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sábado, 10 de março de 2012

"GUERRA" às DROGAS: O DINHEIRO DO TRÁFICO DE DROGAS, BENEFICIA OS EUA E OS BANQUEIROS CORRUPTOS



Fevereiro de 2012

A HIPOCRISIA DA GUERRA ÀS DROGAS: O GRANDE DINHEIRO DO TRÁFICO DE DROGAS, BENEFICIA OS EUA E OS BANQUEIROS CORRUPTOS.

A hipocrisia da guerra às drogas é ultrajante quando comparado com a quantidade de tráfico de drogas que beneficia a CIA e o sistema bancário internacional. O filho de um mafioso notório e condenado, John Gotti Jr, quando questionado em um tribunal, se a família continuava no negócio de drogas ,responde, "Não, nós não podemos competir com o governo".

Hoje no Afeganistão, tropas americanas tem sido vistas guardando os campos de papoula usada para fazer heroína. Esses campos foram todos eliminados em 2001, quando os talibãs destruíram e proibiram esta solução agrícola. Agora eles estão florescendo novamente após a ocupação americana.
Isto não faz sentido, apesar de todos os relatórios “oficiais” que as tropas americanas estão protegendo os agricultores da papoula dos caras maus. Sites da internet, tais como Planet Prision, Info Wars, The Political Coffehouse e outros, relatam o contrário. Eles conectam a CIA e os militares dos EUA em terem reiniciado os campos de papoula no Afeganistão em 2002, aumentando o crescimento de papoula em mais de 650 por cento. Quem está dizendo o que acontece de fato?

A maneira que a CIA mantém seu tráfico de drogas escondido da opinião pública

As operações secretas da CIA para influenciar o jornalismo começou na década de 1950, infiltrando-se na mídia e subornando os jornalistas a serem agentes ativos para a CIA. Em 1976, então diretor da CIA, William Colby teria se gabado várias vezes de que a CIA possuía a imprensa. Supostamente, esta operação era secreta demais para nomear, fora então cunhado o nome "Operação Mockingbird", por Deborah Davis em seu livro “Katherine, a Grande”.

A Operação Mockingbird funcionou bem, contra o premiado jornalista Gary Webb quando o seu jornal, the “San Jose Mercury News”, apresentou sua aprofundada série sobre o tráfico de drogas da CIA que inundou os EUA para ajudar a financiar os Contras da Nicarágua apoiados pela CIA na década de 1980.

Jornalistas de todo os Estados Unidos caíram sobre a série, alegando que o jornalismo de Webb era de má qualidade. O jornal teve que se retratar e demiti-lo, e Gary Webb caiu na lista negra do jornalismo tradicional, completamente.

Webb retaliou, tendo seu livro “Dark Alliance” publicado e alcançando o topo lista best seller do NY Times, forçando alguns de seus críticos a comerem privadamente, suas próprias palavras após o fato. (em inglês eles comem um corvo).

Apesar do controle da imprensa pela CIA, no Mexico e na America Central, algumas cargas de cocaina apreendidas de avião e descobertas de grandes quantidades em restos de aviões que colidiram, com pilotos de empresas de fachada contratados pela CIA , foram notícia nos jornais principais, ainda que brevemente.

Lembra-se do filme "Air America?" Foi com base em uma verdadeira empresa de fachada da CIA, transportando toneladas de heroína dos campos de papoula do "Triângulo Dourado" no Sudeste da Ásia, durante e após os conflitos do Vietnã. Agora, o Afeganistão e o "Crescente Dourado" são as fontes condutoras de destaque do ópio /heroína.


Governo e Grandes Negócios usando os lucros do tráfico de drogas não é novidade

Quando o governo dos EUA fizeram acordos com a máfia Cosa Nostra, para ajudar a policiar portos e atracadouros durante a segunda guerra mundial, eles deram vida ao comércio de heroína. Eventualmente, em Marselha, na França, foi “armada” pela máfia da Córsega para se tornar a "conexão francesa" para o tráfico de heroína.

Mas a história do comércio do ópio remonta ainda, ao início do tempo colonial da América. É quando magnatas do transporte naval americanos usaram seus rápidos Navios Clipper para competir com a Companhia das Indias Orientais, sancionada pela Inglaterra no negócio de drogas, para transportar ópio para a China.

Alguns jogadores chave criaram fortunas de família do comércio de ópio da China, e que hoje em dia ainda existem, dentro de algumas famílias do "velho dinheiro" do Nordeste Americano.

Entre os nomes de família familiares, de acordo com a Wikipedia (fonte abaixo) é Forbes. Outra fonte cita Astor, uma família proeminente rica e filantrópica na Nova York de hoje (fonte Wiki abaixo). Naqueles dias, o tráfico de drogas foi um esforço de negócio legítimo, imoral mas não ilegal.

Agora é ilegal também. Ironicamente, isso permite aos maiores provedores de drogas ilícitas acabarem beneficiando financeiramente a CIA e os bancos internacionais.


Abril 2011


Documentos desclassificados revelam que a CIA financiou redes de tráfico de drogas

O Governo Federal dos EUA desclassifica 8.000 documentos em resposta à lei de informação pública que detalha como a CIA financiou o tráfico de drogas no Afeganistão e na América Latina.

Embora para muitos a notícia de que a CIA está envolvida em redes de tráfico de drogas não é novidade, o certo é que não deixa de ser relevante a confirmação desta "teoria" através de documentos oficiais. Forçado pela Lei de Informação Pública, o governo federal dos EUA desclassificou um arquivo com mais de oito mil documentos detalhando, entre outras coisas, o envolvimento da CIA em organizações de tráfico de drogas. A relação entre a CIA e o tráfico de drogas começou em finais dos anos setenta (ou talvez tenha começado mais cedo, mas isso não foi consolidado na época) e se intensificou nos anos noventa, década em que, alegadamente, deixaram essas atividades (vamos ter que esperar até 2030 para saber se em 2010 continuaram suas práticas sombrias).

Uma das operações específicas em que a CIA apoiou o narcotráfico foi na década de oitenta no Afeganistão. Durante a Guerra Fria entre os EUA e a URSS, quando os últimos ocuparam o Afeganistão. Naquele tempo se constata que a CIA usou pelo menos 2 milhões de dólares em financiamento a resistência afegã através dos cartéis de drogas locais, envolvidos principalmente no cultivo de papoula e maconha, e que controlava, como antes, o mercado de heroína ao redor do mundo. Curiosamente, estes mesmo rebeldes são conhecidos hoje como membros do Talibã que os EUA fortemente simulam combater, argumento principal para justificar a invasão dos EUA ao solo afegão.

Mas não só no Afeganistão foram forjados os laços da CIA com os traficantes de drogas. A mesma coisa aconteceu na América Latina, onde a agência de inteligência dos EUA apelou para organizações dedicadas ao tráfico de drogas para financiar movimentos para desestabilizar governos latino-americanos que se recusaram a alinhar-se com a agenda norte-americana. "No cenário norte-americano, o dinheiro da droga veio do Cone Sul e tornou-se dinheiro legítimo em Wall Street. No cenário da América Latina, esse mesmo dinheiro, uma vez lavado, voltou à região para os fundos dos paramilitares", disse o ex-agente federal Michael Ruppert. Por outro lado, a CIA também se ligou ao tráfico de drogas para deslegitimar os movimentos sociais dentro dos Estados Unidos e as organizações de luta pelos direitos civis e da população, ou de grupos com ideologias que ameaçavam a hegemonia psicocultural promovidas pelo governo com a ajuda do mainstream midiático.

E tendo em conta que, nesse contexto chama a atenção como a épica cruzada intitulada "luta contra as drogas", política iniciada por Ronald Reagan e alimentada pelos presidentes subsequentes dos EUA, poderia realmente ser uma farsa espetacular com uma agenda escondida, porém clara: o financiamento, a capitalização e vantagem geopolítica do fenômeno do tráfico de drogas.

Não deixa de ser curioso que mais de três décadas depois do lançamento da famosa luta contra o narcotráfico, os resultados estatísticos foram suspeitamente deploráveis: nunca na história havia se consumido tantas drogas como no presente, e a rentabilidade desta atividade nos nossos dias é de longe o maior da história.

O nível do uso de cocaína nos EUA aumentou de 80 toneladas em 1979 para 600 toneladas em 1987, de acordo com Ruppert, e a CIA sabia que isso ia acontecer. A razão porque a CIA vende drogas, de acordo com o mesmo ex-agente, é para apoiar a economia dos EUA, que pode estar relacionado com as evidências existentes de que bancos como Wells Fargo são lavanderias do dinheiro da droga. Curiosamente, os fundadores e diretores subsequentes da CIA têm fortes laços com Wall Street.

A Comissão de Juristas para a publicação de relatórios sobre o tráfico de drogas nos EUA estima que os montantes de dinheiro lavados das atividades ligadas ao tráfico de drogas excedam 100 bilhões de dólares (uma estimativa bastante conservadora, pois há versões que asseguram que o montante é de pelo menos US $ 600 bilhões).

Enquanto os relatórios desta mesma entidade asseguram que a elite financeira norte-americana, e na América Latina em geral, se beneficiam indiretamente, mas de maneira tangível, no negócio monumental que é gerado pelo tráfico de entorpecentes.
E considerando que Wall Street, Hollywood, os grandes bancos, a maioria dos governos, e até mesmo as classes altas, todos eles, lucram com esse fenômeno, podemos acreditar que há alguém dentro da esfera de poder, que genuinamente quer por um fim a esta prática? Seria a CIA o maior cartel de drogas no mundo?


Março de 2011

A CIA e o tráfico de cocaína!

No livro Peru - do império dos incas ao império da Cocaína de Rossana Bond, uma obra recomendadíssima, encontra-se o seguinte trecho:

Hoje, quando a população do Brasil e da América Latina é assombrada pelo poder descomunal do narcotráfico e do crime organizado vinculado a ele, é fundamental que a verdadeira origem de parte desta tragédia seja contada.
Sabe-se que desde 1963 a CIA e o Pentágono montaram "uma rede de produção e distribuição de narcóticos para gerar uma fonte de financiamento para futuras ações
contra-insurgência (na América Latina)", recordou o jornal A Folha da História em junho de 2000. E agregou:
"No final de 1964 Philip Agee, agente da CIA na América Latina, denunciou o começo da operação na Bolívia. ali os generais Barrientos e Banzer, também agentes da CIA,
construíram uma primeira rede.
A produção de coca financiou grupos paramilitares os quais, desde os anos 60, já atuavam no Cone Sul. Parte de seus membros se incorporaram mais tarde a grupos operativos militares quando estes tomaram o poder.
Esses paramilitares foram organizados de acordo com o criminoso modelo do 'Plano Phoenix' aplicado no Vietnã pelo diretor da CIA Willian Colby. Foi o caso do 'Pátria e Liberdade', do Chile, da 'Aliança Anticomunista Argentina' que mataram centenas de
militantes populares, antecipando-se ao genocídio 'Operação Condor' nos
anos 70".
O ex-agente da DEA [Drug Enforcement Agency (Agência de Repressão às Drogas)] Michael Levine em seu livro The Big White Lie (A Grande Mentira Branca), de 1993, confirmou que desde muitos anos atrás a CIA tem vínculos e relações com narcotraficantes da América Latina, recordando os casos dos contras da Nicarágua, Noriega do Panamá, Hugo Blanco e García Meza na Bolívia.

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Folhas de coca e cocaína: uma breve história de seus usos medicinais

Exemplos claros de integração harmoniosa entre o Homem e a Natureza, ou de como o Homem pode aproveitar a Natureza para viver saudavelmente mais disposto, incluem o uso secular de chá e ginseng pelos chineses, de café pelos povos do Oriente Médio, e de folhas de coca pelos nativos dos Andes na América do Sul. De fato, os indígenas do Peru, Bolívia e Colômbia cultivam há mais de 1000 anos o costume de mascar folhas de coca ou usá‐las para fazer uma espécie de chá, como forma de aliviar a fadiga e proporcionar bem‐estar.

E o “homem branco descobridor do Novo Mundo”, que de bobo não tem nada, logo se interessou pela planta que até então desconheciam. Já no século XVI, aparecem os primeiros relatos de europeus sobre o hábito de mascar folhas de coca da população andina. E se por um lado os espanhois chegaram a taxar o cultivo de coca, por outro lado forneciam as folhas para seus escravos nativos trabalharem mais, por mais tempo e com menos comida.

Tempos mais tarde, o "homem branco" passaria a introduzir o energizante ingrediente nas suas invenções. Na segunda metade do século XIX, o revigorante Vin Mariani, vinho Bordeaux tratado com folhas de coca, fez sucesso inclusive entre a nobreza britânica e os papas do Vaticano. E a fórmula original da Coca‐Cola, na mesma época, tinha como ingredientes básicos cocaína (das folhas de coca) e cafeína (da noz kola).

As observações iniciais sobre as propriedades salutares das folhas de coca inevitavelmente levaram os cientistas da época a investigar mais a fundo o que estava por trás destes efeitos.

Em 1855, isolava‐se, da folha de coca, a substância tida como responsável pelos seus efeitos saudáveis: o alcaloide benzoilme lecgonina, ou C17H21NO4, mas podem me chamar de cocaína.

Em pouco tempo o processo de purificação da cocaína seria aprimorado.

Um dos primeiros sujeitos a se interessar pela cocaína foi Sigmund Freud (1856‐1939). Sim, ele mesmo!

Em 1884, antes do mundo ouvir falar de psicoanálise e quando ainda era médico‐residente, Freud publicou um artigo que entraria para a História, descrevendo o uso da cocaína em seus países de origem, as características botânicas do arbusto da coca, o processamento das folhas, os efeitos da droga em animais e homens saudáveis, e suas ações terapêuticas anti‐melancolia, anti‐vômito e sedativas. Freud ainda exaltava os resultados da droga no tratamento de doenças do coração, diabetes, asma, caquexia, estresse, dependência de álcool e morfina, e dizia que tratava‐se de uma “droga mágica”.

O próprio Freud usou cocaína para tratar sua própria depressão e a indicou para colegas e familiares.

Ao mesmo tempo, um outro cidadão importante, Karl Köller (1857‐1944), descrevia
pioneiramente as propriedades anestésicas da cocaína em experimentos no olho, o que é considerado a descoberta da Anestesia Local. Tanto que os anestésicos locais posteriormente descobertos e desenvolvidos passariam a ganhar o sufixo –caína, como lidocaína, benzocaína e procaína.

Num claro exemplo de como a Ciência e a evolução tecnológica podem se aproveitar da Natureza para criar remédios em benefício do Homem, a cocaína era promovida a
medicamento.
Em pouco tempo, a produção de cocaína aumentaria drásticamente, sobretudo com o advento de uma técnica que permitia a produção de cocaína semi‐refinada no local do plantio, evitando as grandes perdas que ocorriam no conteúdo de cocaína quando as folhas de coca eram transportadas em condições precárias da América do Sul para o hemisfério norte.

Animados com a maior oferta de cocaína, preços mais baixos e suas propriedades euforizantes, os produtores começaram a incrementar o conteúdo de cocaína em seus produtos, que passaram a ser comercializados em maior escala. Em 1885, podia‐se comprar na esquina cocaína em várias formas, incluindo cigarros, pó e mesmo uma mistura que poderia ser injetada pela veia.
A companhia norte‐americana Parke‐Davis prometia que seus produtos a base de cocaína "subs tuiriam a comida, fariam do covarde um corajoso, do quieto um eloquente, e deixariam um sofredor insensível à dor".
Mas nem tudo era festa...

Ainda no final do século XIX, à medida que a cocaína era consumida de forma mais ampla e em maiores doses, começavam a aparecer os relatos de dependência e toxicidade, incluindo mortes. As revistas médicas começavam a publicar as encrencas e a população começava a entrar em pânico.

Questão de tempo para a cocaína ser rebaixada a vilã, proibida, perseguida e jurada de morte. E hoje o custo econômico e social planetário da dependência à cocaína e da sua ligação com a criminalidade dispensa comentários.

Ninguém mandou querer saber o que está por trás da energia dos nativos dos Andes que mascam folhas esverdeadas. Podia deixar quieto. Eles sim sabem usar o “medicamento” numa posologia correta.

PS:

A propósito, os bolivianos estão tentando modificar uma Convenção da ONU de 1961 que coloca a folha de coca no mesmo balde da cocaína e heroína, ou seja, considerando‐a ilegal salvo para uso medicinal ou cienSfico. A Convenção alega que é muito fácil extrair cocaína da folha de coca, jus(ficando a ordem de acabar com plantações ilegais e com o hábito de mascar folhas de coca. Os países andinos alegam que o hábito de mascar folhas ou beber chá de coca é uma tradição de séculos, utilizada por milhões de pessoas diariamente, que só traz benefícios à saúde, além de ser considerada sagrada para culturas indígenas. E que é um erro confundir folha de coca com cocaína. Afina de contas, a folha de coca contém apenas 0,5% a 1,0% de cocaína.

Fevereiro 2012
Em defesa da folha de coca, Bolívia deixa Convenção da ONU

Por leonardo Sakamoto

A partir do início deste ano, a Bolívia não figura mais entre os signatários da Convenção Única das Nações Unidas sobre Entorpecentes em protesto pela classificação da folha de coca como substância ilegal.

Após ter a saída aprovada pelo seu Senado em junho de 2011, e a retirada sido solicitada, o país pediu readmissão à Convenção com ressalvas quanto ao artigo que proíbe mascar folha de coca. Até que esse pedido seja analisado, a Bolívia ficará fora, tornando-se o primeiro país que abandona o acordo desde sua criação, em 1961. De acordo com informações da BBC, a manobra de saída e reentrada com ressalvas tem, como objetivo, tentar persuadir outros Estados membros. O Conselho Internacional para o Controle de Narcóticos das Nações Unidas lamentou, na época, a decisão da Bolívia.

Há mais de 3 mil anos, os povos andinos já mascavam a folha de coca, seja para amenizar os efeitos da altitude, reduzir o cansaço ou outras finalidades medicinais. Em certa medida, é equivalente ao café, que serve de estimulante ou revigorante em todo o mundo. Em sua forma natural, não tem os efeitos da cocaína, obtida através de um processo químico de refino.

Posso falar isso por experiência própria, por já ter mascado folhas de coca na Bolívia. Bem mais saudável do que tomar uma dose de uísque, um copo de cerveja ou fumar um cigarrinho e outras drogas consideradas legais, mas que causam danos ao organismo e deixam multinacionais ricas. Além de destruir comunidades, explorar famílias de trabalhadores e atingir o meio ambiente por impactos não-controlados em suas cadeias produtivas.

Mesmo representando um símbolo da cultura de um povo, o cultivo da coca é duramente condenado pela política norte-americana de combate às drogas, que tem pressionado pela eliminação dessas lavouras na América do Sul. Como se isso resolvesse o problema de demanda por psicotrópicos pelos Estados Unidos.

Durante reunião da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas, em Viena, em 2009, o presidente boliviano Evo Morales – ele próprio um liderança cocaleira – mastigou folhas de coca em frente aos ministros de mais de 50 países para defender que a planta seja retirada da lista de entorpecentes proibidos, organizada pela convenção internacional de 1961. Morales defendeu o combate à cocaína e refutou a pecha de narcotraficante dado a produtores dessa planta: “Isto é uma folha de coca, não é cocaína. Não é possível que esteja na lista de entorpecentes da ONU”, disse. Foi aplaudido.

É impossível o governo dos Estados Unidos, mesmo sob uma administração mais progressista como a de Barack Obama, mudar sua política ineficaz e violenta de guerra contra as drogas. Ou deixar que ocorra alguma alteração em convenções internacionais sobre o tema. Quando se pode confortavelmente jogar a culpa em um inimigo externo por um problema interno, para que mudar?



Fontes:

www.naturalnews.com

http://whatreallyhap...mockingbird.php

http://en.wikipedia....i/Forbes_family

http://en.wikipedia....ohn_Jacob_Astor

http://thepoliticalc...um-afghanistan/

http://www.minormusi...Drugs/Mask.html

Boliviano critica relatório dos EUA sobre luta antidrogas

Os resultados da Bolívia na luta contra as drogas colocam em xeque o relatório apresentado pelo departamento de Estado dos Estados Unidos, considerou nesta sexta-feira (9) o ministro de Governo (Interior) Carlos Romero.

Romero adverte que os feitos obtidos pela Bolívia em sua campanha contra os entorpecentes desvirtuam por si o relatório estadunidense que "assegura" o fracasso do país andino na luta contra o narcotráfico.

"A Bolívia demonstrou que sua política antinarcóticos conseguiu resultados em matéria de interdição e erradicação de cultivos de coca ilegais e excedentes", assegurou Romero em declarações reproduzidas hoje pela agência ABI.

Na sua opinião, o relatório difundido pelo departamento de Estado e remetido ao Congresso dos Estados Unidos acusa de "fracassada" a luta contra as drogas na Bolívia, mas não demonstra as cifras objetivas.

Para Romero, o relatório é só "um discurso político", que não concorda com o esforço boliviano na luta antidroga, a qual permitiu superar a meta anual de erradicação de cultivos ilegais de coca, ao destruir no ano passado mais de 10.500 hectares de plantações.

Ao mesmo tempo, reforçou que em 2011 foram apreendidas 33 toneladas de cocaína e 382 de maconha em ao menos 12 mil operações, as quais deixaram quase quatro mil réus, entre eles 99 peruanos, 79 colombianos, 60 brasileiros e 38 espanhóis.

Por sua vez, o vice-ministro de Coca e Desenvolvimento Integral, Dionisio Núñez, recusou o documento estadunidense, o qual afirma que Bolívia, Venezuela e Myanmar demonstraram falências na luta antidrogas.

"Nos últimos anos não entenderam nem valorizaram o esforço boliviano, das organizações sociais na erradicação e redução voluntária de coca excedente e ilegal, no marco da luta contra o narcotráfico", assegurou.

Para o legislador pelo Movimento ao Socialismo (MAS) Mauricio Elio, os Estados Unidos só pretendem tirar o foco da Colômbia, onde tem existem várias bases militares estratégicas.

"Aos Estados Unidos não convêm que a Colômbia continue como o número um em produção de cocaína, devido às bases militares ali, e pretende que sejam Peru e Bolívia os que estejam à frente. Essa é a razão do relatório", assegurou.




Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google

Controladoria-Geral da União divulga lista de ONGs impedidas de firmar convênios com o governo federal

Valores utilizados indevidamente pelas entidades terão de ser devolvidos aos cofres públicos

A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou nesta sexta-feira a lista das 164 organizações impedidas de firmar convênios com o governo federal. O levantamento foi feito pelos ministérios por determinação da presidente Dilma Rousseff.

Conforme a CGU, em análise de convênios firmados pelo governo com essas entidades foram constatadas irregularidades graves e as Ongs passam a integrar o Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (para acessar, clique aqui), que ficará no Portal da Transparência da CGU.

O universo pesquisado abrangeu 1.403 convênios em execução com parcelas de recursos ainda a serem liberadas quando o decreto foi publicado, em outubro do ano passado. Após a primeira fase da análise, 305 convênios foram considerados "com restrição" e foram reanalisados agora pelos ministérios. Outras instituições ainda estão resolvendo pendências apontadas pelo levantamento.

Nos próximos dias o governo vai publicar uma portaria instituindo um grupo interministerial para propor, em um prazo de 60 dias, sugestões de como aperfeiçoar a metodologia da prestação de contas de convênios, contratos e repasse e termos de parceria.



http://www.portaldatransparencia.gov.br/cepim/EntidadesImpedidas.asp?paramEmpresa=0

sexta-feira, 9 de março de 2012

Quitando dívidas sem dinheiro

Este post é uma colaboração ao grande amigo Max e seu fiel assistente em assuntos financeiros Léo. É uma contribuição para mostrar que a situação financeira na Europa ainda pode ser salva, e saberem que nem tudo está perdido, e que a Economia não é uma ciência tão complexa quanto o Max e Léo querem nos fazer crer.


Tese interessante sobre Economia

Numa cidade litorânea, muito frio e mar agitado, a cidade parece deserta. Os habitantes, endividados e vivendo à custa de crédito. Por sorte chega um gringo rico e entra num pequeno hotel. Ele saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto.
Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
Este, pega a nota e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo.
O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário para liquidar sua dívida. O veterinário, com a nota em mãos, vai até a zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise ela também trabalha a crédito).
A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, às vezes, levava seus clientes, e paga a conta. Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede a nota de volta, agradece, mas diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.
Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem dívidas e começa a ver o futuro com confiança!

Moral da história:

Não há crise quando o dinheiro circula!







Resolução da Unesco contra a Síria é recusada por diversos países


Vários países recusaram a resolução contra a Síria aprovada na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e advertiram que este não é o fórum apropriado para discutir o tema.
O representante cubano na reunião 189 do Conselho Executivo, Juan Antonio Fernández, condenou a indesejada politização nos debates e assinalou que a informação sobre a Síria é fragmentada, imprecisa e objeto de manipulação.

Fernández denunciou que a resolução adotada é desequilibrada, a análise da situação carece de objetividade e não leva em conta a responsabilidade de uma oposição armada que causa graves sofrimentos à população.

O texto, apresentado pela Arábia Saudita, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e outros países, critica o governo de Damasco pelas "violações contínuas e sistemáticas dos direitos humanos", mas não faz alusão alguma aos grupos armados que contam com o apoio de países estrangeiros.


A delegação chinesa advertiu que o debate deste tema está para além das atribuições da Unesco e chamou a cumprir a constituição desta organização não governamental. Afirmou também que resoluções como estas não ajudam a resolver a situação e pediu respeito à capacidade da Síria de tomar decisões independentes.


Por sua vez, a delegação da Rússia opôs-se à inclusão do tema da Síria na agenda do Conselho Executivo da Unesco e recordou que este assunto já tem sido debatido em outros fóruns internacionais.


Um total de oito países opuseram-se e 14 abstiveram-se na votação do texto, aprovado por 35 países.


Contra a resolução votaram Bielorrússia, China, Cuba, Rússia, Mali, Síria, Venezuela e Zimbábue.





Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google

quinta-feira, 8 de março de 2012

Homenagem as mulheres Revolucionárias das Farc


Este vídeo homenageia as valentes guerrilheiras das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), as militantes do Partido Comunista Clandestino da Colômbia, as integrantes do Movimento Bolivariano, às prisioneiras de guerra e prisioneiras políticas.


São essas mulheres que, cotidianamente e com tenacidade, vão definindo os contornos da Nova Colômbia, por uma pátria soberana e socialista.

As imagens, impactantes, mostram que "mulher bonita é aquela que luta"






Fonte: Tribuna Popular (PC da Venezuela)



quarta-feira, 7 de março de 2012

O MASSACRE NA COLÔMBIA


Há muito que se julgava que a Guatemala detinha o primeiro lugar no continente americano no que diz respeito a massacres de massas na nossa época moderna – 200 000 vítimas nos anos 1980, em 94% dos casos assassinadas pelo Estado com o apoio de Washington e em aliança com os esquadrões da morte.

Por Dan Kovalik*


Mas, infelizmente, constata-se agora que a Colômbia pulverizou este record e, conforme Wikileaks revela, os EUA estão perfeitamente informados sobre a situação.

Num telegrama de 19 de Novembro de 2009 intitulado: “2009-2010 International Narcotics Control Strategy Report” (Relatório estratégico sobre o controlo internacional de narcóticos 2009-2010), a embaixada dos EUA em Bogotá reconhece, como dado acessório, a horrível verdade: foram registadas 257 089 vítimas dos paramilitares de extrema-direita. E, tal como Human Rights Watch assinalou no seu relatório anual de 2012 sobre a Colômbia, esses paramilitares continuam a atuar de braço dado com os militares apoiados pelos EUA.

Mesmo para aqueles que conhecem a Colômbia, este número é arrasador. A primeira vez que deparei com este número foi no livro “Cocaïne, Death Squads, and the War on Terror” (Cocaína, esquadrões da morte e a guerra contra o terrorismo), do qual falei neste sítio há algum tempo, e que cita um jornalista independente que afirma que cerca de 250 000 vítimas foram mortas pelo para-Estado colombiano. Nesse sublinha-se que este número foi ocultado porque as vítimas foram enviadas para salgadeiras ou para fornos crematórios de tipo nazi.

Fica agora, a saber, que há pelo menos dois anos os EUA têm conhecimento de tudo acerca destes crimes. O que não provocou qualquer mudança na política estadunidense relativamente à Colômbia – o país receberá durante os próximos dois anos 500 milhões de dólares de ajuda destinada ao seu exército e à sua polícia – e não impediu Obama de defender, e de concretizar no ano passado, o Tratado de comércio livre com a Colômbia.

Tal como sucedeu na Guatemala nos anos 1980, a violência atingiu em particular as populações indígenas – fato reconhecido igualmente pela embaixada dos EUA nos telegramas revelados por Wikileaks. Esta violência dirigida contra indígenas continua, aliás, a aumentar. A embaixada estadunidense reconhece-o num telegrama, de 26 de Fevereiro de 2010, intitulado: “Violence Against Indigenous Shows Upward Trend” (A violência contra indígenas manifesta tendência a crescer). Por causa desta violência há 34 grupos indígenas que se encontram á beira da extinção; portanto, esta violência pode ser classificada como genocida.

Este telegrama de 2010 explica que “os assassínios de indígenas aumentam pelo segundo ano consecutivo”, um aumento de 50% em 2009 comparado a 2008. O telegrama explica ainda que “os indicadores de violência contra os indígenas agravaram-se novamente em 2009. Segundo a Organização nacional indígena da Colômbia (ONIC) as deslocalizações aumentaram 20% (de 3 212 para 3 649), os desaparecimentos forçados aumentaram mais de 100% (de 7 para 18), e as ameaças aumentaram mais de 3 000% (de 10 para 314). A ONIC registra igualmente um aumento no recrutamento forçado de menores por parte de todos os grupos armados ilegais, mas não fornece dados numéricos sobre este ponto.

A embaixada, baseando-se num estudo publicado pela antropóloga Esther Sánchez – estudo que o governo estadunidense financiou -, assinala que os militares e paramilitares tomam os indígenas por alvo porque eles são “frequentemente vistos como colaboradores das FARC uma vez que coabitam nos mesmos territórios”; e é precisamente a presença de militares colombianos nos territórios indígenas que “transfere o conflito para o jardim dos indígenas”, o que constitui uma ameaça para a sua existência. Ora a embaixada recusa a ideia de uma retirada dos territórios indígenas por parte do exército colombiano, sublinhando que uma reivindicação nesse sentido apresentada pela tribo awa é “inaplicável”.

“Inaplicável”, explica a embaixada, porque este território necessita de estar sob controlo uma vez que contém numerosas riquezas. A embaixada estadunidense reconhece explicitamente que “os investimentos de capital nos hidrocarbonetos”, bem como na borracha e na palmeira produtora de óleo – o que quer dizer exatamente os investimentos que explicam as decisões militares de Washington e o Tratado de comércio livre – conduzem diretamente à violência contra os indígenas. E isto sucede, explica a embaixada, porque os povos indígenas “provavelmente não abandonariam terras tidas como sagradas nas suas identidades culturais”. Ou seja, que não franqueariam voluntariamente a porta à exploração capitalista.

Tudo isto mostra que os EUA e a Colômbia continuam a defender opções militares e a conduzir políticas econômicas que, segundo a própria opinião dos EUA, conduzem a um genocídio. Na realidade é a própria embaixada estadunidense que reconhece que o genocídio é absolutamente necessário para alcançar os seus objetivos.

Isto significa que os EUA mentem quando fingem interessar-se pelos direitos humanos. Os EUA têm o atrevimento de excluir Cuba da Cúpula das Américas por causa do direitos humanos; mas é o país que acolhe esta Cúpula – a Colômbia – que por todas as razões deveria ser apontado a dedo pelo seus resultados excepcionalmente maus no que diz respeito a direitos humanos.

Na verdade, são os próprios EUA quem deveria ser denunciado, porque apoiam o brutal regime colombiano. Mas como são os EUA que domina o mundo, isso também pareceria “inaplicável”.



*Dan Kovalik é advogado norte-americano e ativista dos Direitos Humanos.

Fonte: ODiário.info

Imagem: Google


Moradores protestam contra BASE AMERICANA na Coreia do Sul

As movimentações, inclusive com uso de explosivos para remoção de terra, a fim de construir uma base naval na ilha sulcoreana de Jeju foram recebidas nesta quarta-feira (7) com fortes protestos protagonizados por moradores, parlamentares da oposição e defensores do meio ambiente que rechaçam o projeto.


Esses setores acusam a Marinha de Guerra de destruir um tesouro ambiental e pedem a retirada do projeto, advertindo ainda para as conseqüências que pode ter para a vida marinha e as rochas formadas por uma atividade vulcânica pouco comum.


O projeto prevê a construção de um porto para 20 navios de guerra, entre outros navios, na localidade de Gangjeong, no extremo sul da ilha.


A polícia deteve vários ativistas e moradores da região por obstruir a entrega de explosivos para os trabalhos de construção e dispersou cerca de 100 pessoas que tentavam impedir o suprimento.


Foram enviados à região cerca de mil agentes policiais a fim de garantir o início das obras, com a missão de conter os protestos contra as explosões na rocha de Gureombi.



A Marinha de Guerra planeja utilizar 43 toneladas de pólvora para aplainar duas áreas nos próximos cinco meses.


Diante do aumento dos protestos, o governador da ilha, Woo Keun-min, pediu ao governo central a suspensão do projeto.


A aprovação do trabalho com explosivos provocará conflitos entre a população, a Marinha de Guerra e a polícia, advertiu Woo.

Depois de permanecer detida durante anos devido à rejeição que provoca, a construção dessa instalação militar começou em 2011 em Gangjeong, com previsão de ser concluída em 2015.


Muitas das pessoas opostas ao projeto, elaborado em 2007, estimam que Seúl cedeu a pressões de Washington, interessado em estabelecer uma maior presença militar próxima à China.





Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)

Deus retorna ao centro do debate eleitoral nos EUA



Estudiosos do tema eleitoral assinalam que "Deus entrou na campanha republicana", a partir do conflito do presidente Barack Obama com a Igreja Católica por causa do uso dos anticonceptivos e do perfil religioso dos candidatos do partido da oposição. Existe a expressa intenção de deslegitimar o presidente para impor um radicalismo a partir da religião.


Segundo os analistas, a barreira entre religião e política tende a disseminar-se bem mais nos Estados Unidos do que na Europa, ainda que a Constituição da República garanta que não possa existir religião oficial alguma, embora mais do que 90% dos estadunidenses declaram-se seguidores de uma religião.

Obama definiu-se como um homem religioso, viveu essa religiosidade com discrição e não escolheu qualquer igreja em Washington para dela participar, como fizeram presidentes anteriores. Muitos estadunidenses consideram-no muçulmano. O debate ameaça estender-se até as eleições de novembro.

Recentemente, o reverendo Franklin Graham, filho de Billy Graham, declarou que Obama é considerado como um filho do Islã pelos próprios seguidores do islamismo. Disse que é natural que assim seja, porque, desde o princípio de seu mandato deu via livre a esse tipo de fé não cristã no país.

A polêmica cresceu, por esses dias, ante os supostos perigos que ameaçam a religião nos Estados Unidos, quando um antigo bispo mórmon e outro católico podem concorrer a cargos públicos pelo partido republicano. O candidato a candidato à presidência da República dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Rick Santorum, lembrou, como o fizera em 2008, que “Satanás tinha posto a vista nos Estados Unidos” por causa do incremento do materialismo e da corrupção na sociedade, que levaram a uma profunda crise de valores.

Outro pré-candidato, Mitt Romney, assinalou que Obama está destruindo a liberdade religiosa com suas atitudes e ameaça ao clero. E Newt Gingrich afirmou que o presidente Obama, se ganhar um segundo mandato, desencadeará uma guerra contra os católicos.




Fonte: vermelho.org.br
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terça-feira, 6 de março de 2012

Este vídeo é uma homenagem a uma Fada Guerreira e Silenciosa que encontrei no Bosque da vida



Embaixador dos EUA recebe denúncia de crimes praticados por empresas norte-americanas no Brasil

Cartel dos Gases no Brasil “Cartel do Oxigênio”




Em 6 de fevereiro de 2012, o Alerta Total (http://www.alertatotal.net/) publicou o artigo “O Embaixador dos EUA e o Cartel do Oxigênio”, relativo à participação de duas empresas norte-americanas no cartel de gases medicinais e industriais que explora o consumidor brasileiro. O endereço eletrônico do artigo se encontra ao final.

Referido artigo destaca o zelo dos EUA com sua reputação junto à comunidade internacional. Para exemplificar tal zelo, o artigo chega a citar três empresas norte-americanas punidas com base na lei conhecida como FCPA – Foreign Corrupt Practices Act., que penaliza empresas dos EUA por prática de corrupção para facilitar seus negócios no exterior.

Conforme pode ser constatado, o artigo não trata de corrupção na acepção da palavra, mas sim do crime de formação de cartel – um crime umbilicalmente ligado ao crime de corrupção. Afinal, os escroques que saqueiam gananciosamente hospitais públicos só não corrompem se preciso não for.
Devido ao grande interesse público do qual o artigo se acha revestido, encaminhei-o formalmente ao Embaixador dos EUA Thomas Shannon em 7 de fevereiro de 2012. A seguir, a íntegra da carta de encaminhamento.



Carta ao Embaixador dos EUA


“Segue anexo o artigo de minha autoria intitulado “O Embaixador dos EUA e o Cartel do Oxigênio”, publicado na edição de 6 de fevereiro de 2012 do Alerta Total... Conforme se pode constatar, o assunto objeto de referido artigo é da maior importância para as autoridades dos Estados Unidos, principalmente, pelos dois motivos abaixo destacados...1 – Trata-se de grave crime (formação de cartel) praticado por empresas norte-americanas contra os consumidores de uma nação amiga. O cartel enfocado no artigo, o “Cartel do Oxigênio”, tem entre suas integrantes duas empresas cujas matrizes estão localizadas nos Estados Unidos...2 – As investigações realizadas pelas autoridades brasileiras desnudaram todo o “modus operandi” do cartel em questão. Assim sendo, o caso do “Cartel do Oxigênio” pode oferecer importantes subsídios para a defesa do consumidor nos Estados Unidos...Colocando-me à disposição para as informações que se fizerem necessárias, despeço-me”.

Delação premiada

Devido ao meu total desconhecimento, o artigo encaminhado ao Embaixador dos EUA não fez menção a outro importante aspecto da questão, a Lei Dodd-Frank, motivo da matéria “Lei que pune suborno nos EUA assusta brasileiros”, publicada em 19 de fevereiro de 2012 no jornal Folha de S. Paulo.

Tal matéria, de autoria do jornalista Filipe Coutinho, destaca a importância dada pelas autoridades norte-americanas ao combate aos criminosos do colarinho branco que utilizam o suborno para atingir seus objetivos. Nela, se lê:

“Lei americana que pune o suborno de políticos e premia em mais de US$ 100 mil os delatores está mudando a rotina de empresas brasileiras, preocupadas com multas milionárias... A Lei Dodd-Frank começou a valer em agosto de 2011 para premiar delatores em 10% a 30% das multas acima de US$ 1 milhão, aplicadas nos EUA. Para isso, é preciso fornecer informação exclusiva que comprove a propina a políticos, inclusive brasileiros...A lei vale para filiais de multinacionais ou empresas com ações na Bolsa dos EUA e até mesmo para irregularidades das terceirizadas...Antes dessa lei, os EUA já puniam a corrupção estrangeira no FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), mas sem a delação premiada”.

Brasil na contramão

Diferentemente das autoridades norte-americanas, que chegam até a estimular a delação para inibir práticas de suborno levadas a efeito por suas empresas no exterior, as autoridades brasileiras preferem burocratizar a questão, respeitando a todo o custo (na maioria das vezes, custo extremamente elevado) o “sagrado direito” dos escroques que nos saqueiam.

Nada mais perfeito para demonstrar o estado de espírito de nossas autoridades em relação à atuação criminosa de empresas norte-americanas no Brasil que os casos do Cartel do Oxigênio e da Gemini, a seguir relatados.


O caso do Cartel do Oxigênio

No final de 2004, a Procuradoria Geral da República (PGR) instaurou o processo n° 1.16.000.002028/2004-06 para apurar denúncia de minha autoria, segundo a qual – por não notificar as autoridades norte-americanas a respeito das investigações aqui realizadas sobre o “Cartel do Oxigênio” – o Brasil estava descumprindo o Acordo Brasil-EUA para combater cartéis.

Passados quatro anos, em 8 de setembro de 2008, o Relator de citado processo decidiu arquivá-lo, afirmando que, segundo o Acordo, a notificação era incabível.

Diante de referida decisão, em outubro de 2008, interpus Recurso à PGR. Tal Recurso foi indeferido em abril de 2010, homologando-se o arquivamento.

Não satisfeito, em abril de 2011, submeti o entendimento da PGR à apreciação da OAB, que instaurou o processo n° 2011.18.03263-01.

No final de 2011, a OAB concordou com a posição da PGR. O mais impressionante é o motivo pelo qual nossas autoridades decidiram não passar as informações às autoridades norte-americanas: as investigações aqui realizadas no caso do “Cartel do Oxigênio” foram consideradas “não relevantes” para os EUA.

A decisão da OAB de avalizar a interpretação da PGR motivou um recurso, cuja íntegra se encontra disponível no endereço eletrônico indicado ao final.

O caso da Gemini

A Gemini é uma sociedade entre a Petrobras e uma empresa cuja totalidade das ações pertence à norte-americana Praxair Inc. Seu objetivo é produzir e comercializar gás natural liquefeito (GNL).


Conforme amplamente divulgado, a empresa pertencente à Praxair Inc. foi beneficiada com incomensuráveis vantagens em detrimento do patrimônio público. Citadas vantagens são tão extraordinárias que só podem ser explicadas pela existência de um fortíssimo tráfico de influência em favor da empresa.

Entre as denúncias de corrupção envolvendo a Gemini, destacam-se as denúncias feitas pelo sindicato dos trabalhadores na indústria de petróleo (Sindipetro). A propósito, o jornal do sindicato chegou a publicar matéria ilustrada por uma charge desmoralizante: uma pessoa com uma mala recheada de dinheiro na qual aparece gravado o nome da empresa controlada pela Praxair Inc.

Sem a menor dúvida, no caso da Gemini, o Sindipetro seria o mais forte candidato a receber a recompensa relativa à Lei Dodd-Frank.

Torna-se importante destacar o suspeitíssimo procedimento da atual presidente da Petrobras Maria das Graças Foster diante do caso da Gemini. A propósito, o endereço eletrônico do mais recente artigo sobre o assunto, “A ‘fidelidade incondicional’ da Graça Foster e a Gemini”, se encontra ao final.

Uma palavra final

A limitação de espaço me impossibilita de entrar em maiores detalhes, tanto do caso do Cartel do Oxigênio quanto do caso da Gemini. Mas posso garantir que tais detalhes deixarão perplexas as autoridades dos EUA.

Por isso, continuarei insistindo com as autoridades norte-americanas para mostrar o que sei sobre o assunto. Dentro dessa linha de procedimento, primeiramente, o presente artigo será formalmente encaminhado ao Embaixador dos EUA pelo endereço eletrônico brasiliaprot@state.gov


João Vinhosa é Engenheiro - joaovinhosa@hotmail.com
www.alertatotal.net
Leia mais informações em:
http://www.alertatotal.net/2012/02/o-embaixador-dos-eua-e-o-cartel-do.html http://www.fiquealerta.net/2012/02/recurso-oab-sobre-cartel-dos-gases-no.html http://www.alertatotal.net/2012/02/fidelidade-incondicional-da-graca.html


Fonte: mudancaedivergencia.blogspot.com

A Dama de Ferro e a Mentira da Sétima Arte



A Dama de Ferro

Antes mesmo de seu lançamento, na verdade, imediatamente depois da divulgação do primeiro pôster que a mostrava caracterizada como Lady Margaret Thatcher, a única primeira-ministra na história do Reino Unido, a atriz recordista em indicações Meryl Streep (é a sua décima sétima) disparava na bolsa de apostas do Oscar e era considerada vencedora antecipada. Expectativas altas e merecidos louros para esse monstro da interpretação, mas que causou um efeito colateral perigoso: bastou exclusivamente isso para que A Dama de Ferro fosse elevado a um status completamente desproporcional aos méritos artísticos do longa, nada mais do que uma deturpada biografia da poderosa mulher e uma visão histórica de alguns momentos cruciais na rígida e conservadora política fiscal e socioeconômica popularmente conhecida como Thatcherismo. Demagogia em forma de cinema; uma visão alienatória e condescendente que ao invés de esclarecer ao público, o cega levando-o automaticamente a perdoar as ações assustadoras e cruéis de uma pessoa intransigente, obstinada e egoísta. Ou seja, uma irresponsabilidade artística disfarçada de liberdade criativa que desinforma e agride a história de homens e mulheres que atravessaram os mais de 11 anos de governo de Lady Thatcher.

Contando com uma abordagem narrativa desonesta e apelativa, o roteiro de Abi Morgan apresenta uma frágil e idosa Margaret Thatcher, acometida de sintomas de demência e confusão mental, indicativos do mal de Alzheimer, e vigiada por guardas orientados por sua filha Carol (Colman). Proibida sequer de ir ao mercado da esquina comprar leite, Thatcher convive, esquizofrenicamente, com o falecido marido Denis (Broadbent), uma espécie de fantasma do natal passado do conto de Charles Dickens misturado com o anjo redentor do clássico natalino de Frank Capra A Felicidade não se Compra. Na conjectura proposta pela diretora Phyllida Lloyd (como alguém saí do musical Mamma Mia! e pula em um drama política é o verdadeiro mistério), seria possível ter piedade de homens como Adolf Hitler, Napoleão ou os perversos ditadores militares brasileiros - evidentemente, se todos tivessem atingido os 80-90 anos -, e consigo imaginar um Hitler balbuciante e fragilizado comovendo os espectadores durante um discurso edificante a alucinação de Eva Braun quando justifica o genocídio judeu na segunda guerra mundial. O que levaria a perdoar seu passado e os milhões de mortos nos campos de concentração.

Covarde e não-fidedigna, desvirtuando os fatos reais a seu bel-prazer - o que eleva, por comparação, a recente biografia de J. Edgar à condição de obra-prima -, a roteirista Abi Morgan é acidentalmente feliz na narrativa tradicionalmente episódica, pois revisita os lapsos de memória vivenciados por Thatcher que sobrevêm sem convites, com o rigor esperado de uma mulher demente. Dessa maneira, é natural que no percurso da adolescente idealista filha de um líder político local aos últimos dias a frente do Partido Conservador do parlamento, Thatcher se veja como um baluarte do movimento feminista na política mundial (e foi!) e se sinta quase como vítima no meio de um legislativo predominantemente masculino e machista (e foi, também!). Outrossim, seria absolutamente improvável que, na velhice, ela pudesse tatear a famigerada política que implantou no Reino Unido durante seu governo, restando lembranças de como ela desejava expor o que "não era certo", a imagem de uma menina certinha ajudando na quitanda do seu pai ou os conselhos de "nunca siga a multidão" proferidos com um entusiasmo tipicamente canastrão e patriótico.

Todavia, nesse compêndio digressivo não há compromisso histórico e a diretora Phyllida Lloyd, na falta de melhor palavra, é totalmente incompetente mesmo quando expõe os elementos controversos da sua trajetória. Veja que, durante as acusações de detratores em rede nacional, a diretora obriga Meryl Streep a desligar o televisor sem ao menos escutar o teor daquelas. As menções à recessão, ao maior índice de desemprego e à baixa produção da indústria ao invés de usados para apontar as falhas na política da Dama de Ferro (apelido "carinhosamente" conferido após os atritos com os Soviéticos), mascaram-se de crise mundial escusando a responsabilidade pessoal das ações da primeira-ministra. Mas, como levar a sério uma diretora que se limita a planos inclinados nos quais Thatcher encontra-se dentro do carro e protestantes agridem os vidros argumentando que "ela deveria ser uma mãe" ou que ensaia a preparação vocal emprestada de O Discurso do Rei? E, depois de comparar responsabilidade fiscal a orçamento doméstico para escusar as privatizações, a taxação aos mais pobres e a desregulamentação econômica, revelando-se voraz governante, Phyllida perde a mão completamente ao expor as verdadeiras causas do conflito nas Malvinas.

Supostamente escondida debaixo do véu da defesa da soberania britânica, o conflito pelas inexpressivas ilhas no atlântico sul provocou desequilíbrio financeiro e a morte de centenas de argentinos e britânicos com fins praticamente eleitoreiros restabelecendo a popularidade da Dama de Ferro para alcançar um novo mandato no parlamento, e a omissão desse subtítulo no contexto da guerra é de uma temeridade gigantesca. Aliás, transformá-la em mártir de atentados patrocinados pelo grupo terrorista IRA (mormente o do Grand Hotel), depois de declamar a oração de São Francisco de Assis e colaborar para a derrubada do muro de Berlim e a queda do comunismo são tentativas desesperadas de atacar para todos os lados e conquistar o maior séquito de adoradores para a ex-primeira-ministra. Ou, os retratos com o Papa e o presidente norte-americano Ronald Reagen, um de seus aliados mais fiéis, e a morte de Airey Neave (Farrell), leal companheiro, fossem o bastante para, junto da trilha sonora edificante de Thomas Newman, transformá-la no ideal mais resplandescente e belo da democracia.

Infelizmente, porém, o espectador médio não parece estar interessado em verossimilhança, bastando a presença de Meryl Streep para eximir a narrativa das incongruências factuais. Digna dos elogios e prêmios recebidos, a composição da atriz norte-americana é milimetricamente precisa, habitando o mito Thatcher da mesma maneira com que reproduziu os maneirismos de Julia Child em Julia & Julie (sua última indicação ao Oscar). Adotando um tom de voz anasalado e pausado, pronunciando as sílabas e frases com rigor gramatical invejável, com um olhar adocicado dissimulando uma imposição fulminante e uma postura austera, Streep perde-se na figura da primeira-ministra e, depois de todos esses anos, me impressiono como a atriz não enlouqueceu no método de atuação perfeccionista que adota. Ajudada por Alexandra Roache, cuja ingenuidade e insegurança retratados na juventude funcionam por contraste realçando a megera intransigente que viria a se tornar, Meryl Streep ultimamente transforma-se na Dama de Ferro graças a boa maquiagem e a arcada dentária de dentes sibilinos, levemente exagerando na prótese do pescoço.

Habitando o n° 10 da Downing Street por mais de 11 anos, renunciando ao cargo após a "traição" de seus lacaios conservadores (não vejo adjetivação mais adequada), A Dama de Ferro tem Meryl Streep. Para muitos, isso basta; outros, como eu, sentirão-se traídos e escarneados. Não é culpa de humanizar o biografado - A Queda demonstrou quão honesto pode ser esse processo sem descaracterizar o sujeito, no caso Hitler -, mas sim transformar uma mulher cheia de defeitos como Margaret Thatcher em uma vítima da sociedade machista, um mártir de relacionamentos familiares e intrigas partidárias e, por que não, uma santa.

Por falar nisso, eis um papel que eu sonho assistir: Meryl Streep vivendo Madre Teresa de Calcutá.



Fonte: http://cinemacomcritica.blogspot.com

Irã: Inimigos não têm coragem para atacar

Comandantes militares do Irã garantiram nesta terça-feira (6) que as forças armadas estão plenamente preparadas para enfrentar qualquer ato de agressão, segundo a natureza das ameaças de seus inimigos.

Em novas reações a declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e dirigentes israelenses, o chefe das forças terrestres do Exército iraniano, brigadeiro general Ahmad-Reza Pourdastan, assegurou que deram "passos maiores" em sua preparação militar.

Pourdastan evitou mencionar diretamente os Estados Unidos e Israel, mas insistiu em que têm monitorado cada movimento das forças extrarregionais que operam nas proximidades das fronteiras do país persa e "estamos plenamente preparados para enfrentar qualquer agressão".

Segundo o chefe militar de alto nível, a destreza do Exército "despojou o inimigo de valor para tentar uma agressão contra o Irã", cujas tropas se armaram com arsenal de fabricação nacional e fizeram exercícios simulados de guerra real.

Em declarações divulgadas no último domingo em Teerã, chefes do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas iranianas prometeram usar "cada opção" disponível para enfrentar um potencial ataque contra instalações nucleares do país.

Apesar de reiterados desmentidos do Irã, os Estados Unidos, seus aliados da Europa e Israel o acusam de desenvolver um programa nuclear com fins militares, e Tel Aviv elevou sua retórica bélica com recorrentes ameaças de bombardear instalações atômicas do país.

Por seu lado, o comandante militar Ataollah Salehi afirmou que os navios de guerra iranianos têm capacidade para deslocar-se no Oceano Atlântico, além do Golfo de Áden, Mar Mediterrâneo, Canal de Suez, Oceano Índico e Mar Vermelho.

Isso mostra o poderio da marinha da República Islâmica e sua disponibilidade combativa, apontou Salehi, ao recordar afirmações do chefe da
Armada, contra-almirante Habibollah Sayyari, de que a frota nacional pode cumprir missões em qualquer ponto em mar aberto.

Sayyari anunciou em setembro de 2011 planos de Teerã de deslocar navios de combate no Atlântico, perto das costas dos Estados Unidos, "para responder à arrogância global do Ocidente que tem uma presença militar perto de nossas fronteiras marítimas".








Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Council on Foreign Relations – Brasil deve aumentar seu poderio militar

"O Brasil deve aumentar seu poderio militar porque só soft power (poder brando) não basta, e uma maior capacidade brasileira em defesa abre a possibilidade de cooperação com os EUA."

É o que sugere Richard Haass, que fez carreira na diplomacia americana, ocupando postos importantes em governos republicanos, e desde 2003 preside o Council on Foreign Relations, centro de estudos influente na política externa do seu país.

Ele falou à Folha após viagem de estudos de uma semana em que liderou uma delegação de 19 pessoas por Rio, São Paulo e Brasília, incluindo reuniões com a presidente Dilma Rousseff e o chanceler Antonio Patriota.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

FOLHA – Em que essa viagem mudou ou não sua percepção do Brasil?

RICHARD HAASS – Tenho vindo aqui há 15, 20 anos. É difícil não ficar impressionado com o sucesso econômico. O que realmente me impressionou é que parei de pensar no Brasil como um país em desenvolvimento; o vejo como um país maduro. Seus desafios econômicos e sociais me lembram os EUA: a infraestrutura obsoleta, a educação, o capital humano, o peso dos impostos e da estrutura regulatória.

Outra coisa é como é boa relação entre EUA e Brasil. Não significa que concordamos em tudo, mas o nível de conforto é alto.

FOLHA – O subsecretário de Estado William Burns descreveu o Brasil como uma “potência global emergente”. Usaria a mesma descrição?

HAASS – A resposta curta é sim. A palavra emergente é difícil. Em alguma medida, o Brasil já chegou lá. Economicamente, o Brasil já é uma potência mundial. Diplomaticamente, tem assumido um papel maior. Militarmente, ainda é modesto, e tem que decidir que tipo de capacidade o país quer, que papel quer
desempenhar.

FOLHA – Sobre o que foi a conversa com a Dilma, sobre a relação bilateral?

HAASS – Foi bastante sobre isso, e também sobre a visão dela sobre a América. Como americano, achei alentador. Nos EUA temos um debate permanente sobre se estamos em declínio. É bom ter uma conversa com sua presidente em que ela se mostrou tão confiante e positiva sobre a capacidade de os EUA superarem seus problemas, nossa flexibilidade, nossa abertura, nossa criatividade, nossa tradição de inovação, a capacidade de adaptação. Às vezes em nossos debates internos esquecemos disso.

FOLHA – Dilma tem ressaltado a vontade de aprofundar o intercâmbio com os EUA em educação, inovação. Isso é suficiente para a relação? Toda a viagem de Burns girou em torno da decisão da Força Aérea de cancelar a licitação vencida pela Embraer.

HAASS – Sempre haverá dificuldades sobre essa ou aquela decisão, mas fora do governo coisas como essas parecem pequenas, uma distração em relação ao quadro maior de uma relação cada vez maior entre dois países que enfrentam desafios comuns em suas economias, suas sociedades.

FOLHA – Aprofundar a parceria em defesa é importante para a relação bilateral?

HAASS – Apoio uma relação maior entre os dois países no campo da defesa. Gosto da ideia de que o Brasil desenvolva maiores capacidades nessa área. Isso abre a possibilidade de que o Brasil e os EUA possam ter parcerias em desafios na Ásia, no Oriente Médio ou na América Latina. Não vamos concordar sempre, mas se o Brasil não tem essa capacidade e se nós não temos a cooperação, mesmo se concordarmos, não podemos fazer muito.

Gosto da ideia de o Brasil gradualmente desenvolver maior poder militar. Precisamos de parceiros. Não precisa ser um aliado, pode manter sua independência, mas ter uma uma colaboração seletiva quando vermos coisas do mesmo modo, e a defesa é parte disso.

As pessoas aqui gostam de falar de soft power, muito bem. Mas há épocas no mundo em que você precisa se voltar para o poder duro. Às vezes a economia e a diplomacia são suficientes, mas às vezes nenhuma das duas funciona, e você precisa usar a força militar. Nessas ocasiões, esperaria que houvesse ao menos a possibilidade de cooperação entre Brasil e EUA.

FOLHA – Uma pergunta que se faz aqui é se o Brasil pode ser uma potência mundial sem armas nucleares, como as potências atuais têm. Qual a sua opinião?

HAASS – Um país pode ser um poder regional ou global sem armas nucleares. Pense no Japão, na Alemanha, na Turquia e na África do Sul. Em segundo lugar, ter armas nucleares não torna um país uma potência necessariamente. Veja o caso da Coreia do Norte e do Paquistão.

Finalmente, a maioria dos países que são potências e têm armas nucleares são potências por outras razões. Isso se aplica aos EUA, à China e a outros. O Brasil pode se tornar uma potência global sem armas nucleares. Não vejo nenhuma razão estratégica para que o Brasil as desenvolva. Não aumentaria a segurança do país, mas complicaria muitas de suas relações e drenaria recursos.

FOLHA – Por suas conversas aqui, considera que há consenso sobre o papel que o Brasil deve desempenhar no mundo?

HAASSConsenso é uma palavra muito forte. Acho que há um debate sobre as prioridades internas e internacionais. Não é surpreendente porque a ideia de o Brasil ser um ator global e não regional é relativamente nova.

Um exemplo: agora vocês têm a realidade desses grandes recursos petrolíferos na costa. Isso tem consequências, o Brasil vai ter que repensar como dar segurança a esses grandes investimentos.

FOLHA – Por que, apesar de ainda haver divergências entre os dois países sobre o Irã, a tensão não é a mesma de dois anos atrás?

HAASS – Em parte é porque, quando a relação melhora, você aprende a discordar. Também acho que o critério de uma relação não é se você concorda todo o tempo, isso é impossível. Mas você faz com que as áreas em que você discorda não travem o caminho daquelas em que você coopera. Acho que há mais áreas de concordância na economia e na diplomacia. Na Síria há bastante concordância.

Muitos americanos no negócio, entre aspas, da política externa, não pensávamos no Brasil há 20 anos. Isso mudou e essa é uma da razões pelas quais o Council on Foreign Relations está no Brasil agora, porque é importante globalmente. A relação está se tornando mais ampla e profunda.

FOLHA – O sr. teme uma nova guerra no Oriente Médio antes do fim do ano?

HAASS – É uma possibilidade. No caso do Irã, uma possibilidade real. Escrevi um artigo em que argumentei que, além de continuar pressionando com sanções, deveríamos oferecer uma proposta diplomática ampla. Não sei se o Irã vai aceitar, e se não aceitar, acho que as chances de um ataque por Israel, pelos EUA ou por outro país é uma possibilidade real. Claro que é passo arriscado e custoso, mas ninguém deve subestimar o custo de o Irã ter armas nucleares.

FOLHA – O Brasil consultou o secretário-geral da ONU sobre a legalidade de um ataque ao Irã. O sr. conversou sobre esses temas com o Patriota?

HAASS – Um ataque às instalalações nucleares do Irã seria o se chama de ataque preventivo. É controvertido legalmente, diplomaticamente. A questão é se, apesar disso, dada a trajetória do Irã, dada a implicação potencial de uma bomba iraniana, ainda vale a pena fazer. Para mim a lei internacional não é preto e branco, tem muito cinza. Um líder israelense pode pensar que tem que pesar a lei, mas também a segurança de seu país. Os EUA têm que pensar em seu compromisso com Israel, sua oposição à proliferação nuclear, o preço e a oferta de petróleo, a criação de um precedente nas relações internacionais sobre o uso da força. Há toda uma gama de considerações, e não será uma decisão fácil para ninguém.

FOLHA – O Brasil deveria voltar a ser chamado para as negociações com o Irã?

HAASS – Não vejo razão no momento. O Irã tem uma linha de comunicação clara com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). No momento o problema não é a falta de mediadores, mas a recusa do Irã em cumprir suas obrigações internacionais. Se o P5+1 (as cinco potências do Conselho de Segurança) e a ONU estiverem dispostos a pôr na mesa uma oferta razoável, que não seja para humillhar o Irã mas permita que o país tenha atividades limitadas nessa área, desde que coopere com os inspetores internacionais, não precisamos do Brasil ou de outro país nas negociações. Não queremos ter uma situação em que temos cinco mediadores e os iranianos escolham qual querem, e usam a situação para ganhar tempo. Isso não é uma crítica ao Brasil, acho que há clareza sobre o que é necessário e a verdadeira questão é se o Irã está disposto a compromissos.

FOLHA – A força-tarefa do CFR recomendou que os EUA apoiem a candidatura brasileira ao Conselho de Segurança da ONU. Isso lhe pareceu importante para os brasileiros?

HAASS – O assunto aparece algumas vezes, mas não sempre. Para alguns é importante como um símbolo, para outros por causa da substância, porque o Brasil estaria numa posição de maior influência. Para outros não tem tanta importância.

Para ser honesto, eu tenho duas posições sobre isso. Eu acho que Brasil, Índia e Japão deveriam ter cadeiras permanentes no Conselho de Segurança, que não reflete mais a realidade geopolítica.

Por outro lado, por causa dos vetos e com mais países, a inação que às vezes existe hoje vai continuar. Não acho que se deve equiparar a ONU com multilateralismo. O Brasil não precisa ser membro do CS para ter um papel importante no mundo.

FOLHA – Os EUA anunciaram prioridade para o Pacífico, por causa da China. Como o Brasil se encaixa nisso?

HAASS – Há um ajuste na política externa americana, de afastamento do Grande Oriente Médio e aproximação com a Ásia-Pacífico, onde acredito que muito do século 21 será traçado e decidido. Para os EUA fazerem isso, precisamos pôr a economia interna em ordem e ter parceiros para trabalhar conosco na região. O Brasil é um parceiro potencial. Também precisamos que este hemisfério permaneça estável. Parte da capacidade de nos envolvermos mais com a Ásia depende da estabilidade das Américas. Há poucas grandes potências na história com vizinhanças pacíficas e estáveis. Nós temos, em grande medida. É uma exceção extraordinária e um luxo em termos históricos. Mas é também algo que deve continuar a ser trabalhado pelo Brasil e os EUA. Para mim tudo isso reforça o argumento de que Brasil e EUA devem ter um diálogo estratégico.

FOLHA – Já se falou muito na perspectiva de uma rivalidade crescente entre Brasil e EUA. Acredita nisso?

HAASSDe jeito nenhum. Brasil e EUA enfrentam desafios e oportunidades. De certa maneira, ou vamos ter sucesso juntos ou vamos fracassar juntos, seja no hemisfério ou além.





Fonte: defesabr.com
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