"A
história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e
de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mas também pela
conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da
sociedade." – Perseu Abramo
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista
realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que
aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos
Estados Unidos naquela época.
Milhares de
trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho
desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13
para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e
discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve
prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a
polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Chicago, maio de 1886
O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos diretamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extração da mais-valia, através de baixos salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.
Em memória dos
mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se
desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos
trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia
1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho).
As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.
Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.
No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma. Os oradores se revesavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.
A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se "Estado de Sítio" e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.
A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.
Spies fez a sua última defesa:
"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"
Parsons também fez um discurso:
"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Fez um relato da ação dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:
"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo".
Mártires de Chicago:Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg (ao centro) suicidou-se na prisão.
No dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniqüidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.
Há datas que são marcos históricos e perduram para sempre na memória
universal. Assim ocorre com o 30 de abril de 1975, simbolizado por um
tanque que derrubava as portas do palácio governamental da antiga
Saigon, no sul do Vietnã. Por Hugo Rius Blein*
Era um meio-dia quando as aguerridas
Forças de Libertação do heroico povo vietnamita irrompiam na guarita de
um regime em debandada, sustentado apenas pelo poderio militar de uma
potência como os Estados Unidos.
Mais que pôr termo à ignomínia da subordinação que ali se abrigava,
aquele memorável episódio foi a contundente cena final de uma anunciada
derrota política e militar infligida ao prepotente império
intervencionista e agressor.
Nunca foi tão humilhante para este, precedida nas vésperas pelas
eloquentes imagens de fugas precipitadas e desesperadas, de corre-corre
para subir em helicópteros e fugir como pudesse da avalanche libertadora
e revolucionária em marcha.
Desde que em 1964 os Estados Unidos tiraram um intencionado partido do
chamado incidente do Golfo de Tonkin, uma fraudulenta auto-agressão para
desencadear a guerra no Vietnã, transcorreu pouco mais de uma década de
elevado custo humano e material.
Como poucas vezes se teve notícias, nenhum povo sofreria tanto castigo
em vidas e recursos naturais, apenas pelo fato de defender seu direito à
soberania nacional, à independência e à unidade e integridade
territorial.
Ainda hoje, em um Vietnã mais forte, como nunca se cansou de prever o
grande Ho Chi Minh, ainda sob as bombas caindo sobre Hanói, continua-se
reclamando pelas vítimas, geração após geração, do infernal “agente
laranja”, disseminado pela aviação estadunidense sobre populações civis,
plantações e bosques.
Efeitos do Agente Laranja
Mas também essa exemplar e pertinaz resistência protagonizada pelos
vietnamitas suscitou admiração e solidariedade mundiais e contribuiu
para despertar consciências nos próprios Estados Unidos, onde começou a
romper-se o mito da invencibilidade de seus marines e tropas equipadas
com as últimas novidades em tecnologia bélica.
Isto constituiu uma formidável lição, a de que “sim, é possível”, assim
como antes na batalha cubana de Giron, em 1961, frente a mercenários
apoiados por Washington. Ou em outro contexto, o abril de 2002 em
Caracas, Venezuela, no fundo, do mesmo caráter.
A entrada relâmpago das Forças Armadas Populares de Libertação do Vietnã
em Saigon resultou no desfecho de uma acertada estratégia, que
atravessou sucessivas etapas cruciais, desde que em 1971 os
estadunidenes não puderam controlar as fronteiras entre o Vietnã, o Laos
e o Cambodia pela estrada número 9.
Naquele momento, com as regiões libertadas abarcando mais de 50 por
cento dos cenários da guerra, a derrota já se vislumbrava, e dois anos
depois, em 1973, os patriotas obrigavam os agressores a sentar-se na
mesa de negociações em Paris e assinar um acordo de paz.
A partir de então, em meio a continuadas violações do acordo pelos
estadunidenses, outras batalhas decisivas contra os baluartes militares
de Phoc Long, Buon Me Thuot, Pleikú, Che Reo, Da Nang, Hha Trang Luang e
outros foram pavimentando o caminho ao assalto final.
O Comitê Central do então chamado Partido dos Trabalhadores do Vietnã,
decidiu desencadear em 10 de março de 1975 a grande ofensiva final e a
operação Ho Chi Minh.
Durante os dias 26, 27 e 28 de abril a ofensiva tinha-se generalizado
por toda a faixa costeira e em diversos pontos se desenvolviam combates
encarniçados, corpo a corpo, casa a casa para romper o presunçoso
“cordão sanitário” ao redor da capital do Sul.
Naqueles dias, Le Van Phuong, um jovem tanquista de guerra, já veterano
das batalhas da estrada número 9 e de Da Nang, recebeu a ordem de
marchar para Saigon; foi a ele que correspondeu a missão de derrubar as
portas do palácio que abrigou todos os governos que seguiram de pés
juntos as ordens do comando estadunidense de ocupação.
Entrevistado pela emissora de rádio Voz do Vietnã, por motivo deste
aniversário do acontecimento, ele ainda se emociona ao evocá-lo, ao
recordar também seu chefe de companhia, Bui Quang Than, içando no ponto
mais alto daquele palácio a bandeira da libertação.
A foto na qual aparece o tanquista, e que se tornou símbolo mundial, foi
feita por Françoise Demulder, falecida em 2009, uma repórter francesa, a
quem segundo suas próprias palavras, a guerra no Vietnã mudou o sentido
de sua profissão e de sua vida.
Depois ela cobriu a guerra no Líbano e a resistência dos palestinos, entre outros conflitos que qualificou como injustos.
Antes de morrer regressou a Hanói, em busca de Phuong, a quem encontrou
em uma humilde casa de uma viela de Son Tay, modesto em sua façanha e
dedicado, como qualquer outra pessoa, às tarefas da vida civil de um
país reconstruído e em crescimento.
Ambos se abraçaram e choraram, porque também a libertação da cidade que
hoje se chama Ho Chi Minh, que terminou reunificando o Vietnã, irmana
para além das fronteiras.
Saigón 75 representa para sempre um símbolo da resistência e a vitória de uma causa justa na memória universal.
*Correspondente de Prensa Latina no Vietnã
Fonte: Vermelho Imagem: Vermelho, google Tradução de José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelhoe Conselheiro da Associação de Amizade Brasil-Vietnã
Funai afirma que os contratos de venda de créditos de carbono
oferecidos por empresas internacionais são ilegais e comprometem o uso
das reservas pelos próprios indígenas. Brasil não tem legislação para
acordos de Redd.
O Brasil se prepara para iniciar uma briga nos tribunais contra
negociadores internacionais de créditos de carbono. A Advocacia Geral da
União (AGU) vai entrar com uma ação judicial para impedir os efeitos de
contratos assinados entre indígenas e empresas que atuam no setor e que
teriam agido ilegalmente no Brasil.
Até o momento, pelo menos três contratos considerados ilícitos foram
identificados pelas autoridades. "Os contratos são de venda de créditos
de carbono e comprometem todo o usufruto [das terras], que é exclusivo
dos índios, e garantem acesso de pessoas não autorizadas às terras
indígenas", afirmou o procurador federal Flávio Chiarelli, da
Procuradoria Federal Especializada junto à Fundação Nacional do Índio
(Funai), órgão que faz parte da AGU.
A Funai diz que mais de 30 etnias já foram abordadas por empresas
interessadas em fechar os chamados acordos de Redd (Redução de Emissões
por Diminuição do Desmatamento), um mecanismo internacional criado para
ajudar a estabilizar os níveis de emissões de gases estufa. No entanto,
esse mercado ainda é voluntário, ou seja, não está submetido à regulação
e fiscalização de uma autoridade internacional.
O Brasil ainda não criou uma lei nacional para regulamentar o setor. A
recomendação da Funai é clara: ela pede às lideranças indígenas que não
firmem contratos de compensação de créditos de carbono devido à falta de
regulamentação do Redd no Brasil.
Site da empresa Viridor mostra entrega de caminhonete
Dinheiro em troca
As autoridades brasileiras consideram os acordos fechados sem validade.
"Eles são nulos. A liderança que assinou e foi procurada não representa
a vontade da maioria da comunidade. Os contratos são ilegais", afirma
Chiarelli, que vai usar esse argumento contra as empresas.
A Funai afirma que a maioria dos documentos a que teve acesso impede
que os índios executem prática tradicionais, como plantação de roças e
corte de árvores para subsistência sem que obtenham a autorização da
empresa. E ainda: alguns contratos são de intermediação de venda de
créditos de carbono em que a taxa de corretagem é de 50%. "Um absurdo",
comenta Chiarelli.
A Celestial Green Ventures, com sede na Irlanda, e a Viridor, baseada
nos Estados Unidos, são duas das empresas que podem ser processadas.
Elas se identificam como negociadoras globais de créditos de carbono e
já sabem que as autoridades no Brasil se opõem à forma como elas se
aproximam dos índios – AGU e Funai enviaram ofícios em inglês sobre essa
posição.
Em troca do consentimento dos índios, as empresas teriam oferecido
adiantamento entre 2 milhões e 3 milhões de reais. No site de uma das
empresas acusadas, a Viridor, há a foto de um líder indígena recebendo
uma caminhonete. O contrato assinado pelo chefe indígena Marcelo Mauro,
da etnia Cinta Larga, em Rondônia, compromete uma área de 2,7 milhões de
hectares.
Projetos e não contratos
Bryan Rauch, da Viridor Carbon Service, falou com a DW Brasil sobre as
atividades da empresa no Brasil. Ele se identificou como vice-presidente
da empresa e disse ter começado o relacionamento com os indígenas há
dois anos. Mas negou que tenha convencido as lideranças a assinar
contratos.
"Não assinamos contrato porque há muitas coisas ruins acontecendo no
Brasil, tanta falta de confiança. Assinamos cartas de intenção porque os
chefes das tribos precisam de autorização do restante dos membros",
disse.
Rauch admitiu ter dado às lideranças duas caminhonetes (para "trabalhos
logísticos"), dinheiro para combustível e comida quando faziam
encontros. Ele disse ter procurado a Funai e que representantes do órgão
estiveram presentes em reuniões.
Consultada, a fundação respondeu por email: "A Viridor entrou em
contato com a Funai, participou de uma reunião em Brasília e obteve
resposta negativa. A Funai inclusive oficiou a empresa dizendo que não
era possível a realização de tal contrato, que entraria com ação
judicial caso prosseguisse com o intento".
Rauch garantiu que tem o apoio dos índios e que eles entendem muito bem
o processo de Redd. "Eles parecem que estão até mais atualizados do que
a Funai", criticou o empresário, que diz atuar também como consultor em
projetos na África.
Procurada, a outra empresa mencionada pela AGU, Celestial Green Ventures, não respondeu às perguntas da DW Brasil.
Um negócio milionário
Nas contas de Rauch, se a parceria com os Cinta Larga avançar, o
projeto desenvolvido vai render 7 milhões de dólares – e os custos
aproximados serão de 3 milhões, diz. "Há um grande mercado de Redd no
Brasil. Mas o governo está trazendo incertezas, e isso tem criado
problemas", criticou.
Para a Funai, a ausência de uma política de Redd em terras indígenas dá
espaço para que organizações e empresas oportunistas tentem levar a
cabo projetos em comunidades sem as devidas ressalvas e observações dos
direitos desses povos. "É um mercado especulativo. As pessoas estão
querendo comprar esses créditos porque, se no futuro isso for
regulamentado, isso [os créditos negociados nos contratos] pode valer
milhões", alertou Chiarelli.
O procurador reconhece que tem um processo complexo pela frente.
"Argumentos de mérito existem, mas há dificuldade processual, porque as
empresas não têm sede no Brasil e há sempre dificuldade de localizá-las –
se é que elas existem."
Os contratos existem, mas para a AGU eles são ilegais. Até que o caso
seja resolvido completamente, o órgão afirma que não será autorizada a
entrada de representante dessas empresas nas áreas indígenas. E se
houver alguma tentativa de se fazer cumprir algum item do contrato em
questão, a empresa envolvida responderá pelas penalidades segundo a lei
nacional.
Um documento do serviço secreto líbio prova que o ex-ditador Muammar
Kadafi financiou a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007,
segundo informou neste sábado o jornal digital "Mediapart".
Revelado por ex-altos funcionários
do regime líbio que atualmente estão na clandestinidade, o documento
apresenta uma autorização para o governo de Kadafi destinar 50 milhões
de euros para a campanha de Sarkozy.
No documento, datado de 10 de dezembro de 2006, o atual responsável pelo
serviço secreto, Moussa Koussa, concede autorização para o diretor do
gabinete de Kadafi, Bashir Saleh, efetuar o pagamento.
No texto, Koussa se refere à realização de reuniões preparatórias com
Brice Hortefeux, então secretário de Estado de Coletividades
Territoriais, homem próximo a Sarkozy e diretor da campanha que o levou à
presidência em 2007.
Além disso, o chefe do serviço secreto cita Ziad Takieddine, empresário
franco-libanês envolvido na França em outros casos de financiamento
ilegal de partidos.
O documento se refere a um encontro realizado em 6 de outubro de 2006
com Hortefeux e Takieddine como parte das negociações para se chegar ao
valor do pagamento.
Pouco antes do início da intervenção internacional na Líbia, o ditador
líbio ameaçou relevar documentos que provavam o financiamento da
campanha de Sarkozy, um dos idealizadores da ofensiva ao país. O
presidente francês considerou na época as acusações "grotescas".
Em março, o jornal "Libération" também afirmou que o dinheiro obtido com
a venda de um sistema de espionagem à Líbia pode ter servido para
financiar a campanha de Sarkozy.
Em Reflexão intitulada "O que Obama sabe", Fidel Castro adverte o
presidente estadunidense Barack Obama e os inimigos da Revolução
bolivariana para o perigo de ações contra o poder revolucionário
venezuelano no caso de o presidente Hugo Chávez não conseguir superar
sua enfermidade: "Um erro de Obama pode ocasionar um rio de sangue na
Venezuela. O sangue venezuelano é sangue equatoriano, brasileiro,
argentino, boliviano, chileno, uruguaio, centro-americano, dominicano e
cubano". Leia a íntegra.
O artigo mais demolidor que vi neste
momento sobre a América Latina foi escrito por Renan Vega Cantor,
professor titular da Universidade Pedagógica Nacional de Bogotá e
publicado há três dias no sítio da internet Rebelion, sob o título “Ecos
da Cúpula das Américas”.
É curto e não devo fazer versões dele, os estudiosos do tema podem encontrá-lo no sítio indicado.
Em mais de uma oportunidade mencionei o infame acordo que os Estados
Unidos impuseram aos países da América Latina e do Caribe ao criar a
OEA, naquela reunião de chanceleres, que teve lugar na cidade de Bogotá,
no mês de abril de 1948; nessa data, por mero acaso, encontrava-me ali
promovendo um congresso latino-americano de estudantes, cujos objetivos
fundamentais eram a luta contra as colônias europeias e as sangrentas
tiranias impostas pelos Estados Unidos neste hemisfério.
Um dos mais brilhantes líderes políticos da Colômbia, Jorge Eliécer
Gaitan, que com crescente força tinha unido os setores mais
progressistas da Colômbia que se opunham ao engendro ianque e de cuja
próxima vitória eleitoral ninguém duvidava, deu seu apoio ao congresso
estudantil. Foi assassinado traiçoeiramente. Sua morte provocou a
rebelião que prosseguiu ao longo de mais de meio século.
As lutas sociais têm-se prolongado por milênios, quando os seres
humanos, mediante a guerra, dispuseram de um excedente de produção para
satisfazer as necessidades essenciais da vida.
Como se sabe, os anos de escravidão física, a forma mais brutal de
exploração, estenderam-se em alguns países até pouco mais de um século
atrás, como ocorreu em nossa própria Pátria na etapa final do poder
colonial espanhol.
Nos próprios Estados Unidos a escravidão dos descendentes de africanos
se prolongou até a presidência de Abraham Lincoln. A abolição dessa
forma brutal de exploração se produziu apenas 30 anos antes que em Cuba.
Martin Luther King sonhava com a igualdade dos negros nos Estados Unidos
até há apenas 44 anos, quando foi vilmente assassinado, em abril de
1968.
Nossa época se caracteriza pelo avanço acelerado da ciência e da
tecnologia. Estejamos ou não conscientes disso, é o que determina o
futuro da humanidade, trata-se de uma etapa inteiramente nova. A luta
real de nossa espécie por sua própria sobrevivencia é o que prevalece em
todos os rincões do mundo globalizado.
De imediato, todos os latino-americanos e de modo especial nosso país,
serão afetados pelo processo que tem lugar na Venezuela, berço do
Libertador da América.
Não preciso repetir o que vocês sabem: os vínculos estreitos de nosso
povo com o povo venezuelano, com Hugo Chávez, promotor da Revolução
Bolivariana, e com o Partido Socialista Unido criado por ele.
Uma das primeiras atividades promovidas pela Revolução Bolivariana foi a
Cooperação Médica de Cuba, um campo em que nosso país alcançou especial
prestígio, reconhecido hoje pela opinião pública internacional.
Milhares de centros dotados com equipamentos de alta tecnologia que a
indústria mundial especializada fornece, foram criados pelo governo
bolivariano para atender seu povo. Chávez, por sua parte, não selecionou
custosas clínicas privadas para atender a sua própria saúde; pôs esta
em mãos dos serviços médicos que oferecia a seu povo.
Ademais, nossos médicos consagraram uma parte de seu tempo à formação de
médicos venezuelanos em salas de aula devidamente equipadas pelo
governo para essa tarefa. O povo venezuelano, com independência de seus
recursos pessoais, começou a receber os serviços especializados de
nossos médicos, situando-os entre os melhores do mundo e seus
indicadores de saúde começaram a melhorar visivelmente.
O presidente Obama sabe disto perfeitamente bem e comentou sobre isso
com alguns de seus visitantes. A um deles disse com franqueza: “o
problema é que os Estados Unidos enviam soldados e Cuba, diferentemente,
envia médicos”.
Chávez, um líder, que em 12 anos não conheceu um minuto de descanso e
com uma saúde de ferro, viu-se, contudo, afetado por uma inesperada
enfermidade, descoberta e tratada pelo próprio pessoal especializado que
o atendía; não foi fácil persuadi-lo da necessidade de prestar atenção
máxima a sua própria saúde. Desde então, com exemplar conduta, cumpriu
estritamente as medidas pertinentes, sem deixar de cumprir seus deveres
como Chefe de Estado e líder do país.
Atrevo-me a qualificar sua atitude como heroica e disciplinada. De sua
mente não se afastam, nem um minuto sequer, suas obrigações, às vezes
até o esgotamento. Posso dar fé disso porque não deixei de ter contato e
trocar opiniões com ele. Sua fecunda inteligência não parou de
consagrar-se ao estudo e à análise dos problemas do país. Ele se diverte
com a baixeza e as calúnias dos porta-vozes da oligarquia e do império.
Jamais ouvi dele insultos nem baixezas ao falar de seus inimigos. Não é
sua linguagem.
O inimigo conhece as arestas de seu caráter e multiplica seus esforços
destinados a caluniar e golpear o Presidente Chávez. De minha parte não
vacilo em afirmar minha modesta opinião ─ emanada de mais de meio século
de luta ─ de que a oligarquia jamais poderia governar de novo esse
país. É, por isso, preocupante que o governo dos Estados Unidos tenha
decidido em tais circunstâncias promover a derrocada do governo
bolivariano.
Por outro lado, insistir na caluniosa campanha de que na alta direção do
governo bolivariano existe uma desesperada luta pelo comando do governo
revolucionário se o Presidente não consegue superar sua enfermidade, é
uma grosseira mentira.
Pelo contrário, tenho podido observar a mais estreita unidade da direção da Revolução Bolivariana.
Em tais circunstancias, um erro de Obama pode ocasionar um rio de sangue
na Venezuela. O sangue venezuelano é sangue equatoriano, brasileiro,
argentino, boliviano, chileno, uruguaio, centro-americano, dominicano e
cubano.
É preciso partir desta realidade, ao analisar a situação política da Venezuela.
Compreende-se por que o hino dos trabalhadores exorta a mudar o mundo afundando o império burguês?
O Departamento de Imigração da Suécia (Migrationsverket) acusou
recentemente ter recebido um pedido de asilo de um cidadão
estadunidense. Yonas Fikre, muçulmano, revela que autoridades dos
Estados Unidos estão por trás de sua prisão nos Emirados Árabes Unidos
no ano passado e que por isso passou mais de 100 dias detido e
torturado.
"Eles me batiam com um cacetete na
sola dos pés, sem parar. Até o momento em que eu não aguentei e caí no
chão. Então eles me forçavam a levantar. Fui torturado a mando do FBI"
denunciou Fikre, em entrevista exibida nesta quinta-feira (26) pela SVT,
a TV pública sueca.
Foi numa viagem ao Sudão, em 2009, que Fikre diz ter sido contatado pela
primeira vez por autoridades norte-americanas. Segundo ele, a ideia
seria que se tornasse um informante. Ao negar, Fikre teve o nome
incluído na lista das pessoas impedidas de viajar nos Estados Unidos.
Por causa disso, foi obrigado a imigrar e recomeçar a vida nos Emirados
Árabes, onde acabou preso por agentes do serviço secreto. Segundo ele,
nos interrogatórios, os agentes perguntavam por atividades e membros da
mesquita da cidade norte-americana de Portland, onde vivia.
"Por mais que você odeie alguém, por pior que seja o ato cometido por
essa pessoa, eu não consigo me imaginar torturando nem o meu pior
inimigo da maneira como me torturaram", afirmou o norte-americano à SVT.
A TV sueca entrou em contato com o FBI, autoridades norte-americanas e a
embaixada dos Emirados Árabes Unidos na Suécia, sem obter resposta.
Fikre deu entrada no seu pedido de asilo em dezembro. Na semana passada,
o Migrationsverket informou estar analisando o caso, mas sem estipular
prazo para uma decisão. "Pode levar meses, até mesmo mais de um ano até
que tenhamos acesso aos documentos", explicou o advogado sueco de Fikre,
Thomas Nelson.
Pólo de imigração
A Suécia é um dos países que mais receberam exilados e refugiados de
países em conflito na última década. Desde a invasão e posterior
ocupação do Iraque em 2003, o número de imigrantes iraquianos no país
escandinavo praticamente dobrou, chegando a quase 120 mil atualmente.
Somente a cidade de Södertälje, na região metropolitana da capital
Estocolmo, acolheu mais cidadãos do Iraque do que todo os EUA. O caso de
Fikre é o primeiro em mais de cinco anos envolvendo cidadãos
estadunidenses.
"Não temos notícia de nada parecido nos últimos anos. São casos que não
costumavam acontecer no passado. Agora sabemos que os EUA agiram assim
em muitas outras ocorrências, com empresas privadas ou agentes de outros
países responsáveis pelo trabalho sujo", denunciou à SVT Hans Bredberg,
responsável por tratar do caso de Fikre junto ao Migrationsverket.
Todos vocês são terroristas potenciais. Não importa que vivam na
Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na Austrália ou no Oriente Médio. A
cidadania é efetivamente abolida. Ligue o seu computador e o Centro
Nacional de Operações do Departamento de Segurança Interna dos EUA pode
monitorar se está a teclar não simplesmente "Al-Qaeda", mas "exercício",
"treino", "onda", "iniciativa" e "organização": todas palavras
proscritas.
O anúncio do governo britânico de
que pretende espionar todo email e chamada telefônica é notícia velha. O
satélite aspirador conhecido como Echelon tem estado a fazer isso desde
há anos. O que mudou é que o estado de guerra permanente foi lançado
pelos Estados Unidos e um estado policial está a consumir a democracia
ocidental.
O que você está fazendo sobre isto?
Na Grã-Bretanha, por instruções da CIA, tribunais secretos estão a
tratar de "suspeitos de terrorismo". O Habeas Corpus está morrendo. O
Tribunal Europeu de Direitos Humanos estabeleceu que cinco homens,
incluindo três cidadãos britânicos, podem ser extraditados para os EUA
muito embora apenas um tenha sido acusado de um crime.
Todos estiveram presos durante anos sob o Tratado de Extradição
EUA/Reino Unido de 2003, o qual foi assinado um mês após a criminosa
invasão do Iraque. O Tribunal Europeu condenou o tratado por
provavelmente levar a "punição cruel e inabitual". A um dos homens,
Babar Ahmad, foram concedidas 63 mil libras [71,5 mil euros] de
compensação devido a 73 ferimentos que ele recebeu sob a custódia da
Metropolitan Police. O abuso sexual, a assinatura do fascismo, estava em
lugar alto na lista. Um outro homem é um esquizofrênico que sofreu um
colapso mental completo e está no hospital de segurança de Boadmoor; um
outro apresenta risco de suicídio. Eles vão para a Terra da Liberdade –
juntamente com o jovem Richard O'Dwyer, que enfrenta 10 anos de grades e
um fato laranja porque alegadamente infringiu na internet o copyright
dos EUA.
Como a lei é politizada e americanizada, estas farsas não são atípicas.
Confirmando a condenação de um estudante universitário londrino,
Mohammed Gul, por disseminar "terrorismo" na internet, juízes do
Tribunal de Apelo em Londres estabeleceram que "atos... contra as forças
armadas de um Estado qualquer do mundo que procurem influenciar um
governo e sejam efetuadas para objetivos políticos" agora eram crimes.
Também podiam processar Thomas Paine , Aung San Suu Kyi , Nelson Mandela
.
O que você está fazendo sobre isto?
O prognóstico agora é claro: o tumor a que Norman Mailer chamou de
"pré-fascista" virou metástase. O procurador-geral dos EUA, Eric Holder,
defende o "direito" de o seu governo assassinar cidadãos americanos. A
Israel, o protegido, permite-se apontar suas ogivas nucleares ao Irã que
não as tem. Neste mundo espelhado, a mentira é panorâmica. O massacre
de 17 civis afegãos em 11 de Março, incluindo pelo menos nove crianças e
quatro mulheres, é atribuído a um "perigoso" soldado americano. A
"autenticidade" disto é atestada pelo próprio presidente Obama, o qual
"viu um vídeo" e considera-o como "prova conclusiva". Uma investigação
parlamentar afegã produz testemunhas oculares que dão prova
pormenorizada de como até 20 soldados, ajudados por um helicóptero,
devastou suas aldeias, matando e violando: um padrão, ainda que
marginalmente mais assassino nos "raides noturnos" das forças especiais
dos EUA.
Tome a tecnologia videogame de matar – a contribuição da América para a
modernidade – e o comportamento é tradicional. Mergulhada em desenhos
animados com pretensão justiceira, fracamente ou brutalmente treinados,
frequentemente racistas, obesos e dirigidos por uma classe de oficiais
corrupta, as forças americanas transferem o homicídio de casa para
lugares remotos cujas lutas empobrecidas não podem compreender. Uma
nação fundamentada no genocídio da população nativa nunca abandona o
hábito completamente. O Vietnã era um "país índio" e os seus "olhos
oblíquos" e "sub-humanos" deviam ser "exterminados".
O extermínio de centenas de pessoas, principalmente mulheres e crianças,
na aldeia vietnamita de My Lai em 1968 foi também um incidente "vil" e,
desonestamente, tratado como uma "tragédia americana" (título de capa
da Newsweek ). Só um dos 26 homens processados foi condenado e ele foi
relaxado pelo presidente Richard Nixon. My Lai é na província Quang Ngai
onde, como repórter, soube que cerca de 50 mil pessoas foram mortas
pelas tropas americanas, principalmente no que eles chamavam de "zonas
de fogo livre". Isto foi o modelo da guerra moderna, assassínio em
escala industrial.
Tal como o Iraque e a Líbia, o Afeganistão é um parque de diversões para
os beneficiários da nova guerra permanente da América: a Otan, as
companhias de armamentos e alta tecnologia, a mídia e uma indústria de
"segurança" cuja contaminação lucrativa é uma infecção na vida diária. A
conquista ou "pacificação" de território não é importante. O que
importa é a pacificação de você próprio, o cultivo da sua indiferença.
O que você está fazendo sobre isto?
A descida ao totalitarismo tem pontos de referência. Qualquer dia
destes, o Tribunal Supremo em Londres decidirá se o editor da WikiLeaks ,
Julian Assange , deve ser extraditado para a Suécia. Se este recurso
final fracassar, o facilitador da revelação da verdade numa escala
geral, o qual não é acusado de qualquer crime, enfrentará prisão
solitária e interrogatório sobre ridículas alegações sexuais. Graças a
um acordo secreto entre os EUA e a Suécia, ele pode ser "entregue" a
qualquer momento ao gulag americano . No seu próprio país, a Austrália, a
primeira-ministra Julia Gillard conspirou com aqueles em Washington a
que chama seus "amigos de verdade" para assegurar que os seus inocentes
companheiros cidadãos estejam prontos para os seus fatos laranja caso
voltem para casa. Em fevereiro, o seu governo redigiu uma "Emenda
WikiLeaks" para o tratado de extradição entre a Austrália e os EUA que
torna mais fácil para os seus "amigos" porem as mãos sobre ele. Ela
deu-lhes mesmo o poder de aprovar investigações da Liberdade de
Informação – de modo a poder mentir ao mundo externo, como é habitual.
Japão e Estados Unidos confirmaram hoje
que nove mil soldados desse último serão transferidos a Guam, Havaí e
Austrália de Okinawa, onde a presença do Pentágono é amplamente
recusada.
A decisão faz parte de um acordo sobre a reorganização dos mais de 40 mil soldados estadunidenses neste país.
Uma declaração conjunta divulgada aqui indica que ambas as partes
mantêm o compromisso com respeito ao translado da base de Futenma de uma
área urbana para uma região costeira, ambas em Okinawa.
Boa
parte da população do território, onde se concentra a presença militar
estadunidense, se opõe a esse plano e exige a retirada da referida
instalação de solo japonês.
Sua posição está associada aos
delitos de diversa índole cometidos por infantes de marinha, sobretudo
sexuais, e a contaminação ambiental, entre outros fatores.
O
projeto, estipulado em um acordo de 2006, estancou-se ante os protestos
dos residentes locais, incluídas autoridades, que fazem questão de sua
demanda. O tema causou fricções nos vínculos entre Tóquio e Washington.
Com este movimento de forças, o Pentágono incrementará sua presença na
Austrália, como parte da estratégia para a região da Ásia-Pacífico, onde
busca uma maior influência em frente à China. Guam e Havaí são
territórios estadunidenses. O anúncio deste passo precede a
visita que o premiê Yoshihiko Noda realizará ao outro país a partir da
próxima segunda-feira. Estima-se que o tema estará em suas conversas com
o presidente Barack Obama.
Sob um pretexto, tropas da Otan permaneceram durante vários dias em
território do norte da Noruega e Suécia, para efetuar seus jogos de
guerra, denominados Exercise Cold Response 2012 (Exercício Resposta
Fria). Nessas manobras, levadas a cabo em meados de março, intervieram
mais de 16 mil militares, navios de guerra e a aviação dos Estados
Unidos, Reino Unido, Canadá, França e dos Países Baixos, entre outras
nações, até chegar a 14 integrantes da Aliança Atlântica.
Por Pablo Osoria Ramírez* Segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o
objetivo dos ensaios militares era o treinamento das ações em condições
de conflito e de possíveis atos terroristas.
Terroristas no ártico?
Analistas duvidam sobre as verdadeiras motivações, já que no Ártico não
existe nenhuma das duas preconcepções justificadas pela entidade
militares.
Para o especialista russo em temas de segurança Igor Korotchenko, esta
atividade militar deve ser considerada, exclusivamente, através do
prisma do reforço da presença militar da Otan no Ártico.
Por sua vez, sustenta que está condicionada à futura repartição das riquezas naturais da região.
O especialista afirmou que a Organização busca "exibir seus músculos",
junto ao afã de consolidar seus esforços geopolíticos e diplomáticos com
o apoio no poderio bélico.
Por sua vez, Vladimir Evseiev, especialista de relações internacionais
da Academia de Ciências da Rússia, adverte que "as operações se levam a
cabo no território da Noruega e da Suécia, ou seja, a dois passos das
fronteiras daquele estado euroasiático", agregou.
Esses exercícios, comenta o observador, poderiam fazer-se em território
do Canadá, mas, pelo lugar eleito, para muitos poderiam ser
considerados como uma provocação, refletiu.
Postura da Rússia
Em tal sentido, Korotchenko afirma que Moscou segue atenciosamente as
sequências da atividade militar da aliança atlântica no Círculo Polar.
Recordou que, na atualidade, estão sendo criadas duas novas brigadas
árticas na Rússia, as quais estarão dispostas a atuar com mobilidade na
região, principalmente onde o requeiram os interesses do país,
acrescentou.
A proposta do estado euroasiático radica em resolver por meios pacíficos
os possíveis litígios territoriais, mediante um diálogo apoiado na
diplomacia e não na força bélica.
O Kremlin opõe-se à militarização do Ártico e propõe converter a área em
uma das plataformas chaves da cooperação econômica e científica dos
países pré-árticos: Rússia, Canadá, Estados Unidos, Noruega e Dinamarca.
No entanto, as autoridades russas não renunciam à renovação planificada
de seu potencial defensivo em diversas regiões, incluídos os mares
nórdicos.
O tesouro do Ártico
De acordo com meios de imprensa europeus, no Ártico não há terroristas, mas enormes reservas de gás, petróleo, ouro e diamantes.
Também possui um grande potencial para desenvolver rotas marítimas e aéreas. Os cientistas prognosticam que o aquecimento global e o
conseguinte derretimento dos gelos colocariam a descoberto o tesouro do
Oceano Glacial do Norte.
Segundo uma análise do canal radiofônico A voz da Rússia, essa
perspectiva suscita já disputas entre os Estados que aspiram à
plataforma continental do Ártico, inclusive entre nações membros da
Otan.
O mais recente jogo de guerra da Aliança esteve encabeçado pelo
porta-aviões britânico HMS Illustrious, base de oito helicópteros de
combate e de uma tripulação de quase mil pessoas, incluídos os soldados
das Forças Navais.
As manobras decorreram no meio de fortes ventos que baixavam a
temperatura a menos 40 graus centígrados, condições que, segundo a
própria Otan, chegaram a situar as operações em ponto morto em algumas
oportunidades.
*Pablo Osoria Ramírez é Chefe da Redação Europa da Prensa Latina
A americana Laura Poitras, autora do documentário The Oath,
lançado em 2010 e candidato ao Oscar, é perseguida em aeroportos por
criticar Washington. Desde o 11 de setembro, leis de exceção dão carta
branca para agentes bisbilhotarem bagagens e confiscarem bens.
Após os atentados terroristas de setembro de 2001, o governo dos
Estados Unidos criou uma serie de leis que autorizam a intromissão do
Estado na vida privada dos cidadãos. Desde então, é cada vez maior o
número de norte-americanos que viajam ao exterior e que ao retornar são
detidos nos aeroportos, onde têm suas bagagens revistadas, e o conteúdo
de computadores e celulares – e-mails, textos, vídeos e fotografias - é
checado e copiado.
E não há a quem reclamar. As leis de exceção autorizam os funcionários
do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) a fazer
vistorias, mesmo sem autorização judicial, e o cidadão não tem qualquer
possibilidade de pedir explicações. Ou seja, é como se desde o 11 de
setembro a quarta emenda – que garante os direitos à intimidade e
privacidade - tivesse desaparecido da Constituição norte-americana.
O documentário de Laura fala sobre os acusados pelos ataques de 11 de
setembro e foi aclamado no Sundance Festival, além de ter sido indicado
ao Oscar. Depois dele, Laura está entre dezenas de artistas perseguidos
pela paranoia, soberba e preconceito americanos.
O documentário "The Oath" conta a história sobre 2 irmãos: Abu Jandal é um motorista de
táxi em Sanaa, no Iémen, e seu irmão, Salim Hamdan, é um prisioneiro de
Guantánamo e o primeiro homem a enfrentar o duvidoso tribunal militar
que julgou centenas de pessoas pelo ataque as Torres Gêmeas.
A Turquia vetou a participação de Israel em uma cúpula da Otan no mês que vem, em represália ao fato de o país não ter pedido desculpas por um incidente armado em 2010 que resultou na morte de ativistas turcos que tentavam chegar de barco à Faixa de Gaza, disse uma autoridade turca nesta segunda-feira. As relações entre as duas potências regionais tiveram uma notável piora desde a ação militar israelense contra o navio Mavi Marmara, que tentava furar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.
Em setembro do ano passado, a Turquia expulsou o embaixador israelense em Ancara e congelou a cooperação militar com Israel, que continuou sem pedir desculpas apesar das críticas que constavam em um relatório da ONU sobre o incidente.
"Não demos nosso consentimento a essa questão", disse uma autoridade turca à Reuters, ao ser questionada sobre o veto da Turquia à presença de Israel na reunião dos dias 20 e 21 de maio em Chicago. Essa fonte disse que a Turquia ainda espera um pedido de desculpas e o pagamento de indenização de Israel para as vítimas da ocupação do Mavi Marmara.
"A Otan é uma aliança, e, embora Israel não seja membro, seu comparecimento significa (...) um diálogo positivo com a Otan e com todos os seus membros, e sem resolver essa questão consideramos não ser apropriado que Israel esteja por perto", afirmou o funcionário, pedindo anonimato.
A imprensa turca noticiou que alguns países da Otan queriam a participação de Israel na cúpula como parte de um programa de parcerias da aliança com Estados que não são integrantes oficiais. Israel participa do Diálogo do Mediterrâneo, um programa da Otan para estabelecer contatos com sete países da região.
O funcionário turco rejeitou o uso do termo "bloqueio", alegando que a participação israelense na cúpula nem será colocada em discussão, uma vez que os países do bloco sabem da resistência da Turquia.
O jornal turco Hurriyet disse que os EUA, a França e o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, criticaram veladamente a posição turca durante uma reunião ministerial na semana passada em Bruxelas. "Vocês estão falando em sermos parceiros e em valores de parceria. Mas parceiros, antes de mais nada, devem agir como parceiros, para podermos tratá-los de forma compatível", respondeu o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, segundo relato do jornal.
Grupos de ataque dos Estados Unidos podem estar carregando mais do que 430 mísses tipo Tomahawk nas proximidades do Irã, mísseis esses dos quais vimos muitos quando da guerra contra o Iraque.
Os Estados Unidos tem muitas explicações para os movimentos de sua armada, constituida de porta-aviões, submarinos, jets, drones e tudo o mais nas proximidades do Irã, ou seja nas águas do Golfo Pérsico. No entanto, nehuma me pareceu digna de uma consideração mais profunda porque a milhas de distância elas me cheiravam mais a fraude, mentiras e maquinações diabólicas do que qualquer outra coisa.
Antes de ter lido a respeito dos abomináveis mísseis Tomahawks nas águas do Golfo Pérsico, tinha lido um artigo de Stephen Gowans que me impressionou pela sua franqueza e perspicácia. [1]
A política econômica do Irã apresenta algumas restrições em relação à investimentos estrangeiros em áreas de interesse estratégico para o país, confiando, quanto a essas áreas, mais na capacidade do estado de manter um contrôle regulativo sobre indústrias chaves do país, do que nas indústrias das transnacionais, ou outras industrias particulares, trabalhando no regime de maximização dos lucros para a própria companhia.
Stephen Gowans ressalta que isso é um pecado capital para as elites industriais financeiras dos Estados Unidos que dependem do livre acesso as fontes de oportunidade para maximização de seus lucros e proveitos econômicos, e isso numa escala realmente global. Considerando-se que a indústria petrolífera é de central importância no Irã temos então o que Stephen Gowans argumenta a seguir:
- Uma vez que banqueiros, investidores, diretores, presidentes e advogados das grandes corporações ocupam postos chaves no governo americano, e uma vez que eles financiam assim como contribuem para a formulação da política que favorecerá essas mesmas elites, pode-se concluir tranquilamente que o ponto principal do programa será o de assegurar os lucros dos acima mencionados, assim como com os com eles colaborando.
Aqui a lista fica comprida por que ela inclue toda a ramificação da magnífica teia de aranha que compõe o sistema estrutural americano, donde não devemos esquecer de mencionar, neste contexto, o complexo industrial-militar servido por ou entrelaçado com a Casa Branca e o Pentágono. Infelizmente é pura verdade. Iraque e Líbia dão a consequêcia concreta do quadro aqui apresentado.
Stephen Gowans também aponta para o fato que esta simbióse, ou seja esta dependência mútua entre o complexo financeiro-industrial assim como com a sua ramificação militar, inclue outras consequências negativas.
Ressalta então entre elas a exigência de condições para trabalho de pagamento pobre, de trabalho infantil, de não subsídios para bens de consumo básico, de uma deslocação da distribuição dos bens favorecendo as elites, assim como a exigência de uma privatização dos serviços de saúde e de muitas outras coisas que sempre deverão garantir que o trabalhador se mantenha na pior. À República do Irã estão impondo sanções para que seu povo fique tão pobre, assim como venha a ter uma vida tão curta e incerta como é o caso para os trabalhadores no ocidente.
Os interesses financeiros envolvidos não tem intenção de deixar que a República Islâmica do Irã continue a constituir uma alternativa social-econômica viável as maquinações degeneradas de Washington no Oriente Médio. Eles não tem intenção de deixar que um sistema econômico baseado no sentido de justiça islâmico venha a por fim a seus lucros descabidos e indevido estrangulamento de toda a região.
Como se tentar dobrar uma população de 70.000.000 de habitantes via sanções cruéis não bastasse estão agora rodeando com um arsenal que melhor se descreveria como apocalíptico.
Nesse Arsenal de porta aviões, submarinos nucleares, jatos de ataque e toda essa infernália aida temos os 340 Tomahawks.
Para uma avaliação mais detalhada do ameaçador grupo bélico localizado no Golfo Pérsico veja em [2].
Referências e Notas
*Anna Malm é correspondente de Irã News na Europa
[1] Stephen Gowans, “What´s Left: The United State´s Barbarous Policy on Iran” em http://gowans.wordpress.com e em www.globalresearch.ca em 2012-04-15
[2] News- em www.strategic-culture.org - Strategic Culture Foundation. 2012-04-21
Segundo os dados do Congresso dos EUA, o exército norte-americano aumentou vertiginosamente o volume dos armamentos, munições e material bélico armazenados no território de Israel.
Um acordo sobre a criação duma reserva estratégica de armamentos, para uma situação de emergência, foi celebrado nos anos 80. E ultimamente o volume das reservas estratégicas estadunidenses aumentou 50%.
O material armazenado no território de Israel poderá ser utilizado pelo exército estadunidense em caso de guerra. Segundo o acordo, Israel também terá o direito de utilizar essas armas.
"Diplomacia Tomahawk" Pentágono colocou 430 mísseis na costa do Irã
Um grupo de navios norte-americanos, que estão desdobrados perto da costa do Irã, tem atualmente 430 mísseis de cruzeiro Tomahawk de 1.600 km de alcance.
O Serviço de Informações da Marinha dos EUA anunciou que presentemente está deslocado no Golfo Pérsico um grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Enterprise, que pode ter pelo menos 130 mísseis de cruzeiro a bordo.
Mais um grupo de ataque, chefiado pelo porta-aviões Abraham Lincoln, fica no norte do Mar Arábico e tem o mesmo número de Tomahawk disponível.
Na mesma região está navegando o submarino nuclear Georgia com 154 mísseis de cruzeiro e um outro submarino nuclear com 12 Tomahawk a bordo.
Da VI Cúpula das Américas da estafada Organização de Estados Americanos (OEA), realizada no fim-de-semana na Colômbia, o mínimo que se poderá dizer é que foi um fiasco. Efectivamente, talvez nunca como nestes dias em Cartagena das Índias tivesse sido tão evidente o anacronismo de uma organização desenhada como fiel instrumento da hegemonia imperialista dos EUA no continente.
Por Luís Carapinha*
Pautado por ausências, o conclave terminou sem uma declaração final, testemunhando o fosso hoje existente entre a posição convergente da esmagadora maioria dos países latino-americanos e caribenhos e os EUA e Canadá em relação a questões transcendentes como o bloqueio e exclusão de Cuba ou a soberania argentina sobre as ilhas Malvinas.
Um despacho da agência Reuters, insuspeita de qualquer simpatia com a causa da emancipação dos povos, sintetizava o revés de Obama em Cartagena: "A oposição sem precedentes latino-americana às sanções dos EUA contra Cuba comunista deixou o presidente Barack Obama isolado (c) ilustrando o decréscimo da influência de Washington na região" (15.04.12).
Obviamente não se esperaria que as grandes questões políticas e econômicas que fustigam o quotidiano da esmagadora maioria dos latino-americanos e continuam a comprometer o futuro da região – riquíssima em recursos mas detentora dos maiores índices de desigualdade social do planeta – pudessem ser trazidas com seriedade a um espaço com as características da OEA e a cimeiras desta natureza. De fato estiveram ausentes. Mas, sinal da dinâmica que molda o actual contexto latino-americano, o próprio presidente anfitrião juntou-se ao coro dos que expressaram não ser aceitável a realização de uma futura cimeira sem a participação de Cuba.
Ao mesmo tempo, Manuel Santos não perdeu o ensejo para anunciar a entrada em vigor, a 15 de Maio, do Tratado de Livre Comércio entre a Colômbia e os EUA. Santos prosseguiu no Palácio Narino a criminosa política do Governo Uribe de repressão e terrorismo de Estado que impede o caminho de uma solução política negociada para o conflito social armado colombiano. O poder do regime da oligarquia colombiana em Bogotá permanece na zona a base mais segura da manobra intervencionista dos EUA, contudo, Santos é criticado com virulência por Uribe pela melhoria das relações com a Venezuela e o Equador.
A realização desta Cúpula na Colômbia não pode deixar de remeter amargamente para a gritante imoralidade e hipocrisia que marcam o contexto de agravada crise capitalista no mundo. Só assim é possível entender a santa benevolência e o silêncio sepulcral dominantes perante o aviltante quadro de violações dos direitos humanos observado na Colômbia. Isto quando cínicas preocupações humanitárias e democráticas são a tempo inteiro invocadas pelo imperialismo para desencadear novas agressões e guerras genocidas.
O mais importante acólito de Washington na região é um campeão dos assassinatos políticos, das fossas comuns, dos refugiados internos, dos camponeses desapossados de terra, da pobreza de muitos milhões. Tudo dentro das marcas de uma "democracia homologável", termo usado pelo El País.com (15.04.12), o mesmo jornal que agora alimenta uma onda de histerismo revanchista contra a decisão soberana de Buenos Aires de nacionalizar o pacote maioritário da Repsol na petrolífera argentina, YPF.
Cartagena foi sobretudo a confirmação de que a OEA é hoje um esqueleto descarnado. O futuro dos povos latino-americanos passa cada vez mais pelo trilhar dos caminhos da emancipação e do desenvolvimento, partindo do quadro inalienável de exercício da soberania nacional. Apesar de todos os perigos e dificuldades, os processos progressistas e revolucionários que desafiam o domínio do imperialismo e (neo)colonialismo são um elemento incontornável da construção da nova correlação de forças, reflectindo-se na formação dos novos mecanismos de cooperação e integração, como são a ALBA, a UNASUR e a CELAC.
As privatizações estão se acumulando. Primeiro foi o gás. Depois as empresas de telefonia, de petróleo, de eletricidade, as moradias públicas, distribuição de água, as ferrovias e os aeroportos.
Por James Meek, na London Review of Books
Existem medidas para obliterar o conceito de moradia social; os hospitais do NHS [o SUS britânico] serão construídos e gerenciados privadamente; agora o David Cameron quer que empresas privadas e governos estrangeiros ‘invistam’ nas rodovias do Reino Unido. O que isso significa? O caráter episódico da privataria — um setor à venda, pausa, outro setor à venda — esconde a metaprivatização que já atravessou a barreira dos 50%. Os bens essencialmente públicos que Margareth Thatcher, Tony Blair e agora Cameron vendem não são as estações, os trens ou hospitais. É o público, em si. Somos nós.
O bem que torna a água, as estradas e os aeroportos valiosos para um investidor, estrangeiro ou não, é o povo que não tem escolha. Não temos escolha mas pagar o preço que nos é cobrado nos pedágios. Somos um fluxo de receitas; somos locatários de nossa própria terra, definidos pela coleção de taxas privadas que pagamos para existir nela. Se não é óbvio que somos vendidos aos investidores, é parcialmente pela forma como a ideia de privatização nos é vendida, hipnoticamente familiar. Primeiro vem a desqualificação do serviço existente, como se uma verdade universal estivesse se manifestando: as escolas/hospitais/rodovias estão caindo aos pedaços/desabando/são de segunda classe. Então, vem a rejeição da responsabilidade governamental: não temos dinheiro, os burocratas são incompetentes. Finalmente, a solução: investimento privado.
E o investimento vem e as coisas ficam melhores. Com certeza se o setor privado não pagasse para trocar os encanamentos, reformar as rodovias velhas e as usinas de energia, seríamos obrigados a pagar mais impostos? A verdade é que já pagamos impostos mais altos. Só que eles não são chamados de impostos. Nosso sistema de distribuição de água está sendo reformado por causa de um grande aumento no preço dos impostos. Mas não é o que se diz. É chamado de “conta d’água”. Como Chris Giles explicou recentemente no Financial Times, as contas de água subiram duas vezes mais que a inflação desde a privatização. Pagamos um imposto ferroviário: é chamado de aumento de tarifa. Pagamos um imposto de energia, na forma de tarifas mais altas e assim por diante.
Ao embrulhar os cidadãos britânicos e vendê-los, setor por setor, a investidores, o governo torna possível manter os impostos tradicionais baixos ou até os corta. Ao sair de um sistema em que os serviços públicos são mantidos por impostos para um sistema em que são mantidos pelas contas pagas pelos usuários, deixamos um sistema no qual os ricos são obrigados a ajudar os pobres para um sistema no qual os de baixo bancam os serviços, como uma rede de estradas, que os ricos recebem pelo que, para eles, é uma pechincha.
Haverá uma revolta? Houve uma nos anos 90 na ilha de Skye. Ostensivamente, o setor privado ia construir algo que os ilhéus não conseguiriam de outra forma: uma ponte para substituir a balsa. Mas os ilhéus entenderam o que estava acontecendo. Eles estavam sendo vendidos como fluxo humano de recursos. Em vez da ponte ser construída por uma pequena porção do orçamento do governo, foi construída por uma empresa privada com a garantia de que ela poderia cobrar altos pedágios. Menos impostos para todos os britânicos, um grande imposto privado para os ilhéus. Uma grande campanha de desobediência civil terminou em 2004, quando os ilhéus, remando contra a maré, conseguiram que a ponte fosse nacionalizada. A ilha de Skye é pequena. A Grã Bretanha é uma grande ilha. O plano é o mesmo. Vamos ver o que vai acontecer.