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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cachorro é candidato a prefeito em pequena cidade italiana



“Melhor um cachorro político do que um político cachorro” é o lema da candidatura do cão Stefano


Uma pequena cidade italiana pode eleger um inusitado prefeito no próximo dia 28: Stefano, um bulldog francês de cinco meses que representa o Partido da Raiva. Sua candidatura pode parecer brincadeira, mas faz parte de um escracho de habitantes contra os políticos locais.


De maneira irônica e descontraída, os partidários de Stefano apresentam a campanha eleitoral com o lema “Melhor um cachorro político do que um político cachorro”. Parte dos 60 mil moradores de Agrigento, na Sicília, promete votar no cão. 

Os muros da cidade estão cobertos de cartazes com o bulldog e dezenas de pessoas distribuem seus panfletos. Nas imagens, Stefano aparece engravatado, com o símbolo de seu partido (uma pata em cima da bandeira italiana) estampado no canto.

“Stefano não é um político, não é outra coisa senão um protesto contra os bandidos da política nacional”, disse um dos donos do cachorro citado pela emissora Antena 3. “Stefano está contra as castas, mas a favor das pessoas que trabalham pelo bem comum”, acrescentou ele.


Fonte: Opera Mundi


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Stefano, você tem meu total apoio nessa eleição!!!

Votem Stefano!!!

(Burgos Cãogrino)




terça-feira, 9 de outubro de 2012

EUA castigará os estudantes que não se deixam rastrear por meio de microchips




EUA castigará os estudantes que não se deixam rastrear


Os estudantes do Texas que se negam a ser rastreados por meio de microchips serão punidos




O distrito escolar de Northside, no Texas, aplica castigos aos estudantes que se negan a levar microchips com tarjetas de identificação de forma permanente para serem monitorados.



O projeto 'Student Locator Project', que se destina a aplicar em 112 escolas do Texas e a 100.000 estudantes, se encontra na sua fase de teste em duas escolas do Distrito de Northside. Em um esforço para reduzir a abstenção escolar, o distrito tem emitido novos ID com um chip integrado de identificação por rádiofrequência (RFID) que rastreia a localização de um estudante em todo momento. O programa foi lançado oficialmente em 1° de outubro nas escolas John Jay High School e Anson Jones Middle School.



Sem essas tarjetas, usada ao redor de seus pescoços, os estudiantes não podem ter acesso a áreas comuns como a cafetería ou a biblioteca, e não podem comprar entradas para atividades extracurriculares. O distrito ameaça com suspenções, multas ou transferência aos estudantes que não cumpram com as regras, enquanto que os funcionarios avisaram que "haverá consequências por negar-se a levar a tarjeta de identificação a medida que avance até sua plena aplicação".


Privacidade Suspensa

Andrea Hernandez, uma estudante de segundo curso na escuela John Jay, disse que os professores a ignoraram quando exigiu que respeitassem sua privacidade e ameaçaram com não deixar-la participar das eleições da escola se não se submeter ao programa.

"Um professor me disse que não me permitiría votar porque não tive uma tarjeta adequada de identificação de votantes", disse Hernández.

Se bem sucedido, o programa de monitoramento poderia economizar cerca de 175.000 dólares perdidos diariamente, devido à baixa participação, o que, em parte, determina o financiamento das escolas. Mais ajuda poderia levar a níveis mais elevados de atribuições.



Uma declaração no site do distrito escolar estabelece como metas do programa o seguinte: incrementar a segurança dos estudantes, aumentar a assistência e oferecer uma tarjeta de identificação “inteligente” com "múltiplas funções".








Fonte: RT
Tradução: Google tradutor
Imagens: RT , Google

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cooperação interamericana em defesa não comporta pensamento único, diz Celso Amorim



O ministro da Defesa, Celso Amorim, defendeu hoje a adoção de novas premissas para a cooperação em defesa entre os países americanos. Para ele, essa cooperação será mais efetiva se for capaz de reconhecer a diferença das situações geopolíticas e geoestratégicas entre as várias regiões do continente americano. “No mundo multipolar que se conforma no século XXI, não há lugar para pensamento único ou fórmulas uniformes”, afirmou.

As declarações do ministro brasileiro foram feitas durante discurso na sessão de abertura da X Conferência de Ministros da Defesa das Américas, em Punta Del Este, no Uruguai. O encontro, que acontece até a próxima quarta-feira, reúne delegações de 34 países das Américas.

Amorim foi o primeiro ministro da defesa a discursar na conferência. Numa exposição de 22 minutos, ele ressaltou a importância da pluralidade de ideias para o fortalecimento dos laços de solidariedade entre as nações da região.

Como exemplo de respeito à premissa da diversidade de visões, ele citou a criação de mecanismos de concertação multilateral, a exemplo da Comunidade dos Estados Latino- Americanos e Caribenhos (Celac) e do Conselho de Defesa da União das Nações Sul-Americanas (CDS/Unasul). “O CDS conforma uma institucionalidade de criação da confiança e prevenção de conflitos”, disse Amorim, acrescentando que o fórum adota como princípios a não intervenção, a solução pacífica de controvérsias e o respeito à soberania.

O representante brasileiro também apresentou uma breve análise de conjuntura da segurança internacional na atualidade. Fez duras críticas à disputa entre potências no Oriente Médio e à atual composição do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a qual classificou como “anacrônica”. Segundo ele, essa composição é em grande parte responsável pela incapacidade de atuação efetiva do Conselho na atual crise da Síria.

Dirigindo-se a uma plateia heterogênea, formada por representantes de países como os Estados Unidos – que enviou o secretário de Defesa, Leon Panetta – e Colômbia – que esteve presente por meio do ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón Bueno –, o ministro brasileiro falou ainda da necessidade de ampliação da cooperação dos países americanos com a reconstrução do Haiti.

“Gostaríamos de contar com o apoio dos demais países das Américas – especialmente do Canadá, Estados Unidos e também do BID, para reunir os recursos ou contribuições materiais para levar adiante esse projeto”, disse ele, referindo-se à construção da hidrelétrica Artibonite 4C, projeto para o qual o Brasil já contribuiu com US$ 40 milhões, e que poderá resolver um dos mais graves problemas enfrentados pelo país caribenho: a falta de energia.

Amorim fez sugestões diversas sobre alguns dos temas em discussão na conferência e adiantou, em linhas gerais, o posicionamento brasileiro sobre os três eixos temáticos do encontro: Desastres Naturais, Proteção ao Meio-Ambiente e Biodiversidade; Missões de Paz; e Segurança e Defesa.

O ministro também fez declarações sobre temas sensíveis, como o isolamento de Cuba no sistema interamericano e a reivindicação das Ilhas Malvinas pela Argentina. Em relação ao primeiro, ele condenou o isolamento. No que diz respeito ao segundo, defendeu que a conferência registre a reivindicação, a exemplo do que ocorre no Mercosul, Unasul e Celac.
Antes de discursar na abertura do evento, Amorim reuniu-se com o presidente do Uruguai, José Mujica. No encontro, os dois conversaram sobre o estreitamento das relações bilaterais entre Brasil e Uruguai na área de defesa.

Ao final da conferência, será veiculada a Declaração de Punta Del Este, com o posicionamento dos países acerca dos assuntos que compõem a agenda temática do evento.

Veja, abaixo, um resumo do discurso do ministro Celso Amorim na abertura da conferência.


Cooperação interamericana em defesa

“Na visão brasileira, a cooperação interamericana em defesa será tão mais efetiva quanto mais for capaz de reconhecer a heterogeneidade de situações geopolíticas e geoestratégicas entre as várias regiões e sub-regiões do continente americano. A verdadeira solidariedade entre os países das Américas passa pelo respeito à pluralidade de nossas circunstâncias.”

Atlântico Sul como zona de paz

“Seria muito importante que esta conferência reconheça a zona de paz e cooperação do Atlântico Sul e seu caráter livre de armas nucleares – não apenas em cumprimento de resoluções pertinentes da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas também como um gesto de criação de confiança entre os estados das Américas.”

Forças Armadas e Combate ao narcotráfico

“O Brasil não pode associar-se a propostas de fazer com que a destinação primária as Forças Armadas seja voltada para o combate ao narcotráfico. Não concordamos com isso, embora respeitemos as circunstâncias daqueles países, ou grupos de países, que realizam escolhas distintas. De nossa parte, continuamos a ter sérias dúvidas sobre a pertinência dessa atribuição de funções não típicas do estamento militar.”

Forças Armadas e Defesa Civil

“As Forças Armadas têm, em muitos países (certamente no Brasil) um papel subsidiário aos órgãos de defesa civil. A despeito da importância das ações das Forças Armadas nessas situações, seria um erro e até uma contradição, em termos, tentar “militarizar a defesa civil.”

Defesa e meio-ambiente

“Quero também deixar claro que o Brasil não considera, repito, não considera adequada, neste contexto, a menção à proteção do meio ambiente e da biodiversidade, como sugere o título desse eixo temático (desastres naturais, proteção ao meio-ambiente e biodiversidade). Não são temas essencialmente militares, nem temas essencialmente de defesa.”

Auxílio interamericano ao Haiti

“Uma dimensão decisiva dessa contribuição é oferecer cooperação estruturadora do desenvolvimento haitiano – e não apenas cooperação ocasional – que se realiza e, logo que passam os sintomas da tragédia, se ausentam. Ela deve lançar sementes de um progresso autossustentável do Haiti, lembrando sempre que, por melhor que sejam os trabalhos das ONGs, o Haiti é um estado e não uma coleção de organizações não governamentais.”


Ilhas Malvinas

“No marco do exame de questões de defesa e segurança, o Brasil considera inescapável que esta conferência registre as reivindicações justas da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, como aliás já ocorreu no Mercosul, na Unasul e na Celac.”

Conselho de Segurança

“A incapacidade de atuação efetiva do Conselho de Segurança na crise Síria, em grande parte devido à sua composição anacrônica, é alarmante.”

Cuba no sistema interamericano

“É hoje um anacronismo, se quisermos ter um sistema verdadeiramente interamericano, mantermos o isolamento de Cuba.”



Confira a íntegra do discurso do ministro Celso Amorim no X CMDA








Fonte: Forças Terrestres

Imagem: Google (colocada por este blog)

Dia de tributos a Che Guevara - 45 anos de seu assassinato



Cubanos de todas as gerações prestarão homenagem hoje a um dos principais paradigmas das juventudes, Ernesto Guevara, no aniversário 45 de seu assassinato.


O guerrilheiro, conhecido mundialmente pelo apelido de Che, ainda vive nesta ilha nas palavras de ordem das crianças que desde todas as escolas aspiram ser como ele, em livros de história, nas palavras escritas em muros de parques e edifícios.

Também podemos encontrar o Che entre os retratos de familiares falecidos de qualquer casa cubana.

Guevara aqui é um exemplo para os mais jovens e um homem admirável, correto, humilde e inteligente para muitos que lhe conheceram neste país onde lutou por uma revolução, ocupou altos cargos de governo, dirigiu o Banco Nacional e o Ministério de Indústrias, construiu família e amigos.

Nas escolas cubanas, professores e estudantes evocarão nesta segunda-feira seu pensamento crítico e a vocação internacionalista que o levou ao Congo e à Bolívia com o fim altruísta de libertar outros povos.

Naquele país sul-americano caiu ferido em combate em 8 de outubro de 1967, seus inimigos não esperaram muito para assassinar o herói e expor seu cadáver como um troféu.

No entanto, nunca se atreveram a especificar o lugar onde sepultaram o corpo, talvez porque temem mais os mortos do que os vivos e como presumia Mario Benedetti: Che é o mais nascedor de todos.

Cuba chorou pelo jovem rebelde, o trabalhador incansável, o pai, o filho, o amigo, enquanto a imagem do médico combatente internacionalista se expandia pelo mundo como ícone que já não tem época porque podemos encontrar em qualquer continente.

A cada 8 de outubro os cubanos rendem tributo à memória do legendário Guerrilheiro Heróico, cujo restos, achados em 1997, descansam desde então em um mausoleo na cidade de Santa Clara, na região central deste país que o admira.




Fonte: Prensa Latina

Imagem: Google (colocada por este blog)

Pepe Mujica proclama guerra contra desigualdade e pobreza





Eleuterio Fernández
O ministro de Defesa do Uruguai, Eleuterio Fernández, inaugurou nesta segunda-feira (8) a 10ª Conferência de Ministros de Defesa da América, realizada em Punta del Este, chamando a paz mundial e com críticas contra os Estados Unidos e o sistema interamericano de defesa.


O presidente uruguaio, José Mujica, disse que “a grande guerra é contra a desigualdade e a pobreza” ele explicou que o continente americano conta com grandes recursos naturais e humanos, mas ainda mantém uma grande dívida social. 

No discurso inaugural, Fernández disse ser de “uma geração que nasceu e cresceu com a ameaça nuclear” e advertiu que a tecnologia existe hoje em dia “pode destruir toda a vida no planeta”.

Também falou sobre a coincidência do encontro com o 60º aniversário da criação da Junta Interamericana de Defensa, em 1942. “Tem a minha idade, está velha, estou velho, e nasceu em um momento que aconteciam coisas muito feias no mundo”, manifestou.

Jorge Menéndez
O vice-ministro uruguaio de Defesa e o secretário pró-tempore das reuniões previstas para a Cúpula, Jorge Menéndez, realizadas no domingo (7), indicou que o pedido argentino sobre a soberania das ilhas Malvinas, que tem o apoio da maioria dos países sul-americanos, tem sido um dos temas abordados para formar parte da agenda. 

No fórum participam delegações de 29 dos 34 países aderidos na conferência. Os principais assuntos da Conferência se concentram nos desastres naturais, as missões de paz e a segurança hemisférica, além da vigência do sistema interamericano. A próxima Conferencia de Ministros de Defesa da América, que é secionada a cada dois anos desde 1995, será no Peru.






Fonte:  TeleSur, Prensa Latina, Vermelho 

Líderes latino-americanos parabenizam Chávez pela vitória


Cristina Kirchner, presidente da Argentina; Raúl Castro, presidente de Cuba; Rafael Correa, presidente do Equador; Evo Morales, presidente da Bolívia


Por Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reeleito para o terceiro mandato, recebeu os parabéns de vários líderes políticos latino-americanos. Os presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Raúl Castro (Cuba), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia) enviaram mensagens desejando sorte e felicidades a Chávez. As felicitações foram feitas por mensagens em redes sociais e telefonemas.

Cristina Kirchner usou a rede social do Twitter para comemorar a vitória de Chávez. "[Felicito] o povo venezuelano pela jornada democrática exemplar. Pela a alegria e paz. O amor é mais forte que o ódio ", disse ela, na sua mensagem e depois telefonou para o presidente reeleito."Hugo, hoje [ontem] eu quero dizer a você que depois de arar a terra, semeamos e você regou e hoje faz a colheita.”

 Rafael Correa, também usou sua conta no Twitter para felicitar Chávez. "Vencedor Chávez com diferença de quase dez pontos! Viva a Venezuela, viva a Grande Pátria, viva a Revolução Bolivariana", disse o presidente do Equador. "Mais uma vez derrubamos as mentiras. Que venham os outros. Estamos prontos. Venceremos.”

Em mensagem, Raúl Castro ressaltou o apoio popular dado a Chávez. "Em nome do governo e do povo de Cuba, quero felicitá-lo sobre este triunfo histórico, demonstrando a força da Revolução Bolivariana e o apoio popular que é inquestionável", disse o cubando. “[A sua vitória] garante a continuidade da luta por uma verdadeira integração das Américas. Reiteramos nossa solidariedade e apoio inabalável".

Para Evo Morales, a vitória de Chávez é um triunfo da democracia. "Não é só o triunfo do povo da Venezuela, mas também o triunfo dos países da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América)", disse ele. "A vitória de Chávez é também a vitória dos povos da América Latina, que lutam por sua dignidade, soberania e para forjar o seu próprio destino."

O presidente foi reeleito com o apoio de 20 dos 24 estados da Venezuela. Chávez venceu as eleições presidenciais ontem (7) conquistando 7,4 milhões de votos, enquanto seu principal opositor, Henrique Capriles Radonski, obteve 6,1 milhões (44,97%), e os demais candidatos Reina Sequera, Luís Alfonso Reyes, Maria Josefina Bolívar e Orlando Chirinos ficaram com menos de 1%.







Fonte: Agência Brasil

Imagem: Correio Braziliense


Socialismo triunfa e enche América Latina de esperança


Multidão saúda vitória de Chávez no Palácio de Miraflores: "foi a vitória perfeita", afirmou Chávez  

Com 54,42% dos votos, o presidente Hugo Chávez Frías foi reeleito na Venezuela e governará o país no período de 2013 a 2019. Há 14 anos no poder, este será o seu terceiro mandato. O candidato da oposição, Henrique Capriles, obteve 44,97% e ganhou em apenas quatro dos 24 estados que compõem a Venezuela. Em uma verdadeira festa cívica, 81% dos venezuelanos compareceram às urnas, mesmo o voto não sendo obrigatório no país. 

Por Vanessa Silva* e Leonardo Wexell Severo, de Caracas-Venezuela


Apesar da expectativa de que o candidato da oposição pudesse não reconhecer o resultado revelado pelas urnas, Capriles admitiu sua derrota e rejeitou a ação de setores radicais. O candidato fez também um chamado para que "nosso povo não se sinta perdedor. Quem foi derrotado fui eu”, afirmou. E agradeceu aos mais de seis milhões de venezuelanos que votaram nele.

Diante de dezenas de milhares de manifestantes que tomaram a frente e as imediações do Palácio de Miraflores na noite de domingo (7), o presidente Hugo Chávez agradeceu aos mais de oito milhões de venezuelanos que lhe garantiram um novo mandato.

Acompanhado pela família e por lideranças no balcão presidencial, o líder bolivariano agradeceu à multidão e ressaltou que o povo "votou pela revolução, pelo socialismo e pela grandeza da Venezuela”.

Independência e integração

Chávez fez questão de ressaltar que o primeiro e principal objetivo de seu novo mandato já foi alcançado, sendo “não outro que ter conservado o bem mais precioso que conquistamos depois de 500 anos de luta: a independência nacional”.

A expressiva vitória nas urnas, enfatizou o presidente, demonstra que “não haverá força imperialista, por mais forte que seja, que possa com o povo bolivariano. A Venezuela nunca mais voltará ao neoliberalismo, seguirá transitando para o socialismo bolivariano do século 21". E reiterou que “hoje ganhou a América Latina”.

Imediatamente, milhares de vozes entoaram o grito “alerta, alerta que caminha a espada de Bolívar pela América Latina”, fazendo tremular bandeiras do Brasil, Cuba e Argentina, entre outras, num colorido que expressava o espírito da integração solidária do continente.

Cordialidade

Em tom cordial, Capriles pediu que Chávez trabalhe por todos os venezuelanos e parabenizou o comandante por sua vitória. “O que o povo diz está dado e respeito sua palavra”. Por sua vez, o presidente também fez um “reconhecimento especial à oposição, que não fez planos desestabilizadores. Assim que se joga na democracia”, exclamou.






* Vanessa Silva é jornalista, enviada especial do Vermelho a Caracas, e integrante do ComunicaSul
** Leonardo Wexell Severo é jornalista e integra em Caracas a equipe do ComunicaSul


Fonte: Vermelho
Imagens: AVN, Google

Hugo Chávez




Hugo Chavez é aquele que tem o otimismo, a persistência, a decisão,
A humildade e o trabalho como companheiros de jornada.
Hugo Chavez é aquele que encara a competição com bravura,
Como um desafio pessoal, 
Mas com lealdade e respeito a ele e aos outros.
Hugo Chavez é aquele que seja qual for o resultado do jogo,
Da competição ou da vida,
Sente sua consciência tranqüila por ter feito o seu melhor
E colaborado com a evolução de todos.

Hugo Chavez é um vencedor






(Adaptação do poema de Moacir Borges por este blog)

Chávez é reeleito na Venezuela







Fonte: Opera Mundi

domingo, 7 de outubro de 2012

EUA e UE querem desintegração do Mercosul


 Samuel Pinheiro Guimarães

EUA e UE querem desintegração do Mercosul, diz Samuel Pinheiro

Em entrevista, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, fala sobre o potencial do bloco sul-americano que se contrapõe aos interesses de controle comercial e industrial dos Estados Unidos (EUA) e da União Europeia sobre a região. Ele ataca o modus operandi dos países centrais do capitalismo na relação com a América Latina.

“Os EUA e os países altamente desenvolvidos têm tido, como meta geral de política econômica e diplomacia externa, a eliminação de todas as barreiras ao comércio e ao fluxo de capitais. Ao mesmo tempo, têm advogado a adoção de uma série de normas que impedem qualquer controle sobre o capital estrangeiro”.

Contundência. É dessa forma que o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães costuma se expressar sobre os temas que bem conhece. Secretário-geral de Relações Exteriores durante sete anos do governo Lula (2003-2009), ele foi uma das vozes mais eloquentes no processo que ajudou a enterrar a Aliança para o Livre Comércio das Américas (Alca) – iniciativa que buscava apagar todas as fronteiras comerciais do continente, num claro favorecimento à indústria norte-americana.

Dono de uma sólida formação acadêmica na área jurídica e sociológica, e quadro do Itamaraty há quase 50 anos, Guimarães exerceu até junho desse ano a função de Alto-Representante do Mercosul, sendo articulador das políticas entre os países-membros do bloco. Professor de Economia Internacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele analisa com propriedade os atuais desafios sul-americanos, especialmente a mudança geopolítica após a entrada da Venezuela no grupo. “Esse ingresso vai proteger o país das tentativas de golpe”, aponta. Sobre o Brasil, o diplomata detecta um perigoso processo de desindustrialização da economia e uma hegemonia do capital internacional no controle dos fluxos de capitais.


Brasil de Fato: Um dos fatos políticos mais importantes do ano para a América do Sul foi a entrada da Venezuela no Mercosul. Qual a importância disso para a geopolítica regional?


Samuel Pinheiro Guimarães:
O ingresso da Venezuela no Mercosul foi um fato de grande importância, tanto do ponto de vista político quanto econômico. Do ponto de vista econômico, a Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, no momento. Além disso, os preços do combustível continuarão altos nos próximos anos. No mais, a Venezuela está engajada, desde que o presidente Chávez assumiu, num processo de desenvolvimento do país, de construção de uma economia nacional. Antes, havia uma economia puramente petroleira, exportando petróleo e importando todo o resto. Ele [Chávez] tem essa determinação. Para os outros países do Mercosul, tudo isso é extremamente importante porque a Venezuela estará disposta a dar uma preferência aos países do bloco no seu mercado interno. Cria-se uma oportunidade importante para os países exportadores de produtos primários (Uruguai e Paraguai) e, ao mesmo tempo, abre seu grande mercado para produtos manufaturados de Brasil e Argentina. A Venezuela pode contribuir de forma muito significativa para reduzir as assimetrias dentro do bloco, através do Focem [Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul].

Do ponto de vista político, é importante esse ingresso porque, como é notório, existe o interesse deliberado dos EUA e dos países alinhados aos norte-americanos para que haja uma mudança de regime na Venezuela. Trata-se de um esforço consistente, a nível internacional, tentando retratar o presidente Chávez como um ditador, uma pessoa não confiável, descontrolado e assim por diante. Essa não é a opinião do povo venezuelano. Mas eles conseguiram consenso da mídia internacional, na América Latina e no resto do mundo, de modo que há quase uma convicção de que existiria uma ditadura na Venezuela, que não há liberdade de opinião, etc. A Venezuela no Mercosul a protege de eventuais golpes.

Brasil de Fato: Embaixador, o senhor tem afirmado que há uma meta permanente dos países centrais do capitalismo, capitaneados pelos EUA, de desintegrar o Mercosul. Qual o sentido estratégico desse esforço e o que pode ser feito de forma mais agravante contra a consolidação do Mercosul?


Samuel Pinheiro Guimarães: Os EUA e os países altamente desenvolvidos têm tido, como meta geral de política econômica e diplomacia externa, a eliminação de todas as barreiras ao comércio e ao fluxo de capitais. Ao mesmo tempo, têm advogado a adoção de uma série de normas que impedem qualquer controle sobre o capital estrangeiro. Então, por exemplo, os acordos negociados no âmbito da Rodada Uruguaia [Acordo comercial internacional, iniciado em 1986, que criou a Organização Mundial do Comércio e estabeleceu redução de subsídios agrícolas] preveem que os países não podem impor certas regras ao capital estrangeiro, como metas de exportação, obrigação de transferência de tecnologia, obrigação de insumos locais. Para esses países, que sediam as maiores empresas multinacionais, isso é conveniente porque eles realizam lucros nos países periféricos e remetem esses lucros para as suas sedes. Sabemos que o banco Santander, recentemente, só não teve prejuízo em nível mundial por causa da sua filial no Brasil. Isso é comum. Por isso, é muito importante esse livre fluxo de recursos porque ele se transforma em dividendos para os seus acionistas e, portanto, para o bem-estar daquela sociedade de origem [dos capitais]. Naturalmente, nunca praticaram isso para o setor agrícola. É livre comércio para produtos industriais e não para produtos agrícolas, porque não aceitam [a concorrência com os exportadores agrícolas]. Eles também protegem setores da sua indústria que desejam proteger.

Então, diante de qualquer acordo econômico que estabeleça preferências para as empresas que estão situadas dentro do território daquele agrupamento, como é o caso do Mercosul, eles não são favoráveis. Para isso, utilizam a ideia do regionalismo aberto, em que pode haver processo de integração, mas seria importante negociar com a União Europeia, os EUA. Na época da negociação da Alca havia uma ideia de que o Mercosul seria um dos blocos de construção da área. O Mercosul se acabaria com a Alca, por uma razão lógica: a partir do momento que se eliminam as tarifas, não há mais preferência. Eles também receiam as preferências para as empresas que estão dentro do bloco, eles querem que isso não ocorra. O ideal melhor desses países não é investir, é exportar. Eles só investem na China porque lá se estabelecem condições.


Brasil de Fato: O senhor acredita que esse potencial do Mercosul já foi percebido por seus “inimigos”, mas talvez os protagonistas ainda não tenham notado a importância de consolidá-lo, politicamente, através, por exemplo, de um sistema de comunicação mais adequado, que desse um nível de consciência cultural da importância histórica dessa integração?


Samuel Pinheiro Guimarães: É verdade. Principalmente no maior deles, que é o Brasil. Não há essa consciência, apesar do Mercosul ser um mercado extremamente importante para o nosso país. Em primeiro lugar, porque o Brasil tem sua pauta de exportações, para a Europa, a China, focada nos produtos primários. Os países para onde o Brasil vende produtos manufaturados são os do Mercosul e da América do Sul, e os Estados Unidos. Nesse último caso, cumpre esclarecer, é por causa do comércio “intra-firma”. As filiais americanas daqui vendem para as suas unidades nos EUA, mas essas mesmas filiais não exportam para a China nem a Europa. O Brasil só exporta como Brasil quando são as empresas estatais. O restante das importações são empresas privadas que estão no país, mas não são nacionais [em termos de capital]. As pessoas não sabem o que é a questão do comércio dentro da firma. A Fiat do Brasil exporta para Itália uma quantidade x de automóveis, o mesmo acontece em outros casos. São poucas as empresas nacionais que fazem investimentos na Argentina, Uruguai, Peru, Chile. É o caso da estatal Petrobras ou os bancos, como o Itaú. Claro que a Ford do Brasil não investe na Argentina. Lá, é a Ford dos EUA que investe. Um problema complexo, de longo prazo, é a presença das megaempresas multinacionais no Brasil sem a possibilidade de controlá-las, a qual o Brasil abdicou na reunião da Rodada do Uruguai.

Brasil de Fato: Mas em que isso fragiliza o Brasil?

Samuel Pinheiro Guimarães: Não se pode diversificar as exportações. A grande presença das empresas multinacionais, sem maiores obrigações, faz com que elas exportem apenas para onde elas decidem exportar. Qualquer campanha ou tentativa de expandir exportações para a China é frustrada porque elas não vão exportar, ou porque já estão lá e não vão concorrer com elas mesmas, ou porque decidem abastecer a China, digamos, partir de outra unidade. Isso afeta todo o comércio exterior na área de manufatura. Muitas empresas de capital nacional trabalham com tecnologia estrangeira, mas mediante condições. Por exemplo, a empresa pode produzir no país, mas não pode exportar.

Brasil de Fato: A Embraer seria uma delas?

Samuel Pinheiro Guimarães: Não. Mas, veja, a Embraer, que é uma montadora, não pôde exportar aviões para a Venezuela porque as firmas norte-americanas que iriam fornecer as peças não forneceram. Mas pôde exportar para a Colômbia, uma decisão política para exportar para aquele país e não para outro.

Isso prejudica o comércio exterior, porque o processo de desenvolvimento é de acumulação de capital. Não de capital financeiro, mas de capital físico. Como uma empresa se desenvolve? Aumentando suas instalações, suas máquinas e assim por diante. De uma forma geral, para acumular o capital físico, tem que gerar excedentes, os lucros. Esse lucro tem dois destinos: são distribuídos, sob a forma de dividendos, aos acionistas daquela empresa ou são reinvestidos na compra de equipamentos. Se a empresa é nacional, em princípio, ela distribui dividendos para brasileiros e investem no Brasil. Se a empresa é estrangeira, obtém lucro e distribui dividendos aos acionistas estrangeiros e, apenas eventualmente pode aumentar ou não seu capital físico no Brasil.


Brasil de Fato: Mas isso não decorre de uma alteração constitucional feita sobre empresa brasileira?


Samuel Pinheiro Guimarães: Sim. Durante o período do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), “preocupado” com os destinos da empresa nacional [ironiza], resolveu igualá-la a empresa multinacional. Isso é uma coisa gravíssima. Claro que se pode utilizar o capital estrangeiro para induzir a transferência de tecnologia, diversificação das exportações, criação de tecnologia dentro do país. Na China, há centenas de centros de pesquisa de desenvolvimento de empresas multinacionais, induzidas pelo governo. No Brasil, isso não ocorre.

Brasil de Fato: Para legitimar o fiasco regional, existe um jornalismo de desintegração. O que nos impede de fazer o jornalismo da integração?


Samuel Pinheiro Guimarães: Dois dos mais importantes instrumentos de influência política das grandes potências são o setor financeiro e o de comunicações. São fundamentais. O setor de comunicações é o que faz o imaginário das pessoas. Fazem com que elas acreditem, por exemplo, que o presidente Chávez é um ditador. E muitas outras coisas. O Iraque foi atacado a pretexto de possuir armas de destruição em massa, mas verificou-se que isso não existia. Nesse caso, é importante até imitar os EUA no passado, isto é, impedir os monopólios e oligopólios nos meios de comunicação, democratizar as verbas oficiais de publicidade do Estado. Algo que a Argentina também fez, com a Lei de Meios. Isso permitiria haver concorrência nos meios de comunicação, o que não há no Brasil. Como está, a comunicação é um instrumento importante de exercício de poder da classe hegemônica local que está vinculada a classe hegemônica dos países altamente desenvolvidos.

Brasil de Fato: Não se sabe, por exemplo, que a Venezuela tem hoje o maior salário mínimo da América Latina, o equivalente a R$ 2,1 mil e a Argentina, o equivalente a R$ 1,4 mil.
Samuel Pinheiro Guimarães: Sobre isso, se silencia. E vão se criando uma série de factoides, ou seja, situações que não existem além de ocultar outras questões importantes.

Brasil de Fato: Voltando ao tema da economia, está em curso um processo de desindustrialização do Brasil?


Samuel Pinheiro Guimarães: Não tenho a menor dúvida. Quase todos os economistas estão de acordo com isso. Há um processo que tem uma dinâmica própria, que deriva de dois fatos. O primeiro é a emergência da China e sua enorme importância por produtos primários. Esse fato está diretamente ligado à necessidade de divisas do Estado, porque não equilibra o balanço de pagamento senão entrarem recursos, se não entrar capital. Como se tem enorme dificuldade em expandir o comércio de manufaturados, o comércio de matéria-prima acaba sendo direcionado para a China, o que torna atividade do agronegócio e da mineração altamente lucrativa.

Do outro lado, a China tem necessidade de exportar manufaturados, dos produtos mais simples aos mais complexos, como bens de capital. A China tem deslocado a posição dos EUA e da Alemanha no fornecimento de bens de capital para o Brasil e a Argentina, porque os preços [chineses] são mais baratos. Isso entra em competição com indústria instalada no Brasil. Contribui para reduzir os lucros dessa indústria, que começa a importar insumos para reduzir seus custos e depois acaba simplesmente importando e distribuindo o produto estrangeiro. Europa e EUA também procuram exportar manufatura porque precisam gerar divisas e criar empregos lá. Os EUA tem tido superávit grande com o Brasil. Ano passado, a vantagem comercial foi de oito bilhões de dólares. Isso contribui para tornar a atividade industrial no Brasil menos lucrativa e o agronegócio e a mineração, ao contrário, atividades mais lucrativas. Inclusive porque com a política cambial e o influxo de dólares, o real está supervalorizado, então é muito fácil exportar, mas difícil importar.

É uma dinâmica com interesse internacional muito forte. Na área do agronegócio, as exportadoras são multinacionais. Não é o produtor de soja que exporta. A Cargill, Dreyfus, a Bunge… as cotações da soja estão altíssimas e quem se apropria disso são as multinacionais. Teria que haver um imposto de exportação para usar esse recurso, para duas finalidades, em minha opinião. A primeira seria promover o processamento das matérias-primas no Brasil. O que acontece com a soja que vai para China? É transformada em farelo, óleo de soja, então teria que se promover a transformação aqui. O minério de ferro que vai para a China é transformado em aço que nós compramos sob a forma de trilho. Para isso, precisa de atuação do governo.


Brasil de Fato: Esse modelo não tem sido estimulado pelo próprio governo? Como o senhor avalia essas medidas recentes de concessão de rodovias e ferrovias, justamente em ramais que favorecem a economia agroexportadora?


Samuel Pinheiro Guimarães: Eu não estudei a questão das concessões em detalhes. Mas, tendo em vista a demanda que existe por esses produtos, não se pode simplesmente, por causa das restrições de balanço de pagamento, deixar de construir esse tipo de infraestrutura. A hipótese é que se precisa construir rodovia, até por causa do próprio desenvolvimento do mercado interno, porque não se transporta só produtos do agronegócio, mas todo tipo produto. Com a ferrovia, é a mesma coisa. A premissa é se o Estado vai ter empresas construtoras de ferrovias e rodovias ou se vai contratar a iniciativa privada. E se contratar a iniciativa privada, ela será nacional ou estrangeira?

Se for nacional ou estrangeira, definir quais serão as condições, o lucro que se pretende. Para constituir o mercado interno, é necessário construir as redes de comunicações, com ferrovias, rodovias, metrô, portos, até para permitir que a economia funcione. Não se pode prescindir. Se a economia cresce e a rede física não expande, gera problemas graves, como congestionamento de portos e aumento de custos de produção.


Brasil de Fato: O senhor tem escrito muito acerca da relação complexa do papel das empresas brasileiras nos outros países no curso de uma integração. E também da política externa brasileira, que facilitou e fortaleceu a presença brasileira na Ásia, no mundo árabe, na América do Sul e até na África. O papel das empresas brasileiras contraria interesses dos países nessas regiões?


Samuel Pinheiro Guimarães: Acho que isso se aplica mais à América do Sul, ainda tendo em vista que o número de empresas brasileiras com capacidade para operar fora é relativamente reduzido. Poderíamos citar a Petrobrás, Vale, o setor bancário. Por isso, essa expansão das empresas brasileiras se dá na zona mais próxima, na América do Sul, através da aquisição de empresas locais, situações que poderiam gerar conflito entre empresas brasileiras e governos, como já houve em alguns casos e podem se agravar e levar a casos delicados politicamente.

Brasil de Fato: Mas qual seria o papel possível, dentro de uma regra capitalista, para o Estado brasileiro impedir que as empresas cedam à tentação de um sub imperialismo?


Samuel Pinheiro Guimarães: Eu acho que podem ser estabelecidas condições preferenciais. Por exemplo, não acho que o governo brasileiro deve financiar a aquisição, por empresas brasileiras, de empresas dos outros países. O governo pode estimular um comportamento diferente, de financiar a formação de associação com empresas locais. Aí o governo dá juros mais baixos, linhas de créditos especiais. A diferença de tamanho da economia brasileira é tal em relação aos outros países vizinhos que a penetração de capital brasileiro nesses países é extraordinária. Na Argentina, hoje em dia, a presença do capital brasileiro é muito grande, no setor bancário, setor do petróleo, mesmo no setor de frigorífico, a presença é muito importante. Tudo isso faz com que, se o governo local decide, por exemplo, mudar a legislação de remessas de lucros, a empresas brasileiras vão ser afetadas por isso, vão querer influir sobre o governo local. Se não tiverem êxito, vão pedir auxílio ao governo brasileiro. É uma tendência muito grande. A tendência não é haver um influxo de empresas equatorianas ou peruanas no Brasil.

Brasil de Fato: Há 30 ou 40 anos, Brasil e China estavam em uma situação parecida em diversas áreas. Mas, de lá para cá, a China, que não tinha programa espacial, atualmente já lançou nave no espaço. Não havia programa nuclear, hoje isso é bastante desenvolvido por lá. O Brasil não avançou quase nada nesses dois setores. Qual a explicação histórica para isso?

Samuel Pinheiro Guimarães: Houve opção por um tipo de política econômica, especialmente a partir do governo Fernando Collor de Mello. Essa escolha de política econômica foi baseada, inclusive, nos princípios que estão consolidados no chamado Consenso de Washington. Havia a ideia de que o Estado seria a grande causa dos problemas que afligiam a economia brasileira, na área da dívida externa, inflação, entre outras. Esse consenso dizia, em primeiro lugar, que o Estado deveria abdicar de qualquer atividade econômica e industrial, o que refletiu um programa de privatização. Todas as atividades de produção deveriam ser privadas, não apenas a área produtos de consumo, mas todas. Não privatizaram todo o setor de energia porque não tiveram oportunidade. Em segundo lugar, o Estado também interferia na atividade econômica através de “regulamentos excessivos”, então deveria desregulamentar, ou seja, deixar as empresas “livres” para que, através do jogo das forças de mercado, houvesse melhor alocação possível de recursos. Três, deveria haver abertura da economia para o exterior. O Estado deveria deixar de interferir no comércio exterior, de preferência eliminando todas as tarifas [alfandegárias].

O que ocorreu com a China, comparativamente, é que o Estado participou e organizou o processo de desenvolvimento econômico. Houve participação do capital estrangeiro, mas de forma disciplinada, sob um modo de ver o sistema econômico. Uns acham que para um país subdesenvolvido se desenvolver, a presença do Estado é essencial, com o fortalecimento da sua estrutura produtiva, suas empresas, assim por diante. Outros achavam que não, que isso ocorreria naturalmente, a transferência de tecnologia aconteceria sem maiores problemas. Começou no governo Collor, foi freada na gestão Itamar Franco, mas aprofundada no governo Fernando Henrique Cardoso. Com o presidente Lula, essa política foi, aos poucos, sendo modificada. Quando se toma o programa como o Bolsa Família, trata-se de aperfeiçoamento da mão-de-obra porque, do ponto de vista econômico, faz com que as crianças tenham que ir para a escola, faz com que haja programa de saúde, controle de pré-natal, vacinas. Também houve impacto no mercado de consumo, aumento de demanda por produtos. O Programa Luz para Todos também estimulou isso. Onde não há luz, não há produto industrial. Vale citar os programas de crédito e os esforços na área de infraestrutura. Havia 20 anos que o Brasil não construía uma refinaria. Houve uma mudança progressiva em várias áreas.


Brasil de Fato: Mas o modelo econômico permanece o mesmo.


Samuel Pinheiro Guimarães: Sim, porém essa pressão tem que vir dos movimentos sociais. Se os movimentos não pressionam, as classes hegemônicas pressionam do outro lado, porque têm acesso mais fácil ao governo. Se não se faz pressão popular por outro modelo econômico, ele não vai ocorrer.





Fonte: Brasil de Fato
Imagem: Google
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