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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Michel Chossudovsky: A opção salvadorenha para a Síria



Modelado nas operações secretas dos EUA na América Central, a "opção salvadorenha para o Iraque", iniciada pelo Pentágono em 2004 foi executada sob o comando do embaixador dos EUA no Iraque John Negroponte (2004-2005) em conjunto com Robert Stephen Ford, que em janeiro de 2011 foi nomeado embaixador dos EUA na Síria, menos de dois meses antes de começar a insurgência armada contra o governo de Bashar al-Assad.


Por Michel Chossudovsky, no GlobalResearch 
 
"A opção salvadorenha" é um "modelo terrorista" de assassinatos em massa por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA. Ela foi aplicada primeiramente em El Salvador, no auge da resistência contra a ditadura militar, resultando em cerca de 75 mil mortes.

John Negroponte foi embaixador dos EUA em Honduras de 1981 a 1985. Como embaixador em Tegucigalpa ele desempenhou um papel chave no apoio e supervisão dos mercenários Contra nicaraguenses que estavam baseados em Honduras. Os ataques além fronteiras dos Contra, na Nicarágua, ceifaram cerca de 50 mil vidas civis.

Em 2004, John Negroponte foi nomeado embaixador dos EUA no Iraque, com um mandato muito específico.

Negroponte, o arquiteto dos esquadrões da morte. O embaixador estadunidense na Síria (nomeado em janeiro de 2011), Robert Stephen Ford, fez parte da equipe de Negroponte na Embaixada dos EUA em Bagdá (2004-2005). A "Opção salvadorenha" para o Iraque estabeleceu as bases para o lançamento da insurgência na Síria, em março de 2011, a qual começou na fronteira Sul, na cidade de Daraa.

Em relação a acontecimentos recentes, as matanças e atrocidades cometidas que resultaram em mais de 100 mortes incluindo 35 crianças na cidade fronteiriça de Hula, em 27 de maio, eles foram, com toda a probabilidade, executados sob o que pode ser descrito como uma "Opção salvadorenha para a Síria".

O governo russo exigiu uma investigação

"À medida que a informação goteja de Hula, Síria, próxima à cidade de Homs e da fronteira sírio-libanesa, torna-se claro que o governo sírio não foi responsável por bombardear até à morte cerca de 32 crianças e seus pais, como é periodicamente afirmado e negado pelas mídias ocidentais e mesmo a própria ONU. Parece, ao invés, que havia esquadrões da morte em quarteirões próximos – acusados por "ativistas" anti-governo como sendo "bandidos pró-regime" ou "milícias" e pelo governo sírio como trabalho de terroristas da Al-Qaida ligados a intrusos estrangeiros". (Ver Tony Cartalucci, Syrian Government Blamed for Atrocities Committed by US Sponsored Deaths Squads , Global Research, May 28, 2012)

O embaixador Robert S. Ford foi despachado para Damasco no fim de janeiro de 2011 no momento do movimento de protesto no Egipto. (O autor estava em Damasco em 27 de janeiro de 2011 quando o enviado de Washington apresentou as suas credenciais ao governo Al-Assad).

No princípio da minha visita à Síria, em janeiro de 2011, refleti sobre o significado desta nomeação diplomática e o papel que poderia desempenhar num processo encoberto de desestabilização política. Não previ, contudo, que esta agenda de desestabilização seria implementada dentro de menos de dois meses a seguir à posse de Robert S. Ford como embaixador dos EUA na Síria.

O restabelecimento de um embaixador dos EUA em Damasco, mas mais especificamente a escolha de Robert S. Ford como embaixador dos EUA, dá azo a um relacionamento direto com o início da insurgência integrada por esquadrões da morte em meados de março de 2011, contra o governo de Bashar al-Assad.

Robert S. Ford era o homem para este trabalho. Como "Número Dois" na embaixada do EUA em Bagdá (2004-2005) sob o comando do embaixador John D. Negroponte, ele desempenhou um papel chave na implementação da "Opção salvadorenha no Iraque" do Pentágono. Esta consistiu em apoiar esquadrões da morte e forças paramilitares iraquianas modeladas na experiência da América Central.

Desde a sua chegada a Damasco no fim de janeiro de 2011 até ser chamado de volta a Washington em outubro de 2011, o embaixador Robert S. Ford desempenhou um papel central em preparar o terreno dentro da Síria bem como em estabelecer contatos com grupos da oposição. A embaixada do EUA foi a seguir encerrada em fevereiro. Ford também desempenhou um papel no recrutamento de mercenários mujaedines junto a países árabes vizinhos e na sua integração dentro das "forças de oposição" sírias. Desde a sua partida de Damasco, Ford continua a supervisionar o projeto Síria fora do Departamento de Estado dos EUA.

"Como embaixador dos Estados Unidos junto à Síria – uma posição que o secretário de Estado e o presidente mantêm – trabalharei com colegas em Washington para apoiar uma transição pacífica para o povo sírio. Nós e nossos parceiros internacionais esperamos ver uma transição que estenda a mão e inclua todas as comunidades da Síria e que dê a todos os sírios esperança de um futuro melhor. O meu ano na Síria diz-me que uma tal transição é possível, mas não quando um lado inicia constantemente ataques contra pessoas que se abrigam nos seus lares". ( US Embassy in Syria Facebook page )

"Transição pacífica para o povo sírio"? O embaixador Robert S. Ford não é um diplomata vulgar. Ele foi o representante dos EUA em Janeiro de 2004 na cidade xiita de Najaf, no Iraque. Najaf era a fortaleza do exército Mahdi. Poucos meses depois ele foi nomeado o "Homem Número Dois" (Ministro Conselheiro para Assuntos Políticos) na embaixada dos EUA em Bagdá no princípio do mandato de John Negroponte como embaixador no Iraque (junho 2004 – abril 2005). Ford a seguir serviu sob o sucessor de Negroponte, Zalmay Khalilzad, antes da sua nomeação como embaixador na Argélia em 2006.

O mandato de Robert S. Ford como "Número Dois" sob o comando do embaixador Negroponte era coordenar fora da embaixada o apoio encoberto a esquadrões da morte e grupos paramilitares no Iraque tendo em vista fomentar a violência sectária e enfraquecer o movimento de resistência.

John Negroponte e Robert S. Ford, na embaixada dos EUA, trabalhavam em estreita colaboração no projeto do Pentágono. Dois outros responsáveis da embaixada, principalmente Henry Ensher (vice de Ford) e um responsável mais jovem na seção política, Jeffrey Beals, desempenharam um papel importante na equipe "conversando com um conjunto de iraquianos, incluindo extremistas". (Ver The New Yorker, March 26, 2007). Outro ator individual chave na equipe de Negroponte era James Franklin Jeffrey, embaixador dos EUA na Albânia (2002-2004).

Vale a pena notar que o recém nomeado chefe da CIA nomeado por Obama, general David Petraeus, desempenhou um papel chave na organização do apoio encoberto a forças rebeldes da Síria, na infiltração da inteligência síria e nas forças armadas.

Petraeus desempenhou um papel chave na "Opção salvadorenha do Iraque". Ele dirigiu o programa "Contra-insurgência" do Comando Multinacional de Segurança de Transição em Bagdá em 2004 em coordenação com John Negroponte e Robert S. Ford na Embaixada dos EUA.

A CIA supervisiona operações secretas na Síria. Em meados de março, o general David Petraeus encontrou-se com seu confrades da inteligência em Ancara, para discutir apoio turco ao Free Syrian Army (FSA) (CIA Chief Discusses Syria, Iraq With Turkish PM , RTT News, March 14, 2012)

David Petraeus, o chefe da CIA, efetuou reuniões com altos oficiais turcos ontem e em 12 de março, soube o Hürriyet Daily News. Petraeus encontrou-se ontem com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e seu colega turco, Hakan Fidan, chefe da Organização de Inteligência Nacional (MIT), no dia anterior.

Um responsável da Embaixada dos EUA disse que responsáveis turcos e americanos discutiram "muito frutuosamente as mais prementes questões da cooperação na região para o próximos meses". Responsáveis turcos disseram que Erdogan e Petraeus trocaram pontos de vista sobre a crise síria e o combate anti-terror. (CIA chief visits Turkey to discuss Syria and counter-terrorism | Atlantic Council , March 14, 2012)

Ver também:
 

Dr Bashar Al-Ja’afari’s Press Conference at the UN (resposta do embaixador da Síria à declaração da ONU acerca do massacre de Hula)
Phony ‘Hula Massacre’: How Media Manipulates Public Opinion For Regime Change in Syria
Syria: Guardian's Hula Massacre Propaganda Stunt Uses "Little Kid". Another case of reckless journalism aimed at selling war






Fonte: Resistir.Info,  Original no GlobalResearch
Imagem: Google (colocadas por este blog)

terça-feira, 29 de maio de 2012

Apelo do Dr. Rath às pessoas da Alemanha, da Europa e de todo mundo, Berlim 13.03.2012



Reproduzo aqui o excelente vídeo que assisti no Blog infinitoaldoluiz




Vivemos em tempos de mudança!
Claro que o Status Quo tenta defender-se contra isto.

 
Se tiver algumas questões, visite-nos: http://www.wiki-rath.org/



A partir deste evento realizado a 13.03.2012 em Berlim, o Dr. Rath apela às pessoas na Alemanha e na Europa para assumirem responsabilidades. É um apelo para construir juntamente uma Europa democrática para o povo e pelo povo -- e para um sistema de saúde orientado na prevenção e eliminação de doenças, a nível mundial. Os resultados disponíveis de pesquisa de terapias naturais, cientificamente comprovados, demonstra que a aplicação destes conhecimentos vai diminuir muitas doenças comuns a uma fracção de seu estado presente. Infelizmente, este "mundo deslumbrante sem doenças" não nos é oferecido, pois cada uma destas doenças representa um mercado de biliões para a indústria farmacêutica. Se querermos criar este mundo para nós e para os nossos filhos, então temos que nos empenhar. Agora!

A 13 de Novembro de 2007 realizou-se na cidade polaca de Auschwitz, o local do "Campo de concentração Nazi de Auschwitz", um acontecimento histórico.
Nesta cidade, onde se cometeram os maiores crimes contra a humanidade, surgiu o plano para uma nova Europa. Tomando em conta o papel importante do cartel petrolífero como do cartel farmacêutico na segunda guerra mundial e nos crimes cometidos em Auschwitz, os sobreviventes do "Campo de concentração" levantaram mais uma vez a sua voz moral -- possivelmente pela ultima vez -- para exigir do povo uma Europa para o povo.


http://www.eu-referendum.org/english/petitions/europe_for_the_people_info.html


Além do mais eles entregaram ao Dr. Rath e á Fundação o prémio "Relay of Life" com o mandato de ajudar a levar a mensagem "Nunca mais" para a próxima geração. 


O discurso do Dr. Rath na recepção do prémio está aqui documentado:








Fonte: retirado do Blog infinitoaldoluiz

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Venezuela afirma que cabo de fibra ótica para Cuba está operando



Marina Terra | Opera Mundi

Com isso, país caribenho terá acesso mais fácil à internet, sem precisar utilizar a telefonia via satélite.





O governo da Venezuela informou que o o cabo de fibra ótica submarino conectado com Cuba está em funcionamento. Isso significa que o país caribenho, antes dependente da telefonia via satélite, poderá acessar a internet com mais facilidade e rapidez. O embargo dos Estados Unidos impedia que Cuba ligasse cabos a outros países.



O ministro venezuelano do Poder Popular para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge Arreaza, lembrou nesta quinta-feira (24/05) que o projeto, que custou 70 milhões de dólares, tem um ano e soma 600 quilômetros de cabo da Venezuela até a ilha, tento ainda outros 236 quilômetros até a Jamaica.

"Agora basta Cuba acionar o cabo. É um país soberano, eles decidirão quando isso irá acontecer", sublinhou. Ele também destacou que a capacidade do cabo submarino é de 640 gigabytes por segundo. O projeto foi executado pela empresa francesa Alcatel-Lucent.

Em coletiva de imprensa em Caracas, Arreaza recordou que a Venezuela já tem conexão por meio dessa tecnologia com Colômbia, Brasil e o Caribe. "Na Venezuela, o cabo submarino nos permite novas conexões e alimentar as redes internas de fibra ótica."






* Com informações da AVN (Agência Venezuelana de Notícia) e CubaDebate

Fonte: Retirado do site Solidários

Defesa da soberania une povo sírio






Face aos relatos difundidos pela generalidade da comunicação social relativos à situação na Síria, Tiago Vieira e Filipe Ferreira admitem ter partido com expectativas ensombradas quanto ao que iriam encontrar. Na verdade, constataram que a vida em Damasco e Lathakia – as cidades que visitaram integrados numa delegação composta por organizações de 24 países – prossegue com relativa normalidade.

As ruas apresentavam o movimento de "cidades agitadas", com "pessoas ocupadas pelo quotidiano", por aqueles dias "rodeadas de propaganda eleitoral", lembrou Tiago Vieira. "Os cafés, bares e lojas, os transportes e os serviços públicos funcionavam sem sobressaltos e os mercados encontravam-se abastecidos de produtos frescos", acrescentou Filipe Ferreira, isto apesar das autoridades admitirem que os ataques dos bandos armados nas zonas agrícolas têm afastado muita gente do trabalho no campo, com consequências na produção de bens, e das sanções impostas pelas potências imperialistas terem algum impacto econômico, explicou o dirigente do CPPC.

A imagem de um país repleto de polícias e militares revelou-se igualmente falsa. "Alguns membros da delegação que integrámos notaram mesmo que nos seus países a presença de forças da ordem é muito mais ostensiva", disseram.

A quebrar a normalidade, apenas as medidas tomadas para a protecção dos edifícios públicos, o que não causa estranheza dados os ataques bombistas dos últimos meses na Síria.

"Um dia estávamos a jantar no centro de Damasco e um amigo telefonou-me muito preocupado com as informações que estavam a ser difundidas em Portugal. Disse-me que se falava de bombardeamentos e caos na cidade. Eu respondi-lhe que não se passava nada", relatou Tiago Vieira.

"Isto não quer dizer que não há combates. Há. Mas o ambiente de conflito e insegurança permanentes é falso", afirmou.

Conflito manipulado

A manipulação da informação sobre os acontecimentos na Síria foi, aliás, uma das marcas mais impressivas da viagem, referiram. "Chegamos a sentir-nos perplexos com a diferença entre a realidade que observávamos e a informação veiculada pelos media", frisou Tiago Vieira.

Saliente na experiência de Tiago Vieira e Filipe Ferreira, também, "o grande sentimento de unidade daquele povo, não necessariamente em torno do governo, mas em defesa da soberania e independência do país", esclareceu o dirigente da JCP.

"Foi interessante ouvir as críticas ao governo sírio, mas, ao mesmo tempo que o faziam, as pessoas repudiavam os actos terroristas", aduziu ainda Tiago Vieira.

"Abordavam-nos na rua pensando que éramos observadores da ONU. Explicávamos que não e elas prosseguiam a conversa, pedindo que, nos nossos países, descontruíssemos a ideia criada em relação aos acontecimentos na Síria", disse, por seu lado Filipe Ferreira.

Para o dirigente do CPPC, outro facto relevante foi o apuramento dos dados do conflito. "As autoridades disseram-nos que, em média, são mortos pelos terroristas 15 soldados por dia" e "admitiram que actualmente os confrontos ocorrem no Norte do território e nas zonas de fronteira com o Líbano e a Turquia", sobretudo "com incursões relâmpago".
"Ninguém nos ocultou a realidade", insistiu Filipe Ferreira. Para além da liberdade de que gozaram para falar com a população, "vimos a entrega de corpos de soldados mortos às respectivas famílias. Visitámos hospitais e falámos com militares feridos que, na sua maioria, nos diziam ter combatido bandos onde operavam estrangeiros, facto que reforça a ideia de que na Síria estão em acção muitos mercenários".

Os representantes do governo com quem os membros da delegação falaram "também nos confirmaram que são precisamente esses mercenários os responsáveis pela esmagadora maioria dos mortos nas manifestações", chegando mesmo a "descarregar metralhadoras contra os manifestantes para criar o tal clima de medo e caos que tem sido propagandeado", precisou Tiago Vieira.

Futuro nas mãos do povo

Integrados no programa da visita acolhida pela União Nacional de Estudantes Sírios, estiveram, igualmente, contactos e reuniões com várias organizações políticas, sociais e sindicais sírias, com líderes religiosos e comunitários.

O balanço que Tiago Vieira e Filipe Ferreira fazem destes encontros é positivo, sobretudo porque permitiram perceber que a contestação a certas orientações governamentais é real e encarada pelo regime com normalidade, e que essas mesmas «políticas de cariz neoliberal, de privatizações" estiveram na base do "agravamento do desemprego ou a subida da inflação", destacou Tiago Vieira.

A questão é que, a dada altura, "as facções reaccionárias que pretendiam transformar o movimento reivindicativo num promotor da guerra civil e da intervenção estrangeira escorraçaram as organizações de cariz progressista".

Filipe Ferreira vai mesmo mais longe e recorda que
"grande parte da oposição desvinculou-se do caminho violento e, percebendo que estava em causa a soberania e independência, encetaram um processo de diálogo com o governo e uniram-se em torno da ideia de que o futuro do país só pode ser decidido pelo povo sírio".







Fonte: Cebrapaz
Imagem: Google (colocada por este blog)

domingo, 27 de maio de 2012

A intervenção criminosa dos EUA em Honduras e América Central

 

 O recente massacre de integrantes da comunidade miskita no Rio Patuca, em Honduras, no último 11 de maio, quando dois helicópteros da agência anti-drogas dos EUA (DEA sigla em inglês), dispararam sobre uma canoa onde trabalhavam camponeses, matando duas mulheres grávidas, dois homens e ferindo gravemente a outros quatro.

Por Rina Bertaccini*


Este fato evidencia não só a continuidade do terrorismo de Estado imposto pelo golpe militar de 2009 contra o presidente Manuel Zelaya, mas também a trágica ocupação militar norte-americana no país.

Por trás deste ataque que "se investiga" em Washington, segundo informam, não só se adverte a militarização estadunidense de Honduras, com cinco bases e centros de operações além da base de Palmerola (estratégica para a IV Frota) , mas que se trata de um ataque direto contra os miskitos, para facilitar a ocupação da zona e a imposição do corredor mesoamericano de agro combustíveis.


Os assassinatos cotidianos de camponeses, dirigentes sindicais e políticos, professores, estudantes e jornalistas, neste caso somam 25 assassinatos desde princípios de 2010, permite comprovar que o atual governo de Porfírio Lobo, surgido das eleições convocadas e digitadas pelos militares golpistas de junho de 2009, é só uma continuação desta ditadura.


Os assassinatos cometidos pela força de ocupação neste país são cotidianos e evidenciam que esse é o projeto-roteiro dos Estados Unidos para a América Latina, se deixarmos avançar. A taxa de crimes chega a 86,5% para cada cem mil habitantes. Estima-se que cerca de 700 homicídios mensais e umas 20 vítimas diárias. Destes homicídios 55% ocorreram na zona norte do país (Atlántida, Cortés e Morazán), 84, 6% com armas de fogo , e quase 28% dos assassinatos participaram pistoleiros.


Sabe-se que há assessores israelenses, paramilitares e pistoleiros colombianos, após um acordo dos golpistas com o ex-presidente da Colômbia Alvaro Uribe, assim como ex-militares argentinos e da Fundação Um América, que participou ativamente no golpe .


Centenas de pessoas foram detidas e torturadas. Mas por não poder quebrar a resistência e ao entender que não tem possibilidade de ganhar em novas eleições, a repressão aumenta a cada dia. Não podemos deixar o povo hondurenho sozinho. É nosso dever pronunciarmos solidariamente perante as enérgicas denúncias que as organizações populares de Honduras fazem, denúncias que a grande mídia silencia de maneira sistemática.


O mais grave, no caso dos miskitos foi a tentativa de justificação desses assassinatos por parte do Diretor de Polícia Nacional, Ricardo Ramírez Cid, que disse que "houve um intercambio de disparos na cena". Ainda quando se observou que as vítimas estavam desarmadas e os sobreviventes hospitalizados na La Ceiba relataram que atiraram a sangue frio com metralhadoras e granadas.


O mesmo acontece com os crimes e ameaças contra os campesinos de Aguán. O povo miskito é um dos mais golpeados pela tragédia da ocupação desse país centro-americano, assim como pela corrupção policial e militar no tema do narcotráfico, além do feudalismo imperante nessa zona do país, submersa numa enorme pobreza. Há mais de 1700 deficientes e dezenas de mortos na comunidade miskita.


O jornal New York Times em sua edição dia 5 de maio há um artigo dizendo que a "Armada dos Estados Unidos, usando lições do conflito da década passada (Iraque) na guerra que está sendo travada na selva miskita, construiu um acampamento (centro operativo) com pouca notoriedade pública, mas com apoio do governo hondurenho". O citado artigo reconhece a instalação de três "bases de operações avançadas" localizadas em Mocarón, Porto Castilha e El Aguacate".


O comando sul do pentágono está patrocinando em toda a américa centarl o que chamam "estados falidos" para justificar os intervenções em nome da segurança nacional, o velho esquema com que semearam ditaduras em todo o continente no século vinte. Essa direção aponta os "acordos de segurança" que os Estados Unidos veem estabelecendo com os países da região.


A situação de Honduras que se agrava cada dia somando milhares de mortos, se somam a tragedia mexicana, sobre a que se estende um silencio cumplice. Desde que o México assinou com os Estados Unidos o Plano Mérida no ano de 2006 (uma réplica do Plano Colômbia) e Washington enviou armas e assessores para uma suposta guerra contra o narcotráfico, mais de 55 mil pessoas foram sequestradas e assassinadas de forma atroz, semeando o terror no norte deste país.


Existem uns dez mil desaparecidos. As Forças Armadas interviram diretamente no conflito e ninguém ignora a esta altura dos acontecimentos que a maioria desses mortos não tem nada a ver com o narcotráfico e que Estados Unidos entregou armas aos paramilitares como os Zetas, como descobriu investigando a Operação Castaway (Operação Naufrago) ou Rápido e Furioso. Supostamente, se tratava de uma operação encoberta da DEA para entregar armas e "conhecer" as vias do contrabando. Mas essas armas foram parar nas mãos dos paramilitares mexicanos, que se treinaram na tortura com a população civil e com imigrantes que vão até os EUA e são assassinados e mutilados, como foram vistas aparições de cadáveres em distintos lugares.


México se converteu num estado falido e caótico que, segundo políticos republicanos, ameaça agora  "a segurança dos Estados Unidos", e portanto poderia ser passível de uma intervenção, especialmente se nas próximas eleições não ganham seus "escolhidos" como governantes. As armas dos EUA também foram para as "gangues" criadas neste país e, em seguida, enviadas para seus países de origem, tanto El Salvador como Honduras e Guatemala, com a finalidade de manter o crime e o caos.


Honduras sobre terrorismo de Estado encoberto e Guatemala, onde o feminicídio e a violência do velho militarismo e paramilitarismo contra-insugência se potencializa com a chegada a presidência de um oficial dos "Kaibiles" a força especial mais brutal de todos os tempos, preparada nos Estados Unidos e autora de crimes de contra a humanidade e de desaparecimento de aldeias inteiras, cuja população foi eliminada.


Estes integram a cifra de mais de 90 mil desaparecidos durante as ditaduras militares guatemaltecas, a mais alta da América Latina considerando, além disso, a população de pouco mais de dez milhões de habitantes.  Esta é parte da realidade da América Central, ao que se soma ao governo direitista do Panamá, que já produziu matanças de indígenas, perseguição de trabalhadores e assinado com os Estados Unidos a instalação de doze bases militares e centros operativos rodeando todo o país, que tinha conseguido se libertar do Comando Sul no fim de 1999.


A tragédia ilimitada na América Central continua com a virtual ocupação da Colômbia com pelo menos oito bases militares estrangeiras e um terrorismo de Estado encoberto faz anos e agora na suposta "Democracia de Segurança", onde continuam as matanças militares e paramilitares, dia após dia, e se impede qualquer processo de paz que signifique produzir uma verdadeira mudança neste país. Colombia é o país da América Latina que junto com a Guatemala, tem a maior cifra de mortos e desaparecidos do continente ao longo do século 20 e até agora neste século.


Perante esta realidade, ao que se unem os tratados de livre comercio assinados com vários governos da região, a invasão das agências dos Estados Unidos no continente e a militarização da região em ascensão, com as consequências sociais e políticas que estamos vendo, o Movimento pela Paz, Soberania e a Solidariedade entre os Povos (Mopassol), chama a organizações populares a estenderem sua solidariedade e realizar atos e demandas para deter o massacre dos povos irmãos e denunciar os graves perigos de uma aprofundamento da intervenção estrangeira, que inevitavelmente se estenderia até todo o continente.


É hora de dizer chega ao crime e deter a guerra de baixa intensidade, a invasão silenciosa das fundações do poder imperial e a militarização que tenta uma recolonização regional no século 21. 


 

* presidenta do Mopassol da Argentina e vice-presidenta do Conselho Mundial da Paz


Fonte: Vermelho

John Pilger: Agora, todos são suspeitos…

 

Agora que os EUA estão em guerra permanente com o resto do mundo, todos estamos na linha de fogo. O que fazer então?

Por John Pilger*

Todos são potenciais terroristas. Não interessa que se viva na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos, na Austrália ou no Oriente Médio. Na verdade, a cidadania foi abolida. Ligue-se o computador e o centro de operações de segurança nacional do Departamento de Estado pode verificar se se está teclando não só "al-Qaeda", mas também "exercício", "furo", "onda", "iniciativa" ou "organização", todas elas palavras proscritas.

O anúncio pelo governo britânico de que pretende espiar todos os emails e chamadas telefônicas é coisa velha. O satélite aspirador conhecido por Echelon tem estado a fazer isso há anos. O que há de novo é estado de guerra permanente desencadeado pelos EUA e o estado policial que está consumindo a democracia ocidental.

O que fazer?


Através do espelho

Na Grã-Bretanha, há tribunais secretos tratando de "suspeitos terroristas", sob instruções da CIA. O habeas corpus está moribundo. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu que cinco homens, incluindo três cidadãos britânicos, podem ser extraditados para os EUA, embora apenas um deles tenha sido acusado de um crime. Todos estão presos há anos ao abrigo do tratado de extradição 2003 EUA/RU, assinado um mês após a criminosa invasão do Iraque.
O Tribunal Europeu condenou este tratado como passível de conduzir a "castigos estranhos e cruéis".

A um dos homens, Babar Ahmad, foram concedidas a título de compensação £63 mil por 73 ofensas registadas sofridas sob custódia da Polícia Metropolitana. Uma das mais notórias foi abuso sexual, típica do fascismo. Outro dos homens é um esquizofrênico que teve colapso mental total e se encontra no hospital Broadmoor. Outro é um que corre risco de suicídio. Vão para a "Terra da Liberdade", junto com o jovem Richard O’Dwyer, que enfrenta dez anos algemado e de fato-macaco laranja (farda prisional americana – N.T.) porque alegadamente infringiu o copyright americano na internet.

Da forma como a lei está sendo politizada e americanizada, estas coisas estranhas não são raras. Na elaboração da acusação contra um estudante universitário de Londres de nome Mohammed Gul, por disseminar "terrorismo" na internet, os júris do Tribunal de Recurso estabeleceram que "atos… contra as forças armadas de um Estado em qualquer parte do mundo que procurem influenciar o governo e forem feitos com objetivos políticos" são agora crimes. É de chamar ao banco dos réus Thomas Paine, Aung San Suu Kyi e Nelson Mandela.

O que fazer?

O prognóstico é claro: a doença a que Norman Mailer chamou "pré-fascista" fez metástases. O procurador-geral dos EUA Eric Holder defende o "direito" do seu governo assassinar cidadãos americanos. Ao protegido Israel, permite-se que aponte as armas nucleares ao Irã, que não as tem. Neste mundo de espelhos, a mentira é generalizada. O massacre de 17 civis afegãos a 11 de março, incluindo pelo menos nove crianças e quatro mulheres, é atribuído a um soldado americano "canalha".

A "autenticidade" deste ponto de vista é garantida pelo presidente Obama, que "viu um vídeo" e o considera "prova concludente". Uma investigação parlamentar afegã independente conseguiu testemunhas oculares que deram provas evidentes de pelo menos 20 soldados, auxiliados por um helicóptero, terem arrasado as suas aldeias, matando e violando: ainda que acessoriamente mais mortífero, um normal "raide noturno" das forças especiais US.

Pegue-se a tecnologia de matar dos videogames – uma contribuição americana para a modernidade – e o comportamento é o mesmo. Mergulhadas nos valores da banda desenhada, fraca ou brutalmente treinadas, frequentemente racistas, obesas e chefiadas por uma classe de oficiais corrupta, as forças americanas transferem o homicídio doméstico para locais longínquos cujas desgraçadas lutas são incapazes de compreender. Uma nação que foi fundada com base no genocídio de uma população nativa dificilmente abandona o hábito. O Vietnã era "terra de índios" e os seus "ardis" e "chinesices" eram para serem "rebentados".

O rebentar de centenas, sobretudo mulheres e crianças, na aldeia vietnamita de My Lai, em 1968, foi também um incidente "canalha" e, com alguma irreverência, uma "tragédia americana" (título de capa da Newsweek). Apenas um dos 26 acusados foi condenado e mesmo esse foi deixado ir por Richard Nixon. My Lai está na província de Quang Ngai onde, conforme soube como repórter, se calcula que 50 mil pessoas tenham sido mortas por tropas americanas sobretudo nas chamadas "zonas de fogo livre".

Trata-se do modelo da guerra moderna. Tal como o Iraque e a Líbia, o Afeganistão é um parque temático para os beneficiários da nova guerra permanente da América: a Otan, as empresas de armamento e de alta tecnologia, os media e a indústria da "segurança" cuja contaminação lucrativa contagia a vida corrente. A conquista ou "pacificação" de território não interessa. O que interessa é a nossa pacificação, cultivar a nossa indiferença.

O que fazer?

Verdadeiros camaradas

A queda no totalitarismo tem marcos. Num dia destes, o Supremo Tribunal em Londres decidirá se o editor da WikiLeaks, Julian Assange, será extraditado para a Suécia. Caso este recurso final falhe, o facilitador do conhecimento da verdade a uma escala épica, sem acusação de qualquer crime, vai ter de enfrentar reclusão em isolamento e um interrogatório sobre alegações sexuais ridículas. Graças a um acordo secreto entre os EUA e a Suécia, pode ser "entregue" ao gulag americano em qualquer altura.

No seu próprio país, a Austrália, a primeiro-ministra Julia Gillard conspirou com aqueles de Washington a quem chama os seus "verdadeiros camaradas" para garantir que o seu concidadão seja vestido de fato-macaco laranja se se der o caso de voltar para casa. Em fevereiro, o seu governo escreveu uma "emenda WikiLeaks" ao tratado de extradição entre a Austrália e os EUA que torna mais fácil aos seus "camaradas" deitarem-lhe a mão. Deu-lhes inclusivamente o poder de aprovação sobre investigações de Liberdade de Informação, de forma a que o mundo exterior possa ser enganado, como é costume.

O que fazer?


 

*John Pilger é jornalista.
Fonte: Revista Fórum, Vermelho

sábado, 26 de maio de 2012

Pepe Escobar: “Como Osama reelege Obama”



 Acordo nuclear com o Irã? Retirada organizada do Afeganistão? A Eurozona arranjando pelo menos um pouco de fôlego? Petróleo a preços estáveis? Esqueçam. O eleitor estrangeiro crucialmente decisivo para Obama II na Casa Branca é Osama bin Laden. Chame de "para vencer, Obama dá um trato na estratégia Osama". 


Por Pepe Escobar, no Asia Times Online


Não surpreende que a estratégia para vencer tenha sido terceirizada para o combo Hollywood /Pentagon. Washington perdeu a Guerra do Vietnã, mas nas telas, venceu. A dona do Oscar, Kathryn (Hurt Locker/Guerra ao Terror) Bigelow já começou o processo de “vencer” a Guerra do Iraque nas telas – moralmente, que seja. Agora é hora de um novo projeto – outro filme, ainda sem título – sobre o raid “Pegue Osama”, em Abbottabad, em maio de 2011, e os eventos que levaram até o raid. Estrelando, POTUS (President of the US), como herói de seu próprio filme de ação.


Dê o fora, Homem Aranha!


Na essência, será um multimilionário spot de campanha eleitoral à moda Hollywood, de 90 minutos, que se verá em todas as telas dos EUA, vendendo Obama como o machão comandante-em-chefe que George W Bush sempre sonhou ser. É o mesmo modus operandi do recente Battleship [1] -- que não passa de comercial de recrutamento para a Marinha dos EUA, super berrado.


A organização de defesa do interesse público Judicial Watch, [2] com sede em Washington-DC, acaba de revelar vários documentos – 153 páginas de registros do Pentágono; 110 páginas de registros da CIA – apresentados como “tão difíceis de arrancar das mãos do governo Obama quanto comprar um bilhete premiado na lojinha de doces local”. A Judicial Watch precisou de nada menos que nove meses e um processo federal, para obrigar o governo Obama a mostrar os documentos.


Os documentos detalham o processo pelo qual Bigelow e seu roteirista Mark Boal converteram-se em darlings de ambos, do Pentágono e da CIA. E ganharam acesso privilegiado ao “estrategista, planejador, operador e comandante do Team Six dos SEAL” – a super top equipe de Forças Especiais que (sim, segundo alguns; não, segundo milhões em todo o mundo) assassinou Bin Laden num raid contra o prédio onde vivia em Abbottabad no Paquistão, há um ano.


O ataque em si é descrito como “ ‘Corajosa Decisão’ de ‘POTUS’ ”, para o qual “foi crucial o envolvimento de WH [White House/Casa Branca].”


Bigelow e Boal tiveram acesso, até, ao “cofre” – o bunker da CIA onde aconteceu parte do planejamento tático decisivo para o raid.


Quanto a fotos e vídeos que provariam – acima de qualquer suspeita razoável – que o assassinado foi, mesmo, Bin Laden, Judicial Watch foi impiedosamente segregada. Para o governo Obama, é assunto de segurança nacional.


O que interessa é que tudo é super cool na operação Obama-Homem Aranha: com perfeito timing, o super comercial estará ao vivo nas salas de cinemas de todo o território dos EUA, dia 12 de outubro. Será a maior não-surpresa de outubro [3].


Notas dos tradutores


[1] No Brasil, Battleship – Batalha dos Mares; em Portugal, Battleship – Batalha Naval (2012). Trailer a seguir:



[2] 22/5/2012, Judicial Watch.

[3] Orig. “October non surprise”. A expressão “October Surprise” [surpresa de outubro] é do jargão político dos EUA. Aplica-se a artifícios de campanha eleitoral, cronometrados para acontecer em outubro e influenciar o resultado das eleições.


Fonte: Redecastorphoto.
Traduzido pelo pessoal do Vila Vudu
Imagem: Google (colocada por este blog)


sexta-feira, 25 de maio de 2012

O olhar de uma estudante brasileira sobre Cuba





Uma estudante brasileira conta a Cuba que viu


Por Raquel Moysés, jornalista / Iela UFSC

 Ao chegar a Cuba o que chamou a atenção de Luiza Oliveira de Liz foi a calorosa hospitalidade e o interesse demonstrado pelos cubanos em  conhecer os brasileiros, chilenos, uruguaios e argentinos que faziam parte do grupo de que ela participava. Cursando a oitava fase do curso de licenciatura em Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina, a estudante participou da 19ª Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba, realizada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e organizada no Brasil através da Associação Cultural José Martí.

 Luiza, de 23 anos, participa do projeto Vitral Latino-Americano de Educação Física, Saúde e Esporte, fazendo um trabalho de pesquisa sobre a infância na América Latina. Também é bolsista do projeto "Corpo em Movimento", no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI/UFSC). Nesta viagem pensa ter dado os primeiros passos para entender o processo político, social e educacional vivido pelo povo cubano. Após a conclusão das Brigadas, permaneceu mais cinco dias no país do Caribe, para visitar escolas e a  Universidad de Ciencias de  la   Cultura Física y el  Desportos Manuel Farjado, de Havana.

 Luiza afirma ter partido para Cuba com o espírito aberto. "Lá, vivi com eles, comi a mesma comida de que o povo se nutre. Descobri como os cubanos sofrem com o bloqueio, com a falta de infraestrutura e produtos, até de remédios. Tudo isso relatado por eles mesmos."

 Os brigadistas  se alojaram no Campamento Internacional Julio Antonio Mella, na cidade de Caimito, província de Artemisa. Ali, assistiram a conferências, a filmes cubanos e apresentações artísticas, além de visitarem museus e escolas. "Participamos também de uma experiência de trabalho voluntário agrícola, introduzido pelo Che, que os cubanos fazem questão de compartilhar como conceito, pois não se baseia em uma lógica de mercado, mas tem a proposta de formar uma consciência coletiva que sustente o ideal socialista", diz a estudante. 



Assim, além de conhecer cooperativas agrícolas, os participantes das Brigadas de Solidariedade trabalharam em um campo de feijão e uma plantação de manga. "Visitamos também a ilha da Juventude, onde ficamos quatro dias, e uma cooperativa de artesãs que trabalham com argila. Foi bonito ver que elas mesmas determinam as horas de atividade, pois se trata de um trabalho artístico, que não depende de regras mecânicas de produção."

 Na ilha, como observou a estudante, há uma boa produção de frutas e outros produtos agrícolas, mas o modo de produção ainda não está mecanizado como no Brasil, embora o processo de irrigação tenha lhe parecido bem eficiente. "As vacas são destinadas à produção de leite, por isso, em Cuba, come-se principalmente carne suína. A alimentação para a população é barata e de boa qualidade. Cada família recebe de acordo com o que necessita. Se há mais crianças em casa, recebe mais leite. Se há mais adultos, uma quantidade maior de  mantimentos."  O transporte também é praticamente gratuito,  paga-se simbolicamente. "E se a pessoa não tiver dinheiro, não há problema, ela pode embarcar no ônibus do mesmo jeito. Isso é para todos."

Cerco à ilha



Luiza também se surpreendeu com a reação do povo diante do bloqueio que a economista Nidia Alfonso Cuevas, do Instituto Superior de Relações Internacionais, define como uma barbárie. "O país perdeu parceiros comerciais. No contexto mundial, o princípio da extraterritorialidade imposto pelos Estados Unidos impede qualquer empresa norte-americana que se encontre em outro país a ter relações com Cuba", comenta a estudante.

 A estudante viu as consequências  geradas por este cerco absurdo  à ilha  ao visitar hospitais e escolas. A falta de estrutura causada pelo bloqueio provoca, por exemplo, racionamento, falta de energia, limitação de medicamentos e falta de materiais escolares. "O acesso à internet (que é via satélite e muito caro), está disponível principalmente em universidades, centros de pesquisa, setores do governo e em hotéis."

 Mas, mesmo com toda a dificuldade do dia a dia, as pessoas manifestam alegria e espontaneidade. "As crianças se divertem, parecem felizes e protegidas nos pátios das escolas, nas ruas. Isto foi o que vi em Havana, um grande centro, que é a capital, quando visitei algumas escolas. Não posso generalizar, mas as pessoas que eu conheci estão sintonizadas com a revolução, defendem o governo e sabem o que acontece fora de Cuba".

 Luiza comenta que os cubanos demonstram conhecer muito bem a realidade do mundo. "Pensei que por causa do bloqueio eles não soubessem dos acontecimentos, mas os documentários na TV aberta informam muito bem sobre a situação mundial. Alunos bem pequenos sabiam, por exemplo, muitos fatos relacionados ao Brasil,  e queriam conhecer mais."
 Em relação á educação Luiza constatou que "é realmente para todos, e totalmente gratuita, desde o Círculo Infantil até a Universidade." Na saúde o acesso também é universal. "Fui atendida no posto de saúde, pois me faltou um remédio, e paguei um preço simbólico. Se não tivesse dinheiro, seria de graça. Também não percebi nos médicos uma postura arrogante de quem diz ‘eu sou o doutor’."

 Lá, existe o médico de família  e há, em cada quadra da cidade,  núcleos de atendimento à família, com profissionais da psicologia, serviço social, entre outros. "É visível a humanidade no atendimento à saúde, mas também no geral, com as pessoas com quem relacionei. Ouvi relatos de quem tinha doença grave e recebe todo auxílio. Conversei com uma senhora diabética, que teve que amputar as pernas, e ela me disse que recebe todo o  atendimento de que necessita."

Teoria na prática

 O acesso dos cubanos ao mundo da arte, da cultura, da literatura também  impressiona.  "A vida cultural é riquíssima, com muitas atividades de acesso gratuito para a população. Há numerosas feiras de livros, que  realmente são bem baratos. Lá se nota que há a prática da teoria deles. Eles entendem o conhecimento como algo integral. E se você conhece, tem a obrigação de compartilhar com o outro." Uma das paixões nacionais é a novela brasileira. "Mas os cubanos  não se enganam com a ficção, têm consciência de que é fantasia, que a realidade social brasileira não é como mostram as novelas".

 Várias conferências que Luiza assistiu despertaram seu interesse, uma delas, da Federación de Mujeres Cubanas.  Há muitos núcleos desta federação no país, que atuam na prevenção, esclarecimento e proteção das mulheres acerca da sexualidade e violência, por exemplo. Em Cuba, conta a estudante, as grávidas condenadas por algum delito têm direito a  acompanhamento médico idêntico ao de uma mulher em liberdade, pois o bebê é um cidadão cubano como todos os demais, e não vai para a prisão com a mãe. Após o nascimento, ela e o bebê recebem atendimento até o fim da amamentação, quando então a mulher volta a cumprir a pena.  A licença maternidade em Cuba, vale dizer, tem a duração de  um ano. "‘Los hijos de la pátria’ (os filhos da pátria), crianças e adolescentes que perderam os pais,  são acolhidos pela sociedade, com todo atendimento de educação, saúde, até a universidade."

 A vida política na nação caribenha é intensa, como notou Luiza.  Os deputados não recebem salário de político, somente a  remuneração da profissão em que atuam enquanto também cumprem o mandato. "Os políticos entendem que trabalhar no governo é uma extensão de seu papel social, um dever. Eles têm que prestar contas do trabalho à sociedade, de modo rigoroso."
 Ao final das brigadas, nos cinco dias em que ainda ficou na ilha, Luiza teve contato com alguns jovens que reclamaram por não poder viajar, "Eles disseram que é difícil passear no próprio país, pela falta de dinheiro, pois recebem em peso cubano. Falaram também que são poucos os que conseguem viajar para fora,  pois isso só acontece se for para realizar uma  pesquisa, uma palestra ou para fazer um curso."

Educação para todos



Ao visitar a  Universidad de la   Cultura Física y el Desporto Manuel Farjado, acompanhada pelo professor Pedro Martinez, diretor da Radio Havana Club,  Luiza pôde conversar com  o reitor Antonio Becalli Garrido, "Ele me explicou que em Cuba o conhecimento é parte da sociedade, sendo assim fácil de adquiri-lo. Todos que querem frequentar a universidade podem ter acesso a ela, pois ali se investe em educação para todos. Em outros países, muitas vezes,  pode-se ter talento mas,  se não há dinheiro,  não é possível estudar ou praticar esportes."

 Em Cuba há 14 escolas de Educação Física e todas são de graduação e pós,  e os estudantes incentivados a prosseguir estudos. O curso é fundamentado por três eixos: regular diurno, regular para atletas de alto rendimento e o de universalização. "Entende-se que a vida do atleta é diferenciada, com rotina de treinos e preparação para competição. Por isso é necessária uma adaptação à estrutura do currículo, para que siga sua vida acadêmica, com uma boa formação e uma profissão, pois a vida do atleta é relativamente curta por fatores como o intenso desgaste físico."      

 O curso de universalização foi implantado por Fidel para levar a universidade em todos os cantos do interior, dando oportunidade de estudos para todos os cubanos. São 500 os professores que ensinam  nesta área, sendo 68% mulheres. Na ilha há 23 mil estudantes de educação física e a universidade que Luiza conheceu conta com 2200 alunos. Os mestrados mais importantes são em  treinamento desportivo e cultura física  terapêutica, formação professores de educação física, atividade física na comunidade e esporte de combate.

 Luiza cita que o reitor Antonio Garrido, durante a entrevista, afirmou: "A essência do desporte cubano parte da universidade. Quando falamos das nossas medalhas olímpicas – e poucos países podem falar disso como nós – essas fundamentalmente surgem dos professores da universidade, porque a ciência assume um papel muito importante no desporte; pois estamos falando de biologia, fisiologia e metodologia do desporte. Tratamos o alto rendimento em forma de sistema, temos que ter uma equipe muito disciplinada para trabalhar com o atleta, sendo assim a universidade tem um papel de protagonista."

Inspiração para lutar

 Luiza também teve contato com a Federação dos Estudantes Universitários, entidade estudantil que trabalha com uma atuação política organizada. "Alguns estudantes disseram que a classe estudantil tem o privilégio de manter uma boa relação com as reitorias, pois o entendimento em Cuba é de que a universidade é dos estudantes."

 Para Luiza, a viagem foi uma oportunidade de conhecer "a realidade de um país que apresenta um sentido avançado de humanidade, mas vive  boicotado por uma grande potência,  que não lança um olhar humano sobre este povo." Mas os cubanos, como ela diz ter percebido,  não têm raiva dos americanos. "Falam deles como irmãos.  Nunca queimaram uma bandeira dos EUA em Cuba, tanto que muitos turistas estadunidenses  vão conhecer a ilha, onde são bem acolhidos."

 A estudante, que veio de Lages para estudar na capital, mora em uma república com quatro outras estudantes.  Ela perdeu o pai em 2009, tem dois irmãos e para estudar  conta com o apoio da mãe, que trabalha como auxiliar de  contabilidade em uma empresa.  Para continuar seu trabalho de pesquisa, ela agora espera poder viajar para o Chile e, se tudo correr como sonha, pretende aprofundar  as pesquisas sobre infância e educação física na  Venezuela, Equador e   Argentina.  Esta primeira viagem de estudos contou com o apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, e ela frisa que não teria se  concretizado sem a atenção e orientação do professor Paulo Capela, do curso de Educação Física da UFSC.

 Luiza de Liz pensa que a o início de  sua caminhada pela América Latina foi emblemático.  "Cuba é um exemplo de que muitos tiveram que morrer para que houvesse a mudança. É uma inspiração para grandes lutas. Mas penso que apenas espelhar-se  no modelo cubano seria um engano, pois cada país tem que encontrar seu próprio modo de fazer a sua revolução transformadora." 




Fonte: Blog Solidários
 


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mídia alternativa será discutida na Bahia no 3º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas



Com transmissão exclusiva pelo site da TVT, ativistas digitais de todo o país se encontram para discutir a "Liberdade de Expressão na Blogosfera" e a "Luta Pela Democratização da Comunicação".


Confira as entrevistas com Altamiro Borges e Paulo Henrique Amorim.





Fonte: TVT, Youtube

O rapaz pobre, "estuprador", e o jornalismo de esgoto, branco e rico






Por Raphael Tsavkko Garcia 



Escrevi recentemente um artigo para o Global Voices sobre o rapaz Paulo Sérgio, negro e pobre, humilhado em um programa da Bandeirantes da Bahia por uma jornalista branca e obviamente privilegiada, mas acredito que eu precise expressar minha opinião de forma ainda mais clara. E o faço a seguir.
 

No vídeo, Paulo Sérgio chora, se desespera, enquanto é chamado de estuprador - o que ele nega - mas, no fim, pouco importa. O desrespeito da repórter - e do programa, da Bandeirantes e da falta de regulação da mídia que o governo nega à sociedade - não é só ao rapaz, mas também à suposta vítima de estupro, pois se tivesse efetivamente sido estuprada estaria vendo o crime ser tratado como galhofa na TV.

Mesmo que um ladrão - e confesso, mesmo que sem julgamento - Paulo Sérgio não merecia ser tratado da forma que foi. aos criminosos a lei, a prisão, e não a humilhação pública sob a tese de que estaria "pagando" pelo que fez. Ser humilhado e ter a vida destruída em público não é "pagamento", é tortura.

 A jornalista, branca, bonita, com educação (em tese), não faz ideia, por exemplo, de onde vem Paulo Sérgio, do que passou. Não que isto, em si, desculpe atos criminosos, mas ao menos nos permite compreender parte do problema. E a própria jornalista não é a única culpada, mas sim um produto do jornalismo brasileiro atual, com felizes exceções, que busca apenas o entretenimento e que é capaz de transformar até o estupro (suposto) em uma forma de fazer rir.
 

Processo

 O ministério Público da Bahia irá processar a jornalista... Mas só ela? Ela é culpada, claro, mas não é a única. Não saiu só de sua cabeça a ideia de humilhar o rapaz, mas este é o mote do programa da qual faz parte, assim como de vários outros, e de sua rede de TV. Não partiu dela unicamente a iniciativa  de humilhar o rapaz, ou qualquer pessoa em situação semelhante, mas é a regra deste tipo de programa, incentivado por seus diretores e donos de TV.


 Não faltam jornais que pingam sangue, com closes grotescos de vítimas - inocentes ou não - que tratam o ser humano como lixo sem respeito por sua dignidade e pelos direitos humanos. Na TV a mesma coisa.


 Não adianta punir (apenas) a jornalista, reclamar do programa e dar um tapinha na cabeça da Band a título de "não façam mais isso, ok?". É preciso ir atrás da concessão da rede, realmente causar algum dano, ameaçar de forma que haja uma mudança. Da forma como tudo acontece hoje, a rede finge que reconehceu o erro e o repete na semana seguinte. E é isto mesmo que acontecerá, já que a Band ameaça demitir a jornalista, mas não comenta sobre o nojo que é seu programa e dificilmente mudará alguma coisa.


 E não podemos nos esquecer da conivência de agentes do Estado - policiais - e do governo da Bahia por permitir que um canal de TV entre da forma como fazem em delegacias para humilhar presos, que estão sob a tutela e responsabilidade do Estado.


Comédia versus jornalismo

 
 Será que teremos no futuro repórteres fazendo piadas de desastres aéreos? Já temos o CQC, cujos comediantes se auto-declaram "jornalistas", mas são repudiados por muitos dos verdadeiros trabalhadores de jornais, rádios e TV's, pois não exercem a profissão com ética e dignidade, mas transformando tudo numa grande piada. E, infelizmente, os policialescos que pipocam pela TV fazem um serviço semelhante, mas adicionando a degradação social no hall da comédia.


 Trata-se de um jornalismo feito pela elite e para as elites, para que estas possam rir da desgraça alheia, de onde não querem se aproximar. Estereotipam a periferia, aplaudem a violência contra o pobre, contra o negro, criminalizam as lutas e tem medo, pavor, de que haja uma reação capaz de subverter essa realidade. É o serviço oficial da elite para manter seus privilégios e manipular mesmo - ou especialmente - aqueles "do andar de baixo" para que aceitem sua posição. 


 Oras, riam de sua desgraça e da de seus semelhantes. Mas façam isso em casa.


 A Confecom aconteceu há anos, o Ministério das Comunicações não se moveu desde então e a farra continua.


Manipulação é a regra

 
 Um jornalismo emancipatório, crítico, faria com que houvesse ação, revolta, talvez até mudanças. Uma regulação da mídia, impondo a ética e punindo coisas grotescas como programas policialescos onde as vítimas são ridicularizadas tanto quanto os que as vitimam em um show de horrores em busca de ibope, apavora os donos do poder, que perderiam seu principal instrumento de doutrinamento e controle.


 É interessante que na mesma semana em que surge este caso - apesar do vídeo não ser exatamente novo - tenhamos (com seus respectivos limites de comparação e tamanho, claro) por exemplo um jornalista da Globo chamando de 'babaca" um jogador que se recusou a participar de um quadro do principal dominical da rede. Ao fazer 3 gols, Herrera, do botafogo, teria "direito" a pedir uma música no programa. E se recusou, dando a entender que achava uma tolice.


 E é de fato uma tolice. Em seu direito de se recusar a participar involuntariamente de um programa de TV, Herrera despertou a ira daqueles que tomam o jornalismo (seja o policial, o esportivo ou qualquer outro) como simples entretenimento, até mesmo humor. Me recordo de quando um jogador de futebol americano ao fazer 3 touchdowns pediu uma música de uma banda de metal extremo em outro programa da mesma Globo, mas editaram o vídeo fazendo aprecer que ele pedira o de uma cantora qualquer, porque o metal, talvez, fosse demais para os ouvidos do pobre telespectador e, afinal, a cantora era parte do cast era da gravadora da... Globo!


 A manipulação é clara, a falta de ética mais clara ainda.


 É um exemplo que parece não ter relação, mas mostra como é fácil e comum a manipulação da mídia, a falta de ética e como tudo fica impune, apesar do governo ter noção do que acontece. Mas nada faz.


 Em São Paulo, estamos no meio de uma greve do Metrô e trens e em todos os jornais não ouvimos a voz ou não lemos a opinião de nenhum metroviário, apenas do governador e de seus imediatos. Não há espaço para as reivindicações dos trabalhadores, apenas para a criminalização da greve através de frases como "São paulo está um caos" e afins. Esta é a regra. A voz dos patrões frente o resto.


 A mídia faz o que quer, como quer e nada a impede.


 Não se trata, porém, apenas de regular a mídia, de impor limties éticos, mas de se investir em educação, em cultura. Há quem consuma este lixo, há uma retroalimentação. Esta que só pode mudar com conscientização, com longo trabalho de ensinar direitos humanos, com educação de qualidade e emancipatória e a intenção de mudar a sociedade. 

Raphael Tsavkko Garcia


Fonte: Retirado do Blog Contexto Livre

Catastroika

Enviado pelo amigo Fernando Franco do Blog Farol do Buscador



O novo documentário da equipe responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacto da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás.


Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em setores como os transportes, a água ou a energia.


Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy. 


De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável.


Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.


As consequências mais devastadoras registram-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate».


Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia.


O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos.
Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.


Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemônico omnipresente nas mídias convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.







Fonte: email recebido do amigo Fernando Franco
Agradecimentos: Ao amigo Fernando Franco do Blog Farol do Buscador

Informações de possível ataque a representações de Israel em São Paulo deixam cônsul em alerta



 Ilan Sztulman concedeu entrevista a Zero Hora e disse que ameaça é verdadeira


 Informações de possível ataque a representações de Israel em São Paulo deixam cônsul em alerta

Informações de Israel, de que terroristas orientados pelo Irã teriam como alvo representações diplomáticas em São Paulo, deixaram em alerta máximo os funcionários do país que mantém uma relação conflituosa com Teerã. Em entrevista a ZH, o cônsul Ilan Sztulman, com jurisdição para atuar na região sul do Brasil, diz estar com medo.

Zero Hora — Desde os ataques na Argentina (à embaixada de Israel em 1992 e à associação judaica em Buenos Aires, em 1994), há um cuidado constante. Há um alerta mais grave agora?

Cônsul Ilan Sztulman — Infelizmente os alertas da comunidade judaica são comuns, mas nos últimos 20 dias, recebemos dos setores de inteligência um alerta grave. O foco é sobre os diplomatas israelenses que reabriram o consulado em São Paulo há um ano e meio. Mas infelizmente, a experiência e a história provam que as tentativas do Irã de estender as ações terroristas deixam toda a comunidade exposta a esse tipo de terror. Os grupos terroristas têm uma abertura muito grande na América Latina. Há pontos onde eles podem entrar e agir de forma livre. Fomos avisados de que há uma decisão estratégica de fazer um atentado. Estamos muito preocupados por nós e pela comunidade brasileira em geral.

ZH — Quem faria o atentado?

Sztulman — O Irã fomenta atividades terroristas em todo o mundo e estabelece uma base de operações na América Latina. Um dos ápices foram os atentados na Argentina. Agora, sabemos que existe, pontualmente, uma intenção de atuar na América Latina. Estamos com medo porque eles já provaram em muitos países que são capazes de atuar e fazer ataques terroristas sem respeito às fronteiras soberanas de um país, como fizeram há pouco na Índia (em fevereiro, um carro-bomba feriu quatro funcionários da embaixada de Israel em Nova Déli). Estamos preocupados e tomamos medidas necessárias pelo menos para a segurança da nossa equipe diplomática. São medidas de cautela. Também avisamos as autoridades brasileiras. Vimos nos últimos dois ou três anos inúmeros exemplos de atividades que o Irã fez em todo o mundo e nós temos medo. Sabemos que estão olhando para cá e tentando achar uma possibilidade.

ZH — Que tipo de evidências os senhores têm da movimentação?

Sztulman — Não sou um membro da inteligência. Não pergunto por que me dizem que a minha vida está em perigo, mas sei que quando dizem isso, tenho de ter cuidado. Nesse caso, há algumas semanas que todos os diplomatas israelenses no Brasil estão muito preocupados.

ZH — Há alguma informação específica de ataque ao Brasil?

Sztulman — Sim. A abertura do consulado chamou a atenção do governo do Irã e desperta a vontade de fazer alguma coisa conosco.

ZH — A atuação internacional do Brasil pode influenciar?

Sztulman — O Brasil cada vez mais toma um papel de liderança na diplomacia internacional. Faz toda a lógica mandar uma mensagem de que esse tipo de atuação tem também um preço. Eu espero que sejam só ameaças, mas a história prova que, quando tem um alerta de alguma fonte de inteligência, precisamos tomar ele a sério e nos preparar. Mas não vamos ser intimidados.

ZH — Foram feitos alertas à comunidade judaica em geral?

Sztulman — Não que tenhamos dito para a comunidade judaica 'entrem em um bunker', mas fizemos pedidos para estarem mais atentos às ameaças reais. Esse pessoal não diferencia entre o que são cidadãos israelenses e cidadãos brasileiros de origem judaica. Assim, como eles miram a nós como diplomatas, podem miram as comunidades judaicas. Hoje, temos uma ameaça na representação diplomática, mas para essas pessoas que estão orientando terroristas, não há diferença. Para eles, é mais uma questão de religião do que de Estado. O nosso medo principal são as representações diplomáticas, mas também há risco para a comunidade judaica.

ZH — Que ação se espera do governo do Brasil?

Sztulman — O governo brasileiro já foi informado dessa ameaça e esperamos que se mova não como o governo argentino naquele tempo. Espero que o governo brasileiro acredite que essa ameaça é verdadeira e não deixe isso passar de uma forma mundana.




Fonte: Zero Hora


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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Filme revela estratégias dos EUA para garantir dominação mundial

Dirigido por Diogo Gomes do Santos, o filme A paz é o caminho expõe as estratégias dos Estados Unidos para a dominação da América Latina, Oriente Médio e África. Realizado pelo Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), o filme é uma ferramenta a serviço da luta por uma cultura de paz diante de um mundo militarizado. O média-metragem vem participando de mostras e festivais de cinema e vídeo, além de ser exibido pelo circuito alternativo.








Fonte: Vermelho

Mais uma "Repórter" tentando humilhar o entrevistado


Como podemos ver no vídeo abaixo, é costume no Brasil certos "Jornalistas" humilharem os entrevistados. 






Fonte: Youtube.com

Franceses qualificam como criminoso o bloqueio contra Cuba

 

Membros da Associação francesa Realidades e Relações Internacionais (ARRI) qualificaram de criminoso o bloqueio mantido por Estados Unidos contra Cuba desde há mais de cinco décadas.


Integrantes desse grupo, que em março passado realizaram um percurso por várias províncias de Cuba, mantiveram um encontro com o embaixador cubano na França, Orlando Requeijo, em Paris.

Na reunião, o diplomata cubano recordou que o cerco econômico, comercial e financeiro de Washington contra seu país já foi condenado em 20 ocasiões pela Assembléia Geral da ONU.


Até dezembro de 2010, o dano econômico direto ocasionado por essa injusta política, a preços correntes e calculados de forma muito conservadora, supera os US$ 104 bilhões de dólares.


O bloqueio também afeta a outros países por seu efeito extraterritorial, recordou Requeijo e acrescentou que há muitas empresas que se vêem imposibilitadas de vender seus produtos a Cuba.


O embaixador referiu-se também à negativa da Corte Suprema dos Estados Unidos para que a companhia Cubaexport tivesse a possibilidade de defender seu direito de renovar o registro de Havana Club ante o Escritório de Marcas e Patentes.


No encontro os membros da Associação Realidades e Relações Internacionais reconheceram os avanços de Cuba em diversos setores, apesar desta política injusta.


A ARRI é uma associação independente, integrada por antigos diplomatas, funcionarios e ex-dirigentes de grupos empresariais e de outros setores, interessados em conhecer a situação internacional.


 



Fonte: Prensa Latina
Imagem: Opera Mundi

Jornalistas repudiam atitude da "Repórter" Mirella Cunha em carta aberta







Por Fernanda Fahel



Um grupo de jornalistas divulgou uma carta se posicionando contra o jornalismo policial sensacionalista na Bahia. A iniciativa se deu após repercussão nacional da entrevista sobre um acusado de estupro, feita pela repórter Mirella Cunha, da Band Bahia (veja vídeo acima), há duas semanas. O caso indignou tanto profissionais do meio quanto telespectadores e internautas, que começaram a protestar a partir desta terça-feira (22) nas redes sociais. Acusado de roubo e estupro, o rapaz, só identificado como Paulo Sérgio pela matéria, assume que houve assalto, mas garante, chegando até a chorar, que nunca violentou mulher alguma em sua vida. Apática às lágrimas de Paulo, a repórter insiste em dizer que, se não houve estupro, houve vontade. “Você não estuprou, mas queria estuprar”, afirmou Mirella, que por diversas vezes debochou do entrevistado e mostrou-se contrária à versão relatada pelo acusado.

A jornalista sofreu uma série de retaliações de pessoas indignadas com sua abordagem nas redes sociais. Dentre outras designações, Mirella foi chamada de “otária, “racista”, “antiética”, “proto-loira”, “ridícula”, “nojenta”, “sensacionalista” e “tosca”. “Essa Mirella Cunha é uma vergonha para o Jornalismo Baiano“, chegou a postar um usuário do Twitter. No microblog, a hashtag “#SensacionalismoForaDoAr” tem começado a ganhar força. Às 11h desta quarta-feira (23), um grupo promete realizar um "tuitaço" para levar o assunto ao Trending Topics.

Confira na íntegra a carta pública de um grupo de jornalistas e leitores destinada ao governador Jaques Wagner, a órgãos competentes e à toda sociedade baiana.

"Carta aberta de jornalistas sobre abusos de programas policialescos na Bahia

'O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.'
(Gregório de Mattos e Guerra)

Ao governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner.
À Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia.
Ao Ministério Público do Estado da Bahia.
À Defensoria Pública do Estado da Bahia.
À Sociedade Baiana.

A reportagem "Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência", produzida pelo programa "Brasil Urgente Bahia" e reprisada nacionalmente na emissora Band, provoca a indignação dos jornalistas abaixo-assinados e motiva questionamentos sobre a conivência do Estado com repórteres antiéticos, que têm livre acesso a delegacias para violentar os direitos individuais dos presos, quando não transmitem (com truculência e sensacionalismo) as ações policiais em bairros populares da região metropolitana de Salvador.

A reportagem de Mirella Cunha, no interior da 12ª Delegacia de Itapoã, e os comentários do apresentador Uziel Bueno, no estúdio da Band, afrontam o artigo 5º da Constituição Federal: "É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral". E não faz mal reafirmar que a República Federativa do Brasil tem entre seus fundamentos "a dignidade da pessoa humana". Apesar do clima de barbárie num conjunto apodrecido de programas policialescos, na Bahia e no Brasil, os direitos constitucionais são aplicáveis, inclusive aos suspeitos de crimes tipificados pelo Código Penal.

Sob a custódia do Estado, acusados de crimes são jogados à sanha de jornalistas ou pseudojornalistas de microfone à mão, em escandalosa parceria com agentes policiais, que permitem interrogatórios ilegais e autoritários, como o de que foi vítima o acusado de estupro Paulo Sérgio, escarnecido por não saber o que é um exame de próstata, o que deveria envergonhar mais profundamente o Estado e a própria mídia, as peças essenciais para a educação do povo brasileiro.

Deve-se lembrar também que pelo artigo 6º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, "é dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos". O direito à liberdade de expressão não se sobrepõe ao direito que qualquer cidadão tem de não ser execrado na TV, ainda que seja suspeito de ter cometido um crime.

O jornalista não pode submeter o entrevistado à humilhação pública, sob a justificativa de que o público aprecia esse tipo de espetáculo ou de que o crime supostamente cometido pelo preso o faça merecedor de enxovalhos. O preso tem direito também de querer falar com jornalistas, se esta for sua vontade. Cabe apenas ao jornalista inquirir. Não cabem pré-julgamentos, chacotas e ostentação lamentável de um suposto saber superior, nem acusações feitas aos gritos.

É importante ressaltar que a responsabilidade dos abusos não é apenas dos repórteres, mas também dos produtores do programa, da direção da emissora e de seus anunciantes - e nesta última categoria se encontra o governo do Estado que, desta maneira, se torna patrocinador das arbitrariedades praticadas nestes programas. O governo do Estado precisa se manifestar para pôr fim às arbitrariedades; e punir seus agentes que não respeitam a integridade dos presos.

Pedimos ainda uma ação do Ministério Público da Bahia, que fez diversos Termos de Ajustamento de Conduta para diminuir as arbitrariedades dos programas popularescos, mas, hoje, silencia sobre os constantes abusos cometidos contra presos e moradores das periferias da capital baiana.

Há uma evidente vinculação entre esses programas e o campo político, com muitos dos apresentadores buscando, posteriormente, uma carreira pública, sendo portanto uma ferramenta de exploração popular com claros fins político-eleitorais.

Cabe, por fim, à Defensoria Pública, acompanhar de perto o caso de Paulo Sérgio, previamente julgado por parcela da mídia como 'estuprador', e certificar-se da sua integridade física. A integridade moral já está arranhada.



Salvador, 22 de maio de 2012."



Fonte: bahianoticias.com

terça-feira, 22 de maio de 2012

Mais um "Jornalista" da TV Bandeirantes sem ética




Fonte: Retirado do Blog Gilson Sampaio

Mirella Cunha a "Jornalista" da Rede Bandeirantes, debochadamente humilha e julga rapaz antes da Justiça


Retirado do Blog do Saraiva
 
21 de maio de 2012 às 17:18 260 Comentários
 

O vídeo que segue do Brasil Urgente, da Band, da Bahia, é um exemplo de jornalismo pra lá de esgoto. Uma repórter loirinha, com rabinho de cavalo à la Feiticeira, coloca um jovem negro, com hematoma aparente de uma agressão recente, numa situação absolutamente constrangedora. Julga-o antes da Justiça, humilha-o por conta de sua ignorância em relação aos seus direitos e ao procedimento a se realizar num exame de corpo delito e acha isso tudo muito engraçado.
Assista ao vídeo e veja se este blogueiro está exagerando.
Trata-se de uma caso que exige uma ação urgente por parte da sociedade civil.
É preciso que se mova uma ação contra a concessionária pública que dá voz a uma repórter irresponsável como essa. Isso mesmo, irresponsável. Estou à disposição da Justiça para me defender em relação ao termo utilizado. A propósito, a concessionária é a Band.
É preciso que entidades de Direitos Humanos e da questão negra também se posicionem.
Também é urgente que entidades como o Sindicato dos Jornalistas da Bahia a Fenaj reajam a essa barbaridade.
Assistam ao vídeo, vocês vão entender minha indignação.
A dica do vídeo me foi dado pelo Fabrício Ramos pelo Facebook.
Atualizando (00:30 da terça-feira): O nome da repórter é Mirella Cunha, como já registrado em muitos comentários. O apresentador do programa para o qual ela trabalha é Uziel Bueno. Mas, em última medida, a Band é a responsável final por essa bárbarie jornalística.
Quanto ao fato de eu ter registrado o loirismo da repórter e a negritude do acusado, pareceu-me importante lembrar que somos um país com enormes desigualdades sociais e raciais. E que o fato de esse garoto ser preto e pobre é o que permite tal atendando aos seus direitos mais elementares. Dúvido que um loiro rico seria tratado dessa mesma forma pela “corajosa” jornalista.
 



http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=F6VCbJHtzdc#!
http://www.revistaforum.com.br/blog/2012/05/21/a-reporter-loira-o-suposto-negro-estuprador-e-uma-sequencia-nojenta/
Do e-mail enviado por Beatrice.Lista.

Fonte: retirado do Blog do Saraiva
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