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segunda-feira, 2 de abril de 2012

O novo Mandela



Uri Avnery Column






Máruan Barghúti falou firme e forte, na 5ª-feira. Depois de longo silêncio, chega agora a sua mensagem, enviada da prisão.


A ouvidos israelenses, não é mensagem que soe agradável. Mas a ouvidos palestinos e árabes em geral, faz pleno sentido. A mensagem de Barghúti pode bem tornar-se o novo programa do movimento palestino de libertação.

Conheci Barghúti no auge do otimismo pós-Oslo. Ele emergia como líder de uma nova geração palestina, jovens ativistas, mulheres e homens, forjados e amadurecidos na 1ª Intifada. É homem pequeno de estatura, de grande personalidade. Quando o encontrei, já era o líder da Tanzin (“organização”), o grupo jovem do movimento Fáteh.

O tópico de nossas conversas era, então, a organização de manifestações e ações não violentas, baseadas em estreita cooperação entre grupos pacifistas palestinos e israelenses. Nosso objetivo era a paz entre Israel e o novo Estado da Palestina.

Quando o processo de Oslo morreu, com os assassinatos de Yitzhak Rabin e de Iássir Árafate, Máruan e sua organização passaram a ser alvos vivos. Sucessivos líderes israelenses – Binyamin Netanyahu, Ehud Barak e Ariel Sharon – decidiram por fim à agenda dos Dois Estados. Na brutal “Operação Escudo Defensivo” (lançada pelo Ministro da Defesa Shaul Mofaz, novo chefe do Partido Kadima), a Autoridade Palestina foi atacada, seus serviços destruídos e muitos de seus ativistas presos.

Máruan Barghúti foi levado a julgamento. Alegava-se que, como líder da Tanzim, fora responsável por vários ataques “terroristas” em Israel. O seu julgamento foi uma farsa, lembrando mais uma arena romana de gladiadores que um processo judicial, com a sala cheia de direitistas ululantes, que se apresentavam como “vítimas do terrorismo”. Membros do Bloco da Paz [Gush Shalom] protestaram contra o julgamento dentro do edifício do tribunal, mas não permitiram que nos aproximássemos do réu.
Máruan recebeu cinco sentenças de prisão perpétua. A fotografia em que aparece com as mãos algemadas erguidas sobre a cabeça tornou-se ícone nacional palestino. Quando visitei sua família em Ramállah, a fotografia lá estava, emoldurada, numa parede da sala-de-estar.

Na prisão, Máruan Barghúti foi imediatamente reconhecido como líder de todos os prisioneiros ligados ao Fáteh. E é respeitado também pelos ativistas do Hamás. Juntos, os líderes aprisionados das duas facções tornaram públicas várias declarações de apelo à unidade palestina e à reconciliação. Foram distribuídas fora da prisão e recebidas com admiração e respeito.


(Outros membros da numerosa família Barghúti, a propósito, desempenham importantes papéis na cena palestina, num amplo espectro que vai de moderados a extremistas. Um deles é Mustápha Barghúti
[1], médico, líder de um grupo palestino com muitas conexões no exterior, com quem me encontro regularmente nas demonstrações de Bílin e alhures. Uma vez, brinquei que sempre choramos quando nos vemos... por causa do gás lacrimogêneo. A família tem raízes num grupo de aldeias ao norte de Jerusalém.)
Hoje, Máruan Barghúti é considerado o mais importante candidato a líder do Fáteh e a presidente da Autoridade Palestina, depois de Máhmude Ábbas: é das poucas personalidades em torno da qual todos os palestinos, do Fáteh ou do Hamás, podem unir-se.

Depois da captura do soldado israelense Gilad Shalit, quando se discutia sobre a troca de prisioneiros, o Hamás pôs Máruan Barghúti na cabeça da lista dos prisioneiros palestinos cuja soltura era pedida em troca do soldado Gilad. Foi gesto incomum, de vez que Máruan pertencia à facção rival, que o Hamás rejeitava publicamente (e asperamente).
Mas foi o primeiro nome a ser cortado da lista pelo governo israelense, que se manteve inflexível. Quando Shalit foi enfim libertado, Máruan continuou na prisão. Obviamente, ele é tido como mais perigoso que centenas de “terroristas” do Hamás, que têm “sangue nas mãos”.

Por quê?


Os mais cínicos responderiam: porque Máruan quer a paz. Porque está associado à Solução Dois Estados. Porque pode unificar o povo palestino em torno de tal propósito. Todas essas são ótimas razões para que qualquer Netanyahu o mantenha atrás das grades.


Afinal, o que Máruan disse ao seu povo esta semana?


É bem visível que sua atitude endureceu. Pode-se portanto pressupor que endureceu também a atitude dos palestinos em geral.


Máruan convoca para uma 3ª Intifada, levante não violento de massas, no espírito da Primavera Árabe.


O Manifesto é rejeição clara e direta da política de Máhmude Ábbas, que mantém limitada, mas importante, cooperação com as autoridades israelenses de ocupação. Máruan pede ruptura total com quaisquer formas de cooperação, econômicas, militares ou outras.


Ponto focal dessa cooperação a ser rompida é a colaboração no dia-a-dia dos serviços de segurança palestinos (treinados pelos norte-americanos) com as forças de ocupação israelenses. Esse arranjo efetivamente pôs fim a ataques palestinos violentos nos territórios ocupados e em Israel. Mas, na prática, garante a segurança dos crescentes assentamentos israelenses na Cisjordânia.


Máruan também clama por boicote total de Israel, em todo o mundo, das instituições israelenses e de produtos dos territórios ocupados. Produtos israelenses devem desaparecer das lojas na Cisjordânia.


Ao mesmo tempo, Máruan advoga um fim oficial para a farsa das “negociações de paz”. A expressão, a propósito, já é tabu entre direitistas e, também, entre a maioria dos “esquerdistas”. Politicamente, é veneno. Máruan propõe oficializar a total ausência de qualquer negociação de paz. Basta de conversações internacionais sobre “reviver o processo de paz”. Basta de correria em volta de personagens ridículos, como Tony Blair. Basta de anúncios feitos por Hillary Clinton e Catherine Ashton. Basta de declarações vazias do “Quarteto”. Visto que o governo israelense abandonou claramente a Solução Dois Estados – de fato, jamais a aceitou realmente – insistir nessa reivindicação fragiliza a luta dos palestinos.


Em vez dessa hipocrisia generalizada, Máruan propõe renovar a batalha nas Nações Unidas. Primeiro, requerer outra vez ao Conselho de Segurança que acolha a Palestina como estado-membro da ONU, desafiando os EUA a ter de usar o seu veto solitário contra praticamente o mundo inteiro. Depois de o requerimento dos palestinos ser rejeitado no Conselho, como provavelmente será rejeitado pelo veto dos EUA, recorrer à Assembleia Geral, onde a vasta maioria votará a favor. Embora a decisão da Assembleia Geral não seja vinculante, ela demonstrará que a liberdade da Palestina conta com o apoio massivo da família das nações; o que isolará ainda mais Israel (e os EUA).


Paralelamente a esse curso de ação, Máruan insiste na unidade palestina; nessa direção, aplica sua considerável força de pressão moral sobre o Fáteh e o Hamás.


Em suma, Máruan Barghúti desistiu de esperar alcançar a liberdade palestina mediante cooperação com Israel, mesmo com forças israelenses de oposição. Já não se fala de aliança com o movimento pacifista israelense. “Normalização” tornou-se palavrão.


Essas ideias não são novas, mas, vindas agora do prisioneiro palestino n. 1, do mais importante candidato à sucessão de Máhmude Ábbas, do herói das massas palestinas, significa uma reviravolta na direção de ação mais militante, em substância e tom.


Máruan permanece orientado na direção da paz – o que deixou claro quando, em rara aparição recente no tribunal israelense, declarou a jornalistas israelenses que continua a apoiar a Solução Dois Estados. Também está comprometido com ação não violenta, depois de concluir que os ataques violentos do ano passado prejudicaram a causa palestina, mais do que a fizeram avançar.


Máruan quer o fim do gradual e sempre indesejável deslizamento da Autoridade Palestina em direção a um colaboracionismo de estilo Vichy, ao mesmo tempo em que permanece intocável a expansão da “empresa assentamento” israelense.

Não por acaso, Máruan divulgou seu Manifesto na véspera do “Dia da Terra”, 6ª-feira, 30 de março, a data mundial de protesto contra a ocupação israelense na Palestina.


O “Dia da Terra” marca evento de 1976, de protesto contra a decisão do governo israelense de desapropriar enormes extensões de terra pertencentes a árabes na Galileia e em outras partes. O exército de Israel atirou contra os manifestantes, matando seis deles.


No dia seguinte, dois amigos meus e eu próprio pousamos coroas de flores nas sepulturas das vítimas, ato que gerou contra mim explosão de ódio, escárnio e violência que raramente experimentei.


O “Dia da Terra” foi evento-chave para os cidadãos árabes de Israel, tornando-se mais tarde um símbolo para os árabes em toda parte. Este ano, o governo Netanyahu ameaçou atirar em todos que se aproximarem das fronteiras. Poderá bem ser um presságio, ou os primeiros movimentos da 3ª Intifada preconizada por Máruan.

Nos últimos tempos, o mundo parece ter-se desinteressado da Palestina. Tudo parece quieto. Netanyahu conseguiu desviar a atenção do mundo, da Palestina para o Irã. Mas nada em Israel é estático. Enquanto parece que nada está acontecendo, os assentamentos crescem incessantemente, e por isso cresce também o ressentimento dos palestinos, consternados com o que veem.


O Manifesto de Máruan Barghúti, lançado ontem, expressa os sentimentos quase unânimes dos palestinos na Cisjordânia e em toda a parte.


Como no caso de Nelson Mandela na África do Sul do apartheid, o prisioneiro pode ser mais importante que os líderes ativos do lado de fora.





Fonte: Irã News
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Greenpeace e FHC, de mãos dadas pelo “desenvolvimento zero”

Por Husc no Blog do Ambientalismo

Entre os dias 22 e 24 do corrente, teve lugar em Manaus (AM) a terceira edição do Fórum Mundial de Sustentabilidade (FMS). O evento, dedicado a delinear a agenda das grandes organizações ambientalistas para a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), reuniu a tradicional mescla de nomes ilustres do ambientalismo internacional e palestrantes nacionais. Entre estes, o destaque ficou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que se dispôs a ser o primeiro signatário de uma campanha do Greenpeace para proibir totalmente o desmatamento no País.

Como de hábito, o Fórum contou com um forte financiamento por parte da iniciativa privada, de pesos pesados como a Coca-Cola, Ambev, Goodyear, Natura e outros. Dentre os notáveis convidados, além de FHC, lá estiveram o ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin, a ex-premier norueguesa Gro-Harlem Brundtland (coordenadora do célebre relatório Nosso futuro comum, que lançou o conceito de desenvolvimento sustentável), e o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo.

O evento serviu de plataforma para a mais nova campanha lançada pelo Greenpeace, que completa 20 anos de presença no Brasil: a proposta de uma iniciativa popular para a adoção de uma “Lei do Desmatamento Zero”. Para dar maior visibilidade à campanha, a ONG trouxe ao País o seu navio Rainbow Warrior, que ficou ancorado no porto de Manaus durante o evento. Em entrevista ao portal IG (24/03/2012), Naidoo qualificou o novo Código Florestal como «um desastre colossal». Do alto de sua arrogância, disparou, explicitando o alvo primário da campanha, os produtores agropecuários brasileiros:

«Se de fato a maioria da população brasileira não quer esse código e assinar a proposta do Desmatamento Zero, o tiro sairá pela culatra para o agronegócio, que tem feito uma campanha tão agressiva. O mesmo ocorrerá com os políticos que assinaram contra a defesa da floresta e a favor de negócios, pois ficariam em uma situação muito embaraçosa.»

Com uma esdrúxula argumentação, Naidoo, que é natural da África do Sul, afirmou que a aprovação do novo Código Florestal seria uma ameaça ao continente africano:

«O fato é que a África já sente os efeitos das mudanças climáticas, e não esperamos que o Brasil, um país que sempre nos deu apoio em questões políticas e sociais muito difíceis, ameace a África da mesma maneira que os Estados Unidos e a Europa fazem.»

Ademais, como não poderia deixar de ser, ele atirou contra a usina hidrelétrica de Belo Monte, para ele, mal a ser evitado, propondo substituí-la por fontes “renováveis”. «Vocês não precisam da Belo Monte para ter energia. Não precisa de tanta destruição» — afirmou (PortalAmazonia.org.br, 24/03/2012).

Por outro lado, o ex-presidente FHC teve uma nova oportunidade de reafirmar a sua antiga adesão à agenda “verde” global, sendo o primeiro a assinar a petição da “Lei do Desmatamento Zero”. Além disso, se reuniu reservadamente com os dirigentes da ONG e fez uma “autocrítica”, afirmando que poderia ter feito mais pelo meio ambiente em seu governo (Brasil Econômico, 23/03/2012).

A pronta adesão de FHC à iniciativa não surpreende, pois ele é um veterano apoiador da “agenda verde” global, desde a sua militância nos conclaves do Diálogo Interamericano, na década de 1980 (ver nota seguinte).

Em relação à Rio+20, o ex-presidente engrossou o bloco dos que, diante do que se configura como um fiasco do evento, no tocante à pretensão de consolidar a “agenda verde”, têm repetido o chavão de que a hora é de ação, e não de debate:

«Sabemos o que tem que ser feito e como ser feito. Mas o problema é que isso é urgente. E isso ainda não foi entronizado pela sociedade brasileira nem pelas sociedades de outros países» (O Estado de S. Paulo, 23/03/2012).

Além disso, menosprezou a orientação do governo brasileiro para a conferência, que privilegia os aspectos do desenvolvimento sobre os ambientais, ressaltando o tema central do ambientalismo internacional no momento, as mudanças climáticas supostamente induzidas pelo homem:

«A questão social está ligada à questão ambiental, mas tem que fazer a ligação. Na África, em Durban [conferência climática COP-17, em dezembro último], os africanos insistiram na pobreza, na questão social, e isso vai aparecer no Rio, mas não podemos perder o foco. Se não cuidarmos do ambiente, quem vai pagar o pato são os mais pobres. A questão central é a do efeito estufa» (Agência Estado, 23/03/2012).

Desafortunadamente, outras adesões à proposta do Greenpeace foram anunciadas no evento. A produtora Conspiração Filmes anunciou que filmará gratuitamente uma série de comerciais de TV, contando com artistas como Camila Pitanga e Marcos Palmeira. Ambos são notórios ativistas ambientais, sendo que a primeira integra o conselho consultivo do WWF-Brasil e o segundo foi um dos protagonistas do controvertido vídeo Gota d’água, uma infame peça propagandística contra o projeto de Belo Monte, divulgada na Internet, no final do ano passado, e prontamente desqualificado por estudantes universitários, engenheiros e pesquisadores (Alerta Científico e Ambiental, 1/12/2011).

Outra adesão digna de nota foi a do ex-premier de Villepin, que se mostrou determinado a engrossar a pressão internacional em auxílio à campanha do Greenpeace contra o novo Código:

«Estou atento ao debate sobre o Código Florestal brasileiro. Ele é muito importante para o futuro não só do Brasil, mas do resto da humanidade. É preciso definir códigos em todo o mundo.»

Por sua vez, Almir Suruí, líder da tribo paiter suruí, afirmou que o desempenho do governo Dilma Rousseff na área ambiental é “péssimo”, e que…

«O Código Florestal vai dar incentivo ao desmatamento. E as terras indígenas estão nas regiões que serão mais afetadas”. Em 2007, a tribo assinou um convênio com a empresa Google, para a divulgação em tempo real de imagens e informações das terras da reserva» (Alerta Científico e Ambiental, 8/03/2012).


Como tem sido uma constante desde o início da ofensiva ambientalista-indigenista contra o Brasil, no final da década de 1980, todas essas iniciativas mal conseguem disfarçar a intenção final dessa insidiosa agenda intervencionista, que é a de transformar a Região Amazônica em uma vasta área de “desenvolvimento zero”.



Créditos este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 43, de 30 de março de 2012.

MSIa INFORMA é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.

Para saber mais sobre o tema visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.

Mensagens e sugestões favor enviar para msia@msia.org.br

Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda. ➞ loja virtual em: www.capaxdei.com.br; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com


Fonte: retirado do Blog do Ambientalismo

Imagem: Google (colocadas por este blog)

domingo, 1 de abril de 2012

No dia da mentira: a Verdade….a verdade…

“VI VERI VENIVERSUM VIVUS VICI” -

“PELO PODER DA VERDADE, EU ENQUANTO VIVO, CONQUISTEI O UNIVERSO”

Fausto


Via Macondo Resiste


"O QUE FAZ UM PAPA?"


Laerte Braga – A Semana

Dois papas foram suficientes para iniciar o processo de desconstrução de dois mil anos da Igreja Católica Apostólica Romana. João Paulo II e agora o ridículo Bento XVI. Nem os Bórgias e outros tantos complicados conseguiram tal feito. João Paulo II um mero instrumento de marketing e Bento XVI uma espécie ator fracassado que vive de algo assim como “aí que loucura”, padrão Narcisa Tamborindeguy.

A diferença é o estilo solene, o que o torna mais ridículo ainda.

Fidel Castro matou a pau, ou seja, puxou aquele pininho de plástico que mantém o boneco cheio de ar. Murchou.

“O que faz um papa?”. Se confrontada a pergunta de Fidel com a feita por Stalin a propósito de ameaças de excomunhão – “quantas legiões tem o papa?” – o líder cubano mostrou seu tamanho histórico diante de uma futura nota de canto de página. Bento XVI.

O tamanho de Castro é incomensurável diante do papa. Não escreverei o chavão, um gigante diante de um anão para não ofender anões.

O golpe militar de 1964, o maior primeiro de abril de toda a história do Brasil tenta mostrar-se vivo na reunião de vampiros dos porões das torturas, assassinatos, estupros, escorados na canalhice de um patriotismo canhestro – quem comandava era um general norte-americano – num patético cenário no Clube Militar.

As cortinas que escondem o sangue que ainda escorre da barbárie escondem também a covardia atrás da lei da anistia.

Chega a ser inacreditável que as forças armadas aceitem tamanha desonra a partir de “militares” sem qualquer compromisso com o País e que deveriam estar presos. Os crimes que cometeram não prescrevem, são crimes contra a humanidade.

O documentário de Camilo Tavares – link no final deste artigo – e roteiro de Camilo e Flávio Tavares mostra a valentia dessa gente, de quatro para o general Vernon Walthers comandante do golpe. Revela a participação dos EUA no processo e o patriotismo canalha dos torturadores.

Morreu Millôr Fernandes. Dentre várias frases – e um monte de outras coisas – lapidares, uma sobre militares da ditadura – “da pretensão intelectual de Castello Branco passamos à grossura paternal de Costa e Silva, que foi substituída pela algidez abúlica de Garrastazu, que deixou o lugar para a altanaria romano-prussiana de Geisel, que o entregou a seu delfim (não o neto) o ego-sum-qui-sum João Figueiredo, todos bem diferentes mas com uma identidade em comum – o absoluto desprezo pelo civilis vulgaris”.

O jornalista Flávio Tavares em seu livro “1961 O GOLPE DERROTADO”, mostra o tamanho político de Leonel Brizola, o único político brasileiro a enfrentar a GLOBO e seu poder de peito aberto. A coragem e a determinação de outros tantos que seguiram Brizola no Movimento da Legalidade e ficou claro que era possível resistir a 1964.

O diabo é que os norte-americanos, em sua forma normal, demoníaca, estavam às costas no comando dos golpistas e prontos para rachar o País em dois.

Essa história tem que ser contada tim por tim tim antes que as gerações futuras acreditem que fomos salvos do comunismo ateu por um bando de torturadores, estupradores, assassinos, etc e tal.

Inferno mesmo vive o senador Demóstenes Torres, do DEM, parceiro dos tucanos, neste momento às voltas com trapaças as mais porcas, mas nem por isso deixou de ser líder do partido.

Demóstenes é aquele cara que correu ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF – Supremo Tribunal Federal – onde montaram uma gravação fajuta, imputaram o fato a ABIN – Agência Brasileira de Informações – e ao delegado hoje deputado Protógenes Queiroz, para tirar o foco dos habeas corpus ao patrão Daniel Dantas, tudo posto na primeira página da revista VEJA, publicação semanal do crime organizado.

Aí pula para a Síria. A mídia continua a noticiar as versões divulgadas pelo Departamento de Estado e pela secretaria geral do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A. São dois alvos prioritários. O Líbano, ali pertinho e o Irã, na vontade de Obama, para depois das eleições.

Um dos fatos mais importantes da semana foi a conferência do embaixador do Irã no Brasil , Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi na sede da ABI – Associação Brasileira de Imprensa -. Falou a um auditório lotado, respondeu a todas as perguntas feitas e foi aplaudido quando disse que no Irã a última palavra diante do que “a mulher está dizendo é sempre a dos homens: sim senhora”.

A palestra foi promovida pela ASSOCIAÇÃO DE ENGENHEIROS DA PETROBRAS – AEPET – e Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro.

A verdadeira razão do conflito com os EUA foi posta às claras – “o Irã é o segundo país do mundo em gás natural e petróleo. E o primeiro em recursos de hidrocarbonetos. Certamente, haverá uma grande repercussão no mundo no momento em que o Irã passar a somar esse fato a um grande desenvolvimento tecnológico que é o nosso objetivo. No futuro a energia será o ponto final das conversas”.

O embaixador negou intenções militares no programa nuclear de seu país e afirmou que isso é mais outro pretexto dos norte-americanos para justificarem suas ações contra o seu país. Segundo ele a antigo União Soviética tinha um formidável arsenal nuclear e nem por isso deixou de existir. Muito menos a África do Sul, com outro arsenal nuclear conseguiu evitar o fim do apartheid. Para o embaixador é preciso energia nuclear para todos povos e armas não, mas mais justiça social.

O objetivo dos norte-americanos é simples segundo o embaixador – “dominar o mundo”. O diplomata fez menção ainda a existência de uma importante comunidade judaica em seu país, com representação no Parlamento.

O resto, deixou claro, é distorção da mídia.

É um fato que ninguém tem dúvida. Seja a intenção do complexo ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A, sejam as distorções da mídia. A mídia de mercado, no Brasil, sem exceção, é parte decisiva no esquema do crime organizado, marca registrada do capitalismo.

Que o diga o líder do DEM, ou o ministro Gilmar Mendes, ou o banqueiro Daniel Dantas, ou esse esquema que ficou sintetizado numa palavra “Privataria Tucana”. Hoje é “Privataria Petista” também. Disfarçada aqui e ali, mas privataria.

O grande dilema é se vai ser permitida ou não a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa do Mundo. E o Código Florestal, obra conjunta do latifúndio com o PC do B, uma das mais importantes empresas no contexto do “capitalismo a brasileira”.

Nesse vai e vem de quem governa, se a FIFA, ou Dilma, Mano Menezes, que dizem ser técnico de futebol e ainda por cima da seleção brasileira, foi pego no contrapé da lei seca. Estava chumbado. Certas convocações estão explicadas.

Guilherme Rosário Pereira era sargento do Exército e morreu na frustrada tentativa de um ato terrorista num show de primeiro de maio no Rio Centro. Era uma jogada da linha dura para culpar a esquerda e acabar com a distensão, palavra inventada no governo Geisel para por fim consentido à ditadura militar. Na agenda de Rosário os nomes dos militares – hoje se escondem atrás da saia da anistia na clássica covardia de torturadores – envolvidos em atentados que tinham exatamente o objetivo de “justificar” a volta da ditadura com todos os seus ingredientes de perversidade, dentre eles o AI-5.

Os caras não conseguiram, mas montaram firmas de vigilância, de segurança, se encheram e se enchem de dinheiro, muitos construíram poleiros em estatais e entre eles coronéis, majores, etc.

É essa turma que fala em patriotismo e defesa da democracia. Um deles, torturador, assassino, estuprador, o coronel Brilhante Ulstra, é colunista do jornal FOLHA DE SÃO PAULO. O que emprestava os caminhões para a desova de corpos e chamou a ditadura de “ditabranda”.

Mas, afinal, o que faz o papa? O mesmo que fazem paraquedistas estúpidos que pularam em desafio à democracia, esquecidos dos porões sombrios da ditadura? Como se fossem super homens ou guardiões da pátria? São canalhas que estão escondidos debaixo da cama por conta de todo o horror que geraram em seu patriotismo idem.



Fonte: recastorphoto , MacondoResiste

Imagem: Google (colocada por este blog)


sábado, 31 de março de 2012

"TOP SECRET" - A Conspiração contra o Brasil





Título original - O Dia que durou 21 anos

Extraordinário Documentário que revela minuciosamente a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil.
Pela primeira vez, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como "Top Secret" são expostos ao público.
Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte desse documentário, narrado pelo jornalista Flávio Tavares.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo Tavares.







Fonte: Grupo Beatrice

O holocausto dos negros



Timothy Bancroft-Hinchey

Muito se fala sobre o holocausto, muito se escreveu sobre os atos chocantes de maldade, barbaridade, crueldade contra vários grupos de pessoas desde os Estados Bálticos, até Europa Oriental e Central e Alemanha. Mas por quê a Escravidão não ocupa um lugar igual nos anais da depravação humana?

23 de março foi um dia de lembrança, um dia de homenagem aos homens, mulheres e crianças que foram arrancadas de suas casas, suas famílias e entes queridos. Onde estava este dia na mídia internacional? Esquecido.


A humanidade se lembra, justamente, das atrocidades do passado, garantindo que ficam nas páginas mais negras da história e fazendo com que as gerações futuras obrigatoriamente se apercebem quão baixo o ser humano pode afundar-se, garantindo que nunca maus esses terríveis atos de crueldade podem acontecer novamente. Muito foi dito e escrito sobre o holocausto judeu, mas sobre o holocausto africano - Escravidão?


Embora não haja registros exatos, foram feitas tentativas para documentar o número médio de escravos arrancados da África e levados para as Américas pelos ingleses, portugueses, espanhois, holandeses, franceses e dinamarqueses. O número oficial é 10 a 11 milhões. Mas vamos pesquisar mais ...

Estimativas credíveis (1) postulam 54 milhões como a cifra de pessoas transportadas contra a sua vontade entre 1666 e 1800. Se levarmos em consideração que o comércio quadruplicou entre 1810 e 1860, e apenas nos EUA, então o valor total seria algo em torno de 200 milhões de pessoas traficadas. Acrescente a isso o efeito sobre as famílias e vemos que este episódio mais terrível de nossa história coletiva é, em termos comparativos, praticamente ignorado.
Forçados a ficar deitados, cabeça contra pé, presos aos seus lugares, sem quaisquer estruturas de higiene ou saneamento, eles chegaram ao destino até seis meses depois num mar de excremento. Ou mortos. E este foi apenas o começo de um pesadelo que em muitos casos viram os escravos tratados como animais, ou pior, obrigados a dormir em condições insalubres e apertadas.

As punições incluíram serem fechados por trás de uma porta pesada, sem espaço para se movimentar durante até três dias, com insetos e escorpiões rastejando por todo o corpo; ser privado de comida e água; ser espancado; ser chicoteado; ser "saqueado" - colocado dentro de um saco, amarrada no pescoço e sendo arrastado ao redor do perímetro da fazenda atrás de um cavalo; ser preso com um anel ao redor do pescoço ou tornozelo; ser atirado para uma masmorra; orelhas cortadas; ossos quebrados; amputação de membros; olhos arrancados; ser enforcado; castração; ser queimado; ser assado. Por quê? Por comer um pedaço de cana de açúcar, por exemplo.

Hoje, 2012, 400.000 pessoas por ano continuam a ser vítimas de escravidão, é por isso que esta coluna raramente é escrita no "Dia da ONU", porque eu considero que todos os dias sejam dias de luta contra a escravidão. Na Mauritânia, um escravo negro pode ser comprado por 11 euros e no Sudão, por 64 Euros. Na Índia, Paquistão, Nepal e Bangladesh, o comércio de escravos continua a processar 25 milhões de euros por ano.

27 milhões de pessoas vivem hoje em condições de escravidão. E não é só em longínquos países como Bangladesh, Sudão ou Mauritânia. De acordo com estatísticas elaboradas por pesquisadores nos Estados Unidos da América (2), "A Agência Central de Inteligência (CIA) estima que 50.000 pessoas são traficadas para, ou transitado através, dos EUA anualmente como escravas sexuais, domésticas, trabalhadores na indústria têxtil, ou escravos agrícolas".

"Entre 100.000 e 300.000 crianças nos EUA estão em risco de tráfico para exploração sexual a cada ano "... 2,8 milhões de crianças nos EUA vivem nas ruas e um terço delas são atraídas para a prostituição dentro de 48 horas depois de sair de casa. Casos de escravidão foram relatados em 90 cidades nos EUA.
Criança dormindo em uma caixa debaixo de uma ponte em Miami

Então, não vamos varrer a escravidão por baixo do tapete, não vamos perpetuar a noção de que isso aconteceu no passado e não continua no presente. Continua, sim e os meios de comunicação internacionais devem assumir a causa, que é uma imensa mancha sobre a identidade coletiva da humanidade.





(1) http://academic.udayton.edu/race/02rights/slave04.htm
(2) http://www.gchope.org/human-slavery-statistics.html

Fonte: Pravda.ru
Imagem: Google

sexta-feira, 30 de março de 2012

Fábrica de Verdades


Um documentário descontraído que discute como a TV influencia a vida das pessoas, como altera o padrão ético, gera o conformismo e controla as massas.

Depoimentos brilhantes como o do escritor Ferréz, de Olgária Matos, Esther Hamburguer, Marcia Tiburi, Pedro Puntoni e Lisa Gunn, mostrando o lado que muitas pessoas sequer chegaram a pensar sobre a TV.

(docverdade)








Fonte: DOCVERDADE

Embaixador do Irã desmistifica imagem de seu país em palestra na ABI



Embaixador do Irã, Mohammad Ezabadi respondeu a todas as perguntas


Embaixador do Irã no Brasil, Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi conversou animadamente, na noite passada, com um público eclético, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio, e desmistificou a imagem de um país que, sob o ponto de vista de seus inimigos, como os EUA e Israel, seria uma ameaça à paz mundial. Sempre em tom amistoso, sem elevar uma só vez o tom da voz que respondia em fasi às perguntas formuladas em português, Ezabadi foi aplaudido ao destensionar a audiência com uma afirmação inusitada para aqueles que imaginam os iranianos como repressores das mulheres:

Lá no Irã, a última palavra, diante do que a mulher está dizendo, é sempre dos homens: “Sim, senhora”.

A palestra, promovida pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás, AEPET, Sindicato do Petroleiros do Rio de Janeiro-SINDIPETRO, CGTB e o Partido Pátria Livre-PPL, abordava o tema da energia nuclear como o centro da pauta, mas temas como o Holocausto, as ameaças dos EUA e de Israel contra o Programa nuclear iraniano e a suposta ameaça nuclear que estaria em curso no país terminaram por dominar o encontro.

A proposta iraniana é de energia nuclear para todos e armas nucleares para país nenhum – desarmou o diplomata.

Segundo Ezabadi, a verdadeira razão do conflito que se desenha, no Golfo Pérsico, entre os EUA e seus aliados é o petróleo, “é isso que motiva os EUA e outros países a querer dominar o mundo”, afirmou.

O Irã é o segundo país do mundo em gás natural e petróleo. E o primeiro que em recursos de hidrocarbonetos. Certamente, haverá uma grande repercussão no mundo no momento em que o Irã passar a somar esse fato a um grande desenvolvimento tecnológico, que é nosso objetivo. No futuro a energia será o ponto final das conversas – previu.

Sobre a construção de artefatos militares a partir do desenvolvimento nuclear, o Embaixador desfaz o discurso do Ocidente.

Isso é um slogan dos EUA sobre o desenvolvimento da tecnologia no Irã. Nós desenvolvemos a energia nuclear para fins pacíficos. Não acreditamos que possuir uma bomba atômica ou fabricar a bomba atômica seja capaz de oferecer segurança para qualquer país. Vejam o caso da ex-URSS. O país possuía muitas bombas atômicas e isso não impediu o colapso do regime. A África do Sul, com todo o seu arsenal atômico, não conseguiu enfrentar as grandes manifestações que colocaram fim ao Apartheid. Nós acreditamos que a segurança de um país está assegurada pela justiça social, pela distribuição da riqueza para o povo, nas posições firmes da nação – afirmou o embaixador.

O desgaste da imagem do Irã perante a opinião pública também foi um fato abordado durante os questionamentos respondidos por Ezabadi. A ação da mídia conservadora, alinhada aos interesses dos EUA, tem causado um estrago considerável na imagem do Irã, admite o diplomata, mas ele espera reverter o quadro “com a verdade”.

Nada melhor do que a verdade para reparar estes danos causados pela campanha de difamação a qual meu país tem enfrentado, em nível mundial. A imagem do Irã, apresentada pela imprensa ocidental, não nos deixa contentes. Basta olhar para história contemporânea iraniana: nunca invadimos nenhuns pais, nunca tivemos um conflito sequer iniciado pelo Irã. Todos podem comprovar que nestes últimos 30 anos, não houve um atentado terrorista sequer no qual o Irã estivesse por trás, nunca foi comprovado isso. Nos atentados de 11 de setembro, será que o Irã estava atrás de tudo isso? Alguém ouvir falar ou leu uma noticia sequer de que um judeu, em qualquer parte do mundo, foi assassinado por um iraniano? Não temos nada contra os judeus. Historicamente o povo iraniano salvou o povo judeu e isso foi registrado na nossa história. O povo judeu esta concentrado no Estado de Israel, mas há uma comunidade grande de judeus que vive no Irã. É tão importante que tem representantes no nosso parlamento – ressaltou.

Ezabadi frisou, ainda, que o argumento do governo sionista de Israel para avocar o direito de autodefesa trata-se, na realidade, de uma falácia. Segundo o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, seu contraparte iraniano, Mahmoud Ahmadinejad teria afirmado que o objetivo do Estado iraniano é “varrer Israel do mapa”, após não reconhecer a existência do Holocausto.

O que o presidente Ahmadinejad fez, na verdade, foi uma pergunta: “Por que o Holocausto, se existiu mesmo, não pode ser pesquisado por ninguém que não seja judeu?”. Daí todo esse mal entendido que se arrasta por tantos anos – rebateu

Apoio brasileiro

Em sua primeira palestra aos brasileiros, o embaixador Ezabadi também fez questão de frisar o apoio do governo brasileiro ao Irã, consolidado na atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o auge da crise entre o Irã e o Ocidente, na questão nuclear.

O presidente Lula colocou o Brasil, de maneira definitiva, no cenário internacional, ao mediar juntamente com a Turquia as negociações junto à ONU, quanto ao nosso programa de enriquecimento de urânio. Somos signatários, desde então, do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, fato que as nações alinhadas aos EUA fazem questão de esquecer. Mas, desde então, temos no Brasil um parceiro sincero e agora, no governo da presidenta Dilma,consolidamos essa ótima relação – concluiu o embaixador iraniano.




Fonte: Correio do Brasil

DIA DA TERRA PALESTINA - Aos "Guerreiros Mirins" que lutam pela Liberdade


Homenagem deste Blog a todas as crianças da Palestina e do mundo árabe que são um exemplo a todos os adultos na luta contra a opressão e a violência.

Sem tempo para serem crianças, viram verdadeiros "guerreiros mirins" na luta pela liberdade de sua terra.

Contra metralhadoras, bombas e tanques essas crianças jogam pedras buscando defender sua terra, na esperança de um dia deixarem de ser "guerreiros mirins", e na ilusão num retorno a sua verdadeira infância e inocência que foi e está sendo violada.

















Fonte: Youtube
Imagem: Google

Israel aumenta truculência no Dia da Terra; Brasil realiza ato

Jovens palestinos participam do protesto pelo Dia da Terra, perto da Cidade de Gaza/ Foto: Hatem Moussa/AP

Os palestinos celebram, nesta sexta (30), o Dia da Terra, data marcada por protestos contra a ocupação de seus territórios por israelenses. Neste ano, também convocaram a chamada "Marcha Global para Jerusalém". Neste dia, serão realizadas manifestações contra a ocupação de terras palestinas e contra a "judaização" de Jerusalém, tanto na Cisjordânia e na Faixa de Gaza como nos países vizinhos. Em São Paulo, será realizada a Frente em Defesa do Povo Palestino, em solidariedade à causa.

A poucas horas do início dos protestos, o governo de Israel deslocou soldados para as fronteiras com o Líbano, Síria e Jordânia e reforçou batalhões na Cisjordânia e na fronteira com a Faixa de Gaza. Com a truculência que lhe é característica, Israel advertiu os governos dos países vizinhos de que reagiria com força a qualquer tentativa de manifestantes de ultrapassar as fronteiras.

A liderança dos cidadãos árabes de Israel, de origem palestina, também planeja realizar manifestações dentro do país, contra o confisco de terras de aldeias árabes na Galileia e no deserto do Negev.

Dia da Terra


A data lembra a resistência de palestinos e palestinas que protestavam contra a ocupação de suas terras por Israel na Galiléia, no dia 30 de março de 1976, quando seis cidadãos árabes - israelenses foram mortos pela polícia durante um protesto contra o confisco maciço de terras pertencentes a aldeias na Galileia, segundo o plano do governo de Israel de "Judaização da Galileia".

Desde então, a data, denominada Dia da Terra, foi adotada por palestinos, tanto nos territórios ocupados como na diáspora, e tornou-se uma das celebrações mais sensíveis do ano, na qual se realizam protestos que frequentemente resultam em confrontos com as autoridades israelenses.

Fronteira

Neste ano, além dos protestos nos territórios ocupados e dentro de Israel, foram anunciadas manifestações no Líbano, na Síria e na Jordânia.

Depois do precedente de maio de 2011, quando refugiados palestinos residentes na Síria e no Líbano tentaram ultrapassar as fronteiras, as autoridades israelenses se preparam para uma eventual repetição da tentativa.

Naquela ocasião, manifestantes palestinos protestaram no dia 15 de maio – data da criação do Estado de Israel, a qual denominam Nakba, que significa catástrofe, em árabe.

O Exército israelense abriu fogo contra os refugiados, que tentavam cruzar as fronteiras a pé, matando 13 pessoas.

No Brasil, solidariedade

Formada por várias organizações da sociedade civil – entre centrais sindicais, movimentos sociais e entidades árabe-brasileiras e islâmicas –, a Frente em Defesa do Povo Palestino realiza em São Paulo, hoje 30, a partir das 17h, na Praça Ramos de Azevedo, um ato em solidariedade ao povo palestino.





Fonte: Vermelho

Para um amigo



Não desanimes meu amigo, nessa batalha não podemos perder um grande guerreiro como você.
Escute essa música que é um verdadeiro remédio para a alma, depois disso retorne para o campo de batalha, pois aqui é o seu lugar.

E lembre sempre que, "Os mais fortes de todos os guerreiros são estes dois — Tempo e Paciência."

quinta-feira, 29 de março de 2012

Roger Waters: É preciso lutar pela liberdade da Palestina


"O objetivo é criar um encontro que irá incentivar homens e mulheres de boa-fé a se unir em apoio da justiça e da liberdade para as pessoas da Palestina". Foi o que declarou em coletiva à imprensa, nesta quarta-feira (28), no hotel Fasano, em Ipanema, no Rio de Janeiro, o baixista e compositor inglês Roger Waters, ex-Pink Floyd, defendeu a causa palestina.

"Quando você observa os dois lados, fica claro que há apenas um a apoiar", disse o músico, ao divulgar o Fórum Social Mundial Palestina Livre, que irá ocorrer em novembro em Porto Alegre.


Segundo ele, o caminho mais correto para Israel é voltar às fronteiras de 1967. "Acho a paz possível, talvez não agora, mas nos próximos anos."

Durante a coletiva ele desabafou "há certas culturas que querem nos vender uma noção de vida que não corresponde ao que a vida é de verdade. O muro da desinformação é provavelmente a força mais potente e negativa que existe".

O músico, que fez críticas ao presidente do Chile, Sebastian Piñera, quando tocou no país no começo de março, elogiou o atual momento do Brasil. E citou o papel do presidente Lula para as mudanças observadas no país.

Waters ressaltou que o crescimento brasileiro e da América Latina como um todo nos últimos anos demonstra uma reconfiguração nesta região. "Apesar de não morar aqui, sinto que as pessoas estão se organizando melhor, a distribuição está sendo feita de uma forma mais justa do que no passado. O país está se tornado um exemplo de potência mundial."




Fonte: Vermelho

O racismo de que os EUA gostam


Em Gaza, os americanos viram o rosto

O racismo a serviço do império euroamericano

por Mauro Santayana

Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.

Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição – em tudo semelhante à de seus adversários.

Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.

Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.

A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou – com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos – em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.

Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.

Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.

Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.

Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel.

Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.



Extraído do JB online

Veja a matéria completa aqui


Fonte: IraNews


Quantas violações ainda falta(riam) para que o "Prêmio Nobel da PAZ" declare os crimes de Israel?


Quantas violações ainda falta(riam) para que os EUA declarem os crimes de Israel?

*Franklin Lamb, Veracity Voice

Dia 6/3/2012, o Serviço de Pesquisas do Congresso dos EUA [orig. US Congressional Research Service, CRS] divulgou relatório ao Congresso dos EUA, sobre uma lei vigente que impõe restrições ao uso de armamento fabricado nos EUA, pelos países que recebem essas armas. Para os que acompanham o assunto, não há grande novidade no relatório do CRS, por mais que Israel continue a violar rotineiramente praticamente todas as leis norte-americanas criadas para regular o modo como são usadas as armas norte-americanas entregues a outros países.[1]

Segundo nos disse um pesquisador do CRS que pediu para não ser identificado, em conversa pelo Skype e, depois, em memorando enviado por e-mail:

“Um estagiário e eu decidimos, quase de brincadeira, contar as violações das leis de uso de armas americanas por Israel, desde a aprovação da Lei AECA [US Arms Export Control Act] , em 1976, até o mês passado [fevereiro de 2012]. Estimamos que tenha havido mais de 2,5 milhões de violações, se se consideram as leis vigentes, a história legislativa e o objetivo do Congresso ao aprovar aquela lei. Para essa estimativa, consideramos todas as violações do Acordo ACEA e da lei de 1961, de Assistência Militar a outros países [orig. Foreign Assistance Act]. Consideraram-se vários tipos de armas, munição US 155 mm, vários tipos de mísseis, bombas, foguetes e, evidentemente, bombas de fragmentação. Por exemplo, se Israel fosse julgada por infringir leis vigentes, a promotoria teria como provar facilmente que as bombas de fragmentação lançadas contra o Líbano em 2006 foram violação ‘extra’, além das mais de 2 mi de bombas usadas na invasão do Líbano e nas invasões subsequentes (1978, 1993 e 1996). Se se somam também as vezes que Israel usou armas norte-americanas contra Gaza, Cisjordânia e Síria, o número real de violações daquelas leis chegará facilmente a vários milhões. Todas acobertadas pela mais completa impunidade.”

Nos termos da lei norte-americana, o governo dos EUA é obrigado a impor condições muito estritas ao uso contra populações civis, de armas entregues a países estrangeiros pelos EUA. Violações dessas condições podem levar à suspensão de fornecimento de armas norte-americanas ou ao cancelamento de contratos e, em caso extremo, ao cancelamento de toda ajuda militar ao país violador.

A sessão 3(a) da Lei AECA fixa os critérios para que países sejam elegíveis para receber armas norte-americanas e fixa claramente as condições sob as quais aquelas armas podem ser usadas. A sessão 4 da Lei AECA determina que armas norte-americanas podem ser vendidas a nações amigas “para uso exclusivo em atos de autodefesa legítima e na “segurança interna” e para capacitar alguns países a participar de “medidas coletivas exigidas pela ONU com o objetivo de manter ou restaurar a paz e a segurança internacionais.”

No caso de que o Presidente do Congresso entenda, nos termos do disposto nas seções acima da Lei AECA, que houve “violação substantiva” de acordo aplicável a venda de armas, o país envolvido naquela compra torna-se automaticamente inelegível para receber qualquer outro tipo de arma norte-americana. O mesmo ato proíbe que os EUA deem aval, garantias em empréstimos ou participem em outros negócios com o país violador, que ficará impedido, até, de receber armas por efeito de compras já feitas ou contratos vigentes.

Os EUA só usaram uma vez essa via, contra Israel

No verão de 1982, questões levantadas por pesquisadores em Beirute e pelo jornalista Jonathan Randal do Washington Post, sobre o uso, por Israel, de armas e equipamentos militares fornecidos pelos EUA no Líbano, em junho e julho daquele ano, levaram o governo Reagan a declarar, dia 15/7/1982, que Israel “teria possivelmente” violado o Acordo de Assistência para Mútua Defesa EUA-Israel [Mutual Defense Assistance Agreement with the United States (TIAS 2675)] de 23/7/1952 e a Lei AECA.

Nos termos do acordo entre EUA e Israel de 1952, “O governo de Israel assegura ao governo dos EUA que tais equipamentos, materiais ou serviços que sejam adquiridos dos EUA (...) são necessários e serão usados exclusivamente para manter a segurança interna, na legítima autodefesa de Israel, ou para permitir que Israel participe na defesa da área na qual está inserida, ou de ações e medidas de segurança coletiva ordenadas pela ONU; e que Israel não empreenderá nenhuma ação de agressão contra qualquer outro estado.”

Naquela ocasião, todas as preocupações centravam-se na questão de se Israel teria ou não usado bombas de fragmentação fornecidas pelos EUA contra alvos civis, no bombardeio massivo contra a área oeste de Beirute, durante o sítio de quase três meses.

A Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara de Deputados dos EUA organizou audiências públicas sobre essa questão, em julho e agosto de 1982. Dia 19/7/1982, o governo Reagan anunciou que passava a proibir novas exportações de bombas de fragmentação para Israel. A proibição foi levantada pelo mesmo governo Reagan em novembro de 1988, sob pressão do lobby pró-Israel sobre a Casa Branca, que ameaçou boicotar a campanha eleitoral de George H. W. Bush, que concorria contra o senador Walter Mondale.

Os fatos desse evento, centrado em eventos ocorridos no Líbano, são instrutivos.

Durante a guerra do Ramadan de 1973, a primeira-ministra de Israel, Golda Meir, vendo que as forças árabes avançavam sobre Israel, depois da ofensiva síria e egípcia de 6/10, e alertada pelo ministro israelense da Defesa sobre o desastre iminente, ameaçou o presidente Nixon: Israel usaria bombas nucleares, a menos que os EUA viessem em socorro de Israel. A resposta imediata de Nixon foi ordenar embarque imediato, para Israel, por avião, das armas norte-americanas armazenadas para uso na guerra do Vietnã, na base Clark da Força Aérea dos EUA, próxima da Baía Subic, nas Filipinas. O comandante daquela base demitiu-se, depois de responder a Washington que, com os EUA já na defensiva no Vietnã, aquelas armas eram necessárias para os soldados norte-americanos. Entre as armas armazenadas na base Clark havia oito tipos de bombas norte-americanas de fragmentação, inclusive as M-42, M-46,CBU-58 A/B, APAM (BLU) 77/B, MK 20 “Rockeye”, MK 118 e as “Birdies”, que era como os Marines em Beirute referiam-se às M-43 no final de 1982 e 1983.

Durante um encontro no final de junho de 1982 com o primeiro-ministro Begin de Israel, Reagan recebeu um bilhete escrito à mão, de George Shultz. Baseado na informação que tinha em mãos, Reagan disse diretamente a Begin que os EUA tinham informação confiável de que Israel estava usando armas norte-americanas contra civis no Líbano. Nesse ponto da conversa, nas palavras de Reagan, Begin deu sinais de intensa agitação. Tirou os óculos, olhou diretamente para Reagan e apontou-lhe o dedo: “Senhor presidente, Israel nunca usou e nunca usaria armas norte-americanas contra civis, e dizer o contrário é libelo mortal contra todos os judeus, em todo o mundo.” Imediatamente depois do encontro, Reagan disse ao secretário de Defesa Casper Weinberger, como relatam o próprio Weinberger e vários biógrafos de Reagan, que “eu não sei o que significa “libelo mortal”, mas sei que o homem olhou-me diretamente nos olhos e mentiu para mim.”

A sugestão original do secretário de Estado George Schultz a Reagan, de que Israel estava usando dois tipos (as M-42 e as CBU-58) de bombas de fragmentação norte-americanas foi logo transformada e divulgou-se a ‘explicação’ segundo a qual Israel. de fato, usara todos os oito tipos de bombas de fragmentação norte-americanas que Nixon enviara a Golda Meir, em outubro de 1973.

Mas no final de julho de 1982, apresentaram-se provas de que Israel usara os oito tipos de bombas norte-americanas de fragmentação, numa assembleia do Pentágono e outros altos oficiais, no prédio da Indian Head Ordnance, no rio Potomac, ao sul de Maryland, segundo depoimento da falecida jornalista americana Janet Lee Stevens. Ali se expuseram provas materiais ainda preservadas, inclusive fotos e bombas de fragmentação, algumas das quais ainda cheias de minol, elemento altamente explosivo, que carreguei pessoalmente na minha mala; todo esse material foi recolhido pela jornalista Janet e sua equipe de pesquisa (na qual trabalhavam combatentes palestinos enviados por Yassir Arafat e Khalil al Wazir (Abu Jihad), alguns combatentes Marabatoun, vários homens da milícia Amal e eu, para ajudar na tarefa de recolher provas).

O lobby EUA-Israel, não por acaso, considera absolutamente inócuas as leis norte-americanas sobre controle do uso de armas norte-americanas. As proibições contra Israel usar armas norte-americanas contra civis jamais foram consideradas, e como tudo indica jamais serão consideradas, dentre outros motivos porque o governo israelense mantém a ocupação de praticamente todo o governo dos EUA.

O valor antigamente tão prezado de todos os cidadãos norte-americanos, de viverem em nação erguida sobre leis humanitárias, e a confiança de que o interesse da segurança nacional dos EUA seria defendido por política externa que brotasse da convicção de que todas as nações são iguais e merecem idêntico respeito, foram sacrificados, para retardar o mais possível o inevitável colapso da empresa colonial de apartheid que Israel tentou implantar na Palestina.

A genuflexão de Obama (“nosso apoio é incondicional”) ante Israel aumenta os riscos que pesam contra os EUA, os quais, hoje, já ameaçam com armas norte-americanas todo e qualquer país, no Oriente Médio, e além dele, que sequer considerem a possibilidade de confrontar a aspiração sionista de dominação regional.

É mais que hora de os cidadãos norte-americanos retomarem para eles mesmos o próprio país e voltarem a se integrar à comunidade das nações, em atitude de mútuo respeito por todos os países e por todos os povos, sem permitir que os EUA continuem comprometidos em alianças espúrias com seja quem for.

[1] O relatório “U.S. Defense Articles and Services Supplied to Foreign Recipients: Restrictions on Their Use”, assinado por Richard F. Grimmett, especialista em segurança internacional, distribuído dia 6/3/2012, de apenas 7 laudas, e que parece ser documento burocrático, que não avança além de ‘possíveis violações’ ocorridas até 1985, pode ser lido em http://www.fas.org/sgp/crs/weapons/R42385.pdf.

Sobre Israel, lê-se lá, em 2012:

“Em duas ocasiões surgiram questões sobre uso impróprio que Israel teria dado a armamento produzido nos EUA, mas o presidente (governo Reagan) concluiu expressamente que não houvera qualquer violação do acordo sobre uso de armas: dia 1/10/1985, Israel usou aviões que lhe foram fornecidos pelos EUA para bombardear o quartel-general da OLP na Tunísia; o governo Reagan declarou logo depois que o ataque israelense fora “expressão compreensível da necessidade de autodefesa”, embora “não se possam desconsiderar os efeitos do bombardeio propriamente dito”. E dia 14/6/1976, depois da missão israelense de resgate no aeroporto do Entebbe, Uganda, o Departamento de Estado dos EUA declarou oficialmente que o uso pelos israelenses de equipamento militar fornecido pelos EUA naquela operação acontecera conforme os termos de acordo vigente desde 1952 entre EUA e Israel” (p. 6).


*Dr. Franklin Lamb é diretor do grupo “Americans Concerned for Middle East Peace”, Beirut-Washington; é membro da Fundação Sabra Shatila; e militante a favor de direitos humanos para os palestinos, no Líbano. É autor de The Price We Pay: A Quarter-Century of Israel’s Use of American Weapons Against Civilians in Lebanon [O preço que pagamos: 25 anos de uso de armas norte-americanas contra civis no Líbano]. Vive no Líbano. Recebe e-mails em fplamb@gmail.com




Tradução: Vila Vudu

Fonte: IraNews

Imagem: Google



quarta-feira, 28 de março de 2012

A vergonhosa violência de Israel contra crianças palestinas


Soldado de Israel pisa sobre criança palestina. Antes agrediu a mãe


A vergonhosa violência contra crianças palestinas

Paulo Moreira Leite

Tempos atrás, fiz uma nota sobre os maus tratos sofridos por crianças palestinas que são presas pelas forças de segurança de Israel. É uma situação preocupante e vergonhosa, que, aos poucos, começa a se tornar debate internacional.

Não se trata de uma repressão destinada a impedir pequenos furtos e atos de violência. São medidas que visam punir adolescentes e crianças — o limite legal é 16 anos — que jogam pedras em soldados de Israel e também em colonos instalados, à revelia da lei internacional, na Cisjordânia, que é território palestino.

Minha primeira nota se baseava numa reportagem da correspondente do jornal inglês “Guardian”, que conversou com crianças, advogados e famílias.
Agora, “El País” publica uma reportam sobre o assunto. Conforme o jornal, ”o tratamento que recebem os menores palestinos detidos pelas forças de segurança israelenses preocupa há tempos as chancelarias europeias e as organizações de defesa da infância. Preocupam-se de que os jovens sejam interrogados sem a presença de um advogado, que sejam encerrados em celas de isolamento e, sobretudo, que sofram maus-tratos.”

Segundo o jornal, a ONG Defense for Children International (DCI) compilou casos durante quatro anos. Numa investigação que tem apoio da União Européia, a DCI afirma que se encontrou um “padrão de abusos sistemáticos” e, pior ainda, “alguns casos de torturas praticadas em crianças encarceradas em centros militares”.

Todos os anos, diz a entidade, o exército israelense detém, interroga e encarcera entre 500 e 700 menores. Com base em 311 declarações juradas de menores palestinos detidos, 234 menores sofreram algum tipo de violência física durante ou depois da detenção; 57% dos detidos receberam ameaças e 12% foram encerrados em uma cela de isolamento.

Duas entidades israelenses, B’Tselem e Médicos pelos Direitos Humanos, costumam condenar o tratamento dado aos menores palestinos nos cárceres israelenses.

Mark Regev, porta-voz do governo israelense, afirma que, “quando as autoridades militares detêm menores, o fazem de acordo com os procedimentos específicos necessários”.

A lei militar considera menores apenas quem ainda não completou 16 anos de idade, o que significa que a partir daí mesmo quem ainda é considerado adolescente recebe o tratamento mais severo reservado a adultos — e não há mais um cuidado específico com sua situação. Os menores de 16 anos são tratados por tribunais especiais, cujo objetivo é adequar o tratamento às características do acusado.

Leia como “El País” descreve o padrão de trabalho das forças de segurança israelenses para capturar os menores: ”Costuma ocorrer durante a noite. Os blindados entram no povoado e tiram os menores de suas casas, algemados e com os olhos vendados. Levam-nos até um centro de detenção para interrogá-los, sem que possam acompanhá-los nenhum familiar e muitas vezes sem que haja um advogado presente durante o interrogatório.”

Conforme a ONG DCI, “em quase um terço dos casos estudados, os menores são obrigados a assinar documentos em hebraico, que não compreendem. Em um prazo de oito dias, os menores comparecem, com correntes nos tornozelos, diante de um tribunal militar situado em Israel, em violação ao artigo 76 da quarta Convenção de Genebra, que proíbe tais transferências. É então que têm a oportunidade de ver pela primeira vez seus familiares, desde que estes consigam as permissões necessárias para entrar no país a tempo.”

Segundo o jornal, “cerca de dois terços dos menores detidos acabam em um presídio israelense, segundo dados da ONG DCI. A organização explica que nos últimos anos, entretanto, houve uma melhora significativa no sistema penitenciário. Uma das novidades positivas que raramente as autoridades israelenses mantém menores e adultos em cárceres diferentes, o que antes ocorria com mais frequencia.





Fonte: IraNews
Imagem: Google, IraNews
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