quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Venezuela: ‘são tantas as emoções’
Líder e povo se complementam em seus gostos musicais, em seus estudos. Jamais a direita poderá ter um líder assim
Por Theotonio dos Santos*
Nossas oligarquias estão acostumadas a desmoralizar a emoção na atividade política. Eles gostam de desqualificar os líderes que têm força popular. Fidel fala demais. Hugo Chávez apela à jocosidade, aos maneirismos etc. Correa é mais comportado, mas também é muito emocional. Lula joga com seu passado popular e se torna burlesco. Evo Morales usa roupas indígenas que não caem bem em uma recepção formal. Mujica usa sapatos enlameados, e faz passar por fazendeiro pobre. Cristina Kirchner busca imitar Evita Perón com suas roupas ‘exageradas’.
Quantos mais líderes apareçam e se descobrirá neles esse ar popular e romântico que, segundo os oligarcas, pertence ao mundo da demagogia e não dos ‘chefes de Estado’. Os chefes de Estado usam roupas sóbrias, falam moderadamente e não cumprem seus compromissos eleitorais, pois não são demagogos a ponto de fazer o que o povo exige. As oligarquias se referem assim ao mundo democrático, às vitórias eleitorais dos ‘demagogos’ e seus diálogos com as forças populares organizadas, mesmo depois de eleitos. Não confessam, mas lhes dói inclusive o jogo democrático estadunidense, mas diante deste eles ficam tranquilos, porque seus líderes nunca pretenderam cumprir com as promessas eleitorais.
Por isso me sinto obrigado a estabelecer um marco romântico e emocional para descrever minha última viagem à Venezuela. Não pude deixar de consignar o sentimento de vitória popular e o prazer de contar com seu líder mais uma vez. Por que não apelar à música de Roberto Carlos: São tantas as emoções?
Emociono-me ao ver em frente ao Hotel Alba, o antigo Hilton, em uma das zonas mais nobres de Caracas, na vista do meu quarto, a construção quase terminada de um edifício de vários pisos, com apartamentos de 70 a 90 metros quadrados destinados às vítimas das últimas chuvas, que destruíram bairros populares de Caracas. Sou informado de que o governo venezuelano abrigou aos desalojados em alguns hotéis de Caracas, nos ministérios e até no Palácio de Miraflores. E o que vejo em frente a este novo edifício, ocultado em parte pela piscina do hotel? Uma grande e bem plantada horta, que reflete outro programa do governo. Mostraram-me ainda nos principais bairros de Caracas as construções massivas de casas populares que deverão abrigar, nos próximos anos, toda a população da Venezuela. E creio nisso porque o encarregado desse programa é meu amigo Farruco Sesto, que lançou e viabilizou um programa cultural de vanguarda quando foi ministro da Cultura.
Lembro-me, então, dos bairros populares que visitei, nos quais a organização comunitária atua na definição de novas linhas de ação, ouvindo as conferências dos congressos anuais de Filosofia que se realizam há vários anos nestas comunidades, visitando suas bibliotecas onde estão meus livros também, cuidando das clínicas médicas em que os médicos cubanos não apenas atendem a toda gente com carinho e esmero, mas também formam pessoal médico e paramédico ‘especializado’ em Clínica Geral, capaz de cumprir as funções que lhes cabem em mais de 5 mil clínicas que se criaram em todo o país, nos últimos 10 anos. Confesso que me emociono com o entusiasmo destes ‘comuneros urbanos’ que me vieram explicar cada uma de suas atividades, cada uma das vitórias da revolução.
Eles me fazem recordar aos meus acompanhantes no Museu da Alfabetização, em Cuba, que vão aos arquivos buscar suas fichas de alfabetizadores desde que eram apenas meninos ou adolescentes. Recordo de quando Fidel Castro estabeleceu, no alvorecer da revolução, que cada cubano devia apenas alfabetizar a dois cubanos para que todos participassem da alfabetização de seus cidadãos. E, hoje, esses milhares de alfabetizadores liquidaram essa praga de nossos povos em todos os rincões: na Venezuela, declarada pela UNESCO “território livre do analfabetismo”, na Bolívia, recentemente alcançou também este status, o Equador, a Nicarágua, El Salvador e todos os países membros da ALBA, que entendem por integração a solução desse tipo de problema.
Mas, como intelectual, no posso ocultar minha emoção quando vou realizar minha primeira conferência desta viagem na Universidad Bolivariana, que já conta com mais de 150 mil estudantes que, junto com seus professores, colocam questões ultra procedentes sobre a particularidade do processo de transição socialista na Venezuela. Emociona-me também saber que a Venezuela conta, hoje em dia, com uma população universitária de 1,5 milhão de estudantes. Assusta-me saber que já existem instituições universitárias em todas as cidades do país. Entusiasma-me também discutir os problemas graves que tem esta aventura intelectual da qual participa todo um povo. Que prazer discutir na televisão, em um programa noturno, com uma jornalista tão bem informada e tão inteligente como Vanesa Davies, que dirige o programa Contragolpe. Que bom ver que em vez de impedir que eu me expresse, como fazem em terras onde há a ‘imprensa livre’, pedem-me mais análises, mais informações, mais polêmica e discussão. E tudo ao vivo… Que bom que já posso fazer isso em uma dezena de emissoras de TV na América Latina.
Mas o dia seguinte me reservava ainda mais emoções. Devia falar sobre meu livro: Imperialismo e Dependência, recém-editado pela prestigiosa Editorial Ayacucho, no Auditório do Banco Central, em Maracaíbo. E encontro no auditório, além de professores universitários, economistas e profissionais, uma vasta platéia de dirigentes comunais e de extratos populares. Que bom estar em um Banco Central aberto às comunidades, realmente ‘independente’ dos banqueiros e outros especuladores com dinheiro emprestado que mandam e desmandam em nossos bancos centrais, disfarçados de uma troça chamada ‘mercado’, cuja opinião ainda determina as políticas financeiras e monetárias de nossos países.
É com muito gosto que participo da inauguração da Feira do Livro de Maracaíbo quando posso reparar na lista que coloca a Venezuela em terceiro lugar na América Latina em frequência de leitura, com uma percentagem de mais de 50% da população que são leitores contumazes de livros. Dá gosto saber também que todos os meus livros editados na Venezuela já estão esgotados, com programação de novas edições em marcha.
Que fantástico participar do lançamento, no Estado de Zulia, da candidatura de Hugo Chávez à Presidência da República Bolivariana de Venezuela. Com 40 graus centígrados de calor veio uma massa de uns 300 mil cidadãos que estavam à espera do candidato desde as 10 horas da manhã e que aguentaram até o fim da tarde, apertados em um espaço mínimo por pessoa, com seus filhos e parentes. Alguns desmaiaram, para desespero dos responsáveis pela segurança, que os carregaram para as ambulâncias dispostas no entorno da multidão.
Mas que emoção é sentir a alegria e o calor humano que emanava dessa gente e que chegava ao delírio na medida em que Chávez se aproximava em um caminhão que estacionou no gigantesco espaço ocupado pela massa. O caminhão de Chávez vinha com um grupo jovem de rock que havia composto uma nova canção para sua campanha. Não satisfeito em abraçar aos milhares de cidadãos que conseguiam agarrá-lo e beijá-lo no caminho entre o carro e o palco, Chávez tocou guitarra e acompanhou o grupo de Rock.
Não pude deixar de recordar os artigos dos jornalistas brasileiros que (um deles é, inclusive, membro da Academia Brasileira de Letras, para escândalo dos verdadeiros escritores do país) afirmavam que Hugo Chávez estava perto de morrer e não poderia enfrentar mais uma eleição. Podiam fazer essas ‘revelações’ porque teriam informações de médicos brasileiros ‘democráticos’ que no ocultam informações como os pobres e censurados jornalistas venezuelanos, impedidos (por quem?) de informar corretamente à sua população. Estes mesmos jornalistas ‘democráticos’ haviam matado duas vezes Fidel Castro durante sua enfermidade e no disseram nada quando se restabeleceu há vários anos já, nem noticiaram como ele debatia durante nove horas com intelectuais que integram a Rede de Defesa da Humanidade, em Havana, há alguns meses. Quantas mentiras, quanta fofoca corre solta, impune, nessa “imprensa livre”…
Mas o que dizer do discurso de Chávez? Uma peça de profunda análise histórica discutida com a massa que acostumava a ser depreciada por nossos políticos, que em geral não saberiam nem sequer se preocupariam em explicar tão profundamente as razões de sua candidatura em uma cidade que o Libertador Simón Bolívar escolhera para ser vizinha da capital da Gran Colômbia, que havia escolhido governar se não fosse assassinado, segundo a tese de Chávez, explicada em detalhe para este povo que já aguentava mais de 10 horas de sol a 40 graus de temperatura e que continuava firme, escutando-o e comentando com gritos e aplausos ao seu discurso.
Razão e emoção se encontram nestas demonstrações de carinho pelo líder que superou sua enfermidade, que comoveu ao seu povo feliz de vê-lo falar durante duas horas, debaixo de sol, sem nenhuma manifestação de debilidade. Vê-lo discutir, em detalhes, seus planos de vencer as eleições no Estado de Zulia, que é atualmente governado pela oposição. Vê-lo afirmar que o caminho socialista para a Venezuela somente é possível se o povo for capaz de garanti-lo.
Emoções e mais emoções quando o escuto e o vejo dirigir-se a mim, tantas vezes, em homenagem a minha condição de intelectual brasileiro (que tanto discutiu com os venezuelanos sobre os destinos comuns) e por amor ao Brasil, que o faz se referir a Lula e a Dilma com extremo carinho, para o gosto do povo ali presente e em todo o país, através da televisão. Líder e povo se complementam em seus gostos musicais, em seus estudos (pois Chávez leva sempre algum livro a cada uma de suas manifestações, para compartilhar com seu povo de suas últimas leituras, suas preocupações, suas críticas e autocríticas, suas concepções políticas). Jamais a direita poderá ter um líder assim. A única coisa que lhes resta é desmoralizá-lo, o que os afasta das grandes maiorias que pensam e sentem exatamente o contrário.
Cabe-me referir mais às emoções desta viagem. Ao prazer de falar aos diretores dos vários ministérios no Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional, aos reitores das Universidades Bolivarianas, aos colaboradores do Centro Rómulo Gallego, e particularmente na sede nacional do Banco Central, com a presença de vários de seus diretores e dirigentes, mas também aos líderes populares que tem as portas do banco abertas à sua participação. Banco Central que se interessa pela ‘atualidade da teoria da dependência’ (ignorada pela maior parte dos bancos centrais). Quase tudo isso, vivi em companhia de Monica Bruckmann, cuja obra de investigação sobra ‘a geopolítica dos recursos naturais’ desperta um interesse extremo do Banco Central da Venezuela e de intelectuais, profissionais e políticos assim como nas lideranças populares não apenas na Venezuela, mas em toda a região.
‘São tantas as emoções’. Tão poderosas não apenas quando constatamos o avanço da curiosidade intelectual deste povo, mas também quando sentimos este amor entre o povo e seus líderes. Mas tão tristes quando pensamos quão distantes ainda estamos de alcançar esse ambiente de participação racional e romântica de um povo com seus líderes. Lula quebrou em parte essa rigidez imposta por nossas classes dominantes. Dilma está conquistando nosso povo com sua dedicação e amor sincero por ele. Em toda a região sentimos este clima de participação ativa do povo em nosso ambiente político. No entanto, falta um pouco mais de confiança neste povo que seguramente recompensará com seu carinho e dedicação aqueles que queiram chegar junto com ele à sorte de uma grande nação latino-americana.
*Theotonio dos Santos é presidente da Cátedra e Rede sobre Economia Mundial e Desenvolvimento Sustentável da Unesco e da ONU. Professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) do Rio de Janeiro. http://theotoniodossantos.blogspot.com
Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Google (colocadas por este blog)
terça-feira, 14 de agosto de 2012
ONGs no trem da alegria da Fundação Ford
Por Husc no Blog do Ambientalismo
Uma ampla gama de ONGs militantes da versão ad hoc dos direitos humanos, que dançam ao ritmo dos milhões de dólares da Fundação Ford e
outras entidades representantes dos poderes globais, governos
inclusive, se agruparam em torno de uma denominada Coalizão
Internacional pelos Direitos Humanos nas Américas (CIDHA). Segundo uma
reportagem publicada em 17 de julho no jornal O Globo, assinada pelo jornalista José Casado, a finalidade da entidade é disputar com os governos sul-americanos «a tutela dos direitos humanos na região».
Na sua agenda, está contemplada uma série de ações contra os governos
do Brasil, Venezuela, Peru, Colômbia e Equador, acusados de obstaculizar
a aplicação das resoluções dos órgãos competentes sobre direitos
humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A
nova frente, que aglutina 700 ONGs que atuam no setor, pretende se
constituir em um corpo de vigilância que, caso os governos cedam às
pressões, deixará os países-alvo à mercê das determinações do aparato de
direitos humanos encastelado na OEA e, a rigor, de qualquer outro
sistema de intervenção supranacional que utilize a defesa de direitos
humanos como pretexto para suas intervenções nos Estados nacionais.
A
criação da Coalizão foi motivada pelo fato de que os governos referidos
vêm, há algum tempo, questionando a atuação dos órgãos da OEA ligados
aos direitos humanos, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CIDH) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH). Na
última assembléia-geral da OEA, realizada em Cochabamba, Bolívia, em
junho, um dos temas candentes discutidos foi um conjunto de reformas
pretendidas para orientar a atuação da Comissão.
É um fato conhecido que a carta diplomática dos direitos humanos foi elaborada por agências do establishment anglo-americano,
nas décadas de 1970 e 1980, como um instrumento político de intervenção
em nações soberanas, em paralelo com as motivações de proteção
ambiental. Mais recentemente, o nível de tais intromissões atingiu tal
monta que alguns países da região têm reagido contra elas, por
diferentes razões.
Por
isso, a pressão política das ONGs se fez sentir antes da reunião de
Cochabamba. Segundo a reportagem de Casado, em uma audiência da CIDH,
realizada em Washington, em 28 de março último, «as 700 ONGs afirmaram
que Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador, reunidos em torno do
Grupo de Trabalho Especial de Reflexão sobre o Fortalecimento da CIDH
para o Funcionamento do Sistema Interamericano, propuseram recomendações
voltadas a obstaculizar as ações da Comissão Interamericana de Direitos
Humanos contra as violações de direitos humanos».
Uma
das mudanças propostas pelos governos citados é a eliminação da
denominada “lista negra”, o capítulo 4 do relatório anual da CIDH, que
aponta os países que devem dar explicações e punir os responsáveis por
alegadas violações de direitos humanos, em sua maioria, apontadas pelas
mesmas ONGs e seus critérios duvidosos. Em tais casos, o respeito à
soberania e à independência dos Estados nacionais é inadmissível para a
arrogante militância dos direitos humanos, cuja pauta é feita para impor
condicionalidades e reprimentas políticas a nações que não respeitem as
normas impostas pelos poderes globais.
A
CIDHA é o mais novo ator em cena no palco onde se encena essa ópera
bufa. Entre as ONGs que integram o seu núcleo formador, encontram-se
duas que, por si mesmas, corroboram o que este Alerta tem documentado
abundantemente: a Conectas e o Centro pela Justiça e o Direito
Internacional (CEJIL).
A
primeira, fundada em 2002, em São Paulo (SP), é integrada por um grupo
de acadêmicos e intelectuais oriundos do meio universitário, que
trocaram a atividade acadêmica pela “engenharia social” encastelada em
vários organismos das Nações Unidas. Sob tal orientação, o Estado
nacional é considerado como uma ficção jurídica e a dignidade do
indivíduo, uma variável que deve se acomodar às conveniências políticas
do momento. Desta forma, esses paladinos dos direitos humanos atuam em
perfeita sintonia com os desígnios dos mentores das estruturas de
“governo mundial”.
Vários
integrantes da Conectas foram membros do Centro de Estudos sobre
Violência da Universidade de São Paulo (USP), que, na década de 1990,
funcionava como uma sucursal da Americas Watch, que tinha (e continua
tendo) entre os seus patrocinadores o megaespeculador George Soros, um
dos mais visíveis membros do Establishment oligárquico
envolvidos na promoção dessas agendas intervencionistas. Atualmente, a
Conectas aspira a ser a entidade líder dos direitos humanos “no Sul e do
Sul”. Desde 2006, a ONG tem status consultivo na ONU e, desde 2009, o
de observador na Comissão Africana de Direitos Humanos. Entre os seus
patrocinadores, encontramos “os suspeitos de sempre”: as fundações Ford e
MacArthur e o indefectível Open Society Institute de Soros.
A
Conectas tem se destacado por ações direcionadas para encurralar a
diplomacia brasileira, numa tentativa de impedir que as reformas
pretendidas no aparelho panamericano de direitos humanos reflitam os
interesses dos Estados membros. O que mais desperta temor é a
determinação do governo da presidente Dilma Rousseff de dar um basta nas
interferências das entidades da OEA nos assuntos referentes ao
desenvolvimento do País. A tensão chegou ao ponto de o governo ter
chamado para consultas o embaixador brasileiro na OEA, após a investida
da CIDH contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio
Xingu, por alegadas violações aos direitos das comunidades indígenas.
Um
boletim divulgado no sítio da ONG, em 17 de julho, sobre um intercâmbio
de notas com o Itamaraty, referente às reformas na OEA, é esclarecedor:
«Depois de solicitar por duas vezes em diferentes níveis hierárquicos as correspondências oficiais trocadas entre o Itamaraty e a Missão Brasileira na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, Conectas decidiu protocolar ontem na Controladoria Geral da União (CGU) um recurso solicitando os documentos.»«A organização quer entender qual a real posição do Estado brasileiro no processo de revisão das atribuições e reorganização interna do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, responsável entre outras coisas por emitir medidas cautelares capazes de proteger vítimas de graves violações de direitos humanos nos países da América.»«Depois de dois revezes para o governo – no caso de Belo Monte e da Lei de Anistia – Conectas se preocupa com a possibilidade de que o País esteja trabalhando para enfraquecer o sistema. Soma-se a isso, o fato do Brasil ter chamado de volta seu embaixador na OEA, Ruy Casaes, em abril. Os documentos solicitados pela Conectas e negados pelo Itamaraty poderiam dirimir as dúvidas.»«Infelizmente, a transparência ativa é um conceito ainda alheio à política externa brasileira e mesmo um gesto simples como o de pedir documentos de interesse público acaba parecendo algo extraordinário”, disse Lucia Nader, diretora executiva da Conectas. “Se o Brasil realmente não trabalha contra o Sistema, deveria mostrar as correspondências que contêm as instruções dadas à sua missão na OEA. Em tese, eles acabariam com qualquer dúvida» — completou Lucia.«Em resposta aos dois primeiros pedidos feitos pela Conectas, o Itamaraty diz que os documentos solicitados estão classificados como reservados, secretos e ultrassecretos, o que garantiria seu sigilo por até 25 anos, prorrogáveis por mais 25 nos casos mais restritos.»
Em
18 de julho, a Fundação Ford anunciou uma nova rodada de doações, no
montante de 50 milhões de dólares para os próximos cinco anos,
destinados a fortalecer o movimento de “direitos humanos global”. As
primeiras selecionadas foram sete entidades com atividades no Sul, entre
elas duas brasileiras, a Conectas e a Justiça Global, com 1 milhão de
dólares para cada uma.
Por
sua vez, o CEJIL é mantido por doações das Nações Unidas, órgãos da
Igreja Católica e os governos da Alemanha, Noruega e Suécia. Uma de suas
principais intervenções foi um processo na OEA contra o Estado
brasileiro, por violações de direitos humanos ocorridas durante o regime
militar de 1964-1985, na repressão à Guerrilha do Araguaia.
Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. IV, No 07, de 27 de julho de 2012.
Fonte: Blog do Ambientalismo
Imagem: Google (colocada por este blog)
Itaipu: Impossível o Paraguai cumprir ameaça contra o Brasil
"O governo paraguaio está totalmente impossibilitado de cumprir as ameaças feitas ao Brasil de redução das vendas de energia proveniente da binacional hidroelétrica de Itaipu", afirmou o secretário geral da Frente Guasú e parlamentar do Mercosul, Ricardo Canese.
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| Federico Franco |
Segundo acordos vigentes, cada um dos dois países tem acesso a 50% da energia gerada e o que o Paraguai não consume, só pode ser vendido para o Brasil.
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| Ricardo Canese |
No ano que fica para a tomada de posse do novo governo que será eleito pelos paraguaios em abril de 2013, seria impossível a realização dessa série de obras para permitir quintuplicar a atual capacidade disponível do sistema elétrico, além da inexistência dos fundos para isso.
Canese denunciou que depois das ameaças de Franco, tendentes a tratar de maximizar um sentimento nacionalista por motivos políticos, está na realidade a intenção de entregar para as grandes multinacionais de energia correspondente ao Paraguai, começando pela canadense Rio Tinto Alcay.
Este gigante de produção de alumínio pretende obter seis vezes mais que o total consumido pelo resto da indústria paraguaia e em forma subsidiada pelo Estado durante 40 anos.
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| Marco Aurélio García |
García falou que, em 2009, triplicou o pagamento do Brasil ao Paraguai pela energia que a nação guarani lhe fornece por exceder seu consumo e acrescentou que Brasília não pensa fazer novos aumentos.
Todas estas propostas parecem confirmar que Franco tem por adiante numerosos obstáculos impossíveis de serem cumpridos com a lei que enviará ao Congresso para reduzir a venda de energia ao Brasil e Argentina, fixada por nos tratados binacionais subscritos.
Fonte: Prensa Latina, Vermelho
domingo, 15 de julho de 2012
Aos amigos/irmãos
Após vários dias me recuperando, hoje estou bem, quero agradecer a todos pelo carinho, pelos pensamentos positivos, e posso hoje com certeza afirmar a todos vocês, que além de meus amigos também são meus irmãos.
Um grande beijo a todos
Deixo esse vídeo como forma de agradecimento aos meus amigos/irmãos
sábado, 7 de julho de 2012
Amigos
Hoje o Burgos foi atacado por dois cães da raça Pit Bull, milagrosamente sobreviveu, levou vários pontos no pescoço, está se recuperando aos poucos.
O Blog ficará sem posts até o seu completo restabelecimento, conto com vocês amigos para uma corrente de pensamentos positivos para que o Burgos Cãogrino este cão peregrino volte logo e continue sua luta pela conscientização dos humanos.
Obrigado pela compreensão.
Um grande abraço a todos
Ass.: Dona do Burgos
“A primavera árabe” está indo para a América latina?
Reproduzo abaixo o excelente post do Octopus
Uma onda de protestos está
estourando na Venezuela, Equador e Bolívia – países de forte oposição
às políticas dos EUA e de seus aliados na região. Será que estamos
testemunhando uma “Primavera Latino-americana”?
Há sinais de crescente
actividade de guerra psicológica por agências e ONG's “pró-democracia”,
“pró-direitos humanos” e “de ajuda”, na América Latina, actuando
através de seus actores locais alinhados com os interesses dos
EUA/Reino Unido/União Europeia.
Acendendo o Fósforo
Será que está sendo pavimentado o
caminho para coisas bem piores? Aqueles que “riscam o fósforo” que
inflama a agitação e os protestos populares já aprenderam muito bem, a
partir da sua experiência com a “Primavera Árabe”, como soprar estas
chamas que conduzem a catastróficas explosões sociais...
Alguns alarmes estão começando a
disparar em países como Venezuela, Equador e Bolívia, cujos
presidentes – Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, respectivamente
– não tocam a melodia dos EUA e seus aliados, que por mais de um
século têm exercido dominação económica colonial sobre a América
Latina.
A Venezuela, a Bolívia e o
Equador insistem em manter estreitas relações com países, que os EUA e
seus aliados definiram como “estados desonestos”, nomeadamente o Irão, a
Síria e, até o assassinato público de Khadafi na a Líbia. Será que
eles estão destinados a serem cabeças de ponte para uma possível
“Primavera Latino-americana” de insurreição programada?
A chamada “Primavera Árabe”
também começou com a erupção de uma grande variedade de queixas
populares que evoluíram para demonstrações em massa e rapidamente
transformaram-se em violência social descontrolada de todos os lados.
Redes de Poder
Para entender como este complexo
sistema de dominação realmente funciona, precisamos também olhar para a
actividade do sector privado, que é instrumento para a obtenção do
controle sobre os países da região.
Por exemplo, uma entidade
privada como a “Sociedade das Américas” presidida por David Rockefeller
– fortemente ligada ao Conselho de Relações Exteriores que está bem em
frente do outro lado da luxuosa Park Avenue na cidade de Nova York –
recentemente foi capaz de catapultar um de seus membros, Juan Manuel
Santos, para presidente da Colômbia, um tradicional aliado dos EUA na
região.
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| GeorgeSoros - Eduardo Elsztain - Gustavo e Patricia Cisneros |
Outros membros da Sociedade das
Américas incluem poderosos líderes políticos e empresariais regionais e
globais, como o presidente do Congresso Mundial Judaico Eduardo
Elsztain (empresário argentino sócio de GeorgeSoros) e, Gustavo e
Patricia Cisneros, proprietários de um poderoso conglomerado multimedia
da oposição venezuelana.
Co-presidindo a Sociedade das
Américas com David Rockefeller está John Negroponte, que serviu como
embaixador do governo George W. Bush na ONU e no Iraque, e que também
era seu Conselheiro de Segurança Nacional.
Frequentemente, são fatos pouco
conhecidos como estes que ajudam a “ligar os pontos” e permitem mostrar
onde de fato o poder se encontra, mas que os media ocidental ignoram.
Ainda bem que o mundo está
acordando para o fato de que a chamada “Primavera Árabe” não é mais do
que um método para impor o estilo ocidental de “democracia” a todos os
países muçulmanos, enfraquecendo assim todos os estados soberanos.
É evidente que isto está sendo
arquitectado e financiado com a cumplicidade da Elite de Poder que
astutamente tira vantagem das divisões internas e sequestra genuínas
reivindicações das populações locais em seu proveito próprio.
Ela usa todas as armas de que
dispõem, geralmente através de operativos da CIA, do MI6 e do Mossad.
Também inclui guerra psicológica mediática local que espalha informação
falsa/distorcida sobre o que realmente está acontecendo em cada país e
por quê.
Guia dos Sete Passos Para Destruir um País:
Escrevendo a respeito da “Primavera Árabe”, descrevemos um processo de ‘Sete Passos' através do qual a Elite Ocidental pode provocar tumultos até a destruição total.
1.
Eles começam apontando um país que consideram pronto para uma “mudança
de regime”, frequentemente carimbando-o como “Estado Covarde”,então...
2. Espalham mentiras
deslavadas através de seus noticiários e jornalistas pagos e, chamam a
isso de “preocupações da Comunidade Internacional”, então...
3. Financiam e promovem
contendas e tumultos internos, geralmente evoluindo para fornecimento
de armas e treino de grupos terroristas locais pela CIA, MI6, Mossad,
Al-Qaeda e membros de cartéis de drogas, e chamam-nos de “Rebeldes Pela
Liberdade”, então...
4. Tentam encenar Resoluções
do Conselho de Segurança da ONU permitindo que a OTAN despeje morte e
destruição sobre milhões de pessoas, e chamam a isso de “Sanções Para
Proteger a População Civil”,então...
5. Invadem e começam a controlar o país escolhido, e chamam a isso de “Libertação”, então...
6. Quando o dito país cai sob
seu controle, eles fraudulentamente impõem pérfidos governos fantoches
e chamam a isso de “Democracia”, até que finalmente...
7. Eles roubam o petróleo, os
minérios e a produção agrícola entregando-os aos Banqueiros e
Corporações globais, também impõem Dívidas Soberanas desnecessárias, e
chamam a isso de ”Investimento Estrangeiro e Reconstrução”.
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Portanto, Equador, Venezuela e Bolívia – e até mesmo Argentina: abram os olhos!
Aprendam a ver através do uso secreto e violento da força e da hipocrisia em público da Elite de Poder.
Porque
quando os Poderosos Senhores Globais decidirem vir atrás de vocês,
eles dirão que é tudo em nome da “liberdade de expressão”, da
“democracia”, da “paz”, dos “direitos humanos”, da “não discriminação” e
outras frases de efeito.
Não caiam nessa!
Reprodução de um artigo, na quase sua totalidade com ligeiras adaptações, de Adrian Salbuchi
Fonte: Octopus
Imagem: Octopus e Google
sexta-feira, 6 de julho de 2012
EUA e aliados querem "DIÁLOGO" na Palestina e GUERRA na Síria
O presidente francês, François Hollande, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediram nesta sexta-feira (6) a israelenses e palestinos que retomem o diálogo "em condições aceitáveis" para ambas as partes. Eles se encontraram durante reunião realizada em Paris nesta sexta do grupo de países autodenominado “amigos da Síria".
Na realidade foi uma reunião de apoio à oposição síria e de provocação e ameaças contra o governo do presidente Bashar Al-Assad. Os mais exaltados inimigos da Síria reunidos em Paris chegaram a falar em “punir os crimes” de Assad.
O encontro serviu também para abordar a questão iraniana.O Irã está sempre no alvo das manobras diplomáticas dos países imperialistas e hoje se encontra sob ameaça de ataque. Segundo um comunicado emitido pela Presidência da República francesa, no encontro também foi abordada a relação que o Irã mantém com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Hollande e Hillary disseram que pretendem a "plena aplicação das resoluções do Conselho de Segurança (das Nações Unidas) e do Conselho de Governadores da AIEA".
Ajuda massiva aos "opositores"
A conferência dos autodenominados Amigos da Síria anunciou também uma ajuda massiva para os opositores, posição recusada por Rússia e China.
A declaração final do encontro assinala que "aqueles, cuja presença comprometa a credibilidade da transição, deverão ser apartados" e acrescenta que "Al-Assad deve abandonar o poder".
Os presentes no encontro de Paris decidiram aumentar em massa a ajuda aos grupos opositores, responsabilizados por Damasco pela situação de violência que vive o país.
Ao mesmo tempo, reclamaram ao Conselho de Segurança da ONU aprovar sanções "mais fortes e duras" contra o país árabe, a que se opuseram determinadamente Rússia e China, membros permanentes desse organismo com direito ao veto.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, declarou aqui que ambos os países "devem pagar um preço" por bloquear as sanções da ONU que pressionariam Al-Assad a renunciar.
O chanceler russo, Serguei Lavrov, se negou a participar do encontro dos Amigos da Síria, um grupo que desde o princípio tem buscado "respaldar a oposição".
"Não podemos compartilhar os propósitos desse grupo porque estão dirigidos a provocar a confrontação, não a criar um ambiente para o diálogo sem a intervenção estrangeira", declarou Lavrov.
A próxima reunião dos chamados Amigos da Síria será efetuada no Marrocos.
Fonte: Vermelho
Imagem: Google
Ilan Pappe - parte 01 - Sobre as perspectivas para a solução do conflito...
Nesta palestra para a Conferência sobre a Palestina, em Stuttgart, o brilhante professor e humanista israelense Ilan Pappe faz uma magnífica exposição do significado do sionismo: suas características inerentemente colonialistas e racistas.
Ilan Pappe também revela como é enganosa a ideia propalada por certos círculos da "esquerda" europeia de que entre os sionistas israelenses há forças democráticas de esquerda que estariam interessadas em chegar a uma solução justa com os palestinos. Ilan Pappe deixa patente que não há diferenças significativas no comportamento colonialista e racista tanto da direita como da "esquerda" sionistas. Ambas correntes compartilham igualmente o objetivo e o desejo de livrar-se da presença do povo palestino nativo. A única grande diferença está em que a "esquerda" sabe manipular as palavras muito mais habilmente que seus pares direitistas. Daí que, para os que lutam realmente para o fim do colonialismo naquela região, esta "esquerda" seja até mais perigosa do que a direita aberta e declarada, uma vez que, com seu palavreado ardiloso, ela consegue neutralizar boa parte da intelectualidade europeia, que parece contentar-se tão somente com palavras de efeito, independentemente da realidade sobre o terreno.
Para Ilan Pappe, a luta contra o colonialismo e o racismo na Palestina exige que o combate seja feito primeira e abertamente contra a ideologia que o impulsa, sustenta e ampara, ou seja, contra o sionismo. Sem a derrota ideológica do sionismo não há perspectivas de paz e justiça na Palestina.
Fonte: DOCVERDADE
Do canal Josespa1
Ilan Pappe também revela como é enganosa a ideia propalada por certos círculos da "esquerda" europeia de que entre os sionistas israelenses há forças democráticas de esquerda que estariam interessadas em chegar a uma solução justa com os palestinos. Ilan Pappe deixa patente que não há diferenças significativas no comportamento colonialista e racista tanto da direita como da "esquerda" sionistas. Ambas correntes compartilham igualmente o objetivo e o desejo de livrar-se da presença do povo palestino nativo. A única grande diferença está em que a "esquerda" sabe manipular as palavras muito mais habilmente que seus pares direitistas. Daí que, para os que lutam realmente para o fim do colonialismo naquela região, esta "esquerda" seja até mais perigosa do que a direita aberta e declarada, uma vez que, com seu palavreado ardiloso, ela consegue neutralizar boa parte da intelectualidade europeia, que parece contentar-se tão somente com palavras de efeito, independentemente da realidade sobre o terreno.
Para Ilan Pappe, a luta contra o colonialismo e o racismo na Palestina exige que o combate seja feito primeira e abertamente contra a ideologia que o impulsa, sustenta e ampara, ou seja, contra o sionismo. Sem a derrota ideológica do sionismo não há perspectivas de paz e justiça na Palestina.
Fonte: DOCVERDADE
Do canal Josespa1
Novas bases, velhos interesses
Instalação de bases militares no Chile e no Peru revelam a tentativa estadunidense de aumentar sua influencia na região
Em 5 de abril, foram concluídas no Chile as obras do Centro de Treinamento de Pessoal para Operações de Paz em Zonas Urbanas. Localizada em Forte Aguayo, em Concón, na região de Valparaíso, a base foi construída em 60 dias, tempo considerado recorde para um projeto do tipo.
A estrutura é composta por oito edifícios, que simulam uma pequena cidade. O custo da base, financiado pelo Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, foi de quase 500 mil dólares. O centro será destinado ao treinamento das chamadas Forças de Paz das nações latino- americanas que integram missões das Nações Unidas.
Já no Peru, o Governo Regional do departamento de Piura (norte do país) entregou a representantes do Comando Sul dos Estados Unidos um terreno de dois hectares para que seja construído o novo Centro de Operações de Emergência (Coer) para Piura, capital do departamento.
Segundo informações da imprensa local, representantes do Comando Sul já realizam estudos e estimam que, até julho, o projeto para o centro estará pronto. A obra deverá ter um custo de 500 mil dólares.
Com as duas novas unidades, chega-se à marca de 49 bases militares estrangeiras na América Latina, segundo levantamento do Centro de Estudos e Documentação sobre Militarização.
Outra base estadunidense estava prevista para a Argentina, mas o plano não foi em frente. O objetivo dos Estados Unidos era instalar um “centro de emergência” em um edifício no perímetro do aeroporto da cidade de Resistencia, capital da província de Chaco, no nordeste do país.
A permissão para a instalação do centro já havia sido outorgada pelas autoridades locais da província do Chaco. Entretanto, o plano foi rechaçado pelo governo nacional, que, depois de vários protestos de organizações sociais, mandou suspender as negociações.
Política continuada
A instalação das novas bases é vista com preocupação pelo professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC e membro do Instituto de Estudos Latino Americanos (Iela), Nildo Ouriques. Para ele, o fato mostra que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mantém uma política “imperialista” para a região.
“Ninguém amplia bases militares para fortalecer relações de solidariedade e amizade”, alerta.
A opinião é compartilhada por Pablo Ruiz, que integra, no Chile, a Equipe Latinoamericana do Observatório da Escola das Américas (Soaw).
“No começo tivemos esperança em Obama, quando disse, especialmente, que queria ter uma relação de respeito com nosso continente. Mas as esperanças terminaram faz muito tempo“, diz.
Militarização
A construção de bases militares estadunidenses na América Latina não é um fenômeno novo, como lembra o professor de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero Igor Fuser. Durante as décadas de 1970 e 1980, porém, não havia necessidade de uma presença militar mais efetiva, pois os próprios governos nacionais, alçados ao poder por meio de golpes de Estado, levavam adiante os interesses dos Estados Unidos na região. Sua força continuou nos anos 1990, com a eleição de governos neoliberais simpáticos ao país.
A comodidade estadunidense começou a ruir com a ascensão de governos progressistas como o de Hugo Chávez, em 1998, fenômeno que se estendeu a outros países a partir da década de 2000. Junto veio o fracasso do projeto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Nesse momento, segundo o professor da Cásper Líbero, as bases apresentaram-se como solução.
“Os Estados Unidos perceberam a falta de um instrumento mais eficaz para garantir seus interesses políticos e econômicos na região. A saída que eles encontram foi intensificar a presença militar direta na América Latina”, afirma Fuser.
Fato emblemático do aumento da militarização, para ele, foi a reativação da Quarta Frota da marinha estadunidense, em 2008. Criada em 1943, durante a II Guerra Mundial, para conter os avanços nazistas, a unidade havia sido desativada em 1950.
O Brasil e seus recursos
Dentre os vários interesses estadunidenses na região, o controle dos recursos naturais aparece como um dos mais importantes. Nesse sentido, para o jornalista uruguaio Raúl Zibechi, o Brasil torna-se um grande alvo dessa nova ofensiva.
Detentor das riquezas da Amazônia, o Brasil tornou-se um país ainda mais atrativo devido à descoberta da camada pré-sal. Com isso, segundo ele, a tendência é de que o “traçado” das bases, daqui para frente, vise a “cercar” o Brasil.
“Com o pré-sal as coisas se complicam, e a Marinha começa a ter um papel mais importante do que antes”, diz.
Nesse sentido, aponta Fuser, o Brasil deve adotar uma posição firme de repúdio às bases, não só para proteger seus recursos naturais, mas também de solidariedade em relação a seus vizinhos.
“A perspectiva de uma América do Sul integrada, como o Brasil defende, inclui como ponto essencial a afirmação plena da soberania. Um país não pode ser plenamente soberano se ele tem uma base militar estrangeira instalada no seu território”, diz.
Consequências
Os países para onde estão previstas as novas bases já temem as consequências da militarização. No Chile, a instalação da base tem gerado protestos de diversas organizações. Em carta dirigida ao ministro de Defesa, Andrés Allamand, comissões de direitos humanos, grupos de familiares de executados políticos, intelectuais e movimentos sociais afirmam que os Estados Unidos não têm “qualidade moral para ensinar operações de paz”.
O principal receio é de que a base sirva para conter manifestações sociais que vêm acontecendo nos últimos anos em território chileno, organizadas por estudantes e defensores de direitos humanos.
Já no Peru o principal desdobramento da instalação da nova unidade militar deverá ser a intensificação da chamada “guerra às drogas”. A base de Piura, segundo o analista político peruano Guillermo Burneo, terá objetivo semelhante à base área de Manta, no Equador. Desativada em 2008 por determinação do presidente Rafael Correa, a estrutura tinha por objetivo oficial combater o narcotráfico na região.
Com o aumento da repressão ao narcotráfico, argumenta Burneo, os Estados Unidos podem impulsionar seu mercado de equipamentos bélicos – algo que se torna especialmente importante agora, diante da crise econômica pela qual passam os estadunidenses.
“Dar treinamento a nossos exércitos é uma maneira de nos submeter à sua logística e o que isso implica, que é a compra de armamentos”, afirma Burneo.
Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Google
Paraguai: dinastia x povo
O que está em jogo no atual cenário latino-americano desde as terras paraguaias é a possibilidade, ou não, de manutenção do poder pela dinastia oligárquica deste país.
Desde o período colonial, o processo de desenvolvimento da luta de classes na América Latina tem como sendeiro luminoso a disputa de classe pelo poder (na compreensão e na execução).
Em boa parte dos últimos 500 anos, a América Latina viveu uma sucessão dos mandatários das dinastias no poder de Estado, dada a capacidade de grupos familiares dominantes exercerem, na força bruta, o poder de ditar as formais-representativas regras do jogo político.
O que está em jogo no atual cenário latino-americano desde as terras paraguaias é a possibilidade, ou não, de manutenção do poder pela dinastia oligárquica deste país, em associação com os interesses do capital internacional, em especial, o estadunidense.
No Paraguai, a dinastia Strossner tenta assumir, nos últimos anos, a postura de não permitir que outra classe realize, com suas cores e sabores, um projeto alternativo de poder, com grande projeção popular e internacional.
Mais do que um questionamento formal à política do inimigo, o que a dinastia oligárquica exerce é a estratégia histórica de destituir, na força, um poder legitimamente instituído pelo povo.
O que o rei paraguaio, da dinastia internacional coligada com os EUA sobre a América Latina, pretende com seu histórico familiar, no golpe sobre Lugo e o povo, é continuar trotando rumo à sua aparente insuperável manipulação e execução do poder formal de Estado.
O que vivemos neste momento no Paraguai é a disputa entre o que historicamente se teve como hegemônico processo de realização de poder e a real chegada democrática ao Estado, de um presidente avesso à dinastia Paraguaia, Lugo.
Paraguai é um país estratégico para a continuidade de poder hegemônico dos EUA no continente latino. As reservas de água, a localização desde o sul, exigem do Estado americano, um posicionamento ancorado nas bases da disputa territorial nacional. É assim como se associam o militarismo das dinastias com o militarismo armado americano.
Para as famílias da dinastia, articuladas para a prepotente ininterrupta sucessão ao trono, Lugo representa não só o fracasso, mas a perda da condução criminosa na história do poder paraguaio.
Crime que, nos últimos 500 anos, foi irradiado por todos os cantos habitados pelo povo paraguaio, com a expressiva morte de camponeses, da produção de vida autônoma e da soberania popular.
Mas os discípulos do Rei sem trono, não contavam com a organização do poder popular dentro e fora de seus domínios territoriais.
O golpe ocorre em um momento muito particular da história do poder na América Latina. Outros Estados, com seus projetos e processos, estão em aberta correlação de forças contra as dinastias nacionais executadas em nossos territórios latinos.
A atual política de golpe da dinastia nos nossos países encontra, no cenário internacional e latino-americano, uma resistência incômoda para os déspotas: os povos organizados rumo à outra integração possível que não seja a da mercantilização dos territórios e sujeitos e que, pouco a pouco, execute uma nova dimensão sobre o bem viver.
O Paraguai de Lugo, não pertence somente aos paraguaios. Pertence a um processo de integração em que os povos latinos se reconhecem, na resistência, em luta juntos, integrados por outros interesses e compromissos.
Essa integração dos povos tem, em alguns dos Estados nacionais – Venezuela, Bolívia, Equador, Brasil – uma aliança que coloca em xeque o golpe, como dinâmica aceitável de poder.
As ditaduras das dinastias encontram, hoje, outro tipo de resistência popular ao seu crime despótico: a organização internacional dos povos, dos Estados aliados desde outra dinâmica.
Quiçá ainda não estejamos em tempos de uma América Latina livre, como sonhava Bolívar. Mas não estamos mais em um processo em que a humilhação, a matança e a organizada forma criminosa de ser das dinastias nacionais consigam ser executadas sem o grito e a organização coletiva de classe no continente.
Que as dinastias latinas sejam banidas da real possibilidade de execução de poder formal na América Latina. Que nós latinos nos levantemos com os camponeses e o povo paraguaio, contra esse sujo jogo de poder oligárquico familiar que tenta, na aliança geopolítica com os EUA, minar a possibilidade real da construção do poder e do projeto popular no Paraguai. E que os Estados nacionais em correlação de força com os EUA, façam a sua parte no processo, como já assinalou o presidente Chávez.
*Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.
Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Google
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