segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Ideólogo do sionismo vem ao Brasil pregar guerra contra o Irã
Em entrevista ao Portal Terra publicada neste domingo (2), o pesquisador revelou-se menos um analista sério do que um propagandista do sionismo e pregoeiro de guerras de agressão.
As declarações do entrevistado são reveladoras de que sua peregrinação visa a justificar perante a opinião pública brasileira a política belicista e agressiva do Estado de Israel. "A decisão [de atacar o Irã] será tomada a partir da seguinte pergunta: nós, israelenses, estamos prontos para conviver com um Irã armado com uma bomba nuclear? Quanto tempo mais nós poderemos esperar"?
Delírio
Mais delirante do que analista, Fine disse que em vários aspectos, o governo atual do Irã “é, provavelmente, o pior regime desde o nazismo alemão”. Fazendo coro com opiniões que distorcem os fatos a partir de uma ótica sionista, racista e exclusivista, segundo a qual somente Israel tem direito à existência segura no Oriente Médio, o pesquisador defende a mesma opinião dos reacionários daqui, pagos pelo lobby sionista nos meios de comunicação, a de que existe ‘‘uma profunda ideologia antissemita”. Falando a linguagem dos militares e do nacionalismo fanático, não a dos acadêmicos, o israelense afirmou que “a combinação entre a ideologia antissemita e armas nucleares é algo que nós simplesmente não vamos aceitar”.
Estado pária
Em algum momento, porém, Jonathan Fine é fiel aos fatos. É quando interpreta as posições oficiais do governo israelense e revela as verdadeiras intenções desse “rogue State” (Estado Pária), para usar a expressão com que o Pentágono, a Casa Branca e seus aliados tratam os governos de que divergem: “O debate principal que ocorre em Israel é sobre quando e como invadir o Irã”, diz sem cerimônia. Mais adiante: “Então a pergunta que fica é: quanto tempo mais nós poderemos esperar? Algumas pessoas (do governo) acham que Israel deve agir imediatamente, mas alguns acreditam que alguns meses não farão diferença. Mas a decisão terá de ser tomada por Israel. Porque o Irã não está ameaçando os Estados Unidos, está ameaçando a gente”.
A lógica do raciocínio do entrevistado é unilateral e mentirosa. Parte da premissa falsa de que o Irã ameaça Israel com a arma nuclear. O Irã não só não tem arma nuclear, como está comprometido a não possuí-la, porquanto é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e tem dado reiteradas declarações nesse sentido. Em pronunciamento no último dia 30 de agosto na abertura da 16ª Reunião de Cúpula do Movimento de Países Não Alinhados realizada em Teerã, o líder Ali Khamenei declarou que para a República Islâmica o uso de armas nucleares “é pecado imperdoável”. Defendeu o domínio da tecnologia nuclear com fins pacíficos “para todos os países” e a posse de armas nucleares para “nenhum país”. Por seu turno, Israel possui ilegalmente armas nucleares e não assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Já os Estados Unidos, seu principal aliado, financiadores e fornecedores de ajuda militar a Israel, já usaram armas nucleares e jamais se comprometeram a não mais fazê-lo.
Exterminador
Questionado sobre o apoio de Obama ou de Mitt Romney para o sucesso dos planos aventureiros de Israel, Fine foi enfático: “A decisão de invadir ou não o Irã não depende disso”. Admitindo que “as relações entre Obama e Netanyahu estão tensas”, ele assegura, porém, que “pouco importa quem vencer as eleições” [nos EUA]. Fine diz que a política internacional dos Estados Unidos pouco mudou entre um governo e outro (...) “Israel e os Estados Unidos têm muitos interesses em comum, apesar das divergências(...) a verdade é que a relação entre os dois países é mais profunda e não irá mudar muito independentemente de quem vencer. (...) Os EUA sempre foram amigos de Israel, e Israel depende dos Estados Unidos”. Embriagado por um espírito de exterminador, o pesquisador israelense diz em outra passagem da entrevista que “os iranianos sabem que, se tentarem alguma loucura, os Estados Unidos vão acabar com eles”.
Provocações ao Brasil
Adotando um comportamento padrão entre os porta-vozes do sionismo, Jonathan Fine fez provocações endereçadas ao governo brasileiro e às esquerdas do País. Ignora que o Brasil é pacifista e não tem interesse em se envolver nas aventuras bélicas do Estrado israelense. Critica a esquerda porque sabe que no Brasil esta é majoritariamente favorável à luta do povo palestino por sua autodeterminação e a criação do seu Estado independente com capital em Jerusalém Leste. Os sionistas não perdoam o fato de que a esquerda brasileira condena a política de extermínio de Israel contra os palestinos e sua conduta guerreira no Oriente Médio. O Brasil tem uma política externa independente e não carece dos conselhos de um país que age como força desestabilizadora do quadro mundial e se afigura como uma ameaça à paz e à segurança internacional.
Outras vozes em Israel
Felizmente, porém, para tristeza dos fanáticos que financiam as viagens dos pregoeiros da agressão militar contra países soberanos, em Israel não se escuta apenas o rufar dos tambores de guerra. Há também autoridades críticas desse rumo que põe em risco a própria população do país. São vozes mais prudentes e equilibradas. “Um ataque ao Irã poria em perigo o futuro de Israel, afirmou Eliyahu Winograd, um ex-magistrado da Corte Suprema israelense em entrevista a uma emissora de rádio neste domingo (2).
“Cairia sobre Israel uma chuva de mísseis disparados não só desde o Irã, mas do Hezbolá e não parece que o país tenha suficientes refúgios nem máscaras anti-gases para enfrentar tal contingência, disse Winograd, presidente do comitê que elaborou informe crítico sobre a guerra de 2006 contra o Líbano, aquela em que as forças agressoras israelenses foram fragorosamente derrotadas pelo Hezbolá.
“A estrutura política israelense não se consultou bem com a direção militar sobre a preparação da campanha libanesa”, afirma o informe da Comissão Winograd.
O veterano magistrado se perguntou se o primeiro-ministro israelense, Benyamín Netanyahu, e titular da defesa israelenses, Ehud Barak, têm em conta as lições aprendidas depois do que descreveu como a "segunda guerra do Líbano".
“Se não têm em conta, estamos com problemas”, disse o entrevistado, que assegurou que tanto os órgãos de segurança israelenses, o Mossad e Shin Bet, como os altos comandos militares desaconselham um ataque contra a República Islâmica iraniana.
Teerã tem reiterado que uma agressão contra si será "devastadora" para Israel, depois que circularam informações ainda não confirmadas oficialmente, segundo as quais Tel Aviv elaborou um plano baseado em um ataque cibernético prévio aos bombardeios com mísseis contra instalações nucleares iranianos.
Fonte: Da Redação do Vermelho, com informações do Portal Terra e da agência Prensa Latina
Imagem: Google (colocada por este blog)
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
O “poder inteligente” e os “canhões de agosto”
Retirado do Blog do Ambientalismo
Apesar das sucessivas demonstrações dos limites do poderio militar como instrumento de política externa com as quais têm se deparado, nas últimas duas décadas, os círculos supremacistas do establishment anglo-americano continuam apostando nele para a estratégia de preservação da sua crescentemente questionada hegemonia global. O pressuposto básico que continua fundamentando a sua agenda estratégica é o de que não existe alternativa à hegemonia do poder e do “excepcionalismo” estadunidense, o qual está na raiz de concepções como a do “poder inteligente” (smart power), que tem sido propagandeado pela secretária de Estado Hillary Clinton, como a nova diretriz estratégica da atuação dos EUA no cenário global.
Em um artigo publicado em 18 de julho na revista inglesa The New Statesman e reproduzido em jornais de todo o mundo (inclusive no “Estadão” de 29 de julho), Hillary dissertou sobre “A Arte do Poder Inteligente”. O texto conclui com uma categórica e arrogante advertência ao mundo:
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| Hillary Clinton |
"Não existe na História um precedente real do papel que desempenhamos ou das responsabilidades que assumimos, e não há alternativa. Isto é o que torna tão excepcional a liderança estadunidense, e é por isso que estou confiante em que continuaremos a servir e defender uma ordem global pacífica e próspera, por muitos anos ainda."
Seguramente, existem poucos precedentes históricos de uma tamanha manifestação de arrogância imperial por parte de um representante do governo de qualquer país, desde que o Homo sapiens sapiens começou a se organizar em estados e nações e passou a dedicar-se a conquistar e submeter outros povos.
Além disso, os interesses institucionais intrínsecos do “complexo de segurança nacional” e suas interconexões com o sistema financeiro internacional, também, impoem a sua dinâmica peculiar na agenda política, contribuindo para criar um cenário de alto potencial explosivo e com situações em que qualquer incidente pode deflagrar um conflito de grandes proporções e consequências imprevisíveis.
Seguramente, existem poucos precedentes históricos de uma tamanha manifestação de arrogância imperial por parte de um representante do governo de qualquer país, desde que o Homo sapiens sapiens começou a se organizar em estados e nações e passou a dedicar-se a conquistar e submeter outros povos.
Além disso, os interesses institucionais intrínsecos do “complexo de segurança nacional” e suas interconexões com o sistema financeiro internacional, também, impoem a sua dinâmica peculiar na agenda política, contribuindo para criar um cenário de alto potencial explosivo e com situações em que qualquer incidente pode deflagrar um conflito de grandes proporções e consequências imprevisíveis.
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| James Stavridis |
Em uma recente reunião com um alto oficial militar europeu, o comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), almirante James Stavridis, sintetizou a sua percepção do cenário estratégico-político internacional com uma frase curta e agourenta:
«Nós estamos em 1914.» (De Defensa, 3/08/2012).
Para os conhecedores da História, a avaliação do líder militar da Aliança Atlântica remete à trágica combinação de erros de cálculo, imprudências e ações deliberadas, que, em agosto de 1914, se traduziu nos sucessivos ultimatos e declarações de guerra que confluíram na I Guerra Mundial. Em especial, o almirante se referia à percepção de “automatismo” assumido pelos fatos, depois que certas decisões fatais foram tomadas pelos líderes europeus da época, que deixou em numerosos historiadores do conflito a impressão de que, a partir de um certo ponto, a dinâmica de guerra se impôs às tentativas feitas à última hora para impedi-la. Embora se desconheçam os detalhes da conversa de Stavridis com seu colega europeu, ele pode ter pensado, por exemplo, no desespero do imperador alemão Guilherme II, pedindo a seu primo, o czar Nicolau II, para não ordenar a mobilização do Exército imperial russo, devido ao ultimato do Império Austro-Húngaro à Sérvia (onde um terrorista havia assassinado o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono de Viena), situação considerada casus belii para o Estado-Maior germânico. Mas também não se sabe se ele pensou no afã do primeiro lorde do Almirantado, o jovem e belicoso Winston Churchill, que ardia de desejo por um conflito armado e foi um dos principais artífices da declaração de guerra do governo britânico à Alemanha, que o premier Henry Asquith queria evitar a todo custo (não por acaso, Churchill é o grande ícone dos círculos ultrabelicistas do Establishment anglo-americano).
Tais fatos foram magistralmente descritos pela historiadora estadunidense Barbara W. Tuchman, em seu livro «Canhões de Agosto» (Objetiva, 1994), que lhe valeu um Prêmio Pulitzer e era um dos favoritos do presidente John F. Kennedy. Como se sabe, Kennedy mandou distribuir exemplares do livro entre altos funcionários do governo e oficiais militares e extraiu dele preciosos ensinamentos, que muito ajudaram a orientar a sua atitude durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em outubro de 1962, quando foi decisivo para evitar o confronto nuclear desejado pelos “falcões” militares e civis de seu governo.
Quase um século depois, uma visão dos acontecimentos em curso no Oriente Médio deixa em qualquer observador minimamente atento a impressão de que, efetivamente, este agosto guarda sombrias semelhanças com o daquele ano fatídico em que o mundo mergulharia na mais sangrenta das guerras travadas até então. Na atmosfera carregada de vapores explosivos, resultante da combinação do conflito na Síria, a campanha de pressões contra o Irã (incluindo um bloqueio econômico e operações clandestinas equivalentes a atos de guerra, sem falar nas ostensivas ameaças de Israel) e a onipresente questão palestina, qualquer evento singular tem o potencial de deflagrar uma escalada de ações militares que, em última análise, pode resultar num conflito regional de alta intensidade.
Tais fatos foram magistralmente descritos pela historiadora estadunidense Barbara W. Tuchman, em seu livro «Canhões de Agosto» (Objetiva, 1994), que lhe valeu um Prêmio Pulitzer e era um dos favoritos do presidente John F. Kennedy. Como se sabe, Kennedy mandou distribuir exemplares do livro entre altos funcionários do governo e oficiais militares e extraiu dele preciosos ensinamentos, que muito ajudaram a orientar a sua atitude durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em outubro de 1962, quando foi decisivo para evitar o confronto nuclear desejado pelos “falcões” militares e civis de seu governo.
Quase um século depois, uma visão dos acontecimentos em curso no Oriente Médio deixa em qualquer observador minimamente atento a impressão de que, efetivamente, este agosto guarda sombrias semelhanças com o daquele ano fatídico em que o mundo mergulharia na mais sangrenta das guerras travadas até então. Na atmosfera carregada de vapores explosivos, resultante da combinação do conflito na Síria, a campanha de pressões contra o Irã (incluindo um bloqueio econômico e operações clandestinas equivalentes a atos de guerra, sem falar nas ostensivas ameaças de Israel) e a onipresente questão palestina, qualquer evento singular tem o potencial de deflagrar uma escalada de ações militares que, em última análise, pode resultar num conflito regional de alta intensidade.
Na Síria, a interferência externa na rebelião contra o governo do presidente Bashar al-Assad é cada vez mais ativa e visível, sendo admitida abertamente pelo presidente estadunidense Barack Obama, que determinou que o Departamento de Estado encontre formas “encobertas” de apoiar os insurgentes do chamado Exército Livre da Síria (FSA, em inglês). Por ironia, a decisão ocorre no momento em que as atrocidades do FSA contra simpatizantes do regime de Assad começam a se tornar inocultáveis para a mídia ocidental, que até agora vinha tratando o grupo como uma coligação de paladinos em luta por “democracia” no país.
A sem cerimônia dos belicistas oligárquicos chega ao ponto de justificarem a mobilização de combatentes da rede terrorista Al-Qaida (que, de resto, já operam na Síria) para injetar disposição no FSA. Em um comentário publicado em 6 de agosto, no sítio do Conselho de Relações Exteriores (CFR), o senior fellow para Assuntos do Oriente Médio, Ed Husain, afirmou, sem qualquer pudor:
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| Ed Husain |
«Os rebeldes sírios seriam incomensuravelmente mais fracos hoje, se não contassem com a Al-Qaida em suas fileiras. De um modo geral, os batalhões do FSA estão cansados, divididos, caóticos e inefetivos. Sentindo-se abandonadas pelo Ocidente, as forças rebeldes estão se desmoralizando, crescentemente, na medida em que se defrontam com o armamento superior e o Exército profissional do regime de Assad. Porém, os combatentes da Al-Qaida podem ajudar a levantar o moral. O influxo de jihadistas traz disciplina, fervor religioso, experiência de batalha do Iraque, financiamento de simpatizantes sunitas no Golfo e, o mais importante, resultados letais. Em suma, o FSA necessita da Al-Qaida já.»
Poucas vezes, a enfermidade mental dos supremacistas da oligarquia anglo-americana ficou tão explícita em um texto tão conciso. Em um único parágrafo, o autor deixou de lado qualquer prurido de pendor “democrático” – justificativa oficial para o apoio aos rebeldes sírios -, além de admitir que a Al-Qaida é um ativo de inteligência de tais círculos de poder. Para completar, ele afirma: “O cálculo político não declarado entre os formuladores de políticas é, primeiro, livrar-se de Assad – enfraquecendo a posição do Irã na região – e, depois, lidar com a Al-Qaida.”
Ou seja, para o propósito da “mudança de regime” em Damasco, qualquer recurso é válido, mesmo recorrer aos terroristas contra os quais, oficialmene, o governo dos EUA declarou a “guerra ao terror”, em 2001.
Enquanto isso, outros fatores contribuem para aumentar a concentração de vapores explosivos na atmosfera da região:
♦ a interferência crescente da Irmandade Muçulmana nos combates, mobilizando grupos armados sunitas para o conflito – o que, por sua vez, está levando as minorias alauítas, xiitas, drusas e cristãs, que formam o tecido social sírio, a também se armarem, aumentando as perspectivas de conflitos sectários;
♦ a “guerra de inteligência” entre a Síria e a Arábia Saudita, que, entre outras ações ofensivas, resultou no atentado à bomba ao QG dos serviços de segurança sírios em Damasco, em 18 de julho, no qual morreram três altos funcionários do regime, inclusive o ministro da Defesa; em uma possível retaliação, quatro dias depois, uma explosão teria ocorrido na sede do serviço de inteligência saudita, em Riad, na qual teria sido morto o príncipe Bandar bin Sultan Al-Saud, ex-embaixador em Washington e recém-nomeado para o cargo – rumores reforçados pelo fato de Bandar não ter aparecido em público desde a sua nomeação;
♦ a presença de três grupos de batalha da Marinha dos EUA na região, sendo dois no Golfo Pérsico e um terceiro a caminho, ao mesmo tempo em que uma força naval russa encontra-se ancorada no porto sírio de Tartus e dois destróieres chineses estão no Mediterrâneo, para visitas a portos “amigos”, pela primeira vez desde 2002;
♦ o ataque de um grupo terrorista a um posto policial egípcio no deserto do Sinai, na fronteira com Israel, que deixou 16 policiais mortos; embora os atacantes não tenham sido identificados, o objetivo claro do ataque é criar mais atritos nas já conturbadas relações egípcio-israelenses;
♦ a nova rodada de sanções contra o Irã, aprovadas pelo Congresso dos EUA em 1º. de agosto, punindo quaisquer empresas ou indivíduos que tenham relações com empresas energéticas iranianas ou vendam petroleiros ao país – que alguns observadores comparam às sanções adotadas pelo governo estadunidense contra o Japão, em 1940-1941, que muito contribuíram para levar o Império Nipônico a atacar os EUA.
Essa perigosa combinação de fatores resulta da visível frustração dos círculos belicistas estadunidenses e europeus com a inesperada resistência demonstrada até agora pelo regime de Assad. Frustração que se transforma em um virtual desespero, na medida em que a crise sistêmica global se aprofunda e leva um número crescente desses supremacistas a considerar a opção por um novo conflito regional – que, forçosamente, teria repercussões planetárias – como uma forma de preservação da sua hegemonia estratégica.
Poucas vezes, a enfermidade mental dos supremacistas da oligarquia anglo-americana ficou tão explícita em um texto tão conciso. Em um único parágrafo, o autor deixou de lado qualquer prurido de pendor “democrático” – justificativa oficial para o apoio aos rebeldes sírios -, além de admitir que a Al-Qaida é um ativo de inteligência de tais círculos de poder. Para completar, ele afirma: “O cálculo político não declarado entre os formuladores de políticas é, primeiro, livrar-se de Assad – enfraquecendo a posição do Irã na região – e, depois, lidar com a Al-Qaida.”
Ou seja, para o propósito da “mudança de regime” em Damasco, qualquer recurso é válido, mesmo recorrer aos terroristas contra os quais, oficialmene, o governo dos EUA declarou a “guerra ao terror”, em 2001.
Enquanto isso, outros fatores contribuem para aumentar a concentração de vapores explosivos na atmosfera da região:
♦ a interferência crescente da Irmandade Muçulmana nos combates, mobilizando grupos armados sunitas para o conflito – o que, por sua vez, está levando as minorias alauítas, xiitas, drusas e cristãs, que formam o tecido social sírio, a também se armarem, aumentando as perspectivas de conflitos sectários;
♦ a “guerra de inteligência” entre a Síria e a Arábia Saudita, que, entre outras ações ofensivas, resultou no atentado à bomba ao QG dos serviços de segurança sírios em Damasco, em 18 de julho, no qual morreram três altos funcionários do regime, inclusive o ministro da Defesa; em uma possível retaliação, quatro dias depois, uma explosão teria ocorrido na sede do serviço de inteligência saudita, em Riad, na qual teria sido morto o príncipe Bandar bin Sultan Al-Saud, ex-embaixador em Washington e recém-nomeado para o cargo – rumores reforçados pelo fato de Bandar não ter aparecido em público desde a sua nomeação;
♦ a presença de três grupos de batalha da Marinha dos EUA na região, sendo dois no Golfo Pérsico e um terceiro a caminho, ao mesmo tempo em que uma força naval russa encontra-se ancorada no porto sírio de Tartus e dois destróieres chineses estão no Mediterrâneo, para visitas a portos “amigos”, pela primeira vez desde 2002;
♦ o ataque de um grupo terrorista a um posto policial egípcio no deserto do Sinai, na fronteira com Israel, que deixou 16 policiais mortos; embora os atacantes não tenham sido identificados, o objetivo claro do ataque é criar mais atritos nas já conturbadas relações egípcio-israelenses;
♦ a nova rodada de sanções contra o Irã, aprovadas pelo Congresso dos EUA em 1º. de agosto, punindo quaisquer empresas ou indivíduos que tenham relações com empresas energéticas iranianas ou vendam petroleiros ao país – que alguns observadores comparam às sanções adotadas pelo governo estadunidense contra o Japão, em 1940-1941, que muito contribuíram para levar o Império Nipônico a atacar os EUA.
Essa perigosa combinação de fatores resulta da visível frustração dos círculos belicistas estadunidenses e europeus com a inesperada resistência demonstrada até agora pelo regime de Assad. Frustração que se transforma em um virtual desespero, na medida em que a crise sistêmica global se aprofunda e leva um número crescente desses supremacistas a considerar a opção por um novo conflito regional – que, forçosamente, teria repercussões planetárias – como uma forma de preservação da sua hegemonia estratégica.
Movimento de Solidariedade Íbero-americana
Créditos ➞ este post é matéria apresentada no Boletim Eletrônico MSIa INFORMA, do MSIa – Movimento de Solidariedade Íbero-americana, Vol. IV, No 09, de 10 de agosto de 2012.
MSIa INFORMA ➞ é uma publicação do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). Conselho Editorial: Angel Palacios, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco (Presidente), Marivilia Carrasco e Silvia Palacios. Endereço: Rua México, 31 – sala 202 – Rio de Janeiro (RJ) – CEP 20031-144; Telefax: 0xx 21-2532-4086.
Para saber mais sobre o tema ➞ visitar os sites da MSIa/Capax Dei: http://www.alerta.inf.br/ e http://www.msia.org.br/.
Mensagens e sugestões ➞ favor enviar para msia@msia.org.br
Para adquirir as publicações da Capax Dei Editora Ltda. ➞ loja virtual em: www.capaxdei.com.br; e-mail : capaxdeieditora@gmail.com
Fonte: Blog do Ambientalismo
Imagem: Google (colocadas por este blog)
Os líderes do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) : declaração final repudia intervenção na Síria
Os líderes do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) rechaçaram, nesta sexta-feira (31), uma intervenção militar estrangeira na Síria, ao aprovar a Declaração Final da 16ª Cúpula de Teerã, apesar de persistirem enfoques divergentes sobre este assunto.
Fontes da chancelaria do Irã adiantaram que os chefes de Estado e de governo presentes na reunião trienal concederam particular importância para a crise síria, sem deixar de apoiar pronunciamentos sobre outros temas polêmicos.
O vice-chanceler iraniano, Abbas Araqchi, informou aos jornalistas que “o eixo central da Declaração de Teerã e o ponto que todos os membros estão destacando é a falta de necessidade de uma intervenção militar em assuntos internos da Síria”.
A declaração foi submetida a discussões e consultas por parte das delegações dos 118 Estados-membros, sobretudo pela postura hostil das nações árabes do Golfo Pérsico a respeito do governo do presidente sírio Bashar al-Assad.
O Irã, que apoia Assad e propõe uma solução pacífica, indicou que a repulsa a qualquer manobra ingerencista em Damasco é um ponto importante, a partir do qual deve trabalhar-se para deter a violência e fomentar o diálogo.
O texto de 688 parágrafos e documentos anexos também incluíram uma condenação ao bloqueio econômico estadunidense contra Cuba, reivindicação da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas e repúdio ao golpe de Estado constitucional no Paraguai.
Igualmente expressaram apoio para o Equador em sua disputa diplomática com a Grã-Bretanha sobre o asilo outorgado ao criador do WikiLeaks, Julian Assange, e saudaram a Venezuela, que será a sede da próxima reunião do MNA.
O rechaço ao terrorismo e ao duplo padrão que o Ocidente aplica neste tema, a luta contra a pobreza, a segurança alimentícia e o impacto das doenças e fenômenos naturais na economia das nações em desenvolvimento, também figuram no documento.
Além disso, falou sobre a necessidade de reformar o sistema das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança, a solução pacifica de conflitos e a defesa da paz e o dialogo entre as civilizações, religiões e a diversidade cultural.
A descolonização, o combate ao terrorismo e a promoção da democracia, a cooperação Norte-Sul e Sul-Sul, mereceram referências claras, junto com a causa palestina e outros conflitos que acontecem em países do Oriente Médio, além da Síria.
Fonte: Prensa Latina
Forum Social Mundial Palestina Livre
Fórum Social Mundial Palestina Livre
Novembro de 2012 – Porto Alegre – Brasil
(aprovado pelo Comitê Nacional Palestino para o Fórum Social Mundial)
O povo palestino estende sua gratidão e apreço ao Fórum Social Mundial, e a todos os movimentos sociais envolvidos especialmente no fórum sobre a Palestina, a ser realizado no final deste ano. Agradecemos, particularmente, ao Brasil, seu governo e suas instituições, por acolherem este fórum, considerado, por nós, um marco crucial e extraordinário no processo de amplificação do apoio à luta do nosso povo pelo exercício de seus direitos inalienáveis.
Apesar da passagem de mais de seis décadas desde a Nakba, a sistemática limpeza étnica da maioria do povo palestino em 1948, a questão da Palestina continua a ser um problema global, inspirando pessoas e movimentos sociais ao redor do mundo. A solidariedade com o povo palestino, e seus direitos inalienáveis – em especial, o direito aos refugiados de retorno a seus lares, e o direito de autodeterminação – é, hoje, mais forte que nunca, reforçando a luta do povo palestino, sob a liderança da Organização para a Libertação da Palestina, por liberdade e justiça de acordo com as leis internacionais e os princípios universais dos direitos humanos, ambos pilares do Fórum Social Mundial.
Para o povo palestino poder exercer seu direito inalienável à autodeterminação (inclusive o retorno dos refugiados), é necessário pressionar Israel a cumprir, integralmente, a lei internacional, ou seja:
Findar a ocupação e a colonização de todas as terras árabes ocupadas em 1967, e desmantelar o muro do apartheid.
Findar o regime de apartheid (conforme definição da ONU de crime de apartheid) e reconhecer o direito fundamental de igualdade dos cidadãos palestinos em Israel.
Reconhecer o direito dos refugiados palestinos de retorno aos lares dos quais foram expropriados, como convencionado pela resolução 194 da ONU.
A organização do Fórum Social Mundial Palestina Livre é a expressão da união dos movimentos sociais internacionais na luta contra o imperialismo, o neoliberalismo e a discriminação racial em todas as suas formas por considerar a justa luta pelos direitos dos palestinos uma parte integrante da luta internacional para desenvolver alternativas políticas, sociais e econômicas que aumentem a justiça, a igualdade e a soberania dos povos, baseando-se em justiça socioeconômica, dignidade e democracia.
Configurando-se como espaço de reunião para a sociedade civil internacional, o Fórum Social Mundial Palestina Livre vislumbra:
a. destacar, fortalecer e ampliar o movimento global em defesa dos direitos do povo palestino;
b. desenvolver mecanismos para uma ação global efetiva de apoio à luta do povo palestino para exercer seus direitos de retorno e autodeterminação, e fazer cumprir as leis internacionais;
c. proporcionar um espaço aberto para o diálogo, o debate, o desenvolvimento de estratégias e o planejamento de campanhas eficazes e sustentáveis de solidariedade ao povo palestino.
Após 65 anos da partilha da Palestina, recomendada pelos poderes hegemônicos, e sua cumplicidade com a sistemática limpeza étnica a que são submetidos os palestinos desde 1947, o Brasil sediará, este ano, um novo tipo de fórum global, destinado a reforçar a luta do povo palestino por justiça e por seus direitos, onde os governos têm falhado em sua obrigação de proteger a ambos.
O Fórum Social Mundial Palestina Livre acontece no Brasil à luz das tempestuosas mudanças no mundo árabe, revoluções que se tornaram conhecidas como “Primavera Árabe”, onde há luta popular por justiça social, democracia e liberdade. Nesse contexto, as forças hegemônicas ocidentais, em especial os Estados Unidos, têm se esforçado para abortar ou conter as revoluções populares árabes, objetivando a manutenção de seu domínio sobre esses territórios. Essa intervenção, às vezes tomando forma militar, implica sérios desafios para as revoluções populares na busca da sustentação de sua identidade emancipatória e democrática. Porém, a queda dos regimes ditatoriais, focos de cumplicidade árabe com a agenda EUA-Israel, causou impacto importante, minando a impunidade de Israel e reavivando a centralidade da causa palestina no mundo árabe, promovendo-a globalmente, em decorrência da importância estratégica da região.
À luz dessas mudanças, das posições e resoluções aprovadas pelo Encontro Nacional de Solidariedade com o Povo Palestino, no Brasil, o Comitê Nacional Palestino do FSM apela a todas as organizações, movimentos e redes, para que se somem a este fórum histórico como expressão de solidariedade aos direitos do povo palestino e à nossa luta para desenvolver dispositivos a fim de responsabilizar Israel por seus crimes e violações das leis internacionais. Incitamos também os movimentos sociais, e os FSM ao redor do mundo, a intensificar suas lutas em prol de mudanças políticas reais, por meio de:
1. defesa do direito do povo palestino a resistir à ocupação e ao apartheid, dirigindo-se à obtenção do direito de retorno e do exercício de autodeterminação, inclusive o estabelecimento de um Estado nacional independente e soberano, em conformidade com as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU);
2. fortalecimento e expansão da participação na campanha global, liderada pelos palestinos, de boicote, desinvestimento e sanções (BDS) contra Israel, uma das mais importantes formas de solidariedades com nosso povo e seus direitos. As campanhas BDS englobam boicotes a Israel e empresas internacionais cúmplices das violações israelenses das leis internacionais, e boicotes acadêmicos e culturais de instituições israelenses, parceiras coniventes na ocupação e no apartheid;
3. assegurar estados internacionais, coletiva e individualmente, responsáveis pela proteção dos refugiados palestinos em seus respectivos territórios até que os mesmos possam exercer o direito, sancionado pela ONU, de retorno a seus lares. Obrigar Israel a reconhecer tal direito, indenizando os refugiados, permitindo a aplicação da sanção da ONU, impondo o término da política higienista de limpeza étnica em ambos os lados da Linha Verde;
4. defesa dos direitos do nosso povo na Jerusalém ocupada, combatendo o que foi denominado por um funcionário da ONU de “estratégia de judaização”, manifestada na desapropriação de terras, na expulsão sistemática e compulsória dos palestinos de seus bairros, na violação da liberdade de culto, nos ataques implacáveis ao cristianismo e ao islamismo, na distorção da história e em outros crimes;
5. intensificação da luta para suprimir o cerco israelense – em todas as suas formas – imposto ao nosso povo na Faixa de Gaza ocupada, considerando a solidariedade a Gaza como prioridade. Isso demanda campanhas de solidariedade a nosso povo em Gaza e acusações legais, e formais, contra Israel em tribunais internacionais;
6. manutenção dos direitos inalienáveis do povo palestino em cidades israelenses, com soberania sobre suas terras, apoiando sua luta para exterminar o regime de apartheid israelense, suas leis e regulamentos racistas, reconhecendo os direitos nacionais e cívicos dos palestinos, individuais e coletivos, combatendo a política higienista de Israel, a expropriação de terras, as demolições de casas, especialmente no Naqab (Negev), e a discriminação racial em projetos de educação, saúde e infraestrutura;
7. apoio e fortalecimento da luta pela libertação dos prisioneiros palestinos, vivendo em condições desumanas, em prisões israelenses, por seu envolvimento na luta pela libertação nacional da Palestina. Nesse contexto, enfatiza-se a necessidade de garantir a libertação imediata e incondicional, como questão de prioridade, de doentes, crianças, idosos e mulheres, assim como os presos sob regime de detenção administrativa, e a libertação dos 27 parlamentares sequestrados pelas autoridades da ocupação, em clara violação das leis internacionais;
8. pressão para que os governos cumpram suas obrigações legais, conforme estipulado por decisão da Corte Internacional de Justiça, contra o muro construído, ilegalmente, por Israel em território palestino. Pressionar o governo israelense a desmantelar o muro “da vergonha”, que, terminado, deverá ter aproximadamente 800 km, intensificando a injustiça e potencializando uma nova campanha higienista de limpeza étnica;
9. manutenção do direito do povo palestino à soberania sobre seus recursos naturais (principalmente as terras e a água) e à soberania alimentar, garantindo o retorno para camponeses, operários, pescadores e comunidades beduínas privadas de seus direitos pelo Estado de Israel;
10. fazer do Fórum Social Mundial Palestina Livre uma plataforma para a construção de estratégias BDS contra Israel, objetivando, primordialmente, o boicote aos acordos de livre comércio entre Israel e outros países, ou grupo de países, como União Europeia e Mercosul, considerando-se as violações das leis internacionais perpetradas por Israel em seu regime de opressão contra o povo palestino, constituídas pela ocupação, pela colonização e pelo apartheid. Os TLC, ao permitir a exportação de produtos israelenses provenientes de colônias construídas ilegalmente em territórios árabes e palestinos ocupados, na Faixa de Gaza, na Cisjordânia (inclusa Jerusalém oriental) e nas Colinas de Golã, normalizam, ratificando-o, o regime opressor de Israel;
11. apoio à campanha global de embargo militar contra Israel, desfazendo contratos para compra de armas, equipamentos e serviços militares de todos os tipos, inclusa a compra de veículos, principalmente aviões não tripulados e sistemas de segurança. Essas exportações sustentam a ocupação e o regime de apartheid que Israel impõe ao povo palestino. Além disso, o comércio militar com Israel alimenta a indústria bélica dos EUA, indústria que lucra com a escravidão e a morte de milhões de pessoas em todo o mundo;
12. em concomitância à pressão para forçar Israel a cumprir as leis internacionais, apoiar e promover a cooperação na implantação de projetos de desenvolvimento econômico, social e cultural para os palestinos, fornecendo apoio financeiro e material para melhorar as condições de vida e trabalho, aumentando a firmeza e a vontade do povo palestino de enfrentar as tentativas israelenses de tiranização;
13. reconhecimento e apoio à luta dos judeus antissionistas em toda parte, em especial aqueles que estão ao lado do povo palestino na luta contra a ocupação e o regime de apartheid israelense. Apoiar as forças progressistas e democráticas, políticas e sociais, sujeitas à repressão por sua postura anticolonial e por sua advocacia em prol da defesa dos direitos do povo palestino;
14. apoio à resistência popular palestina contra a ocupação israelense, legitimando-a como forma primordial de luta em benefício do povo palestino;
15. incitamento aos meios de comunição a ter papel ativo na exposição das políticas colonialistas e racistas do Estado de Israel, lançando campanhas de informação pública.
A aplicação dos princípios políticos, legais e éticos acima referidos contribuirá para acabar com a impunidade de Israel e reforçará sua responsabilização por todos os crimes cometidos contra o povo palestino. Esse apoio fornecerá ao povo palestino possibilidades concretas, eficazes e sustentáveis para alcançar todos seus direitos internacionalmente reconhecidos, em especial os direitos de retorno, autodeterminação, independência e soberania nacional.
Fonte: www.wsfpalestine.net/pt-br
Tribunal israelense declara morte da ativista Rachel Corrie "um acidente"
Há nove anos, a estadunidense foi esmagada por uma escavadeira que demolia casas palestinas em Gaza; segundo o juiz, a jovem poderia ter se salvado afastando-se da zona de perigo “como qualquer pessoa razoável faria”
O tribunal israelita de Haifa decretou nesta terça-feira (28) que a morte da ativista estadunidense e pró-Palestina Rachel Corrie, esmagada por uma escavadeira militar em 2003 na Faixa de Gaza, foi um “acidente lamentável”.
Segundo o juiz, a morte de Corrie não se deveu a negligência do Estado, nem do exército, não sendo estes responsáveis por nenhuns danos causados, uma vez que os fatos ocorreram no âmbito de “ações de tempos de guerra”. A ativista poderia ter se salvado afastando-se da zona de perigo “como qualquer pessoa razoável faria”, justificou o juiz Oded Gershon, ao apresentar a sua deliberação.
Com esta decisão, fica arquivado o processo civil que fora interposto pelos pais da ativista, os quais acusavam o exército israelense de ter assassinado Corrie – ilegalmente, intencionalmente ou mesmo por grave negligência – e as autoridades israelenses de não terem levado a cabo uma investigação confiável. O juiz determinou não haver direito a nenhuma compensação pela morte e determinou que os pais da ativista, Cindy e Craig Corrie, oriundos de Olympia, no estado de Washington, paguem os custos do processo.
“Estamos obviamente profundamente tristes e perturbados com o que ouvimos do juiz Gershon. Achamos que a morte de Rachel podia ter sido evitada”, afirmou a mãe da ativista já após a leitura da sentença. “Sabíamos claro, e desde o início, que um processo civil seria uma batalha muito difícil, pois Israel tem um sistema bem lubrificado para proteger os seus militares”, criticou ainda.
Rachel Corrie foi morta no dia 16 de Março de 2003, aos 23 anos de idade, na cidade de Rafah, na região sul da Faixa de Gaza, quando integrava um grupo de oito ativistas do International Solidarity Movement (ISM), os quais se colocaram como escudos humanos para tentar deter o exército israelense de demolir casas de palestinos ao redor daquela cidade.
Naquela altura, a demolição de casas palestinas na região por parte das autoridades israelenses era bastante comum, numa fase de uma grande intensidade de violência no conflito israel-palestino, em que se registravam ataques de homens-bomba suicidas palestinos com enorme frequência.
Uma investigação feita pelo exército israelense à morte de Rachel Corrie concluíra não haver responsabilidades a ser atribuída aos militares, sustentando que a área em que os fatos ocorreram estava sendo usada por rebeldes e que os ativistas não deveriam estar numa zona militar.
Este inquérito concluiu ainda que a ativista estadunidense não foi vista pelos soldados que avançavam com os buldozeres, tendo morrido devido à queda dos destroços da casa sobre ela – muito embora fotografias tiradas na ocasião, a mostrem envergando um colete de segurança, cor de laranja, e empunhando um megafone, parada no topo de um monte de terra em frente de um buldôzer militar que se aproximava para derrubar a casa de uma família palestina.
Testemunhas entre os ativistas e palestinos afirmaram em tribunal que o protesto feito no dia em que a ativista foi morta durou mais de duas horas e que todos envolvidos na manifestação estavam claramente bem à vista do condutor do buldôzer. Para estes, Corrie foi deliberadamente esmagada.
Em uma coletiva de imprensa depois da decisão judicial, os pais da ativista afirmaram que vão recorrer à justiça. “Eu posso dizer, sem dúvida nenhuma, que minha irmã foi vista pelo motorista da escavadeira enquanto ele se aproximava dela”, disse Sarah Corrie, irmã de Rachel. “Eu espero que algum dia este militar tenha a coragem de sentar à minha frente e me contar o que ele viu e o que ele sente”, completou ela.
Israel no banco dos réus
A três meses do início do Fórum Social Mundial Palestina Livre, encontro mundial histórico que será realizado entre 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012 em Porto Alegre, e que vem sendo construído por dezenas de organizações da sociedade civil brasileira, palestina e internacional, o veredicto só reforça a urgência de protestos internacionais.
Apesar dos tribunais israelenses demonstrarem repetidamente que colocam a impunidade do Estado de Israel e seu exército acima do respeito aos direitos humanos e das leis internacionais, os pais da ativista, Cindy e Craig Corrie, haviam iniciado em 2005 um longo processo criminal contra o ministro da Defesa israelense, à época, e contra o Estado de Israel. Quinze audiências e dezenas de testemunhas ajudaram a manter viva a memória de Rachel e o valor da solidariedade com o povo palestino.
Compartilhando essa visão, o FSM Palestina livre será um espaço para quebrar a impunidade, promover o respeito do direito internacional e reforçar a solidariedade global.
Limpeza étnica
A ação que matou Rachel Corrie, ativista do ISM (International Solidarity Movement), foi noticiada um dia depois, pelo jornal israelense Haaretz, como “rotineira”. Infelizmente, são rotineiros o assédio militar, a tortura e os assassinatos cometidos pelo exército israelense contra o povo palestino. Milhares de casas continuam a ser demolidas arbitrariamente nos territórios ocupados, como parte da estratégia do Estado israelense de dar sequência a um plano deliberado de expulsão de palestinos, iniciado, segundo historiadores palestinos
e israelenses ainda antes de sua criação, em 15 de maio de 1948. Naquele ano, em seis meses, foram destruídas 530 aldeias e cidades palestinas e expulsos de suas casas e terras 800 mil habitantes nativos.
As políticas de expulsão dos palestinos de suas próprias casas, nunca mais pararam. Neste mês de agosto Israel anunciou a destruição de 12 comunidades palestinas e a expulsão de seus mais de 1.500 moradores. Desde o início de 2012 mais de 2 mil pessoas foram afetadas pelo deslocamento forçado, imposto por Israel. Esses crimes objetivam tornar impossível o estabelecimento de um Estado Palestino livre e soberano.
Rachel Corrie não é uma vítima isolada nem mesmo entre ativistas. Outros já foram assassinados e feridos por prestar solidariedade à luta palestina. Embora não tenha conseguido impedir que mais uma casa palestina se somasse à triste estatística das demolições, Rachel, com seu gesto heróico, fez com que o número de ativistas internacionais aumentasse, e com que crescesse a solidariedade à Palestina. A luta de sua família por justiça tem alertado o mundo para a situação dos palestinos, engrossando as fileiras daqueles que exigem o fim da política de ocupação, apartheid e limpeza étnica.
Além de sua batalha nos tribunais israelenses, os pais de Rachel Corrie lutam para que governos e empresas rompam contratos com a Caterpillar, marca do buldôzer que assassinou sua filha. Recentemente obtiveram uma vitória por meio do movimento BDS – que reivindica boicote, desinvestimento e sanções a Israel enquanto a ocupação, o apartheid e a limpeza étnica da Palestina se mantiverem –, quando a Caterpillar perdeu os investimentos da poderosa TIAA-CREF, fundo de investimentos estadunidense.
Fórum Social Mundial Palestina Livre
O Fórum Social Mundial Palestina Livre (FSMPL), programado entre 28 de novembro e 1 de dezembro de 2012, será uma demonstração mundial de solidariedade ao povo palestino, com muitas atividades autogestionadas, com palestrantes e personalidades internacionais que virão falar dos caminhos para pôr fim à ocupação das terras palestinas.
O FSMPL contará com grandes conferências distribuídas em cinco eixos centrais:
1. autodeterminação e direito de retorno;
2. direitos humanos e direito internacional;
3. movimentos sociais e formas de resistência;
4. por um mundo sem muros e sem racismo;
5. BDS e estratégias de luta.
Também estão programados espetáculos artísticos e mostras culturais. Em 29 de novembro, está prevista uma grande manifestação para celebrar o Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino.
Mais informações sobre o caso Rachel Corrie press@rachelcorriefoundation.org Telefones: +972-52-952-2143 e +972-54-280-7572 (falar com Stacy Sullivan) Website: http://rachelcorriefoundation.org/trial
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Mais informações sobre o FSM Palestina Livre
prensa@wsfpalestine.net
Website: www.wsfpalestine.net
Fonte: Brasil de Fato
Vídeo: Youtube (colocado poe este blog)
Ban Ki-moon destaca peso dos Países Não Alinhados na ONU
O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu nesta quinta-feira (30) o peso do Movimento dos Países Não Alinhados (MNA) dentro da organização mundial para manter a paz e a segurança global.
Ao falar para os representantes de mais de 110 países que participam da continuação da Cúpula dos Países Não Alinhados, em Teerã, Ban apelou para a solidariedade dos Estados membros deste grupo para solucionar seus temas e respeitar a liberdade do discurso e do pensamento.
O diplomático de nacionalidade sul-coreana pediu para os líderes dos Não Alinhados não poupar esforços para servir suas nações e apontou que as organizações sob o resguardo da ONU devem submeter-se para uma reestruturação para alcançar as metas coletivas.
“Devemos nos lembrar de nossos povos e promover a cooperação, no lugar do confronto. Avançar no diálogo entre civilização e religiões”, aconselhou Ban, ao elogiar a segunda agrupação de nações do mundo, depois da ONU.
Igualmente, pronunciou-se porque o trabalho dos Não Alinhados ajude a fortalecer a ONU de dentro e para contribuir para a reforma do Conselho de Segurança, uma demanda unânime de todos os estadistas e delegados presentes em Teerã.
Acrescentou que a ONU junto com o MNA está comprometida a fomentar a cooperação entre os Estados e tratar de superar os desafios para manter a paz e o desenvolvimento.
Por outra parte, reconheceu a cooperação “construtiva e útil” do Irã, país anfitrião da 16ª Cúpula, com as distintas dependências da ONU, em particular o Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), sobre seu programa nuclear.
Remarcou que a maior organização de esfera considera a energia nuclear um direito de todos os países, e pediu para a República Islâmica continuar com as medidas de fomento da confiança numa tentativa de conquistar seus direitos a essa energia com fins pacíficos.
No discurso de abertura do encontro, o líder supremo da Revolução Islâmica Iraniana, afirmou que para este país é “um grande pecado, imperdoável” o uso de armas nucleares e químicas e defendeu o lema de um Oriente Médio livre de armas atômicas.
Esclareceu, contudo, que ele não significa que o Teerã ignore seu direito a energia nuclear pacífico e a produção de combustível atômico, que considerou uma prerrogativa de todas as nações, de acordo com as normas internacionais.
Fonte: Prensa Latina, Vermelho
Imagem: AFP
O Video que Israel não quer que você veja
Retirado do blog do bourdoukan
O vídeo que Israel não quer que você veja
E a mídia esconde
Não ha muito o que escrever.
As imagens falam por si só.
São imagens fortes e não recomendadas para as pessoas sensíveis.
Mas quem assistir vai entender o significado da crueldade levada ao extremo.
Uma família inteira de palestinos é sacrificada.
Soldados israelenses fortemente armados, invadiram a casa à noite e não pouparam ninguém.
Assassinaram as crianças.
Assassinaram a mãe e
Assassinaram os avós.
Quando todos repousavam.
Dormiam o sono dos justos.
Os depoimentos do pai são de estarrecer qualquer alma piedosa.
Como é possível que seres humanos tenham praticado tamanha monstruosidade?
Reluto em crer.
Assassinar crianças diante dos pais e os pais diante dos avós?
Pobre humanidade
Pobres palestinos
Pobres de nós...
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