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sexta-feira, 11 de maio de 2012

No Chile organizações pedem remoção de base militar estadunidense

No início desta semana, comissões de direitos humanos, grupos de familiares de executados políticos, intelectuais e organizações sociais se manifestaram contra a base militar estadunidense instalada no Forte Aguayo, em Concón, no Chile.




Em carta dirigida ao ministro de Defesa, Andrés Allamand, esclareceram porque repudiam a iniciativa estadunidense e afirmaram que "os Estados Unidos não têm qualidade moral para ensinar operações de paz".

A base militar, financiada com dinheiro do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, orçada em quase 500 mil dólares, copia as estruturas de uma cidade, tendo inclusive edifícios. A intenção, segundo carta da Embaixada dos EUA, é "executar operações de manutenção da paz ou de estabilidade civil".

A explicação da Embaixada preocupa ainda mais, pois mostra como o estado chileno está disposto a resolver as amplas e constantes manifestações sociais que vem acontecendo nos últimos anos no país, organizadas por estudantes, defensores de direitos humanos e ambientalistas.

Apesar de ser de conhecimento público que o papel das Forças Armadas é resguardar a soberania nacional, as organizações denunciam que "o acordo insiste na lógica de que as Forças Armadas devem intervir em conflitos sociais ou ‘estabilidade civil’ o que renova a prática da Doutrina da Segurança Nacional que potencializa a crença que existe um 'inimigo interno' que as Forças Armadas devem combater".


Escola das Américas

Na carta, as organizações alegam ainda que a base militar viola a soberania chilena ao permitir que militares de outro país atuem em território nacional. Diante disso, consideram a instalação da base militar uma situação "altamente preocupante" e que está voltada "para o controle e repressão da sociedade civil".

Por estes motivos, além de repudiar a base, são contrários a que os treinamentos militares estadunidenses sejam passados aos soldados da América Latina e Chile.

"Rechaçamos este treinamento também porque Estados Unidos não tem qualidade moral para ensinar ‘operações de paz’ quando promoveu golpes de estado, financiou operações de desestabilização em países irmãos e promoveu a guerra no mundo. Não esquecemos que em 2009 se utilizou a Base Soto Cano em Honduras, com pessoal militar dos Estados Unidos, para concretizar o golpe de estado ao presidente Manuel Zelaya", revelam, citando também os prejuízos causados pela Escola das Américas.

Ao final da carta, os abaixo-assinados demandam o imediato fim da base militar estadunidense do território chileno e a remoção dos que se encontram nela.







Fonte: Adital

Embaixadora dos EUA no Peru criticada por intromissão


A embaixadora dos Estados Unidos no Peru, Rose M. Likins, foi hoje alvo de duras críticas por ter defendido, sem sucesso, dois ministros para evitar que fossem censurados pelo Congresso da República. 
 
Os ministros da Defesa, Alberto Otárola, e do Interior, Daniel Lozada, renunciaram ontem, virtualmente acurralados pela maioria do Legislativo, que estava a ponto de censurá-los, o que implicava em sua demissão.

  Likins alegou na última quarta-feira que em seu país os ministros não são mudados com frequência e que fazê-lo atenta contra a estabilidade, ao referir-se aos ministros responsabilizados por reveses das forças do governo, com dois mortos, no combate a um grupo armado.
 
O vice-presidente do Congresso, Yehude Simon, disse que a embaixadora não deveria se meter em assuntos internos, porque é gravíssimo fazê-lo, sendo uma diplomata estrangeira, o que causa rejeição.
 
"Eu recomendaria à senhora embaixadora que não faça comentários porque é como se o embaixador peruano em Washington comentasse as mudanças de servidores públicos dos Estados Unidos", expressou o parlamentar de centro Víctor García Belaunde.

Acrescentou que Likins fez "um comentário inoportuno e inadequado" e lançou uma crítica similar a do ex-ministro do Trabalho e dirigente do grupo centrista Peru Possível, Juan Sheput, que considerou lamentável a atitude da representante de Washington.

O analista político Carlos Reyna acusou à embaixadora de "intromissão na política interna do Peru", o que na sua opinião deve ser rechaçado por todos os setores políticos porque transgride os limites do comportamento diplomático.




Fonte: Prensa Latina
Imagem: Google

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O aquecimento global é uma mentira - afirma o Climatologista Ricardo Augusto Felicio


Vamos deixar algo bem claro. 
O planeta não corre perigo. 
Nós é que corremos perigo.
Não temos poder para destruir o planeta, nem para salvá-lo.
Mas talvez tenhamos o poder de salvar a nós mesmos.


Professor da USP: Ricardo Augusto Felicio






Fonte: do blog amigo O farol do buscador

Patriota critica controle de alguns países em negociações de paz





O controle das negociações de paz entre palestinos e israelenses como parte do chamado Quarteto – grupo formado pelos Estados Unidos, União Europeia, Organização das Nações Unidas (ONU) e Rússia – foi criticado hoje (10) pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Em audiência pública, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Patriota defendeu que o assunto seja tratado também no âmbito mundial por meio da ONU.
"O assunto não é tratado [no âmbito mundial] porque o Quarteto está tratando do tema. Não se pode terceirizar e ficar de mãos atadas porque o assunto está sendo tratado por outros", disse Patriota, ao ressaltar que o Brasil é favorável ao Estado autônomo e independente da Palestina.

Em seguida, o chanceler reiterou que essa não é uma situação que deve ser monopolizada por um grupo de países. "É um tema que merece ser tratado de forma multilateral, sobretudo com equilíbrio", destacou. Ele lembrou ainda que o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) firmou acordos preferenciais com a Autoridade Nacional Palestina e o governo de Israel.

Segundo Patriota, o diálogo é o caminho da negociação entre palestinos e israelenses. "O Brasil, em coordenação com outros países, tem manifestado com firmeza sua frustração sobre o progresso [das negociações sobre os processo] de paz", ressaltou ele.






Fonte: Agência Brasil
Imagem: Google

Espanha nacionaliza quarto maior banco do país




O governo da Espanha decidiu nesta quarta (9) estatizar o Banco Financiero y de Ahorros, e com isso controlará 45% do Bankia, quarta maior entidade financeira do país por ativos, e disponibilizará capital para sanear o grupo, informou o Ministério da Economia. O Bankia, possui cerca de 10 milhões de clientes e mais de 400 mil acionistas.

A pasta dirigida por Luis de Guindos impulsionará as negociações para transformar em ações o empréstimo de 4,465 bilhões de euros que o país concedeu ao grupo no final de 2008.

Como resultado desta conversão, o Estado, mediante o Frob (Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária) será titular indireto de 45% do capital do Bankia, e terá seu controle.

O Ministério da Economia considera que a conversão da ajuda do Estado se faz necessária porque vê como "improvável, em vista da situação da entidade e de seu grupo", que possa devolver em cinco anos o dinheiro recebido.

Portanto, com esta consideração, cabe ao Estado requerer que a ajuda se transforme em uma participação que, neste caso, representa a nacionalização do grupo e a tomada do controle do Bankia.



Fonte: Vermelho
Imagem: Google

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tudo o que você queria saber da CIDH e não se atrevia a perguntar


A direita internacional anda revoltada. A decisão soberana da Venezuela de iniciar o caminho de sua retirada da Corte Interamericana de Direitos Humanos ativou mais uma campanha contra o governo bolivariano. A acusação de “Estado foragido” é repetida até a exaustão nos veículos anti-Chávez. 





*Por Luis Britto García


Chama a atenção que o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner se apressou em qualificar a decisão da Venezuela como “muito lamentável”, quando nem os Estados Unidos, nem o Canadá reconhecem na CIDH autoridade para julgar suas próprias violações aos direitos humanos.


Leia também:


Comissão de direitos humanos é parcial contra Venezuela



Como recorda Luis Britto García neste artigo, os Estados Unidos figuram entre os principais financiadores da CIDH. O velho adágio de que “quem paga manda” parece que se cumpre na atitude da Corte a respeito da Venezuela. Estas são perguntas e respostas para colocar o tema no contexto, e ir além do que, à primeira vista, dizem os manipuladores do tema.


O que são a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos?

Organismos que dependem da Organização dos Estados Americanos, ente com sede em Washington dedicado fundamentalmente a validar as políticas dos Estados Unidos, que paga mais da metade de seu orçamento.

A comissão e a Corte Interamericana da OEA defendem os Direitos Humanos?

Nem remotamente. Durante as décadas horríveis da Quarta República (na Venezuela), quando havia massacres, campos de concentração, torturas, milhares de desaparecidos e suspensões de garantias que duraram anos, a Comissão só processou seis denúncias, uma delas feita pelo terrorista Orlando Bosch e outra por ele terrorista Posada Carriles. Durante a década do governo bolivariano, quando todas essas praticas desapareceram, a Comissão processou 66 denúncias contra a Venezuela.

A Comissão e a Corte são eficazes?

Apenas para defender os direitos do capital. Nunca se pronunciou contra a ditadura dos Somoza, mas condenou a Revolução Sandinista. Quando o presidente Chávez foi sequestrado por golpistas fascistas, a Comissão não moveu um dedo para expedir uma medida cautelar a seu favor, apesar de que exigiu da organização colombiana Minga. Nada fez quando o presidente Rafael Correa foi seqüestrado por golpistas fascistas, tampouco moveu um dedo. Quando Correa ganhou legitimamente uma demanda contra monopólios dos meios de comunicação que o caluniavam, nesta ocasião a Comissão saiu pedindo que os perdoassem.

A Comissão Interamericana acolhe denúncias válidas?

Em seu informe de 2011 para o Exame Periódico Universal, a CIDH nos acusa em 233 parágrafos. Em 205 trata casos nos quais se esgotaram os recursos internos, que seu próprio Estatuto lhe proíbe conhecer. Em 225 não detalha fatos como nomes, datas, lugares, nem outros dados, que seu Estatuto exige para admitir denúncias. Em 182 casos, julga sobre suposições de fatos futuros e incertos, que “poderiam” acontecer. Na quase totalidade, se funda em rumores ou recortes da imprensa, que nenhum tribunal digno de tal nome acolhe como prova. Inclusive objeta projetos de leis, cuja sanção depende da Assembleia Nacional, e não de um escritório de Washington.

A Comissão está influenciada contra a Venezuela?

No citado Informe, nos colocam junto com a Colômbia, Honduras e Haiti como países que apresentariam “situações que afetem séria e gravemente o gozo e o desfrute dos direitos fundamentais”. Comparar-nos a países ocupados pelos Estados Unidos ou a governos surgidos de golpes ou em uma guerra civil é uma torpe injúria.

Se sairmos da Comissão e da Corte ficaremos isolados?

Nem os Estados Unidos nem o Canadá se submeteram jamais à Comissão nem à Corte Interamericana. Melhor ilharmos eles.





*Luis Britto García é escritor e membro do Conselho de Estado da Venezuela

Fonte: CubaDebate, Vermelho Tradução: da Redação do Vermelho,
Vanessa Silva

segunda-feira, 7 de maio de 2012

UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM?

Recebi este texto por email, compartilho com todos para termos uma visão da real situação do ensino superior nas universidades do Brasil e em muitos outros países onde impera as grandes corporações capitalistas, pois a Associação Brasileira de Instituições de Pós-Graduação (ABIPG), após reunião com o Conselho Nacional de Educação (CNE), 22 de abril de 2012 em Brasília, reativou o debate sobre a proposta do retorno do credenciamento especial para os cursos de pós-graduação Lato Sensu oferecidos por instituições não educacionais (Universidades Corporativas). 
Desde 5 de agosto de 2011, o Ministério da Educação (MEC) decidiu que os cursos de especialização oferecidos por essas instituições não receberiam mais reconhecimento do ministério para realizar suas atividades.

(Burgos Cãogrino)


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UNIVERSIDADES CORPORATIVAS: O QUE SÃO E PARA QUE SERVEM?
 
Por Celia Regina Otranto – UFRRJ

Recebi, há algum tempo atrás, o convite de uma multinacional para montar uma universidade corporativa, em convênio com a universidade pública à qual estou vinculada. A solicitação me veio por intermédio de um dos assessores da reitoria de minha universidade de origem e, confesso, pegou-me de surpresa. Apesar de ser pesquisadora da área de política da educação superior, não sabia exatamente o que era uma universidade corporativa.
 

Procurei, então, esclarecimento sobre o assunto em livros, artigos e em sites na internet. Após obter as informações necessárias, recusei o convite e, conseqüentemente, um acréscimo considerável na minha remuneração mensal. Os dados que consegui levantar
e os motivos de minha recusa encontram-se neste trabalho, que tem por objetivo divulgar a pesquisa desenvolvida a respeito das universidades corporativas, e esclarecer aos professores-pesquisadores quais são os fundamentos deste tipo de educação superior que vem se multiplicando no Brasil e no mundo e, cada vez mais, buscando parceria com nossas universidades acadêmicas. Com isso, acredito estar contribuindo para aprofundar estudos a respeito das novas formas de educação superior que vêm sendo
implantadas em nosso país e, conseqüentemente, subsidiando algumas discussões a respeito do tema, no Grupo de Trabalho de Política da Educação Superior da ANPEd.
 

O que é uma universidade corporativa
 

Meu passo inicial foi procurar saber exatamente o que era uma universidade corporativa. A primeira constatação a que cheguei, deixou-me ainda mais intrigada: a universidade corporativa não é uma universidade, e sim a nova denominação dos chamados Centros de Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos de grandes empresas. 

Mas, se não é uma universidade, porque é chamada como tal?
 

O termo é atribuído a Jeanne Meister, presidente da Corporate University Xchage, empresa americana de consultoria em educação corporativa. Meister, citada por todos os autores que tive oportunidade de consultar, define desta forma universidade corporativa: 

É um guarda-chuva estratégico para o desenvolvimento e a
educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais, além de um laboratório de aprendizagem para a organização de um pólo permanente.

                                             

Para Meister o conhecimento e as qualificações das pessoas "só são adequadas durante um período, que pode ir de 12 a 18 meses, depois do qual precisamos reabastecê-las para competir na economia global do conhecimento". A autora defende, então, a interferência direta das empresas nas instituições educacionais
formais, com o intuito de impor conteúdos e práticas mais conectadas às necessidades do mercado que, segundo ela, exigem atualização constante dos conhecimentos. Afirma que as empresas mais bem sucedidas trouxeram a escola para dentro delas, em vez de esperar que essas instituições educativas tornassem seus currículos mais relevantes para as necessidades empresariais. Para ela, "o diferencial decisivo de competitividade reside no nível de capacitação (...) de seus funcionários, fornecedores principais, clientes, e até mesmo membros das comunidades onde atuam".


Como se pode notar, a principal orientadora das universidades corporativas defende que as empresas interfiram diretamente nos currículos das instituições educacionais, que deverão formar seus alunos para atender ao mercado. Faz críticas severas às universidades acadêmicas, mas, por outro lado, afirma que a chave do sucesso das empresas está na educação e a importância de se trazer a escola para dentro das empresas.
 

Quanto ao fato de assumir a denominação de universidade sem ser uma instituição acadêmica com as características inerentes ao nome, ou seja, instituição pluridisciplinar, que oferece ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável, Meister credita ao nome a força e a nobreza necessárias à conquista de adeptos, uma vez que serve como demonstração de que "a empresa que a implanta tem um efetivo interesse em tornar-se um pólo de educação permanente de hoje". É como se mandasse a mensagem de que é uma empresa séria, preocupada com a educação e, portanto, digna de ser valorizada no mercado.



Fundamentadas nas idéias de Meister, muitas universidades corporativas foram criadas nos Estados Unidos, e vêm servindo de modelo para outros países, dentre eles o Brasil. Em nosso país, a influência americana é marcante e a proposição dessas instituições
serem pólos de educação permanente, como aponta Meister, já se tornou realidade em vários estados brasileiros. Vamos, portanto, olhar mais de perto quais são as principais preocupações das empresas, ao criarem uma universidade corporativa, tomando por
base o texto de Quartiero e Cerny (2005).
 


As empresas, ao criarem universidades corporativas, estão
preocupadas em desenvolver pesquisas e ações para obter respostas para as suas atividades-fim, ou seja, estão procurando treinamento e desenvolvimento para seus profissionais nos assuntos de seu interesse operacional e estratégico. Por outro lado, não poderíamos deixar de analisar que este contexto de educação permanente gera uma população de clientes que cresce continuamente: os adultos profissionais/alunos. Nesse sentido surge um grande mercado para as universidades corporativas, consórcios educacionais, universidades virtuais e empresas de treinamento especializado. A educação do aluno adulto torna-se um grande e diversificado negócio. 


Essa é, sem dúvida, uma idéia muito restrita e direcionada de educação permanente que não se coaduna com aquela defendida pela universidade acadêmica, que se apóia no tripé ensino-pesquisa-extensão e na referência da sociedade como um todo, para traçar os objetivos e linhas político-pedagógicas que nortearão suas atividades. Educação permanente para a universidade acadêmica, principalmente a pública, envolve ampliação da cidadania, crescimento do indivíduo na sociedade, novos horizontes individuais e profissionais, é, pois, uma educação que tem por objetivo o crescimento do individual e não a melhoria da qualificação exigida para uma determinada empresa, de acordo com as exigências do mercado. Em síntese, a educação permanente na universidade acadêmica é vista como uma aprendizagem para a vida toda, enquanto que a da universidade corporativa atende a uma determinada necessidade, em espaço e tempo limitados, ou seja, quando o indivíduo sai (ou é mandado embora) da empresa,
ou ainda, quando mudam as diretrizes do mercado, aquele conhecimento tende a cair em desuso.

A universidade corporativa é, então, um espaço educacional dentro de uma empresa e por ela gerenciado, com o objetivo de institucionalizar uma cultura de aprendizagem contínua, que vise proporcionar a aquisição de novas competências vinculadas às
estratégias empresariais, com o propósito de assegurar vantagens competitivas permanentes às empresas. De acordo com teóricos como Meister (1999), Senge (1996) e Stuart (1998), a universidade acadêmica é incapaz de proporcionar a formação exigida pelo mundo do trabalho em constante reestruturação e a universidade corporativa é a grande saída para os problemas educacionais da atualidade.


Algumas delas, como a IBM Global Campus, prescindem de espaços físicos porque utilizam fortemente a educação a distância em todas as suas variáveis. São os chamados ambientes virtuais de aprendizagem. Outras já apresentam uma estrutura física e
organizacional muito próxima à das universidades acadêmicas, como se estivessem buscando, dessa forma, a legitimidade. De uma forma ou de outra, ter uma universidade corporativa atualmente dá status à empresa, por esse motivo muitas já foram criadas, e outras estão prestes a colocar em prática suas pretensões. O site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Portal de Educação Corporativa – informa a existência de 89 destas instituições, atualmente, no Brasil (Brasil, 2007).
 

A educação a distância é uma das grandes armas de divulgação e consolidação das propostas das universidades corporativas, que vêm formando parcerias em estreita colaboração com as universidades tradicionais, visando a instituição de novos modelos
educacionais, voltados exclusivamente para o mercado. O mercado vai ditar as regras, o conteúdo e a ética de cada curso. Sai de cena, portanto, a busca por uma sociedade mais justa e igualitária e o fortalecimento de seus princípios éticos e morais, para entrar em
pauta os valores mercadológicos e a ética da competitividade, que busca o sucesso a qualquer preço.
 

Se, no Brasil, essa idéia de educação ainda pode nos causar alguma surpresa, vale destacar que a proposta não é nova. Nos Estados Unidos, a primeira universidade corporativa foi criada no ano de 1955 - a Cotronville - ligada à empresa General Electric. Porém, foi somente a partir da década de 1990 que elas ganharam força naquele país e passaram de 400 para 2000. No Brasil, a primeira empresa a ter um campus da universidade corporativa foi a Accor, criada em 1992, em Campinas, São Paulo. Foi a segunda a nascer (depois da sede francesa), das atuais 15 Universidades Corporativas da empresa existentes no mundo. Em 2002, a Accor fez parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais e criou seu programa de pós graduação lato sensu, reconhecido pelo Ministério da Educação. 

Quartiero e Cerny (2005.) discutem o movimento da relação entre trabalho e educação que vem propiciando a consolidação deste modelo educacional, isto é, as novas configurações assumidas pelo mundo da produção e suas repercussões sobre a formação humana. As autoras destacam as mutações no processo de acumulação do capital, ocorridas a partir da década de 1970, que levaram ao esgotamento histórico das técnicas tayloristas e fordistas como suporte dos ganhos de produtividade. Em síntese, se na década de 1960 os mercados eram regidos pela oferta de produtos, em 1970 passaram a ser regidos pela demanda, o que gerou novas formas de concorrência, novos equipamentos e um novo tipo de trabalhador. A solução tecnológica encontrada foi o equipamento programável, que se transformou na base do equipamento industrial automatizado que se instalou no mundo da produção, inaugurando um novo paradigma, batizado por Coriat (1988) como "integrado e flexível".
 

Esse paradigma que, de início, era restrito aos equipamentos, paulatinamente foi se estendendo para a forma de organização e gerenciamento das empresas, principalmente por meio de programas de “qualidade total”, programas esses que foram, em grande parte, direcionados ao setor educacional (Quartiero & Cerny, 2005). No Brasil, pode-se citar como exemplos de adeptos de programas de qualidade total, Vicente Campos Falconi (1991), que defende sua aplicação nas empresas e Cosete Ramos (1992), que faz uma adaptação desses programas ao setor educacional.


Aos poucos, a importância do envolvimento do trabalhador em processos educativos vai sendo inserida nos discursos do empresariado e ganhando força nos pronunciamentos governamentais, intensificando a discussão sobre o papel da educação nas novas sociedades "do conhecimento" e da "informação". Os interesses políticos, sociais e econômicos da primeira são bem analisados por Apple (1986). Já a segunda está
pautada, de acordo com Quartiero e Cerny, em três grandes acontecimentos: "a agudização da reestruturação tecnológica, organizacional e gerencial do mundo do trabalho; a expansão da internet via rede word wide web (www); e um movimento de reformas educacionais que perpassa a maioria dos países".
 

Os fatos expostos acima, de estreita relação, direcionaram propostas para a área de educação no interior das empresas, que impulsionaram a criação de novas universidades corporativas, principalmente a partir da década de 1990. O pensamento prevalente era de que o trabalhador, agora, deveria apresentar uma série de novos atributos, ou seja, uma série de "competências" que favorecessem a nova organização descentralizada do trabalho e a integração de tarefas, características básicas do novo processo de produção.

Essas idéias acabaram por descambar no campo da educação formal, inspirando Reformas Educacionais que tendem a valorizar a educação como o motor para o desenvolvimento sócio econômico das nações, visando a competição internacional e a aquisição de empregos. Em relação a este último, cabe destacar a grande contradição desse novo paradigma produtivo que, se por um lado pode melhorar a qualidade de vida das populações, por outro tende a reduzir drasticamente os postos de trabalho (Gitahy,1992).


No entanto, neste novo contexto, o desemprego passa a ser culpa dos indivíduos que não quiseram ou não souberam estudar, ou, ainda, dos poderes públicos que não ofereceram à população a educação necessária ao desenvolvimento do país. Nunca é culpa das empresas ou dos empresários que, agora, aparecem como aqueles que podem "salvar" a educação brasileira, propondo novas formas educacionais justamente no setor que é considerado, internacionalmente, o mais lucrativo – a educação superior.


Por que me convidaram?
 
Depois de inteirar-me a respeito das universidades corporativas, uma pergunta passou pela minha cabeça: Por que me fizeram o convite de elaborar e viabilizar uma instituição com essas características, para atuar de forma integrada a uma universidade
acadêmica? A leitura do livro coordenado por Marisa Eboli (2000), forneceu-me alguns indicadores. 


O mais importante deles, é que aquelas que são consideradas pelas revistas especializadas como as melhores experiências de universidades corporativas, estão relacionadas às empresas que realizaram parcerias com universidades acadêmicas. Isso significa que apoiar-se na competência formativa da universidade acadêmica passou a ser um fator de sucesso para a universidade corporativa.

São dois os motivos principais para que isso aconteça. Em primeiro lugar, porque as universidades acadêmicas "têm a competência de agregar valor" aos programas das empresas. O segundo motivo é que as universidades corporativas, sozinhas, não têm seus cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação e precisam da parceria com as universidades acadêmicas para obterem esse reconhecimento (Éboli, 2000).



No que diz respeito à agregação de valor, foi fácil constatar que as empresas, apesar de criarem as universidades corporativas a partir de seus programas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D), querem a todo custo dissociá-los destes, para passar uma imagem de inovação, compromisso social e preocupação com seus empregados. Porém, em grande parte dos casos, somente é efetuada a troca de nomenclatura, de T&D para Universidade Corporativa (UC). O fato é apontado por muitos autores, dentre eles Grisci & Dengo (2005):
 

A denominação UC está basicamente associada aos programas de
T&D das empresas, agregando-se a ela um sentido de divulgação mercadológica que gera ganhos de imagem externa e
reconhecimento pelo mercado. O emprego do neologismo
Universidade Corporativa passa a idéia de que a empresa utiliza
práticas inovadoras de T&D.
 

Entretanto não basta tentar utilizar práticas inovadoras, é preciso que o público externo acredite nisso. Para que isso aconteça o caminho mais fácil é o estabelecimento de parceria com uma instituição acadêmica já reconhecida e consagrada socialmente. “As UCs mais referenciadas pelo mercado, geralmente, têm parcerias com as melhores faculdades não obstante a mídia se voltar mas para a UC e fazer críticas às universidades tradicionais” (Grisci & Dengo, 2005). Em muitos casos, após o
estabelecimento da parceria, o passo seguinte é tentar desqualificar a universidade acadêmica, para demonstrar o quanto a empresa pode fazer por ela, a fim de torná-la mais "moderna e eficiente".
 

A escolha da instituição acadêmica é fundamental para consecução dos objetivos da empresa, pois se a iniciativa não der certo, pode ferir seriamente sua imagem, uma vez que as universidades corporativas são, para as empresas, importantes instrumentos de
marketing. Esta preocupação acaba direcionando a busca de parceria, principalmente, com as universidades públicas. Segundo Schwartzman (2002), os professores das universidades públicas são responsáveis por mais de 85% das pesquisas realizadas no país, e estas instituições agregam 90% dos doutores-pesquisadores registrados nos Grupos de Pesquisa do CNPq. Isso significa que, com elas, o risco pode ser bem menor e o reconhecimento social consideravelmente maior.


O fato das universidades corporativas não terem seus cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação e precisarem do aval de uma instituição acadêmica, também me pareceu ser consideravelmente significativo para o convite. Ter um membro do corpo docente da comunidade acadêmica de uma universidade pública pode facilitar muito a elaboração e aprovação de grades curriculares, programas de disciplinas e listagem de bibliografia teoricamente consistente. Se a pessoa convidada atuar na área de educação e conhecer mais de perto a política de educação superior e a legislação a ela pertinente, a facilidade se torna ainda maior.

Pelos motivos acima explicitados, podemos encontrar hoje, no Brasil, vários exemplos de empresas que estabeleceram parcerias com universidades públicas para criar suas universidades corporativas. Destacamos dois deles, que nos pareceram mais
significativos: As Universidades corporativas da Sadia, e do Metrô/SP. 


A Sadia oferece um MBA de gestão empresarial, reconhecido pelo MEC, em parceria com a Unicamp. O curso é oferecido aos "executivos-chave" da empresa e, de acordo com Margareth Chiamarelli, reitora da Universidade Corporativa, foi criado com o intuito de "desenvolver neles a visão da empresa como um todo, em relação ao mercado, à concorrência, às oportunidades no ambiente nacional e internacional" (Semerene, 2007).
 

AUniMetrô, Universidade Corporativa do Metrô, montada em 1999, estabeleceu convênio com Universidade de São Paulo (USP), no ano de 2004, e hoje oferece MBA aos seus funcionários. O professor Guilherme Ary Plonski, da faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), presente ao Seminário de Educação Corporativa, ocorrido entre 20 e 22 de março do presente ano, na cidade de São Paulo, afirmou: "Entendemos a importância da inovação, não só em prol do lucro,
mas também para o desenvolvimento sustentável e em prol do meio-ambiente" e, ainda, que "O nosso desafio é formar gestores para as Universidades Corporativas e conseguir equilibrar dois mundos aparentemente diferentes (empresa e academia) (Semerene, 2007).


Existem outras universidades corporativas que estabelecem convênios com várias instituições educacionais. É o caso, por exemplo, da Universidade Embratel que é parceira das Faculdades Ibmec, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da
Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em alguns de seus programas (Fujita, 2004). Estes são somente alguns exemplos das muitas universidades corporativas já instaladas. Vários outros podem ser confirmados com um simples acesso aos portais das empresas.


Analisando agora o lado da universidade pública, me foram apresentadas algumas vantagens que minha instituição teria com o estabelecimento do convênio. No que diz respeito aos recursos materiais, a expectativa era que alguns laboratórios seriam
equipados, e novos computadores e demais recursos tecnológicos seriam adquiridos. Além disso, os professores e técnicos administrativos que trabalhassem nos novos cursos teriam uma remuneração complementar, via Fundação de Apoio. A instituição
ampliaria consideravelmente o número de alunos a custos reduzidos e em tempo menor, pois o curso não seria limitado ao espaço físico do campus universitário, graças à utilização do ensino a distância que contaria com vídeo-conferências e e-learning.
 

Mesmo assim ... não aceitei o convite.

Por que não aceitei o convite?
 
Diante de todos os argumentos apresentados pela empresa e pela universidade, após pesquisar o assunto, cheguei a algumas constatações que me fizeram tomar a decisão de não aceitar o convite. 


Analisando os modelos de universidade corporativa aos quais tive acesso, verifiquei que eles estão ainda muito distantes da proposta fundamentada por Meister (1999), sua principal teórica. Em muitos casos, os funcionários das empresas, apesar de estarem desenvolvendo um curso no interior de uma universidade corporativa, somente recebem a certificação a que fazem jus, depois que apresentarem um projeto de negócio possível de ser executado dentro da empresa, auferindo-lhe ganhos em algum setor. A avaliação desses projetos é feito por pessoas indicadas pela própria empresa. Grisci & Dengo (2005), fizeram a mesma constatação em seus estudos e afirmaram que o fato "demonstra, claramente, o equívoco de caracterização do modelo de UC, pois essa certificação é um detalhe menor".

O grande "guarda-chuva" citado por Meister (1999), estratégico para o desenvolvimento e a educação de funcionários, clientes e fornecedores, foi reduzido a cursos para funcionários executivos. As modernas tecnologias a serviço de uma nova estratégia tecnológica de ensino-aprendizagem também não foram evidenciadas na grande maioria dos cursos.


A universidade corporativa assume, então, o conceito abstrato de uma instituição idealizada no meio empresarial, que não leva em consideração as relações sociais mediadoras existentes entre ela e o mundo do trabalho. É regida por princípios pragmáticos e tecnicistas, tipicamente pertencentes às perspectivas empresariais,
orientadas, portanto, segundo racionalidades coesas aos processos econômicos de valorização do capital.



O valor desta "nova" instituição, que cresce quantitativamente em nossa sociedade, é desafiado pela ideologia do seu valor econômico e de marketing. A gestão da educação e a organização dos processos de ensino-aprendizagem passam a ser submetidos a novas formas de racionalidade, impregnadas pelo pragmatismo e economicismo, que estreitam os vínculos entre escola e mercadoria e entre educação e mercado.


Uma incursão na história do Brasil nos indica, porém, que esse movimento não é tão recente, pois decorre da política econômica adotada nas últimas décadas, que acabou direcionando as relações interinstitucionais, mais especificamente, no caso do tema em
tela, as relações entre as empresas e as universidades públicas. Foi durante a década de 1990, quando a América Latina adotou mais fortemente a política neoliberal que essas relações tomaram corpo.
 

Cabe destacar a ação nesse sentido empreendida por Fernando Collor de Mello, em seu curto, mas conturbado governo. Suas palavras de ordem eram "modernidade e competência" e a política neoliberal foi assumida integralmente. Mesmo após sua deposição pelo processo de impeachment, foi esta a linha ideológica que permaneceu promovendo as reformas do Estado e do setor produtivo. As reformas direcionaram ações que levaram ao desmonte do setor público em geral, com demissões e privatizações. Segundo seus defensores, era a "reestruturação produtiva" do Brasil, que vinha aliada a uma política industrial e de comércio exterior voltada para a integração das empresas brasileiras, de forma competitiva, no mercado mundial. Sentindo-se
ameaçadas, as empresas nacionais reagiram, buscando a chamada modernização tecnológica. Para alcançá-la, o caminho que se apresentava como de menor custo era o da parceria com as universidades pública (Guimarães et al, 2005). 


Aliado a isso, a redução do repasse de verbas, por parte do governo, para as universidades públicas, principalmente para o desenvolvimento e pesquisas e manutenção de laboratórios, vem promovendo transformações radicais nas funções e estruturas tradicionais das universidades. Essas transformações ampliaram
significativamente as possibilidades de parceria com as empresas, que passaram a ser incentivadas pelo governo e vistas no interior das universidades públicas, por muitos pesquisadores, como a solução mais viável para sua crescente crise financeira.
 

No entanto, não se pode deixar de considerar que existem pontos de conflito que acarretam dificuldades neste relacionamento, devido a ideologias, objetivos, metas, culturas e tipos de formação muito diferentes nas duas instituições. Um deles é referente aos prazos, pois os processos investigativos dentro da instituição acadêmica alcançam seus objetivos a longo prazo, enquanto que as empresas querem resultados imediatos. Outro ponto conflitante, apontado por Guimarães et al (2005), diz respeito à propriedade
intelectual e comercial dos produtos da pesquisa e publicação de resultados. Por vezes, convênios com empresas estrangeiras que evolvem altos custos, culminam com a transferência de tecnologia do Brasil para outros países, com forte prejuízo para o povo
brasileiro.
 

Também o papel diferenciado da universidade pública e da empresa para a sociedade brasileira, não pode ser perdido de vista. As universidades públicas têm um compromisso primeiro com a sociedade que as mantêm. Esse compromisso envolve a identificação e análise de problemas concretos a serem estudados, comprometidos e vinculados à realidade local, a fim de que possa nela atuar, operar e trabalhar pela transformação social. Sua prioridade, portanto, deve ser de produzir conhecimento a
partir de sua realidade mais próxima e não de uma realidade cultural distanciada (Freire, 2001). As empresas, por sua vez, estão inseridas integralmente em propostas políticas que priorizam ações voltadas aos interesses do capital e não aos interesses sociais. Esse,
por si só, já seria um grande diferencial impeditivo de uma parceria – o conflito de interesses.


Porém, atualmente, como os papéis já não estão tão delimitados em algumas instituições, fica difícil a visibilidade das perdas e ganhos, num primeiro olhar. Por esse motivo, vamos tentar apontar alguns deles. As empresas ganham em buscar a instituição acadêmica para formar seus executivos, agregam valor aos seus programas, divulgam uma imagem de modernidade dentro e fora do país. As universidades públicas perdem a autonomia na condução da pesquisa e extensão, o direito à propriedade intelectual, e na
transformação de seus professores-pesquisadores em "empresários da pesquisa" (Velho, 1996). A sociedade perde pela transferência de tecnologia para o exterior, pela pósgraduação e extensão pagas dentro das universidades públicas, pela produção de conhecimento científico e tecnológico a serviço do mercado e não dos interesses sociais.



No cômputo geral, é uma parceria muito mais interessante para as empresas do que para as universidades públicas. Ela é amplamente defendida pelos órgãos governamentais porque significa que o financiamento das pesquisas nas universidades públicas pode ser suprido, em parte, pelas empresas e garante à instituição universitária a "autonomia" de buscar novas fontes de financiamento.

Não acredito nesse tipo de autonomia e sim na autonomia de gestão financeira dos recursos que o governo é obrigado, constitucionalmente, a repassar às universidades para fazer frente às suas despesas. Acredito na importância da universidade pública, gratuita, de qualidade comprovada e socialmente referenciada que, de tanto ser repetido por sindicalistas do movimento docente, pode parecer, para muitos, um chavão vazio de significado, mas que agora está mais atual que nunca. Acredito na universidade como instituição social que aspira à universalidade e, portanto, como afirma Chauí (2001), "tem a sociedade como seu princípio e sua referência normativa e valorativa".


Pelas minhas crenças e convicções políticas, apesar das pressões, eu disse não. Espero que minha experiência possa servir de referência para futuras decisões de outros educadores brasileiros. Que sirva, pelo menos, para fomentar a discussão, pois somente podemos ser conscientemente contrários ou favoráveis, àquilo que conhecemos.
 

Só o conhecimento fundamenta a ação política!







Fonte, Bibliografia e texto completo: http://www.anped11.uerj.br/30/GT11-2852--Int.pdf
Imagem: Google (colocadas por este blog)

domingo, 6 de maio de 2012

John Pilger - Guerra por Outros Meios



John Pilger e David Munro examinam a política dos bancos do Primeiro Mundo na concessão de empréstimos aos países do Terceiro Mundo, que são depois incapazes de cumprir os encargos de juros. Ganhou Prémio Geneva International TV, Genebra, 1993; Medalha de Ouro na categoria de 'Melhor Produção de Documentário" do International Television Movie Festival, Mount Freedom, New Jersey 1993; Prémio de Ouro na categoria "Political/International Issues em Worldfest-Houston (Houston International Film & video Festival), 1993; Prémio Hugo Prata na categoria 'Documentary - Social/Political' do 29º Chicago International Film Festival, 1993.



Agradecimento: amiga Maria que indicou o vídeo

Latinoamérica Calle 13



Agradecimento: ao amigo Walner que me enviou esse vídeo.

Palestina, números de uma ocupação execrável

Cairo (Prensa Latina) A ocupação e o bloqueio dos territórios palestinos por parte de Israel, para além de sua inerente natureza espoliadora, revela a perversão de uma prática que anula o desenvolvimento e o autogoverno de um povo, causando-lhe prejuízos milionários.

   

Discursos políticos em múltiplas tribunas mundiais, incluída a ONU, e iniciativas negociadoras dos países árabes e ocidentais, têm sido insuficientes para deter a lenta aniquilação dos palestinos na Cisjordânia ocupada e na sitiada Faixa de Gaza.

A julgar por considerações de Tarik Alami, chefe de temas emergentes e conflitos da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental, uma primeira repercussão da usurpação territorial sionista é o obstáculo à auto-suficiência dos palestinos.

Um relatório apresentado durante o recente seminário sobre o impacto econômico e social desta política sionista no Cairo expôs cifras estarrecedoras da repressão, uso da força, roubo de propriedades e ampliação de assentamentos judeus pelos israelenses, bem como o impacto nos recursos naturais e no meio ambiente.

A economia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sofre anualmente perdas de sete bilhões de dólares por causa da ocupação, o que tem converteu esses territórios numa das economias mais dependentes de ajuda no mundo.

A este respeito, o embaixador da ANP na ONU, Riyad Mansour, assinalou numa entrevista à Prensa Latina que o custo da dominação é facilmente quantificável, daí que, se essa política terminar, "seremos capazes de ser auto-suficientes e não precisaremos de ajuda externa".

Os sete bilhões de dólares que a economia palestina perdeu em 2010 equivalem à quase totalidade do Produto Interno Bruto (PIB) anual, e esse dano foi produzindo privando os residentes na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza de utilizarem seus recursos naturais.

Terra, água, minerais, gás natural, pesca e outras riquezas incluíram-se entre os recursos impossíveis de explorar pelos palestinos, de acordo com Mansour e de cifras aportadas pela ONU.

Em termos de direitos humanos, 125 palestinos morreram e 2.144 foram feridos pelas forças de segurança e pelos colonos israelenses em 2011, quando mais de dois terços das baixas se produziram em fatos unidos à atividade nos assentamentos judeus.

Segundo a ONU, no ano passado pereceram 16 crianças e outros 441 ficaram feridos por abusos israelenses, um dado que elevou a 1.351 a cifra de jovens mortos por soldados e colonos entre 2000 e 2011.

Desde que se produziu a invasão, em 1967, até 2010 registraram-se mais de 760 mil detenções de palestinos por forças israelenses, incluídos 15 mil crianças, dos quais em média 192 estiveram em prisão em 2011 e ao menos 63 sofreram torturas ou doenças.

Vale recordar que entre 500 e 700 menores palestinos são processados a cada ano em cortes militares de Israel, muitas vezes por participar em mobilizações contra as demolições de casas, uma prática intensificada agora em 80 por cento em relação a 2010.
 

No mínimo, 21.200 palestinos ficaram sem suas moradias de 2004 até hoje como resultado das demolições, deles 620 viram serem demolidas suas residências em 2011, enquanto 1.094 foram forçados a se deslocarem e 4.164 sofreram afetações diretas.


A esses dados referidos à Faixa Ocidental, é preciso acrescentar as 23.500 pessoas ainda sem teto em Gaza devido à impossibilidade de reconstruir 15 mil unidades habitacionais devastadas no enclave durante os bombardeios da Operação Chumbo Fundido (2008-2009).
 

Em Jerusalém Oriental, a parte da cidade santa onde os palestinos aspiram converter em capital de seu futuro Estado, os árabes têm sido vítimas da expropriação de ao menos 23.378.000 metros quadrados desde 1968, e 390 derrubadas de casas desde 2004.
 

As limitações para edificar nessa zona da cidade e a revogação de 13.115 permissões de residência para palestinos de 1967 a 2009, faz com que 60 mil pessoas estejam ameaçadas de se converterem em "sem tetos".

Todos esses ataques ajudam a reforçar uma estratégia de "judaização" dos territórios árabes a partir da ampliação de assentamentos ilegais, segundo denunciaram especialistas durante uma conferência sobre Jerusalém, realizada no final de fevereiro no Qatar.

As estatísticas da referida instância da ONU sustentam que até meados de 2010 viviam 517. 774 colonos em 144 assentamentos que a ONU tacha de ilegais, e em outros 100 bairros ou postos avançados fora dessas colônias, ilícitos inclusive pela lei israelense.
 

 Só a modo de exemplo, no ano passado a taxa de construção em assentamentos israelenses da Cisjordânia e de Jerusalém duplicou o nível das obras de construção dentro de Israel e os extremistas judeus utilizam estradas marcadas só para o acesso de israelenses.

Na Ribeira Ocidental, o Estado sionista anexou 13 por cento do território, segue construindo um muro gigantesco que afeta 855 mil palestinos, mantém 33 mil presos entre essa cerca e a chamada Linha Verde e separou Jerusalém do resto da Cisjordânia.

Cerca de 170 milhões de metros quadrados de terra fértil estão isolados pelo muro de segregação e os assentamentos despejam 40 milhões de metros cúbicos de águas residuais e dejetos sólidos anualmente em solo palestino.

Até dezembro, contabilizaram-se 557 obstáculos, entre postos de controle militar, valetas, montículos de areia e outros meios para restringir o movimento de palestinos dentro de sua própria terra.

Por causa da usurpação israelense, o PIB per capita em 2010 foi 30 por cento menor que em 2000, 22 por cento dos palestinos se sumiu na pobreza em 2009 e a taxa de desemprego cresceu a 24 por cento na primeira metade de 2011.

 
 Pelo menos 1,43 milhão de palestinos sofre insegurança alimentar, duas em cada três crianças em Gaza apresenta reação severa e moderada a traumas e o bloqueio impôs "sacrifícios inaceitáveis, escolhendo com frequência entre alimento, remédio ou água".
 

A inacessibilidade a terras em Gaza causa à economia perdas de aproximadamente 75 mil toneladas métricas de produção potencial anual e a média de acesso a água fresca para consumo doméstico é de 73 litros por pessoa/dia na Cisjordânia e 52 na Faixa.
 

Israel impõe uma zona de restrição de um a 1,5 quilômetro dentro do enclave de Gaza, negando aos palestinos o acesso a 35 por cento dos terrenos cultiváveis.

E ainda, o bloqueio marítimo proíbe pescar para além de três milhas náuticas da costa do Mediterrâneo em Gaza, o que afeta diretamente 65 mil pessoas.

 
 A lista de problemas e indicadores sociais negativos derivados da ocupação israelense é extensa e, sobretudo, ilustrativa do drama de um povo que censura às maiores potências do mundo a seguirem usando dois pesos e duas medidas para abordar o conflito central do Oriente Médio.



*Corresponsável da Prensa Latina no Egito.
 Fonte: Prensa Latina, IraNews
 Imagem: Google

sábado, 5 de maio de 2012

Geórgia planeja "cidade do futuro" às margens do Mar Negro

 

Presidente Mikheil Saakashvili acredita que em 10 anos Lakiza será a segunda maior cidade do país

 Zugdidi, Geórgia — Para chegar ao local onde o governo da Geórgia está abrindo terreno para Lazika, sua grandiosa cidade do futuro, é necessário atravessar diversos rebanhos — vacas felpudas e grandes porcos malhados, que tomam sol na estrada, ao canto hipnótico de inúmeros sapos.

Ao longo do caminho, é possível encontrar opiniões variadas sobre a proposta de construir uma cidade para meio milhão de pessoas aqui, numa faixa de terra pantanosa próxima ao Mar Negro, um projeto baseado no conceito chinês de cidade instantânea.

Khatia Ochiava, professora numa vila de 330 habitantes ao lado do local das obras, é tão inspirada pela ideia que assiste, praticamente todos os dias, a um vídeo promocional do governo — cuja animação por computador mostra um conjunto de arranha-céus no estilo Dubai e um movimentado porto de carga. Ela já está planejando abrir um restaurante chamado Cafe Lazika.

Outros, como Kakha Pachkua, de 38 anos, têm suas dúvidas a respeito dos planos. Megreliano, do grupo étnico que vive nesta região há séculos, ele trabalha ao lado das obras e garante que o solo aqui é tão saturado que os edifícios propostos exigiriam alicerces com 25 metros de profundidade.

— Qualquer megreliano lhe dirá que é impossível construir aqui. Lazika é apenas uma palavra. Nada mais. Aqueles prédios são enormes; não sei se o pântano conseguirá segurá-los — disse ele, observando as terras úmidas.

As autoridades do governo não têm muito tempo para discutir com os céticos. O acelerado ritmo da nova construção não permitiu discussões públicas sobre o financiamento do projeto, seu impacto ambiental ou mérito.


Apesar das questões levantadas em todos esses tópicos, o primeiro prédio de Lazika — uma futurista Câmara de Serviços Públicos para a nova cidade — já está em construção, com inauguração prevista para setembro. 
Dentro de 10 anos, segundo o presidente Mikheil Saakashvili, Lazika será a segunda maior cidade da Geórgia atrás de Tbilisi, que tem população de 1,5 milhões, e um grande centro comercial no Mar Negro. 


 Desde que assumiu o cargo, em 2004, Saakashvili baseou sua liderança em uma grande ideia após a outra: a dissolução da polícia de tráfego, notoriamente corrupta; a alteração do segundo idioma do país, do russo para o inglês; a mudança do parlamento de Tbilisi para Kutaisi, pequena cidade a três horas de carro; e, agora, o enfrentamento da pobreza no oeste rural pela construção de uma cidade a partir do zero.

O principal motivo para estarmos mudando o país tão rapidamente é que somos inteligentes e jovens e queremos fazer tudo rápido — explicou Giorgi Vashadze, ministro adjunto de justiça, que está supervisionando a construção de elegantes prédios do governo em cidades de todo o país.

— Não temos tempo, como a Europa e a América, para ponderar sobre o projeto durante 10 anos e então iniciar a implementação. É por isso que esse tipo de ideia maluca às vezes nos vem à mente — acrescentou. 

A ideia de Lazika foi lançada há vários meses, quandoSaakashvili visitava Zugdidi, cidade de 65 mil habitantes que vinha gradualmente perdendo população. A área, que produz tangerinas e nozes, sofreu muito quando a Rússia fechou seus mercados a produtos georgianos em 2005 e 2006 — e também dois anos depois, quando forças russas isolaram a vizinha separatista, Abkhazia.

Ketevan Gvinjilia, de 50 anos, conta que os moradores começaram a economizar usando eletricidade em apenas um cômodo da casa.

— Estamos presos num vácuo. Não chegamos àquele ponto, mas estamos gradualmente nos aproximando — afirmou ela, acrescentando que a estagnação econômica da região começava a lembrá-la do período antes de Saakashvili assumir o poder.

O presidente reconheceu os problemas de Zugdidi num discurso em 4 de dezembro, declarando:

— Precisamos de uma grande inovação para acabarmos com a pobreza.

A inovação, segundo ele, seria uma cidade nova em folha e um porto marítimo na costa, a 29 quilômetros de distância — uma ideia atualmente comum na China, que ergueu dúzias de cidades para abrigar sua enxurrada de migrantes rurais, mas bastante incomum para a Europa.

Vashadze disse que navegava na internet quando se deparou com o conceito de "cidade independente", com sistemas regulatórios e judiciais distintos que poderiam atrair investidores estrangeiros para construir fábricas.

— Tivemos essa ideia (por que não podemos fazer isso na Geórgia?). Analisamos e vimos que havia espaço livre na costa do Mar Negro — explicou ele.

A umidade do espaço não oferece problemas, deduziu ele, pois "se você for à China, verá que todas as novas cidades foram construídas sobre pântanos".

Quando questionado sobre quantos funcionários públicos estavam trabalhando em tempo integral para planejar Lazika, Vashadze afirmou que era apenas um — embora tenha acrescentado que de 10 a 15 pessoas estavam no projeto em meio período.

A declaração presidencial gerou uma onda de perguntas. O local proposto fica à beira dos pântanos de Kolkheti, onde, em 1997, a Geórgia se comprometeu a preservar cerca de 33 mil hectares como parte da Convenção Ramsar internacional.


Embora a convenção, supervisionada pela Suíça, não tenha poder para punir os infratores, ela adverte contra "desconfortos políticos e diplomáticos em fóruns de alto perfil ou na mídia". Até agora, o ministro de proteção ambiental da Geórgia reagiu com sarcasmo a essas preocupações. 


— Por favor me ajudem, e me digam o que posso fazer para atrair turistas que venham para cá e vejam esses pântanos, façam doações, tirem fotos, escrevam a respeito, gastem dinheiro aqui e digam a outras pessoas: "Esses pântanos são incríveis!" — declarou o ministro, Giorgi Khachidze, em fevereiro.

Os problemas se estendem a questões práticas, como o que Lazika faria para atrair meio milhão de moradores num país de 4,5 milhões — que não está crescendo em população e nem se urbanizando.

O financiamento é mais uma preocupação: há alguns meses, Saakashvili afirmou que a Geórgia havia iniciado negociações com diversos grandes investidores da Europa e da Ásia, que bancariam a maior parte do custo de construção em longo prazo — estimado pelo presidente em US$ 600 a US$ 900 milhões.

Mas até agora nenhum investidor se comprometeu publicamente, deixando dúvidas sobre quanto do fardo cairia sobre o orçamento da Geórgia (US$ 4,2 bilhões no ano passado).

— Não sabemos quanto custará, quanto do orçamento será usado 
 — explicou Eka Gigauri, da Transparency International, grupo anticorrupção que divulgou em 11 de abril um novo estudo documentando violações dos direitos de proprietários de terras por projetos estatais de desenvolvimento.

Segundo ela, alguns dos grandes projetos de Saakashvili — especialmente a construção de estradas — haviam beneficiado muito a Geórgia, mas ela expressou dúvidas quanto à prioridade colocada em Lazika.

— Existem tantas coisas que precisam ser feitas. Por que construir uma cidade inteiramente nova? O que isso representa? Não há nada, nenhuma explicação. O presidente simplesmente declarou: "Vamos construir uma nova cidade aqui" — disse ela.

Questões similares ocorreram a georgianos comuns; numa pesquisa divulgada em março pelo Instituto Democrático Nacional, 59% daqueles que conheciam a construção proposta afirmaram apoiar a construção de Lazika, mas 68% argumentaram que, antes de qualquer decisão, deveria haver debates públicos no parlamento.

Kakha Bakhtadze, da Rede de ONGs Ambientais do Cáucaso, declarou que seria difícil conduzir um debate sério sobre o impacto ambiental do projeto, pois o governo ainda não havia publicado uma planta do local. Ele comentou não ter muitas dúvidas de que Lazika seria construída.

— O governo e o presidente anunciaram que haverá uma cidade. Com frequência, quando nosso presidente anuncia algo, aquilo certamente acontece — explicou ele.

Recentemente, num terreno de obras a 320 quilômetros a oeste da capital, o engenheiro Merab Chkhikvadze supervisionava uma equipe de 12 operários. Enquanto uma bomba retirava água lamacenta de um buraco de 21 metros onde ficará o alicerce da Câmara de Serviços Públicos, ele afirmou que o projeto o fazia sentir-se parte da história — e recitou um provérbio sobre as recompensas que aguardam os audazes.

Mas além daquele edifício, seu plano de construção mostrava uma estrada circular de seis pistas e nada mais.

— Não sei muito bem. Mas existe um plano, obviamente — disse ele, quando questionado sobre como se pareceria o resto da cidade.




Fonte: Zero Hora  
Imagem: Zero hora, Google
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