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sábado, 14 de abril de 2012

A Ordem Criminosa do Mundo


Documentário exibido pela TVE espanhola, A Ordem Criminal do Mundo, aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o cenário atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Pode-se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha.

A Ordem Criminal do Mundo: o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo.

O poder concentrado cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.




Fonte: DocVerdade, Vermelho

Governo da Síria espera que mercenários também sigam a paz

Contrariando mais uma vez a campanha difamatória contra a Síria liderada pelos Estados Unidos e Israel, o governo do presidente Bashar Assad colocou em vigor na quinta-feira (12) o acordo de cessar fogo proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan.

Por Mariana Viel, da redação do Vermelho

Ao mesmo tempo em que o governo sírio mostra disposição em encontrar uma saída pacífica para os conflitos — interrompendo suas atividades militares e retirando as tropas do Exército das ruas —, mercenários armados continuam fazendo uso da violência para instalar o pânico no país. Através da fronteira do país com a Turquia, os rebeldes sírios recebem diariamente armas americanas e israelenses.

Em entrevista ao Portal Vermelho, o cônsul-geral da Síria em São Paulo, Ghassan Obeid, afirmou que o governo espera que a oposição — que não é unificada — também obedeça ao acordo de paz.

"Infelizmente eles não aceitaram o cessar-fogo. A oposição é financiada por alguns grupos de outros países que incentivam que eles continuem a luta armada. Esses grupos dizem 'Vocês estão bem armados e podem estar em melhores condições se não baixarem suas armas e não chegarem a um ponto de diálogo'.", explica o representante sírio no Brasil.

Segundo Obeid o problema na Síria não é a democracia e nem os direitos humanos, mas sim a corrupção de grupos armados e financiados pela Turquia, Arábia Saudita, Qatar e EUA. “A situação na Síria não pode ser associada a outras situações no mundo árabe. O que acontece lá não é a primavera árabe, como alguns dizem”.

"Se a Síria parar de usar a força do Exército, os grupos armados devem também parar de usar a violência contra o governo e o povo. Aqueles que apoiam os grupos armados devem fechar a torneira de dinheiro e de armas para deixar a paz torna-se realidade", enfatiza.

Ele denuncia que a estratégia desses grupos é causar pânico e colocar a população em confronto. Parte da tática dos mercenários é incitar o conflito entre diferentes grupos no país. O cônsul cita como exemplo o assassinato de mulçumanos para colocá-los em atrito direto com cristãos e vice-versa. "Eles matam mulheres e crianças e filmam essas barbaridades para colocar na televisão e jogar a culpa no governo. Quando não chegam a realizar o crime, o falsificam com photoshop e divulgam as imagens afirmando que aquilo aconteceu em Homs ou Damasco".

A situação é ainda agravada pelo bloqueio comercial imposto pela Europa, essencialmente França e Inglaterra. "Cortaram todas as formas de financiamento e de transferência bancária para não deixar o país importar e exportar produtos e mercadorias, deixando o povo em uma miséria sem precedente".

Eleições

Obeid reforça que outra demonstração do governo de Bashar Assad em traçar um caminho de paz para o país é a convocação das eleições parlamentares para o dia 7 de maio.

As eleições sírias se dão no marco da nova Constituição referendada recentemente e elegerão 250 deputados — dos quais mais da metade devem ser trabalhadores.

"Eles rejeitam o diálogo e não querem participar das eleições. Será a primeira eleição baseada sobre a nova lei de multipartidarismo e sobre a nova lei de eleições livres na Síria. São leis muito avançadas — cópias de leis modernas utilizadas em países europeus e da América Latina".

A antiga Constituição síria dizia que o partido que governava o país tinha supremacia sobre todos os demais. Segundo a nova Constituição todos os partidos políticos são iguais e não existe supremacia.

“Antigamente a Síria tinha nove partidos políticos — o partido Baath, no poder, e oito integrantes da Frente Nacional. Atualmente temos 15 partidos políticos”. O cônsul explica que outros cinco aguardam aprovação de seus estatutos para serem legalizados. “No total teremos 20 partidos políticos que vão disputar as eleições de maio”.

Campanha midiática


Em defesa dos interesses imperialistas na Síria, uma grande parcela da mídia colabora com a campanha de desestabilização do governo. A maioria das falsas notícias é difundida pelas redes Al Jazeera e Al Arabya — do Qatar e da Arábia Saudita. “Para ser franco não fico feliz, mas não quero prejulgar toda a mídia. Nosso problema na Síria de verdade é a difamação e as falsas informações divulgadas”.

Ele cita que os EUA pagaram mais de US$ 6 milhões para criar um canal de televisão, baseado em Londres, e que divulga informações falsas sobre a realidade na Síria. "Quando um jornalista perguntou para a secretária de Estado Hillary Clinton por que eles fizeram isso, ela respondeu que era uma ajuda para o povo sírio. Mas não é uma ajuda para o povo sírio financiar um canal de televisão para divulgar falsas informações e fazer o povo se matar".

No Brasil, Obeid conta que em diversas situações chamou a atenção de veículos de comunicação de alcance nacional como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo sobre o conteúdo de suas publicações. “Na terça-feira (10) dei o visto para um jornalista do Estado de S. Paulo que queria ir para a Síria fazer entrevistas. Chamei também o canal Bandeirantes para enviar uma equipe para percorrer o país com toda liberdade fazer entrevistas e encontros, e mostrar ao povo amigo e fraterno brasileiro o que acontece realmente na Síria.

“Aceitamos o acordo e a chegada de 300 observadores internacionais. A Síria abriu a porta para 30 canais de televisão internacionais e mais de 180 jornalistas”.

Brasil

Ainda durante a entrevista, o cônsul reafirmou os laços fraternos entre o governo brasileiro, a Síria e todo o povo árabe. Ele ressalta que o país precisa ocupar uma cadeira permanente no Conselho e Segurança da ONU.

"Quando o Brasil intervém em algum assunto ajuda a encontrar consenso. O Brasil disse que apoia as reformas planejadas pelo presidente Bashar Assad e defende os direitos humanos sem aceitar qualquer violência e massacre. Ele sabe diferenciar que há grupos armados fora da lei que atuam na Síria".

Segundo ele, o governo brasileiro ajuda a manter a lei internacional e a preservar a soberania no país para não deixar que a Otan — liderada pelos EUA e outras potências imperialistas — façam com a Síria o mesmo que aconteceu na Líbia. Obeid cita ainda como aliados Rússia, China, Índia, África do Sul e Líbano.

"Querem trocar o governo para que a Síria seja governada por um grupo dominado pelos Estados Unidos e pela Europa. Se os Estados Unidos e a Europa tivessem muita preocupação com os direitos humanos do povo sírio chorariam pelo povo que está há mais de 60 anos sobre o domínio de Israel nas Colinas Golan. Por que não deixam liberar o território palestino que vive sob a matança de Israel? Se estão assim preocupados com os direitos humanos devem primeiro começar aplicando as resoluções das Nações Unidas".





Fonte: Vermelho

Todos querem falar com Dilma, menos Obama


Sob o título "Todos querem falar com a presidente Rousseff, menos Obama", o jornal britânico "The Guardian" publicou um artigo que defende mais atenção para o Brasil por parte da principal potência do mundo, dias depois da visita de Dilma a Washington e a Boston.

No texto de sua versão online, o diário, um dos mais importantes da Europa, diz que os norte-americanos parecem "presos em outra era" para não admitirem que o vizinho ao sul é um exemplo.

No texto assinado pelo jornalista Jason Farago, baseado em Nova York, Dilma é chamada de "a segunda pessoa mais poderosa no Ocidente".

Enquanto ela chegava aos EUA no início da semana, Obama, o mais poderoso, "passava a maior parte do seu dia embrulhando ovos de Páscoa" na Casa Branca.
Presidente acompanha o hino dos EUA ao lado do
'Coelho da Páscoa' (Foto: Carolyn Caster/AP)

Os dois presidentes tiveram uma breve reunião e uma entrevista coletiva conjunta "durante a qual eles nem se olharam no olho", diz o texto.

"Não apenas o presidente dos EUA desdenhou das arapucas de uma visita de Estado; ele mal deu a Dilma duas horas", diz o artigo.

A visita de Obama ao Brasil no ano passado tampouco foi de Estado –para isso é necessário visitar as sedes dos três poderes e o cumprimento de uma série de protocolos.

Diplomatas norte-americanos afirmaram que isso aconteceu com Dilma porque é ano eleitoral e o presidente é candidato à reeleição.

"Ela chegou acompanhada de meia dúzia de formadores de opinião, de professores a chefes de thinktanks [instituições que difundem conhecimentos e estratégias sobre assuntos importante], todos exaltando seu comando econômico e implorando a Washington que a levasse a sério.

As diretoras de Harvard e do MIT (ambas mulheres) a convidaram para ir a Boston. Até a Câmara do Comércio se esforçou –certamente a primeira vez que o grupo de grandes e malvadas empresas se empolgou tanto ao conhecer uma ex-guerrilheira", diz o texto. "Só Obama deu de ombros".

Sem respeito

Nos bastidores, diplomatas brasileiros admitem há semanas que os EUA não se dedicaram à visita de Dilma como deveriam.

Em sua visita ao Brasil, a presidente o convidou ao Palácio do Planalto, participou de um almoço com ele no Itamaraty, recebeu Obama e sua família no Palácio da Alvorada, antes de ele seguir para o Rio de Janeiro. "Pelo menos um jantar teria sido mais adequado", diz um deles em Brasília.

De acordo com o texto do "Guardian", "o Brasil é o país dos Bric que não é respeitado, mesmo em 2012".
Ao visitarem aos EUA, os líderes da Índia e da China são recebidos com grandes honrarias. A Rússia, por seus laços com a antiga União Soviética, sempre esteve sob o radar dos norte-americanos.

"O Brasil é o país que impõe a menor ameaça geopolítica significativa e oferece mais vantagens, como os CEOs [diretores-executivos] salivantes já sabem", afirma a publicação.

"É assim que Washington funciona. Nas aulas de história, a primeira lição que os estudantes aprendem sobre a política externa norte-americana é a Doutrina Monroe – o princípio de 200 anos de que a América Latina é o nosso quintal. Fazemos isso e gostamos de dizer a todos que fiquem fora. A ideia de que um país latino-americano na verdade serve como modelo vai além da compreensão", conclui o texto.

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Comentário do Blog DefesaBr:


Sobre este item, um leitor do Miami Herald fez há alguns dias algumas observações que traduzi e coloco aqui.

O Nicholas 1980 é um holandês ligado nas mudanças de nosso mundo. Ele diz tudo sobre o Brasil e EUA, para nós todos refletirmos bastante, brasileiro e americanos.

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"Primeiro de tudo, eu sou holandês, ateu político (paradigma, pois esquerda vs direita é para pessoas que gostam de ver palhaços brincando de joguinhos) e vivo em Miami, Flórida.

Segundo. O Brasil tem sua própria política externa. Bom para eles e é seu direito. Leia-se que eles fazem o que está em seu melhor interesse, no longo prazo.

Não é uma opinião, mas um fato, pode-se ouvir isso nos comentários tendenciosos e antiquados dos Estados Unidos e ver que, em seu comportamento para com o Brasil, eles não podem suportar uma outra grande nação no continente americano, que a sua influência esteja crescendo no continente americano e no exterior. A política do "quem não escuta, não será bem tratado" é insensata e vai prejudicar seus negócios e sua reputação.

Terceiro e último. A economia do Brasil já é a sexta do mundo, está crescendo mais rápido para se tornar a quarta e tem capacidade de subir ainda mais alto nessa lista. Seu futuro está em suas próprias mãos e eles têm o direito de falar (fazer negócios ou ajudar a resolver um problema), com quem quiserem. Não importa se eles concordem ou discordem em alguns pontos, mas falar e fazer negócios com não importa quem é direito do Brasil.

Os EUA não têm que respeitar o que eu digitei, mas é e seria insensatez deles. Ao não fazer isso, eles mesmos estão atirando em ambos os pés, será mal para os seus negócios. Não admira que estejam perdendo posição no sul do hemisfério ocidental. Os velhos tempos acabaram, eles precisam crescer e ficar mais espertos de que o mundo está mudando … um mundo multipolar. Não há mais uma única potência. Gostem ou não, esses são os fatos."
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Os políticos americanos parecem sobre o Brasil aquele tipo de adolescente de filme, com um enredo em que uma garota “poderosa” tinha uma colega de classe feiosa e tímida, a qual dominava e humilhava frente aos demais no primeiro ano da faculdade, por muito prazer e por um certo temor secreto do futuro.

Alguns anos depois, perto da formatura, a tal colega deixou de ser feiosa e alguns falavam pelos cantos que ela ficara mais bonita até que a sua antiga dominadora. Ela tinha desabrochado física e mentalmente.

A timidez ainda a marcava, embora com bem menos intensidade. Contudo, essa ex-feiosa já sabia o que queria da vida e perderia logo a timidez. Seu caminho era seguro, fazia bons e novos amigos e rumava firmemente para o sucesso.

E ela tinha pena, muita pena da insegurança que passou a despertar na outrora poderosa e agora apenas uma “desencaminhada” na vida, já em uma evidente decadência reconhecida pelos demais.

Essa pena da outra ela preferia manter em segredo, até porque respeitava as duras lições que a fizeram mudar e crescer na vida.

Novos tempos estão chegando. Adeus passado. Viva o futuro, o do Brasil!






Fonte: DefesaBr
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Obama é esperado com três temas incômodos em Cartagena: drogas, Cuba e Malvinas


O presidente Barack Obama, que chega nesta sexta-feira a Cartagena para se reunir com os líderes latino-americanos e do Caribe em uma cúpula convocada para debater a integração para a prosperidade, é esperado por seus pares com três temas incômodos, fora de agenda: drogas, Cuba e Malvinas.

As três questões dominaram na quinta-feira os debates dos chanceleres da região, que querem buscar alternativas à guerra contra as drogas impulsionada pelos Estados Unidos, que nas últimas décadas provocou milhares de mortes na América Latina, incluir Cuba nas cúpulas das Américas e apoiar a reivindicação argentina sobre as Malvinas.

O impulsionador do debate sobre as drogas, o presidente da Guatemala Otto Pérez, que chegou na noite de quinta-feira a Cartagena, disse antes de deixar seu país que deseja que a cúpula forme ao menos um grupo de especialistas para estudar o ocorrido em países que despenalizaram o consumo.

Pérez, que para abrir este debate conta com o apoio dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Costa Rica, Laura Chinchilla, poderá abordar finalmente sua proposta sobre as drogas no próximo sábado com seus vizinhos da América Central, uma região convertida na mais violenta do mundo, segundo a ONU, pelos cartéis do narcotráfico.

Os presidentes de Honduras, Porfirio Lobo, da Nicarágua, Daniel Ortega, e de El Salvador, Mauricio Funes, boicotaram no último momento no dia 24 de março uma cúpula centro-americana convocada por Pérez para debater o tema.

Os Estados Unidos, que se opõem terminantemente a considerar qualquer outra estratégia contra as drogas que não seja a guerra que impulsionou na Colômbia e no México e que atualmente propõe na América Central, foram acusados pelo presidente Pérez de ter incentivado o boicote ao encontro na Guatemala.

Santos e o presidente do México, Felipe Calderón, que lançou em seu país a guerra contra os cartéis, que deixou mais de 50 mil mortos em cinco anos, participarão da reunião dos centroamericanos, que será preparada nesta sexta-feira pelos chanceleres.

Vários países latino-americanos, liderados por Brasil, Argentina e Venezuela, incentivam a posição de que esta deve ser a última cúpula das Américas na qual Cuba não participa. Por este motivo, o presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o encontro em Cartagena e deve ser o único presidente ausente, se o venezuelano Hugo Chávez chegar, como está anunciado.

Estados Unidos e Canadá não aceitaram convidar Cuba a esta cúpula até que o país seja uma democracia e se integre à OEA.

Os países latino-americanos apoiam a Argentina em sua pretensão de incluir a disputa com a Grã-Bretanha sobre as ilhas Malvinas na declaração final da cúpula, o que também conta com a oposição de Estados Unidos e Canadá.

Referindo-se a estes dois países, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que "ou escutam e retificam a tempo ou estas cúpulas acabam, não há mais cúpulas deste tipo".

"Dos 34 países, 32 estão de acordo em uma posição de respeito a Cuba (...) e de acompanhar a (Argentina) pelas Malvinas", disse Maduro, o que foi confirmado por seu homólogo argentino Héctor Timerman.

Durante uma reunião na noite de quinta-feira com seus pares para negociar a declaração final da cúpula, a chanceler colombiana, María Angeles Holguín, os convidou "a construir consensos".

"Podemos tomar o caminho da convergência de interesses e de ações conjuntas que beneficiem nossas populações ou podemos tomar o caminho do distanciamento e dos profundos silêncios que mantivemos durante décadas no Hemisfério", disse Holguín.

No entanto, classificou como positivo para a reunião que sejam tratados temas como "o problema mundial das drogas, a participação de Cuba em processos de Cúpulas e das ilhas Malvinas". "Tudo isso é positivo, assim teremos posições diversas entre nós", enfatizou.

A secretária de Estado Hillary Clinton é esperada ao meio-dia desta sexta-feira e encerrará, junto com Santos e com o presidente da Bolívia, Evo Morales, um Fórum Social que reuniu na quinta-feira representantes do movimento sindical, comunidades indígenas e organizações da sociedade civil.

Vários presidentes latino-americanos e o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, participarão durante toda a sexta-feira de um Fórum Empresarial, que contará com a presença de três centenas de importantes empresários do continente.

A cúpula propriamente dita acontecerá no sábado e no domingo.





Fonte: DefesaNet

Hillary Clinton diz que discutirá Irã e Síria em visita ao Brasil


A situação na Síria e no Irã estarão na agenda da visita que a secretária de
Estado americana, Hillary Clinton, fará ao Brasil na próxima semana.

Durante um evento nesta quinta-feira na Casa Branca, Hillary Clinton disse sua viagem a Brasília tratará de "temas globais".

"Quando eu for ao Brasil na semana que vem, minhas conversas serão sobre os grandes desafios da atualidade, da Síria e o Irã ao crescimento e desenvolvimento", afirmou.

A abertura de Hillary Clinton para falar do assunto contrasta com o silêncio sobre essas questões mantido durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington nesta semana.

Brasil e EUA se opõem nos dois temas, sendo que em ambos Brasília rejeita medidas de sanções defendidas por Washington.

Em relação à Síria, o governo brasileiro chegou a votar na ONU a favor de uma declaração pedindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad, no fim de fevereiro. No entanto, o Brasil não adota sanções, como fazem EUA e União Europeia.

Já a posição brasileira em relação ao Irã – acusado pelos EUA e a UE de usar seu programa nuclear para fins militares – é a de que as sanções aplicadas sobre o petróleo iraniano são "extremamente perigosas", como disse a presidente Dilma Rousseff no mês passado.

Existe, entre os diplomatas brasileiros, um ressentimento com o tratamento recebido da maior potência mundial quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu chanceler, Celso Amorim, negociaram junto com a Turquia um acordo com o Irã para troca de combustível nuclear, em 2010.

Hillary Clinton supostamente soube do acordo em primeira mão. Mas nas horas seguintes ao anúncio, a secretária de Estado desestimou a ação brasileira e turca e pressionou por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Defendendo em ambos os casos o que Dilma Rousseff chamou em Washington de "diplomacia determinada", ou seja, disposta a encontrar soluções negociadas, os diplomatas brasileiros dão a entender que as tratativas levadas adiante pelas potências mundiais não têm o objetivo real de chegar a um acordo.

Ator global

Do ponto de vista brasileiro, o envolvimento em questões relativas ao Oriente Médio diz respeito ao reconhecimento do papel global do país.

Embora reconheça e inclusive coopere com o Brasil em várias questões globais – por exemplo, em biocombustíveis e agricultura na África – o governo americano nunca expressou apoio firme a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Nesta semana, Dilma fez uma visita considerada de baixo perfil a Washington e a Boston. Em conversa com jornalistas, a presidente disse que o Irã não foi assunto do encontro entre ela e Barack Obama.

Não comentado oficialmente, analistas notaram que o Brasil não recebeu o status de visita de Estado conferido pelos EUA à China e à Índia.

Entretanto, os dois países insistem que possuem um diálogo global, expressado pela agenda de Hillary Clinton no Brasil.

Na próxima segunda-feira, em Brasília, ela encabeçará a delegação americana no Diálogo de Parceria Global Brasil-Estados Unidos, um fórum bilateral que discute temas que vão desde desenvolvimento e educação, a política global e a situação econômica.

Na terça-feira, a secretária americana participará do primeiro encontro anual de alto nível da Parceria Governo Aberto, uma iniciativa para promover a transparência e a prestação de contas entre 54 governos, um quarto deles latino-americanos.

Hillary Clinton também deve se reunir com representantes do setor privado.

Antes da viagem ao Brasil, ela e o presidente americano, Barack Obama, estarão entre as autoridades que farão parte da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, no fim de semana.





Fonte: DefesaNet

sexta-feira, 13 de abril de 2012

As insurreições no Oriente Próximo e as tentativas imperialistas de desestabilizar a região

INTERVENÇÃO DE LEILA GHANEN NO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DOS 90 ANOS DO PCB

Mais uma vez o Oriente Médio (o Mundo Árabe, em específico), mostra que é capaz de gerar movimentos de resistência (Líbano, Iraque, Palestina), de transformar as aventuras coloniais em derrotas militares categóricas e dar início a um ciclo de revoltas populares (e se trata de um ciclo que foi interrompido pelo Escudo do Golfo[2]) no Iêmen, Jordânia, Bahrein, Marrocos, ocasionando uma intervenção militar imperialista na Líbia e as tentativas ainda em curso na Síria... Desde então estes eventos não são mais um assuntolocal e seu impacto diz respeito a todos nós...


Faço, aqui, uma distinção na minha análise entre os casos sírio e líbio, sujeitos a manobras colonialistas específicas do eixo EUA / França / Escudo do Golfo.


I - O impacto estratégico das revoltas no Oriente Próximo e as tentativas de desestabilizar os estados da região

É claro que estas insurreições se espalham em escala internacional através da crônica jornalística. Os efeitos das ressonâncias são propagados nas metrópoles capitalistas até Wall Street e não é por acaso que dois grandes países (EUA e França) conduzem suas batalhas eleitorais sob o signo dessas revoltas.

Na ocasião de sua campanha eleitoral, Obama anunciou seu plano para “estabilizar e modernizar as economias egípcia e tunisiana”. Também, por ordem de Washington, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional discutirão este projeto na cúpula G-8, em 26-27 de mai, na França. Obama, ainda, anuncia que os Estados Unidos estão criando “fundos empresariais para investimentos de empresas no Egito e Tunísia, como o modelo do que foi sustentado na transição da Europa Oriental”[3]. O Egito e a Tunísia ainda não superaram a sujeição às potências ocidentais, representada nos planos de reajustes estruturais que foram a origem externa das revoltas que estouraram nestes dois países e que queremos transformar em laboratórios deste “novo plano econômico neocolonial”[4]. O auxílio concedido a estes projetos não excedem 1 milhão de dólares e vai apertar ainda mais o garrote da dívida[5]. Mas, este projeto foi amplamente contestado no Egito[6], onde se viu várias iniciativas, inclusive uma autorização nacional feita por um sheik, para coletar localmente este dinheiro. O povo egípcio sabe agora que seu país foi pilhado de cima a baixo. Um dos instigadores da revolta estava de acordo a respeito do gás (o que decorre dos tratados de Camps David) em favor do qual o Egito se obrigou a vender seu gás a Israel três vezes mais barato do que o preço de mercado, ou seja, é ele que dá um presente a Israel de 3 bilhões de dólares por ano[7]. Logo, não apenas poderíamos passar sem a ajuda americana, mas ainda utilizar o 1,5 bilhão dado a Israel, para desenvolver uma distribuição energética em um país em que 20% da população vive sem nenhum acesso à energia. Outros acordos, tais como o Quiz, concedem a Israel uma quota de 11,4% sobre os investimentos ditos “pesados”.[8]

Sarkozy conduz sua batalha eleitoral na França sob o signo destas “revoluções”, empunhando a importância do papel que ele desempenhou na Líbia e da necessidade, no momento de crise, do patronato francês (MEDES e o arsenal militar e bancário...) definir um novo modelo para a saúde pública. Além disso, Paris se tornou a capital de uma oposição síria marginalizada no interior e corrompida pelo dinheiro do Qatar.

O paradoxo é que o “Escudo do Golfo”, à frente do qual se encontram Qatar e Arábia Saudita, age também para armar a oposição síria e libanesa, para financiar Annahda na Tunísia e a Irmandade Muçulmana no Egito, mas ao mesmo tempo financiar a campanha da direita na Europa, sobretudo a de Sarkozy, que utiliza a ira racista anti-imigração árabe como cavalo de batalha de sua campanha para se aliar à extrema direita. Isso nos leva a uma outra batalha de classe que transpassa as terras francesas. A imigração árabe na Europa desempenha um papel importante nas lutas sociais, assim como na luta anti-colonial na Palestina (campanha BDS, barcos para romper o cerco à Gaza).

II – O que quer esta coalizão de bandidos (EUA, Israel, Direita Europeia, Arábia Saudita, Qatar)?

Além das razões estratégicas evidentes de controlar as “torneiras” do petróleo e de separar a China da Eurásia (assim se mostra na batalha contra a Síria)... Ela tem por propósito, pura e simplesmente:

1. sufocar, por todos os meios, todas as formas de revolta, impedindo o processo revolucionário na Tunísia e no Egito, mantendo estes dois países dentro da submissão entreguista e a pauperização na “economia de bazar”. Os 20 milhões de egípcios que foram às ruas são um fato de uma importância histórica inegável, forçosamente tornando-se exemplo em escala regional e onde quer quea crise do capitalismo se projete mais duramente.

2. desestabilizar o Egito, que ocupa um lugar de liderança no Mundo Árabe, mantendo o status quo maldito criado pelos acordos de Camp David (os quais estão ligados aos acordos de Oslo, Camps David II, etc...)[9]

3. Atacar a Líbia e a Síria.

4. Isolar o Irã, minando sua base popular na região (para isso: 1- a revolta xiita do Bahrein foi afogada em sangue; 2 - a oposição iemenita foi sabotada, depois de ter afastado Ali Abdalah Saleh, mas ter mantido toda sua família e seu clã no poder; 3 – os fascistas libaneses, aliados de Israel, foram armados contra a resistência libanesa do Hezbollah, uma vez que os EUA se recusaram a vender armas ao exército legal libanês, culpado de ter repelido uma agressão israelense a suas fronteiras. E enfim, incitar e armar uma resistência islamo-fascista na Síria.

5. Desarmar a resistência libanesa que mudou o jogo no Oriente Próximo, desafiando um dos mais formidáveis exércitos do mundo[10] e que constitui uma ameaça real contra o Estado colonialista de Israel. Esta resistência se tornou o alvo principal da aliança de bandidos americana-israelense, sobretudo porque ela deu um incrível exemplo histórico, revivendo os métodos vietcongues que já fizeram soar o dobre de finados para os ianques na Ásia e, sobretudo, para romper o muro de medo, apesar da correlação de forças desfavorável[11], decidindo lutar , ou "para escolher a morrer de pé", como dizemos no nosso jargão local.

Esta resistência é particularmente visada, ​​não por seu caráter religioso, mas porque é de natureza anticolonial. Kissinger havia dito: "Nós não temos medo do Islã político, mas do Islãcombativo." Em oposição à "Irmandade Muçulmana", conservadora e pró-ocidental, o Hezbollah não reivindica o poder ou a aplicação da lei islâmica "Sharia", ele é parte de uma frente composta por partidos de esquerda, aí incluído o Partido Comunista Libanês, de partidos políticos anti-imperialistas e todas as confissões em conjunto (cristã, muçulmana, drusa)... Elecoloca como prioridade a luta contra Israel e contra o imperialismo, proclama reformas sociais e impede as tentativas de grilagem de terras no sul do Líbano, mesmo entre seus aliados.[12]

Não é qualquer coisa vencer o medo de todo o estratagema do 11 de setembro que visava aterrorizar não apenas os países da periferia, mas também as metrópoles... e era uma condição para passar ao estágio do capitalismo predatório, para o retorno ao colonialismo e a tomada direta de todos os recursos do planeta, incluindo a vida... Nós, do Oriente Próximo, fomos o primeiro laboratório deste terror, em todas as escalas militares, econômicas e políticas. Vimos desembarcar os americanos no Iraque com um arsenal de armas não-convencionais, e com eles as empresas como Monsanto, Syngenta, Dow Chemical e outras gigantes do agronegócio alimentar, ou da água, como a Bechtel[13].

III - Por que esta obstinação imperialista, apesar da derrota do sistema capitalista (crise, falências, enfraquecimento de sua força de ataque, movimentos de massas por todas as partes, inclusive em Wall Street)?

1. As revoltas que assistimos no Oriente Próximo dão a prova de que o capitalismo atingiu seus limites que chegou a um grau tal de centralização que fez desaparecer toda margem de autonomia fora do poder dos monopólios. E nós não podemos voltar atrás, não podemos desconcentrar o capital. O movimento natural do capital em direção a uma concentração cada vez maior nos conduziu até aqui onde estamos. E dentro dessas condições “as soluções que poderiam perfeitamente funcionar em uma etapa anterior de centralização do capital – uma vez que o Estado intervinha e que havia setores importantes da economia que podiam responder às incitações e políticas do Estado – não existe mais. É por isso que temos essas agências de rating, que são a voz direta do capital financeiro e já se tornaram o poder final para decidir a política econômica”.[14]

2. Se é verdadeiro que a insurgência árabe que surgiu na Tunísia e Egito têm incluído a pobreza, a corrupção e a falta de liberdade, é verdade que o ódio contra a dominação ocidental e à ocupação israelense estava presente devido à aliança entre estes dois regimes aos Estados Unidos. A natureza ditatorial desses regimes é um resultado direto de seu papel na manutenção dos interesses imperialistas.

3. Ambas as insurgências têm suas raízes em um processo de lutas que se acumularam desde o início da feroz liberalização da economia que remonta à década de 70, segundo imposição de Bretton Woods (Banco Mundial, FMI, Acordos de Camp David, GATT, OMC) e que tomou forma com os planos chamados estruturais. Para falar apenas da última década entre 2003 e 2010, mais de 3400 movimentos de protesto foram identificados no Egito. Este processo tem sido acompanhado por uma destruição sistemática das instituições do Estado, da concentração dos três poderes nas mãos de uma oligarquia submetida aos Estados Unidos e do estabelecimento de um regime repressivo.

4. O fato de que "estas revoluções não têm cabeça" ajudou a perturbar os analistas da esquerda europeia e do ocidente em geral, que não souberam qualificar estas revoluções populares, as quais não foram obra dos partidos de esquerda[15], mas um movimento espontâneo dos jovens e das massas populares, e não resultaram em uma chegada ao poder das forças revolucionárias. [16]

Pois o fato destas revoluções serem desprovidas de direção ideológica não retira nada do seu caráter revolucionário, no sentido de que nos lembra o filósofo comunista Alain Badiou: “Esta ação coletiva, desprovida da autoridade da lei, aquela que Marx denominou ‘o desvanecimento do Estado’, este triunfo, ilegal por natureza, da ação popular, chama-se revolução. Sublevar-se, construir o lugar público do comunismo de movimento, defendendo-o por todos os meios e inventar as etapas sucessivas da ação, este é o realsentido da política popular de emancipação. Comunismo quer dizer aqui: criação em comum do destino coletivo. Resolver sem ajuda do Estado problemas insolúveis, ou seja, o destino de um acontecimento. É isto que faz com que um povo, repentinamente, e por tempo indeterminado, exista, ali onde ele decidiu se reunir”.[17]

No momento atual, este movimento continua, centenas de sindicatos independentes nasceram, bem como comitês de bairro, comitês de acompanhamento para julgar os corrompidos, os traidores..., comissões para discutir a legislação e, sobretudo, uma assembleia para garantir a continuação da revolução a partir de Midan Tahir (esta semana foram definidos de maneirapermanente todos os comitês da Praça Tahir).

A continuidade deste movimento é a única garantia da continuidade do processo revolucionário e de parar as manobras imperialistas, e devemos, todos, ser solidários com os movimentos no Egito e na Tunísia, onde os sindicatos e os partidos políticos que fizeram Kasbah II decidiram continuar sua mobilização.

Nós somos militantes comunistas; devemos garantir uma análise de classe e olhar ao mesmo tempo a tradição leninista e a dinâmica da história.[18]

IV - Os limites da agressão imperialista

Apesar da agressão imperialista, a correlação de forças não lhe é favorável.


É verdade que, até o presente momento, as estratégias postas em prática pelas grandes potências não foram colocadas em xeque pelos movimentos, mas as posições do imperialismo dentro da região são muito frágeis. Com a queda das ditaduras abertas que estavam a seu serviço, eles perderam um aliado poderoso.

Sobre o plano estratégico, os imperialistas saíram fragilizados de seu duplo fracasso no Iraque e no Afeganistão e são incapazes, ao menos num curto prazo, de atacar o Irã[19]. (O Estado-maior americano não apoiou esta ideia de uma guerra contra o Irã. As pressões israelenses não tiveram êxito - resposta de Obama a Netanyahou).

Além disso, o Irã é uma potência de porte (não é nem o Iraque e nem o Afeganistão). Ninguém sabe aonde poderia chegar uma aventura militar no Irã...

Assistimos a uma concordância de concepções e uma aliança hermética entre o Escudo do Golfo e Israel

Na Síria, a Rússia e a China colocaram todo seu peso para parar a arrogância estadunidense que quer ditar sua lei como fez na ocasião da guerra contra o Iraque, freando o processo de derrubada do regime [Bashar] Al-Assad e tentando achar uma solução local.

Outras manobras de estabilização consistem em exacerbar a ira sunita-xiita e é aqui que os wahabitas sauditas e os emires do Qatar atuam plenamente, armando a oposição síria e corrompendo a oposição do Conselho Nacional Sìrio (CNS, que acaba de entrar em crise por questões financeiras)[20]. O objetivo é fechar o cerco ao Irã xiita, para quebrar a aliança entre o Hamas (sunita) e o Hezbollah (xiita), cuja aliança falhou devido à generalização de uma guerra confessional dentro do Islã. Esta tentativa foi para tentar frustrar o Hezbollah que conseguiu criar uma frente unida que envolve todas as três resistências anti-imperialistas na região: iraquiana, palestina e libanesas.

Os modelos desta desestabilização, que se faz no escuro, nos colocam
diante dos seguintes cenários:

I – o Paquistão servirá como modelo para o Egito ou a Tunísia;

II – a somalização da Líbia e da Síria (encontramos hoje na Somália cerca de 45 “governos”... a Líbia está a caminho desde “modelo”... a Síria poderia segui-lo...)

No Egito, os serviços secretos americanos e israelenses não se desarmam, eles são onipresentes para controlar a situação e preservar o status quo e os acordos assinados. A Casa Branca havia aberto uma célula permanente cujo intuito era recompor a instituição militar[21]: Omar Souleiman, Tantawy e os outrora inimigos da Irmandade Muçulmana. Mas, aqui também, nem os militares, nem a Irmandade Muçulmana, podem agir abertamente em favor do bloco Israel-EUA. Por outro lado, os resultados das eleições não são um dado estático. O que podem os islâmicos dar às massas? Qual é seu programa? Por isso, o movimento nas ruas continua e as tropas dos partidos religiosos participam dos movimentos reivindicatórios. Como se disse antes, o medo havia mudado de lado e os povos ainda estão em alerta.

V - Que ensinamentos gerais podemos tirar das revoltas populares que ecoam pelos países do mundo árabe há mais de um ano?

1. A lição principal e fundamental é que os povos quebraram o muro do medo. Esta é uma grande transformação qualitativa. Durante décadas, os povos em questão, sejam os egípcios ou os tunisianos - mas poderíamos nos referir a muitos outros - concordaram em viver sob regimes policiais e mesmo de terror, pensando que era totalmente impossível fazer qualquer coisa. Agora, eles se revoltam.

2. A reversão do processo não é mais concebível. Não importam quais sejam as manobras externas de desestabilização política e as forças que emergem à superfície, seja qual for a importância dos entraves diante das oportunidades para avançar, houve uma transformação qualitativa enorme, porque não podemos voltar atrás - pelo menos não facilmente – rumo a regimes de opressão como os que havia. Revoltas populares continuam e continuarão. Esta é a lição geral.

3. Um eixo para o movimento revolucionário que chamamos “a memória das lutas” (ontem, o Hezbollah se inspirou nos vietcongues, hoje aqueles do Occupy Wall Street se inspiram em Qassabah [Tunis] e em Midan Tahrir [Cairo]).
Viva a luta dos povos. Que nosso combate continue para enfrentar o capitalismo que se encontra em crise e mais fraco do que nunca. Reforcemos a solidariedade internacional e criemos ligações entre as redes de resistência anti-colonialista (independentemente de suas ideologias)[22] e os movimentos anti-imperialistas, bem como de todas as formas de luta contra as instituições financeiras e a ditadura do mercado.

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[1] Leila Ghanem : Doutora em Antropologia e editora da revista "Alternatives / Bada'el' distribuída em dez países árabes. Foi organizadora do Tribunal Popular de Bruxelas, em 2008, para julgar crimes de guerra israelenses no Líbano. Participou como juíza do tribunal da Opinião de Bogotá para julgar sobre os desaparecidos do regime de Uribe. Ela é a Coordenadora do Fórum Social Internacional de Beirute: o Fórum Social Internacional de Beirute, que aconteceu em 16, 17 e 18 de janeiro de 2009 teve por objetivo criar uma convergência entre as resistências anti-coloniais (no Líbano, na Palestina e no Iraque) e a luta anti-imperialista em escala internacional, bem como com os movimentos de lutas sociais travadas pelos povos para preservar os suas conquistas sociais e os direitos ao trabalho, à saúde e à escola ... por dignidade, justiça e pelo direito de se organizar ... Nossa batalha se orienta a todos que se tornaram alvo de um capitalismo cada vez mais predatório e destrutivo. Duas novidades deram a este fórum um grande impulso: a crise financeira e os acontecimentos em Gaza. Presenciamos uma onda sem precedentes (450 organizações e 60 países) da Ásia (Índia, Irã, Paquistão, Afeganistão), da Europa, dos EUA, da América Latina, e de todos os países árabes ... A plataforma fundadora deste fórum realizou várias reuniões preparatórias em vista do próximo fórum, adiado por conta dos eventos no mundo árabe, particularmente na Síria. (Ver resoluções do Fórum em anexo)

[2] Em abril de 2011, em uma reunião na Arábia Saudita, um mês de intervalo da revolução, nasceu no Bahrein "o escudo do Golfo", que inclui todos os países do Golfo em mais de dois reinos: Jordânia e Marrocos . O objetivo desta aliança é proteger estes sistemas contra levantes populares que começaram a queimar a grama sob seus pés, incluindo Bahrain, Iêmen, Jordânia ou mesmo as cidades do Reino Saudita como a cidade de Taif. O apoio financeiro foi reservado para festas de islamismo sunita conservador ou o que é chamado de "Os Irmãos Muçulmanos." A cadeia Al Jazira desempenhou um papel inegável de mediador para cobrir as revoluções egípcia e tunisina.

[3] Trata-se de uma iniciativa bipartidária promovida pelo senador democrata John Kerry e pelo republicano McCain. O objetivo destes investimentos no Egito e Tunísia é de “promover o setor privado e de parcerias com empresas estadunidenses” e “a criação de uma classe média”. Os EUA visam assim a conquista de pequenas e médias empresas: no Egito elas são 160 mil, as quais se juntam 2,4 milhões de micro empresas. Estes investimentos são dirigidos pelo regulamento do Fundo Empresarial EUA-Egito: ele será governado por um conselho diretor de 4 cidadãos estadunidenses, da área da economia privada, e 3 egípcios, sendo estes últimos também “nomeados pelo presidente dos Estados Unidos”.

[4] Em primeiro lugar, o Oriente Médio nunca foi completamente descolonizado. Possuindo mais da metade das reservas de petróleo do mundo, ele tem sido alvo de constantes interferências e intervenções desde que se tornou independente. 2. Após a Primeira Guerra Mundial a região foi fragmentada e dividida pelo Tratado Sykes–Picot em estados artificiais. 3. Após a Segunda Guerra, estamos vendo a implementação de um Estado colonial na Palestina. 4. Na década de sessenta, ele se submeteu a uma pressão quádrupla, dos EUA, Israel, Grã-Bretanha e França - golpe de Estado contra Mossadek no Irã (nacionalização do petróleo), Guerra de 56 contra Nasser (após a nacionalização do Canal de Suez), a Batalha de Argel contra a FLN. 5. Em 1967, uma guerra regional irrompe contra o Egito, a Síria e a Jordânia. Seguida pela guerra de 73, que resulta em uma vitória militar graças à ajuda russa, rapidamente contornada por um complô que destrói a moral das tropas que receberam ordens para retirar de Défressoire. O Líbano acumula seis guerras destrutivas em 25 anos ... depois vem a ocupação do Iraque em 2003, após um longo cerco asfixiante, a guerra e o cerco de Gaza ....

[5] Os EUA concedem ao Egito uma doação de 1,5 bilhão de dólares por ano, dos quais 1 bilhão como ajuda militar, contra 7,5 bilhões de doação a Israel. Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[6] O Egito pagou seus empréstimos a uma taxa de cerca de 3 bilhões de dólares por ano. Desde 1981, o Egito pagou cerca de 80 bilhões em rendimentos de capitais e juros.

[7] Mubarak costumava repetir em seus discursos à nação que “se nós não colaborarmos com os EUA, eles cortarão sua ajuda e seu trigo, e em três dias vocês estarão famintos.” Outros acordos de trocas (assim ditas) livres obrigam o Egito a vender com prejuízo seu gás para a França, Itália e Espanha.

[8] Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[9] Estes acordos não são apenas acordos políticos e de segurança. Eles contém todos centenas de cláusulas concernentes à abertura desmesurada dos mercados locais para as empresas internacionais, sobretudo americanas e israelenses. Israel sempre foi ponta de lança na introdução do capitalismo predatório. É em troca deste seu duplo papel colonial-capitalista que eles têm todo o apoio ocidental para preservar um Estado de exceção em escala internacional.

[10] A maior academia militar, de Saint Cyr, na frança, ensina em seus programas as guerras israelenses como exemplos impressionantes da arte da guerra, em especial a guerra de 67. Em 2006, a Academia ajustou seus programas para compreender como um pequeno grupo pode agir à maneira vietcongue para colocar em xeque um exército moderno dotado de uma força de ataque formidável, em especial na Batalha de Kiam onde um regimento de blindados com mais de 40 carros foi destruído em algumas horas...

[11] A ajuda total dos Estados Unidos a Israel é aproximadamente um terço do orçamento dos EUA de ajuda externa, sabendo-se que Israel tem apenas 0,001 por cento da população mundial e possui uma renda per capita entre as mais altas o mundo. De 1949 até 1997 os EUA deram a Israel um total de 83.205 bilhões dólares. Despesas com juros que têm sido suportados pelos contribuintes dos Estados Unidos em nome de Israel são de 49,937 bilhões de dólares. Assim, o montante total da ajuda a Israel desde 1949 era de 133,132 bilhões dólares. Isso pode significar que, por ano, o governo dos EUA forneceu mais assistência federal para o cidadão médio de Israel do que ao cidadão americano médio.

[12] Ver meu artigo sobre as razões do aumento das correntes islâmicas dentro da religião. Discurso pronunciado em Serpa, em 2008 (em português e espanhol) e também minha entrevista em Resumen Latinoamericano.

[13] O Iraque não só perdeu a sua soberania política para o benefício dos ocupantes. Ele também perdeu o direito de produzir suas próprias colheitas. Pouco antes da "transferência de poder" em junho de 2004, o administradorprovisório da coalizão, Paul Bremer, impôs ao país uma lista de 100 determinações permitindo aos EUA controlarem todos os aspectos da vida econômica de acordo com sua concepção do mercado liberal. Este controle inclui a direção do Banco Central do Iraque, as regras relativas aos sindicatos e as regras relativas à produção agrícola, de modo que ela obedeça aos desejos da Monsanto, que de forma agressiva tenta impor a utilização de OrganismosGeneticamente Modificados (OGM). O decreto 81, de Bremer, prevê a destruição de 200 tipos de trigo autóctones e sua substituição por sementes “Terminator” produzidas pela Monsanto, semente esta que dá uma planta estéril, sem sementes, e os agricultores terão de renovar anualmente as suas reservas de sementes da Monsanto que tem o monopólio de 99 anos sobre as mesmas. Este é o modelo de democracia que os ianques querem exportar ao OrienteMédio. Ver meu artigo em espanhol: ¿Iraque, um Futuro Modelo del Capitalismo americano?

[14] Ver, sobre isso, Samir Amine: “Sortir du capitalisme en crise ou de la crise du capitalisme”.

[15] A esquerda esteve bem nas ruas, mas não como direção.

[16] Em menos de duas semanas do início da revolta, diferentes setores da sociedade egípcia depois de cruzar o muro do medo, reagruparam a revolução democrática: comitês eclodiram no seio da classe operária, do campesinato, mesmo nas regiões mais remotas, como em Sohag (120.000 manifestantes apenas ali, além de Luxor, Kena, Aswan, Al-Kharga, Fayoum), na classe média (comissões de juízes, professores, jornalistas, cineastas, escritores, advogados, médicos, técnicos do Canal de Suez, contabilistas, agentes, telecomunicações), mas também do cinturão popular de miséria ao redor de Cairo, como Shubra, Imbaba Mataria, Al Salam. O número de manifestantes excedeu os 20 milhões durante os dias. Lembro que, na última eleição de Mubarak, 4 milhões de eleitores de 82 milhões de habitantes compareceram às urnas.

[17] Ver Alain Badiou: “Tunisia, Egito: quando um vento do leste varre a arrogância do Ocidente”.

[18] Na destruidora guerra de Israel no Líbano, em 2006, o militante comunista e escritor Miguel Urbano saudou a resistência libanesa, dizendo que "Lá onde o imperialismo concentra suas forças militares e econômicas, aqueles que o enfrentam o fazem em nome da humanidade inteira".

[19] As operações militares dos EUA, especialmente no Iraque e no Afeganistão, custaram 904 bilhões de dólares desde 2001, segundo um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Orçamentários (CSBA). Este valor inclui a retirada das tropas em 2009.

[20] Somos atualmente quatro fragmentos: Irmãos muçulmanos sírios (base Istambul), Maha Kodmany (financiamento dos EUA), Burhan Ghalioun (rejeita a ideia saudita de armar a oposição), El-Maleh (pró-Arábia Saudita).

[21] O exército egípcio não supera os 350.000 homens, limite imposto pelos acordos de Camps David, enquanto a polícia conta com um milhão e meio de homens. A maior parte da ajuda dos EUA para o exército é feita sob a forma de repasses de dinheiro em troca de favoritismo.

[22] Dentro da boa tradição leninista que, em 1919, reuniu em Baku os povos do Oriente que lutavam contra o colonialismo para reforçar as posições dos bolcheviques. Esses povos tinham, na época, formas político-sociais pré-estatais, ou seja, eram tribos e religiões.



Fonte: Somos Todos Palestinos
Imagem: Google

Hillary Clinton insiste para que grupos "humanitários" possam entrar na Síria



Hillary celebra diminuição da violência na Síria com início da trégua

Diplomata insistiu para que grupos humanitários possam entrar no país. Segundo ela, cessar-fogo é apenas um dos pontos do plano da ONU.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira (12) que os chanceleres do G-8 saudaram o relatório de Kofi Annan que informa que a violência diminuiu na Síria, "pelo menos momentaneamente".

Falando a jornalistas em Washington, Hillary disse que o cessar-fogo é um passo importante, mas apenas um dos seis elementos do plano de Annan.

Ela afirmou que o plano não é um "menu de opções" e insistiu para que grupos humanitários tenham acesso ao território sírio.

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Será que Hillary pretende enviar a Síria a mesma "ajuda humanitária" que enviaram a Líbia???

Burgos Cãogrino



Fonte: cenariomt

Imagem: Google

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Enviar lixo tóxico para países pobres é considerado "Ajuda Humanitária"???

Empresa britânica admite ter exportado dejetos ilegalmente ao Brasi

Reino Unido - Uma companhia britânica admitiu, quinta-feira, ter enviado ilegalmente ao Brasil 89 contentores com mais de 15.000 toneladas de plástico que eram resíduos domésticos.

Diante de um alto tribunal de Old Bailey, a empresa londrina Edwards Waste Paper declarou-se culpada de ter exportado dejetos, o que vai contra a legislação da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico.

Dois directores da empresa, entre eles Simon Edwards, reconheceram também sua culpa e esperam agora a sentença do tribunal.

Outros dois cidadãos, Júlio da Costa e Juliano da Costa, acusados de ter concluído o envio para o Brasil, não se reconheceram culpados, e agora terão de se apresentar a julgamento a partir de Outubro.

As autoridades brasileiras descobriram a carga ilegal há três anos em um cais, e esta foi devolvida ao Reino Unido, onde foi desinfestada em Felixstowe, sudeste da Inglaterra.

"A exportação ilegal de resíduos representam um risco para a saúde humana e para o meio ambiente no país de exportação", disse a chefe da Agência Nacional do Meio Ambiente, Andy Highman.

"Além disso, atinge a indústria de reciclagem do país", completou.


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Para Relembrar

Em 2009 -

INGLATERRA MANDA LIXO PARA O
BRASIL

A Receita Federal e o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul investigam o desembarque de 64 contêineres carregados com cerca de 1.200 toneladas de lixo tóxico, domiciliar e eletrônico nos portos de Rio Grande (RS) e Santos (SP).

O lote de lixo, que equivale a 7,7% do que é produzido por dia no município de São Paulo, veio da Inglaterra e foi enviado irregularmente ao Brasil, segundo a investigação.

40 contêineres estavam retidos em Rio Grande, oito foram parados na estação aduaneira de Caxias do Sul (RS) e 16 no Porto de Santos.

Na documentação entregue nas alfândegas, consta que a carga seria de polímero de etileno e de resíduos plásticos, que deveriam ser usados na indústria de reciclagem.
No entanto, além de sacolas plásticas, havia papel, pilhas, seringas, banheiros químicos, cartelas vazias de remédios, camisinhas, fraldas, tecido e couro, dentre outros.

Moscas e aranhas também foram encontradas nos contêineres.

O que chamou a atenção é que em um dos contêineres havia um tonel com brinquedos onde estava escrito:

"Por favor: entregue esses brinquedos para as crianças pobres do Brasil. Lavar antes de usar"

A carga partiu do porto de Felixstowe, um dos maiores do Reino Unido.

O presidente Lula se manifestou: não queremos importar lixo, como também não queremos mandar o nosso lixo a ninguém. E alfinetou os europeus: Eles, os membros da União Européia, que se dizem tão limpos, querem se descontaminar nos enviando uma montanha de lixo e dizem que é para reciclar. Mas quem vai reciclar preservativos?

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Para relembrar 2

Em 2011 -

Lixo eletrônico em países pobres


Área de descarte de eletrônicos

O Laboratório Federal para Ciência e Tecnologia de Materiais da Suíça (Empa) registrou os principais centros de reciclagem informal de lixo eletrônico em 11 países do mundo, em um esforço para chamar a atenção sobre os perigos da contaminação causados pelo processo.

O chefe do departamento científico da instituição, Mathias Schluep, disse à BBC Brasil que os países do oeste da África são os principais receptores de eletro-eletrônicos europeus e norte-americanos de segunda mão, parte dos quais se transforma rapidamente em lixo.

O transporte do lixo eletrônico, proibido internacionalmente, é feito de maneira clandestina para países africanos e asiáticos misturado a carregamentos de eletrônicos de segunda mão importados de países desenvolvidos.

"Os equipamentos usados são revendidos na África e na Ásia preços muito baixos. No entanto, cerca de 30% deles chegam quebrados. Metade deste total é conserta e revendida e a outra metade é descartada imediatamente", disse Schluep.

Em Gana, um dos principais receptores de eletrônicos europeus de segunda mão na África, testes feitos em uma escola próxima a um centro de reciclagem informal mostraram níveis de chumbo, cádmio e outros poluentes cerca de 50 vezes acima dos níveis considerados seguros.

Recicladores queimam partes de monitores

Na China e na Índia, os maiores países receptores e recicladores de lixo eletrônico na Ásia, trabalhadores realizam - manualmente e sem proteção - a separação de metais de placas de circuito, que liberam resíduos tóxicos no solo e nos rios.

A instituição suíça oferece treinamento e apoio a recicladores em diversos países, em parceria com governos, agências da ONU e empresas de eletrônicos, como a Microsoft, a Nokia e a Hewlett Packard.

De acordo com Schluep, a reciclagem e a extração de materiais de televisores, celulares e computadores quebrados é vista como oportunidade para milhares de comunidades mais pobres, em meio a alertas sobre a possível escassez de metais essenciais para a construção de equipamentos eletrônicos.

Homem conserta uma televisão quebrada

O Empa estima que em 100 mil celulares há cerca de 2,4 quilos de ouro, mais de 900 quilos de cobre e 25 quilos de prata, que valeriam mais de US$ 250 mil (R$ 430 mil) se fossem completamente recuperados.

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Será que enviar lixo tóxico para países pobres também é considerado "ajuda humanitária" pela ONU???

Burgos Cãogrino



Fonte: Angola Press , UOL , bbaronti

Venezuela, dez anos depois do golpe. O que vem pela frente?



Malogro do 11 de abril de 2002 marca uma novidade na América Latina. Nunca uma articulação envolvendo classes dominantes, Igreja Católica, mídia e Estados Unidos fracassara por aqui. Hoje, com a popularidede acima de 60%, Chávez é o favorito na disputa presidencial. Mas um drama pessoal ameaça se transformar em fator político determinante: a gravidade de seu quadro de saúde. Se a situação se agravar, não há substituto à altura. Não há uma Dilma do Chávez.

Por Gilberto Maringoni/Carta Maior

Estive pela primeira vez na Venezuela três semanas após o fracassado golpe de 11 de abril de 2002. O motivo foi um convite do jornalista Raimundo Pereira, um dos pais do jornalismo político moderno no país e editor da revista Reportagem. "Você não quer passar uns dias em Caracas, saber como foi essa volta do Chávez ao poder e fazer uma matéria extensa?", perguntou ele em uma curta e objetiva reunião que tivemos dois dias após o fim da aventura de Pedro Carmona e seus aliados.

Aceitei e fiz as malas sem saber muito do país, além da generalidade superficial de quem lê o noticiário da mídia brasileira.

Dias antes, Arnaldo Jabor havia saudado o golpe. Aparecera com aquele ar de amigo esperto nas telas da Globo, segurando uma taça de vinho numa mão e uma banana na outra. "Vamos brindar o fim de mais uma república bananeira", ironizou, antes de fazer biquinho para saborear a bebida.


O Estado de S. Paulo foi mais direto. No editorial de sábado, 13 de abril tascou o seguinte: "O que ocorreu na Venezuela não foi um simples golpe de Estado que tirou do poder o coronel Hugo Chávez. Foi - assim como ocorreu no Brasil em 1964 - uma reação cívica a um governo que, eleito em pleito livre, em consequência do cansaço popular com partidos que já não tinham representação e se excediam na corrupção, se esmerou, uma vez no poder, em eliminar progressivamente todo e qualquer vestígio daquilo que se poderia chamar de institucionalidade democrática".


Clima pesado

Em Caracas, o clima era mais pesado. Os jornais e os noticiários de TV praticamente diziam que Chávez era o responsável pelo golpe. Havia denúncias e mais denúncias, anúncios catastróficos sobre a reforma agrária e um rosário de torpedos verbais contra o presidente em todos os horários e canais.

Mas os atendentes, camareiras, garçons, camelôs, balconistas, mendigos, cobradores de ônibus e lideranças de bairros estavam exultantes. "Intentaran sacar el presidente porque él és nuestro", me falou baixinho a copeira do hotel onde fiquei.


A sensação nas ruas era semelhante. As marchas da oposição exibiam loiras oxigenadas, com blusas de oncinha, calça de couro e salto alto. Também se viam rapazes, marombados por intermináveis horas nas academias, descendo de Pajeros e Cherokees. A ala dos governistas era composta por mulatos, mestiços, desdentados e malvestidos. Visualmente, o panorama era de ricos contra pobres, quase uma imagem de manual de luta de classes.


O malogro

O malogro da ação se deu por três fatores:

1. Os golpistas não conseguiram maioria nas forças armadas. A cúpula queria a saída de Chávez, mas a média oficialidade e os cabos e soldados não embarcaram na intentona. Na própria madrugada do dia 12, enquanto o presidente era detido, várias guarnições importantes começaram a se rebelar;

2. A formidável reação popular evidenciou a rarefeita legitimidade da nova situação e

3. O novo governo conheceu um acachapante isolamento internacional.

O fim da trapalhada ficará marcado como uma das mais belas e emocionantes páginas das lutas sociais de todo o mundo. O figurino continental desandou. Puxadas de tapetes com sólidos apoios entre o empresariado, a Igreja Católica, os militares e a embaixada dos Estados Unidos nunca foram revertidos de forma tão espetacular

A volta de Hugo Chávez ao palácio de Miraflores, rodeado por centenas de milhares de apoiadores, tornou-se também objeto de disputa entre a direita e a esquerda. Qual o real significado das movimentações daqueles dias? A oposição valia-se de um argumento semelhante ao do jornal O Estado de S. Paulo: não houve golpe, mas um levante cívico militar contra a baderna. Golpista seria Chávez, que liderou um fracassado levante militar em 1992. O presidente, de seu lado, não economizou palavras para demonstrar a aliança de Pedro Carmona com a Casa Branca, num quadro de radicalização internacional promovida pelo governo de George W. Bush, poucos meses após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Produto de uma crise

O mandato de Chávez, desde sua posse, em janeiro de 1999, foi pontuado por tensões e enfrentamentos. Mas, ao contrário do que a mídia internacional martelava incessantemente, o presidente não provocara crise alguma em seu país. Ele sim, como personagem político, é fruto de uma avassaladora crise econômica, social e política que castigava a Venezuela desde a segunda metade dos anos 1980. Iniciada com uma queda vertiginosa dos preços internacionais do petróleo, principal produto de exportação, o desarranjo mostrou-se estrutural, corroendo serviços e instituições públicas, partidos e lideranças políticas, num quadro de descrédito coletivo.

Um olhar superficial poderia classificar o surgimento de Chávez na cena política como a chegada de um salvador da Pátria. Ao longo dos anos, ele mostrou ser não apenas um dirigente capaz de recompor as bases institucionais da Venezuela, mas de tornar-se um fator de estabilidade política.


As classes dominantes locais e seus aliados internacionais somente muito mais tarde perceberiam não estar diante de mais um governante que poderia ser apeado da cadeira presidencial a qualquer momento. O ex-militar tornou-se caudatário de algo mais profundo. Sua legitimidade expressa uma mudança na estrutura de classes do país, com a entrada em cena de multidões empobrecidas e desiludidas, com difusos anseios de mudança.


Seria muito difícil, nessas condições, o governo golpista se estabilizar. Se derrotasse a investida popular, Carmona teria de seguir lançando medidas draconianas para se manter.

Força e fraqueza

A força do governo é, contraditoriamente, a razão de sua fraqueza. O presidente é não só um líder, mas o principal e praticamente único garantidor da estabilidade política e social. É o porta-voz central de seu governo, assim como é o grande intelectual, formulador e estrategista das ações de Estado.

O câncer que acomete atualmente o presidente Hugo Chávez tem, assim, duas dimensões principais. É um drama pessoal. Não se conhece claramente sua extensão ou gravidade. E pode se tornar uma tragédia política. Se a situação se agravar, não há substituto à altura. Nenhum membro do governo ou das forças aliadas poderia conduzir o processo político local sem enfrentar sérias turbulências iniciais. Não há uma Dilma do Chávez.


Dez anos depois do golpe, o presidente continua a manter índices de aprovação acima de 60%. Há fatores objetivos para alavancar tais indicadores: a vida melhorou na Venezuela. Os pobres comem mais, têm mais acesso à saúde, educação e serviços sociais essenciais. A sociedade segue violenta, mas a desigualdade se reduziu. Se tentarmos sintetizar esse período, podemos dizer que a grande diretriz oficial tem sido a de fortalecer o Estado e investir prioritariamente nas áreas sociais.


Os mandatos de Chávez têm sido marcados por enfrentamentos de variados tipos. Eles vão de tentativas de tirá-lo do poder a turbulências econômicas agravadas pela crise de 2008. A isso se somam dificuldades enfrentadas por um país quase sem indústrias, cuja economia baseia-se em grande parte na exportação de petróleo.


Chávez é o grande favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro. Mas a vitória não representará o fim dos problemas.


O presidente agora luta pela vida. Nas condições atuais da Venezuela, isso tem um significado político vasto, profundo e decisivo para o país.

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Fonte: Pravda
Imagem: Google
Vídeo: Youtube

terça-feira, 10 de abril de 2012

Israel quer retirar Nobel de Günter Grass


Em mais uma ação intransigente, o governo de Israel sugeriu que deve ser retirado o Prêmio Nobel do escritor alemão Günter Grass, que publicou, na semana passada, o poema “O que precisa ser dito” no qual critica o potencial atômico de Israel. Grass também criticou a decisão do governo alemão de vender a Israel um submarino que poderia, segundo fontes estrangeiras, portar armamentos nucleares.

As ações israelenses, no entanto, vêm sendo rebatidas e criticadas por intelectuais e jornalistas tanto de Israel, quanto da Alemanha. Em artigo no site de noticias israelenses Ynet, o escritor Eyal Meged afirma que "nem todos os que criticam Israel são antissemitas. (...) A escrita de Grass, que admiro há décadas, é emocionante e humana... é óbvio que esse grande escritor não é antissemita", afirma Meged, ao acrescentar que Grass "tem o direito de nos criticar o quanto quiser".

O jornal, também israelense, Haaretz criticou a atitude do governo: "o ministro do Interior, Eli Ishai, não percebe a ironia de suas palavras, pois justamente sua decisão de barrar a entrada de Grass em Israel por causa de um poema que escreveu lembra regimes sombrios, exatamente como os do Irã ou da Coreia do Norte".

E propõe que o debate sobre os pronuciamentos de Grass seja conduzido de acordo com normas liberais e democráticas "que permitem que todas as pessoas expressem suas posições, por mais provocativas que sejam".

O ex-embaixador de Israel na Alemanha, Avi Primor, afirmou que "vale a pena prestar atenção ao titulo do poema – “O que precisa ser dito” — que expressa uma indignação pelo medo de criticar Israel". Para o diplomata, esse medo decorre da reação do governo israelense às criticas, "como Ariel Sharon, que considerava qualquer crítica como 'antissemita'"



Fonte: Vermelho


Se querem tirar o Prêmio Nobel de um escritor somente porque escreveu um poema, então o que devemos fazer com Barack Obama Prêmio Nobel da Paz que ordena Guerra contra outros países matando crianças e pessoas inocentes???

Pensem!!!

Até quando vão subestimar nossa inteligência???


Burgos Cãogrino




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