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segunda-feira, 5 de março de 2012

Putin: "obrigado a todos que disseram sim a uma Rússia Grande"


Com lágrimas nos olhos, Putin declara vitória a partidários e diz que pleito foi 'limpo e aberto'/ Foto: Denis Sinyakov/Reuters

Após a apuração de 99,9% das urnas eleitorais na Rússia, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, é confirmado vencedor das eleições presidenciais deste domingo (4) com 63,75% dos votos (45.109.640). Os resultados definitivos serão anunciados pela Comissão Central Eleitoral no próximo 14 de março. O novo presidente assumirá o cargo em 7 de maio de 2012.

Em seu primeiro discurso como presidente virtual da nação, o primeiro-ministro agradeceu a “todos os que disseram ‘sim’ a uma Rússia Grande”. O discurso foi proferido diante de milhares de pessoas que celebraram a vitória de Putin no centro de Moscou.

Ele ressaltou ainda que foi uma vitória limpa “graças ao apoio da maioria” e prometeu “trabalhar duro e honestamente” nos seis anos que terá à frente da Rússia.

Chávez saúda vitória

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez saudou a vitória de Putin e destacou a "importante jornada democrática protagonizada pelo povo russo ao voltar-se de maneira entusiasta às urnas para escolher no primeiro turno seu novo presidente, Vladimir Putin".

"O governo venezuelano cumprimenta a maturidade do povo russo, o qual expressou de maneira soberana e contundente sua vontade de fortalecer a grande pátria russa e levá-la pelos caminhos da paz, o bem-estar, a justiça e o desenvolvimento", assinala o texto oficial da Chancelaria venezuelana.

O comunicado assinala que Chávez "tem um forte vínculo de amizade e uma visão comum para a construção de um mundo pacífico, solidário e democrático no século 21 com Putin".

Venezuela e Rússia têm um amplo programa de cooperação em setores que vão desde o tecnológico ao energético, passando pelo dos bens de capital, o comércio agrícola e o militar, com um amplo programa de compras de Caracas para equipar sua Força Armada.

Histórico

O primeiro-ministro foi eleito com a proposta de criar um modelo democrátido de país, modernizar a economia e conceder mais autonomia às autoridades locais.

Putin será pela segunda vez presidente da Rússia. Em 1999 ele foi nomeado primeiro-ministro do governo do ex-presidente Boris Yeltsin e em dezembro do mesmo ano assumiu a chefia de Estado interino após a renúncia de Yeltsin.

Posteriormente ganhou as eleições do ano 2000 e quatro anos mais tarde foi reeleito. Desde 2008 atua como primeiro-ministro do governo de Dmitri Medvédev.



Fonte: Com agências, vermelho.org.br

Pacifistas japoneses aspiram atenção de Cuba às crianças de Fukushima


O diretor geral da organização japonesa Peace Boat (Cruzeiro pela Paz), Yoshioka Tatsuya, expressou o interesse de seu grupo para que Cuba coopere na atenção das crianças afetadas pelo acidente nuclear de Fukushima.

Seria uma ideia fantástica e é o que queremos, acrescentou Tatsuya ao ser perguntado por jornalistas sobre a possível ajuda de Havana no tratamento dos doentes depois do escapamento nuclear provocado pelo terremoto e tsunami em março do ano passado.

Como Organização Não Governamental teríamos que apoiar uma negociação entre os governos do Japão e Cuba, reconheceu o líder do projeto que tocou nesta quinta-feira o porto de Havana pela décima quinta ocasião desde 1990.

A proposta surgiu do Foro Global de Hibakushas (sobreviventes dos ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki) por um mundo livre de armas nucleares, organizado pelos integrantes do Cruzeiro, que se reuniu aqui com o líder da Revolução cubana, Fidel Castro.

Durante o encontro desta tarde Fidel Castro propôs a publicação de um livro com os depoimentos dos sobreviventes dos bombardeios com armas atômicas em ambas as cidades japonesas em agosto de 1945.

Aceitamos a iniciativa do livro e propusemos a Cuba estreitar a cooperação, especialmente em educação médica para dar atenção às crianças de Fukushima tal como tem feito com os de Chernobyl (o acidente na usina ucraniana em 1986), revelou Tatsuya.

Ao referir ao Foro, o líder e fundador do projeto japonês criado em 1983 destacou a preocupação de Fidel Castro em relação aos perigos nucleares.

Igualmente opôs-se à hostilidade estadunidense contra o país caribenho ao considerar que essa política não cria situações de paz.

Estamos decididos a voltar ainda que tenhamos bloqueio, explicou o diretor em alusão à proibição norte-americana aos barcos que toquem porto cubano de irem aos Estados Unidos.



Fonte: Prensa Latina, cebrapaz

Malvinas, imperialismo cultural e autodeterminação

Há poucos dias tornou-se público um curioso pronunciamento subscrito por 17 intelectuais, jornalistas, historiadores e juristas que leva o título “Malvinas, uma visão alternativa”. A respeito o jornal conservador “La Nación” de Buenos Aires, em sua edição do dia 23 de fevereiro passado, sustenta: “um dos eixos centrais da proposta é que o governo (argentino) adote uma posição que leve em conta o princípio de autodeterminação dos malvinenses”.

Por Rina Bertaccini*

Na realidade, este reduzido grupo de pessoas, algumas bastante conhecidas, repete no documento os insustentáveis argumentos com os quais a Coroa Britânica pretende justificar sua presença colonial nos arquipélagos do Atlântico Sul. O pensamento colonizado que eles encarnam havia sido expressado antes, em diversos artigos, e amplificado graças aos meios monopolistas de informação.

Entre essas pessoas, um caso paradigmático – e em certo modo patético - é o da reconhecida intelectual Beatriz Sarlo, colunista do La Nación. No seu artigo do dia 27 de janeiro de 2012, sustenta, entre outras coisas, que “as Malvinas são um abscesso envenenado da sensibilidade patriótica nacional”. Ironiza, além disso, sobre a legenda que as Mães da Praça de Maio escreveram oportunamente nos seus lenços brancos: “As Malvinas são argentinas e os desaparecidos também”, sem entender o profundo significado desta consigna. E transmite um grande desprezo pelo povo argentino ao sustentar, por exemplo, que “é uma pobre identidade a que se sustenta como identidade territorial”; conclusão inteiramente falsa.

Certamente, os assinantes do documento, por gozar de um elevado nível de instrução e posse, em conjunto, suficientes conhecimentos históricos e jurídicos, não ignoram que a atual população das Malvinas, por definição, não constitui um “povo” e, portanto, não pode ser sujeito do direito de autodeterminação. Sabem também que reconhecer – como o faz a Constituição Nacional Argentina – o “respeito ao modo de vida” e aos interesses dos malvinenses, é bem distinto de reconhecer a autodeterminação de uma população transplantada para as ilhas após um ato violento de despejo da população original.

É por isso legitimo concluir que estamos na presença de um caso de imperialismo cultural (ou imperialismo no âmbito cultural), segundo definem diversos autores. Dito de outro modo, de uma tentativa de “exercício da hegemonia (...) através de um processo consciente de manipulação, tergiversação, subestimação, destruição e suplantação do sistema de valores” que é patrimônio de uma sociedade determinada, sempre com o propósito de consolidar ou perpetuar a dominação. O imperialismo no âmbito cultural tem alcançado sua identidade “com conteúdos de métodos, procedimentos, objetivos e fins concretos, preconcebidos e sistematicamente aplicados; por causa do acerto de planos disseminados de propósito por especialistas a serviço do poder das sociedades dominantes” (1).

A partir deste enfoque, é coerente que os autores da denominada “visão alternativa” subestimem intencionalmente a questão da soberania argentina nos arquipélagos do Sul e desprezem o legítimo patriotismo do nosso povo que pretende igualar com um depreciativo “ufanismo”. É natural que coloquem em dúvida a soberania argentina nas Malvinas como faz o historiador Luis Alberto Romero em um artigo publicado no La Nación.

O imperialismo cultural vai de mãos dadas com a adoção do discurso do império dominante e o silêncio sobre o papel da Otan como carro-chefe da política de guerra do imperialismo real que militariza o Atlântico Sul, rouba escandalosamente os recursos naturais que pertencem ao povo argentino e ameaça a paz na região.

Digamos, por fim, que este lamentável documento, afortunadamente, não é representativo do conjunto da intelectualidade argentina. É que enquanto a imensa maioria do nosso povo faz das Malvinas uma causa nacional, enquanto milhões de pessoas, entre elas dezenas de milhares de jovens e trabalhadores da cultura tem ganhado as ruas nos festejos do bicentenário da independência pátria, aqueles que o subscrevem estão expressando um pensamento aparentemente ancorado a um passado que já não corresponde aos ventos de renovação que sopram com força no continente como prelúdio de uma nova época.


*Rina Bertaccini, presidente do Mopassol da Argentina e vice-presidente do Conselho Mundial da Paz


(1) Ver “Imperialismo cultural en América Latina”, compilador Robert Austin, Págs. 3 e 4. Edições CECATP, Santiago do Chile, 2006.

Fonte: Cebrapaz

Com 90% dos votos apurados, Putin é eleito presidente da Rússia

O atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, será o novo presidente do país pelos próximos seis anos. Com a apuração de 90,41% das urnas nas eleições deste domingo, ele obteve 64,59% - 39 milhões - dos votos totais. Cerca de 110 milhões de russos foram chamados às urnas em uma eleição que começou à meia-noite do domingo no extremo oriente russo e terminou 21 horas depois no enclave báltico de Kaliningrado.

"Vencemos em uma luta aberta e limpa", afirmou Putin na praça do Manezh, perto do Kremlin, em Moscou, ao comemorar sua vitória com mais de 100 mil partidários ainda com 30% das urnas apuradas.

A oposição questiona a legitimidade do pleito e promete uma manifestação para esta segunda-feira. "Reuniremos mais de 100 mil pessoas. Temos um novo argumento: a vitória duvidosa de Putin nas eleições presidenciais", afirmou o líder do partido liberal Yabloko, Serguei Mitrojin.

O líder do Partido Comunista da Rússia, Gennady Ziuganov, foi o segundo candidato mais votado com 17,07%, segundo os dados da Comissão Eleitoral Central.

O terceiro lugar ficou com o multimilionário Mikhail Prokhorov (7,18%), considerada uma das grandes surpresas da campanha presidencial russa ao se tratar de um candidato sem experiência política.

Putin foi presidente da Rússia entre 2000 e 2008. Ele deve permanecer no poder pelo menos até 2018, período em que, segundo ele, quer fazer com que a Rússia obtenha um "desenvolvimento estável" para que a nação volte a ter o nível de uma grande potência mundial.

Ao mesmo tempo que destacou que sua vitória não tinha sido "nenhuma surpresa", Putin assegurou que cumprirá com todas as suas promessas eleitorais sobre aumento de salários, pensões e subsídios no valor de centenas de milhões de dólares.

Cerca de 110 milhões de russos foram chamados às urnas em uma eleição que começou à meia-noite do domingo no extremo oriente russo e terminou 21 horas depois no enclave báltico de Kaliningrado.




Fonte: vermelho.org.br

Por conta do pré-sal, EUA querem fechar parceria com Brasil

ENCONTRO

A presidente Dilma Rousseff deve facilitar o entendimento com o presidente Barack Obama, durante visita que ela fará aos Estados Unidos, entre os dias 9 a 11 de abril, sobre uma possível diminuição a dependência do petróleo dos Estados Unidos ao Oriente Médio e da Venezuela. Um dos principais assuntos do encontro será dedicado à área de energia. Em todo o roteiro, Dilma Rousseff levará a pressão de empresários por acordos que fortaleçam os negócios e facilitem as exportações. Além disso, usará de seu prestígio para atrair atenção para a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em junho.

PETRÓLEO

Em entrevista ao NN, o ex-embaixador do Brasil na Inglaterra (1994-1999) e nos Estados Unidos (1999-2004) e ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Rubens Antônio Barbosa, acredita que o tema petróleo já entrou na agenda dos dois países durante a visita de Obama ao Brasil em março de 2011. “O petróleo é hoje o principal produto de exportação do Brasil para os EUA e deverá continuar a sê-lo nos próximos anos. A estabilidade política no Brasil e as grandes reservas do pré-sal tornarão a parceria do Brasil com os EUA estratégica do ponto de vista americano, no contexto de uma menor dependência do fornecimento de petróleo do Oriente Médio e da Venezuela”, diz Rubens.

TEMAS

Para o ex-embaixador dos EUA, a energia em geral, inclusive biocombustivel para aviação, ocuparão um lugar de realce na agenda presidencial. Segundo Rubens, esses tópicos, junto com a situação no Oriente Médio e as questões relacionados com o cancelamento do contrato de fornecimento de aviões da Embraer para o Pentágono e a aquisição de caças para a Defesa também estão entre os temas principais da agenda do encontro de abril. Questionado se o presidente dos EUA iria pedir apoio do Brasil no encontro, Rubens acredita que, não só o conflito Israel-Palestina, mas a situação na Síria e no Irã (e no norte da Africa) estarão entre os principais temas a serem tratados na agenda diplomática.

"É possível que os EUA peçam o apoio do Brasil, mas acho que a presidente Dilma irá reafirmar a posição brasileira de respaldo à negociação, antes da solução armada, da responsabilidade ao proteger e irá tambem manifestar duvidas quanto a legalidade de ataque preventivos, sem autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU", concluiu.

BARREIRAS

Na avaliação do ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Miguel Jorge, esse também é um bom momento para o Brasil voltar a negociar a redução das barreiras impostas pelos EUA a produtos brasileiros, como o suco de laranja. No fim de janeiro, as exportações brasileiras de suco de laranja foram suspensas depois que os EUA detectaram a presença do fungicida carbendazim.



Fonte: euleionn.com.br

domingo, 4 de março de 2012

Lições do Sul para a Europa em crise?

A extrema gravidade da crise que atinge atualmente a Europa, em particular a zona euro por via das dívidas ditas “soberanas”, da Grécia à Itália entre outras, leva a colocar a questão: os povos europeus não terão lições a retirar das experiências pelas quais certos países do Sul estão a passar e das estratégias anti-crise que aí foram adotadas?

Por Rémy Herrera*

Porque o que é fato é que, até ao momento, têm sido as receitas do Norte, que se supõe serem universalmente válidas, as que foram na generalidade administradas às economias do Sul – ainda que estas receitas não lhes tenham sido muito convenientes, salvo raras exceções. Mas os tempos mudaram…

A Europa em crise

As soluções neoliberais de austeridade generalizada e de destruição dos serviços públicos hoje propostas (melhor dizendo, impostas) para tentar salvar o capitalismo em crise e relançar o crescimento são absurdas; elas constituem a forma mais segura de agravar ainda mais esta crise e de precipitar mais rapidamente o sistema no abismo. E isto, ao mesmo tempo em que favorece, por todo o lado, a subida em força das extremas-direitas, racistas, demagógicas e sempre cúmplices da ordem estabelecida.

Neste contexto, a crise que a zona euro atravessa atualmente deve ser entendida como em íntima ligação com as próprias bases do processo da construção europeia. Acreditou-se ser possível criar uma moeda única sem Estado, mesmo o de uma Europa política que na verdade não existe. Havia aqui um erro de base nesta Europa que pretendia fazer convergir à força economias extremamente diferentes sem o reforço de instituições políticas à escala regional nem a promoção de uma harmonização social nivelando por cima. É assim que, de forma lógica, esta “má Europa”, voltada contra os povos, anti-social e anti-democrática, é cada vez mais abertamente rejeitada.

Continuar a acreditar num novo “compromisso Keynesiano” constituiria, entretanto, alimentar ilusões. O anterior, formulado após a Segunda Guerra mundial, não foi concedido pelos grandes capitalistas, foi alcançado pelas lutas populares, múltiplas e convergentes. Hoje a alta finança, que retomou o poder, não está disposta a nenhuma concessão. O keinesianismo – que poderia de fato desejar-se – não possui nem realidade nem futuro. Doravante, são os oligopólios financeiros quem domina e quem dita a sua lei aos Estados, para fixar as taxas de juro, a criação de moeda ou, quando tal é necessário, para nacionalizar.


Ruptura?

Perante a crise sistêmica e os perigos que ela comporta – incluindo o de ver chegar ao poder extremistas de direita – é tempo de as forças progressistas na Europa retomarem a ofensiva, formulando de novo propostas alternativas para uma esquerda radical e internacionalista, orientadas no sentido da reconstrução de projetos sociais e de solidariedades voltadas para o Sul em luta.

Entre os debates urgentes a iniciar figura o da saída da zona euro, nomeadamente para a Europa do Sul, sob certas condições e segundo diferentes modalidades. É evidente que tal decisão seria difícil de assumir pelos pequenos países como a Grécia. Constituiria uma falsidade afirmar que desta opção de ruptura não resultariam dificuldades. Mas constituiria igualmente uma falsidade afirmar-se que tal via conduziria à catástrofe.

E isto por três razões pelo menos. Em primeiro lugar, há importantes economias europeias que não estão na zona do euro, como o Reino Unido. Depois, há países que foram violentamente atingidos pela crise e que estão em vias de recuperar, fora da zona euro, nomeadamente a Islândia.

Por fim, e fora do continente europeu, há países do Sul que ousaram a decisão de romper com as regras do atual sistema monetário internacional sem que de tal decisão decorresse qualquer situação de caos. Muito pelo contrário, tem sido precisamente essa via de ruptura – temporária – com os dogmas neoliberais que lhes tem permitido autonomizar-se e recuperar.
Que lições retirar do Sul?

Numerosas experiências recentes a Sul mostraram que a reconquista de elementos de soberania nacional – monetária, entre outras – e o voluntarismo político perante os diktat dos mercados financeiros abriram margens de manobra que permitiram a esses países sair de situações econômicas dramáticas provocadas em larga medida pelo próprio funcionamento – injusto e inaceitável – do sistema capitalista mundial.

Pensamos aqui, por exemplo, no processo de “desdolarização” em Cuba; ou no distanciamento da Venezuela em relação ao Fundo Monetário Internacional; ou ainda na criação do Banco do Sul (Bancosur), envolvendo países da Aliança bolivariana para as Américas (ALBA) como a Bolívia e outros, incluindo o Brasil. Mas pode igualmente citar-se o caso de um país com um governo menos radical como a Argentina, que em finais de 2001 declarou a suspensão de pagamentos e que retomou com bastante rapidez o crescimento, sem que tenha ficado isolado em relação às ligações internacionais.

Suspensão de pagamentos, desvalorização da moeda e plano de reconversão da dívida foram as medidas que salvaram a Argentina do desastre neoliberal.

Não há dúvida que uma saída do euro seria mais difícil para um país como a Grécia, que possui uma base produtiva e exportadora muito mais fraca do que a da Argentina (que assenta sobre a agro-indústria e a energia); mas certamente que daí não resultaria o “fim do mundo” para o seu povo, como insistem em anunciar os media dominantes.

Tal decisão é difícil de tomar, tendo em conta as contas públicas deficitárias e o risco de fuga de capitais; mas ela parece doravante necessária como forma de saída da armadilha neoliberal – e isto antes que a Alemanha não decida, ela própria, pela exclusão desse país!

Pensemos igualmente no Equador, cujo governo realizou uma auditoria da sua dívida externa, anulou as dívidas “odiosas” (ou seja, ilegais e/ou ilegítimas), utilizou a suspensão dos reembolsos para reduzir o peso da dívida pública e libertou dessa forma recursos para as políticas sociais e para as infraestruturas.

Em todas estas experiências, em que não se verificou qualquer catástrofe, a reapropriação por parte do Estado do seu poder de decisão política sobre a economia permitiu a cada país libertar-se do atoleiro em que estava mergulhado. Como foi o caso da Malásia, depois da crise asiática de 1998, quando o governo (que não era “de esquerda”) colocou limites às imposições do FMI e conduziu a política anti-crise que lhe pareceu mais conveniente.

E porque não, então, na Europa? É certo que as situações diferem de continente para continente, mas as alternativas existem, sob a forma de transições pós-capitalistas, democráticas e sociais, solidárias com o Sul. O que é necessário não é a elaboração de soluções miraculosas ou prontas-a-usar, mas o reabrir dos espaços de debate à esquerda.

É, portanto, mais do que tempo de falar, finalmente, sem tabus nem complexos, de soluções anti-crise colocadas ao serviço dos povos europeus: saída controlada da zona euro, desvalorização monetária (ou de uma eventual nova moeda comum), restabelecimento do controle das variações dos fluxos financeiros, redefinição do papel político dos bancos centrais, nacionalização do sistema bancário e de certos setores estratégicos da economia, anulação parcial das dívidas públicas, redistribuição acrescida da riqueza, reconstrução dos serviços públicos, desenvolvimento da participação popular, mas também o relançamento de uma regionalização europeia progressista e aberta ao Sul…

Porque, na verdade, são os povos que são soberanos, não as dívidas.




*Rémy Herrera é investigador no CNRS (Centre National de Recherche Scientifique)

Fonte: ODiario.info

sábado, 3 de março de 2012

Uruguai e Argentina podem substituir dólar no comércio bilateral

Os governos do Uruguai e da Argentina estão negociando substituir o dólar pelas moedas locais no comércio bilateral, para facilitar o intercâmbio entre os dois países.

A proposta foi apresentada por uma equipe de negociação uruguaia sobre temas comerciais que é liderada pelo vice-ministro de Economia, Luis Porto, e o embaixador em Buenos Aires, Guillermo Pomi, como informaram fontes oficiais ao jornal uruguaio La República.

A iniciativa despertou interesse por parte dos representantes argentinos e será analisada na próxima semana pelos presidentes dos bancos centrais da Argentina e do Uruguai, Mercedes Marcó del Pont e Mario Bergara, respectivamente.

A intenção do Uruguai é agilizar a importação de produtos e serviços uruguaios por parte de empresas da Argentina, que hoje podem enfrentar demora devido às restrições impostas dentro do país à compra de dólares.



Fonte: Ansa

sexta-feira, 2 de março de 2012

E o OSCAR vai para...!!! Hillary, A Imperatriz da Líbia

Democratas Jihadi a postos para o close-up

Por Pepe Escobar

Pena que a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton não foi à festa dos Óscars 2012. La Clinton perdeu boa chance de fazer sombra à perna-rainha-do-Twitter-direita de Angelina Jolie – aquela força da natureza já além da rede, pousando na lua e invadindo A última ceia de Leonardo da Vinci.[1]

A Imperatriz da Líbia (“Viemos, vimos, ele morreu” tentou o mais que pôde, inclusive com foto para a BBC, onde nela afinal admitiu que os EUA estão lutando ombro a ombro com a al-Qaeda para desencadear mudança de regime na Síria.[2]

Bem... Yevgeny Primakov, raposa velha da Guerra Fria e ex-primeiro ministro russo (no governo do pudim de vodka, Boris Yeltsin) acabou com ela no canal russo Rossiya – ao esclarecer que ninguém, em sã consciência, acredita que alguma mudança de regime na Síria leve à democracia.

Pois quando Clinton menciona “um conjunto muito perigoso de atores na região” os quais estão “na nossa lista de terroristas”, ela está promovendo, mais uma vez, a sabidamente muito lucrativa franquia do Pentágono/CIA/Departamento de Estado conhecida como “Hóspede Maldito” [orig. Resident Evil[3] – cujos atores incluem, dentre outros, mujahideen no Afeganistão nos anos 1980s, mujahideen na Bósnia nos anos 1990s e, recentemente, o pessoal do Libya Islamic Fighting Group (LIFG).

Guerra Global ao Terror, GGT [orig. Global war on terror (GWOT)]? Mas isso é tãããããão George W “Imbecil” Bush e respectiva era ainda mais imbecil. Como todos os assistidores de carteirinha de filmes blockbusters sabem, o negócio, hoje, é “Os Democratas da Al-Qaeda Invadem a Mudança de Regime”.

O show dos Muppets[4]

A Imperatriz da Líbia às vezes manifesta uma incapacidade à Meg Ryan de esquecer do roteiro. No comercial para a BBC, ela insistia na narrativa oficial: o “povo da Síria” está sob “incansável ataque” das “forças do governo”. Ao mesmo tempo, incita as “forças de segurança” a não esmorecer e insistir na “mudança de regime”. Então, comé que fica? Ah! Os matadores de repente viram democratas? Por que não? Mais um salto clássico de roteiro, à Hollywood.

Enquanto isso, a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland bem poderia ter roubado de Octavia Spencer da estatueta de melhor atriz coadjuvante. Nuland – casada com o mega-super-ultra-neoconservador Robert Kagan – detonava o referendo sírio: essa “proposta ridícula” feita por Bashar al-Assad coincidiu com “fuzis e tanques e fogo de artilharia (...) que continua sobre Homs e Hama e outras cidades por todo o país.”

Nuland parece ter convenientemente esquecido que isso, precisamente, é o que os EUA sempre fizeram, enquanto promoviam eleições “livres” no Iraque e no Afeganistão – com o auxílio luxuoso de forças eleitorais como aviões-robôs, os drones, assassinos, F-16s, helicópteros Apache e a imprensa-empresa servil a recitar as falas do roteiro do Pentágono.

As duas atrizes do Departamento de Estado também esqueceram convenientemente que, se você é atirador treinado desempregado no Ocidente ou no mundo árabe, o lugar certo para ir – além de Hollywood – é a Síria. Muitos dos atiradores que estão matando civis na Síria trabalham para a coalizão “Amigos de Hillary”. Trabalham para o complexo CCGOTAN – a coalizão norte-americana, parte europeia e parte árabe que financiou, treinou e armou um exército fantasma dentro da Líbia e, agora, dentro da Síria.

A Síria nada tem a ver com um massacre unilateral sob patrocínio estatal; é guerra interna, entre o governo e um exército fantasma – com civis apanhados no fogo cruzado.

A própria La Clinton foi forçada a admitir “uma forte oposição a qualquer intervenção estrangeira, de dentro da Síria, contra fora da Síria”; o que implica que muitos sírios, não só algumas minorias, mas também os sunitas seculares, sabem que jihadistas à moda al-Qaeda e/ou fanáticos salafistas já estão infiltrados. Também sabem que o Conselho Nacional Sírio é fantoche da Fraternidade Muçulmana e/ou de Washington.

A Imperatriz da Líbia também deixa convenientemente de fora é que a “oposição” – dividida entre os oportunistas do Conselho Nacional Sírio e seus rivais, o Corpo de Coordenação Nacional – são virtuais nulidades dentro da Síria. A resistência contra o indiscutível estado policial do regime de Assad é coordenada, sobretudo, por comitês locais.

Crepúsculo dos deuses revisitado[5]

E segue o show. Esperem um pouco, e logo a orgia salafitas-jihadistas na Síria deixará no chinelo a festa pós-Óscar da revista Vanity Fair. Afinal, essa é a estratégia daqueles casos exemplares de magnífica democracia, Arábia Saudita e Qatar, varões do Conselho de Cooperação do Golfo. O ministro de Relações Exteriores da Casa de Saud, Saud al-Faisal, disse que armar os rebeldes é “muito boa ideia”. E o primeiro-ministro do Qatar, príncipe Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani concordou. O CCG adora o cheiro de república árabe secular cozinhada em napalm pela manhã. É perfume de... vitória.

O que realmente está acontecendo, como Asia Times Online tem noticiado, é que ambos,o Qatar e a Casa de Saud já há vários meses estão armando o Exército Sírio Livre, enquanto Washington ajuda com a virada de roteiro “liderada pela retaguarda”.

Agora, tentem argumentar que armar os xiitas nas províncias leste da Arábia Saudita também seja “muito boa ideia”. Num instante você será visitado por um míssil Hellfire – ou acertado na testa por um atirador – mais rápido do que Angelina abre a saia e mostra a perna.

Seja como for, e sendo roteiro de Hollywood, que melhor sequência da franquia de Resident Evil que a seguinte: as monarquias sunitas do Golfo Persa armam doidos à moda al-Qaeda para promoverem a democracia e os direitos humanos na Síria. Mais maluco que aquela perna direita de Angie. Esqueçam. Isso não é Hollywood. É vida real. E esqueçam Norma Desmond[6]. Quem se prepara agora para entrar em close up é Al-Zawahiri, atual presidente executivo da al-Qaeda. Costumava ser grande, mas agora que os filmes encolheram, com certeza será ainda maior. A perna direita de Angie que se cuide.



[3] É título de um filme de terror, de 2002, exibido como “Hóspede Maldito”, baseado num videogame de mesmo nome (os games da série Resident Evil incluem Resident Evil (1996), Resident Evil 2 (1998), Resident Evil 3: Nemesis (1998) e Resident Evil CODE: Veronica (2000) (mais sobre isso em http://pt.wikipedia.org/wiki/Resident_Evil_(filme)) [NTs].
[5] Orig. Sunset Boulevard, filme de 1950, dir. Billy Wilder. Mais sobre o filme, em http://www.imdb.com/title/tt0043014/ [NTs].
[6] Personagem central de Crepúsculo dos Deuses, o filme [NTs].


Fonte: Asia Times Online, Grupo Beatrice
Imagem: Google (colocada por este blog)

Empresas estrangeiras viram minoritárias para vender à Forças Armadas Brasileira: Nacionalizações reais ou fictícias???



Estrangeiros viram minoritários para vender as Forças Armadas

Por Sérgio Barreto Motta

Empresas estrangeiras da área de segurança têm bons assistentes legislativos. Eles sabem que, no corpo da Medida Provisória 544, consta que, para se beneficiar de preferências para fornecer a Exército, Marinha e Aeronáutica, as companhias terão de ter maioria de capital nacional – para se enquadrarem como Empresas Estratégicas de Defesa. Como a chance de uma MP virar lei, devido à força da base de apoio ao governo, é de 100%, os estrangeiros já estão se adaptando.

Espera-se, no entanto, que sejam nacionalizações reais e não fictícias, com estrangeiros donos de 40% do capital mandando, na prática, nas empresas.

Do lado puramente nacional, gigantes como Embraer e Odebrecht crescem a cada dia no setor. Nos últimos dias, sem alarde, a norueguesa Siem Consub mudou sua denominação para Siem Offshore do Brasil e criou uma empresa com maioria de capital brasileiro, subscrito por um conjunto de engenheiros empregados na empresa, chamada Consub Tecnologia. Sabe-se que outras estrangeiras seguirão o mesmo caminho: viram minoritárias para não serem alijadas do sistema.

A Siem Consub é a empresa que desenvolveu a série de sistemas de comando e controle para a Marinha (conhecidos por Siconta) e os integrou ao sistema de combate das fragatas da classe Niterói e da corveta Barroso. Atualmente está trabalhando em nova versão para o porta-aviões São Paulo.

Após a MP 544 virar lei, a nova subsidiária, já com capital nacional, estará habilitada a ser classificada como Empresa Estratégica de Defesa e gozar de diversos benefícios previstos nesta nova legislação. Além disso, por causa de sua grande experiência (única no Brasil na área de sistemas navais), ela vem sendo muito procurada pelos estaleiros estrangeiros que estão competindo no Programa de Navios de Superfície da Marinha (Prosuper) que prevê o fornecimento – com construção no Brasil e transferência de tecnologia – de cinco navios de patrulha oceânicos, cinco fragatas e um navio de apoio logístico.



FONTE: Monitor Mercantil
Imagem: Google

quinta-feira, 1 de março de 2012

A corrida das grandes empresas pelo mercado "verde"

Por trás da posse da terras e da biodiversidade também se move uma poderosa indústria que, com um discurso “verde”, promete a manutenção das “benesses” do desenvolvimento em um mundo pós-petróleo através do domínio de tecnologias que incluem a engenharia genética, a biologia sintética e a nanotecnologia.


De acordo com o estudo canadense Quem controlará a economia verde?, do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), através da captura da matéria viva, denominada biomassa (alimentos, têxteis, pastos, resíduos florestais, óleos vegetais, algas, etc), os cientistas apostam na criação de produtos de alto valor, capazes de substituir o petróleo na produção do plástico, dos combustíveis, de substâncias químicas, fármacos, etc. Para isto, tudo que os governos e a sociedade devem fazer é outorgá-los as patentes de gens, as terras e a biomassa.

Em outras palavras, o estudo denuncia a gestação de um perverso modelo de sustentação consumista, capaz de apropriar-se e industrializar praticamente todos os recursos do planeta.

Segundo o Grupo ETC, esta atividade já está criando novas alianças de poder empresarial e os principais atores são as grandes empresas de energia (Exxon, BP, Chevron, Shell, Total), farmacêuticas (Roche, Merck), agrícolas (Unilever, Cargill, DuPont, Monsanto, Bunge, Procter & Gamble) e químicas (Dow, DuPont, BASF). Todas empresas oriundas do hemisfério norte. Entretanto, os maiores depósitos de biomassa terrestre e aquática estão no sul. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) afirmam que a biomassa florestal cobre 9% da superfície terrestre, representando aproximadamente 600 bilhões de toneladas de biomassa.

Deste total, 68% se encontram no hemisfério sul, sendo 36% na América Central e Sul, 20% na África e 12% na Ásia. Aproximadamente 80% das florestas do mundo são de propriedade e administração pública.

O Brasil possui 120 milhões de hectares “fora do comércio”. Entretanto, o Rio de Janeiro terá a primeira Bolsa Verde do país, uma iniciativa da Secretaria de Estado do Ambiente, a Fazenda municipal e uma associação civil sem fins lucrativos, a BVRio. Será o primeiro mercado de carbono do país, mas também serão negociados efluentes industriais, reposição florestal e até lixo. A Bolsa Verde deverá começar a operar em abril de 2012, às vésperas da Rio+20.




Fonte: Brasil de Fato

Diplomata argentino é convocado por Londres para explicar boicote


Inglaterra acostumada a colonizar e boicotar vários países, agora se acha "vítima de boicote".

Pimenta nos olhos dos outros é festa, mas quando é com os colonialistas britânicos arde.

(Burgos Cãogrino)



O impasse diplomático gerado entre o governo britânico e o argentino em decorrência do conflito envolvendo a disputa em torno das ilhas Malvinas ganha um novo episódio. O mais alto diplomata argentino foi convidado por Londres para dar explicações sobre o boicote proposto a produtos britânico.Cristina Kirchner, por sua vez, acionou a União Europeia para avaliar a questão. Para os argentinos, o assunto deve ser debatido na Assembleia Geral das Nações Unidas. A discussão ocorre às vésperas de completar 30 anos da disputa pela soberania das ilhas por argentinos e britânicos.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a iniciativa de levar o debate para a Organização das Nações Unidas (ONU) é uma maneira de verificar eventuais violações de resoluções impostas pela ONU, além da exploração dos recursos naturais.

Há duas semanas, a Argentina apresentou nas Nações Unidas uma queixa formal contra a militarização dos britânicos na região das Malvinas.

O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, John Clancy, anunciou que “a União Europeia irá instaurar "procedimentos diplomáticos" contra a Argentina, sem dar detalhes.

"Deixamos claro que tais ações contra atividades comerciais legítimas preocupam não apenas o Reino Unido, mas a União Europeia como um todo, e que esperamos que a UE apresente preocupações semelhantes com as autoridades argentinas", disse a Chancelaria britânica após encontro com o encarregado de negócios Osvaldo Mársico — a Argentina não tem um embaixador no Reino Unido desde 2008.

A decisão se deu após a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, ter instado cerca de 20 empresários a substituir importações britânicas por produtos de outros países.





Fonte: Agência Brasil





No Uruguai, ONG serve de base para operação da CIA contra Cuba




Com fachada de ONG e sob o aval da CIA, funciona o chamado Centro para a Abertura e o Desenvolvimento da América Latina (Cadal) com sedes na Argentina e no Uruguai, como denunciou o site LaRed21.

Cadal é uma poderosa organização destinada a atacar o status político cubano, segundo o diário argentino Página/12 resenhou esta quarta-feira (29).

A subsede uruguaia, com escritório em uma rua central de Montevidéu, conta entre seus patrocinadores, com o Portal digital do jornal El País e o hotel Boutique Awa, assinalou o site LaRed21.

A fonte também destacou a estreita relação da mencionada entidade com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e com a Fundação Nacional para a Democracia, também estadunidense.






Fonte: Prensa Latina
Tradução: da Redação do Vermelho.org
Imagem: convencao2009.blogspot.com

Mensagem de Fidel Castro contra a Guerra Nuclear

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Caí do mundo e não sei como voltar



O que acontece comigo, que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte, só porque alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco?

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos no varal junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujas.

E eles, nossos nenês, apenas cresceram, tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.

Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, eu me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Compravam-se para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

E acontece que em nosso, nem tão longo casamento, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.

Nada se arruma, não se conserta. O obsoleto é de fábrica. Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viualgum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas: o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os seleiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos carros e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já tem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... pelo amor de Deus! Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome? Educaram-me para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Porque, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular poucos meses depois de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres. A terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres.

E guardávamos... Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrigerantes!!! Como, para quê? Fazíamos capachos, colocávamos diante da porta para tirar o barro dos sapatos. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para isqueiros descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de fiambre, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.

E as pilhas! As pilhas dos primeiros radinhos transistores passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim.

As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: como de forro para as botas deborracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisaspara enrolar. Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um embrulho de bananas. E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Cosmopolita era a marca de um fogão que funcionava com gás) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: custava-nos muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis. Aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, nos disseram: comam o sorvete e depois joguem o copinho fora! E nós dizíamos que sim, mas, imagina que a lançávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as rolhas de cortiça esperavam encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o casamento e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Mordo-me para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer! Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno. Não vou dizer que aos velhos se declara a morte quando apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com gel no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar neste mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...


(Eduardo Galeano)



Fonte: hierophant.com.br

Umuntu ngumuntu nagabantu

Um texto maravilhoso que encontrei no blog Com Texto Livre do amigo José Carlos




A jornalista e filósofa Lia Diskin no Festival Mundial da Paz em Floripa (2006) nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.
Ela contou que:

Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo então, propôs uma brincadeira pras crianças que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse “já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado.

Quando ele disse “Já!” instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto.
Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.
Elas simplesmente responderam:

"Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou de cara. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: Sou quem sou, por quem somos todos nós!






Fonte: http://contextolivre.blogspot.com

Antonio Prado - Sociólogo gaúcho

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As raízes norte-americanas do nazismo



Por Domenico Losurdo*

A invasão do Iraque, em Março de 2003, foi acompanhada por uma curiosa campanha mediática contra os movimentos de oposição à guerra, acusados então de anti-americanismo. É muito significativo que neste clima ideológico e político os acusadores não recordassem o terror exercido pelo Ku Klux Klan em nome do "americanismo puro", ou do "americanismo cem por cento", face aos negros e aos brancos que se opunham à supremacia branca. Tão pouco recordavam a caça às bruxas de McCarthy contra os defensores de ideias ou sentimentos "não americanos".

Em 1924, Correspondance Internationale (a versão francesa do órgão da Internacional Comunista) publicava um artigo escrito por um jovem indochinês imigrante nos Estados Unidos, no qual afirmava sentir grande admiração pelo desenvolvimento norte-americano, ao mesmo tempo que se horrorizava com a prática do linchamento de negros no Sul. Um desses espectáculos de massas é descrito cruamente nesse texto: "O negro é cozido, flamejado e queimado, pois deve morrer duas vezes em lugar de uma só. É depois enforcado, ou mais exactamente, o que resta do seu corpo é pendurado... Quando já todos estão saciados, o cadáver é descido. A corda é então cortada em pequenos pedaços, cada um dos quais será vendido por três a cinco dólares". No entanto, a denúncia do sistema de supremacia branca, não implicava uma condenação global dos Estados Unidos: o Ku Klux Klan tinha toda "a brutalidade do fascismo", mas seria derrotado, não só pelos negros, judeus e católicos (todos vítimas em diferentes graus), como por "todos os americanos decentes". [1]

UM MARAVILHOSO PAÍS DO FUTURO

Foi um indochinês que comparou o Ku Klux Klan com o fascismo, mas as semelhanças de ambos os movimentos eram também evidentes para os autores norte-americanos da época. Os homens vestidos de branco do Sul dos Estados Unidos eram frequentemente comparados aos camisas negras italianos e aos camisas castanhas alemães. Após assinalar as semelhanças entre o Ku Klux Klan e o movimento nazi, um académico norte-americano da época chegava à seguinte conclusão: "Se a Depressão não tivesse atingido a Alemanha tão duramente, o nacional-socialismo poderia ser hoje considerado como o é às vezes o Klan: uma curiosidade histórica predestinada ao fracasso". [2] Por outras palavras, o que explica, tanto o fracasso do Ku Klux Klan nos Estados Unidos, como o ascenso do Terceiro Reich na Alemanha, mais que as distâncias na história ideológica e política, são os diferentes contextos económicos. Mas deve também ser considerado o importante papel desempenhado pelos movimentos reaccionários e racistas norte-americanos como inspiradores da agitação que conduziu Hitler ao poder na Alemanha.

Já nos anos vinte se tinham constituído as relações, o intercâmbio e a colaboração entre o Ku Klux Klan e a extrema direita alemã, para promover o racismo contra judeus, negros e outras pessoas não brancas. Em 1937, o ideólogo nazi Alfred Rosenberg exaltava os Estados Unidos como um "maravilhoso país do futuro", que detinha o mérito de ter formulado a brilhante "ideia de um Estado racial", uma ideia que devia ser posta em prática, "com um poder jovem" através da expulsão e deportação de "negros e amarelos". [3] Basta analisar as leis publicadas imediatamente após a chegada dos nazis ao poder para comprovar as semelhanças com a situação que então se vivia no sul dos Estados Unidos. A posição dos alemães de origem judia na Alemanha correspondia obviamente à dos afro-norte-americanos no sul estadunidense. Hitler distinguia claramente, inclusive no âmbito jurídico, a posição dos arianos relativamente aos judeus e aos poucos mulatos que viviam na Alemanha. "A questão negra", escrevia Rosenberg, "é o mais urgente de todos os assuntos decisivos nos Estados Unidos"; e uma vez que a noção de igualdade deixava de ser aplicada aos negros, também deixava de haver motivo para que não se extraíssem "as consequências necessárias para amarelos e judeus". [4]

Nada disto pode surpreender. Desde que o fundamento do projecto nazi era a construção de um Estado racial, que outro modelo possível existia nessa época? Rosenberg mencionava a África do Sul, que devia permanecer solidamente em "mãos nórdicas e brancas", e servia como um "sólido baluarte" diante da ameaça representada pelo "despertar negro". Sem dúvida que, até certo ponto, Rosenberg sabia que a política segregacionista sul-africana era amplamente inspirada pelo sistema de supremacia branca surgido nos Estados Unidos.

Por outro lado, o objectivo de Hitler não consistia num expansionismo colonial tradicional, mas sim num império continental criado com a anexação e germanização de territórios vizinhos do Leste. A Alemanha era chamada a expandir-se para a Europa de Leste como se se tratasse do longínquo Oeste americano, tratando os "nativos" da mesma forma que os índios norte-americanos tinham sido tratados, sem perder de vista o modelo estadunidense, que o Führer exaltava pela sua "força interior sem precedentes". [6] Imediatamente após a invasão, Hitler procedeu ao desmembramento da Polónia: uma parte, da qual foram expulsos os polacos, foi directamente incorporada no Grande Reich; o resto foi transformado em "Governo Geral" dentro do qual os polacos viviam "numa espécie de reserva", como declara o Governador Geral Hans Frank, [6] o modelo norte-americano de liquidação da população originária foi seguido quase literalmente.

O ESTADO RACIAL NA ALEMANHA E NOS ESTADOS UNIDOS

O modelo norte-americano deixou uma profunda marca inclusive no âmbito das categorias e linguístico. O termo Untermensch (sub-homem), que desempenhou um papel tão central como destruidor na teoria e prática do Terceiro Reich, não era mais que uma tradução de Under Man. O nazi Rosenberg estava bem consciente desse facto e expressou a sua admiração pelo autor americano Lothrop Stoddard, inventor do termo, que aparece como subtítulo -- The Menace of the Under Man (A ameaça do sub-homem) de um livro publicado pela primeira vez em Nova York em 1922 e traduzido para o alemão (Die Drohung das Untermenschen) três anos mais tarde. Relativamente ao seu significado, Stoddard afirmava que servia para designar a massa de "selvagens e bárbaros essencialmente incivilizáveis e incorrigivelmente hostis à civilização", que deviam ser tratados de modo radical para evitar o colapso desta. Já antes de ser elogiado por Rosenberg, Stoddard havia sido recomendado por dois presidentes norte-americanos (Harding y Hoover). Mais tarde foi recebido com honrarias em Berlim, onde se avistou com as mais altas autoridades do regime, incluindo Hitler, que já havia começado a sua campanha para dizimar e dominar os Untermenschen, os "nativos" da Europa de Leste.

Nos Estados Unidos da supremacia branca, assim como na Alemanha em poder do movimento nazi, o programa para restabelecer a hierarquia racial estava estreitamente vinculado a projectos de incentivo aos melhores para que procriassem, evitando assim o risco de "suicídio racial" (Rassenselbstmord) que pesava supostamente sobre os brancos. Em 1918 Oswald Spengler dava a voz de alarme, citando o presidente estadunidense Theodore Roosevelt. [7] Decerto que a advertência de Roosevelt contra o espectro do "suicídio racial" ou a "humilhação racial" era acompanhada peIa denúncia da "diminuição da taxa de nascimentos nas raças superiores", ou seja, "o antigo stock de norte-americanos nativos" ou seja os WASP (Brancos Anglo-saxões e Protestantes). Também aqui as descobertas da investigação histórica são surpreendentes. Erbgesundheitslehre (educação para a saúde hereditária) ou Rassenhygiene (higiene racial), outra palavra-chave da ideologia nazi, não são mais que as traduções para alemão do termo eugenics (eugenia) a nova ciência consagrada ao aperfeiçoamento racial, inventada em Inglaterra durante a segunda metade do século XIX por Francis Galton. Não é por acaso que esta nova ciência foi recebida tão favoravelmente nos Estados Unidos. Em vésperas da Primeira Guerra Mundial, muito antes da chegada de Hitler ao poder, publicou-se em Munique um livro intitulado Die Rassenhygiene in den Vereinigten Staaten von Nordamerika (A higiene racial nos Estados Unidos da América do Norte), que no próprio título assinala já os Estados Unidos como um modelo de "higiene racial". O autor, Géza von Hoffmann, vice-cônsul do lmpério Austro-Húngaro em Chicago, exaltava a América do Norte peIa "lucidez" e "pura razão prática" demonstrada, ao afrontar com a energia necessária, um problema muito importante frequentemente ignorado: nos Estados Unidos violar as leis que proíbem as relações sexuais e o matrimónio inter-racial podia ser punido com dez anos de prisão. Não só podiam ser perseguidos e condenados os responsáveis por esses actos como também os seus cúmplices. [8] Já depois do acesso dos nazis ao poder, os ideólogos e "cientistas" da raça continuavam insistindo: "A Alemanha tem muito que aprender com as medidas adoptadas pelos norte-americanos: eles fazem o que deve ser feito". [9]

Merece destaque o facto de ter aparecido nos Estados Unidos, muito antes do que na Alemanha, a noção de "solução final" a respeito da questão negra num livro publicado em Boston em 1913. [10] Ievada mais tarde a cabo pelos nazis, empregando o mesmo termo (EndIösung) para resolver a "questão judaica".

O NAZISMO COMO PROJETO MUNDIAL DE SUPREMACIA BRANCA

No decurso da sua história, os Estados Unidos tiveram de enfrentar directamente os problemas resultantes do contacto entre diferentes "raças" e o afluxo de numerosos imigrantes procedentes de todo o mundo. Por outro lado, o violento movimento racista, que aí surgiu no final do século XIX, constituiu uma resposta à Guerra Civil e ao período de reconstrução que se lhe seguiu.

Durante os séculos XIX e XX, o Ku Klux Klan e os teóricos da "supremacia branca" acusavam os Estados Unidos posteriores à escravatura (com a sua maciça entrada de imigrantes procedentes dos países europeus menos desenvolvidos e do Oriente) de ser uma "civilização mestiça" ou um "gentio de cloaca". De forma análoga, Hitler descrevia no Mein Kampf a sua Áustria natal como um caótico "conglomerado de povos", uma "Babilónia de gente", um "reino babilónico" dilacerado pelo "conflito racial". Segundo Hitler, a catástrofe era iminente na Áustria: a "eslavização" e a "desaparição do elemento germânico" progrediam, e o ocaso da raça superior que tinha colonizado e civilizado o Oriente estava próximo. A Alemanha, para onde Hitler (que era austríaco) foi viver, havia presenciado uma convulsão sem precedentes desde o final da Primeira Guerra Mundial, uma comoção comparável à que percorreu o Sul dos Estados Unidos depois da Guerra Civil. Segundo a visão racista, mais grave ainda que a perda das suas colónias, era que a Alemanha se via obrigada a suportar a ocupação militar de tropas multirraciais das potências vencedoras e que parecia ter sido transformada numa "misturada racial". Este fantasma da proximidade do fim da civilização era reforçado pelo surgimento da Revolução de Outubro, apelando à rebelião dos povos colonizados. Esta revolução estalou e afirmou-se numa área habitada por povos tradicionalmente considerados à margem da civilização. Assim como os partidários da abolição da escravatura foram assinalados no sul dos Estados Unidos como "amantes dos negros" e traidores à sua própria raça, os social-democratas e especialmente os comunistas eram considerados por Hitler como traidores à raça germânica e ocidental. Em suma, o Terceiro Reich apresentava-se como uma tentativa para impedir, sob condições de guerra total e de guerra civil internacional, o suposto fim da civilização, o suicídio do Ocidente e da raça superior criando um regime de supremacia branca à escala mundial e sob hegemonia alemã.

DE FORD A HITLER

Alguém se lembra do elogio do Ku Klux Klan ao "genuíno americanismo de Henry Ford"? Amplamente admirado, o magnata automobilístico condenava a Revolução Bolchevique acusando-a de ser, em primeiro lugar, o produto de uma conspiração judaica. Fundou até uma revista, o Oearborn Independent, cujos artigos publicados foram reunidos em 1920 num único volume intitulado O Judeu Internacional. O livro transformou-se imediatamente numa referência básica do anti-semitismo internacional, foi traduzido para alemão e adquiriu grande popularidade. Nazis destacados, como Von Schirach e mesmo Himmler vieram mais tarde a reconhecer terem sido inspirados ou motivados por Ford. Segundo Himmler, o livro de Ford desempenhou um papel "decisivo" (ausschlaggebend) não só na sua formação pessoal, como também na do Führer.

Também aqui se evidencia o carácter inconsistente de qualquer comparação esquemática entre a Europa e os Estados Unidos, como se a praga do anti-semitismo não afectasse ambos. Em 1933 Spengler considerava necessário esclarecer este ponto: a fobia anti-judaica que confessava abertamente, não devia confundir-se com o racismo "materialista" típico "dos anti-semitas na Europa e na América". [11] O anti-semitismo biológico que se agitava impetuosamente no outro lado do Atlântico era considerado excessivo mesmo por um autor como Spengler, que se expressava sem qualquer pudor nos seus escritos, contra a cultura e a história judaicas. Por esta razão, entre outras, Spengler foi considerado tímido e inconsequente pelos nazis, cujas preferências se situavam noutro lado: O Judeu Internacional continuou a ser publicado com todas as vénias no Terceiro Reich, e com editoriais que enfatizavam o singular mérito histórico do seu autor (por haver trazido à luz a "questão judaica"), estabelecendo uma linha de continuidade entre Henry Ford e Adolfo Hitler.

O OCIDENTE E A "DEMOCRACIA DO POVO DOMINANTE"

É oportuno destacar o paradoxo que caracterizou os Estados Unidos desde a sua fundação, sintetizada no século XVIII pelo escritor britânico Samuel Jonson: " Como poderemos suportar os estridentes gritos de liberdade dos proprietários de escravos?" [12]

A democracia desenvolveu-se na América do Norte no seio da comunidade branca simultaneamente com a escravização dos negros e a deportação dos índios. Em 22 dos primeiros 36 anos como nação independente, a presidência esteve nas mãos de proprietários de escravos. Também eram proprietários de escravos os que redigiram a Declaração de Independência e a Constituição. Sem escravatura (mais a correspondente segregação racial) não se pode entender a "liberdade americana": as duas estavam vinculadas, sustentando-se uma à outra. Enquanto a escravatura assegurava o firme controlo sobre as classes "perigosas" no âmbito da produção, a expansão para o Oeste servia para desactivar o conflito social, transformando o proletariado potencial numa classe de proprietários agrícolas, ainda que a expensas dos povos originários, que seriam expulsos ou aniquilados.

Depois da Guerra da Independência, a democracia norte-americana experimenta novos desenvolvimentos durante a presidência de Jackson na década de 1830: a extensão do sufrágio e a eliminação, em grande parte, das restrições relacionadas com a propriedade na comunidade branca, eram concomitantes com a rigorosa deportação dos índios norte-americanos e com o crescente ressentimento e violência contra os negros. O mesmo se pode dizer do período compreendido entre o final do século XIX e a metade da segunda década do século XX, onde se combinaram reformas como a instauração da eleição directa dos membros do Senado, o voto secreto, a introdução de eleições primárias e de instituições de referendo, etc". com factos sobremaneira trágicos para a população negra (alvo dos esquadrões do terror do Ku Klux Klan) e a expulsão dos índios norte-americanos dos seus últimos territórios e a sua submissão a uma brutal aculturação, com a intenção de os despojar inclusive da sua identidade cultural.

Relativamente a este paradoxo, numerosos intelectuais norte-americanos se referiram a uma Herrenvolk democracy, ou seja uma democracia apenas para "Senhores" (para usar uma expressão do tipo das que Hitler apreciava).

Na realidade, a categoria "democracia do povo dominante" pode ser útil para explicar a história do Ocidente como um todo. Desde o final do século XIX e nos princípios do século XX, a extensão do sufrágio na Europa marcha a par com a colonização e a imposição de relações laborais de servidão e semi-servidão aos povos submetidos. O governo democrático na Europa estava fortemente entrelaçado com o poder da burocracia e com a violência policial, e o estado de sítio nas colónias. Em última análise, trata-se do mesmo fenómeno que ocorrida nos Estados Unidos, com a diferença que na Europa era menos evidente porque os povos colonizados viviam do outro lado do oceano.

MISSÃO IMPERIAL E FUNDAMENTALISMO CRISTÃO

Em 1899, a revista Christian Oracle explicava assim a decisão de mudar o seu título para Christian Century: "Cremos que o próximo século será testemunha de triunfos do cristianismo jamais vistos, e que será mais verdadeiramente cristão que qualquer dos precedentes".

Mais adiante o presidente McKinley explicava que a decisão de anexar as Filipinas procedia da inspiração do "Todo poderoso" que, depois de escutar as incessantes preces do presidente, numa noite de insónia, o tinha por fim, libertado de toda a dúvida e indecisão. Não teria sido adequado deixar a colónia nas mãos da Espanha, ou entregá-la "à França ou à Alemanha, nossos rivais no comércio do Oriente". Nem, peIa mesma razão, teria sido correcto deixar as Filipinas aos próprios filipinos, que eram "incapazes de se autogovernar", o que teria Ievado o país a um estado de "anarquia e desgoverno" ainda pior que o resultante da dominação espanhola: "Não temos outra alternativa senão tomarmos tudo a nosso cargo, e educar os filipinos, civilizá-los e cristianizá-los, e, peia graça de Deus, fazer o mais que pudermos por eles, como companheiros nossos por quem Cristo também morreu. Voltei então para a cama e dormi profundamente". [13]

Hoje conhecemos os horrores perpetrados durante a repressão do movimento independentista nas Filipinas: a guerrilha desenvolvida pelos filipinos foi enfrentada com a destruição sistemática de campos e gados, pelo confinamento maciço da população em campos de concentração, onde pereciam vítimas da fome e da doença, e inclusive em alguns casos, do assassinato de todos os varões maiores de dez anos.

Sem dúvida que, apesar das dimensões dos "danos colaterais", a marcha da ideologia imperial-religiosa da guerra se reactivou triunfalmente durante a Primeira Guerra Mundial, quando o presidente Wilson a eIa se referia como se se tratasse de uma cruzada real, de uma "guerra santa, a mais sagrada em toda a história", destinada a impor a democracia e os valores cristãos em todo o mundo.

A mesma plataforma ideológica foi aplicada a outros conflitos no século XX, sendo a Guerra Fria particularmente exemplar neste aspecto. John Foster Dulles, era definido por Churchill como "um severo puritano". Dulles orgulhava-se de que "ninguém no Departamento de Estado conhece a Bíblia como eu". O seu fervor religioso não era de modo nenhum um assunto privado: "Estou convencido que aqui temos a necessidade de fazer que os nossos pensamentos e práticas políticas reflictam com a maior fidelidade a convicção religiosa de que o homem tem a sua origem e destino em Deus". [14] A esta fé, associavam-se outras categorias teológicas fundamentais na luta política internacional: os países neutrais que recusavam tomar parte na cruzada contra a União Soviética estavam em "pecado", enquanto que os Estados Unidos, à cabeça dessa cruzada, representavam o "povo moral" por definição.

Em 1983, Ronald Reagan, quando a Guerra Fria atingia o seu clímax, apontou a necessidade de derrotar o inimigo ateu (a URSS), com claros acentos teológicos: "Há no mundo pecado e maldade, e as Escrituras e Jesus nosso senhor ordenaram-nos que nos oponhamos a isso com todo o nosso poder". [15]

Alinhando-se com esta tradição e radicalizando-a ainda mais, George W. Bush conduziu a sua campanha eleitoral sob um autêntico dogma: "A nossa nação é a eleita de Deus e foi escolhida peIa História como um modelo de justiça para o mundo".

A história dos Estados Unidos está marcada peIa tendência a transformar a tradição judaico-cristã numa espécie de religião nacional que consagra o excepcionalismo do povo norte-americano e a missão sagrada que lhe foi confiada. Não é este entrelaçamento de religião e política sinónimo de fundamentalismo? Não foi por acaso que o termo fundamentalismo foi utilizado pela primeira vez no âmbito do protestantismo norte-americano.

Certamente que qualquer administração norte-americana terá os seus hipócritas, os seus intriguistas e os seus cínicos; mas não há motivos para duvidar da sinceridade de Wilson ou, actualmente, de Bush Jr. Não devemos esquecer o facto de que os Estados Unidos não são uma verdadeira sociedade secular, a arraigada convicção de representar uma causa sagrada e divina facilita não só a constituição de uma frente unida em tempos de crise, mas também a repressão e banalização das páginas mais obscuras da história estadunidense. Durante a Guerra Fria, Washington patrocinou sangrentos golpes de Estado na América Latina e colocou no poder brutais ditadores militares; em 1965, promoveu na Indonésia o massacre de centenas de milhares de comunistas ou seus simpatizantes. No entanto, por mais desagradáveis que possam ser, esses detalhes não alteram a santidade da causa personificada pelo "Império do Bem".

Max Weber costumava referir-se à "moralina" (farisaísmo) norte-americana. "Moralina" não significa mentira, nem hipocrisia consciente. É tão só a hipocrisia dos que são capazes de mentir a si mesmos, o que se assemelha à falsa consciência assinalada por Engels. De todo o modo, não é fácil compreender totalmente essa mescla de fervor religioso e moral, por um lado, e a clara e aberta tentativa de domínio político, económico e militar do mundo, por outra. É sem dúvida, esta amálgama (combinação explosiva), este peculiar fundamentalismo, que constitui actualmente a grande ameaça à paz mundial. O fundamentalismo norte-americano intoxica um país que, designado e autorizado por Deus, considera irrelevantes a ordem internacional actual e as regras humanitárias. É neste quadro que devemos situar a deslegitimação das Nações Unidas, o desprezo peIa Convenção de Genebra, e as ameaças proferidas não só contra os seus inimigos, como também contra os seus "aliados" na OTAN.

O DESPOTISMO IMPERIAL

Além de combater o "mal" e defender os valores cristãos e norte-americanos, a guerra contra o Iraque (não contando com outras guerras em perspectiva) pretende expandir a democracia por todo o mundo. Retomemos por um momento o jovem indochinês que em 1924 denunciava o linchamento de negros. Mais tarde regressou ao seu país e aí adoptou o nome pelo qual seria mundialmente conhecido: Ho Chi Minh. Durante os incessantes bombardeamentos norte-americanos no Vietnam, terá o dirigente vietnamita recordado os horrores perpetrados contra os negros pelos defensores da supremacia branca? Por outras palavras, a emancipação dos afro-norte-americanos e sua conquista dos direitos civis marcaram realmente uma mudança, ou continuam os Estados Unidos a ser uma Herrenvolk democracy, uma democracia de "Senhores", com a diferença de que agora os excluídos já não são os que estão dentro da mãe pátria, mas antes os que estão fora, como aconteceu no caso da "democracia" europeia?

Podemos examinar a questão numa perspectiva diferente, considerando a reflexão de Kant: "O que é um monarca absoluto? É aquele que quando decide que deve haver guerra, há guerra". Kant não se referia aos Estados do Antigo Regime, mas sim à Inglaterra, no limiar do seu século de desenvolvimento liberal. [16] De acordo com a posição kantiana, o actual presidente dos Estados Unidos deveria ser considerado um déspota por dois motivos. Primeiro, devido ao surgimento, na última década, de uma "presidência imperial" que, quando embarca em acções militares, as apresenta frequentemente ao Congresso como um facto consumado. Mas estamos ainda mais interessados no segundo aspecto: é a Casa Branca que soberanamente determina quando as resoluções das Nações Unidas são vinculativas ou não; é a Casa Branca que soberanamente decide que países são "Estados delinquentes" e se é legal submete-los a embargos que irão causar o sofrimento de toda uma população, ou ao fogo infernal de bombas de fragmentação ou de urânio empobrecido. A Casa Branca decide soberanamente a ocupação militar desses países, pelo tempo que considerar necessário, condenando os seus dirigentes e os seus "cúmplices" a prolongadas penas de prisão. Contra estes e contra os "terroristas", chega a ser legitimado o "assassinato selectivo", ou melhor, um assassinato que é tudo menos selectivo, como o bombardeamento de um restaurante porque se pensava que Saddam Hussein podia estar lá. As garantias legais não se aplicam de todo aos "bárbaros".

A tudo isto se junta a crescente intolerância que Washington manifesta para com os seus "aliados" ocidentais. Também a eles exige que sigam com humildade a vontade da nação eleita por Deus, cujo presidente se comporta como se fosse um soberano mundial, sem o controle de qualquer organismo internacional.



*Domenico Losurdo é Investigador do Istituto di Science Filosofiche e Pedagogiche, Urbino, Itália.

NOTAS

1. Wade, Wyn Craig. 1997. The Rery Cross: The Ku Klux Klan in America. New York and Oxford: Oxford University Press.

2. MacLean, Nancy. 1994. Behind the Mask 01 Chivalry: The Making of the Second Ku Klux Klan. New York and Oxford: Oxford University Press.

3. Rosenberg, Alfred. 1937. Der Mythus des 20. Jahrhunderts. Munich: Hoheneichen. Publicado pela primeira vez em 1930.

4. lbid.

5. Hitler, Adolf. 1939. Mein Kampf. Munich: Zentralverlag der NSDAP. Publicado pela primeira vez em 1925.

6. Ruge, Wolfgang, and Wolfgang Schumann (eds.). 1977. Dokumentezurdeutschen Geschichte. 1939-1942. Frankfurt a. M.: Radelberg.

7. Spengler, Oswald. 1933. Jahre der Entsche idung. Munich: Beck. 1980. Der Untergang des Abendlandes. Munich: Beck. Original 1918-23.

8. Hoffrnann, Géza voo. 1913. Die Rassenhygiene in den Vel'9inigt9n Staaten von Nordamerika. Munich: Lehmanns.

9. Günther, Hans S. R. 1934. Rassenkunde des deutschen Volkes. Munich: Lehmanns. Publicado pela primeira vez em 1922.

10. Fredrickson, George M. J. The Black Image in the White Mind: The Debate on Afro-American Character and Destiny, 1817-1914. Hanover, N.H.: Wesleyan University Press. Publicado pela primeira vez em 1971.

11. Spengler, op.cit.

12. Foner, Erich. 1998. The History of American Freedom. London: Picador.

13. McAllister Uno, Brian. 1989. The U. S. Army and Counterinsurgency in the Philippine War, 1899-1902. Chapel HiII and London: University of North Carolina Press.

14. Kissinger, Henry. 1994. Diplomacy. New York: Simon and Schuster.

15. Draper, Theodore. 1994. "Mission Impossible". New York Review of Books (6 October).

16. Kant, Immanuel. 1900. "Der Streit der Fakultaten". In Gesammelte Schriften. vai. 7. Berlin and Leipzig: Akademie-Ausgabe. Publicado pela primeira vez em 1798.



Fonte: pravda.ru

Imagem: Google (colocada por este blog)

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