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terça-feira, 1 de maio de 2012

Israel está preocupado com transferência de tecnologias militares dos EUA para Brasil

 

Os Estados Unidos estão intensificando seus esforços no mercado de armas na América Latina, especialmente no Brasil, e eliminam restrições à transferência de tecnologias. Estes passos levantam preocupações em Israel, sendo que poderia criar grande problemas para indústria de defesa israelita, informa o Israel Defense.
Recentemente todos os ramos da indústria de defesa de Israel têm intencificando sua presença na Ámerica Latina devido à sua grande potencial comercial. Em particular, tal empresas como Elbit Systems e Rafael entraram no mercado e ainda adquiriram várias subsidiárias no Brasil.
Entretanto, uma eliminação de restrições à transferência de tecnologias norte-americanas pode afetar negativamente o negócio dos fabricantes de sistemas de armas israelitas.

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Relembrando:

2011 - As relações militares entre Brasil e Israel


A Campanha Contra o Muro do Apartheid das Organizações Palestinas de Base
 
Março,2011 (Traduzido por Indra K. Habash)

Este relatório detalha o apoio ativo do Estado brasileiro à indústria israelense de armas, bem como os interesses de Israel e os lucros das forças armadas e da indústria de defesa
brasileiras. Finalmente, o relatório confronta essas realidades com o quadro de interesses econômicos, jurídicos e políticos e as obrigações do Brasil.
Com base nos dados de exportação de armas israelenses de 2005 - 2010, o SIPRI concluiu que o Brasil é o quinto maior importador de armas israelenses1. Vários programas de grande porte assinados entre Israel e Brasil já valem cerca de um bilhão de dólares.
 
O apoio do Brasil à indústria armamentista israelense:
 
O Brasil assinou um acordo de cooperação de segurança com Israel no final de novembro de 2010 para facilitar a cooperação e os contratos militares.
As Forças Armadas brasileiras abriram um escritório em Tel Aviv em 2003.
O Brasil recebe regularmente de Israel e para Israel delegações políticas e delegações econômicas patrocinadas pelo estado com o objetivo de reforçar os laços militares.
A Exposição Brasileira de Defesa LAAD hospeda anualmente as mais importantes empresas israelenses de armas.
Autoridades brasileiras declararam publicamente ter ajudado empresas israelenses de armas a entrar em contato com as forças armadas de outros países latino-americanos.

Interesses dos produtores de armas de Israel no Brasil:

Este relatório não abrange todos os interesses dos produtores de armas israelenses, mas apenas tem como objetivo mostrar alguns exemplos.  

Elbit Systems:
 
fornece armas que o Exército israelense usa para o assassinato de civis e de "execuções extrajudiciais". Além disso, fornece equipamentos para o Muro do Apartheid e para os
assentamentos.
comprou três empresas brasileiras de armas: a AEL, a Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Equipamentos Optronicos SA ("Periscópio").
possui inúmeros contratos com as Forças Armadas Brasileiras, inclusive com o prestigioso projeto Guarani.
espera conquistar novos contratos para os Jogos Olímpicos e para a Copa do Mundo no Brasil.
 
Israel Aircraft Industries (IAI):

fornece armas que o Exército israelense usa para o assassinato de civis e de "execuções extrajudiciais". Além disso, fornece equipamentos para o Muro do Apartheid e para os
assentamentos.
 
formou uma joint venture denominada EAE com o Grupo Synergy. A subsidiária da IAI, a Bedek , usa os centros de manutenção e de produção da TAP M & E Brazil nos aeroportos do Rio de Janeiro e Porto Alegre.
possui inúmeros contratos com as Forças Armadas Brasileiras e, atualmente, tem como objetivo ganhar outros contratos com a
Embraer. 

Israel Military Industries (IMI):

é - tal como muitas outras empresas israelenses de armas - profundamente envolvida em casos de corrupção e suborno de funcionários públicos.
deu a licença para a Taurus produzir os seus rifles Tavor no Brasil.
O Exército brasileiro compra os rifles Tavor produzidos pela Taurus.

Outras: 

Muitas outras companhias de armas e de segurança nacional israelenses têm obtido contratos no Brasil e com o Ministério da Defesa.
A indústria militar israelense aponta para bilhões de dólares de contratos para a preparação dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil.

Contrariando o quadro econômico, jurídico e político do Brasil 

Obrigações legais:
 
O Brasil como signatário do instrumento mais relevante do Direito Internacional, tem a obrigação do não-reconhecimento e não-assistência à violações do Direito Internacional.
As atuais relações militares entre Brasil e Israel implicam uma violação das obrigações de Estados terceiros em relação às violações do Direito Internacional:
 
- O Brasil facilita benefícios econômicos para empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra, contribuindo assim para a manutenção de uma situação ilegal.
- O Brasil hospeda representantes de empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra e, em alguns casos, de pessoas acusadas de crimes de guerra.
- O Brasil facilita a presença no seu território de empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra, entrando assim em cumplicidade direta ou indireta com as violações do Direito Internacional.
- O Brasil facilita as relações entre a sua própria economia e cidadãos e empresas diretamente envolvidas em violações da IV Convenção de Genebra. 

A exportação é o que sustenta a indústria israelense de armas - até 70% das armas israelenses são produzidas para exportação. Sem a indústria armamentista israelense Israel não seria capaz de manter a ocupação ou continuar a liderar guerras, como a guerra contra o Líbano em 2006 e contra a Faixa de Gaza em 2008 / 9, ambas fortemente condenadas pelo Brasil. 

Interesses políticos do Brasil:

O Brasil reconheceu o estado Palestino nas fronteiras de 1967. A indústria armamentista israelense está conscientemente lucrando com a continuada ocupação dos TPO’s, uma vez que desenvolve suas armas, graças às "experiências" acumuladas com a ocupação. O apoio para a indústria de armas israelenses, portanto, contraria claramente o apoio declarado do governo brasileiro para a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967. 
O mundo árabe é potencialmente um importante destino de exportação de armas brasileiras. Um círculo através do qual Israel usa o Brasil para produzir armas - ou participar
na produção de armas - que serão vendidas para o mundo árabe, provavelmente suscitará sérias preocupações das populações e de alguns governos.

Reforçar os laços com os produtores de armas israelenses e empresas privadas de segurança militar (PSMC - da sigla em inglês), estabelece um péssimo precedente em termos de
accountability, considerando o apoio de Israel a regimes repressivos e seu papel nos lucros e no fomento à instabilidade nas décadas de 60, 70 e 80. Em segundo lugar, os laços militares com Israel implementam elementos que podem justificar ou formar atividades opressivas e anti-governamentais mais extremas em determinado país. Finalmente, mesmo que os laços militares não representem uma ameaça para a estabilidade de um país, o apoio à indústria militar de Israel põe em dúvida o compromisso do governo com os Direitos Humanos. 

Recomendações:
 Face ao exposto, solicitamos ao Estado brasileiro interromper todas as relações militares com Israel e, em particular:
Não ratificar e cancelar o acordo de cooperação de segurança com Israel.
Fechar os escritórios das Forças Armadas Brasileiras em Israel.
Modificar a regulamentação dos contratos do Exército Brasileiro para garantir que as empresas que violam o Direito Internacional sejam excluídas dos contratos.
Barrar empresas envolvidas em violações do Direito Internacional de se estabelecerem em território brasileiro através de aquisições de empresas, joint ventures ou licenciamento.
Certificar-se de que empresas que violam o Direito Internacional sejam excluídas dos contratos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas , pois um esporte que premia
criminosos de guerra não pode ser "jogo limpo".

Barrar empresas que violam o Direito Internacional de participar na Exposição de Defesa LAAD.
Devidamente processar suspeitos de crimes de guerra e crimes contra a humanidade israelenses quando são encontrados em seu território. 

Fazer negócios com a indústria armamentista israelense prejudica gravemente o apoio do Brasil aos direitos políticos e humanos dos palestinos, assim como qualquer contrato que apóie diretamente a construção de assentamentos e do Muro, que garante que um Estado palestino não seja estabelecido e que presta apoio financeiro e incentivo para as empresas intimamente ligadas com as violações dos Direitos Humanos levadas a cabo pelos militares israelenses. Isso garante que o colonialismo e a ocupação permaneçam rentáveis, permitindo que estas empresas continuem a lucrar com os crimes de guerra israelenses, enquanto que põe em dúvida o compromisso do governo brasileiro com os Direitos Humanos e suas alianças e interesses na região. É inaceitável que o Brasil entregue o dinheiro de seus contribuintes para essas empresas e, no final, uma decisão deverá ser tomada entre negociar com Israel ou se colocar ao lado do povo Palestino. 

O apoio do Brasil à indústria armamentícia israelense

A indústria armamentícia no Brasil é incentivada por benefícios estatais e os contratos militares são celebrados pelo Ministério da Defesa ou por outros órgãos estaduais, tais como a polícia federal. O Estado como contratante principal estabelece uma clara política econômica para a indústria de defesa. Portanto, enquanto defendemos que o Estado tem o dever de intervir quando empresas registradas ou que operam em seu território estão envolvidas em graves violações do Direito Internacional e dos Direitos Humanos, no caso das relações militares entre Brasil e Israel, o caso realmente se dá com o estados brasileiro promovendo e facilitando diretamente a cumplicidade com as empresas envolvidas em graves violações do Direito Internacional.

O Brasil facilita as relações com empresas israelenses envolvidas em graves violações do Direito Internacional através de várias maneiras, dentre elas:

 1) Acordo sobre Cooperação na área de Segurança com Israel

O Brasil assinou recentemente um acordo de cooperação de segurança. Isto foi revelado pelo jornal israelense "Maariv". Segundo o jornal, o ministro da Defesa, Ehud Barak e o chefe de Segurança do Ministério da Defesa Amir Kain assinaram o acordo de cooperação de segurança entre os dois países no final de novembro de 2010.O ministro da Agência Brasileira de inteligência assinou o acordo do lado brasileiro.
O mesmo artigo acrescenta que:

"Um mercado avaliado em bilhões de dólares se abriu para as indústrias de defesa, após um primeiro acordo desse tipo ser assinado para a cooperação entre Brasil e Israel. Já existem
várias ofertas gigantes entre Israel- Aerospace Industries (IAI), Elbit e Rafael com o Brasil. [...] Sem esse acordo, que é semelhante aos acordos que Israel assinou com vários outros países, não seria possível realizar os negócios, que estão em um alto nível de classificação de segurança." 

Não é surpresa que a assinatura deste acordo foi seguida por uma série de aquisições de empresas brasileiras por empresas israelenses e contratos com Israel no início de 2011.
É lamentável que esse acordo estratégico foi assinado pelo Brasil sem qualquer discussão pública sobre o assunto.

2) Escritório israelense das Forças Armadas brasileiras

Em 2003, as Forças Armadas brasileiras abriram um escritório em Tel Aviv4. Não há informações disponíveis sobre a finalidade desse escritório, que poderá servir como um centro para as relações econômicas, bem como para treinamentos e intercâmbio de informações.

3) Delegações políticas e econômicas patrocinadas pelo Estado

Muitos dos acordos de comércio de armas foram assinados durante ou logo após visitas de delegações brasileiras a Israel patrocinadas pelo Estado em vista de parceiros potenciais e de
visitas de delegações israelenses acolhidas pelas autoridades e lideranças políticas brasileiras.
Para citar apenas dois, em Novembro de 2009 a delegação que acompanhou o presidente israelense Shimon Peres incluiu dentre 40 empresários algumas das mais importantes
companhias de armas. Esta visita foi seguida pela viagem do ministro da Defesa Nelson Jobim para Israel, onde ele se reuniu com representantes da indústria bélica israelense.

4) LAAD –Feira de Defesa e Segurança na América Latina

LAAD - Defesa & Segurança é a mais importante feira de eventos para a indústria de defesa e segurança na América Latina e acontece a cada dois anos, levando empresas brasileiras e empresas internacionais especializadas no fornecimento de equipamentos e serviços para todos os três principais serviços das forças armadas, polícia, forças especiais e serviços de segurança, bem como consultores e agências governamentais. A exposição é patrocinada pelo Ministério da Defesa, pelos militares brasileiros e pelo ministério das Relações Exteriores e visitada pelas principais autoridades políticas do país, incluindo o presidente.
Em 2011, mais uma vez todas as principais empresas israelenses de armas - a grande maioria com um histórico comprovado de envolvimento direto nas violações do Direito Internacional, dos Direitos Humanos e do direito humanitário internacional - são convidadas como expositoras. Para as empresas israelenses a LAAD já foi no passado um espaço privilegiado para os contratos e joint ventures no Brasil e além.
A LAAD é, portanto, uma plataforma de estado patrocinado por empresas israelenses envolvidas em violações do Direito Internacional para obter lucros e ampliar a rede de cumplicidade no Brasil e na região.

5) Publicidade para Israel na América Latina

Pelo menos em um caso foi relatado que as autoridades brasileiras convidaram seus homólogos latino-americanos para participar de uma apresentação de armas israelenses, agindo assim como agentes de relações públicas da indústria israelense de armas na região.
A demonstração de 2009 da IAI’S Heron UAV não só incluía vários ministros do governo brasileiro e funcionários das forças armadas que estavam ali para louvar as habilidades do Heron. Relatórios do IAI registraram que a demonstração também contou com altos representantes militares e civis de vários países latino-americanos "que foram convidados pela Polícia Federal."

Além disso, o quadro da cooperação e integração Sul e Latino Americanas como o Conselho de Defesa Sulamericano da UNASUL visa entre outros "promover o intercâmbio e a
cooperação no domínio da indústria de defesa." As decisões sobre as políticas brasileiras e suas joint ventures, sendo o Brasil a maior economia e o maior produtor de armas no subcontinente, portanto, têm um efeito regional direto. A integração estreita entre os brasileiros e a indústria armamentista israelense garante uma porta para a indústria de armas israelenses para outros mercados sul-americanos que, em alguns casos, não estariam tão interessados em cooperação com empresas israelenses.

3. Visão geral dos interesses dos produtores israelenses de armas no Brasil

Este relatório não abrange todos os interesses dos produtores de armas israelenses, mas, apenas tem como objetivo mostrar alguns exemplos.
 
a) Elbit Systems Ltd.

A Elbit está ativa no Brasil há 15 anos, de acordo com o presidente da empresa "Nós identificamos o potencial do país no início e fomos os primeiros [das empresas israelenses] a se tornar parte de sua grande e avançada indústria aeroespacial."
O total de operações da companhia no mercado brasileiro foi de 750 milhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos e atingiu um pico de US $ 70 milhões em 2008. A Elbit Systems está antecipando um crescimento anual de 30% para os próximos cinco anos e o ano de 2010 parece destinado a ser um ano excepcionalmente bom para a Elbit no Brasil.

O envolvimento da Elbit em violações do Direito Internacional
por Israel 

 Ataques a civis e assassinatos extrajudiciais: A Elbit fornece uma variedade de UAVs para as Forças de Ocupação Israelense (IOF). O Centro Palestino para os Direitos Humanos documentou que a IOF utilizou estas UAVs em ataques que mataram dezenas de civis durante a guerra de Gaza e salienta que as operações israelenses tinham como alvo civis palestinos, em violação da lei internacional que exige distinção entre civis e proporcionalidade. Homicídios intencionais são considerados uma violação grave da IV Convenção de Genebra. Em um dos ataques, 12 muçulmanos foram mortos e 30 feridos (3 vieram a morrer devido aos ferimentos, elevando o total para 15). Organizações internacionais também documentaram o papel das UAVs em ataques a alvos civis. Human Rights Watch documentou seis casos claros de ataques irresponsáveis sobre os civis, resultando em 29 mortes, que usaram as UAVs da Elbit.

Construção do muro e os assentamentos. A Elbit e suas subsidiárias fornecem e instalam cercas eletrônicas de detecção e câmeras LORROS de vigilância para o Muro na área de Jerusalém, bem como ao redor do assentamento ilegal de Ariel; desenvolveu veículos terrestres não tripulados (UGVs), que são usados para ajudar as rotas de patrulhamento ao longo da zona tampão "proibida"; o sistema de TORC2H da Elbit, que se destina a reforçar as atividades de patrulha na fronteira, coletando dados e divulgando para as tropas, foi instalado no comando central no centro de Israel, facilitando a fiscalização remota das áreas específicas ao longo do Muro. A construção do Muro e os assentamentos são grave violações da IV Convenção de Genebra de acordo, por exemplo, com a opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça sobre o muro, de 9 de julho de 2004. 

Presença no Brasil:
 
AEL, Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Optrônicos Equipamentos SA
("Periscópio")

A Elbit se comprometeu seriamente com o mercado brasileiro em julho de 2001, quando adquiriu a Aeroeletrônica Indústria de Componentes Aviônicos (AEL). O negócio de 2,3 milhões de dólares deu a Elbit controle da maioria das ações, permitindo o uso das instalações da AEL para os sistemas de atualização da força aérea brasileira Northrop F-5s.
O negócio era parte de uma política destinada a operar empresas locais, a fim de ganhar as concessões do governo.

 A AEL está localizada em Porto Alegre e emprega cerca de 130 trabalhadores. A empresa desenvolve e fabrica sistemas aviônicos vendidos no Brasil e na América Latina, e fornece serviços de manutenção para estes sistemas. De acordo com a Elbit a empresa realiza engenharia, manufatura e atividades de apoio logístico para defesa e em aplicações comerciais desenvolvidas pela empresa israelense no Brasil. 

Em 30 de dezembro de 2009 a Elbit adquiriu duas outras empresas produtoras de armas brasileiras: Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Equipamentos Optrônicos SA
("Periscópio"). Os negócios incluíram um total de dezenas de milhões de reais. Embora a Elbit seja agora a dona dessas empresas tem assegurado a seus acionistas que eles continuarão participando na gestão das empresas.

Ares e Periscópio estão trabalhando no setor de sistemas eletrônicos de defesa e fornecem ao Exército Brasileiro, assim como a outros mercados na América do Sul diferentes produtos. Elas estão localizadas na área do Rio de Janeiro e empregam cerca de 70 trabalhadores.

Contratos:

Força Aérea Brasileira, 2001: O negócio começa com os contratos para o Programa Brasileiro de Modernização de aeronaves F-5. O programa prevê a modernização das 46 aeronaves F-5 da Força Aérea Brasileira, e os contratos com a Elbit estão com a Embraer e com o Governo brasileiro, num valor total de aproximadamente US $ 230 milhões a ser realizado durante um período de oito anos. Em janeiro de 2007 foi concedido a Elbit Systems um pedido adicional do governo brasileiro para a integração de recursos mais avançados na aeronave F-5 e também para a criação de um centro de manutenção no país com base na AEL. 

Força Aérea Brasileira, 2002: Contratos foram concedidos a Elbit Systems por parte do Governo brasileiro e por uma filial da Empresa Brasileira de Aeronáutica SA (Embraer) para as fases de produção e apoio logístico ao programa Aeronaves Super Tucano AL-X para a Força Aérea Brasileira. Os contratos foram avaliados em mais de US $ 80 milhões e foram realizados durante um período de aproximadamente quatro anos.

Força Aérea Brasileira, 2007: O governo brasileiro ea Embraer testaram opções de sistemas aviônicos para um adicional de 23 aeronaves AL-X. As entregas estão programadas para 2009.

Força Aérea Brasileira, 2008: Elbit ganha contrato da Embraer para fornecer aviônicos e sistemas EW de guerra eletrônica para o programa de atualização do jato AMX para a Força Aérea Brasileira. O contrato é de um montante total de aproximadamente US $ 187 milhões, e a primeira fase do programa de um montante de aproximadamente US $ 67 milhões já foi implementada. O contrato deve ser executado até 2014. Uma subsidiária da Elbit, a Elisra, assim como a filial brasileira a AEL, estão realizando porções significativas do programa. A subsidiária brasileira Aeroeletrônica SA (AEL), propriedade integral da Elbit, em Porto Alegre-Brasil fornecerá o computador central da missão de batalha do AMX, assim como os sistemas de exibição, o sistema de gerenciamento de munições e sistemas adicionais. A subsidiária israelense da Elbit, a Elisra Electronic Systems Ltd., fornecerá o sistema de guerra eletrônica (EW) como subempreiteira principal da AEL. A AEL já está fazendo atualizações dos sistemas aviônicos sob contratos anteriores para os 46 caças brasileiros modernizados F-5BR (2001, 2007), aviônicos originais e pedidos de equipamentos para 99 EMB-314 Super Tucanos observadores e de turboélices de ataque leve (2002, 2007) em 2011.

Exército Brasileiro, 2009: A Elbit consegue seu primeiro contrato com o Exército Brasileiro de torres não tripuladas para serem instaladas em veículos blindados.

O projeto Guarani: A subsidiária da AEL ganhou um contrato de US $ 260 milhões para torres de veículos armados não tripulados para o projeto Guarani do Brasil. Este contrato é a continuação do contrato de 2009, quando a Elbit entregou as primeiras torres não tripuladas para o Brasil. As novas torres suportam canhões de montagem automática de 30 milímetros e serão integrados aos veículos VBTP-MR Guarani blindados 6 × 6, desenvolvidos pela Iveco, de acordo com a Defesa Update, uma publicação israelense. O sistema de torre blindada UT-30BR inclui um cabo coaxial para montar uma metralhadora de 7,62 milímetros, um avançado sistema de controle de fogo com acompanhamento automático do alvo,
computação balística, gestão de sensores e displays. As entregas das torres não tripuladas serão determinadas de acordo com um calendário e um perfil de financiamento plurianual a ser definido pelas partes.

Este projeto que irá fornecer o exército brasileiro com 3.000 novos tanques em 2030 teve início em 2007. A subsidiária da Fiat, IVECO, ganhou o contrato para desenvolver os novos tanques no Brasil. Os tanques de 18 toneladas com a opção amphibia são produzidos em Sete Lagoas.

Exército Brasileiro, 2010: Em 11 de dezembro o Brasil comprou duas UAVs Hermes 450 e uma estação terrestre da Aeroeletrônica em Porto Alegre para uso militar.
 
Exército Brasileiro, 2011: Duas UAVs Hermes 450 adquiridas para uso militar.

b) Indústria Israelense das Forças Aéreas (IAI):

Envolvimento da IAI em violações do Direito Internacional por
Israel

Ataques contra civis e assassinatos extrajudiciais. A IAI fornece uma variedade de UAVs para a IOF e é uma das principais fornecedoras de armas para as forças armadas israelenses, fornecendo entre outras coisas mísseis e aviões de combate. O Centro Palestino para os Direitos Humanos documentou que a IOF usou UAVs em ataques que mataram dezenas de pessoas durante a guerra de Gaza e salienta que as operações israelenses tiveram a intenção de atingir civis palestinos em violação da lei internacional que exige distinção entre civis e proporcionalidade no ataque. Homicídios intencionais são considerados uma violação grave da IV Convenção de Genebra. Em um dos ataques, 12 muçulmanos foram mortos e 30 feridos (3 viriam a morrer devido aos ferimentos, elevando o total para 15). As organizações internacionais também documentaram o papel de UAVs em ataques a alvos civis. Human Rights Watch documentou seis casos claros de ataques irresponsáveis sobre os civis, resultando em 29 mortes usando as UAVs da IAI.

Construção do Muro e assentamentos. Através da subsidiária Tamam, a IAI fornece tecnologia de vigilância para o Muro, em uma variante particular do Plug-in Optronic Payload (POP), originalmente concebido para helicópteros. O POP inclui uma matriz de plano focal de imagem térmica, câmera de cor e ponteiro a laser [e funciona] em faixas de "alguns quilômetros" de distância. A construção do muro e dos assentamentos constituem graves violações da IV Convenção de Genebra de acordo, por exemplo, com a opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça sobre o muro, 09 de julho de 2004.

Presença no Brasil: 

Bedek e EAE


Bedek: A Bedek é a subsidiária da Indústria Aerospacial de Israel, uma empresa multinacional, atendendo a clientes em todo o mundo. Bedek presta serviços de manutenção pesada de aeronaves, motores e componentes, incluindo manutenção pesada, modificações, upgrades, conversões e programas de desenvolvimento. Bedek tem linhas paralelas de conversão em Israel e no Brasil. Bedek usa os centros de manutenção TAP M & E Brasil (outrora VEM Manutenção e Engenharia). TAP M & E Brasil tem cerca de 2.650 funcionários distribuídos em dois grandes Centros de Manutenção - no Rio de Janeiro-Galeão e em Porto Alegre.

EAE: Em 30 de março de 2009, o Conselho de Administração da Indústria Aerospacial de Israel confirmou a criação de uma joint venture com a corporação brasileira Synergy Group, controlada pelo CEO bilionário German Efromovich. Cada grupo vai investir um montante inicial de aproximadamente US $ 750.000 para estabelecer a EAE, que quer ser ativa no mercado brasileiro, assim como outros potenciais mercados latino-americanos. O anúncio de março de 2009 afirmou também a intenção de criar escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo, com capacidade industrial inicial nas instalações aeroespaciais e estaleiros da Synergy. Instalações serão acrescentadas de acordo com o crescimento da empresa.

Esta empresa comum irá prestar serviços de manutenção e suporte ao cliente para vários sistemas IAI em uso na América Latina, incluindo os UAVs. A empresa JV também vai expandir seu escopo de atividades através da aquisição de empresas locais. Nas suas atividades de defesa a JV oferecerá sistemas avançados, como os UAVs, sistemas de mísseis, radares, guerra eletrônica e sistemas de inteligência.

O acordo entre a IAI e Embraer inclui também um pacto em que ambas se comprometem a aumentar a cooperação em áreas que abrangem os veículos aéreos não tripulados, radares multi-missão, sistemas de navegação inercial, plataformas marítimas e sistemas de defesa de fronteiras e litorais. Ele também abrange serviços de atualização e conversão de aeronaves civis e militares.

EAE trabalhará no co-desenvolvimento de projetos com o Ministério da Defesa, com as Forças Armadas brasileiras e suas instituições de pesquisa e desenvolvimento, bem como  instituições acadêmicas e outras empresas locais. A EAE também vai ampliar seu escopo para incluir aquisições estratégicas de empresas locais no Brasil.

Contratos: 

Vários, a partir de 2004: A primeira entrega que a Bedek fez foi de atualizações B767-200BDSF para aviões brasileiros foi no início de 2004 (para a ABX), seguidos por 25 767-200BDSF convertidos em Israel e no Brasil, que estão atualmente voando para ABX, TAMPA, e Ar Star. Outras aeronaves estão atualmente em processo de conversão.

Polícia Federal, 2009: Em 3 de agosto de 2009 a UAV Heron fez uma demonstração de sucesso no Brasil a pedido da polícia federal brasileira que está testando UAVs para utilização em vários fins, incluindo a segurança das fronteiras, contrabando, roubo de recursos naturais e preocupações com o tráfico de drogas. Os aviões voaram no estado do Paraná e na região de São Miguel do Iguaçú. Após uma série de testes a equipe decidiu que a UAV Heron da IAI foi a mais adequada para o que a polícia queria: a retransmissão de dados e inteligência em tempo real, realizando uma série de sensores simultaneamente e utilizando a comunicação via satélite e Decolagem e Pouso automáticos (ATOL).

Polícia Federal, 2010: Em 12 novembro de 2010 a Força Militar Channel informou que um funcionário do ministério da Defesa havia informado a eles que a IAI assinou um contrato de 350 milhões de dólares para fornecer UAVs Heron à polícia brasileira. O negócio teve duas fases. A primeira fase inclui a transferência de três veículos aéreos não tripulados juntamente com equipamentos, incluindo uma estação base e sistemas de controle e fiscalização para a polícia federal do Rio. A segunda etapa adicionou 11 drones (aeronaves teleguiadas) adicionais. A fonte da Força Militar Channel acrescentou que os drones serão utilizados para apoiar as medidas de segurança durante a Copa de 2014 e durante os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil e que sua entrega começará em alguns meses. Ele ainda explicou que a polícia brasileira está sendo treinada em Israel para usar as UAVs.

Exército brasileiro, incerto: A IAI ainda está fornecendo sistemas de radar para a renovação liderada pela Embraer das aeronaves de combate Douglas A-4 da Marinha brasileira. A empresa israelense também revisará os motores.

Exército Brasileiro, 2011: Em Janeiro de 2011 Flightglobal informou que a IAI havia oferecido os seus sistemas, incluindo cabines de aeronaves e sistemas de auto-proteção para possível integração com o desenvolvimento do navio-tanque / transporte Embraer KC-39042.
 
Fontes dizem que a Embraer também está oferecendo aeronaves de missão especial equipadas com inteligência eletrônica ou sistemas de detecção aérea de alerta precoce, com base na experiência da IAI. A empresa subsidiária Elta Systems já desenvolveu derivados de vigilância do jato Gulfstream G550.




Imagem: Google








  

A história do 1º de Maio





"A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mas também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade." – Perseu Abramo

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
    Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. 
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

Chicago, maio de 1886

O retrocesso vivido nestes primórdios do século XXI remete-nos diretamente aos piores momentos dos primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando ainda eram comuns práticas ainda mais selvagens. Não apenas se buscava a extração da mais-valia, através de baixos
salários, mas até mesmo a saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.
    Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.  

Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais pólos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). 
As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.

Como já se tornou praxe, os jornais patronais chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com
resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.


No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.
Os oradores se revesavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.

A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se "Estado de Sítio" e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.

A justiça burguesa levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas.
A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.
 
Spies fez a sua última defesa:

"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam
a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"

Parsons também fez um discurso:

"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Fez um relato da ação dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e falou de seus ideais:

"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as
forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem,
submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo".


Mártires de Chicago: Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg (ao centro) suicidou-se na
prisão.

No dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou-se. Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniqüidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.

 



Vídeo: Youtube

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Saigon 75: Um símbolo na memória universal

 

 Há datas que são marcos históricos e perduram para sempre na memória universal. Assim ocorre com o 30 de abril de 1975, simbolizado por um tanque que derrubava as portas do palácio governamental da antiga Saigon, no sul do Vietnã.
Por Hugo Rius Blein*

Era um meio-dia quando as aguerridas Forças de Libertação do heroico povo vietnamita irrompiam na guarita de um regime em debandada, sustentado apenas pelo poderio militar de uma potência como os Estados Unidos.


Mais que pôr termo à ignomínia da subordinação que ali se abrigava, aquele memorável episódio foi a contundente cena final de uma anunciada derrota política e militar infligida ao prepotente império intervencionista e agressor.

Nunca foi tão humilhante para este, precedida nas vésperas pelas eloquentes imagens de fugas precipitadas e desesperadas, de corre-corre para subir em helicópteros e fugir como pudesse da avalanche libertadora e revolucionária em marcha.


Desde que em 1964 os Estados Unidos tiraram um intencionado partido do chamado incidente do Golfo de Tonkin, uma fraudulenta auto-agressão para desencadear a guerra no Vietnã, transcorreu pouco mais de uma década de elevado custo humano e material.

 

Como poucas vezes se teve notícias, nenhum povo sofreria tanto castigo em vidas e recursos naturais, apenas pelo fato de defender seu direito à soberania nacional, à independência e à unidade e integridade territorial.

Ainda hoje, em um Vietnã mais forte, como nunca se cansou de prever o grande Ho Chi Minh, ainda sob as bombas caindo sobre Hanói, continua-se reclamando pelas vítimas, geração após geração, do infernal “agente laranja”, disseminado pela aviação estadunidense sobre populações civis, plantações e bosques.

   Efeitos do Agente Laranja


Mas também essa exemplar e pertinaz resistência protagonizada pelos vietnamitas suscitou admiração e solidariedade mundiais e contribuiu para despertar consciências nos próprios Estados Unidos, onde começou a romper-se o mito da invencibilidade de seus marines e tropas equipadas com as últimas novidades em tecnologia bélica.

Isto constituiu uma formidável lição, a de que “sim, é possível”, assim como antes na batalha cubana de Giron, em 1961, frente a mercenários apoiados por Washington. Ou em outro contexto, o abril de 2002 em Caracas, Venezuela, no fundo, do mesmo caráter.


A entrada relâmpago das Forças Armadas Populares de Libertação do Vietnã em Saigon resultou no desfecho de uma acertada estratégia, que atravessou sucessivas etapas cruciais, desde que em 1971 os estadunidenes não puderam controlar as fronteiras entre o Vietnã, o Laos e o Cambodia pela estrada número 9.


Naquele momento, com as regiões libertadas abarcando mais de 50 por cento dos cenários da guerra, a derrota já se vislumbrava, e dois anos depois, em 1973, os patriotas obrigavam os agressores a sentar-se na mesa de negociações em Paris e assinar um acordo de paz.


A partir de então, em meio a continuadas violações do acordo pelos estadunidenses, outras batalhas decisivas contra os baluartes militares de Phoc Long, Buon Me Thuot, Pleikú, Che Reo, Da Nang, Hha Trang Luang e outros foram pavimentando o caminho ao assalto final.


O Comitê Central do então chamado Partido dos Trabalhadores do Vietnã, decidiu desencadear em 10 de março de 1975 a grande ofensiva final e a operação Ho Chi Minh.


Durante os dias 26, 27 e 28 de abril a ofensiva tinha-se generalizado por toda a faixa costeira e em diversos pontos se desenvolviam combates encarniçados, corpo a corpo, casa a casa para romper o presunçoso “cordão sanitário” ao redor da capital do Sul.


Naqueles dias, Le Van Phuong, um jovem tanquista de guerra, já veterano das batalhas da estrada número 9 e de Da Nang, recebeu a ordem de marchar para Saigon; foi a ele que correspondeu a missão de derrubar as portas do palácio que abrigou todos os governos que seguiram de pés juntos as ordens do comando estadunidense de ocupação.


Entrevistado pela emissora de rádio Voz do Vietnã, por motivo deste aniversário do acontecimento, ele ainda se emociona ao evocá-lo, ao recordar também seu chefe de companhia, Bui Quang Than, içando no ponto mais alto daquele palácio a bandeira da libertação.

 
A foto na qual aparece o tanquista, e que se tornou símbolo mundial, foi feita por Françoise Demulder, falecida em 2009, uma repórter francesa, a quem segundo suas próprias palavras, a guerra no Vietnã mudou o sentido de sua profissão e de sua vida.

Depois ela cobriu a guerra no Líbano e a resistência dos palestinos, entre outros conflitos que qualificou como injustos.


Antes de morrer regressou a Hanói, em busca de Phuong, a quem encontrou em uma humilde casa de uma viela de Son Tay, modesto em sua façanha e dedicado, como qualquer outra pessoa, às tarefas da vida civil de um país reconstruído e em crescimento.


Ambos se abraçaram e choraram, porque também a libertação da cidade que hoje se chama Ho Chi Minh, que terminou reunificando o Vietnã, irmana para além das fronteiras.


Saigón 75 representa para sempre um símbolo da resistência e a vitória de uma causa justa na memória universal.


 




*Correspondente de Prensa Latina no Vietnã
Fonte: Vermelho 

Imagem: Vermelho, google
Tradução de José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho e Conselheiro da Associação de Amizade Brasil-Vietnã

domingo, 29 de abril de 2012

Brasil vai processar empresas que fecharam contratos de carbono com índios

 

 Funai afirma que os contratos de venda de créditos de carbono oferecidos por empresas internacionais são ilegais e comprometem o uso das reservas pelos próprios indígenas. Brasil não tem legislação para acordos de Redd.

O Brasil se prepara para iniciar uma briga nos tribunais contra negociadores internacionais de créditos de carbono. A Advocacia Geral da União (AGU) vai entrar com uma ação judicial para impedir os efeitos de contratos assinados entre indígenas e empresas que atuam no setor e que teriam agido ilegalmente no Brasil.

Até o momento, pelo menos três contratos considerados ilícitos foram identificados pelas autoridades. "Os contratos são de venda de créditos de carbono e comprometem todo o usufruto [das terras], que é exclusivo dos índios, e garantem acesso de pessoas não autorizadas às terras indígenas", afirmou o procurador federal Flávio Chiarelli, da Procuradoria Federal Especializada junto à Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão que faz parte da AGU.

A Funai diz que mais de 30 etnias já foram abordadas por empresas interessadas em fechar os chamados acordos de Redd (Redução de Emissões por Diminuição do Desmatamento), um mecanismo internacional criado para ajudar a estabilizar os níveis de emissões de gases estufa. No entanto, esse mercado ainda é voluntário, ou seja, não está submetido à regulação e fiscalização de uma autoridade internacional.


O Brasil ainda não criou uma lei nacional para regulamentar o setor. A recomendação da Funai é clara: ela pede às lideranças indígenas que não firmem contratos de compensação de créditos de carbono devido à falta de regulamentação do Redd no Brasil.

Site da empresa Viridor mostra entrega de caminhonete
 
Dinheiro em troca

As autoridades brasileiras consideram os acordos fechados sem validade. "Eles são nulos. A liderança que assinou e foi procurada não representa a vontade da maioria da comunidade. Os contratos são ilegais", afirma Chiarelli, que vai usar esse argumento contra as empresas.

A Funai afirma que a maioria dos documentos a que teve acesso impede que os índios executem prática tradicionais, como plantação de roças e corte de árvores para subsistência sem que obtenham a autorização da empresa. E ainda: alguns contratos são de intermediação de venda de créditos de carbono em que a taxa de corretagem é de 50%. "Um absurdo", comenta Chiarelli.

A Celestial Green Ventures, com sede na Irlanda, e a Viridor, baseada nos Estados Unidos, são duas das empresas que podem ser processadas. Elas se identificam como negociadoras globais de créditos de carbono e já sabem que as autoridades no Brasil se opõem à forma como elas se aproximam dos índios – AGU e Funai enviaram ofícios em inglês sobre essa posição.

Em troca do consentimento dos índios, as empresas teriam oferecido adiantamento entre 2 milhões e 3 milhões de reais. No site de uma das empresas acusadas, a Viridor, há a foto de um líder indígena recebendo uma caminhonete. O contrato assinado pelo chefe indígena Marcelo Mauro, da etnia Cinta Larga, em Rondônia, compromete uma área de 2,7 milhões de hectares.
 
Projetos e não contratos

Bryan Rauch, da Viridor Carbon Service, falou com a DW Brasil sobre as atividades da empresa no Brasil. Ele se identificou como vice-presidente da empresa e disse ter começado o relacionamento com os indígenas há dois anos. Mas negou que tenha convencido as lideranças a assinar contratos.

"Não assinamos contrato porque há muitas coisas ruins acontecendo no Brasil, tanta falta de confiança. Assinamos cartas de intenção porque os chefes das tribos precisam de autorização do restante dos membros", disse.

Rauch admitiu ter dado às lideranças duas caminhonetes (para "trabalhos logísticos"), dinheiro para combustível e comida quando faziam encontros. Ele disse ter procurado a Funai e que representantes do órgão estiveram presentes em reuniões.

Consultada, a fundação respondeu por email: "A Viridor entrou em contato com a Funai, participou de uma reunião em Brasília e obteve resposta negativa. A Funai inclusive oficiou a empresa dizendo que não era possível a realização de tal contrato, que entraria com ação judicial caso prosseguisse com o intento".

Rauch garantiu que tem o apoio dos índios e que eles entendem muito bem o processo de Redd. "Eles parecem que estão até mais atualizados do que a Funai", criticou o empresário, que diz atuar também como consultor em projetos na África.

Procurada, a outra empresa mencionada pela AGU, Celestial Green Ventures, não respondeu às perguntas da DW Brasil.
 
Um negócio milionário

Nas contas de Rauch, se a parceria com os Cinta Larga avançar, o projeto desenvolvido vai render 7 milhões de dólares – e os custos aproximados serão de 3 milhões, diz. "Há um grande mercado de Redd no Brasil. Mas o governo está trazendo incertezas, e isso tem criado problemas", criticou.

Para a Funai, a ausência de uma política de Redd em terras indígenas dá espaço para que organizações e empresas oportunistas tentem levar a cabo projetos em comunidades sem as devidas ressalvas e observações dos direitos desses povos. "É um mercado especulativo. As pessoas estão querendo comprar esses créditos porque, se no futuro isso for regulamentado, isso [os créditos negociados nos contratos] pode valer milhões", alertou Chiarelli.

O procurador reconhece que tem um processo complexo pela frente. "Argumentos de mérito existem, mas há dificuldade processual, porque as empresas não têm sede no Brasil e há sempre dificuldade de localizá-las – se é que elas existem."

Os contratos existem, mas para a AGU eles são ilegais. Até que o caso seja resolvido completamente, o órgão afirma que não será autorizada a entrada de representante dessas empresas nas áreas indígenas. E se houver alguma tentativa de se fazer cumprir algum item do contrato em questão, a empresa envolvida responderá pelas penalidades segundo a lei nacional.





Fonte: DW,DE
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Alexandre Schossler
Imagem: DW.DE

Documentos revelam que Kadafi financiou campanha de Sarkozy



Um documento do serviço secreto líbio prova que o ex-ditador Muammar Kadafi financiou a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2007, segundo informou neste sábado o jornal digital "Mediapart".


 Revelado por ex-altos funcionários do regime líbio que atualmente estão na clandestinidade, o documento apresenta uma autorização para o governo de Kadafi destinar 50 milhões de euros para a campanha de Sarkozy.

No documento, datado de 10 de dezembro de 2006, o atual responsável pelo serviço secreto, Moussa Koussa, concede autorização para o diretor do gabinete de Kadafi, Bashir Saleh, efetuar o pagamento.

No texto, Koussa se refere à realização de reuniões preparatórias com Brice Hortefeux, então secretário de Estado de Coletividades Territoriais, homem próximo a Sarkozy e diretor da campanha que o levou à presidência em 2007.

 

Além disso, o chefe do serviço secreto cita Ziad Takieddine, empresário franco-libanês envolvido na França em outros casos de financiamento ilegal de partidos.
O documento se refere a um encontro realizado em 6 de outubro de 2006 com Hortefeux e Takieddine como parte das negociações para se chegar ao valor do pagamento.


Pouco antes do início da intervenção internacional na Líbia, o ditador líbio ameaçou relevar documentos que provavam o financiamento da campanha de Sarkozy, um dos idealizadores da ofensiva ao país. O presidente francês considerou na época as acusações "grotescas".


Em março, o jornal "Libération" também afirmou que o dinheiro obtido com a venda de um sistema de espionagem à Líbia pode ter servido para financiar a campanha de Sarkozy.



 



Fonte: Reuters, Vermelho
Imagem: Líbia S.O.S, google
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