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domingo, 6 de maio de 2012

Palestina, números de uma ocupação execrável

Cairo (Prensa Latina) A ocupação e o bloqueio dos territórios palestinos por parte de Israel, para além de sua inerente natureza espoliadora, revela a perversão de uma prática que anula o desenvolvimento e o autogoverno de um povo, causando-lhe prejuízos milionários.

   

Discursos políticos em múltiplas tribunas mundiais, incluída a ONU, e iniciativas negociadoras dos países árabes e ocidentais, têm sido insuficientes para deter a lenta aniquilação dos palestinos na Cisjordânia ocupada e na sitiada Faixa de Gaza.

A julgar por considerações de Tarik Alami, chefe de temas emergentes e conflitos da Comissão Econômica e Social da ONU para a Ásia Ocidental, uma primeira repercussão da usurpação territorial sionista é o obstáculo à auto-suficiência dos palestinos.

Um relatório apresentado durante o recente seminário sobre o impacto econômico e social desta política sionista no Cairo expôs cifras estarrecedoras da repressão, uso da força, roubo de propriedades e ampliação de assentamentos judeus pelos israelenses, bem como o impacto nos recursos naturais e no meio ambiente.

A economia da Autoridade Nacional Palestina (ANP) sofre anualmente perdas de sete bilhões de dólares por causa da ocupação, o que tem converteu esses territórios numa das economias mais dependentes de ajuda no mundo.

A este respeito, o embaixador da ANP na ONU, Riyad Mansour, assinalou numa entrevista à Prensa Latina que o custo da dominação é facilmente quantificável, daí que, se essa política terminar, "seremos capazes de ser auto-suficientes e não precisaremos de ajuda externa".

Os sete bilhões de dólares que a economia palestina perdeu em 2010 equivalem à quase totalidade do Produto Interno Bruto (PIB) anual, e esse dano foi produzindo privando os residentes na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza de utilizarem seus recursos naturais.

Terra, água, minerais, gás natural, pesca e outras riquezas incluíram-se entre os recursos impossíveis de explorar pelos palestinos, de acordo com Mansour e de cifras aportadas pela ONU.

Em termos de direitos humanos, 125 palestinos morreram e 2.144 foram feridos pelas forças de segurança e pelos colonos israelenses em 2011, quando mais de dois terços das baixas se produziram em fatos unidos à atividade nos assentamentos judeus.

Segundo a ONU, no ano passado pereceram 16 crianças e outros 441 ficaram feridos por abusos israelenses, um dado que elevou a 1.351 a cifra de jovens mortos por soldados e colonos entre 2000 e 2011.

Desde que se produziu a invasão, em 1967, até 2010 registraram-se mais de 760 mil detenções de palestinos por forças israelenses, incluídos 15 mil crianças, dos quais em média 192 estiveram em prisão em 2011 e ao menos 63 sofreram torturas ou doenças.

Vale recordar que entre 500 e 700 menores palestinos são processados a cada ano em cortes militares de Israel, muitas vezes por participar em mobilizações contra as demolições de casas, uma prática intensificada agora em 80 por cento em relação a 2010.
 

No mínimo, 21.200 palestinos ficaram sem suas moradias de 2004 até hoje como resultado das demolições, deles 620 viram serem demolidas suas residências em 2011, enquanto 1.094 foram forçados a se deslocarem e 4.164 sofreram afetações diretas.


A esses dados referidos à Faixa Ocidental, é preciso acrescentar as 23.500 pessoas ainda sem teto em Gaza devido à impossibilidade de reconstruir 15 mil unidades habitacionais devastadas no enclave durante os bombardeios da Operação Chumbo Fundido (2008-2009).
 

Em Jerusalém Oriental, a parte da cidade santa onde os palestinos aspiram converter em capital de seu futuro Estado, os árabes têm sido vítimas da expropriação de ao menos 23.378.000 metros quadrados desde 1968, e 390 derrubadas de casas desde 2004.
 

As limitações para edificar nessa zona da cidade e a revogação de 13.115 permissões de residência para palestinos de 1967 a 2009, faz com que 60 mil pessoas estejam ameaçadas de se converterem em "sem tetos".

Todos esses ataques ajudam a reforçar uma estratégia de "judaização" dos territórios árabes a partir da ampliação de assentamentos ilegais, segundo denunciaram especialistas durante uma conferência sobre Jerusalém, realizada no final de fevereiro no Qatar.

As estatísticas da referida instância da ONU sustentam que até meados de 2010 viviam 517. 774 colonos em 144 assentamentos que a ONU tacha de ilegais, e em outros 100 bairros ou postos avançados fora dessas colônias, ilícitos inclusive pela lei israelense.
 

 Só a modo de exemplo, no ano passado a taxa de construção em assentamentos israelenses da Cisjordânia e de Jerusalém duplicou o nível das obras de construção dentro de Israel e os extremistas judeus utilizam estradas marcadas só para o acesso de israelenses.

Na Ribeira Ocidental, o Estado sionista anexou 13 por cento do território, segue construindo um muro gigantesco que afeta 855 mil palestinos, mantém 33 mil presos entre essa cerca e a chamada Linha Verde e separou Jerusalém do resto da Cisjordânia.

Cerca de 170 milhões de metros quadrados de terra fértil estão isolados pelo muro de segregação e os assentamentos despejam 40 milhões de metros cúbicos de águas residuais e dejetos sólidos anualmente em solo palestino.

Até dezembro, contabilizaram-se 557 obstáculos, entre postos de controle militar, valetas, montículos de areia e outros meios para restringir o movimento de palestinos dentro de sua própria terra.

Por causa da usurpação israelense, o PIB per capita em 2010 foi 30 por cento menor que em 2000, 22 por cento dos palestinos se sumiu na pobreza em 2009 e a taxa de desemprego cresceu a 24 por cento na primeira metade de 2011.

 
 Pelo menos 1,43 milhão de palestinos sofre insegurança alimentar, duas em cada três crianças em Gaza apresenta reação severa e moderada a traumas e o bloqueio impôs "sacrifícios inaceitáveis, escolhendo com frequência entre alimento, remédio ou água".
 

A inacessibilidade a terras em Gaza causa à economia perdas de aproximadamente 75 mil toneladas métricas de produção potencial anual e a média de acesso a água fresca para consumo doméstico é de 73 litros por pessoa/dia na Cisjordânia e 52 na Faixa.
 

Israel impõe uma zona de restrição de um a 1,5 quilômetro dentro do enclave de Gaza, negando aos palestinos o acesso a 35 por cento dos terrenos cultiváveis.

E ainda, o bloqueio marítimo proíbe pescar para além de três milhas náuticas da costa do Mediterrâneo em Gaza, o que afeta diretamente 65 mil pessoas.

 
 A lista de problemas e indicadores sociais negativos derivados da ocupação israelense é extensa e, sobretudo, ilustrativa do drama de um povo que censura às maiores potências do mundo a seguirem usando dois pesos e duas medidas para abordar o conflito central do Oriente Médio.



*Corresponsável da Prensa Latina no Egito.
 Fonte: Prensa Latina, IraNews
 Imagem: Google

sábado, 5 de maio de 2012

Geórgia planeja "cidade do futuro" às margens do Mar Negro

 

Presidente Mikheil Saakashvili acredita que em 10 anos Lakiza será a segunda maior cidade do país

 Zugdidi, Geórgia — Para chegar ao local onde o governo da Geórgia está abrindo terreno para Lazika, sua grandiosa cidade do futuro, é necessário atravessar diversos rebanhos — vacas felpudas e grandes porcos malhados, que tomam sol na estrada, ao canto hipnótico de inúmeros sapos.

Ao longo do caminho, é possível encontrar opiniões variadas sobre a proposta de construir uma cidade para meio milhão de pessoas aqui, numa faixa de terra pantanosa próxima ao Mar Negro, um projeto baseado no conceito chinês de cidade instantânea.

Khatia Ochiava, professora numa vila de 330 habitantes ao lado do local das obras, é tão inspirada pela ideia que assiste, praticamente todos os dias, a um vídeo promocional do governo — cuja animação por computador mostra um conjunto de arranha-céus no estilo Dubai e um movimentado porto de carga. Ela já está planejando abrir um restaurante chamado Cafe Lazika.

Outros, como Kakha Pachkua, de 38 anos, têm suas dúvidas a respeito dos planos. Megreliano, do grupo étnico que vive nesta região há séculos, ele trabalha ao lado das obras e garante que o solo aqui é tão saturado que os edifícios propostos exigiriam alicerces com 25 metros de profundidade.

— Qualquer megreliano lhe dirá que é impossível construir aqui. Lazika é apenas uma palavra. Nada mais. Aqueles prédios são enormes; não sei se o pântano conseguirá segurá-los — disse ele, observando as terras úmidas.

As autoridades do governo não têm muito tempo para discutir com os céticos. O acelerado ritmo da nova construção não permitiu discussões públicas sobre o financiamento do projeto, seu impacto ambiental ou mérito.


Apesar das questões levantadas em todos esses tópicos, o primeiro prédio de Lazika — uma futurista Câmara de Serviços Públicos para a nova cidade — já está em construção, com inauguração prevista para setembro. 
Dentro de 10 anos, segundo o presidente Mikheil Saakashvili, Lazika será a segunda maior cidade da Geórgia atrás de Tbilisi, que tem população de 1,5 milhões, e um grande centro comercial no Mar Negro. 


 Desde que assumiu o cargo, em 2004, Saakashvili baseou sua liderança em uma grande ideia após a outra: a dissolução da polícia de tráfego, notoriamente corrupta; a alteração do segundo idioma do país, do russo para o inglês; a mudança do parlamento de Tbilisi para Kutaisi, pequena cidade a três horas de carro; e, agora, o enfrentamento da pobreza no oeste rural pela construção de uma cidade a partir do zero.

O principal motivo para estarmos mudando o país tão rapidamente é que somos inteligentes e jovens e queremos fazer tudo rápido — explicou Giorgi Vashadze, ministro adjunto de justiça, que está supervisionando a construção de elegantes prédios do governo em cidades de todo o país.

— Não temos tempo, como a Europa e a América, para ponderar sobre o projeto durante 10 anos e então iniciar a implementação. É por isso que esse tipo de ideia maluca às vezes nos vem à mente — acrescentou. 

A ideia de Lazika foi lançada há vários meses, quandoSaakashvili visitava Zugdidi, cidade de 65 mil habitantes que vinha gradualmente perdendo população. A área, que produz tangerinas e nozes, sofreu muito quando a Rússia fechou seus mercados a produtos georgianos em 2005 e 2006 — e também dois anos depois, quando forças russas isolaram a vizinha separatista, Abkhazia.

Ketevan Gvinjilia, de 50 anos, conta que os moradores começaram a economizar usando eletricidade em apenas um cômodo da casa.

— Estamos presos num vácuo. Não chegamos àquele ponto, mas estamos gradualmente nos aproximando — afirmou ela, acrescentando que a estagnação econômica da região começava a lembrá-la do período antes de Saakashvili assumir o poder.

O presidente reconheceu os problemas de Zugdidi num discurso em 4 de dezembro, declarando:

— Precisamos de uma grande inovação para acabarmos com a pobreza.

A inovação, segundo ele, seria uma cidade nova em folha e um porto marítimo na costa, a 29 quilômetros de distância — uma ideia atualmente comum na China, que ergueu dúzias de cidades para abrigar sua enxurrada de migrantes rurais, mas bastante incomum para a Europa.

Vashadze disse que navegava na internet quando se deparou com o conceito de "cidade independente", com sistemas regulatórios e judiciais distintos que poderiam atrair investidores estrangeiros para construir fábricas.

— Tivemos essa ideia (por que não podemos fazer isso na Geórgia?). Analisamos e vimos que havia espaço livre na costa do Mar Negro — explicou ele.

A umidade do espaço não oferece problemas, deduziu ele, pois "se você for à China, verá que todas as novas cidades foram construídas sobre pântanos".

Quando questionado sobre quantos funcionários públicos estavam trabalhando em tempo integral para planejar Lazika, Vashadze afirmou que era apenas um — embora tenha acrescentado que de 10 a 15 pessoas estavam no projeto em meio período.

A declaração presidencial gerou uma onda de perguntas. O local proposto fica à beira dos pântanos de Kolkheti, onde, em 1997, a Geórgia se comprometeu a preservar cerca de 33 mil hectares como parte da Convenção Ramsar internacional.


Embora a convenção, supervisionada pela Suíça, não tenha poder para punir os infratores, ela adverte contra "desconfortos políticos e diplomáticos em fóruns de alto perfil ou na mídia". Até agora, o ministro de proteção ambiental da Geórgia reagiu com sarcasmo a essas preocupações. 


— Por favor me ajudem, e me digam o que posso fazer para atrair turistas que venham para cá e vejam esses pântanos, façam doações, tirem fotos, escrevam a respeito, gastem dinheiro aqui e digam a outras pessoas: "Esses pântanos são incríveis!" — declarou o ministro, Giorgi Khachidze, em fevereiro.

Os problemas se estendem a questões práticas, como o que Lazika faria para atrair meio milhão de moradores num país de 4,5 milhões — que não está crescendo em população e nem se urbanizando.

O financiamento é mais uma preocupação: há alguns meses, Saakashvili afirmou que a Geórgia havia iniciado negociações com diversos grandes investidores da Europa e da Ásia, que bancariam a maior parte do custo de construção em longo prazo — estimado pelo presidente em US$ 600 a US$ 900 milhões.

Mas até agora nenhum investidor se comprometeu publicamente, deixando dúvidas sobre quanto do fardo cairia sobre o orçamento da Geórgia (US$ 4,2 bilhões no ano passado).

— Não sabemos quanto custará, quanto do orçamento será usado 
 — explicou Eka Gigauri, da Transparency International, grupo anticorrupção que divulgou em 11 de abril um novo estudo documentando violações dos direitos de proprietários de terras por projetos estatais de desenvolvimento.

Segundo ela, alguns dos grandes projetos de Saakashvili — especialmente a construção de estradas — haviam beneficiado muito a Geórgia, mas ela expressou dúvidas quanto à prioridade colocada em Lazika.

— Existem tantas coisas que precisam ser feitas. Por que construir uma cidade inteiramente nova? O que isso representa? Não há nada, nenhuma explicação. O presidente simplesmente declarou: "Vamos construir uma nova cidade aqui" — disse ela.

Questões similares ocorreram a georgianos comuns; numa pesquisa divulgada em março pelo Instituto Democrático Nacional, 59% daqueles que conheciam a construção proposta afirmaram apoiar a construção de Lazika, mas 68% argumentaram que, antes de qualquer decisão, deveria haver debates públicos no parlamento.

Kakha Bakhtadze, da Rede de ONGs Ambientais do Cáucaso, declarou que seria difícil conduzir um debate sério sobre o impacto ambiental do projeto, pois o governo ainda não havia publicado uma planta do local. Ele comentou não ter muitas dúvidas de que Lazika seria construída.

— O governo e o presidente anunciaram que haverá uma cidade. Com frequência, quando nosso presidente anuncia algo, aquilo certamente acontece — explicou ele.

Recentemente, num terreno de obras a 320 quilômetros a oeste da capital, o engenheiro Merab Chkhikvadze supervisionava uma equipe de 12 operários. Enquanto uma bomba retirava água lamacenta de um buraco de 21 metros onde ficará o alicerce da Câmara de Serviços Públicos, ele afirmou que o projeto o fazia sentir-se parte da história — e recitou um provérbio sobre as recompensas que aguardam os audazes.

Mas além daquele edifício, seu plano de construção mostrava uma estrada circular de seis pistas e nada mais.

— Não sei muito bem. Mas existe um plano, obviamente — disse ele, quando questionado sobre como se pareceria o resto da cidade.




Fonte: Zero Hora  
Imagem: Zero hora, Google

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Lula critica duramente países ricos por política anticrises



O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta (03) duramente aos países ricos pela política anticrises aplicada, a qual -assegurou- "castiga às vítimas e distribui prêmios entre os responsáveis"

                                          
  As crises sempre são respondidas da mesma forma pelos países desenvolvidos: com austeridade para os trabalhadores e distribuição de benefícios para o sistema financeiro, que causou a crise, apontou Lula ao falar em um Seminário sobre Cooperação com África, que se efetua no Rio de Janeiro.

"Ao sistema financeiro, dão todo o apoio para que não sofra com a crise; e aos trabalhadores, aos acomodados, aos mais frágeis, aos países mais pobres, nenhum socorro", sublinhou o ex-mandatário em seu primeiro discurso público, após o desaparecimento do tumor na laringe, que lhe detectaram em outubro de 2011.

O ex-presidente sustentou que as medidas de austeridade das nações ricas se traduzem em redução dos investimentos públicos, dos salários e dos benefícios dos trabalhadores, bem como aumento das demissões e o incremento da idade mínima para a aposentadoria.

Esses países, prosseguiu, pedem austeridade aos povos, aos trabalhadores e aos governos dos países mais frágeis economicamente, e ao mesmo tempo aprovam pacotes e pacotes de injeção de recursos ao sistema financeiro, justo para os setores responsáveis pela especulação que gerou a crise que estamos vivendo.

"Isto é, castigam às vítimas da crise e distribuem prêmios entre os responsáveis por ela. Há algo de errado, muito errado, nesse caminho", disse.

Lula assegurou que tudo faz indicar que os organismos multilaterais não têm autoridade nem governança para fazer valer suas deliberações, porque recorda que em 2009 os países do G-20 chegaram a um acordo sobre um conjunto de medidas para reforçar a regulação dos mercados financeiros.

"De lá para cá, nada foi feito nesse sentido. Observo a evolução da crise e constato com tristeza que muitos governantes dos países ricos continuam movidos pela mesma lógica que produziu a crise de 2008, ainda não resolvida", apontou o ex-mandatário.

Já sobre as relações de cooperação entre Brasil e África, Lula referiu que tiveram um grande impulso em seu governo, porque não foram paralisadas pela crise internacional, que não foi criada nem pelos brasileiros nem pelos africanos.

Assim mesmo, elogiou as medidas que adotam os governos africanos para enfrentar o atual palco econômico internacional, como aumentar os investimentos e o consumo interno. "O continente (africano) consolida a passos longos a democracia, apesar de alguns problemas que possam existir", afirmou.





Fonte: IrãNews
Imagem: Google

Fidel Castro: O Prêmio Nobel da Paz

 

Quase não falarei do povo cubano, que um dia apagou de sua pátria o domínio dos Estados Unidos, quando o sistema imperialista tinha alcançado o ponto culminante de seu poder.

 Por Fidel Castro


Homens e mulheres das mais diversas idades desfilaram no 1º de Maio pelas praças mais simbólicas de todas as províncias do país.

Nossa Revolução surgiu no lugar menos esperado pelo império, em um hemisfério onde atuava como dono absoluto.

Cuba passou a ser o último país a livrar-se do jugo colonial espanhol e o primeiro a sacudir a odiosa tutela imperialista.

Penso hoje fundamentalmente na irmã República Bolivariana da Venezuela e sua luta heróica contra o saque desapiedado dos recursos com que a natureza dotou esse nobre e abnegado povo, que um dia levou seus soldados aos rincões afastados deste continente para pôr de joelhos o poderio militar espanhol.

Cuba não necessita explicar por que temos sido solidários, não só com todos os países deste hemisfério, mas também com muitos da África e outras regiões do mundo.

A Revolução Bolivariana tem sido também solidária com nossa pátria, e seu apoio a nosso país se converteu em um fato de grande importância nos anos do Período Especial. Essa cooperação, contudo, não foi fruto de nenhuma solicitação por parte de Cuba, como tampouco estabelecemos nenhuma condição aos povos que requeriam nossos serviços educacionais ou médicos. Em qualquer circunstância, teríamos oferecido a máxima ajuda à Venezuela.

Cooperar com outros povos explorados e pobres sempre foi para os revolucionários cubanos um princípio político e um dever com a humanidade.

Fico enormemente satisfeito ao observar, como observei ontem (2), através da Venezuelana de Televisão e da Telesul, o profundo impacto que produziu no povo irmão da Venezuela a Lei Orgânica do Trabalho promulgada pelo líder bolivariano, o presidente da República, Hugo Chávez Frias. Jamais vi nada parecido no cenário político de nosso hemisfério.

Prestei atenção à enorme multidão que se reuniu em praças e avenidas de Caracas e, em especial, às palavras espontâneas dos cidadãos entrevistados. Poucas vezes vi, e talvez nunca, o nível de emoção e esperança que estes colocavam em suas declarações. Podia-se observar com clareza que a imensa maioria da população é constituída por trabalhadores humildes. Uma verdadeira batalha de ideias está sendo combatida com força.

Rafael Correa, presidente do Equador, declarou valentemente que mais do que uma época de mudança estamos vivendo uma mudança de época. Ambos, Rafael Correa e Hugo Chávez, são cristãos. Obama, porém, é o quê? Em que acredita?

Ao completar-se o primeiro aniversário do assassinato de Bin Laden, Obama compete com seu rival Mitt Romney na justificação daquele ato perpetrado em uma instalação próxima à Academia Militar do Paquistão, aliado dos Estados Unidos.

Marx e Engels nunca falaram em assassinar os burgueses. No velho conceito burguês os juízes julgavam, os verdugos executavam.

Não há dúvidas de que Obama era cristão; em uma das vertentes dessa religião aprendeu o ofício de transmitir suas ideias, uma arte que significou muito para ele em seu acelerado ascenso dentro da hierarquia de seu partido.

Na declaração de princípios da Filadélfia, em julho de 1776, afirmava-se que todos os homens nasciam livres e iguais e a todos seu criador concedia determinados direitos. Pelo que se conhece, três quartos de século depois da independência, os escravos negros continuavam sendo vendidos nas praças públicas com suas mulheres e filhos, e quase dois séculos depois Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, teve um sonho, mas foi assassinado.

O Júri de Oslo obsequiou seu prêmio e Obama tinha-se convertido quase em uma lenda. Não obstante, milhões de pessoas devem ter visto as cenas. O Prêmio Nobel Barack Obama viajou aceleradamente ao Afeganistão como se o mundo ignorasse os assassinatos massivos, a queima de livros que são sagrados para os muçulmanos e os ultrajes dos cadáveres das pessoas assassinadas.

Nenhuma pessoa honesta jamais estará de acordo com os atos terroristas, mas por acaso o presidente dos Estados Unidos tem o direito de julgar e de matar; de converter-se em tribunal e ao mesmo tempo em verdugo e levar a cabo tais crimes, em um país e contra um povo situado no lado oposto do planeta?






 Vimos o presidente dos Estados Unidos subindo a trote os degraus de uma empinada escada, em mangas de camisa, avançar a passos acelerados por um corredor e depois parar para impingir um discurso a um numeroso contingente de militares que aplaudiam com relutância as palavras do ilustre presidente. Nem todos aqueles homens nasceram cidadãos norte-americanos. Eu pensava nos colossais gastos que isso implica e que o mundo paga, pois quem se responsabiliza por esse enorme gasto que já ultrapassa os US$ 15 trilhões? É isso que o ilustre Prêmio Nobel da Paz oferece à humanidade.

Fidel Castro Ruz
3 de maio de 2012
19h50 





Fonte: Cubadebate, Vermelho
Tradução: José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho

terça-feira, 1 de maio de 2012

Israel está preocupado com transferência de tecnologias militares dos EUA para Brasil

 

Os Estados Unidos estão intensificando seus esforços no mercado de armas na América Latina, especialmente no Brasil, e eliminam restrições à transferência de tecnologias. Estes passos levantam preocupações em Israel, sendo que poderia criar grande problemas para indústria de defesa israelita, informa o Israel Defense.
Recentemente todos os ramos da indústria de defesa de Israel têm intencificando sua presença na Ámerica Latina devido à sua grande potencial comercial. Em particular, tal empresas como Elbit Systems e Rafael entraram no mercado e ainda adquiriram várias subsidiárias no Brasil.
Entretanto, uma eliminação de restrições à transferência de tecnologias norte-americanas pode afetar negativamente o negócio dos fabricantes de sistemas de armas israelitas.

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Relembrando:

2011 - As relações militares entre Brasil e Israel


A Campanha Contra o Muro do Apartheid das Organizações Palestinas de Base
 
Março,2011 (Traduzido por Indra K. Habash)

Este relatório detalha o apoio ativo do Estado brasileiro à indústria israelense de armas, bem como os interesses de Israel e os lucros das forças armadas e da indústria de defesa
brasileiras. Finalmente, o relatório confronta essas realidades com o quadro de interesses econômicos, jurídicos e políticos e as obrigações do Brasil.
Com base nos dados de exportação de armas israelenses de 2005 - 2010, o SIPRI concluiu que o Brasil é o quinto maior importador de armas israelenses1. Vários programas de grande porte assinados entre Israel e Brasil já valem cerca de um bilhão de dólares.
 
O apoio do Brasil à indústria armamentista israelense:
 
O Brasil assinou um acordo de cooperação de segurança com Israel no final de novembro de 2010 para facilitar a cooperação e os contratos militares.
As Forças Armadas brasileiras abriram um escritório em Tel Aviv em 2003.
O Brasil recebe regularmente de Israel e para Israel delegações políticas e delegações econômicas patrocinadas pelo estado com o objetivo de reforçar os laços militares.
A Exposição Brasileira de Defesa LAAD hospeda anualmente as mais importantes empresas israelenses de armas.
Autoridades brasileiras declararam publicamente ter ajudado empresas israelenses de armas a entrar em contato com as forças armadas de outros países latino-americanos.

Interesses dos produtores de armas de Israel no Brasil:

Este relatório não abrange todos os interesses dos produtores de armas israelenses, mas apenas tem como objetivo mostrar alguns exemplos.  

Elbit Systems:
 
fornece armas que o Exército israelense usa para o assassinato de civis e de "execuções extrajudiciais". Além disso, fornece equipamentos para o Muro do Apartheid e para os
assentamentos.
comprou três empresas brasileiras de armas: a AEL, a Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Equipamentos Optronicos SA ("Periscópio").
possui inúmeros contratos com as Forças Armadas Brasileiras, inclusive com o prestigioso projeto Guarani.
espera conquistar novos contratos para os Jogos Olímpicos e para a Copa do Mundo no Brasil.
 
Israel Aircraft Industries (IAI):

fornece armas que o Exército israelense usa para o assassinato de civis e de "execuções extrajudiciais". Além disso, fornece equipamentos para o Muro do Apartheid e para os
assentamentos.
 
formou uma joint venture denominada EAE com o Grupo Synergy. A subsidiária da IAI, a Bedek , usa os centros de manutenção e de produção da TAP M & E Brazil nos aeroportos do Rio de Janeiro e Porto Alegre.
possui inúmeros contratos com as Forças Armadas Brasileiras e, atualmente, tem como objetivo ganhar outros contratos com a
Embraer. 

Israel Military Industries (IMI):

é - tal como muitas outras empresas israelenses de armas - profundamente envolvida em casos de corrupção e suborno de funcionários públicos.
deu a licença para a Taurus produzir os seus rifles Tavor no Brasil.
O Exército brasileiro compra os rifles Tavor produzidos pela Taurus.

Outras: 

Muitas outras companhias de armas e de segurança nacional israelenses têm obtido contratos no Brasil e com o Ministério da Defesa.
A indústria militar israelense aponta para bilhões de dólares de contratos para a preparação dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil.

Contrariando o quadro econômico, jurídico e político do Brasil 

Obrigações legais:
 
O Brasil como signatário do instrumento mais relevante do Direito Internacional, tem a obrigação do não-reconhecimento e não-assistência à violações do Direito Internacional.
As atuais relações militares entre Brasil e Israel implicam uma violação das obrigações de Estados terceiros em relação às violações do Direito Internacional:
 
- O Brasil facilita benefícios econômicos para empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra, contribuindo assim para a manutenção de uma situação ilegal.
- O Brasil hospeda representantes de empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra e, em alguns casos, de pessoas acusadas de crimes de guerra.
- O Brasil facilita a presença no seu território de empresas que violam diretamente a IV Convenção de Genebra, entrando assim em cumplicidade direta ou indireta com as violações do Direito Internacional.
- O Brasil facilita as relações entre a sua própria economia e cidadãos e empresas diretamente envolvidas em violações da IV Convenção de Genebra. 

A exportação é o que sustenta a indústria israelense de armas - até 70% das armas israelenses são produzidas para exportação. Sem a indústria armamentista israelense Israel não seria capaz de manter a ocupação ou continuar a liderar guerras, como a guerra contra o Líbano em 2006 e contra a Faixa de Gaza em 2008 / 9, ambas fortemente condenadas pelo Brasil. 

Interesses políticos do Brasil:

O Brasil reconheceu o estado Palestino nas fronteiras de 1967. A indústria armamentista israelense está conscientemente lucrando com a continuada ocupação dos TPO’s, uma vez que desenvolve suas armas, graças às "experiências" acumuladas com a ocupação. O apoio para a indústria de armas israelenses, portanto, contraria claramente o apoio declarado do governo brasileiro para a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967. 
O mundo árabe é potencialmente um importante destino de exportação de armas brasileiras. Um círculo através do qual Israel usa o Brasil para produzir armas - ou participar
na produção de armas - que serão vendidas para o mundo árabe, provavelmente suscitará sérias preocupações das populações e de alguns governos.

Reforçar os laços com os produtores de armas israelenses e empresas privadas de segurança militar (PSMC - da sigla em inglês), estabelece um péssimo precedente em termos de
accountability, considerando o apoio de Israel a regimes repressivos e seu papel nos lucros e no fomento à instabilidade nas décadas de 60, 70 e 80. Em segundo lugar, os laços militares com Israel implementam elementos que podem justificar ou formar atividades opressivas e anti-governamentais mais extremas em determinado país. Finalmente, mesmo que os laços militares não representem uma ameaça para a estabilidade de um país, o apoio à indústria militar de Israel põe em dúvida o compromisso do governo com os Direitos Humanos. 

Recomendações:
 Face ao exposto, solicitamos ao Estado brasileiro interromper todas as relações militares com Israel e, em particular:
Não ratificar e cancelar o acordo de cooperação de segurança com Israel.
Fechar os escritórios das Forças Armadas Brasileiras em Israel.
Modificar a regulamentação dos contratos do Exército Brasileiro para garantir que as empresas que violam o Direito Internacional sejam excluídas dos contratos.
Barrar empresas envolvidas em violações do Direito Internacional de se estabelecerem em território brasileiro através de aquisições de empresas, joint ventures ou licenciamento.
Certificar-se de que empresas que violam o Direito Internacional sejam excluídas dos contratos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas , pois um esporte que premia
criminosos de guerra não pode ser "jogo limpo".

Barrar empresas que violam o Direito Internacional de participar na Exposição de Defesa LAAD.
Devidamente processar suspeitos de crimes de guerra e crimes contra a humanidade israelenses quando são encontrados em seu território. 

Fazer negócios com a indústria armamentista israelense prejudica gravemente o apoio do Brasil aos direitos políticos e humanos dos palestinos, assim como qualquer contrato que apóie diretamente a construção de assentamentos e do Muro, que garante que um Estado palestino não seja estabelecido e que presta apoio financeiro e incentivo para as empresas intimamente ligadas com as violações dos Direitos Humanos levadas a cabo pelos militares israelenses. Isso garante que o colonialismo e a ocupação permaneçam rentáveis, permitindo que estas empresas continuem a lucrar com os crimes de guerra israelenses, enquanto que põe em dúvida o compromisso do governo brasileiro com os Direitos Humanos e suas alianças e interesses na região. É inaceitável que o Brasil entregue o dinheiro de seus contribuintes para essas empresas e, no final, uma decisão deverá ser tomada entre negociar com Israel ou se colocar ao lado do povo Palestino. 

O apoio do Brasil à indústria armamentícia israelense

A indústria armamentícia no Brasil é incentivada por benefícios estatais e os contratos militares são celebrados pelo Ministério da Defesa ou por outros órgãos estaduais, tais como a polícia federal. O Estado como contratante principal estabelece uma clara política econômica para a indústria de defesa. Portanto, enquanto defendemos que o Estado tem o dever de intervir quando empresas registradas ou que operam em seu território estão envolvidas em graves violações do Direito Internacional e dos Direitos Humanos, no caso das relações militares entre Brasil e Israel, o caso realmente se dá com o estados brasileiro promovendo e facilitando diretamente a cumplicidade com as empresas envolvidas em graves violações do Direito Internacional.

O Brasil facilita as relações com empresas israelenses envolvidas em graves violações do Direito Internacional através de várias maneiras, dentre elas:

 1) Acordo sobre Cooperação na área de Segurança com Israel

O Brasil assinou recentemente um acordo de cooperação de segurança. Isto foi revelado pelo jornal israelense "Maariv". Segundo o jornal, o ministro da Defesa, Ehud Barak e o chefe de Segurança do Ministério da Defesa Amir Kain assinaram o acordo de cooperação de segurança entre os dois países no final de novembro de 2010.O ministro da Agência Brasileira de inteligência assinou o acordo do lado brasileiro.
O mesmo artigo acrescenta que:

"Um mercado avaliado em bilhões de dólares se abriu para as indústrias de defesa, após um primeiro acordo desse tipo ser assinado para a cooperação entre Brasil e Israel. Já existem
várias ofertas gigantes entre Israel- Aerospace Industries (IAI), Elbit e Rafael com o Brasil. [...] Sem esse acordo, que é semelhante aos acordos que Israel assinou com vários outros países, não seria possível realizar os negócios, que estão em um alto nível de classificação de segurança." 

Não é surpresa que a assinatura deste acordo foi seguida por uma série de aquisições de empresas brasileiras por empresas israelenses e contratos com Israel no início de 2011.
É lamentável que esse acordo estratégico foi assinado pelo Brasil sem qualquer discussão pública sobre o assunto.

2) Escritório israelense das Forças Armadas brasileiras

Em 2003, as Forças Armadas brasileiras abriram um escritório em Tel Aviv4. Não há informações disponíveis sobre a finalidade desse escritório, que poderá servir como um centro para as relações econômicas, bem como para treinamentos e intercâmbio de informações.

3) Delegações políticas e econômicas patrocinadas pelo Estado

Muitos dos acordos de comércio de armas foram assinados durante ou logo após visitas de delegações brasileiras a Israel patrocinadas pelo Estado em vista de parceiros potenciais e de
visitas de delegações israelenses acolhidas pelas autoridades e lideranças políticas brasileiras.
Para citar apenas dois, em Novembro de 2009 a delegação que acompanhou o presidente israelense Shimon Peres incluiu dentre 40 empresários algumas das mais importantes
companhias de armas. Esta visita foi seguida pela viagem do ministro da Defesa Nelson Jobim para Israel, onde ele se reuniu com representantes da indústria bélica israelense.

4) LAAD –Feira de Defesa e Segurança na América Latina

LAAD - Defesa & Segurança é a mais importante feira de eventos para a indústria de defesa e segurança na América Latina e acontece a cada dois anos, levando empresas brasileiras e empresas internacionais especializadas no fornecimento de equipamentos e serviços para todos os três principais serviços das forças armadas, polícia, forças especiais e serviços de segurança, bem como consultores e agências governamentais. A exposição é patrocinada pelo Ministério da Defesa, pelos militares brasileiros e pelo ministério das Relações Exteriores e visitada pelas principais autoridades políticas do país, incluindo o presidente.
Em 2011, mais uma vez todas as principais empresas israelenses de armas - a grande maioria com um histórico comprovado de envolvimento direto nas violações do Direito Internacional, dos Direitos Humanos e do direito humanitário internacional - são convidadas como expositoras. Para as empresas israelenses a LAAD já foi no passado um espaço privilegiado para os contratos e joint ventures no Brasil e além.
A LAAD é, portanto, uma plataforma de estado patrocinado por empresas israelenses envolvidas em violações do Direito Internacional para obter lucros e ampliar a rede de cumplicidade no Brasil e na região.

5) Publicidade para Israel na América Latina

Pelo menos em um caso foi relatado que as autoridades brasileiras convidaram seus homólogos latino-americanos para participar de uma apresentação de armas israelenses, agindo assim como agentes de relações públicas da indústria israelense de armas na região.
A demonstração de 2009 da IAI’S Heron UAV não só incluía vários ministros do governo brasileiro e funcionários das forças armadas que estavam ali para louvar as habilidades do Heron. Relatórios do IAI registraram que a demonstração também contou com altos representantes militares e civis de vários países latino-americanos "que foram convidados pela Polícia Federal."

Além disso, o quadro da cooperação e integração Sul e Latino Americanas como o Conselho de Defesa Sulamericano da UNASUL visa entre outros "promover o intercâmbio e a
cooperação no domínio da indústria de defesa." As decisões sobre as políticas brasileiras e suas joint ventures, sendo o Brasil a maior economia e o maior produtor de armas no subcontinente, portanto, têm um efeito regional direto. A integração estreita entre os brasileiros e a indústria armamentista israelense garante uma porta para a indústria de armas israelenses para outros mercados sul-americanos que, em alguns casos, não estariam tão interessados em cooperação com empresas israelenses.

3. Visão geral dos interesses dos produtores israelenses de armas no Brasil

Este relatório não abrange todos os interesses dos produtores de armas israelenses, mas, apenas tem como objetivo mostrar alguns exemplos.
 
a) Elbit Systems Ltd.

A Elbit está ativa no Brasil há 15 anos, de acordo com o presidente da empresa "Nós identificamos o potencial do país no início e fomos os primeiros [das empresas israelenses] a se tornar parte de sua grande e avançada indústria aeroespacial."
O total de operações da companhia no mercado brasileiro foi de 750 milhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos e atingiu um pico de US $ 70 milhões em 2008. A Elbit Systems está antecipando um crescimento anual de 30% para os próximos cinco anos e o ano de 2010 parece destinado a ser um ano excepcionalmente bom para a Elbit no Brasil.

O envolvimento da Elbit em violações do Direito Internacional
por Israel 

 Ataques a civis e assassinatos extrajudiciais: A Elbit fornece uma variedade de UAVs para as Forças de Ocupação Israelense (IOF). O Centro Palestino para os Direitos Humanos documentou que a IOF utilizou estas UAVs em ataques que mataram dezenas de civis durante a guerra de Gaza e salienta que as operações israelenses tinham como alvo civis palestinos, em violação da lei internacional que exige distinção entre civis e proporcionalidade. Homicídios intencionais são considerados uma violação grave da IV Convenção de Genebra. Em um dos ataques, 12 muçulmanos foram mortos e 30 feridos (3 vieram a morrer devido aos ferimentos, elevando o total para 15). Organizações internacionais também documentaram o papel das UAVs em ataques a alvos civis. Human Rights Watch documentou seis casos claros de ataques irresponsáveis sobre os civis, resultando em 29 mortes, que usaram as UAVs da Elbit.

Construção do muro e os assentamentos. A Elbit e suas subsidiárias fornecem e instalam cercas eletrônicas de detecção e câmeras LORROS de vigilância para o Muro na área de Jerusalém, bem como ao redor do assentamento ilegal de Ariel; desenvolveu veículos terrestres não tripulados (UGVs), que são usados para ajudar as rotas de patrulhamento ao longo da zona tampão "proibida"; o sistema de TORC2H da Elbit, que se destina a reforçar as atividades de patrulha na fronteira, coletando dados e divulgando para as tropas, foi instalado no comando central no centro de Israel, facilitando a fiscalização remota das áreas específicas ao longo do Muro. A construção do Muro e os assentamentos são grave violações da IV Convenção de Genebra de acordo, por exemplo, com a opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça sobre o muro, de 9 de julho de 2004. 

Presença no Brasil:
 
AEL, Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Optrônicos Equipamentos SA
("Periscópio")

A Elbit se comprometeu seriamente com o mercado brasileiro em julho de 2001, quando adquiriu a Aeroeletrônica Indústria de Componentes Aviônicos (AEL). O negócio de 2,3 milhões de dólares deu a Elbit controle da maioria das ações, permitindo o uso das instalações da AEL para os sistemas de atualização da força aérea brasileira Northrop F-5s.
O negócio era parte de uma política destinada a operar empresas locais, a fim de ganhar as concessões do governo.

 A AEL está localizada em Porto Alegre e emprega cerca de 130 trabalhadores. A empresa desenvolve e fabrica sistemas aviônicos vendidos no Brasil e na América Latina, e fornece serviços de manutenção para estes sistemas. De acordo com a Elbit a empresa realiza engenharia, manufatura e atividades de apoio logístico para defesa e em aplicações comerciais desenvolvidas pela empresa israelense no Brasil. 

Em 30 de dezembro de 2009 a Elbit adquiriu duas outras empresas produtoras de armas brasileiras: Ares Aeroespecial e Defesa SA ("Ares") e Periscópio Equipamentos Optrônicos SA
("Periscópio"). Os negócios incluíram um total de dezenas de milhões de reais. Embora a Elbit seja agora a dona dessas empresas tem assegurado a seus acionistas que eles continuarão participando na gestão das empresas.

Ares e Periscópio estão trabalhando no setor de sistemas eletrônicos de defesa e fornecem ao Exército Brasileiro, assim como a outros mercados na América do Sul diferentes produtos. Elas estão localizadas na área do Rio de Janeiro e empregam cerca de 70 trabalhadores.

Contratos:

Força Aérea Brasileira, 2001: O negócio começa com os contratos para o Programa Brasileiro de Modernização de aeronaves F-5. O programa prevê a modernização das 46 aeronaves F-5 da Força Aérea Brasileira, e os contratos com a Elbit estão com a Embraer e com o Governo brasileiro, num valor total de aproximadamente US $ 230 milhões a ser realizado durante um período de oito anos. Em janeiro de 2007 foi concedido a Elbit Systems um pedido adicional do governo brasileiro para a integração de recursos mais avançados na aeronave F-5 e também para a criação de um centro de manutenção no país com base na AEL. 

Força Aérea Brasileira, 2002: Contratos foram concedidos a Elbit Systems por parte do Governo brasileiro e por uma filial da Empresa Brasileira de Aeronáutica SA (Embraer) para as fases de produção e apoio logístico ao programa Aeronaves Super Tucano AL-X para a Força Aérea Brasileira. Os contratos foram avaliados em mais de US $ 80 milhões e foram realizados durante um período de aproximadamente quatro anos.

Força Aérea Brasileira, 2007: O governo brasileiro ea Embraer testaram opções de sistemas aviônicos para um adicional de 23 aeronaves AL-X. As entregas estão programadas para 2009.

Força Aérea Brasileira, 2008: Elbit ganha contrato da Embraer para fornecer aviônicos e sistemas EW de guerra eletrônica para o programa de atualização do jato AMX para a Força Aérea Brasileira. O contrato é de um montante total de aproximadamente US $ 187 milhões, e a primeira fase do programa de um montante de aproximadamente US $ 67 milhões já foi implementada. O contrato deve ser executado até 2014. Uma subsidiária da Elbit, a Elisra, assim como a filial brasileira a AEL, estão realizando porções significativas do programa. A subsidiária brasileira Aeroeletrônica SA (AEL), propriedade integral da Elbit, em Porto Alegre-Brasil fornecerá o computador central da missão de batalha do AMX, assim como os sistemas de exibição, o sistema de gerenciamento de munições e sistemas adicionais. A subsidiária israelense da Elbit, a Elisra Electronic Systems Ltd., fornecerá o sistema de guerra eletrônica (EW) como subempreiteira principal da AEL. A AEL já está fazendo atualizações dos sistemas aviônicos sob contratos anteriores para os 46 caças brasileiros modernizados F-5BR (2001, 2007), aviônicos originais e pedidos de equipamentos para 99 EMB-314 Super Tucanos observadores e de turboélices de ataque leve (2002, 2007) em 2011.

Exército Brasileiro, 2009: A Elbit consegue seu primeiro contrato com o Exército Brasileiro de torres não tripuladas para serem instaladas em veículos blindados.

O projeto Guarani: A subsidiária da AEL ganhou um contrato de US $ 260 milhões para torres de veículos armados não tripulados para o projeto Guarani do Brasil. Este contrato é a continuação do contrato de 2009, quando a Elbit entregou as primeiras torres não tripuladas para o Brasil. As novas torres suportam canhões de montagem automática de 30 milímetros e serão integrados aos veículos VBTP-MR Guarani blindados 6 × 6, desenvolvidos pela Iveco, de acordo com a Defesa Update, uma publicação israelense. O sistema de torre blindada UT-30BR inclui um cabo coaxial para montar uma metralhadora de 7,62 milímetros, um avançado sistema de controle de fogo com acompanhamento automático do alvo,
computação balística, gestão de sensores e displays. As entregas das torres não tripuladas serão determinadas de acordo com um calendário e um perfil de financiamento plurianual a ser definido pelas partes.

Este projeto que irá fornecer o exército brasileiro com 3.000 novos tanques em 2030 teve início em 2007. A subsidiária da Fiat, IVECO, ganhou o contrato para desenvolver os novos tanques no Brasil. Os tanques de 18 toneladas com a opção amphibia são produzidos em Sete Lagoas.

Exército Brasileiro, 2010: Em 11 de dezembro o Brasil comprou duas UAVs Hermes 450 e uma estação terrestre da Aeroeletrônica em Porto Alegre para uso militar.
 
Exército Brasileiro, 2011: Duas UAVs Hermes 450 adquiridas para uso militar.

b) Indústria Israelense das Forças Aéreas (IAI):

Envolvimento da IAI em violações do Direito Internacional por
Israel

Ataques contra civis e assassinatos extrajudiciais. A IAI fornece uma variedade de UAVs para a IOF e é uma das principais fornecedoras de armas para as forças armadas israelenses, fornecendo entre outras coisas mísseis e aviões de combate. O Centro Palestino para os Direitos Humanos documentou que a IOF usou UAVs em ataques que mataram dezenas de pessoas durante a guerra de Gaza e salienta que as operações israelenses tiveram a intenção de atingir civis palestinos em violação da lei internacional que exige distinção entre civis e proporcionalidade no ataque. Homicídios intencionais são considerados uma violação grave da IV Convenção de Genebra. Em um dos ataques, 12 muçulmanos foram mortos e 30 feridos (3 viriam a morrer devido aos ferimentos, elevando o total para 15). As organizações internacionais também documentaram o papel de UAVs em ataques a alvos civis. Human Rights Watch documentou seis casos claros de ataques irresponsáveis sobre os civis, resultando em 29 mortes usando as UAVs da IAI.

Construção do Muro e assentamentos. Através da subsidiária Tamam, a IAI fornece tecnologia de vigilância para o Muro, em uma variante particular do Plug-in Optronic Payload (POP), originalmente concebido para helicópteros. O POP inclui uma matriz de plano focal de imagem térmica, câmera de cor e ponteiro a laser [e funciona] em faixas de "alguns quilômetros" de distância. A construção do muro e dos assentamentos constituem graves violações da IV Convenção de Genebra de acordo, por exemplo, com a opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça sobre o muro, 09 de julho de 2004.

Presença no Brasil: 

Bedek e EAE


Bedek: A Bedek é a subsidiária da Indústria Aerospacial de Israel, uma empresa multinacional, atendendo a clientes em todo o mundo. Bedek presta serviços de manutenção pesada de aeronaves, motores e componentes, incluindo manutenção pesada, modificações, upgrades, conversões e programas de desenvolvimento. Bedek tem linhas paralelas de conversão em Israel e no Brasil. Bedek usa os centros de manutenção TAP M & E Brasil (outrora VEM Manutenção e Engenharia). TAP M & E Brasil tem cerca de 2.650 funcionários distribuídos em dois grandes Centros de Manutenção - no Rio de Janeiro-Galeão e em Porto Alegre.

EAE: Em 30 de março de 2009, o Conselho de Administração da Indústria Aerospacial de Israel confirmou a criação de uma joint venture com a corporação brasileira Synergy Group, controlada pelo CEO bilionário German Efromovich. Cada grupo vai investir um montante inicial de aproximadamente US $ 750.000 para estabelecer a EAE, que quer ser ativa no mercado brasileiro, assim como outros potenciais mercados latino-americanos. O anúncio de março de 2009 afirmou também a intenção de criar escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo, com capacidade industrial inicial nas instalações aeroespaciais e estaleiros da Synergy. Instalações serão acrescentadas de acordo com o crescimento da empresa.

Esta empresa comum irá prestar serviços de manutenção e suporte ao cliente para vários sistemas IAI em uso na América Latina, incluindo os UAVs. A empresa JV também vai expandir seu escopo de atividades através da aquisição de empresas locais. Nas suas atividades de defesa a JV oferecerá sistemas avançados, como os UAVs, sistemas de mísseis, radares, guerra eletrônica e sistemas de inteligência.

O acordo entre a IAI e Embraer inclui também um pacto em que ambas se comprometem a aumentar a cooperação em áreas que abrangem os veículos aéreos não tripulados, radares multi-missão, sistemas de navegação inercial, plataformas marítimas e sistemas de defesa de fronteiras e litorais. Ele também abrange serviços de atualização e conversão de aeronaves civis e militares.

EAE trabalhará no co-desenvolvimento de projetos com o Ministério da Defesa, com as Forças Armadas brasileiras e suas instituições de pesquisa e desenvolvimento, bem como  instituições acadêmicas e outras empresas locais. A EAE também vai ampliar seu escopo para incluir aquisições estratégicas de empresas locais no Brasil.

Contratos: 

Vários, a partir de 2004: A primeira entrega que a Bedek fez foi de atualizações B767-200BDSF para aviões brasileiros foi no início de 2004 (para a ABX), seguidos por 25 767-200BDSF convertidos em Israel e no Brasil, que estão atualmente voando para ABX, TAMPA, e Ar Star. Outras aeronaves estão atualmente em processo de conversão.

Polícia Federal, 2009: Em 3 de agosto de 2009 a UAV Heron fez uma demonstração de sucesso no Brasil a pedido da polícia federal brasileira que está testando UAVs para utilização em vários fins, incluindo a segurança das fronteiras, contrabando, roubo de recursos naturais e preocupações com o tráfico de drogas. Os aviões voaram no estado do Paraná e na região de São Miguel do Iguaçú. Após uma série de testes a equipe decidiu que a UAV Heron da IAI foi a mais adequada para o que a polícia queria: a retransmissão de dados e inteligência em tempo real, realizando uma série de sensores simultaneamente e utilizando a comunicação via satélite e Decolagem e Pouso automáticos (ATOL).

Polícia Federal, 2010: Em 12 novembro de 2010 a Força Militar Channel informou que um funcionário do ministério da Defesa havia informado a eles que a IAI assinou um contrato de 350 milhões de dólares para fornecer UAVs Heron à polícia brasileira. O negócio teve duas fases. A primeira fase inclui a transferência de três veículos aéreos não tripulados juntamente com equipamentos, incluindo uma estação base e sistemas de controle e fiscalização para a polícia federal do Rio. A segunda etapa adicionou 11 drones (aeronaves teleguiadas) adicionais. A fonte da Força Militar Channel acrescentou que os drones serão utilizados para apoiar as medidas de segurança durante a Copa de 2014 e durante os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil e que sua entrega começará em alguns meses. Ele ainda explicou que a polícia brasileira está sendo treinada em Israel para usar as UAVs.

Exército brasileiro, incerto: A IAI ainda está fornecendo sistemas de radar para a renovação liderada pela Embraer das aeronaves de combate Douglas A-4 da Marinha brasileira. A empresa israelense também revisará os motores.

Exército Brasileiro, 2011: Em Janeiro de 2011 Flightglobal informou que a IAI havia oferecido os seus sistemas, incluindo cabines de aeronaves e sistemas de auto-proteção para possível integração com o desenvolvimento do navio-tanque / transporte Embraer KC-39042.
 
Fontes dizem que a Embraer também está oferecendo aeronaves de missão especial equipadas com inteligência eletrônica ou sistemas de detecção aérea de alerta precoce, com base na experiência da IAI. A empresa subsidiária Elta Systems já desenvolveu derivados de vigilância do jato Gulfstream G550.




Imagem: Google








  
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