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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

As raízes do antiamericanismo global





Murtaza Hussain, Al-Jazeera

“The roots of global anti-Americanism”


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu





Murtaza Hussain
A incongruência pareceu verdadeira traição. Depois de entrar, dançando, diretamente no coração dos norte-americanos, e de ganhar acesso direto ao mais alto santuário do culto às celebridades, o rapeiro coreano Psy, autor de “Gangam Style” – que rapidamente se tornou o vídeo mais assistido [1] de toda a história do YouTube e fez do autor sensação da cultura pop da hora – foi identificado como militante político muito ativo, em declarada oposição aos principais pontos da visão de mundo norte-americana dominante, com ações em que se opôs fortemente aos mais básicos artigos da fé norte-americanista. [2].


Psy
O homem acolhido como performer nada ameaçador, estrangeiro meio ridículo, quase cômico, dançando como cavalinho de brinquedo para diversão dos norte-americanos, foi descoberto como o mesmo que, há poucos anos, criticara furiosamente as políticas norte-americanas; a função global daquelas políticas e o papel do EUA no mundo. 

Numa performance em 2004, o rapper – hoje famoso por sua dança “do cavalinho invisível”, denunciou os EUA em canção intitulada “Hey American”:

"Kill those f*cking Yankees who have been torturing Iraqi captives
[Matem aqueles ianques fodidos que torturaram prisioneiros iraquianos]
Kill those f*cking Yankees who ordered them to torture
[Matem aqueles ianques fodidos que os mandaram para a tortura]
Kill their daughters, mothers, daughters-in-law and fathers
[Matem as filhas deles, as mães deles, as enteadas deles e os pais]
Kill them all slowly and painfully”
[Matem todos eles, lenta e dolorosamente].


Para o público norte-americano condicionado a um culto inquestionável dos militares – que se sintetiza na frase “Apóie os Soldados” [“Support the Troops”], os versos de Psy são nada menos que sacrilégio. E “Hey American” não foi a única ofensa.

Em performance anterior, Psy subira ao palco para protestar contra a presença de 37 mil soldados dos EUA na Coréia do Sul, e destruiu uma miniatura de tanque norte-americano, usando como porrete um suporte de microfone, para protestar contra o assassinato de duas meninas sul-coreanas [3], por soldados norte-americanos.

Assim se descobriu que o astro pop asiático, que os norte-americanos tão entusiasticamente (e tão rapidamente) consagraram – e que seria, como houve quem dissesse, o primeiro entertainer a franquear com sucesso a fossa cultural que separa os continentes – carregava com ele, além de um estilo culturalmente exclusivo de cantar e dançar, também toda uma visão de mundo que é ameaçadoramente estranha à maioria dos norte-americanos.

Se o aparentemente mais inócuo cantor pop, oriundo de um país tido e havido como parceiro benigno e confiável, esposa ideias e falas que qualquer norte-americano médio atribuiria aos mais ameaçadores terroristas da al-Qaeda, é preciso começar a perguntar sobre o antiamericanismo que já é global, e sobre do que esse antiamericanismo se alimenta.


Enquanto persistir o militarismo norte-americano sem qualquer
contenção, o fenômeno do antiamericanismo continuará a alastrar-se
e a minar a capacidade dos EUA para encontrar os aliados de que
necessitam em área estrategicamente tão importante [EPA]

Um legado de violência 

Embora a vastíssima maioria dos norte-americanos ignorem ou vivem como se ignorassem completamente a longa história da brutalidade dos norte-americanos [4] em locais como a Coréia, essa história não é, de modo algum nem ignorada nem apagada pelos cidadãos dos países que sofreram e continuam a sofrer atrocidades horrendas nas mãos de soldados norte-americanos.

Durante a Guerra da Coréia, acreditava-se que soldados norte-americanos teriam sido responsáveis por centenas de casos de massacres em massa de civis [5], dentre os quais o infame massacre de No Gun Ri,[6] quando membros do 7º Regimento de Cavalaria dos EUA massacraram centenas de civis coreanos numa passagem ferroviária, durante três dias.
Um filme documentário de 2009, sobre o massacre, registra as palavras de um sobrevivente coreano, que relembra como os soldados norte-americanos mataram indiscriminadamente homens, mulheres e crianças:

“As crianças gritavam de medo e os adultos suplicavam pela própria vida. E eles nunca paravam de atirar”.

Outro sobrevivente da Guerra da Coréia fala da tática sempre utilizada pelos norte-americanos, de atacar as vilas com bombas de napalm, [7] em campanha de terra arrasada que matou número incontável de civis:

“Quando o napalm atingiu nossa vila, a maioria ainda dormia (...). Os que sobreviveram aos incêndios, corriam (...). Tentávamos mostrar aos pilotos norte-americanos que éramos civis. Mas eles matavam sem nem olhar, qualquer um, mulheres, crianças”.

A completa indiferença pela vida dos coreanos durante a campanha global dos EUA contra o comunismo continua até nossos dias, sob a forma de estupro e assassinato, [8] dirigida contra civis coreanos por soldados norte-americanos alocados nas bases distribuídas pelo país.

Em incidente em 2011, caso típico de uma longa prática fartamente documentada dos soldados norte-americanos no país, um soldado de 21 anos, Kevin Flippin, invadiu o quarto de hotel onde estava hospedada uma mulher coreana e violentou-a e torturou-a por várias horas, [9] antes de roubar-lhe o equivalente a apenas 5 dólares e voltar à base.

Assassinato e violência sexual têm acontecido com alta frequência ao longo das décadas de presença militar dos EUA na Coréia, e refletem comportamento que se constata [10] também em incontáveis outros países, em todo o mundo, onde há ocupação militar e bases militares dos EUA.

Rejeição disseminada contra os EUA

Apesar de o virulento antiamericanismo que se vislumbra nas revelações sobre a história da militância política de Psy ter base em incidentes como esses, a Coréia absolutamente não é o país mais antiamericano do mundo.

Pesquisas realizadas na América Latina têm mostrado a presença, também ali, de claro antiamericanismo; [11] um legado do intervencionismo militar norte-americano no continente, bem vivamente manifesto sob a forma de tortura e assassinatos [12] além da subversão e derrubada de regimes e governantes democraticamente eleitos [13] ao longo de muitas da últimas décadas.

Mas, apesar dessas evidências, pesquisa realizada em 2012 pelo Instituto de Pesquisas Pew [14] [No Brasil, segundo essa pesquisa, 61% da população manifesta opinião favorável aos EUA (NTs)] mostrou que é no mundo árabe e no mundo muçulmano onde se encontram as impressões menos favoráveis aos EUA; essas visões negativas foram sensivelmente atenuadas, por curto período, imediatamente depois da primeira eleição de Barack Obama; mas, hoje, já estão novamente ativas, no sentido mais negativo possível, nos níveis que havia na era Bush, quando os índices de rejeição aos norte-americanos explodiram. [15]

Dentre todos os países pesquisados, os países nos quais se manifesta mais alta incidência de antiamericanismo são os de população majoritariamente muçulmana. Mesmo na Turquia e na Jordânia, cujos governos são aliados tradicionais dos EUA, as populações são predominantemente antiamericanas: na Jordânia, apenas 12% da população manifestou opinião favorável aos EUA.

Não por acaso, a Jordânia é, também, país onde vive grande população de refugiados da invasão dos EUA ao Iraque [16], vítimas civis de uma guerra que já não preocupa os cidadãos dos EUA, mas que ainda é causa de desespero e miséria em muitos países em todo o Oriente Médio.

Apesar da quantidade inacreditável de pesquisa que resultou em várias complexas teorias [17] para explicar o desprezo que os EUA inspiram a tantos, o princípio da “Navalha de Ocam” – princípio lógico que determina que a explicação mais simples é quase sempre a mais acertada – sugere que a causa da antipatia crescente é o militarismo norte-americano que deixou pegadas muito fundas na Coréia e que, hoje, devasta o mundo muçulmano.

No Paquistão, onde apenas 9% da população manifestou opinião favorável aos EUA, segundo pesquisa feita pela BBC em 2010, [18] houve vibrante simpatia pelos EUA, em tempos em que Jacqueline Kennedy era recebida por multidões em festa e guirlandas de flores pelas ruas, em visita oficial que fez ao país; [19] e onde a cultura pop norte-americana foi muito ativamente difundida.[20]

Mas tudo isso mudou nas décadas recentes. O que os paquistaneses veem hoje é o custo descomunal da guerra, em termos de vidas ceifadas no vizinho Afeganistão e milhões de refugiados [21] que o conflito faz jorrar sobre o Paquistão.

Os próprios paquistaneses já se veem, cada dia mais, como alvo direto da violência dos EUA; são mortos a tiros nas ruas, [22] por agentes da CIA; são assassinados por aviões-robôs, os drones, operados à distância [23] e são sequestrados e entregues para serem torturados em “buracos negros” clandestinos da CIA [24] espalhados pelo mundo.

Ao fazer guerra massiva contra o Afeganistão e ao ocupar o país, o que desestabilizou e gerou caos social no Paquistão, país cuja população tem profundos laços étnicos e religiosos com o Afeganistão, os EUA contribuíram para converter um relacionamento estável em confronto cada dia mais perigoso, que incendiou os mais ferozes sentimentos antiamericanos, inclusive, hoje, também entre os paquistaneses liberais e seculares. [25]

A degeneração da popularidade dos EUA no Paquistão, contudo, é só uma ilustração de tendência muito mais ampla, de percepção geral extremamente negativa contra os EUA, em vasta região do planeta, reforçada pelo militarismo rampante.

Arrogância e atrocidade

A população dos EUA, que ouve incansavelmente a propaganda interna que promove a versão segundo a qual o país teria papel benevolente no mundo, talvez se surpreenda com a informação de que mais da metade de todos os refugiados que há hoje no planeta fogem, em 2012-3, de guerras feitas pelos EUA.[26]

A guerra em escala rampante, guerra em ritmo industrial, que os EUA movem contra civis em países como o Iraque, o Afeganistão, o Paquistão, o Iêmen e a Somália gerou nesses países, como consequência imediata, uma onda de sentimentos negativos, ainda ignorados por grande parte dos norte-americanos.

Episódios como o estupro de uma menina iraquiana de 14 anos, seguido do assassinato de toda a família, por uma gangue de soldados norte-americanos [27] são atos emblemáticos do sadismo sempre presente nos contatos entre militares e policiais norte-americanos e os povos locais. Mas, num espécie de comédia bizarra de humor negro, os políticos eleitos nos EUA ainda falam sobre “a ingratidão[28] das populações locais, contra as quais as tropas dos EUA atiçam todos os cães da violência e do horror.

Parece haver aí, além de ignorância e do egoísmo mais cego, que se manifestam nas políticas principais dos governos dos EUA, também uma espécie de miopia. Ao mesmo tempo em que os EUA lançam guerra total, invadem e ocupam nações soberanas empurrados pelos mais falsos pretextos [29], assassinam centenas de milhares de civis [30] e geram milhões de refugiados,[31] ainda há, nos EUA, quem pergunte “Por que nos odeiam tanto?”.

Ao mesmo tempo em que militares norte-americanos – que a opinião pública nos EUA é adestrada para ver como heróis inquestionáveis e como orgulhosos símbolos do melhor que a sociedade norte-americana produz – descobrem em inventam novos modos de impor violência sempre crescente contra civis em países árabes e muçulmanos – incluídos aí os ilegais “assassinatos de alvos predefinidos[32] e, como se viu recentemente, também o assassinato de “crianças hostis” [33] no Afeganistão, a reputação dos EUA, como país, despenca em todas as pesquisas de opinião pública que se façam no Oriente Médio e por todo o mundo.

O Afeganistão é exemplo ilustrativo da arrogância essencialmente autodestrutiva das políticas norte-americanas na região. Em 2001, os EUA recusaram-se categoricamente a negociar com os Talibã [34] que haviam manifestado desejo de cooperar para que os EUA alcançassem todos os seus objetivos; ofereceram-se, inclusive, para entregar Osama bin Laden aos norte-americanos. Os EUA recusaram a oferta, sob o argumento puramente retórico segundo o qual os EUA recusar-se-iam a “negociar com o mal”.

Avance o filme para hoje, 11 anos adiante daquele momento. Hoje, depois de dezenas de milhares de mortos e trilhões de dólares desperdiçados, os EUA estão fazendo exatamente isso: estão negociando com os Talibã, exatamente como já poderiam ter feito há uma década [35] – não fossem as políticas de Estado flagrantemente irracionais, construídas por uma mistura de arrogância e sede de sangue.

Se se vê a autoproclamada potência global dominante agir como age, de modo chocantemente estúpido e destrutivo, e ainda surpreender-se por tantos manifestarem tão firme rejeição ao país e suas políticas, a conclusão é clara: os EUA cultivam uma consciência nacional delirante, que compromete gravemente qualquer projeto que o país ainda cultive de vir, algum dia, a conseguir operar com sucesso qualquer política exterior efetiva.

Relação cada dia mais envenenada

Mesmo dentro dos mundos árabe e muçulmano, como além deles, para os que admiram valores apresentados como se fossem norte-americanos, como o secularismo, o direito à livre manifestação de ideias e o direito ao livre empreendimento, a década que passou, de violência sem contenção ou limites, já comprometeu permanentemente a reputação de uma nação que, antes, gozou da mais alta estima entre as elites sociais. [36]

As políticas norte-americanas para o Oriente Médio já são vistas pelas massas e, também, cada vez mais, por porções consideráveis das elites locais, como manifestação de visão de mundo cruel, arrogante e fundamentalmente racista, [37] segundo a qual as populações-alvo de agressão e guerras são consideradas inferiores, gente cujo sofrimento não passa de externalidade desprezível, se se consideram os objetivos das políticas de implantação do poder.

O tipo de brutalidade que os norte-americanos impuseram à Coréia, há décadas, ainda se manifesta num veio de fúria subterrânea que, volta e meia, aflora nos discursos sociais de muitos coreanos. Se se considera essa evidência, vale a pena perguntar quanto tempo ainda falta, até que se disperse a percepção negativa a respeito dos EUA que se vê hoje no mundo muçulmano.

Enquanto perdurar em toda a Região o militarismo norte-americano sem contenção ou limites, a percepção negativa sobre os EUA só aumentará; e o sentimento de antiamericanismo continuará a crescer, minando a capacidade dos EUA para encontrar os aliados que tanto lhes faltam nessa parte tão estrategicamente importante do mundo.

Nada muda, ainda que todas as provas que saltam aos olhos de tantos em todo o mundo sejam sublimadas ou “apagadas” em nome de algum pragmatismo. Nem por isso as provas somem. Quando tiverem de escrever a própria história, os EUA terão de enfrentar o legado do desprezo global, da desconfiança, do ressentimento, frutos amargos do tempo em que o país tanto fez para se autopromover como única superpotência mundial.

Façam o que fizerem, a história dos EUA não poupará a imagem fictícia que tantos americanos ainda cultivam deles mesmos e de seu país.


REFERÊNCIAS


[1] http://news.yahoo.com/blogs/sideshow/gangnam-style-most-viewed-youtube-video-time-134533498.html
[2] http://newsfeed.time.com/2012/12/08/gangnam-rile-psys-past-anti-american-performances-stir-controversy/
[3] http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/2097137.stm
[4] http://www.nytimes.com/2008/08/03/world/asia/03korea.html?pagewanted=all&_r=2&
[5] http://www.bbc.co.uk/history/worldwars/coldwar/korea_usa_01.shtml
[6] http://en.wikipedia.org/wiki/No_Gun_Ri_Massacre
[7] http://www.nytimes.com/2008/08/03/world/asia/03korea.html?pagewanted=all&_r=0
[8] http://latimesblogs.latimes.com/world_now/2011/10/us-military-south-korea-status-of-forces-agreement-sofa-rapes-intenational-diplomacy.html
[9] http://www.nytimes.com/2011/11/02/world/asia/american-soldier-sentenced-for-raping-a-south-korean-woman.html
[10] http://www.wcl.american.edu/hrbrief/v6i3/militaryviolence.htm
[11] http://www12.georgetown.edu/sfs/publications/journal/Issues/sf04/Books%20Shifter.pdf
[12] http://articles.latimes.com/2009/may/03/opinion/oe-langguth3
[13] http://en.wikipedia.org/wiki/1973_Chilean_coup_d'%C3%A9tat
[14] http://www.pewglobal.org/database/?indicator=1&survey=14&response=Favorable&mode=chart
[15] http://www.thedailybeast.com/articles/2012/10/23/reality-check-obama-has-not-restored-america-s-image-in-the-middle-east.html
[16] http://www.guardian.co.uk/world/2007/jan/24/iraq.ianblack
[17] http://www.gatestoneinstitute.org/3362/why-do-they-hate-us
[18] http://www.worldpublicopinion.org/pipa/pipa/pdf/apr10/BBCViews_Apr10_rpt.pdf
[19] http://www.3quarksdaily.com/3quarksdaily/2010/05/jacqueline-kennedy-in-pakistan.html
[20] http://www.npr.org/blogs/pictureshow/2012/08/20/159338659/picturing-pakistans-past-the-beatles-booze-and-bikinis
[21] http://www.opendemocracy.net/opensecurity/zahid-shahab-ahmed/future-of-afghan-refugees-in-pakistan
[22] http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/asia/pakistan/8295780/Raymond-Davis-incident-What-sort-of-diplomat-carries-a-loaded-gun.html
[23] http://www.thebureauinvestigates.com/category/projects/drones/
[24] http://www.reprieve.org.uk/cases/bagram/history/
[25] http://www.newyorkfed.org/research/staff_reports/sr558.pdf
[26] http://thinkprogress.org/security/2011/06/24/253135/half-of-worlds-refugees-are-running-from-u-s-wars/?mobile=nc
[27] http://www.thestar.com/opinion/editorialopinion/article/910678--mallick-remembering-a-very-good-iraqi-girl
[28] http://www.thenation.com/blog/rohrabacher-iraqis-be-more-grateful
[29] http://www.theatlanticwire.com/global/2012/07/bush-administrations-worst-excuses-invading-iraq/54800/
[30] http://en.wikipedia.org/wiki/Lancet_surveys_of_Iraq_War_casualties
[31] http://www.cbc.ca/news/world/story/2010/07/16/f-iraqi-refugees-syria.html
[32] http://www.businessweek.com/articles/2012-10-11/drones-the-morality-of-war-from-the-sky
[33] http://www.guardian.co.uk/world/2012/dec/07/us-military-targeting-strategy-afghanistan
[34] http://www.guardian.co.uk/world/2001/oct/14/afghanistan.terrorism5
[35] http://afpak.foreignpolicy.com/posts/2012/12/05/us_pushes_to_restart_talks_with_taliban
[36] http://www.amazon.ca/Destiny-Disrupted-History-Through-Islamic/dp/1586488139/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1355043460&sr=8-1
[37] http://www.globalresearch.ca/racism-and-islamophobia-in-america/26014


Fonte: redecastorphoto
Imagem: Google


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Eva Golinger: Chávez



A primeira vez que conheci Hugo Chávez foi na ONU, em Nova York, em janeiro de 2003. Perguntou meu nome, como se estivéssemos conversando como grandes amigos minutos após conhecer-nos.

Por Eva Golinger, em Adital

Quando lhe respondi "Eva”, me disse "sabes que meu irmão se chama Adão?”, e continuou: "Minha mãe queria que eu fosse mulher para me chamar de Eva; mas, ‘saí eu’!” Riu com aquele seu modo de rir, tão sincero e puro que sempre contagia a todos os que o escutam. ‘Saiu ele’. Chávez subestimava-se.

Saiu um homem maior do que a vida, com um imenso coração cheio de povo, pulsando pátria. Saiu um ser humano com uma enorme capacidade de persistir e manter-se de pé frente aos mais poderosos obstáculos.

Hugo Chávez sonhou o impossível e o conseguiu. Assumiu a responsabilidade das grandes e difíceis tarefas que estavam pendentes desde a época da independência. O que Simón Bolívar não podia alcançar devido às forças adversas, Chávez cumpriu e tornou realidade. A Revolução Bolivariana, a recuperação da dignidade venezuelana; a justiça social; a visibilidade e o poder do povo; a integração latino-americana; a soberania nacional e regional; a verdadeira independência; a realização do sonho da Pátria Grande e muito mais. Todos esses são conquistas de Chávez, aquele homem que ‘saiu assim’...

Há milhões de pessoas ao redor do mundo que veem em Hugo Chávez uma extraordinária inspiração. Chávez levanta a voz sem tremer ante os mais poderosos; diz as verdades –o que os outros temem dizer-; nunca se ajoelha diante de ninguém; anda firme com dignidade, a cabeça erguida, sempre com o povo como horizonte e a visão e sonho da pátria próspera, justa e feliz. Chávez nos presenteou com uma fortaleza coletiva para combater as desigualdades, as injustiças; para construir pátria e para crer que um mundo melhor não é só um sonho; é algo realizável.

Chávez, um homem que poderia andar com os mais ricos e poderosos do mundo, prefere estar com os mais necessitados, sentindo as dores, abraçando-os e buscando como melhorar suas vidas.

Recordo um conto que ele narrou uma vez, ou várias vezes, como costuma fazer. Andava em sua caravana por uns desses caminhos largos e planos que parecem levar ao infinito. De repente, apareceu um cachorro à margem da estrada, caminhando coxo, com uma pata ferida. Chávez deu ordem para parar a caravana e saiu para recolher o cachorro. O abraçou e disse que deviam levá-lo a um veterinário. "Como podemos deixá-lo aqui, solto e ferido?”, perguntou. "É um ser; é uma vida; temos que cuidá-lo”, disse, demonstrando sua sensibilidade. "Como podemos dizer que somos socialistas se a vida dos demais não nos importa? Temos que amar e cuidar a todos, incluindo aos animais, que são uns inocentes”.

Quando narrou esse conto, me fez chorar. Chorei porque amo os animais e são tão maltratados por tantos... Foi necessário que alguém como Chávez fizesse esse tipo de declaração para despertar consciências sobre a necessidade de cuidar aos que coabitam conosco nesse planeta. Porém, também chorei porque naquele momento Chávez confirmou algo que eu já sabia; que eu sentia; porém, que, às vezes, colocamos em dúvida. Ele confirmou que, no fundo, é um ser simples, sensível e amoroso. Um ser cujo coração dói quando vê um cãozinho ferido. Um ser que não só sente; mas, atua. Assim saiu ele.

Quando Chávez chegou à presidência da Venezuela, o país andava coxo. Ele havia visto suas feridas e sabia que tinha que fazer tudo o que podia para ajudá-la. Levou a Venezuela em seus braços, apertadinha, buscando como melhorá-la. Entregou tudo dele –seu suor, alma, força, energia, inteligência e amor- para convertê-la em dignidade, desenvolvimento, soberania, pátria. Atendeu-a dia e noite; nunca a deixou sozinha. Encontrou sua beleza, sua fortaleza, seu potencial e sua grandeza. Ajudou-a a crescer, forte, linda, visível e feliz. Impulsionou seu renascimento e encheu seu pulso de força e paixão, de poder popular e povo digno.

Chávez entregou tudo de si sem pedir nada em troca. Hoje, a Venezuela cresce e floresce, graças a sua entrega; graças à sua dedicação; graças ao seu amor.

Ainda bem que ‘saiu assim’: Chávez!



Fonte: Vermelho

Imagem: Google


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Setembro/2012

Un perro irrumpió en la rueda de prensa que realiza el presidente Hugo Chávez, generando una reflexión del Mandatario.

“Bienvenido caballero. Qué elegante ¿No? Ese perro es de la Cancillería, es de Nicolás. Bueno, aquí hay de todo”, dijo Chávez causando la risa de los presentes. Más adelante, Chávez preguntó quién es el mejor amigo del hombre, y recibió como respuesta “el hombre”.

“Yo no lo creo. El hombre no es el mejor amigo del hombre, a mi parecer (…). Hay un debate de siglos ¿Es el hombre el hijo del hombre o el lobo del hombre? Quién se impondrá al final ¿El hombre o el lobo del hombre? Esa es la batalla”, reflexionó.




É inútil. O Brasil sabe que querem destruir Lula




Os brasileiros estão sempre esperando uma nova acusação contra Lula. Ele foi acusado até quando contraiu câncer, por não se tratar no sistema público de saúde. Afinal, como pode um retirante nordestino querer se tratar em hospitais que deveriam ser exclusividade de políticos com pedigree, como FHC?



Por Eduardo Guimarães


Vai se cumprindo o script. É tudo tão previsível que chega a dar preguiça de comentar. Lula não é menos alvo hoje do que era há dois, quatro, seis, oito, dez, vinte ou vinte e dois anos. Entre 1989 e 2012, ele foi acusado de ser racista, abortista, ladrão, pedófilo, estuprador e assassino, entre outros. Não se consegue lembrar acusação que não tenha sofrido.

A cada manchete contendo uma “bomba” contra Lula, quase é possível ouvir os barões da mídia, seus pistoleiros e a oposição partidária de direita exclamarem “Agora vai”, ou seja, que, desta vez, desmoralizarão o retirante nordestino que se tornou um dos maiores líderes políticos do mundo.

Os mesmos jornais, revistas, rádios e televisões que dia após dia, sem um único intervalo, durante as últimas duas décadas tratam de tentar desmoralizar esse homem com todo tipo possível e imaginável de acusação, renovam suas esperanças pérfidas a cada nova tentativa.

Já usaram até uma ex-namorada de Lula para destruir sua imagem pública – ela o acusou de abortista e de racista. Já publicaram acusação de que ele tentou estuprar um garoto de 15 anos; já disseram que assassinou 200 passageiros de um voo comercial que terminou em tragédia.

Os brasileiros estão sempre esperando uma nova acusação contra Lula. Ele foi acusado até quando contraiu câncer, por não se tratar no sistema público de saúde. Afinal, como pode um retirante nordestino querer se tratar em hospitais que deveriam ser exclusividade de políticos com pedigree, como Fernando Henrique Cardoso?

Alguém imagina que se um dia o ex-presidente tucano adoecer gravemente a oposição midiática irá cobrar dele que se trate em hospitais públicos? Alguém irá cobrar o mesmo de José Serra ou de Geraldo Alckmin?

Contra Lula, argumentam que deveria se tratar no sistema público porque, durante seu governo, exaltava as obras que fez no setor, como se todo governante não fizesse o mesmo. A diferença é que um eventual câncer de FHC ou de outros políticos “com pedigree” nem seria noticiado.

Sobre Marcos Valério, chega a ser ridículo ter que explicar que ele está à beira do desespero por estar prestes a voltar às masmorras em que já sofreu toda sorte de sevícias. Sua estratégia para tentar escapar é oferecer ao Judiciário partidarizado e à mídia oposicionista o que mais desejam: uma acusação que permita a abertura de um processo contra Lula.

A direita midiática, claro, não conseguirá indispor Lula com o povo. Já houve acusações piores e nunca deram certo. Mas o objetivo não esse.

A esperança é a de que o inquérito que o atual procurador-geral da República certamente irá instalar antes de agosto, quando deixará o cargo, crie constrangimento para uma candidatura de Lula à Presidência ou até ao governo de São Paulo, ainda que sem condenação em primeira instância uma eventual candidatura sua não possa ser impedida pela lei da ficha limpa.

Enfim, nada de novo no front. Por falta de votos, a direita midiática tenta conseguir no tapetão o que não consegue nas urnas. Será inútil, mais uma vez. A maioria dos brasileiros não irá arriscar o bem-estar social que conquistou em troca de discursos “éticos” em favor de políticos como os tucanos, contra os quais pesa tanto ou mais do que contra os petistas.

A única esperança para essa direita midiática retomar o poder seria a crise mundial produzir desemprego, queda dos salários e inflação por aqui. A chance, porém, é muito pequena. Os governos Lula e Dilma provaram ao país que é possível atravessar crises sem empurrar a conta para a maioria. Portanto, esse novo “plano infalível” terá o mesmo destino dos outros.




Fonte: Pragmatismo Político
Imagem: Blog da Cidadania

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Capriles, o urubu do Império Americano aguarda...



Após a escolha, feita pelo próprio presidente Hugo Chávez, do vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro para comandar a Venezuela, a oposição, liderada por Enrique Capriles, que perdeu últimas as eleições no país, movimenta-se para ganhar espaço e pressionar.


Oposição reage à escolha de sucessor de Chávez



De Monica Yanakiew
Correspondente da EBC na Argentina



A escolha, pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do vice-presidente e chanceler Nicolás Maduro como seu sucessor é analisada por especialistas como a busca pela manutenção dos ideais e da coesão da sociedade venezuelana. A oposição, liderada por Enrique Capriles, que perdeu as eleições para Chávez, movimenta-se para ganhar espaço e pressionar.

O presidente da Datanalises, instituto de análise política e econômica na Argentina, Luis Vicente Leon, disse à Agência Brasil que Chávez "sabe" usar seu carisma para assegurar os planos políticos. "Chávez sabe que é melhor consolidar o poder em vida, quando ainda pode usar seu carisma para unir o povo em torno de seu candidato. Ele escolheu Maduro porque o acompanha há anos e tem uma posição moderada, entre os dois extremos do 'chavismo'", acrescentou.

Pela primeira vez, desde que Chávez chegou ao poder, em 1999, a oposição se uniu em torno de um candidato: Enrique Capriles, que conquistou 44% dos votos. Após o anúncio de Chávez sobre a escolha de Maduro como sucessor, Capriles levantou dúvidas sobre a validade legal da decisão.

"Que fique bem claro: na Venezuela há sucessão. Isso não é Cuba, nem uma monarquia em que sobe ao trono aquele que foi designado pelo rei. Não. Aqui, na Venezuela, quando uma pessoa se afasta de um posto, a última palavra sempre será do nosso povo", disse Capriles.

"Para a oposição, é fundamental que Capriles seja reeleito governador de Miranda porque vai se consolidar como alternativa política ao chavismo", disse Leon. "Se ele perder, para a oposição vai ser mais difícil enfrentar Maduro, que é jovem, tem experiência de governo e representa a ala moderada do chavismo".

Anteontem (8), Chávez surpreendeu ao anunciar, em cadeia nacional de televisão, que fará nova cirurgia para a retirada de um tumor maligno na mesma região em que já foi operado, a área pélvica. No discurso, ele indicou que pode se ver obrigado a abandonar a Presidência da República da Venezuela. Mas apelou para que apoiem Maduro, que considera a pessoa ideal para o cargo.

Reeleito, Chávez tem a posse marcada para o próximo dia 10. Mas se ele tiver que abandonar o cargo, mesmo após assumi-lo, novas eleições presidenciais terão que ser convocadas. Maduro só pode ser presidente se vencer nas urnas.

Ex-motorista de ônibus e líder sindical, Maduro, que desempenha dupla função no governo – vice-presidente, indicado por Chávez, e ministro das Relações Exteriores da Venezuela – acompanha o presidente há seis anos.



Fonte: 247

Imagem: Google

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Disse Capriles:
 

"Que fique bem claro: na Venezuela há sucessão. Isso não é Cuba, nem uma monarquia em que sobe ao trono aquele que foi designado pelo rei. Não. Aqui, na Venezuela, quando uma pessoa se afasta de um posto, a última palavra sempre será do nosso povo."


Qual é o "nosso povo" ao qual Capriles se refere?

Ao povo venezuelano ou ao "nosso povo" do Império Americano???

(Burgos Cãogrino)









EUA introduziram novamente tropas no Iraque



Os EUA introduziram secretamente no Iraque cerca de 3 mil militares, comunica a mídia iraniana.

As tropas americanas teriam sido introduzidas em pequenos grupos a partir do Kuweit, ação essa empreendida “em relação direta com a situação na Síria e no Irã”. Mais 17 mil americanos estariam no Kuweit à espera de serem transportados para o Iraque.



Fonte: Voz da Rússia
Imagem: Naval Brasil
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