.

O ministro de Relações Externas francês, Alain Juppé, prometeu ao Conselho Nacional Sírio que se imporá um "cordão humanitário". Uma vez mais, o Conselho Nacional Sírio não é uma entidade independente, e por isso Juppé não fez realmente uma promessa; na realidade foi uma declaração.

Enquanto isso, empresas estrangeiras como Suncor Energy, que foram obrigadas a sair da Líbia, não saíram da Síria. O motivo pelo qual essas empresas ficaram foi apresentado como humanitário, pois administram serviços locais no interior da Síria. Por exemplo, Suncor Energy ajudou a produzir petróleo para a exportação desde a Líbia, mas na Síria produz energia para o consumo local. Na realidade, governos hostis permitem que estas empresas fiquem, pois extraem dinheiro da Síria. Querem impedir que ingresse dinheiro, enquanto querem esvaziar a economia local como catalisador para uma implosão interna na Síria.

Junto com os Estados Unidos e seus aliados da OTAN, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) está impondo sanções que incluem um fim de todos os voos à Síria. Os Estados do CCG e da Turquia se somaram aos ministérios exteriores dos Estados da OTAN para pedir a seus cidadãos que saiam da Síria. Como o Conselho de Segurança da ONU já não constitui uma rota viável contra a Síria, é possível que o CCG trate de impor uma zona de exclusão aérea sobre a Síria mediante a Liga Árabe.

Turquia: cavalo de Troia da OTAN e entrada ao Oriente Médio

A Turquia esteve presente na reunião da Liga Árabe no Marrocos, que pediu a mudança de regime em Damasco. Ankara esteve fazendo um jogo sujo. Inicialmente, durante o começo da guerra da OTAN contra a Líbia, Ankara pretendeu ser neutro enquanto ajudava o Conselho de Transição em Banghazi. Ao governo turco não interessa a população síria. Ao contrário, as demandas que os funcionários turcos fizeram aos sírios significa que há realpolitik em jogo. Concordando com o CCG, a Turquia exigiu que Damasco reoriente sua política externa e se submeta às demandas de Washington como um novo satélite. Através de uma iniciativa da OTAN, os turcos foram responsáveis pelo recrutamento de combatentes contra os governos da Líbia e da Síria.

Durante vários anos, Ankara tratou sigilosamente de desvincular a Síria do Irã e deslocar a influência iraniana no Oriente Médio. A Turquia esteve trabalhando para promover seu país e sua imagem entre os árabes, mas, ao mesmpo tempo, foi um componente chave dos planos de Washington e da OTAN. Ao mesmo tempo, esteve melhorando suas capacidades militares no Mar Negro e em suas fronteiras com o Irã e a Síria. Seu organismo de investigação e desenvolvimento TUBITAK-SAGE, também anunciou que Ankara iniciará em 2012 a produção em massa de mísseis cruzeiros, que serão montados em sua marinha e que fará entregas de aviões jet militares dos Estados Unidos que poderiam ser utilizados em futuras guerras regionais. A Turquia e a OTAN também concordaram que se melhorem as bases turcas para as tropas da OTAN.

Em setembro de 2011, Ankara se uniu ao projeto de escudo de mísseis de Washington, o que incomodou Moscou e Teerã. O Kremlin reservou seu direito de atacar instalações do escudo de mísseis da OTAN na Europa Oriental, enquanto Teerã se reservou o direito de atacar instalações do escudo de mísseis na Turquia em caso de uma guerra regional. Também houve discussões sobre a implantação de mísseis Iskander na Síria por parte do Kremlin.

Desde junho de 2011, Ankara esteve falando de uma invasão da Síria. Apresentou os planos de invasão como uma missão humanitária para estabelecer uma "zona divisória" e um "corredor humanitário" segundo R2P, enquanto afirma que as manifestações na Síria são um tema regional, e não interior. Em julho de 2011, apesar dos estreitos vínculos econômicos iranianos e turcos, a Guarda Revolucionária Iraniana deixou claro que Teerã apoiará os sírios e preferirá Damasco a Ankara. Em agosto de 2011, Ankara começou a empregar soldados aposentados e unidades de sua reserva militar à fronteira turca-síria. Neste contexto, a presença militar russa também se reforçou no porto de Tartus.

De Damasco a Teerã

Tampouco é simples coincidência que o senador Joseph Lieberman tenha começado a exigir no princípio de 2011 que o Pentágono e a OTAN ataquem a Síria e o Irã. Tampouco é uma coincidência que Teerã se tenha incluído nas recentes sanções impostas pelo governo de Obama a Damasco. Damasco é um objetivo intermediário para atacar o Irã e, em termos mais amplos, debilitar Teerã, Moscou e Pequim na luta pelo controle da massa continental eurasiática. Os Estados Unidos e seus demais aliados estão a ponto de reduzir suas forças no Iraque, mas não querem abandonar a região ou permitir que o Irã crie uma ponte com o Mediterrâneo oriental utilizando o Iraque.

Uma vez que os Estados Unidos saiam do Iraque, haverá um corredor direto entre o Líbano e a Síria com o Irã. Será um pesadelo para Washington e Tel Aviv. Enraizará a dominação regional iraniana e reforçará o Bloco da Resistência, que unirá Irã, Síria, Iraque, Líbano e os palestinos. Tanto Israel como os Estados Unidos sofrerão importantes golpes estratégicos.

A pressão sobre a Síria está diretamente vinculada com a retirada estadunidense do Iraque e aos esforços de Washington para impedir que Teerã consiga outras vantagens geopolíticas. Ao sacar Damasco da equação, Washington e seus aliados esperam criar um revés geoestratégico para o Irã.

Tudo o que Washington faz serve de preparação para a nova realidade geopolítica e uma tentativa de preservar sua posição regional. As forças militares estadunidenses do Iraque na realidade se reposicionarão nos países do CCG no Golfo Pérsico. Kuwait albergará novas unidades de combate planejadas para voltar ao Iraque se a segurança colapsar, como no caso de uma guerra regional ou para enfrentar o Irã e seus aliados em um futuro conflito. Os EUA está ativando agora a denominada "Coalizão dos Moderados" que foi criada sob George W. Bush Jr. E está dirigida contra Irã, Síria e seus aliados regionais.

No dia 23 de novembro de 2011 os turcos firmaram um acordo militar com a Grã Bretanha para estabelecer uma cooperação estratégica e para criar laços militares mais estreitos entre ambos países. Durante uma importante visita de Estado de Abdullah Gül a Londres, o acordo foi firmado pelo secretário de Defesa Phillip Hammond e o chefe adjunto do Estado Maior Geral, Hulusi Akar. O acordo anglo-turco intervém no marco das reuniões que o chefe britânico do Estado de Defesa, o general David Richards, e Liam Fox, o ex-ministro de Defesa britânico acossado pelos escândalos, teve com funcionários israelenses em Tel Aviv. Depois da visita do general Richards a Israel, Ehud Barak visitará a Grã Bretanha e depois o Canadá para efetuar conversações sobre a Síria e seu aliados estratégico iraniano. Dentro deste período os governos britânico e canadense declarariam que estão dispostos à guerra contra a Síria e o Irã.

Londres anunciou que também prepara planos militares para uma guerra contra a Síria e o Irã. Do outro lado do Atlântico, o ministro de Defesa do Canadá, Peter MacKay, provocou ondas de choque em seu país quando fez anúncios beligerantes sobre uma guerra com a Síria e o Irã. Também anunciou que o Canadá vai adquirir uma nova série de jets militares como parte de uma importante compra de armas. Na realidade esses passos foram em grande parte simbólicos, porque Teerã esteve limitando deliberadamente seus vínculos com a Grã Bretanha e o Canadá. Durante meses os iranianos também estiveram avaliando abertamente o corte de seus vínculos com a Grã Bretanha e outros membros da União Europeia.

Os eventos que tem que ver a Síria tem muito mais a ver com a geopolítica do Oriente Médio que só com a Síria. Na Knéset [parlamento] israelense, os eventos na Síria na Síria se vincularam naturalmente com a redução do poder iraniano no Oriente Médio. Tel Aviv esteve preparando para um conflito importante durante vários anos. Isto inclui seus vôos militares de longa distância à Grécia que simulavam um ataque contra o Irã e seu emprego de submarinos com armas nucleares o Golfo Pérsico. Também realizaram seus exercícios "Turning Point" [Mudança radical], que se propõe assegurar a continuação do governo israelense mediante a evacuação e relocalização do gabinete e os funcionários israelenses, incluídos o ministério de finanças israelense, bunkeres secretos em caso de uma guerra.

Durante meia década Washington esteve dirigindo um reforço dos armamentos no Oriente Médio apontando ao Irã e ao Bloco da Resistência. Enviou massivos embarques de armas à Arábia Saudita. Enviou entregas de destruidores de bunkers aos Emirados Árabes Unidos e a Israel, entre outros, enquanto atualizou seu próprio arsenal letal. Os funcionários estadunidenses também começaram a falar abertamente de assassinatos de dirigentes e militares iranianos mediante operações clandestinas. O que o mundo enfrenta é um caminho a uma possível escalada militar que poderia ir muito mais além das fronteiras do Oriente Médio e incluir a Rússia, China e seus aliados. A Guarda Revolucionária também deixou claro que se se provocar um conflito com o Irã, o Líbano, Iraque e os palestinos estarão envolvidos como aliados do Irã.




Fonte: globalresearch.ca

Mahdi Darius Nazemroaya
é sociólogo, escritor, colunista e investigador. Seus trabalhos são editados em uma ampla gama de publicações e foram traduzidas em mais de vinte idiomas. Trabalha atualmente no Instituto de Estudos Interdisciplinares (IIS) e é investigador associado do Centre for Research on Globalization (CRG).
Tradução de Diário Liberdade.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Estado de Israel quer proteger novas moradias com um muro




Israel quer erguer um muro para proteger as novas moradias na cidade de Metula, na fronteira com o Líbano, informou na terça-feira um oficial do Exército israelita.

As autoridades comunicaram as suas intenções aos dirigentes libaneses e da ONU, e explicaram que este muro vai ter um quilómetro, entre Metula e a localidade libanesa de Kfar Kila.
A decisão definitiva só vai ser adotada depois de serem consultadas as autoridades libanesas.

“O Exército de Israel coopera com a FINUL (força de manutenção da paz no sul do Líbano) e com o Exército libanês para estudar as diversas opções com vista a reduzir os atritos”, informou um comunicado militar.


A FINUL confirmou que foi informada sobre o projecto do muro e o seu porta-voz, Neeraj Singh, disse à AFP que, “diante do carácter sensível do setor, consideramos ser imperativo que as duas partes concordem com medidas práticas visando reforçar a confiança mútua e reduzir as tensões e eventuais atritos”.

Israel e Líbano estão tecnicamente em guerra, mas os responsáveis militares dos dois países reúnem-se regularmente para discutir problemas relativos à fronteira.



Fonte: Jornal de Angola


A ONU devería construir um muro
sem portas ao redor de todo o Estado de Israel, para proteger o restante do mundo da maldade sionista.


Uma guerra por vez para os EUA

Com novos cortes militares, americanos serão incapazes de enfrentar dois conflitos terrestres

O secretário da Defesa americano, Leon Panetta, deve revelar nesta semana sua estratégia para guiar o Pentágono no corte de centenas de bilhões de dólares de seu orçamento.

Isso deve revelar a visão do governo de Barack Obama sobre as forças militares de que os EUA
necessitam contra as ameaças do século 21.

Em uma mudança de doutrina provocada pelo aperto fiscal e por um acordo que evitou que um calote dos EUA, Panetta deve delinear planos para reduzir cautelosamente as forças militares.

Deixará claro que o Pentágono não manterá a capacidade de travar duas guerras terrestres
simultaneamente.

Ele dirá que as forças militares serão capazes de combater e vencer um grande conflito, podendo também “prejudicar” as ambições de um segundo adversário em outra parte do mundo enquanto conduzem outras operações menores – como dar ajuda de emergência em catástrofes ou implementar uma zona de exclusão aérea.


Enquanto isso, autoridades do Pentágono decidem sobre cortes potenciais em virtualmente cada área dos gastos militares: arsenal nuclear, navios de guerra, aviões de combate, salários, aposentadoria e planos de saúde. Com o fim da guerra no Iraque e a retirada do Afeganistão, Panetta está avaliando em que medida reduzir as forças terrestres.


Existe um entendimento amplo de esquerda, direita e centro de que um corte de US$ 450 bilhões ao longo de uma década – a soma que a Casa Branca e o Pentágono acertaram – é aceitável.


Isso representa cerca de 8% da orçamento básico do Pentágono. Mas há debates sobre um corte adicional total de US$ 500 bilhões. Panetta e os falcões da Defesa dizem que uma redução de US$ 1 trilhão, cerca de 17% do orçamento básico do Pentágono, seria ruinosa para a segurança nacional.


Os democratas e alguns republicanos dizem que seria dolorosa, mas manejável. Eles acrescentam que
houve cortes militares mais radicais após a Guerra Fria e as guerras na Coreia e no Vietnã.

“Se permitirmos a continuação da tendência atual, vamos transformar o Departamento de Defesa em uma companhia previdenciária que ocasionalmente mata um terrorista”, disse Arnold L. Punaro, membro de um grupo de consultoria do Pentágono, o Defense Business Board, que defendeu mudanças no sistema de aposentadoria militar.


Os cortes iminentes inevitavelmente forçarão decisões sobre o escopo e o futuro das forças militares americanas. Se, por exemplo, o Pentágono economizar US$ 7 bilhões em uma década reduzindo o número de porta-aviões de 11 para 10, haveria forças suficientes no Pacífico para se contrapor a uma crescente ousadia da China?


Se o Pentágono economizar cerca de US$ 150 milhões nos próximos 10 anos reduzindo o Exército de 570 mil para 483 mil soldados, os EUA estariam preparados para uma guerra terrestre prolongada e desgastante na Ásia?


E que tal economizar mais de US$ 100 bilhões e aposentar militares em idade economicamente ativos? Isso não quebraria uma promessa aos que arriscaram suas vidas pelo país?


Os cálculos excluem os custos das guerras no Iraque e Afeganistão, que cairão na próxima década. Mesmo após o fim das guerras e os cortes de US$ 1 trilhão na próxima década, o orçamento anual do Pentágono, hoje em US$ 530 bilhões, encolheria para US$ 472 bilhões em 2013, o tamanho aproximado do orçamento de 2007.


Tal como está, o Pentágono gasta US$ 181 bilhões por ano, quase um terço de seu orçamento básico, em despesas com pessoal militar: US$ 107 bilhões em salários e pensões, US$ 50 bilhões em assistência médica e US$ 24 bilhões em pagamento de aposentados.


Um analista independente, Todd Harrison, calculou que se os custos com o pessoal militar continuarem a subir no ritmo da última década, em 2039 todo o orçamento da Defesa seria consumido por gastos com pessoal. Algumas propostas pedem o estabelecimento de tetos para o aumento de salários militares, que tiveram aumentos de dois dígitos desde o 11 de Setembro.


Em nenhum outro ponto a questão de equilibrar orçamento e estratégia é mais desafiadora que na decisão do tamanho das forças de combate terrestres.


O chefe do Estado-maior do Exército, general Ray Odierno, ex-comandante no Iraque, assinala que o Exército tinha 480 mil pessoas uniformizadas antes dos ataques de 11 de Setembro, e esse número era supostamente capaz de travar duas guerras ao mesmo tempo.


Mas o Exército se mostrou pequeno demais para sustentar as guerras no Afeganistão e no Iraque, e foi aumentado para 570 mil. O Exército deve cair para 520 mil soldados a partir do início de 2015. A realidade é que os EUA podem não ser capazes de travar duas guerras simultaneamente.


O tamanho das forças militares é determinado não só para vencer guerras, mas também para dissuadir adversários de iniciar hostilidades. Isso salienta a lógica americana de manter uma presença de combate em bases no exterior e realizar patrulhamentos aéreos e marítimos regulares por todo o globo.

Embora a manutenção no dia a dia das ogivas nucleares americanas seja relativamente barata, as três pernas da tríade de ataque nuclear – submarinos, aviões bombardeiros e mísseis baseados em terra – estão chegando ao fim de sua vida útil praticamente ao mesmo tempo.




Fonte: Blog Defesa BR

Barack Obama anuncia corte de US$ 450 bilhões em orçamento militar


O presidente dos EUA, Barack Obama, formalizou nesta quinta-feira, 5, a nova estratégia militar do país – reduz o orçamento do setor, estabelece uma diferente orientação das Forças Armadas ante ameaças na Ásia e na região do Pacífico, mantém uma forte presença no Oriente Médio e deixa claro que as forças terrestres deixarão de ter condições de empreender campanhas prolongadas e em grande escala simultâneas, como no Iraque e no Afeganistão.

Numa rara aparição na sala de imprensa do Pentágono, Obama apresentou uma diretriz militar que se afasta da adotada nas guerras arrasadoras herdadas do governo de George W. Bush e dependerá mais do poderio naval e aéreo no Pacífico e no Estreito de Ormuz para contrabalançar as ações da China e do Irã.

A estratégia de Obama inclui cortes de centenas de bilhões de dólares nas forças armadas, o que a torna um inábil complemento de suas difíceis relações com os militares desde seu primeiro dia na presidência. Numa carta que acompanha a nova estratégia, o presidente escreveu: “Precisamos colocar em ordem nossa situação fiscal e recompor nosso poder econômico em longo prazo”.

Mas, num ano eleitoral, em que ele está sendo atacado pelos candidatos republicanos por enxugar o orçamento militar e, conforme afirmam, por sua fraca reação às ameaças iranianas, Obama disse também que os EUA “evitarão repetir os erros do passado, quando as Forças Armadas não estavam bem preparadas para o futuro”.

Com isso em mente, disse o presidente, seu governo continuará investindo nas medidas de combate ao terrorismo, na coleta de informações, na guerra cibernética e na dissuasão da proliferação das armas nucleares.

Obama discutiu pela manhã a nova estratégia com seu secretário da Defesa, Leon Panetta, e com o general Martin E. Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto. Funcionários comentaram que foi a primeira vez na história que um presidente convocou uma coletiva no Pentágono.

“Agora, estamos virando a página de uma década de guerra”, declarou Obama. O país precisa estar preparado, acrescentou. “Não podemos repetir os erros do passado – depois da Segunda Guerra, depois do Vietnã -, quando as nossas Forças Armadas não estavam devidamente preparadas. Portanto, elas serão menores, mas o mundo deve saber que os EUA manterão sua superioridade militar.”

Porta-aviões poupados

Panetta concluiu que, na próxima década, o Exército terá de encolher até mesmo em relação às metas atuais, para 490 mil soldados, mas os EUA não cortarão nenhum dos seus 11 porta-aviões, acrescentaram representantes do Pentágono e analistas militares sobre as propostas de orçamento apresentadas pelo secretário.

A nova estratégia militar tem como base cortes no Pentágono de pelo menos US$ 450 bilhões, nos próximos dez anos. Outros US$ 500 bilhões poderão ser cortados pelo Congresso no mesmo período.

Nesta nova realidade, Panetta deverá, nas próximas semanas, propor cortes na produção da nova geração de armas e até mesmo adiamentos na compra de caças F-35, um dos programas de armamentos mais caros da história. O adiamento das compras de F-35, no entanto, não deve impedir que as fábricas continuem em funcionamento – dando à fabricante Lockheed-Martin a possibilidade de corrigir os constantes problemas no desenvolvimento do avião.

Nos últimos dias, assessores de Panetta e Dempsey informaram que será possível divulgar alguns detalhes específicos sobre os cortes do Pentágono, antes que a proposta final do orçamento seja concluída, no final do mês. Mas vários representantes do Pentágono, militares e especialistas em orçamento militar criticaram os cortes específicos, embora não quisessem se identificar.

O secretário da Defesa deixou claro que a redução das tropas será feita criteriosamente e levará alguns anos, de forma que os veteranos não sejam jogados num mercado difícil em matéria de emprego, e as famílias dos militares não acreditem que o governo deixou de merecer a sua confiança depois de uma década de sacrifícios, afirmaram.

Um Exército menor seria uma clara indicação de que o Pentágono não prevê outra campanha para combater a insurgência. Tampouco os militares teriam condições de sustentar duas guerras terrestres ao mesmo tempo, como exigiram as estratégias militares nacionais passadas.

Mas as Forças Armadas terão de ter capacidade para frustrar as aspirações beligerantes de um adversário e ao mesmo tempo dedicar-se a operações de ajuda humanitária.


De Elisabeth Bumiller e Thom Shanker

FONTE: The New York Times / WQ, via Midiamax news, PoderNaval.com




quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UE chega a acordo de princípio para embargo ao crude iraniano


A União Europeia chegou a um acordo de princípio para proibir as importações de petróleo iraniano, uma iniciativa que acentua a pressão internacional para que Teerão aceite negociar, sem pré-condições, o seu programa nuclear.





“Foram feitos grandes progressos. O princípio de um embargo ao petróleo foi acordado e já não está em debate”, disse à Reuters um diplomata em Bruxelas, adiantando que, depois de semanas de discussão, vários Estados-membros deixaram cair as reservas que tinham em relação à iniciativa. Era o caso da Grécia, que compra a Teerão um terço do crude que consome.

O embargo – que só será aprovado no final do mês e não tem ainda uma data para entrar em vigor – faz parte de uma iniciativa concertada de europeus e americanos para aumentar o cerco a Teerão depois de, em Novembro, um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter confirmado a existência de “fortes indícios” de que o programa nuclear tem uma componente militar, que Teerão sempre negou. Em Dezembro passado, a UE alargou a lista de instituições e dirigentes alvo de sanções e, no último dia do ano, o Presidente norte-americano, Barack Obama, assinou uma lei que prevê sanções para qualquer empresa que efectue negócios com o banco central iraniano, responsável pelas transacções petrolíferas do país.

O embargo petrolífero forçará o regime iraniano a encontrar novos clientes para o crude que era importado pelos Vinte e Sete – o bloco foi o destino, em 2010, de 18 por cento das exportações petrolíferas iranianas, destinadas sobretudo à Grécia, Itália, Espanha e Bélgica. O regime iraniano desvaloriza o impacto da medida, alegando que existem mercados suficientes para o seu crude, vendido sobretudo para a Ásia, em particular a China, mas os analistas admitem que, face à pressão, vários compradores exijam descontos nas encomendas feitas ao país.

Teerão avisou que, caso as sanções avançassem, poderia encerrar o estreito de Ormuz, canal que liga o golfo Pérsico ao oceano Índico e por onde passa 35 por cento do tráfego marítimo mundial de crude – uma iniciativa que violaria as leis marítimas e equivaleria a uma declaração de guerra aos países vizinhos. Depois disso efectuou manobras navais na zona, testando vários mísseis balísticos e, já ontem, avisou que poderá reagir caso os EUA façam regressar ao golfo um porta-aviões da 5ªEsquadra que recentemente deixou o Bahrein em direcção ao Índico.

Os ocidentais desvalorizam a retórica bélica que, segundo um porta-voz do Departamento de Estado, é a prova que as sanções “começam a morder” o regime iraniano. No entanto, diplomatas e peritos militares dizem-se preocupados com o agravar da tensão, afirmando que, se nenhuma das partes oferecer uma alternativa diplomática clara, qualquer incidente pode conduzir a um conflito de dimensões regionais.



Fonte: publico.pt, indicado pelo amigo Mário

Situação no Golfo Pérsico vem agravar-se cada vez mais


Apesar de advertências lançadas pelo Irã, os EUA declaram-se dispostos a reforçar a sua presença militar nesta zona. Segundo peritos, as partes trocaram de acusações, ficando assim perante um iminente perigo de um conflito militar.


Enquanto isso, foram concluídos hoje os exercícios militares iranianos Velaiate-90 na região do estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de 40% das exportações de petróleo que se destina para a Europa e os EUA. Perante o cenário atual, o Irã ameaçou fechar acesso ao estreito, o que acabou por causar a rápida reação dos EUA - para a zona das manobras foi enviado um grupo de belonaves com o porta-aviões de ataque John C. Stennis. Entretanto, o Comandante em Chefe das Forças Armadas do Irã, Ataollah Salehi, retorquiu com a ameaça de eventuais contramedidas, se a presença dos EUA for aumentada, tendo afiançado que o seu país estaria pronto a atender quaisquer desafios, dispondo dos arsenais necessários.

Os EUA responderam não ter intenções de pôr termo à operação, visando manter garantias de segurança e de estabilidade na região. Seja como for, até já, as acções empreendidas pelas partes em conflito verbal, parecem não passam de manipulações de ousadia, pelo que nem uma, nem outra estariam interessadas em iniciar uma guerra, afirma o perito russo em questões do Médio Oriente Boris Dolgov.

O Irã quer entrar em conflito com os EUA pelo simples facto de não possuir um poderio suficiente para confrontar o eventual adversário, que conta com aliados fortes, como Israel. No que se refere aos EUA, na sua Administração existem lobbies pró-israelitas, bem como vários outros a representar os interesses das pessoas que se opõem ao inicio do conflito armado. E, neste contexto, tudo dependerá de soluções políticas concretas. Para já, tais decisões não foram tomadas.

As autoridades norte-americanas estão convencidas de que o Irã se atreveu à demonstração da força de armas e a ameaças sob a influencia de rígidas sanções internacionais. A assessora de imprensa do Departamento de Estado, Vitória Nuland, em suas declarações mais recentes acusou o Irã de estar a provocar conflitos na arena internacional para distrair os cidadãos da solução de problemas internos. A hipótese avançada por ela, pode ser posta em causa – quer queira quer não - o Irã não consegue enfrentar bem as sanções apesar de numerosas tentativas suas de afastar quaisquer cenários da sua intensificação no futuro, opina Boris Dolgov.

Se for decretado embargo para a importação do petróleo iraniano, então as sanções terão impacto extremamente negativo na economia desse país. Todavia, contando com as verbas provenientes das importações, o Irã será capaz de enfrentar sanções de outro tipo.

A situação, contudo, encerra perigo, pelo que, em caso de uma campanha militar de pequena escala no Golfo, tal conflito poderá, em poucos dias, redundar em um litígio global, envolvendo quase todos os países da zona. E esta, por sinal, não será uma guerra de todos contra o Irã que também tem aliados, considera a perito do Instituto da Orientologia, Lídia Kulaguina.

As potênciais regionais, com efeito, se manifestam contra acções militares, já que quaisquer que sejam estas – de pequena ou de larga escala – virão provocar de forma inevitável ataques de retaliação que afetem os Estados vizinhos. Assim, a guerra alastrar-se-á à região inteira. Quanto aos países do Golfo Pérsico, estes tem tido uma atitude mais negativa em relação ao Irã. E há várias razões disso – primeiro, trata-se de um problema shiita. Segundo, isto se deve à política do Irã na esfera nuclear, o que engendra uma reação negativa. Mas uma série de outros Estados, como a Turquia e ou Líbano, no caso da guerra não se farão adversários do Irã. Antes pelo contrário, irão prestar-lhe o apoio ou até ajudar.

A Síria continua a ser o seu principal aliado. De notar ainda que ao Ocidente não agradam os regimes políticos de ambos os países. Por isso, pode-se conjeturar que o objetivo latente da política dos EUA no Médio Oriente seja o de derrubar os governos liderados por Mahmud Akhmadinejad e Bashar Assad. Mas, verdade seja dita, nem num, nem noutro país foi possível, até hoje, pôr em ação o cenário orquestrado e testado na Líbia. Uma das causas disso consiste em que a ONU e os outros países influentes como a Rússia e a China mantêm-se contrários ao desenrolar de acções militares contra o Irã e a Síria. A China condenou o projeto-lei, assinado por Obama, que prevê a introdução de novas sanções econômicas anti-iranianas. Sob este pano de fundo, a Rússia insiste em que os problemas atuais da região sejam resolvidos por via diplomática.



Fonte: DefesaNet

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ahmadinejad fará viagem pela América Latina na próxima semana


O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, fará a partir do próximo domingo (8), uma viagem de cinco dias pela América Latina, passando pela Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, informou nesta terça-feira (3) a agência oficial de notícias iraniana "Irna".




Ahmadinejad viajará acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi; do de Comércio, Indústria e Minas, Mehdi Gazanfari; de Energia, Majid Namjoo, indicou o diretor-geral de Assuntos Internacionais do gabinete do presidente iraniano, Mohammed Reza Forghani.

Durante sua estadia em Caracas, Ahmadinejad se reunirá com o presidente venezuelano, Hugo Chávez e na Nicarágua assistirá a posse do presidente Daniel Ortega, detalhou Forghani. Depois vai a Cuba e, por último, ao Equador.




Fonte: Vermelho.org

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pentágono obtém luz verde para a guerra na Internet




Os parlamentares norte-americanos autorizaram oficialmente seu exército a dedicarem-se à chamada "ações militares cinéticas", nada mais do que um eufemismo triste para não dizer literalmente "guerra".

Como sempre nestes casos, o anúncio não veio com alarde, mas discretamente, em um pequeno parágrafo que integra o orçamento militar até 2012. Pode ser mais insidiosa, mas não mais clara.

O orçamento militar, aprovado com a classificação da lei, declara o seguinte: “Congresso afirma que o departamento de defesa tem potencial e, sob a orientação específica, pode realizar operações ofensivas no ciberespaço para defender nossa nação, parceiros e outros interesses, de acordo com os princípios e sistemas legais que o Departamento define para o potencial cinético, incluisve dentro de conflitos armados e diante da resolução depoderes de guerra”.

Propositadamente obscuro, o texto acima reconhece como “capacidades cinéticas” e “princípios e sistemas legais”, se alguém não se recorda, a intervenção do exército norte-americano na Líbia, na guerra que iniciou a derrocada de Kadafi, e que não foi uma “guerra”, mas uma “ação cinética militar”.

E por que chamar de ação cinética e não de guerra? Porque para o presidente dos Estados Unidos declarar uma guerra ele tem que pedir permisssão ao Congresso e ser por esse autorizado. Isso não ocorreu no que se refere à Líbia.

Mas com a autorização nas entrelinhas do documento acima, o presidente dos Estados Unidos e seu comandante-chefe de Exército agora têm caminho livre para declarar, também, a guerra na internet quando tiverem vontade, sem a necessidade de seguir os princípios e sistemas legais” que exigem permissão do Congresso.

Também há outros termos obscuros, como, por exemplo, o que eles consideram uma “ação ofensiva”? Embora não especificado, a Estratégia do Pentágono para a Segurança na Internet, outro bonito eufemismo, já se ocupou de definir o teor dessa tal ofensiva há meses.

Vale explicar que as “ações ofensivas” podem incluir o lançamento de virus de todo tipo, a destruição de serviços e a possibilidade de invadir os sistemas de controle de energia em outros países, desabilitando suas redes elétricas e gerando apagões completos.

Frisamos o fato de que as ações “podem incluir” porque não há precedentes em relação a uma net war ou guerra cibernética, e essas ações podem receber como respostas verdadeiros ataques bélicos, tendo-se em vista tudo o que foi apontado como ofensivas neste texto.

Essa ameaça bélica é patrocinada pela ciber-paranoia, que profetiza toda sorte de ciber-apocalipse e outras ciber-engodos para promover o medo.

Não há registro de nenhum ataque de hackers que tenha colocado em real perigo, nem sequer em risco, as “infraestruturas altamente dependentes da internet”.


Fonte: Cubadebate, com informacões de Tribuna Popular TP/ ABNA, vermelho.org, Patria Latina

Imagem: retirada do google


sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012


Nesse ano que está chegando e Com Texto Livre quero desejar a todos os amigos: Gilson Sampaio, Jader Resende, Ramiro Lopes, Farplex, Tony, Ricardo e tantos outros, espero que encontrem um Professor Jeovane que nos ensine como eu Viomundo todos também poderão ver, e se preciso for que nos dê um Tijolaço para termos que nos tratar na clínica do Dr Octopus, e Libertar será um dever de todos inclusive do Esquerdopata.

Que cada mulher se sinta
Cidadã do Mundo e que se ainda existir alguma Guerra Silenciosa que todas as mulheres se tornem como Leonor em Líbia, Trilhando Caminhos para um amanhã melhor, e que sempre possamos nos encontrar no Blog do Saraiva para um Kafé Kultura com o Mário. e sempre que quisermos ainda teremos tempo de chamar um táxista com seu "Meriva" para fazermos uma viagem dentro de nós mesmos para rever nossos conceitos e descobrir que um Prezado Cara Pálida pode ser um poeta que se esconde dentro de cada um de nós.

Desejo que em 2012 a vida se torne melhor e que todos possamos também encontrar o grande filósofo "Léo" que vem sempre com uma
Informação Incorrecta para obtermos muita sabedoria, e que os humanos tenham consciência de que realmente existe uma Fada do Bosque para trazer luz aos nossos olhos e nos carregar pela mão até "Terra Âncora" onde encontraremos Maria e Ana para aprendermos um modo de vida mais saudável.

E que em 2012 para poder entrar no "botequim do Max" todos os "Anônimos" deveríam se identificar, e que a Voz chegue mais alta aos nossos corações
, pois O Tempo Chegou e sempre é hora de recomeçar.


Um abraço a todos.


Burgos Cãogrino
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