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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Ilan Pappe - parte 01 - Sobre as perspectivas para a solução do conflito...

Nesta palestra para a Conferência sobre a Palestina, em Stuttgart, o brilhante professor e humanista israelense Ilan Pappe faz uma magnífica exposição do significado do sionismo: suas características inerentemente colonialistas e racistas.

Ilan Pappe também revela como é enganosa a ideia propalada por certos círculos da "esquerda" europeia de que entre os sionistas israelenses há forças democráticas de esquerda que estariam interessadas em chegar a uma solução justa com os palestinos. Ilan Pappe deixa patente que não há diferenças significativas no comportamento colonialista e racista tanto da direita como da "esquerda" sionistas. Ambas correntes compartilham igualmente o objetivo e o desejo de livrar-se da presença do povo palestino nativo. A única grande diferença está em que a "esquerda" sabe manipular as palavras muito mais habilmente que seus pares direitistas. Daí que, para os que lutam realmente para o fim do colonialismo naquela região, esta "esquerda" seja até mais perigosa do que a direita aberta e declarada, uma vez que, com seu palavreado ardiloso, ela consegue neutralizar boa parte da intelectualidade europeia, que parece contentar-se tão somente com palavras de efeito, independentemente da realidade sobre o terreno.

Para Ilan Pappe, a luta contra o colonialismo e o racismo na Palestina exige que o combate seja feito primeira e abertamente contra a ideologia que o impulsa, sustenta e ampara, ou seja, contra o sionismo. Sem a derrota ideológica do sionismo não há perspectivas de paz e justiça na Palestina.








Fonte: DOCVERDADE
Do canal Josespa1

Novas bases, velhos interesses



Instalação de bases militares no Chile e no Peru revelam a tentativa estadunidense de aumentar sua influencia na região


As expectativas de novas relações entre Estados Unidos e América Latina continuam cada vez mais distantes. Movimentações recentes, com vistas à instalação de novas bases militares, revelam a tentativa estadunidense de aumentar sua influencia na região.

Em 5 de abril, foram concluídas no Chile as obras do Centro de Treinamento de Pessoal para Operações de Paz em Zonas Urbanas. Localizada em Forte Aguayo, em Concón, na região de Valparaíso, a base foi construída em 60 dias, tempo considerado recorde para um projeto do tipo.

A estrutura é composta por oito edifícios, que simulam uma pequena cidade. O custo da base, financiado pelo Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, foi de quase 500 mil dólares. O centro será destinado ao treinamento das chamadas Forças de Paz das nações latino- americanas que integram missões das Nações Unidas.
Já no Peru, o Governo Regional do departamento de Piura (norte do país) entregou a representantes do Comando Sul dos Estados Unidos um terreno de dois hectares para que seja construído o novo Centro de Operações de Emergência (Coer) para Piura, capital do departamento.

Segundo informações da imprensa local, representantes do Comando Sul já realizam estudos e estimam que, até julho, o projeto para o centro estará pronto. A obra deverá ter um custo de 500 mil dólares.

Com as duas novas unidades, chega-se à marca de 49 bases militares estrangeiras na América Latina, segundo levantamento do Centro de Estudos e Documentação sobre Militarização.
Outra base estadunidense estava prevista para a Argentina, mas o plano não foi em frente. O objetivo dos Estados Unidos era instalar um “centro de emergência” em um edifício no perímetro do aeroporto da cidade de Resistencia, capital da província de Chaco, no nordeste do país.

A permissão para a instalação do centro já havia sido outorgada pelas autoridades locais da província do Chaco. Entretanto, o plano foi rechaçado pelo governo nacional, que, depois de vários protestos de organizações sociais, mandou suspender as negociações.

Política continuada

 

A instalação das novas bases é vista com preocupação pelo professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC e membro do Instituto de Estudos Latino Americanos (Iela), Nildo Ouriques. Para ele, o fato mostra que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mantém uma política “imperialista” para a região.


 

“Ninguém amplia bases militares para fortalecer relações de solidariedade e amizade”, alerta.

A opinião é compartilhada por Pablo Ruiz, que integra, no Chile, a Equipe Latinoamericana do Observatório da Escola das Américas (Soaw).

“No começo tivemos esperança em Obama, quando disse, especialmente, que queria ter uma relação de respeito com nosso continente. Mas as esperanças terminaram faz muito tempo“, diz.


 

Militarização

A construção de bases militares estadunidenses na América Latina não é um fenômeno novo, como lembra o professor de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero Igor Fuser. Durante as décadas de 1970 e 1980, porém, não havia necessidade de uma presença militar mais efetiva, pois os próprios governos nacionais, alçados ao poder por meio de golpes de Estado, levavam adiante os interesses dos Estados Unidos na região. Sua força continuou nos anos 1990, com a eleição de governos neoliberais simpáticos ao país.

A comodidade estadunidense começou a ruir com a ascensão de governos progressistas como o de Hugo Chávez, em 1998, fenômeno que se estendeu a outros países a partir da década de 2000. Junto veio o fracasso do projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Nesse momento, segundo o professor da Cásper Líbero, as bases apresentaram-se como solução.


  
“Os Estados Unidos perceberam a falta de um instrumento mais eficaz para garantir seus interesses políticos e econômicos na região. A saída que eles encontram foi intensificar a presença militar direta na América Latina”, afirma Fuser.

Fato emblemático do aumento da militarização, para ele, foi a reativação da Quarta Frota da marinha estadunidense, em 2008. Criada em 1943, durante a II Guerra Mundial, para conter os avanços nazistas, a unidade havia sido desativada em 1950.

O Brasil e seus recursos

Dentre os vários interesses estadunidenses na região, o controle dos recursos naturais aparece como um dos mais importantes. Nesse sentido, para o jornalista uruguaio Raúl Zibechi, o Brasil torna-se um grande alvo dessa nova ofensiva.

Detentor das riquezas da Amazônia, o Brasil tornou-se um país ainda mais atrativo devido à descoberta da camada pré-sal. Com isso, segundo ele, a tendência é de que o “traçado” das bases, daqui para frente, vise a “cercar” o Brasil.

“Com o pré-sal as coisas se complicam, e a Marinha começa a ter um papel mais importante do que antes”, diz.

Nesse sentido, aponta Fuser, o Brasil deve adotar uma posição firme de repúdio às bases, não só para proteger seus recursos naturais, mas também de solidariedade em relação a seus vizinhos.

“A perspectiva de uma América do Sul integrada, como o Brasil defende, inclui como ponto essencial a afirmação plena da soberania. Um país não pode ser plenamente soberano se ele tem uma base militar estrangeira instalada no seu território”, diz.


Consequências

Os países para onde estão previstas as novas bases já temem as consequências da militarização. No Chile, a instalação da base tem gerado protestos de diversas organizações. Em carta dirigida ao ministro de Defesa, Andrés Allamand, comissões de direitos humanos, grupos de familiares de executados políticos, intelectuais e movimentos sociais afirmam que os Estados Unidos não têm “qualidade moral para ensinar operações de paz”.

O principal receio é de que a base sirva para conter manifestações sociais que vêm acontecendo nos últimos anos em território chileno, organizadas por estudantes e defensores de direitos humanos.



Já no Peru o principal desdobramento da instalação da nova unidade militar deverá ser a intensificação da chamada “guerra às drogas”. A base de Piura, segundo o analista político peruano Guillermo Burneo, terá objetivo semelhante à base área de Manta, no Equador. Desativada em 2008 por determinação do presidente Rafael Correa, a estrutura tinha por objetivo oficial combater o narcotráfico na região.

Com o aumento da repressão ao narcotráfico, argumenta Burneo, os Estados Unidos podem impulsionar seu mercado de equipamentos bélicos – algo que se torna especialmente importante agora, diante da crise econômica pela qual passam os estadunidenses.

“Dar treinamento a nossos exércitos é uma maneira de nos submeter à sua logística e o que isso implica, que é a compra de armamentos”, afirma Burneo.




Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Google

Paraguai: dinastia x povo





O que está em jogo no atual cenário latino-americano desde as terras paraguaias é a possibilidade, ou não, de manutenção do poder pela dinastia oligárquica deste país.

*Por Roberta Traspadini

Desde o período colonial, o processo de desenvolvimento da luta de classes na América Latina tem como sendeiro luminoso a disputa de classe pelo poder (na compreensão e na execução).

Em boa parte dos últimos 500 anos, a América Latina viveu uma sucessão dos mandatários das dinastias no poder de Estado, dada a capacidade de grupos familiares dominantes exercerem, na força bruta, o poder de ditar as formais-representativas regras do jogo político.

O que está em jogo no atual cenário latino-americano desde as terras paraguaias é a possibilidade, ou não, de manutenção do poder pela dinastia oligárquica deste país, em associação com os interesses do capital internacional, em especial, o estadunidense.

No Paraguai, a dinastia Strossner tenta assumir, nos últimos anos, a postura de não permitir que outra classe realize, com suas cores e sabores, um projeto alternativo de poder, com grande projeção popular e internacional.


 
Mais do que um questionamento formal à política do inimigo, o que a dinastia oligárquica exerce é a estratégia histórica de destituir, na força, um poder legitimamente instituído pelo povo.

O que o rei paraguaio, da dinastia internacional coligada com os EUA sobre a América Latina, pretende com seu histórico familiar, no golpe sobre Lugo e o povo, é continuar trotando rumo à sua aparente insuperável manipulação e execução do poder formal de Estado.

O que vivemos neste momento no Paraguai é a disputa entre o que historicamente se teve como hegemônico processo de realização de poder e a real chegada democrática ao Estado, de um presidente avesso à dinastia Paraguaia, Lugo.

Paraguai é um país estratégico para a continuidade de poder hegemônico dos EUA no continente latino. As reservas de água, a localização desde o sul, exigem do Estado americano, um posicionamento ancorado nas bases da disputa territorial nacional. É assim como se associam o militarismo das dinastias com o militarismo armado americano.

Para as famílias da dinastia, articuladas para a prepotente ininterrupta sucessão ao trono, Lugo representa não só o fracasso, mas a perda da condução criminosa na história do poder paraguaio.

Crime que, nos últimos 500 anos, foi irradiado por todos os cantos habitados pelo povo paraguaio, com a expressiva morte de camponeses, da produção de vida autônoma e da soberania popular.

Mas os discípulos do Rei sem trono, não contavam com a organização do poder popular dentro e fora de seus domínios territoriais.

O golpe ocorre em um momento muito particular da história do poder na América Latina. Outros Estados, com seus projetos e processos, estão em aberta correlação de forças contra as dinastias nacionais executadas em nossos territórios latinos.

A atual política de golpe da dinastia nos nossos países encontra, no cenário internacional e latino-americano, uma resistência incômoda para os déspotas: os povos organizados rumo à outra integração possível que não seja a da mercantilização dos territórios e sujeitos e que, pouco a pouco, execute uma nova dimensão sobre o bem viver.

O Paraguai de Lugo, não pertence somente aos paraguaios. Pertence a um processo de integração em que os povos latinos se reconhecem, na resistência, em luta juntos, integrados por outros interesses e compromissos.

Essa integração dos povos tem, em alguns dos Estados nacionais – Venezuela, Bolívia, Equador, Brasil – uma aliança que coloca em xeque o golpe, como dinâmica aceitável de poder.

As ditaduras das dinastias encontram, hoje, outro tipo de resistência popular ao seu crime despótico: a organização internacional dos povos, dos Estados aliados desde outra dinâmica.

Quiçá ainda não estejamos em tempos de uma América Latina livre, como sonhava Bolívar. Mas não estamos mais em um processo em que a humilhação, a matança e a organizada forma criminosa de ser das dinastias nacionais consigam ser executadas sem o grito e a organização coletiva de classe no continente.


 
Que as dinastias latinas sejam banidas da real possibilidade de execução de poder formal na América Latina. Que nós latinos nos levantemos com os camponeses e o povo paraguaio, contra esse sujo jogo de poder oligárquico familiar que tenta, na aliança geopolítica com os EUA, minar a possibilidade real da construção do poder e do projeto popular no Paraguai. E que os Estados nacionais em correlação de força com os EUA, façam a sua parte no processo, como já assinalou o presidente Chávez.

 


*Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

Fonte: Brasil de Fato 
Imagem: Google

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Uma Casa da Rússia no Oceano Índico




Os tijolos para construir a histórica visita que o presidente Vladimir Putin da Rússia (foto) fará ao Paquistão em setembro já começaram a chegar a Islamabad. É momento de máxima importância na história e na política regionais. Será a primeira vez que um presidente russo visitará o Paquistão, desde que o país nasceu, em 1947.
Os russos estão produzindo tijolos muito resistentes para a casa que esperam erguer na região que é cabeça de praia no Oceano Índico – mansão suficientemente grande para receber os amigos dos russos, do Paquistão e dos países vizinhos, Índia, Irã e Afeganistão, que queiram conviver com os russos.

Mas... os EUA enfureceram-se, à mera visão dos tijolos russos. O ponto é que essa Casa da Rússia estará plantada no meio da estrada, sobre a Nova Rota da Seda que os EUA vêm planejando, e que tem de atravessar o Paquistão. Se o acesso ao Paquistão ficar bloqueado, será extremamente difícil para os EUA manter unidos o corpo e a alma das dezenas de milhares de soldados que os EUA esperam manter alocados no Hindu Kush e na Ásia Central, feito neopioneiros no “Oeste Selvagem” da Xingjiang chinesa e no “baixo ventre macio” da Rússia.

Em resumo, a batalha começou, pelo controle sobre o futuro do Paquistão. Há muitos interessados, e a luta à frente ameaça ser duríssima, porque no coração da disputa estão inúmeras outras questões, todas com consequências profundas na política mundial – segurança no campo da energia das duas grandes usinas da Ásia (China e Índia); o futuro do Novo Oriente Médio; e, é claro, a estratégia dos EUA para ‘conter’ Rússia e China. 
 
Moscou escalou diplomata talentoso e de vastíssima experiência, para visitar o Paquistão em maio e avaliar o terreno. É homem de cuja reputação se fazem as lendas nas montanhas do Hindu Kush – embaixador Zamir Kabulov, principal homem da Rússia no Afeganistão. Ao escalar Kabulov, Moscou declara também, gentilmente, a amplidão de suas intenções no que tenham a ver com o projeto arquitetônico: a nova mansão russa terá ares de Afeganistão.

Imediatamente depois da visita de Kabulov, os especialistas russos começaram a desembarcar no Paquistão. Trazem propostas de alta significação para a segurança e a estabilidade regionais. Moscou demarcou a questão da cooperação no campo da energia, como o fulcro da nascente cooperação com Islamabad.

Ressurge uma ideia de seis anos passados...

É decisão arguta de Moscou, porque a segurança no campo da energia é questão-chave na economia política do Paquistão, não menos importante que o terrorismo. Grandes áreas do Paquistão só têm hoje poucas horas diárias de eletricidade; e a ira popular é visível. Moscou avaliou que a segurança energética é parte essencial da capacidade do Paquistão para preservar sua “autonomia estratégica” e o status de potência sul-asiática; portanto, ao oferecer ajuda ao país nessa área, os interesses geopolíticos russos em vastas porções do Oriente Médio Expandido – do Golfo Persa à Região Autônoma de Xinjiang na China –, estarão também sendo promovidos.

Além disso, em termos imediatos, entender-se com o Paquistão está-se convertendo em imperativo para os russos, no cenário afegão pós-2014, depois de as potências ocidentais terem completado a ‘retirada’, mas quando ainda haverá ali presença militar não desprezível, sem fim previsto, de dezenas de milhares de soldados.

Rússia e Paquistão estão juntos na oposição à ocupação de longo prazo do Afeganistão, pelo ocidente: a Rússia espera influenciar as políticas paquistanesas relacionadas ao futuro do Afeganistão; por sua vez, a cooperação com o Paquistão amplia a resiliência russa total para desempenhar papel efetivo na estabilização do Afeganistão e na oferta de segurança na Ásia Central; e, do mesmo modo, um relacionamento forte com Paquistão – no campo da segurança energética, sobretudo – pode garantir aos russos mais um gancho nos laços estratégicos com outras potências regionais chaves, especialmente China, Índia, Irã e Arábia Saudita.

Por fim, mas não menos importante, o Paquistão é valioso interlocutor para os russos, no que tenha a ver com atividades e movimentos dos militantes que operam no Cáucaso Norte.

Tudo isso posto, a Rússia sopesa cuidadosamente suas opções e é avessa a embarcar em aventuras à moda da era soviética que se possam converter em drenagem de recursos. A prioridade dos líderes russos é regenerar e inovar a economia e construir força nacional; e, no caso do Paquistão, Moscou estima que aí se possa construir uma interessante parceria, de alto valor econômico para a Rússia benefício para os dois lados.

Tudo considerado, a estratégia de Moscou é desenvolver novos músculos de cooperação com o Paquistão, que sejam sustentáveis, duráveis e que operem em harmonia com as vibrantes parcerias estratégicas da Rússia com a China, a Índia e o Irã.

Dito em outros termos, a abordagem russa provê um necessário “ajuste” político-regional, ou, mesmo, é pré-requisito à iminente admissão de Paquistão e Índia como membros-plenos da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) [orig. Shanghai Cooperation Organization (SCO)].

Putin é estadista orientado para a ação. A parte triste é que se passaram seis longos anos desde que, pela primeira vez, o mesmo Putin propôs, na reunião da OCX em junho de 2006, a criação de um clube de energia dentro do grupo regional, no qual se reunissem os países produtores (Rússia, Irã e os países da Ásia Central) e os três grandes consumidores (China, Índia e Paquistão) de energia.

Naquela mesma reunião da OCX, Putin anunciou, pela primeira vez publicamente, que a empresa-leviatã da energia russa, a Gazprom, desejava participar da construção do gasoduto Irã-Paquistão-Índia, IPI. Em sua fala em 2006, Putin disse que “A Gazprom está pronta a participar e a prover assistência técnica e, se necessária, também assistência financeira; e estamos prontos a oferecer quantidades consideráveis de uma e outra, sobretudo para projeto que com certeza decolará.”[1]

A ideia de Putin é que os exportadores de petróleo e gás dentro da OCX sempre competiram por mercados promissores (como China ou Índia); para coordenar os próprios movimentos, a OCX carece de um clube de energia, que atuará como centro de coordenação, aproximando os produtores de energia e aqueles três consumidores chaves.

Outro importante ator na Ásia Central que até agora se manteve fora da OCX é o Turcomenistão – e chega a soar estranho falar em clube de energia na região, que não inclua tão poderoso produtor de gás, como o Turcomenistão. A Rússia tem algumas disputas de gás com o Turcomenistão – país com o qual, contudo, a China mantém relacionamento caloroso no campo da cooperação energética.

Desenvolvimento de alta significação, pouco noticiado, foi que o presidente chinês Hu Jintao convidou o presidente turcomeno a visitar Pequim, mês passado, quando da reunião da OCX –, convite aceito. Basta para ver que a China está interessada em harmonizar suas políticas regionais com a Rússia e pode até ajudar Moscou em seus esforços para coordenar os impulsos da segurança energética entre e com países membros e países observadores da OCX.

Detalhe surpreendente é que as propostas que os especialistas russos trouxeram a Islamabad semana passada retomam, na essência, as linhas centrais daquela proposta de Putin em 2006. Considerados os detalhes já conhecidos até agora, são as seguintes as propostas que Moscou está trazendo a Islamabad:

– A Rússia pode oferecer assistência financeira e técnica aos projetos multibilionários de importação de gás e energia para o Paquistão (o gasoduto).

– Especificamente, a Rússia tem interesse em participar dos dois grandes projetos de oleogasodutos na área, a saber, o TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia) e o IP [Irã-Paquistão].

– A Rússia prefere que a cooperação seja negociada no nível governamental, em negociações diretas (não em concorrências).

– A Rússia também deseja participar no projeto Ásia Central e Sul da Ásia (ACSA) [orig. Central Asia and South Asia (CASA)], originalmente aventado em 2006, para levar ao Paquistão, por linhas de transmissão que cruzarão o leste do Afeganistão, 1.000-1.300 megawatts de energia extra, nos meses do verão, a partir do Tadjiquistão e Quirguistão (projeto que tem o apoio do Banco Mundial e do Banco Islâmico de Desenvolvimento [orig. Islamic Development Bank].

– A Rússia está disposta a cooperar na exploração de petróleo, gás e minérios no Paquistão.

Não surpreendentemente, Islamabad apressou-se responder às propostas russas. Até agora, já há entendimentos, acertados nas primeiras conversações, concluídas em Islamabad na 4ª-feira:

– O Paquistão acolhe com bem-vindas as propostas russas. Especificamente, o Paquistão é favorável a negociar contratos com as empresas estatais russas de energia em contatos diretos governo-a-governo; e está disposto a adaptar a legislação vigente, para viabilizar esse processo.

Serão tomadas as providências necessárias para concluir um memorando de entendimento  que viabilize, durante a visita de Putin ao Paquistão, o processo de fazer avançar os projetos identificados: 

–  Sobre o oleogasoduto IP, o Paquistão já fez contato com os interessados nos contratos para construir o oleogasoduto (obra estimada em US$1,5 bilhão). A Gazprom russa também participará. O Paquistão tem especial interesse em propostas que tragam, atachado, o pacote de financiamento. (China e Irã também manifestaram interesse em participar desse projeto.)

Até meados de julho, o Paquistão encaminhará à Rússia, para estudo, um rascunho de acordo para assistência técnica e financeira a ser recebida dos russos, com vista ao projeto IP.

– A Rússia aceitou financiar os trabalhos de recuperação das usinas de energia de Guddu e de Muzaffargarh...

... O que enfureceu deus-todo-poderoso

Todos esses desenvolvimentos são desafio audacioso, frontal, às estratégias regionais dos EUA na Ásia e no Oriente Médio. As ramificações vão muito, muito longe.

Em primeiro lugar e a mais importante: vê-se a ‘defecção’ do Paquistão, que abandona o campo ocidental, sim. Mais que isso, contudo, o movimento dos russos aproxima-se muito, muito, de golpe “incapacitante” contra a Iniciativa Nova Rota da Seda dos EUA, pensada para conter a influência de russos e chineses na Ásia Central. Como se não bastasse, os sonhos dos EUA, de chegar aos vastos recursos minerais da Ásia Central e do Afeganistão sofrem, aí, um rude golpe.

No plano prático, a geografia do Paquistão foi a base das estratégias regionais dos EUA no Afeganistão e na Central Asia; sem a cooperação do Paquistão [pensado como não russo e não iraniano], nenhum elo de comunicação poderá ser mantido com aquelas regiões; e isso, por sua vez, ameaça ‘existencialmente’ os planos para estabelecer presença permanente de militares dos EUA e da OTAN na região que é “o coração da Eurásia”.

De fato, a segurança no campo da energia é o calcanhar de Aquiles da economia política do Paquistão e debilita a capacidade do Paquistão para desenvolver autonomia estratégica que proteja seus interesses vitais; na direção oposta, o atual déficit agudo de energia torna o Paquistão muito vulnerável a pressões dos EUA. Daí que a mão russa amiga, ainda que movida por autointeresses, terá sérios efeitos geopolíticos sobre as estratégias regionais dos EUA, uma vez que a Rússia trabalha para dar mais independência e resiliência ao Paquistão, criando espaço para que o país atravesse um estreito corredor de tempo, particularmente difícil e tormentoso, ajudando o Paquistão a sobreviver a vasto conjunto de ameaças existenciais.

Mais uma vez, a reunião de países que produzem e países que consomem energia na Ásia é o cenário de máximo pesadelo para os EUA, que temem ser excluídos da matriz de cooperação regional de países locais, onde se reúnem as economias que mais crescem no planeta. Toda a estratégia dos EUA no período pós-soviético visou a evitar essa eventualidade catastrófica, que tornaria impossível para os EUA se integrarem “no coração da Eurásia” – onde está impressionante seleção das maiores potências das próximas décadas: Rússia, China, Cazaquistão, Índia, Paquistão e Irã. (A possível admissão da Turquia como “parceiro para o diálogo” da OCX – por sugestão da China, na reunião da organização em Pequim, mês passado – também enerva terrivelmente os EUA.) 

De fato, outras várias questões também surgem. Os movimentos russos no Paquistão efetivamente contornam e neutralizam as políticas dos EUA para isolar o Irã. No caso de eclodirem hostilidades entre EUA e Irã, Washington enfrentará isolamento quase total na região entre o Golfo Persa e o Estreito de Malacca. Por outro lado, o projeto do oleogasoduto Índia-Paquistão (que parece ser prioritário tanto para a Rússia quanto para a China) terá impacto devastador na política dos EUA para o Irã, porque multiplicará várias vezes as capacidades estratégicas do Irã. Os EUA terão de considerar que é questão de tempo, para que a China seja conectada ao oleogasoduto IP. Esses laços comunicacionais efetivamente ajudam a China a reduzir sua dependência do Estreito de Malacca.

O pior de tudo: Washington não tem segurança de como a Índia abordará a mudança geopolítica emergente que a Rússia está pondo em movimento. Índia e Rússia tradicionalmente gozam de confiança e confiabilidade mútuas. Índia e Irã também têm laços fundamentalmente fortes, que resistiram à pressão dos EUA. A Índia está trabalhando independentemente a favor da normalização de suas relações com a China; e os dois países conseguiram avanços consideráveis nessa direção. (Curiosamente, as empresas estatais indianas e chinesas do setor de energia acabam de concluir um memorando de entendimento, segundo o qual se comprometem a não contestar as propostas umas das outras, em outros países, e a cooperar entre elas, inclusive nos respectivos setores domésticos.) 

Mais importante, a segurança energética está tornando-se preocupação crucial para os líderes indianos, com a economia em rápida expansão e a cada vez mais presente necessidade de garantir acesso, a preços razoáveis, a fontes de energia, convertendo-se em paixão obcecada das políticas externas da Índia. (O ministro de Assuntos Externos da Índia, S M Krishna embarca para o Tadjiquistão, fonte da energia para o Projeto ACSA, na 3ª-feira.)

As opções diplomáticas e político-militares dos EUA para conter os movimentos dos russos no Paquistão concentram-se principalmente sobre a via de influenciar as políticas do Paquistão e da Índia. Os EUA buscam uma abordagem mista para o Paquistão, alternando sinais soft e um pouco mais de músculos, que já começa a assumir vagos sinais de ameaça. Recentemente, tudo levava a crer que os EUA apresentariam, em junho, alguma espécie de pedido de desculpas pelo massacre de soldados paquistaneses num ataque militar dos EUA em novembro passado, na fronteira Afeganistão-Paquistão, depois de o Paquistão reabrir o trânsito para passagem, por seu território, dos comboios da OTAN.

Mas, depois das confabulações russo-paquistanesas, os EUA endureceram. Aconteceu mais um ataque na 2ª-feira contra soldados paquistaneses (18 dos quais foram brutalmente degolados) por grupos militantes de origem obscura que operam a partir de “paraísos seguros” dentro do Afeganistão. Não se requer grande argúcia para ver que as forças dos EUA no Afeganistão preferem não ver o que esses militantes fazem bem debaixo de seus narizes. (Esses “paraísos seguros” de militantes, curiosamente, correspondem exatamente à região pela qual passarão as linhas de transmissão do Projeto ACSA, que partem do Tadjiquistão.)

Seja como for, na quarta-feira, o comandante dos EUA no Afeganistão, John Allen, esteve no quartel-general do Paquistão em Rawalpindi, para propor ao comandante do exército paquistanês, Parvez Kayani, que os dois lados engajem-se em “operações conjuntas” contra os militantes que operam na fronteira Afeganistão-Paquistão.


Vai virar jogo de gato e rato. Os sinais são péssimos. Os incansáveis ataques dos
drones nos últimos meses desestabilizaram as áreas tribais paquistanesas adjacentes à fronteira com o Paquistão. Os drones têm provocado muitas mortes de civis, a ponto de funcionários da ONU começarem a considerar a possibilidade de classificar essas matanças ‘fantasma’ como “crimes de guerra”.

Os ataques dos drones  enfurecem a população das áreas tribais e disparam sentimentos antigoverno, enquanto Islamabad parece impotente para impedir que os EUA violem a integridade territorial do país. Muito obviamente, o Paquistão está cedendo; e os EUA não permitirão que isso continue. Tudo indica que os EUA aumentarão a pressão sobre o Paquistão e subirão calibradamente as tensões.

Uma mudança de paradigma

O xis da questão é que o “desafio estratégico” do Paquistão colheu de surpresa os EUA. Os EUA sempre contaram com a mentalidade comprador  das elites paquistanesas e, agora, de repente, foram apanhados no contrapé, ao descobrir que aquelas mesmas elites (as lideranças militares, sobretudo) já não são exatamente o que os EUA supunham que fossem.

Claro, essa é perspectiva viciada e na raiz dela está baixa disposição, de Washington, para construir avaliação honesta de porque houve, afinal, essa mudança de paradigma. Os EUA não precisarão procurar muito longe para perceber as complexidades. A mais recente pesquisa divulgada pelo Pew Global Attitudes, na 4ª-feira, mostra que 74% dos paquistaneses “odeiam” os EUA; o presidente Obama alcança índices excepcionalmente baixos de popularidade. Não por acaso, o político paquistanês atualmente mais popular é Imran Khan (70% de aprovação), cujo principal item de campanha eleitoral é que o Paquistão afaste-se da guerra do Afeganistão e exija que as tropas dos EUA façam as malas e deixem a região, por bem, com seu maquinário de guerra.

Os EUA enfrentam desafio mais complexo em relação à Índia. Washington teve a audácia de elogiar Nova Delhi recentemente, ao falar da Índia como “engrenagem” das estratégias norte-americanas na Ásia-Pacífico. Para desconsolo dos EUA, a resposta da Índia, até agora, foi um ensurdecedor silêncio, ao mesmo tempo em que o país afasta-se de qualquer ‘arranjo de gangue’ contra a China. Por outro lado, cresce a massa crítica indispensável para a normalização das relações sino-indianas. Igualmente, a Índia tem-se atentamente dedicado a proteger seu processo de diálogo com o Paquistão, contra as vicissitudes do impasse EUA-Paquistão. Mesmo em relação ao Irã, a Índia traçou limites que não serão ultrapassados e deixou claro que não será manipulada – e já se veem sinais de que Washington, afinal, entendeu.

Tudo isso posto, os EUA dedicar-se-ão a intrometer-se no diálogo Índia-Paquistão e tentarão desviar o foco, para que se abordem as questões altamente emocionais do apoio do Paquistão ao terrorismo e aos ataques dos fidayeen em Mumbai em novembro de 2008, que arranharam profundamente a psique dos indianos e levantaram novas suspeitas quanto às intenções do Paquistão.

Sobre segurança no campo da energia, os EUA têm encorajado a Arábia Saudita a ajudar mais generosamente a Índia, na esperança de encorajá-la a reduzir sua dependência do petróleo iraniano e, em termos gerais, para afastar a Índia do projeto do oleogasoduto IP. Em termos ideais, Washington buscará um abraço triplo, que aproxime EUA, Índia e Arábia Saudita, para manter os indianos longe das tentações de um clube de energia gerido pela Organização de Cooperação de Xangai.
Mas longe vão os tempo em que os EUA sabiam como os demais países reagiriam. Washington está insegura. Os indianos também têm preferências e uma queda para calar os próprios pensamentos, ao mesmo tempo em que começam a tomar decisões independentes sobre como alcançar sues objetivos nacionais, em cenário regional complicado. 


[1] Há matéria sobre isso em 21/6/2006, em http://en.rian.ru/analysis/20060621/49855458.html [NTs].
Tradução: Vila Vudu
Fonte: Irã News

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Otan mata a liberdade de expressão



Por Thierry Meyssan 
 

"Os países da Otan estão a levar a cabo uma guerra de informação contra a Síria e, por vezes, eliminam fisicamente jornalistas sírios", afirmou à rádio Voz da Rússia o jornalista françês e diretor do portal de informação independente Rede Voltaire, Thierry Meyssen.

"Os EUA e a OTAN organizam sistematicamente a destruição da mídia indesejável. Eles são os piores inimigos da liberdade de expressão. Isso já aconteceu na Iugoslávia, no Afeganistão, no Iraque e na Líbia", destaca Meyssan na entrevista.

 Nos últimos meses, a CIA criou vários canais televisivos para substituir os canais nacionais sírios. Foram montadas cenas fictícias, filmadas em estúdios e que se destinavam a desmoralizar completamente a população do país.

 "O embuste foi descoberto e a informação sobre o sucedido circulou em centenas de sites de internet e na mídia". Como consequência, a empresa de telecomunicações por satélite MilSat se recusou a desligar o satélite dos canais sírios e a Liga dos Estados Árabes foi obrigada a se abster de agir em conjunto com o operador de satélites Arabsat.

 Entretanto, o ministro russo das Relações exteriores, Serguei Lavrov incluiu na agenda de trabalho do grupo de contato para a Síria um ponto sobre o abandono do recurso à guerra de informação pelas partes em confronto.

 A Otan decidiu retaliar e foi enviado um comando contra a estação de televisão síria, situada a vários quilômetros de Damasco.

 Só lá estavam quatro guardas e os comandos, equipados com aparelhos de visão noturna, introduziram-se no edifício, mataram os guardas e executaram no local três pivôs dos noticiários.


 Depois disso, eles fizeram explodir os edifícios. "Já há 20 anos que a Otan e os EUA utilizam essa tática. E são as mesmas pessoas que se apresentam como defensores da liberdade de expressão! O mundo está de pernas para o ar! Os jornalistas não podem trabalhar! Se um país não tem os meios de autodefesa adequados, qualquer um de nós está em perigo", denuncia Meyssan.

 Durante os primeiros seis meses de 2012, morreram 72 jornalistas no mundo, assinala o relatório da organização não-governamental Press Emblem Campaign com sede em Genebra.

 Esse número é superior em um terço aos indicadores do ano passado. O primeiro lugar nessa lista trágica é ocupado pela Síria, onde desde o início do ano foram mortos 20 jornalistas.


 


Fonte: Portal Vermelho, com informações da Voz da Rússia
Imagem: Google

As forças da natureza

"Escutei a música e me lembrei do guerrilheiro canino e seu canivete. Mais uma obra prima de Paulo César Pinheiro e seu parceiro João Nogueira. Versos magistrais na voz da maravilhosa Clara Nunes. Embora compostos na época da ditadura, são mais do que atuais, parecem narrar episódios que estão por vir."






Agradecimento: Ao amigo Walner

terça-feira, 3 de julho de 2012

EUA oferecem Boeing 747-800 novinho de presente para Dilma




EUA oferecem 'Air Force One' para levar licitação da FAB

Fonte da Aeronáutica disse que, para vencer concorrência francesa, americanos estão dispostos a incluir, sem acréscimos, um Boeing 747-800 novinho para Dilma, igual ao usado pelo presidente americano

A demora do governo para definir a compra de 36 aviões de combate e a forte concorrência dos franceses Rafale, fizeram os Estados Unidos melhorar a proposta para vender ao Brasil seus caças F/A-18 Super Hornet, da Boeing. Segundo informações de Claudio Hulberto, fonte da Aeronáutica disse que os americanos estão dispostos a incluir, sem acréscimos, um Boeing 747-800 novinho para uso da presidente Dilma.

Popularmente chamado de “Jumbo”, é igual ao "Air Force One" usado pelo presidente americano.

Segundo informações do colunista, o Boeing 747-800 voa a 913km/h e tem autonomia de 14.815 km, mais que a distância Brasília-Sydney (Austrália), que é de 14.127km.

Para substituir a frota da FAB em 2016, por US$ 10 bilhões, concorrem também o Rafale da francesa Dassault e o Gripen NG, da sueca Saab.



Fonte: brasil247

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Depois do golpe em Honduras e agora no Paraguai, os imperialistas oferecerem um presente desse a presidente Dilma, é motivo suficiente para desconfiar.

Será um avião mesmo, ou um cavalo de tróia??? 

(Burgos Cãogrino)





Excelente estatística sobre o Irã x EUA

Para os que ainda colocam tapetes vermelhos à determinadas visitas que chegam em nosso país, (inclusive com bandinha de música), e se organizam para repudiar outras, aqui está uma breve estatística que não só o Brasil, mas que o mundo deveria melhor conhecer e investigar.

Afinal, o que acontece hoje em dia, com a lavagem cerebral que a mídia do pentágono faz, é justamente a inversão de valores, ou pelo menos, não dão o devido valor a quem de direito!

 

 
Fonte: navalbrasil

É possível controlar a corrida armamentista?




Por Christiane Marcondes

Sabe-se que o comércio de armas é um setor blindado às crises. Os fabricantes de armamento ganham bilhões de dólares por ano com a venda de tanques de guerra, revólveres, balas e aviões de caça. O próspero setor possui regras próprias já há centenas de anos, consolidadas durante o século 20 e as suas inúmeras guerras, principalmente as mundiais.

Nesse contexto, a negociação pró-contenção armamentista dos países-membros da ONU, que teve início nesta segunda-feira (02/07), em Nova York, parece infrutífera. O encontro objetiva definir as metas de um tratado de controle do comércio armamentista no mundo. Seus pontos mais relevantes são: suspensão de fornecimento de armas a regiões de crise ou em conflito; proibição de exportação de armas quando as mesmas forem usadas para violar os direitos humanos ou quando o fornecimento coloca em risco o combate à pobreza e o desenvolvimento econômico.

 Sem dúvida, os conflitos armados que ocorrem ao redor do mundo precisam de um freio, já que são os civis, principalmente, que pagam a conta desses ataques com a própria vida e o imperialismo faz, assim, a sua escalada com essas mortes encomendadas. Sob essa ótica, o projeto é bem-vindo.

 O que lhe tira o mérito é a sua justificativa míope e parcial. A ONU alega que o mercado fornece “a ditadores e seus opositores o que eles precisam para oprimir populações ou fazer guerras. Um exemplo atual é a Síria: o regime Assad só consegue continuar reprimindo seus opositores graças às importações de armas da Rússia”, enfatiza.


 Tendo-se em conta que quem maneja essas armas contra os “ditadores” – na verdade, chefes de estado, segundo a população sob sua régia – são mercenários pagos por governos desenvolvidos para invadirem e assumirem o comando de países do seu interesse político ou econômico, por exemplo, os do Oriente e os da América Latina, quem se beneficiará com essas medidas de contenção serão os países imperialistas.

 Sem dúvida, o tema que a ONU colocou na berlinda merece atenção, mas em uma abrangência de discussão muito mais ampla, afinal, nas situações bélicas os “mocinhos e bandidos” não são vistos do mesmo modo pelos diferentes tipos de governos. Principalmente, os conflitos recebem diferentes avaliações de correntes políticas imperialistas e antiimperialistas.

Critérios

 Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- EUA, Rússia, China, França e Reino Unido – são todos grandes exportadores de armas. Esses pedem que os critérios para o controle sejam “humanitários”.


 A China opõe-se a decisões baseadas nos “direitos humanos", explica Simone Wisotzki, da ONU. Justificável: trata-se de critérios vagos e facilmente manipulados.
 

Já os EUA, segundo Wisotzki, exercem "um papel ambivalente" neste contexto, principalmente no que diz respeito à submissão do controle de munições e armas de pequeno porte às Nações Unidas.

 Katharina Spiess, da Anistia Internacional, acredita que os grandes exportadores de armas têm interesse em regras internacionais para o setor. "Já temos regras de controle do comércio de armas em âmbito regional. Na União Europeia, por exemplo, há desde 2008 uma 'cláusula comum' que proíbe a transferência de armas quando há violações de direitos humanos. Os EUA também conhecem tais regras", completa Spiess.

 Consenso

 Os 193 países-membros da ONU estão reunidos em Nova York para negociar sobre o assunto, embora o prazo de quatro semanas seja muito curto para se chegar a um acordo, observa Simone Wisotzki. Na opinião dela, é possível que o documento fique cada vez menos consistente devido à necessidade de chegar a qualquer custo a um consenso.


Para quem observa criticamente e à distância, consenso, nesse debate, assemelha-se muito mais a um horizonte inatingível do que a real possibilidade de trilhar os primeiros passos na direção da paz possível e desejada por movimentos humanitários e sociais.




Fonte: Vermelho
Imagem Google

Império Americano começa a desmoronar - Parte II



Oito mil trabalhadores do setor energético são suspensos nos EUA

O consórcio energético nova-iorquino Consolidated Edison suspendeu hoje oito mil trabalhadores em meio a um conflito sindical e quando uma forte onda de calor açoita o norte dos Estados Unidos.
 

A mais importante empresa de fornecimento de energia elétrica no estado de Nova York, com uma planilha de 15 mil funcionários e 3,2 milhões de clientes, ativou uma equipe profissional de emergência para atender as mais urgentes necessidades dos usuários.

  
O conflito chegou a seu clímax neste domingo quando a junta diretora da corporação não conseguiu um acordo com a Utility Workers Union relacionado às demandas de pagamento por horas extras e renovação de contratos semanais.

 A maioria dos trabalhadores suspensos são funcionários que realizam leitura de relógios digitais e, embora não estejam formalmente demitidos, não poderão reivindicar salários adicionais nem regressar ao trabalho até que se atinja um novo acordo empresarial.

 Autoridades de Maryland, Virgínia Ocidental, Ohio, Virgínia e Washington reconheceram que poderiam levar vários dias para restabelecer a eletricidade em zonas açoitadas por violentas tempestades no final da semana passado.

 Os tornados, combinados com altas temperaturas extremas, mataram pelo menos 16 pessoas nos últimos seis dias e deixaram na escuridão três milhões de usuários principalmente na região nordeste do país.

 Na sexta-feira passada, uma faixa de ventos de até 128 quilômetros por hora derrubou dezenas de árvores que bloquearam estradas e deixaram sem energia, serviços de Internet e telefonia celular milhares de estadunidenses nos mencionados estados.



Fonte: Prensa Latina

Militar israelense agride criança palestina



Nesta segunda-feira (2), o jornal israelense Haaretz publicou em seu site o vídeo de um policial de fronteira israelense chutando um garoto palestino em Hebron.

De acordo com o jornal, o incidente ocorreu na última sexta-feira (29) na cidade palestina, vizinha de Jerusalém. O garoto que aparece nas imagens, de nove anos, foi identificado pelo Haaretz como Abed a-Rahman. Veja o vídeo:






As imagens foram feitas pela ONG B’Tselem. De acordo com a organização, o vídeo foi feito por um voluntário em Hebron. Dois militares são vistos no local, armados e uniformizados. Eles esperam pelo garoto, que sai de um beco perto da casa dele. Em seguida, um dos homens segura o menino, o atira ao chão e pergunta: “Por que você está causando problemas?”

A criança começa a chorar. Na sequência, um segundo militar se aproxima e chuta o menino, que depois é visto saindo do local. A ONG disse, segundo o Haaretz, que vai denunciar os militares.




Fonte: Vermelho



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Assassínos e agressores de um povo que se diz  escolhido por DEUS???



Que DEUS é esse que permite que seu "escolhido" povo  maltrate  crianças???



Até quando o mundo vai permitir isso???












domingo, 1 de julho de 2012

Império Americano começa a desmoronar





Cidade da Califórnia entra em bancarrota: o mundo já não é o que era


Depois de três meses de tentativas infrutíferas para obter um acordo financeiro com os seus credores, a cidade de Stockton (foto), do Estado da Califórnia (a 96 quilómetros a leste de São Francisco, ver mapa), solicitou dia 27/06 formalmente a entrada em falência para evitar uma situação de caos incontrolável.

As negociações para chegar a um acordo financeiro fracassaram e de nada serviram os cortes draconianos de mais de 90 milhões de dólares aplicados nos últimos três anos para conseguir desejado equilíbrio orçamental.Fica um buraco de 26 milhões de dólares impossível de reverter e uma cratera na saúde de 400 milhões. É por isso que para Bob Deis, o administrador da cidade, a declaração de bancarrota é equivalente a pressionar a tecla "pausa", para manter intactos os serviços e proporcionar uma estrutura "de resgate". O Estado da Califórnia, a oitava economia do planeta, começa a sofrer os efeitos da crise.

Com pouco mais de 300 mil habitantes, Stockton é a maior cidade dos Estados Unidos a declarar-se falida. Tem a taxa mais alta de desemprego da Califórnia (20%) e ocupa o segundo lugar nas execuções hipotecárias do país, como se pode constatar por estas imagens do flickr com habitações à venda. Apesar de Stockton ter sido uma das cidades mais pujantes da Califórnia nos anos 60, após o estalar da crise do subprime em 2007 e o abandono das habitações pelos seus moradores endividados, conta com bairros esvaziados de habitantes nos quais prospera a lei da rua e o crime. Não se pode esperar outra coisa quando se cortou um terço da polícia, um terço dos bombeiros e cerca de 40% dos funcionários dado que não podem ser pagos.

O colapso dos ativos imobiliários traduziu-se por uma importante queda das receitas públicas respeitantes às receitas da propriedade e a situação é tão calamitosa que a revista Forbes concedeu-lhe o prémio da cidade mais terrível dos Estados Unidos durante dois anos consecutivos.

O que ocorreu em Stockton?

Para conseguir captar o que se passou nesta cidade próxima de São Francisco, Sillicon Valley e Sacramento, é interessante constatar que no começo do milénio era uma zona agrícola sem pretensões que foi invadida por uma especulação com os solos sem precedentes. Desde projetos imobiliários gigantescos à construção de enormes edifícios que transformaram a vida aprazível de uma cidade que vivia da agricultura, Stockton foi invadida por sonhos fantásticos de grande luxo que acabaram no pântano.

Apesar do brilhantismo de alguns projetos, não se conseguiu atrair as multidões que se esperavam e a cidade foi-se afundando na espera. Um espera que desespera dado que após dois, três, quatro anos as vendas não tomaram o ritmo apontado pela teoria da oferta. E enquanto o tempo passa, como canta Mercedes Sosa, os interesses continuam a crescer. Se alguém ainda tem dúvidas, faço este link para o drama de Pioz, onde as casas sem ser vendidas e o custo dos juros para a localidade pode levar a localidade a estar mais de sete mil anos a pagar a dívida. Está bem escrito: sete mil anos a pagar a dívida.

Tudo isto mostra a doença de um modelo económico que apostou sempre em ganhar baseando-se num pseudo, raquítico e hoje desprezível otimismo organizado pela via do consumo, sem ter em conta a necessidade do emprego para manter esse nível de consumo, e sem ter em conta, ainda menos, da necessidade de que esse nível de emprego seja sustentável no tempo.

Que não fiquem dúvidas de que o que agora vemos em Stockton, e que a imprensa não informa, continuará noutras cidades dos Estados Unidos e também em muitas outras cidades onde a bolha imobiliária permitiu o enriquecimento de um punhado e o empobrecimento da grande maioria. Agora que é preciso pagar a conta, e os milhares que acreditaram e compraram as delícias do modelo económico imperante. Os primeiros pecaram por intenção e os segundos por omissão. Mas estes últimos terão maiores penitências. A ignorância paga-se. É a primeira lição econômica que será marcada a fogo: a ignorância paga-se. E paga-se caro.




Tradução: Carlos Santos/esquerda.net
Imagem: Google
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