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terça-feira, 6 de março de 2012

A Dama de Ferro e a Mentira da Sétima Arte



A Dama de Ferro

Antes mesmo de seu lançamento, na verdade, imediatamente depois da divulgação do primeiro pôster que a mostrava caracterizada como Lady Margaret Thatcher, a única primeira-ministra na história do Reino Unido, a atriz recordista em indicações Meryl Streep (é a sua décima sétima) disparava na bolsa de apostas do Oscar e era considerada vencedora antecipada. Expectativas altas e merecidos louros para esse monstro da interpretação, mas que causou um efeito colateral perigoso: bastou exclusivamente isso para que A Dama de Ferro fosse elevado a um status completamente desproporcional aos méritos artísticos do longa, nada mais do que uma deturpada biografia da poderosa mulher e uma visão histórica de alguns momentos cruciais na rígida e conservadora política fiscal e socioeconômica popularmente conhecida como Thatcherismo. Demagogia em forma de cinema; uma visão alienatória e condescendente que ao invés de esclarecer ao público, o cega levando-o automaticamente a perdoar as ações assustadoras e cruéis de uma pessoa intransigente, obstinada e egoísta. Ou seja, uma irresponsabilidade artística disfarçada de liberdade criativa que desinforma e agride a história de homens e mulheres que atravessaram os mais de 11 anos de governo de Lady Thatcher.

Contando com uma abordagem narrativa desonesta e apelativa, o roteiro de Abi Morgan apresenta uma frágil e idosa Margaret Thatcher, acometida de sintomas de demência e confusão mental, indicativos do mal de Alzheimer, e vigiada por guardas orientados por sua filha Carol (Colman). Proibida sequer de ir ao mercado da esquina comprar leite, Thatcher convive, esquizofrenicamente, com o falecido marido Denis (Broadbent), uma espécie de fantasma do natal passado do conto de Charles Dickens misturado com o anjo redentor do clássico natalino de Frank Capra A Felicidade não se Compra. Na conjectura proposta pela diretora Phyllida Lloyd (como alguém saí do musical Mamma Mia! e pula em um drama política é o verdadeiro mistério), seria possível ter piedade de homens como Adolf Hitler, Napoleão ou os perversos ditadores militares brasileiros - evidentemente, se todos tivessem atingido os 80-90 anos -, e consigo imaginar um Hitler balbuciante e fragilizado comovendo os espectadores durante um discurso edificante a alucinação de Eva Braun quando justifica o genocídio judeu na segunda guerra mundial. O que levaria a perdoar seu passado e os milhões de mortos nos campos de concentração.

Covarde e não-fidedigna, desvirtuando os fatos reais a seu bel-prazer - o que eleva, por comparação, a recente biografia de J. Edgar à condição de obra-prima -, a roteirista Abi Morgan é acidentalmente feliz na narrativa tradicionalmente episódica, pois revisita os lapsos de memória vivenciados por Thatcher que sobrevêm sem convites, com o rigor esperado de uma mulher demente. Dessa maneira, é natural que no percurso da adolescente idealista filha de um líder político local aos últimos dias a frente do Partido Conservador do parlamento, Thatcher se veja como um baluarte do movimento feminista na política mundial (e foi!) e se sinta quase como vítima no meio de um legislativo predominantemente masculino e machista (e foi, também!). Outrossim, seria absolutamente improvável que, na velhice, ela pudesse tatear a famigerada política que implantou no Reino Unido durante seu governo, restando lembranças de como ela desejava expor o que "não era certo", a imagem de uma menina certinha ajudando na quitanda do seu pai ou os conselhos de "nunca siga a multidão" proferidos com um entusiasmo tipicamente canastrão e patriótico.

Todavia, nesse compêndio digressivo não há compromisso histórico e a diretora Phyllida Lloyd, na falta de melhor palavra, é totalmente incompetente mesmo quando expõe os elementos controversos da sua trajetória. Veja que, durante as acusações de detratores em rede nacional, a diretora obriga Meryl Streep a desligar o televisor sem ao menos escutar o teor daquelas. As menções à recessão, ao maior índice de desemprego e à baixa produção da indústria ao invés de usados para apontar as falhas na política da Dama de Ferro (apelido "carinhosamente" conferido após os atritos com os Soviéticos), mascaram-se de crise mundial escusando a responsabilidade pessoal das ações da primeira-ministra. Mas, como levar a sério uma diretora que se limita a planos inclinados nos quais Thatcher encontra-se dentro do carro e protestantes agridem os vidros argumentando que "ela deveria ser uma mãe" ou que ensaia a preparação vocal emprestada de O Discurso do Rei? E, depois de comparar responsabilidade fiscal a orçamento doméstico para escusar as privatizações, a taxação aos mais pobres e a desregulamentação econômica, revelando-se voraz governante, Phyllida perde a mão completamente ao expor as verdadeiras causas do conflito nas Malvinas.

Supostamente escondida debaixo do véu da defesa da soberania britânica, o conflito pelas inexpressivas ilhas no atlântico sul provocou desequilíbrio financeiro e a morte de centenas de argentinos e britânicos com fins praticamente eleitoreiros restabelecendo a popularidade da Dama de Ferro para alcançar um novo mandato no parlamento, e a omissão desse subtítulo no contexto da guerra é de uma temeridade gigantesca. Aliás, transformá-la em mártir de atentados patrocinados pelo grupo terrorista IRA (mormente o do Grand Hotel), depois de declamar a oração de São Francisco de Assis e colaborar para a derrubada do muro de Berlim e a queda do comunismo são tentativas desesperadas de atacar para todos os lados e conquistar o maior séquito de adoradores para a ex-primeira-ministra. Ou, os retratos com o Papa e o presidente norte-americano Ronald Reagen, um de seus aliados mais fiéis, e a morte de Airey Neave (Farrell), leal companheiro, fossem o bastante para, junto da trilha sonora edificante de Thomas Newman, transformá-la no ideal mais resplandescente e belo da democracia.

Infelizmente, porém, o espectador médio não parece estar interessado em verossimilhança, bastando a presença de Meryl Streep para eximir a narrativa das incongruências factuais. Digna dos elogios e prêmios recebidos, a composição da atriz norte-americana é milimetricamente precisa, habitando o mito Thatcher da mesma maneira com que reproduziu os maneirismos de Julia Child em Julia & Julie (sua última indicação ao Oscar). Adotando um tom de voz anasalado e pausado, pronunciando as sílabas e frases com rigor gramatical invejável, com um olhar adocicado dissimulando uma imposição fulminante e uma postura austera, Streep perde-se na figura da primeira-ministra e, depois de todos esses anos, me impressiono como a atriz não enlouqueceu no método de atuação perfeccionista que adota. Ajudada por Alexandra Roache, cuja ingenuidade e insegurança retratados na juventude funcionam por contraste realçando a megera intransigente que viria a se tornar, Meryl Streep ultimamente transforma-se na Dama de Ferro graças a boa maquiagem e a arcada dentária de dentes sibilinos, levemente exagerando na prótese do pescoço.

Habitando o n° 10 da Downing Street por mais de 11 anos, renunciando ao cargo após a "traição" de seus lacaios conservadores (não vejo adjetivação mais adequada), A Dama de Ferro tem Meryl Streep. Para muitos, isso basta; outros, como eu, sentirão-se traídos e escarneados. Não é culpa de humanizar o biografado - A Queda demonstrou quão honesto pode ser esse processo sem descaracterizar o sujeito, no caso Hitler -, mas sim transformar uma mulher cheia de defeitos como Margaret Thatcher em uma vítima da sociedade machista, um mártir de relacionamentos familiares e intrigas partidárias e, por que não, uma santa.

Por falar nisso, eis um papel que eu sonho assistir: Meryl Streep vivendo Madre Teresa de Calcutá.



Fonte: http://cinemacomcritica.blogspot.com

Irã: Inimigos não têm coragem para atacar

Comandantes militares do Irã garantiram nesta terça-feira (6) que as forças armadas estão plenamente preparadas para enfrentar qualquer ato de agressão, segundo a natureza das ameaças de seus inimigos.

Em novas reações a declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e dirigentes israelenses, o chefe das forças terrestres do Exército iraniano, brigadeiro general Ahmad-Reza Pourdastan, assegurou que deram "passos maiores" em sua preparação militar.

Pourdastan evitou mencionar diretamente os Estados Unidos e Israel, mas insistiu em que têm monitorado cada movimento das forças extrarregionais que operam nas proximidades das fronteiras do país persa e "estamos plenamente preparados para enfrentar qualquer agressão".

Segundo o chefe militar de alto nível, a destreza do Exército "despojou o inimigo de valor para tentar uma agressão contra o Irã", cujas tropas se armaram com arsenal de fabricação nacional e fizeram exercícios simulados de guerra real.

Em declarações divulgadas no último domingo em Teerã, chefes do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas iranianas prometeram usar "cada opção" disponível para enfrentar um potencial ataque contra instalações nucleares do país.

Apesar de reiterados desmentidos do Irã, os Estados Unidos, seus aliados da Europa e Israel o acusam de desenvolver um programa nuclear com fins militares, e Tel Aviv elevou sua retórica bélica com recorrentes ameaças de bombardear instalações atômicas do país.

Por seu lado, o comandante militar Ataollah Salehi afirmou que os navios de guerra iranianos têm capacidade para deslocar-se no Oceano Atlântico, além do Golfo de Áden, Mar Mediterrâneo, Canal de Suez, Oceano Índico e Mar Vermelho.

Isso mostra o poderio da marinha da República Islâmica e sua disponibilidade combativa, apontou Salehi, ao recordar afirmações do chefe da
Armada, contra-almirante Habibollah Sayyari, de que a frota nacional pode cumprir missões em qualquer ponto em mar aberto.

Sayyari anunciou em setembro de 2011 planos de Teerã de deslocar navios de combate no Atlântico, perto das costas dos Estados Unidos, "para responder à arrogância global do Ocidente que tem uma presença militar perto de nossas fronteiras marítimas".








Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Council on Foreign Relations – Brasil deve aumentar seu poderio militar

"O Brasil deve aumentar seu poderio militar porque só soft power (poder brando) não basta, e uma maior capacidade brasileira em defesa abre a possibilidade de cooperação com os EUA."

É o que sugere Richard Haass, que fez carreira na diplomacia americana, ocupando postos importantes em governos republicanos, e desde 2003 preside o Council on Foreign Relations, centro de estudos influente na política externa do seu país.

Ele falou à Folha após viagem de estudos de uma semana em que liderou uma delegação de 19 pessoas por Rio, São Paulo e Brasília, incluindo reuniões com a presidente Dilma Rousseff e o chanceler Antonio Patriota.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

FOLHA – Em que essa viagem mudou ou não sua percepção do Brasil?

RICHARD HAASS – Tenho vindo aqui há 15, 20 anos. É difícil não ficar impressionado com o sucesso econômico. O que realmente me impressionou é que parei de pensar no Brasil como um país em desenvolvimento; o vejo como um país maduro. Seus desafios econômicos e sociais me lembram os EUA: a infraestrutura obsoleta, a educação, o capital humano, o peso dos impostos e da estrutura regulatória.

Outra coisa é como é boa relação entre EUA e Brasil. Não significa que concordamos em tudo, mas o nível de conforto é alto.

FOLHA – O subsecretário de Estado William Burns descreveu o Brasil como uma “potência global emergente”. Usaria a mesma descrição?

HAASS – A resposta curta é sim. A palavra emergente é difícil. Em alguma medida, o Brasil já chegou lá. Economicamente, o Brasil já é uma potência mundial. Diplomaticamente, tem assumido um papel maior. Militarmente, ainda é modesto, e tem que decidir que tipo de capacidade o país quer, que papel quer
desempenhar.

FOLHA – Sobre o que foi a conversa com a Dilma, sobre a relação bilateral?

HAASS – Foi bastante sobre isso, e também sobre a visão dela sobre a América. Como americano, achei alentador. Nos EUA temos um debate permanente sobre se estamos em declínio. É bom ter uma conversa com sua presidente em que ela se mostrou tão confiante e positiva sobre a capacidade de os EUA superarem seus problemas, nossa flexibilidade, nossa abertura, nossa criatividade, nossa tradição de inovação, a capacidade de adaptação. Às vezes em nossos debates internos esquecemos disso.

FOLHA – Dilma tem ressaltado a vontade de aprofundar o intercâmbio com os EUA em educação, inovação. Isso é suficiente para a relação? Toda a viagem de Burns girou em torno da decisão da Força Aérea de cancelar a licitação vencida pela Embraer.

HAASS – Sempre haverá dificuldades sobre essa ou aquela decisão, mas fora do governo coisas como essas parecem pequenas, uma distração em relação ao quadro maior de uma relação cada vez maior entre dois países que enfrentam desafios comuns em suas economias, suas sociedades.

FOLHA – Aprofundar a parceria em defesa é importante para a relação bilateral?

HAASS – Apoio uma relação maior entre os dois países no campo da defesa. Gosto da ideia de que o Brasil desenvolva maiores capacidades nessa área. Isso abre a possibilidade de que o Brasil e os EUA possam ter parcerias em desafios na Ásia, no Oriente Médio ou na América Latina. Não vamos concordar sempre, mas se o Brasil não tem essa capacidade e se nós não temos a cooperação, mesmo se concordarmos, não podemos fazer muito.

Gosto da ideia de o Brasil gradualmente desenvolver maior poder militar. Precisamos de parceiros. Não precisa ser um aliado, pode manter sua independência, mas ter uma uma colaboração seletiva quando vermos coisas do mesmo modo, e a defesa é parte disso.

As pessoas aqui gostam de falar de soft power, muito bem. Mas há épocas no mundo em que você precisa se voltar para o poder duro. Às vezes a economia e a diplomacia são suficientes, mas às vezes nenhuma das duas funciona, e você precisa usar a força militar. Nessas ocasiões, esperaria que houvesse ao menos a possibilidade de cooperação entre Brasil e EUA.

FOLHA – Uma pergunta que se faz aqui é se o Brasil pode ser uma potência mundial sem armas nucleares, como as potências atuais têm. Qual a sua opinião?

HAASS – Um país pode ser um poder regional ou global sem armas nucleares. Pense no Japão, na Alemanha, na Turquia e na África do Sul. Em segundo lugar, ter armas nucleares não torna um país uma potência necessariamente. Veja o caso da Coreia do Norte e do Paquistão.

Finalmente, a maioria dos países que são potências e têm armas nucleares são potências por outras razões. Isso se aplica aos EUA, à China e a outros. O Brasil pode se tornar uma potência global sem armas nucleares. Não vejo nenhuma razão estratégica para que o Brasil as desenvolva. Não aumentaria a segurança do país, mas complicaria muitas de suas relações e drenaria recursos.

FOLHA – Por suas conversas aqui, considera que há consenso sobre o papel que o Brasil deve desempenhar no mundo?

HAASSConsenso é uma palavra muito forte. Acho que há um debate sobre as prioridades internas e internacionais. Não é surpreendente porque a ideia de o Brasil ser um ator global e não regional é relativamente nova.

Um exemplo: agora vocês têm a realidade desses grandes recursos petrolíferos na costa. Isso tem consequências, o Brasil vai ter que repensar como dar segurança a esses grandes investimentos.

FOLHA – Por que, apesar de ainda haver divergências entre os dois países sobre o Irã, a tensão não é a mesma de dois anos atrás?

HAASS – Em parte é porque, quando a relação melhora, você aprende a discordar. Também acho que o critério de uma relação não é se você concorda todo o tempo, isso é impossível. Mas você faz com que as áreas em que você discorda não travem o caminho daquelas em que você coopera. Acho que há mais áreas de concordância na economia e na diplomacia. Na Síria há bastante concordância.

Muitos americanos no negócio, entre aspas, da política externa, não pensávamos no Brasil há 20 anos. Isso mudou e essa é uma da razões pelas quais o Council on Foreign Relations está no Brasil agora, porque é importante globalmente. A relação está se tornando mais ampla e profunda.

FOLHA – O sr. teme uma nova guerra no Oriente Médio antes do fim do ano?

HAASS – É uma possibilidade. No caso do Irã, uma possibilidade real. Escrevi um artigo em que argumentei que, além de continuar pressionando com sanções, deveríamos oferecer uma proposta diplomática ampla. Não sei se o Irã vai aceitar, e se não aceitar, acho que as chances de um ataque por Israel, pelos EUA ou por outro país é uma possibilidade real. Claro que é passo arriscado e custoso, mas ninguém deve subestimar o custo de o Irã ter armas nucleares.

FOLHA – O Brasil consultou o secretário-geral da ONU sobre a legalidade de um ataque ao Irã. O sr. conversou sobre esses temas com o Patriota?

HAASS – Um ataque às instalalações nucleares do Irã seria o se chama de ataque preventivo. É controvertido legalmente, diplomaticamente. A questão é se, apesar disso, dada a trajetória do Irã, dada a implicação potencial de uma bomba iraniana, ainda vale a pena fazer. Para mim a lei internacional não é preto e branco, tem muito cinza. Um líder israelense pode pensar que tem que pesar a lei, mas também a segurança de seu país. Os EUA têm que pensar em seu compromisso com Israel, sua oposição à proliferação nuclear, o preço e a oferta de petróleo, a criação de um precedente nas relações internacionais sobre o uso da força. Há toda uma gama de considerações, e não será uma decisão fácil para ninguém.

FOLHA – O Brasil deveria voltar a ser chamado para as negociações com o Irã?

HAASS – Não vejo razão no momento. O Irã tem uma linha de comunicação clara com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). No momento o problema não é a falta de mediadores, mas a recusa do Irã em cumprir suas obrigações internacionais. Se o P5+1 (as cinco potências do Conselho de Segurança) e a ONU estiverem dispostos a pôr na mesa uma oferta razoável, que não seja para humillhar o Irã mas permita que o país tenha atividades limitadas nessa área, desde que coopere com os inspetores internacionais, não precisamos do Brasil ou de outro país nas negociações. Não queremos ter uma situação em que temos cinco mediadores e os iranianos escolham qual querem, e usam a situação para ganhar tempo. Isso não é uma crítica ao Brasil, acho que há clareza sobre o que é necessário e a verdadeira questão é se o Irã está disposto a compromissos.

FOLHA – A força-tarefa do CFR recomendou que os EUA apoiem a candidatura brasileira ao Conselho de Segurança da ONU. Isso lhe pareceu importante para os brasileiros?

HAASS – O assunto aparece algumas vezes, mas não sempre. Para alguns é importante como um símbolo, para outros por causa da substância, porque o Brasil estaria numa posição de maior influência. Para outros não tem tanta importância.

Para ser honesto, eu tenho duas posições sobre isso. Eu acho que Brasil, Índia e Japão deveriam ter cadeiras permanentes no Conselho de Segurança, que não reflete mais a realidade geopolítica.

Por outro lado, por causa dos vetos e com mais países, a inação que às vezes existe hoje vai continuar. Não acho que se deve equiparar a ONU com multilateralismo. O Brasil não precisa ser membro do CS para ter um papel importante no mundo.

FOLHA – Os EUA anunciaram prioridade para o Pacífico, por causa da China. Como o Brasil se encaixa nisso?

HAASS – Há um ajuste na política externa americana, de afastamento do Grande Oriente Médio e aproximação com a Ásia-Pacífico, onde acredito que muito do século 21 será traçado e decidido. Para os EUA fazerem isso, precisamos pôr a economia interna em ordem e ter parceiros para trabalhar conosco na região. O Brasil é um parceiro potencial. Também precisamos que este hemisfério permaneça estável. Parte da capacidade de nos envolvermos mais com a Ásia depende da estabilidade das Américas. Há poucas grandes potências na história com vizinhanças pacíficas e estáveis. Nós temos, em grande medida. É uma exceção extraordinária e um luxo em termos históricos. Mas é também algo que deve continuar a ser trabalhado pelo Brasil e os EUA. Para mim tudo isso reforça o argumento de que Brasil e EUA devem ter um diálogo estratégico.

FOLHA – Já se falou muito na perspectiva de uma rivalidade crescente entre Brasil e EUA. Acredita nisso?

HAASSDe jeito nenhum. Brasil e EUA enfrentam desafios e oportunidades. De certa maneira, ou vamos ter sucesso juntos ou vamos fracassar juntos, seja no hemisfério ou além.





Fonte: defesabr.com

ONU prova que os Media são contra a Democracia e a Liberdade de Expressão

Reporto aqui o excelente post e vídeo que assisti no Blog marecinza.blogspot.com - Guerra Silenciosa - da grande amiga Fada.

Divulguem para que as pessoas se conscientizem do quanto a mídia é manipuladora.


(Burgos Cãogrino)


ONU prova que os Media são contra a Democracia e a Liberdade de Expressão

Frank La Rue relator especial do ONU para a Liberdade de opinião e de Expressão no Mundo:


"Hoje eu disse à Presidente Cristina Kirchner, que é para mim um grande gosto e uma grande honra vir à Argentina, que está a apresentar um projecto de lei do mais avançado que há na Liberdade de Expressão na América Latina e certamente, um bom exemplo para todo o Mundo."


"Além deste projecto lei estabelecer as bases para a comunicação audiovisual, para as frequências de rádio e televisivas, também é muito importante destacar o mecanismo de consulta que aqui foi realizado. Nunca encontrei na América Latina e sou advogado, participei na rádio e tenho uma coluna num jornal, nunca vi nenhum projecto lei de nenhum tipo, muito menos relacionado com a Liberdade de Expressão consultado em tantos sectores, com tantas formas e tantas regiões!"


Versão da TV Globo brasileira: "A Liberdade de imprensa na Argentina está em crescente deterioração e a legislação tem permitido a interferência do governo, no conteúdo dos meios de comunicação"


Os comentadores contratados pela Globo, têm imenso em comum com os da televisão portuguesa, mentem descaradamente para ganhar dinheiro... ver para crer!...






Fonte: http://marecinza.blogspot.com/

Dois enviados de Obama estão no Brasil para reuniões sobre armas e segurança internacional


A subsecretária norte-americana interina de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, Rose E. Gottemoeller, e o secretário assistente de Estado para o Escritório de Segurança Internacional e Não Proliferação, Thomas M. Countryman, estarão hoje (5) e amanhã no Brasil para várias reuniões com autoridades brasileiras. Em menos de uma semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou três assessores do governo a Brasília.

Em nota, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil definiiu as relações com o governo brasileiro. “O Brasil é um importante parceiro global que compartilha metas comuns de controle e não proliferação com os norte-americanos”, diz o texto.

Apreciamos a liderança do Brasil tanto em escala regional quanto internacional e aguardamos para colaborar mais no endereçamento dos importantes desafios na área de não proliferação e desarmamento”, acrescenta o comunicado.

Gottemoeller e Countryman estão no Brasil para conversas sobre a não proliferação e o desarmamento. Em pauta, a Cúpula de Segurança Nuclear, em 26 e 27 de março, em Seul, na Coreia do Sul, quando Obama e vários chefes de Estado e de Governo estarão presentes.

Nas conversas com os brasileiros, Gottemoeller e Countryman também devem mencionar as questões de controle de armas, como a implementação do novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (denominado Start). No tratado, firmado em 1991 pelos governos dos Estados Unidos e da Rússia, ambos comprometem-se a reduzir gradativamente as armas. Porém, os termos do acordo precisam ser revistos. O processo está em andamento.

As visitas de Gottemoeller e Countryman ocorrem depois de o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, vir ao Brasil e ter como temas principais de sua viagem o cancelamento do contrato para a venda de 20 aviões militares da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) aos Estados Unidos e a ida da presidenta Dilma Rousseff a Washington, no próximo mês.

Burns garantiu que o Brasil ainda pode participar da licitação para a venda de 20 aeronaves militares para os Estados Unidos, no valor de US$ 355 milhões. O governo norte-americano cancelou o processo licitatório no último dia 17, surpreendendo as autoridades brasileiras. Mas o Ministério das Relações Exteriores negou desconforto entre os dois países.


Fonte: DefesaNet.com.br

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Vice-ministro de Relações Exteriores dos Estados Unidos visita a Petrobras


William Burns foi recebido pela presidente Graça Foster e assistiu à apresentação sobre a atuação da Petrobras na exploração e produção em águas ultraprofundas

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, recebeu nesta quinta-feira (01/03) o vice-ministro de Relações Exteriores dos Estados Unidos da América, William Burns, na sede da companhia, no Rio de Janeiro. No encontro, foi apresentada a atuação da Petrobras na exploração e produção em águas ultraprofundas, com destaque para os avanços no pré-sal. A presidente da Petrobras e Secretário Adjunto trataram também de assuntos energéticos de interesse dos dois países.

Representaram a Petrobras, ainda, o diretor de Exploração de Produção, José Miranda Formigli; o gerente executivo do Centro de Pesquisas, Carlos Tadeu Fraga; e André Ghirardi, assessor da Presidência.

Além de William Burns, compuseram a comitiva, o Embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon; o Cônsul Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Dennis Hearne; o Conselheiro Sênior do Vice Ministro, Marcos Mandojana; e o Chefe da Seção Político- econômica do Consulado dos EUA no Rio de Janeiro, Alfred Boll. Também participou da reunião, como convidada, a Diretora do Departamento de Energia do Itamaraty, Embaixadora Mariângela Rebuá.


Fonte: EcoFinanças

Putin: "obrigado a todos que disseram sim a uma Rússia Grande"


Com lágrimas nos olhos, Putin declara vitória a partidários e diz que pleito foi 'limpo e aberto'/ Foto: Denis Sinyakov/Reuters

Após a apuração de 99,9% das urnas eleitorais na Rússia, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, é confirmado vencedor das eleições presidenciais deste domingo (4) com 63,75% dos votos (45.109.640). Os resultados definitivos serão anunciados pela Comissão Central Eleitoral no próximo 14 de março. O novo presidente assumirá o cargo em 7 de maio de 2012.

Em seu primeiro discurso como presidente virtual da nação, o primeiro-ministro agradeceu a “todos os que disseram ‘sim’ a uma Rússia Grande”. O discurso foi proferido diante de milhares de pessoas que celebraram a vitória de Putin no centro de Moscou.

Ele ressaltou ainda que foi uma vitória limpa “graças ao apoio da maioria” e prometeu “trabalhar duro e honestamente” nos seis anos que terá à frente da Rússia.

Chávez saúda vitória

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez saudou a vitória de Putin e destacou a "importante jornada democrática protagonizada pelo povo russo ao voltar-se de maneira entusiasta às urnas para escolher no primeiro turno seu novo presidente, Vladimir Putin".

"O governo venezuelano cumprimenta a maturidade do povo russo, o qual expressou de maneira soberana e contundente sua vontade de fortalecer a grande pátria russa e levá-la pelos caminhos da paz, o bem-estar, a justiça e o desenvolvimento", assinala o texto oficial da Chancelaria venezuelana.

O comunicado assinala que Chávez "tem um forte vínculo de amizade e uma visão comum para a construção de um mundo pacífico, solidário e democrático no século 21 com Putin".

Venezuela e Rússia têm um amplo programa de cooperação em setores que vão desde o tecnológico ao energético, passando pelo dos bens de capital, o comércio agrícola e o militar, com um amplo programa de compras de Caracas para equipar sua Força Armada.

Histórico

O primeiro-ministro foi eleito com a proposta de criar um modelo democrátido de país, modernizar a economia e conceder mais autonomia às autoridades locais.

Putin será pela segunda vez presidente da Rússia. Em 1999 ele foi nomeado primeiro-ministro do governo do ex-presidente Boris Yeltsin e em dezembro do mesmo ano assumiu a chefia de Estado interino após a renúncia de Yeltsin.

Posteriormente ganhou as eleições do ano 2000 e quatro anos mais tarde foi reeleito. Desde 2008 atua como primeiro-ministro do governo de Dmitri Medvédev.



Fonte: Com agências, vermelho.org.br

Pacifistas japoneses aspiram atenção de Cuba às crianças de Fukushima


O diretor geral da organização japonesa Peace Boat (Cruzeiro pela Paz), Yoshioka Tatsuya, expressou o interesse de seu grupo para que Cuba coopere na atenção das crianças afetadas pelo acidente nuclear de Fukushima.

Seria uma ideia fantástica e é o que queremos, acrescentou Tatsuya ao ser perguntado por jornalistas sobre a possível ajuda de Havana no tratamento dos doentes depois do escapamento nuclear provocado pelo terremoto e tsunami em março do ano passado.

Como Organização Não Governamental teríamos que apoiar uma negociação entre os governos do Japão e Cuba, reconheceu o líder do projeto que tocou nesta quinta-feira o porto de Havana pela décima quinta ocasião desde 1990.

A proposta surgiu do Foro Global de Hibakushas (sobreviventes dos ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki) por um mundo livre de armas nucleares, organizado pelos integrantes do Cruzeiro, que se reuniu aqui com o líder da Revolução cubana, Fidel Castro.

Durante o encontro desta tarde Fidel Castro propôs a publicação de um livro com os depoimentos dos sobreviventes dos bombardeios com armas atômicas em ambas as cidades japonesas em agosto de 1945.

Aceitamos a iniciativa do livro e propusemos a Cuba estreitar a cooperação, especialmente em educação médica para dar atenção às crianças de Fukushima tal como tem feito com os de Chernobyl (o acidente na usina ucraniana em 1986), revelou Tatsuya.

Ao referir ao Foro, o líder e fundador do projeto japonês criado em 1983 destacou a preocupação de Fidel Castro em relação aos perigos nucleares.

Igualmente opôs-se à hostilidade estadunidense contra o país caribenho ao considerar que essa política não cria situações de paz.

Estamos decididos a voltar ainda que tenhamos bloqueio, explicou o diretor em alusão à proibição norte-americana aos barcos que toquem porto cubano de irem aos Estados Unidos.



Fonte: Prensa Latina, cebrapaz

Malvinas, imperialismo cultural e autodeterminação

Há poucos dias tornou-se público um curioso pronunciamento subscrito por 17 intelectuais, jornalistas, historiadores e juristas que leva o título “Malvinas, uma visão alternativa”. A respeito o jornal conservador “La Nación” de Buenos Aires, em sua edição do dia 23 de fevereiro passado, sustenta: “um dos eixos centrais da proposta é que o governo (argentino) adote uma posição que leve em conta o princípio de autodeterminação dos malvinenses”.

Por Rina Bertaccini*

Na realidade, este reduzido grupo de pessoas, algumas bastante conhecidas, repete no documento os insustentáveis argumentos com os quais a Coroa Britânica pretende justificar sua presença colonial nos arquipélagos do Atlântico Sul. O pensamento colonizado que eles encarnam havia sido expressado antes, em diversos artigos, e amplificado graças aos meios monopolistas de informação.

Entre essas pessoas, um caso paradigmático – e em certo modo patético - é o da reconhecida intelectual Beatriz Sarlo, colunista do La Nación. No seu artigo do dia 27 de janeiro de 2012, sustenta, entre outras coisas, que “as Malvinas são um abscesso envenenado da sensibilidade patriótica nacional”. Ironiza, além disso, sobre a legenda que as Mães da Praça de Maio escreveram oportunamente nos seus lenços brancos: “As Malvinas são argentinas e os desaparecidos também”, sem entender o profundo significado desta consigna. E transmite um grande desprezo pelo povo argentino ao sustentar, por exemplo, que “é uma pobre identidade a que se sustenta como identidade territorial”; conclusão inteiramente falsa.

Certamente, os assinantes do documento, por gozar de um elevado nível de instrução e posse, em conjunto, suficientes conhecimentos históricos e jurídicos, não ignoram que a atual população das Malvinas, por definição, não constitui um “povo” e, portanto, não pode ser sujeito do direito de autodeterminação. Sabem também que reconhecer – como o faz a Constituição Nacional Argentina – o “respeito ao modo de vida” e aos interesses dos malvinenses, é bem distinto de reconhecer a autodeterminação de uma população transplantada para as ilhas após um ato violento de despejo da população original.

É por isso legitimo concluir que estamos na presença de um caso de imperialismo cultural (ou imperialismo no âmbito cultural), segundo definem diversos autores. Dito de outro modo, de uma tentativa de “exercício da hegemonia (...) através de um processo consciente de manipulação, tergiversação, subestimação, destruição e suplantação do sistema de valores” que é patrimônio de uma sociedade determinada, sempre com o propósito de consolidar ou perpetuar a dominação. O imperialismo no âmbito cultural tem alcançado sua identidade “com conteúdos de métodos, procedimentos, objetivos e fins concretos, preconcebidos e sistematicamente aplicados; por causa do acerto de planos disseminados de propósito por especialistas a serviço do poder das sociedades dominantes” (1).

A partir deste enfoque, é coerente que os autores da denominada “visão alternativa” subestimem intencionalmente a questão da soberania argentina nos arquipélagos do Sul e desprezem o legítimo patriotismo do nosso povo que pretende igualar com um depreciativo “ufanismo”. É natural que coloquem em dúvida a soberania argentina nas Malvinas como faz o historiador Luis Alberto Romero em um artigo publicado no La Nación.

O imperialismo cultural vai de mãos dadas com a adoção do discurso do império dominante e o silêncio sobre o papel da Otan como carro-chefe da política de guerra do imperialismo real que militariza o Atlântico Sul, rouba escandalosamente os recursos naturais que pertencem ao povo argentino e ameaça a paz na região.

Digamos, por fim, que este lamentável documento, afortunadamente, não é representativo do conjunto da intelectualidade argentina. É que enquanto a imensa maioria do nosso povo faz das Malvinas uma causa nacional, enquanto milhões de pessoas, entre elas dezenas de milhares de jovens e trabalhadores da cultura tem ganhado as ruas nos festejos do bicentenário da independência pátria, aqueles que o subscrevem estão expressando um pensamento aparentemente ancorado a um passado que já não corresponde aos ventos de renovação que sopram com força no continente como prelúdio de uma nova época.


*Rina Bertaccini, presidente do Mopassol da Argentina e vice-presidente do Conselho Mundial da Paz


(1) Ver “Imperialismo cultural en América Latina”, compilador Robert Austin, Págs. 3 e 4. Edições CECATP, Santiago do Chile, 2006.

Fonte: Cebrapaz

Com 90% dos votos apurados, Putin é eleito presidente da Rússia

O atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, será o novo presidente do país pelos próximos seis anos. Com a apuração de 90,41% das urnas nas eleições deste domingo, ele obteve 64,59% - 39 milhões - dos votos totais. Cerca de 110 milhões de russos foram chamados às urnas em uma eleição que começou à meia-noite do domingo no extremo oriente russo e terminou 21 horas depois no enclave báltico de Kaliningrado.

"Vencemos em uma luta aberta e limpa", afirmou Putin na praça do Manezh, perto do Kremlin, em Moscou, ao comemorar sua vitória com mais de 100 mil partidários ainda com 30% das urnas apuradas.

A oposição questiona a legitimidade do pleito e promete uma manifestação para esta segunda-feira. "Reuniremos mais de 100 mil pessoas. Temos um novo argumento: a vitória duvidosa de Putin nas eleições presidenciais", afirmou o líder do partido liberal Yabloko, Serguei Mitrojin.

O líder do Partido Comunista da Rússia, Gennady Ziuganov, foi o segundo candidato mais votado com 17,07%, segundo os dados da Comissão Eleitoral Central.

O terceiro lugar ficou com o multimilionário Mikhail Prokhorov (7,18%), considerada uma das grandes surpresas da campanha presidencial russa ao se tratar de um candidato sem experiência política.

Putin foi presidente da Rússia entre 2000 e 2008. Ele deve permanecer no poder pelo menos até 2018, período em que, segundo ele, quer fazer com que a Rússia obtenha um "desenvolvimento estável" para que a nação volte a ter o nível de uma grande potência mundial.

Ao mesmo tempo que destacou que sua vitória não tinha sido "nenhuma surpresa", Putin assegurou que cumprirá com todas as suas promessas eleitorais sobre aumento de salários, pensões e subsídios no valor de centenas de milhões de dólares.

Cerca de 110 milhões de russos foram chamados às urnas em uma eleição que começou à meia-noite do domingo no extremo oriente russo e terminou 21 horas depois no enclave báltico de Kaliningrado.




Fonte: vermelho.org.br

Por conta do pré-sal, EUA querem fechar parceria com Brasil

ENCONTRO

A presidente Dilma Rousseff deve facilitar o entendimento com o presidente Barack Obama, durante visita que ela fará aos Estados Unidos, entre os dias 9 a 11 de abril, sobre uma possível diminuição a dependência do petróleo dos Estados Unidos ao Oriente Médio e da Venezuela. Um dos principais assuntos do encontro será dedicado à área de energia. Em todo o roteiro, Dilma Rousseff levará a pressão de empresários por acordos que fortaleçam os negócios e facilitem as exportações. Além disso, usará de seu prestígio para atrair atenção para a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em junho.

PETRÓLEO

Em entrevista ao NN, o ex-embaixador do Brasil na Inglaterra (1994-1999) e nos Estados Unidos (1999-2004) e ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Rubens Antônio Barbosa, acredita que o tema petróleo já entrou na agenda dos dois países durante a visita de Obama ao Brasil em março de 2011. “O petróleo é hoje o principal produto de exportação do Brasil para os EUA e deverá continuar a sê-lo nos próximos anos. A estabilidade política no Brasil e as grandes reservas do pré-sal tornarão a parceria do Brasil com os EUA estratégica do ponto de vista americano, no contexto de uma menor dependência do fornecimento de petróleo do Oriente Médio e da Venezuela”, diz Rubens.

TEMAS

Para o ex-embaixador dos EUA, a energia em geral, inclusive biocombustivel para aviação, ocuparão um lugar de realce na agenda presidencial. Segundo Rubens, esses tópicos, junto com a situação no Oriente Médio e as questões relacionados com o cancelamento do contrato de fornecimento de aviões da Embraer para o Pentágono e a aquisição de caças para a Defesa também estão entre os temas principais da agenda do encontro de abril. Questionado se o presidente dos EUA iria pedir apoio do Brasil no encontro, Rubens acredita que, não só o conflito Israel-Palestina, mas a situação na Síria e no Irã (e no norte da Africa) estarão entre os principais temas a serem tratados na agenda diplomática.

"É possível que os EUA peçam o apoio do Brasil, mas acho que a presidente Dilma irá reafirmar a posição brasileira de respaldo à negociação, antes da solução armada, da responsabilidade ao proteger e irá tambem manifestar duvidas quanto a legalidade de ataque preventivos, sem autorização expressa do Conselho de Segurança da ONU", concluiu.

BARREIRAS

Na avaliação do ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) Miguel Jorge, esse também é um bom momento para o Brasil voltar a negociar a redução das barreiras impostas pelos EUA a produtos brasileiros, como o suco de laranja. No fim de janeiro, as exportações brasileiras de suco de laranja foram suspensas depois que os EUA detectaram a presença do fungicida carbendazim.



Fonte: euleionn.com.br

domingo, 4 de março de 2012

Lições do Sul para a Europa em crise?

A extrema gravidade da crise que atinge atualmente a Europa, em particular a zona euro por via das dívidas ditas “soberanas”, da Grécia à Itália entre outras, leva a colocar a questão: os povos europeus não terão lições a retirar das experiências pelas quais certos países do Sul estão a passar e das estratégias anti-crise que aí foram adotadas?

Por Rémy Herrera*

Porque o que é fato é que, até ao momento, têm sido as receitas do Norte, que se supõe serem universalmente válidas, as que foram na generalidade administradas às economias do Sul – ainda que estas receitas não lhes tenham sido muito convenientes, salvo raras exceções. Mas os tempos mudaram…

A Europa em crise

As soluções neoliberais de austeridade generalizada e de destruição dos serviços públicos hoje propostas (melhor dizendo, impostas) para tentar salvar o capitalismo em crise e relançar o crescimento são absurdas; elas constituem a forma mais segura de agravar ainda mais esta crise e de precipitar mais rapidamente o sistema no abismo. E isto, ao mesmo tempo em que favorece, por todo o lado, a subida em força das extremas-direitas, racistas, demagógicas e sempre cúmplices da ordem estabelecida.

Neste contexto, a crise que a zona euro atravessa atualmente deve ser entendida como em íntima ligação com as próprias bases do processo da construção europeia. Acreditou-se ser possível criar uma moeda única sem Estado, mesmo o de uma Europa política que na verdade não existe. Havia aqui um erro de base nesta Europa que pretendia fazer convergir à força economias extremamente diferentes sem o reforço de instituições políticas à escala regional nem a promoção de uma harmonização social nivelando por cima. É assim que, de forma lógica, esta “má Europa”, voltada contra os povos, anti-social e anti-democrática, é cada vez mais abertamente rejeitada.

Continuar a acreditar num novo “compromisso Keynesiano” constituiria, entretanto, alimentar ilusões. O anterior, formulado após a Segunda Guerra mundial, não foi concedido pelos grandes capitalistas, foi alcançado pelas lutas populares, múltiplas e convergentes. Hoje a alta finança, que retomou o poder, não está disposta a nenhuma concessão. O keinesianismo – que poderia de fato desejar-se – não possui nem realidade nem futuro. Doravante, são os oligopólios financeiros quem domina e quem dita a sua lei aos Estados, para fixar as taxas de juro, a criação de moeda ou, quando tal é necessário, para nacionalizar.


Ruptura?

Perante a crise sistêmica e os perigos que ela comporta – incluindo o de ver chegar ao poder extremistas de direita – é tempo de as forças progressistas na Europa retomarem a ofensiva, formulando de novo propostas alternativas para uma esquerda radical e internacionalista, orientadas no sentido da reconstrução de projetos sociais e de solidariedades voltadas para o Sul em luta.

Entre os debates urgentes a iniciar figura o da saída da zona euro, nomeadamente para a Europa do Sul, sob certas condições e segundo diferentes modalidades. É evidente que tal decisão seria difícil de assumir pelos pequenos países como a Grécia. Constituiria uma falsidade afirmar que desta opção de ruptura não resultariam dificuldades. Mas constituiria igualmente uma falsidade afirmar-se que tal via conduziria à catástrofe.

E isto por três razões pelo menos. Em primeiro lugar, há importantes economias europeias que não estão na zona do euro, como o Reino Unido. Depois, há países que foram violentamente atingidos pela crise e que estão em vias de recuperar, fora da zona euro, nomeadamente a Islândia.

Por fim, e fora do continente europeu, há países do Sul que ousaram a decisão de romper com as regras do atual sistema monetário internacional sem que de tal decisão decorresse qualquer situação de caos. Muito pelo contrário, tem sido precisamente essa via de ruptura – temporária – com os dogmas neoliberais que lhes tem permitido autonomizar-se e recuperar.
Que lições retirar do Sul?

Numerosas experiências recentes a Sul mostraram que a reconquista de elementos de soberania nacional – monetária, entre outras – e o voluntarismo político perante os diktat dos mercados financeiros abriram margens de manobra que permitiram a esses países sair de situações econômicas dramáticas provocadas em larga medida pelo próprio funcionamento – injusto e inaceitável – do sistema capitalista mundial.

Pensamos aqui, por exemplo, no processo de “desdolarização” em Cuba; ou no distanciamento da Venezuela em relação ao Fundo Monetário Internacional; ou ainda na criação do Banco do Sul (Bancosur), envolvendo países da Aliança bolivariana para as Américas (ALBA) como a Bolívia e outros, incluindo o Brasil. Mas pode igualmente citar-se o caso de um país com um governo menos radical como a Argentina, que em finais de 2001 declarou a suspensão de pagamentos e que retomou com bastante rapidez o crescimento, sem que tenha ficado isolado em relação às ligações internacionais.

Suspensão de pagamentos, desvalorização da moeda e plano de reconversão da dívida foram as medidas que salvaram a Argentina do desastre neoliberal.

Não há dúvida que uma saída do euro seria mais difícil para um país como a Grécia, que possui uma base produtiva e exportadora muito mais fraca do que a da Argentina (que assenta sobre a agro-indústria e a energia); mas certamente que daí não resultaria o “fim do mundo” para o seu povo, como insistem em anunciar os media dominantes.

Tal decisão é difícil de tomar, tendo em conta as contas públicas deficitárias e o risco de fuga de capitais; mas ela parece doravante necessária como forma de saída da armadilha neoliberal – e isto antes que a Alemanha não decida, ela própria, pela exclusão desse país!

Pensemos igualmente no Equador, cujo governo realizou uma auditoria da sua dívida externa, anulou as dívidas “odiosas” (ou seja, ilegais e/ou ilegítimas), utilizou a suspensão dos reembolsos para reduzir o peso da dívida pública e libertou dessa forma recursos para as políticas sociais e para as infraestruturas.

Em todas estas experiências, em que não se verificou qualquer catástrofe, a reapropriação por parte do Estado do seu poder de decisão política sobre a economia permitiu a cada país libertar-se do atoleiro em que estava mergulhado. Como foi o caso da Malásia, depois da crise asiática de 1998, quando o governo (que não era “de esquerda”) colocou limites às imposições do FMI e conduziu a política anti-crise que lhe pareceu mais conveniente.

E porque não, então, na Europa? É certo que as situações diferem de continente para continente, mas as alternativas existem, sob a forma de transições pós-capitalistas, democráticas e sociais, solidárias com o Sul. O que é necessário não é a elaboração de soluções miraculosas ou prontas-a-usar, mas o reabrir dos espaços de debate à esquerda.

É, portanto, mais do que tempo de falar, finalmente, sem tabus nem complexos, de soluções anti-crise colocadas ao serviço dos povos europeus: saída controlada da zona euro, desvalorização monetária (ou de uma eventual nova moeda comum), restabelecimento do controle das variações dos fluxos financeiros, redefinição do papel político dos bancos centrais, nacionalização do sistema bancário e de certos setores estratégicos da economia, anulação parcial das dívidas públicas, redistribuição acrescida da riqueza, reconstrução dos serviços públicos, desenvolvimento da participação popular, mas também o relançamento de uma regionalização europeia progressista e aberta ao Sul…

Porque, na verdade, são os povos que são soberanos, não as dívidas.




*Rémy Herrera é investigador no CNRS (Centre National de Recherche Scientifique)

Fonte: ODiario.info

sábado, 3 de março de 2012

Uruguai e Argentina podem substituir dólar no comércio bilateral

Os governos do Uruguai e da Argentina estão negociando substituir o dólar pelas moedas locais no comércio bilateral, para facilitar o intercâmbio entre os dois países.

A proposta foi apresentada por uma equipe de negociação uruguaia sobre temas comerciais que é liderada pelo vice-ministro de Economia, Luis Porto, e o embaixador em Buenos Aires, Guillermo Pomi, como informaram fontes oficiais ao jornal uruguaio La República.

A iniciativa despertou interesse por parte dos representantes argentinos e será analisada na próxima semana pelos presidentes dos bancos centrais da Argentina e do Uruguai, Mercedes Marcó del Pont e Mario Bergara, respectivamente.

A intenção do Uruguai é agilizar a importação de produtos e serviços uruguaios por parte de empresas da Argentina, que hoje podem enfrentar demora devido às restrições impostas dentro do país à compra de dólares.



Fonte: Ansa

sexta-feira, 2 de março de 2012

E o OSCAR vai para...!!! Hillary, A Imperatriz da Líbia

Democratas Jihadi a postos para o close-up

Por Pepe Escobar

Pena que a secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton não foi à festa dos Óscars 2012. La Clinton perdeu boa chance de fazer sombra à perna-rainha-do-Twitter-direita de Angelina Jolie – aquela força da natureza já além da rede, pousando na lua e invadindo A última ceia de Leonardo da Vinci.[1]

A Imperatriz da Líbia (“Viemos, vimos, ele morreu” tentou o mais que pôde, inclusive com foto para a BBC, onde nela afinal admitiu que os EUA estão lutando ombro a ombro com a al-Qaeda para desencadear mudança de regime na Síria.[2]

Bem... Yevgeny Primakov, raposa velha da Guerra Fria e ex-primeiro ministro russo (no governo do pudim de vodka, Boris Yeltsin) acabou com ela no canal russo Rossiya – ao esclarecer que ninguém, em sã consciência, acredita que alguma mudança de regime na Síria leve à democracia.

Pois quando Clinton menciona “um conjunto muito perigoso de atores na região” os quais estão “na nossa lista de terroristas”, ela está promovendo, mais uma vez, a sabidamente muito lucrativa franquia do Pentágono/CIA/Departamento de Estado conhecida como “Hóspede Maldito” [orig. Resident Evil[3] – cujos atores incluem, dentre outros, mujahideen no Afeganistão nos anos 1980s, mujahideen na Bósnia nos anos 1990s e, recentemente, o pessoal do Libya Islamic Fighting Group (LIFG).

Guerra Global ao Terror, GGT [orig. Global war on terror (GWOT)]? Mas isso é tãããããão George W “Imbecil” Bush e respectiva era ainda mais imbecil. Como todos os assistidores de carteirinha de filmes blockbusters sabem, o negócio, hoje, é “Os Democratas da Al-Qaeda Invadem a Mudança de Regime”.

O show dos Muppets[4]

A Imperatriz da Líbia às vezes manifesta uma incapacidade à Meg Ryan de esquecer do roteiro. No comercial para a BBC, ela insistia na narrativa oficial: o “povo da Síria” está sob “incansável ataque” das “forças do governo”. Ao mesmo tempo, incita as “forças de segurança” a não esmorecer e insistir na “mudança de regime”. Então, comé que fica? Ah! Os matadores de repente viram democratas? Por que não? Mais um salto clássico de roteiro, à Hollywood.

Enquanto isso, a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland bem poderia ter roubado de Octavia Spencer da estatueta de melhor atriz coadjuvante. Nuland – casada com o mega-super-ultra-neoconservador Robert Kagan – detonava o referendo sírio: essa “proposta ridícula” feita por Bashar al-Assad coincidiu com “fuzis e tanques e fogo de artilharia (...) que continua sobre Homs e Hama e outras cidades por todo o país.”

Nuland parece ter convenientemente esquecido que isso, precisamente, é o que os EUA sempre fizeram, enquanto promoviam eleições “livres” no Iraque e no Afeganistão – com o auxílio luxuoso de forças eleitorais como aviões-robôs, os drones, assassinos, F-16s, helicópteros Apache e a imprensa-empresa servil a recitar as falas do roteiro do Pentágono.

As duas atrizes do Departamento de Estado também esqueceram convenientemente que, se você é atirador treinado desempregado no Ocidente ou no mundo árabe, o lugar certo para ir – além de Hollywood – é a Síria. Muitos dos atiradores que estão matando civis na Síria trabalham para a coalizão “Amigos de Hillary”. Trabalham para o complexo CCGOTAN – a coalizão norte-americana, parte europeia e parte árabe que financiou, treinou e armou um exército fantasma dentro da Líbia e, agora, dentro da Síria.

A Síria nada tem a ver com um massacre unilateral sob patrocínio estatal; é guerra interna, entre o governo e um exército fantasma – com civis apanhados no fogo cruzado.

A própria La Clinton foi forçada a admitir “uma forte oposição a qualquer intervenção estrangeira, de dentro da Síria, contra fora da Síria”; o que implica que muitos sírios, não só algumas minorias, mas também os sunitas seculares, sabem que jihadistas à moda al-Qaeda e/ou fanáticos salafistas já estão infiltrados. Também sabem que o Conselho Nacional Sírio é fantoche da Fraternidade Muçulmana e/ou de Washington.

A Imperatriz da Líbia também deixa convenientemente de fora é que a “oposição” – dividida entre os oportunistas do Conselho Nacional Sírio e seus rivais, o Corpo de Coordenação Nacional – são virtuais nulidades dentro da Síria. A resistência contra o indiscutível estado policial do regime de Assad é coordenada, sobretudo, por comitês locais.

Crepúsculo dos deuses revisitado[5]

E segue o show. Esperem um pouco, e logo a orgia salafitas-jihadistas na Síria deixará no chinelo a festa pós-Óscar da revista Vanity Fair. Afinal, essa é a estratégia daqueles casos exemplares de magnífica democracia, Arábia Saudita e Qatar, varões do Conselho de Cooperação do Golfo. O ministro de Relações Exteriores da Casa de Saud, Saud al-Faisal, disse que armar os rebeldes é “muito boa ideia”. E o primeiro-ministro do Qatar, príncipe Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani concordou. O CCG adora o cheiro de república árabe secular cozinhada em napalm pela manhã. É perfume de... vitória.

O que realmente está acontecendo, como Asia Times Online tem noticiado, é que ambos,o Qatar e a Casa de Saud já há vários meses estão armando o Exército Sírio Livre, enquanto Washington ajuda com a virada de roteiro “liderada pela retaguarda”.

Agora, tentem argumentar que armar os xiitas nas províncias leste da Arábia Saudita também seja “muito boa ideia”. Num instante você será visitado por um míssil Hellfire – ou acertado na testa por um atirador – mais rápido do que Angelina abre a saia e mostra a perna.

Seja como for, e sendo roteiro de Hollywood, que melhor sequência da franquia de Resident Evil que a seguinte: as monarquias sunitas do Golfo Persa armam doidos à moda al-Qaeda para promoverem a democracia e os direitos humanos na Síria. Mais maluco que aquela perna direita de Angie. Esqueçam. Isso não é Hollywood. É vida real. E esqueçam Norma Desmond[6]. Quem se prepara agora para entrar em close up é Al-Zawahiri, atual presidente executivo da al-Qaeda. Costumava ser grande, mas agora que os filmes encolheram, com certeza será ainda maior. A perna direita de Angie que se cuide.



[3] É título de um filme de terror, de 2002, exibido como “Hóspede Maldito”, baseado num videogame de mesmo nome (os games da série Resident Evil incluem Resident Evil (1996), Resident Evil 2 (1998), Resident Evil 3: Nemesis (1998) e Resident Evil CODE: Veronica (2000) (mais sobre isso em http://pt.wikipedia.org/wiki/Resident_Evil_(filme)) [NTs].
[5] Orig. Sunset Boulevard, filme de 1950, dir. Billy Wilder. Mais sobre o filme, em http://www.imdb.com/title/tt0043014/ [NTs].
[6] Personagem central de Crepúsculo dos Deuses, o filme [NTs].


Fonte: Asia Times Online, Grupo Beatrice
Imagem: Google (colocada por este blog)

Empresas estrangeiras viram minoritárias para vender à Forças Armadas Brasileira: Nacionalizações reais ou fictícias???



Estrangeiros viram minoritários para vender as Forças Armadas

Por Sérgio Barreto Motta

Empresas estrangeiras da área de segurança têm bons assistentes legislativos. Eles sabem que, no corpo da Medida Provisória 544, consta que, para se beneficiar de preferências para fornecer a Exército, Marinha e Aeronáutica, as companhias terão de ter maioria de capital nacional – para se enquadrarem como Empresas Estratégicas de Defesa. Como a chance de uma MP virar lei, devido à força da base de apoio ao governo, é de 100%, os estrangeiros já estão se adaptando.

Espera-se, no entanto, que sejam nacionalizações reais e não fictícias, com estrangeiros donos de 40% do capital mandando, na prática, nas empresas.

Do lado puramente nacional, gigantes como Embraer e Odebrecht crescem a cada dia no setor. Nos últimos dias, sem alarde, a norueguesa Siem Consub mudou sua denominação para Siem Offshore do Brasil e criou uma empresa com maioria de capital brasileiro, subscrito por um conjunto de engenheiros empregados na empresa, chamada Consub Tecnologia. Sabe-se que outras estrangeiras seguirão o mesmo caminho: viram minoritárias para não serem alijadas do sistema.

A Siem Consub é a empresa que desenvolveu a série de sistemas de comando e controle para a Marinha (conhecidos por Siconta) e os integrou ao sistema de combate das fragatas da classe Niterói e da corveta Barroso. Atualmente está trabalhando em nova versão para o porta-aviões São Paulo.

Após a MP 544 virar lei, a nova subsidiária, já com capital nacional, estará habilitada a ser classificada como Empresa Estratégica de Defesa e gozar de diversos benefícios previstos nesta nova legislação. Além disso, por causa de sua grande experiência (única no Brasil na área de sistemas navais), ela vem sendo muito procurada pelos estaleiros estrangeiros que estão competindo no Programa de Navios de Superfície da Marinha (Prosuper) que prevê o fornecimento – com construção no Brasil e transferência de tecnologia – de cinco navios de patrulha oceânicos, cinco fragatas e um navio de apoio logístico.



FONTE: Monitor Mercantil
Imagem: Google

quinta-feira, 1 de março de 2012

A corrida das grandes empresas pelo mercado "verde"

Por trás da posse da terras e da biodiversidade também se move uma poderosa indústria que, com um discurso “verde”, promete a manutenção das “benesses” do desenvolvimento em um mundo pós-petróleo através do domínio de tecnologias que incluem a engenharia genética, a biologia sintética e a nanotecnologia.


De acordo com o estudo canadense Quem controlará a economia verde?, do Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC), através da captura da matéria viva, denominada biomassa (alimentos, têxteis, pastos, resíduos florestais, óleos vegetais, algas, etc), os cientistas apostam na criação de produtos de alto valor, capazes de substituir o petróleo na produção do plástico, dos combustíveis, de substâncias químicas, fármacos, etc. Para isto, tudo que os governos e a sociedade devem fazer é outorgá-los as patentes de gens, as terras e a biomassa.

Em outras palavras, o estudo denuncia a gestação de um perverso modelo de sustentação consumista, capaz de apropriar-se e industrializar praticamente todos os recursos do planeta.

Segundo o Grupo ETC, esta atividade já está criando novas alianças de poder empresarial e os principais atores são as grandes empresas de energia (Exxon, BP, Chevron, Shell, Total), farmacêuticas (Roche, Merck), agrícolas (Unilever, Cargill, DuPont, Monsanto, Bunge, Procter & Gamble) e químicas (Dow, DuPont, BASF). Todas empresas oriundas do hemisfério norte. Entretanto, os maiores depósitos de biomassa terrestre e aquática estão no sul. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) afirmam que a biomassa florestal cobre 9% da superfície terrestre, representando aproximadamente 600 bilhões de toneladas de biomassa.

Deste total, 68% se encontram no hemisfério sul, sendo 36% na América Central e Sul, 20% na África e 12% na Ásia. Aproximadamente 80% das florestas do mundo são de propriedade e administração pública.

O Brasil possui 120 milhões de hectares “fora do comércio”. Entretanto, o Rio de Janeiro terá a primeira Bolsa Verde do país, uma iniciativa da Secretaria de Estado do Ambiente, a Fazenda municipal e uma associação civil sem fins lucrativos, a BVRio. Será o primeiro mercado de carbono do país, mas também serão negociados efluentes industriais, reposição florestal e até lixo. A Bolsa Verde deverá começar a operar em abril de 2012, às vésperas da Rio+20.




Fonte: Brasil de Fato

Diplomata argentino é convocado por Londres para explicar boicote


Inglaterra acostumada a colonizar e boicotar vários países, agora se acha "vítima de boicote".

Pimenta nos olhos dos outros é festa, mas quando é com os colonialistas britânicos arde.

(Burgos Cãogrino)



O impasse diplomático gerado entre o governo britânico e o argentino em decorrência do conflito envolvendo a disputa em torno das ilhas Malvinas ganha um novo episódio. O mais alto diplomata argentino foi convidado por Londres para dar explicações sobre o boicote proposto a produtos britânico.Cristina Kirchner, por sua vez, acionou a União Europeia para avaliar a questão. Para os argentinos, o assunto deve ser debatido na Assembleia Geral das Nações Unidas. A discussão ocorre às vésperas de completar 30 anos da disputa pela soberania das ilhas por argentinos e britânicos.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a iniciativa de levar o debate para a Organização das Nações Unidas (ONU) é uma maneira de verificar eventuais violações de resoluções impostas pela ONU, além da exploração dos recursos naturais.

Há duas semanas, a Argentina apresentou nas Nações Unidas uma queixa formal contra a militarização dos britânicos na região das Malvinas.

O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, John Clancy, anunciou que “a União Europeia irá instaurar "procedimentos diplomáticos" contra a Argentina, sem dar detalhes.

"Deixamos claro que tais ações contra atividades comerciais legítimas preocupam não apenas o Reino Unido, mas a União Europeia como um todo, e que esperamos que a UE apresente preocupações semelhantes com as autoridades argentinas", disse a Chancelaria britânica após encontro com o encarregado de negócios Osvaldo Mársico — a Argentina não tem um embaixador no Reino Unido desde 2008.

A decisão se deu após a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, ter instado cerca de 20 empresários a substituir importações britânicas por produtos de outros países.





Fonte: Agência Brasil





No Uruguai, ONG serve de base para operação da CIA contra Cuba




Com fachada de ONG e sob o aval da CIA, funciona o chamado Centro para a Abertura e o Desenvolvimento da América Latina (Cadal) com sedes na Argentina e no Uruguai, como denunciou o site LaRed21.

Cadal é uma poderosa organização destinada a atacar o status político cubano, segundo o diário argentino Página/12 resenhou esta quarta-feira (29).

A subsede uruguaia, com escritório em uma rua central de Montevidéu, conta entre seus patrocinadores, com o Portal digital do jornal El País e o hotel Boutique Awa, assinalou o site LaRed21.

A fonte também destacou a estreita relação da mencionada entidade com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e com a Fundação Nacional para a Democracia, também estadunidense.






Fonte: Prensa Latina
Tradução: da Redação do Vermelho.org
Imagem: convencao2009.blogspot.com

Mensagem de Fidel Castro contra a Guerra Nuclear

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Caí do mundo e não sei como voltar



O que acontece comigo, que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte, só porque alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco?

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos no varal junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujas.

E eles, nossos nenês, apenas cresceram, tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.

Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, eu me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.

Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

É mais! Compravam-se para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.

E acontece que em nosso, nem tão longo casamento, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.

Nada se arruma, não se conserta. O obsoleto é de fábrica. Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viualgum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas: o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os seleiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos carros e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava.

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já tem um novo modelo".

Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... pelo amor de Deus! Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome? Educaram-me para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Porque, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.

Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular poucos meses depois de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?

Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres. A terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres.

E guardávamos... Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrigerantes!!! Como, para quê? Fazíamos capachos, colocávamos diante da porta para tirar o barro dos sapatos. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para isqueiros descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de fiambre, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.

E as pilhas! As pilhas dos primeiros radinhos transistores passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim.

As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: como de forro para as botas deborracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisaspara enrolar. Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um embrulho de bananas. E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Cosmopolita era a marca de um fogão que funcionava com gás) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: custava-nos muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis. Aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, nos disseram: comam o sorvete e depois joguem o copinho fora! E nós dizíamos que sim, mas, imagina que a lançávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as rolhas de cortiça esperavam encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!! Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o casamento e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Mordo-me para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer! Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno. Não vou dizer que aos velhos se declara a morte quando apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com gel no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar neste mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...


(Eduardo Galeano)



Fonte: hierophant.com.br

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