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sábado, 14 de abril de 2012

Hillary Clinton diz que discutirá Irã e Síria em visita ao Brasil


A situação na Síria e no Irã estarão na agenda da visita que a secretária de
Estado americana, Hillary Clinton, fará ao Brasil na próxima semana.

Durante um evento nesta quinta-feira na Casa Branca, Hillary Clinton disse sua viagem a Brasília tratará de "temas globais".

"Quando eu for ao Brasil na semana que vem, minhas conversas serão sobre os grandes desafios da atualidade, da Síria e o Irã ao crescimento e desenvolvimento", afirmou.

A abertura de Hillary Clinton para falar do assunto contrasta com o silêncio sobre essas questões mantido durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington nesta semana.

Brasil e EUA se opõem nos dois temas, sendo que em ambos Brasília rejeita medidas de sanções defendidas por Washington.

Em relação à Síria, o governo brasileiro chegou a votar na ONU a favor de uma declaração pedindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad, no fim de fevereiro. No entanto, o Brasil não adota sanções, como fazem EUA e União Europeia.

Já a posição brasileira em relação ao Irã – acusado pelos EUA e a UE de usar seu programa nuclear para fins militares – é a de que as sanções aplicadas sobre o petróleo iraniano são "extremamente perigosas", como disse a presidente Dilma Rousseff no mês passado.

Existe, entre os diplomatas brasileiros, um ressentimento com o tratamento recebido da maior potência mundial quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu chanceler, Celso Amorim, negociaram junto com a Turquia um acordo com o Irã para troca de combustível nuclear, em 2010.

Hillary Clinton supostamente soube do acordo em primeira mão. Mas nas horas seguintes ao anúncio, a secretária de Estado desestimou a ação brasileira e turca e pressionou por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Defendendo em ambos os casos o que Dilma Rousseff chamou em Washington de "diplomacia determinada", ou seja, disposta a encontrar soluções negociadas, os diplomatas brasileiros dão a entender que as tratativas levadas adiante pelas potências mundiais não têm o objetivo real de chegar a um acordo.

Ator global

Do ponto de vista brasileiro, o envolvimento em questões relativas ao Oriente Médio diz respeito ao reconhecimento do papel global do país.

Embora reconheça e inclusive coopere com o Brasil em várias questões globais – por exemplo, em biocombustíveis e agricultura na África – o governo americano nunca expressou apoio firme a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Nesta semana, Dilma fez uma visita considerada de baixo perfil a Washington e a Boston. Em conversa com jornalistas, a presidente disse que o Irã não foi assunto do encontro entre ela e Barack Obama.

Não comentado oficialmente, analistas notaram que o Brasil não recebeu o status de visita de Estado conferido pelos EUA à China e à Índia.

Entretanto, os dois países insistem que possuem um diálogo global, expressado pela agenda de Hillary Clinton no Brasil.

Na próxima segunda-feira, em Brasília, ela encabeçará a delegação americana no Diálogo de Parceria Global Brasil-Estados Unidos, um fórum bilateral que discute temas que vão desde desenvolvimento e educação, a política global e a situação econômica.

Na terça-feira, a secretária americana participará do primeiro encontro anual de alto nível da Parceria Governo Aberto, uma iniciativa para promover a transparência e a prestação de contas entre 54 governos, um quarto deles latino-americanos.

Hillary Clinton também deve se reunir com representantes do setor privado.

Antes da viagem ao Brasil, ela e o presidente americano, Barack Obama, estarão entre as autoridades que farão parte da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, no fim de semana.





Fonte: DefesaNet

sexta-feira, 13 de abril de 2012

As insurreições no Oriente Próximo e as tentativas imperialistas de desestabilizar a região

INTERVENÇÃO DE LEILA GHANEN NO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DOS 90 ANOS DO PCB

Mais uma vez o Oriente Médio (o Mundo Árabe, em específico), mostra que é capaz de gerar movimentos de resistência (Líbano, Iraque, Palestina), de transformar as aventuras coloniais em derrotas militares categóricas e dar início a um ciclo de revoltas populares (e se trata de um ciclo que foi interrompido pelo Escudo do Golfo[2]) no Iêmen, Jordânia, Bahrein, Marrocos, ocasionando uma intervenção militar imperialista na Líbia e as tentativas ainda em curso na Síria... Desde então estes eventos não são mais um assuntolocal e seu impacto diz respeito a todos nós...


Faço, aqui, uma distinção na minha análise entre os casos sírio e líbio, sujeitos a manobras colonialistas específicas do eixo EUA / França / Escudo do Golfo.


I - O impacto estratégico das revoltas no Oriente Próximo e as tentativas de desestabilizar os estados da região

É claro que estas insurreições se espalham em escala internacional através da crônica jornalística. Os efeitos das ressonâncias são propagados nas metrópoles capitalistas até Wall Street e não é por acaso que dois grandes países (EUA e França) conduzem suas batalhas eleitorais sob o signo dessas revoltas.

Na ocasião de sua campanha eleitoral, Obama anunciou seu plano para “estabilizar e modernizar as economias egípcia e tunisiana”. Também, por ordem de Washington, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional discutirão este projeto na cúpula G-8, em 26-27 de mai, na França. Obama, ainda, anuncia que os Estados Unidos estão criando “fundos empresariais para investimentos de empresas no Egito e Tunísia, como o modelo do que foi sustentado na transição da Europa Oriental”[3]. O Egito e a Tunísia ainda não superaram a sujeição às potências ocidentais, representada nos planos de reajustes estruturais que foram a origem externa das revoltas que estouraram nestes dois países e que queremos transformar em laboratórios deste “novo plano econômico neocolonial”[4]. O auxílio concedido a estes projetos não excedem 1 milhão de dólares e vai apertar ainda mais o garrote da dívida[5]. Mas, este projeto foi amplamente contestado no Egito[6], onde se viu várias iniciativas, inclusive uma autorização nacional feita por um sheik, para coletar localmente este dinheiro. O povo egípcio sabe agora que seu país foi pilhado de cima a baixo. Um dos instigadores da revolta estava de acordo a respeito do gás (o que decorre dos tratados de Camps David) em favor do qual o Egito se obrigou a vender seu gás a Israel três vezes mais barato do que o preço de mercado, ou seja, é ele que dá um presente a Israel de 3 bilhões de dólares por ano[7]. Logo, não apenas poderíamos passar sem a ajuda americana, mas ainda utilizar o 1,5 bilhão dado a Israel, para desenvolver uma distribuição energética em um país em que 20% da população vive sem nenhum acesso à energia. Outros acordos, tais como o Quiz, concedem a Israel uma quota de 11,4% sobre os investimentos ditos “pesados”.[8]

Sarkozy conduz sua batalha eleitoral na França sob o signo destas “revoluções”, empunhando a importância do papel que ele desempenhou na Líbia e da necessidade, no momento de crise, do patronato francês (MEDES e o arsenal militar e bancário...) definir um novo modelo para a saúde pública. Além disso, Paris se tornou a capital de uma oposição síria marginalizada no interior e corrompida pelo dinheiro do Qatar.

O paradoxo é que o “Escudo do Golfo”, à frente do qual se encontram Qatar e Arábia Saudita, age também para armar a oposição síria e libanesa, para financiar Annahda na Tunísia e a Irmandade Muçulmana no Egito, mas ao mesmo tempo financiar a campanha da direita na Europa, sobretudo a de Sarkozy, que utiliza a ira racista anti-imigração árabe como cavalo de batalha de sua campanha para se aliar à extrema direita. Isso nos leva a uma outra batalha de classe que transpassa as terras francesas. A imigração árabe na Europa desempenha um papel importante nas lutas sociais, assim como na luta anti-colonial na Palestina (campanha BDS, barcos para romper o cerco à Gaza).

II – O que quer esta coalizão de bandidos (EUA, Israel, Direita Europeia, Arábia Saudita, Qatar)?

Além das razões estratégicas evidentes de controlar as “torneiras” do petróleo e de separar a China da Eurásia (assim se mostra na batalha contra a Síria)... Ela tem por propósito, pura e simplesmente:

1. sufocar, por todos os meios, todas as formas de revolta, impedindo o processo revolucionário na Tunísia e no Egito, mantendo estes dois países dentro da submissão entreguista e a pauperização na “economia de bazar”. Os 20 milhões de egípcios que foram às ruas são um fato de uma importância histórica inegável, forçosamente tornando-se exemplo em escala regional e onde quer quea crise do capitalismo se projete mais duramente.

2. desestabilizar o Egito, que ocupa um lugar de liderança no Mundo Árabe, mantendo o status quo maldito criado pelos acordos de Camp David (os quais estão ligados aos acordos de Oslo, Camps David II, etc...)[9]

3. Atacar a Líbia e a Síria.

4. Isolar o Irã, minando sua base popular na região (para isso: 1- a revolta xiita do Bahrein foi afogada em sangue; 2 - a oposição iemenita foi sabotada, depois de ter afastado Ali Abdalah Saleh, mas ter mantido toda sua família e seu clã no poder; 3 – os fascistas libaneses, aliados de Israel, foram armados contra a resistência libanesa do Hezbollah, uma vez que os EUA se recusaram a vender armas ao exército legal libanês, culpado de ter repelido uma agressão israelense a suas fronteiras. E enfim, incitar e armar uma resistência islamo-fascista na Síria.

5. Desarmar a resistência libanesa que mudou o jogo no Oriente Próximo, desafiando um dos mais formidáveis exércitos do mundo[10] e que constitui uma ameaça real contra o Estado colonialista de Israel. Esta resistência se tornou o alvo principal da aliança de bandidos americana-israelense, sobretudo porque ela deu um incrível exemplo histórico, revivendo os métodos vietcongues que já fizeram soar o dobre de finados para os ianques na Ásia e, sobretudo, para romper o muro de medo, apesar da correlação de forças desfavorável[11], decidindo lutar , ou "para escolher a morrer de pé", como dizemos no nosso jargão local.

Esta resistência é particularmente visada, ​​não por seu caráter religioso, mas porque é de natureza anticolonial. Kissinger havia dito: "Nós não temos medo do Islã político, mas do Islãcombativo." Em oposição à "Irmandade Muçulmana", conservadora e pró-ocidental, o Hezbollah não reivindica o poder ou a aplicação da lei islâmica "Sharia", ele é parte de uma frente composta por partidos de esquerda, aí incluído o Partido Comunista Libanês, de partidos políticos anti-imperialistas e todas as confissões em conjunto (cristã, muçulmana, drusa)... Elecoloca como prioridade a luta contra Israel e contra o imperialismo, proclama reformas sociais e impede as tentativas de grilagem de terras no sul do Líbano, mesmo entre seus aliados.[12]

Não é qualquer coisa vencer o medo de todo o estratagema do 11 de setembro que visava aterrorizar não apenas os países da periferia, mas também as metrópoles... e era uma condição para passar ao estágio do capitalismo predatório, para o retorno ao colonialismo e a tomada direta de todos os recursos do planeta, incluindo a vida... Nós, do Oriente Próximo, fomos o primeiro laboratório deste terror, em todas as escalas militares, econômicas e políticas. Vimos desembarcar os americanos no Iraque com um arsenal de armas não-convencionais, e com eles as empresas como Monsanto, Syngenta, Dow Chemical e outras gigantes do agronegócio alimentar, ou da água, como a Bechtel[13].

III - Por que esta obstinação imperialista, apesar da derrota do sistema capitalista (crise, falências, enfraquecimento de sua força de ataque, movimentos de massas por todas as partes, inclusive em Wall Street)?

1. As revoltas que assistimos no Oriente Próximo dão a prova de que o capitalismo atingiu seus limites que chegou a um grau tal de centralização que fez desaparecer toda margem de autonomia fora do poder dos monopólios. E nós não podemos voltar atrás, não podemos desconcentrar o capital. O movimento natural do capital em direção a uma concentração cada vez maior nos conduziu até aqui onde estamos. E dentro dessas condições “as soluções que poderiam perfeitamente funcionar em uma etapa anterior de centralização do capital – uma vez que o Estado intervinha e que havia setores importantes da economia que podiam responder às incitações e políticas do Estado – não existe mais. É por isso que temos essas agências de rating, que são a voz direta do capital financeiro e já se tornaram o poder final para decidir a política econômica”.[14]

2. Se é verdadeiro que a insurgência árabe que surgiu na Tunísia e Egito têm incluído a pobreza, a corrupção e a falta de liberdade, é verdade que o ódio contra a dominação ocidental e à ocupação israelense estava presente devido à aliança entre estes dois regimes aos Estados Unidos. A natureza ditatorial desses regimes é um resultado direto de seu papel na manutenção dos interesses imperialistas.

3. Ambas as insurgências têm suas raízes em um processo de lutas que se acumularam desde o início da feroz liberalização da economia que remonta à década de 70, segundo imposição de Bretton Woods (Banco Mundial, FMI, Acordos de Camp David, GATT, OMC) e que tomou forma com os planos chamados estruturais. Para falar apenas da última década entre 2003 e 2010, mais de 3400 movimentos de protesto foram identificados no Egito. Este processo tem sido acompanhado por uma destruição sistemática das instituições do Estado, da concentração dos três poderes nas mãos de uma oligarquia submetida aos Estados Unidos e do estabelecimento de um regime repressivo.

4. O fato de que "estas revoluções não têm cabeça" ajudou a perturbar os analistas da esquerda europeia e do ocidente em geral, que não souberam qualificar estas revoluções populares, as quais não foram obra dos partidos de esquerda[15], mas um movimento espontâneo dos jovens e das massas populares, e não resultaram em uma chegada ao poder das forças revolucionárias. [16]

Pois o fato destas revoluções serem desprovidas de direção ideológica não retira nada do seu caráter revolucionário, no sentido de que nos lembra o filósofo comunista Alain Badiou: “Esta ação coletiva, desprovida da autoridade da lei, aquela que Marx denominou ‘o desvanecimento do Estado’, este triunfo, ilegal por natureza, da ação popular, chama-se revolução. Sublevar-se, construir o lugar público do comunismo de movimento, defendendo-o por todos os meios e inventar as etapas sucessivas da ação, este é o realsentido da política popular de emancipação. Comunismo quer dizer aqui: criação em comum do destino coletivo. Resolver sem ajuda do Estado problemas insolúveis, ou seja, o destino de um acontecimento. É isto que faz com que um povo, repentinamente, e por tempo indeterminado, exista, ali onde ele decidiu se reunir”.[17]

No momento atual, este movimento continua, centenas de sindicatos independentes nasceram, bem como comitês de bairro, comitês de acompanhamento para julgar os corrompidos, os traidores..., comissões para discutir a legislação e, sobretudo, uma assembleia para garantir a continuação da revolução a partir de Midan Tahir (esta semana foram definidos de maneirapermanente todos os comitês da Praça Tahir).

A continuidade deste movimento é a única garantia da continuidade do processo revolucionário e de parar as manobras imperialistas, e devemos, todos, ser solidários com os movimentos no Egito e na Tunísia, onde os sindicatos e os partidos políticos que fizeram Kasbah II decidiram continuar sua mobilização.

Nós somos militantes comunistas; devemos garantir uma análise de classe e olhar ao mesmo tempo a tradição leninista e a dinâmica da história.[18]

IV - Os limites da agressão imperialista

Apesar da agressão imperialista, a correlação de forças não lhe é favorável.


É verdade que, até o presente momento, as estratégias postas em prática pelas grandes potências não foram colocadas em xeque pelos movimentos, mas as posições do imperialismo dentro da região são muito frágeis. Com a queda das ditaduras abertas que estavam a seu serviço, eles perderam um aliado poderoso.

Sobre o plano estratégico, os imperialistas saíram fragilizados de seu duplo fracasso no Iraque e no Afeganistão e são incapazes, ao menos num curto prazo, de atacar o Irã[19]. (O Estado-maior americano não apoiou esta ideia de uma guerra contra o Irã. As pressões israelenses não tiveram êxito - resposta de Obama a Netanyahou).

Além disso, o Irã é uma potência de porte (não é nem o Iraque e nem o Afeganistão). Ninguém sabe aonde poderia chegar uma aventura militar no Irã...

Assistimos a uma concordância de concepções e uma aliança hermética entre o Escudo do Golfo e Israel

Na Síria, a Rússia e a China colocaram todo seu peso para parar a arrogância estadunidense que quer ditar sua lei como fez na ocasião da guerra contra o Iraque, freando o processo de derrubada do regime [Bashar] Al-Assad e tentando achar uma solução local.

Outras manobras de estabilização consistem em exacerbar a ira sunita-xiita e é aqui que os wahabitas sauditas e os emires do Qatar atuam plenamente, armando a oposição síria e corrompendo a oposição do Conselho Nacional Sìrio (CNS, que acaba de entrar em crise por questões financeiras)[20]. O objetivo é fechar o cerco ao Irã xiita, para quebrar a aliança entre o Hamas (sunita) e o Hezbollah (xiita), cuja aliança falhou devido à generalização de uma guerra confessional dentro do Islã. Esta tentativa foi para tentar frustrar o Hezbollah que conseguiu criar uma frente unida que envolve todas as três resistências anti-imperialistas na região: iraquiana, palestina e libanesas.

Os modelos desta desestabilização, que se faz no escuro, nos colocam
diante dos seguintes cenários:

I – o Paquistão servirá como modelo para o Egito ou a Tunísia;

II – a somalização da Líbia e da Síria (encontramos hoje na Somália cerca de 45 “governos”... a Líbia está a caminho desde “modelo”... a Síria poderia segui-lo...)

No Egito, os serviços secretos americanos e israelenses não se desarmam, eles são onipresentes para controlar a situação e preservar o status quo e os acordos assinados. A Casa Branca havia aberto uma célula permanente cujo intuito era recompor a instituição militar[21]: Omar Souleiman, Tantawy e os outrora inimigos da Irmandade Muçulmana. Mas, aqui também, nem os militares, nem a Irmandade Muçulmana, podem agir abertamente em favor do bloco Israel-EUA. Por outro lado, os resultados das eleições não são um dado estático. O que podem os islâmicos dar às massas? Qual é seu programa? Por isso, o movimento nas ruas continua e as tropas dos partidos religiosos participam dos movimentos reivindicatórios. Como se disse antes, o medo havia mudado de lado e os povos ainda estão em alerta.

V - Que ensinamentos gerais podemos tirar das revoltas populares que ecoam pelos países do mundo árabe há mais de um ano?

1. A lição principal e fundamental é que os povos quebraram o muro do medo. Esta é uma grande transformação qualitativa. Durante décadas, os povos em questão, sejam os egípcios ou os tunisianos - mas poderíamos nos referir a muitos outros - concordaram em viver sob regimes policiais e mesmo de terror, pensando que era totalmente impossível fazer qualquer coisa. Agora, eles se revoltam.

2. A reversão do processo não é mais concebível. Não importam quais sejam as manobras externas de desestabilização política e as forças que emergem à superfície, seja qual for a importância dos entraves diante das oportunidades para avançar, houve uma transformação qualitativa enorme, porque não podemos voltar atrás - pelo menos não facilmente – rumo a regimes de opressão como os que havia. Revoltas populares continuam e continuarão. Esta é a lição geral.

3. Um eixo para o movimento revolucionário que chamamos “a memória das lutas” (ontem, o Hezbollah se inspirou nos vietcongues, hoje aqueles do Occupy Wall Street se inspiram em Qassabah [Tunis] e em Midan Tahrir [Cairo]).
Viva a luta dos povos. Que nosso combate continue para enfrentar o capitalismo que se encontra em crise e mais fraco do que nunca. Reforcemos a solidariedade internacional e criemos ligações entre as redes de resistência anti-colonialista (independentemente de suas ideologias)[22] e os movimentos anti-imperialistas, bem como de todas as formas de luta contra as instituições financeiras e a ditadura do mercado.

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[1] Leila Ghanem : Doutora em Antropologia e editora da revista "Alternatives / Bada'el' distribuída em dez países árabes. Foi organizadora do Tribunal Popular de Bruxelas, em 2008, para julgar crimes de guerra israelenses no Líbano. Participou como juíza do tribunal da Opinião de Bogotá para julgar sobre os desaparecidos do regime de Uribe. Ela é a Coordenadora do Fórum Social Internacional de Beirute: o Fórum Social Internacional de Beirute, que aconteceu em 16, 17 e 18 de janeiro de 2009 teve por objetivo criar uma convergência entre as resistências anti-coloniais (no Líbano, na Palestina e no Iraque) e a luta anti-imperialista em escala internacional, bem como com os movimentos de lutas sociais travadas pelos povos para preservar os suas conquistas sociais e os direitos ao trabalho, à saúde e à escola ... por dignidade, justiça e pelo direito de se organizar ... Nossa batalha se orienta a todos que se tornaram alvo de um capitalismo cada vez mais predatório e destrutivo. Duas novidades deram a este fórum um grande impulso: a crise financeira e os acontecimentos em Gaza. Presenciamos uma onda sem precedentes (450 organizações e 60 países) da Ásia (Índia, Irã, Paquistão, Afeganistão), da Europa, dos EUA, da América Latina, e de todos os países árabes ... A plataforma fundadora deste fórum realizou várias reuniões preparatórias em vista do próximo fórum, adiado por conta dos eventos no mundo árabe, particularmente na Síria. (Ver resoluções do Fórum em anexo)

[2] Em abril de 2011, em uma reunião na Arábia Saudita, um mês de intervalo da revolução, nasceu no Bahrein "o escudo do Golfo", que inclui todos os países do Golfo em mais de dois reinos: Jordânia e Marrocos . O objetivo desta aliança é proteger estes sistemas contra levantes populares que começaram a queimar a grama sob seus pés, incluindo Bahrain, Iêmen, Jordânia ou mesmo as cidades do Reino Saudita como a cidade de Taif. O apoio financeiro foi reservado para festas de islamismo sunita conservador ou o que é chamado de "Os Irmãos Muçulmanos." A cadeia Al Jazira desempenhou um papel inegável de mediador para cobrir as revoluções egípcia e tunisina.

[3] Trata-se de uma iniciativa bipartidária promovida pelo senador democrata John Kerry e pelo republicano McCain. O objetivo destes investimentos no Egito e Tunísia é de “promover o setor privado e de parcerias com empresas estadunidenses” e “a criação de uma classe média”. Os EUA visam assim a conquista de pequenas e médias empresas: no Egito elas são 160 mil, as quais se juntam 2,4 milhões de micro empresas. Estes investimentos são dirigidos pelo regulamento do Fundo Empresarial EUA-Egito: ele será governado por um conselho diretor de 4 cidadãos estadunidenses, da área da economia privada, e 3 egípcios, sendo estes últimos também “nomeados pelo presidente dos Estados Unidos”.

[4] Em primeiro lugar, o Oriente Médio nunca foi completamente descolonizado. Possuindo mais da metade das reservas de petróleo do mundo, ele tem sido alvo de constantes interferências e intervenções desde que se tornou independente. 2. Após a Primeira Guerra Mundial a região foi fragmentada e dividida pelo Tratado Sykes–Picot em estados artificiais. 3. Após a Segunda Guerra, estamos vendo a implementação de um Estado colonial na Palestina. 4. Na década de sessenta, ele se submeteu a uma pressão quádrupla, dos EUA, Israel, Grã-Bretanha e França - golpe de Estado contra Mossadek no Irã (nacionalização do petróleo), Guerra de 56 contra Nasser (após a nacionalização do Canal de Suez), a Batalha de Argel contra a FLN. 5. Em 1967, uma guerra regional irrompe contra o Egito, a Síria e a Jordânia. Seguida pela guerra de 73, que resulta em uma vitória militar graças à ajuda russa, rapidamente contornada por um complô que destrói a moral das tropas que receberam ordens para retirar de Défressoire. O Líbano acumula seis guerras destrutivas em 25 anos ... depois vem a ocupação do Iraque em 2003, após um longo cerco asfixiante, a guerra e o cerco de Gaza ....

[5] Os EUA concedem ao Egito uma doação de 1,5 bilhão de dólares por ano, dos quais 1 bilhão como ajuda militar, contra 7,5 bilhões de doação a Israel. Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[6] O Egito pagou seus empréstimos a uma taxa de cerca de 3 bilhões de dólares por ano. Desde 1981, o Egito pagou cerca de 80 bilhões em rendimentos de capitais e juros.

[7] Mubarak costumava repetir em seus discursos à nação que “se nós não colaborarmos com os EUA, eles cortarão sua ajuda e seu trigo, e em três dias vocês estarão famintos.” Outros acordos de trocas (assim ditas) livres obrigam o Egito a vender com prejuízo seu gás para a França, Itália e Espanha.

[8] Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[9] Estes acordos não são apenas acordos políticos e de segurança. Eles contém todos centenas de cláusulas concernentes à abertura desmesurada dos mercados locais para as empresas internacionais, sobretudo americanas e israelenses. Israel sempre foi ponta de lança na introdução do capitalismo predatório. É em troca deste seu duplo papel colonial-capitalista que eles têm todo o apoio ocidental para preservar um Estado de exceção em escala internacional.

[10] A maior academia militar, de Saint Cyr, na frança, ensina em seus programas as guerras israelenses como exemplos impressionantes da arte da guerra, em especial a guerra de 67. Em 2006, a Academia ajustou seus programas para compreender como um pequeno grupo pode agir à maneira vietcongue para colocar em xeque um exército moderno dotado de uma força de ataque formidável, em especial na Batalha de Kiam onde um regimento de blindados com mais de 40 carros foi destruído em algumas horas...

[11] A ajuda total dos Estados Unidos a Israel é aproximadamente um terço do orçamento dos EUA de ajuda externa, sabendo-se que Israel tem apenas 0,001 por cento da população mundial e possui uma renda per capita entre as mais altas o mundo. De 1949 até 1997 os EUA deram a Israel um total de 83.205 bilhões dólares. Despesas com juros que têm sido suportados pelos contribuintes dos Estados Unidos em nome de Israel são de 49,937 bilhões de dólares. Assim, o montante total da ajuda a Israel desde 1949 era de 133,132 bilhões dólares. Isso pode significar que, por ano, o governo dos EUA forneceu mais assistência federal para o cidadão médio de Israel do que ao cidadão americano médio.

[12] Ver meu artigo sobre as razões do aumento das correntes islâmicas dentro da religião. Discurso pronunciado em Serpa, em 2008 (em português e espanhol) e também minha entrevista em Resumen Latinoamericano.

[13] O Iraque não só perdeu a sua soberania política para o benefício dos ocupantes. Ele também perdeu o direito de produzir suas próprias colheitas. Pouco antes da "transferência de poder" em junho de 2004, o administradorprovisório da coalizão, Paul Bremer, impôs ao país uma lista de 100 determinações permitindo aos EUA controlarem todos os aspectos da vida econômica de acordo com sua concepção do mercado liberal. Este controle inclui a direção do Banco Central do Iraque, as regras relativas aos sindicatos e as regras relativas à produção agrícola, de modo que ela obedeça aos desejos da Monsanto, que de forma agressiva tenta impor a utilização de OrganismosGeneticamente Modificados (OGM). O decreto 81, de Bremer, prevê a destruição de 200 tipos de trigo autóctones e sua substituição por sementes “Terminator” produzidas pela Monsanto, semente esta que dá uma planta estéril, sem sementes, e os agricultores terão de renovar anualmente as suas reservas de sementes da Monsanto que tem o monopólio de 99 anos sobre as mesmas. Este é o modelo de democracia que os ianques querem exportar ao OrienteMédio. Ver meu artigo em espanhol: ¿Iraque, um Futuro Modelo del Capitalismo americano?

[14] Ver, sobre isso, Samir Amine: “Sortir du capitalisme en crise ou de la crise du capitalisme”.

[15] A esquerda esteve bem nas ruas, mas não como direção.

[16] Em menos de duas semanas do início da revolta, diferentes setores da sociedade egípcia depois de cruzar o muro do medo, reagruparam a revolução democrática: comitês eclodiram no seio da classe operária, do campesinato, mesmo nas regiões mais remotas, como em Sohag (120.000 manifestantes apenas ali, além de Luxor, Kena, Aswan, Al-Kharga, Fayoum), na classe média (comissões de juízes, professores, jornalistas, cineastas, escritores, advogados, médicos, técnicos do Canal de Suez, contabilistas, agentes, telecomunicações), mas também do cinturão popular de miséria ao redor de Cairo, como Shubra, Imbaba Mataria, Al Salam. O número de manifestantes excedeu os 20 milhões durante os dias. Lembro que, na última eleição de Mubarak, 4 milhões de eleitores de 82 milhões de habitantes compareceram às urnas.

[17] Ver Alain Badiou: “Tunisia, Egito: quando um vento do leste varre a arrogância do Ocidente”.

[18] Na destruidora guerra de Israel no Líbano, em 2006, o militante comunista e escritor Miguel Urbano saudou a resistência libanesa, dizendo que "Lá onde o imperialismo concentra suas forças militares e econômicas, aqueles que o enfrentam o fazem em nome da humanidade inteira".

[19] As operações militares dos EUA, especialmente no Iraque e no Afeganistão, custaram 904 bilhões de dólares desde 2001, segundo um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Orçamentários (CSBA). Este valor inclui a retirada das tropas em 2009.

[20] Somos atualmente quatro fragmentos: Irmãos muçulmanos sírios (base Istambul), Maha Kodmany (financiamento dos EUA), Burhan Ghalioun (rejeita a ideia saudita de armar a oposição), El-Maleh (pró-Arábia Saudita).

[21] O exército egípcio não supera os 350.000 homens, limite imposto pelos acordos de Camps David, enquanto a polícia conta com um milhão e meio de homens. A maior parte da ajuda dos EUA para o exército é feita sob a forma de repasses de dinheiro em troca de favoritismo.

[22] Dentro da boa tradição leninista que, em 1919, reuniu em Baku os povos do Oriente que lutavam contra o colonialismo para reforçar as posições dos bolcheviques. Esses povos tinham, na época, formas político-sociais pré-estatais, ou seja, eram tribos e religiões.



Fonte: Somos Todos Palestinos
Imagem: Google

Hillary Clinton insiste para que grupos "humanitários" possam entrar na Síria



Hillary celebra diminuição da violência na Síria com início da trégua

Diplomata insistiu para que grupos humanitários possam entrar no país. Segundo ela, cessar-fogo é apenas um dos pontos do plano da ONU.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira (12) que os chanceleres do G-8 saudaram o relatório de Kofi Annan que informa que a violência diminuiu na Síria, "pelo menos momentaneamente".

Falando a jornalistas em Washington, Hillary disse que o cessar-fogo é um passo importante, mas apenas um dos seis elementos do plano de Annan.

Ela afirmou que o plano não é um "menu de opções" e insistiu para que grupos humanitários tenham acesso ao território sírio.

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Será que Hillary pretende enviar a Síria a mesma "ajuda humanitária" que enviaram a Líbia???

Burgos Cãogrino



Fonte: cenariomt

Imagem: Google

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Enviar lixo tóxico para países pobres é considerado "Ajuda Humanitária"???

Empresa britânica admite ter exportado dejetos ilegalmente ao Brasi

Reino Unido - Uma companhia britânica admitiu, quinta-feira, ter enviado ilegalmente ao Brasil 89 contentores com mais de 15.000 toneladas de plástico que eram resíduos domésticos.

Diante de um alto tribunal de Old Bailey, a empresa londrina Edwards Waste Paper declarou-se culpada de ter exportado dejetos, o que vai contra a legislação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico.

Dois directores da empresa, entre eles Simon Edwards, reconheceram também sua culpa e esperam agora a sentença do tribunal.

Outros dois cidadãos, Júlio da Costa e Juliano da Costa, acusados de ter concluído o envio para o Brasil, não se reconheceram culpados, e agora terão de se apresentar a julgamento a partir de Outubro.

As autoridades brasileiras descobriram a carga ilegal há três anos em um cais, e esta foi devolvida ao Reino Unido, onde foi desinfestada em Felixstowe, sudeste da Inglaterra.

"A exportação ilegal de resíduos representam um risco para a saúde humana e para o meio ambiente no país de exportação", disse a chefe da Agência Nacional do Meio Ambiente, Andy Highman.

"Além disso, atinge a indústria de reciclagem do país", completou.


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Para Relembrar

Em 2009 -

INGLATERRA MANDA LIXO PARA O
BRASIL

A Receita Federal e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul investigam o desembarque de 64 contêineres carregados com cerca de 1.200 toneladas de lixo tóxico, domiciliar e eletrônico nos portos de Rio Grande (RS) e Santos (SP).

O lote de lixo, que equivale a 7,7% do que é produzido por dia no município de São Paulo, veio da Inglaterra e foi enviado irregularmente ao Brasil, segundo a investigação.

40 contêineres estavam retidos em Rio Grande, oito foram parados na estação aduaneira de Caxias do Sul (RS) e 16 no Porto de Santos.

Na documentação entregue nas alfândegas, consta que a carga seria de polímero de etileno e de resíduos plásticos, que deveriam ser usados na indústria de reciclagem.
No entanto, além de sacolas plásticas, havia papel, pilhas, seringas, banheiros químicos, cartelas vazias de remédios, camisinhas, fraldas, tecido e couro, dentre outros.

Moscas e aranhas também foram encontradas nos contêineres.

O que chamou a atenção é que em um dos contêineres havia um tonel com brinquedos onde estava escrito:

"Por favor: entregue esses brinquedos para as crianças pobres do Brasil. Lavar antes de usar"

A carga partiu do porto de Felixstowe, um dos maiores do Reino Unido.

O presidente Lula se manifestou: não queremos importar lixo, como também não queremos mandar o nosso lixo a ninguém. E alfinetou os europeus: Eles, os membros da União Européia, que se dizem tão limpos, querem se descontaminar nos enviando uma montanha de lixo e dizem que é para reciclar. Mas quem vai reciclar preservativos?

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Para relembrar 2

Em 2011 -

Lixo eletrônico em países pobres


Área de descarte de eletrônicos

O Laboratório Federal para Ciência e Tecnologia de Materiais da Suíça (Empa) registrou os principais centros de reciclagem informal de lixo eletrônico em 11 países do mundo, em um esforço para chamar a atenção sobre os perigos da contaminação causados pelo processo.

O chefe do departamento científico da instituição, Mathias Schluep, disse à BBC Brasil que os países do oeste da África são os principais receptores de eletro-eletrônicos europeus e norte-americanos de segunda mão, parte dos quais se transforma rapidamente em lixo.

O transporte do lixo eletrônico, proibido internacionalmente, é feito de maneira clandestina para países africanos e asiáticos misturado a carregamentos de eletrônicos de segunda mão importados de países desenvolvidos.

"Os equipamentos usados são revendidos na África e na Ásia preços muito baixos. No entanto, cerca de 30% deles chegam quebrados. Metade deste total é conserta e revendida e a outra metade é descartada imediatamente", disse Schluep.

Em Gana, um dos principais receptores de eletrônicos europeus de segunda mão na África, testes feitos em uma escola próxima a um centro de reciclagem informal mostraram níveis de chumbo, cádmio e outros poluentes cerca de 50 vezes acima dos níveis considerados seguros.

Recicladores queimam partes de monitores

Na China e na Índia, os maiores países receptores e recicladores de lixo eletrônico na Ásia, trabalhadores realizam - manualmente e sem proteção - a separação de metais de placas de circuito, que liberam resíduos tóxicos no solo e nos rios.

A instituição suíça oferece treinamento e apoio a recicladores em diversos países, em parceria com governos, agências da ONU e empresas de eletrônicos, como a Microsoft, a Nokia e a Hewlett Packard.

De acordo com Schluep, a reciclagem e a extração de materiais de televisores, celulares e computadores quebrados é vista como oportunidade para milhares de comunidades mais pobres, em meio a alertas sobre a possível escassez de metais essenciais para a construção de equipamentos eletrônicos.

Homem conserta uma televisão quebrada

O Empa estima que em 100 mil celulares há cerca de 2,4 quilos de ouro, mais de 900 quilos de cobre e 25 quilos de prata, que valeriam mais de US$ 250 mil (R$ 430 mil) se fossem completamente recuperados.

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Será que enviar lixo tóxico para países pobres também é considerado "ajuda humanitária" pela ONU???

Burgos Cãogrino



Fonte: Angola Press , UOL , bbaronti

Venezuela, dez anos depois do golpe. O que vem pela frente?



Malogro do 11 de abril de 2002 marca uma novidade na América Latina. Nunca uma articulação envolvendo classes dominantes, Igreja Católica, mídia e Estados Unidos fracassara por aqui. Hoje, com a popularidede acima de 60%, Chávez é o favorito na disputa presidencial. Mas um drama pessoal ameaça se transformar em fator político determinante: a gravidade de seu quadro de saúde. Se a situação se agravar, não há substituto à altura. Não há uma Dilma do Chávez.

Por Gilberto Maringoni/Carta Maior

Estive pela primeira vez na Venezuela três semanas após o fracassado golpe de 11 de abril de 2002. O motivo foi um convite do jornalista Raimundo Pereira, um dos pais do jornalismo político moderno no país e editor da revista Reportagem. "Você não quer passar uns dias em Caracas, saber como foi essa volta do Chávez ao poder e fazer uma matéria extensa?", perguntou ele em uma curta e objetiva reunião que tivemos dois dias após o fim da aventura de Pedro Carmona e seus aliados.

Aceitei e fiz as malas sem saber muito do país, além da generalidade superficial de quem lê o noticiário da mídia brasileira.

Dias antes, Arnaldo Jabor havia saudado o golpe. Aparecera com aquele ar de amigo esperto nas telas da Globo, segurando uma taça de vinho numa mão e uma banana na outra. "Vamos brindar o fim de mais uma república bananeira", ironizou, antes de fazer biquinho para saborear a bebida.


O Estado de S. Paulo foi mais direto. No editorial de sábado, 13 de abril tascou o seguinte: "O que ocorreu na Venezuela não foi um simples golpe de Estado que tirou do poder o coronel Hugo Chávez. Foi - assim como ocorreu no Brasil em 1964 - uma reação cívica a um governo que, eleito em pleito livre, em consequência do cansaço popular com partidos que já não tinham representação e se excediam na corrupção, se esmerou, uma vez no poder, em eliminar progressivamente todo e qualquer vestígio daquilo que se poderia chamar de institucionalidade democrática".


Clima pesado

Em Caracas, o clima era mais pesado. Os jornais e os noticiários de TV praticamente diziam que Chávez era o responsável pelo golpe. Havia denúncias e mais denúncias, anúncios catastróficos sobre a reforma agrária e um rosário de torpedos verbais contra o presidente em todos os horários e canais.

Mas os atendentes, camareiras, garçons, camelôs, balconistas, mendigos, cobradores de ônibus e lideranças de bairros estavam exultantes. "Intentaran sacar el presidente porque él és nuestro", me falou baixinho a copeira do hotel onde fiquei.


A sensação nas ruas era semelhante. As marchas da oposição exibiam loiras oxigenadas, com blusas de oncinha, calça de couro e salto alto. Também se viam rapazes, marombados por intermináveis horas nas academias, descendo de Pajeros e Cherokees. A ala dos governistas era composta por mulatos, mestiços, desdentados e malvestidos. Visualmente, o panorama era de ricos contra pobres, quase uma imagem de manual de luta de classes.


O malogro

O malogro da ação se deu por três fatores:

1. Os golpistas não conseguiram maioria nas forças armadas. A cúpula queria a saída de Chávez, mas a média oficialidade e os cabos e soldados não embarcaram na intentona. Na própria madrugada do dia 12, enquanto o presidente era detido, várias guarnições importantes começaram a se rebelar;

2. A formidável reação popular evidenciou a rarefeita legitimidade da nova situação e

3. O novo governo conheceu um acachapante isolamento internacional.

O fim da trapalhada ficará marcado como uma das mais belas e emocionantes páginas das lutas sociais de todo o mundo. O figurino continental desandou. Puxadas de tapetes com sólidos apoios entre o empresariado, a Igreja Católica, os militares e a embaixada dos Estados Unidos nunca foram revertidos de forma tão espetacular

A volta de Hugo Chávez ao palácio de Miraflores, rodeado por centenas de milhares de apoiadores, tornou-se também objeto de disputa entre a direita e a esquerda. Qual o real significado das movimentações daqueles dias? A oposição valia-se de um argumento semelhante ao do jornal O Estado de S. Paulo: não houve golpe, mas um levante cívico militar contra a baderna. Golpista seria Chávez, que liderou um fracassado levante militar em 1992. O presidente, de seu lado, não economizou palavras para demonstrar a aliança de Pedro Carmona com a Casa Branca, num quadro de radicalização internacional promovida pelo governo de George W. Bush, poucos meses após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Produto de uma crise

O mandato de Chávez, desde sua posse, em janeiro de 1999, foi pontuado por tensões e enfrentamentos. Mas, ao contrário do que a mídia internacional martelava incessantemente, o presidente não provocara crise alguma em seu país. Ele sim, como personagem político, é fruto de uma avassaladora crise econômica, social e política que castigava a Venezuela desde a segunda metade dos anos 1980. Iniciada com uma queda vertiginosa dos preços internacionais do petróleo, principal produto de exportação, o desarranjo mostrou-se estrutural, corroendo serviços e instituições públicas, partidos e lideranças políticas, num quadro de descrédito coletivo.

Um olhar superficial poderia classificar o surgimento de Chávez na cena política como a chegada de um salvador da Pátria. Ao longo dos anos, ele mostrou ser não apenas um dirigente capaz de recompor as bases institucionais da Venezuela, mas de tornar-se um fator de estabilidade política.


As classes dominantes locais e seus aliados internacionais somente muito mais tarde perceberiam não estar diante de mais um governante que poderia ser apeado da cadeira presidencial a qualquer momento. O ex-militar tornou-se caudatário de algo mais profundo. Sua legitimidade expressa uma mudança na estrutura de classes do país, com a entrada em cena de multidões empobrecidas e desiludidas, com difusos anseios de mudança.


Seria muito difícil, nessas condições, o governo golpista se estabilizar. Se derrotasse a investida popular, Carmona teria de seguir lançando medidas draconianas para se manter.

Força e fraqueza

A força do governo é, contraditoriamente, a razão de sua fraqueza. O presidente é não só um líder, mas o principal e praticamente único garantidor da estabilidade política e social. É o porta-voz central de seu governo, assim como é o grande intelectual, formulador e estrategista das ações de Estado.

O câncer que acomete atualmente o presidente Hugo Chávez tem, assim, duas dimensões principais. É um drama pessoal. Não se conhece claramente sua extensão ou gravidade. E pode se tornar uma tragédia política. Se a situação se agravar, não há substituto à altura. Nenhum membro do governo ou das forças aliadas poderia conduzir o processo político local sem enfrentar sérias turbulências iniciais. Não há uma Dilma do Chávez.


Dez anos depois do golpe, o presidente continua a manter índices de aprovação acima de 60%. Há fatores objetivos para alavancar tais indicadores: a vida melhorou na Venezuela. Os pobres comem mais, têm mais acesso à saúde, educação e serviços sociais essenciais. A sociedade segue violenta, mas a desigualdade se reduziu. Se tentarmos sintetizar esse período, podemos dizer que a grande diretriz oficial tem sido a de fortalecer o Estado e investir prioritariamente nas áreas sociais.


Os mandatos de Chávez têm sido marcados por enfrentamentos de variados tipos. Eles vão de tentativas de tirá-lo do poder a turbulências econômicas agravadas pela crise de 2008. A isso se somam dificuldades enfrentadas por um país quase sem indústrias, cuja economia baseia-se em grande parte na exportação de petróleo.


Chávez é o grande favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro. Mas a vitória não representará o fim dos problemas.


O presidente agora luta pela vida. Nas condições atuais da Venezuela, isso tem um significado político vasto, profundo e decisivo para o país.

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Fonte: Pravda
Imagem: Google
Vídeo: Youtube

terça-feira, 10 de abril de 2012

Israel quer retirar Nobel de Günter Grass


Em mais uma ação intransigente, o governo de Israel sugeriu que deve ser retirado o Prêmio Nobel do escritor alemão Günter Grass, que publicou, na semana passada, o poema “O que precisa ser dito” no qual critica o potencial atômico de Israel. Grass também criticou a decisão do governo alemão de vender a Israel um submarino que poderia, segundo fontes estrangeiras, portar armamentos nucleares.

As ações israelenses, no entanto, vêm sendo rebatidas e criticadas por intelectuais e jornalistas tanto de Israel, quanto da Alemanha. Em artigo no site de noticias israelenses Ynet, o escritor Eyal Meged afirma que "nem todos os que criticam Israel são antissemitas. (...) A escrita de Grass, que admiro há décadas, é emocionante e humana... é óbvio que esse grande escritor não é antissemita", afirma Meged, ao acrescentar que Grass "tem o direito de nos criticar o quanto quiser".

O jornal, também israelense, Haaretz criticou a atitude do governo: "o ministro do Interior, Eli Ishai, não percebe a ironia de suas palavras, pois justamente sua decisão de barrar a entrada de Grass em Israel por causa de um poema que escreveu lembra regimes sombrios, exatamente como os do Irã ou da Coreia do Norte".

E propõe que o debate sobre os pronuciamentos de Grass seja conduzido de acordo com normas liberais e democráticas "que permitem que todas as pessoas expressem suas posições, por mais provocativas que sejam".

O ex-embaixador de Israel na Alemanha, Avi Primor, afirmou que "vale a pena prestar atenção ao titulo do poema – “O que precisa ser dito” — que expressa uma indignação pelo medo de criticar Israel". Para o diplomata, esse medo decorre da reação do governo israelense às criticas, "como Ariel Sharon, que considerava qualquer crítica como 'antissemita'"



Fonte: Vermelho


Se querem tirar o Prêmio Nobel de um escritor somente porque escreveu um poema, então o que devemos fazer com Barack Obama Prêmio Nobel da Paz que ordena Guerra contra outros países matando crianças e pessoas inocentes???

Pensem!!!

Até quando vão subestimar nossa inteligência???


Burgos Cãogrino




segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Pra frente"... Brasil


Reflexões da Maria

Leitora e amiga deste blog e testemunha ocular da história

Dá para imaginar como uma sociedade se torna homicida e hipócrita, em muitos segmentos do seu conjunto, tanto ricos como pobres.Imaginemos uma sociedade onde a máxima foi e continua sendo:"manda quem pode, obedece quem tem juízo"!
Vamos fazer um esforço de imaginação e voltar meio século atrás, mais ou menos.

Era uma vez um país grande a 50 anos atrás. Grande em tamanho, que nem sabia direito onde ia dar as terras a oeste. Grande em miséria, gente no campo escravizada, gente na cidade que cantava: " se ucê qué toma banho i a água tá fartando...Vai levandu, vai levandu, vai levanduuu".

Gente, eram então 80 milhões, que só ficavam em "ação conjunta" para glorificar seu único grande feito: sabiam jogar futebol muito melhor do que quem tinha inventado o tal jogo de bola. Gente, que para ficar no modo "ação disjunta", era só o patrão gritar: " te dou um chute na bunda, malandro, sem vergonha, se tu não falar quem é que está fazendo corpo mole no serviço, e encho essa tua boca arreganhada e desdentada de formiga!", para depois descansar tranquilo, contando os lucros, para virar gente de bem nos "estates" da América do Norte. Imaginaram o quadro? Beleza.

Então, apareceu um cara lá do sul do país que distribuiu terra para os pobres plantarem para comerem. Ele se chamava Leonel Brizola, e as terras se chamava Fazenda Sarandi. Fazenda só no nome, porque era terra que não se acabava mais, latifúndio como se chama, e ninguém entende, porque é difícil entender um tamanho de terra que começa aqui, e só vai terminar se eu sair daqui de avião e ficar voando duas horas em linha reta, num desses aviãozinhos que cabem 8 pessoas e a gente fica olhando o campo lá de cima, e uma cabeça de gado é um fósforo lá embaixo. Pois o tal Brizola, que era governador, comprou as terras dos donos, financiou ferramentas e sementes, colocou casa e escola nestes fins de mundo, e acabou contaminando com essas ideias de reforma agrária um fazendeiro, cara bom, mas frouxo que só vendo, um tal de João Goulart, que tinha sido ministro do trabalho do único presidente da república que se dissesse benza a Deus, que o tal país tinha tido nos seus cento e poucos anos de uma república, que interessava aos manda chuva locais.

Acontece que o João Goulart, a trancos e barrancos, e empurrado pelo amigo Brizola, virou presidente do tal país grande, que começou a sonhar em ser um grande país. Mas os ricos da associação do comércio e da indústria mais os da imprensa e afins já tinham um grande país, que era os "estates" da América do Norte. Na cabeça deles, o país deles era lá, aqui eles só faziam dinheiro.

O tal país era muito católico...quer dizer, resolvia seus problemas no terreiro, com pai Orixá, mas para todos os efeitos, católico, se perguntassem, porque candomblé é coisa de negro, e a gente do tal país é preta, mas jura que é branca porque negro lembra escravo, já que faz um tempão tinham vindo para cá 8 milhões de africanos escravizados trazidos por manda chuvas portugueses, ingleses, holandeses, e outros eses brancos, muitos dos quais tinham gostado do lugar e ficado para mandar na negrada, e matar os nativos da terra que ainda se escondiam pelas florestas, apavorados com a civilização branca, ocidental cristã dos primeiros esses que tinham chegado.

No país de João Goulart tinha milico, como em toda república,mesmo das bananas, e milico adora ser chefe, estava só esperando a sua ocasião. E como todo mundo com vocação para chefe, e muito obediente também, os militares do tal país, na sua maioria, sonhavam com a oportunidade de lamber as botas dos superiores de Weast Point, lá nos "estates" da América do Norte.

E, como era muito católico, o tal país tinha padreco para todo lado, a maioria lambendo a batina do papa, mas uns que eram chamados de comunistas, tinham inventado uma tal de teologia da libertação, que como o nome indica, era uma conversa mole para eles serem ativistas e conduzirem os trabalhadores rurais e urbanos rumo aos seus sonhos de emancipação.

E, no país de João Goulart tinha intelectuais. Onde é que não tem? E parlamentares, também. Onde é que não tem? Tinha juízes e promotores, todos camaleões. Um belo dia eram nacionalistas e desenvolvimentistas. No dia 2 de abril de 1964 amanheceram imperialistas, pró "estates", e tu podias procurar estes tipos de vela acesa, que não encontravas um que fosse nacionalista-
desenvolvimentista. Sobraram os estudantes, os operários e os camponeses para levar porrada dos milicos.



No dia 1 de abril de 1964,(dia dos bobos), a gente do tal país aprendeu instantaneamente que: boca calada não entra mosca, e como boca com mosca é boca de defunto fresco, baixou um silencio que gritou por mais de 20 anos, vítima da traição das chamadas elites do tal país.



Foi aí que aquela gente pobre e simples, que ousara sonhar, começou a aprender a se virar sozinho. E se virar sozinho implica em se defender da violência da traição, da mentira, e até de um bunda mole presidente, que na hora do bota para quebrar, sai correndo, e vai se esconder debaixo das bombachas daquele tal de Brizola, que por um bom tempo acreditou que aquele povo sofrido merecia terra, escola e boa vontade.



Mas o povo aprendeu a lição. Aprendeu a saber que está sozinho, que não é só rico que mata e arrebenta para ficar mais rico. Aprendeu, da pior maneira possível, a ser traiçoeiro, rancoroso, a tentar tirar vantagem de tudo e de todos, a mentir, roubar, disfarçar, a matar, torturar, caluniar...virar-se para sobreviver.



Já os ricos do tal país para se tornarem ricos a muito sabiam ser hipócritas e homicidas, como a maioria dos ricos bem ricos.

O que aconteceu com os padres bonzinhos? Foram mortos.

Com os estudantes? Foram torturados, mortos e dizimados.

Com os políticos? Ah...tem cada história, gente, que é melhor nem contar. Só para dar um gostinho, muitos viraram políticos de hoje.

Para finalizar: os padres, os empresários, os latifundiários, os intelectuais? Estes continuam bem, obrigado, fazendo exatamente o mesmo que sempre fizeram, com os companheiros de sempre: as corporações dos "estates" da América do Norte.







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domingo, 8 de abril de 2012

Timor Leste: porque o mais pobre é ameaça para o poderoso



por John Pilger

A partilha. O truísmo de Milan Kundera, "a luta do povo contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento", descreve Timor Leste. No dia em que decidi filmar ali clandestinamente, em 1993, fui à loja de mapas Stanfords, no Covent Garden de Londres. "Timor?", disse um assistente de vendas hesitante. Pusemo-nos a examinar prateleiras marcadas Sudeste Asiático. "Desculpe-me, onde é exatamente?"

Após uma pesquisa ele encontrou um velho mapa aeronáutico com áreas em branco assinaladas: "Dados de auxílio incompletos". Nunca lhe fora pedido Timor-Leste, o qual está a Norte da Austrália. Tal era o silêncio que envolvia a colônia portuguesa a seguir à sua invasão e ocupação pela Indonésia, em 1975. Mas nem mesmo Pol Pot conseguiu, proporcionalmente, matar tantos cambodgianos quanto o ditador Suharto, da Indonésia, matou em Timor-Leste.

Gareth Evans e Ali Alatas

No meu filme, Morte de uma nação, há a cena de um brinde a bordo de um avião australiano a voar sobre a ilha de Timor. Decorre numa festa e dois homens de fato estão a brindar-se com champanhe. "Isto é um momento histórico único", balbucia um deles, "é verdadeiramente histórico e único". Trata-se de Gareth Evans, ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália. O outro homem é Ali Alatas, o porta-voz principal de Suharto. Passa-se em 1989 e eles estão a fazer um voo simbólico para celebrar a assinatura de um tratado pirata que permitiu à Austrália e às companhias internacionais de petróleo e gás explorarem o fundo do mar ao largo de Timor-Leste. Por baixo deles há vales crivados de cruzes negras onde aviões caça fornecidos por britânicos e americanos estraçalharam pessoas em bocados.

Em 1993, o Comité de Assuntos Estrangeiros do Parlamento australiano relatou que "pelo menos 200 mil", um terço da população, havia perecido sob Suharto. Graças a Evans, em grande parte, a Austrália foi o único país ocidental a reconhecer formalmente a conquista genocida de Suharto. As forças especiais assassinas da Indonésia, conhecidas como Kopassus, foram treinadas na Austrália. O prêmio, disse Evans, eram "ziliões" de dólares.

Ao contrário de Muammar al-Kaddafi e Saddam Hussein, Suharto morreu pacificamente em 2008 cercado pela melhor ajuda médica que os seus milhares de milhões podiam comprar. Ele nunca correu o risco de ser processado pela "comunidade internacional". Margaret Thatcher disse-lhe: "Você é um dos nossos melhores e mais válidos amigos". O primeiro-ministro australiano Paul Keating encarava-o como uma figura paternal. Um grupo australiano de editores de jornais, conduzido pelo veterano servidor de Rupert Murdoch, Paul Kelly, voou a Djacarta para prestar homenagem ao ditador; há uma foto de um deles a fazer uma reverência.

Em 1991, Evans descreveu o massacre de mais de 200 pessoas por tropas indonésias, no cemitério de Santa Curz, em Dili, capital do Timor-Leste, como uma "aberração". Quando manifestantes colocaram cruzes do lado de fora da embaixada da Indonésia em Canberra, Evans ordenou a sua retirada.

Em 17 de Março, Evans estava em Melbourne para falar num seminário sobre o Médio Oriente e a Primavera Árabe. Mergulhado agora no ocupado mundo dos "think tanks", ele explana acerca de estratégias de grandes potências, nomeadamente a elegante "Responsabilidade de proteger", a qual é utilizada pela OTAN para atacar ou ameaçar ditadores arrogantes ou desfavorecidos sob o falso pretexto de libertar seus povos. A Líbia é um exemplo recente. No seminário também estava presente Stephen Zunes, professor de política na San Francisco University, que recordou à audiência o longo e crítico apoio de Evans a Suharto.

Quando acabou a sessão, Evans, um homem de fusível limitado, atacou Zumes e gritou: "Quem raios é você? De onde raios você saiu?" Disseram a Zumes, confirmou Evans posteriormente, que tais observações críticas mereciam "um soco no nariz". O episódio foi oportuno. A celebrar o décimo aniversário de uma independência que Evans outrora negava, Timor-Leste está nas convulsões da eleição de um novo presidente; a segunda volta da votação é em 21 de Abril, seguida pelas eleições parlamentares.

Para muitos timorenses, com seus filhos mal nutridos e atrofiados, a democracia é uma noção. Anos de ocupação sangrenta, apoiada pela Austrália, Grã-Bretanha e EUA, foram seguidos por uma campanha implacável de intimidação por parte do governo australiano para afastar a pequena nova nação da fatia a que tem direito das receitas de petróleo e gás do seu leito marítimo. Tendo recusado reconhecer a jurisdição do Tribunal Internacional de Justiça e a Lei do Mar, a Austrália mudou unilateralmente a fronteira marítima.

Em 2006 foi finalmente assinado um acordo, em grande medida nos termos da Austrália. Logo após, o primeiro-ministro Mari Alkatiri, um nacionalista que enfrentou Canberra e opôs-se à interferência estrangeira e ao endividamento ao Banco Mundial, foi efetivamente deposto naquilo a que chamou uma "tentativa de golpe" por "elementos externos". A Austrália tem tropas de "manutenção da paz" em Timor-Leste e treinou seus opositores. Segundo um documento escapado do Departamento da Defesa australiano, o "primeiro objetivo" da Austrália em Timor-Leste é que os seus militares "tenham acesso" de modo a que possa exercer "influência sobre a tomada de decisões em Timor-Leste". Dos dois atuais candidatos presidenciais, um é Taur Matan Rauk, um general e o homem de Canberra que ajudou a afastar o incômodo Alkitiri.

Um pequeno país independente montado sobre recursos naturais lucrativos e caminhos marítimos estratégicos é objeto de preocupação séria para os Estados Unidos e o seu "vice xerife" em Canberra. (O presidente George W. Bush promoveu realmente a Austrália a xerife pleno). Isso explica em grande medida porque o regime Suharto exigiu tanta devoção dos seus patrocinadores ocidentais. A obsessão permanente de Washington na Ásia é a China, a qual hoje oferece a países em desenvolvimento investimento, qualificação e infraestrutura em troca de recursos.

Ao visitar a Austrália em Novembro, o presidente Barack Obama emitiu outra das suas ameaças veladas à China e anunciou o estabelecimento de uma base dos US Marines em Darwin, bem em frente às águas de Timor-Leste. Ele entende que países pequenos e empobrecidos podem muitas vez apresentar a maior ameaça à potência predatória, porque se eles não puderem ser intimidados e controlados, quem poderá?



O original encontra-se em www.johnpilger.com

Este artigo encontra-se em http://resistir.info

Fonte: Patria Latina

Imagem: Google (colocadas por este blog)

Uribe quer derrubar Chávez e governos progressistas na América Latina


O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pretende criar uma frente na América Latina contra Hugo Chávez e os governos progressistas da região, para isso, está tratando de incorporar ex-presidentes, dirigentes de partidos e parlamentares de extrema direita de vários países, segundo veículos latino-americanos.

De acordo com as fontes citadas pelo portal Contrainjerencia, Uribe recentemente viajou para a Espanha para somar a este projeto o presidente do governo espanhol Mariano Rajoy e o ex-mandatário José María Aznar, “muito conhecido por seu ódio visceral a Chávez e a tudo o que soe de esquerda”.


Em tal viagem, o chefe de Estado colombiano estabeleceu que a prioridade da Frente em todos esses momentos é apoiar o candidato opositor na Venezuela, Henrique Capriles e esfriar as relações de Juan Manuel Santos com Chávez.



Outro dos objetivos desta campanha seria o presidente equatoriano, Rafael Correa, que consideram 'outra besta negra", e para isso apóiam o ex-militar golpista Lucio Gutiérrez.



Vários são os fatos — segundo a imprensa — conhecidos que apoiam o que está tentando Uribe. No final do ano passado foi apresentada a neoliberal “Fundação Internacionalismo Democrático Álvaro Uribe Vélez (FEUDAIV)”, criada em Washington com o propósito de promover e defender os valores da democracia e da liberdade no âmbito continental. Assim como "fazer frente aos projetos autoritários e populistas estabelecidos em algumas nações da América Latina, que ameaçam se propagar em outros países do continente". A fundação também pretende criar "uma rede continental de líderes juvenis democratas do continente". O site da fundação tem o servidor localizado em Houston, Estados Unidos.
Outros membros da Fundação ou que estão em sintonia com seus propósitos são: os jornalistas Moisés Naim, da Venezuela e Andrés Oppenheimer de origem argentina, a blogueira cubana anticastrista Yoani Sánchez, os colombianos Eduardo Mackensie, Rafael Nieto e Saúl Hernández.

Os fatos revelam que há uma estratégia continental montada pela direita latino-americana apoiada por extremistas dos Estados Unidos para derrotar ou criar problemas para Hugo Chávez, satanizá-lo e criar um clima similar ao que viveu a Líbia e que agora sofrem Irã e Síria. Eliminado Chávez, o caminho fica livre para golpear os demais governos progressistas da América Latina.





Fonte: Vermelho.org.br
Imagem: Google (colocadas por este blog)
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