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domingo, 10 de junho de 2012

Declaração final da 3ª Assembleia Nacional do Cebrapaz






O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) aprovou na Assembleia Nacional encerrada sábado (9), uma Declaração em que renova as convicções dos ativistas brasileiros pela paz de que sua luta está ligada ao combate ao imperialismo estadunidense e seus aliados da Otan. Ao encerrar o evento, a presidenta do Cebrapaz, Socorro Gomes, declarou que a missão da entidade é denunciar os crimes do imperialismo e mobilizar o povo na luta pela paz. 

Leia a íntegra da declaração: 

Nós, militantes da paz, da solidariedade aos povos e da luta anti-imperialista, reunidos na 3ª Assembleia Nacional do Cebrapaz, realizada na cidade de São Paulo, nos dias 08 e 09 de julho de 2012, nos somamos às vozes que ao redor do mundo clamam pela paz, soberania e justiça.

Homenageamos nesta ocasião um dos grandes brasileiros, o humanista e pintor Candido Portinari, que com o seu pincel e cores expressou com contundência as dores da guerra, e a alegria dos povos de viver em paz. O exemplo deste grande brasileiro, como de tantos outros, nos inspira para tansformar nossa indignação em ação organizada e consciente.

O Cebrapaz é uma expressão organizada do sentimento da sociedade brasileira contra as guerras e em solidariedade aos povos em luta no mundo.

Esta assembleia realizou uma abrangente análise sobre as ameaças à paz, provocadas pelo imperialismo; debateu sobre como fortalecer a solidariedade aos povos agredidos, que lutam para defender sua soberania e o direito à autodeterminação.

Vivemos uma mudança de época. Estão em curso profundas mudanças e transformações no mundo.

A crise atual do capitalismo é estrutural e sistêmica. As políticas empregadas para enfrentar a crise atacam os direitos dos trabalhadores e dos povos e suas repercussões vão muito além dos aspectos econômicos.

De igual modo, está em curso um processo histórico de declínio relativo da hegemonia do imperialismo estadunidense. Paralelamente a isto emergem grandes nações que reafirmam seu direito de defesa da paz, à autodeterminação e ao desenvolvimento com justiça social.

Contudo os EUA ainda são a força predominante nas dimensões militar, cientifico-tecnológica e na esfera econômica em relação a outros países do mundo. Atuam de forma consciente para se manter no centro do sistema, utilizando para isto a militarização, a guerra e a instrumentalização das Nações Unidas.

Vivemos uma nova ofensiva imperialista que visa saquear os recursos naturais, tais como as fontes de energia, a biodiversidade, a água, os minérios, entre outros. O imperialismo recrudesce a sua agressividade contra os povos do mundo, fazendo-a acompanhar de uma sistemática e orquestrada campanha ideológica e de desinformação, destinada a “legitimar” e suavizar a barbárie causada por suas aventuras bélicas.

Novos e antigos argumentos são utilizados para ameaçar a soberania e a paz das nações. Neste sentido, surgem novos conceitos e justificativas, como “guerra preventiva” e “direito de proteger” para realizar os graves crimes contra a humanidade, como os ocorridos na Líbia no último período. Trata-se de uma época em que a violação do direito internacional e da carta das Nações Unidas, como também a instrumentalização da ONU são parte da estratégia do imperialismo.

É com este intuito que foi reformulada a estratégia de ação da Otan, com a expansão de sua área de atuação, tornando-se uma das principais inimigas da paz e dos povos do mundo.

A rede de bases militares estrangeiras e as esquadras navais dos EUA constituem na atualidade uma ampla rede de apoio às suas operações em todas as latitudes.

Neste sentido, regiões como Oriente Médio, África e a América Latina, abundantes em recurso naturais estratégicos, são alvo da cobiça do imperialismo. Prosseguem as guerras de ingerência, agressão e ocupação, com ações nos Bálcãs, no Oriente Médio, na Ásia Central e na África. Agora, a Otan volta a manifestar a sua intenção de ter presença militar no Atlântico Sul.

No Oriente Médio, Israel continua sendo a ponta de lança do imperialismo, com uma política de hostilidade e agressão aos povos da região, mantém ocupadas as colinas de Golan, da Síria, e as Fazendas de Sheeba, no Líbano.

Com respeito à Palestina, o sionismo israelense continua com a política de expansão das colônias, construção de postos de controle e do muro de separação, perpetrando crimes, como prisões arbitrárias e assassinatos seletivos. Reafirmamos a defesa da constituição do Estado da Palestina já. Não há como esperar mais tempo, as Nações Unidas têm esta responsabilidade perante o martirizado povo palestino.

Os sionistas e o imperialismo estadunidense fazem constantes ameaças e provocações contra o Irã, pretextando que este país pretende fabricar armas nucleares.

Na Ásia Central, os EUA tentam construir uma saída para sua desastrosa presença no Afeganistão, além de continuar violando a soberania do Paquistão, realizando os criminosos e covardes bombardeios com aviões não tripulados.

Na África, a partir da reativação do Comando Africano (Africom), o imperialismo estadunidense busca expandir sua presença. Comandou, com países da União Europeia e da Otan, a recente agressão contra a Líbia, com claros objetivos neocolonialistas.

No momento em que realizamos nossa assembleia, o alvo imediato do imperialismo e sua maquinaria de guerra e propaganda é a Síria. Isto dá um sentido de urgência à nossa ação de solidariedade com este país. A defesa da soberania nacional torna-se a principal expressão da defesa da paz e da oposição ao jugo imperialista. Querem derrubar o governo do presidente Bashar Al-Assad não pelos seus eventuais problemas, mas por suas qualidades, por não ser submisso aos interesses do imperialismo na região. Desde nossa assembleia, conclamamos todas as forças progressistas e defensoras da paz a se solidarizarem com a Síria e seu povo.

Na América Latina, o “Continente Rebelde”, vivemos uma nova realidade política, econômica e social, fruto de décadas de luta política e social dos nossos povos. Os governos da região têm privilegiado a construção da democracia, fazem esforços pelo progresso social, promovem a integração solidária, reforçam posições de defesa da soberania nacional e da paz. Por isso mesmo, o imperialismo estadunidense, em conluio com as classes dominantes retrógradas, fazem pressões e ameaças contra os governos anti-imperialistas, principalmente Cuba e Venezuela.

Prosseguem seus intentos de instalar novas bases militares estadunidenses na Colômbia e em outras localidades, além dos esforços de fazer com que a Otan atue nas águas do Atlântico Sul. A Quarta Frota continua ameaçadoramente singrando as águas do Atlântico e do Mar do Caribe.

Reiteramos que não é concebível que em pleno século 21 tenhamos que conviver com o flagelo do colonialismo. Em nossa região são 22 os enclaves coloniais de distintas formas, que servem em muitos casos como base para operações militares das grandes potências, como a ilha de Ascensão e as Ilhas Malvinas. Nesta oportunidade repudiamos uma vez mais o colonialismo britânico e afirmamos que as Malvinas são Argentinas.

Hoje, mais do que em qualquer outra época, torna-se necessário um movimento forte e organizado em defesa da paz. A denúncia dos crimes do imperialismo e seu combate é uma tarefa que está na ordem do dia.

Nosso desafio é ser a expressão organizada do sentimento de solidariedade aos povos em luta e na denúncia dos crimes do imperialismo. Fortalecer o Cebrapaz como uma organização de ação de massas e unidade, com núcleos atuantes nos diferentes Estados e amplas relações com outras entidades, buscando desenvolver ações unitárias, é um dos nossos principais desafios.

A tarefa principal do Cebrapaz é contribuir para a construção de uma ampla frente de luta contra o imperialismo e pela paz. Para realizá-la é necessário fortalecer sua estrutura e organização, ampliar alianças, construir frentes, atuar em conjunto com outros movimentos.

A exemplo de Portinari e de tantos outros homens e mulheres que no seu dia a dia lutam para construir um mundo de paz, justiça e solidariedade, estaremos nas ruas, locais de trabalho e estudo buscando fortalecer e construir este movimento, que é de defesa da própria humanidade.

Estamos certos de que o século que se inicia será o século dos povos, da paz e da solidariedade entre os homens e mulheres ao redor do mundo. A essência de nossa época é o anti-imperialismo.

Na ocasião em que realizamos nossa 3ª Assembleia Nacional, reafirmamos a convicção de que o imperialismo não é invencível. Com a força do povo, será derrotado.

Viva a luta dos povos!

Viva a paz e a solidariedade!


São Paulo, 9 de junho de 2012

A 3ª Assembleia Nacional do Cebrapaz





Fonte: Cebrapaz
Imagem: Google (colocadas por este blog)

Cientistas brasileiros enviam carta aberta à Dilma




Carta aberta


Por Husc no Blog do Ambientalismo

Mudanças climáticas: cientistas enviam carta aberta à Dilma


Um grupo de destacados cientistas brasileiros enviou uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff, alertando-a sobre os equívocos que marcam a orientação dos debates e a formulação de políticas públicas referentes aos assuntos climáticos. Intitulado “Mudanças climáticas: hora de se recobrar o bom senso”, o documento enfatiza a inexistência de evidências físicas da influência humana no clima em escala global, critica o alarmismo que tem prevalecido na apreciação do tema e afirma que a “descarbonização” da economia mundial, com o proposto abandono dos combustíveis fósseis, é uma pseudo-solução para um problema inexistente.

Kenitiro Suguio - Luiz Carlos Molion - Geraldo Luís Lino
Entre os 18 signatários da carta, encontram-se: o geólogo Kenitiro Suguio, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências; o climatologista Luiz Carlos Baldicero Molion, pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); o físico Fernando de Mello Gomide, professor titular aposentado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA); o geólogo João Wagner Alencar Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional; e outros. O geólogo Geraldo Luís Lino, membro do conselho editorial deste boletim, também assinou o documento.

A propósito da inexistência de evidências do chamado aquecimento global antropogênico, a carta afirma, enfaticamente, que…

«…as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.»

Por isso, diz o texto, “a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à Ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da Humanidade”.

Os autores advertem, também, para os riscos da ênfase na possibilidade de aquecimento do planeta, quando várias evidências apontam para um resfriamento, nas próximas décadas:

«Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico-ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947 e 1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”, impostos pelas restrições ambientais).»

Ao final, os signatários sugerem uma mudança de atitude e mentalidade:

«Pela primeira vez na História, a Humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.»

«Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.»

O documento, datado de 14 de maio, está circulando em todo o País e pode ser encontrado, entre outros lugares, nos sítios Alerta em Rede e da Associação Brasileira de Estudos do Quaternário (Abequa), este, em formato PDF.
 

Movimento de Solidariedade Íbero-americana

 Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. III, No 51, de 25 de maio de 2012.

MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.

Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.



Fonte: Blog do Ambientalismo
Imagem: Google (colocada por este blog)

sábado, 9 de junho de 2012

José Mujica - Temos de escapar da escravidão que impõe a dependência material




O presidente uruguaio José Mujica recebe o barbeiro na chácara onde vive, como fazia antes de ser eleito

A presidente Cristina Kirchner anunciou esta semana a decisão de transferir para pesos um depósito bancário de US$ 3 milhões, na tentativa de convencer os argentinos a pouparem em moeda nacional. Com um patrimônio estimado em US$ 15 milhões, ela é uma das mulheres mais ricas do país e integra a lista de presidentes milionários da região, como o chileno Sebastián Piñera. 

Do outro lado do Rio da Prata, o uruguaio José “Pepe” Mujica, o chefe de Estado mais pobre do continente, vive em condições de austeridade e conserva o mesmo patrimônio que possuía quando chegou ao poder, em 2010: uma humilde chácara a 20 quilômetros de Montevidéu e um fusca modelo 1987, avaliado em US$ 1.925. Mujica doa 90% dos US$ 12.500 que recebe mensalmente a programas sociais.

Quando o Uruguai recuperou sua democracia, em 1985, Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro, saiu da prisão e disse que todos em seu país deviam aprender a “viver como pobres”. E foi o que ele fez. Junto com sua companheira, a senadora e também ex-tupamara LuciaTopolansky — que, ao contrário do presidente, pertencia a uma família de classe alta — mudou-se para a chácara e construiu uma vida simples.

 Na semana passada, Mujica, de 77 anos, foi notícia no Uruguai por ter saído sozinho para comprar uma tampa de privada. Na volta para casa, o presidente foi visto pelos jogadores do Huracán del Paso de la Arena, um time local, que o chamaram para comer um churrasco e conversar. E lá foi Mujica, com a tampa de privada debaixo do braço.
 
 — A simplicidade do presidente não é pose — contou o jornalista do “El País” Eduardo Delgado. — Participei de várias viagens presidenciais, e todos fomos com Mujica em aviões de companhias comerciais e em classe econômica.

Em entrevista ao semanário “Búsqueda”, realizada em 2009, o presidente explicou sua teoria. Para ele, viver como pobre é a única maneira de libertar-se das pressões da sociedade de consumo.

 “Temos de escapar da escravidão que impõe a dependência material, que é uma das coisas que mais roubam tempo na sociedade contemporânea”, filosofou então Mujica. “Se você se deixa arrastar pelas pressões da sociedade de consumo, não existe dinheiro que alcance, não tem fim, é infinito”.
 
 Além de doar seu salário, Mujica destina parte do dinheiro restante a pagar tratamentos de saúde para uma de suas irmãs, que sofre de esquizofrenia, segundo confirmaram pessoas que há muitos anos convivem com o presidente. Em sua chácara, a única mudança desde que se tornou presidente foi a construção de uma casinha para os seguranças. 

Com certa aversão ao protocolo, Mujica teve de aceitar, também, roupas novas. Mas sempre preservando seu estilo informal, que não inclui, até hoje, o uso de gravata.

 — Já jantei na casa do presidente, e até a comida é muito simples: é uma típica família de classe média baixa — contou um jornalista uruguaio, que pediu para não ser identificado.
 
O jeito Mujica de ser é bem visto por muitos uruguaios, mas questionado pelas classes mais altas, que têm certa dificuldade em aceitar um presidente que fala e vive como um homem do campo. Ainda com dois anos e meio de governo pela frente, Mujica tem 52% de aprovação popular, segundo pesquisa do instituto Data Medida. Já seu vice, Danilo Astori, um economista moderado e com um estilo bem mais sofisticado, obteve 60% de avaliação positiva.





Fonte: blogdopedrosa

Começa a assembleia da Paz e da solidariedade entre os povos

 

 A 3ª Assembleia Nacional do Cebrapaz foi instalada nesta sexta-feira (8) em São Paulo com um representativo ato político. Compareceram centenas de pessoas, provenientes de todo o país, e uma numerosa delegação da própria capital paulistana. O ato contou com ilustres presenças de representantes diplomáticos, dirigentes políticos e do movimento social.

A mesa foi constituída pela presidenta da entidade, Socorro Gomes, o cônsul de Cuba em São Paulo, Lázaro Mendez, da Venezuela, Robert Torrealba, e da Síria, Gassam Obeid; o representante da Frente Polisário de Libertação Nacional (Saara Ocidental), Karin Lagdaf, da Federação Palestina, Emir Mourad, do MST, Joaquim Pinheira, da CTB, Rogério Nunes, da UBM, Simony Mascarenhas, do PCdoB, Ricardo Abreu. Também compuseram a mesa o vereador por São Paulo Jamil Murad, que foi homenageado pelos serviços prestados à luta pela paz, e o senador cearense Inácio Arruda.

Na plenária destacavam-se, entre outras, personalidades da solidariedade internacional e da luta popular: Claude Hajjar, da Fearab, Hassan Awali do PC Libanês, Hassan Abbas, do Partido Baath Sírio, Abdo Hamid, do Centro Cultural Árabe Sírio, Carmelo Munhoz, da Associação dos Bolivianos, Leo Ramirez, da Associação dos Paraguaios Japayke, Pedro Bocca, da Consulta Popular, Nádia Campeão, presidente estadual do PCdoB (SP), Vander Geraldo, presidente municipal do PCdoB na capital paulistana, Orlando Silva, ex-ministro do Esporte.

A assembleia recebeu mensagens de congratulações de Ruy Falcão, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Márcia Campos, presidenta da Federação Mundial Democrática de Mulheres, do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, do embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, do Conselho pela Paz do Vietnã, do Movimento Mexicano pela Paz e o Desenvolvimento, do Conselho da Paz dos Estados Unidos, do deputado estadual (SP) Pedro Bigardi, da Associação de Pós-graduandos (ANPG), do Centro Barão de Itararé, de Michel Collon, jornalista internacional e ativista pela paz na Bélgica, e da senadora colombiana Piedad Córdoba, coordenadora do Movimento Colombianos e Colombianas pela Paz

“O imperialismo será derrotado”

“Esta é uma luta difícil, mas que tem muito de humanismo”, disse Socorro Gomes, presidenta da entidade, ao saudar os participantes. “Cuba, baluarte da luta pela soberania nacional e da luta pela paz, tem enfrentado o ódio, o preconceito e o bloqueio criminoso do imperialismo estadunidense e tem mantido bem alto a luta pela edificação do socialismo. A República Bolivariana da Venezuela, irmã na luta anti-imperialista, e seu líder Hugo Chávez sofrem ameaças, tentativas de golpe e de magnicídio, mas mantêm a solidariedade e a construção da integração independentista, soberana e solidária com os povos da América Latina. Ganha relevo nos dias de hoje a luta pela construção do Estado da Palestina Já, povo heroico, combatendo o sionismo e o imperialismo estadunidense. Este povo tem nossa solidariedade irrestrita”, disse Socorro ao mencionar os países que têm recebido o apoio do Cebrapaz.

Socorro expôs os objetivos da assembleia: “Aqui estamos unidos com um só objetivo – lutar contra as guerras, forjar uma grande união pela paz. Reunimo-nos na 3ª Assembleia Nacional do Cebrapaz no mesmo momento em que a maior potência imperialista do planeta, os Estados Unidos, e seus cúmplices, as potências europeias da Otan, fazem rufar os tambores de guerra contra a nação síria. As potências imperialistas alargam seu poder militar e reforçam a Otan que há poucos dias, em sua cúpula realizada em Chicago, consolidou sua concepção de ser uma máquina de guerra para atacar os povos em todo o mundo”, acentuou.

Socorro destacou ainda que esta assembleia expressa a determinação dos ativistas do Cebrapaz de cumprir um importante dever: fortalecer a corrente dos lutadores pela paz e denunciar os promotores da guerra, os quais em uma ofensiva belicista inaudita avançam contra os povos.

“Não somos indiferentes aos crimes de lesa-humanidade que o imperialismo norte-americano e seus aliados têm cometido, estamos determinados a intensificar e aprofundar nossa organização e nossa luta”, disse Socorro.

Poém, a visão do Cebrapaz não é pessimista, na opinião de sua presidenta: “Também se intensifica a luta dos povos, a resistência e a unidade. O Cebrapaz tem se somado a outras organizações do Brasil, da América Latina e do mundo na denúncia aos promotores da guerra e na construção da solidariedade aos povos em luta e no fortalecimento da paz. Juntos somos fortes, juntos seremos ainda mais . Apesar de o imperialismo e seus aliados, com suas máquinas de guerra, esparramarem o terror pelo mundo, ele não é invencível. Será derrotado pela luta dos povos”.

A presidenta do Cebrapaz deteve-se especialmente na ofensiva do imperialismo contra a Síria. Ela contou a viagem que fez a essa nação árabe em abril último, integrando uma comitiva conjunta do Conselho Mundial da Paz com a Federação Mundial da Juventude Democrática.

“Este país está sob cerco e agressão há mais de um ano por parte das potências imperialistas. Mentiras, falsidades e infâmias fazem parte da estratégia de agressão. O povo sírio causou-me grande admiração. É um povo afável, com muitas religiões convivendo pacificamente entre si. 

O imperialismo está querendo passar a mentira por verdade, financia hordas de assassinos, pistoleiros, mercenários pagos para matar, querem cercar o governo legítimo de Bashar Assad para destruir um Estado nacional que resiste e não aceita que Israel destrua os povos e nações árabes. Nosso maior dever agora é a solidariedade à Síria e a denúncia dos bandidos que a querem atacar, pois há um comando internacional criminoso determinado a destruir o país. Por isso, neste momento nosso coração bate com o povo sírio, encerrou, arrancando o entusiasmado aplauso da plenária.
 

Uma só luta

 
”Entendemos que a luta dos povos está entrelaçada com a luta da classe trabalhadora, almejamos uma sociedade solidária com direitos iguais para os que trabalham e todos os povos. A CTB participa de várias iniciativas de solidariedade internacional e participou recentemente da Marcha Patriótica na Colômbia”, afirmou o representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Rogério Nunes.

Por sua vez, Joaquim Pinheira, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), disse que o movimento está ao lado do Cebrapaz há bastante tempo, construindo importantes atividades de denúncia e solidariedade. “Trazemos o abraço amigo do MST ao Cebrapaz, este instrumento fundamental de luta”. Joaquim lembrou que em Porto Alegre, durante as atividades do Fórum Social Mundial, foi importante a denúncia que o Cebrapaz fez em relação ao que ocorre na América Latina, principalmente o massacre e a chacina na Colômbia, a denúncia contra as bases militares dos Estados Unidos, sobretudo a base de Guantânamo em Cuba.

Finalizou destacando o papel da entidade: “Desde o nascimento do Cebrapaz temos percebido quão importante é esse instrumento e esse espaço para buscarmos conjuntamente saídas construindo ações de solidariedade com os povos em luta. É enorme a contribuição do Cebrapaz na luta por uma sociedade solidária. Para o MST é uma honra estar aqui”.

Simony Mascarenhas, da União Brasileira de Mulheres (UBM) disse que Socorro Gomes é “a nossa maior referência na luta em defesa dos povos e por sua libertação”. A militante feminista informou que a UBM desde sua fundação luta pela emancipação dos povos, pela solidariedade internacional. Nesse sentido – destacou – “temos grande identidade com o Cebrapaz”. Segundo Simony, a UBM apoia a luta para fazer da América Latina e o Caribe uma região de paz, contra as bases militares estrangeiras. Ela lembrou que um dos lemas do 15º Congresso da FDIM, realizado no mês de abril em Brasília, foi “Mulheres de todo o mundo construindo a paz”.

Emir Mourad, da Fepal, declarou que o Cebrapaz foi recebido com muito entusiasmo na Palestina e agradeceu o apoio que a entidade dá à luta desse heroico povo. Também a Frente Polisário, através de seu representante do Brasil, Karin Lagdaf, testemunhou a solidariedade do Cebrapaz com a luta do povo saarauí.

Sem paz não há desenvolvimento

O vereador Jamil Murad, um dos fundadores do Cebrapaz, homenageado durante a solenidade, disse que a mesa do ato de abertura da Assembleia do Cebrapaz por si só diz o que é a entidade – representativa e internacionalista. “O Cebrapaz é uma entidade extraordinária porque dá sequência ao sentimento do povo brasileiro em favor da paz.”

Nesse mesmo sentido opinou o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu. Ele lembrou que o partido tem uma enorme tradição na luta pela paz e na solidariedade aos povos, como destacamento integrante do Movimento Comunista Internacional, que sempre teve uma grande identidade com a causa internacionalista e a causa da paz mundial, desde o Manifesto Comunista de Marx e Engels.

Roberto Torrealba, cônsul da Venezuela, destacou que em 13 anos de Revolução Bolivariana, “conhecemos o valor da paz e da luta pela paz, temos conhecido as agressões, a calúnia e a violência”. O cônsul lembrou a importância da batalha política das eleições presidenciais de 7 de outubro próximo. Segundo informou, o presidente Hugo Chávez lançará sua candidatura à reeleição na próxima segunda-feira (11). “Reafirmamos a solidariedade com os povos em luta”, finalizou Torrealba.

Lázaro Mendez, cônsul de Cuba, afirmou que sentia-se honrado por representar seu país na assembleia do Cebrapaz. “Maio foi um mês que testemunhou o trabalho do Cebrapaz na solidariedade a Cuba, se realizou a maioria das convenções de solidariedade a Cuba e a nacional, em Salvador, Bahia, nas quais o papel do Cebrapaz foi enorme”. Para Lázaro Mendez, a luta pela paz não é só a luta contra a guerra mas é também a luta contra a fome, contra o analfabetismo, contra a ignorância, por mais saúde para o povo. Mendez lembrou que Cuba é solidária com todos os povos em luta e também depositária da solidariedade destes e reafirmou que no processo de atualização do modelo econômico cubano o objetivo é aperfeiçoar o socialismo. “O Cebrapaz tem em Cuba um aliado sempre presente”, disse Mendez ao desejar sucesso ao encontro.

“Esta assembleia é uma conquista, um grande acerto de nossa politica para que possamos no nosso país continental compreender bem a luta dos povos pela autodeterminação, para denunciar e impedir a ação do imperialismo, disse o senador comunista Inácio Arruda. Para ele, “sem paz não haverá desenvolvimento”. Inácio destacou a contribuição do Cebrapaz para a luta dos povos a fim de que se libertem das amarras do imperialismo.
  

 Síria: “A paz esteja convosco”

 

O último orador foi o cônsul da Síria, Gassam Odeid, que recebeu a calorosa solidariedade dos presentes à luta de seu país e seu povo contra as agressões de que têm sido vítima. Emocionado, disse que não tinha palavras para retribuir “as lindas palavras de Socorro Gomes sobre a Síria e o sofrimento do povo sírio, sob ataque do imperialismo e o terrorismo internacional , do terrorismo de Estado praticado pelo imperialismo norte-americano e seus aliados da Europa e alguns países árabes”. Odeid denunciou a “falsificação dos acontecimentos que ocorrem na Síria”, referindo-se ao papel da mídia, principalmente a Al Jazeera, do Catar, e a Al Arabiya, da Arábia Saudita. O cônsul sírio disse que seu povo está enfrentando grupos armados apoiados de fora com armas americans e israelenses. “Esses grupos cometem crimes e querem derrubar o governo, para impor o modelo político deles à Síria”, asseverou. Enérgico no tratamento dos inimigos da Síria, Odeid afirmou categoricamente: “A Otan é uma organização terrorista”. Encerrou dizendo que a primeira saudação em árabe é “A Paz esteja convosco”. “É o que desejo para o povo brasileiro assim como para o povo sírio, agradecendo a ajuda do Cebrapaz e do povo brasileiro para que a paz volte à Síria”, finalizou.

“A terra nos é estreita”

Os versos do maior poeta palestino, Mahmud Darwich, recitados por Paulo, do Bibliaspa, fizeram os presentes refletirem na estreita opressão imposta pelo imperialismo aos povos e nos amplos caminhos que estes têm a percorrer.

Em sete anos de existência, o Cebrapaz tem se consolidado como um polo da luta anti-imperialista no Brasil e América Latina, protagonizando a luta contra as bases militares estrangeiras na região e atuando destacadamente no Conselho Mundial da Paz.

O Cebrapaz tem sido intérprete de um sentimento difuso na sociedade brasileira em favor da paz, contra as guerras de agressão perpetradas pelo imperialismo estadunidense e a Otan, em defesa da soberania nacional e autodeterminação dos povos. Desde a sua última assembleia nacional, realizada em julho de 2009 no Rio de Janeiro, foram inúmeras as atividades nessa direção. Durante o sábado os representantes dos núcleos estaduais e os membros da direção nacional que cumpriu o mandato de 2009 a 2012 farão o balanço desta atividade e projetarão o futuro.




Fonte: Vermelho 

 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Os 40 anos da imagem histórica da Guerra do Vietnã e a destruição de Pyongyang









A Destruição de Pyongyang - O terror vindo dos céus

 
Por: Alcione Costa
 
Durante todo o transcurso da Guerra (1950-1953), Pyongyang a capital da República Democrática Popular da Coréia, foi pesadamente atacada com todos os tipos de bombas daquela época de forma implacável e impiedosa pela Força Aérea dos Estados Unidos, principalmente com bombas Napalm.  


Foram mais de 1000 bombas por quilômetro quadrado, e a destruição foi total e aniquiladora. Toda a estrutura e infra-estrutura da cidade foram destruídas, energia elétrica, água potável, hospitais, escolas, transporte, comunicações, pontes, indústrias, estradas, farmácias e todo o comércio. A cidade foi praticamente riscada do mapa.
 

Quando o armistício foi assinado em 27-07-1953 havia somente 2 prédios na cidade, na qual 400.000 pessoas haviam residido, uma foto aérea tirada em meados de 1953 sobre esta capital, mostrou que as condições da cidade estavam semelhantes as cidades de Hiroshima e Nagasaki logo após terem sido bombardeadas com armas nucleares pelos Estados Unidos em 06.08.1945 e 09.08.1945 respectivamente. 

(É bom que fique aqui registrado que os EUA foi o único país na história da humanidade a lançar armas nucleares sobre seres humanos).


A destruição, o flagelo, a desgraça, a fome e a miséria sem paralelos que se abateu sobre a população e de forma tão aguda se perpetuou nos anos seguintes pela estagnação da economia e instabilidade política, como conseqüência de tão arrasadora experiência.



Foram centenas de milhares de crianças, mulheres e idosos mortos despedaçados e carbonizados. Além dos órfãos e sobreviventes, desfigurados pelas queimaduras, mutilados pelas bombas de fragmentação e por outras armas. E ainda milhares de famílias separadas e casas destruídas, entre outras barbaridades.

As terríveis bombas de Napalm


Durante todo o conflito (1950-1953), os Estados unidos mantiveram uma política de pesados e constantes bombardeios em larga escala sobre a população da Coréia do Norte, especialmente utilizando bombas incendiárias contra todas as cidades e instalações civis e militares da parte norte da península coreana. Mesmo que esses tipos de atrocidades fossem tristemente lembrados no mundo pelo horror das imagens de vítimas civis, justamente na Guerra do Vietnã, pois naquele período programas de TV mostravam freqüentemente para todo o mundo, cenas horripilantes de crianças, idosos, mulheres sendo queimadas vivas.


A bomba Napalm possui uma substância gelatinosa que cola na pele, causando queimaduras de 3º grau, pois as pessoas mesmo entrando na água, ainda continuavam queimando e significativamente muito mais napalm foram lançadas no norte da península (1950-1953) apesar do relativo pouco tempo de guerra em relação à Guerra do Vietnã.


Para se ter uma idéia, durante o final da 2ª metade do ano de 1950, somente neste período foi lançado o equivalente a mais de 1 milhão de galões de Napalm sobre a população civil coreana na parte norte.


Em Maio e Junho de 1953, reforçando ordens do General Douglas MacArthur (1880-1964), o então 33º Presidente dos Estados Unidos Harry Truman (1884-1972), autorizou o General Curtis E. LeMay (1906-1990), líder do Comando Estratégico Aéreo (líder daquele comando desde 19 de Outubro de 1949), a bombardear usando bombas de fragmentação e também bombas incendiárias.

Em suma, a ordem era de destruir todas as barragens, hidroelétricas, agricultura, indústria, plantações de arroz e incendiar todas as cidade e aldeias de camponeses da Coréia do Norte, matando também milhares de pessoas afogadas devido à destruição das barragens e posteriormente outros milhares morreram de fome.
 


Curtis Emerson LeMay, o mais jovem general da Força Aérea dos Estados Unidos ao receber a 4ª estrela, desde Ulysses S. Grant (1822-1885), do Exército, declarou: ´Nós matamos 30% da população da Coréia do Norte, (...) na verdade nós matamos 40% da população da Coréia do Norte, talvez o maior percentual de população civil morta, na história de todas as guerras.`

O mesmo LeMay, durante sua aposentadoria declarou:


'Nós consumimos pelo fogo cada cidade da Coréia do Norte, e algumas poucas do Sul por engano, mas de qualquer maneira nós as queimamos.'

 






Fonte:Youtube, tkdlivre
Imagem: Google

quinta-feira, 7 de junho de 2012

EUA usam tráfico de drogas como fonte para financiar guerras

 

 Após várias décadas da "guerra contra as drogas", acompanhada por um custo colossal em vidas humanas e recursos materiais, os narcotraficantes hoje são mais fortes do que nunca e controlam um território maior do que em qualquer época.

Por Salvador Capote


Nos últimos seis anos, ocorreram no México mais de 47 mil assassinatos relacionados ao tráfico de drogas. O número de mortes foi de 2.119, em 2006, para cerca de 17 mil, em 2011.

Em 2008, o Departamento de Justiça estadunidense advertiu que as OTDs (Organizações de Tráfico de Drogas), vinculadas a cartéis mexicanos, estavam ativas em todas as regiões dos Estados Unidos. Na Flórida atuam máfias associadas ao cartel do Golfo, aos Zetas e à Federação de Sinaloa. Miami é um dos principais centros de recepção e distribuição de drogas. Além dos mencionados, outros cartéis, como o de Juárez e o de Tijuhana, operam nos Estados Unidos.

Os cartéis do México ganharam maior força depois que substituíram os colombianos de Cali e Medellín nos anos 1990 e controlam agora 90% da cocaína que entra nos Estados Unidos. O maior estímulo ao narcotráfico é o alto consumo estadunidense. Em 2010, uma pesquisa nacional do Departamento de Saúde revelou que aproximadamente 22 milhões de estadunidenses maiores de 12 anos consomem algum tipo de droga.

Esses, que são apenas alguns dos mais inquietantes dados estatísticos, permitem questionar a eficácia da chamada "guerra contra as drogas". É impossível crer que exista realmente uma vontade política para por fim a este flagelo universal quando observamos o papel desempenho o narcotráfico a serviço da contra-revolução, para a expansão das transnacionais e para as ambições geopolíticas dos Estados Unidos e outras potências.

Tráfico da CIA


Repassemos, em síntese, a história recente. A administração de Richard Nixon, ao iniciar a "guerra contra as drogas" (1971), desenvolve ao mesmo tempo o tráfico de heroína no Sudeste Asiático com o propósito de financiar suas operações militares nessa região.

A heroína produzida no Triângulo de Ouro (de onde se unem as zonas montanhosas do Vietnã, Laos, Tailândia e Myanmar) era transportada em aviões da “Air America”, propriedade da CIA (Agência Central de Inteligência). Em uma conferência de imprensa televisionada em primeiro de junho de 1971, um jornalista perguntou a Nixon: "Senhor presidente, o que você fará com as dezenas de milhares de soldados estadunidenses que regressam viciados em heroína?"

As operações do "Air America" continuaram até a queda de Saigon em 1975. Enquanto a CIA transportava ópio e heroína do Sudeste Asiático, o tráfico e consumo de drogas nos Estados Unidos se convertia em tragédia nacional. O presidente Gerald Ford solicitou ao Congresso, em 1976, a aprovação de leis que substituíssem a liberdade condicional com a prisão, estabelecessem condenações mínimas obrigatórias e negassem as fianças para determinados delitos envolvendo drogas.

O resultado foi um aumento exponencial do número de condenados por delitos relacionados com o tráfico e consumo de drogas e, por conseguinte, conversão de Estados Unidos no país com maior população prisional do mundo. O peso principal desta política punitiva caiu sobre a população negra e outras minorias.

As administrações estadunidenses durante os anos 1980 e 1990 apoiaram a governos sul-americanos envolvidos diretamente no tráfico de cocaína. Durante a administração Carter, a CIA interveio para evitar que dois dos chefes do cartel de Roberto Suárez (rei da cocaína) fossem levados a juízo nos Estados Unidos. Ao ficar livres, puderam regressar à Bolívia e atuar como protagonistas no golpe de estado de 17 de julho de 1980, financiado pelos barões da droga. A sangrenta tirania do general Luis García Meza foi apoiada pela administração de Ronald Reagan.


A participação mais conspícua da administração Reagan no narcotráfico foi o escândalo conhecido como "Irã-Contras" cujo eixo mais propagandeado foi a obtenção de fundos para financiar o conflito nicaragüense mediante a venda ilegal de armas ao Irã, mas está bem documentado, ademais, o apoio de Reagan, com este mesmo propósito, ao tráfico de cocaína dentro e fora dos Estados Unidos.


O jornalista William Blum explica essas conexões em seu livro "Rogue State". Na Costa Rica, que servia como Frente Sul dos "contras" (Honduras era a Frente Norte) operavam várias redes "CIA-contras" envolvidas com o tráfico de drogas.


Estas redes estavam associadas com Jorge Morales, colombiano residente em Miami. Os aviões de Morales eram carregados com armas na Flórida, voavam à América Central e regressavam carregados de cocaína. Outra rede com base na Costa Rica era operada por cubanos anti-castristas contratados pela CIA como instrutores militares. Esta rede utilizava aviões dos "contras" e de uma companhia de venda de camarões que lavava dinheiro da CIA, no translado da droga aos Estados Unidos.


Em Honduras, a CIA contratou a Alan Hyde, o principal traficante nesse país ("o padrinho de todas as atividades criminais" de acordo com informações do governo dos Estados Unidos), para transportar em suas embarcações abastecimento aos "contras". A CIA, de volta, impediria qualquer ação contra Hyde de agências anti-narcóticos.


Os caminhos da cocaína tinham importantes estações, como a base aérea de Ilopango, em El Salvador. Um ex-oficial da CIA, Celerino Castillo, descreveu como os aviões carregados de cocaína voavam em direção ao norte, aterrizavam impunemente em vários lugares dos Estados Unidos, incluindo a base da Força Aérea no Texas, e regressavam com dinheiro abundante para financiar a guerra.


"Tudo sob o guarda-chuva protetor do governo dos Estados Unidos". A operação de Ilopango se realizava sob a direção de Félix Rodríguez (aliás, Max Gómez) em conexão com o então vice- presidente George H. W. Bush e com Oliver North, quem formava parte da equipe do Conselho de Segurança Nacional de Reagan.


Em 1982, o diretor da CIA, William Casey, negociou um "memorando de entendimento" com o fiscal geral, William French Smith, que exonerava a CIA de qualquer responsabilidade relacionada às operações de tráfico de drogas realizadas por seus agentes. Este acordo esteve em vigor até 1995.


Reagan e seu sucessor, George H. W. Bush, patrocinaram o "homem da CIA no Panamá", Manuel Noriega, vinculado ao cartel de Medellín e à lavagem de grandes quantidades de dinheiro procedentes da venda da droga. Quando Noriega deixou de ser útil e se converteu em estorvo, os Estados Unidos invadiram o Panamá (20 de dezembro de 1989) em um bárbaro ato sem precedentes contra o direito internacional e a soberania de um país pequeno.


Michael Ruppert, jornalista e ex-oficial do setor de narcóticos, apresentou em 1997 uma larga declaração, acompanhada de provas documentais aos comitês de inteligência ("Select Intelligence Committees") de ambas Câmaras do Congresso. Em um dos parágrafos afirma: "A CIA traficou drogas não só durante a época dos "Irã-contras", mas o tem feito durante todos os cinqüenta anos de sua história. Hoje lhes apresentarei evidências que demonstrarão que a CIA, e muitas figuras que se fizeram célebres durante o 'Irã-contras', como Richard Secord, Ted Shackley, Tom Clines, Félix Rodríguez e George H. W.Bush, venderam drogas aos estadunidenses desde a época do Vietnã."


Em 1999, sob a administração de Bill Clinton, os Estados Unidos bombardearam impiedosamente o povo iugoslavo durante 78 dias. De novo aqui aparece o narcotráfico no fundo das motivações. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e seus homólogos da Alemanha e Grã-Bretanha utilizaram o tráfico de heroína para financiar a criação e o equipamento do Exército de Libertação de Kosovo.


A heroína proveniente da Turquia e da Ásia Central passava pelo Mar Negro, Bulgária , Macedônia e Albânia (Rota dos Balcãs) com destino a Itália. Com a destruição da Sérvia e o fortalecimento – desejado ou não – da máfia albanesa, a administração Clinton deixava livre o caminho da droga desde o Afeganistão até a Europa Ocidental. De acordo com informes da DEA e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, cerca de 80 % da heroína que se introduz na Europa passa através de Kosovo.


"Planos" Colômbia

Várias administrações estadunidenses, e em particular a de George W. Bush, foram cúmplices do genocídio na Colômbia. A "guerra contra as drogas" sustentada pelos Estados Unidos com recursos financeiros multimilionários, assistência técnica e volumosa ajuda militar, não conseguiu deter o fluxo de cocaína e, pelo contrário, tem sido determinante no surgimento e desenvolvimento dos grupos paramilitares a serviço dos proprietários de terras com plantações de drogas, e também como pretexto para manter o domínio sobre os trabalhadores e a população camponesa.


O Plano Colômbia resultou num completo fracasso, mas serviu como tela de fundo para a ingerência dos Estados Unidos no país e mostrou claramente seu verdadeiro objetivo, a contra-revolução.


Muitas vezes se esquece que o narcotráfico é provavelmente o negócio mais lucrativo dos capitalistas. Com a guerra na Colômbia lucram as empresas químicas que produzem os herbicidas, a indústria aeroespacial que abastece helicópteros e aviões, os fabricantes de armas e, em geral, todo o complexo militar-industrial. Os bilhões de dólares que gera o tráfico ilegal de drogas, também incrementam o poder financeiro das corporações transnacionais e da oligarquia local.


A recente declaração do Secretariado de Estado Maior Central das FARC-EP, em vista do quadragésimo oitavo aniversário do início da luta armada rebelde, denuncia este vínculo drogas-capital: "os dinheiros do narcotráfico se convertem em terras, inundam a banca, as finanças, os investimentos produtivos e especulativos, a hotelaria, a construção e a contratação pública, resultando funcionais e necessários no jogo de captação e circulação de grandes capitais que caracteriza a capitalismo neoliberal de hoje. Igualmente ocorre na América Central e no México."


O Tratado de Livre Comércio Estados Unidos-México (Nafta) obrigou numerosos camponeses, ante a competitividade de produtos agrícolas estadunidenses, a cultivar em suas terras papoula e maconha. Outros, frente à alternativa de trabalho escravo nas indústrias "maquiladoras", preferem ingressar nas redes mafiosas da droga.


O grande aumento do tráfico de mercadorias através da fronteira e dos controles bancários para combater o terrorismo, provocou a lavagem de dinheiro dos bancos até as corporações comerciais. A complexidade e o volume das operações financeiras, e o fluxo instantâneo e constante de capitais "on line", tornam extremamente difícil seguir o rastro das transações ilícitas.


Uma das conseqüências do Nafta é a impunidade quase total que acompanha o fluxo de narcodólares em ambos os lados da fronteira. Igualmente como no México, o Tratado de Livre Comércio recentemente em vigor na Colômbia estimulará a violência, o narcotráfico e a repressão sobre os trabalhadores e camponeses. A "Iniciativa Mérida", por sua vez, é somente a versão 'México-Centroamericana' do Plano Colômbia.


Devemos meditar sobre o fato de que em todos os cenários de onde os Estados Unidos têm intervido militarmente, principalmente naqueles onde tem ocupado a sangue e fogo o território, o narcotráfico, sem diminuir, como seria de esperar, está multiplicado e fortalecido. No Afeganistão, o cultivo de papoula se reduziu drasticamente durante o governo dos talibãs para alcançar logo, sob a ocupação estadunidense, um crescimento acelerado.


O Afeganistão é atualmente o primeiro produtor de ópio do mundo, mas, ademais, já não exporta somente em forma de pasta para seu processamento em outros países, mas fabrica a heroína e a morfina em seu próprio território.


Se nos atemos aos fatos históricos, poderíamos afirmar que a política dos Estados Unidos não tem sido a de "guerra contra as drogas", senão a de "drogas para a guerra".




Tradução: Eduardo Sales de Lima
Fonte:Vermelhobrasildefato
Imagem: Google

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 A CIA controla o tráfico de droga no Afeganistão... 

 Do Blog Octopus


A recente revelação, de que o irmão (implicado no tráfico de droga) do actual presidente do Afganistão, Hamid Karzai, era pago desde há 8 anos pela CIA, vem confirmar o que muitos vinham denunciando: a CIA é quem controla o trafico de ópio afegão.


Para além dos interesses geoestratégicos, do controle do petróleo e do gás, a invasão do Afganistão, teve também como objectivo o controle da produção de ópio.

A CIA e a Droga...


Um artigo do "The New York Times" de 27 de outubro de 2009, revela que Ahmed Wali Karzai, irmão do presidente do Afganistão, é pago desde há 8 anos pela CIA para desempenhar vários serviços, entre os quais, a formação de um grupo paramilitar incombido de realizar ataques contra oponentes talibans na região de Kandahar. Este é suspeito desde há muito de tráfico de droga.

http://www.nytimes.com/2009/10/28/world/asia/28intel.html?_r=1&ref=world


Afeganistão, o maior produtor mundial de ópio. 

Antes da guerra entre a URSS e o Afganistão (1979-1989), a produção de ópio era quase nula no Afganistão, assim como aliás no Paquistão. Mas no início de 1979, as operações clandestinas da CIA estimularam a sua produção, sobretudo junta da fronteira entre o Paquistão e o Afganistão, tornando-se a primeira fonte mundial de heroína, fornecendo 60% do consumo americano.

Com a chegada ao poder dos talibans, a produção de ópio tinha caido 90% em 2001, em grande parte por causa dos seus vários planos de irradicação do tráfico de droga. Esta proibição, desencadeou "o inicio de uma penúria de heroina na Europa nos finais de 2001" como admitiu então a ONU.


Com a invasão do Afeganistão pela NATO, a produção não mais parou de subir, até atingir níveis nunca antes alcançados e fazendo do Afganistão o fornecedor de 94% do ópio mundial. Isto só foi possível porque a CIA passou a controlar a sua produção e exportação.


Veja o post completo em: http://octopedia.blogspot.pt/2009/11/cia-controla-o-trafico-de-droga-no.html









Cristina Kirchner defende restrição ao dólar em meio à crise

 

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, questionou nesta quarta (6) os que buscam pela via judicial a permissão para adquirir moeda estrangeira e anunciou que passará sua renda fixa de dólares para peso.


A mandatária disse que "se a dolarização tivesse vencido, os argentinos estariam todos mortos. O que me chama a atenção é que tenha comunicadores que pedem para dolarizar a economia".

"Se esquecem de tudo o que passou em 2001?", disse a presidenta, em rede nacional, em referência a uma das piores crises econômicas do país, em momento em que havia paridade do peso e do dólar.


"Se esquecem que apenas neste mês de agosto vão cobrar o último vencimento dos títulos 2012 com os quais se engancharam porque não podiam pagá-los?", afirmou Cristina.


Além disso, ela antecipou que passará suas economias em dólares para pesos e convidou seus funcionários para seguirem esse exemplo. O governo adotou medidas para restringir a compra de dólares com o fim de acumular moeda estrangeira no marco da crise econômica internacional.


 




Fonte: Ansa, Vermelho
Imagem:

Irã reivindica seu direito a um programa nuclear civil

 

Autoridades iranianas pediram nesta quinta-feira (7) que os países do Grupo 5+1 reconheçam seu direito de desenvolver um programa nuclear civil e pacífico, para assegurar o êxito da próxima reunião sobre o tema prevista para acontecer em Moscou, nos dias 18 e 19 de junho, indicou a imprensa iraniana.

Ali Akbar Velayati


  "Esperamos que os países do Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) participem com realismo da reunião de Moscou e tomem suas decisões respeitando os direitos justos do Irã de desenvolver um programa nuclear civil", disse Ali Akbar Velayati, conselheiro para assuntos internacionais do aiatolá Ali Khamenei.

"O Irã também se compromete a manter atividades nucleares pacíficas dentro das normas internacionais", acrescentou. O Irã e o Grupo 5+1 se reunirão em Moscou para dar prosseguimento às negociações sobre o programa nuclear que começaram em abril em Istambul e foram mantidas depois em Bagdá nos dias 23 e 24 de maio.


"As pressões da frente da arrogância (ocidentais) nos impedem de negociar com base em um plano em que todos nós possamos ganhar", disse o ex-presidente Akbar Hachemi Rafsandjani, que dirige o Conselho do Discernimento, uma entidade encarregada de aconselhar o aiatolá.


"O ocidente deve saber que o caminho do êxito nas negociações passa pelo reconhecimento dos direitos justos do Irã e do abandono de uma política miserável de pressão, ameaças e sanções", acrescentou.


 







Fonte: AFP, Vermelho
Imagem: Google

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Domenico Losurdo - Líbia 50.000 mortos

*Como diz o ditado palestino: "Quem despoja os demais, vive sempre em terror".
E os norte americanos só fazem isso porque no mundo há alienados o suficiente para acreditar que na Líbia havia um regime totalitário e que eles (OTAN) levariam aos líbios, a "Democracia e a Liberdade".










*(MariaLeite)


Fonte: CHEbola

NO IRÃ, NEM TUDO É O QUE PARECE

Economia do país segue e ritmo forte mesmo após sanções; país é envolto por estereótipos que pouco refletem a realidade.
Agência Efe
 
Opera Mundi  Pedro Chadarevian | São Paulo
O Irã pensa grande. Apesar dos boicotes e pressões internacionais, o país segue o curso de uma ousada estratégia de desenvolvimento. A meta é estar entre as 15 maiores economias do planeta antes de 2020. A valorização do preço do petróleo explica apenas em parte este sucesso. A economia iraniana vem se diversificando e passou praticamente incólume pela crise global.
Por trás desta expansão impressionante está um modelo que combina elementos socialistas, herdados da Revolução de 1979, com as reformas de mercado promovidas pelo atual presidente logo em seu primeiro mandato. Um processo amplo de privatizações reduziu a presença do Estado na economia, abrindo espaço para investidores externos, mantendo, contudo, uma participação importante para o capital nacional, estatal e privado. O setor automobilístico do país, por exemplo, tem tecnologia predominantemente nacional, é o quinto mais pujante do planeta.
Como nenhum processo de desenvolvimento se dá sem o apoio fundamental na evolução da qualidade de vida da população, vale a pena uma rápida incursão sobre este tema. Não há dúvidas que a alta qualificação da mão-de-obra contribui diretamente para a situação econômica recente. O país, desde a ruptura com o regime dos xás, investiu pesadamente em educação. A ponto de liderar em 2011 o ranking dos países com maior crescimento na produção científica no mundo. O estado de bem-estar social é também um dos mais evoluídos da região, capaz de reduzir o nível de pobreza a míseros, com o perdão do trocadilho, 12% (no Brasil, o índice atualmente se situa em torno dos 20%).
A repercussão política destas condições materiais excepcionais é evidente. No Irã, que mantém, apesar das pressões externas, a estabilidade democrática, não parece haver hoje qualquer sinal de contaminação do ambiente revolucionário do norte da África.
O modelo atual de desenvolvimento se embasa em uma retórica antiimperialista, buscando ultimamente aliados inclusive na América Latina, como Hugo Chávez (Venezuela) e Rafael Correa (Equador). Mas se a política externa ajuda a legitimar o regime, a enorme influência que mantêm os aiatolás – com status de verdadeiro poder moderador no interior do Estado – produz uma massa crescente de descontentes, em especial entre segmentos da intelectualidade.
Para entender melhor a realidade complexa desta sociedade em frenética transformação, oOutra Economia escutou o filósofo cearense Daniel Marcolino, que acaba de defender uma tese de mestrado na Universidade de São Paulo sobre a estética do cinema iraniano. Para realizar a sua pesquisa, passou dois meses imerso no país persa, e conta agora com exclusividade para os leitores do Opera Mundi esta experiência, esclarecendo aspectos da vivência dos iranianos que vão muito além da imagem estereotipada difundida pela grande imprensa.

* * * * *
NO BRASIL, A INFORMAÇÃO QUE NOS CHEGA SOBRE O IRÃ PASSA, EM GERAL, PELO OBSCURO FILTRO DA MÍDIA OCIDENTAL, QUE QUER NOS FAZER ACREDITAR NOS RISCOS DE UM REGIME TIRANO, TOTALITÁRIO, ATRASADO E COM INTENÇÕES ESTRITAMENTE BÉLICAS E EXPANSIONISTAS. LENDO O SEU TRABALHO DE MESTRADO [“A DILUIÇÃO DO AUTOR NA TRILOGIA DE KOKER DE ABBAS KIAROSTAMI”], NOS DAMOS CONTA QUE A INTENSA VIDA CULTURAL NA CAPITAL DO PAÍS, TEERÃ, APRESENTA UMA REALIDADE QUE VAI MUITO ALÉM DESSE ESTEREÓTIPO, E MUITAS VEZES CONTRARIANDO TOTALMENTE ESSA VISÃO PRECONCEITUOSA.

Não só no Brasil, mas em todo o Ocidente (exceção feita a alguns países na América do Sul e Central) e mesmo no Oriente, em parte dele, a informação é fabricada, não só pela mídia, mas por todo um conjunto de canais que elaboram formas de reconstrução do ser-Outro Oriente. Disso já nos falava muito bem Edward Said.

O que é novo nessa construção a partir de 1979 é que o Irã é elevado à categoria de inimigo número 1 do mundo. O Irã passa a representar o atraso determinante para o mundo. Essa posição liderada pelo Irã ameaçaria a paz mundial, porque tem a ideia beligerante dos persas. Ora, os EUA e seus aliados provocaram as maiores guerras do final do século XX, invadiram o Iraque, apoiando-o antes quando era de seu interesse em uma guerra contra o Irã, o que fortaleceu o poder religioso local.

Antes disso, já havia reforçado esse mesmo poder quando do golpe promovido por eles junto aos ingleses em 1953, ocasião em que o primeiro ministro Mohamed Mossadegh estatizou a empresa de petróleo que estava nas mãos de britânicos, passando às aos iranianos. Isso se deu em 1951 e já em 1953 acontecia o golpe.

Foi uma interferência criminosa em assuntos nacionais por parte dos EUA e Reino Unido, países que hoje lideram sérias sanções econômicas que afixiam as forças produtivas do país. Como então agora se surpreender e atribuir ao próprio Irã a “invenção” de um governo teocrático? Não estamos dizendo que esse golpe tenha diretamente gerado o governo que aí está, mas certamente o inconformismo da população com a situação de sua extrema pobreza na era Pahlevi encontrou na religião suporte para reivindicar mudanças.

FALA-SE ABERTAMENTE EM POLÍTICA NAS RUAS DE TEERÃ HOJE? OS TEMAS DA ATUALIDADE REGIONAL, COMO AS REVOLUÇÕES DA PRIMAVERA ÁRABE, OS EXERCÍCIOS MILITARES DE ISRAEL NO GOLFO PÉRSICO, OS ATENTADOS CONTRA OS CIENTISTAS IRANIANOS, SÃO COMENTADOS NOS MEIOS INTELECTUAIS?

Fala-se sobre política, e muito. É um dos tópicos recorrentes nas conversas e os iranianos não têm receio de criticar o governo. Todos esses tópicos da atualidade regional são, sim, debatidos. Mas cabe lembrar que o acesso à informação é limitado.

Há muitos sites censurados e as mídias impressa e televisiva são controladas pelo Estado. Por outro lado, é muito fácil driblar a censura. Os programas anti-filtros são populares e basta olhar os telhados de Teerã para ver uma grande quantidade de antenas parabólicas, que captam sinais de emissoras do mundo todo. Nos meios intelectuais, em geral, o acesso à informação é maior, além de ser um grupo que viaja para países estrangeiros e mantém redes de contato.

Existe no Irã uma vontade das pessoas de mostrarem-se diferentes do modo como o governo se posiciona. Muitos deles dizem que, no Irã, há uma vida pública, cuja expectativa do governo é, em certa medida, satisfeita, e outra privada, muito diferente.

Ainda dizem: o governo é uma coisa, o povo, outra. Isso na intenção de demarcar diferenças entre as declarações do presidente e o que o povo pensa e como eles vivem, em referência à vida privada que levam no Irã.


PELO SEU DISCURSO, AHMADINEJAD POSICIONA-SE, IDEOLOGICAMENTE, PRÓXIMO ÀS CORRENTES DA ESQUERDA BOLIVARIANA DA AMÉRICA LATINA. EM RECENTE PASSAGEM PELO EQUADOR, FEZ DURAS CRÍTICAS AO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO E AO NEOLIBERALISMO. EXISTE A PERCEPÇÃO DE UM GOVERNO AHMADINEJAD PROGRESSISTA  EM RELAÇÃO ÀS SUAS POLÍTICAS SOCIAIS E ECONÔMICAS?


Essa aproximação não é ideológica, mas estratégica. O discurso é ideológico, pois seriam nações anti-imperialistas, anti-Estados Unidos, principalmente. Mas o contexto e a história são muito distintos. O governo de Ahmadinejad é progressista em relação às políticas sociais. Aliás, desde a Revolução há uma melhora significativa nos indicadores sociais. A expectativa de vida ao nascer, por exemplo, era inferior a 60 anos em toda a década de 1970 e hoje é de 74 anos.

A situação econômica é prejudicada pelo bloqueio econômico, que é uma questão muito séria, mas mesmo assim a situação não é ruim se comparado aos nossos índices aqui no Brasil. Na esfera cultural, o problema no Irã são as restrições às liberdades individuais, as estratégias que a população tem de ter para conseguir, por exemplo, usar a Internet livremente. Mas, fora isso, há uma efervescência cultural impressionante e as praças estão sempre cheias de pessoas, famílias, jovens, crianças. Isso é espetacular como as ruas são tomadas pelas pessoas.


OUTRO ESTEREÓTIPO EM VOGA NA MÍDIA OCIDENTAL É EM RELAÇÃO À POSIÇÃO DA MULHER NA SOCIEDADE IRANIANA ATUAL. LENDO O SEU TRABALHO, PERCEBEMOS QUE A REALIDADE IRANIANA MAIS UMA VEZ CONTRARIA ESTA CONCEPÇÃO DE DOMINÂNCIA MASCULINA ABSOLUTA NO PAÍS. PODE-SE CONSIDERAR QUE AS MINORIAS SEXUAIS NO IRÃ CONSEGUIRAM TAMBÉM CONQUISTAS APÓS A REVOLUÇÃO?

Se você considerar as mulheres como minoria sexual, sim. Mas cabe lembrar que antes da Revolução elas já eram tratadas de maneira diferente no Irã, em comparação, por exemplo, com muitos países árabes. No ano passado, uma mulher foi presa na Arábia Saudita por dirigir. No Irã, elas não só dirigem, como podem abrir seu próprio negócio, trabalhar, pedir divórcio.


Cerca de 65% dos estudantes universitários são mulheres. Até mesmo na controversa questão do uso do véu em público o Irã se diferencia. A obrigação é cobrir a cabeça, mas não se obriga o uso do chador (manto preto que cobre todo o corpo) ou da burca.

Há casos em que a polícia se incomoda com mulheres que deixam muito cabelo à mostra, mas comparado com países árabes, o Irã é, sem dúvida, mais liberal. Agora, se em minorias sexuais você incluir os homossexuais, a situação é diferente, pois há mais medo de se expor.

Mesmo assim, são conhecidos os lugares de “pegação”, inclusive com informação constando em guia internacional, e as festas particulares.

 Fábrica de produção de aço em Isfahan: sanções não diminuíram produtividade em diversos setores da economia persa


 Irán produziu 600 mil veiculos de passeio em apenas 4 meses de 2012


 O desenvolvimento da industria eletroeletronica do Irã é o maior da região


Grupo de flamenco iraniano "Andaluzia" se apresenta em Teerã e derruba alguns mitos sobre a condição da mulher no país


 Mulher iraniana e sua forma própria de se vestir



Fonte: SOA-BRASIL
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