Minha lista de blogs

terça-feira, 13 de março de 2012

Colômbia procura paz e justiça



Entre 21 e 23 de Abril, o Conselho Nacional Patriótico vai convocar milhares de activistas da maior parte dos principais movimentos sociais urbanos e rurais e de sindicatos, grupos dos direitos humanos e movimentos indígenas, afro-colombianos, que se vão juntar para unir forças e lançar o que promete ser o novo movimento político mais significativo da história recente. Unidos num compromisso comum de procurar uma solução política para acabar com 60 anos de conflito social armado, o encontro vai decidir uma estratégia para derrotar os narco-regimes políticos do passado e do presente, recuperar as terras e as casas de 4 milhões de camponeses, índios, agricultores e afro-colombianos desalojados. O ponto central da missão deste encontro será a recuperação da soberania nacional, gravemente comprometida pela presença de sete bases militares americanas, pela apropriação a grande escala e a longo prazo por parte das multinacionais estrangeiras dos recursos minerais e energéticos do país, e a protecção das comunidades indígenas e afro-colombianas contra a depredação ambiental. O encontro de Abril tem vindo a ser preparado por reuniões de massas, organizadas por conselhos populares, determinados a pôr fim às máquinas políticas paramilitares e dos latifundiários que controlam o eleitorado.

Há boas razões para crer que este movimento político terá êxito onde outros falharam, em grande parte por causa da amplitude e abertura dos participantes, da crescente cooperação e unidade em lutas comuns pela reforma agrária, por uma democracia participada e pela oposição quase universal ao militarismo apoiado pelos EU e ao acordo neoliberal de comércio livre.

Perspectivas internacionais: Um contexto promissor


Nunca o clima internacional foi tão favorável, em especial na América Latina, para o crescimento da iniciativa democrática popular da Colômbia e para o possível êxito político deste "movimento de movimentos".


Por quase toda a América do Sul e Caraíbas um momento histórico favorável de autonomia regional assumiu uma forma organizada, apoiado por quase todos os principais países da região. A ALBA (Alternativa Bolivariana para a América Latina) liga uma dezena de países das Caraíbas e dos Andes num pacto de integração regional liderado pelo dinâmico governo democrático e anti-imperialista de Hugo Chavez, presidente da Venezuela. A UNASUR (União das Nações Sul-americanas), o MERCOSUR (Mercado Comum do Sul) e outras organizações regionais, são expressão da crescente independência política e económica da América Latina e uma rejeição da OEA (Organização de Estados Americanos). Em termos práticos, o crescimento destas organizações regionais independentes significa uma rejeição à intervenção militar patrocinada pelos EUA, conforme ilustrado pelo seu repúdio ao golpe militar nas Honduras apoiado por Washington em 2009. A oposição da América Latina ao Acordo de Comércio Livre da América, de Washington, levou ao crescimento do comércio intra-regional e forçou Washington a procurar 'acordos bilaterais de comércio livre' com o Chile, a Colômbia, o Panamá e o México.


O crescimento da integração regional autónoma proporciona duas vantagens estratégicas: reduz a dependência económica em relação aos EUA e enfraquece a vantagem de Washington em impor sanções económicas contra qualquer governo nacionalista, populista ou socialista na região. Isso é evidente no fracasso de Washington em conseguir apoio latino-americano para o seu bloqueio a Cuba ou para as sanções contra a Venezuela. A queda da influência política e do domínio económico dos EUA abre uma oportunidade histórica para um governo popular nacionalista e democrático na Colômbia para, de forma realista, desenvolver um novo modelo de desenvolvimento alternativo centrado numa maior igualdade social.


O crescimento dinâmico dos mercados asiáticos, em especial da China, fornece à América Latina uma oportunidade histórica de diversificar os seus mercados, aumentar o comércio e garantir preços favoráveis às suas exportações. A vantagem das relações comerciais asiáticas é que estas não estão inquinadas pela subversão da CIA e do Pentágono – baseiam-se em estritas relações económicas mutuamente benéficas e na não intervenção nas relações internas de cada país. A diversificação do comércio está bastante avançada: a China substituiu os EUA e a UE como principais parceiros comerciais do Brasil, da Argentina, do Chile e do Peru e a lista está a aumentar à medida que a Ásia cresce rapidamente a mais de 8% e as economias dos EUA e da UE patinham na recessão.


A América Latina deixou de estar sujeita à volatilidade cíclica dos mercados financeiros EUA-UE. Durante as crises financeiras dos EUA e da Europa em 2009-2010, a América Latina conseguiu virar-se cada vez mais para a China para financiamento: os empréstimos da China à América Latina passaram de mil milhões de dólares em 2008 para 18 mil milhões de dólares em 2009 e 36 mil milhões de dólares em 2010. Além disso, países como a Argentina e o Equador, que não têm acesso aos mercados de capitais privados nos EUA e na UE por causa de incumprimento da dívida, podem contrair empréstimos em bancos estatais chineses. Entre 2005-2010, a China emprestou à América latina 75 mil milhões de dólares e em 2010 os empréstimos chineses ultrapassaram os empréstimos conjuntos do FMI, do Banco Mundial e do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento].


Além disso, os bancos estatais chineses não impõem 'condições' políticas e económicas severas aos seus devedores latinos, como faz o FMI. Por outras palavras, os latino-americanos que recorrem ao financiamento externo, podem contrair empréstimos na China para financiar mudanças estruturais, incluindo a reforma agrária e a nacionalização de bancos, sem medo de represálias económicas dos seus emprestadores além-mar.


A ALBA proporciona um importante 'agrupamento sub-regional' e um fórum que representa uma poderosa rejeição às guerras imperialistas, uma oportunidade para maior integração das Caraíbas e uma defesa contra a intervenção política e militar imperialista assim como subsídios favoráveis sobre as importações de petróleo. A ALBA fornece à Colômbia uma oportunidade para aprofundar os seus laços estratégicos com a Venezuela e o Equador, já que partilham uma fronteira comum, economias altamente complementares e um legado bolivariano histórico e cultural comum.


Em contraste com o período entre finais dos anos 70 e 2000, quando Washington dominava a América Latina através de regimes clientes militares e civis e santificava o dogma neoliberal do chamado Consenso de Washington de 1996, e limitava a liberdade de acção dum governo popular independente, uma Colômbia livre e independente neste momento teria um ambiente internacional, político e económico muitíssimo mais favorável.


O declínio do poder global dos EUA

A influência dos EUA está em queda a nível mundial: a China e a Índia substituíram os EUA enquanto principais parceiros comerciais na Ásia, na América Latina, em África e em importantes países do Médio Oriente. A economia e as forças armadas da Rússia recuperaram da pilhagem catastrófica durante a era de Yeltsin e está a prosseguir uma política independente. Isso é evidente nas vendas militares e nos acordos de petróleo da Rússia com a Venezuela, no veto no Conselho de Segurança da ONU quanto ao assalto mercenário à Síria, apoiado pela NATO, e nas suas ligações mais estreitas com a China.

Juntamente com o aparecimento de um mundo multi-polar da Rússia-China-América Latina, o Médio Oriente e o Norte de África estão no meio de uma série de rebeliões democráticas populares e anti-imperialistas que ameaçam as ditaduras clientes dos EUA.


Igualmente importante, as guerras dos EUA, prolongadas, dispendiosas e fracassadas no Iraque e no Afeganistão têm sido imensamente impopulares internamente, e em conjunto com o défice fiscal e comercial e as crises financeiras, têm corroído o apoio público para novas guerras territoriais a grande escala.


Por outras palavras, os EUA estão muito menos capacitados para sustentar uma intervenção militar de grande escala contra um país importante como a Colômbia, se e quando for eleito um novo governo popular.


A morte do modelo capitalista neoliberal


Hoje, mais do que nunca na história recente, o actual "capitalismo de mercado livre" real demonstrou à escala mundial o seu fracasso em proporcionar os princípios essenciais a uma vida boa. Na Grécia, em Espanha, em Portugal, na Itália, o desemprego juvenil paira entre 35% a 50%; e o desemprego geral aproxima-se ou ultrapassa os 20%. Na UE e nos EUA o desemprego e o subemprego reais ultrapassam um quarto da força de trabalho.

A recessão económica, as crises financeiras e as condições de vida e de trabalho em queda são as condições que definem os EUA e a Europa. Por outras palavras, o modelo capitalista em crise há cinco anos não oferece alternativa para a grande maioria que trabalha nos 'países imperialistas desenvolvidos' nem nos chamados 'países em desenvolvimento'.


Isso apresenta uma oportunidade ideológica de ouro para demonstrar que uma sociedade socialista baseada na participação democrática é uma alternativa viável para crises suscitadas pelo capitalismo.


Lutas de classe e nacionais: A realidade emergente


Actualmente por todo o mundo, desde o sul da Europa até ao Médio Oriente, desde a Ásia até à América do Norte, sucedem-se revoltas populares de massas. Greves gerais, manifestações de massas e lutas de rua alastram-se nas capitais da Grécia, de Portugal e da Itália. Movimentos democráticos de massas desafiam ditadores no Egipto, na Tunísia, no Bahrain e nos estados do Golfo. Os 'movimentos de ocupação' nos EUA e em Espanha espalharam-se a outros países, rejeitando a "austeridade" baseada em classes. Perante a recuperação de lucros à custa de enormes cortes em salários, serviços públicos, pensões e cuidados de saúde, juntam-se à luta novos sectores da classe média.


Mesmo nos países capitalistas asiáticos de acentuado crescimento, como a China, a classe trabalhadora revolta-se contra as desigualdades e a exploração: mais de 200 mil greves e manifestações de protesto em 2011 fazem recordar as rebeliões populares da Revolução Cultural contra a hierarquia e o abuso. Em resumo, a correlação de forças regional e mundial é muito favorável ao aparecimento de um novo movimento político unificado e dinâmico na Colômbia. No entanto, há perigos e obstáculos que é necessário ter em consideração.


Obstáculos e desafios


O declínio e decadência do poder e da influência dos EUA não diminui os perigos de assassínios directos pelas Forças Especiais, da intervenção militar indirecta através de aliados militares locais e da desestabilização económica.

Washington aperfeiçoou um exército clandestino de forças especiais, de operações armadas assassinas, em 75 países. Os EUA mantêm 750 bases militares em todo o mundo. Como vimos nas Honduras, os EUA ainda têm poder sobre militares e aliados entre os oligarcas para derrubar um governo progressista. Os EUA têm um exército de reserva de políticos locais e de ONG pronto para substituir os "ditadores" quando estes são derrubados.

Washington e a Europa da NATO forneceram apoio aéreo e naval e forneceram armas a mercenários e fundamentalistas locais para derrubar chefes independentes como Kadhafi na Líbia. Agora estão a fornecer armas a mercenários para atacar o presidente Assad na Síria. Os EUA e a UE estão a montar uma frota militar cercando o Irão e a promover sanções económicas para estrangular a sua economia. Mais preocupante ainda, Washington está a cercar a China e a Rússia com bases militares, mísseis e navios de guerra.


Por outras palavras, o imperialismo em declínio económico mantém contudo opções militares para deter o avanço dum sistema político global pluralista. Os estados imperialistas não abdicam do poder a não ser que tenham pela frente alianças regionais unificadas e, igualmente importante, governos com apoio popular de massas unificado.


A evolução positiva da integração latino-americana é um passo para uma maior independência mas tem fraquezas estratégicas: nomeadamente contradições e conflitos de classe internos quanto a modelos de desenvolvimento. O crescimento económico e a diversificação de mercados tem enfraquecido o domínio dos EUA mas também tem reforçado o poder e a riqueza das classes dirigentes internas e das grandes empresas multinacionais agro-minerais.


As desigualdades de riqueza, de receitas e de posse das terras florescem no Brasil, no Chile, no Peru, no Equador, na Bolívia e não só, apesar de alguns desses regimes afirmarem ser "governos populares". Além disso, o "anti-imperialismo" dos países da ALBA como a Bolívia não se estende às dezenas de multinacionais estrangeiras, donas da extracção de minerais e da exploração do petróleo, que dominam o país. A Argentina pode promover uma política estrangeira independente mas mais de um terço do seu território está nas mãos de capital estrangeiro.


Por outras palavras, embora o aumento de governos independentes na América Latina contribua para limitar o domínio dos EUA, os movimentos colombianos têm também que reconhecer as limitações e contradições de classe dos países 'progressistas' da região. Só a Venezuela tem concretizado políticas fortemente redistributivas e nacionalistas.


Os principais obstáculos que os novos movimentos políticos colombianos enfrentam são internos: a oligarquia entrincheirada e os seus aliados no estado, em especial no seio das forças militares e paramilitares. Se o ambiente externo é fortemente favorável, o regime político interno apresenta-se como um obstáculo formidável, principalmente os continuados assassínios de dezenas de importantes sindicalistas, de camponeses e de activistas dos direitos humanos.


A desmilitarização da sociedade civil, a começar pelo desmantelamento das bases militares americanas, o abandono do Plano Colômbia e a desmobilização das forças armadas (mais de 300 mil fora os grupos paramilitares privados) são importantes passos para a abertura de espaço político para o exercício de direitos democráticos. A democratização das eleições exige o fim da penetração estatal e da coacção da sociedade civil.


A democratização da Colômbia exige o crescimento de poderosos movimentos sociais independentes que representem todos os sectores populares da sociedade colombiana; é necessário que a investigação judicial e o julgamento do ex narco-presidente Álvaro Uribe e dos seus colaboradores mais próximos, por homicídios políticos, se alargue ao actual regime de Santos. O recente "acordo de comércio livre" entre Obama e Santos tem que ser repudiado porque é um obstáculo ao desenvolvimento interno e ao aprofundamento de relações económicas mais promissoras com a Venezuela e o resto da América Latina e a Ásia.


É preciso mobilizar mais de 4 milhões de colombianos espoliados, desapossados à força pelo regime de Uribe, para recuperarem as suas terras, e fornecer-lhes créditos, empréstimos e uma oportunidade de fugir à sua actual miséria e sofrimento.


Os actuais dirigentes da Colômbia não podem apontar um único exemplo dum modelo neoliberal bem sucedido na Europa, na América Latina ou nos Estados Unidos. O México e a América Central neoliberais estão dominados por cartéis da droga, com mais de 80 mil homicídios nos últimos cinco anos e têm as taxas de crescimento mais baixas da região. A economia dos EUA está estagnada com mais de 20% de desempregados e subempregados. A União Europeia está à beira da desintegração. Está a ser confirmada claramente a crítica de Marx sobre a crescente pauperização no capitalismo. Chegou a altura de os novos movimentos políticos considerarem uma "via colombiana para o socialismo" construída sobre a propriedade pública dos altos comandos da economia, da reforma agrária, da agricultura sustentável e da protecção ambiental sob controlo democrático.


É com espírito de optimismo e análise crítica que envio a minha solidariedade e apoio incondicional aos organizadores, activistas e participantes militantes que vão estar presentes neste encontro histórico. Estou confiante em que mais cedo que tarde guiarão a Colômbia à sua "segunda e final independência".


http://www.marchapatriotica.org/

Tradução de Margarida Ferreira.
Em: http://resistir.info/
Fonte: rededemocratica.org
Imagem: Google

As bases militares dos Estados Unidos no Japão


A presença militar dos Estados Unidos no Japão tem adquirido ultimamente especial relevância pelas propostas de Washington de reinstalar uma base na ilha de Okinawa e a indecisão de Tóquio a respeito.
De acordo com os mais diversos dados, nem a recente visita a essa ilha do premiê Yoshihiko Noda tem conseguido consenso entre as duas partes, apesar de existir um pacto bilateral nesse sentido assinado em 2006.
Mas a mais firme oposição provém de organizações populares e, inclusive, de servidores públicos locais, que, em conjunto, exigem o fechamento das instalações militares estadunidenses.

Associações como a Não a bases militares no Japão, denunciam que no país "existem 135 bases estadunidenses com cerca de 54 mil soldados", dos quais 75% se concentra em Okinawa.

Para outros, e tal é o caso do governador do departamento de Yamaguchi, Sakinari Nii, é inaceitável o transporte desses assentamentos a outro território do país pelos riscos e o mal-estar que gera entre a população.

Ao concluir a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos mantiveram extensas áreas do território japonês ocupadas e somente em 1972 cederam uma parte de Okinawa às autoridades de Tóquio.

"Essas bases -declarou o Movimento Nacional contra tais centros- causam sérios problemas nas condições de vida, destroem o meio ambiente e provocam acidentes e crimes."

De igual forma, o governo japonês não tem conseguido limitar as atividades de Washington pelas mordomias extraterritoriais concedidas no início dos acordos sob imposição assinados desde 1950, acrescentaram.

Cifras divulgadas nesse sentido detalham que os japoneses pagam custos adicionais para o realinhamento das instalações militares dos Estados Unidos por cerca de 26 bilhões de dólares.

Por outro lado, tanto Tóquio como Washington mantêm sob estrito segredo os depósitos de armas nucleares em Okinawa e o sistema de apoio logístico que permite controlar vastos espaços aéreos na Ásia.

Vale destacar, de acordo com fontes antibelicistas do Japão, que até congressistas estadunidenses como Ron Paul e Dennis Kucinich admitem o grave problema financeiro que implicam as mencionadas bases.

Kucinich, citado em meios de imprensa, chega a afirmar que "não temos dinheiro para ser polícias do mundo e devemos deixar de fingir que o fazemos".

O debate, agora estancado ao menos oficialmente, afeta sobretudo aos mais de um milhão e meio de moradores de Okinawa, palco de uma das batalhas mais sangrentas da última conflagração mundial.

Em 2010

A questão da base americana de Futenma, em Okinawa, transformou-se na principal fonte de dores-de-cabeça do primeiro-ministro Yukio Hatoyama, do Japão, corroendo o seu governo e ameaçando tirá-lo do poder.

Segundo sondagem do jornal Yomiuri, a sua popularidade caiu no fundo do poço, com o índice de aprovação ao seu governo caindo para 24% - entrando, indiscutivelmente, na zona de perigo de naufrágio. Os entrevistados, que representam estatisticamente as opiniões gerais da população japonesa, acham que Hatoyama carece de liderança para resolver o problema de Futenma e as questões cadentes que incomodam a população nipónica. O motivo são as recentes idas e vindas de Hatoyama, e os fracassos que tem colhido ao tentar resolver esse que se tornou o seu grande pesadelo.

A ocupação americana e a questão das bases

Com a derrota na Segunda Guerra Mundial, em 1945, os americanos passaram a ocupar o arquipélago japonês. Com a Constituição de 1947, através do seu artigo 9, o Japão renuncia ao direito de declarar guerra ou usar a força militar para resolver disputas internacionais. Em 1952, a assinatura do tratado de São Francisco entre Japão e Estados Unidos finalizou a ocupação.


Após a derrota, o Japão transformou-se numa monarquia constitucional, com o imperador a desempenhar apenas um papel figurativo - e dispendioso - com o gabinete do primeiro-ministro a exercer o poder de facto.

Mesmo renunciando ao direito de declaração de guerra, o Japão possui uma moderna força armada composta pelo exercito, marinha e aeronáutica, cujo objectivo é zelar pela defesa do país.

Em 1960, foi assinado o Tratado de Cooperação Mútua e Segurança, que substituiu o Tratado de Segurança de 1951. A assinatura desse tratado levou a massivas manifestações populares contrárias, assim como inúmeros confrontos. E continua a ser uma das questões não solucionadas da política japonesa. Nesse tratado, o Japão reafirma a sua responsabilidade de garantir a segurança interna do país, e deixa aos americanos o apoio no caso de conflitos ou ataques às ilhas nipónicas. Mas é claro que se trata de uma capitulação vergonhosa das elites japonesas, permitindo aos ianques a manutenção das suas bases, da derrota na guerra aos dias actuais.



Os americanos possuem 135 instalações por todo o pais. Desde Hokkaido, no extremo norte, a Okinawa, no extremo sul. São instalações para garantir a presença de cerca de 50 mil soldados estacionados no arquipélago, mais milhares de familiares que também vivem no pais. Além das bases, são alojamentos, depósitos, tanques de combustível e materiais que fazem parte da logística americana.

A presença das bases americanas no Japão não está ligada apenas às questões nipónicas, basta lembrar que os comunistas tomaram o poder na China e os americanos temiam que o Japão seguisse o exemplo. Além disso, as bases no Japão têm o objectivo de garantir um equilíbrio militar e preventivo na esfera asiática.

A questão da base de Futenma

Okinawa, que foi palco da sangrenta luta conhecida como Batalha de Okinawa, no final da Segunda Guerra Mundial, é a localidade que possui o maior contingente de tropas americanas estacionadas no arquipélago japonês. A relação histórica entre as tropas americanas em Okinawa, composta por 20 mil militares, e a população local é de um interminável conflito. A indesejada presença militar americana tem um gosto amargo, já que milhares de crimes foram realizados por militares americanos durante todos esses anos.

O que causou maior repugnância ocorreu no dia 4 de Setembro de 1995, quando 3 militares americanos (Marcus Gill, Rodrico Harp e Kendrick Ledet) sequestraram e violaram uma estudante de 12 anos no interior de uma van alugada. Esse acontecimento comoveu as notícias do país e provocou massivas manifestações de repúdio em Okinawa.


A base de Futenma (Marine Corps Air Station) tem uma tropa de 4 mil recrutas, uma pista de pouso de 2.470 metros e está encravada no meio de uma populosa área residencial, causando grandes inconveniências aos moradores da cidade de Ginowan, onde está localizada. É considerada a mais perigosa das bases e, mesmo nos EUA, não há nenhuma base que se assemelhe a Futenma nas suas características.

Após esse episódio ultrajante de violação, foi feita a promessa de retirada da base de Futenma num prazo de cinco a sete anos, como forma de aliviar a celeuma causada aos okinawanos.

A solução desse problema arrasta-se até hoje e o actual primeiro-ministro tinha prometido, em campanha, aos 127 milhões de japoneses, transferir a base para outra localidade ou mesmo para fora do país. Hatoyama prometeu dar uma solução a esse problema até ao final de Maio, prazo que já se esgota, sem ter encontrado ainda nenhuma solução. Nesta semana, apresentou a proposta aos americanos de construção de uma pista em Henoko, sustentada por pilares no mar, que, segundo ele, causaria menos impacto ambiental. Mas uma sondagem recente do jornal Asahi, um dos principais do pais, publicada no dia 13, demonstra que 76% da população local se opõe à mudança de Futenma para outra localidade de Okinawa. E na última quinta-feira afirmou ter abandonado a ideia de resolver a questão até ao final do mês, alegando ser necessário ouvir melhor a população local, assim como explicar com mais clareza as posições do governo. Sem duvida, perante a opinião publica, após esse anúncio, fica claro que o governo se encontra num beco sem saída. E, se encontrar alguma solução, certamente, será do desagrado da maioria.

Japoneses dizem não

Os japoneses estão entre os povos politicamente mais conservadores do planeta, basta ver que, durante anos, na maioria dos casos, o governo foi uma sucessiva mudança de líderes das diversas facções do PLD (Partido Liberal Democrático). O actual ministro Hatoyama, do Partido Democrático do Japão, também da direita, rompeu esse ciclo, mas em poucos meses ja se encontra em profundo desgaste, assolado por denúncias de corrupção e por falta de liderança.

Um dos líderes de seu partido, Ichiro Ozawa, considerado o principal chefe do partido e mentor da vitoria de Hatoyama, está a ser investigado pela terceira vez sobre a falsificação na declaração de 4,3 milhões de dólares no seu fundo político. Nas investigações anteriores, os promotores não conseguiram provar a culpa de Ozawa, mas três dos seus assessores foram indiciados por violação da Lei de Controle de Fundos Políticos. Recentemente, um dos assessores de Hatayoma foi preso, também, acusado de não ter registado correctamente milhões que a mãe do primeiro-ministro doara, durante vários anos, ao fundo político do filho. Hatoyama desculpou-se dizendo que não sabia nada sobre as doações da mãe, afirmação que não foi possível provar, mas em que também ninguém acreditou. Com assessores de Ozawa e Hatoyama na prisão, é difícil acreditar que os seus chefes não sabiam de nada.

Os americanos querem que Futenma seja transferida para Henoko, de acordo com o acordo firmado em 2006 entre os dois governos, também em Okinawa. Mas desde que surgiu a sugestão, a população de Henoko é completamente contrária à ideia e não aceita a construçãoo de uma base que, além da inconveniência ja vivida por outras localidades, teria um profundo impacto ambiental. Entre outras coisas, a construção afectaria os recifes locais, ameaçando ainda os populares dugong (mamíferos marinhos) que habitam as águas de Henoko e cuja existência já se encontra ameaçada.

Toda a população de Okinawa se opõe a que Futenma seja transferida dentro das suas ilhas.

A proposta do Hatoyama de transferir para a ilha de Tokunoshima, na província de Kagoshima, a cerca de 200 km de distância, parte das operações militares - a dos helicópteros -, também recebeu um grande repúdio. A população saiu às ruas para massivamente dizer um grande não. Os presidentes das câmaras locais, consultados por Hatoyama, disseram que não são necessárias reuniões suplementares para discutir um assunto que por parte deles já se encontra encerrado. Também os militares americanos são contra essa proposta, alegando que seria anti-operacional, devido à distancia.

Apesar de todo o conservadorismo político, os japoneses dizem não às bases americanas. E é esse repúdio que impede Hatoyama de encontrar uma solução ao problema. O que levou o presidente americano, Barack Obama, a perguntar agressivamente ao primeiro-ministro japonês se ele é realmente capaz de resolver essa questão. O que tem levado a vários atritos com a administração americana, e que, segundo alguns analistas, tem espirrado lama também sobre as relações económicas.

CRONOLOGIA DO NÃO em 2010


Em Janeiro de 2010, 6 mil manifestaram-se em Tóquio contra a construção de uma nova base em Okinawa. O protesto contou com a presença de várias organizações de Okinawa contrárias às propostas do governo.

No dia 18 de Abril 2010, 15 mil manifestaram-se na ilha de Tokunoshima, afirmando que a construção da base nas suas terras estava fora de questão.

No dia 27 de abril 2010, 90 mil pessoas manifestaram-se em Yomitan, Okinawa, contra a construção de uma nova base. Foi a maior manifestação dos últimos anos, que superou a de 58 mil, que saiu às ruas em 1995, em repúdio à violação da estudante de 12 anos.

No dia 8 de maio 2010
, milhares manifestaram-se na cidade de Kagoshima, na provincial do mesmo nome. Entoavam: Não precisamos de bases!



Fonte: Prensa Latina, http://desastresaereosnews.blogspot.com
Imagem: Google

Declaração do Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos


O Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos (MOVPAZ), Coordenador Regional do Conselho Mundial pela Paz para América e o Caribe expressa profunda preocupação ante os graves acontecimentos no Oriente Médio encaminhamos a perpetuar outra agressão imperialista por parte dos Estados Unidos, Israel e a OTAN de conseqüências imprescindíveis contra a república Islâmica do Iran e a Republica Árabe Síria

Nas atuais circunstancias a humanidade perdeu capacidade e ação política contra a impunidade imperialista que se exercem contra os povos e governos no mundo em cumplicidade com as transnacionais dos meios massivos de informação e a internet, reduzindo dramaticamente as garantias de sua sobrevivência.

Prevalece a desavergonhada violação da Carta das Nações Unidas e seus princípios, o seqüestro de suas agencias de ajuda humanitária para o desenvolvimento e de seus mecanismos pelos interesses imperialistas que vulneram a soberania de povos e nações, tal como fez o povo líbio.

A este perigoso precedente da diplomacia das armas e da guerra exercido e repetido em várias ocasiões pelos Estados Unidos da América, conjuntamente com a desacreditada e criminosa OTAN, tem somando organismos políticos regionais como a Liga Árabe, a União Européia e instituições financeiras e comerciais baseadas em sanções com o objetivo de conseguir o subjulgamento que aspiram, feitos denunciados inúmeras vezes por Fidel, a Revolução Cubana, personalidades e líderes políticos de outros países.

O Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos faz um chamado internacional para frear a irracionalidade imperialista estadunidense-israelita contra a República Islâmica do Iran e a Republica Árabe Síria que põe o mundo a beira de um perigoso colapso e apóia as posições apresentadas pela chancelaria da Federação Russa e da República Popular da China

Nenhuma potencia tem direito a decidir pelo povo algum e muito menos intervir nos seus problemas internos ou estimular para que outros façam, é preferível, como disse Fidel em uma de suas recentes reflexões: “ Caminhar até chegar e conseguir a paz, a segurança, o respeito e a dignidade humana como um desejo de todos os seres humanos ao longo da história”

Convocamos a Comunidade Internacional, a todos os atores regionais e internacionais e a todas as forças progressistas do mundo, realizar um urgente chamado anti-imperialista no podia das Nações Unidas para reverter o silencio existente ante a perigosa situação que atravessa a humanidade

Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos


Fonte: Cebrapaz


segunda-feira, 12 de março de 2012

OBAMA - PRÊMIO NOBEL DA "PAZ" quer 613 bilhões de dólares para compra de ARMAS


Barack Obama vai ao supermercado de armas

Sacrifícios e cortes para tudo, mas não para os mercadores da morte. A administração Obama apresentou ao Congresso a proposta de previsão orçamentária para 2013 para a rubrica da “defesa”: 613 bilhões de dólares, sendo 525 para pagamento de pessoal e compras de caças-bombardeiros, mísseis, tanques de guerra e bombas nucleares e 88 bilhões para as missões de guerra em ultramar.

Por Antonio Mazzeo

É menos do que pediam os generais e almirantes mas no final das contas todos ficaram contentes: a Marinha confirmará os seus onze grupos navais guiados por porta-aviões a propulsão nuclear, a Aeronáutica e os Marines terão novos caças e helicópteros para múltiplas missões, o Exército se deleitará com superblindados, tanques, radares e interceptores terra-ar. Graças às ordens do Pentágono, poderão brindar a bolsa e as empresas líderes do complexo militar-industrial estadunidense, a inoxidável Boeing, General Dynamics, Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon etc.

Quase um terço das despesas irão para a aquisição e a modernização dos sistemas de guerra mais sofisticados, aviões com e sem piloto, navios e submarinos de ataque, mísseis de médio e longo alcance e satélites. Exatamente 179 milhões de dólares, 7% a menos do orçamento previsto para 2012, mas com quase 70 milhões a destinar à pesquisa e ao desenvolvimento de novos instrumentos de morte. A parte do leão é destinada aos famigerados caças-bombardeiros F-35 “Joint Strike Fighters” de Lockheed Martin que tanto prazer dão aos ministros-almirantes italianos. No próximo ano, o Departamento da Defesa quer adquirir 29, sendo que destes destinará
19 à US Air Force e 10 à US Navy, por um valor total de 9,2 bilhões de dólares. O programa dos F-35 será, contudo, redimensionado para poder economizar nos próximos cinco anos ao menos 15 bilhões.

A Força Aérea e o Corpo de Marines poderão contar com 835 milhões de dólares para adquirir, sempre da Lockheed Martin, 7 grandes tanques aéreos e de transporte pesado HC/MC-130J “Hercules” para as operações especiais. Estão previstos no orçamento também 21 bimotores de decolagem vertical V-22 “Osprey”, o falcão pescador projetado pelo consórcio Bell-Boeing para o apoio às missões de guerra. Importantes financiamentos serão dados depois à Aeronáutica para prosseguir os programas de modernização da frota das grandes aeronaves de transporte C-17 e C-16 e para o reabastecimento em voo KC-10 e KC-135 e comprar novos radares para os caças F-15C/D e F-16.

O Pentágono pediu depois 1,3 bilhão de dólares para potenciar a frota dos cargueiros C-5 “Galaxy”, fundos para melhorar os sistemas de comunicação dos bombardeiros estratégicos stealth (invisíveis) B-2, potenciar as armas de precisão dos velhos B-52 e modernizar o sistema de mísseis intercontinentais “Minuteman III” ICBM. No orçamento destina-se ainda 1,8 bilhão de dólares para financiar a pesquisa e o desenvolvimento do KC-46, futuro avião-tanque da Força Aérea, 808 milhões para melhorar os componentes do supercaça F-22A “Raptor” e 292 milhões para a projeção de um novo caça-bombardeiro estratégico stealth.
Verbas bilionárias são destinadas a grandes e pequenas aeronaves sem piloto UAV para espionagem e lançamento de bombas e mísseis, já amplamente empenhados no Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Somália e Iêmen. O orçamento de 2013 prevê uma despesa de 1,2 bilhão de dólares para seis novos RQ-4 “Global Hawk”, Hawks Northrop Grumman Global, 3 para abastecer a Marinha no âmbito do programa Broad Area Maritime Surveillance e 3 para a Otan para a AGS (Alliance Ground Surveillance), o novo programma de vigilância terrestre da aliança atlântica, cujo centro de comando e controle será instalado na base siciliana de Sigonella.
O Departamento da Defesa pediu ao Congresso autorização para comprar 43 drones hunter-killer com mísseis “Hellfire” produzidos pela General Atomics, ao custo total de 1,9 bilhão de dólares. Desses, 24 serão do tipo MQ-9 “Reaper” (28 horas de autonomia e possibilidade de transportar bombas GBU-Paverway), os restantes 19 na versão mais avançada MQ-1C “Grey Eagle” (36 horas de autonomia). O US Army receberá 234 mini-aviões sem piloto RQ-11 “Raven” produzidos pela AeroVironment (valor de 184 milhões de dólares).
O exército terá a possibilidade de potenciar o próprio parque de helicópteros graças ao financiamento de três programas distintos ao custo total de 3,6 bilhões de dólares. O primeiro cobrirá a compra de 10 novas aeronaves de ataque Boeing AH-64 “Apache” e a modernização de outros 40 já em dotação do mesmo modelo (Northrop Grumman e Lockheed Martin). O segundo será para a compra de 25 novos meios de transporte Boeing CH-47 “Chinooks” e modernização de outros 19. O terceiro para a compra de 59 helicópteros multifuncionais UH-60 “Black Hawks” (produtor Sikorsky). Outros 272 milhões serão utilizados para adquirir 34 helicópteros leves UH-72 produzidos pela EADS North America.

“Especialmente no Afeganistão, pela sua particular condição ambiental, há uma tremenda
demanda de helicópteros por parte das forças terrestres”, explicou o general Peter Chiarelli do Exército dos Estados Unidos. Está programado o fornecimento de 28 helicópteros de ataque Bell H-1 ao Corpo de Marines (852 milhões de dólares).

Quase 11 bilhões de dólares foram pedidos pelo Pentágono para financiar a compra ou a pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas de guerra terrestre. Trata-se especificamente do “Joint Light Tactical Vehicle”, aeronave leve para o patrulhamento e comboio de escolta para cenários como o do Afeganistão e que será produzido a partir do final deste ano pela General Dynamics (116,8 milhões de dólares); do caminhão de transporte de meios táticos “MTV” da Oshkosh Corporation (1.471 unidades a um custo total de 377,4 milhões ); do meio pesado M1135 Stryker Nuclear, Biological and Chemical Reconnaissance Vehicle (NBCRV) da General Dynamics para a vigilância e detecção de riscos NBC (58 unidades ao custo de 332 milhões). A General Dynamics poderia receber 74 milhões para modernizar os tanques M1 “Abrams”.

O maior percentual das despesas de guerra para 2013 é destinado à Marinha de guerra (156 bilhões de dólares). Entre os programas mais importantes está a aquisição de cinco bimotores Northrop Grumman E-2D “Hawkeyes” para a vigilância marítima e a defesa das unidades de superfície (1,2 bilhão); de 26 caças embarcados Boeing F/A-18E/F “Super Hornets” (2,2 bilhões); de 12 aeronaves para guerra eletrônica Boeing EA-18 “Growler” com decolagem de porta-aviões. A Marinha de Guerra dos EUA comprará também 33 novos caças para adestramento (trata-se dos chamados “T-6”) para o qual concorre também a italiana Alenia Aermacchi, (286 milhões) e 37 helicópteros multifuncionais Sikorsky MH-60 “Seahawk” (1,33 bilhões de dólares). 3 bilhões e 200 milhões de dólares serão destinados aos 13 primeiros patrulhadores marítimos de última geração P-8 “Poseidon” destinados a substituir progressivamente os velhos P-3C “Orion”. Também o “Poseidon”, como o “Global Hawk” e o “Reaper” encontrarão hospitalidade na base de Sigonella.

Outros 22 bilhões e meio de dólares serão destinados ao lançamento de novas unidades navais e submarinos. Em particular, a Marinha comprará dois caças torpedeiros da classe “Arleigh Burke” (3,5 bilhões de dólares) e quatro navios de combate de superfície “LCS” (Littoral Combat Ship). Na realização deste último, concorrem dois consórcios “internacionais” dirigidos respectivamente pela Lockheed Martin (com possíveis subcontratações pela italiana Fincantieri) e a General Dynamics-Northrop Grumman.

No programa está também o trabalho para completar a unidade naval veloz para o transporte de tropas e meios “Joint High Speed Vessel” (191 milhões) e do porta-aviões CVN 21 da nova classe “Gerald R. Ford” (966 milhões), gigante de 320 metros e 104.000 toneladas acionado por dois reatores nucleares A1B 320, que poderá embarcar até 75 caças. A Marinha depois pediu 4,3 bilhões para comprar dois moderníssimos submarinos nucleares hunter-killer da classe “Virginia” (General Dynamics e Northrop Grumman) e 1,6 bilhão de dólares para reparar o porta-aviões “Abraham Lincoln”.

Estão previstos 8 bilhões de dólares para os programas de hipermilitarização do espaço, quase tudo contratado com a empresa Lockheed Martin, os mais relevantes dos quais dizem respeito ao desenvolvimento do sistema de raios infravermelhos “Space Based Infrared System” (950 milhões) e do sistema de satélites “Advanced Extremely High Frequency” (786 milhões, incluída a instalação da estação MUOS em Niscemi); ou a aquisição de quatro sistemas de lançamento “United Launch Alliance Evolved Expendable Vehicles” (1,7 bilhão) e de dois 2 satélites GPS III (1,3 bilhão).

Graças ao orçamento de 2013, o Departamento da Defesa poderá dar um forte impulso ao desenvolvimento dos chamados planos nacionais de “defesa de mísseis balísticos”. A despesa prevista é de 9,7 bilhões de dólares, dos quais 1,3 bilhão para completar a produção de 29 interceptores SM-3 Block 1B “Standard-Missile” da Raytheon; 777,7 milhões para o desenvolvimento do programa “THAAD” (Terminal High Altitude Area Defense) para a interceptação no espaço de “possíveis ameaças de mísseis contra as tropas dos EUA, as forças aliadas a população civil e a infraestrutura crítica”; 763 milhões para comprar à Raytheon 84 interceptores terra-terra “Patriot” PAC-3; 401 milhões para aviar a substituição do sistema antimísseis “Patriot” com o novo sistema de defesa aérea de médio alcance “Medium Extended Air Defense System” (MEADS) a realizar no âmbito da Otan (hoje só a Itália e a Alemanha se declararam disponíveis à parceria com os Estados Unidos).

Por último, mas não menos importante, o Pentágono pediu 903 milhões de dólares para desenvolver o sistema de defesa com base terrestre “Ground-Based Midcourse Defense” da Boeing, que será administrado pela agência militar nacional de mísseis.
Para o municiamento de mísseis a curto e médio alcance, o Pentágono prevê gastar até 10,2 bilhões de dólares. As principais encomendas dizem respeito às novas bombas de pequeno diâmetro (216 milhões); 180 mísseis ar-ar guiados por radar AI-120 AMRAAM da Raytheon (423 milhões); 314 mísseis de infravermelho AIM-9X também da Raytheon (200 milhões); 157 mísseis ar-superfície “Joint Standoff” da Lockheed (248 milhões); 4.678 munições Raytheon para ataque direto (133 milhões).

Com a aprovação do orçamento, o exércitro poderá adquirir 400 mísseis terra-ar de curto alcance “Javelin” de produção britânica (86 milhões) e 1.794 sistemas de lançamento de foguetes “Guided Multiple Launch Rocket Systems” da Lockheed Martin (382 milhões), enquanto a Marinha poderá dotar-se de 192 novos mísseis de cruzeiro “Tomahawh” da Raytheon (valor de 320 milhões de dólares) e do sistema de mísseis balísticos “Trident II” da Lockheed Martin (1,5 bilhão).

Para cortar verdadeiramente as despesas militares, segundo a administração Obama, será necessário esperar os próximos cinco anos, ainda que seja presumível que se limitará a ajustes e adiamentos entre rubricas orçamentárias, evitando o máximo possível prejudicar os recursos para o sistema de armas. As novas linhas guias do Pentágono, apresentadas no início de janeiro, delineando estas perspectivas de revisão do orçamento, privilegiando em particular as intervenções estratégicas da Marinha e Aeronáutica no Oriente Médio e no Oceano Pacífico.

“As forças militares serão menos numerosas mas mais ágeis, flexíveis, prontas e tecnicamente avançadas”, explicou o secretário da Defesa, Leon Panetta, por ocasião da apresentação da previsão para 2013. Sempre segundo Panetta, “em 2017, o exército dos Estados Unidos sofrerá uma redução de 547.000 a 490.000 homens, enquanto o Corpo dos Marines sofrerá um corte de 182.000 unidades”. Ao final, serão eliminadas oito brigadas de rápida intervenção, duas das quais hoje hospedadas na Alemanha, contudo, será duplicado o número de militares do exército acantonados em Vicenza. Mas para além dos “bons” propósitos da administração dos EUA, no próximo ano o pessoal à disposição das quatro forças armadas sofrerá uma redução de apenas 1,5%. Permanecerão operativos 1,4 milhão de militares, sempre mais do que eram em 2001 antes dos atentados de 11 de setembro e da declaração de guerra global ao “terrorismo” internacional.




Fonte: www.marx21.it, vermelho.org.br
Tradução da Redação do Vermelho

Imagem: Google (colocadas por este blog)

Irã acusa Israel de crimes de guerra contra Gaza


O Ministério de Relações Exteriores do Irã condenou ontem (11), energicamente, os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza e os qualificou como “crimes de guerra”, anunciou a agência de notícias iraniana Fars.

"Os repetidos ataques e agressões dos militares do regime sionista contra os palestinos indefesos em Gaza... são condenador por constituir crimes de guerra e atos inumanos", disse a chancelaria em um comunicado.

O Ministério também fustigou o silêncio da comunidade internacional ante os crimes de Israel em Gaza e disse: "a comunidade internacional e os órgãos de direitos humanos não devem manter silêncio ante tão flagrantes violações dos direitos humanos e ante o massacre dos palestinos indefesos por parte dos sionistas e devem atuar em cumprimento de seu dever seu dever humanitário e jurídico e com responsabilidade para defender aos palestinos", informou a Fars.

Os conflitos atuais entre Israel e grupos militantes na Faixa de Gaza causaram a morte de 14 militantes e feriram mais de 20 palestinos. Os militantes continuam lançando foguetes contra Israel e os aviões de caça israelenses fazer ataques de represália.



Fonte: Xinhua, vermelho.org.br

5 milhões de estudantes terão aula em tempo integral

Enfim uma boa notícia

O programa Mais Educação, que oferece atividades em tempo integral aos estudantes do 1º ao 9º ano vai alcançar neste ano 30 mil escolas públicas de ensino fundamental, beneficiando 5 milhões de estudantes em todo o país, inclusive em escolas rurais. Com isso, o governo antecipa o resultado esperado apenas para 2014, e lança uma nova meta, de atender 60 mil escolas com atividades de acompanhamento pedagógico, de esportes, de artes e informática até 2014.

No programa Café com a Presidenta, transmitido nesta segunda (12), a presidente Dilma Rousseff explicou que o Ministério da Educação está com as inscrições abertas para novas adesões das prefeituras até o dia 30 de março. Segundo ela, serão investidos R$ 1,4 bilhão em 2012 para implantar o Mais Educação nas escolas inscritas. Atualmente, o programa beneficia 2,8 milhões de alunos de 15 mil escolas.

"Eles participam de atividades orientadas, que vão desde o acompanhamento das tarefas escolares até a prática de esportes, aulas de artes e informática. Tudo isso em um turno complementar", disse a presidente.

Ela acrescentou que a prioridade neste ano são as escolas onde estudam os beneficiários do Bolsa Família e também aquelas que tiveram uma avaliação baixa do Ideb, que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, do MEC. Segundo Dilma, as atividades complementares podem contribuir para melhorar a qualidade da educação no país.

“Esse é o efeito mais importante do programa: melhorar o aprendizado e interesse dos estudantes pela escola. No Rio de Janeiro, por exemplo, os estudantes do 5º e do 9º ano, do Mais Educação, conseguiram aumentar suas notas de português e de matemática. Isso mostra como a escola em tempo integral é importante para dar aos estudantes novas oportunidades. É uma forma de superar desigualdades, permitir que todas as crianças tenham uma boa educação e tenham acesso a atividades que serão muito importantes para o seu futuro.”

Dilma também reforçou que as moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, adquiridas pelas famílias com renda de até R$ 1,6 mil, serão registradas no nome das mulheres. A mudança foi anunciada no Dia Internacional da Mulher. O pai só terá direito à propriedade quando tiver a guarda exclusiva dos filhos.

“Essa mudança é um reconhecimento do papel que a mulher brasileira desempenha como chefe de família. Elas serão donas do imóvel, mesmo em caso de separação ou divórcio. É uma garantia muito importante para as mulheres e para as suas famílias, pois a gente sabe que, nessas horas, a maior responsabilidade pela educação e sustento dos filhos acaba ficando mesmo é com as mulheres”, disse Dilma.


Fonte: Blog do Planalto
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Índios Vendem Direitos Sobre Terras na Amazônia



Por US$ 120 milhões, índios da etnia mundurucu venderam a uma empresa estrangeira direitos sobre uma área com 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo em plena floresta amazônica, no município de Jacareacanga (PA).
O negócio garante à empresa “benefícios” sobre a biodiversidade, além de acesso irrestrito ao território indígena.

No contrato, ao qual o Grupo Estado teve acesso, os índios se comprometem a não
plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duração do acordo. Qualquer intervenção no território depende de aval prévio da Celestial Green Ventures, empresa irlandesa que se apresenta como líder no mercado mundial de créditos de carbono. Sem regras claras, esse mercado compensa emissões de gases de efeito estufa por grandes empresas poluidoras, sobretudo na Europa, além de negociar as cotações desses créditos.

Na Amazônia, vem provocando assédio a comunidades indígenas e a proliferação de contratos nebulosos semelhantes ao fechado com os mundurucus. A Fundação Nacional do Índio (Funai) registra mais de 30 contratos nas mesmas bases.

Só a Celestial Green afirmou ter fechado outros 16 projetos no Brasil, que somam 200 mil quilômetros quadrados. Isso é mais de duas vezes a área de Portugal ou quase o tamanho do Estado de São Paulo. A terra dos mundurucus representa pouco mais de 10% do total contratado pela empresa.
“Os índios assinam contratos muitas vezes sem saber o que estão assinando. Ficam sem poder cortar uma árvore e acabam abrindo caminho para a biopirataria”, disse Márcio Meira.

“Temos de evitar que oportunidades para avançarmos na valorização da biodiversidade disfarcem ações de biopirataria”, reagiu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O principal executivo da Celestial Green, Ciaran Kelly, afirma que todos os contratos da empresa com comunidades indígenas passam por um “rigoroso processo de consentimento livre, prévio e informado”, segundo normas internacionais.

A terra dos mundurucus representa pouco mais de 10% do total contratado pela
empresa, que também negociou os territórios Tenharim Marmelos, no Amazonas, e
Igarapé Lage, Igarapé Ribeirão e Rio Negro Ocaia, em Rondônia.

'Pilantragem' “Os índios assinam contratos muitas vezes sem saber o que estão assinando. Ficam sem poder cortar uma árvore e acabam abrindo caminho para a biopirataria”, disse Márcio Meira, presidente da Funai, que começou a receber
informações sobre esse tipo de negócio em 2011. “Vemos que uma boa ideia, de
reconhecer o serviço ambiental que os índios prestam por preservar a floresta, pode
virar uma pilantragem.”

O contrato dos mundurucus diz que os pagamentos em dólares dão à empresa a
“totalidade” dos direitos sobre os créditos de carbono e “todos os direitos de
certificados ou benefícios que se venha a obter por meio da biodiversidade dessa
área”.

Territórios indígenas estão entre as áreas mais preservadas de florestas tropicais.
Somam mais de 1 milhão de quilômetros quadrados e a maioria deles está na
Amazônia. Para empresas que trabalham com mecanismos de crédito de carbono,
criado entre as medidas de combate ao aquecimento global, as florestas são
traduzidas em bilhões de toneladas de gases estufa estocados e cifras agigantadas em
dólares.

Benedito Milléo Junior, agrônomo que negocia créditos de carbono de comunidades
indígenas, estima em US$ 1 mil o valor do hectare contratado. A conta é feita com
base na estimativa de 200 toneladas de CO2 estocada por hectare, segundo preço
médio no mercado internacional.
Milléo diz ter negociado 5,2 milhões de hectares, mais que o dobro do território dos
mundurucu. Nesse total está contabilizado o território indígena Trombetas-Mapuera
(RR), que fechou contrato com a empresa C-Trade, que também atua no mercado de
crédito de carbono. Segundo ele, a perspectiva é de crescimento desse mercado, sobretudo com a regulamentação do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd).

Os mundurucu ainda não começaram a receber o dinheiro pela venda de
direitos sobre seu território.

Os pagamentos acordados, em 30 parcelas iguais de US$ 4 milhões, serão feitos até o último dia do ano, entre 2012 e 2041. As regras constam do contrato assinado pelo presidente da Associação Indígena Pusuru, Martinho Borum, e o diretor da Celestial Green, João Borges Andrade.

As assinaturas foram reconhecidas no cartório de Jacareacanga.

“Não poderemos fazer uma roça nem derrubar um pé de árvore”, criticou o índio
mundurucu Roberto Cruxi, vice-prefeito de Jacareacanga, que se opôs ao acordo. Ele
disse o contrato foi assinado por algumas lideranças, sem consentimento da maioria
dos índios. “A empresa convocou uma reunião na Câmara Municipal;eles disseram que era bom”, conta.




Esses contratos precisam ser desfeitos e essa Celestial Green Ventures e demais congêneres investigadas e punidas até com expulsão. Os índios e seus responsáveis legais também não podem escapar impunemente.





Fonte: defesabr, caetanearaltamira.blogspot.com
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Militaristas ianques ameaçam a Alba



Na semana pasada, o general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos desde 2009, compareceu a uma sessão do Congresso norte-americano, onde
intempestivamente desferiu ataques aos países da Alba, em particular a Venezuela.

Segundo ele, há “crescentes níveis de violência e persistente instabilidade econômica”, e, no caso específico da Venezuela, de Cuba, da Bolívia e do Haiti, “persiste a turbulência geopolítica”, cenários estes que “terão um impacto sobre cidadãos e militares estadunidenses na região”. O general também criticou a relação da Venezuela com o Irã e, voltando a levantar uma tese surrada que tem sido pretexto para invocar o militarismo e agrupar as forças de direita, criticou a falta de uma maior atividade na luta contra o narcotráfico.

Não é a primeira vez que os militaristas estadunidenses atacam a Venezuela, sua política externa, suas alianças internacionais e sua política de segurança em relação ao combate ao tráfico de drogas.

Outrossim, os chefes do Comando Sul em outras ocasiões vincularam o governo revolucionário de Hugo Chávez às guerrilhas colombianas, carimbando-o como aliado do “narcoterrorismo”, forma depreciativa e eivada de intenções golpistas e intervencionistas de se referir aos movimentos insurgentes do país vizinho. Agora, a Venezuela ingressa em mais uma campanha eleitoral, na qual está em disputa a Presidência da República, hoje o vértice de um proceso revolucionário democrático-popular e anti-imperialista, liderado por Hugo Chávez, candidato à reeleição.

Fica inequívoca a intenção política de introduzir no debate temas que se convertam em bandeiras da esquálida oposição, cada vez mais isolada e vazia de ideias para o país bolivariano. O general vai da caserna à casa legislativa estadunidense para levantar uma bandeira, a ser usada pelos políticos democratas e republicanos, assim como pelos veículos da mídia pró-imperialista neste período de campanha eleitoral.

O tema não é estranho às forças progressistas brasileiras solidárias com a Revolução bolivariana. Também no Congresso Nacional sediado em Brasília, intermitentemente ouvem-se vozes deblaterando contra a “corrida armamentista” promovida por Chávez na América do Sul, o que constituiría uma ameaça ao Brasil. Os conservadores no Senado brasileiro chegaram a usar o argumento para justificar manobras protelatórias da aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul.

Os argumentos do general Fraser não são inteiramente novos. Já na altura em que foi criada a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, em 2008, os militaristas do Pentágono batiam na tecla surrada da instabilidade, do combate ao narcotráfico e ao terrorismo para justificar ter engendrado o monstrengo. A novidade agora é o ataque direto à Alba e a menção ao Haiti, país que recentemente manifestou a intenção de ingressar no organismo de integração solidária.

Isto só encontra explicação no papel crescente que a Alba vem desempenhando na região e no mundo, não apenas como protótipo de integração econômica, política e social solidária, longe da influência nefasta dos latifundiários, das multinacionais e do capital financeiro. A Alba afiança-se cada vez mais como um polo de irradiação de ideias progressistas, solidárias, internacionalistas, anti-imperialistas na região da América Latina e Caribe. Suas reuniões de chefes de Estado e governo são tribunas de donde as lideranças emergentes de uma nova América, a “nossa América” prefigurada por José Martí, falam como a voz dos oprimidos e espoliados, dando agora o grito da segunda e definitiva independência. São significativos os seus pronunciamentos e resoluções não apenas sobre temas econômicos, comerciais, diplomáticos e políticos regionais, mas também de interesse mundial, onde se expressa de maneira inequívoca a defesa da paz, de uma nova ordem política e econômica internacional, a luta contra as agressões dos Estados Unidos e da Otan e contra as ameaças de ataque à Síria e ao Irã.


As declarações do general Fraser devem soar para as forças progressistas da América Latina e Caribe como um sinal de alarme quanto às intenções intervencionistas do Pentágono na região, que vai muito bem, obrigado, em termos de estabilidade política e defesa da paz e de sua segurança.


Por isso, é importante desvendar e denunciar o que
significa este departamento do grande complexo militarista estadunidense. O Comando Sul é um dos nove comandos que operam fora do território estadunidense, comparável aos que essa potência imperialista mantém no Golfo Pérsico e no Mediterrâneo, entre outras regiões. Este Comando cobre uma área de 24 mil quilômetros quadrados e conta com mais de 20 mil efetivos militares. É nessa estrutura que se encaixa a famigerada Quarta Frota, desativada depois da 2ª Guerra Mundial e recriada no apagar das luzes do mandato do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em 2008.

O imperialismo estadunidense sempre considerou a América Latina e o Caribe como o seu “quintal” e as águas dos Oceanos Pacífico, Atlântico e Mar das Caraíbas que banham os países da região como o “mare nostrum” norte-americano. Seus planos neocolonialistas seguem mais vigentes do que nunca. A Revolução bolivariana e os governos democráticos e patrióticos da região são, na visão dos estrategistas do Pentágono, obstáculos a remover. É mais atual do que nunca a luta anti-imperialista e contra os planos militaristas dos EUA.


Fonte: vermelho.org.br
Imagem: Google (colocadas por este blog)

domingo, 11 de março de 2012

"Nosso Dever é Lutar" diante dos problemas que há no Oriente Médio e na América Latina

Livro de Fidel será lançado em 14 países na quarta-feira

O acadêmico argentino Atilio Borón e o advogado cubano-estadounidense José Pertierra serão conferencistas na apresentação de lançamento, na próxima quarta-feira (14), do livro “Nosso Dever é Lutar”, do líder da Revolução cubana, Fidel Castro.


O volume será lançado simultaneamente em Havana, Caracas, Quito, Buenos Aires, Luanda, São Domingos, La Paz, Cidade do México, Bridgetown (Barbados), San Juan (Porto Rico), Kingston (Jamaica), Washington, Madri e Berlim.

José Pertierra, que participará na apresentação em Washington, disse ao Portal Cubadebate que o material, resultado do diálogo entre Fidel Castro e intelectuais da América, África e Europa em fevereiro passado, demonstra a inquietação destas pessoas diante da crise do planeta.

O painel funcionará na sede do Escritório de Interesses de Cuba nos Estados Unidos e será composto também pelo jurista David Brooks, jornalista do diário mexicano La Jornada; James Early, do Museu Smithsonian, dos Estados Unidos; e dois professores, um deles especialista em temas culturais.

O que se viu nessa conversação de intelectuais do mundo, advertiu Pertierra, é a grande preocupação que têm todos eles, e também Fidel, diante dos problemas que há no Oriente Médio e na América Latina.

Identificamos o problema, mas o que se está buscando é a solução, e essa solução pode ser encontrada mediante a conversação e o diálogo, através da dialética, enfatizou.

Por seu turno, Atílio Borón anunciou que a apresentação de Buenos Aires se realizará no Centro Cultural da Cooperação, e na mesma participarão, além dele, outras três pessoas que estiveram na conversação com Fidel no Palácio das Convenções de Cuba: Stella Calloni, Vicente Battista e Juano Villafañe.

O encontro de fevereiro foi uma rodada de discussões sobre os grandes temas atuais, repassados em longas horas de conversação, em que esteve presente Fidel Castro, que fez comentários, observações e perguntas, indicou Borón.




Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google

EUA cogitam usar superbomba contra Irã


Os Estados Unidos consideram a possibilidade de utilizar uma bomba de 13,6 toneladas diante de um eventual ataque militar ao Irã, a maior ogiva de seu arsenal, confirmou um alto oficial da Força Aérea.

A bomba de penetração maciça (MOP, na sua sigla em inglês), tem capacidade de perfurar através de 60 metros de concreto armado antes de detonar sua carga.

Este artefato explosivo convencional (não nuclear) é o mais poderoso já desenvolvido pelo Departamento de Defesa na última década, assegurou o tenente-general Herbert Carlisle, vice-chefe de operações da Força Aérea.



De acordo com ele, a MOP, considerada a "mãe de todas as bombas", poderia ser utilizada em qualquer ataque contra o Irã ordenado por Washington.

O Pentágono trabalha em opções militares para o caso em que falhem a diplomacia e as sanções econômicas contra Teerã. Os EUA têm como objetivo interromper o programa nuclear iraniano, sob a acusação de que este tem fins militares, embora o governo do país persa reitere os seus fins pacíficos, informou a página de internet Global Research.

O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, declarou no jornal The National Journal na última quinta-feira (8), que a planificação das operações vem ocorrendo "há muito tempo".

A retórica belicista das forças armadas de Washington se mantém apesar das declarações do presidente Barack Obama, que se pronunciou durante a semana em favor de esgotar todos os recursos de pressão diplomáticos, econômicos e políticos antes de empreender um ataque contra a nação persa.
Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reuniram na última segunda-feira (5) na Casa Blanca em uma tentativa de rearticular um debate sobre o tema nuclear iraniano, pois Israel é partidário de lançar um ataque preventivo contra a nação persa para evitar que siga adiante com seus planos.

Carlisle também assegurou que um conflito com o Irã ou a Síria poderia revelar um novo pensamento tático nas operações militares, conhecido como batalha ar-mar, onde se combinariam vários dos serviços armados estadunidenses.

O oficial sublinhou que as táticas apontam no sentido de operar em vários domínios, tanto no ar, como no mar, no espaço e no ciberespaço, mediante a criação de redes de informação integradas através de satélites, sensores em aviões caças e aeronaves não tripuladas.

Tais procedimentos operativos respondem à circunstância de que a Síria e o Irã possuem capacidades defensivas importantes para manter à distância seus potencias agressores, algo que Washington pretende evitar, considerou Carlisle.

No caso do ciberespaço, pode ser um fator de conflito entre ambos os países, alertou.




Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocadas por este blog)

A quarta frota e os senhores da guerra

"A guerra, no século 21, poderá não ser tão sangrenta quanto foi no século passado. Mas a violência armada, criando sofrimento e perdas desproporcionais, continuará onipresente e endêmica – ocasionalmente epidêmica – em grande parte do mundo. A perspectiva de um século de paz é remota". Essa foi a conclusão proposta pelo historiador Eric Hobsbawm, no ensaio Guerra e Paz no século 20, que foi publicado no jornal britânico “The Guardian”, em fevereiro de 2002.


Por Joanne Mota*


Uma década depois, essa afirmação nunca pareceu tão atual nestes tempos de imperialismo agressivo, que tem nas potências belicistas mundiais sua maior fonte de poder. A militarização norte-americana se converte como o maior símbolo desse processo, que gera insegurança e se conforma como uma ameaça constante às soberanias nacionais dos países menos desenvolvidos, sobretudo os que possuem grandes potenciais energéticos e de recursos naturais.

Em meio a esse projeto de recolonização mundial, o capital monopolista se internacionaliza, vai além de suas fronteiras. Para tanto, necessita e obtém o que Vladimir Lênin denominou de fenômeno da dependência, advindo do entrelaçamento do domínio econômico-financeiro com o político e territorial.

Não foi por acaso que, no final do século 20, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, cria a chamada “Nova Ordem Mundial”, uma estratégia que se converteria em um plano de dominação global. Em artigo publicado durante a Conferência Internacional “A integração Latino-americana e a Luta pela Paz”, organizada pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), o jornalista e escritor José Reinaldo Carvalho discute as estratégias norte-americanas para a recolonização do mundo.

Segundo ele, criar a “nova ordem” nada mais foi do que consolidar meios e modos que se converteriam em um projeto que percorreria “o novo século americano”. Esse projeto implicou em diversos conflitos e agressões que destruíram nações e reorganizaram o cenário geopolítico mundial.

O jornalista frisa que o contexto atual se caracteriza por uma “acumulação militar global”, guiada por uma superpotência mundial que está utilizando seus aliados para desencadear numerosas guerras regionais. Alguns exemplos citados são as agressões ao Afeganistão e ao Iraque.

“Países independentes, como a Síria, o Irã e a República Popular Democrática da Coreia, por motivações diversas foram alvo de campanhas e ameaças de agressão. Todos os acontecimentos que estão em curso no mundo ligados a conflitos políticos e militares estão relacionados com uma luta, a luta das potências imperialistas, sobretudo as capitaneadas pelo imperialismo estadunidense, que exerce controle e dominação sobre o mundo”, diz José Reinaldo.

Quarta Frota

De acordo com Igor Fuser, professor da Faculdade Cásper Líbero, a América Latina não ficou de fora desse processo. O relançamento da Quarta Frota, por exemplo, simboliza um novo olhar das nações imperialistas sobre esta região. "A Casa Branca sempre considerou a América Latina como um ‘quintal’ dos Estados Unidos e durante muito tempo logrou estabelecer na região um domínio amplo e relativamente estável, alicerçada em forte aliança com as classes dominantes domesticadas. O controle político e econômico do ‘quintal’ está ligado ao acesso a ricas fontes de recursos naturais e energéticos, com destaque para o petróleo".

Segundo ele, a questão energética é estratégica para as nações imperialistas. “Já na época do ex-presidente Jimmy Carter, a doutrina militar norte-americana estabelecia que qualquer tentativa de impedir o fluxo de petróleo para os EUA seria respondida com a guerra. Venezuela e Brasil, por exemplo, são países ricos em petróleo, e as suspeitas de que a reativação da Quarta Frota tem a ver com a descoberta do pré-sal e com a revolução bolivariana na Venezuela são procedentes”, elucida o pesquisador.

Corrida armamentista


Dados dos últimos 50 anos, publicados em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que há ações militares dos Estados Unidos em praticamente todos os países do globo. Segundo o relatório, 55 países possuem bases militares sendo utilizadas pela Aeronáutica, Marinha ou Exército norte-americano. Além disso, o relatório aponta a existência de mil bases norte-americanas no exterior, destas 268 estão na Alemanha e 124 no Japão.

O relatório também apontou que, no final de 2008, os EUA mantinham aproximadamente 550 mil soldados no exterior. Esse número é 10% superior ao de 1985, no auge da chamada Guerra Fria, o que demonstra que o complexo industrial-militar norte-americano encontrou justificativas para a manutenção, e mesmo expansão do poderio bélico do país, ainda que em fase de distensão do quadro político internacional.

Segundo dados da ONU, publicados em 2011, os gastos militares dos EUA representaram cerca de 50% dos gastos globais em 2010. Seus aliados, vinculados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), despenderam aproximadamente 28% dos aportes em defesa, no mesmo ano. Assim, os EUA e aliados responderam, em 2010, por aproximadamente 80% dos dispêndios militares globais.

Sobre essa militarização em massa, Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, destaca que as nações antiimperialistas têm no seu caminho um desafio, sobretudo no que se refere à luta contra as guerras e pela paz.

"É preciso ter consciência e entender a natureza do sistema que há, hoje, nos EUA e nas grandes potências da OTAN. É preciso ter consciência da sua prática de domínio, de terror e de saque infringida às nações menos desenvolvidas, ou menos poderosas militarmente. Uma das respostas que podemos dar contra essa ofensiva se materializa nas campanhas contra as bases militares e contra a OTAN, nas denúncias contra essa política militarista e agressiva dos Estados Unidos e dos seus aliados", explana Socorro Gomes.

Mare Nostrum: um olhar ianque sobre a América Latina
Desativada por mais de meio século, a Quarta Frota da Marinha dos EUA, poderoso instrumento de intervenção bélica criado durante a 2ª Guerra Mundial, em 1943, para patrulhar o Atlântico Sul e que inclui vários navios de diversos tamanhos, submarinos e um porta-aviões nuclear, foi restabelecida em junho de 2008 com o propósito “anunciado” de combater o tráfico de drogas, auxiliar em desastres naturais e atuar em missões de paz na América Latina e no Caribe.

No entanto, para o deputado Ángel Barchini, representante do Paraguai no Parlamento do Mercosul (Parlasul), a reativação da Quarta Frota foi desnecessária. Segundo ele, “a presença militar norte-americana foi e é entendida como ameaça à soberania da região. Além de demonstrar a preocupação estratégico-militar de Washington para com a América do Sul e África Ocidental, e como os interesses norte-americanos tendem a se fazer ainda mais presentes nessas regiões em um futuro próximo”.

Socorro Gomes afirma que a reativação da Quarta Frota, bem como todo o processo de militarização, se dá justamente na busca de controlar os recursos naturais das nações menos desenvolvidas. Ela cita como exemplo a questão da Amazônia, região rica em biodiversidade e que estimula a cobiça por parte de diversos países. Segundo ela, “a biodiversidade, a água, os minérios nobres, e agora o pré-sal, são fatores mais que suficientes para estimular a ambição das nações desprovidas destes recursos”.

A dirigente acrescenta que, além da Quarta Frota, é preciso refletir sobre o papel da OTAN no mundo. “Um braço extremamente armado dos EUA, dono de aparatos militares modernos, que se coloca acima da ONU, como se possuísse um mandato para realizar suas incursões. Essa organização está presente em diversos países, e um exemplo latente de sua força é a sua presença nas Ilhas Malvinas”, ressalta Socorro.

Quarta Frota e o Pré-sal

O ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, em entrevista à “Agência Brasil”, no final de 2011, externou sua preocupação com a ofensiva norte-americana e com a possibilidade de os EUA contestarem a posse brasileira sobre as enormes reservas petrolíferas na chamada ZEE (Zona Econômica Exclusiva).

Segundo a Convenção da ONU sobre a Lei do Mar (acordo internacional que estabelece o limite dos mares territoriais de cada nação costeira firmada em 1994), os Estados litorâneos têm direitos exclusivos sobre todos os recursos naturais do seu litoral numa faixa de até 200 milhas náuticas (370 km). No entanto, os EUA não são signatários da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, o que abre brechas para discussões.

Socorro Gomes afirma que o não-reconhecimento das definições da ONU sobre o Direito do Mar, por parte dos Estados Unidos e das demais potências imperialistas, faz parte do posicionamento estratégico dessas nações, que por meio de ameaças, de terrorismo e pressões tentam sanar seus problemas e controlar e saquear os recursos das nações menos desenvolvidas militarmente.

Ela acrescenta que a militarização e a proliferação de bases militares, em diversas regiões do globo, sinalizam às nações latino-americanas a necessidade de concentrarem esforços para repensar suas políticas de segurança e garantir sua soberania frente a uma possível ameaça de agressão.

“Hoje, se alguém encostar aleatoriamente o dedo sobre o mapa do mundo, por certo indicará alguma base militar das grandes potências. São tantas as instalações belicistas dos Estados Unidos e da OTAN que todos os países do mundo são vigiados e intimidados de perto a todo instante”, declara a presidente do Cebrapaz.


Soberania Nacional

Ao passo em que as nações imperialistas empreendem sua estratégia de agressão, a América Latina há mais de uma década vive um processo de mudanças. Cresce a luta por sua soberania, por direitos e o bem-estar de seus povos.

Para José Reinaldo, esse processo de mudança está intimamente ligado ao processo de mudança do quadro político, com a ascensão de governos progressistas. "A renovação do quadro político na América Latina, que tem como marco de formação a vitória de Hugo Chávez, em 1998, e depois a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, além das sucessivas vitórias das forças progressistas latino-americanas, mudaram, inteiramente, o quadro político do continente. Essa mudança foi essencial para que a nossa região perdesse, em definitivo, a qualificação de ‘quintal’ dos Estados Unidos", explana.

Segundo ele, diante de todo esse cenário, os EUA reativaram a Quarta Frota como fator de chantagem e de pressão. "Uma violência latente, que manda um recado: ‘Não avancem tanto, pois nós estamos aqui".

Socorro Gomes reafirma que "a ampliação da presença militar americana na região busca, além de intimidar os processos políticos de transformação na região, posicionar sua força bélica em zonas estratégicas de grandes riquezas naturais. Trata-se de um verdadeiro atentado à paz, à segurança e à soberania de todos os países da região. Por isso, a América Latina tem avançado na busca da integração solidária, na busca de construção de políticas de segurança conjuntas. O reflexo dessa busca pode ser visto na ascensão de governos comprometidos com estas posições, comprometidos com esta soberania".

Sobre a ascensão dos governos progressistas, a presidente do Cebrapaz afirmou que esta só se concretizou graças às lutas populares empreendidas pelos povos de nosso continente. "Essa mudança no cenário político abre caminho para a luta, para a resistência a essa hegemonia e para a construção de possibilidades, de soberania, de independência, de desenvolvimento social, de progresso e de integração entre as nações que sofrem com os mesmos problemas", finaliza.





*Jornalista da redação do Vermelho, Pós-graduanda em Globalização e Cultura

Fonte: Publicada originalmente na Revista Visão Classista, vermelho.org.br
Imagem: Google (colocadas por este blog)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...