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sábado, 31 de março de 2012

O holocausto dos negros



Timothy Bancroft-Hinchey

Muito se fala sobre o holocausto, muito se escreveu sobre os atos chocantes de maldade, barbaridade, crueldade contra vários grupos de pessoas desde os Estados Bálticos, até Europa Oriental e Central e Alemanha. Mas por quê a Escravidão não ocupa um lugar igual nos anais da depravação humana?

23 de março foi um dia de lembrança, um dia de homenagem aos homens, mulheres e crianças que foram arrancadas de suas casas, suas famílias e entes queridos. Onde estava este dia na mídia internacional? Esquecido.


A humanidade se lembra, justamente, das atrocidades do passado, garantindo que ficam nas páginas mais negras da história e fazendo com que as gerações futuras obrigatoriamente se apercebem quão baixo o ser humano pode afundar-se, garantindo que nunca maus esses terríveis atos de crueldade podem acontecer novamente. Muito foi dito e escrito sobre o holocausto judeu, mas sobre o holocausto africano - Escravidão?


Embora não haja registros exatos, foram feitas tentativas para documentar o número médio de escravos arrancados da África e levados para as Américas pelos ingleses, portugueses, espanhois, holandeses, franceses e dinamarqueses. O número oficial é 10 a 11 milhões. Mas vamos pesquisar mais ...

Estimativas credíveis (1) postulam 54 milhões como a cifra de pessoas transportadas contra a sua vontade entre 1666 e 1800. Se levarmos em consideração que o comércio quadruplicou entre 1810 e 1860, e apenas nos EUA, então o valor total seria algo em torno de 200 milhões de pessoas traficadas. Acrescente a isso o efeito sobre as famílias e vemos que este episódio mais terrível de nossa história coletiva é, em termos comparativos, praticamente ignorado.
Forçados a ficar deitados, cabeça contra pé, presos aos seus lugares, sem quaisquer estruturas de higiene ou saneamento, eles chegaram ao destino até seis meses depois num mar de excremento. Ou mortos. E este foi apenas o começo de um pesadelo que em muitos casos viram os escravos tratados como animais, ou pior, obrigados a dormir em condições insalubres e apertadas.

As punições incluíram serem fechados por trás de uma porta pesada, sem espaço para se movimentar durante até três dias, com insetos e escorpiões rastejando por todo o corpo; ser privado de comida e água; ser espancado; ser chicoteado; ser "saqueado" - colocado dentro de um saco, amarrada no pescoço e sendo arrastado ao redor do perímetro da fazenda atrás de um cavalo; ser preso com um anel ao redor do pescoço ou tornozelo; ser atirado para uma masmorra; orelhas cortadas; ossos quebrados; amputação de membros; olhos arrancados; ser enforcado; castração; ser queimado; ser assado. Por quê? Por comer um pedaço de cana de açúcar, por exemplo.

Hoje, 2012, 400.000 pessoas por ano continuam a ser vítimas de escravidão, é por isso que esta coluna raramente é escrita no "Dia da ONU", porque eu considero que todos os dias sejam dias de luta contra a escravidão. Na Mauritânia, um escravo negro pode ser comprado por 11 euros e no Sudão, por 64 Euros. Na Índia, Paquistão, Nepal e Bangladesh, o comércio de escravos continua a processar 25 milhões de euros por ano.

27 milhões de pessoas vivem hoje em condições de escravidão. E não é só em longínquos países como Bangladesh, Sudão ou Mauritânia. De acordo com estatísticas elaboradas por pesquisadores nos Estados Unidos da América (2), "A Agência Central de Inteligência (CIA) estima que 50.000 pessoas são traficadas para, ou transitado através, dos EUA anualmente como escravas sexuais, domésticas, trabalhadores na indústria têxtil, ou escravos agrícolas".

"Entre 100.000 e 300.000 crianças nos EUA estão em risco de tráfico para exploração sexual a cada ano "... 2,8 milhões de crianças nos EUA vivem nas ruas e um terço delas são atraídas para a prostituição dentro de 48 horas depois de sair de casa. Casos de escravidão foram relatados em 90 cidades nos EUA.
Criança dormindo em uma caixa debaixo de uma ponte em Miami

Então, não vamos varrer a escravidão por baixo do tapete, não vamos perpetuar a noção de que isso aconteceu no passado e não continua no presente. Continua, sim e os meios de comunicação internacionais devem assumir a causa, que é uma imensa mancha sobre a identidade coletiva da humanidade.





(1) http://academic.udayton.edu/race/02rights/slave04.htm
(2) http://www.gchope.org/human-slavery-statistics.html

Fonte: Pravda.ru
Imagem: Google

6 comentários:

voz a 0 db disse...

"...e os meios de comunicação internacionais devem assumir a causa..."

Só o farão se conseguirem obter algum LUCRO da propaganda... Porque de resto eles próprios como Indústria consumidora, são uma das principais causas para a Escravatura...

QUAL CAMINHO SEGUIR? disse...

Olá prezado Burgos (Se assim me permite lhe dirigir este) é realmente se tem falado muito das Vitimas do "Holoconto" Judeu e deixamos de fora o que realmente foi "Holocausto" que é e era a escravidão
do povo Africano patrocinada pela Burguesia de algumas décadas atrás agora a Semi escravidão disfarçada de uma tal democracia que não existe...xxiii me dá até náuseas essa tal escravidão moderna
disfarçada de liberdade. bom post meu caro amigo. asta la vista

BURGOS disse...

Voz

Com certeza, só com muito lucro.
E a escravidão bem sabemos que não vai acabar nunca. Mas tenho esperança que pelo menos as pessoas se tornem conscientes.

Um grande abraço meu amigo


PS: Tenho acompanhado a troca de "afetos" entre você e Bruno.

BURGOS disse...

Qual caminho a seguir

A escravidão com certeza foi a pior coisa que existiu no mundo, mostrou o lado mais podre do ser humano, e infelizmente ainda continua, só que agora de uma forma mais "democrática".
Agora somos todos "livres", mas não temos tempo nem para educar os filhos, temos "liberdade" de expressão, mas não podemos falar o que realmente pensamos e acreditamos, pois tememos perder o emprego, aquele que nos dá o dinheiro que servirá para nos sentirmos mais "independentes".
E os meios de comunicação completam com o "padrão" que devemos ser, o que devemos consumir, e o que devemos ouvir e acreditar, e quem ousar desmentir é considerado ditador, e com certeza irá receber uma ajuda humanitária para voltar a "sanidade padrão democrática".

Eu acho que já estou ficando doido como o meu amigo Voz, hehehehehe

Um abraço meu amigo

voz a 0 db disse...

eheheh Meu Lindo Cão... Estás a começar a florescer!
Continua a expandir o Pensamento e qualquer dia podes ir lá ao TEMPO buscar o meu selo de qualidade Insana!

Bravo Amigo...

Anônimo disse...

ESTE BLOG PIRATA SAFADO SEM VERGONHA ,QUE REPLESENTA A ELITE RACISTA COM MENTIRAS ,QUE CHEGA A DIZER QUE OS CULPADOS DA ESCRAVIDÃO SÃO OS PROPIOS NEGROS E CULPA OS ARABES, SO QUE NÃO FALA QUE MAIS DE 80% DO TRAFICO DE ESCRAVOS FORAM FEITOS POR JUDEU,S ASSIM COMO A ESPLORAÇÃO DA ESCRAVIDÃO ,OS JUDEUS NO BRASIL EM PERNAMBUCO ERAM DONOS DAS GRANDES LAVOURAS ASSIM COMO DOS ESCRAVOS FIZERAM GRANDES FORTUNAS ERAM DONOS DA CIDADE RECIFE,E SAIRAM DO BRASIL PARA OS ESTADOS UNIDOS E FUNDARAM A WALL STREET ENTRE NEGOCIOS PRINCIPAIS O COMERCIOS DE ESCRAVOS E DE ARMAS PARA ROUBAR E MATAR OS INDIGENAS . OS ITALINOS COLONIZARAM A SOMALIA, ETIOPIA, ERITREIA MASSACRARAM ESTES POVOS E ASSIM COMO NA LIBIA E OSI TALIANOS NO BRASIL ERAM OS MAIS RACISTAS TANTO QUE NO PALMEIRAS NÃO ACEITAVM JOGADORES NEGROS E AS COTAS JÁ SÃO UMA REALIDADE, QUE OS MIGRANTES DESFRUTARM A MAIS DE 120ANOS E FORAM DADAS A ESTES TODAS AS CONDIÇÕES TERRAS SUBICIDIOS ETCS. E PARA OS NEGROS NADA ?

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