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domingo, 22 de abril de 2012

Pentágono colocou 430 mísseis na costa do Irã



"Diplomacia Tomahawk" Pentágono colocou 430 mísseis na costa do Irã

Um grupo de navios norte-americanos, que estão desdobrados perto da costa do Irã, tem atualmente 430 mísseis de cruzeiro Tomahawk de 1.600 km de alcance.

O Serviço de Informações da Marinha dos EUA anunciou que presentemente está deslocado no Golfo Pérsico um grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Enterprise, que pode ter pelo menos 130 mísseis de cruzeiro a bordo.

Mais um grupo de ataque, chefiado pelo porta-aviões Abraham Lincoln, fica no norte do Mar Arábico e tem o mesmo número de Tomahawk disponível.

Na mesma região está navegando o submarino nuclear Georgia com 154 mísseis de cruzeiro e um outro submarino nuclear com 12 Tomahawk a bordo.







Fonte:
Voz da Rússia, Naval
Imagem: Google


OEA, uma Cúpula morta




Da VI Cúpula das Américas da estafada Organização de Estados Americanos (OEA), realizada no fim-de-semana na Colômbia, o mínimo que se poderá dizer é que foi um fiasco. Efectivamente, talvez nunca como nestes dias em Cartagena das Índias tivesse sido tão evidente o anacronismo de uma organização desenhada como fiel instrumento da hegemonia imperialista dos EUA no continente.

Por Luís Carapinha*

Pautado por ausências, o conclave terminou sem uma declaração final, testemunhando o fosso hoje existente entre a posição convergente da esmagadora maioria dos países latino-americanos e caribenhos e os EUA e Canadá em relação a questões transcendentes como o bloqueio e exclusão de Cuba ou a soberania argentina sobre as ilhas Malvinas.

Um despacho da agência Reuters, insuspeita de qualquer simpatia com a causa da emancipação dos povos, sintetizava o revés de Obama em Cartagena: "A oposição sem precedentes latino-americana às sanções dos EUA contra Cuba comunista deixou o presidente Barack Obama isolado (c) ilustrando o decréscimo da influência de Washington na região" (15.04.12).


Obviamente não se esperaria que as grandes questões políticas e econômicas que fustigam o quotidiano da esmagadora maioria dos latino-americanos e continuam a comprometer o futuro da região – riquíssima em recursos mas detentora dos maiores índices de desigualdade social do planeta – pudessem ser trazidas com seriedade a um espaço com as características da OEA e a cimeiras desta natureza. De fato estiveram ausentes. Mas, sinal da dinâmica que molda o actual contexto latino-americano, o próprio presidente anfitrião juntou-se ao coro dos que expressaram não ser aceitável a realização de uma futura cimeira sem a participação de Cuba.


Ao mesmo tempo, Manuel Santos não perdeu o ensejo para anunciar a entrada em vigor, a 15 de Maio, do Tratado de Livre Comércio entre a Colômbia e os EUA. Santos prosseguiu no Palácio Narino a criminosa política do Governo Uribe de repressão e terrorismo de Estado que impede o caminho de uma solução política negociada para o conflito social armado colombiano. O poder do regime da oligarquia colombiana em Bogotá permanece na zona a base mais segura da manobra intervencionista dos EUA, contudo, Santos é criticado com virulência por Uribe pela melhoria das relações com a Venezuela e o Equador.


A realização desta Cúpula na Colômbia não pode deixar de remeter amargamente para a gritante imoralidade e hipocrisia que marcam o contexto de agravada crise capitalista no mundo. Só assim é possível entender a santa benevolência e o silêncio sepulcral dominantes perante o aviltante quadro de violações dos direitos humanos observado na Colômbia. Isto quando cínicas preocupações humanitárias e democráticas são a tempo inteiro invocadas pelo imperialismo para desencadear novas agressões e guerras genocidas.


O mais importante acólito de Washington na região é um campeão dos assassinatos políticos, das fossas comuns, dos refugiados internos, dos camponeses desapossados de terra, da pobreza de muitos milhões. Tudo dentro das marcas de uma "democracia homologável", termo usado pelo El País.com (15.04.12), o mesmo jornal que agora alimenta uma onda de histerismo revanchista contra a decisão soberana de Buenos Aires de nacionalizar o pacote maioritário da Repsol na petrolífera argentina, YPF.

Cartagena foi sobretudo a confirmação de que a OEA é hoje um esqueleto descarnado. O futuro dos povos latino-americanos passa cada vez mais pelo trilhar dos caminhos da emancipação e do desenvolvimento, partindo do quadro inalienável de exercício da soberania nacional. Apesar de todos os perigos e dificuldades, os processos progressistas e revolucionários que desafiam o domínio do imperialismo e (neo)colonialismo são um elemento incontornável da construção da nova correlação de forças, reflectindo-se na formação dos novos mecanismos de cooperação e integração, como são a ALBA, a UNASUR e a CELAC.



*Luís Carapinha é colunista.


Fonte: Vermelho

Privatização: você, como um contínuo fluxo de recursos


As privatizações estão se acumulando. Primeiro foi o gás. Depois as empresas de telefonia, de petróleo, de eletricidade, as moradias públicas, distribuição de água, as ferrovias e os aeroportos.

Por James Meek, na London Review of Books


Existem medidas para obliterar o conceito de moradia social; os hospitais do NHS [o SUS britânico] serão construídos e gerenciados privadamente; agora o David Cameron quer que empresas privadas e governos estrangeiros ‘invistam’ nas rodovias do Reino Unido. O que isso significa? O caráter episódico da privataria — um setor à venda, pausa, outro setor à venda — esconde a metaprivatização que já atravessou a barreira dos 50%. Os bens essencialmente públicos que Margareth Thatcher, Tony Blair e agora Cameron vendem não são as estações, os trens ou hospitais. É o público, em si. Somos nós.

O bem que torna a água, as estradas e os aeroportos valiosos para um investidor, estrangeiro ou não, é o povo que não tem escolha. Não temos escolha mas pagar o preço que nos é cobrado nos pedágios. Somos um fluxo de receitas; somos locatários de nossa própria terra, definidos pela coleção de taxas privadas que pagamos para existir nela. Se não é óbvio que somos vendidos aos investidores, é parcialmente pela forma como a ideia de privatização nos é vendida, hipnoticamente familiar. Primeiro vem a desqualificação do serviço existente, como se uma verdade universal estivesse se manifestando: as escolas/hospitais/rodovias estão caindo aos pedaços/desabando/são de segunda classe. Então, vem a rejeição da responsabilidade governamental: não temos dinheiro, os burocratas são incompetentes. Finalmente, a solução: investimento privado.


E o investimento vem e as coisas ficam melhores. Com certeza se o setor privado não pagasse para trocar os encanamentos, reformar as rodovias velhas e as usinas de energia, seríamos obrigados a pagar mais impostos? A verdade é que já pagamos impostos mais altos. Só que eles não são chamados de impostos. Nosso sistema de distribuição de água está sendo reformado por causa de um grande aumento no preço dos impostos. Mas não é o que se diz. É chamado de “conta d’água”. Como Chris Giles explicou recentemente no Financial Times, as contas de água subiram duas vezes mais que a inflação desde a privatização. Pagamos um imposto ferroviário: é chamado de aumento de tarifa. Pagamos um imposto de energia, na forma de tarifas mais altas e assim por diante.


Ao embrulhar os cidadãos britânicos e vendê-los, setor por setor, a investidores, o governo torna possível manter os impostos tradicionais baixos ou até os corta. Ao sair de um sistema em que os serviços públicos são mantidos por impostos para um sistema em que são mantidos pelas contas pagas pelos usuários, deixamos um sistema no qual os ricos são obrigados a ajudar os pobres para um sistema no qual os de baixo bancam os serviços, como uma rede de estradas, que os ricos recebem pelo que, para eles, é uma pechincha.


Haverá uma revolta? Houve uma nos anos 90 na ilha de Skye. Ostensivamente, o setor privado ia construir algo que os ilhéus não conseguiriam de outra forma: uma ponte para substituir a balsa. Mas os ilhéus entenderam o que estava acontecendo. Eles estavam sendo vendidos como fluxo humano de recursos. Em vez da ponte ser construída por uma pequena porção do orçamento do governo, foi construída por uma empresa privada com a garantia de que ela poderia cobrar altos pedágios. Menos impostos para todos os britânicos, um grande imposto privado para os ilhéus. Uma grande campanha de desobediência civil terminou em 2004, quando os ilhéus, remando contra a maré, conseguiram que a ponte fosse nacionalizada. A ilha de Skye é pequena. A Grã Bretanha é uma grande ilha. O plano é o mesmo. Vamos ver o que vai acontecer.








Fonte:
Viomundo , Vermelho
Imagem: Google

sábado, 21 de abril de 2012

Russos protestam contra base da Otan em cidade de natal de Lênin



Milhares de comunistas russos protestaram neste sábado (21) contra a presença da Otan em Ulianovsk, cidade natal de Lênin, que abrigará um centro de passagem de mercadorias para a retirada das tropas aliadas do Afeganistão.

"Consideramos o lugar da instalação da Otan no centro do país uma traição aos interesses nacionais", afirmou o líder comunista russo Gennady Ziuganov, durante um comício em Ulianovsk, que fica a cerca de 900 quilômetros a leste de Moscou.

Ziuganov falou para milhares de pessoas reunidas no centro da cidade, onde Vladimir Ilich Ulianov (depois Vladimir Ilitch Lenin) nasceu em 22 de abril de 1870 e que hoje possui diversos museus dedicados ao fundador do Estado soviético.

Os comunistas denunciam que o ponto de passagem da Otan é o primeiro passo para a construção de bases militares aliadas em território russo, e acreditam que as instalações poderiam servir para obter informação secreta e traficar drogas afegãs.

Também se juntaram ao protesto representantes de grupos esquerdistas de Moscou e de outras cidades da Rússia, como o radical Frente de Esquerda, e representantes da reserva do exército soviético.


Após o comício, milhares de pessoas que levaram cartazes com dizeres como "Não às botas da Otan em solo russo" ou "Otan, go home" (Otan, volte para casa) participaram de uma pacífica manifestação pela cidade.

"A Otan viola a soberania de nosso país. A Rússia sempre foi um Estado poderoso e respeitado. A nenhum dirigente russo tinha passado pela cabeça até agora, em mil anos de história, abrigar uma base militar inimiga", disse hoje Yevgueni Litiakov, um dos dirigentes comunistas na região de Ulianovsk.

"Ulianovsk é a pátria de Lênin. Não aceitaremos o plano. Se o permitirmos, nos convenceríamos de que seria o primeiro passo para a construção de bases militares na Rússia. As potências ocidentais nunca saem voluntariamente de lugar algum", acrescentou. Litiakov ressaltou que "há muita gente disposta a deitar em ruas e estradas para evitar a chegada de mercadorias" à cidade, que é a ponte de comunicação aérea e terrestre que une a parte europeia da Rússia com a Sibéria e a Ásia Central.

Recentemente, o presidente Vladimir Putin defendeu a abertura do centro de passagem da Otan. "É preciso ajudá-los a solucionar o problema da estabilização no Afeganistão ou nós é que teremos que fazê-lo. Nossos interesses nacionais consistem em manter a estabilidade do Afeganistão (...), por isso garantiremos o trânsito", afirmou. No entanto, Putin negou que o centro aliado encubra na realidade uma base militar. "Posso garantir aos senhores que lá não haverá nenhuma base. Isso é, como dizem os militares, um 'ponto de apoio' para o tráfego aéreo de cargas militares", afirmou.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse nesta semana que o aeroporto de Vostochni, um dos maiores do mundo e construído para receber até ônibus espaciais, começará a funcionar em breve, e negou planos sobre instalações militares da Otan em solo russo.










Fonte: Vermelho

EUA querem regime dócil a seus ditames na Síria




Por Vanessa Silva da Redação do Vermelho

Neste sábado (21), Socorro Gomes, presidente Conselho Mundial da Paz (CMP) e André Tokarski, presidente nacional da União da Juventude Democrática (UJS), iniciam na Síria uma missão de paz. O objetivo é prestar solidariedade à população, demonstrar o repúdio à interferência estrangeira no país e enfatizar o direito do povo sírio determinar o futuro de sua pátria. A iniciativa parte da Federação Mundial da Juventude Democrática e do Conselho Mundial da Paz (CMP).

A missão será realizada até 26 de abril e inclui representantes de movimentos ativistas da paz afiliados ao CMP em Chipre, Turquia, Índia, Nepal, Líbano, Palestina, Jordânia, Bélgica, África do Sul, Itália e Venezuela, além do Brasil.

Em conversa por telefone com o Vermelho, a presidente do CMP, Socorro Gomes, que se encontra em Damasco desde a quinta-feira (19), ressaltou que o objetivo da missão é "levar a solidariedade de entidades do movimento popular, democrático, progressista e pela paz à nação síria e seu povo num momento em que sofrem grave ameaça de agressão por parte das forças imperialistas, que alimentam propósitos intervencionistas em nome de interesses hegemônicos na região do Oriente Médio".

O presidente da UJS, André Tokarski, também conversou com o Vermelho, por e-mail. Ele esclareceu que o convite para a entidade participar das atividades na Síria foi feito pela União Geral dos Estudantes Árabes e pela União Nacional dos Estudantes da Síria. A expectativa com a visita, segundo esclareceu, é “levar à juventude e aos estudantes da Síria uma mensagem de solidariedade da juventude brasileira”.

Ele ressaltou a importância estratégica do país: “a Síria é extremamente importante, Damasco é uma das principais capitais do Oriente Médio, do ponto de vista político, econômico e cultural. Milhares de descendentes de Sírios vivem no nosso país. Espero poder transmitir o nosso desejo de que a soberania do povo sírio seja respeitada para que não haja mais uma grave agressão militar imperialista”.

Declarações ofensivas

Nesta quinta-feira (19), chanceleres do grupo autodenominado "Amigos da Síria", reunidos em Paris (França), elevaram o tom contra o governo do presidente da Síria, Bashar Al Assad. Socorro Gomes criticou a reunião: para mim “os chanceleres reunidos em Paris minam os esforços de paz feitos no âmbito das Nações Unidas e põem lenha na fogueira ao brindar apoio aos chamados rebeldes e oposicionistas e excluir o governo sírio que tentam derrubar”.

A ativista pela paz criticou as declarações da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, para quem o presidente Bashar Assad, está diante de "sua última oportunidade" para encontrar uma solução pacífica para a crise instalada no país.

Para Socorro, o sentido das declarações da Sra. Clinton é claro. "Os Estados Unidos têm como única estratégia para a Síria a derrubada do governo de Assad. Isto faz parte dos seus planos de moldar regimes e governos reacionários com roupagem progressista na região, dóceis aos ditames de Washington".

Ela criticou também o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, que ameaçou o governo Assad com sanções da comunidade internacional, caso não cumpra o "cessar fogo".











Fonte: Vermelho

Paraíso ou Esquecimento


O que seria de uma sociedade em que não houvesse escassez, onde comida, vestuário, diversão, tecnologia fossem disponíveis para todos os habitantes, onde o dinheiro, o lucro e a economia não valessem nada. Pessoas continuariam a desempenhar trabalhos monótonos, desgastantes ou semi-escravos? Ou se dedicariam a algo que as motivassem, que as desenvolvessem na arte, ciência ou tecnologia? O que seria do planeta se tudo fosse feito da melhor forma para todos?
Se você acha que um mundo assim pode ser viável, esse documentário pode te inspirar um pouco.
Utopia pode algum dia se tornar realidade?







Fonte: DOCVERDADE

Base militar financiada pelos EUA causa preocupação no Chile

A instalação no Chile de uma base de treinamento militar, financiada pelo Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos tem gerado forte preocupação em organizações defensoras dos direitos humanos.


A polêmica base foi inaugurado em 5 de abril último no Forte Aguayo na localidade de Concón, na região de Valparaíso, a 130 quilômetros a noroeste da capital, Santiago, no contexto do exercício anual dos "capacetes azuis" da ONU.


O início do funcionamento da base foi considerado como uma nova expressão do intervencionismo de Washington na região.


Esta é a política intervencionista do governo estadunidense, que vem fazer a política da Escola das Américas, que é a metodologia que tem mantido na América Latina ao instalar bases militares, denunciou Alícia Lira, presidente da Associação de Familiares de Executados Políticos.

"Sabemos que onde os Estados Unidos intervêm com esta prática militarista, invasora, causa preocupação", enfatizou. Nesse sentido, Lira rememorou o golpe militar no Chile em 1973, o qual foi gestado e financiado pelos Estados Unidos.

Igualmente, o deputado do Partido Comunista Hugo Gutiérrez, integrante da comissão de Direitos Humanos da Câmara baixa, expressou sua preocupação pelo treinamento com técnicas militares das forças policiais chilenas, o que poderia conduzir a um aumento da repressão aos protestos sociais.

Depois da inauguração da base militar, construída com o aporte de mais de 500 milhões de dólares pagos pelo Comando Sul estadunidense, a Comissão Ética contra a Tortura no Chile chamou as Forças Armadas a preservarem como missão o resguardo da soberania nacional.

Constitui uma traição à Pátria sua subordinação aos ditames do Exército norte-americano, cujas ações devastadoras fizeram a humanidade sofrer ao longo da história e particularmente o Chile, depois do golpe de Estado, assinalou um comunicado dessa instituição.





Fonte: Prensa Latina, Cebrapaz

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Todos nós somos Argentinos



Por Mauro Santayana

O Brasil e a Argentina, sendo os dois maiores países da América do Sul, têm sido alvos preferenciais do domínio euro-americano em nosso continente. A Argentina, sob Cristina Kirchner, depois de anos desastrados de ditadura militar, e do governo caricato e neoliberal de Menen, se confronta com Madri, ao retomar o controle de suas jazidas de petróleo que estava com a Repsol. Quando um governo entrega, de forma aviltante, os bens nacionais ao estrangeiro, como também ocorreu no Brasil, procede como quem oferece seu corpo no mercado da prostituição. Assim, as medidas de Cristina buscam reparar a abjeção de Menem.

Será um equívoco discutir o conflito de Buenos Aires com Madri dentro dos estreitos limites das relações econômicas. A economia de qualquer país é um meio para assegurar sua soberania e dignidade — não um fim em si mesma.

As elites espanholas, depois da morte de Franco, foram seduzidas pela ideia de que poderiam recuperar sua presença na América Latina, perdida na guerra contra os Estados Unidos e durante a ditadura de quase 40 anos. Já durante o governo de Adolfo Suárez, imaginaram que poderiam, pouco a pouco, readquirir a confiança dos latino-americanos, ofendidos pela intervenção descarada dos Estados Unidos no continente. De certa forma, procediam com inteligência estratégica: a nossa América necessitava de aliados, mesmo frágeis, como era a Península Ibérica, na reconstrução de sua soberania, mutilada pelos governos militares alinhados a Washington.

Mas faltou aos governantes e homens de negócios espanhóis a habilidade diplomática, que se dissimula na modéstia, e lhes sobrou arrogância. Essa arrogância cresceu quando a Espanha foi admitida na União Europeia, e passou a receber fartos recursos dos países ricos do Norte, a fim de acertar o passo continental. A sua estratégia foi a de, com parte dos recursos disponíveis, “comprar” empresas e constituir outras em nossos países. Isso os levou a imaginar que poderiam ditar a nossa política externa, como serviçais que foram, e continuam a ser, dos Estados Unidos. A ideia era a de que, em espanhol, os ditados de Washington seriam mais bem ouvidos.

Saquearam tudo o que puderam, durante o período colonial, em ouro e prata

O paroxismo dessa paranoia ocorreu quando José Maria Aznar telefonou ao presidente Duhalde, da Argentina, determinando-lhe que aceitasse as imposições do FMI, sob a ameaça de represálias. E a insolência maior ocorreu, e sob o governo socialista de Zapatero, quando esse heroico matador de paquidermes indefesos, Juan Carlos, mandou que o presidente Chávez (eleito livremente pelo seu povo, sob a fiscalização de observadores internacionais, entre eles o ex-presidente Carter) se calasse, no encontro ibero-americano de Santiago. Um rei matador de elefantes indefesos e sogro de um acusado de peculato — o bem apessoado serviçal da Telefónica de Espanha, Iñaki Urdangarin, pago com lucros obtidos pela empresa na América Latina, principalmente no Brasil.

Os espanhóis parecem não se dar conta de que as suas antigas colônias se tornaram independentes, umas mais cedo — como é o caso da Argentina — e outras mais tarde, embora muitas passassem ao domínio ianque. Imaginaram que podiam fazer o que faziam antes disso no continente — e incluíram o Brasil na geografia de sua presunção.

O Brasil pode e deve ser solidário com a Argentina, no caso da recuperação, para seu povo, das jazidas petrolíferas da YPF. E manter a nossa posição histórica de reconhecimento da soberania de Buenos Aires sobre o arquipélago das Malvinas.

Que querem os espanhóis em sua gritaria por solidariedade contra a Argentina, pelo mundo afora? Eles saquearam tudo o que puderam, durante o período colonial, em ouro e prata. Usaram esses recursos imensos — assim como os portugueses fizeram com o nosso ouro — a fim de construir castelos e armar exércitos que só se revelaram eficazes na repressão contra o seu próprio povo — como ocorreu na guerra civil.

Um só ser humano, em sua dignidade, vale mais do que todos os poços de petróleo do mundo

Durante o seu período de arrogância subsidiada, trataram com desdém os mal chamados ibero-americanos, humilhando e ofendendo brasileiros e hispano-americanos, aviltando-os ao máximo. Um só ser humano, em sua dignidade, vale mais do que todos os poços de petróleo do mundo. Antes que Cristina Kirchner determinasse a recompra das ações da YPF em poder da Repsol, patrimônio muito maior dos argentinos e de todos os latino-americanos, sua dignidade, havia sido aviltada, de forma abjeta e continuada, pelas autoridades espanholas no aeroporto de Barajas e em seu território.

Que se queixem agora aos patrões, como seu chanceler, Garcia-Margallo fez, ao chorar nos ombros da senhora Clinton, e busquem a solidariedade de uma Europa em frangalhos. Ou que rearmem a sua Invencível Armada em Cádiz, e desembarquem no Rio da Prata. Isso, se antes, os milhões de jovens desempregados — a melhor parcela de um povo maravilhoso, como é o da Espanha — não resolvam destituir suas elites políticas, corruptas, incompetentes e opressoras, e seu rei tão ocioso quanto descartável.

E, ao final, vale lembrar a viagem histórica que Eva Perón fez à Europa, no auge de sua popularidade. Em Madri, diante da miséria em que se encontrava o povo, ofereceu a Franco, em nome do povo argentino, alguns navios cheios de trigo. O general respondeu que não era necessário, que os celeiros espanhóis estavam cheios de farinha. E Evita replicou, de pronto:

"¿Entonces, por qué no hacen pan?"





Fonte: Esquerdopata e Gilson Sampaio

Imagem: Esquerdopata



A decisão do governo argentino de nacionalizar 51% das ações da YPF, filial da Repsol, desencadeou uma crise e uma campanha patrioteira diante da "ofensa de que fomos vítimas". O PP saiu à frente insistindo que o "ataque à Repsol é um ataque à Espanha e ao seu governo".

Diante desses factos, temos a declarar o seguinte:

1. O conflito na Argentina com a Repsol não começou agora nem se limita ao governo argentino. A presença da Repsol na Argentina remonta a 1999, quando a YPF foi vendida pelo presidente Menem na orgia privatizadora dos anos 90 que terminou no "corralito". Todos esses anos foram marcados por constantes choques entre esta multinacional e os trabalhadores e setores populares argentinos, vítimas da entrega do setor petroleiro argentino à Repsol.

Milhares de despedimentos e prisões de trabalhadores por se negarem a ser condenados à fome foram a primeira fatura paga pelo povo argentino pela entrada da Repsol. Foi a pressão dos trabalhadores e do povo argentino que obrigou o governo da presidenta argentina Cristina de Kirchner a ir mais longe do que queria.

2. A YPF representa para a Repsol 50% de sua produção total de hidrocarbonetos, cerca de metade de suas reservas e um terço dos seus lucros. Nestes anos, enquanto a Repsol-YPF saqueava os depósitos argentinos e acumulava enormes lucros, a produção foi caindo. A produção petrolífera reduziu-se em 23% entre 2003 e 2011. O mesmo sucedeu com o gás, passando de 46 mil milhões de metros cúbicos em 2003 para 42 em 2011. Esta diminuição da produção obrigou a Argentina a desviar cada vez mais recursos para a importação de combustíveis e energia. "Do autoabastecimento conquistado em meados da década de 80 com a YPF estatal passou-se à importação com o modelo das multinacionais privadas" (Avanzada Socialista, jornal do PSTU da Argentina)

3. A gestão da multinacional Repsol, assim como os seus investimentos, não obedece a outro critério, como acontece com qualquer multinacional, que não seja o de produzir para ganhar, para otimizar os lucros. Entre 1999 e 2011, a Repsol-YPF investiu na Argentina 8 mil milhões de dólares, enquanto obteve de lucros líquidos 16,5 milhões de dólares, dos quais dividiu entre os seus acionistas 13 mil milhões. Estas são as contas do saque ao qual a Repsol submeteu a Argentina ao longo de todos estes anos. Durante este período, foi esvaziando as jazidas sem outra preocupação que não a de obter bons resultados para os seus acionistas.

4. O governo de Mariano Rajoy saiu em defesa da "empresa espanhola" quando, na realidade, os acionistas da Repsol são maioritariamente estrangeiros. Os acionistas espanhóis apenas totalizam 27%, entre os quais La Caixa (13%), o BBVA (4%) e a construtora SACYR (10%, comprados com o crédito de 46 bancos, entre os quais o Santander, a banca francesa, britânica e holandesa). O denominado "free float", o capital flutuante que cotiza em bolsa, representa 62,21% dos acionistas, boa parte de cujos títulos (42% do total) estão em mãos de fundos de investimentos norte-americanos e britânicos (JP Morgan Bank National Association (EUA), Chase Nominees Ltd. (Grã-Bretanha), State Street Bank and Trust (EUA)), aos quais devem ser adicionados 10% da mexicana PEMEX e 3,32% do banco francês BNP-Paribas.

5. Por mais que Rajoy bata no peito, o papel da Repsol na Argentina mostra o papel das multinacionais "espanholas" na América Latina. Assim como os outros imperialismos, o espanhol e as suas multinacionais (Repsol, Telefónica, Santander, BBVA, Inditex, Acciona…) são sinónimo de roubo das riquezas dos povos e exploração da classe trabalhadora. O exemplo da Repsol, apoiando ditaduras como a de Obiang, na Guiné Equatorial, a do Cazaquistão ou o governo do Peru, onde foi denunciada pela organização Survival International, é um exemplo de que não existe um imperialismo "humanitário e civilizado", o europeu, e outro, "militarista e ditatorial", o norte-americano. Quanto se qualifica as multinacionais espanholas como "piratas", a algumas delas, como a Repsol, a rigor dever-se-ia chamá-las "corsárias", porque roubam com um bandeira, mas entregam a maior parte do botim a outros.

6. A campanha patrioteira do governo mostra a "valentia" do covarde, pois, enquanto ameaça declarar uma guerra comercial à Argentina para defender os interesses dos bancos e empresas investidoras, converteu-se no capataz de Merkel e Sarkozy, no executor do espólio do país através do pagamento da ilegítima e imoral dívida pública.

O saque aos trabalhadores e ao povo, a redução dos salários e das reformas, os seis milhões de desempregados, as milhares de famílias despejadas e jogadas na rua como animais e a juventude sem presente nem futuro não merecem deste governo nem o menor gesto de resistência diante da voragem dos bancos alemães, franceses e espanhóis. Mas se a Argentina reclama o que é seu, os seus recursos petrolíferos, então organiza-se uma estridente campanha patrioteira. Estes "patriotas" carregam a bandeira em sua carteira. São patriotas da banca e das multinacionais, as quais defendem e para as quais governam, à custa do roubo dos trabalhadores e dos povos, sejam argentinos ou do Estado espanhol.

7. É vergonhoso ver, na "esquerda", atitudes como a de Rubalcaba, em nome do PSOE, a oferecer o seu apoio à Repsol e ao governo do PP. É vergonhoso ver o dirigente da UGT, Antonio Deusa, secretário-geral da Federação da Indústria, exigir do governo "uma resposta contundente" e advertir que, se não se atua assim, há o perigo de um "efeito contágio" para as restantes empresas espanholas que operam na Argentina. Os dirigentes da UGT, que não têm dúvida sobre a legitimidade do pagamento dos juros da dívida pública aos bancos, são "patriotas" para defender a Repsol.

8. O governo argentino, que diz "expropriar" a Repsol, na realidade o que está a fazer é converter-se em sócio do seu grupo industrial Petersen, proprietário de 25% da YPF, que mantém integralmente as suas participações. O objetivo real do governo argentino não é nacionalizar a YPF de conjunto, para pô-la ao serviço do povo trabalhador, mas sim obter a maioria das ações para explorar os recursos descobertos nas províncias de Neuquen e Mendoza, e não é de descartar a hipótese de que acabe substituindo a Repsol por outros exploradores capitalistas, chineses ou de qualquer outra nacionalidade.

9. Os trabalhadores/as, os jovens, os setores populares que estão a sofrer na carne as consequências dos cortes, do saque da dívida, de um governo que governa para as multinacionais e a banca, tem de repudiar a tentativa de associar a nacionalização da Repsol a um "ataque à Espanha".

O povo argentino tem o direito de recuperar os seus recursos e dispor deles, tem todo o direito de expulsar dali a Repsol e todas as multinacionais que foram e são parte do saque ao povo. Longe de repudiar essa ação legítima, tem de começar a exigir aqui o mesmo caminho, a suspensão do pagamento da dívida e a expropriação da banca e das indústrias-chaves sob o controlo dos trabalhadores/as, para pôr todos esses recursos ao serviço de um plano de resgate dos trabalhadores e do povo, que reorganize a economia e acabe com o desemprego.




Fonte: NavalBrasil

Imagem: Google



Parlamento europeu recomenda ações contra a Argentina




O Parlamento Europeu aprovou nesta sexta-feira (20) em Estrasburgo uma resolução que avalia a possibilidade de uma suspensão parcial da Argentina do Sistema Generalizado de Preferências (SGP), em reação à atuação soberana do país sul-americano.


A proposta do legislativo pan-europeu é uma resposta à decisão de Buenos Aires de nacionalizar 51 por cento das ações que a petroleira espanhola Repsol possuía na empresa YPF.

O documento do Parlamento Europeu recebeu o voto favorável de 458 deputados, com 71 contrários e 16 abstenções.

A resolução determinou que União Europeia (UE) analise a retirada dos benefícios do SGP para as exportações argentinas que entrarem no mercado comunitário.

O texto questionou o passo adotado por Buenos Aires "de proceder com a expropriação da maior parte das ações de uma companhia europeia, já que essa é uma decisão unilateral e arbitrária".

Os ministros de Relações Exteriores da UE discutirão o tema na próxima semana.

A posição argentina busca reativar a produção de energia no país, levando-se em conta que as importações de petróleo no ano passado chegaram a 9,3 bilhões de dólares.

As estimativas situam em 12 bilhões de dólares os gastos com a compra de óleo e derivados em 2012, o que tem um grande impacto nas finanças nacionais.

A atuação soberana da Argentina gerou críticas de entidades multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, além das procedentes da União Europeia e dos Estados Unidos.

Diante disso, recebeu o respaldo de várias nações latino-americanas, entre elas Venezuela, Nicarágua e Cuba.

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Os socialistas espanhóis tomaram distância da decisão concreta de pedir a suspensão das SGP, apesar de se somarem aos demais na resolução de condenação à decisão da Argentina que assinaram praticamente todos os grupos.

A resolução "deplora a decisão tomada pelo Governo argentino, sem levar em conta uma solução negociada, de proceder à desapropriação da maior parte das ações de uma companhia europeia, já que representa uma decisão unilateral e arbitrária".

Considera que a nacionalização da YPF representa um "ataque ao exercício da livre empresa e ao princípio de certeza legal, deteriorando assim o clima empresarial para os negócios da UE nesse país".

A resolução do Parlamento Europeu constata que esta decisão "se refere a uma só empresa do setor e apenas a uma parte de seu conjunto de acionistas, o que poderia ser considerado discriminatório", em sua opinião.

Por sua vez, os eurodeputados advertiram no texto que as decisões como a tomada pelas autoridades argentinas podem "rarefazer o clima de cordialidade e entendimento necessários" para fechar as negociações em curso de acordo de associação UE-Mercosul.

"Para que essas negociações tenham êxito, as duas partes têm de conversar em um espírito de abertura e confiança mútua", apontam os eurodeputados.




Fonte: Prensa Latina
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Presidente da Petrobras Graça Foster reúne-se em Brasília com secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton




Presidente da Petrobras avaliou encontro como bastante positivo, e destacou a importância do diálogo para o aprimoramento das relações entre empresas de energia brasileiras e norte-americanas

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, reuniu-se nesta segunda-feira (16/04), em Brasília, com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. O encontro, motivado por iniciativa do governo dos Estados Unidos, ocorreu 45 dias depois da visita do subsecretário de Estado daquele país, William Burns, à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, onde foi recebido pela presidente.

Nas duas ocasiões, houve uma breve apresentação sobre a atuação da Petrobras na exploração e produção em águas ultraprofundas, em especial sobre os avanços no pré-sal.

A presidente da Petrobras avaliou o encontro como bastante positivo, e destacou a importância do diálogo para o aprimoramento das relações entre as empresas brasileiras e norte-americanas no setor energético.

O embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e a diretora do Departamento de Energia do Itamaraty, embaixadora Mariângela Rebuá, participaram da reunião. Da comitiva norte-americana, estiverem presentes ao encontro, entre outros, o secretário de Interior dos Estados Unidos, Ken Salazar, e o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon.


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Estou sem palavras para comentar essa notícia, a única coisa que consigo pensar depois disso é: "Eu falei que isso ía dar merda".

Deixo aqui esse vídeo para expressar meus sentimentos em relação ao encontro dessas duas "grandes" mulheres.




Fonte: email que recebi de um amigo.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Hillary renova ameaça: "Assad tem última chance na Síria"



A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, voltou a ameaçar o governo sírio nesta quarta-feira (18) ao considerar que o presidente Bashar al-Assad, está diante de "sua última oportunidade" para encontrar uma solução pacífica para o caos instalado no país pela política agressiva do imperialismo e de algumas nações árabes opositoras à Síria.


Em entrevista coletiva realizada após a reunião ministerial da Otan em Bruxelas, capital da Bélgica, a chanceler americana avisou que a situação síria "se encontra num ponto crucial".

"O que mais preocupa é que, enquanto se prepara o envio dos observadores da ONU, de acordo com o plano de paz, as armas do regime de Assad continuam disparando. Somos conscientes do desafio", tergiversou, já que o acordo de cessar-fogo tem sido quebrado pelos rebeldes apoiados e armados por forças externas.

Em 10 de abril entrou em vigor um plano de paz de seis pontos apresentado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao governo sírio e aos rebeldes armados. O plano foi aceito pelo governo e repudiado pela oposição armada e financiada pelo imperialismo, por Arábia Saudita e Catar.

O acordo inclui a retirada das tropas sírias das ruas, condição que já foi cumprida e observada por repórteres estrangeiros. O chefe da diplomacia síria, Walid Muallem, reiterou hoje este compromisso durante reunião em Pequim com seu colega chinês, Yang Jiechi.

"Vamos seguir aumentando as medidas, falei com vários países e seguiremos pressionando para uma solução política", renovando as ameaças e prometendo apoio "logístico" aos golpistas.

"Estamos enviando equipamento para a logística e a comunicação dos opositores. Fazemos isso para que eles sejam a voz do povo na Síria".






Fonte: Vermelho
Imagem: Google

Ministro israelense diz que o país não descartou atacar o Irã

Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, diz que as negociações entre o Irã e o grupo 5+1 são perda de “tempo precioso”

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou ontem (17) que seu país não descartou atacar o Irã, embora continuem as entre Teerã e o G5+1 – formado pelos cinco membros permanentes do Conselho da Segurança mais a Alemanha. Barak disse ainda que os israelenses foram claros nas conversas que tiveram com os Estados Unidos a respeito do programa nuclear iraniano: "nós não estamos comprometidos com ninguém".

Barak pensa que o Irã se transformará em uma ameaça existencial caso consiga desenvolver armas nucleares e ameaçou: Israel não permitirá que o governo iraniano produza bombas nucleares. Em relação às negociações entre os iranianos e o G5+1, Barak considera que as partes envolvidas estão perdendo um “tempo precioso”.

No último fim de semana, uma delegação iraniana viajou à Turquia para retomar as negociações com o G5+1. Na ocasião, o Irã destacou as necessidades da negociação, porém voltou a deixar claro que as conversas deveriam ser baseadas em "igualdade e respeito mútuo", sem pressões ou chantagens.

Na semana anterior, no dia 12, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirmou que seu país vai preservar seus direitos fundamentais, ainda que para isso tenha que suportar "as mais duras e severas pressões".





Fonte: Com informações do Opera Mundi, Vermelho


Nunca quiseram nos ouvir; em Cartagena foram obrigados


Na Colômbia, cidade de Cartagena de Índias, ficou demonstrado que há um abismo crescente entre "Nossa América" martiana e "o Norte revolto e brutal que nos despreza". Ali se produziu uma rebelião da América Latina e do Caribe contra a imposição de "um governo e meio", que exercia um veto imperial aos parágrafos do projeto de Declaração Final da chamada Cúpula das Américas que reclamavam o fim do bloqueio e da exclusão de Cuba dos eventos hemisféricos.


Desde a Cúpula anterior de 2009 se dissiparam as ilusões sobre a política do presidente Obama, abriu-se uma brecha entre seus discursos e seus atos, não houve maior mudança na política para a América Latina e Caribe, o bloqueio a Cuba continuou e, inclusive, se endureceu no setor financeiro, apesar da condenação internacional e do voto da esmagadora maioria da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo de "provocar fome, desespero e a derrubada do governo", o que agora se conhece como "mudança de regime".

A Alba se reuniu em 4 de fevereiro passado, em Caracas, na ocasião em que se comemorava a heróica Rebelião Cívico-Militar de 1992, adotou uma Declaração sobre a Soberania Argentina das Malvinas, outra sobre o bloqueio e considerou injusta e inaceitável a imposição da exclusão de Cuba destes eventos. O presidente Correa afirmou resolutamente que se esta questão não fosse resolvida, o Equador não assistiria à Cúpula de Cartagena, o que sacudiu a região. Essa valente posição foi o prelúdio do que ocorreu.

O presidente Raúl Castro Ruz disse ali: "eu quero agradecer a vocês, presidente Correa, a Evo e a todos vocês por essas posições, propostas… é um tema de vital importância, têm toda a razão. Nós jamais reclamamos que se tome uma medida como essa, mas nem por isso vamos deixar de apoiar esta que consideramos muito justa".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que nos visitou, de maneira respeitosa, recebeu como resposta do presidente Raúl Castro Ruz que Cuba, caso fosse convidada à Cúpula, participaria, como sempre, com todo o respeito, apego aos princípios e à verdade, teve o mérito de introduzir diretamente o tema do bloqueio e da exclusão de Cuba.

Para que outras Cúpulas sem Cuba?

O presidente Evo Morales, que foi o primeiro a questionar essa Cúpula na reunião de fevereiro da Alba em Caracas, fez a batalha em Cartagena e afirmou que "estamos em uma etapa de desintegração. Não é possível que um país possa vetar a presença de Cuba, portanto, não há integração e com a ausência do Equador, como uma ausência justa em protesto ao veto dos Estados Unidos a Cuba, sobre que integração podemos falar?".

O presidente Chávez, em 13 de abril passado, exclamou: "Agora, na verdade, se estes dois governos, Estados Unidos e Canadá, se negam a discutir temas tão profundamente consubstanciados para a América Latina e o Caribe, como é o tema de Cuba, da irmã Cuba, da solidária Cuba, ou o tema das Ilhas Malvinas, para que outras Cúpulas das Américas então? Seria necessário acabar com essas Cúpulas”. Antes, ele tinha escrito: "Clamamos, igualmente, pelo fim do vergonhoso e criminoso bloqueio à irmã República de Cuba: bloqueio que, há mais de 50 anos, o império exerce, com crueldade e sevícia, contra o heroico povo de José Martí".

Daniel Ortega, em massivo e juvenil ato de solidariedade com Cuba, em 14 de abril, em Manágua, disse: "Eu creio que é o momento de o governo dos Estados Unidos escutar todas as nações latino-americanas das mais diversas ideologias, dos mais diversos pensamentos políticos; desde os pensamentos mais conservadores até os pensamentos mais revolucionários, mas aí estão todos coincidindo em que Cuba tem que estar presente nestas reuniões ou não haverá próximas Cúpulas chamadas ou mal chamadas das Américas".

Malvinas e bloqueio


Foi impressionante a sólida postura unitária de Nossa América em torno do bloqueio, a exclusão de Cuba e as Malvinas. Foi essencial a firmeza e a dignidade da presidente da Argentina na defesa enérgica dessas causas.

Sentimo-nos orgulhosos quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, defendeu com serena dignidade diante de Obama, que a Pátria Grande só pode ser tratada como igual e confirmou a postura comum em apoio à Argentina e a Cuba.

Os líderes dos países do Caribe mostraram a solidez da Comunidade do Caribe (Caricom) e que esta e a América Latina são igualmente indivisíveis. Sua defesa da soberania argentina das Malvinas e seu tradicional e categórico respaldo a Cuba foi trascendental.

As forças de esquerda, os movimentos populares, as organizações sindicais, juvenis e estudantis, as organizações não-governamentais reunidas todas no Congresso dos Povos, em Cartagena, expressaram emotiva solidariedade com Cuba. A Reunião Interparlamentar das Américas adotou uma condenação à exclusão e ao bloqueio a nosso país.

Nascimento da Celac

Os Estados Unidos subestimaram que em 2 de dezembro de 2011, em Caracas, no Bicentenário da Independência, sob a liderança de Chávez, no 55º aniversário do Desembarque do Granma, nascera a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), o que o líder da Revolução, Fidel Castro Ruz, antecipou em fevereiro de 2010, ao escrever que "nenhum outro fato institucional de nosso hemisfério, durante o último século, reflete similar transcendência".

Quando nessa primeira Cúpula se elegeu Cuba como presidente da Celac em 2013, o general de Exército Raúl Castro Ruz declarou: "Com as decisões que aqui adotamos e com o trabalho conjunto dos últimos três anos, reivindicamos mais de dois séculos de lutas e esperanças. Chegar tão longe nos custou esforço, mas também sangue e sacrifício. As metrópoles coloniais de antigamente e as potências imperiais de hoje foram inimigas desse empenho".

De Cuba, cuidamos nós

Obama tampouco parece entender o significado da vitória bolivariana de 13 de abril de 2002 nem de que, precisamente agora, se completam dez anos do golpe de Estado organizado por seu predecessor, com o apoio da OEA e do governo espanhol de Aznar, contra o presidente Hugo Chávez, com o qual se pretendeu aniquilar a Revolução Bolivariana e assassinar seu líder. Como lhe recordou o chanceler venezuelano Nicolás Maduro, olhando-o nos olhos, em memorável discurso na Cúpula de Cartagena, o governo estadunidense persiste na conduta de intervir nos assuntos internos da Venezuela e de apoiar os golpistas convertidos agora em candidatos eleitorais.

O presidente Obama deveria dar-se conta de que a Cúpula Cartagena não foi propícia para aconselhar Cuba sobre democracia. Menos ainda se quem pretendeu fazê-lo estava ali totalmente isolado, obrigado a exercer um veto imperial por falta de ideias e de autoridade política e moral; dedica-se à demagogia, a caminho de umas eleições escabrosas. Ou melhor, deveria ocupar-se de suas guerras, crise e politicagem, porque de Cuba, nós, cubanos, nos ocupamos.

Os Estados Unidos nunca quiseram debater acerca das terríveis consequências para a América Latina e o Caribe do neoliberalismo nem sobre os imigrantes nos Estados Unidos e Europa separados de suas famílias, deportados cruelmente ou assassinados nos muros como o do Rio Bravo. Tampouco aceitou jamais falar dos pobres que são a metade da humanidade.

O império e as outrora metrópoles coloniais não escutam os “indignados”, seus cidadãos e minorias que vivem na pobreza nessas sociedades opulentas, enquanto salvam com somas exorbitantes banqueiros corruptos e especuladores. Na superpotência, 10% das famílias controlam 80% da riqueza. Esses recursos são suficientes para resolver os problemas do planeta.

A novidade de Cartagena
O novo em Cartagena é que boa parte dos governos, com naturais diferenças e distintos enfoques, demandaram um modelo alternativo que privilegie a solidariedade e a complementaridade frente à competição fundada no egoísmo; procuram a harmonia com a natureza e não o saque dos recursos naturais nem o consumismo desenfreado. Pediram que se assegure a diversidade cultural e não a imposição de valores e estilos de vida alheios a nossos povos; que se consolide a paz e sejam rechaçadas as guerras e a militarização.
Fizeram um chamamento a recuperar a condição humana de nossas sociedades e a construir um mundo onde se reconheça e respeite a pluralidade de ideias e modelos, a participação democrática da sociedade nos assuntos de governo, incluída a consulta das políticas econômicas e monetárias; que sejam combatidos o analfabetismo, a mortalidade infantil e materna, as enfermidades curáveis. Exigiu-se o acesso tanto à informação livre e verídica como à água potável; reconheceu-se a exclusão social e que os direitos humanos são para o exercício de todos e não para usá-los como arma política dos poderosos.
Desta vez, o governo dos Estados Unidos teve que escutar, não uma voz quase única como foi durante décadas, nem uma escassa minoria até há pouco. Agora, foi a maioria dos povos que falou na Cúpula pela boca de seus presidentes e chefes de delegações para fazer este debate imprescindível, ou através da atitude dos que não foram. A Cúpula teve que ser censurada porque o império escuta com ouvidos surdos.

Segunda independência

Em Cartagena, ficou desnudada a Doutrina Monroe da "América para os (norte) americanos". Como se ninguém recordasse o engano da Aliança Para o Progresso, em 1961, e da Iniciativa Para as Américas ou a Alca, em 1994; quiseram agora enganar-nos com a "Aliança Igualitária".

Como disse anteriormente em um evento internacional na mesma Cartagena, em 14 de junho de 1994, o comandante em chefe Fidel Castro Ruz, as chamadas Cúpulas das Américas só têm beneficiado o Norte.

José Martí, quando julgou uma reunião similar, em Washington, há 105 anos, escreveu: "Depois de ver com olhos judiciosos os antecedentes, causas e fatores do convite, urge dizer, porque é a verdade, que chegou para a América espanhola a hora de declarar sua segunda independência".

Durante o próprio evento, a Alba tornou oficial e público que, sem uma mudança radical da natureza destas Cúpulas, não participaria mais. Outros líderes continentais, também fizeram essa mesma advertência.

Da OEA, esse cadáver insepulto, nem há o que falar.
À República Argentina assiste o direito inalienável de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

Cuba recorda que a Pátria Grande não estará completa até que o irmão povo portorriquenho exerça seu direito inalienável à autodeterminação e Porto Rico, essa nação latino-americana e caribenha, submetida pelos Estados Unidos ao colonialismo, alcance sua plena independência.

Com um sólido consenso de soberania regional e defesa de nossa cultura, dentro de nossa rica diversidade; com quase 600 milhões habitantes; com enormes recursos naturais, Nossa América tem uma oportunidade para resolver os graves problemas de extrema desigualdade na distribuição da riqueza e pode, com sua força já evidente, contribuir ao "equilíbrio do mundo", à defesa da paz e à preservação da espécie humana.

Para isso, frente aos intentos de dividir-nos e sair do caminho que estamos, necessitamos manter-nos unidos.
Ninguém se esqueça no Norte, que há 51 anos, o povo cubano já defendia, nestas mesmas horas, uma Revolução Socialista nas areias ensanguentadas de Playa Girón, e que, desde então, "todos os povos da América foram um pouco mais livres".








Fonte: Gramna, Vermelho
Tradução: José Reinado, editor do Vermelho
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cuba denuncia roubo de fundos congelados nos Estados Unidos




O valor dos fundos cubanos congelados de forma autoritária pelos Estados Unidos chega a US$ 245 milhões, sendo que um valor indeterminado deles desapareceu nos últimos anos, devido às repetidas apropriações.


As apreensões incluem dinheiro e bens pertencentes a cidadãos cubanos residentes no país e fora dele, além de valores de outros Estados e empresas cubanas e estrangeiras, bloqueados por causa das leis do cerco econômico imposto pelos EUA, de acordo com uma denúncia publicada nesta segunda-feira (16) pelo jornal Granma. Entre os ativos congelados existem propriedades e contas bancárias do Estado, entidades e indivíduos em Cuba, transferências para Cuba por parte de instituições estrangeiras e propriedades, indivíduos e prêmios em dinheiro obtidos pelos cidadãos cubanos em competições ou eventos desportivos internacionais. Segundo o texto, o início desse tipo de ação ocorreu em 8 de julho de 1963, a partir da emissão pelo Tesouro dos EUA, da chamada Regulação de Controle de Ativos Cubanos, que decretou o congelamento dos fundos da ilha.

Desde meados dos anos 90, Cuba sofreu uma nova forma de ataque, o roubo das propriedades do Estado e empresas cubanas por decisão unilateral da administração de Washington.






Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)

Argentina decide reestatizar empresa de petróleo


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira que seu governo pretende aumentar para 51% o capital público da petrolífera argentina, tornando a YPF uma empresa de capital predominantemente público e assumindo o controle gestionário da empresa.

Um projeto de lei, já enviado ao Congresso Nacional, estabelece que o Estado passa a controlar a empresa - que havia sido privatizada nos anos 1990, com o controle passado para a empresa espanhola Repsol.

Ao comentar o projeto enviado ao Legislativo, a presidente destacou que tem mais de 50 páginas de "argumentos claros e precisos" que avaliam a decisão de voltar a tomar o controle do estado sobre a entidade, para recuperar o domínio dos recursos que não são apenas estratégicos, mas também vitais.

Cristina pormenorizou além disso detalhes sobre a situação da empresa, 17 anos depois da Repsol ter adquirido a YPF por US$ 13,158 bilhões, a maioria das ações.

A presidente sublinhou que, entre 2001 e 2011 as reservas se reduziram em 50%, enquanto a baixa produção obrigou a Argentina, pela primeira vez em pouco menos de duas décadas, a se converter em país importador de petróleo e gás.

"Depois de dezessete anos, pela primeira vez em 2010, tivemos que importar gás e petróleo. Também tivemos redução no saldo comercial (devido à queda nas exportações do setor), que entre 2006 e 2011 foi de 150%", afirmou.
Cristina anunciou a assinatura de um decreto intervindo na companhia, que passará a ser administrada por autoridades locais, antes mesmo da aprovação do texto pelos parlamentares argentinos.

Com a aprovação do projeto pelo parlamento, o Tribunal de Transações do país determinará o valor da compensação pela transferência das ações de mãos privadas ao controle estatal. Paralelamente ao projeto de lei, Cristina assinou uma medida provisória – chamada de Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) na Argentina –, na qual anuncia a intervenção provisória da YPF S.A. por um prazo de 30 dias.

Petrobras

Cristina afirmou que a decisão argentina não é um "fato inédito", já que outros governos, como México e Bolívia, possuem 100% das empresas petrolíferas estatais. Ela citou o Brasil como um modelo.

"No Brasil, o estado tem 51% (das ações) por meio da Petrobras. Nós escolhemos o mesmo caminho. Queremos ter uma relação igualitária com nosso sócio (Brasil), para ajudar a América Latina a se transformar também em região de auto-abastecimento. E, por isso, queremos incluir Venezuela no Mercosul para fechar o anel energético", disse.

O restante das ações da empresa que hoje tem a participação majoritária da Repsol – mais de 40% – corresponderá às províncias e um percentual reduzido aos espanhóis (especula-se que em torno de 6%). A presidente disse que a medida não afeta "outros sócios ou acionistas" da YPF.

A presidente afirmou também que seu governo quer trabalhar junto com o empresariado e que não vai tolerar a falta de cooperação com seu país.

Reação nervosa

A decisão argentina deixou o governo espanhol irado. Dirigido pelo Partido Popular, de direita, o governo emitiu pareceres e considerações ameaçando a Argentina, chamando a decisão de "gesto de hostilidade" e que o país tomaria medidas "claras e contundentes".

O ministro da Indústria do país europeu, José Manuel Soria, foi o incumbido de comunicar as ameças contra a nação portenha. Em coletiva de imprensa, disse que o executivo trabalha para a adoção de medidas "claras e contundentes", que serão reveladas nos próximos dias, sem especificar no entanto nenhuma delas.

Soria disse que a medida do governo argentino é um "gesto de hostilidade contra a Espanha e contra o governo do país". Tanto Soria como o ministro de Relações Externas, José Manuel García-Margallo, dedicaram um rosário de desqualificações à expropriação. O chanceler espanhol chegou até a convocar o embaixador argentino, Carlos Bettini, para declarar a ele que a medida era "arbitrária" e "daninha", que suporia a ruptura das relações "de amizade e cordialidade" entre as duas nações.

No entanto, Soria disse acreditar que o tal "gesto hostil" não seja o princípio de uma "situação grave", já que na Argentina operam outras importantes empresas de capital espanhol, do setor financeiro – BBVA e Santander – de telecomunicações – Telefónica – e outros setores.



Fonte: Vermelho

Imagem: Google

sábado, 14 de abril de 2012

Fidel Castro: A Cúpula das guayaberas

Com a fina ironia e erudição de sempre, o comandante da Revolução cubana comenta a Cúpula das Américas que se realiza na cidade colombiana de Cartagena e os crimes do imperialismo estadunidense cometidos com a cumplicidade da Organização dos Estados Americanos (OEA).


Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos – sem dúvidas inteligente, bem instruído e bom comunicador- fez não pouca gente pensar que era um êmulo de Abraham Lincoln e Martin Luther King.

Há cinco séculos uma Bula Papal, aplicando conceitos da época, atribuiu cerca de 40 milhões de quilômetros quadrados de terra, águas interiores e costas a dois pequenos e belicosos reinos da Península Ibérica.

Ingleses, franceses, holandeses e outros importantes Estados feudais foram excluídos da divisão. Intermináveis guerras não tardaram a desencadear-se, milhões de africanos foram convertidos em escravos ao longo de quatro séculos e as culturas autóctones, algumas delas mais avançadas do que as da própria Europa, foram desfeitas.

Há 64 anos foi criada a repudiável OEA. Não é possível relevar o grotesco papel dessa instituição. Um elevado número de pessoas, que talvez somem centenas de milhares, foram sequestradas, torturadas e desaparecidas como consequência de suas resoluções para justificar o golpe contra as reformas de Jacob Arbenz na Guatemala, organizado pela Agência Central de Inteligência yanque. A América Central e o Caribe, incluída a pequena ilha de Granada, foram vítimas da fúria intervencionista dos Estados Unidos através da OEA.

Mais grave ainda foi seu nefasto papel no âmbito da América do Sul.

O neoliberalismo, como doutrina oficial do imperialismo, cobrou inusitada força na década de 1970 quando o governo de Richard Nixon decidiu frustrar o triunfo eleitoral de Salvador Allende no Chile. Iniciava-se uma etapa verdadeiramente sinistra na história da América Latina. Dois altos chefes das Forças Armadas chilenas, leais à Constituição, foram assassinados, e Augusto Pinochet foi imposto na chefia do Estado, depois de uma repressão sem precedentes na qual numerosas pessoas selecionadas foram torturadas, assassinadas e desaparecidas.

A Constituição do Uruguai, um país que se tinha mantido durante muitos anos no marco da institucionalidade, foi varrida.

Os golpes militares e a repressão se estenderam a quase todos os países vizinhos. A linha de transporte aéreo cubana foi objeto de brutais sabotagens. Um avião foi destruído em pleno voo com todos os seus passageiros. Reagan liberou o autor mais importante do monstruoso crime de uma prisão na Venezuela, e o enviou a El Salvador para organizar o tráfico de drogas por dinheiro para a guerra suja contra a Nicarágua, que custou dezenas de milhares de mortos e mutilados.

Bush pai e Bush filho, protegeram e isentaram de de culpa os implicados nestes crimes. Seria interminável a lista de malfeitorias e atos terroristas cometidos contra as atividades econômicas de Cuba ao longo de meio século.

Hoje, sexta-feira, 13, escutei valentes palavras pronunciadas por vários dos oradores que intervieram na reunião de chanceleres da chamada Cúpula de Cartagena. O tema dos direitos soberanos da Argentina sobre as Malvinas - cuja economia é brutalmente golpeada ao ser privada dos valiosos recursos energéticos e marítimos dessas ilhas - foi abordado com firmeza. O chanceler venezuelano Nicolás Maduro, ao finalizar a reunião de hoje, declarou com profunda ironia que “do Consenso de Washington se passou ao Consenso sem Washington”.

Agora temos a Cúpula das guayaberas. O rio Yayabo e seu nome indígena, totalmente reivindicado, passarão à história.

Fidel Castro Ruz
13n de abril de 2012
21h40






Fonte: Cubadebate
Tradução: José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho

Imagem: Google

Dilma cobra de Obama relações de igualdade com os EUA



A presidente Dilma Rousseff disse neste sábado (14) ao governante americano, Barack Obama, que as alianças entre a América Latina e os Estados Unidos devem ser em pé de igualdade e defendeu os processos de integração regionais.


"Alianças de igualdade", afirmou Dilma ao lembrar que, "no passado, as relações assimétricas entre norte e sul foram responsáveis por muitos acordos negativos".

Dilma se expressou assim durante uma conversa pública com Obama e o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante o encerramento do Fórum Empresarial prévio à inauguração neste sábado da 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena de Indias.

"Ninguém produz conhecimento, ciência, educação de qualidade se um for superior ao outro (...) todos sabemos que não existe diálogo entre pessoas e países desiguais, só existe cooperação se nos colocarmos como países que dependemos uns dos outros para fazer este mundo mais próspero", ressaltou a presidente.

Em um dos atos mais esperado deste fórum, que reúne mais de 700 empresários na busca de fórmulas para reduzir o problema da desigualdade social no continente, Dilma reconheceu, no entanto, o importante papel dos Estados Unidos.

"Temos que reconhecer a importância da economia dos Estados Unidos, que possui importantes características neste mundo multipolar que está surgindo: uma imensa flexibilidade, uma enorme liderança em ciência, tecnologia e inovação, e suas raízes democráticas", disse Dilma ao ressaltar "o importante papel que a economia americana segue desempenhando na América Latina".

A presidente do Brasil, cuja economia já é a sexta do mundo, respondeu perguntas sobre crescimento econômico e se orgulhou ao falar "da virtuosa expansão do mercado interno brasileiro", além de ressaltar o importante papel do país em integrar a região em seu conjunto.

"Temos que trabalhar na integração de nossos países e nossas economias", indicou Dilma ao mencionar os países latino-americanos e expressar seu otimismo "em direção às relações no hemisfério".

Entre os aplausos do público, a presidente citou especialmente as conquistas obtidas no seio de organismos regionais, como a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), a União Sul-Americana de Nações (Unasul), o Mercosul e o G20.

Segundo Dilma, estes fóruns permitem "articular processos de apoio e financiamento para os setores produtivos" dos países da América Latina e o Caribe.




Fonte:
Vermelho
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