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domingo, 1 de julho de 2012

Império Americano começa a desmoronar





Cidade da Califórnia entra em bancarrota: o mundo já não é o que era


Depois de três meses de tentativas infrutíferas para obter um acordo financeiro com os seus credores, a cidade de Stockton (foto), do Estado da Califórnia (a 96 quilómetros a leste de São Francisco, ver mapa), solicitou dia 27/06 formalmente a entrada em falência para evitar uma situação de caos incontrolável.

As negociações para chegar a um acordo financeiro fracassaram e de nada serviram os cortes draconianos de mais de 90 milhões de dólares aplicados nos últimos três anos para conseguir desejado equilíbrio orçamental.Fica um buraco de 26 milhões de dólares impossível de reverter e uma cratera na saúde de 400 milhões. É por isso que para Bob Deis, o administrador da cidade, a declaração de bancarrota é equivalente a pressionar a tecla "pausa", para manter intactos os serviços e proporcionar uma estrutura "de resgate". O Estado da Califórnia, a oitava economia do planeta, começa a sofrer os efeitos da crise.

Com pouco mais de 300 mil habitantes, Stockton é a maior cidade dos Estados Unidos a declarar-se falida. Tem a taxa mais alta de desemprego da Califórnia (20%) e ocupa o segundo lugar nas execuções hipotecárias do país, como se pode constatar por estas imagens do flickr com habitações à venda. Apesar de Stockton ter sido uma das cidades mais pujantes da Califórnia nos anos 60, após o estalar da crise do subprime em 2007 e o abandono das habitações pelos seus moradores endividados, conta com bairros esvaziados de habitantes nos quais prospera a lei da rua e o crime. Não se pode esperar outra coisa quando se cortou um terço da polícia, um terço dos bombeiros e cerca de 40% dos funcionários dado que não podem ser pagos.

O colapso dos ativos imobiliários traduziu-se por uma importante queda das receitas públicas respeitantes às receitas da propriedade e a situação é tão calamitosa que a revista Forbes concedeu-lhe o prémio da cidade mais terrível dos Estados Unidos durante dois anos consecutivos.

O que ocorreu em Stockton?

Para conseguir captar o que se passou nesta cidade próxima de São Francisco, Sillicon Valley e Sacramento, é interessante constatar que no começo do milénio era uma zona agrícola sem pretensões que foi invadida por uma especulação com os solos sem precedentes. Desde projetos imobiliários gigantescos à construção de enormes edifícios que transformaram a vida aprazível de uma cidade que vivia da agricultura, Stockton foi invadida por sonhos fantásticos de grande luxo que acabaram no pântano.

Apesar do brilhantismo de alguns projetos, não se conseguiu atrair as multidões que se esperavam e a cidade foi-se afundando na espera. Um espera que desespera dado que após dois, três, quatro anos as vendas não tomaram o ritmo apontado pela teoria da oferta. E enquanto o tempo passa, como canta Mercedes Sosa, os interesses continuam a crescer. Se alguém ainda tem dúvidas, faço este link para o drama de Pioz, onde as casas sem ser vendidas e o custo dos juros para a localidade pode levar a localidade a estar mais de sete mil anos a pagar a dívida. Está bem escrito: sete mil anos a pagar a dívida.

Tudo isto mostra a doença de um modelo económico que apostou sempre em ganhar baseando-se num pseudo, raquítico e hoje desprezível otimismo organizado pela via do consumo, sem ter em conta a necessidade do emprego para manter esse nível de consumo, e sem ter em conta, ainda menos, da necessidade de que esse nível de emprego seja sustentável no tempo.

Que não fiquem dúvidas de que o que agora vemos em Stockton, e que a imprensa não informa, continuará noutras cidades dos Estados Unidos e também em muitas outras cidades onde a bolha imobiliária permitiu o enriquecimento de um punhado e o empobrecimento da grande maioria. Agora que é preciso pagar a conta, e os milhares que acreditaram e compraram as delícias do modelo económico imperante. Os primeiros pecaram por intenção e os segundos por omissão. Mas estes últimos terão maiores penitências. A ignorância paga-se. É a primeira lição econômica que será marcada a fogo: a ignorância paga-se. E paga-se caro.




Tradução: Carlos Santos/esquerda.net
Imagem: Google

7 comentários:

voz a 0 db disse...

Olá Burgos...

Tinha lido aqui sobre esta notícia, e estava a achar engraçado não ser alvo de atenção... Mas também ainda está tudo mamado por causa do euro2012, agora vem aí os olímpicos, para manter as MANADAS vidradas... Enfim sempre os mesmos truques! Afinal se resultam tão bem para que alterar a fórmula, não é?!?

De resto... Esta foi uma de muitas!

Cá em Portroikal, se existissem políticos sérios e honestos (que piada tão seca!) muitas já estavam igualmente com declaração de falência!

Bjhs e festinhas

BURGOS disse...

Voz

É o tipo de notícia que a mídia não dá destaque, e enquanto isso distrai o povo com o campeonato de futebol.
Pelo menos o povo europeu está feliz com a eurocopa, nada melhor que o riso e a felicidade efemera, hehehehehe.
Arriba Espanhaaaaaa!!!!
A felicidade "plena" para os espanhóis.


Um grande abraço meu amigo

Anônimo disse...

Muito bom o artigo, tirando o tom ideológico contra o capitalismo, vale lembrar que especulação não faz parte do capitalismo, assim como a desinformação que esta ocorrendo em todo o mundo com governos incentivando o consumismo, ao invés da poupança, o imediatismo ao invés do trabalho e a paciência para alcançar o bemdesejado.
A especulação deveria ser tratado como crime ao invès disso passam a mão na cabeça e idolatram os especuladores como fazem do o tal EIKE aqui no Brasil, um sujeito que ficou rico graças a "clarividência" (Informação privilegiada) do Pai.

voz a 0 db disse...

O capitalismo, filho bastardo do SISTEMA MONETÁRIO, é tão útil como o próprio SISTEMA MONETÁRIO...
Ambos podem, e DEVEM, ser abolidos se queremos inverter o RUMO actual...

walner disse...

Burgos e 0db,

O capitalismo só pode descambar pra isso. Até quando pensam que o planeta pode sustentar o crescimento baseado na pouca durabilidade dos produtos produzidos? Quantas geladeiras, máquinas de lavar, fogões, automóveis, tvs, se fazem necessários durante o curso de uma vida? Tudo em nome do crescimento do PIB, da manutenção das taxas de emprego, maior balela. Isso pra não falarmos do acúmulo de riquezas nas mãos de cada vez menos pessoas.

Há alguns anos li um documento que apontava que na primeira metade do século passado, havia mais de 100 montadoras automobilísticas no mundo (desculpem não me lembrar com exatidão). Na época do estudo, talvez há uma década, havia menos de 20 e o cenário era para menos de uma dezena num futuro próximo. A Itália é um exemplo: quase todas as montadoras pertencem à Fiat. Isso se estende à todos os setores produtivos, ou alguém tem duvidas?

0db, com certeza, deve lembrar duma ilustração em seu blog que mapeava os tentáculos das grandes corporações. É pra isso que o capitalismo se presta: monetizar os abastados.

Não prego que a salvação seja o comunismo, até porque creio, como muitos, que a intenção seja esta mesmo, um totalitarismo, não como o da velha União Soviética com sua ditadura do proletariado, mas da tão evidente ditadura das corporações.

Como gado já nos alimentamos das rações OGMs, só nos falta o abate.

Abraços.

walner disse...

Desculpem, na verdade o abate já anda em execução. Não nos falta nada.

Tibiriçá disse...

Eu sou um pouco suspeito para escrever alguma coisa sobre o assunto, pois não acredito em sistemas político-econômicos e é o que sempre procuro deixar transparente no meu "bloguezinho" o "inho" é por conta do carinho. Mas filosoficamente falando por todos esses anos que vejo o mundo pela janela, além de participar dele é claro, não acredito mais salvação coletiva da espécie humana, essa não tem mais jeito. Porém, tem algo que pode ser usado como uma alternativa ao poder vigente, usurpado que foi pela nossa própria ignorância e preguiça, e para mim a solução está na essência do "anarquismo" não no sentido pejorativo do termo como é conhecido, mas tratá-se da autodeterminação dos indivíduos, e para mim o maior lema disso está escrito no frontispício do blog do Burgos "Não ande atrás de mim, talvez eu não saiba liderar. Não ande na minha frente talvez eu não queira seguí-lo. Ande ao meu lado, para podermos caminhar juntos". Bem, esse é um ponto que para mim é pacífico.

E a propósito coloquei também um assunto relacionado com a "queda do império" quem tiver interesse é só dar uma olhada.

http://prezadocarapalida.blogspot.com.br/2012/07/chineses-compram-cidades-estadunidenses.html

Abraços a todos.

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