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segunda-feira, 19 de março de 2012

Cameron, Obama e o Crime do Século!



David William Donald Cameron está nos Estados Unidos da América.
Planejando vender submarinos britânicos?
Zangar-se com Obama por causa de ainda mais um incidente assassino com suas tropas?
Para dar tapinhas nas costas e rir de como o Eixo FUKUS (França (F), Reino Unido (UK), EUA (US) e Israel) massacrou os netos de Gaddafi? Ou vender o Crime do Século?
Bem, e o que será?


A presença de David William Donald Cameron, nos Estados Unidos da América é sinistra e assustador, algo malévolo espreita a partir das sombrias, asas colaterais da lista diplomática de afazeres do Eixo-FUKUS. Com William Jefferson "ai se eles soubessem" Hague ocupado brincando com Hillary "Zona de Guerra" Clinton em Nova York, agora temos David "Se eu tiver que reembolsar algo, então eu reembolso" Cameron em Washington com Barack "Qual Prêmio? Obama.

Agora, quando o Ministro britânico das Relações Exteriores fica todo "feito" com um Secretário de Estado dos EUA e o Primeiro-ministro britânico vai para a cama o Presidente, algo acontece e não é bonito, nem seu aroma é agradável.

Senhoras e Senhores, o quê é que eles estarão planejando? O crime do século e eu vou lhes dizer o que será.



Na verdade Supertramp eram visionários em 1974, quando na sua canção "Crime of the Century", eles falaram de "esquemas e aventureiros", e o estupro do universo. Como diziam na época: "Como eles foram de mal a pior" e pouco antes do fim da pista, aquele instrumental magnífico, perguntaram: "Quem são estes homens de luxúria, ganância e glória? Arranquemos as máscaras e vamos ver ".

Bem, depois do Iraque, não é óbvio? E se alguém se esqueceu do bombardeio dos campos das colheitas no Iraque, o uso de armamento com urânio empobrecido, as centenas de milhares de crianças envenenadas e deformadas, o ataque ilegal fora dos auspícios da ONU, os crimes de guerra, o uso de armas contra estruturas civis, o abate arbitrário de cerca de setecentas mil pessoas, o campo de concentração de Abu Ghraib, os actos de sodomia, tortura e seqüestro, estupro de presos, urinar na comida ...

Para os que se esqueceram, temos o Afeganistão. E se alguém se esqueceu a utilização de drones através das fronteiras do Paquistão, o assassinato de civis, urinar em cima de cadáveres, os atos de intimidação contra cidadãos com cães enraivecidos, a imposição negligente e insensível da democracia a partir de 30.000 pés, a queima do Alcorão ...

Para os que se esqueceram, temos a Líbia. E nunca esqueçamos o que aconteceu na Líbia, na verdade não vamos permitir que o quarteto demoníaco referido acima o esquece também. Foi um momento em que vários vórtices pardos se juntaram, cada um controlado por um lobby diferente, cada um o epítome da ganância corporativa e cada um. O que aconteceu na Líbia foi um acto de assassinato cometido porque os projectos Pan-africanos de Muammar al-Gaddafi iriam prejudicar seus interesses.

Os mesmos crimes foram cometidos depois das mesmas mentiras trocadas no CS da ONU e eis que o policiamento de uma zona de exclusão aérea se transformou em uma invasão em larga escala com os membros das forças especiais do Eixo-FUKUS no terreno, esta vez provavelmente com um facto ainda mais sinistro: usando cataris ou sul-americanos porque "Assim você ganha o Green Card". E quantas mais famílias sul-americanas nunca mais ouviram falar dos seus filhos?

E agora, com armamento turco e israelense nas mãos de terroristas treinados pelo líbios na Síria - e alguns dos quais, aparentemente, são o mesmo flagelo que Obama, Clinton, Cameron e Hague aplaudiram enquanto cortaram os seios das mulheres nas ruas da Líbia (como é que Hillary gostaria se tivesse acontecido com ela?) enquanto assassinaram os negros por serem não-brancos (o quê Obama pensa sobre isso?), enquanto eles mataram os filhos e netos de funcionários de Gaddafi (como é que Cameron se sentiria se fosse sua família?) e enquanto eles amarraram e sodomizaram figuras políticas (como se sentiria o William Hague se...ai OK ... pois).

"Ai se eles soubessem, não é?" E se nós soubéssemos o que eles estão fazendo na Síria?

É uma cópia carbono do Iraque e da Líbia. E pelo jeito o Afeganistão não tem nada a ver com Al-Qaeda. Perguntem aos seus representantes políticos a última vez que houve qualquer prova credível da Al-Qaeda no país e a resposta honesta será uma década atrás, porque eles fugiram para outro lugar. Em seguida, informem o seu representante político que ele é um mentiroso se disser o contrário.

Então não é preciso um doutoramento para imaginar o que está na agenda neste momento e que intrigas, disputas e embates estarão acontecendo depois das sutilezas - vocês sabem, quando o presidente dos EUA sorri e diz que a Grã-Bretanha é um amigo querido, (risinho) não é verdade! E o primeiro-ministro britânico fica tão inchado com orgulho que não cabia uma agulha no seu posterior, sabendo que a única maneira em que o Reino Unido se pode sentir poderosa é aconchegar-se ao seu ex-colônia, porque a alternativa é entrar na cama com a França e pegar algo desagradável, chamado ... Ooh La La! Sarko.


É imprescendivel que a comunidade mundial se lembra de aquilo que esses quatro (Hague e Clinton, Cameron e Obama) e os seus antecessores são capazes, é imprescindivel que a comunidade mundial mostre o dedo sempre que abrem a boca e que a comunidade mundial esteja unida contra este Eixo do Mal.


Ou eu estou seriamente enganado, ou o mecanismo começou a girar e nós estamos à beira de uma contagem decrescente.

Não vamos deixar isso acontecer.

Certamente a Humanidade é superior a este bando de assassinos demoníacos? O tempo dirá e história será o testemundo das minhas palavras. Não deixem ninguém dizer que éramos cegos. O livro de história conterá os nomes dos quatro culpados desta vez.




Fonte: Pravda.Ru

Imagem : Google, Youtube

domingo, 18 de março de 2012

Washington perde as guerras mas quem sofre são os povos


Os Estados Unidos exibem uma ostensiva incapacidade para ocupar, manter a ordem e vencer a resistência dos povos que invadem. Invasões injustas, imorais e ilegais, sempre encobertas por mentiras antes e depois que são realizadas. Por exemplo, as indústrias culturais do império têm feito todo o possível para que as novas gerações se esqueçam ou recebam uma imagem falsa da humilhante derrota sofrida no Vietnã.

Por Angel Guerra Cabrera

Para quem viu ao vivo pela televisão, são inesquecíveis os helicópteros gringos voando de Saigon para os porta-aviões, com pencas de estadunidenses en pânico pendurando-se nos trens de pouso. Recentemente a hidra midiática estendeu uma cortina de fumaça sobre a vergonhosa retirada do Iraque, onde Washington teve que renunciar a sua exigência de deixar indefinidamente estacionado um contingente militar, pois o governo de Bagdá - de relações cordiais com Teerã, por certo - se negou a conceder imunidade nos tribunais iraquianos a seus integrantes.

Agora, o massacre de 16 civis na província de Kandahar, Afeganistão, supostamente por um sargento alienado do Exército dos Estados Unidos, reafirma a derrota moral, política e, por conseguinte, militar, da superpotência no país centro-asiático. Não estão claras as circunstâncias do incidente nem a versão do lobo solitário dos ocupantes coincide com a de residentes nas três aldeias onde viviam as vítimas e autoridades afegãs, que insistem em dizer que mais soldados estadunidenses participaram nos fatos.

Seja como for, depois disto e dos contínuos agravos aos afegãos – o anterior foi a queima de exemplares do Alcorão em uma base ianque - a Washington não resta mais nada a fazer do que antecipar os prazos para a retirada. Já não pode confiar em suas contrapartes afegãs e até o parlamento já disse que “esgotará sua paciência” e concordou em exigir que os culpados sejam julgados por um tribunal afegão. Há tempos os Estados Unidos tiveram que renunciar à ideia de derrotar os talibãs e admitir que para retirar-se e salvar a cara tinham que negociar com eles e é exatamente isso o que estão fazendo.

Isto para não falar da propalada “reconstrução” com a qual – como não?! - várias corporações têm ganho milhões, mas os afegãos não veem mais que uma economia sustentada pelo auge do narcotráfico, um país devastado, com cidades em ruínas sem os mais elementares serviços públicos, ausência quase absoluta de infraestrutura e dezenas de milhares de civis mortos. Para não falar das promessas de democratização e reconhecimento dos direitos das mulheres. Afortunadamente cada vez são menos pessoas que creem em que os Estados Unidos sejam modelo de democracia e direitos humanos, muito menos os que aceitam que estes podem impor-se pela força das armas.

Lênin tinha toda a razão ao afirmar que o imperialismo necessita gerar constantemente guerras de rapina. Muitas coisas mudaram desde então, mas permanecem essências como essa. Agora mais acentuadas devido à avidez compulsiva pelo petróleo e outras matérias primas e a cobiça pelas jazidas de água, que levaram ao paroxismo a agressividade do imperialismo estadunidense. Se não fosse assim, seria inexplicável que depois dos desastres no Afeganistão e Iraque, os Estados UInidos se disponham, junto com Israel, a atacar nada menos que o Irã. Um osso muito duro de roer, impossível de reduzir com armas convencionais.

Se as instalações nucleares para fins pacíficos do Irã forem bombardeadas e o país se sentir mais gravemente ameaçado, seguramente responderá de maneira muito dura, incluindo o fechamento do estreito de Ormuz, por onde flui um vital rio de petróleo para o mercado mundial. A grande incógnita é o que farão os Estados Unidos diante de um rival que só podem destruir com armas nucleares, e se as usar, o que farão a Rússia, a Índia, o Paquistão e a China, todas potências atômicas vizinhas. Vistas as coisas assim, se compreende perfeitamente as intensas gestões diplomáticas de Moscou e Pequim em prol de uma solução política na Síria, aliado fundamental do Irã, onde Washington arma e infiltra terroristas e aplica um plano de “mudança de regime”, e o duplo veto daquelas duas grandes nações para impedir a intervenção estrangeira.

Voltando ao Afeganistão, o máximo a que Obama pode aspirar agora é sair de lá rapidamente sem que isto pareça uma debandada. Com a esperança de que antes das eleições de novembro não se complique a situação a ponto de obrigá-lo a uma retirada precipitada e à entrega do poder aos talibãs sem mais negociações.





Fonte: Vermelho, Cubadebate, publicado originalmente em La Jornada
Tradução da redação do Vermelho
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Leonel Brizola


Em primeiro lugar, coloco aqui o comentário que foi feito em meu blog pelo amigo Ramiro Lopes e que deu orígem a este post.


Caro Amigo Burgos

Vou comentar outro post que publicou á alguns dias:

http://burgos4patas.blogspot.pt/2012/03/5-milhoes-de-estudantes-terao-aula-em.html

Quando ainda era estudante de engenharia, fiz um estágio numa empresa chamada " Carioca Engenharia " em 1985.

Trabalhei no projecto dos CIEP's, do governo de Leonel Brizola,e de um grande homem chamado DARCY RIBEIRO, que criou o projecto CIEP's.

Trabalhei na fabrica de pré-fabricados de São João de Meriti, no Rio de Janeiro. Lá se faziam os pilares e lajes destas magníficas obras.

Passados mais de 36 anos, de uma excelente idéia que morreu pelas maõs assassinas dos politicos corruptos após DARCY RIBEIRO, vejo que querem retomar esta maravilhosa ideia de escola integral.

No entanto já se perderam mais de uma geração de crianças, que agora são homens e mulheres, que agora uma grande maioria são marginais.

PERDEU-SE MAIS DE UMA GERAÇÃO (uma geração são 25 anos), estas crianças seriam hoje, possivelmente adultos responsáveis, com educação e valores de civismo e ética, que tanto fazem falta ao Brasil.

No entanto, vive-se no Brasil o momento dos corruptos, e isto influencia a maneira de ser dos Brasileiros como um povo.

O oba/oba permanente, a falta de honestidade, a imbecilidade, os roubos, a incivilidade, são considerados normais, MAS NÃO É NORMAL ESTAS ATITUDES Burgos.

PERDEU-SE MAIS DE UMA GERAÇÃO.

Oxalá que realmente façam a escola integral para as crianças, com :

- EDUACAÇÃO

- ALIMENTAÇÃO

- SAÚDE COM MEDICO PERMANENTE NA ESCOLA

- EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA (OBRIGATÓRIA)

- DESPORTO

Tudo isto existia nos CIEP's, e foi deixado ao abandono, por mesquinhez política.

Caro Burgos, a educação é uma meta que leva pelo menos 50 anos a dar resultados.

Não se pode interromper a cada 4 anos dos governos, quando mudam as moscas !!!!!!

Não acredito que o Brasil vai mudar o principal de sua caracteristica (O OBA / OBA), isto não chega, não chega, só com educação contínua poderão mudar algo de fundo, da alma dos brasileiros.

Estas minhas palavras tambem se aplicam a Portugal.

Um abraço Burgos, achei que deveria comentar este seu post sobre educação no Brasil.

Um abraço amigo.

Ramiro Lopes Andrade

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Brizola, Darcy Ribeiro e os CIEPs

Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), popularmente apelidados de Brizolões, foi um projeto educacional de autoria do antropólogo Darcy Ribeiro que, pessoalmente, o considerava "uma revolução na educação pública do País".

Implantado inicialmente no estado do Rio de Janeiro, no Brasil, ao longo dos dois governos de Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994), tinha como objetivo oferecer ensino público de qualidade, em período integral, aos alunos da rede estadual.

O horário das aulas estendia-se das 8 às 17 horas, oferecendo, além do currículo regular, atividades culturais, estudos dirigidos e educação física. Os CIEPs forneciam refeições completas a seus alunos, além de atendimento médico e odontológico. A capacidade média de cada unidade era para mil alunos.

O projeto objetivava, adicionalmente, tirar crianças carentes das ruas, oferecendo-lhes os chamados "pais sociais", funcionários públicos que, residentes nos CIEPs, cuidavam de crianças também ali residentes.

Os governos que sucederam aos de Brizola não deram continuidade administrativa ao projeto, desvirtuando-lhe a sua principal característica: o ensino integral. Desse modo, as unidades construídas e operacionais tornaram-se escolas comuns, com o ensino em turnos. As demais, parcialmente concluídas, foram simplesmente abandonadas, assim como desativada e desmontada a instalação que produzia as suas peças pré-moldadas de concreto.

O projeto arquitetônico dos edifícios é de autoria de Oscar Niemeyer, tendo sido erguidas mais de 500 unidades. Uma de suas características foi a utilização de peças pré-moldadas de concreto, barateando sua construção.

As escolas são constituídas por três estruturas:

- O edifício principal, erguendo-se em três pavimentos, abrigando as salas de aula, centro médico, cozinha, refeitório, banheiros, áreas de apoio e recreação;

- O ginásio esportivo, que também pode receber atividades artísticas e culturais;

- O edifício da biblioteca e dos dormitórios.

No segundo governo de Leonel Brizola, alguns CIEPs passaram a contar com piscinas.


Brizola - Tempos de Luta

O vídeo Tempos de Luta, dirigido por Tabajara Ruas, conta toda a história de Leonel Brizola. O filme, começa com cenas do enterro em São Borja, a meca do Trabalhismo, onde também estão enterrados Getúlio Vargas e João Goulart. De imediato, aparece Frutuoso Brizola, irmão de Leonel, apontando para umas coxilhas: “Lá nasceu Leonel Brizola”. É a partir de Cruzinha, povoado antes vinculado a Passo Fundo e hoje a Carazinho, que vamos ver até onde vai esta história.
No documentário, abrangendo cenas dos principais eventos que marcaram a trajetória de Brizola, estão ainda 27 depoimentos de familiares, companheiros e lideranças políticas que com ele , entre os quais, Luís Carlos Prestes, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Jarbas Passarinho, Flávio Tavares, Mário Soares, ex-presidente do Portugal.








Fonte: Wikipédia
Imagem: Google

'O negro'



Por Rosa Montero

Tradução Adital

Estamos no restaurante estudantil de uma universidade alemã. Uma aluna loura pega sua bandeja e senta-se em uma mesa. Então, percebe que esqueceu os talheres; levanta-se para pegá-los. Ao regressar, descobre com espanto que um rapaz negro, provavelmente subsaariano devido ao seu aspecto, sentou-se em seu lugar e está comendo de sua bandeja.

Sua reação imediata é de desconcerto; sente-se agredida. Porém, em seguida, corrige seu pensamento e supõe que o africano não está acostumado ao sentido da propriedade privada e da intimidade do europeu; ou, inclusive, quem sabe não tenha dinheiro suficiente para pagar a comida, mesmo sendo tão barata para o elevado padrão de vida de nossos ricos países. De modo que a garota decide sentar-se frente ao rapaz e lhe sorri, amistosamente. O rapaz responde com outro sorriso branco. Em seguida, a alemã começa a comer da bandeja, tentando aparentar a maior naturalidade e partilhando-a com rara generosidade e cortesia com o rapaz negro. E assim, ele come a salada; ela prova a sopa; ambos comem alternadamente da mesma porção de carne refogada até acabá-la; ele saboreia o iogurte e ela a fruta...

Tudo isso entre múltiplos sorrisos educados, tímidos por parte do rapaz, suavemente alentadoras e compreensivas por parte dela. Acabado o almoço, a alemã se levanta em busca de um café. E, então, descobre na mesa vizinha por detrás dela, seu próprio casaco colocado sobre o espaldar de uma cadeira e uma bandeja de comida intocada.

Dedico essa história deliciosa, que, além de tudo é autêntica, a todos aqueles espanhois que, no fundo, têm receio e/ou suspeitam dos migrantes e os consideram indivíduos inferiores. A todas essas pessoas que, mesmo bem intencionadas, os observam com condescendência e paternalismo. Será melhor que nos livremos dos preconceitos..., ou corremos o risco de passar o mesmo ridículo que a pobre alemã, que acredita ser o cúmulo da civilização, enquanto o africano, ele, sim, imensamente educado, deixou-a comer em sua bandeja enquanto, talvez, pensava: "Que loucos estão os europeus!”.


[Original em espanhol, publicado em El País].


Fonte: Adital

Imagem: Google

Cúpula dos Povos, a cara oposta à Cúpula das Américas


"Os povos não se unem,
a não ser com laços de fraternidade e amor”.

Fidel Castro Ruz










Grande alvoroço aconteceu na região diante de tão desafiadora e solidária proposta do mandatário equatoriano, Rafael Correa, quando propôs que os países da Alba não participem na VI Cúpula das Américas se Cuba não for convidada, cujo encontro regional acontecerá em Cartagena de Índias, Colômbia, nos dias 14 e 15 de abril.

Por Juan Pozo Álvarez, em Adital

Como era de esperar, a reação excludente e indefensível do governo de Washington foi imediata, e, com a prepotência que os caracteriza, começaram a exercer pressões em inconformidade à participação de Cuba no conclave continental.

A iniciativa lançada "não é santo de sua devoção”, já que dito raciocínio contradiz o que decretou o "norte brutal e agitado” para o caso específico de Cuba. Fica claro que para os países de nossa América o tema Cuba não é indiferente e, portanto, estão fazendo com que sua voz seja escutada, como lhes corresponde, sublinhando a importância de uma reunião onde todos possam estar.


Nessas mais de cinco décadas de incessante enfrentamento, nos acostumamos a seus "rancores mortais”, "insultos venenosos”, "invejas assassinas” e "mesquinharias sangrentas” contra nossa pátria. É sempre o mesmo; sintomas decadentes de um ódio confesso que nos inspira a apelar a nosso Herói Nacional, José Martí, quando, ao referir-se a esses irresponsáveis, expressou: "Nem esperamos seu reconhecimento, nem o necessitamos para vencer”. Pensamento martiano que tem tremenda vigência e é um chamado à necessidade de união ante um inimigo tão poderoso e de natureza sumamente agressiva.


As sangrentas garras do monstro que Martí conheceu, em sua passagem pelo país nortenho, poderão continuar fustigando com sua "insana avareza” e "vergonhosos manejos”; porém, o certo é que a essa "águia ladrona”, cada vez lhe custa mais trabalho dividir-nos e convencer-nos, pelo que sua retórica e apologia de má vontade oculta, não destrói nem confunde a ninguém.


Sua própria natureza e ambição desmedida os tem levado a perder espaços e efetividade em sua política hegemônica, pelo que continuamos desempacotando alternativas para avançar rumo a uma integração realmente inclusiva. É um contexto onde se escreve uma página inédita, que cumpre com um velho desejo tantas vezes desaproveitado; porém, agora bem concebido, com a nascente Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que enche a região de muitas e diversas expectativas e oportunidades.


Desde 1994, essas Cúpulas das Américas são convocadas a cada 4 anos, em sedes alternadas, e têm servido para despertar sentimentos de identidade e impregnar um maior sentido de pertença. A voz dos povos tem sido fulminante e imediatamente, surgem as Cúpulas dos Povos como alternativa que, a partir da reunião de Santiago de Chile, em 1998, começaram a levar sua própria agenda de discussão, com iniciativas frente a Alca, aos Tratados de Livre Comércio, ao pagamento da dívida externa, à militarização, às correntes neoliberais e à pobreza na região, entre outros temas recorrentes e conjunturais, assumindo uma posição pujante e firme.


Após a I Cúpula dos Povos, de Santiago de Chile, em 1998, realizaram-se a de Quebec, Canadá (2001), a de Mar del Plata, Argentina (2005), e a de Puerto España, Trinidad e Tobago (2009). Em correspondência, sua uma opção de luta, convocadas pela Aliança Social Continental (ASC), uma coalizão de organizações sindicais, religiosas, camponesas, de direitos humanos, de mulheres e outros movimentos sociais, com presença em todos os países do hemisfério, incluindo os Estados Unidos, Canadá e Cuba. Seu formato é similar ao do Fórum Social Mundial e ao da Assembleia dos Povos do caribe (APC), com um grupo de atividades centrais organizadas pela ASC e atividades autogestionadas: encontros, oficinas, mobilizações, atividades culturais, conferências etc.


Os organizadores da Cúpula dos Povos insistem em que esse é um projeto totalmente independente de governo. Não é uma contra-cúpula; é a cara oposta à Cúpula das Américas, espaço onde se geram processos de resistências ao projeto de dominação que os poderes hegemônicos querem impor. É a Cúpula onde as propostas de integração e o reclamo dos povos são atendidos.


As organizações que se reúnem para participar nas Cúpulas dos Povos se preocupam com o futuro de suas nações, denunciam o agravamento das desigualdades entre ricos e pobres, entre homens e mulheres, entre os países do Norte e os do Sul e como se destroem os vínculos ecológicos entre o ser humano e o meio ambiente. Da mesma forma, denunciam o perigo que ronda a segurança alimentar, a privatização dos serviços de saúde e de educação, mediante programas de ajuste estrutural nos países do Sul e recortes orçamentários nos países do Norte, bem como a marginalização dos povos indígenas e a apropriação de seus conhecimentos com fins comerciais.


Em cada cúpula foi feito um chamado a nossos povos para intensificar a mobilização e desenvolver outros modos de integração, baseados na democracia, na justiça social e na defesa do meio ambiente. Também tem sido enviadas mensagens a todos os mandatários da região e, em particular, ao presidente de turno dos Estados Unidos. Enfim, essas cúpulas têm permitido que se reivindique a paz, a soberania e a justiça social.


Na II Cúpula dos Povos, em Quebec, em abril de 2001, foi aprovado um documento final que denunciava o não cumprimento do acordo celebrado na I Cúpula de Miami, de 1994 para fortalecer a democracia, os direitos humanos; apoiar a educação e reduzir a pobreza. Até a data, nada foi feito. O único ponto dessa agenda que prosperou foi a negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), felizmente sepultado com posterioridade.


Com mais maturidade e coesão, na reunião de Mar del Plata aconteceu uma grande demonstração de rechaço às políticas neoliberais dos Estados Unidos na presença do presidente norte-americano George W. Bush. Em um ambiente pacífico, porém com grande indignação, realizou-se uma contundente macha de repúdio ao próprio Bush justamente no dia de sua chegada para a Cúpula das Américas.


Em abril de 2009, celebra-se a IV Cúpula dos Povos, em Puerto España, Trinidad e Tobago. Por primeira vez, em um país do Caribe insular. Cuba, único país da região que é excluído das Cúpulas das Américas, recebeu um apoio descomunal desde a primeira reunião, com manifestações pacíficas que exigiam o direito de Cuba a ser incluído na Cúpula das Américas e demandavam o levantamento do bloqueio. Foi a Cúpula onde o recém eleito Barack Obama gerou um elevado nível de expectativas por tudo o que prometeu. Mas, continuam latentes seus verdadeiros interesses geoestratégicos e hegemônicos.


Paulatinamente, se tem conseguido colocar freio à liderança dos Estados Unidos na região, já que essas Cúpulas nos tem permitido reencontrar-nos e tomar distância em certos temas nas complexas relações com essa nação. Há uma maior compreensão para recuperar e comprometer-se com as particularidades culturais, sociais e políticas de cada país, com a soberania e a constitucionalidade, o nível e o tamanho de nossas economias para garantir um tratamento justo e equitativo. Nossa dignidade deve ser resgatada e colocar-se em marcha.

Para essa V Cúpula dos Povos, o governo dos Estados Unidos enfrentará uma América Latina com uma postura distinta, com maior capacidade de representação e insatisfeita ao não ver cumpridas as promessas de Obama. Ficará reiterado o desejo de colocar fim ao isolamento imposto a Cuba, com os países da Alba como autores e atores absolutos dessa justa reclamação. A tudo isso se pode agregar um presidente democrata e afro-norte-americano que, estimulado pela necessidade expansionista, através da "intervenção discreta” e da "ocupação pacífica”, está levando a hostilidade a todos os lugares do mundo, com o pretexto de lutar contra o terrorismo e assumindo a já conhecida posição imperial contra as nações terceiromundistas.


Essa análise não estaria completa se não percebermos que estamos diante de um fenômeno inevitável, multicausal e histórico, onde temos sido agredidos impunemente e tentam nos isolar, dividir e desprezar. Será um novo desafio para essa V Cúpula dos Povos em Cartagena de Índias, pois, obedecendo a um novo plano, deve-se buscar soluções a nossas preocupações comuns, com um enfoque crítico e introspectivo, onde prime um espírito de igualdade, equidade e responsabilidade mútua.


O mais importante é que a Cúpula dos povos, a outra cara da moeda da Cúpula das Américas, faça reflexões profundas de seu compromisso e papel a desempenhar, que refute qualquer proposta excludente, trabalhando e atuando com firmeza em qualquer dos cenários a enfrentar, por mais emaranhados que se tornem. Nos encontramos em circunstâncias nas quais se partilham critérios e há compreensão majoritária sobre a demanda que Cuba deve ser convidada para a Cúpula. Essa é uma mostra palpável de quanto se avançou na América Latina e no Caribe, distanciando-se pouco a pouco dos desígnios dos Estados Unidos, para tomar decisões próprias. Então, por muito cômoda e difícil que seja a situação, não demos as costas a esses desafios e muito menos aos que, daqui por diante, possam apresentar-se.


Ante o anunciado pelo governo dos Estados Unidos, não nos faz falta seu consentimento. Nossa posição é clara, precisa e invariável. Não reclamamos assistir à Cúpula das Américas; porém, apoiamos tão valente proposta do mandatário do Equador, Rafael Correa, e apoiada pelos países da Alba.





Fonte: vermelho.org.br
Imagem: Google

sábado, 17 de março de 2012

Unesco questiona métodos da Repórteres Sem Fronteiras

Não causa nenhuma surpresa a notícia de que a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) retirou de sua lista de ONGs associadas a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na quinta 8.



Por Gianni Carta

A Unesco julgou os métodos utilizados pela RSF incompatíveis com os valores éticos do jornalismo.

Também não vale a pena ficar chocado com o fato de a mídia canarinho ter preferido não abordar o tema que recebeu ampla cobertura na Europa.

O motivo?

A RSF, desde a sua fundação pelo “jornalista” francês Robert Ménard, em 1985, é financiada por, entre outros, o Departamento de Estado dos Estados Unidos.

E o trabalho da RSF, com sede em Paris, é fazer propaganda contra principalmente os países progressistas da América Latina. A CIA, óbvio, é uma das agências a infiltrar a RSF, como reportado escassos anos atrás por CartaCapital, num texto de autoria do acima assinado intitulado “O Caixa-2 das ONGs”.

Como sabemos, a vasta maioria dos jornalões, revistas e redes de tevê do Brasil não perdem oportunidades para criticar governos como os da Bolívia, Equador, etc. Por aqueles bandas nunca ocorre nada de positivo. Muitas vezes a pauta a difamar cubanos é oriunda da inconfiável RSF.

De fato, devido às suas “tentativas que visam desqualificar certo número de países”, a Unesco já havia retirado o estatuto da RSF de co-patrocinadora do Dia pela liberdade da Internet, em 12 de março de 2008.

De jornalismo, aliás, a RSF não entende patavinas. Entende, isso sim, de espionagem. “Alimentada, em grande parte, por dólares de Washington, a RSF realiza atividades secretas em numerosos países”, lê-se no artigo “O Caixa-2 das ONGs”.

Hernando Calvo, o jornalista colombiano, lembra que o ex-secretário-geral da RSF, Robert Ménard, reconheceu ter recebido financiamento do Centro por uma Cuba Livre, fundação dirigida por Frank Calzón, agente da CIA.

Ménard, de 58 anos, é, diga-se, um homem com posições políticas no mínimo nebulosas. O que talvez explique a opacidade da RSF.

Ex-integrante do Partido Socialista Francês, após cultivar elos com a CIA Ménard deixou a RSF em setembro de 2008. Em seguida, assinou um contrato milionário para dirigir um centro de defesa pelos direitos da mídia em… Qatar.

Ménard descobriu que os direitos de livre expressão inexistem em Qatar (o “jornalista” precisou ir até lá para descobrir isso), e, assim, pediu demissão.

De volta à França, ele se associou à legenda de extrema-direita, a Frente Nacional do clã Le Pen. Ano passado celebrou o sucesso de Marine Le Pen em eleições locais, e publicou o livro Vive Le Pen! (Mordicus, 2011).

Talvez fosse o caso de Ménard usar seu talento para escrever Vive Les Reporters Sans Frontières!

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Em 2011

Repórteres sem fronteiras, mas com partido


Organização internacional já era vista com desconfiança, por omissão diante de golpes militares. Agora, seu fundador admite simpatia com candidata da extrema direita francesa.

O francês Robert Ménard, fundador e chefão da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) durante longas décadas, já enganou muita gente com suas bravatas em defesa da liberdade de expressão. Na semana passada, porém, ele tirou de vez a fantasia e confessou sua simpatia pela Frente Nacional (FN), o partido de extrema direita da França que prega o racismo, o ódio aos imigrantes e outras teses fascistas.

Em entrevista à influente cadeia de rádios RTL, o falso democrata mostrou-se irritadiço, repetindo “deixe-me falar” e abriu o jogo – para surpresas dos mais ingênuos. Ele festejou o crescimento da FN de Marine Le Pen nas eleições locais, quando obteve 14,7% dos votos, e afirmou: “Não só os entendo, como os aprovo… Aprovo certo número de pontos de vista de Marine Le Pen.” Diante dos jornalistas, Ménard mostrou-se injuriado. “Estou farto do desrespeito que vocês têm [diante do direitismo da FN].”

A sinistra história da ONG

Ele ainda lamentou a pouca representatividade da seita fascistóide e desembuchou: “É um partido legal, não é um partido fascista e nem vergonhoso.” Após elogiar Marine Le Pen, filha do racista Jean-Marie Le Pen que o substituiu no comando da sigla, Ménard ainda fez questão de manifestar seu ódio visceral às forças de esquerda da França. “Penso que o Partido Comunista e Jean-Luc Mélanchon são tão perigosos quanto a Frente Nacional.”

As declarações bombásticas do fundador da ONG Repórteres Sem Fronteira (RSF) não deveriam causar surpresas. É só conhecer um pouco da história desta organização para saber de seus vínculos com setores da extrema direita no mundo todo. Reproduzo abaixo trechos de um capítulo do livro A ditadura da mídia para refrescar a memória dos mais incautos.

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A ONG de origem francesa Reporters Sans Frontières (RSF) foi fundada em 1985 pelo jornalista Robert Ménard. Adepta da visão liberal-burguesa de democracia, inicialmente concentrou seus ataques aos países do bloco soviético, acusados de serem “autoritários e contrários à liberdade de imprensa”. Mas seu alvo predileto sempre foi a Revolução Cubana. Tanto que Cuba já solicitou várias vezes sua exclusão do comitê de ONGs das Nações Unidas. Segundo o professor Salim Lamrani, doutor pela Sorbonne e autor de um elucidativo artigo no sítio Resistir, “Robert Ménard sofre de uma doentia obsessão contra a Revolução Cubana e reúne em si todos os vícios e desmandos de que o jornalismo e os jornalistas são capazes”.

Segundo denuncia, “a RSF diz ‘defender os jornalistas encarcerados e a liberdade de imprensa’. Conversa! A organização, financiada pelo milionário francês François Pinault e com a benevolência do comerciante de armas Arnaud Lagardère, fez da manipulação da realidade cubana o seu principal negócio. Ménard arremete contra a Ilha socialista, declarando que ‘para os Repórteres Sem Fronteira, a prioridade na América Latina é Cuba’. No barômetro da liberdade de imprensa da RSF, a situação da Colômbia – onde mais de 100 jornalistas foram assassinados em dez anos – é qualificada apenas como ‘difícil’. Já a situação cubana, onde nem um só jornalista foi assassinado desde 1959, é qualificada de ‘muito grave’”.

Casos Mumia Abu-Jamal e Al Jazeera

Lamrani lembra da situação dramática do jornalista estadunidense Mumia Abu-Jamal, “que apodrece na prisão há mais de 20 anos, por um crime que não cometeu, mas não interessa a RSF”. Cita também o bombardeio de uma estação de rádio e TV sérvia, durante a guerra do Kosovo, em abril de 1999, que resultou a morte de uma dezena de jornalistas. “Em 2000, quando a RSF publicou seu informe anual, essas vítimas não foram contabilizadas”. Refere-se ainda aos bombardeios dos EUA à sede da TV Al Jazeera, do Catar, durante as guerras do Afeganistão e do Iraque, que também não receberam as devidas condenações desta organização “não-governamental”, apesar da morte de dois jornalistas.

O professor francês registra outros fatos lamentáveis para provar que a RSF é dura nas críticas a governos não alinhados, mas é afável no trato ao imperialismo e aos barões da mídia. Ela relembra um deprimente perfil do próprio Robert Ménard, publicado em março de 2001. Para ele, não seria aconselhável condenar a manipulação da mídia francesa porque “corremos o risco de desagradar certos jornalistas, inimizá-los com os patrões da imprensa e enfurecer o poder econômico. Para nos midiatizarmos (sic), precisamos da cumplicidade dos jornalistas, do apoio dos patrões da imprensa e do dinheiro do poder econômico”.

Silêncio diante do golpe na Venezuela

Na fase recente, a RSF também passou a satanizar o presidente Hugo Chavez. Quando do frustrado golpe de abril de 2002, que teve como pivôs os principais donos da mídia venezuelana, Ménard não levantou a sua voz em defesa da “liberdade”. Pelo contrário. Segundo reportagem dos estadunidenses Jeb Sprague e Diana Barahona, publicada em agosto na Réseau Voltaire, a RSF incentivou a brutal campanha midiática de preparação do golpe. Ela inclusive teria recebido subvenções da National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), que é financiada pelo governo dos EUA e por poderosas corporações e é acusada de ser uma filial da CIA, para cumprir esta missão nada democrática.

Ainda segundo os dois jornalistas estadunidenses, a NED “foi criada pelo governo de Ronald Reagan, em 1983, para ressuscitar os programas de infiltração da CIA na sociedade civil”. Por acaso, a mesma Lucie Morillon, citada acima, é diretora-executiva da NED e porta-voz da RSF nos EUA. Em recente entrevista, ela admitiu que o Instituto Republicano Internacional (IRI), um dos satélites da NED ligado diretamente ao partido de Bush, “subvencionou, durante pelo menos três anos, os Repórteres Sem Fronteira”. Além de apostar na desestabilização do governo bolivariano, a RSF também contribuiu para o golpe que derrubou o presidente Jean Bertrand Aristides, em 2004, no Haiti, conforme denúncia do jornal New York Times.

A ONG francesa nega terminantemente a grave acusação. Afirma que apenas promoveu uma campanha internacional de denúncia contra o assassinado do jornalista Jean Dominique, diretor da Radio Haiti Inter, que teria ocorrido durante o governo de Aristides. Pura mentira! Dominique foi assassinado bem antes da chegada de Aristide ao governo. Segundo o New York Times, a tal campanha mundial foi financiada pelo IRI. “O presidente Bush nomeou como seu presidente [do IRI] Lorne Craner, para dirigir os esforços pela democracia. O instituto, que trabalha em mais de 60 países, viu triplicar seu financiamento federal em três anos, de US$26 milhões em 2003 para US$75 milhões em 2005”. E repassou dólares à RSF.

As misteriosas subvenções à RSF

A questão do financiamento da RSF, curiosamente rotulada de “organização não-governamental”, sempre despertou suspeita. Ela até mantém em seu sítio um campo dedicado as suas receitas, mas não divulga as fontes. Em recente entrevista, publicada no Observatório de Imprensa, Robert Ménard garantiu que “mais de 50% do orçamento dos Repórteres Sem Fronteira vem da venda de revistas de fotografia; um quarto do financiamento vem da União Européia; e outra quarta parte do orçamento vem das operações especiais, de doações e leilões”. Estranhamente, porém, o mesmo fundador da RSF já havia revelado em seu próprio livro que a Comissão Européia subvencionava 44% de seus recursos. Os números não batem!

Os mais céticos, porém, não vacilam em denunciar que esta e outras ONGs “humanitárias” são bancadas por poderosas corporações empresariais e pelos governos das potências capitalistas. Num texto intitulado “O caixa 2 das ONGs”, o jornalista Gianni Carta foi peremptório: “Com o intuito de difundir aquilo que entende por ‘democracia’, o presidente norte-americano George W. Bush não somente invadiu o Iraque em 2003 e apoiou Israel na recente carnificina no Líbano, mas também estaria usando organizações não-governamentais, por vezes infiltradas pela Central Intelligence Agency (CIA), para influenciar o cenário político mundo afora”. Entre outras, ele cita explicitamente a Reporters Sans Frontières, “alimentada, em grande parte, por dólares de Washington” para realizar atividades secretas em vários países.

Soros, Murdoch e os “projetos humanitários”

O próprio Robert Ménard, numa conferência em Quebec (Canadá), em 2005, foi obrigado a confessar a existência destes subsídios. Quanto ao apoio do governo terrorista de George W. Bush, ele não titubeou: “Recebemos dinheiro da NED e isso não nos cria nenhum problema.” Já no que se refere aos subsídios da União Européia, explicou: “Parece-nos indispensável que a EU outorgue apoio às agências da imprensa independente, assim como às organizações de sindicalistas, economistas e outras.”

Outra fonte de verba, segundo Gianni Carta, seria a Fundação Soros, do mega-especulador George Soros. “Em 2004, essa fundação alocou US$1,2 milhão para as ONGs realizarem ‘projetos relacionados à eleição’ na Ucrânia, em favor da chamada Revolução Laranja de Viktor Yuschenko”, um liberal confesso. Outro magnata, dono de um império midiático mundial, o australiano Rupert Murdoch, também cultiva o hobby de bancar “entidades humanitárias”, logicamente sem qualquer interesse.

Já o jornalista Jean Allard descobriu que “as campanhas publicitárias anticubanas mais mentirosas da RSF foram concebidas e montadas pela Publicis, gigante mundial da publicidade, que tem, entre seus clientes, o Exército dos EUA e a Bacardi”. A Saatchi&Sasstchi, a mais famosa agência de Nova Iorque e metida em todas as campanhas anticastristas, também presta seus “serviços gratuitos”. Allard revela ainda que “são conhecidas as relações de Ménard com personagens da extrema direita de Miami que se dedicam a atacar Cuba, usando todos os meios possíveis, até o terrorismo. Sabe-se também que ele mantém relações com Freedom House, do antigo agente dos serviços secretos Frank Calzon”, um notório terrorista.

Papel oculto dos donos da mídia

Com este tenebroso currículo, um artigo do Le Monde Diplomatique, assinado por Maurice Lemoine, não vacila em afirmar que a ONG Repórteres Sem Fronteiras pratica “golpes sem fronteiras”. “Pretendendo ‘defender o direito de informar e de ser informado’, conforme o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a RSF ignora deliberadamente o papel não oculto dos proprietários dos meios de comunicação. Mas a organização não tem escrúpulo algum em fazer do governo de Hugo Chavez – que jamais atentou contra as liberdades – um de seus alvos privilegiados na atualidade”.

Já para Gianni Carta, a badalada RSF é uma fraude. “O mais incrível é que ela, ainda hoje dirigida por seu fundador, Robert Ménard, não faz o que deve: proteger jornalistas injustiçados. Sami Hajj, da TV Al Jazeera, foi preso, torturado e abusado sexualmente na Baía de Guantânamo. A organização do senhor Ménard não se manifestou. Giuliana Sgreana, jornalista do diário italiano Il Manifesto, foi libertada no Iraque no ano passado, e o agente de inteligência, Nicola Calipari, responsável pela operação, morreu protegendo-a de mais de 300 rajadas provenientes das metralhadoras de soldados norte-americanos. Até hoje ninguém sabe o que realmente aconteceu. A RST não tem uma posição clara sobre a morte de Calipari.”



Fonte: Carta Capital, Altamiro Borges
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