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terça-feira, 3 de abril de 2012

Pornoguerra: o neossexo seguro


Pepe Escobar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NC30Ak02.html

Da banda Gang of Four, citada adiante,
o Coletivo de Tradutores da Vila Vudu sugere, como epígrafe, To Hell With Poverty
http://www.youtube.com/watch?v=d7enG9nTjMo&feature=related



O novo século 21 é viciado em pornoguerra, esporte para espectadores de alta classe consumido no sofá global com batatinhas digitais. A pornoguerra chegou ao palco na noite de 11/9/2001, quando o governo George W Bush lançou a “guerra ao terror” – que foi interpretada por muitos aficionados como sutil legitimação do estado de terror norte-americano contra, predominantemente, muçulmanos.

Foi também uma guerra DE terror – como manifestação de estado de terror que aplica todo o seu poderio urbano high-tech contra, basicamente, recursos de baixa tecnologia capenga. Os EUA não tiveram aí, qualquer monopólio: Pequim fez o mesmo no faroeste chinês, em Xinjiang; e a Rússia, na Chechenia.

Como qualquer pornoprática, a pornoguerra não existe se não for baseada numa mentira – é uma representação bruta. Mas, diferente de outras pornopráticas, a pornoguerra é o real; diferente dos filmes baratos, brutais, o pessoal, na pornoguerra morre de verdade – aos milhares.

A mentira para acabar com todas as mentiras que jaz no centro dessa representação foi fixada definitivamente com o vazamento do memorando 2005 de Downing Street
[1], no qual o chefe do MI6 britânico confirmou que o governo Bush desejava derrubar Saddam Hussein do Iraque, ligando o terrorismo islâmico com armas (inexistentes) de destruição em massa. Nos termos do memorando, “A inteligência e os fatos foram fixados em torno dessa política”.

No fim, George “você-está-conosco-ou-está-
contra-nós” Bush estrelou seu próprio pornofilme maior que a vida – que cresceu e virou invasão e destruição de todo o flanco leste da nação árabe.

A nova Guernica

O Iraque pode ser de fato visto como o Star Wars da pornoguerra – uma apoteose de sequências. Tome-se a (segunda) ofensiva de Fallujah no final de 2004. Naquela época, descrevi a cena como a nova Guernica
[2]. Tomei também a liberdade de parafrasear Jean-Paul Sartre, escrevendo sobre a Guerra da Argélia: depois de Fallujah, dois americanos nunca mais se encontrariam sem um cadáver entre eles. Citando Apocalypse Now de Coppola, havia cadáveres, cadáveres por toda parte.

O Francisco Franco em Fallujah foi Iyad Allawi, o premiê provisório lá instalado pelos EUA. Foi Allawi quem “pediu” ao Pentágono que bombardeasse Fallujah. Em Guernica – como em Fallujah – não havia diferença entre civis e guerrilheiros: reinou ali o “Viva la muerte!”

Comandantes do Marine Corps dos EUA disseram aos jornais que Fallujah era a casa de Satã (“Hell House”). Franco negou o massacre em Guernica e culpou a população local – como Allawi e o Pentágono negaram as mortes de civis e insistiram que a culpa teria sido dos “insurgentes”.

Fallujah foi reduzida a ruínas, pelo menos 200 mil moradores da cidade foram convertidos em refugiados e milhares de civis foram mortos, para “salvar a cidade” (ecos do Vietnã). Ninguém na mídia empresarial ocidental teve coragem de dizer que, de fato, Fallujah foi a Halabja
[3] americana.

15 anos antes de Fallujah, em Halabja, Washington era fornecedor entusiasmado de armas químicas para Saddam, que usou o gás para matar milhares de curdos. A CIA, na época, disse que não foi Saddam; que foi crime do Irã de Khomeini. Mas foi Saddam. Fez deliberadamente tudo aquilo; como os EUA, em Fallujah.

Os médicos em Fallujah identificaram cadáveres inchados e amarelados, sem ferimentos visíveis, e “corpos derretidos” – vítimas de napalm, o coquetel de poliestireno e combustível de jatos. Moradores que conseguiram escapar falavam de bombardeio com “gases venenosos” e “bombas estranhas que faziam fumaça como uma nuvem em formato de cogumelo... e depois caíam fragmentos do céu, com longas caudas de fumaça. Esses pedaços daquelas bombas estranhas explodiam em chamas grandes que continuavam queimando a pele mesmo se se jogava água nelas.”

É exatamente o que acontece com quem é atingido por napalm ou fósforo branco. A ONU proibiu o uso de napalm contra civis em 1980. Os EUA são o único país do mundo que continua a usar napalm.

Fallujah também garantiu filme compacto de pornoguerra de sucesso: a execução sumária de um iraquiano indefeso e ferido, por um Marine, dentro de uma mesquita. A execução, filmada em vídeo e vista por milhões em YouTube, mostrou, em imagens, as regras “especiais” de engajamento. Naquele momento, comandantes dos Marines norte-americanos diziam aos soldados que atirassem “em tudo que se move e em tudo que não se move”; “duas balas em cada corpo”; se vissem velhos armados nas ruas de Fallujah, “derrubem eles”; e que limpassem a tiros de metralhadora e canhões dos tanques “toda e qualquer casa, antes de entrar”.

As regras de engajamento no Iraque foram codificadas num manual de campo de 182 páginas distribuído a cada soldado e a todos os soldados, lançado pelo Pentágono em outubro de 2004. Esse manual de contraguerrilha destaca cinco regras: “proteger a população; estabelecer instituições políticas locais; reforçar governos locais; eliminar capacidades dos guerrilheiros; e explorar informação colhida de fontes locais”.

De volta ao mundo real. A população de Fallujah não foi protegida: foi expulsa a bombas para fora da cidade e virou uma massa de milhares de refugiados. Já havia lá instituições políticas em pleno funcionamento: a Shura [Assembleia] de Fallujah governava a cidade. Nenhum governo local jamais pôde ou poderá governar uma montanha de ruínas a ser reconvertida em cidade por cidadãos revoltados; de “reforçar” os governos locais, nunca ninguém cogitou. As “capacidades dos guerrilheiros” não foram eliminadas: a resistência dispersou-se pelas outras 22 cidades que os EUA não conseguiram controlar nem ocupar, e avançou rumo norte até Mosul; e os norte-americanos continuaram sem “informação de fonte local”, porque antagonizaram de todos os modos possíveis todos os corações e mentes locais.

Entrementes, nos EUA, a maioria da população já estava imune à pornoguerra. Quando eclodiu o escândalo de Abu Ghraib, na primavera de 2004, eu viajava pelo Texas, explorando a Bushlândia. Praticamente todos com quem conversei ou atribuíram a humilhação de prisioneiros iraquianos ou a “algumas poucas maçãs podres”, ou defendiam o que foi feito, com argumentos de patriotismo (“temos de dar uma lição aos terroristas”).

Eu amo um soldado [I love a man in uniform
[4]]

Em tese, há um mecanismo aprovado no século 21 para proteger civis de qualquer contato com a pornoguerra. Chama-se a doutrina da “responsabilidade de proteger”, R2P. A ideia brotou em 2001 – de fato, algumas semanas antes de a “guerra ao terror” ser deflagrada – pelo governo canadense e algumas fundações; disseram então que o concerto das nações teria um “dever moral” de forçar uma intervenção humanitária em casos como o de Halabja, para nem lembrar dos Khmer Rouge no Cambodia em meados dos anos 1970s nem do genocídio em Ruanda em meados dos 90s.

Em 2004, um painel na ONU codificou a ideia – de crucialmente importante, que o Conselho de Segurança passava a poder autorizar a “intervenção militar” só como “último recurso”. Depois, em 2005, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução apoiando a Responsabilidade de Proteger; e em 2006 o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução n. 1.674 sobre “a proteção a civis em conflito armado”; e tinham de ser protegidos contra “genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade”.

Rodem a fita fast-forward até o final de 2008, começo de 2009, quando Israel – usando jatos de combate norte-americanos adequados para criar um inferno – dispararam ataque de larga escala contra a população civil na Faixa de Gaza.

Observem a reação oficial dos EUA: “Israel obviamente decidiu proteger-se e proteger seu povo” – disse o então presidente Bush. O Congresso dos EUA aprovou, por vastíssima diferença a favor, 390 votos a 5, reconhecer “o direito de Israel de defender-se contra ataques vindos de Gaza”. O governo Barack Obama já eleito, mas antes de tomar posse, manteve-se ruidosamente em silêncio. Só a futura secretária de Estado Hillary Clinton disse que “Apoiamos o direito de Israel à autodefesa”.

Pelo menos 1.300 civis – legiões de mulheres e crianças – foram assassinados pelo terror de estado em Gaza. Ninguém invocou a “responsabilidade de proteger”. Ninguém denunciou o fracasso escancarado de Israel, na sua “responsabilidade de proteger” os palestinos. Ninguém clamou por “intervenção humanitária” a favor dos palestinos e contra Israel.

A simples noção de que uma superpotência – e outras potências menos super – construiriam suas decisões de política externa baseadas em princípios humanitários, que chamariam para elas algum responsabilidade ou dever de proteger povo sitiado, já é piada. Assim sendo, naquele momento aprendemos como, dali em diante, o princípio da “responsabilidade de proteger” seria instrumentalizado. Nunca se aplicaria aos EUA no Iraque ou no Afeganistão. Nunca se aplicaria a Israel na Palestina. Vez ou outra se aplicaria, para enquadrar um ou outro ditador “bandido”, desde que não fosse um dos “nossos filhos da puta”, como aconteceu no caso de Muammar Gaddafi na Líbia em 2011. Intervenção “humanitária”, sim; mas só contra “eles” (os bandidos), nunca contra “nós” (os mocinhos).

E a beleza da “responsabilidade de proteger” era que, a qualquer momento, podia ser virada ao contrário. Bush clamou pela “libertação” dos afegãos sofredores – com atenção especial às sofredoras mulheres afegãs aprisionadas nas burqas –, das garras dos Talibã “do mal”; assim, de fato, configurou o Afeganistão como caso de intervenção humanitária.

E quando os laços inventados entre a al-Qaeda e as inexistentes armas de destruição em massa foram desmascarados, Washington passou a justificar a invasão, ocupação e destruição do Iraque... pela “responsabilidade de proteger” os iraquianos, contra Saddam; e, depois, “responsabilidade de proteger” os iraquianos contra eles mesmos.

O matador acordou cedo (The killer awoke before dawn
[5])

O mais recente episódio dessa pornoguerra serial foi o massacre de Kandahar onde, segundo a versão oficial (ou versão cover) do Pentágono, um sargento do exército dos EUA, atirador treinado e veterano da guerra do Iraque – assassino altamente adestrado –, matou a tiros 17 civis afegãos, entre os quais nove mulheres e quatro crianças, em duas vilas distantes 3 km uma da outra, e pôs fogo em alguns cadáveres.

Como no caso de Abu Ghraib, houve a usual cascata de negativas do Pentágono – “não somos assim” ou “não agimos desse modo”; para nem falar do tsunami de matérias publicadas na imprensa-empresa nos EUA, que tratou de humanizar o tal herói-que-virou-assassino serial, como um “tão bom sujeito... homem de família”. E nem uma palavra sobre O Outro – as vítimas afegãs, os mortos: sem rosto; ninguém nos EUA ouviu ou leu os nomes deles. [Os mortos de Kandahar-2012 são: “Mohamed Dawood, filho de Abdullah; Khudaydad, filho de Mohamed Juma; Nazar Mohamed; Payendo; Robeena; Shatarina, filha de Sultan Mohamed; Zahra, filha de Abdul Hamid; Nazia, filha de Dost Mohamed; Masooma, filha de Mohamed Wazir; Farida, filha de Mohamed Wazir; Palwasha, filha de Mohamed Wazir; Nabia, filha de Mohamed Wazir; Esmatullah, filha de Mohamed Wazir; Faizullah, filho de Mohamed Wazir; Essa Mohamed, filho de Mohamed Hussain; Akhtar Mohamed, filho de Murrad Ali”
[6].]


Investigação – séria – conduzida pelos afegãos descobriu que há indícios de que cerca de 20 soldados participaram do massacre – como em My Lai no Vietnã; e que duas mulheres foram estupradas. Faz perfeito sentido. A pornoguerra é subcultura letal, de grupo – e inclui várias modalidades: assassinatos planejados [orig. targeted assassinations], matanças de retaliação, violação de cadáveres, recolha de troféus (dedos e orelhas decepados), queima de livros do Corão e mijar sobre cadáveres. Nunca foi esporte individual: é essencialmente esporte coletivo.

Um “Esquadrão de matadores” dos EUA deliberadamente executou vítimas colhidas ao acaso, civis afegãos inocentes, muitos adolescentes, por esporte; plantaram armas nos cadáveres e fizeram-se fotografar ao lado dos cadáveres: como troféus. Não por acaso, estavam reunidos numa base de operações ali perto, bem próxima da área onde aconteceu o massacre de Kandahar.

E não se pode esquecer o ex-principal comandante norte-americano no Afeganistão, general Stanley McChrystal, o qual, dia 10/4/2010, admitiu, sem meias palavras: “Atiramos e matamos bom número de gente por aqui” – e ninguém, naquela gente assassinada representava qualquer tipo de ameaça para os EUA ou a civilização ocidental.

O Pentágono diz e vende no Afeganistão o que disse e vendeu no Iraque (e também, tempos atrás, no Vietnã: a ideia de que o que há ali seria uma “contraguerrilha centrada na população” – COIN, de Counterinsurgency, para “ganhar corações e mentes” e parte de um grande projeto de construção da nação).

Que monumental mentira! A ‘avançada’ [orig. surge] de Obama no Afeganistão – com base na doutrina da Contraguerrilha, COIN –, foi fracasso total. E foi logo substituída por guerra suja, clandestina, imunda, conduzida por “Esquadrões de matadores” das Forças Especiais. Implica superinflação de ataques aéreos e raids noturnos. E nem se comentam aqui os ataques dos aviões-robôs, os drones pilotados a distância, nas áreas tribais dos dois países, Afeganistão e Paquistão, cujos alvos preferenciais são festas de casamento dos pashtuns.

Sobre isso, a CIA diz, com orgulho, que desde março de 2010 os ultra precisos drones já teriam assassinado mais de 600 alvos humanos “cuidadosamente predeterminados” – e, milagre, nenhum civil.

Esperem até ver essa extravaganza pornoguerreira celebrada numa orgia de próximos filmes arrasa-quarteirão, com produção conjunta Pentágono-Hollywood. Na vida real, a mesma pornoguerra tem sido cantada em prosa e verso por gente como John Nagl, do staff do general David Petraeus no Iraque, e que hoje dirige o Center for New American Security, empresa privada e centro de estudos, um think-tank privado, que trabalha para o Pentágono.

Os novos macho, macho men da hora são os comandos de matadores que obedecem ordens do Comando Conjunto das Operações Especiais [Joint Special Operations Command, JSOC]. Mas a produção é do Pentágono, que criou, nas palavras de Nagl, “uma máquina de matar de dimensões industriais, a serviço do contraterrorismo”.

A realidade porém é bem mais prosaica. O sucesso das técnicas de contraguerrilha COIN, aplicadas por McChrystal, dependia completamente de três precondições: aviões-robôs (drones) de espionagem ativos 24h/dia; monitoramento de telefones celulares; e localização física, no mapa, de cada telefone celular, pelos sinais que emitissem.

O ‘método’ implica que qualquer um, em área espionada por avião-robô, que use um telefone celular, é marcado no mapa como “terrorista” ou, no mínimo, como “simpatizante de terrorista”. Nessa época, o foco dos raids noturnos no Afeganistão mudou: a mira feita sobre “alvos de alto valor” (gente de alto nível e dos níveis intermediários da al-Qaeda e dos Taliban), passou a fechar sobre qualquer um que fosse acusado de ajudar os Talibã.

Em maio de 2009, antes da chegada de McChrystal, as Forças Especiais dos EUA estavam fazendo 20 raids noturnos por mês. Em novembro, já eram 90/mês. Na primavera de 2010, 250/mês. Quando McChrystal foi demitido – por causa de matéria publicada na revista Rolling Stone (naquela edição, McChrystal e Lady Gaga eram candidatos à capa; Lady Gaga venceu) – e Obama substituiu-o por Petraeus, no verão de 2010, os raids noturnos chegavam a 600/mês. Em abril de 2011, passavam de 1.000/mês.

E é assim que funciona. Ninguém nem pense em usar telefone celular em Kandahar e em outras províncias afegãs. Se usar, saiba que “os olhos que vigiam no céu” acharão você. O mínimo que pode acontecer é você ser mandado para a prisão, onde já estão milhares de outros civis rotulados como “simpatizante de terrorista”; e os analistas da inteligência usarão seus dados para obter outros nomes a serem acrescentados à lista deles, de “alvos a matar/prender”; e assim, vão prendendo em suas redes (e matando) número sempre crescente de civis afegãos.

Quanto aos “danos colaterais” (civis mortos) nos raids noturnos, sempre foram apresentados pelo Pentágono como “terroristas”. Por exemplo: num raid em Gardez, dia 12/2/2010, dois homens foram mortos: um procurador do governo local e um oficial da inteligência afegã, além de três mulheres (duas das quais, grávidas). Os matadores disseram ao comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, em Kabul, que os dois homens seriam “terroristas”; e que as duas mulheres foram encontradas amarradas e amordaçadas. Dias depois, o verdadeiro alvo do raid apresentou-se espontaneamente para ser interrogado; e foi libertado em seguida, porque nada havia contra ele.

E isso, até agora, é só o começo. Os assassinatos predefinidos – como praticados no Afeganistão – serão adotados como tática preferencial do Pentágono, em todas as futuras guerras dos EUA.

Querida, não esqueça a camisinha

Na Líbia, a exibição de perversões da pornoguerra alcançou píncaros jamais vistos, com o “bárbaro” derrotado, arrastado pelas ruas e executado, imagens que o mundo viu pelo YouTube.

Tudo aquilo foi anunciado pela secretária de Estado Hillary Clinton, em passagem-relâmpago por Trípoli, menos de 48 horas antes de as imagens aparecerem: Gaddafi seria “capturado ou morto”. Ao ver as imagens na tela de seu BlackBerry, ela deixou escapar um gritinho e terremoto semântico: “uau!”

A resolução da ONU que impôs uma zona aérea de exclusão sobre a Líbia, com a “responsabilidade de proteger” como pretexto, foi como a senha para a mudança de regime. O Plano A sempre foi prender e assassinar Gaddafi – ao estilo dos assassinatos predefinidos ao estilo dos EUA no Afeganistão. E foi a política oficial do governo Obama. Nunca houve Plano B.

Obama disse que a morte de Gaddafi comprovava “a força da liderança norte-americana em todo o mundo”. Foi o equivalente obamista do “Pegamos ele!” bushista de quando Saddam foi preso.

Embora Washington esteja pagando nada menos que 80% de todos os custos operacionais dos vai-e-vens da OTAN (em números redondos, $2 bilhões), a Líbia saiu barata. Ainda assim, foi estranho os EUA terem declarado sua “vitória na Líbia”, porque a Casa Branca sempre disse e repetiu que não estava em guerra na Líbia. Que a Líbia não passava de alguma-coisa-lá “cinética”, que repetiam muito. Que os EUA não estavam na Líbia.

Só os mais irrecuperavelmente ingênuos engoliram a propaganda do bombardeio “humanitário” da OTAN contra a Líbia: mais de 40 mil bombas, que destruíram a infraestrutura do país e o devolveram à idade da pedra, numa versão em câmera lenta da Operação Choque e Pavor. Nada disso jamais teve alguma coisa a ver com a doutrina da “responsabilidade de proteger”.

Foi a “responsabilidade de proteger” em modalidade de sexo seguro – e a “comunidade internacional” era a camisinha. A “comunidade internacional”, como todos sabem, é composta de Washington, uns muito depauperados membros da OTAN e as muito democráticas monarquias do Golfo Persa, Qatar e Emirados Árabes Unidos, além da Casa de Saud atrás da cortina. A União Europeia, que vivia a lamber a barra das túnicas de Gaddafi, não demorou a entregar-se ela mesma ao ridículo, em editoriais sobre os 42 anos de reinado de “um bufão”.

Quanto a qualquer conceito de lei internacional, foi-se pelo ralo. Saddam, pelo menos, ainda recebeu uma encenação de julgamento, antes de ser enforcado (enforcamento que também chegou ao YouTube). Osama bin Laden foi sumariamente executado, ao estilo de qualquer esquadrão da morte, depois de os EUA invadirem território do Paquistão (não, não deu no YouTube, motivo pelo qual tanta gente ainda duvida que tenha acontecido). Gaddafi foi derrubado por uma mistura de guerra de vento e simples assassinato. Saddam, bin Laden e Gaddafi: eis os Três Primeiros Escalpos da Pornoguerra.

Doce emoção [Sweet emotion
[7]]

A Síria é mais uma declinação, na narrativa da pornoguerra: se você não pode garantir “responsabilidade de proteger”, finja, encene.

E pensar que tudo isso está codificado há muito tempo! Já em 1997, a revista US Army War College Quarterly definia o que chamaram de “o futuro da guerra”.

Para eles, seria “o conflito entre os mestres da informação e as vítimas da informação.” (...) “A informação destrói os empregos tradicionais e as culturas tradicionais; ela seduz, trai e, mesmo assim, permanece invulnerável.” (...)

“Nossa sofisticação no uso da máquina de guerra da informação nos capacitará a deslocar e superar todas as culturas hierárquicas (...)”. “Nós já somos os senhores da guerra de informação (...).” Nossa criatividade é devastadora. Hollywood está “preparando o campo de batalha” (...).

“Sociedades que temem ou não conseguem administrar o fluxo de informação não podem, simplesmente, ser competitivas.” (...) Conseguirão dominar as tecnologias para assistir aos vídeos, mas nós estaremos escrevendo os roteiros, produzindo os vídeos e recolhendo os royalties.


“A guerra de informação pós-tudo nada tem a ver com geopolítica (...)”. Ela será “disseminada” – como qualquer drama de Hollywood – mediante emoções nuas.” “Ódio, ciúme e ganância – emoções, mais que estratégias – definirão os termos das lutas na guerra de informação.[8]

Exatamente assim, a mídia-empresa ocidental concebeu e construiu o roteiro do filme “Síria”: pode-se dizer que são as táticas para a “guerra de informação” concebidas pelo War College em 1997, postas em prática. O governo sírio jamais teve nem sombra de chance contra os que lá estão “escrevendo os roteiros, produzindo os vídeos e recolhendo os royalties”.

Por exemplo: a oposição armada, o chamado Exército Sírio Livre (repulsivo coquetel de desertores, oportunistas, jihadis e mercenários de várias nacionalidades) arrastou jornalistas ocidentais para Homs e em seguida passou a insistir em retirá-los, em condições extremamente perigosas, por uma via onde havia guerra, pelo Líbano, em vez de aceitar a ajuda do Crescente Vermelho. Estavam, pura e simplesmente, escrevendo o roteiro do novelão do “corredor humanitário” que seria muito necessário ali, e a ser aberto por exércitos ocidentais, até Homs. Foi puro teatro. Pornoguerra em embalagem de dramalhão hollywoodiano.

O problema é que a opinião pública ocidental é hoje refém dessa modalidade de guerra de informação. Esqueçam para sempre até a possibilidade de que haja negociações de paz na Síria, entre grupos adultos, com interesses adultos. Só resta ali uma trama infantilizada e infantilizante, de mocinhos contra bandidos, segundo a qual o Super Bandidão tem de se destruído a qualquer custo (e a esposa dele também tem de ser castigada, proibida de entrar na Europa, doidivanas, ‘mulher-rica’ snob, que vive em lojas, viciada em compras!)

Só ingênuos ou tolos terminais acreditariam que aqueles jihadis – incluídos aí os ‘rebeldes’ líbios da OTAN, mantidos com dinheiro do Clube Contrarrevolucionário do Golfo, também conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) seriam educado grupo de reformistas democráticos, ardentes de boas intenções. Até os militantes da ONG Human Rights Watch tiveram de reconhecer, afinal, que aqueles ‘ativistas’ armados são responsáveis por “sequestros, detenções e tortura”, depois de receber relatos de “execuções, pelos grupos de oposição, de membros das forças de segurança e civis”.

O que essa narrativa da pornoguerra (soft e hard) não conta, no final, é a verdadeira tragédia síria: a impossibilidade do muito ‘defendido’ e ‘protegido’ “povo sírio” livrar-se de todos esses escroques – o sistema Assad, o Conselho Nacional Sírio controlado pela Fraternidade Muçulmana e o Exército Sírio Livre, infestado de mercenários.

Ouçam o som do caos (Listen to the sound of chaos)

Esse catálogo – muito incompleto – de sofrimentos nos leva inevitavelmente ao supremo filme-arrasa-quarteirão do neogênero “pornoguerra”: o psicodrama do Irã.

2012 é o neo-2002; o Irã é o neo-Iraque; e, seja por qual caminho for, sempre para evocar hoje o motto dos neoconservadores norte-americano: “homens de verdade vão para Teerã via Damasco”. Ou, como hoje: homens que são homens vão para Teerã, sem escalas.

Talvez no Ártico, submerso, alguém consiga escapar do cortejo de cacofonia dos direitistas norte-americanos – e seus correspondentes poodles europeus – que salivam à vista de sangue, e vivem de repetir o festival de falácias de sempre (“Irã quer varrer Israel do mapa”, “a diplomacia já fez o que podia fazer”, “as sanções chegaram tarde demais” ou “o Irã está a um ano, seis meses, uma semana, um dia ou um minuto de ter a bomba pronta”). Claro que esses cães de guerra jamais se darão o cuidado de acompanhar o que a Agência Internacional de Energia Atômica está realmente fazendo, para nem falar sobre o que dizem os documentos oficiais divulgados pelas 17 agências norte-americanas oficiais.

Porque, em vasta medida, são eles que “estão escrevendo os roteiros, produzindo os filmes e recolhendo os royalties”, em termos de imprensa-empresa, eles continuam a conseguir safar-se, com uma atitude que é fusão tóxica de arrogância e ignorância – sobre o Oriente Médio, a cultura persa, a integração da Ásia, a questão nuclear, a indústria do petróleo, a economia global, sobre “o resto”, em comparação com “o Ocidente”.

Exatamente como se viu no Iraque 2002, o Irã é sempre desumanizado. A “narrativa” incansável, totalmente histérica, para meter medo, do “bombardeamos já, ou bombardeamos mais tarde?” é sempre sobre ah! aquelas bombas tão inteligentes, que penetram em rochedos! Ou aqueles oh! mísseis de precisão que fazem limpeza e destruição ampla, geral e irrestrita em grande escala, servicinho ultra limpo, com garantia de que nunca haverá qualquer “dano colateral’. É como sexo seguro.

E mesmo depois de até a voz do próprio establishment – o New York Times – ter admitido que nem a inteligência de Israel nem a inteligência dos EUA acreditam que o Irã tenha decidido construir uma bomba (conclusão à qual facilmente chega qualquer criança de jardim de infância), mesmo assim a histeria continua, em quantidades intergalácticas.

Entrementes, enquanto se apronta – o próprio Obama continua a repetir que “todas as opções estão sobre a mesa – para ainda mais outra guerra no que costumava chamar de “arco de instabilidade”, até o Pentágono encontrou tempo para produzir mais pornoguerradofuturo.

O resultado são vídeos de 60 segundos, distribuídos por Internet e que já estão no YouTube: um vídeo feito de minivídeos de 60 segundos, um seriado, intitulado (o seriado) Toward the Sound of Chaos [Rumo ao Som do Caos].

Foi lançado poucos dias depois do massacre de Kandahar. Público-alvo? O vasto mercado dos norte-americanos jovens, pobres, desempregados e politicamente muito ingênuos
[9].

Ouçam o que diz o locutor, voz off, na abertura do vídeo feito de minivídeos: “Onde reina o caos, aí emergem os Raros. Os Marines movem-se rumo ao som do caos da tirania, da injustiça, do desespero – com muita coragem e determinação, até silenciá-lo. Pondo fim aos conflitos, implantando a ordem, ajudando os incapazes de se autoajudarem, os Marines enfrentam todas as ameaças do nosso tempo.”

Talvez, nesse universo orwelliano, devamos encomendar aos afegãos mortos sobre os quais os Marines dos EUA mijaram, ou aos milhares de mortos em Fallujah, que escrevam a crítica do tal vídeo. OK. Mortos não escrevem críticas.

Talvez devamos pensar sobre o dia em que veremos a OTAN implantar uma zona aérea de exclusão sobre a Arábia Saudita, para proteger os xiitas sauditas da província oriental, enquanto os drones-robôs do Pentágono disparam um tapete de mísseis Hellfire sobre aqueles milhares de príncipes arrogantes, medievais, corruptos da Casa de Saud. Não, não, nunca acontecerá.

Decorrida já uma década desde o início da guerra ao terror, eis o mundo ao qual nos levou: do telespectador virtualmente global abúlico, imbecilizado, chapado, tonto, que salta de distração em distração, dependente, movido a vício, irremediavelmente rebocado pela sempre mesma incansável exibição de atrocidades da pornoguerra.

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NOTAS

* Versão muito abreviada de “La era de la señora de la muerte” [A era da senhora da morte], Conferência no XII Seminar de Solidaridad Política, Universidad de Zaragoza, Espanha, 27/3/2012. A página do Seminário está em http://solidaridadpolitica.unizar.es/

[2] “From Guernica to Fallujah”, Pepe Escobar, 2/12/2004, Asia Times Online, http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/FL02Ak02.html

[3] O ataque com gás venenoso em Halabja (em curdo: Kîmyabarana Helebce), também conhecido como “o massacre de Halabja” ou “a 6ª-feira sangrenta” aconteceu dia 16/3/1988, ao final da Guerra Irã-Iraque, quando o governo do Iraque usou armas químicas na cidade curda de Halabja, no Curdistão iraquiano. O ataque foi oficialmente definido como um ato de genocídio contra o povo curdo no Iraque; foi e continua sendo o maior ataque de armas químicas contra uma área com população civil na história (mais sobre isso em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Halabja

[4] É título de rock gravado pela banda “Gang of Four” [Camarilha dos Quatro], do pós-punk de Leeds, Inglaterra, muita ativa entre 1977 e 1984. I love a man in uniform, foi lançada em disco single em 1971 e relançada em álbum em 1982, durante a guerra das Malvinas; a segunda versão, considerada ‘dançável demais’, foi banida pela BBC (em http://www.beatrix.pro.br/mofo/gang.htm). A primeira versão, que os especialistas consideram a melhor, pode ser ouvida em http://www.youtube.com/watch?v=DLnIf0JjszY

[5] É verso de The End [O fim], Jim Morrison & The Doors, de 1967. Blue rock. Letra, tradução e vídeo em http://www.vagalume.com.br/the-doors/the-end-traducao.html

[6] 21/3/2012, “Kandahar: os nomes das vítimas sem nome”, Qais Azimy, Al-Jazeera, em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/03/kandahar-os-nomes-das-vitimas-sem-nome.html

[7] Sweet Emotion foi o quinto single da banda norte-americana Aerosmith, em 1975. Letra, tradução e vídeo em http://letras.terra.com.br/aerosmith/911/traducao.html. Melhor versão, em http://www.nme.com/nme-video/youtube/id/JktX8g0YO94 [NTs]

[8] Constant Conflict, “Parameters”, Summer 1997, pp. 4-14. Sobre o mesmo artigo, ver também “Síria: até onde o mundo se deixará enganar?” 8/3/2012, Alastair Crooke, em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2012/03/siria-ate-onde-o-mundo-se-deixara.html [NTs].

[9] São filmes de propaganda dos Marines, em campanha de recrutamento. Podem ser vistos em http://www.marines.com/global-impact/toward-chaos. Como se lê ali: “Clique num dos títulos acima, para assistir aos Marines em luta contra o caos, em todo o mundo” [NTs].

Tradução: Vila Vudu

Fonte: IraNews

Polônia confirma existência de prisão secreta da CIA em seu território

Autoridades polacas confirmaram o envolvimento da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) na criação de um centro de detenção secreto em terrenos baldios da Polônia.

Durante anos, ambos os países negaram a existência desse centro de interrogatórios para suspeitos de terrorismo, entre 2002 e 2003, nesse país da Europa de Leste.

Após um debate político, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, confirmou quinta-feira passada que o ex-chefe do Serviço de Informações do país, Zbigniew Siemiatkowski, está processado pela implicação de Polônia na construção de prisões secretas no seu território.

'Polônia tornou-se vítima da política de fuga de informação por parte de funcionários dos Estados Unidos que revelaram aspectos do programa de investigações secretas ", declarou o representante polaco, para depois acrescentar que a "Polônia é uma democracia onde a legislação nacional e internacional devem ser respeitadas".


A administração do ex-presidente norte-americano George W. Bush e numerosos agentes norte-americanos de alto nível confirmaram a instalação de prisões secretas em território estrangeiro desde 2002, com o objectivo de executar interrogatórios para obter informação aos chamados "suspeitos de terrorismo".




Fonte: IraNews, HispanTV

Os EUA e as Cobaias Humanas

EUA admitem monstruosidade histórica na Guatemala

Após 65 anos, os EUA admitiram uma monstruosidade histórica na Guatemala. Entre 1946 e 1948, um grupo de médicos norte-americanos, dirigidos por John Charles Cutler, sob o patrocínio direto da Secretaria de Saúde do governo dos EUA, inoculou sífilis e gonorreia, sem que o soubessem, em quase mil guatemaltecos. Eles foram usados como cobaias para provar os efeitos curativos da penicilina no combate a estas doenças venéreas.




Um grupo de guatemaltecos que foi contaminado durante testes médicos realizados por pesquisadores americanos entraram com processo coletivo contra o governo dos Estados Unidos.

Quase de 700 pessoas foram infectados com sífilis ou gonorreia nos anos 40, durante um programa que estudava os efeitos da penicilina.


Centenas de prisioneiros, pacientes psiquiátricos e órfãos foram usados como cobaias.

Nos experimentos, os pesquisadores subornavam funcionários locais para poder dar a injeção com as bactérias causadores das duas doenças sexualmente transmissíveis nos pacientes – o mesmo acontecia nos orfanatos.

Já os prisioneiros eram incentivados a ter relações sexuais com prostitutas contaminadas com uma das duas doenças. Todos haviam sido previamente tratados com penicilina. O objetivo era determinar se substância poderia prevenir a doença.

'Inaceitável'

Quando o caso veio à tona, em outubro do ano passado, o governo americano se desculpou oficialmente e qualificou o experimento como "antiético" e "inaceitável", quando o caso veio à tona, no ano passado.

Segundo os advogados das vítimas, a decisão pelo processo foi tomada após o governo americano não responder sobre uma proposta de acordo.

Provas da existência do programa foram reveladas pela professora Susan Reverby, da Universidade de Wellesley, nos Estados Unidos.

Segundo ela, o estudo na Guatemala foi organizado pelo Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, mas tinha o aval do governo guatemalteco.

Sífilis pode causar problemas cardíacos, cegueira e levar à morte.

Segundo o jornal guatemalteco Prensa Libre, participam a ação coletiva 15 vítimas do caso. No entanto, se o veredicto for favorável, abre-se precedente para que todos os outros infectados sejam beneficiados.

Eles pedem indenização para si próprios e também para seus familiares, já que muitos também foram prejudicados. (BBC)

MAIS:

Experimentos Médicos dos EUA sobre os guatemaltecos foram apenas o começo


Tradução Marilia Muller

Já foi amplamente revelado que os Estados Unidos realizaram experiências médicas em prisioneiros e doentes mentais na Guatemala em 1940. Realizado por um médico do governo que trabalhava em um hospital psiquiátrico, os experimentos envolviam infectar guatemaltecos intencionalmente com sífilis (e outras DST) sem o conhecimento dos pacientes a fim de determinar a eficácia da penicilina. Estes estudos foram patrocinados, em , pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) e já foram amplamente divulgados pela ABC News, o Washington Post e outros grandes jornais (que, de repente, se interessaram por um tema que normalmente não iriam escrever a respeito).

A indignação contra este experimento da ciência médica desumana é refletido nas manchetes de notíciários em todo o mundo e, agora, o governo da Guatemala caracteriza este triste capítulo na história dos EUA como um “crime contra a humanidade.” Repórteres ficam chocados ao relatar a história e os funcionários do governo dos EUA parecem estar indignados em saber que isso aconteceu na América.

Mas o que você está prestes a descobrir aqui vai chocá-lo ainda mais.

As experiências médicas dos EUA com os cidadãos da Guatemala sao apenas a ponta do iceberg dos experimentos criminosos que o governo dos EUA e a indústria médica têm realizado em vítimas inocentes durante o último século.

Os EUA fingem estar surpresos

A descoberta dessa experiência médica gerou uma série de respostas oficiais dos EUA que só podem ser chamadas de teatro político dada a forma artificial como o assunto foi abordado. A Secretária de Estado Hillary Rodham Clinton disse oficialmente: "Embora esses eventos ocorreram há mais de 64 anos, estamos indignados que tal pesquisa poderia ter ocorrido sob o pretexto de saúde pública … Nós lamentamos profundamente que isso aconteceu e pedimos desculpas a todos os indivíduos que foram afetados por tais práticas abomináveis de pesquisa".

O Porta Voz da Casa Branca, Robert Gibbs, chamou a descoberta de “repreensível”, e o presidente Barack Obama até telefonou para o presidente guatemalteco Álvaro Colom e para pedir desculpas.

Você sabe o que todas essas ações têm em comum? Uma mensagem implícita de que essa experiência nos anos 40 foi, de algum modo, um erro aberrante que nunca aconteceu na América. Eles querem que você acredite que foi responsabilidade de um pesquisador apenas que cometeu este crime atroz em nome da medicina. Mas a realidade é que a Big Pharma e o governo dos EUA usam pessoas inocentes em experiências médicas todos os dias. Este não foi um evento raro e bizarro. Foi um reflexo da maneira como o governo dos EUA conspira com a indústria médica para testar drogas em vítimas inocentes para descobrir o que acontece.
O Governo dos EUA e Big Pharma continuam a cometer crimes contra a humanidade


Este padrão se estende até os dias de hoje, é claro. Lembra quando os veteranos da Guerra do Golfo foram diagnosticados com Síndrome da Guerra do Golfo, logo após o retornarem de servir no Iraque? Acredita-se que esta síndrome é o efeito colateral das vacinas e drogas experimentais forçadas nos soldados do governo dos EUA. No cronograma mostrado abaixo, você vai notar um padrão preocupante de governos que exploram soldados para suas experiências.

Mais recentemente, a vacina da gripe suína no ano passado foi, essencialmente, uma grande experiência clínica envolvendo centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. A vacina não havia sido testada ou aprovada como segura por nenhuma entidade de saúde mas, mesmo assim, campanhas agressivas praticamente forçaram a população a tomarem a vacina para, somente depois, descobrir o que aconteceria.

O cronograma de experiências médicas em vítimas inocentes

O que é realmente interessante sobre esta história é como a descoberta do experimento médico da década de 40 veio à tona. Foi “descoberto” por Susan M. Reverby, professora da Faculdade Wellesley, em Massachusetts, que disse: “Eu quase caí da cadeira quando comecei a ler isto … Dá para imaginar? Eu não podia acreditar". (http://www.washingtonpost.com/wp-dy …)

Bem, talvez ela deveria ler NaturalNews. Nós temos publicado, por muitos anos, a verdade sobre a experimentação médica em seres humanos inocentes.
Se Susan Reverby soubesse alguma coisa sobre como a indústria médica realmente funciona, ela não teria se surpreendido tanto. A história das experiências médicas realizadas em nome da indústria farmacêutica está repleta de relatos de prisioneiros, negros, mulheres e outros grupos sendo explorados como ratos de laboratório.

Ao descobrir esta experiência médica, Susan Reverby ficou tão indignada que ela informou ao público suas descobertas. ABC News noticiou a história e, em seguida, se espalhou como fogo por toda a mídia. Está aí um fato curioso: A mídia raramente imprime a verdade sobre a história da medicina que, quando o faz, é uma notícia “surpreendente”.

Mas na NaturalNews, noticiamos este tipo de histórias todos os dias. Descobrir que mais um grupo de pessoas explorados por um médico pago pelo governo trabalhando para a indústria farmacêutica é rotina. Os abusos da vida humana cometidos pela indústria farmacêutica vão muito além dos 1.500 guatemaltecos e, na realidade, se estendem às dezenas de milhares de americanos que estão sendo tratados como cobaias todos os dias.

Psiquiatria – Uma Indústria da Morte
Se você quer, realmente, ficar assustado com a verdadeira história documentada de como as pessoas foram torturadas, abusadas, injetadas, mutiladas e tiveram suas vidas destruídas pela indústria médica, confira “Psiquiatria Um Museu da Indústria da Morte por CCHR ( www.CCHR.org).

Assista ao vídeo aqui: http://www.cchr.org/museum.html # /

Você pode, na realidade, caminhar por este museu. É em Los Angeles, e é uma das coisas mais perturbadoras que você jmais verá sobre a verdadeira história da medicina. Os experimentos de DST na Guatemala, a propósito, foram realizados em um hospital psiquiátrico. (Não é surpresa.) Eu andei por este museu e, comecei a chorar antes mesmo de terminar. As coisas que os psiquiatras e os médicos são capazes de fazer para os outros seres humanos em nome da “medicina” são terríveis.

A indústria psiquiátrica fez coisas horríveis a mulheres, crianças, prisioneiros, idosos, negros e minorias raciais – tudo em nome da “ciência” e ” medicina” Na verdade, essas experiências continuam até hoje, na forma de drogar crianças que são diagnosticadas com condições de saúde fictícias como a síndrome da falta de atenção e a hiperatividade.

Ninguém tem documentado a verdadeira história do abuso criminal da medicina em seres humanos como o CCHR – a Comissão dos Direitos Humanos dos Cidadãos. Acompanhe estes vídeos chocantes: (http://www.cchr.org/videos/marketin…)
(http://www.cchr.org/videos/making-a…).

Você vai começar a aprender a verdadeira história dos crimes cometidos pela indústria farmacêutica – muitas vezes em conluio com o governo. Normalmente, estas histórias são acobertadas e os cidadãos não sabem de nada. Afinal, a descoberta de que o governo dos EUA conspirou com a indústria farmacêutica para infectar guatemaltecos com uma doença sexualmente transmissível não reflete o tipo de imagem que o Presidente Obama deseja que as pessoas tenham sobre a América.

Um cronograma de experimentos médicos em seres humanos

Abaixo, você encontra a lista parcial de pesquisas médicas em humanos. Há mais experimentos que foram realizados em segredo e nunca foram documentados.

Muitos dos experimentos listados envolvem organizações cujos nomes você vai reconhecer instantaneamente: o grupo Merck, o Instituto Rockefeller para Pesquisa Médica, o Instituto Sloan-Kettering, o Instituto Nacional da Saúde, o Hospital Geral de Massachusetts e muitos mais.

E, como você verá a seguir, o experimento na Guatemala não é o mais grotesco.

A lista a seguir é apenas parcial.

(1845 – 1849)

J. Marion Sims, aclamado como o “pai da ginecologia”, realiza experimentos médicos em escravas africanas sem anestesia. Essas mulheres, geralmente, morriam de infecção logo após a cirurgia. Baseado em sua crença de que o movimento dos ossos do crânio dos recém-nascidos durante partos prolongados provoca trismo, o Dr. Sims usa um furador de sapateiro (uma ferramenta pontuda que os sapateiros usavam para fazer furos no couro) para mover os ossos do crânio dos bebês nascidos de mães escravas (Brinker ).

(1895)
O Doutor Henry Heiman, um pediatra de Nova York, infecta um menino de 4 anos de idade com gonorréia , a quem ele se referia como “um idiota com epilepsia crônica”, como parte de um experimento médico (“Experimentação Humana: Antes e Depois da Era Nazista“).

(1896)
Dr. Arthur Wentworth transforma 29 crianças do Hospital Infantil de Boston em ratos de laboratório quando ele executa uma punção lombar apenas para testar se o procedimento é prejudicial ou não (Sharav).

(1906)
O Dr. Richard Strong, um professor da Universidade de Harvard, infecta prisioneiros nas Filipinas com cólera somente para estudar a doença; 13 deles morrem. Ele compensa os sobreviventes com charutos e cigarros. Durante os Julgamentos de Nuremberg, os médicos nazistas citaram este estudo para justificar suas próprias experiências médicas (Greger, Sharav).


(1911)
O Dr. Hideyo Noguchi do Instituto Rockefeller para a Pesquisa Médica publica dados sobre sua pesquisa em que injecta uma preparação de sífilis inativa sob a pele de 146 pacientes e crianças, na tentativa de desenvolver um teste cutâneo para a sífilis. Em 1913, vários dos pais dessas crianças processam o Dr. Noguchi por infectá-las com sífilis (“Comentários e Observações: História da Medicina: Experimentação Humana na América antes da Segunda Guerra Mundial“).

(1913)
Pesquisadores Médicos “testam” 15 crianças do lar infantil St. Vicent na Filadélfia com tuberculina, resultando em cegueira permanente em algumas das crianças. Apesar dos Representantes da Pensilvânia registrarem o incidente, os médicos não são punidos pelos experimentos (“Experimentação Humana: Antes e Depois da Era Nazista”).

(1915)
O Dr. Joseph Goldberger, sob a ordem do Instituto de Saúde Pública dos EUA, produz Pelagra, uma doença que afeta o sistema nervoso central, e infecta 12 detentos do Estado do Mississipi para tentar encontrar a cura para a doença. Em 1935, depois de milhares morrerem desta doença, o diretor do Instituto de Saúde Pública dos EUA admite que os funcionários tinham conhecimento de que a doença era causada por uma deficiência de niacina, mas não tomaram nenhuma medida a respeito porque a maioria dos afetados pela doença eram negros pobres. Durante os Julgamentos de Nuremberg, os médicos nazistas usaram este estudo para justificar as suas experiências médicas em prisioneiros de campos de concentração (Greger;. Cockburn e St. Clair, eds).

(1932)
(1932-1972) O Serviço de Saúde Pública dos EUA em Tuskegee, Alabama diagnostica 400 meeiros negros pobres com sífilis, mas nunca lhes fala da doença nem os trata. Em vez disso, os pesquisadores usam os homens como cobaias humanas para analisar os sintomas e a progressão da doença. Todos eles morrem de sífilis e seus familiares nunca souberam que poderiam ter sido tratados (Goliszek, University of Virginia Health System Health Sciences Library).

(1939)
Dr. Wendell Johnson

Para testar sua teoria sobre a gagueira, o Dr. Wendell Johnson realiza a famosa sua “experiência monstro” em 22 crianças de um orfanato em Davenport. Dr. Johnson e seus alunos de pós-graduação colocam as crianças sob intensa pressão psicológica, fazendo com que elas comecem a gaguejar. Na época, alguns dos estudantes alertaram o Dr. Johnson dizendo que, devido ao impacto da II Guerra Mundial, poderiam estabelecer comparações com experimentos nazistas realizadas em seres humanos, o que poderia destruir sua carreira” (Alliance for Human Research Protection).

(1941)
O Dr. William C. Black infecta um bebê de 12 meses de idade com herpes como parte de um experimento médico. Na época, o editor do Jornal de Medicina Experimental, Francis Peyton Rous, diz que tal ato é um abuso de poder, uma violação dos direitos do indivíduo e não desculpável, pois a doença que se seguiu teve implicações para a ciência” (Sharav).

Pesquisadores administram coquetéis, incluindo ferro radioativo, a 800 mulheres grávidas indigentes da clínica pré-natal da Universidade de Vanderbilt a fim de determinar as necessidades de ferro das gestantes (Pacchioli).

(1942)
The Chemical Warfare Service realiza pesquisa com gás mostarda e gás tóxico em 4.000 membros das forças armadas dos EUA. Alguns destes indivíduos não sabem que são voluntários em um experimento com substâncias químicas, como Nathan Schnurman de 17 anos que, em 1944, pensa que está testando as roupas de verão da Marinha “(Goliszek).

O presidente da empresa farmacêutica Merck, George Merck, é nomeado diretor do Serviço de Investigação de Guerra (WRS), uma agência que visa acompanhar a criação do programa de armas biológicas (Goliszek).





(1944 – 1946)
Um capitão médico aborda um memorando de abril de 1944 ao coronel Stanford Warren, chefe de Medicina do Projeto Manhattan, expressando preocupações sobre os efeitos do flúor ( um dos componentes da bomba atômica) no sistema nervoso central (SNC) e pedindo para que testes com animais sejam realizados a fim de determinar tais efeitos. “A evidência clínica sugere que o hexafluoreto de urânio pode ter um efeito bastante acentuado no sistema nervoso central … Porque o trabalho com esses compostos é essencial, será necessário saber, antecipadamente, quais são os efeitos mentais que pode ocorrer após a exposição.” No ano seguinte, o Projeto Manhattan teria iniciado os estudos sobre os efeitos do flúor em humanos (Griffiths e Bryson).

A equipe médica do Projeto Manhattan, liderados pelo infame radiologista coronel Safford Warren da Universidade de Rochester, injeta plutônio em pacientes do hospital escola da universidade, o Strong Memorial (Burton Relatório).

(1945)
Dando continuidade ao Projeto Manhattan, pesquisadores injetam plutônio em três pacientes do Billings Hospital da Universidade de Chicago(Sharav).

O Departamento do Estado Americano, o Departamento de Inteligência do Exército e a CIA começam a Operação Paperclip, que oferece imunidade e identidades secretas aos cientistas nazistas em troca de trabalho em projetos secretos do governo dos Estados Unidos nas áreas de aerodinâmica e medicina de guerra química (“Project Paperclip“).

(1945 – 1955) Em Newburgh, Nova Iorque, pesquisadores vinculados ao Projeto Manhattan começam o estudo americano mais extenso já feito sobre os efeitos da fluoretação da água de abastecimento público (Griffiths e Bryson).

(1946)
Dando continuidade ao estudo Newburg de 1945, o Projeto Manhattan autoriza a Universidade de Rochester a estudar os efeitos do flúor em animais e humanos em um projeto com o codinome “Programa F.” Com a ajuda da Secretaria Estadual de Saúde de Nova Iorque, pesquisadores do Programa F, secretamente, coletam e analisam amostras de sangue e de tecidos dos moradores de Newburg. Os estudos são patrocinados pela Comissão de Energia Atômica e são feitos no hospital escola da universidade de Rochester, o Strong Memorial (Griffiths e Bryson).

(1946 – 1947) Pesquisadores da Universidade de Rochester injetam quatro homens e duas mulheres com urânio-234 e urânio-235 em doses variando de 6,4 a 70,7 microgramas por quilo a fim de estudar a quantidade de urânio que os rins poderiam tolerar antes de ficarem comprometidos (Goliszek).

Seis funcionários de um laboratório metalúrgico de Chicago recebem água contaminada com plutônio-239 para beber, para que os pesquisadores saibam como o plutônio é absorvido no aparelho digestivo (Goliszek).

Os pesquisadores começam a usar pacientes dos hospitais de veteranos de guerra como cobaias humanas para experimentos médicos, colocando nos relatórios dos experimentos que os paciente foram apenas “observados” para evitar uma conotação negativa e má publicidade (Sharav).

O público americano, finalmente, descobre que experiências de guerra biológica estão sendo feitas em Fort Detrick a partir de um relatório divulgado pelo Departamento de Guerra (Goliszek).

(1947)
O Coronel E. E. Kirkpatrick da Comissão de Energia Atômica dos EUA (AEC) emite um documento ultra secreto (707.075) datado de 08 de janeiro. Neste documento, ele escreve que “certas substâncias radioativas estão sendo preparadas para a administração intravenosa em seres humanos” (Goliszek).

Um documento secreto da AEC datado de 17 de abril diz: “Nenhum documento que se refere às experiências com seres humanos será liberado, pois podem ter um efeito
adverso na opinião pública ou resultar em processos judiciais”, revelando que o governo dos EUA estava consciente dos riscos que seus testes nucleares representavam para os militares realizando tais testes ou civis que estivessem nas proximidades (Goliszek).

A CIA começa a estudar o potencial do LSD como uma arma usando militares e civis como cobaias para tais experimentos sem o consentimento ou o conhecimento dos mesmos. Eventualmente, tais estudos se transformarão no programa MKULTRA em 1953 (Sharav).


(1947 – 1953) A Marinha dos EUA inicia o Projeto Chatter para identificar e testar os chamados “soros da verdade”, como os utilizados pela União Soviética para interrogar espiões. Entre as várias drogas testadas em seres humanos estão a mescalina e a escopolamina (Goliszek).

(1948)
Baseado nos estudos secretos realizados em residentes de Newburgh, NY, a partir de 1945, pesquisadores do “Projeto F” publicam um relatório no Jornal da Associação Odontológica Americana na edição de agosto de 1948 detalhando os perigos do flúor. A Comissão de Energia Atômica (AEC) rapidamente vetou o artigo alegando razões de “segurança nacional” (Griffiths e Bryson).

(1950)

(1950 – 1953) O Exército dos EUA libera nuvens químicas sobre seis cidades americanas e canadenses. Altas taxas de doenças respiratórias em residentes de Winnipeg, no Canadá, foram relatadas depois que cádmio, um produto químico altamente tóxico, foi lançado no ar (Cockburn e St. Clair, eds.).

Com a finalidade de determinar a suscetibilidade de uma cidade americana a ataques biológicos, a Marinha dos EUA pulveriza uma nuvem contendo a bactéria “Bacillus globigii” sobre o litoral de São Francisco. De acordo com os dispositivos de monitoramento situados na cidade para testar a extensão da infecção, oito mil moradores de San Francisco inalaram ar contendo cinco mil partículas de bactérias causando doenças com sintomas de pneumonia (Goliszek).

O Dr. Joseph Strokes da Universidade da Pensilvânia infecta 200 presos do sexo feminino com hepatite viral para estudar a doença (Sharav).

Médicos do hospital da cidade de Cleveland estudam o fluxo sanguíneo cerebral através da anestesia vertebral. O procedimento consiste em inserir agulhas na veia jugular e na artéria braquial fazendo com que o paciente incline a cabeça para baixo para, então, medir sua pressão arterial. A perda maciça de sangue provoca paralisia e desmaio. Este experimento é feito várias vezes no mesmo paciente (Goliszek).

Dr. D. Ewen Cameron publica um artigo no British Journal of Physical Medicine no qual ele descreve as experiências forçando pacientes esquizofrênicos do Hospital Mental Brandon de Manitoba a deitarem nus sob lâmpadas vermelhas de 15 a 200 watts por até oito horas por dia. Suas outras experiências incluem colocar doentes mentais em uma gaiola elétrica aquecendo sua temperatura corporal interna para 40 graus Celsius e induzir comas dando aos pacientes injeções de insulina (Goliszek).

(1951)

(1951 – 1956) Em contrato com a Força Aérea , o centro do câncer da Universidade do Texas em Houston começa a estudar os efeitos da radiação em pacientes com câncer – muitos deles membros de grupos minoritários ou indigentes – a fim de determinar se a radiação pode tratar o câncer e seus efeitos a longo prazo em pilotos que voam aviões de propulsão nuclear. (Departamento de Energia dos EUA , Goliszek).

(1952)
Chester M. Southam do famoso Instituto Sloan-Kettering, injeta células vivas de câncer em prisioneiros da Prisão Estadual de Ohio para estudar a progressão da doença. Metade dos presos que fazem parte deste estudo patrocinado pelo National Institutes of Health (NIH) são negros, despertando suspeitas raciais decorrentes do estudo em Tuskegee, Alabama onde o estudo também havia sido patrocinado pelo NIH (Merritte, et al.).

(1953 – 1974) A Comissão de Energia Atômica dos EUA (AEC) patrocina estudos com iodo na Universidade de Iowa. No primeiro estudo, os pesquisadores administram de 100 a 200 microcuries de iodo-131 a mulheres grávidas e, em seguida, estudam os fetos abortados a fim de saber em que fase e em que medida o iodo radioativo atravessa a barreira da placenta. No segundo estudo, os pesquisadores administram iodo-131 via oral ou intramuscular a 25 recém-nascidos do sexo feminino e masculino com menos de 36 horas de vida pesando entre 2 e 4 quilos. O estudo tem, por objetivo, medir a concentração de iodo na tireóide dos recém-nascidos (Goliszek).

Como parte de um estudo da AEC, os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Nebraska administram iodo-131 através de uma sonda gástrica a 28 bebês para, 24 horas depois, testar a concentração de iodo na glândula tireóide dos bebês (Goliszek).

(1953 – 1957) Onze pacientes do Hospital Geral de Massachusetts em Boston são injetados com urânio como parte do Projeto Manhattan (Sharav).

Em um estudo patrocinado pelo AEC na Universidade do Tennessee, pesquisadores injetam recém-nascidos saudáveis com três dias de vida com 60 rads de iodo-131 (Goliszek).

Recém-nascido Daniel Burton fica cego quando os médicos do Hospital de Brooklyn realizam um tratamento experimental com altas taxas de oxigênio para tratar a fibroplasia retrolental, uma doença da retina que afeta recém-nascidos prematuros. Os médicos realizam o tratamento experimental, apesar de estudos anteriores mostrarem que altos níveis de oxigênio podem causar cegueira. Testemunhas durante o processo Burton v. Brooklyn Hospital (452 NYS2d875) revelam que pesquisadores continuaram a dar oxigênio a Burton, mesmo depois de seus olhos mostrarem sinais de inchaço extremo (Goliszek, Sharav).

Em um estudo patrocinado pelo AEC para saber se o iodo radioativo afeta bebês prematuros diferentemente de bebês nascidos a termo, pesquisadores do Harper Hospital em Detroit administram dar doses orais de iodo-131 a 65 recém-nascidos (Goliszek ).

(1955 – 1957) Com a finalidade de aprender como o clima frio afeta a fisiologia humana, pesquisadores administram 200 doses de iodo-131, um marcador radioativo que se concentra quase que imediatamente na glândula tireóide, a 85 esquimós saudáveis e 17 índios Athapascan que vivem no Alaska. Pesquisadores estudam o iodo-131 dentro do corpo através de amostras de sangue, tecido da tireóide e amostras de urina e saliva. Devido à barreira da língua, ninguém menciona aos indivíduos a natureza do estudo (Goliszek).

(1957)

(1957 – 1964) Como parte do programa MKULTRA, a CIA paga ao fundador do Departamento de Psiquiatria da McGill University, Dr. D. Ewen Cameron, U$ 69.000 para realizar estudos com LSD em canadenses em tratamento para depressão pós-parto e ansiedade. A CIA incentiva Dr. Cameron a explorar a sua teoria de corrigir a loucura apagando a memória da pessoa e reescrever a psique. Estes experimentos envolvem electrochoque e indução de estados vegetativos por até três meses. A maioria dos pacientes do Dr. Cameron sofreram danos permanentes como resultado do seu trabalho (Goliszek, Ewan Cameron Donald”).

A fim de estudar o fluxo sanguíneo através dos cérebros das crianças, os pesquisadores do Hospital Infantil da Filadélfia realizam o seguinte experimento em crianças saudáveis, com idade entre 3 e 11 anos de idade: agulhas são inseridas na artéria femoral da criança (localizada na coxa) e na veia jugular (localizada no pescoço). A criança deve, então, inalar um gás especial através de uma máscara. (Goliszek).

(1962)
O FDA começa a exigir que um novo medicamento passe por três testes clínicos em humanos antes de receber aprovação. De 1962 a 1980, as empresas farmacêuticas satisfazem esta exigência, executando os testes da fase I, que determinam a toxicidade da droga, em presidiários, dando-lhes pequenas quantias de dinheiro como compensação (Sharav).

(1963)
Chester M. Southam, que injetou presos na penitenciária de Ohio com células vivas de câncer em 1952, realiza o mesmo procedimento em 22 idosas negras no hospital Judeu do Brooklyn para analisar a sua resposta imunológica. Southam informa aos pacientes que estão recebendo “algumas células”, mas deixa de fora o fato de que são as células de câncer. Ironicamente, ele se torna presidente da American Cancer Society (Greger, Merritte, et al.).


Pesquisadores da Universidade de Washington irradiam os testículos de 232 detentos a fim de determinar os efeitos da radiação na função testicular. Depois destes presos deixarem a da prisão, pelo menos quatro deles têm bebês com defeitos congênitos. O número exato é desconhecido, porque os pesquisadores não acompanharam os homens para ver os efeitos a longo prazo da experiência (Goliszek).

(1963 – 1966) O pesquisador da Universidade de Nova York Saul Krugman promete aos pais de crianças com deficiência mental matrícula na escola estadual Willowbrook School em Staten Island, Nova Iorque, que é uma instituição crianças com retardo mental, em troca de consentimento para procedimentos apresentados como “vacinas”. Na realidade, tais procedimentos envolviam infectar crianças com hepatite viral, alimentando-lhes um extrato feito a partir de fezes de pacientes infectados, de modo que Krugman poderia estudar o curso da hepatite viral, bem como a eficácia de uma vacina contra a doenva (Hammer Breslow).

(1963 – 1971) Pesquisadores injetam um componente genético chamado timidina radioativa em testículos de mais de 100 detentos da Penitenciária do Estado do Oregon para saber se a produção de esperma é afetada pela exposição aos hormônios esteróides (Greger).

Em um estudo publicado na revista Pediatrics, os pesquisadores da Universidade da Califórnia no Departamento de Pediatria usam 113 recém-nascidos com idade variando de uma hora a três dias de vida para estudar alterações na pressão arterial e fluxo sangüíneo. Em um estudo, os doutores introduzem um cateter através da artéria umbilical do recém-nascido e outro cateter na aorta e, em seguida, mergulham os pés dos recém-nascidos em água com gelo para tirar a pressão aórtica. (Goliszek).

(1964 – 1967) A Companhia Dow Chemical Company paga $ 10.000 ao Professor Kligman para estudar como a dioxina – um componente altamente tóxico e cancerígeno do colorante laranja – e outros herbicidas afetam a pele humana. Os trabalhadores da companhia estavam desenvolvendo uma acne e a empresa gostaria de saber se a causa desta acne era a dioxina. Para estudar tal componente, o Professor Kligman aplica na pele de 60 prisioneiros a mesma quantidade de dioxina a que os empregados da companhia são expostos e fica decepcionado quando descobre que os presos não apresentam sintomas da acne. Em 1980 e 1981, as cobaias humanas utilizadas neste estudo processaram o professor Kligman por complicações tais como lúpus e danos psicológicos (Kaye).


E a Bioética com isso?

A discussão sobre a pesquisa científica em humanos e pelo que já foi dito é possível perceber que esse é um assunto bem polêmico, uma vez que por mais cruéis que algumas dessas experiências possam ser, seus resultados em alguns casos são de bastante utilidade para a comunidade científica e a humanidade como um todo. Bem, chegamos a um ponto em que as opiniões divergem bastante, e para tentar estabelecer uma diretriz sobre quais estudos são eticamente corretos e quais são antiéticos é que a Bioética atua nessa área da ciência.

A Bioética, por meio de Comissões de bioética, Comitês de Ética e Congressos científicos, busca encontrar um meio-termo entre a busca pelo conhecimento científico e os valores humanos. Dessas reuniões e congressos sugiram alguns códigos bioéticos que, embora não sejam leis, servem para direcionar o comportamento dos cientistas a respeito do que pode ou não ser feito, bem como estabelecer um protocolo para que a pesquisa com humanos não seja tão absurda, como fora outrora.

Dentre esses documentos criados estão o Código de Nuremberg e a Declaração de Helsinque.

1. O CÓDIGO DE NUREMBERG

Este foi o primeiro a determinar as diretivas para a experimentação em seres humanos. Surge em 1947, após a 2ª Guerra Mundial, logo após que tornaram-se de conhecimento público as barbáries que aconteceram nas experiências realizadas pelos médicos nazistas. O Código de Nuremberg é constituido de dez pontos, os quais definem com clareza e objetividade as condições de experimentação com seres humanos.

Já no primeiro tópico do Código de Nuremberg fica claro que o consentimento do voluntário é essencial para que ele possa ser cobaia em uma pesquisa. Além disso, para que haja o consentimento, os cientistas devem informar ao voluntário quais os reais propósitos do estudo, os métodos que serão usados, bem como as chances de haver algum efeito adverso, provocado pelos procedimentos do estudo. Esse consentimento esclarecido representa um dos mais importantes pontos em favor do respeito e da dignidade do ser humano.

Os demais pontos desse código dizem que a realização do experimento deve ter uma causa justificada, não podendo aleatório e desnecessário. Além disso, todas as etapas devem ser acompanhadas de perto por um especialista, de forma que a qualquer momento, se a integridade do voluntário for ameaçada, o experimento deve ser interrompido. Para você que se interessou no assunto e quer saber um pouco mais do Código de Nuremberg, clique aqui e leia todos os artigos desse código.

2. DECLARAÇÃO DE HELSINQUE

Este é um documento que reune uma série de princípios éticos que regem a pesquisa com seres humanos. Foi redigida pela Associação Médica Mundial em 1964, durante a 18ª Assembleia Médica Mundial, em Helsinque, Finlândia. Foi revisada por 6 vezes, sendo a última revisão feita em outubro de 2008.

Entre os seus princípios básicos estão os que dizem que cada passo da experimentação deve ser aprovado por um comitê especialmente nomeado para essa função, que a pesquisa deve ser conduzida por pessoas com qualificação científica e sobre a supervisão de um médico clinicamente competente, o qual será responsável pela integridade do indivíduo de pesquisa durante o estudo. Além disso todo estudo com seres humanos deve ser precedido de uma cuidadosa avaliação dos riscos previsíveis em comparação com os benefícios previsíveis. Segundo a declaração o direito da cobaia humana de salvaguardar sua integridade deve ser sempre respeitado.

A declaração também faz uma diferenciação da Pesquisa Clínica e Não-Clínica. Na primeira, a pesquisa tem fins terapêuticos, ou seja, a finalidade de melhorar o estado do paciente. Na segunda, a pesquisa tem o objetivo de adquirir um novo conhecimento ou validar uma hipótese. Neste caso, ela não visa um benefício direto para o paciente, no entanto, não pode causar-lhe nenhum prejuízo: esse é o pricípio da não-maleficência.

Estes são apenas dois dos vários documentos que servem de base para a experimentação com humanos. Pelo que foi dito é possível perceber que a Bioética trabalha para que o uso de pessoas como cobaias seja feito de uma forma mais responsável e que a integridade física e mental da vida humana seja vista como mais importante que os resultados que vierem a ser obtidos na pesquisa.

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Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA intensificaram seus "cuidados"com países inimigos. Medidas defensivas não eram suficientes e logo começaram a usar drogas ofensivas para obter informações, ganhar controle dos agentes inimigos e aplicar técnicas coercivas de interrogação. A CIA, então, iniciou programas de experimentação humana, controle da mente e modificação do comportamento.
Nos fins dos anos 1940, os programas para o estudo do comportamento humano começaram. No início apenas sujeitos dispostos eram recrutados, mas em seguida não-voluntários inadvertidos também foram incluídos, com a finalidade de testar agentes químicos e biológicos. Entre esses agentes estava o LSD (Ácido Lisérgico). Com os estudos, o ácido deixou de ser um meio passivo de coagir alguém a falar, e passou a ser uma arma psicológica ofensiva usada para obter informações de uma fonte inadvertida, perturbando ondas cerebrais, confundindo padrões de pensamento, alterando comportamentos, e quebrando a resistência.
O MKULTRA era um desses projetos da CIA, e tinha a finalidade de pesquisar e desenvolver materiais químicos, biológicos e radiológicos, para serem usados em operações clandestinas e terem capacidade de controlar ou modificar o comportamento humano. Os testes eram realizados tanto em voluntários quanto em indivíduos inadvertidos. Usavam métodos abusivos para requisitar novos voluntários, inclusive oferecendo a jovens voluntários, que cumpriam penas por transgressões, a droga de seu vício para que colaborassem como cobaias em seu experimento. Havia também subprojetos, que envolviam hipnose, psicoterapia, estudos poligráficos, soros da verdade, patógenos e toxinas em tecido humano, gotas para nocautear, e testes ou administração de drogas às ocultas.


Além dos supracitados, a sala do sono foi mais um dos programas realizados pela CIA. Usando choques físicos, mensagens repetidas, privação sensorial, drogas e radiação para obter uma "despadronização". A despadronização consistia na indução da mudança de comportamento e na memória, promovendo uma personalidade nova masi sadia. Crianças do México e da América do Sul, foram usadas não apenas como cobaias, mas também como agentes sexuais, com a finalidade de fazer chantagem com pessoas de altos cargos no Estudo, para manter a sua pesquisa. As crianças foram usadas por serem consideradas sacrificáveis. Relatos mostram que elas sofreram lavagem cerebral com o objetivo de se tornarem espiãs, ou um soldado perfeito.


Há uma certa semelhança entre alguns filmes e seriados com os relatos acima. Dark Angel uma série, que relata a historia de Max, uma mulher que quando criança foi usada para criar uma espiã perfeita, é um bom exemplo de como a arte imita a vida. As atrocidades pelas quais essas crianças passaram trazem danos quase irremediáveis as suas personalidades. Raramente são capazes de confiar em outrém, ou ter uma relação bem sucedida.


Você é um homem ou um rato?

Conheça melhor o perfil das cobaias humanas


Uma cena bastante comum no nosso dia-a-dia é ir a uma farmácia e comprar um medicamento para dor de cabeça, por exemplo. O que não nos damos conta é que antes de chegar às prateleiras dos estabelecimentos comerciais esses fármacos passaram por uma série de testes, inicialmente em animais e depois em humanos, que diariamente servem de cobaias em experimentos científicos.

Esse é apenas um exemplo do uso de humanos como cobaias, ou “voluntários”, como preferem os pesquisadores, por considerarem o termo cobaia um tanto quanto perjorativo.

Existe uma série de motivos que podem levar uma pessoa a se voluntariar para a participação em uma experiêcia. Entre os mais comuns estão: dinheiro, saúde e até mesmo o altruísmo. No Brasil o dinheiro como motivação não é legal. Em nosso país é proibido o pagamento de cobaias para que estes participem de pesquisas. Por aqui o órgão responsável pela aprovação de pesquisas com o uso de voluntários é a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

No entanto em alguns países, como nos EUA, o uso de pessoas em pesquisa é algo bastante comum, sendo que estes voluntários recebem para participar dos estudos, fazendo de cobaia humana sua “profissão”. “‘Por um vidrinho de sangue, pagamos US$30’, conta o hematologista goiano Rodrigo Calado, pesquisador no estado americano de Maryland do Instituto Nacional de Saúde, agência do governo dos EUA”.¹ Em época de crise da economia mundial o preço pago para se ser voluntário em estudos científicos são bastante interessantes, o que acaba atraindo as pessoas, principalmente aquelas que possuem menor poder aquisitivo.

É claro que a facilidade de se participar de um estudo como sujeito de pesquisa não elimina os riscos de ser cobaia. No entanto, hoje em dia as condições dos voluntários está um pouco melhor, no que diz respeito aos procedimentos a que são submetidos e até mesmo na assistência que recebem durante e após os estudos.

Pelo menos em alguns lugares são assim, normalmente isso só acontece em países desenvolvidos. Mas, nem sempre foi assim. É de conhecimento geral o sofrimento a que foram submetidos os comunistas, social-democratas, ciganos, testemunhas de Jeová, homossexuais e judeus, os quais aprisionados em campos de concentração nazistas foram submetidos a alguns dos mais cruéis experimentos com humanos que se tem notícia. Tais experimentos, feitos em nome do avanço da ciência, avaliavam a resistência do ser humano ao congelamento, ao afogamento, à altitude e a venenos, que normalmente levavam a cobaia (que nesses casos, nem de longe eram voluntárias) à morte. Após o fim do nazismo, com a derrota da Alemanha na II Guerra Mundial, e com a revelação dos arquivos nazistas, criou-se em 1947, o código de Nuremberg. Esse código foi o primeiro passo para tornar a experimentação com humanos mais justa.

Um outro caso famoso de um infeliz estudo com humanos é o caso Tuskegee. Um estudo realizado com 600 homens negros, sendo 399 com sífilis e 201 sem a doença, feito na cidade de Macon, Alabama, EUA.


O objetivo dos pesquisadores era estudar a evolução da doença, quando não se aplicava nenhum tipo de tratamento. Vale ressaltar que em 1929, um estudo norueguês, relatava a partir de dados históricos mais de 2000 casos de sífilis sem tratamento. A pesquisa que se estendeu por 40 anos (1932-1972) teve logicamente um aspecto positivo para a ciência, pois muito do que se conhece a respeito da sífilis, vem dos conhecimentos adquiridos desse estudo. Fato que não justifica o uso de vidas humanas em estudos inescrupulosos como esse. Curioso é o fato de que desde 1943 conhecia-se o poder da penicilina no tratamento da sífilis, e mesmo assim nenhum tratamento foi administrado para os quase 400 homens doentes dessa pesquisa. Mais curioso ainda, é a contradição existente entre os norte-americanos, que em nome do avanço científico deixam negros morrerem de sífilis, omitindo-se de qualquer forma de tratamento, e os norte-americanos, que em 1947 condenaram veementemente os procedimentos nazistas, criando o código de Nuremberg.
Após citar dois casos extremos do uso de sujeitos de pesquisa, voltemos a falar da situação das cobaias humanas atualmente.

Hoje em dia é possível por meio da própria Internet tornar-se voluntário de um experimento. Dentre os “classificados da ciência”¹ esta o Biotrax.com. Ao acessar o site, coloquei os meus dados como sendo um morador de Washington, EUA, e como sendo saudável, informações que foram suficentes para derecionar-me a uma página que apresentava 12 estudos nos quais eu poderia me inscrever como voluntário. Mas não para por aí, um outro site Drugspay.com, inspirado na onda de fazer da condição de sujeito de pesquisa uma profissão, ensina como conseguir até US$ 34 mil por ano (um bom incremento na renda familiar, não?) apenas participando de pesquisas. O próprio autor do site afirma já ter tomado mais de 750 remédios em fase de experimento, além de já ter tirado mais de 1500 amostras sanguíneas para estudos.

“E se participando de uma pesquisa, o voluntário sofrer algum dano, como por exemplo uma sequela consequente de um efeito adverso da droga administrada?” Para esses casos a legislação garante o pagamento de idenizações às cobaias que forem prejudicadas. Seria ideal que isso acontecesse em todos os países, mas quase sempre fica restrito aos países de primeiro mundo. Aproveitando-se dessa brecha na legislação de alguns lugares, laboratórios e centros de pesquisa tem transferido seus estudos para regiões com a população mais vulnerável.

Por população vulnerável podemos entender: crianças, idosos, doentes, prisioneiros, indígenas, e ainda a população residente em países pobres, como a Índia e alguns dos países africanos. Nesses locais, encontramos pessoas sem condições financeiras e que por esse motivo estão dispostas a abrir mão de sua integridade física, muitas vezes já debilitada, em troca de dinheiro, e por isso facilmente se voluntariam como cobaias em pesquisas.

Apesar dos casos noticiados de efeitos adversos surgidos a partir de experimentação com humanos, sabemos que essa é uma atividade que ainda é bastante necessária, visto que sem a experimentação, não é possível garantir que um medicamento, por exemplo, não causará danos, ao invés de curar. O que se critica é a falta de fiscalização, fato que motiva as empresas farmacêuticas a agirem de forma nada ética, explorando vidas humanas, como se fossem ratos de laboratórios. Vale lembrar que na maioria dos casos, a vida das cobaias, desde que sejam seguidos todos os protocolos de segurança que os estudos exigem, não é posta em risco.





Referências:

Zuben, Newton Aquiles von. (2007). As investigações científicas e a experimentação humana: aspectos bioéticos. Bioethikos, Centro Universitário São Camilo - 2007;1(1):12-23.
Goliszek, Andrew. Cobaias Humanas: a história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência - Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

Goliszek, Andrew. Cobaias Humanas: a história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência - Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

1) Menai, T. (Maio de 2010). Vida de Cobaia. Super Interssante, p.56.

2) Petry, A. (2010, 21 de Julho). O Labirinto é a Saída. Veja, p. 102.

3) Golsim, J.R. (1999). O caso Tuskegge: quando a ciência se torna eticamente inadequada. Acessado em: 22 de dezembro de 2010, em: http://www.ufrgs.br/bioetica/tueke2.htm.




Fonte: Molina , Vermelho

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O novo Mandela



Uri Avnery Column






Máruan Barghúti falou firme e forte, na 5ª-feira. Depois de longo silêncio, chega agora a sua mensagem, enviada da prisão.


A ouvidos israelenses, não é mensagem que soe agradável. Mas a ouvidos palestinos e árabes em geral, faz pleno sentido. A mensagem de Barghúti pode bem tornar-se o novo programa do movimento palestino de libertação.

Conheci Barghúti no auge do otimismo pós-Oslo. Ele emergia como líder de uma nova geração palestina, jovens ativistas, mulheres e homens, forjados e amadurecidos na 1ª Intifada. É homem pequeno de estatura, de grande personalidade. Quando o encontrei, já era o líder da Tanzin (“organização”), o grupo jovem do movimento Fáteh.

O tópico de nossas conversas era, então, a organização de manifestações e ações não violentas, baseadas em estreita cooperação entre grupos pacifistas palestinos e israelenses. Nosso objetivo era a paz entre Israel e o novo Estado da Palestina.

Quando o processo de Oslo morreu, com os assassinatos de Yitzhak Rabin e de Iássir Árafate, Máruan e sua organização passaram a ser alvos vivos. Sucessivos líderes israelenses – Binyamin Netanyahu, Ehud Barak e Ariel Sharon – decidiram por fim à agenda dos Dois Estados. Na brutal “Operação Escudo Defensivo” (lançada pelo Ministro da Defesa Shaul Mofaz, novo chefe do Partido Kadima), a Autoridade Palestina foi atacada, seus serviços destruídos e muitos de seus ativistas presos.

Máruan Barghúti foi levado a julgamento. Alegava-se que, como líder da Tanzim, fora responsável por vários ataques “terroristas” em Israel. O seu julgamento foi uma farsa, lembrando mais uma arena romana de gladiadores que um processo judicial, com a sala cheia de direitistas ululantes, que se apresentavam como “vítimas do terrorismo”. Membros do Bloco da Paz [Gush Shalom] protestaram contra o julgamento dentro do edifício do tribunal, mas não permitiram que nos aproximássemos do réu.
Máruan recebeu cinco sentenças de prisão perpétua. A fotografia em que aparece com as mãos algemadas erguidas sobre a cabeça tornou-se ícone nacional palestino. Quando visitei sua família em Ramállah, a fotografia lá estava, emoldurada, numa parede da sala-de-estar.

Na prisão, Máruan Barghúti foi imediatamente reconhecido como líder de todos os prisioneiros ligados ao Fáteh. E é respeitado também pelos ativistas do Hamás. Juntos, os líderes aprisionados das duas facções tornaram públicas várias declarações de apelo à unidade palestina e à reconciliação. Foram distribuídas fora da prisão e recebidas com admiração e respeito.


(Outros membros da numerosa família Barghúti, a propósito, desempenham importantes papéis na cena palestina, num amplo espectro que vai de moderados a extremistas. Um deles é Mustápha Barghúti
[1], médico, líder de um grupo palestino com muitas conexões no exterior, com quem me encontro regularmente nas demonstrações de Bílin e alhures. Uma vez, brinquei que sempre choramos quando nos vemos... por causa do gás lacrimogêneo. A família tem raízes num grupo de aldeias ao norte de Jerusalém.)
Hoje, Máruan Barghúti é considerado o mais importante candidato a líder do Fáteh e a presidente da Autoridade Palestina, depois de Máhmude Ábbas: é das poucas personalidades em torno da qual todos os palestinos, do Fáteh ou do Hamás, podem unir-se.

Depois da captura do soldado israelense Gilad Shalit, quando se discutia sobre a troca de prisioneiros, o Hamás pôs Máruan Barghúti na cabeça da lista dos prisioneiros palestinos cuja soltura era pedida em troca do soldado Gilad. Foi gesto incomum, de vez que Máruan pertencia à facção rival, que o Hamás rejeitava publicamente (e asperamente).
Mas foi o primeiro nome a ser cortado da lista pelo governo israelense, que se manteve inflexível. Quando Shalit foi enfim libertado, Máruan continuou na prisão. Obviamente, ele é tido como mais perigoso que centenas de “terroristas” do Hamás, que têm “sangue nas mãos”.

Por quê?


Os mais cínicos responderiam: porque Máruan quer a paz. Porque está associado à Solução Dois Estados. Porque pode unificar o povo palestino em torno de tal propósito. Todas essas são ótimas razões para que qualquer Netanyahu o mantenha atrás das grades.


Afinal, o que Máruan disse ao seu povo esta semana?


É bem visível que sua atitude endureceu. Pode-se portanto pressupor que endureceu também a atitude dos palestinos em geral.


Máruan convoca para uma 3ª Intifada, levante não violento de massas, no espírito da Primavera Árabe.


O Manifesto é rejeição clara e direta da política de Máhmude Ábbas, que mantém limitada, mas importante, cooperação com as autoridades israelenses de ocupação. Máruan pede ruptura total com quaisquer formas de cooperação, econômicas, militares ou outras.


Ponto focal dessa cooperação a ser rompida é a colaboração no dia-a-dia dos serviços de segurança palestinos (treinados pelos norte-americanos) com as forças de ocupação israelenses. Esse arranjo efetivamente pôs fim a ataques palestinos violentos nos territórios ocupados e em Israel. Mas, na prática, garante a segurança dos crescentes assentamentos israelenses na Cisjordânia.


Máruan também clama por boicote total de Israel, em todo o mundo, das instituições israelenses e de produtos dos territórios ocupados. Produtos israelenses devem desaparecer das lojas na Cisjordânia.


Ao mesmo tempo, Máruan advoga um fim oficial para a farsa das “negociações de paz”. A expressão, a propósito, já é tabu entre direitistas e, também, entre a maioria dos “esquerdistas”. Politicamente, é veneno. Máruan propõe oficializar a total ausência de qualquer negociação de paz. Basta de conversações internacionais sobre “reviver o processo de paz”. Basta de correria em volta de personagens ridículos, como Tony Blair. Basta de anúncios feitos por Hillary Clinton e Catherine Ashton. Basta de declarações vazias do “Quarteto”. Visto que o governo israelense abandonou claramente a Solução Dois Estados – de fato, jamais a aceitou realmente – insistir nessa reivindicação fragiliza a luta dos palestinos.


Em vez dessa hipocrisia generalizada, Máruan propõe renovar a batalha nas Nações Unidas. Primeiro, requerer outra vez ao Conselho de Segurança que acolha a Palestina como estado-membro da ONU, desafiando os EUA a ter de usar o seu veto solitário contra praticamente o mundo inteiro. Depois de o requerimento dos palestinos ser rejeitado no Conselho, como provavelmente será rejeitado pelo veto dos EUA, recorrer à Assembleia Geral, onde a vasta maioria votará a favor. Embora a decisão da Assembleia Geral não seja vinculante, ela demonstrará que a liberdade da Palestina conta com o apoio massivo da família das nações; o que isolará ainda mais Israel (e os EUA).


Paralelamente a esse curso de ação, Máruan insiste na unidade palestina; nessa direção, aplica sua considerável força de pressão moral sobre o Fáteh e o Hamás.


Em suma, Máruan Barghúti desistiu de esperar alcançar a liberdade palestina mediante cooperação com Israel, mesmo com forças israelenses de oposição. Já não se fala de aliança com o movimento pacifista israelense. “Normalização” tornou-se palavrão.


Essas ideias não são novas, mas, vindas agora do prisioneiro palestino n. 1, do mais importante candidato à sucessão de Máhmude Ábbas, do herói das massas palestinas, significa uma reviravolta na direção de ação mais militante, em substância e tom.


Máruan permanece orientado na direção da paz – o que deixou claro quando, em rara aparição recente no tribunal israelense, declarou a jornalistas israelenses que continua a apoiar a Solução Dois Estados. Também está comprometido com ação não violenta, depois de concluir que os ataques violentos do ano passado prejudicaram a causa palestina, mais do que a fizeram avançar.


Máruan quer o fim do gradual e sempre indesejável deslizamento da Autoridade Palestina em direção a um colaboracionismo de estilo Vichy, ao mesmo tempo em que permanece intocável a expansão da “empresa assentamento” israelense.

Não por acaso, Máruan divulgou seu Manifesto na véspera do “Dia da Terra”, 6ª-feira, 30 de março, a data mundial de protesto contra a ocupação israelense na Palestina.


O “Dia da Terra” marca evento de 1976, de protesto contra a decisão do governo israelense de desapropriar enormes extensões de terra pertencentes a árabes na Galileia e em outras partes. O exército de Israel atirou contra os manifestantes, matando seis deles.


No dia seguinte, dois amigos meus e eu próprio pousamos coroas de flores nas sepulturas das vítimas, ato que gerou contra mim explosão de ódio, escárnio e violência que raramente experimentei.


O “Dia da Terra” foi evento-chave para os cidadãos árabes de Israel, tornando-se mais tarde um símbolo para os árabes em toda parte. Este ano, o governo Netanyahu ameaçou atirar em todos que se aproximarem das fronteiras. Poderá bem ser um presságio, ou os primeiros movimentos da 3ª Intifada preconizada por Máruan.

Nos últimos tempos, o mundo parece ter-se desinteressado da Palestina. Tudo parece quieto. Netanyahu conseguiu desviar a atenção do mundo, da Palestina para o Irã. Mas nada em Israel é estático. Enquanto parece que nada está acontecendo, os assentamentos crescem incessantemente, e por isso cresce também o ressentimento dos palestinos, consternados com o que veem.


O Manifesto de Máruan Barghúti, lançado ontem, expressa os sentimentos quase unânimes dos palestinos na Cisjordânia e em toda a parte.


Como no caso de Nelson Mandela na África do Sul do apartheid, o prisioneiro pode ser mais importante que os líderes ativos do lado de fora.





Fonte: Irã News
Imagem: Google (colocadas por este blog)
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