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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary renova ameaça: "Assad tem última chance na Síria"



A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, voltou a ameaçar o governo sírio nesta quarta-feira (18) ao considerar que o presidente Bashar al-Assad, está diante de "sua última oportunidade" para encontrar uma solução pacífica para o caos instalado no país pela política agressiva do imperialismo e de algumas nações árabes opositoras à Síria.


Em entrevista coletiva realizada após a reunião ministerial da Otan em Bruxelas, capital da Bélgica, a chanceler americana avisou que a situação síria "se encontra num ponto crucial".

"O que mais preocupa é que, enquanto se prepara o envio dos observadores da ONU, de acordo com o plano de paz, as armas do regime de Assad continuam disparando. Somos conscientes do desafio", tergiversou, já que o acordo de cessar-fogo tem sido quebrado pelos rebeldes apoiados e armados por forças externas.

Em 10 de abril entrou em vigor um plano de paz de seis pontos apresentado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao governo sírio e aos rebeldes armados. O plano foi aceito pelo governo e repudiado pela oposição armada e financiada pelo imperialismo, por Arábia Saudita e Catar.

O acordo inclui a retirada das tropas sírias das ruas, condição que já foi cumprida e observada por repórteres estrangeiros. O chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, reiterou hoje este compromisso durante reunião em Pequim com seu colega chinês, Yang Jiechi.

"Vamos seguir aumentando as medidas, falei com vários países e seguiremos pressionando para uma solução política", renovando as ameaças e prometendo apoio "logístico" aos golpistas.

"Estamos enviando equipamento para a logística e a comunicação dos opositores. Fazemos isso para que eles sejam a voz do povo na Síria".






Fonte: Vermelho
Imagem: Google

Ministro israelense diz que o país não descartou atacar o Irã

Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, diz que as negociações entre o Irã e o grupo 5+1 são perda de “tempo precioso”

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou ontem (17) que seu país não descartou atacar o Irã, embora continuem as entre Teerã e o G5+1 – formado pelos cinco membros permanentes do Conselho da Segurança mais a Alemanha. Barak disse ainda que os israelenses foram claros nas conversas que tiveram com os Estados Unidos a respeito do programa nuclear iraniano: "nós não estamos comprometidos com ninguém".

Barak pensa que o Irã se transformará em uma ameaça existencial caso consiga desenvolver armas nucleares e ameaçou: Israel não permitirá que o governo iraniano produza bombas nucleares. Em relação às negociações entre os iranianos e o G5+1, Barak considera que as partes envolvidas estão perdendo um “tempo precioso”.

No último fim de semana, uma delegação iraniana viajou à Turquia para retomar as negociações com o G5+1. Na ocasião, o Irã destacou as necessidades da negociação, porém voltou a deixar claro que as conversas deveriam ser baseadas em "igualdade e respeito mútuo", sem pressões ou chantagens.

Na semana anterior, no dia 12, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que seu país vai preservar seus direitos fundamentais, ainda que para isso tenha que suportar "as mais duras e severas pressões".





Fonte: Com informações do Opera Mundi, Vermelho


Nunca quiseram nos ouvir; em Cartagena foram obrigados


Na Colômbia, cidade de Cartagena de Índias, ficou demonstrado que há um abismo crescente entre "Nossa América" martiana e "o Norte revolto e brutal que nos despreza". Ali se produziu uma rebelião da América Latina e do Caribe contra a imposição de "um governo e meio", que exercia um veto imperial aos parágrafos do projeto de Declaração Final da chamada Cúpula das Américas que reclamavam o fim do bloqueio e da exclusão de Cuba dos eventos hemisféricos.


Desde a Cúpula anterior de 2009 se dissiparam as ilusões sobre a política do presidente Obama, abriu-se uma brecha entre seus discursos e seus atos, não houve maior mudança na política para a América Latina e Caribe, o bloqueio a Cuba continuou e, inclusive, se endureceu no setor financeiro, apesar da condenação internacional e do voto da esmagadora maioria da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo de "provocar fome, desespero e a derrubada do governo", o que agora se conhece como "mudança de regime".

A Alba se reuniu em 4 de fevereiro passado, em Caracas, na ocasião em que se comemorava a heróica Rebelião Cívico-Militar de 1992, adotou uma Declaração sobre a Soberania Argentina das Malvinas, outra sobre o bloqueio e considerou injusta e inaceitável a imposição da exclusão de Cuba destes eventos. O presidente Correa afirmou resolutamente que se esta questão não fosse resolvida, o Equador não assistiria à Cúpula de Cartagena, o que sacudiu a região. Essa valente posição foi o prelúdio do que ocorreu.

O presidente Raúl Castro Ruz disse ali: "eu quero agradecer a vocês, presidente Correa, a Evo e a todos vocês por essas posições, propostas… é um tema de vital importância, têm toda a razão. Nós jamais reclamamos que se tome uma medida como essa, mas nem por isso vamos deixar de apoiar esta que consideramos muito justa".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que nos visitou, de maneira respeitosa, recebeu como resposta do presidente Raúl Castro Ruz que Cuba, caso fosse convidada à Cúpula, participaria, como sempre, com todo o respeito, apego aos princípios e à verdade, teve o mérito de introduzir diretamente o tema do bloqueio e da exclusão de Cuba.

Para que outras Cúpulas sem Cuba?

O presidente Evo Morales, que foi o primeiro a questionar essa Cúpula na reunião de fevereiro da Alba em Caracas, fez a batalha em Cartagena e afirmou que "estamos em uma etapa de desintegração. Não é possível que um país possa vetar a presença de Cuba, portanto, não há integração e com a ausência do Equador, como uma ausência justa em protesto ao veto dos Estados Unidos a Cuba, sobre que integração podemos falar?".

O presidente Chávez, em 13 de abril passado, exclamou: "Agora, na verdade, se estes dois governos, Estados Unidos e Canadá, se negam a discutir temas tão profundamente consubstanciados para a América Latina e o Caribe, como é o tema de Cuba, da irmã Cuba, da solidária Cuba, ou o tema das Ilhas Malvinas, para que outras Cúpulas das Américas então? Seria necessário acabar com essas Cúpulas”. Antes, ele tinha escrito: "Clamamos, igualmente, pelo fim do vergonhoso e criminoso bloqueio à irmã República de Cuba: bloqueio que, há mais de 50 anos, o império exerce, com crueldade e sevícia, contra o heroico povo de José Martí".

Daniel Ortega, em massivo e juvenil ato de solidariedade com Cuba, em 14 de abril, em Manágua, disse: "Eu creio que é o momento de o governo dos Estados Unidos escutar todas as nações latino-americanas das mais diversas ideologias, dos mais diversos pensamentos políticos; desde os pensamentos mais conservadores até os pensamentos mais revolucionários, mas aí estão todos coincidindo em que Cuba tem que estar presente nestas reuniões ou não haverá próximas Cúpulas chamadas ou mal chamadas das Américas".

Malvinas e bloqueio


Foi impressionante a sólida postura unitária de Nossa América em torno do bloqueio, a exclusão de Cuba e as Malvinas. Foi essencial a firmeza e a dignidade da presidente da Argentina na defesa enérgica dessas causas.

Sentimo-nos orgulhosos quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, defendeu com serena dignidade diante de Obama, que a Pátria Grande só pode ser tratada como igual e confirmou a postura comum em apoio à Argentina e a Cuba.

Os líderes dos países do Caribe mostraram a solidez da Comunidade do Caribe (Caricom) e que esta e a América Latina são igualmente indivisíveis. Sua defesa da soberania argentina das Malvinas e seu tradicional e categórico respaldo a Cuba foi trascendental.

As forças de esquerda, os movimentos populares, as organizações sindicais, juvenis e estudantis, as organizações não-governamentais reunidas todas no Congresso dos Povos, em Cartagena, expressaram emotiva solidariedade com Cuba. A Reunião Interparlamentar das Américas adotou uma condenação à exclusão e ao bloqueio a nosso país.

Nascimento da Celac

Os Estados Unidos subestimaram que em 2 de dezembro de 2011, em Caracas, no Bicentenário da Independência, sob a liderança de Chávez, no 55º aniversário do Desembarque do Granma, nascera a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o que o líder da Revolução, Fidel Castro Ruz, antecipou em fevereiro de 2010, ao escrever que "nenhum outro fato institucional de nosso hemisfério, durante o último século, reflete similar transcendência".

Quando nessa primeira Cúpula se elegeu Cuba como presidente da Celac em 2013, o general de Exército Raúl Castro Ruz declarou: "Com as decisões que aqui adotamos e com o trabalho conjunto dos últimos três anos, reivindicamos mais de dois séculos de lutas e esperanças. Chegar tão longe nos custou esforço, mas também sangue e sacrifício. As metrópoles coloniais de antigamente e as potências imperiais de hoje foram inimigas desse empenho".

De Cuba, cuidamos nós

Obama tampouco parece entender o significado da vitória bolivariana de 13 de abril de 2002 nem de que, precisamente agora, se completam dez anos do golpe de Estado organizado por seu predecessor, com o apoio da OEA e do governo espanhol de Aznar, contra o presidente Hugo Chávez, com o qual se pretendeu aniquilar a Revolução Bolivariana e assassinar seu líder. Como lhe recordou o chanceler venezuelano Nicolás Maduro, olhando-o nos olhos, em memorável discurso na Cúpula de Cartagena, o governo estadunidense persiste na conduta de intervir nos assuntos internos da Venezuela e de apoiar os golpistas convertidos agora em candidatos eleitorais.

O presidente Obama deveria dar-se conta de que a Cúpula Cartagena não foi propícia para aconselhar Cuba sobre democracia. Menos ainda se quem pretendeu fazê-lo estava ali totalmente isolado, obrigado a exercer um veto imperial por falta de ideias e de autoridade política e moral; dedica-se à demagogia, a caminho de umas eleições escabrosas. Ou melhor, deveria ocupar-se de suas guerras, crise e politicagem, porque de Cuba, nós, cubanos, nos ocupamos.

Os Estados Unidos nunca quiseram debater acerca das terríveis consequências para a América Latina e o Caribe do neoliberalismo nem sobre os imigrantes nos Estados Unidos e Europa separados de suas famílias, deportados cruelmente ou assassinados nos muros como o do Rio Bravo. Tampouco aceitou jamais falar dos pobres que são a metade da humanidade.

O império e as outrora metrópoles coloniais não escutam os “indignados”, seus cidadãos e minorias que vivem na pobreza nessas sociedades opulentas, enquanto salvam com somas exorbitantes banqueiros corruptos e especuladores. Na superpotência, 10% das famílias controlam 80% da riqueza. Esses recursos são suficientes para resolver os problemas do planeta.

A novidade de Cartagena
O novo em Cartagena é que boa parte dos governos, com naturais diferenças e distintos enfoques, demandaram um modelo alternativo que privilegie a solidariedade e a complementaridade frente à competição fundada no egoísmo; procuram a harmonia com a natureza e não o saque dos recursos naturais nem o consumismo desenfreado. Pediram que se assegure a diversidade cultural e não a imposição de valores e estilos de vida alheios a nossos povos; que se consolide a paz e sejam rechaçadas as guerras e a militarização.
Fizeram um chamamento a recuperar a condição humana de nossas sociedades e a construir um mundo onde se reconheça e respeite a pluralidade de ideias e modelos, a participação democrática da sociedade nos assuntos de governo, incluída a consulta das políticas econômicas e monetárias; que sejam combatidos o analfabetismo, a mortalidade infantil e materna, as enfermidades curáveis. Exigiu-se o acesso tanto à informação livre e verídica como à água potável; reconheceu-se a exclusão social e que os direitos humanos são para o exercício de todos e não para usá-los como arma política dos poderosos.
Desta vez, o governo dos Estados Unidos teve que escutar, não uma voz quase única como foi durante décadas, nem uma escassa minoria até há pouco. Agora, foi a maioria dos povos que falou na Cúpula pela boca de seus presidentes e chefes de delegações para fazer este debate imprescindível, ou através da atitude dos que não foram. A Cúpula teve que ser censurada porque o império escuta com ouvidos surdos.

Segunda independência

Em Cartagena, ficou desnudada a Doutrina Monroe da "América para os (norte) americanos". Como se ninguém recordasse o engano da Aliança Para o Progresso, em 1961, e da Iniciativa Para as Américas ou a Alca, em 1994; quiseram agora enganar-nos com a "Aliança Igualitária".

Como disse anteriormente em um evento internacional na mesma Cartagena, em 14 de junho de 1994, o comandante em chefe Fidel Castro Ruz, as chamadas Cúpulas das Américas só têm beneficiado o Norte.

José Martí, quando julgou uma reunião similar, em Washington, há 105 anos, escreveu: "Depois de ver com olhos judiciosos os antecedentes, causas e fatores do convite, urge dizer, porque é a verdade, que chegou para a América espanhola a hora de declarar sua segunda independência".

Durante o próprio evento, a Alba tornou oficial e público que, sem uma mudança radical da natureza destas Cúpulas, não participaria mais. Outros líderes continentais, também fizeram essa mesma advertência.

Da OEA, esse cadáver insepulto, nem há o que falar.
À República Argentina assiste o direito inalienável de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

Cuba recorda que a Pátria Grande não estará completa até que o irmão povo portorriquenho exerça seu direito inalienável à autodeterminação e Porto Rico, essa nação latino-americana e caribenha, submetida pelos Estados Unidos ao colonialismo, alcance sua plena independência.

Com um sólido consenso de soberania regional e defesa de nossa cultura, dentro de nossa rica diversidade; com quase 600 milhões habitantes; com enormes recursos naturais, Nossa América tem uma oportunidade para resolver os graves problemas de extrema desigualdade na distribuição da riqueza e pode, com sua força já evidente, contribuir ao "equilíbrio do mundo", à defesa da paz e à preservação da espécie humana.

Para isso, frente aos intentos de dividir-nos e sair do caminho que estamos, necessitamos manter-nos unidos.
Ninguém se esqueça no Norte, que há 51 anos, o povo cubano já defendia, nestas mesmas horas, uma Revolução Socialista nas areias ensanguentadas de Playa Girón, e que, desde então, "todos os povos da América foram um pouco mais livres".








Fonte: Gramna, Vermelho
Tradução: José Reinado, editor do Vermelho
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cuba denuncia roubo de fundos congelados nos Estados Unidos




O valor dos fundos cubanos congelados de forma autoritária pelos Estados Unidos chega a US$ 245 milhões, sendo que um valor indeterminado deles desapareceu nos últimos anos, devido às repetidas apropriações.


As apreensões incluem dinheiro e bens pertencentes a cidadãos cubanos residentes no país e fora dele, além de valores de outros Estados e empresas cubanas e estrangeiras, bloqueados por causa das leis do cerco econômico imposto pelos EUA, de acordo com uma denúncia publicada nesta segunda-feira (16) pelo jornal Granma. Entre os ativos congelados existem propriedades e contas bancárias do Estado, entidades e indivíduos em Cuba, transferências para Cuba por parte de instituições estrangeiras e propriedades, indivíduos e prêmios em dinheiro obtidos pelos cidadãos cubanos em competições ou eventos desportivos internacionais. Segundo o texto, o início desse tipo de ação ocorreu em 8 de julho de 1963, a partir da emissão pelo Tesouro dos EUA, da chamada Regulação de Controle de Ativos Cubanos, que decretou o congelamento dos fundos da ilha.

Desde meados dos anos 90, Cuba sofreu uma nova forma de ataque, o roubo das propriedades do Estado e empresas cubanas por decisão unilateral da administração de Washington.






Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)

Argentina decide reestatizar empresa de petróleo


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira que seu governo pretende aumentar para 51% o capital público da petrolífera argentina, tornando a YPF uma empresa de capital predominantemente público e assumindo o controle gestionário da empresa.

Um projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, estabelece que o Estado passa a controlar a empresa - que havia sido privatizada nos anos 1990, com o controle passado para a empresa espanhola Repsol.

Ao comentar o projeto enviado ao Legislativo, a presidente destacou que tem mais de 50 páginas de "argumentos claros e precisos" que avaliam a decisão de voltar a tomar o controle do estado sobre a entidade, para recuperar o domínio dos recursos que não são apenas estratégicos, mas também vitais.

Cristina pormenorizou além disso detalhes sobre a situação da empresa, 17 anos depois da Repsol ter adquirido a YPF por US$ 13,158 bilhões, a maioria das ações.

A presidente sublinhou que, entre 2001 e 2011 as reservas se reduziram em 50%, enquanto a baixa produção obrigou a Argentina, pela primeira vez em pouco menos de duas décadas, a se converter em país importador de petróleo e gás.

"Depois de dezessete anos, pela primeira vez em 2010, tivemos que importar gás e petróleo. Também tivemos redução no saldo comercial (devido à queda nas exportações do setor), que entre 2006 e 2011 foi de 150%", afirmou.
Cristina anunciou a assinatura de um decreto intervindo na companhia, que passará a ser administrada por autoridades locais, antes mesmo da aprovação do texto pelos parlamentares argentinos.

Com a aprovação do projeto pelo parlamento, o Tribunal de Transações do país determinará o valor da compensação pela transferência das ações de mãos privadas ao controle estatal. Paralelamente ao projeto de lei, Cristina assinou uma medida provisória – chamada de Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) na Argentina –, na qual anuncia a intervenção provisória da YPF S.A. por um prazo de 30 dias.

Petrobras

Cristina afirmou que a decisão argentina não é um "fato inédito", já que outros governos, como México e Bolívia, possuem 100% das empresas petrolíferas estatais. Ela citou o Brasil como um modelo.

"No Brasil, o estado tem 51% (das ações) por meio da Petrobras. Nós escolhemos o mesmo caminho. Queremos ter uma relação igualitária com nosso sócio (Brasil), para ajudar a América Latina a se transformar também em região de auto-abastecimento. E, por isso, queremos incluir Venezuela no Mercosul para fechar o anel energético", disse.

O restante das ações da empresa que hoje tem a participação majoritária da Repsol – mais de 40% – corresponderá às províncias e um percentual reduzido aos espanhóis (especula-se que em torno de 6%). A presidente disse que a medida não afeta "outros sócios ou acionistas" da YPF.

A presidente afirmou também que seu governo quer trabalhar junto com o empresariado e que não vai tolerar a falta de cooperação com seu país.

Reação nervosa

A decisão argentina deixou o governo espanhol irado. Dirigido pelo Partido Popular, de direita, o governo emitiu pareceres e considerações ameaçando a Argentina, chamando a decisão de "gesto de hostilidade" e que o país tomaria medidas "claras e contundentes".

O ministro da Indústria do país europeu, José Manuel Soria, foi o incumbido de comunicar as ameças contra a nação portenha. Em coletiva de imprensa, disse que o executivo trabalha para a adoção de medidas "claras e contundentes", que serão reveladas nos próximos dias, sem especificar no entanto nenhuma delas.

Soria disse que a medida do governo argentino é um "gesto de hostilidade contra a Espanha e contra o governo do país". Tanto Soria como o ministro de Relações Externas, José Manuel García-Margallo, dedicaram um rosário de desqualificações à expropriação. O chanceler espanhol chegou até a convocar o embaixador argentino, Carlos Bettini, para declarar a ele que a medida era "arbitrária" e "daninha", que suporia a ruptura das relações "de amizade e cordialidade" entre as duas nações.

No entanto, Soria disse acreditar que o tal "gesto hostil" não seja o princípio de uma "situação grave", já que na Argentina operam outras importantes empresas de capital espanhol, do setor financeiro – BBVA e Santander – de telecomunicações – Telefónica – e outros setores.



Fonte: Vermelho

Imagem: Google

sábado, 14 de abril de 2012

Fidel Castro: A Cúpula das guayaberas

Com a fina ironia e erudição de sempre, o comandante da Revolução cubana comenta a Cúpula das Américas que se realiza na cidade colombiana de Cartagena e os crimes do imperialismo estadunidense cometidos com a cumplicidade da Organização dos Estados Americanos (OEA).


Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos – sem dúvidas inteligente, bem instruído e bom comunicador- fez não pouca gente pensar que era um êmulo de Abraham Lincoln e Martin Luther King.

Há cinco séculos uma Bula Papal, aplicando conceitos da época, atribuiu cerca de 40 milhões de quilômetros quadrados de terra, águas interiores e costas a dois pequenos e belicosos reinos da Península Ibérica.

Ingleses, franceses, holandeses e outros importantes Estados feudais foram excluídos da divisão. Intermináveis guerras não tardaram a desencadear-se, milhões de africanos foram convertidos em escravos ao longo de quatro séculos e as culturas autóctones, algumas delas mais avançadas do que as da própria Europa, foram desfeitas.

Há 64 anos foi criada a repudiável OEA. Não é possível relevar o grotesco papel dessa instituição. Um elevado número de pessoas, que talvez somem centenas de milhares, foram sequestradas, torturadas e desaparecidas como consequência de suas resoluções para justificar o golpe contra as reformas de Jacob Arbenz na Guatemala, organizado pela Agência Central de Inteligência yanque. A América Central e o Caribe, incluída a pequena ilha de Granada, foram vítimas da fúria intervencionista dos Estados Unidos através da OEA.

Mais grave ainda foi seu nefasto papel no âmbito da América do Sul.

O neoliberalismo, como doutrina oficial do imperialismo, cobrou inusitada força na década de 1970 quando o governo de Richard Nixon decidiu frustrar o triunfo eleitoral de Salvador Allende no Chile. Iniciava-se uma etapa verdadeiramente sinistra na história da América Latina. Dois altos chefes das Forças Armadas chilenas, leais à Constituição, foram assassinados, e Augusto Pinochet foi imposto na chefia do Estado, depois de uma repressão sem precedentes na qual numerosas pessoas selecionadas foram torturadas, assassinadas e desaparecidas.

A Constituição do Uruguai, um país que se tinha mantido durante muitos anos no marco da institucionalidade, foi varrida.

Os golpes militares e a repressão se estenderam a quase todos os países vizinhos. A linha de transporte aéreo cubana foi objeto de brutais sabotagens. Um avião foi destruído em pleno voo com todos os seus passageiros. Reagan liberou o autor mais importante do monstruoso crime de uma prisão na Venezuela, e o enviou a El Salvador para organizar o tráfico de drogas por dinheiro para a guerra suja contra a Nicarágua, que custou dezenas de milhares de mortos e mutilados.

Bush pai e Bush filho, protegeram e isentaram de de culpa os implicados nestes crimes. Seria interminável a lista de malfeitorias e atos terroristas cometidos contra as atividades econômicas de Cuba ao longo de meio século.

Hoje, sexta-feira, 13, escutei valentes palavras pronunciadas por vários dos oradores que intervieram na reunião de chanceleres da chamada Cúpula de Cartagena. O tema dos direitos soberanos da Argentina sobre as Malvinas - cuja economia é brutalmente golpeada ao ser privada dos valiosos recursos energéticos e marítimos dessas ilhas - foi abordado com firmeza. O chanceler venezuelano Nicolás Maduro, ao finalizar a reunião de hoje, declarou com profunda ironia que “do Consenso de Washington se passou ao Consenso sem Washington”.

Agora temos a Cúpula das guayaberas. O rio Yayabo e seu nome indígena, totalmente reivindicado, passarão à história.

Fidel Castro Ruz
13n de abril de 2012
21h40






Fonte: Cubadebate
Tradução: José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho

Imagem: Google

Dilma cobra de Obama relações de igualdade com os EUA



A presidente Dilma Rousseff disse neste sábado (14) ao governante americano, Barack Obama, que as alianças entre a América Latina e os Estados Unidos devem ser em pé de igualdade e defendeu os processos de integração regionais.


"Alianças de igualdade", afirmou Dilma ao lembrar que, "no passado, as relações assimétricas entre norte e sul foram responsáveis por muitos acordos negativos".

Dilma se expressou assim durante uma conversa pública com Obama e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante o encerramento do Fórum Empresarial prévio à inauguração neste sábado da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena de Indias.

"Ninguém produz conhecimento, ciência, educação de qualidade se um for superior ao outro (...) todos sabemos que não existe diálogo entre pessoas e países desiguais, só existe cooperação se nos colocarmos como países que dependemos uns dos outros para fazer este mundo mais próspero", ressaltou a presidente.

Em um dos atos mais esperado deste fórum, que reúne mais de 700 empresários na busca de fórmulas para reduzir o problema da desigualdade social no continente, Dilma reconheceu, no entanto, o importante papel dos Estados Unidos.

"Temos que reconhecer a importância da economia dos Estados Unidos, que possui importantes características neste mundo multipolar que está surgindo: uma imensa flexibilidade, uma enorme liderança em ciência, tecnologia e inovação, e suas raízes democráticas", disse Dilma ao ressaltar "o importante papel que a economia americana segue desempenhando na América Latina".

A presidente do Brasil, cuja economia já é a sexta do mundo, respondeu perguntas sobre crescimento econômico e se orgulhou ao falar "da virtuosa expansão do mercado interno brasileiro", além de ressaltar o importante papel do país em integrar a região em seu conjunto.

"Temos que trabalhar na integração de nossos países e nossas economias", indicou Dilma ao mencionar os países latino-americanos e expressar seu otimismo "em direção às relações no hemisfério".

Entre os aplausos do público, a presidente citou especialmente as conquistas obtidas no seio de organismos regionais, como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), a União Sul-Americana de Nações (Unasul), o Mercosul e o G20.

Segundo Dilma, estes fóruns permitem "articular processos de apoio e financiamento para os setores produtivos" dos países da América Latina e o Caribe.




Fonte:
Vermelho

A Ordem Criminosa do Mundo


Documentário exibido pela TVE espanhola, A Ordem Criminal do Mundo, aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o cenário atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler. Pode-se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha.

A Ordem Criminal do Mundo: o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo.

O poder concentrado cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses. Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo.




Fonte: DocVerdade, Vermelho

Governo da Síria espera que mercenários também sigam a paz

Contrariando mais uma vez a campanha difamatória contra a Síria liderada pelos Estados Unidos e Israel, o governo do presidente Bashar Assad colocou em vigor na quinta-feira (12) o acordo de cessar fogo proposto pelo enviado especial da ONU, Kofi Annan.

Por Mariana Viel, da redação do Vermelho

Ao mesmo tempo em que o governo sírio mostra disposição em encontrar uma saída pacífica para os conflitos — interrompendo suas atividades militares e retirando as tropas do Exército das ruas —, mercenários armados continuam fazendo uso da violência para instalar o pânico no país. Através da fronteira do país com a Turquia, os rebeldes sírios recebem diariamente armas americanas e israelenses.

Em entrevista ao Portal Vermelho, o cônsul-geral da Síria em São Paulo, Ghassan Obeid, afirmou que o governo espera que a oposição — que não é unificada — também obedeça ao acordo de paz.

"Infelizmente eles não aceitaram o cessar-fogo. A oposição é financiada por alguns grupos de outros países que incentivam que eles continuem a luta armada. Esses grupos dizem 'Vocês estão bem armados e podem estar em melhores condições se não baixarem suas armas e não chegarem a um ponto de diálogo'.", explica o representante sírio no Brasil.

Segundo Obeid o problema na Síria não é a democracia e nem os direitos humanos, mas sim a corrupção de grupos armados e financiados pela Turquia, Arábia Saudita, Qatar e EUA. “A situação na Síria não pode ser associada a outras situações no mundo árabe. O que acontece lá não é a primavera árabe, como alguns dizem”.

"Se a Síria parar de usar a força do Exército, os grupos armados devem também parar de usar a violência contra o governo e o povo. Aqueles que apoiam os grupos armados devem fechar a torneira de dinheiro e de armas para deixar a paz torna-se realidade", enfatiza.

Ele denuncia que a estratégia desses grupos é causar pânico e colocar a população em confronto. Parte da tática dos mercenários é incitar o conflito entre diferentes grupos no país. O cônsul cita como exemplo o assassinato de mulçumanos para colocá-los em atrito direto com cristãos e vice-versa. "Eles matam mulheres e crianças e filmam essas barbaridades para colocar na televisão e jogar a culpa no governo. Quando não chegam a realizar o crime, o falsificam com photoshop e divulgam as imagens afirmando que aquilo aconteceu em Homs ou Damasco".

A situação é ainda agravada pelo bloqueio comercial imposto pela Europa, essencialmente França e Inglaterra. "Cortaram todas as formas de financiamento e de transferência bancária para não deixar o país importar e exportar produtos e mercadorias, deixando o povo em uma miséria sem precedente".

Eleições

Obeid reforça que outra demonstração do governo de Bashar Assad em traçar um caminho de paz para o país é a convocação das eleições parlamentares para o dia 7 de maio.

As eleições sírias se dão no marco da nova Constituição referendada recentemente e elegerão 250 deputados — dos quais mais da metade devem ser trabalhadores.

"Eles rejeitam o diálogo e não querem participar das eleições. Será a primeira eleição baseada sobre a nova lei de multipartidarismo e sobre a nova lei de eleições livres na Síria. São leis muito avançadas — cópias de leis modernas utilizadas em países europeus e da América Latina".

A antiga Constituição síria dizia que o partido que governava o país tinha supremacia sobre todos os demais. Segundo a nova Constituição todos os partidos políticos são iguais e não existe supremacia.

“Antigamente a Síria tinha nove partidos políticos — o partido Baath, no poder, e oito integrantes da Frente Nacional. Atualmente temos 15 partidos políticos”. O cônsul explica que outros cinco aguardam aprovação de seus estatutos para serem legalizados. “No total teremos 20 partidos políticos que vão disputar as eleições de maio”.

Campanha midiática


Em defesa dos interesses imperialistas na Síria, uma grande parcela da mídia colabora com a campanha de desestabilização do governo. A maioria das falsas notícias é difundida pelas redes Al Jazeera e Al Arabya — do Qatar e da Arábia Saudita. “Para ser franco não fico feliz, mas não quero prejulgar toda a mídia. Nosso problema na Síria de verdade é a difamação e as falsas informações divulgadas”.

Ele cita que os EUA pagaram mais de US$ 6 milhões para criar um canal de televisão, baseado em Londres, e que divulga informações falsas sobre a realidade na Síria. "Quando um jornalista perguntou para a secretária de Estado Hillary Clinton por que eles fizeram isso, ela respondeu que era uma ajuda para o povo sírio. Mas não é uma ajuda para o povo sírio financiar um canal de televisão para divulgar falsas informações e fazer o povo se matar".

No Brasil, Obeid conta que em diversas situações chamou a atenção de veículos de comunicação de alcance nacional como a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo sobre o conteúdo de suas publicações. “Na terça-feira (10) dei o visto para um jornalista do Estado de S. Paulo que queria ir para a Síria fazer entrevistas. Chamei também o canal Bandeirantes para enviar uma equipe para percorrer o país com toda liberdade fazer entrevistas e encontros, e mostrar ao povo amigo e fraterno brasileiro o que acontece realmente na Síria.

“Aceitamos o acordo e a chegada de 300 observadores internacionais. A Síria abriu a porta para 30 canais de televisão internacionais e mais de 180 jornalistas”.

Brasil

Ainda durante a entrevista, o cônsul reafirmou os laços fraternos entre o governo brasileiro, a Síria e todo o povo árabe. Ele ressalta que o país precisa ocupar uma cadeira permanente no Conselho e Segurança da ONU.

"Quando o Brasil intervém em algum assunto ajuda a encontrar consenso. O Brasil disse que apoia as reformas planejadas pelo presidente Bashar Assad e defende os direitos humanos sem aceitar qualquer violência e massacre. Ele sabe diferenciar que há grupos armados fora da lei que atuam na Síria".

Segundo ele, o governo brasileiro ajuda a manter a lei internacional e a preservar a soberania no país para não deixar que a Otan — liderada pelos EUA e outras potências imperialistas — façam com a Síria o mesmo que aconteceu na Líbia. Obeid cita ainda como aliados Rússia, China, Índia, África do Sul e Líbano.

"Querem trocar o governo para que a Síria seja governada por um grupo dominado pelos Estados Unidos e pela Europa. Se os Estados Unidos e a Europa tivessem muita preocupação com os direitos humanos do povo sírio chorariam pelo povo que está há mais de 60 anos sobre o domínio de Israel nas Colinas Golan. Por que não deixam liberar o território palestino que vive sob a matança de Israel? Se estão assim preocupados com os direitos humanos devem primeiro começar aplicando as resoluções das Nações Unidas".





Fonte: Vermelho

Todos querem falar com Dilma, menos Obama


Sob o título "Todos querem falar com a presidente Rousseff, menos Obama", o jornal britânico "The Guardian" publicou um artigo que defende mais atenção para o Brasil por parte da principal potência do mundo, dias depois da visita de Dilma a Washington e a Boston.

No texto de sua versão online, o diário, um dos mais importantes da Europa, diz que os norte-americanos parecem "presos em outra era" para não admitirem que o vizinho ao sul é um exemplo.

No texto assinado pelo jornalista Jason Farago, baseado em Nova York, Dilma é chamada de "a segunda pessoa mais poderosa no Ocidente".

Enquanto ela chegava aos EUA no início da semana, Obama, o mais poderoso, "passava a maior parte do seu dia embrulhando ovos de Páscoa" na Casa Branca.
Presidente acompanha o hino dos EUA ao lado do
'Coelho da Páscoa' (Foto: Carolyn Caster/AP)

Os dois presidentes tiveram uma breve reunião e uma entrevista coletiva conjunta "durante a qual eles nem se olharam no olho", diz o texto.

"Não apenas o presidente dos EUA desdenhou das arapucas de uma visita de Estado; ele mal deu a Dilma duas horas", diz o artigo.

A visita de Obama ao Brasil no ano passado tampouco foi de Estado –para isso é necessário visitar as sedes dos três poderes e o cumprimento de uma série de protocolos.

Diplomatas norte-americanos afirmaram que isso aconteceu com Dilma porque é ano eleitoral e o presidente é candidato à reeleição.

"Ela chegou acompanhada de meia dúzia de formadores de opinião, de professores a chefes de thinktanks [instituições que difundem conhecimentos e estratégias sobre assuntos importante], todos exaltando seu comando econômico e implorando a Washington que a levasse a sério.

As diretoras de Harvard e do MIT (ambas mulheres) a convidaram para ir a Boston. Até a Câmara do Comércio se esforçou –certamente a primeira vez que o grupo de grandes e malvadas empresas se empolgou tanto ao conhecer uma ex-guerrilheira", diz o texto. "Só Obama deu de ombros".

Sem respeito

Nos bastidores, diplomatas brasileiros admitem há semanas que os EUA não se dedicaram à visita de Dilma como deveriam.

Em sua visita ao Brasil, a presidente o convidou ao Palácio do Planalto, participou de um almoço com ele no Itamaraty, recebeu Obama e sua família no Palácio da Alvorada, antes de ele seguir para o Rio de Janeiro. "Pelo menos um jantar teria sido mais adequado", diz um deles em Brasília.

De acordo com o texto do "Guardian", "o Brasil é o país dos Bric que não é respeitado, mesmo em 2012".
Ao visitarem aos EUA, os líderes da Índia e da China são recebidos com grandes honrarias. A Rússia, por seus laços com a antiga União Soviética, sempre esteve sob o radar dos norte-americanos.

"O Brasil é o país que impõe a menor ameaça geopolítica significativa e oferece mais vantagens, como os CEOs [diretores-executivos] salivantes já sabem", afirma a publicação.

"É assim que Washington funciona. Nas aulas de história, a primeira lição que os estudantes aprendem sobre a política externa norte-americana é a Doutrina Monroe – o princípio de 200 anos de que a América Latina é o nosso quintal. Fazemos isso e gostamos de dizer a todos que fiquem fora. A ideia de que um país latino-americano na verdade serve como modelo vai além da compreensão", conclui o texto.

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Comentário do Blog DefesaBr:


Sobre este item, um leitor do Miami Herald fez há alguns dias algumas observações que traduzi e coloco aqui.

O Nicholas 1980 é um holandês ligado nas mudanças de nosso mundo. Ele diz tudo sobre o Brasil e EUA, para nós todos refletirmos bastante, brasileiro e americanos.

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"Primeiro de tudo, eu sou holandês, ateu político (paradigma, pois esquerda vs direita é para pessoas que gostam de ver palhaços brincando de joguinhos) e vivo em Miami, Flórida.

Segundo. O Brasil tem sua própria política externa. Bom para eles e é seu direito. Leia-se que eles fazem o que está em seu melhor interesse, no longo prazo.

Não é uma opinião, mas um fato, pode-se ouvir isso nos comentários tendenciosos e antiquados dos Estados Unidos e ver que, em seu comportamento para com o Brasil, eles não podem suportar uma outra grande nação no continente americano, que a sua influência esteja crescendo no continente americano e no exterior. A política do "quem não escuta, não será bem tratado" é insensata e vai prejudicar seus negócios e sua reputação.

Terceiro e último. A economia do Brasil já é a sexta do mundo, está crescendo mais rápido para se tornar a quarta e tem capacidade de subir ainda mais alto nessa lista. Seu futuro está em suas próprias mãos e eles têm o direito de falar (fazer negócios ou ajudar a resolver um problema), com quem quiserem. Não importa se eles concordem ou discordem em alguns pontos, mas falar e fazer negócios com não importa quem é direito do Brasil.

Os EUA não têm que respeitar o que eu digitei, mas é e seria insensatez deles. Ao não fazer isso, eles mesmos estão atirando em ambos os pés, será mal para os seus negócios. Não admira que estejam perdendo posição no sul do hemisfério ocidental. Os velhos tempos acabaram, eles precisam crescer e ficar mais espertos de que o mundo está mudando … um mundo multipolar. Não há mais uma única potência. Gostem ou não, esses são os fatos."
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Os políticos americanos parecem sobre o Brasil aquele tipo de adolescente de filme, com um enredo em que uma garota “poderosa” tinha uma colega de classe feiosa e tímida, a qual dominava e humilhava frente aos demais no primeiro ano da faculdade, por muito prazer e por um certo temor secreto do futuro.

Alguns anos depois, perto da formatura, a tal colega deixou de ser feiosa e alguns falavam pelos cantos que ela ficara mais bonita até que a sua antiga dominadora. Ela tinha desabrochado física e mentalmente.

A timidez ainda a marcava, embora com bem menos intensidade. Contudo, essa ex-feiosa já sabia o que queria da vida e perderia logo a timidez. Seu caminho era seguro, fazia bons e novos amigos e rumava firmemente para o sucesso.

E ela tinha pena, muita pena da insegurança que passou a despertar na outrora poderosa e agora apenas uma “desencaminhada” na vida, já em uma evidente decadência reconhecida pelos demais.

Essa pena da outra ela preferia manter em segredo, até porque respeitava as duras lições que a fizeram mudar e crescer na vida.

Novos tempos estão chegando. Adeus passado. Viva o futuro, o do Brasil!






Fonte: DefesaBr
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Obama é esperado com três temas incômodos em Cartagena: drogas, Cuba e Malvinas


O presidente Barack Obama, que chega nesta sexta-feira a Cartagena para se reunir com os líderes latino-americanos e do Caribe em uma cúpula convocada para debater a integração para a prosperidade, é esperado por seus pares com três temas incômodos, fora de agenda: drogas, Cuba e Malvinas.

As três questões dominaram na quinta-feira os debates dos chanceleres da região, que querem buscar alternativas à guerra contra as drogas impulsionada pelos Estados Unidos, que nas últimas décadas provocou milhares de mortes na América Latina, incluir Cuba nas cúpulas das Américas e apoiar a reivindicação argentina sobre as Malvinas.

O impulsionador do debate sobre as drogas, o presidente da Guatemala Otto Pérez, que chegou na noite de quinta-feira a Cartagena, disse antes de deixar seu país que deseja que a cúpula forme ao menos um grupo de especialistas para estudar o ocorrido em países que despenalizaram o consumo.

Pérez, que para abrir este debate conta com o apoio dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Costa Rica, Laura Chinchilla, poderá abordar finalmente sua proposta sobre as drogas no próximo sábado com seus vizinhos da América Central, uma região convertida na mais violenta do mundo, segundo a ONU, pelos cartéis do narcotráfico.

Os presidentes de Honduras, Porfirio Lobo, da Nicarágua, Daniel Ortega, e de El Salvador, Mauricio Funes, boicotaram no último momento no dia 24 de março uma cúpula centro-americana convocada por Pérez para debater o tema.

Os Estados Unidos, que se opõem terminantemente a considerar qualquer outra estratégia contra as drogas que não seja a guerra que impulsionou na Colômbia e no México e que atualmente propõe na América Central, foram acusados pelo presidente Pérez de ter incentivado o boicote ao encontro na Guatemala.

Santos e o presidente do México, Felipe Calderón, que lançou em seu país a guerra contra os cartéis, que deixou mais de 50 mil mortos em cinco anos, participarão da reunião dos centroamericanos, que será preparada nesta sexta-feira pelos chanceleres.

Vários países latino-americanos, liderados por Brasil, Argentina e Venezuela, incentivam a posição de que esta deve ser a última cúpula das Américas na qual Cuba não participa. Por este motivo, o presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o encontro em Cartagena e deve ser o único presidente ausente, se o venezuelano Hugo Chávez chegar, como está anunciado.

Estados Unidos e Canadá não aceitaram convidar Cuba a esta cúpula até que o país seja uma democracia e se integre à OEA.

Os países latino-americanos apoiam a Argentina em sua pretensão de incluir a disputa com a Grã-Bretanha sobre as ilhas Malvinas na declaração final da cúpula, o que também conta com a oposição de Estados Unidos e Canadá.

Referindo-se a estes dois países, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que "ou escutam e retificam a tempo ou estas cúpulas acabam, não há mais cúpulas deste tipo".

"Dos 34 países, 32 estão de acordo em uma posição de respeito a Cuba (...) e de acompanhar a (Argentina) pelas Malvinas", disse Maduro, o que foi confirmado por seu homólogo argentino Héctor Timerman.

Durante uma reunião na noite de quinta-feira com seus pares para negociar a declaração final da cúpula, a chanceler colombiana, María Angeles Holguín, os convidou "a construir consensos".

"Podemos tomar o caminho da convergência de interesses e de ações conjuntas que beneficiem nossas populações ou podemos tomar o caminho do distanciamento e dos profundos silêncios que mantivemos durante décadas no Hemisfério", disse Holguín.

No entanto, classificou como positivo para a reunião que sejam tratados temas como "o problema mundial das drogas, a participação de Cuba em processos de Cúpulas e das ilhas Malvinas". "Tudo isso é positivo, assim teremos posições diversas entre nós", enfatizou.

A secretária de Estado Hillary Clinton é esperada ao meio-dia desta sexta-feira e encerrará, junto com Santos e com o presidente da Bolívia, Evo Morales, um Fórum Social que reuniu na quinta-feira representantes do movimento sindical, comunidades indígenas e organizações da sociedade civil.

Vários presidentes latino-americanos e o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, participarão durante toda a sexta-feira de um Fórum Empresarial, que contará com a presença de três centenas de importantes empresários do continente.

A cúpula propriamente dita acontecerá no sábado e no domingo.





Fonte: DefesaNet

Hillary Clinton diz que discutirá Irã e Síria em visita ao Brasil


A situação na Síria e no Irã estarão na agenda da visita que a secretária de
Estado americana, Hillary Clinton, fará ao Brasil na próxima semana.

Durante um evento nesta quinta-feira na Casa Branca, Hillary Clinton disse sua viagem a Brasília tratará de "temas globais".

"Quando eu for ao Brasil na semana que vem, minhas conversas serão sobre os grandes desafios da atualidade, da Síria e o Irã ao crescimento e desenvolvimento", afirmou.

A abertura de Hillary Clinton para falar do assunto contrasta com o silêncio sobre essas questões mantido durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington nesta semana.

Brasil e EUA se opõem nos dois temas, sendo que em ambos Brasília rejeita medidas de sanções defendidas por Washington.

Em relação à Síria, o governo brasileiro chegou a votar na ONU a favor de uma declaração pedindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad, no fim de fevereiro. No entanto, o Brasil não adota sanções, como fazem EUA e União Europeia.

Já a posição brasileira em relação ao Irã – acusado pelos EUA e a UE de usar seu programa nuclear para fins militares – é a de que as sanções aplicadas sobre o petróleo iraniano são "extremamente perigosas", como disse a presidente Dilma Rousseff no mês passado.

Existe, entre os diplomatas brasileiros, um ressentimento com o tratamento recebido da maior potência mundial quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu chanceler, Celso Amorim, negociaram junto com a Turquia um acordo com o Irã para troca de combustível nuclear, em 2010.

Hillary Clinton supostamente soube do acordo em primeira mão. Mas nas horas seguintes ao anúncio, a secretária de Estado desestimou a ação brasileira e turca e pressionou por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

Defendendo em ambos os casos o que Dilma Rousseff chamou em Washington de "diplomacia determinada", ou seja, disposta a encontrar soluções negociadas, os diplomatas brasileiros dão a entender que as tratativas levadas adiante pelas potências mundiais não têm o objetivo real de chegar a um acordo.

Ator global

Do ponto de vista brasileiro, o envolvimento em questões relativas ao Oriente Médio diz respeito ao reconhecimento do papel global do país.

Embora reconheça e inclusive coopere com o Brasil em várias questões globais – por exemplo, em biocombustíveis e agricultura na África – o governo americano nunca expressou apoio firme a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Nesta semana, Dilma fez uma visita considerada de baixo perfil a Washington e a Boston. Em conversa com jornalistas, a presidente disse que o Irã não foi assunto do encontro entre ela e Barack Obama.

Não comentado oficialmente, analistas notaram que o Brasil não recebeu o status de visita de Estado conferido pelos EUA à China e à Índia.

Entretanto, os dois países insistem que possuem um diálogo global, expressado pela agenda de Hillary Clinton no Brasil.

Na próxima segunda-feira, em Brasília, ela encabeçará a delegação americana no Diálogo de Parceria Global Brasil-Estados Unidos, um fórum bilateral que discute temas que vão desde desenvolvimento e educação, a política global e a situação econômica.

Na terça-feira, a secretária americana participará do primeiro encontro anual de alto nível da Parceria Governo Aberto, uma iniciativa para promover a transparência e a prestação de contas entre 54 governos, um quarto deles latino-americanos.

Hillary Clinton também deve se reunir com representantes do setor privado.

Antes da viagem ao Brasil, ela e o presidente americano, Barack Obama, estarão entre as autoridades que farão parte da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, no fim de semana.





Fonte: DefesaNet

sexta-feira, 13 de abril de 2012

As insurreições no Oriente Próximo e as tentativas imperialistas de desestabilizar a região

INTERVENÇÃO DE LEILA GHANEN NO SEMINÁRIO INTERNACIONAL DOS 90 ANOS DO PCB

Mais uma vez o Oriente Médio (o Mundo Árabe, em específico), mostra que é capaz de gerar movimentos de resistência (Líbano, Iraque, Palestina), de transformar as aventuras coloniais em derrotas militares categóricas e dar início a um ciclo de revoltas populares (e se trata de um ciclo que foi interrompido pelo Escudo do Golfo[2]) no Iêmen, Jordânia, Bahrein, Marrocos, ocasionando uma intervenção militar imperialista na Líbia e as tentativas ainda em curso na Síria... Desde então estes eventos não são mais um assuntolocal e seu impacto diz respeito a todos nós...


Faço, aqui, uma distinção na minha análise entre os casos sírio e líbio, sujeitos a manobras colonialistas específicas do eixo EUA / França / Escudo do Golfo.


I - O impacto estratégico das revoltas no Oriente Próximo e as tentativas de desestabilizar os estados da região

É claro que estas insurreições se espalham em escala internacional através da crônica jornalística. Os efeitos das ressonâncias são propagados nas metrópoles capitalistas até Wall Street e não é por acaso que dois grandes países (EUA e França) conduzem suas batalhas eleitorais sob o signo dessas revoltas.

Na ocasião de sua campanha eleitoral, Obama anunciou seu plano para “estabilizar e modernizar as economias egípcia e tunisiana”. Também, por ordem de Washington, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional discutirão este projeto na cúpula G-8, em 26-27 de mai, na França. Obama, ainda, anuncia que os Estados Unidos estão criando “fundos empresariais para investimentos de empresas no Egito e Tunísia, como o modelo do que foi sustentado na transição da Europa Oriental”[3]. O Egito e a Tunísia ainda não superaram a sujeição às potências ocidentais, representada nos planos de reajustes estruturais que foram a origem externa das revoltas que estouraram nestes dois países e que queremos transformar em laboratórios deste “novo plano econômico neocolonial”[4]. O auxílio concedido a estes projetos não excedem 1 milhão de dólares e vai apertar ainda mais o garrote da dívida[5]. Mas, este projeto foi amplamente contestado no Egito[6], onde se viu várias iniciativas, inclusive uma autorização nacional feita por um sheik, para coletar localmente este dinheiro. O povo egípcio sabe agora que seu país foi pilhado de cima a baixo. Um dos instigadores da revolta estava de acordo a respeito do gás (o que decorre dos tratados de Camps David) em favor do qual o Egito se obrigou a vender seu gás a Israel três vezes mais barato do que o preço de mercado, ou seja, é ele que dá um presente a Israel de 3 bilhões de dólares por ano[7]. Logo, não apenas poderíamos passar sem a ajuda americana, mas ainda utilizar o 1,5 bilhão dado a Israel, para desenvolver uma distribuição energética em um país em que 20% da população vive sem nenhum acesso à energia. Outros acordos, tais como o Quiz, concedem a Israel uma quota de 11,4% sobre os investimentos ditos “pesados”.[8]

Sarkozy conduz sua batalha eleitoral na França sob o signo destas “revoluções”, empunhando a importância do papel que ele desempenhou na Líbia e da necessidade, no momento de crise, do patronato francês (MEDES e o arsenal militar e bancário...) definir um novo modelo para a saúde pública. Além disso, Paris se tornou a capital de uma oposição síria marginalizada no interior e corrompida pelo dinheiro do Qatar.

O paradoxo é que o “Escudo do Golfo”, à frente do qual se encontram Qatar e Arábia Saudita, age também para armar a oposição síria e libanesa, para financiar Annahda na Tunísia e a Irmandade Muçulmana no Egito, mas ao mesmo tempo financiar a campanha da direita na Europa, sobretudo a de Sarkozy, que utiliza a ira racista anti-imigração árabe como cavalo de batalha de sua campanha para se aliar à extrema direita. Isso nos leva a uma outra batalha de classe que transpassa as terras francesas. A imigração árabe na Europa desempenha um papel importante nas lutas sociais, assim como na luta anti-colonial na Palestina (campanha BDS, barcos para romper o cerco à Gaza).

II – O que quer esta coalizão de bandidos (EUA, Israel, Direita Europeia, Arábia Saudita, Qatar)?

Além das razões estratégicas evidentes de controlar as “torneiras” do petróleo e de separar a China da Eurásia (assim se mostra na batalha contra a Síria)... Ela tem por propósito, pura e simplesmente:

1. sufocar, por todos os meios, todas as formas de revolta, impedindo o processo revolucionário na Tunísia e no Egito, mantendo estes dois países dentro da submissão entreguista e a pauperização na “economia de bazar”. Os 20 milhões de egípcios que foram às ruas são um fato de uma importância histórica inegável, forçosamente tornando-se exemplo em escala regional e onde quer quea crise do capitalismo se projete mais duramente.

2. desestabilizar o Egito, que ocupa um lugar de liderança no Mundo Árabe, mantendo o status quo maldito criado pelos acordos de Camp David (os quais estão ligados aos acordos de Oslo, Camps David II, etc...)[9]

3. Atacar a Líbia e a Síria.

4. Isolar o Irã, minando sua base popular na região (para isso: 1- a revolta xiita do Bahrein foi afogada em sangue; 2 - a oposição iemenita foi sabotada, depois de ter afastado Ali Abdalah Saleh, mas ter mantido toda sua família e seu clã no poder; 3 – os fascistas libaneses, aliados de Israel, foram armados contra a resistência libanesa do Hezbollah, uma vez que os EUA se recusaram a vender armas ao exército legal libanês, culpado de ter repelido uma agressão israelense a suas fronteiras. E enfim, incitar e armar uma resistência islamo-fascista na Síria.

5. Desarmar a resistência libanesa que mudou o jogo no Oriente Próximo, desafiando um dos mais formidáveis exércitos do mundo[10] e que constitui uma ameaça real contra o Estado colonialista de Israel. Esta resistência se tornou o alvo principal da aliança de bandidos americana-israelense, sobretudo porque ela deu um incrível exemplo histórico, revivendo os métodos vietcongues que já fizeram soar o dobre de finados para os ianques na Ásia e, sobretudo, para romper o muro de medo, apesar da correlação de forças desfavorável[11], decidindo lutar , ou "para escolher a morrer de pé", como dizemos no nosso jargão local.

Esta resistência é particularmente visada, ​​não por seu caráter religioso, mas porque é de natureza anticolonial. Kissinger havia dito: "Nós não temos medo do Islã político, mas do Islãcombativo." Em oposição à "Irmandade Muçulmana", conservadora e pró-ocidental, o Hezbollah não reivindica o poder ou a aplicação da lei islâmica "Sharia", ele é parte de uma frente composta por partidos de esquerda, aí incluído o Partido Comunista Libanês, de partidos políticos anti-imperialistas e todas as confissões em conjunto (cristã, muçulmana, drusa)... Elecoloca como prioridade a luta contra Israel e contra o imperialismo, proclama reformas sociais e impede as tentativas de grilagem de terras no sul do Líbano, mesmo entre seus aliados.[12]

Não é qualquer coisa vencer o medo de todo o estratagema do 11 de setembro que visava aterrorizar não apenas os países da periferia, mas também as metrópoles... e era uma condição para passar ao estágio do capitalismo predatório, para o retorno ao colonialismo e a tomada direta de todos os recursos do planeta, incluindo a vida... Nós, do Oriente Próximo, fomos o primeiro laboratório deste terror, em todas as escalas militares, econômicas e políticas. Vimos desembarcar os americanos no Iraque com um arsenal de armas não-convencionais, e com eles as empresas como Monsanto, Syngenta, Dow Chemical e outras gigantes do agronegócio alimentar, ou da água, como a Bechtel[13].

III - Por que esta obstinação imperialista, apesar da derrota do sistema capitalista (crise, falências, enfraquecimento de sua força de ataque, movimentos de massas por todas as partes, inclusive em Wall Street)?

1. As revoltas que assistimos no Oriente Próximo dão a prova de que o capitalismo atingiu seus limites que chegou a um grau tal de centralização que fez desaparecer toda margem de autonomia fora do poder dos monopólios. E nós não podemos voltar atrás, não podemos desconcentrar o capital. O movimento natural do capital em direção a uma concentração cada vez maior nos conduziu até aqui onde estamos. E dentro dessas condições “as soluções que poderiam perfeitamente funcionar em uma etapa anterior de centralização do capital – uma vez que o Estado intervinha e que havia setores importantes da economia que podiam responder às incitações e políticas do Estado – não existe mais. É por isso que temos essas agências de rating, que são a voz direta do capital financeiro e já se tornaram o poder final para decidir a política econômica”.[14]

2. Se é verdadeiro que a insurgência árabe que surgiu na Tunísia e Egito têm incluído a pobreza, a corrupção e a falta de liberdade, é verdade que o ódio contra a dominação ocidental e à ocupação israelense estava presente devido à aliança entre estes dois regimes aos Estados Unidos. A natureza ditatorial desses regimes é um resultado direto de seu papel na manutenção dos interesses imperialistas.

3. Ambas as insurgências têm suas raízes em um processo de lutas que se acumularam desde o início da feroz liberalização da economia que remonta à década de 70, segundo imposição de Bretton Woods (Banco Mundial, FMI, Acordos de Camp David, GATT, OMC) e que tomou forma com os planos chamados estruturais. Para falar apenas da última década entre 2003 e 2010, mais de 3400 movimentos de protesto foram identificados no Egito. Este processo tem sido acompanhado por uma destruição sistemática das instituições do Estado, da concentração dos três poderes nas mãos de uma oligarquia submetida aos Estados Unidos e do estabelecimento de um regime repressivo.

4. O fato de que "estas revoluções não têm cabeça" ajudou a perturbar os analistas da esquerda europeia e do ocidente em geral, que não souberam qualificar estas revoluções populares, as quais não foram obra dos partidos de esquerda[15], mas um movimento espontâneo dos jovens e das massas populares, e não resultaram em uma chegada ao poder das forças revolucionárias. [16]

Pois o fato destas revoluções serem desprovidas de direção ideológica não retira nada do seu caráter revolucionário, no sentido de que nos lembra o filósofo comunista Alain Badiou: “Esta ação coletiva, desprovida da autoridade da lei, aquela que Marx denominou ‘o desvanecimento do Estado’, este triunfo, ilegal por natureza, da ação popular, chama-se revolução. Sublevar-se, construir o lugar público do comunismo de movimento, defendendo-o por todos os meios e inventar as etapas sucessivas da ação, este é o realsentido da política popular de emancipação. Comunismo quer dizer aqui: criação em comum do destino coletivo. Resolver sem ajuda do Estado problemas insolúveis, ou seja, o destino de um acontecimento. É isto que faz com que um povo, repentinamente, e por tempo indeterminado, exista, ali onde ele decidiu se reunir”.[17]

No momento atual, este movimento continua, centenas de sindicatos independentes nasceram, bem como comitês de bairro, comitês de acompanhamento para julgar os corrompidos, os traidores..., comissões para discutir a legislação e, sobretudo, uma assembleia para garantir a continuação da revolução a partir de Midan Tahir (esta semana foram definidos de maneirapermanente todos os comitês da Praça Tahir).

A continuidade deste movimento é a única garantia da continuidade do processo revolucionário e de parar as manobras imperialistas, e devemos, todos, ser solidários com os movimentos no Egito e na Tunísia, onde os sindicatos e os partidos políticos que fizeram Kasbah II decidiram continuar sua mobilização.

Nós somos militantes comunistas; devemos garantir uma análise de classe e olhar ao mesmo tempo a tradição leninista e a dinâmica da história.[18]

IV - Os limites da agressão imperialista

Apesar da agressão imperialista, a correlação de forças não lhe é favorável.


É verdade que, até o presente momento, as estratégias postas em prática pelas grandes potências não foram colocadas em xeque pelos movimentos, mas as posições do imperialismo dentro da região são muito frágeis. Com a queda das ditaduras abertas que estavam a seu serviço, eles perderam um aliado poderoso.

Sobre o plano estratégico, os imperialistas saíram fragilizados de seu duplo fracasso no Iraque e no Afeganistão e são incapazes, ao menos num curto prazo, de atacar o Irã[19]. (O Estado-maior americano não apoiou esta ideia de uma guerra contra o Irã. As pressões israelenses não tiveram êxito - resposta de Obama a Netanyahou).

Além disso, o Irã é uma potência de porte (não é nem o Iraque e nem o Afeganistão). Ninguém sabe aonde poderia chegar uma aventura militar no Irã...

Assistimos a uma concordância de concepções e uma aliança hermética entre o Escudo do Golfo e Israel

Na Síria, a Rússia e a China colocaram todo seu peso para parar a arrogância estadunidense que quer ditar sua lei como fez na ocasião da guerra contra o Iraque, freando o processo de derrubada do regime [Bashar] Al-Assad e tentando achar uma solução local.

Outras manobras de estabilização consistem em exacerbar a ira sunita-xiita e é aqui que os wahabitas sauditas e os emires do Qatar atuam plenamente, armando a oposição síria e corrompendo a oposição do Conselho Nacional Sìrio (CNS, que acaba de entrar em crise por questões financeiras)[20]. O objetivo é fechar o cerco ao Irã xiita, para quebrar a aliança entre o Hamas (sunita) e o Hezbollah (xiita), cuja aliança falhou devido à generalização de uma guerra confessional dentro do Islã. Esta tentativa foi para tentar frustrar o Hezbollah que conseguiu criar uma frente unida que envolve todas as três resistências anti-imperialistas na região: iraquiana, palestina e libanesas.

Os modelos desta desestabilização, que se faz no escuro, nos colocam
diante dos seguintes cenários:

I – o Paquistão servirá como modelo para o Egito ou a Tunísia;

II – a somalização da Líbia e da Síria (encontramos hoje na Somália cerca de 45 “governos”... a Líbia está a caminho desde “modelo”... a Síria poderia segui-lo...)

No Egito, os serviços secretos americanos e israelenses não se desarmam, eles são onipresentes para controlar a situação e preservar o status quo e os acordos assinados. A Casa Branca havia aberto uma célula permanente cujo intuito era recompor a instituição militar[21]: Omar Souleiman, Tantawy e os outrora inimigos da Irmandade Muçulmana. Mas, aqui também, nem os militares, nem a Irmandade Muçulmana, podem agir abertamente em favor do bloco Israel-EUA. Por outro lado, os resultados das eleições não são um dado estático. O que podem os islâmicos dar às massas? Qual é seu programa? Por isso, o movimento nas ruas continua e as tropas dos partidos religiosos participam dos movimentos reivindicatórios. Como se disse antes, o medo havia mudado de lado e os povos ainda estão em alerta.

V - Que ensinamentos gerais podemos tirar das revoltas populares que ecoam pelos países do mundo árabe há mais de um ano?

1. A lição principal e fundamental é que os povos quebraram o muro do medo. Esta é uma grande transformação qualitativa. Durante décadas, os povos em questão, sejam os egípcios ou os tunisianos - mas poderíamos nos referir a muitos outros - concordaram em viver sob regimes policiais e mesmo de terror, pensando que era totalmente impossível fazer qualquer coisa. Agora, eles se revoltam.

2. A reversão do processo não é mais concebível. Não importam quais sejam as manobras externas de desestabilização política e as forças que emergem à superfície, seja qual for a importância dos entraves diante das oportunidades para avançar, houve uma transformação qualitativa enorme, porque não podemos voltar atrás - pelo menos não facilmente – rumo a regimes de opressão como os que havia. Revoltas populares continuam e continuarão. Esta é a lição geral.

3. Um eixo para o movimento revolucionário que chamamos “a memória das lutas” (ontem, o Hezbollah se inspirou nos vietcongues, hoje aqueles do Occupy Wall Street se inspiram em Qassabah [Tunis] e em Midan Tahrir [Cairo]).
Viva a luta dos povos. Que nosso combate continue para enfrentar o capitalismo que se encontra em crise e mais fraco do que nunca. Reforcemos a solidariedade internacional e criemos ligações entre as redes de resistência anti-colonialista (independentemente de suas ideologias)[22] e os movimentos anti-imperialistas, bem como de todas as formas de luta contra as instituições financeiras e a ditadura do mercado.

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[1] Leila Ghanem : Doutora em Antropologia e editora da revista "Alternatives / Bada'el' distribuída em dez países árabes. Foi organizadora do Tribunal Popular de Bruxelas, em 2008, para julgar crimes de guerra israelenses no Líbano. Participou como juíza do tribunal da Opinião de Bogotá para julgar sobre os desaparecidos do regime de Uribe. Ela é a Coordenadora do Fórum Social Internacional de Beirute: o Fórum Social Internacional de Beirute, que aconteceu em 16, 17 e 18 de janeiro de 2009 teve por objetivo criar uma convergência entre as resistências anti-coloniais (no Líbano, na Palestina e no Iraque) e a luta anti-imperialista em escala internacional, bem como com os movimentos de lutas sociais travadas pelos povos para preservar os suas conquistas sociais e os direitos ao trabalho, à saúde e à escola ... por dignidade, justiça e pelo direito de se organizar ... Nossa batalha se orienta a todos que se tornaram alvo de um capitalismo cada vez mais predatório e destrutivo. Duas novidades deram a este fórum um grande impulso: a crise financeira e os acontecimentos em Gaza. Presenciamos uma onda sem precedentes (450 organizações e 60 países) da Ásia (Índia, Irã, Paquistão, Afeganistão), da Europa, dos EUA, da América Latina, e de todos os países árabes ... A plataforma fundadora deste fórum realizou várias reuniões preparatórias em vista do próximo fórum, adiado por conta dos eventos no mundo árabe, particularmente na Síria. (Ver resoluções do Fórum em anexo)

[2] Em abril de 2011, em uma reunião na Arábia Saudita, um mês de intervalo da revolução, nasceu no Bahrein "o escudo do Golfo", que inclui todos os países do Golfo em mais de dois reinos: Jordânia e Marrocos . O objetivo desta aliança é proteger estes sistemas contra levantes populares que começaram a queimar a grama sob seus pés, incluindo Bahrain, Iêmen, Jordânia ou mesmo as cidades do Reino Saudita como a cidade de Taif. O apoio financeiro foi reservado para festas de islamismo sunita conservador ou o que é chamado de "Os Irmãos Muçulmanos." A cadeia Al Jazira desempenhou um papel inegável de mediador para cobrir as revoluções egípcia e tunisina.

[3] Trata-se de uma iniciativa bipartidária promovida pelo senador democrata John Kerry e pelo republicano McCain. O objetivo destes investimentos no Egito e Tunísia é de “promover o setor privado e de parcerias com empresas estadunidenses” e “a criação de uma classe média”. Os EUA visam assim a conquista de pequenas e médias empresas: no Egito elas são 160 mil, as quais se juntam 2,4 milhões de micro empresas. Estes investimentos são dirigidos pelo regulamento do Fundo Empresarial EUA-Egito: ele será governado por um conselho diretor de 4 cidadãos estadunidenses, da área da economia privada, e 3 egípcios, sendo estes últimos também “nomeados pelo presidente dos Estados Unidos”.

[4] Em primeiro lugar, o Oriente Médio nunca foi completamente descolonizado. Possuindo mais da metade das reservas de petróleo do mundo, ele tem sido alvo de constantes interferências e intervenções desde que se tornou independente. 2. Após a Primeira Guerra Mundial a região foi fragmentada e dividida pelo Tratado Sykes–Picot em estados artificiais. 3. Após a Segunda Guerra, estamos vendo a implementação de um Estado colonial na Palestina. 4. Na década de sessenta, ele se submeteu a uma pressão quádrupla, dos EUA, Israel, Grã-Bretanha e França - golpe de Estado contra Mossadek no Irã (nacionalização do petróleo), Guerra de 56 contra Nasser (após a nacionalização do Canal de Suez), a Batalha de Argel contra a FLN. 5. Em 1967, uma guerra regional irrompe contra o Egito, a Síria e a Jordânia. Seguida pela guerra de 73, que resulta em uma vitória militar graças à ajuda russa, rapidamente contornada por um complô que destrói a moral das tropas que receberam ordens para retirar de Défressoire. O Líbano acumula seis guerras destrutivas em 25 anos ... depois vem a ocupação do Iraque em 2003, após um longo cerco asfixiante, a guerra e o cerco de Gaza ....

[5] Os EUA concedem ao Egito uma doação de 1,5 bilhão de dólares por ano, dos quais 1 bilhão como ajuda militar, contra 7,5 bilhões de doação a Israel. Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[6] O Egito pagou seus empréstimos a uma taxa de cerca de 3 bilhões de dólares por ano. Desde 1981, o Egito pagou cerca de 80 bilhões em rendimentos de capitais e juros.

[7] Mubarak costumava repetir em seus discursos à nação que “se nós não colaborarmos com os EUA, eles cortarão sua ajuda e seu trigo, e em três dias vocês estarão famintos.” Outros acordos de trocas (assim ditas) livres obrigam o Egito a vender com prejuízo seu gás para a França, Itália e Espanha.

[8] Se o Egito está endividado em mais de 30 bilhões de dólares, apesar de ser um grande exportador de petróleo, gás natural e produtos acabados, tal fato se dá porque sua economia é dominada por multinacionais americanas e europeias às quais Mubarak abriu totalmente as portas. Tal dominação será reforçada pelo compartilhamento da dívida do Egito por Washington, para assim permitir que as multinacionais americanas obtenham ações de empresas e concessões de petróleo egípcias no valor de um bilhão de dólares, sem qualquer custo para elas. Sempre para "reforçar o crescimento e o empreendedorismo." Washington está perseguindo os mesmos objetivos na Tunísia.

[9] Estes acordos não são apenas acordos políticos e de segurança. Eles contém todos centenas de cláusulas concernentes à abertura desmesurada dos mercados locais para as empresas internacionais, sobretudo americanas e israelenses. Israel sempre foi ponta de lança na introdução do capitalismo predatório. É em troca deste seu duplo papel colonial-capitalista que eles têm todo o apoio ocidental para preservar um Estado de exceção em escala internacional.

[10] A maior academia militar, de Saint Cyr, na frança, ensina em seus programas as guerras israelenses como exemplos impressionantes da arte da guerra, em especial a guerra de 67. Em 2006, a Academia ajustou seus programas para compreender como um pequeno grupo pode agir à maneira vietcongue para colocar em xeque um exército moderno dotado de uma força de ataque formidável, em especial na Batalha de Kiam onde um regimento de blindados com mais de 40 carros foi destruído em algumas horas...

[11] A ajuda total dos Estados Unidos a Israel é aproximadamente um terço do orçamento dos EUA de ajuda externa, sabendo-se que Israel tem apenas 0,001 por cento da população mundial e possui uma renda per capita entre as mais altas o mundo. De 1949 até 1997 os EUA deram a Israel um total de 83.205 bilhões dólares. Despesas com juros que têm sido suportados pelos contribuintes dos Estados Unidos em nome de Israel são de 49,937 bilhões de dólares. Assim, o montante total da ajuda a Israel desde 1949 era de 133,132 bilhões dólares. Isso pode significar que, por ano, o governo dos EUA forneceu mais assistência federal para o cidadão médio de Israel do que ao cidadão americano médio.

[12] Ver meu artigo sobre as razões do aumento das correntes islâmicas dentro da religião. Discurso pronunciado em Serpa, em 2008 (em português e espanhol) e também minha entrevista em Resumen Latinoamericano.

[13] O Iraque não só perdeu a sua soberania política para o benefício dos ocupantes. Ele também perdeu o direito de produzir suas próprias colheitas. Pouco antes da "transferência de poder" em junho de 2004, o administradorprovisório da coalizão, Paul Bremer, impôs ao país uma lista de 100 determinações permitindo aos EUA controlarem todos os aspectos da vida econômica de acordo com sua concepção do mercado liberal. Este controle inclui a direção do Banco Central do Iraque, as regras relativas aos sindicatos e as regras relativas à produção agrícola, de modo que ela obedeça aos desejos da Monsanto, que de forma agressiva tenta impor a utilização de OrganismosGeneticamente Modificados (OGM). O decreto 81, de Bremer, prevê a destruição de 200 tipos de trigo autóctones e sua substituição por sementes “Terminator” produzidas pela Monsanto, semente esta que dá uma planta estéril, sem sementes, e os agricultores terão de renovar anualmente as suas reservas de sementes da Monsanto que tem o monopólio de 99 anos sobre as mesmas. Este é o modelo de democracia que os ianques querem exportar ao OrienteMédio. Ver meu artigo em espanhol: ¿Iraque, um Futuro Modelo del Capitalismo americano?

[14] Ver, sobre isso, Samir Amine: “Sortir du capitalisme en crise ou de la crise du capitalisme”.

[15] A esquerda esteve bem nas ruas, mas não como direção.

[16] Em menos de duas semanas do início da revolta, diferentes setores da sociedade egípcia depois de cruzar o muro do medo, reagruparam a revolução democrática: comitês eclodiram no seio da classe operária, do campesinato, mesmo nas regiões mais remotas, como em Sohag (120.000 manifestantes apenas ali, além de Luxor, Kena, Aswan, Al-Kharga, Fayoum), na classe média (comissões de juízes, professores, jornalistas, cineastas, escritores, advogados, médicos, técnicos do Canal de Suez, contabilistas, agentes, telecomunicações), mas também do cinturão popular de miséria ao redor de Cairo, como Shubra, Imbaba Mataria, Al Salam. O número de manifestantes excedeu os 20 milhões durante os dias. Lembro que, na última eleição de Mubarak, 4 milhões de eleitores de 82 milhões de habitantes compareceram às urnas.

[17] Ver Alain Badiou: “Tunisia, Egito: quando um vento do leste varre a arrogância do Ocidente”.

[18] Na destruidora guerra de Israel no Líbano, em 2006, o militante comunista e escritor Miguel Urbano saudou a resistência libanesa, dizendo que "Lá onde o imperialismo concentra suas forças militares e econômicas, aqueles que o enfrentam o fazem em nome da humanidade inteira".

[19] As operações militares dos EUA, especialmente no Iraque e no Afeganistão, custaram 904 bilhões de dólares desde 2001, segundo um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Orçamentários (CSBA). Este valor inclui a retirada das tropas em 2009.

[20] Somos atualmente quatro fragmentos: Irmãos muçulmanos sírios (base Istambul), Maha Kodmany (financiamento dos EUA), Burhan Ghalioun (rejeita a ideia saudita de armar a oposição), El-Maleh (pró-Arábia Saudita).

[21] O exército egípcio não supera os 350.000 homens, limite imposto pelos acordos de Camps David, enquanto a polícia conta com um milhão e meio de homens. A maior parte da ajuda dos EUA para o exército é feita sob a forma de repasses de dinheiro em troca de favoritismo.

[22] Dentro da boa tradição leninista que, em 1919, reuniu em Baku os povos do Oriente que lutavam contra o colonialismo para reforçar as posições dos bolcheviques. Esses povos tinham, na época, formas político-sociais pré-estatais, ou seja, eram tribos e religiões.



Fonte: Somos Todos Palestinos
Imagem: Google
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