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domingo, 18 de setembro de 2011

E SE A PRIMAVERA ÁRABE VIRAR UM PESADELO ?


Por Rui Martins, de Berna, Suiça

“E se a primavera árabe virar um pesadelo ? As primeiras suspeitas surgiram com o primeiro discurso do chefe do Conselho Nacional de Transição da Líbia, o ex-ministro de Kadafi, Mustafá Abdel Jalil.

Surpreendendo muitos ocidentais que apoiaram a iniciativa de Sarkozy e Cameron de atacar a Líbia e que levaram a OTAN a criar, com seus bombardeios, condições para a queda de Kadafi, o novo homem forte na Líbia declarou que a religião islamita será a principal fonte da legislação no país. E citou, claramente, a “chariá”, conjunto dos mandamentos de Deus constantes do Corão muçulmano, de retorno à sociedade líbia.

Assim como Moisés definiu no “Pentateuco” do Velho Testamento as principais exigências ao povo hebreu, inclusive relacionadas com o comportamento, alimentação, vida familiar, assim também a “chariá” engloba os cinco preceitos principais –obrigatórios, recomendados, permitidos, desaconselhados e proibidos. A “chariá” é a lei em países como a Arábia Saudita, Irã, Sudão, uma parte do Paquistão e no Afeganistão dos talibãs.

Diga-se de passagem, nos países onde se faz a leitura literal do Corão e dos preceitos e tradições da “chariá”, trata-se de uma lei cruel, rejeitada pela União Européia, pela qual as mulheres perdem, praticamente, todos os direitos conquistados durante o governo Kadafi. E, se a pressão dos fundamentalistas aumentar, como pode ocorrer, já que alguns dos chefes vitoriosos fizeram treinamentos no Afeganistão como militantes da Al Qaeda, as mulheres poderão ser obrigadas a utilizar a burca. Em todo o caso, o “chador” ou véu voltará a ser obrigatório.

Em termos de geopolítica, a implantação de governos teocráticos ou fundamentalistas islamitas na Líbia e no Egito (parece mais difícil na Tunísia, onde a tradição secular é mais arraigada) do outro lado do mar Mediterrâneo irá, sem dúvida, fragilizar a União Européia e poderá influir no comportamento da população européia, com alguns países aceitando a aplicação da “chariá” dentro das comunidades muçulmanas (e elas são importantes na Alemanha, na França, na Inglaterra e na Holanda), como tinha proposto há dois anos, provocando escândalo, o cardeal de Cantebury em Londres. Ou, no sentido inverso, provocando uma reação dos cristãos e iluministas contra o teocracismo.

Não passou despercebido da imprensa européia o fato de alguns líderes da revolução no Egito levantarem a hipótese de se proibir às turistas o uso do biquini, mesmo se o turismo é a fonte de renda principal para esse país.

As revoluções se fazem, mas no momento de se decidir quem assume o poder, podem acontecer imprevistos, já que podem ocorrer ajustes de contas entre grupos que antes lutavam juntos contra o inimigo comum.

O exemplo mais marcante na história ocidental foi o registrado após a Revolução Francesa, onde os vencedores guilhotinavam seus adversários, para depois serem por sua vez guilhotinados. Isso provocou, do revolucionário francês Georges Danton, a frase «a revolução é como Saturno (figura da mitologia grega) e devora seus próprios filhos».

Em todo caso, uma rápida análise das intervenções ou novas cruzadas dos ocidentais no mundo árabe revela erros gritantes. O presidente americano Bush abriu a Caixa de Pandora no Oriente Médio ao destruir o Iraque, país laico, que garantia o equilíbrio na região e continha os xiitas iranianos.

Sarkozy, Cameron e OTAN imitaram Bush ao destruir a Líbia de Kadafi (sem dúvida um tirano, mas um tirano vindo do panarabismo laico de Nasser) e podem ter aberto as portas para o controle da região por combatentes da Al Qaeda, trazendo o islamismo fundamentalista e sua “chariá” para perto da Europa, mesmo porque, se a Líbia virar fundamentalista, logo será a Argélia e o Marrocos que seguirão

E, parodiando-se Danton, se terá pervertido a primavera árabe e, como aconteceu com o aitolá Komeini, que derrubou o Xá, mas criou no lugar um governo teocrático, igual à época medieval dos cristãos europeus. E como Danton, muitos jovens que lutaram pela democracia e liberdade poderão ser as primeiras vítimas.

Só me resta uma esperança, a de estar enganado.”



Comentário: A "Primavera Árabe" é somente um pretexto no jogo de xadrez da geopolítica internacional para desestabilizar o Oriente Médio e implantar teocracias fundamentalistas? Será o Corão x Torá? Será isso tudo que Israel precisa para justificar depois uma ação militar sem precedentes e fazer uma mudança do eixo político econômico e militar dos EUA e Inglaterra para Jerusalém? E assim poder deflagrar uma possível terceira guerra mundial?
É bem possível que isso aconteça, afinal eles são a raça escolhida pelo "Deus" deles.

(Burgos Cãogrino)




FONTE:
escrito por Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos “Brasileirinhos Apátridas” e “Estado dos Emigrantes”, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o “Expresso”, de Lisboa, “Correio do Brasil” e agência “BrPress”. Artigo publicado no site “Direto da Redação” (http://www.diretodaredacao.com/noticia/e-se-a-primavera-arabe-virar-um-pesadelo).

Texto e imagem reproduzido de: http://democraciapolitica.blogspot.com/2011/09/e-se-primavera-arabe-virar-um-pesadelo.html

2 comentários:

Pedro disse...

Olha burgos, pelo que tudo aponta, sua interpretação tem chances gigantescas de estarem corretas...
Abraços meu amigo!

BURGOS disse...

Olha Pedro, eu prefiro acreditar que estou totalmente errado. Só de pensar nisso tenho arrepios, hehehehe.

Abraços

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