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domingo, 6 de abril de 2014

Genocídio em Ruanda




Os EUA estavam por trás do Genocídio de Ruanda: Instalando um Protetorado Americano na África Central

Por Michel Chossudovsky


Desde o início da guerra civil de Ruanda em 1990, a agenda oculta de Washington consistia em estabelecer uma esfera de influência americana em uma região historicamente dominada pela França e a Bélgica. O projeto americano era deslocar a França de apoiar a Frente Patriótica Ruandense [RPF] e armar e equipar seu braço militar, o Exército Patriótico Ruandense (RPA)

Em meados da década de 1980, o governo de Kampala sob o Presidente Yoweri Musaveni tinha se tornado a peça de mostragem da democracia africana para Washington. Uganda tinha também se tornado uma plataforma de lançamento para movimentos de guerrilha patrocinados pelo governo no Sudão, Ruanda e Congo.
Paul Kagame
O Major General Paul Kagame tinha sido o chefe da inteligência militar nas Forças Armadas Ugandenses; ele tinha sido treinado no Comando do Exército dos EUA e no Staff College (CGSC) em Leavenworth, Kansas que se concentra no combate de guerra e estratégia militar. Kagame voltou de Leavenworth para liderar o RPA, pouco depois da invasão de 1990.

Antes da irrupção da guerra civil em Ruanda, o RPA era parte das Forças Armadas Ugandenses. Pouco antes da invasão de outubro de 1990 de Ruanda, os ‘rótulos’ militares foram trocados. De um dia para outro, grandes números de soldados ugandenses se uniram aos escalões do RPA. Durante a guerra civil, o RPA foi suprido pelas bases militares das Forças de Defesa do Povo Unido (UPDF) dentro de Uganda. Os funcionários comissionados Tutsi no exército ugandense tomaram posições no RPA. A invasão de outubro de 1990 pelas forças ugandenses foi apresentada a opinião pública como uma guerra de libertação por um exército de guerrilha liderado pelos Tutsi.

A militarização de Uganda

A militarizaçao de Uganda era parte integral da política externa americana. A construção das forças ugandenses UPDF e do RPA tinha sido apoiada pelos EUA e Reino Unido. Os britânicos haviam fornecido treinamento militar na base militar de Jinja:

De 1989 em diante, a América apoiou os ataques conjuntos da RPF com os ugandenses em Ruanda… Havia ao menos 56 relatórios de situação nos arquivos do Departamento de Estado dos EUA em 1991. “Na medida em que as relações americanas e britânicas com Uganda e a RPF se fortaleciam, assim também escalavam as hostilidades entre Ruanda e Uganda”. Em agosto de 1990, o RPF tinha começado a preparar uma invasão com pleno conhecimento e aprovação da inteligência britânica.

As tropas do RPA de Ruanda e do UPDF de Uganda tinham também apoiado o Exército de Libertação do Povo de John Garang em sua guerra seccionista no sul do Sudão. Washington estava firmemente por trás das iniciativas com o apoio encoberto fornecido pela CIA.

Sobretudo, sob a Iniciativa de Reação à Crise na África (ACRI), oficiais de Uganda estavam também sendo treinados por Forças Especiais americanas em colaboração com um grupo mercenário, Recursos Profissionais Militares Inc (MPRI) que estava sob contrato do governo do Estado dos EUA. O MPRI tinha fornecido treinamento similar ao Exército de Libertação do Kosovo (KLA) e as Forças Armadas Croatas durante a guerra civil iuguslava e mais recentemente aos militares colombianos, no contexto do Plano Colombia.

A Militarização e a Dívida Externa de Uganda

Presidente Museveni
A construção da dívida externa ugandense sob o Presidente Museveni coincidiu cronologicamente com as guerras civis congolesas e ruandenses. Com a subida à Presidência de Museveni em 1986, o débito externo de Uganda chegou a 1.3 bilhões de dólares. Com a cobiça por novo dinheiro, a dívida externa subiu em espiral do dia para a noite, aumentando quase que três vezes para 3.7 bilhões em 1997. De fato, Uganda não tinha débito existente com o Banco Mundial no princípio de seu “programa de recuperação econômica”. Em 1997, ele possuia quase 2 bilhões de dólares só no Banco Mundial.

Para onde foi o dinheiro? Os empréstimos estrangeiros ao governo de Museveni tinham sido alvejados para apoiar a reconstrução econômica do país. No despertar de uma prolongada guerra civil, o FMI patrocinou “o programa de estabilização econômica” exigindo maciços cortes no orçamento de todos os programas civis.

O Banco Mundial foi responsável pelo monitoramento do orçamento de Uganda em benefício de seus credores. Sob “revisão dos gastos públicos” (PER), o governo foi obrigado a revelar completamente a precisa alocação de seu orçamento. Em outras palavras, cada categoria de gasto – inclusive o orçamento do Ministério da Defesa – foi aberto para exame pelo Banco Mundial. A despeito das medidas de austeridade [impostas apenas aos gastos civis], os doadores tinham permitido que os gastos de defesa aumentassem sem impedimento.

Parte do dinheiro destinado aos programas civis tinha sido desviado para custear a Força de Defesa do Povo Unido (UPDF), que por sua vez, estava envolvido nas operações militares em Ruanda e no Congo. A dívida externa de Uganda estava sendo usada para financiar estas operações militares em beneficio de Washington com o país e seu povo pagando a conta. De fato, ao cortar os gastos sociais, as medidas de austeridade tinham facilitado a realocação do Estado de rendimentos a favor dos militares ugandenses.

Financiando ambos lados da guerra civil

Um processo similar de financiar gastos militares a partir da dívida externa tinha ocorrido em Ruanda sob o governo de Juvénal Habyarimana. Em uma cruel ironia, ambos os lados na guera civil eram financiados pelas mesmas instituições doadoras e como o Banco Mundial servindo de Cão de Guarda.

O regime Habyarimana tinha a sua disposição um arsenal de equipamento militar, incluindo lançadores de misssel 83 mm que causaram maciça cegueira, os belgas e os alemães fizeram o armamento leve, e armas automáticas como kalachnikovs feitas no Egito, China e África do Sul [bem como ... blindados AML-60 e veículos blindados M3]. Embora parte destas compras tenha sido financiada por ajuda militar direta da França, o fluxo dos desenvolvimentos dos empréstimos dos afiliados do Banco Mundial da Associação de Desenvolvimento Internacional (IDA), o Fundo de Desenvolvimento Africano (AFD), o Fundo de Desenvolvimento Europeu (EDF) bem como Alemanha, EUA, Bélgica e Canadá tinham sido desviados para custearem os militares e a milícia Interhamwe.

Uma investigação detalhada dos arquivos do governo, contabilidade e correspondência realizados em Ruanda em 1996-97 pelo autor – juntamente com o economista belga Pierre Galand -confirmou que muitas das compras de armas tinham sido negociadas fora da estrutura do governo por acordo de ajuda militar governamental por meio de vários intermediários e comerciantes particulares de armas. Estas transações – registradas como gastos de boa fé do governo – não obstantes não haviam sido incluidos no orçamento do Estado que estava sob supervisão do Banco Mundial. Grandes quantidades de facões de mato e outros itens usados nos massacres étnicos de 1974 - rotineiramente classificados como “comodidades civis” – tinham sido importados por regulares canais de comércio.

Segundo arquivos do Banco Nacional de Ruanda (NBR), algumas destas importações tinham sido financiadas em violação aos acordos assinados com os doadores. Segundo os registros do NBR das ordens de importação, aproximadamente um milhão de facões do mato tinham sido importados por vários canais, inclusive por Radio Mille Collines, uma organização ligada a milícia Interhamwe e usados para fomentarem o ódio étnico.


O dinheiro havia sido destinado pelos doadores para apoiar o desenvolvimento social e econômico de Ruanda. Foi claramente estipulado que os fundos não podiam ser usados para importar “gastos militares em armas, munição ou outro material militar’. De fato, o acordo de empréstimo com o IDA do Banco Mundial era até mesmo mais restritivo. O dinheiro não podia ser usado para importar bens civis tais como combustível, alimentos, remédios, roupas e calçados” destinados a uso militar ou para militar. Os registros do NBR não obstante confirmam que o governo de Habyarimana usou o dinheiro do Banco Mundial para importar os facões de mato que tinham sido rotineiramente clasificados como “bens civis”.

Um exército de consultores e auditores tem sido enviado pelo Banco Mundial para avaliar a “performace política do governo” Habyarimana sob o acordo do empréstimo. O uso dos fundos dos doadores para a importação dos facões de mato e outros materiais usados nos massacres civis não apareceram na auditoria independente comissionada pelo governo e o Banco Mundial. (sobre o acordo de empréstimo IDA. (IDA Credit Agreement. 2271-RW). Em 1993, o Banco Mundial decidiu suspender o desenbolso da segunda prestação de seu empréstimo IDA. Tinha havido, segundo a missão do Banco Mundial, desafortunadas “escorregadelas e atrasos” na implementação da política. As reformas de mercado livre não estavam mais a vista, as condições – inclusive a privatização de bens do Estado – não tinham sido realizadas. O fato de que o país estivesse envolvido em uma guerra civil nem mesmo foi mencionado. Como o dinheiro foi gasto nunca foi uma questão.

Conquanto o Banco Mundial tivesse congelado a segunda parcela do empréstimo IDA, o dinheiro garantido em 1991 tinha sido depositado em uma conta Especial no Banco Bruxelles Lambert em Bruxelas. Esta conta permaneceu aberta e acessível ao antigo regime [no exílio], dois meses depois de abril de 1994 dos massacres étnicos.

Acobertamento pós guerra

No despertar da guerra civil, o Banco Mundial enviou uma missão a Kigali com a visão de verificar o chamado “relato de finalização”. Este era um exercício de rotina, grandemente concentrado em matérias macro-econômicas, muito mais do que em questões políticas. O relatório reconheceu que “o esforço de guerra movimentou o antigo governo a aumentar substancialmente os gastos, bem além dos alvos fiscais concordados sob o SAP. A má apropriação do dinheiro do Banco Mundial não foi mencionada. Ao invés, o governo Habyarimana foi congratulado por “ter feito esforços genuinos – especialmente em 1991 – para reduzir os desequilíbrios financeiros domésticos e externos, eliminar as distorções atrazando o crescimento das exportações e introduzir mecanismos baseados no mercado para alocação de recursos…”. Os massacres de civis não foram mencionados; do ponto de vista dos doadores, “nada aconteceu”. De fato o relatório de finalização do Banco Mundial fracassou em até mesmo reconhecer a existência de uma guerra civil antes de abril de 1994.

No despertar da guerra civil: Restabelecendo as Mortais Reformas Econômicas do FMI

Em 1995, mal completado um ano dos massacres étnicos de 1994, os credores externos de Ruanda entraram em discussões com o governo liderado pelos Tutsis da RPF a respeito das dívidas do antigo regime que haviam sido usadas para financiar os massacres. A RPF decidiu reconhecer plenamente a legitimidade destas odiosas dívidas de 1990 a 1994. O homem forte da RPF, o Vice-Presidente Paul Kagame instruiu o Gabinete a não continuar com a matéria ou abordar o Banco Mundial. Sob pressão de Washington, a RPF não entrou em qualquer forma de negociação, sem falar ao menos em um diálogo informal com os doadores.

A legitimidade dos débitos do tempo de guerra nunca foi questionada. Ao invés, os credores cuidadosamente estabeleceram procedimentos para assegurar seu pronto reembolso. Em 1998, um encontro especial dos doadores em Estocolmo, um Fundo Multilateral Trust de 55.2 milhões de dólares foi criado sob a bandeira da reconstrução pós guerra. De fato, nenhum deste dinheiro era destinado a Ruanda. Tinha sido sinalizado para servir as “dívidas odiosas” de Ruanda com o Banco Mundial, o Banco de Desenvolvimento Africano e o Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (IFAD).

Em outras palavras, “dinheiro novo” – que Ruanda eventualmente teria que desembolsar – foi emprestado para que Ruanda pudesse cumprir os serviços da dívida usada para financiar os massacres. Os velhos débitos tinham sido trocados por novos sob a bandeira da reconstrução pós guerra. Os débitos odiosos haviam sido camuflados e tinham desaparecido dos livros. A responsabilidade dos credores tinha sido apagada. Sobretudo, o ato fraudulento foi também condicional sob a aceitação de uma nova onda de reformas do FMI e do Banco Mundial.

“Reconstrução e Reconciliação” Pós Guerra

O amargo remédio econômico foi imposto sob a bandeira da “reconstrução e reconciliação”. De fato, o pacote de reformas do FMI pós conflito era muito mais restritivo do que aquele imposto no início da guerra civil em 1990. Enquanto salários e emprego tinham caído a níveis abismalmente baixos, o FMI havia exigido um congelamento nos salários dos serviços civis juntamente com uma maciça redução dos servidores de saúde e de educação. O objetivo era o de restaurar a “estabilidade macro-econômica”. A desvalorização do serviço civil foi lançada. Os salários dos serviços civis não podiam exceder 4.5% do Produto Interno Bruto, para os assim chamados trabalhadores não qualificados [principalmente professores] que eram para ser removidos da folha de pagamento do Estado.

Enquanto isso, a renda per capita no país havia caído de 360 dólares antes da guerra para 140 dólares em 1995. Os rendimentos do Estado tinham sido alvejados para o serviço da dívida externa. Os débitos do Clube de Paris de Kigali foram reprogramados em troca de reformas de “mercado livre”. Os bens remanescentes do Estado eram vendidos ao capital estrangeiro a preço de barganha.

O governo do RPF liderado pelos Tutsi muito mais do que exigir o cancelamento das dívidas odiosas de Ruanda, tinha recebido as Instituições Bretton Woods de braços abertos. Eles precisavam da luz verde do FMI para impulsionar o desenvolvimento militar.

A despeito das medidas de austeridade, os gastos de defesa continuaram a crescer. O padrão de 1990-94 tinha sido reinstalado. Os empréstimos de desenvolvimento garantidos desde 1995 não foram usados para financiar a economia e o desenvolvimento social do país. O dinheiro externo novamente havia sido desviado para financiar a construção militar, desta vez do Exército Patriótico Ruandense (RPA). E esta construção do RPA ocorreu no período imediatamente precedente ao início da guerra civil no antigo Zaire.

A Guerra Civil no Congo

Seguindo a instalação de um regime cliente em Ruanda em 1994, os EUA treinaram as forças ruandenses e ugandenses para intervirem no antigo Zaire – uma fortaleza da influência francesa e belga sob o presidente Mobutu Sese Seko. Amplamente documentado, as tropas de operações especiais americanas – principalmente Boinas Verdes do 3o Grupo de Forças Especiais de Fort Bragg, N.C.- tinham estado ativamente treinando o RPA. Este programa foi uma continuação do apoio encoberto e ajuda militar fornecida ao RPA antes de 1994. Por sua vez, a consequência trágica da guerra civil ruandense incluindo a crise de refugiados, tinha estabelecido a programação para a participação do RPA de Uganda e Ruanda na guerra civil no Congo:

“Washington bombeou ajuda militar no exército de Kagame, e as Forças Especiais do Exército dos EUA e outras forças militares treinaram centenas de tropas ruandenses. Mas Kagame e seus colegas tinham seus próprios projetos. Enquanto os Boinas Verdes treinavam o RPA, o próprio exército estava treinando os rebeldes do Zaire. Em Ruanda, funcionários americanos publicamente apresentaram o engajamento deles com o exército como quase que inteiramente devotado a treinamentos de direitos humanos. Mas os exercícios das Forças Especiais também cobriram outras áreas, incluindo talentos de combate. Centenas de soldados e oficiais foram arrolados nos programas de treinamento dos EUA, realizados pelas Forças Especiais, tanto em Ruanda quanto nos EUA. Os ruandenses estudaram técnicas de camuflagem, movimento de pequenas unidades, procedimentos de liderança de tropa, desenvolvimento de equipe de soldados [etc]. E enquanto o treinamento se desenrolava, oficiais americanos estavam se encontrando regularmente com Kagame e outros líderes principais de Ruanda para discutir a continuada ameaça militar enfrentada pelo antigo regime vinda do Zaire. Claramente, o foco da discussão dos militares ruandenses e americanos havia mudado de como construir direitos humanos para como combater a insurgência. Com o apoio do presidente de Uganda Museveni, Kagame concebeu um plano para apoiar o movimento rebelde no leste do Zaire [chefiado por Laurent Desire Kabila] … 
Paul Kagame e Bill Clinton
A operação foi lançada em outubro de 1996, apenas umas poucas semanas depois da viagem de Kagame a Washington e a completação da missão de treinamento das forças especiais americanas. Uma vez tendo começado a guerra no Congo, os EUA forneceram ‘ajuda política” a Ruanda. Um funcionário da embaixada americana em Kigali viajou para o leste do Zaire inúmeras vezes para fazer ligação com Kabila. Logo os rebeldes haviam se movimentado. Afastando o exército do Zaire com a ajuda das forças ruandenses, eles marcharam pela terceira maior nação da África em sete meses, com somente poucos engajamentos militares significativos. Mobutu fugiu da capital, Kinshasa, em maio de 1997, e Kabila tomou o poder, mudando o nome do país para Congo. Funcionários americanos negam que tivesse havido pessoal militar americano com as tropas ruandenses no Zaire,durante a guerra, mas relatos não confirmados de presença de aconselhamentos dos EUA tem circulado na região desde o início da guerra.

Interesses Americanos nas Minas

Em jogo nestas operações militares no Congo estavam os extensos recursos do leste e do sul do Zaire que incluem reservas estratégicas de cobalto – de importância crucial para a indústria de defesa dos EUA. Durante os vários meses de guerra civil antes da queda de Mobutu, Laurent Desire Kabila baseado em Goma, leste do Zaire tinha renegociado os contratos de mineração com várias companhias de mineração americanas e britânicas inclusive com a American Mineral Fields (AMF), uma companhia baseada na terra natal do Presidente Bill Clinton, Hope, Arkansas.

Enquanto de volta a Washington, funcionários do FMI estavam ocupados revendo a situação macro-econômica do Zaire. Nenhum tempo foi perdido. A agenda econômica pós Mobutu já havia sido decidida. Em um estudo liberado em abril de 1997, 
Mobutu Sese Seko
pouco de um mês antes que o Presidente Mobutu Sese Seko fugisse do país, o FMI tinha recomendado “parar completa e abruptamente a questão da moeda’ como parte do programa de recuperação econômica. E uns poucos meses mais tarde depois de assumir o poder em Kinshasa, o novo governo de Laurent Kabila Desire recebeu ordens do FMI para congelar os salários do serviço civil como meio de “restaurar a estabilidade macro econômica”. Erodida pela hiper inflação, a média de salário do setor público havia caído a 30.000 novos Zaires (NZ) por mês, o equivalente a um dólar americano.

As exigências do FMI eram equivalentes a manterem a inteira população em uma pobreza abismal. Elas tornaram impossível o início de uma reconstrução significativa pós guerra assim contribuindo para continuar o estímulo para a continuidade da guerra civil congolesa na qual perto de dois milhões de pessoas morreram.

Comentários Finais

A guerra civil em Ruanda foi um esforço brutal para o poder político entre o governo Hutu liderado por Habyarimana apoiado pela França e a Frente Patriótica Ruandense dos Tutsis (RPF) sustentada financeira e militarmente por Washington. As rivalidades étnicas foram usadas deliberadamente na busca dos objetivos geopolíticos. Tanto a inteligência francesa quanto a CIA estiveram envolvidas.


Nas palavras do ex Ministro de Cooperação Bernard Debré no governo do Primeiro Ministro Henri Balladur:

“O que esquecemos de dizer é que se a França estava de um lado, os americanos estavam do outro, armando os tutsis que armaram os ugandenses. Não quero retratar um fechamento entre os franceses e os anglo-saxônicos, mas a verdade deve ser dita”.

Além da ajuda militar às facções guerreiras, o fluxo de empréstimos de desenvovimento desempenharam um importante papel em “financiar o conflito”. Em outras palavras, tanto as dívidas externas de Uganda como as de Ruanda foram desviadas para apoiar os militares e paramilitares. A dívida externa de Uganda aumentou para mais de dois bilhões de dólares – isto é, um passo mais rápido do que aquela de Ruanda (um aumento de aproximadamente 250 milhões de dólares de 1990 a 1994). Em retrospecto, o RPA -financiado pela ajuda militar dos EUA e a dívida externa de Uganda – foi muito melhor equipado e treinado do que as Forças Armadas de Ruanda (FAR), leais ao Presidente Habyarimana. Desde o início, o RPA tinha uma definitiva vantagem militar sobre a FAR.

Paul Kagame
Segundo o testemunho de Paul Mugabe, um antigo membro da unidade de Alto Comando da RPF, o Major General Paul Kagame tinha pessoalmente ordenado o abate do avião do Presidente Habyarimana tendo em vista tomar o controle do país. Ele estava plenamente ciente que o assassinato de Habyarimana desencadearia o “genocídio” contra os civis Tutsi. As forças do RPA tinham sido completamente empregadas em Kigali no tempo em que ocorreram os massacres étnicos e não agiram para evitar que isto acontecesse:

“A decisão de Paul Kagame de abater o avião do Pres. Habyarimana foi um drama catalístico e sem precedentes na história de Ruanda, e o Major-General Paul Kagame tomou esta decisão com toda consciência, A ambição de Kagame causou o extermínio de todos da nossas famílias : Tutsis, Hutus e Twas. Todos perdemos. A tomada de poder de Kagame tomou as vidas de um grande número de Tutsis e causou um êxodo desnecessário de milhões de Hutus,muitos dos quais eram inocentes sob as mãos dos lideres dos grupos de genocídio. Alguns ruandenses ingênuos proclamaram Kagame como salvador deles, mas o tempo tem demonstrado que foi ele que causou o nosso sofrimento e infortúnio. Pode Kagame explicar ao povo ruandense porque ele enviou Claude Dusaidi e Charles Muligande para New York e Washington para parar a intervenção militar da ONU que supostamente foi enviada para proteger o povo ruandense do genocídio? A razão por trás de evitar a intervenção militar era permitir que a liderança do RPF tomasse o governo de Kigali e mostrasse ao mundo que eles – o RPF – eram aqueles que pararam o genocídio. Todos nos lembraremos que o genocídio ocorreu durante três meses, até mesmo embora Kagame tenha dito que ele era capaz de parar isto na primeira semana depois da queda do avião. Pode o Major-General Paul Kagame explicar porque ele pediu ao MINUAR para deixar o solo de Ruanda dentro de horas enquanto a ONU estava examinando a possibilidade de aumentar suas tropas em Ruanda para parar om genocídio?”

O testemunho de Paul Mugabe a respeito do abate do avião de Habyarimana ordenado por Kagame é corroborado por documentos da inteligência e informação apresentada no inquérito do parlamento francês. O Major General Paul Kagame foi um instrumento de Washington. A perda de vidas africanas não importava. A guerra civil em Ruanda e os massacres étnicos foram uma parte integral da política externa americana, cuidadosamente programada de acordo com precisos objetivos estratégicos e econômicos.



A despeito das boas relações diplomáticas entre Paris e Washington e a aparente unidade da aliança militar ocidental, foi uma guerra não declarada entre os EUA e a França. Ao apoiar a construção de forças ugandenses e ruandenses e intervir diretamente na guerra civil congolesa, Washington também tem uma responsabilidade direta pelos massacres étnicos cometidos no leste do Congo, incluindo várias centenas de milhares de pessoas que morreram nos campos de refugiados.



Os fazedores americanos da política estavam plenamente cientes que uma catástrofe era iminente. De fato, quatro meses antes do genocídio, a CIA havia avisado o Departamento de Estado dos EUA em uma instrução confidencial que os Acordos de Arusha fracassariam e que “se as hostilidades recomeçassem, então mais de um milhão de pessoas morreriam”. Esta informação foi subtraída da ONU: “não foi senão quando o genocídio havia acabado que a informação foi transmitida ao Maj.-Gen. Dallaire [que estava a cargo das forças da ONU em Ruanda].”

O objetivo de Washington era deslocar a França, desacreditar o governo francês [que havia apoiado o governo de Habyarimana) e instalar um protetorado anglo-americano em Ruanda sob o Major General Paul Kagame. Washington deliberadamente nada fez para evitar os massacres étnicos.

Quando uma força da ONU foi proposta, o Major General Paul Kagame buscou retardar sua implementação afirmando que somente aceitaria uma força de paz uma vez que a RPA estivesse no controle de Kigali. Kagame “temia que a proposta força de paz da ONU de mais de 5.000 soldados pudesse intervir e evitar a vitória da RPA”. Enquanto isso, o Conselho de Segurança depois de deliberação e relato do Secretário Geral Boutros Boutros Ghali decidiu adiar sua intervenção.

O genocídio de 1994 em Ruanda serviu estritamente a objetivos estratégicos e geopolíticos. Os massacres étnicos foram uma catastrófica explosão na credibilidade da França que possibilitou aos EUA estabelecerem uma nova neo colonia na África Central. De uma base distintamente franco-belga, a capital ruandesa de Kigali tinha se tornado – sob o expatriado governo tutsi liderado pela RPF – distintamente anglo-americana. O inglês se tornou a lingua dominante no governo e no setor privado. Muitos negócios particulares de propriedade de Hutus foram tomados em 1994 pelos retornantes expatriados Tutsis. Os últimos haviam se exilado na África anglófona, os EUA e a Grã Bretanha.

A influência francesa política e cultural será eventualmente apagada. Washington tem se tornado o novo mestre colonial de um país francófono.

Vários outros países francófonos na África Sub sahariana tem entrado em acordos de cooperação militar com os EUA. Estes países são notificados por Washington para seguirem o padrão estabelecido em Ruanda. Enquanto isto, na África francófona o dólar americano rapidamente está substituindo a moeda francesa – que é ligada a um acordo de moeda ao Tesouro Francês.


6 comentários:

taawaciclos disse...

Olá Burgos.

De facto a única coisa que importa nesta civilização é a idolatração do DEUS DINHEIRO.

Não há um único país de África que não esteja a ser alvo da gula das Corporações dos países Ocidentais!

Portroikal, está como é evidente, na lista de países exploradores dos povos que habitam estas terras do planeta!

Só resta deixar passar o tempo, e irmos tentando abrir os olhos, depois o cérebro, e finalmente o mais importante, o coração aos que nos estão mais próximos!

MUTAÇÃO é urgente!

Bjhs e Festinhas
a Todos
VOZ

Anônimo disse...

Quanta crueldade.Isso não é humano,esses bichos estão mesmo entre nós?O povo da Terra precisa se organizar para combater esses Illuminati ou estaremos todos perdidos, digo mortos.Estou a cada dia mais descrente desses chamados de "humanos" e muito preocupado com o que vai acontecer com nossos filhos e netos,porque a coisa só ta começando,vamos todos nos preparar para o pior esse eixo do mal não tem limites.Obrigado Burgos pelo espaço vc e outros são o nosso veiculo de comunicação pelo mundo Obrigado amigo.Antnio

BURGOS disse...

Voz

Desculpe a demora em responder, é exatamente isso meu amigo as pessoas tem que começar a abrir o coração, pois enquanto isso não acontecer veremos muito genocídio ainda a acontecer. Temos que ter consciência que somos um coletivo e não esse individualismo que querem que acreditemos.

Um grande abraço meu grande amigo

BURGOS disse...

Anônimo

Eu é que tenho que lhe agradecer pela visita, não fique descrente meu amigo, reaja e tenha consciência de que em algum dia isso haverá de acabar.

Um grande abraço

Octopus disse...

Amigo Burgos,

Já escrivi sobre este assunto e tens toda a razão.

Um abraço

BURGOS disse...

Octopus

Nós não nos cansaremos nunca de escrever e falar sobre esse assunto.


Um grande abraço meu querido amigo

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